Protocolo de HAS
5 pág.

Protocolo de HAS

Disciplina:Protocolo de Comutaçao18 materiais39 seguidores
Pré-visualização2 páginas
Cuidado Farmacêutico no SUS

DEFINIÇÃO CLASSIFICAÇÃO Categorias de PA em adultos *

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é
uma condição clínica multifatorial
caracterizada por níveis elevados e
sustentados de pressão arterial (PA).
Mais comumente definido como pressão
arterial sistólica (PAS) ≥ 140 mm Hg ou
pressão arterial diastólica (PAD) ≥ 90 mm
Hg.

Classificação Pressão sistólica
(mmHg)

Pressão diastólica
(mmHg)

Normal ≤ 120 ≤ 80

Pré-hipertensão 121-139 81-89

Hipertensão estágio 1 140 – 159 90 – 99

Hipertensão estágio 2 160 – 179 100 - 109

Hipertensão estágio 3 ≥ 180 ≥ 110

Quando a PAS e a PAD situam-se em categorias diferentes, a maior deve ser utilizada para classificação da PA.

Quando as pressões sistólica e diastólica situam-se em categorias diferentes, a maior deve ser utilizada para
classificação da pressão arterial.
*A PA indica pressão arterial (com base em uma média de 3 leituras cuidadosas obtidas em 3 ocasiões).

MEDICAMENTOS QUE PODEM CAUSAR OU AGRAVAR A HIPERTENSÃO

Na avaliação clínica da hipertensão, deve-se ter um histórico cuidadoso em relação a substâncias que podem prejudicar o controle da PA, com atenção
direta não somente aos medicamentos prescritos, mas também medicamentos sem receita, drogas ilícitas e produtos à base de plantas. Quando viável,
os medicamentos associadas ao aumento da PA devem ser reduzidos ou descontinuados, e os agentes alternativos devem ser utilizados.

Medicamentos Possível estratégia de manejo

Imunossupressor
(Ex.,Ciclosporina)

• Considere a substituição para
tacrolimus, associado a menos efeitos
sobre a PA.

Anti-inflamatórios não-
esteroides (Inibidores da
ciclooxigenase 1 e
ciclooxigenase 2)

• Evitar uso sistêmico quando possível

• Considerar analgésicos alternativos
(Ex., paracetamol, tramadol, AINEs
tópicos) dependendo da indicação e
risco

Cafeína • Em geral, limita a ingestão de cafeína
<300 mg / d

• Evite o uso em pacientes com
hipertensão não controlada

• O uso de café em pacientes com
hipertensão está associado aumentos
agudos na PA; o uso a longo prazo
não está associado ao aumento da PA
ou DCV.

Anticoncepcionais orais • Use agentes de baixa dose (por
exemplo, 20-30 mcg de etinilestradiol)
ou uma forma de contracepção
somente de progesterona, ou
considere formas alternativas como os
métodos de barreiras, DIU.

• • Evite o uso em mulheres com
hipertensão não controlada.

Álcool Limitar o álcool ≤ 1 bebida diária para
 mulheres e ≤ 2 bebidas para homens

Medicamentos Possível estratégia de manejo

Corticosteróides sistêmicos
(Ex., dexametasona,
fludrocortisona,
metilprednisolona, prednisona,
prednisolona)

• Evitar ou limitar o uso quando possível
• Considerar vias de administração

alternativas (Ex., tópico, inalação)
quando praticável.

Descongestionantes (Ex.,
Fenilefrina, pseudoefedrina)

• Usar pelo menor tempo possível, evitar
em hipertensão severa ou não
controlada

• Considerar terapia alternativa (Ex.,
Solução fisiológica, corticosteroide
intranasal, anti-histamínico) quando
indicado

Antidepressivos (Ex., MAOIs,
SNRIs, TCAs)

• Considerar agentes alternativos (Ex.,
SSRIs) dependendo da indicação;

• Evite alimentos contendo tiramina com
MAOIs

Antipsicóticos atípicos (Ex.,
clozapina, olanzapina)

• Descontinuar ou limitar o uso quando
possível

• Considerar terapia comportamental
quando indicado

• Considerar agentes alternativos
associados com baixo risco de ganho
de peso, diabetes mellitus e
dislipidemia (Ex., aripripazol,
ziprasidona)

Anfetamina, cocaína e
derivados

• Evitar o uso.

*A lista não inclui todos os medicamentos com potencial de alterar a PA.
PA, pressão arterial; DCV, doença cardiovascular; DIU, intrauterino dispositivo; MAOI, inibidores de monoamina-oxidase; MDPV; AINEs, antiinflamatórios não esteroides;
SNRI, inibidor da recaptação de serotonina e norepinefrina; SSRI, inibidor seletivo da recaptação da serotonina; e TCA, antidepressivo tricíclico.

AVALIAÇÃO DO TRATAMENTO

	
Cuidado Farmacêutico no SUS

Medida da pressão arterial no
consultório

Em cada consulta deverão ser realizadas 3 medidas, sugere-se o intervalo de um minuto entre elas. A média
das médias deve ser considerada a PA real.

Monitoramento ambulatorial da
pressão arterial de 24 horas (MAPA)

O MAPA é o método que permite o registro indireto e intermitente da pressão arterial durante 24 horas ou
mais, enquanto o paciente realiza suas atividades habituais durante os períodos de vigília e sono.

Monitoramento residencial da
pressão arterial (MRPA)

MRPA é o método destinado a fazer registro da PA fora do ambiente de consultório, pelo próprio paciente ou
pessoa capacitada para tal, com equipamento validado e calibrado, durante o período de vigília, por um longo
período de tempo, obedecendo a um protocolo previamente estabelecido e normatizado.

Automedida da pressão arterial
(AMPA)

Medida realizada por pacientes ou familiares, não profissionais de saúde, fora do consultório, geralmente no
domicílio, representando uma importante fonte de informação adicional.
A principal vantagem da AMPA é a possibilidade de obter uma estimativa mais real dessa variável, tendo em
vista que os valores são obtidos no ambiente onde os pacientes passam a maior parte do dia.

Figura 1: Identificação de Hipertensão do Jaleco Branco e Hipertensão Mascarada em paciente em uso de medicamentos ou não.

OBJETIVOS DO TRATAMENTO [em conformidade com as características individuais]:

Categoria Considerar

Hipertensos estágios 1 e 2, com risco CV baixo e moderado e HA estágio 3 < 140/90 mmHg

Hipertensos estágios 1 e 2 com risco CV alto <130/80 mmHg

CV: cardiovascular; HA: hipertensão arterial. *Para pacientes com doenças coronarianas, a PA não deve ficar < 120/70 mmHg, particularmente com a diastólica abaixo de
60 mmHg pelo risco de hipoperfusão coronariana, lesão miocárdica e eventos cardiovasculares.

ALGORÍTMO DE TRATAMENTO

	
Cuidado Farmacêutico no SUS

TRATAMENTOS FARMACOLÓGICOS [Anti-hipertensivos comercialmente disponíveis no Brasil]:

Diuréticos Tiazídicos Clortalidona, Hidroclorotiazida, Indapamida

Alça Bumetamida, Furosemida, Piretanida

Poupadores de potássio Amilorida, Espironolactona, Triantereno

Inibidores adrenérgicos Ação central Alfametildopa, Clonidina, Guanabenzo, Moxonidina, Rilmenidina, Reserpina

Betabloqueadores* Atenolol, Bisoprolol, Carvedilol, Metoprolol, Nadolol, Nebivolol, Propranolol, Pindolo*l

Alfabloqueadores Doxazosina, Prazosina, Terazosina

Bloqueadores dos canais de
cálcio (BCC)

Fenilalquilaminas Verapamil

Benzotiazepinas Diltiazem

Diidropiridinas Anlodipino, Felodipino, Isradipina, Lacidipina, Lercarnidipino, Manidipino, Nifedipino,
Nisoldipino, Nitrendipino

Inibidores da ECA*** Benazepril, Captopril, Cilazapril, Delapril, Enalapril, Fosinopril, Lisinopril, Perindopril,
Quinapril, Ramipril, Trandolapril

Bloqueadores do receptor AT1 Candesartana, Irbersartana, Losartana, Olmesartana, Telmisartana, Valsartana

Inibidor direto da renina Alisquireno**

Vasodilatadores diretos Hidralazina, Minoxidil

*Estudos não demonstraram a redução de desfechos cardiovasculares importantes, como acidente vascular cerebral, em pacientes com idade > 60 anos, motivo pelo qual
esta classe só deve ser utilizada nesta população em condições especiais, como concomitância de disfunção do ventrículo esquerdo.

	
Cuidado Farmacêutico no SUS

**Estudos não demonstraram benefícios clínicos comparáveis a IECA/BRA
***IECA são mais efetivos em jovens caucasianos

SELEÇÃO DO TRATAMENTO EM SITUAÇÕES ESPECIAIS

Situação Fármacos que devem ser evitados/ usados
com precaução