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Curso 
Desenvolvimento Sustentável 
A Educação é o primeiro passo para um futuro melhor. 
Carga Horária: 60 horas 
 
 
 
 
 
 
O bom aluno de cursos à distância: 
 
• Nunca se esquece que o objetivo central é aprender o conteúdo, e não apenas terminar o curso. Qualquer um 
termina, só os determinados aprendem! 
 
• Lê cada trecho do conteúdo com atenção redobrada, não se deixando dominar pela pressa. 
 
• Sabe que as atividades propostas são fundamentais para o entendimento do conteúdo e não realizá-las é deixar 
de aproveitar todo o potencial daquele momento de aprendizagem. 
 
• Explora profundamente as ilustrações explicativas disponíveis, pois sabe que elas têm uma função bem mais 
importante que embelezar o texto, são fundamentais para exemplificar e melhorar o entendimento sobre o 
conteúdo. 
 
• Realiza todos os jogos didáticos disponíveis durante o curso e entende que eles são momentos de reforço do 
aprendizado e de descanso do processo de leitura e estudo. Você aprende enquanto descansa e se diverte! 
 
• Executa todas as atividades extras sugeridas pelo monitor, pois sabe que quanto mais aprofundar seus 
conhecimentos mais se diferencia dos demais alunos dos cursos. Todos têm acesso aos mesmos cursos, mas o 
aproveitamento que cada aluno faz do seu momento de aprendizagem diferencia os “alunos certificados” dos 
“alunos capacitados”. 
 
• Busca complementar sua formação fora do ambiente virtual onde faz o curso, buscando novas informações e 
leituras extras, e quando necessário procurando executar atividades práticas que não são possíveis de serem feitas 
durante as aulas. (Ex.: uso de softwares aprendidos.) 
 
• Entende que a aprendizagem não se faz apenas no momento em que está realizando o curso, mas sim durante 
todo o dia-a-dia. Ficar atento às coisas que estão à sua volta permite encontrar elementos para reforçar aquilo que 
foi aprendido. 
 
• Critica o que está aprendendo, verificando sempre a aplicação do conteúdo no dia-a-dia. O aprendizado só tem 
sentido quando pode efetivamente ser colocado em prática. 
Aproveite o seu 
aprendizado! 
 
3 
 
Conteúdo 
 
Conceitos Básicos 
Ambiente 
Ambiente e Abordagem Sistêmica 
Ambiente e Desenvolvimento 
Ambiente e Educação Ambiental 
Ambiente e Participação 
Meio Ambiente Físico ou Natural 
Atmosfera 
Solo 
Água 
Flora e Fauna 
Minerais 
Energia 
O Desenvolvimento Sustentável 
Declaração do Rio 
A Agenda 21 
A declaração de princípios relativos às florestas 
O convênio marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática 
Convênio sobre diversidade biológica - CDB 
A conferência Habitat II (1996) 
A 2ª Cupula da Terra + 5 (1997) 
4 
 
Outros Protocolos, Conferências e Cúpulas 
Atuações das ONGs 
Os desafios do Desenvolvimento Sustentável 
Problemática ambiental global 
Mudança Climática e Efeito Estufa 
Consequências do aquecimento global no planeta 
O esgotamento da camada de ozônio 
Perda da Biodiversidade 
Degradação do solo e desflorestamento 
Chuva Ácida 
A névoa fotoquímica 
Produção e consumo 
Ambiente no Brasil 
Principais problemas ambientais no Brasil 
Políticas ambientais, programas e legislação 
Atribuições e competências 
Relação de entidades ambientalistas 
Bibliografia/Links Recomendados 
 
 
 
 
 
 
5 
 
Conceitos Básicos 
Como ponto de partida para esta jornada de estudos em 
formação ambiental, é necessário estabelecer o cenário onde 
estarão estruturados os conhecimentos oferecidos ao longo do 
curso. Assim, nesta disciplina de introdução serão abordados 
conceitos e marcos de referência internacionais e nacionais - 
históricos e ambientais - como apoio ao desenvolvimento de 
nossas atividades nos próximos meses de estudo. 
 
O primeiro conceito que trazemos à reflexão é Ambiente ou Meio 
Ambiente. 
 
Um pouco de história... 
Uma discussão recorrente a respeito do termo meio ambiente é a 
suposta redundância que existe entre ambos os termos: a 
palavra meio significa o mesmo que ambiente. 
O motivo desta reiteração obedece razões históricas, já que, 
durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio 
Ambiente Humano (Estocolmo, 1972), a imprecisão semântica 
das traduções do inglês acabou por gerar o termo meio ambiente 
como de uso comum, em vez de se utilizar somente um deles (ou 
meio ou ambiente). 
 
Mas, o que é ambiente? 
Todos nós, certamente, possuímos uma definição de ambiente 
(ou meio ambiente) que vem sendo construída a partir de leituras, 
conversas, vivências ou mesmo no exercício de nossas 
atividades profissionais. 
Será que existe um conceito certo ou um conceito errado de 
ambiente? Com essa questão iniciaremos nosso processo de 
reflexão conjunta nesta disciplina. 
Iniciamos esse caminho a partir da construção de relações 
conceituais entre cinco elementos com alto grau de 
interdependência: 
6 
 
- Ambiente; 
- Ambiente e Abordagem Sistêmica; 
- Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; 
- Ambiente e Educação Ambiental; 
- Ambiente e Participação. 
Neste momento inicial, mantenha atenção redobrada sobre esses 
primeiros conceitos, pois cada um irá requisitar e complementar o 
entendimento dos outros conceitos estudados. 
O importante será exercitar a capacidade de compreender e 
analisar as questões ambientais de maneira integrada e 
relacional permitindo que, na hora de atuar sobre elas com os 
conhecimentos técnicos trazidos pelo Curso, esteja amadurecida 
uma forma renovada de realizar essa aplicação. 
Ambiente 
O conceito de ambiente, ou meio ambiente, está em constante 
processo de construção. É possível encontrarmos diferentes 
definições para esse termo que, de acordo com o momento de 
sua elaboração, ora o restringe, ora o amplia. 
Segundo a FEEMA (1990) e o IBAMA (1994), existem diversas 
definições de meio ambiente. Estas estão apresentadas no 
quadro a seguir, organizadas cronologicamente, para que você 
possa perceber como esse conceito vem se desenvolvendo ao 
longo do tempo. 
 
7 
 
 
 
Observando este quadro de construção conceitual, percebe-se 
que a inclusão das relações entre os efeitos das ações humanas 
e a degradação da natureza é relativamente recente. Antes dos 
anos 1960, a definição de ambiente ou estava mais próxima das 
observações das ciências biológicas ou físicas (ecossistemas, 
ambiente natural etc.), ou então das ciências humanas (ambiente 
cultural, social etc.). Não estava estabelecida a relação entre 
ambos! 
Foi somente a partir de meados da década de 60 do século XX 
que se iniciaram, oficialmente, discussões mais amplas que 
buscavam integrar os "ambientes" físicos aos sociais. Esse 
movimento foi potencializado pela tomada de consciência e pela 
conseqüente tentativa de reversão dos graves efeitos que as 
ações da sociedade contemporânea imprimiram sobre o planeta. 
Compreende-se, desta forma, por que refletir sobre o conceito de 
ambiente é importante, uma vez que está por trás dessa definição 
a forma na qual se propõem as ações ou se verificam seus 
impactos ou resultados concretos. 
Da mesma forma que o conceito se constrói teoricamente, 
também influencia as ações formais da sociedade. Um exemplo 
claro disto pode ser observado na inserção paulatina da definição 
de ambiente nos textos de Leis Federais, Estaduais e Municipais, 
conforme apresentados pela FEEMA (1990) e pelo IBAMA 
(1994). 
• Decreto-Lei nº 134, de 16/06/1975 - Estado do Rio de Janeiro:"considera-se meio ambiente todas as águas interiores ou 
costeiras, superficiais e subterrâneas, o ar e o solo". 
• Art. 3º, Lei 6938, de 31/08/1981 - Brasil: "Meio ambiente - o 
conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem 
física, química e biológica que permitam proteger e normalizar a 
vida em todas suas formas". 
• Art. 2º, Lei nº 33, de 12/02/1981 - República de Cuba: "É o 
sistema de elementos abióticos e socioeconômicos com os quais 
8 
 
o homem interage à medida que ele se adapta, transformando-o 
e utilizando-o para satisfazer suas necessidades". 
• Environmental Quality Act, 1981 - Estado da Califórnia (USA): 
"as condições físicas existentes em uma área, incluindo o solo, a 
água, o ar, os minerais, a flora, a fauna, o ruído e os elementos 
de significado histórico e estético". 
• Decreto-Lei nº 28.687 de 11/02/1982 - Estado da Bahia: 
"Considera-se ambiente tudo o que envolve e condiciona o 
homem, constituindo seu mundo e dando suporte material a sua 
vida biopsicossocial [...] São considerados sob esta 
denominação, para efeito deste regulamento, o ar, a atmosfera, o 
clima, o solo e o subsolo, as águas interiores e costeiras, 
superficiais e subterrâneas e o mar territorial, bem como a 
paisagem, a fauna, a flora e outros fatores condicionantes da 
salubridade física e social da população". 
Destaca-se ainda o art. 225, capítulo VI da Constituição Brasileira 
de 1988, que trata do estabelecimento de direitos e deveres do 
Estado e dos cidadãos no que tange ao meio ambiente: "Todos 
têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de 
uso comum do povo e essencial à saudável qualidade de vida, 
impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de 
defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações". 
Começamos a perceber que o amadurecimento do tema tornou 
mais complexa a definição de ambiente. A razão disso é que 
esse é um processo que articula, simultaneamente, estudos 
teóricos e aprendizados práticos que renovam os conhecimentos 
e produzem novas possibilidades de entendimento do tema. 
 
Alguns autores contemporâneos oferecem abordagens 
complexas de ambiente, incluindo variáveis que contemplam não 
só seus elementos, mas também os processos gerados a partir 
de seus relacionamentos. Por exemplo: para Medina (1985), o 
ambiente é gerado e construído ao longo do processo histórico 
de ocupação de um território, por uma determinada sociedade, 
em um espaço de tempo concreto. Surge como a síntese 
histórica das relações entre a sociedade e a natureza. 
9 
 
Para Sauvé (1997), a complexidade das inter-relações se 
expressa através da explicitação de diferentes ambientes: 
- ambiente-natureza - refere-se ao entorno original, puro, do qual 
a espécie humana se afastou ao privilegiar as atividades 
antrópicas que têm provocado sua deterioração; 
- ambiente-recurso - refere-se ao ambiente como base material 
dos processos de desenvolvimento; 
- ambiente-problema - refere-se ao ambiente ameaçado, 
deteriorado pela contaminação, pela erosão ou pelo seu uso 
excessivo; 
- ambiente-meio de vida - refere-se ao ambiente da vida 
cotidiana, na escola, no lar, no trabalho. Incorpora, portanto, 
elementos socioculturais, tecnológicos e históricos; 
- ambiente-biosfera - refere-se ao ambiente como uma nave 
espacial - Planeta Terra, assim como ao conceito de Gaia 
(Lovelock), que partem da tomada de consciência quanto à 
finitude do ecossistema planetário como lugar de origem no qual 
encontram unidade os seres e as coisas; 
- ambiente comunitário - refere-se ao ambiente como entorno de 
uma coletividade humana; meio de vida compartilhado com seus 
componentes naturais e antrópicos. 
Já para Leff (2001), o ambiente é conceituado como uma "visão 
das relações complexas e sinérgicas gerada pela articulação dos 
processos de ordem física, biológica, termodinâmica, econômica, 
política e cultural". 
Embora atualmente haja grande possibilidade de variação, em 
quantidade e qualidade, de definições para meio ambiente, elas 
estão diretamente relacionadas ao processo de transformação do 
pensamento na sociedade contemporânea. Destacamos que, 
mesmo com grande variedade, há em todos os conceitos a 
presença inter-relacionada de três elementos comuns: 
- a natureza (com sua diversidade física e biológica); 
- a sociedade (com sua diversidade social, cultural, econômica e 
política); 
- suas dinâmicas de articulação (tanto as relações entre os 
elementos da natureza entre si e os da sociedade, como também 
as relações entre natureza e sociedade). 
10 
 
 
Esses devem ser os principais elementos a serem observados e 
compreendidos nas considerações que fizermos sobre o 
ambiente. Deverão estar sempre em evidência, durante todos os 
momentos do nosso estudo e de nossa ação profissional, para 
que seja possível elaborar um conceito dinâmico de AMBIENTE, 
em que devemos perguntar: Qual a natureza, qual a sociedade e 
quais são os inter-relacionamentos que validam os processos que 
estamos analisando? 
 
 
Nos próximos tópicos iremos enriquecer esse conceito de 
ambiente a partir de uma perspectiva complexa, em que 
estaremos relacionando o ambiente com diferentes conceitos 
complementares. 
Ambiente e Abordagem Sistêmica 
A inserção de elementos da abordagem sistêmica é responsável 
por grande parte das alterações conceituais apresentadas para 
meio ambiente, nos últimos 50 anos. Assim, os conceitos sobre 
meio ambiente, trabalhados no item anterior, podem ser melhor 
11 
 
entendidos quando compreendemos o meio ambiente como um 
sistema. Para isso, é necessário, primeiro, estabelecer o que é 
sistema. 
O termo sistema é utilizado por todos nós, quase que 
intuitivamente, quando buscamos nos referir às várias categorias 
de organizações ou grupos de elementos inter-relacionados: 
sistema solar, sistema nervoso, sistema organizacional, 
ecossistema, sistema econômico, sistema de comunicação etc., 
ou seja, sempre que pretendemos enfatizar interrelacionamento, 
organização e interdependência, entre vários elementos que 
compõem um grupo ou conjunto avaliado. 
A base conceitual de sistemas foi formulada inicialmente por 
Bertalanffy, ainda na década de 30, precisamente em 1937, para 
oferecer um conjunto de novas explicações e metodologias que 
pudessem dar conta dos problemas ligados à dinâmica dos 
sistemas vivos na natureza. 
 
Um pouco de história... 
"Essa idéia [a Teoria Geral dos Sistemas], remonta há muito tempo. 
Apresentei-a pela primeira vez em 1937 [...] entretanto, nessa ocasião, 
a teoria tinha má reputação em biologia e tive medo [...] Por isso, 
deixei meusrascunhos na gaveta e foi somente depois da guerra que 
apareceram minhas primeiras publicações sobre oassunto 
[surpreendentemente] verificou-se ter havido uma mudança no clima 
intelectual [...] Mais ainda, umgrande número de cientistas tinha 
seguido linhas semelhantes de pensamento [...] Assim, a Teoria Geral 
dosSistemas não estava isolada [...] mas correspondia a uma 
tendência do pensamento moderno". 
(BERTALANFFY, 1973) 
 
Segundo Bertalanffy (1973), os motivos que o levaram a 
desenvolver a Teoria Geral dos Sistemas estabeleceram-se a 
partir da observação da inadequação do postulado do 
reducionismo da física teórica (o princípio segundo o qual a 
biologia e as ciências sociais e do comportamento deviam ser 
tratadas de acordo com o paradigma da física e, finalmente, 
12 
 
reduzidas a conceitos de entidades do nível físico), para tratar os 
novos problemas específicos das outras ciências. 
"A inclusão das ciências biológicas, sociais e do comportamento junto 
à moderna tecnologia exige generalizações de conceitos básicos da 
ciência. Isto implica novas categorias do pensamento científico, em 
comparação com as exigências dafísica tradicional, e os modelos 
introduzidos com esta finalidade são de natureza 
interdisciplinar."(BERTALANFFY, 1973). 
 
Mas o que é um sistema? 
"Por definição, um sistema compõe-se de partes, ou elementos, inter-
relacionados. Isso acontece com todos os sistemas mecânicos, 
biológicos e sociais. Todos os sistemas têm, pelo menos, dois 
elementos em inter-relação. Num sistema, o todo não é apenas a 
soma das partes; o próprio sistema pode ser explicado apenas como 
totalidade." (KAST & ROSENWEIG, 1976). 
Na concepção de Bertalanffy (1973), um sistema apresenta as 
seguintes características gerais: 
• um todo sinergético, maior que a soma de suas partes - assim, 
para compreender um sistema não basta considerar as partes 
"funcionando" isoladamente. Estas devem ser observadas a partir 
de suas relações (umas com as outras e com o próprio sistema); 
• um modelo de transformação - considera-se, assim, que um 
sistema é uma estrutura dinâmica que está em constante 
processo de transformação; 
• um conjunto de partes em constante interação, com ênfase na 
interdependência - considera-se, assim, que um sistema possui 
interação entre suas partes constituintes e estas têm 
características de interdependência; 
• uma permanente relação de interdependência com o ambiente 
externo, influenciando e sendo influenciado, com capacidade de 
crescimento, mudança e adaptação ao ambiente externo - 
considera-se, assim, que um sistema também não pode ser 
observado de forma isolada, sem compreender suas relações 
com seu ambiente externo. 
13 
 
 
Essa capacidade de interação entre Ambientes Externo e Interno 
representa uma das principais características dos sistemas. 
Segundo Gondolo (1999), eles podem ser fechados, quando não 
há troca com o meio externo ou abertos, quando existem fluxos 
contínuos de energia, matéria e informação com o ambiente 
externo. 
 
O sistema fechado é aquele dentro do qual circula energia, mas 
que por si só não mantém trocas de energia ou matéria com o 
meio. Por exemplo, poderíamos imaginar uma reação química 
que se passa dentro de um contêiner totalmente vedado. 
Também poderíamos citar como outro sistema, não tão fechado 
assim, um motor de um carro que, para funcionar, precisa de 
combustível, mas que não é por si capaz de extraí-lo do meio. 
Uma vez abastecido e bem articuladas as partes, o carro tem 
certo grau de autonomia de funcionamento; porém, não havendo 
input de combustível, acabará o output de energia e o motor 
"morrerá". 
Os sistemas abertos são, portanto, sistemas que dependem do 
ambiente externo. Dele, recebem elementos, os transformam 
mediante seus processos internos e devolvem novos elementos 
ao meio externo. Os sistemas abertos necessitam de entradas 
(ou inputs) para se manterem em funcionamento, uma vez que 
recebe deste ambiente "matéria-prima" (matéria, energia e 
informação), para desenvolver seu processo interno. 
 
 
 
Relacionando esses conceitos iniciais, podemos caracterizar o 
Meio Ambiente como um sistema aberto, que desenvolve seus 
processos internos em constante interação e interdependência 
com o ambiente externo. 
14 
 
Destaca-se, porém, que as bases conceituais sobre sistemas 
estão apoiadas sobre modelos teóricos que vêm se 
desenvolvendo ao longo dos últimos 50 anos. Neste sentido, as 
teorias sobre a complexidade, presentes em diversos campos da 
ciência, têm enriquecido o enfoque sistêmico para muito além do 
que Bertalanffy formulou inicialmente (NOVO, 1996). 
O que chamamos de sistemas complexos ampliam e agregam 
novos conhecimentos sobre a dinâmica dos sistemas, incluindose 
questões ligadas aos processos de irreversibilidade, de 
incertezas, do caos e da ordem e desordem. Nessa perspectiva, 
Garcia (1986) aponta que "o sistema não está definido, mas é 
possível ser definido. Uma definição adequada só pode surgir em 
cada caso particular ou durante o transcurso da própria 
pesquisa/investigação". 
Pergunta-se então: quais são os elementos da teoria dos 
sistemas que permitem estabelecermos uma postura sistêmica 
em nossos estudos, análises e trabalhos práticos? 
Novo (1996) apresenta alguns elementos que irão nos auxiliar a 
estabelecer esta postura: 
• As relações entre o todo e as partes: sabendo-se que um 
sistema compõe-se de partes, podemos pensar em desmembrá-
lo para analisá-las em separado. Porém, devemos lembrar que 
estas partes só adquirem seu verdadeiro sentido quando 
integradas ao TODO do sistema, que se configura, justamente, 
pelo conjunto criado pelas inter-relações de suas partes. 
 
15 
 
Esse princípio estabelece o caráter de interdependência entre as 
PARTES e o TODO. A compreensão deste caráter nos ajuda a 
observar que os problemas que afetam os sistemas naturais 
(poluição da água, do ar e do solo, escassez de recursos etc.) 
não podem ser interpretados sem a devida conexão com o que 
acontece nos sistemas sociais, econômicos, entre outros. Os 
ambientes interno e externo de um sistema aberto possuem forte 
grau de interação e interdependência. 
• Emergência e restrições do sistema: compreender qualquer 
conjunto como um sistema pressupõe considerar que ele pode 
ser maior e menor que as partes que o constituem. Maior que as 
partes, por causa da emergência, ou seja, os resultados das 
interações das partes que permitem o estabelecimento de um 
"produto novo", que não pode ser observado em separado na 
análise das partes. E menor que as partes, quando o sistema 
impõe limites ou restrições às partes, que passam a não poder 
realizar "plenamente" suas potencialidades. Como exemplo, Novo 
(1996) cita o dizer popular "A liberdade de cada um termina onde 
começa a liberdade do outro". Neste caso, o "sistema social", em 
sua totalidade, impõe limites a cada pessoa como parte ou 
componente dele mesmo, de forma que o indivíduo isolado nem 
sempre pode pôr em prática toda sua potencialidade. 
• Relações entre sistema e entorno (sistemas abertos): como já 
abordado anteriormente, os sistemas abertos estão em constante 
processo de intercâmbio (matéria, energia e informação) com o 
entorno, além de necessitarem dele para semanterem em 
funcionamento. Essa característica de interdependência com o 
entorno não possibilita aos sistemas abertos um estado de 
estabilidade e de permanência estático, sendo necessário 
incorporar noções de ordem e desordem para explicar a realidade 
sistêmica como um processo dinâmico. 
• Equilíbrio dos sistemas: um sistema aberto é uma unidade 
dinâmica, que se transforma ao longo do tempo. Para 
compreender esse processo, é necessário que conheçamos 
quais são os mecanismos internos utilizados pelo sistema para 
manter seu equilíbrio dinâmico através dos constantes 
intercâmbios de matéria, energia e informação com seu entorno. 
O conceito de equilíbrio dinâmico incorpora a idéia de mudança: 
uma mudança temporária que, por sua vez, incorpora os 
16 
 
conceitos de evolução e de mudança espacial, que têm a ver com 
a idéia de estrutura. 
Segundo Garcia (1986), para estudarmos os sistemas 
complexos, devemos observar os seguintes componentes: 
Limites: estabelecem a definição das "fronteiras" físicas dos 
sistemas que vamos estudar ou observar (o interno e o externo). 
Destaca-se que esta definição não restringe somente o limite 
físico do sistema, mas também as relações que estarão sendo 
analisadas. 
Elementos: para determinar os subsistemas (elementos) de um 
sistema complexo, é fundamental definir as escalas espaciais e 
temporárias que serão consideradas. 
Estrutura: um grande número de propriedades de um sistema é 
determinado por sua estrutura, e não por seus elementos, em 
que as propriedades dos elementos determinam as suas 
relações, e estas, sua estrutura. 
 
 
Observa-se que os mesmos elementos podem, sob determinadascircunstâncias, estabelecer diferentes estruturas. 
• Retroalimentação: os mecanismos de retroalimentação (feed-
back) são aqueles que permitem ao sistema ser 
realimentado pela informação gerada por ele mesmo. Podem ser 
de três tipos: 
- Positiva: são considerados sistemas explosivos, pois os efeitos 
das causas iniciais aumentam a variação do sistema em relação 
ao seu ponto de equilíbrio; 
- Negativa: em que a informação gerada permite ao sistema 
alterar-se para restabelecer seu equilíbrio; e 
17 
 
- Regulação antecipatória: são informações que, embora atuem 
de acordo com o comportamento presente do sistema, 
apresentam um sentido de futuro. 
 
"Quando trabalhamos com sistemas submetidos a flutuações, como os 
sistemas vivos, os experimentos queplanejamos e as possíveis 
soluções que traçamos, ante os problemas, não podem estar 
estabelecidos comocertezas absolutas, mas sim em termos de 
probabilidades, de modo que a incerteza, o acaso, sejamreconhecidos 
como elementos da própria vida". 
(NOVO, 1996) 
• Adaptação e inovação: um dos objetivos dos sistemas vivos é 
manter-se em estado de estabilidade. Para atingir talobjetivo, os 
sistemas desenvolvem processos de adaptação, que buscam 
conduzi-lo de novo à estabilidade inicial. Nos sistemas abertos, 
esses processos são muito importantes para a manutenção da 
integridade do sistema, em virtude do alto grau de 
interdependência com as alterações de seu entorno. Em alguns 
casos, quando as alterações são muito intensas, provocam 
mudanças que podem alterar o próprio sistema. Neste caso, há a 
inovação no sistema. 
Ambiente e Desenvolvimento 
A preocupação com a deterioração ambiental, que se manifestou 
aos finais da década de 1970, trouxe implícita uma violenta crítica 
ao conceito de desenvolvimento dominante, no qual prevaleciam 
aspectos econômicos, em particular a idéia de crescimento. 
Nesta perspectiva, o crescimento/desenvolvimento era negativo, 
havia adquirido um caráter cancerígeno, e a sobrevivência da 
espécie humana e do planeta requeria que os crescimentos 
explosivos, tanto o populacional como o da economia, deviam 
terminar. Difundiu-se, assim, a expressão "crescimento zero", de 
claro caráter malthusiano (1). 
18 
 
O malthusianismo sustenta que a população aumenta em 
proporção geométrica, enquanto os recursos disponíveis para a 
subsistência crescem apenas em proporção aritmética. A 
população aumenta, portanto, até mais além do limite de 
subsistência, fenômeno que apenas o próprio ser humano, a 
guerra e as enfermidades podem conter. Então, para o 
malthusianismo, a possibilidade de aumento sustentado da 
população encontra um limite no caráter finito dos recursos 
disponíveis. 
Ante esta teoria, outras propuseram uma visão do conceito de 
desenvolvimento que explicitasse explícitas suas múltiplas 
dimensões, entre elas a ambiental. 
A polêmica do desenvolvimento 
Conforme mencionado, os anos sessenta e setenta foram 
testemunhas de uma crítica cruel ao desenvolvimento 
(crescimento) visto por alguns como primeira causa da 
deterioração ambiental. No entanto, a década de 1980 
presenciou o esgotamento e o retrocesso do bem-estar de uma 
grande parte da Humanidade. A falta de crescimento econômico 
impediu o desenvolvimento e se traduziu em maior pobreza, 
causando, além disso, uma maior pressão sobre o sistema 
natural, última fonte de subsistência, assim como de recursos 
para o desenvolvimento. 
Em meados dos anos 80, promoveu-se o conceito de 
desenvolvimento em escala humana, construído sobre uma 
interessante proposta de Max-Neef, Elizalde e outros (1986). 
Esse desenvolvimento se sustenta "na satisfação das 
necessidades humanas fundamentais, na geração de níveis 
crescentes de autodependência e na articulação orgânica dos 
seres humanos com a natureza e com a tecnologia, dos 
processos globais com os comportamentos locais, do pessoal 
com o social, do planejamento com a autonomia, e da sociedade 
civil com o Estado". Junto a esse conceito, trabalhou-se também 
o de pobreza, passando da noção clássica e estritamente 
econômica (que se refere à situação das pessoas que se 
encontram abaixo de determinado nível de renda) a uma noção 
ampla que abrange a ausência de satisfação de necessidades 
humanas fundamentais: pobreza de subsistência (por 
alimentação e abrigo insuficientes); de proteção (por sistemas de 
19 
 
saúde ineficientes, por violência, carreira armamentista, etc.); de 
afeto (devido ao autoritarismo, à opressão, às relações de 
exploração do ambiente natural, etc.); de entendimento (pela 
baixa qualidade da educação); de participação (pela 
marginalização e pela discriminação das mulheres, das crianças 
e das minorias); de identidade (pela imposição de valores alheios 
a culturas locais e nacionais, pela emigração forçada, pelo exílio 
político, etc.); e assim sucessivamente. 
Posteriormente, o Programa das Nações Unidas para o 
Desenvolvimento, PNUD, difundiu o conceito de desenvolvimento 
humano, definido como o processo de ampliação da gama de 
opções para as pessoas, oferecendo-lhes maiores oportunidades 
de educação, atenção médica, rendas e emprego, e abrangendo 
o espectro total de opções humanas, do entorno físico em boas 
condições a liberdades econômicas e políticas. O "índice de 
desenvolvimento humano" - IDH - combina indicadores de 
esperança de vida, educação, e rendas. O PNUD sugeriu um 
índice de liberdade humana e política (ILH) para avaliar a 
situação em matéria de direitos humanos, índice que foi 
posteriormente revogado por desacordo de alguns países. 
Em todo caso, estamos de acordo com Bifani (1997), quando 
afirma que hoje, em função das diversas perspectivas sob as 
quais pode ser analisado o conceito de desenvolvimento é difícil 
de definir. No entanto, poder-se-ia afirmar que sempre está 
associado ao aumento do bem-estar individual e coletivo. Embora 
esse aspecto tenda a ser medido exclusivamente pelas 
magnitudes econômicas, é cada vez mais evidente a importância 
que se atribui às outras dimensões, como o acesso à educação e 
ao emprego, à saúde e à segurança social ou a uma série de 
valores tais como a justiça social, a eqüidade econômica, a 
ausência de discriminação racial, religiosa ou de outra natureza, 
a liberdade política e ideológica, a democracia, a segurança e o 
respeito aos direitos humanos, e a qualidade e a preservação do 
meio ambiente. 
No entanto, a problemática do desenvolvimento geralmente é 
considerada como econômica e política e a tarefa de alcançalo 
tem sido responsabilidade de economistas e políticos. Entre estes 
tem sido freqüente considerar que a industrialização é o meio 
através do qual é possível obter níveis superiores de 
20 
 
desenvolvimento ou, em outros termos, aceita-se comumente que 
as sociedades desenvolvidas são aquelas que têm 
experimentado mudanças estruturais que as têm levado de uma 
economia predominantemente agrária a outra na qual as 
atividades dinâmicas e dominantes são as fabris e de serviços. 
Então, a partir dos finais da década de sessenta é enfatizada a 
dimensão social do desenvolvimento e fala-se de 
desenvolvimento econômico e social. 
Contudo, é um fato evidente que a maioria das interpretações 
tende a privilegiar um conceito de desenvolvimento no qual se 
destaca a idéia de crescimento econômico, medido pela 
expansão do produto nacional bruto. Esse enfoque, que tem 
dominado a ação política e a gestão econômica, parecia não 
haver permitido alcançar plenamente seus objetivos. A frustração, 
a impaciência e o desespero manifestam-se abertamente, 
aumentando a inquietação social, embora por motivos diferentes, 
em países desenvolvidos e em desenvolvimento. 
Os primeiros parecem não alcançar nunca o horizonte 
denominado "qualidade de vida", em favor do qual sacrificam 
muitas vezes sua próprialiberdade como pessoas, quando não 
sua saúde, agredida constante e sutilmente através dos 
numerosos e excessivamente processados alimentos que 
consomem. Quanto aos países em desenvolvimento, tampouco 
alcançam seu horizonte, neste caso o de uma existência digna, 
pois vêem como as cifras macroeconômicas deixam-lhes sempre 
em uma posição marginal. 
Neste contexto de desenvolvimento, situa-se o conceito de 
sustentabilidade, que reconhece as condições ecológicas, sociais 
e culturais para manter um crescimento econômico, que não se 
dá sozinho. 
Não se pode, portanto, dissociar a sustentabilidade físico-natural 
da socioeconômica, já que os dois tipos de ambiente estariam no 
mesmo sistema global. 
O conceito de sustentabilidade tem duas vertentes principais: a 
referente ao ambiente físico-natural e a referente ao ambiente 
socioeconômico. 
 
21 
 
Sustentabilidade e recursos 
 
Os recursos a serem realmente considerados quando se aplica o 
conceito de sustentabilidade são aqueles que, sendo renováveis, 
podem-se esgotar caso sejam explorados num ritmo superior ao 
de sua renovação. Seu uso sustentado é regido pelas leis da 
ecologia, e quando esses recursos são explorados num ritmo 
excessivo, sofrem perturbações que impedem sua renovação 
(por exemplo, a impossibilidade de recarga de um aqüífero) e os 
convertem em recursos não renováveis. 
Os recursos não renováveis, tanto para prover materiais quanto 
como fonte de energia, por existirem em quantidades finitas, 
estabelecem problemas relacionados com o esgotamento dos 
próprios recursos, a eliminação direta de comunidades e 
ecossistemas, a perda de recursos culturais (por exemplo, as 
jazidas arqueológicas) no processo de extração, e os efeitos 
indiretos da exploração, como a contaminação produzida nos 
trabalhos de transporte e na transformação do produto base em 
produto útil. Em todo caso, a sustentabilidade não é aplicável a 
esses recursos. 
Se combinamos os aspectos teóricos da sustentabilidade 
ecológica com as conclusões da Conferência do Rio de Janeiro 
em 1992, é possível fazer uma síntese dos principais problemas 
que apresenta a gestão sustentável em nível mundial. Porém, em 
todo caso, a raiz do problema não é outra senão a capacidade de 
carga da biosfera, em relação ao aumento da população, tanto 
em número como em taxa de consumo per capita. 
O cálculo dos limites de pressão que pode suportar o planeta é 
um problema de ecologia, difícil de resolver, tal como evidencia o 
Relatório sobre os Limites do Crescimento do Clube de Roma, 
que destaca o caráter sociológico, econômico, político, cultural, 
ético, e até religioso da questão. Com efeito, enquanto o controle 
do crescimento das populações animais e vegetais se faz por 
mecanismos puramente biológicos, na população humana atual 
esses mecanismos atuam apenas em casos extremos, tendo sido 
substituídos por mecanismos socioculturais. 
Em resposta ao documento do Clube de Roma, a Fundação 
Bariloche, com um grupo de especialistas, elaborou o estudo 
"Catástrofe ou Nova Sociedade? Um Modelo Mundial Latino-
22 
 
americano", no qual se estabelece um conjunto de políticas que, 
se aplicadas, poderiam permitir à Humanidade alcançar níveis 
adequados de bem-estar em um prazo de um pouco mais de uma 
geração. E sublinha que os obstáculos que se opõem ao 
desenvolvimento harmônico da humanidade não são físicos ou 
econômicos, em sentido estrito, mas essencialmente 
sociopolíticos. 
Os problemas mais estritamente ecológicos da sustentabilidade 
estariam para alguns representados pelo desflorestamento e 
suas seqüelas, como a seca, a erosão e a desertificação, o 
perigo de degradação dos ecossistemas mais frágeis (áreas 
úmidas e montanhosas, costeiras, ilhas) e a diminuição da 
diversidade biológica. 
Enfim, hoje todo o mundo, aparentemente, está de acordo em 
que o atual modelo econômico não se pode manter de forma 
indefinida, sendo necessário estabelecer um novo modelo que 
não esteja baseado exclusivamente na expansão e no 
crescimento econômico e que respeite as margens de tolerância 
do sistema planetário. 
Chegamos, assim, ao conceito de desenvolvimento sustentável, 
cujo uso e significado foi consolidado pela Comissão Mundial 
sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento como a "capacidade 
de atender necessidades atuais sem comprometer as das 
gerações futuras", explicitando seu conteúdo e pondo-o em 
conexão com políticas socioeconômicas de caráter internacional, 
cristalizadas nos debates e nos acordos da Conferência do Rio, 
em 1992. 
Outras definições, mais atuais, aprofundam o conceito ao 
referirem-se a ele como "um tipo de desenvolvimento orientado a 
garantir a satisfação das necessidades fundamentais da 
população e elevar sua qualidade de vida, através do controle 
racional dos recursos naturais, propiciando sua conservação, 
recuperação, melhoria e usos adequados, por meio de processos 
participativos e de esforços locais e regionais, de modo que tanto 
esta geração como as futuras tenham a possibilidade de desfrutá-
los com equilíbrio físico e psicológico, sobre bases éticas e de 
eqüidade, garantindo a vida em todas suas manifestações e a 
sobrevivência da espécie humana". 
23 
 
Estamos de acordo, contudo, de que o desenvolvimento 
sustentável e a sustentabilidade não são, propriamente, um 
conceito, mas um metaconceito, ou seja, um conceito que, por 
sua, vez gera todo um campo de reflexão e conhecimento (em 
permanente evolução) sobre si mesmo, cuja principal 
característica é o aparente consenso que provoca em todo o 
mundo, embora não isento de uma visão crítica. 
 
O ambiente social 
O ambiente social compreende os seres humanos e suas 
atividades, as quais têm como ponto de partida o aproveitamento 
dos recursos naturais. Considera-se aqui todo tipo de infra-
estruturas (edificações, maquinaria e equipamentos) e, 
geralmente, tudo o que seja resultado da invenção da 
humanidade (ciência, tecnologia). Compreende também o 
comportamento dos seres humanos para com seus semelhantes 
e com a natureza, incluindo aspectos positivos (criatividade, 
preservação do ambiente) e negativos (destruição, poluição 
ambiental). 
"O homem é ao mesmo tempo obra e operário do meio que o 
rodeia, o qual lhe proporciona sustento material e lhe oferece a 
oportunidade de se desenvolver intelectual, moral, social e 
espiritualmente. Na longa e tortuosa evolução da raça humana 
neste planeta, tem-se chegado a uma etapa em que, graças à 
rápida aceleração da ciência e da tecnologia, o homem tem 
adquirido o poder de transformar, de inumeráveis formas e em 
uma escala sem precedentes, tudo que o rodeia. Os dois 
aspectos do meio ambiente, o natural e o social, são essenciais 
para o bem-estar do homem e para a satisfação dos direitos 
humanos, inclusive o direito à vida" (Declaração sobre o Meio 
Humano, Item 1, Conferência das Nações Unidas sobre o Meio 
Humano, Estocolmo, 1972). 
Ante essa afirmação, há que se considerar também outro aspecto 
importante: o aumento da população mundial, que crescerá 40% 
nos próximos vinte e cinco anos, até alcançar os 8.300 milhões 
em 2025, dos quais grande parte viverá nos países em 
desenvolvimento. 
24 
 
Em dezembro de 2005, a população mundial alcançou a cifra de 
6500 milhões de pessoas. 
Toda essa população se encontra numa terça parte da superfície 
do planeta, concentrada nos continentes onde se utiliza cada vez 
menos cuidadosamente os recursos oferecidos pelo meio natural. 
O mau uso dos recursos naturais se traduz em uma crescente 
deterioração que se apresenta sob forma de contaminação da 
atmosfera por emanações gasosas, de destruição progressiva da 
camada de ozônio que protege a Terra da influência prejudicial 
das radiações ultravioletas, de poluição sonora provocada por 
todo tipo de ruídos desagradáveis, decontaminação da água 
doce e marinha por dejetos tanto industriais quanto domésticos, 
de contaminação dos solos por lixos, produtos agroquímicos e 
resíduos industriais e, finalmente, de destruição progressiva da 
natureza em desacordo com a ecologia, por atividades tais como 
o desflorestamento massivo, a exploração dos lençóis freáticos 
(cuja conseqüência é a má drenagem e a salinização dos solos), 
a caça indiscriminada e a superpesca (que provoca a extinção de 
espécies valiosas e a ruptura de ciclos ecológicos), o mau 
manejo dos solos (cuja conseqüência é a erosão), bem como o 
uso de terras agrícolas para outros fins, tais como a fabricação de 
materiais de construção e a urbanização. 
São problemas também do meio ambiente os de ordem social, 
que se encontram relacionados com a falta de um planejamento 
no uso dos espaços e na construção de moradias inadequadas, a 
falta de educação em todo âmbito (que se traduz em ignorância) 
e os problemas de saúde e salubridade. 
 
_____________________ 
1 Thomas Robert Malthus. (Inglaterra, 1766-1834). Economista. 
Em 1798, publicou de forma anônima sua primeira contribuição 
destacada no campo da economia política com o título "Ensaio 
sobre o princípio da população" que, na edição de 1803, já 
convertido em um verdadeiro tratado sobre os limites do 
crescimento demográfico, titulou-se "Resumos sobre os efeitos 
passados e presente relativos à felicidade da humanidade". 
Outras obras suas são, "Princípios de economia política" (1820) e 
"A medida do valor" (1823). Malthus escrevia principalmente 
25 
 
tendo em vista os problemas do desemprego e aos apuros 
econômicos na Inglaterra da primeira Revolução Industrial. No 
século XIX, o colonialismo e a abertura de novas áreas de terra 
cultivável impediram o agravamento dessa situação. 
Ambiente e Educação Ambiental 
Até este momento, estudamos os conceitos de Meio Ambiente, 
Sistemas e Desenvolvimento Sustentável. Tratamos de reformas 
conceituais que se processaram ao longo da última metade do 
século XX. Tais reformas se produziram a partir de 
transformações ambientais, sociais, tecnológicas, econômicas, 
políticas e culturais, que, por estarem inter-relacionadas, 
demandam novas necessidades instrumentais em cada uma 
dessas dimensões da sociedade humana. 
É dentro deste contexto de intensa transformação que é imputada 
à Educação Ambiental um grande desafio, consolidado a partir da 
Conferência de Estocolmo (1972), quando a educação ambiental 
converte-se numa recomendação imprescindível para execução 
de projetos na área. Nesse mesmo ano de 1972 é criado o Plano 
das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), entre cujas 
tarefas figuram a informação, a educação e a capacitação 
orientadas com preferência a pessoas com responsabilidades de 
gestão sobre o meio ambiente. 
"É indispensável o trabalho de educação em questões ambientais, 
dirigido tanto às gerações jovens quanto aos adultos, e que preste a 
devida atenção ao setor da população menos privilegiado, para 
ampliar as bases de uma opinião bem informada e de uma conduta de 
indivíduos, de empresas e de coletividade, inspirada no sentido de sua 
responsabilidade em relação à proteção e à melhoria do meio em 
todas as dimensões humanas." (Estocolmo, 1972) 
Vale ressaltar, ainda, que antes desse movimento, em 1971, a 
UNESCO havia iniciado o Programa Homem e Biosfera (MAB) 
com o fim de prover os conhecimentos científicos e pessoal 
qualificado com vistas a um manejo racional dos recursos. O 
programa representou um novo enfoque de pesquisa e ação, 
dirigido a melhorar as relações do ser humano com seu 
ambiente, sublinhando a conveniência de se "desenvolver um 
programa interdisciplinar de pesquisa que atribua especial 
importância ao método ecológico no estudo das relações entre o 
homem e o meio" (UNESCO, 1971). 
26 
 
Para Medina (1997), esse novo compromisso colocado para a 
educação não desafia somente o desenvolvimento metodológico 
das teorias pedagógicas. Diz respeito também ao 
estabelecimento e à inclusão de novas abordagens éticas e 
conceituais à base estrutural das metodologias. Ou seja, não 
compromete somente as atividades de professores (em escolas 
ou cursos), ou de currículos acadêmicos, mas envolve também 
os cidadãos e os seus cotidianos, estejam eles desenvolvendo 
atividades pedagógicas, técnicas, sociais, comunitárias etc., em 
um projeto coletivo para criar um Ambiente mais equilibrado 
dentro da perspectiva do Desenvolvimento Sustentável. 
Compreender a Educação Ambiental, dentro de um quadro 
conceitual mais amplo, não exclui a necessidade de se envolver 
profissionais e metodologias para ações nas escolas e outras 
atividades de educação formal. Ao contrário, deixa claro a 
importância e a necessidade de se investir nesta área do 
conhecimento, a partir do desenvolvimento de novos processos 
de ensino-aprendizagem que integrem disciplinas e saberes 
dentro de uma nova ótica solidária. 
 
"...para assegurar a efetividade desse direito (meio ambiente 
ecologicamente equilibrado) cabe ao Poder Público: promover a 
Educação Ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização 
pública para preservação do meio ambiente". 
(Constituição Federal, Artigo 225 1º) 
"Entende-se por educação ambiental os processos por meio dos quais 
o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, 
habilidades, atitudes e competências, voltados para a conservação do 
meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia 
qualidade de vida e sustentabilidade." (Lei Federal Nº9795 de 
27/04/99 - Dispõe sobre educação ambiental e institui a Política 
Nacional de Educação Ambiental. CAPÍTULO I, ART.1º) 
 
Por outro lado, abre-se o campo da educação não formal, em que 
os desafios se estendem aos programas de educação ambiental 
que são realizados em diversas atividades que possuem como 
foco a temática ambiental (trabalhos técnicos e sociais, 
auditorias, programas dentro de empresas etc.). Também nesses 
27 
 
casos, há necessidade de desenvolvimento metodológico 
específico e de formação de pessoas para qualificar os 
resultados, uma vez que em tais programas estão envolvidas 
pessoas que difundem informações e conhecimentos e 
estabelecem novas perspectivas de ação. 
No quadro a seguir, Medina (1997) procura sintetizar um conjunto 
de suporte que poderá nos auxiliar na compreensão desse 
conceito em uma dimensão mais complexa. 
 
 
Nos processos de gestão ambiental (urbana ou rural) há, 
também, uma enorme possibilidade de relacionar ações de 
melhoria da qualidade ambiental com as de condições de vida da 
população, com a aplicação de ações ligadas ao 
desenvolvimento sustentável. Aqui, ações de Educação 
Ambiental podem ser diretamente inseridas no planejamento e na 
gestão ambiental local, não apenas como um elemento de 
melhoria da qualidade do ambiente, mas também como um 
processo de qualificação social que amplia processos ambientais 
envolvidos na região e ainda intensifica a consciência da 
sociedade para gerir com mais prudência seus recursos naturais, 
econômicos e sociais. 
28 
 
A implantação de qualquer forma de gestão ambiental apóia-se 
necessariamente na educação ambiental, que deve ser dirigida a 
todos os setores, a todas as pessoas de todas as idades. Essa 
participação requer o apoio de processos formativos que não 
apenas tornem viável a participação popular nas atividades, mas 
que proporcionem elementos para o aperfeiçoamento das 
possibilidades dessa participação, ao fornecerem novos 
elementos qualitativos a pessoas e grupos. 
Uma boa formação ambiental pode ser a base para entender e 
intervir em âmbito municipal, de modo que se consiga tomar parte 
ativa e que se possa apresentar opiniões quanto aos conflitos 
ambientais e participar nas diversastarefas necessárias à 
modificação das situações. 
Ambiente e Participação 
A participação na temática ambiental pode ser abordada dentro 
de diferentes dimensões. Sob a ótica do ambiente como sistema, 
a participação pode ser entendida como a contribuição que cada 
segmento da sociedade (social, econômico, político, 
organizacional, científico etc.) pode oferecer, ou ter capacidade 
de oferecer, para o estabelecimento do equilíbrio ambiental do 
planeta - equilíbrio este entendido a partir da interdependência de 
equilíbrio de cada um de seus próprios componentes. 
Para percebermos a importância potencial dos processos 
participativos associados à temática ambiental, devemos 
observar, com atenção, os resultados destas contribuições e seus 
avanços na reversão do quadro de degradação global. Essa 
observação será melhor referenciada através da análise das 
atividades práticas (locais ou globais), e não apenas pelo 
desenvolvimento das concepções teóricas sobre o tema. 
 
A seguir exemplificamos: 
"O relatório Geo 2000, que acaba de ser divulgado em Genebra pelo 
programa Ambiental da ONU, traça um futuro sombrio para o novo 
milênio. Prevê a destruição das florestas tropicais, a contaminação do 
ar [...], o esgotamento das fontes de água potável [...] O documento 
adverte: até agora nenhum programa de defesa ambiental, em escala 
29 
 
global, foi levado a sério pela comunidade internacional." (Jornal 
Diário Catarinense, 21/09/2000). 
"O livro "Caminhos e aprendizagens: educação ambiental, 
conservação e desenvolvimento" apresenta 14 projetos desenvolvidos 
pela WWF, nas cinco regiões do Brasil, espalhados por oito estados, 
que utilizaram metodologias de educação ambiental, com o apoio de 
parceiros locais. Os projetos capacitaram 25 educadores na 
implantação e/ou aprimoramento da educação ambiental. A 
implantação da metodologia levou dois anos e contou com a 
participação de pequenas comunidades". (http://www.wwf.org.br, 
[Lido: 20/11/2000]). 
"O secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Rasca 
Rodrigues, e o presidente da Tetra Pak no Brasil, Paulo Nigro, 
apresentaram nesta quarta-feira (25) um Plano de Ação inédito no 
Paraná - que será realizado nos próximos dois anos, inicialmente em 
22 municípios pólos, e representam 90% da população paranaense - 
com o objetivo de garantir o escoamento sustentável para a 
reciclagem das embalagens longa vida no Estado". (Fonte: 
http://www.bonde.com.br, [Lido: 25/07/2007]). 
 
Para integrar nossa análise sobre a dimensão participativa 
presente no conceito de Meio Ambiente, utilizaremos como 
critérios os elementos conceituais já apresentados no item Meio 
ambiente como Sistema (SIERVI, 2000b). São eles: 
• As relações entre o todo e as partes: a participação possui 
característica de interdependência entre a parte (os participantes) 
e o TODO (o ambiente natureza-sociedade), podendo-se admitir 
os subsistemas - indivíduos ou organizações - como parte, e os 
processos participativos resultantes das interações como TODO; 
• Emergências e limites: por ser uma atividade essencialmente 
prática-reflexiva, a participação possui importantes características 
de emergências, geradas a partir das articulações entre os 
diferentes participantes (as partes); e também de limites, 
impostos pela necessidade de respeitar as características 
particulares dos participantes envolvidos (organizações ou 
indivíduos); 
• Relação com o entorno: compreendendo o meio ambiente como 
um sistema aberto, ou seja, em constante processo de 
intercâmbio com o meio externo, podemos perceber que as 
atividades participativas desenvolvidas entre organizações e 
30 
 
indivíduos geram as transformações que o sistema passa a 
oferecer como novo produto à sociedade (novas formas de 
conceber ou resolver os problemas); 
• Equilíbrio: o conceito de equilíbrio dinâmico empresta aos 
processos participativos um caráter de aprendizado, havendo 
constantes fluxos de matéria, energia e informação que provocam 
mudanças temporárias (evolução) e espaciais (estrutura) nas 
organizações, nos indivíduos e nas concepções e resoluções de 
problemas; 
• Retroalimentação: diz respeito aos mecanismos de recarga do 
sistema. São as informações que permitem ao sistema aprender 
a partir de sua própria prática ou operação; 
 
• Adaptação e inovação: os processos participativos, como 
atividades eminentemente práticas-reflexivas, estão 
constantemente sujeitos aos processos de adaptação e inovação 
para garantirem sua estabilidade (dinâmica). 
Tem-se assistido a um importante movimento em toda sociedade 
para viabilizar os processos participativos em todos os 
subsistemas do Meio Ambiente (social, cultural, político, 
tecnológico, econômico, institucional, entre outros). Esse 
movimento coletivo - formal e informal - tem resultado no 
desenvolvimento de um grande número de novas metodologias, 
instrumentos e mecanismos legais que contribuem para a 
efetivação da dimensão participativa na dinâmica social 
contemporânea. 
31 
 
Na perspectiva do conceito de Desenvolvimento Sustentável, a 
participação é o elemento fundamental para garantir a inclusão 
social, a diversidade de abordagens, o respeito à diversidade 
cultural, a inclusão de perspectivas sobre relações de gênero, a 
reflexão entre a geração atual e a futura, entre outros aspectos. 
As experiências de construção de Agendas 21 locais têm 
explicitado os limites e as oportunidades que o exercício da 
prática participativa oferece para o conceito e para que, enfim, 
sejam atingidos os novos objetivos do Desenvolvimento 
Sustentável. 
 
Em 1992, realizou-se no Rio de Janeiro a Conferência Mundial sobre 
Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Cúpula da Terra, convocada 
pelas Nações Unidas. Nesta reunião adotou-se o Programa de Ação 
21, conhecido como Agenda 21 que, entre outras coisas, promove a 
realização de diversas Agendas 21 nacionais e locais, expressas nos 
programas de ação pública em favor de um desenvolvimento 
sustentável no século XXI. O Capítulo 28 da Agenda 21 assinala: 
"devido ao fato de que muitos dos problemas e soluções tratados na 
Agenda 21 têm suas raízes em atividades locais, a participação e 
cooperação de autoridades locais será um fator determinante na 
realização de seus objetivos". 
A Agenda 21 Local é, então, um projeto político de desenvolvimento 
local para o Século XXI e um programa de ações que correspondem a 
um conjunto de objetivos, princípios e características relacionadas 
com o desenvolvimento sustentável. Esta Agenda está estreitamente 
relacionada ao estabelecimento de um sistema de gestão ambiental 
municipal e aos planos integrais de gestão ambiental no município, 
porém amplia e reforça diversos elementos de caráter econômico, 
social e cultural, visando um município sustentável. 
Este processo corresponde a um mandato acordado pelas Nações 
Unidas e pelos governos do mundo, no qual se reconhece o papel-
chave das autoridades locais e das comunidades no caminho para o 
desenvolvimento sustentável. Além disso, com esta proposta 
pretende-se fortalecer a responsabilidade de todos na redução dos 
impactos ambientais gerados pelas próprias atividades humanas e 
pelos efeitos que podem ser produzidos por outras comunidades, de 
modo que se compartilhem experiências entre os diversos governos 
locais. 
 
32 
 
Quando dirigimos nosso foco de atenção para a base conceitual 
da Educação Ambiental encontramos uma dupla possibilidade de 
abordagem para os processos participativos: 
• em primeiro lugar, podemos perceber que os processos 
participativos podem oferecer uma grande contribuição dentro de 
uma perspectiva ética, metodológica e conceitual, através da 
potencialização dos trabalhos realizados junto à estrutura formalde educação (a escola), bem como à informal (associações de 
moradores, empresas, grupos de jovens, entre outros); 
• por outro lado, destaca-se a importância da Educação 
Ambiental como geradora de processos participativos. 
 
 
 
Meio Ambiente Físico ou Natural 
O estudo do Meio Ambiente Físico ou Natural, de suas dinâmicas 
próprias e das inter-relações com os demais subsistemas do 
Meio Ambiente ajuda-nos a compreender a natureza e as 
dimensões dos impactos sofridos pelo conjunto de seus 
elementos. 
No documento preparatório para a Rio 92, "Nossa própria Agenda 
sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente" (BID/PNUD, 1991), foi 
apresentado um quadro sobre a situação ambiental da América 
33 
 
Latina. Os critérios utilizados para levantamento do quadro 
incluíam os seguintes elementos: 
• amplitude geográfica dos processos ambientais considerados; 
• volume da população afetada; 
• volume das atividades econômicas diretamente afetadas; 
• gravidade dos efeitos sobre a população e atividades 
econômicas; 
• a capacidade, atual e potencial, de enfrentar os processos 
ambientais implicados. 
 
 
Tabela 1.3. Principais temas ambientais para discussão na América 
Latina e Caribe. 
34 
 
Fonte: Adaptado a partir de: Nossa Própria Agenda sobre 
Desenvolvimento e Meio Ambiente BIP/PNUD (1991). 
 
Pode-se observar que os principais temas apresentados na 
Tabela 1.3 possuem íntima relação com as ações antrópicas 
sobre os ecossistemas internacionais (da América Latina) e 
Globais (generalizados para todo planeta). 
ANTRÓPICO 
Relativo à humanidade, à sociedade humana, à ação humana. Termo 
empregado para qualificar: um dos setores do meio ambiente, o meio 
antrópico, compreendendo os fatores sociais, econômicos e culturais; 
um 
dos subsistemas do sistema ambiental, o subsistema antrópico. 
(FEEMA, 1990) 
 
Para construir um painel de relacionamento entre a Tabela 1.3 e 
o Meio Ambiente Físico, faremos uma abordagem panorâmica 
sobre os seguintes assuntos: Clima; Solos; Água; Flora e Fauna; 
Minerais; Energia e Resíduos. Muitos dos temas ambientais 
apontados poderão ser identificados em diferentes momentos do 
texto, explicitando seu interrelacionamento e sua 
interdependência sistêmica. Fique atento a essas relações 
durante a leitura. 
Atmosfera 
Ao falar do clima, nos referiremos fundamentalmente a um de 
seus componentes: a atmosfera. 
A atmosfera é a camada gasosa que envolve a Terra, com 
altitude estimada superior aos 1.000 km. É composta de grande 
variedade de gases, dos quais os mais importantes são o 
oxigênio e o nitrogênio, que, conjuntamente, constituem 91% de 
seu volume, formando o que conhecemos por "ar". 
35 
 
 
As características físicas e químicas da atmosfera (densidade, 
pressão e temperatura), tal como hoje a conhecemos, variam em 
relação à altitude, de modo que se possa subdividi-la em alguns 
estratos ou camadas bem diferenciadas: troposfera, estratosfera, 
mesosfera e termosfera (figura 1.8). 
36 
 
 
 
A poluição atmosférica é um dos problemas ambientais e de 
saúde humana mais típicos das cidades e das áreas 
industrializadas. A qualidade do ar depende exclusivamente da 
quantidade e da natureza das substâncias geradas pela atividade 
humana, que são os gases tóxicos e as partículas orgânicas e 
inorgânicas em suspensão (pó e alguns metais, como o chumbo). 
Grande parte dos problemas ambientais globais que serão 
tratados posteriormente, tais como o efeito estufa, o esgotamento 
da camada de ozônio ou a chuva ácida, devem-se na maioria às 
emissões antropogênicas na atmosfera, derivadas das atividades 
industriais. 
Em outubro de 1997, cientistas espanhóis do Instituto Nacional 
de Técnica Aeroespacial (INTA), em colaboração com cientistas 
de outros países europeus, publicaram os dados de um recorde 
histórico no buraco da camada de ozônio do Pólo Norte. 
37 
 
Segundo esse estudo, durante o inverno europeu de 1995-96, a 
destruição da camada de ozônio nas regiões árticas alcançou 
64% do total em alguns níveis, o que constitui uma cifra 
realmente alarmante. O nível de destruição da camada de ozônio 
depende do clima existente, sendo acelerado pela grande 
quantidade de compostos de cloro e bromo na estratosfera, 
gerados pela atividade humana. 
O efeito estufa, causa do aquecimento da Terra e da modificação 
do clima, é outro dos grandes problemas atmosféricos, tornando-
se um tema prioritário a respeito do qual já estão sendo tomadas 
providências. Os Estados Unidos emitem 25% dos gases 
causadores de efeito estufa, motivo pelo qual, em 1993, lançou 
um plano para que no ano 2000 a emissão de "gases estufa" 
(CO2 principalmente) fosse similar à do ano de 1990. O 
departamento de Energia dos Estados Unidos anunciou, no 
entanto, em outubro de 1997, que os "gases estufa" produzidos 
nesse país simplesmente não haviam diminuído, mas 
aumentaram 8% desde 1990. 
A chuva ácida, produzida pela atividade industrial, também inclui-
se como uma das ameaças ao meio aéreo. Trata-se da emissão 
de compostos de enxofre na atmosfera, os quais podem diluir-se 
no vapor da água, formando pequenas gotas de ácido sulfúrico 
(H2SO4), provocando a chuva ácida. Esse fenômeno não é um 
problema localizado, já que essas gotas podem depositar-se 
sobre solos a muitos quilômetros de distância do ponto em que 
são originadas. 
A contaminação dos espaços interiores é um tema específico no 
estudo da poluição atmosférica. A maior parte da atividade 
profissional, familiar, social e recreativa que exercemos ocorre 
dentro de espaços fechados, onde a concentração de 
substâncias poluentes torna-se maior que em espaços abertos. 
Neste caso, aos contaminadores clássicos somam-se outros, 
como os óxidos de nitrogênio e CO2, emitidos pelo gás de 
cozinha, pelos escapamentos dos automóveis nas garagens, 
pelas partículas de fuligens provenientes dos veículos 
automotores, e que se introduzem dentro das casas, pela fumaça 
dos cigarros, e outras substâncias voláteis que aparecem em 
produtos de uso doméstico, como tintas e aerossóis. A 
contaminação por amianto é uma das mais conhecidas, pois esse 
38 
 
material era amplamente utilizado na construção até que se 
comprovou, na década de 60, que as emanações de suas fibras 
podiam provocar câncer. 
Solo 
O solo nos faz pensar imediatamente na cobertura da superfície 
terrestre. De acordo com o critério científico ou pedológico (do 
grego pedós = solo), é uma coleção de corpos naturais, que 
ocupa posições na superfície terrestre, os quais suportam as 
plantas, e cujas características são decorrentes da ação 
integrada do clima e da matéria viva sobre o material originário, 
condicionado pelo relevo, em períodos de tempo. Isto é, o clima e 
a matéria orgânica (raízes, minhocas e outros organismos, vivos 
ou em decomposição) atuam modificando os solos através do 
tempo, decompondo as rochas e transformando a topografia. Não 
esqueçamos que a superfície do solo não é plana, porém, possui 
uma série de acidentes que favorece o escoamento ou a 
retenção da água. 
Seguindo um critério prático ou edafológico (do grego edafós = 
solo ou terra como suporte de plantas), o solo é concebido como 
o meio natural onde se desenvolvem as plantas. 
Os seres humanos podem fazer variados usos do solo. A 
atividade agrícola é em si benéfica para o solo; contudo, o 
prejuízo surge quando práticas inadequadas são realizadas, 
como o manejo inadequado de água para irrigação, que gera 
uma má drenagem e processos de salinização (quando os sais 
se acumulam, chegam a alcançar níveis tóxicos para as plantas). 
Ainda assim, a falta de manejo adequado dos solos (como as 
práticas da pecuária ou a eliminação de árvores e arbustos, que 
se desenvolvem em solos com encostas pronunciadas ou nas 
margens de umrio) tem como conseqüência a ocorrência de 
processos erosivos. O aparecimento de fendas em lugares com 
declividade acentuada, assim como de aluviões, que são 
produzidos com a ocorrência de chuvas intensas e o 
assoreamento das margens dos rios, são formas radicais de 
erosão. 
Finalmente, o uso de terras agrícolas para outros fins, tais como 
a fabricação de materiais de construção (tijolos e acabamentos 
cerâmicos) e a edificação de infra-estrutura (residências, fábricas, 
39 
 
edifícios diversos, pavimentação de vias de transporte), é uma 
das formas mais nocivas de utilização dos solos cultiváveis. 
O uso inadequado dos solos leva ao surgimento do fenômeno 
conhecido pelo nome de desertificação. Segundo dados das 
Nações Unidas, estima-se que a cada ano desertificam-se entre 6 
e 7 milhões de hectares, ou seja, uma superfície equivalente ao 
triplo da ocupada pelo estado de Sergipe /Brasil. Do mesmo 
modo, uma extensão adicional de 20 milhões de hectares (área 
equivalente ao Estado do Paraná, Brasil) se empobrece 
anualmente, até o ponto de se tornar improdutiva para a 
agricultura e para a pecuária. 
Água 
A definição de água é mais difícil do que geralmente se supõe. 
Aparentemente simples, a água é um dos corpos mais complexos 
do ponto de vista físico e químico, pois é muito difícil obtê-la em 
estado puro, além de apresentar um maior número de anomalias 
em suas constantes físicas. 
A água é a fonte de toda a vida. Sem água não há vida. Os seres 
vivos não podem sobreviver sem água. A água é parte integrante 
dos tecidos animais e vegetais. Existe na biosfera em seus 
estados líquido (mares, rios, lagos e lagoas), sólido (gelo, neve) e 
gasoso (vapor de água, nuvens, umidade). É uma bebida 
elementar, uma fonte de energia, uma necessidade para a 
agricultura e para a indústria. Todas as grandes civilizações 
nasceram ao redor da água. Não se conhece nenhuma 
civilização que tenha se desenvolvido em uma região desprovida 
de água. 
Não se conhece nenhuma grande civilização que tenha nascido 
em uma região desprovida de água. E é por isso que, há milhares 
de anos, desde que a humanidade foi capaz de representar seus 
conceitos por símbolos gráficos, tem-se valorizado a água. 
 
A água renova-se no mundo dentro de um ciclo, conhecido como 
ciclo hidrológico. Com o calor produzido pela insolação, a água 
evapora-se dos mares e das águas continentais, chegando à 
atmosfera, onde forma nuvens que logo se precipitam (chuva, 
neve, granizo). Uma vez sobre o continente, parte dessa água 
40 
 
escorre superficialmente (rios), enquanto o restante, em maior 
proporção, infiltra-se (águas subterrâneas) chegando desta forma 
novamente aos lagos, lagoas e oceanos, nos quais volta a 
evaporar-se. (figura 1.9) 
A água exerce uma influência decisiva sobre os seres humanos e 
os recursos naturais renováveis. Sua dinâmica natural influi sobre 
solos, plantas e animais, podendo causar deslizamentos e 
inundações como processos naturais. Porém, a água também 
tem sua dinâmica afetada pelas atividades humanas, que muitas 
vezes aceleram esses processos naturais (desmatamento em 
encostas e nas margens dos rios, processos de urbanização 
intensa, entre outros). 
 
Outro tipo de influência exercida pelas atividades humanas sobre 
a água é a sua contaminação. Assim, antes de chegar ao solo 
como chuva, pode ser contaminada com emissões gasosas, 
procedentes da indústria ou da combustão de veículos 
automotores; ou, já no solo, pelo lançamento de substâncias 
41 
 
tóxicas ou resíduos líquidos ou sólidos, da indústria, da 
agricultura ou domésticos. 
A contaminação das águas afeta tanto os animais como as 
plantas, implicando em grave problema ambiental. Até poucos 
anos, a água era vista como um bem barato (ou praticamente 
gratuito) e inesgotável. 
Atualmente, esta visão teve que ser revista, pois compreendeu-se 
que, para recuperar a água contaminada, o processo é difícil e 
oneroso. Uma porcentagem demasiadamente elevada da 
população mundial não dispõe de água suficiente em quantidade 
e na qualidade desejada, afetando as necessidades hídricas dos 
cultivos, a capacidade de sobrevivência e permitindo a 
proliferação de doenças causadas pelo consumo, por animais e 
pessoas, de águas não tratadas. 
Aproximadamente 71% da superfície de nosso planeta é coberta 
pelos oceanos, os quais estão sofrendo uma constante 
degradação. A cada ano, são despejados neles mais de 8 
milhões de toneladas de petróleo, sendo que, segundo cifras da 
FAO, 44% dos locais de pesca sofrem processos de exploração 
intensiva, 16% são explorados em excesso, 10% dos arrecifes de 
corais se encontram em estado irrecuperável e 30% estão em 
processo de degradação. A ONU estabeleceu que 1998 seria o 
Ano Internacional dos Oceanos, visando fazer com que as ações 
realizadas durante aquele ano sensibilizassem os Governos e os 
cidadãos para essa problemática. 
Para diminuir o impacto sobre o meio aquático, deve-se reduzir o 
despejo de resíduos, tratar as águas contaminadas antes de 
lançá-las nos cursos dos rios e antes de serem consumidas, além 
de potencializar as técnicas de captação e armazenamento de 
água, assim como reduzir o desperdício. 
Flora e Fauna 
A flora e a fauna incluem todos os organismos vivos que se 
desenvolvem na biosfera. A flora é constituída pelo conjunto de 
espécies ou indivíduos vegetais, silvestres ou cultivados, que 
vivem ou povoam uma determinada região ou área. 
Os vegetais ou plantas, como habitualmente são chamados, são 
formas de vida que se podem agrupar, a princípio, em dois 
42 
 
grandes grupos: plantas que têm flores visíveis, ou Fanerógamas 
(árvores, arbustos, ervas), e plantas sem flores visíveis, ou 
Criptógamas (samambaias, musgos, fungos, algas e bactérias). 
Este grupo inclui a totalidade da microflora. 
Quanto ao meio em que habitam, às dimensões e às formas de 
vida, os organismos são classificados como integrantes da: flora 
bacteriana, flora fluvial, flora intestinal, flora nativa ou autóctone, 
flora silvestre, flora marinha, flora invasora, microflora e 
macroflora. 
A flora inclui muitas espécies de valor econômico utilizadas para 
diversos fins: obtenção de madeira (florestas), pastagens (pastos 
naturais), medicina (plantas medicinais) etc. 
A extinção ameaça atualmente aproximadamente 25.000 espécies 
de plantas. 
Quanto às florestas, no mundo há dois tipos principais que 
possuem valor econômico: as florestas homogêneas, compostas 
por um número limitado e uniforme de espécies, que se 
desenvolvem nas zonas temperadas dos hemisférios Norte e Sul 
(por exemplo, os bosques de pinheiros que caracterizam o 
Canadá, a Argentina e o Chile); e as florestas heterogêneas ou 
tropicais úmidas, compostas por uma variedade de espécies de 
todo tipo e tamanho (árvores, arbustos, plantas herbáceas etc.), 
que caracterizam a região equatorial do mundo (por exemplo, a 
Floresta Amazônica).Estas últimas são as florestas mais 
vulneráveis por estarem continuamente submetidas a um 
processo de desmatamento. 
Esse processo é tão intenso que, segundo estimativas, só na 
América Latina ocorre a metade do desmatamento realizado em 
todo o planeta. Sabe-se que, a cada ano, o mundo perde 11,3 
milhões de hectares de florestas tropicais. As florestas 
homogêneas ou temperadas não se livram da degradação, 
principalmente pelo efeito da chuva ácida. 
Por outro lado, o desequilíbrio entre a produção e o consumo dos 
recursos naturais é evidente: um quinto da população mundial 
(América do Norte, Europa Ocidental, Japão, Austrália, Hong 
Kong, Cingapura e os Emirados petroleiros do Oriente Médio) 
consome 80% dos recursos naturais. Entretanto, é nos 14 dos 17 
países mais endividados do mundo que se encontram as 
43 
 
florestas tropicais. O resultado é um comércio de recursosnaturais (sobretudo madeira) que são utilizados para pagar essa 
dívida. De fato, calcula-se que a subsistência de 300 milhões de 
pessoas está relacionada com as florestas. 
As pastagens naturais constituem a mais extensa prática do 
mundo no aproveitamento dos solos, pois ocupam 30 milhões de 
km2, ou seja, 23% da superfície de solo da Terra. Mesmo que 
sua produtividade seja geralmente baixa, mantém, no entanto, a 
maioria das 3 bilhões de cabeças de gado do mundo e, 
conseqüentemente, a maior parte da produção mundial de carne 
e leite. 
Infelizmente, em numerosos lugares, o manejo dos campos não é 
adequado. Extensas pastagens localizadas no norte da África, no 
Mediterrâneo e no Oriente Próximo foram degradadas. A 
pecuária é também um problema nos ecossistemas de 
montanhas, tais como no Himalaia e nos Andes. A deficiente 
gestão da atividade de criação de gado e os excessos nos níveis 
de capacidade de uso permitem que a cobertura herbácea - 
geralmente pobre, tanto como forragem quanto na qualidade de 
proteção do solo - seja atacada pelos processos erosivos. 
Do mesmo modo, muitas espécies de plantas nativas constituem 
uma fonte de recursos para a saúde. São as denominadas 
plantas medicinais, utilizadas primordialmente nas zonas rurais 
através de sistemas médicos tradicionais e que apresentam uma 
eficácia ou valor terapêutico real ou potencial e, 
conseqüentemente, um valor econômico indeterminado. 
 
A fauna é formada pelo conjunto de animais que povoam ou 
vivem em uma determinada zona ou região. Em nível global, 
podemos falar da fauna do planeta Terra e esse conceito, então, 
abrange todos os animais que existem desde que apareceu a vida 
na Terra. 
Pode-se dividir a fauna, a princípio, em dois grandes grupos: os 
invertebrados, a forma mais primitiva, e os vertebrados, de 
evolução mais tardia. A principal diferença entre ambos é a 
presença de um eixo ósseo ou coluna vertebral, que suporta o 
corpo do animal, nos vertebrados, e que não existe nos 
invertebrados. 
44 
 
Entre os vertebrados, são classificados os peixes, anfíbios, 
répteis, aves e mamíferos. Este último grupo inclui a espécie 
humana. Entre os invertebrados, distinguem-se aqueles com 
membros articulados ou artrópodes (insetos, aracnídeos, 
crustáceos, miriápodes), os moluscos, equinodermos, cnidários e 
esponjas. 
De acordo com o meio onde habitam, a sua dimensão e a forma 
de vida, temos a fauna silvestre, epifauna, infauna, macrofauna, 
megafauna, mesofauna, microfauna e pedofauna. 
A utilidade das espécies de fauna é múltipla, mas principalmente 
podemos mencionar a domesticação de animais selvagens como 
fonte de alimentos (carne, ovos, gorduras), de produtos 
industriais (fibras, lãs, couros, peles, pêlos, corantes) e de 
produtos úteis para a agricultura (adubos, como o guano 
produzido por aves marinhas). 
A extinção ameaça, atualmente, mais de 1.000 espécies de 
vertebrados. Estas cifras não englobam o inevitável 
desaparecimento de animais menores - em particular os 
invertebrados, como os moluscos, os insetos e os corais - cujo 
ambiente está sendo destruído. 
 
A ameaça mais grave para fauna e flora é a degradação do meio 
ambiente físico através de sua substituição gradual por 
assentamentos humanos, portos e outras construções; da 
contaminação com produtos químicos e resíduos sólidos 
(domésticos, agrícolas e industriais); da extração descontrolada 
de águas e de recursos naturais; além da pecuária, de atividades 
pesqueiras e da caça indiscriminada. 
Devido à superexploração da pesca, atualmente encontram-se 
consideravelmente esgotadas pelo menos 25 das mais valiosas 
zonas pesqueiras do mundo. Cinco das oito regiões com maior 
número de reservas pesqueiras esgotadas são regiões 
desenvolvidas (Atlântico do Noroeste, Atlântico do Nordeste, 
Mediterrâneo, Pacífico do Noroeste e Pacífico do Nordeste). No 
mar peruano, a pesca da anchoveta ocasionou seu colapso entre 
1971 e 1978. Seu habitat foi ocupado pela sardinha, pela cavala, 
pelo bonito e pela merluza. A alteração ecológica trouxe como 
conseqüência um grave prejuízo econômico e ambiental (a pesca 
45 
 
predatória da anchoveta provocou a diminuição da população de 
aves guanadeiras - aves marinhas). 
Quanto aos animais terrestres, estes são caçados principalmente 
para a obtenção de carne e peles. O comércio internacional 
converteu-se em uma ameaça para muitas espécies, dada a 
exigência cada vez maior do mercado internacional pelas 
espécies raras da fauna. Esse abuso ameaça 40% de todas as 
espécies de vertebrados em vias de extinção, representando o 
maior perigo que pesa sobre os répteis. 
Minerais 
Os minerais são corpos inorgânicos naturais, de composição 
química e estrutura cristalina definidas. Sua importância é grande 
por seus diversos usos na indústria. Constituem as matérias-
primas ou recursos mais importantes para fabricar as ferramentas 
da civilização. No total, há na crosta terrestre mais de 2.000 
minerais distintos, que apresentam uma deslumbrante variedade 
de cores, formas e texturas. 
Os minerais têm sua origem nas rochas, que não são mais que 
uma mistura complexa de minerais ou que, às vezes, são 
formadas por um só tipo de mineral. 
Há minerais metálicos (que são muito consistentes e possuem 
brilho) e não metálicos (de menor consistência apresentam-se em 
estado sólido, líquido ou gasoso e não brilham). 
Uma característica dos minerais é que são esgotáveis, ou seja, 
uma vez que são explorados não se renovam. O petróleo, o 
cobre, o ferro, o carvão natural etc., um dia irão esgotar-se. Por 
este motivo, é necessário utilizá-los com prudência, evitando seu 
desperdício. 
Desde os tempos pré-históricos, os seres humanos souberam 
utilizar os minerais. Já na Idade da Pedra usava-se o sílex; mais 
tarde, o bronze e o ferro. O carvão natural serviu para o grande 
avanço industrial do século passado, alimentando as usinas e as 
máquinas a vapor. O urânio, atualmente, alimenta os reatores 
atômicos. Mas em todos os tempos os minerais mais 
"explorados" foram os diamantes e o ouro. 
46 
 
A exploração e o uso irracional dos minerais encontram-se 
associados à poluição. Por exemplo, a eliminação de resíduos 
das minas resulta em contaminação dos recursos hídricos; e o 
uso do carvão natural está associado à poluição atmosférica. 
 
Entre os principais minerais encontram-se: o carbono 
(fundamento dos compostos químicos orgânicos, por exemplo o 
petróleo), o ferro, o cobre, o urânio, o chumbo, o zinco, o 
alumínio, o ouro e a prata. 
 
Energia 
Constitui o recurso mais misterioso da natureza e está associado 
ao movimento. Em conjunto com a matéria, forma o mundo, o 
cosmo. A matéria é a substância; a energia, o móvel da 
substância, do universo. A matéria pesa, ocupa um lugar, pode 
ser vista, ouvida, apalpada; a energia não é vista, somente são 
vistos seus efeitos. Podemos ver cair uma pedra, mas não 
podemos ver a energia liberada para dar movimento a essa 
pedra. Podemos ver a lua e comprovar seus movimentos; 
entretanto, não podemos ver a energia, ou força, que faz com 
que a lua se mova. Portanto, a energia só pode ser definida em 
função de seus efeitos, como a capacidade de efetuar um 
trabalho. 
A energia manifesta-se de muitas formas em nossa vida diária. 
Assim temos: 
- a energia mecânica, que corresponde a de qualquer objeto em 
movimento; 
- a energia térmica ou do calor; 
- a energia radiante, que é a gerada pelo Sol e pelas estrelas, 
pelas ondas de rádio e por todo tipo de radiações; 
- a energia química, contida nos alimentos e nos combustíveis, 
como o petróleo; 
- a energia elétrica, que corresponde à eletricidade e aos imãs; e 
- a energia nuclear, que mantém unidas as partículas dos 
átomos. 
Uma particularidade da energia é que se pode transformar. 
Qualquerforma de energia pode ser convertida em outra. Um 
exemplo é o ciclo hidrológico: a água dos mares ou dos lagos 
47 
 
evapora-se e passa para a atmosfera graças ao calor produzido 
pela energia radiante proveniente do sol. O vapor condensa-se 
em forma de nuvens e cai como chuva, neve ou granizo nas 
montanhas. Ao escoar, a água move as turbinas de uma usina 
hidrelétrica, transformando a energia mecânica em corrente 
elétrica que, ao ser conduzida pelos fios, aciona equipamentos 
eletrodomésticos. 
Porém, a fonte fundamental de energia é o Sol, do qual se diz ser 
o "motor do mundo energético". Essa pode ser a razão pela qual 
muitas das civilizações antigas adoravam esse astro. 
No estudo sobre Meio Ambiente, interessa-nos principalmente o 
modo como a luz se relaciona com o conjunto de seres vivos e 
como a energia é transformada dentro da comunidade desses 
seres (animais e plantas), seja nas relações entre plantas 
(produtoras de alimentos) e animais consumidores (herbívoros); 
entre os animais carnívoros e suas presas; ou entre o número de 
animais e plantas e os alimentos disponíveis em uma 
determinada área. 
As plantas produzem alimentos pela ação da luz sobre a clorofila 
das folhas. Mas somente uma pequena porção da luz absorvida 
pelas plantas verdes é transformada em alimento; a maior parte 
dela transforma-se em calor, que logo é irradiado pela planta. 
Todos os demais seres vivos obtêm energia através dos 
alimentos, convertendo grande parte dela em calor e acumulando 
uma pequena parte da energia em compostos como proteínas, 
gordura e outros produtos. 
Existem energias renováveis e energias não renováveis. Por 
exemplo, a energia radiante produzida pelo Sol, e que logo se 
transforma, é uma energia renovável. Mas a energia química 
produzida pela combustão do petróleo é uma energia não 
renovável, porque o petróleo pode se esgotar. 
É por isso que a tendência moderna é pela utilização mais ampla 
das energias renováveis, fundamentando o desenvolvimento 
sustentável. 
 
48 
 
 
 
Tabela 1.5. Brasil: Oferta de energia por fonte - dados em tep 
(tonelada equivalente de petróleo), apresentados no Balanço 
Energético Brasileiro 1998. Fonte: Adaptado de Castro (1999) e Ben 
2006 (2006). 
 
A oferta interna de energia total no Brasil, em 2005, atingiu 218,6 
milhões de TEP (1), sendo que, desse total, 97,7 milhões de tep 
ou 44,7% correspondem à oferta interna de energia renovável. 
Essa proporção é das mais altas do mundo, contrastando 
significativamente com a média mundial, de 13,3%, e mais ainda 
com a média dos países que compõem a Organização de 
Cooperação e de Desenvolvimento Econômicos - OCDE (2), em 
sua grande maioria países desenvolvidos, de apenas 6%. 
49 
 
 
 
_________________________ 
1 (TEP) Toneladas Equivalentes de Petróleo. 
2 São os seguintes os 30 países membros da Organisation de 
Coopération et de Développement Économiques: Alemanha, 
Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Coréia do Sul, Dinamarca, 
Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Grécia, Holanda, 
Hungria, Irlanda, Islândia, Itália, Japão, Luxemburgo, México, 
Noruega, Nova Zelândia, Polônia, Portugal, Reino Unido, 
República Eslovaca, República Tcheca, Suíça, Suécia e Turquia. 
Além desses países, também integra a OCDE a União Européia. 
 
O Desenvolvimento Sustentável 
Que é o desenvolvimento sustentável? 
 
O termo desenvolvimento sustentável foi estabelecido pela 
International Union for The Conservation of Nature (IUCN), 
embora sua popularidade tenha origem no relatório "Nosso futuro 
comum" ou relatório Bruntland (WCED, 1987), preparado pela 
Comissão Bruntland das Nações Unidas, no qual se lê: 
"O desenvolvimento sustentável satisfaz as necessidades atuais sem 
comprometer a capacidade de futuras gerações de satisfazer suas 
próprias necessidades". 
 
Os componentes substantivos nesta definição são as questões 
de eqüidade, tanto entre uma mesma geração como entre as 
diferentes gerações, a fim de que todas as gerações, presentes e 
futuras, aproveitem ao máximo sua capacidade potencial. 
50 
 
Porém, a maneira como as atuais oportunidades estão 
distribuídas não é, na realidade, indiferente. Seria estranho que 
estivéssemos preocupados profundamente com o bem-estar das 
futuras gerações e deixássemos de lado a triste sorte dos pobres 
de hoje. No entanto, atualmente, nenhum desses dois objetivos 
tem assegurada a prioridade que merece. 
Conseqüentemente, talvez uma reestruturação das pautas 
concernentes à distribuição da renda, à produção e ao consumo 
em escala mundial seria uma condição prévia necessária a toda 
estratégia viável de desenvolvimento sustentável. 
O conceito de desenvolvimento sustentável surgiu em um 
contexto de crise econômica e da revisão dos paradigmas de 
desenvolvimento. A crise econômica na maior parte do mundo, a 
instabilidade, o aumento da pobreza etc., punham em dúvida a 
viabilidade dos modelos convencionais, inclusive, a própria idéia 
de "desenvolvimento" havia sido sustada das políticas ante a 
urgente necessidade de estabilizar as economias e recuperar o 
crescimento econômico. 
O surgimento da idéia do desenvolvimento sustentável teve 
repercussões importantes em todos os meios - graças aos 
esforços da Comissão das Nações Unidas sobre o Meio 
Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD) - devido à necessidade 
de renovar concepções e estratégias, buscando o 
desenvolvimento das nações pobres e reorientando o processo 
de industrialização dos países mais avançados. 
O conceito convencional de desenvolvimento se referia ao 
processo de melhoria das condições econômicas e sociais de 
uma nação. O enfoque da Comissão buscou ir além da dimensão 
econômica e social, tratando de incluir a questão ambiental como 
um dos elementos centrais da concepção e da estratégia do 
desenvolvimento. 
Ao qualificar o desenvolvimento com o adjetivo "sustentável", 
incorpora-se um conceito de capacidade de subsistir ou 
continuar. A sustentabilidade expressa uma preocupação com o 
meio ambiente para que as gerações futuras o utilizem e o 
desfrutem da mesma forma que a presente. 
51 
 
Neste caso, "desenvolvimento" não é sinônimo de "crescimento". 
Crescimento econômico é entendido como aumentos na renda 
nacional. Em contra partida, o desenvolvimento implica algo mais 
amplo, uma noção de bem-estar econômico que reconhece 
componentes não monetários. Estes podem incluir a qualidade do 
meio ambiente. 
O desenvolvimento sustentável busca resolver os velhos 
problemas do desenvolvimento, com novos condicionantes que 
tornam mais complexa tal tarefa como, por exemplo, a superação 
da pobreza e distribuição eqüitativa na sociedade. Este conceito 
agrega a necessidade de que esses propósitos se cumpram sem 
acelerar a deterioração ambiental, inclusive recuperando, na 
medida do possível, os entornos ambientais degradados. 
Em conseqüência, o desenvolvimento sustentável exige que se 
definam prazos, com qual ordem de prioridades, a que níveis e 
escalas e quais recursos econômicos utilizar para obter a 
sustentabilidade. Essa tarefa é muito complexa, dado os 
aspectos sociais, políticos e elementos técnicos implicados, por 
exemplo, na superação da pobreza, em que a sustentabilidade 
pode ser inalcançável, mesmo em prazos relativamente longos. 
Outro problema a ser considerado é o da interpretação. Na 
bibliografia sobre o tema excedem as definições de 
desenvolvimento sustentável incorretas ou distorcidas que, 
freqüentemente, alteram a idéia original. Por exemplo, uma 
grande parte da literatura disponível tende a reduzir o conceito a 
uma mera sustentabilidade ecológica ou a um desenvolvimento 
ecologicamente sustentável, preocupando-se apenas com as 
condições ecológicas necessárias para manter a vida humana ao 
longo das gerações futuras(Bifani, 1997). Esse enfoque, embora 
útil, é claramente reducionista, por não considerar as dimensões 
social, econômica e política do termo. 
Uma forma de medir o desenvolvimento é através de indicadores, 
os quais normalmente estão relacionados apenas com questões 
econômicas. Contudo, quando se busca um caminho para o 
desenvolvimento sustentável, os indicadores devem ter de 
considerar as dimensões: econômica, social e ambiental. 
52 
 
 
 
O desenvolvimento sustentável como conceito básico 
Pode-se analisar desenvolvimento sustentável como um conceito 
(metaconceito) incompleto e aberto, uma nova maneira de 
expressar nossa relação com a biosfera e seus processos, 
assinalando um horizonte no qual se situa uma cidadania mais 
preocupada e conscientizada, alguns governos expectantes, e 
alguns cientistas que busquem recuperar o sentido da ciência. 
Como assinala Jiménez Herrero (1992), o conceito 
(metaconceito) de desenvolvimento sustentável tem quatro 
vantagens: 
1. baseia-se em um acordo geral em torno de uma definição que 
engloba toda uma série de problemas interrelacionados e em 
referência ao contexto no qual se deve buscar as soluções; 
2. trata-se de um conceito de aplicabilidade universal; 
3. representa uma unificação de interesses tradicionalmente 
contrários; 
4. abre um caminho de reconciliação entre economia e ecologia, 
reforçando a estratégia de crescimento econômico tendo como 
base as transformações em sua estrutura. 
Com efeito, se consideramos que os fatores de produção são os 
recursos naturais, a mão-de-obra e o capital, torna-se possível o 
emprego de menos recursos naturais, empregando uma maior 
quantidade de outros dos fatores como, por exemplo, 
empregando mais pessoas nos processos de transformação ao 
estilo tradicional (embora em condições mais adequadas), ou 
53 
 
reinvestindo parte dos benefícios em conservação e melhoria 
ambiental. 
Por um lado, Daly (citado por RIVAS, 1997), nos diz que para que 
uma sociedade seja fisicamente sustentável, seus insumos 
globais materiais e energéticos devem cumprir três condições: 
que suas taxas de utilização de recursos não renováveis não 
excedam suas taxas de regeneração; que tampouco excedam a 
taxa na qual os substitutivos renováveis se desenvolvem; e que 
suas taxas de emissão de agentes poluentes sejam de acordo 
com a capacidade de assimilação do meio ambiente. 
 
Sustentabilidade e modificação de estruturas 
Para os autores de "Mais Além dos Limites do Crescimento" 
(citados por RIVAS, 1997), ante os preocupantes sinais de 
crescimento insustentável da sociedade, as respostas possíveis 
são três: 
- uma primeira resposta mais ou menos convencional: disfarçar, 
negar ou confundir esses sinais; isto se consegue escondendo e 
exportando os resíduos, controlando preços, trasladando os 
custos ao meio ambiente, buscando novos recursos etc.; 
- uma segunda resposta consiste em aliviar a pressão do planeta 
mediante artifícios de tipo tecnológico (tecnosfera), porém, sem 
abordar as causas profundas que subjazem aos problemas 
(sociosfera). Trata-se de uma posição ambientalista de caráter 
reformista, que embora seja necessária, nunca pode ser 
definitiva; 
- a terceira resposta está na direção de restabelecer as coisas, a 
partir de uma análise profunda das causas, mudando as 
estruturas. É evidente que essa posição tem um sentido moral 
mais profundo, razão pela qual é também mais sustentável. 
Estamos de acordo com esse panorama e com sua visão de um 
mundo mais sustentável, representado pela terceira resposta, 
com alguns traços bem definidos, a saber: 
- valores sociais como a eficiência, a justiça e a eqüidade; 
- regeneração dos valores (e da prática) política; 
54 
 
- suficiência material e segurança para todos; 
- estabilidade populacional em seu mais amplo sentido; 
- trabalho como forma de realização e dignidade pessoal; 
- economia como um meio e não como um fim; 
- sistemas de energia eficientes e renováveis; 
- sistemas de materiais cíclicos e eficientes; 
- agricultura regenerativa de solos; 
- acordo social sobre certos impactos que a natureza não pode 
assumir; 
- preservação da diversidade biológica e cultural; 
- estruturas políticas que permitam um equilíbrio a curto e longo 
prazos; 
- resolução dialogada dos conflitos. 
Os traços anteriores podem também ser interpretados sob três 
condições para que o desenvolvimento sustentável seja uma 
alternativa viável: progresso científico, tecnologia social e nova 
estrutura de tomada de decisões. O progresso científico continua 
sendo necessário em diferentes frentes, como o da pesquisa na 
busca de métodos mais eficientes no uso da energia ou dos 
materiais. A tecnologia social, em forma de instrumentos mais 
adequados para o estudo das sociedades, suas dinâmicas e 
estruturas, é imprescindível para sair do círculo vicioso de nosso 
comportamento como espécie, tanto em nível individual quanto 
no dos estados-nação. Uma nova estrutura na tomada de 
decisões pode favorecer a integração dos fatores 
socioeconômicos e ambientais na definição das políticas a serem 
seguidas e nos esquemas de planejamento e gestão. 
Para David Malin, um dos autores de "Estado do mundo 1999", 
do World Watch Institute, deverá ser dos governos a 
responsabilidade por grande parte da pressão necessária para 
avançar em direção a uma sociedade moderna por um caminho 
sustentável. O paradoxo é que, embora devam introduzir 
mudanças estruturais importantes nas economias, não podem 
planejar essas mudanças, precisamente pela magnitude e 
complexidade destas. 
Malin cita como exemplo o problema da mudança climática 
global: o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática tem 
calculado de forma conservadora que a atmosfera não pode 
sustentar mais de 2.000 milhões de toneladas por ano de 
emissões de carbono sem sofrer uma grave alteração. 
55 
 
Distribuindo esse número de maneira uniforme entre as 10.000 
milhões de pessoas que, como se prevê, irão compartilhar o 
Planeta em 2100, obtém-se uma cota de meio kg por dia por 
pessoa. Um automóvel poderia circular 4 quilômetros com essa 
quantidade. Os EUA, o Japão e outros países emitem carbono 
entre 12 e 27 vezes essa cifra atualmente, e o ritmo continua 
aumentando. 
Caso aumentem gradualmente os impostos sobre o carbono em 
todo o mundo, durante 50 anos, chegando a 250 dólares por 
tonelada em 2050, as emissões globais poderiam estabilizar-se 
nessa data, à medida que as pessoas e as empresas utilizassem 
os combustíveis fósseis de maneira mais eficiente e passassem a 
usar a energia solar ou outras fontes de energia.Se o imposto 
continuasse subindo depois de 2050, as emissões quase 
poderiam deter-se em 2100. 
No entanto, tal como se verá, há sérias dificuldades a serem 
vencidas, pelo menos quanto às previsões do Protocolo de 
Quioto, aprovado em 1997, que fixa uma redução de 5,2%, com 
relação aos níveis de 1990, até 2008-2010, dos gases de efeito 
estufa emitidos na atmosfera pelos países desenvolvidos. O 
problema, na realidade, é a resistência de certos países, como 
EUA, que prevêem inclusive a compra de emissões de países 
com "excedentes", como Rússia, mecanismo "legal" introduzido 
em Quioto pelos interessados. 
Por isso, impulsionar os países para a sustentabilidade 
representa para muitos uma modificação de caráter social só 
comparável à revolução agrícola do neolítico tardio e à revolução 
industrial. A diferença a favor do desenvolvimento sustentável é 
que as anteriores revoluções foram graduais e espontâneas, 
enquanto a da sustentabilidade deve ser uma opção totalmente 
consciente, início da era planetária e do verdadeiro exercício da 
liberdade compartilhada. 
 
Críticas ao conceito do desenvolvimento sustentável 
Evidentemente, há uma crítica nessa tendência ao 
desenvolvimento sustentável.A recepção universal do 
desenvolvimento sustentável não deixa de levantar 
desconfianças, especialmente em torno do movimento da defesa 
56 
 
do meio ambiente. Ao vincular a proteção ambiental com o 
desenvolvimento econômico, o "desenvolvimento sustentável" 
parece suavizar os conflitos entre esses fins. 
Durante muitos anos, tem-se lutado para demonstrar como a 
expansão industrial causa dano ao meio ambiente e, agora, justo 
quando o nível de deterioração ameaça dar razão a essa luta, 
aparece o termo "desenvolvimento sustentável" como uma 
varinha mágica para fazer desaparecer tais conflitos com uma só 
meta unificadora. 
No entanto, é evidente que os conflitos permaneçam. A proteção 
do meio ambiente significa restrições à atividade econômica. 
Embora o crescimento econômico e a conservação não sejam 
incompatíveis, continuam sendo maus companheiros. 
Há o perigo de que o desenvolvimento sustentável se constitua 
em um sinal verde para seguir como sempre. Ao não especificar 
exatamente que grau de proteção ambiental se requer, o termo 
oferece aos governos e à indústria um meio para associar-se à 
defesa do meio ambiente sem se comprometer. 
 
Convênios, tratados e políticas de alcance internacional 
realizados em torno do desenvolvimento sustentável 
A preocupação com o meio ambiente tem sido especialmente 
intensa nesses últimos trinta anos, gerando uma série de 
documentos/ações, conferências e acordos de âmbito 
internacional. 
Estas ações constituem marcos referenciais e o estudo de seu 
desenvolvimento nos oferece a possibilidade de estabelecer um 
diagnóstico dinâmico da situação do meio ambiente no âmbito 
global, além de auxiliar na compreensão do processo de 
formulação de medidas para enfrentar os problemas que 
ameaçam o equilíbrio do ambiente no planeta. 
Embora as principais referências sobre as atuações mundiais em 
matéria de meio ambiente estejam lançadas na década de 1970, 
é importante observar que elas não surgem isoladas dos 
crescentes problemas de degradação e contaminação que se 
estabeleceram, com maior impacto, a partir do século XX. 
57 
 
Neste contexto, as questões econômicas, tecnológicas, políticas 
e sociais se entrelaçam e definem um cenário particular em que 
essas atuações se desenvolvem, na prática. 
 
Figura 2.1: Esquema cronológico das atuações internacionais de 
maior destaque na área ambiental. 
 
Ao longo deste capítulo será possível verificar que as alternativas 
para tratar os problemas ambientais não são construídas de 
forma simplificada ou instantânea. Elas se estabelecem de 
maneira gradual, e indicam um caminho de amadurecimento e 
aprendizado específico que resulta do processo de buscar 
soluções coletivamente. 
58 
 
Por essa razão, embora se tenha levado quase 70 anos para que 
esse movimento global emergisse, nos últimos trinta anos ele se 
potencializou de forma espetacular, atingindo proporções que 
ultrapassam o controle das grandes ações mundiais promovidas 
por instituições de caráter global ou governos nacionais, 
encontrando eco também nas ações não-governamentais e nos 
espaços locais ou regionais. 
 
O primeiro relatório do Clube de Roma (1972) 
O Primeiro Relatório do Clube de Roma, de 1972, intitulado 
"Limites do Crescimento", reconhece que: 
Não pode haver crescimento infinito com recursos finitos. 
Esse relatório expõe uma versão certamente pessimista quanto 
ao esgotamento dos recursos naturais no planeta. A importância 
desse relatório consiste no fato de que, pela primeira vez., 
questiona-se o desenvolvimento infinito. Até esse momento, as 
reflexões sobre limites, embora existissem, não faziam parte de 
um pensamento majoritário. Geralmente a sensação era que se 
operava no inalcançável infinito (OLIVA, 2004). 
Neste relatório são expostos cinco fatores básicos que 
determinam e limitam o crescimento no planeta. 
- a população; 
- a produção agrícola; 
- os recursos naturais; 
- a produção industrial; 
- a poluição. 
Como medidas paliativas, propõe-se deter o crescimento 
demográfico, limitar a produção industrial, o consumo de 
alimentos e matérias-primas e cessar a poluição. 
Apesar de as previsões contidas no relatório não serem 
cumpridas, este representou um ponto de inflexão na visão do 
desenvolvimento. 
Se repassarmos atentamente a definição de desenvolvimento 
sustentável proporcionada pelo Relatório Bruntland, 
observaremos que é estritamente física, ou seja, baseada 
exclusivamente na capacidade de carga do planeta, podendo 
59 
 
considerá-la, em certa medida, como um legado das advertências 
coletadas no documento "Os limites do crescimento" (OLIVA, 
2004). 
 
 
A conferência de Estocolmo (1972) 
 
Em 1972, celebrou-se a Conferência de Estocolmo sobre o Meio 
Ambiente (também denominada Conferência Internacional sobre 
o Meio Humano), da Organização das Nações Unidas (ONU), 
com a participação de representantes de 113 nações. 
Nessa Conferência, a atenção internacional esteve centrada, pela 
primeira vez, na temática ambiental, trazendo como foco a 
degradação do ambiente e o conceito de "contaminação 
transfronteiriça". Reconhecia-se, assim, o fato de que a 
contaminação ambiental ultrapassava os limites políticos ou 
geográficos, podendo afetar países, regiões e outros povos, 
mesmo que não estivessem atuando diretamente no processo de 
degradação de seu próprio ambiente. 
Nos anos que se seguiram, esse conceito ganhou força, 
consolidando o caráter transnacional que as questões ambientais 
implicavam. Abriram-se espaços importantes para o 
desenvolvimento de propostas de ações conjuntas (científicas, 
técnicas, econômicas, políticas e sociais) entre todos os países e 
regiões com objetivo de construir alternativas para enfrentar esse 
problema de forma mais efetiva. 
Essa Conferência marca o início de uma série de encontros 
posteriores, com a intenção de refletir sobre a problemática 
ambiental e sugerir propostas de soluções alternativas com 
alcance planetário. Em resposta à Conferência de Estocolmo, 
forma-se o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente 
(PNUMA) que, junto à União Internacional para a Conservação 
da Natureza (UICN) e a World Wildlife Fund (WWF), elaboram e 
apresentam em 1980 sua "Estratégia Mundial de Conservação da 
Natureza" (EMC). 
A EMC define a conservação como: 
60 
 
"A gestão pelo homem da utilização da biosfera de forma que produza 
um melhor e mais sustentado benefício para as gerações atuais, 
porém, que mantenha sua potencialidade para satisfazer as 
necessidades e aspirações das gerações futuras". 
Portanto, é um conceito que abrange a preservação, a 
manutenção e a utilização sustentável, a restauração e a 
melhoria do entorno natural, podendo-se afirmar que a 
conservação é a garantia de um desenvolvimento a longo prazo. 
Os delineamentos da EMC estabelecem três finalidades 
fundamentais: 
1. manutenção dos processos ecológicos e dos sistemas vitais 
essenciais (por exemplo, regeneração de solos, 
reciclagem de substâncias, purificação das águas); 
2. preservação da diversidade genética, o que exige a 
conservação das espécies e da diversidade genética de uma 
própria espécie; 
3. utilização sustentada das espécies e dos ecossistemas, sem 
superar em nenhum caso a capacidade do 
ecossistema. 
 
Convênio sobre o Comércio Internacional de Espécies 
Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestre (CITES) 
 
Esse Convênio foi adotado, em Washington, em 1973, e está 
vigente desde 1975, sendo ratificado por 111 Estados. Tem por 
finalidade estabelecer listas de espécies ameaçadas, cujo 
comércio internacional está proibido ou regulado através de 
licenças ou cotas, de forma que se possa combater o comércio 
ilegal e a superexploração desses recursos vivos. 
O Convênio inclui as espécies divididas em trêscategorias, com 
níveis progressivos de restrição em seu comércio. Além disso, 
financia estudos de populações com o objetivo de diminuir seu 
grau de ameaça. 
 
O relatório da comissão Brandt - Programa para a sobrevivência e 
crise comum 
61 
 
O Relatório da Comissão Brandt foi publicado em 1980, a partir 
de uma comissão independente, formada em 1977, e da ação do 
então presidente do Banco Mundial, Robert MacNamara, e do ex-
chanceler alemão Willi Brandt. Esse relatório destaca que a 
sociedade contemporânea apresenta-se como um sistema frágil 
com interdependências; conseqüentemente, os problemas locais 
(especialmente os relacionados com meio ambiente, energia, 
ecologia e setores econômicos e comerciais) somente poderão 
ser resolvidos em nível internacional. 
 
O relatório do Instituto Worldwatch 
 
O Relatório do Instituto Worldwatch sobre o estado do mundo é 
apresentado anualmente desde 1984. No relatório "Estado do 
Mundo 1997", denunciava-se que, cinco anos após a realização 
da Cúpula da Terra do Rio de Janeiro, a maioria dos governos do 
mundo não estava cumprindo suas recomendações. Desde a 
cúpula do Rio, "a população mundial cresceu em 450 milhões de 
habitantes, vastas áreas de florestas têm perdido suas árvores e 
as emissões anuais de dióxido de carbono procedentes de 
combustíveis fósseis, a principal causa do efeito estufa, tem 
alcançado sua cota mais alta". Esse relatório culpa oito países 
pela falta de cumprimento dos compromissos (Estados Unidos, 
Indonésia, China, Brasil, Rússia, Japão, Alemanha e Índia), que 
representam 56% da população mundial, 53% da superfície 
florestal da Terra e 58% das emissões de CO2. 
Em 2005, em sua 24ª edição, o Relatório "Estado do Mundo 
2005" centra-se na redefinição do conceito de segurança, 
dedicando-se aos temas do desenvolvimento sustentável e da 
utilização dos recursos naturais. O documento estabelece 
relações entre segurança e mudanças no perfil da população 
(grande contingente de jovens desempregados, por exemplo), 
falta de acesso à água e aos alimentos, dependência crescente 
de petróleo nos países desenvolvidos e também questões de 
desarmamento em sociedades que saíram recentemente de 
conflitos armados. 
 
O relatório Brundtland 
62 
 
 
O Relatório Brundtland (1987) foi apresentado pela Comissão 
Mundial do Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED) da ONU, 
sob o título de "Nosso Futuro Comum", mais conhecido como 
Relatório Brundtland, em homenagem a sua presidenta, Gro 
Harlem Brundtland, primeira-ministra da Noruega. 
Esse relatório assinalava que a economia mundial deveria 
satisfazer as legítimas necessidades e aspirações da população, 
devendo o crescimento, no entanto, estar em consonância com o 
caráter esgotável dos recursos do planeta. Com esse relatório, 
introduz-se a noção de Desenvolvimento Sustentável, definido 
como "um desenvolvimento que satisfaça as necessidades 
presentes, sem pôr em risco a possibilidade das futuras gerações 
satisfazerem às suas". 
Perceba que, em 1987, o Relatório Brutland introduziu o conceito 
de "Desenvolvimento Sustentável". 
 
O protocolo de Montreal 
Em 16 de setembro de 1987, 46 países firmaram o Protocolo de 
Montreal, relacionado às substâncias que esgotam a camada de 
ozônio. Posteriormente (em 1995), essa data foi proclamada pela 
Assembléia Geral da ONU como Dia Internacional de 
Preservação da Camada de Ozônio. 
O Protocolo de Montreal fixou as seguintes metas: 
- redução de 50% do consumo de cinco tipos de CFC para finais 
do século; e 
- congelamento do consumo de três tipos de halons (agentes de 
extintores de incêndio). 
Para os países em processo de desenvolvimento, o período de 
tempo determinado para alcançar essas metas foi fixado em dez 
anos. Esse Protocolo é caracterizado por sua flexibilidade, sendo 
que as reuniões posteriormente celebradas (Londres, 1990; 
Copenhague, 1992; Viena, 1995; e Montreal, 1997) serviram para 
reajustar os objetivos a serem cumpridos, em decorrência das 
inovações tecnológicas e científicas, já que estas permitiriam a 
redução das datas limites fixadas. 
63 
 
 
A primeira Cúpula da Terra (1992): uma estratégia para o futuro 
A primeira Cúpula da Terra foi celebrada em junho de 1992, no 
Rio de Janeiro (Brasil), organizada simultaneamente à 
Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e 
Desenvolvimento (UNCED), como conseqüência da decisão 
tomada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 22 de 
Dezembro de 1989. 
Essa Cúpula reuniu os mais altos representantes de 179 países, 
centenas de funcionários de organismos da ONU, representantes 
de governos municipais, grupos de pesquisadores, empresários, 
ONGs e outros grupos, ficando marcada como a mais ampla 
reunião de dirigentes mundiais já organizada. 
De forma paralela, organizou-se o Fórum Mundial 92, no qual 
efetuaram-se reuniões, palestras, seminários e exposições sobre 
temas ambientais. 
No Rio de Janeiro, foram criados cinco documentos: dois acordos 
internacionais, duas declarações de princípios e um programa de 
ação sobre desenvolvimento mundial sustentável. 
As declarações e o programa de ação gerados pela Cúpula da 
Terra foram os seguintes: 
- Declaração do Rio sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento 
Sustentável; 
- Agenda 21; 
- Declaração de Princípios Relativos às Florestas. 
Os acordos internacionais, materializados em dois convênios 
(que possuem maior força jurídica que uma declaração) 
subscritos pela maioria dos 179 governos reunidos no Rio foram 
os seguintes: 
- Convênio Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática; 
- Convênio sobre Biodiversidade. 
 
A Declaração do Rio 
 
A Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento 
64 
 
contempla 27 princípios que pretendem estabelecer as bases 
para um desenvolvimento sustentável. 
 
Declaração do Rio 
Princípio 1: Os seres humanos constituem o centro das 
preocupações relacionadas ao desenvolvimento sustentável. 
Todos têm direito a viver saudável e produtivamente em 
harmonia com seu entorno. 
Princípio 2: De acordo com a Carta das Nações Unidas e com os 
princípios do direito internacional, os Estados possuem o 
soberano direito de utilizar de melhor modo seus próprios 
recursos, conforme suas próprias políticas ambientais e de 
desenvolvimento; e a responsabilidade de velar para que as 
atividades realizadas dentro de sua jurisdição, ou sob seu 
controle, não originem danos ao meio ambiente de outros países 
ou de zonas situadas fora dos limites de toda a jurisdição 
nacional. 
Princípio 3: O direito ao desenvolvimento deve ser exercido de 
maneira que responda equitativamente às necessidades 
ambientais e de desenvolvimento das gerações presentes e 
futuras. 
Princípio 4: Para o desenvolvimento sustentável, a proteção do 
meio constitui parte integrante de todo processo produtivo, não 
podendo ser considerado de forma isolada. 
Princípio 5: Todos os Estados e todas as pessoas deverão 
cooperar no trabalho essencial de erradicar a pobreza como 
exigência indispensável ao desenvolvimento sustentável, a fim de 
reduzir as disparidades nos níveis de vida e de responder melhor 
às necessidades da imensa maioria de cada povo. 
Princípio 6: A situação e as necessidades especiais dos países 
em desenvolvimento, em particular dos países menos avançados 
e mais vulneráveis sob o ponto de vista ambiental, hão de ser 
objeto de atenção prioritária. Nas medidas internacionais a serem 
adotadas com respeito ao meio ambiente e ao desenvolvimento, 
deve-se ter em conta os interesses e as necessidades de todos 
os países. 
65 
 
Princípio 7: Os Estados devem cooperar com espírito de 
solidariedade mundial, para conservar, proteger e restabelecer a 
saúde e a integridade do ecossistema Terra. Dado que 
contribuíram sob diferentes formas paraa degradação do meio 
ambiente mundial, os Estados possuem responsabilidades 
comuns, porém diferenciadas. Os países desenvolvidos 
reconhecem a responsabilidade que lhes corresponde na 
consecução internacional do desenvolvimento sustentável, 
considerando as pressões que suas sociedades exercem sobre o 
meio ambiente mundial e as tecnologias e recursos financeiros 
disponíveis. 
Princípio 8: Com objetivo de alcançar o desenvolvimento 
sustentável e uma melhor qualidade de vida para todas as 
pessoas, os Estados devem reduzir e eliminar os sistemas de 
produção e consumo insustentáveis, assim como fomentar as 
políticas demográficas que sejam mais apropriadas. 
Princípio 9: Os Estados devem cooperar para que as 
capacidades endógenas que subjazem às pessoas emerjam para 
alcançar o desenvolvimento sustentável, aumentar o saber 
científico por meio do intercâmbio de conhecimentos científicos e 
tecnológicos, e intensificar o desenvolvimento, a adaptação, a 
difusão e a transferência de tecnologias, entre estas, de 
tecnologias novas e inovadoras. 
Princípio 10: O modo mais conveniente de tratar as questões 
ambientais inclui a participação de todos os cidadãos envolvidos. 
Na esfera nacional, toda pessoa deverá ter acesso adequado à 
informação sobre o meio ambiente, disponibilizada pelas 
autoridades públicas, incluindo-se a informação sobre materiais e 
atividades que comportem perigo para suas comunidades, 
devendo ter também a oportunidade de participar nos processos 
de tomada de decisões. Os Estados devem facilitar e fomentar a 
sensibilização e a participação do público, pondo a informação à 
disposição de todos. Terá que ser proporcionado um acesso 
efetivo aos procedimentos judiciais e administrativos e, entre 
estes, a compensação por danos aos recursos pertinentes. 
Princípio 11: Os Estados devem promulgar leis eficientes sobre 
meio ambiente. As normas ambientais, os objetivos e as 
prioridades em matéria de ordenamento ambiental devem refletir 
66 
 
o contexto ambiental e de desenvolvimento ao qual são 
aplicados. As normas aplicadas por alguns países podem ser 
inadequadas e representar um custo social e econômico 
injustificado para outros países, em particular para os países em 
desenvolvimento. 
Princípio 12: Os Estados devem cooperar para a promoção de 
um sistema econômico internacional favorável e aberto, que 
conduza ao crescimento econômico e ao desenvolvimento 
sustentável de todos os países, mantendo a finalidade de 
abordar, da melhor maneira, os problemas da degradação 
ambiental. As medidas de política comercial com fins ambientais 
não devem implicar em discriminações arbitrárias ou 
injustificáveis, nem em restrições ao comércio internacional. Não 
deve haver medidas unilaterais para solução dos problemas 
ambientais produzidos fora da jurisdição do país importador. As 
medidas destinadas ao tratamento dos problemas ambientais 
transfronteiriços ou mundiais devem estar baseadas, na medida 
do possível, num consenso internacional. 
Princípio 13: Os Estados devem desenvolver a legislação 
nacional relativa à responsabilidade legal e à indenização das 
vítimas da poluição e de outros danos ambientais. Os Estados 
devem cooperar também, de forma desembaraçada e decisiva, 
na elaboração de novas leis internacionais sobre 
responsabilidade e indenização por danos ambientais, causados 
por atividades realizadas dentro de sua jurisdição, ou sob seu 
controle, em regiões situadas fora dela. 
Princípio 14: Os Estados devem cooperar efetivamente para inibir 
ou evitar a relocação e transferência para outros países de 
quaisquer atividades e substâncias que sejam origem de 
degradação ambiental grave, ou consideradas nocivas para a 
saúde humana. 
Princípio 15: Para proteção do meio ambiente os Estados devem 
aplicar amplamente o critério de precaução, de acordo com suas 
capacidades. Quando há perigo de dano grave ou irreversível, a 
falta de certeza científica absoluta não poderá servir de base para 
postergação, em função de custos da adoção de medidas 
eficazes, para impedir a degradação do meio ambiente. 
67 
 
Princípio 16: Os poderes públicos devem fomentar a 
internalização dos custos ambientais e o uso de instrumentos 
econômicos, considerando o critério de que quem contamina 
deve, a princípio, assumir os custos da poluição, e defender o 
interesse público, sem distorcer o comércio e os investimentos 
internacionais. 
Princípio 17: Deve-se efetuar a avaliação do impacto ambiental, 
na qualidade de instrumento nacional, de qualquer atividade 
suscetível de produzir um considerável impacto negativo sobre o 
meio ambiente, estando esta sujeita à decisão de uma autoridade 
nacional competente. 
Princípio 18: Os Estados são obrigados a internotificarem-se, de 
modo imediato, quanto aos desastres naturais ou a outras 
situações de emergência que possam produzir efeitos nocivos 
sobre o meio ambiente destes Estados. A comunidade 
internacional deve fazer todo o possível para ajudar os Estados 
afetados. 
Princípio 19: Qualquer nação há de proporcionar as informações 
pertinentes - notificando-as previamente de maneira oportuna - 
aos demais Estados que possam ser afetados por atividades com 
possíveis e consideráveis efeitos ambientais nocivos 
transfronteiriços, devendo-se efetuar consultas a estes Estados 
com suficiente antecipação e de boa fé. 
Princípio 20: As mulheres possuem um papel fundamental na 
ordenação do meio ambiente e no desenvolvimento. É 
indispensável contar com a plena incorporação das mulheres 
para alcançar o desenvolvimento sustentável. 
Princípio 21: A criatividade, os ideais e o valor dos jovens do 
mundo devem ser mobilizados para forjar uma aliança orientada 
para alcançar o desenvolvimento sustentável, de modo a garantir 
um melhor futuro para todos. 
Princípio 22: Os povos indígenas e suas comunidades, e também 
outras comunidades locais, têm um papel fundamental no 
ordenamento do meio ambiente e no desenvolvimento, em 
função de seus conhecimentos e práticas tradicionais. Os 
Estados devem apoiar os povos indígenas, no intuito de 
preservar suas identidades, suas culturas e seus interesses, 
68 
 
velando para que participem efetivamente na consecução do 
desenvolvimento sustentável. 
Princípio 23: O meio ambiente e recursos naturais dos povos 
submetidos à opressão, dominação e ocupação devem ser 
definitivo e plenamente preservados. 
Princípio 24: A guerra é, por definição, inimiga do 
desenvolvimento sustentável. Conseqüentemente, os Estados 
devem respeitar as medidas do direito internacional que 
garantam a proteção do meio ambiente, em épocas de conflito 
armado, cooperando na posterior melhoria, conforme a 
conveniência. 
Princípio 25: A paz, o desenvolvimento e a proteção ao meio 
ambiente são interdependentes e inseparáveis. 
Princípio 26: Os Estados devem resolver suas controvérsias 
sobre meio ambiente de forma pacífica, consoante à Carta das 
Nações Unidas. 
Princípio 27: Os Estados e povos devem cooperar de boa fé, com 
espírito de solidariedade, na aplicação dos princípios 
consagrados nesta Declaração e no ulterior desenvolvimento do 
direito internacional, na esfera do desenvolvimento sustentável. 
A Agenda 21 
O Programa 21, ou, como é mais conhecido, Agenda 21, foi 
elaborado pelo Comitê preparatório da UNCED e aprovado por 
todos os países participantes da Cúpula da Terra. Esse Programa 
desenvolvia um plano de ação para a década de 90, e inícios do 
século XXI, como base para o desenvolvimento sustentável e a 
proteção ambiental cada vez mais interdependentes. 
Tal como mencionado no preâmbulo da seção I do documento, 
"aborda os problemas cruciantes de hoje e trata de preparar o 
mundo para os desafios do próximo século". Trata-se de um 
documento dinâmico que pode evoluir com o tempo em função 
das mudanças das necessidadese das circunstâncias. 
A Agenda 21 é um programa global de ação dirigido a governos, 
agências, organizações e programas do sistema das Nações 
Unidas, ONGs, grupos de eleitores e público em geral. 
69 
 
Como parte de uma estratégia geral, são propostos meios 
essenciais e sete temas, ou ações prioritárias, para aplicação do 
Programa 21 pelas nações. 
 
No Programa 21, descrevem-se as bases para a ação, os 
objetivos, as atividades e os meios de execução para alcançar os 
objetivos do desenvolvimento sustentável, ou seja, 
desenvolvimento social, econômico e proteção do meio 
ambiente. 
 
Os meios essenciais para aplicar o Programa 21 são: 
- informação para a tomada de decisões; 
- mecanismos nacionais e de cooperação internacional para o 
crescimento sustentável; 
- uma tecnologia ambiental racional; 
- instrumentos legais e mecanismos internacionais; 
- acordos institucionais internacionais. 
 
Os sete temas ou ações prioritárias, apresentam-se abaixo: 
 
AS SETE BASES DE ATUAÇÃO DO PROGRAMA 21 
1. O Mundo Próspero: revitalização do crescimento com critérios 
sustentáveis. Revitalização do crescimento internacional para 
acelerar o desenvolvimento sustentável nos países em 
desenvolvimento e políticas nacionais relacionadas. Integração 
do meio ambiente e o desenvolvimento no processo de tomada 
de decisões. 
2. O Mundo Justo: uma vida sustentável Luta contra a pobreza. 
Mudanças nos modelos de consumo. Dinâmica demográfica e 
sustentabilidade. Sanidade. 
3. O Mundo Habitável: núcleos de população Desenvolvimento 
sustentável dos núcleos de população. Abastecimento de água 
nas cidades. Gestão ambiental limpa de resíduos. Contaminação 
e sanidade urbana. 
70 
 
4. O Mundo Fértil Planejamento e gestão dos recursos da Terra. 
Recursos de água doce. Recursos energéticos. Agricultura e 
desenvolvimento rural sustentáveis. Desenvolvimento florestal 
sustentável. Gestão de ecossistemas frágeis: Luta contra a 
desertificação e a seca. Desenvolvimento sustentável das zonas 
montanhosas. Desenvolvimento sustentável das áreas costeiras. 
Desenvolvimento sustentável das ilhas. Conservação da 
diversidade biológica. Gestão ambiental racional da 
biotecnologia. 
5. O Mundo das pessoas: participação e responsabilidade das 
pessoas Educação, consciência pública e formação prática. 
Fortalecimento do papel dos grupos principais: As mulheres. As 
crianças e os jovens. As povoações indígenas e suas 
comunidades. As organizações não governamentais. Os 
agricultores. As iniciativas das autoridades locais. Os sindicatos. 
O mundo dos negócios e da indústria. A comunidade científica e 
tecnológica. 
6. O mundo compartilhado: recursos globais e regionais. 
Proteção da atmosfera. Proteção de oceanos e mares. Utilização 
sustentável dos recursos marinhos vivos. 
7. O mundo limpo: gestão de produtos químicos e de resíduos. 
Gestão ambientalmente limpa dos produtos químicos tóxicos. 
Gestão ambientalmente limpa de resíduos perigosos. Gestão 
segura e ambientalmente limpa dos resíduos radioativos. 
 
Como proposta, a Agenda 21 procura orientar meios para 
alcançar o Desenvolvimento Sustentável, baseada no 
planejamento do futuro, com ações de curto, médio e longo 
prazos. É um roteiro de ações concretas com metas, recursos e 
responsabilidades definidas. Esse documento está organizado 
sob a forma de livro, contendo 40 capítulos, divididos em quatro 
seções: 
 
- Dimensões sociais e econômicas; 
- Conservação e Gerenciamento dos Recursos para o 
Desenvolvimento; 
71 
 
- Fortalecimento do papel dos grupos principais; 
- Meios de Implementação. 
 
O Programa 21 executará diversas ações em consonância com 
as diferentes situações, capacidades e prioridades dos países e 
das regiões, com plena observância de todos os princípios que 
figuram na Declaração de Rio sobre o Meio Ambiente e o 
Desenvolvimento. 
Avalia-se a eficácia dessas ações mediante indicadores de 
sustentabilidade internacionais. Para tanto, cada país seleciona 
os indicadores que se ajustam a sua realidade. 
A declaração de princípios relativos às florestas 
A Declaração sobre as florestas pretende apresentar uma série 
de medidas que previnam o problema do desmatamento. 
Essa Declaração parte do princípio que todos os tipos de 
florestas contêm processos ecológicos complexos e singulares 
que constituem a base da capacidade, atual e potencial, das 
florestas para proporcionar recursos para satisfazer as 
necessidades humanas e os valores ambientais, razão pela qual 
sua ordenação e conservação racionais têm que preocupar os 
governos dos países onde se encontram e a comunidade 
mundial, pois são importantes para as comunidades locais e para 
o meio ambiente em sua totalidade. 
Essa é uma Declaração autorizada de princípios sem força 
jurídica obrigatória para um consenso mundial com relação à 
ordenação, à conservação e ao desenvolvimento sustentável das 
florestas de todo tipo. 
Assim, as florestas são indispensáveis para o desenvolvimento 
econômico e a manutenção de todas as formas de vida. 
O Governo brasileiro sugeriu que se adotasse um documento que 
protegesse a riqueza florestal da selva amazônica, pois é certo 
que essa Declaração não possui força jurídica obrigatória, motivo 
pelo qual, legalmente, não se pode evitar que os países 
desenvolvidos continuem explorando os recursos florestais. 
72 
 
 
Essa Declaração consta de 15 princípios que podem ser 
resumidos como se segue: 
RESUMO DA DECLARAÇÃO DAS FLORESTAS 
Princípio 1: Os Estados têm o direito de explorar seus recursos 
sempre e quando não prejudiquem o meio de outros Estados. O 
custo derivado da não exploração das florestas deveria ser 
sufragado pela comunidade internacional. 
Princípio 2: Os Estados têm o direito de explorar suas florestas 
de acordo com uma política nacional compatível com o 
desenvolvimento sustentável. Devem tomar medidas para a 
proteção das florestas, fornecer informação sobre estas e os 
ecossistemas florestais e promover a participação da comunidade 
em sua conservação. 
Princípio 3: A política nacional deve esforçar-se para o 
estabelecimento de um marco de atuação para a proteção das 
florestas. Em nível internacional, deve promover disposições de 
caráter institucional. Todas as atuações de proteção florestal 
devem estar integradas e ser consideradas conjuntamente. 
Princípio 4: Deve-se reconhecer a função ecológica vital das 
florestas e sua grande riqueza biológica. 
Princípio 5: A política florestal deve respeitar a cultura e o 
interesse dos povos indígenas e considerar a participação da 
mulher. 
Princípio 6: As florestas são uma fonte renovável de energia, 
tendo-se que realizar o ordenamento sustentável do fornecimento 
de lenha, o controle de seu uso e sua reciclagem, a promoção do 
reflorestamento e a avaliação do valor dos bens florestais. 
Princípio 7: Deve-se potencializar um ambiente econômico 
internacional propício ao desenvolvimento sustentável das 
florestas, proporcionando recursos financeiros àqueles países 
pobres que possuam grandes zonas florestais, de modo que se 
estimulem atividades substitutivas das explorações florestais. 
Princípio 8: Há que se potencializar o reflorestamento, aumentar 
a superfície florestal, potencializar economicamente os planos de 
ordenação e conservação florestal, integrar na política nacional a 
73 
 
proteção das florestas, proteger as espécies em perigo de 
extinção e realizar avaliações do impacto ambiental. Os Estados 
têm o direito de participar dos benefícios da exploração de seus 
recursos biológicos, incluído o material genético. 
Princípio 9: A comunidade internacional deve compensar os 
países em desenvolvimento que pretendam conservar seus 
recursos florestais, contribuindo na redução de sua dívida 
externa, facilitandoseu acesso ao mercado de produtos florestais 
e oferecendo alternativas à população que depende da 
exploração das florestas. 
Princípio 10: Devem ser facilitados novos recursos financeiros 
aos países em desenvolvimento para que possam efetuar a 
ordenação, a conservação e o desenvolvimento sustentável de 
seus recursos florestais (florestamento, reflorestamento, luta 
contra o desmatamento e degradação das florestas e terras). 
Princípio 11: Deve-se fomentar, facilitar e financiar o acesso dos 
países em desenvolvimento às tecnologias ecológicas. 
Princípio 12: Há que se potencializar as investigações científicas, 
os inventários e as avaliações florestais por parte de instituições 
nacionais. Também há que se potencializar as atuações na 
ciência, no ensino, na tecnologia, na economia, na antropologia, 
na capacitação e nos aspectos sociais, assim como no 
intercâmbio de informação florestal. Os habitantes autóctones 
devem utilizar sua capacidade e seus conhecimentos para o 
desenvolvimento sustentável das florestas, pelo que também 
devem participar dos benefícios delas obtidos. 
Princípio 13: O comércio aberto e livre dos produtos florestais 
deve ser facilitado, assim como a redução ou eliminação de 
barreiras alfandegárias para acesso ao mercado de produtos 
florestais, a incorporação dos custos e benefícios para o meio 
ambiente nas forças e nos mecanismos do mercado. Deve-se 
integrar a conservação florestal nas demais políticas evitando as 
práticas que a degradem. 
Princípio 14: Devem ser eliminadas ou evitadas as medidas 
unilaterais, incompatíveis com os acordos internacionais, que 
proíbem ou restringem o comércio internacional de madeira e de 
74 
 
produtos florestais, com o objetivo de alcançar a ordenação 
sustentável a longo prazo. 
Princípio 15: Deve ser regulada a quantidade de poluentes 
atmosféricos, em particular os causadores da chuva ácida. 
O convênio marco das Nações Unidas sobre a 
Mudança Climática 
O Convênio sobre a Mudança Climática foi firmado em 9 de maio 
de 1992 por todos os países participantes da Cúpula da Terra. 
Esse acordo foi estruturado em 26 artigos, tendo como objetivo "a 
estabilização da concentração de gases de efeito estufa na 
atmosfera em um nível que impedisse interferências 
antropogênicas perigosas no sistema climático". Neste sentido, 
pretendia-se controlar, especialmente, as emissões de dióxido de 
carbono (CO2), clorofluorcarbonos (CFCs) e metano (CH4). 
Nesse Convênio fala-se de conservação da natureza como uma 
forma de prevenir a mudança climática. Assim, o artigo 4, item 
1.d, refere-se ao compromisso de todas as partes firmadas do 
Convênio. Estas deverão: 
Promover a gestão sustentável e promover e dar suporte, com sua 
cooperação, à conservação e ao reforço, se preciso, dos receptores e 
depósitos de todos os gases de efeito estufa não controlados pelo 
Protocolo de Montreal, incluídos a biomassa, as florestas e os 
oceanos, e também os de outros ecossistemas terrestres, costeiros e 
marinhos. 
O Brasil foi o primeiro país que assinou a Convenção - Quadro 
das Nações Unidas para a Mudança do Clima -, em 4 de junho de 
1992. O Congresso Nacional ratificou-a em 28 de fevereiro de 
1994, entrando em vigor, para o Brasil, em 29 de maio de 1994, 
no nonagésimo dia após a ratificação pelo Congresso Nacional. 
As discussões sobre mudanças climáticas foram organizadas 
pela ONU na forma de Conferências das partes. No período de 
28 de março a 7 de abril de 1995, foi realizada, em Berlim, 
Alemanha, a 1ª Conferência; entre 9 e 19 de julho de 1996, em 
Genebra, Suíça, a 2ª Conferência; de 2 a 13 de novembro de 
1998, em Buenos Aires, Argentina, a 4ª Conferência; e a 5ª foi 
realizada em Bonn, Alemanha, no período de 25 de outubro a 5 
de novembro de 1999. 
75 
 
Sem dúvida, a inoperância do convênio firmado durante a 
"Cúpula da Terra", em 1992 ficou evidente durante a 3ª 
Conferência da ONU sobre Mudança Climática, realizada no ano 
de 1997, em Quioto, no Japão. Nessa Conferência, verificou-se 
que somente poucos países - basicamente os de economia 
precária, como a ex-URSS e outros países do antigo bloco 
comunista - haviam reduzido suas emissões, diferentemente de 
países como Estados Unidos, Japão, China, Índia, Brasil e 
Indonésia, que, longe de diminuir suas emissões, haviam-nas 
aumentado em grande proporção. 
Os Estados Unidos, com apenas 5% da população mundial, 
produzem mais de 25% das emissões totais de CO2 do planeta. 
Na Conferência de Quioto, foram fixados os conteúdos do 
"Protocolo de Quioto", através do qual os países industrializados 
se comprometiam a reduzir suas emissões de gases tóxicos em 
5,2%, entre os anos de 2008 e 2012, mantendo os níveis de 
1990. Para que esse protocolo fosse "juridicamente vinculante", 
deveria ser ratificado por 55 países, entre eles Estados Unidos e 
outras potências. Porém, não se conseguiu que os Estados 
Unidos ou a China o fizessem. 
No Protocolo de Quioto, foram traçados os objetivos gerais, que 
deveriam ser cumpridos pelos países industrializados, quanto à 
redução das emissões de gases de efeito estufa, mas sem a 
obrigatoriedade do cumprimento das datas específicas. 
O relatório "O Estado do Mundo - 2005" do Instituto Worldwatch 
indica que o aumento de emissões na Espanha, em comparação 
com os números de 1990, é de 52,88%, mais de 37 pontos 
superior ao que permite o tratado internacional de Quioto. Em um 
ano esse quadro se agravou em 3,39% devido à escassez de 
chuvas (o que diminuiu o consumo de energia hidráulica), ao 
crescimento da atividade econômica apoiada na construção civil, 
ao aumento da população e à ausência de planos oficiais para 
atuar sobre o tema. 
Convênio sobre diversidade biológica - CDB 
O Convênio sobre Diversidade Biológica - CDB também é 
resultado da Conferência das Nações Unidas para o Meio 
Ambiente e o Desenvolvimento - CNUMAD. No CDB está o 
principal fórum mundial na definição do marco legal e político 
76 
 
para assuntos relacionados à biodiversidade (168 países 
assinaram o CDB e 188 países já o ratificaram, tendo estes 
últimos se tornado Parte da Convenção). 
O Convênio sobre a biodiversidade tem como objetivo: "a 
conservação da biodiversidade, o aproveitamento sustentável de 
seus componentes e a distribuição justa e eqüitativa dos 
benefícios procedentes da utilização dos recursos genéticos 
através, dentre outras coisas, do acesso adequado aos recursos 
genéticos e da transferência adequada de tecnologias 
pertinentes, tendo em conta todos os direitos sobre estes 
recursos e tecnologias, e também através de um financiamento 
adequado". 
Esse Convênio obriga os países desenvolvidos a pagarem aos 
países em desenvolvimento por utilizar seu material genético, 
razão pela qual os Estados Unidos, que contam com um forte 
comércio em bioengenharia, decidiram não firmá-lo. 
Esse é um Convênio fundamental para entender o caminho que 
segue e seguirá a conservação. Seus objetivos (especificados no 
artigo 1) são: 
- a conservação da biodiversidade; 
- o aproveitamento sustentável de seus componentes; 
- a distribuição justa e eqüitativa dos benefícios procedentes da 
utilização de recursos genéticos mediante, entre outras coisas, o 
acesso adequado aos recursos genéticos e a transferência 
adequada de tecnologias pertinentes, considerando todos os 
direitos sobre estes recursos e tecnologias e, também, mediante 
um financiamento adequado. 
A figura 2.4 apresenta um resumo dos principais temas 
desenvolvidos pelo Convênio sobre a biodiversidade como 
pontos-chave para a conservação e preservação desta. 
77 
 
 
Figura 2.4: Pontos-chave para a conservação e preservação da 
biodiversidade, segundo o convênio sobre esse tema. 
 
O Brasil foi o primeiro país a assinar o Convênio sobre 
Diversidade Biológica e vem criandoinstrumentos específicos, 
dos quais se destacam: 
- Projeto Estratégia Nacional da Diversidade Biológica: objetivo 
de formalizar a Política Nacional da Biodiversidade; 
- Programa Nacional da Diversidade Biológica - PRONABIO: 
objetivo de viabilizar as ações propostas pela Política Nacional; e 
–Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade 
Biológica Brasileira - PROBIO: objetivo de apoiar iniciativas que 
ofereçam informações e subsídios básicos sobre a biodiversidade 
brasileira. 
A conferência Habitat II (1996) 
O Centro das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos 
(The United Nations Centre for Human Settlements - UNCHS) - 
Habitat -, foi criado em 1978, dois anos antes da Conferência das 
Nações Unidas para Assentamentos Humanos, realizada em 
Vancouver, Canadá. 
A Conferência Habitat II, celebrada em Istambul em 1996, adotou 
o Programa Habitat. Esse Programa pretende melhorar as 
78 
 
condições de vida da humanidade, tendo como base o 
desenvolvimento sustentável. 
As atividades operacionais do Programa Habitat focam a 
promoção de moradias para todos, o desenvolvimento da 
governabilidade urbana, a redução da pobreza urbana, a oferta 
de meio ambiente limpo, o controle de desastres e a reabilitação 
após conflitos. Durante o biênio 2000 - 2001, o Programa Habitat 
coordenou duas campanhas globais, uma para garantir a posse 
segura da terra e a outra relacionada à governabilidade urbana. 
O foco dessas campanhas foi a redução da pobreza urbana 
através de políticas que enfatizassem a eqüidade, a 
sustentabilidade e a justiça social. Outra grande atividade para 
esse biênio foi a preparação da Conferência Istambul +5, uma 
sessão especial da Assembléia Geral das Nações Unidas, 
planejada para junho de 2001, a fim de revisar e avaliar a 
implementação no mundo da Agenda Habitat. 
A 2ª Cupula da Terra + 5 (1997) 
A 2ª Cúpula da Terra foi celebrada, em New York, entre 23 e 27 
de junho de 1997, na 19ª Assembléia Geral da ONU, para revisar 
os compromissos firmados no Rio, em particular a Agenda 21. 
Essa Cúpula ficou marcada pela escassez de acordos e, mais 
que uma reunião para revisar resultados, converteu-se no 
reconhecimento do baixo grau de cumprimento dos 
compromissos firmados cinco anos antes. 
Apesar da avaliação geral negativa que se fez nessa Cúpula, 
adotaram-se alguns acordos, como o "Plano para a posterior 
execução da Agenda 21", que evitava a renegociação desse 
programa e estabelecia um plano de trabalho para os próximos 
cinco anos, marcando-se uma data para novo exame no ano 
2002. Marcou-se também esse ano como data limite para que os 
países acabassem de formular suas estratégias nacionais para o 
desenvolvimento sustentável. 
Esse exame teve como resultado um relatório do Conselho 
Econômico e Social, no qual transcorridos dez anos desde a 
Cúpula da Terra, fazia-se constar que os objetivos fixados não 
estavam sendo cumpridos tal como se esperava e que a situação 
do meio ambiente continuava sendo frágil, o que resultava, por 
79 
 
exemplo, nos países em desenvolvimento, em escassos 
progressos para reduzir a pobreza e no agravamento dos 
problemas de saúde. 
Segundo esse relatório, o atraso na execução se deve a: 
- insuficiente integração dos objetivos sociais, econômicos e 
ambientais nas políticas nacionais e internacionais; 
- não ter havido uma mudança significativa nas pautas de 
consumo e produção; 
- políticas aplicadas não coerentes nos âmbitos de finanças, 
comércio, investimentos, tecnologia e desenvolvimento 
sustentável; 
- não terem sido proporcionados os recursos financeiros 
necessários para executar o Programa 21. 
 
Outros Protocolos, Conferências e Cúpulas 
Protocolo de proteção da Antártida (1998) 
 
Considerando a importância estratégica dessa região, em 1959 
vários países assinaram o tratado da Antártida, no qual se firma o 
compromisso da utilização da Antártida somente para fins 
pacíficos e sob cooperação internacional, para o desenvolvimento 
de pesquisas científicas. O Brasil aderiu a esse tratado em 1975, 
e em 12 de janeiro de 1982 foi criado o programa Antártico 
Brasileiro - PROANTAR - através do Decreto nº 86.830. 
O Protocolo de Proteção da Antártida surgiu com o objetivo de 
controlar a degradação ambiental desse continente, causada pela 
exploração de seus recursos naturais, o incipiente turismo e 
evitar o perigo de extinção das espécies que ali habitam. 
Trata-se de um acordo firmado por 27 nações, inclusive o Brasil, 
segundo o qual comprometem-se a não explorar os recursos 
naturais que ali se encontram. Por ser um acordo de caráter 
voluntário, o problema real alicerça-se no fato de que, se um país 
não signatário decide explorar essas reservas, os demais países 
não possuem força legal para impedi-lo. 
 
A conferência de Haia (2000) 
80 
 
Em 13 de novembro de 2000, representantes de 160 governos 
debateram, na cidade holandesa de Haia, os mecanismos para 
obter a ratificação dos compromissos derivados do Protocolo de 
Quioto com vistas a reduzir as emissões dos gases de efeito 
estufa para o período 2008-2012 em pelo menos 5%, em relação 
aos níveis de 1990. 
A reunião de Haia devia obter a ratificação do Protocolo de 
Quioto por parte da maioria dos governos, com o fim de que este 
entrasse em vigor, dentro do possível, em 2002. Do mesmo 
modo, na reunião se deveriam estabelecer as condições para 
alcançar uma relação de compromisso entre as medidas 
adotadas do ponto de vista econômico e a credibilidade das 
atuações ambientais. 
O êxito da Conferência de Haia baseava-se na entrada em vigor 
do Protocolo de Quioto em 2002, dez anos depois de realizada a 
Cúpula da Terra, na cidade do Rio de Janeiro. 
Entretanto, a conferência falhou pela impossibilidade de se 
chegar a algum tipo de acordo. Com efeito, os representantes 
dos 160 países reunidos decidiram suspender as negociações 
ante a incapacidade destes de fazer com que o protocolo se 
tornasse operante. 
Por outro lado, alguns peritos asseguraram que os pressupostos 
em que estavam apoiados os compromissos de redução das 
emissões tinham ficado defasados, sendo necessária uma 
atualização. Seja como for, entre os pontos de desencontro é 
possível enumerar os mesmos problemas de sempre: 
- os quatro blocos negociadores com interesses conflitantes: a 
União Européia, o denominado grupo "guarda-chuva" (Estados 
Unidos, Japão, Nova Zelândia e Austrália), o grupo "Oásis", 
formado por pequenos Estados insulares do Pacífico e, 
finalmente, os Países em Via de Desenvolvimento (PVD); 
- o estabelecimento de limites aos mecanismos flexíveis 
propostos para garantir o cumprimento do "Protocolo de Quioto" 
(problema de suplementariedade); 
- o uso de comércio de direitos de emissões; 
- a utilização de "sumidouros de carbono", que levam em 
consideração as florestas para estabelecer o grau de 
contribuição na contabilidade das emissões de Gases 
81 
 
causadores do Efeito Estufa (GEE); 
- projetos que devem cumprir os mecanismos de 
desenvolvimento limpo - MDL, que possibilitam a participação de 
países em desenvolvimento em projetos de redução da poluição 
(polêmica sobre a energia nuclear); 
- vias para que os PVD cumpram os objetivos do protocolo e 
mecanismos para garantir sua adesão. 
Apesar do fracasso da cúpula, deixou-se uma abertura para 
alcançar um acordo em 2001, com a esperança de que o tempo 
extra permitisse chegar a um consenso global para que o 
Protocolo do Quioto pudesse ser ratificado. 
A este respeito, em março de 2001, durante a cúpula de ministros 
de Meio ambiente do G-8, celebrada em Trieste (Itália), chegou-
se a um compromisso para a redução da emissão de gases 
estufa. Os países envolvidos acordaram esforçar-se para 
"...assegurar de uma maneira efetiva a integridade ambiental proposta 
no Protocolode Quioto". 
 
 
A cúpula do clima de Bonn (2001) 
 
Apesar da oposição dos Estados Unidos, no dia 23 de julho de 
2001, 178 países aprovaram um protocolo para a redução da 
emissão de gases na atmosfera e recuperar, desta forma, o 
Protocolo de Quioto. O acordo alcançado excluiu os EUA, mas 
permitiu que o Protocolo de Quioto sobre redução de emissões 
de gases estufa entrasse em vigor no ano de 2002, noventa dias 
depois de ratificado por um mínimo de 55 países (já havia sido 
por 36) cujas emissões representavam 55% do total mundial. 
O processo foi muito difícil, pois temia-se que a negativa dos EUA 
em ratificar o tratado provocasse um efeito cascata. 
Finalmente, os Estados Unidos ficaram sozinhos na defesa de 
sua tese e a União Européia (UE) pôde conseguir o apoio da 
Rússia, do Canadá e do Japão, significando um grande avanço 
da Cúpula de Bonn. 
 
 
A cúpula de Marrakech (2001) 
82 
 
Em novembro de 2001 celebrou-se a cúpula de Marrakech, que 
constituiu a VII Conferência das Partes da Convenção Marco das 
Nações Unidas sobre a Mudança Climática (UNFCCC). O 
encontro, chamado oficialmente de COP-7, contou com 
representantes de 180 países. 
Seu objetivo foi finalizar uma série de acordos adotados para 
impulsionar a ratificação do Protocolo de Quioto. Foram 
acrescentados aos instrumentos criados pelo Protocolo de Quioto 
um mecanismo para o desenvolvimento limpo. Esse mecanismo 
permite aos países do hemisfério Sul aplicar em seu território 
projetos provenientes de países industrializados que visem à 
redução das emissões de gases de efeito estufa. 
Os países industrializados signatários devem implementar 
medidas nacionais e apresentar, em 2005, a prova de seus 
progressos em matéria de redução ou limitação de suas 
emissões de gás de efeito estufa. Além disso, um Fundo de 
Adaptação do Protocolo, instaurado em 2001, ajudará os países 
em desenvolvimento a enfrentar os efeitos negativos das 
mudanças climáticas. 
 
A cúpula de Johannesburgo (2002) 
 
De 26 de agosto a 4 de setembro de 2002, celebrou-se na cidade 
de Johannesburgo (Sul da África) a 2ª Cúpula Mundial da Terra, 
também conhecida como Rio+10. Essa cúpula tinha por objetivo, 
tal como em Quioto, a redução das emissões de CO2 e de outros 
gases de efeito estufa a uma média de 5,2% para o período de 
2008/2012. Depois de dez dias de intensas negociações, os 
principais êxitos da Cúpula foram: 
- o compromisso na redução à metade do número de pessoas 
que carecem de acesso à água potável (aproximadamente 2,2 
bilhões de pessoas). Ressalta-se que, entretanto, não existem as 
mesmas garantias para oferecer serviços adequados de energia 
aos 2,0 bilhões de pessoas que carecem dela; 
- a adesão de mais países ao Protocolo de Quioto. Com efeito, os 
anúncios da China, do Canadá, da Rússia e da Estônia de 
ratificação desse tratado pressupôs a consecução do objetivo de 
seu cumprimento obrigatório, mesmo tendo em vista este estar 
83 
 
assinado por um número de países que geram pouco mais de 
55% das emissões totais do planeta. 
Os Estados Unidos, maiores poluidores do mundo (25%), 
reiteravam em Johannesburgo sua negativa em aceitar o 
protocolo. 
E os temas pendentes são: 
- a redução dos subsídios à exportação, com os quais se 
beneficiam os agricultores das nações ricas; 
- a decisão de implantar fortemente as energias renováveis. 
Neste contexto, a União Européia (UE) se viu freada em sua 
estratégia de propor que, para o ano de 2015, o total de energia 
primária consumida no mundo tivesse uma origem renovável, já 
que não se estabeleceram metas, objetivos nem prazos: tão 
somente se insiste aos governantes seguir um "significativo 
incremento" das energias verdes, mas sem concretização 
alguma. (Esta proposta fracassou devido ao bloqueio imposto 
pelos Estados Unidos, pela OPEP e por diversas multinacionais - 
basicamente petrolíferas, que temem perder sua cota de negócio 
e poder ante o aumento no uso das energias renováveis); 
- a abertura de mercados aos produtos procedentes dos países 
em via de desenvolvimento. 
A princípio, o Plano de Ação estava estruturado em um 
documento de 69 páginas e 152 recomendações e objetivos. 
Entretanto, na última hora, as páginas foram reduzidas para 32, 
com objetivo de eliminar aqueles aspectos um tanto espinhosos. 
Por exemplo, desapareceram o objetivo de aumentar para 0,7% 
do PIB a ajuda ao desenvolvimento, a recomendação ao setor 
privado de operar com transparência, e as menções sobre as 
dívidas dos países pobres. 
SÍNTESE DO PLANO DE AÇÃO DA CÚPULA DE 
JOHANNESBURGO 2002 
Biodiversidade: há que se "reduzir consideravelmente" a taxa 
atual de extinção de espécies animais e vegetais, o que deverá 
significar a adoção de novas fontes financeiras e técnicas por 
parte dos países pobres. 
84 
 
Substâncias químicas: os efeitos nocivos sobre o homem e o 
meio ambiente desses compostos deverão ser "minimizados" 
antes do ano de 2020. Contudo, não se concretizam as medidas 
para alcançar essa finalidade. 
Ajuda ao desenvolvimento: apressar os países desenvolvidos a 
realizarem esforços para incrementar as ajudas ao 
desenvolvimento em até 0,7% do PIB (eliminado na última hora). 
Esse ponto fica, assim, totalmente em mãos privadas. 
Energia: há que se diversificar o fornecimento energético, 
desenvolvendo-se novas tecnologias menos poluentes no campo 
das energias fósseis e fontes renováveis, incluindo a elétrica. 
Paradoxalmente, os Estados Unidos e a OPEP bloquearam o 
acordo sobre objetivos e prazos concretos para o incremento no 
uso das energias renováveis. 
Pesca: os recursos pesqueiros deverão ter uma exploração 
sustentável no máximo até o ano de 2015. Do mesmo modo, 
deverão ser criadas novas zonas marítimas protegidas. 
Comércio e globalização: recomenda-se "uma redução das 
subvenções" prejudiciais ao meio ambiente, especialmente na 
exploração do carvão. 
Protocolo de Quioto: os Estados que ratificaram o protocolo de 
Quioto contra a mudança climática realizam uma chamada para 
aqueles países que ainda não o fizeram. Neste contexto, aderem-
se a tal protocolo nesta Cúpula países como a China, a Rússia, o 
Canadá e a Estônia. 
Água e instalações sanitárias: antes do ano de 2015 deverá ser 
reduzido à metade o número de habitantes do planeta sem 
acesso à água potável ou a redes de esgoto; entretanto, 
desconhece-se a fórmula para que isto seja uma realidade. 
Consumo: todos os países deveriam promover modos de 
produção limpa e viável, tendo em conta que tanto os países 
industrializados como as nações pobres têm a mesma 
responsabilidade, embora diferenciada. 
Responsabilidade empresarial: futuro desenvolvimento de 
normas que exijam melhores práticas às empresas 
transnacionais. 
Como resultado da Cúpula, os 143 países em desenvolvimento 
não obtiveram mais que uma mera ratificação dos compromissos 
já afirmados em outros eventos anteriores pelos EUA e pela UE 
para sustar a queda da ajuda ao desenvolvimento do Terceiro 
85 
 
Mundo e a promessa de reduzir as subvenções agrícolas dos 
países ricos nos próximos três anos. 
Esta conferência caracterizou-se pela falta de objetivos concretos 
e marcantes, que representa uma profunda decepção e outra 
postergação de resultados. 
Segundo sugere o relatório "O Estado do Mundo - 2005" do 
Instituto Worldwatch, para assentar as bases da paz e da 
estabilidade mundial e para estabelecer as bases para um mundo 
sustentável, devemos superar a dependência do petróleo, investir 
na segurança alimentar, administrar os conflitos pela água, conter 
as enfermidades infecciosas, avançar para o desarmamento e 
colaborar além das fronteiras . 
Atuações das ONGs 
As Organizações Não-Governamentais exercem um papel crucial 
na proteção do Meio Ambiente. Algumas das mais conhecidas 
são: o World Wildlife Fund (WWF),a União Internacional para 
Conservação da Natureza (UICN), a Federação de Amigos da 
Terra e o Greenpeace. 
O termo ONG (Organização Não-Governamental) vem dos 
países do Norte (NGOs - Non-Governmental Organizations), 
referindo-se às entidades ou agências de cooperação financeira 
e, também, a projetos de desenvolvimento ou assistencialistas, 
em favor das populações desprivilegiadas do Primeiro e do 
Terceiro Mundo. Para Warren (1995), a partir da Primeira Cúpula 
da Terra, em 1992 (ECO 92), no Rio de Janeiro, Brasil, as ONGs 
passam também a simbolizar um espaço de participação da 
sociedade civil organizada, que estruturam o chamado terceiro 
setor (diferente do Estado e do Mercado). 
O único levantamento nacional de organizações sociais, 
intitulado "As Fundações Privadas e Associações Sem Fins 
Lucrativos no Brasil - 2002", foi realizado pelo IBGE em parceria 
com o IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, com a 
GIFE - Grupo de Institutos Fundações e Empresas e a ABONG - 
Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais. 
Esse levantamento identificou 275.895 organizações que 
empregam 1.541.290 assalariados. Nesse mesmo levantamento, 
4.200 organizações responderam sobre fontes de recursos. Os 
86 
 
números indicam que apenas 21% recebem recurso público, ao 
passo que 46% trabalha com a geração de recurso próprio e 33% 
conta com investimento privado. Fonte: Revista Integração 
(2005). 
Mas, embora a atuação das ONGs esteja muitas vezes associada 
às atividades de proteção ambiental, Warren (1995) aponta que, 
no Brasil, as ONGs têm se caracterizado como entidades de 
assessoria, apoio, promoção, educação e defesa de direitos 
humanos e ambientalistas, com objetivo de transformar aspectos 
negativos da realidade econômica, social e ambiental, 
manifestando-se através de movimentos sociais e/ou 
comunidades, atuando na defesa da cidadania e na construção 
de uma sociedade mais participativa e justa. Neste sentido, para 
Warren, o conceito e a atuação das ONGs ultrapassam as 
fronteiras estritamente ambientais, articulando-se no espaço 
conceitual do desenvolvimento sustentável. 
Algumas das ONGs de atuação mundial, com representação no 
Brasil, são: o Fundo Mundial da Natureza, a União Mundial para 
Conservação da Natureza (UINC) e o Greenpeace. Essas 
entidades recebem aporte financeiro para subsidiar suas ações 
de diversas entidades e agências nacionais (no Brasil) e 
internacionais (no Brasil e no Mundo). 
Os desafios do Desenvolvimento Sustentável 
O conceito de desenvolvimento sustentável tem estado sujeito a 
toda sorte de controvérsias, associadas à posição que se assume 
ante os problemas e suas dificuldades de instrumentação. Em 
geral, os países desenvolvidos enfatizam a importância das 
ações dirigidas à conservação; por sua vez, os países em 
desenvolvimento priorizam os aspectos vinculados ao 
crescimento. Outras críticas apontam para a assimétrica situação 
Norte-Sul no sentido de destacar que mais que intergeracional, a 
satisfação das necessidades do Norte não deve comprometer as 
necessidades presentes e futuras do Sul. 
O desenvolvimento sustentável é um modelo incompleto que 
retorna aos princípios do ecodesenvolvimento fortalecendo-os 
com novos elementos da economia que, ao mesmo tempo que 
validam a necessidade de estratégias produtivas que não 
degradem o ambiente, empenham-se na necessidade de elevar o 
nível de vida dos grupos e setores de população mais 
87 
 
vulneráveis, identificando melhor as responsabilidades de cada 
parte ante a pobreza e a crise ambiental. Seus fundamentos são: 
1. Modificar hábitos de consumo, sobretudo em países 
industrializados, para manter e aumentar a base dos recursos e 
reverter a deterioração para as gerações presentes e futuras, a 
partir das seguintes ações: 
a) estimular uma melhor compreensão da importância da 
diversidade dos ecossistemas; 
b) instrumentar medidas localmente adaptadas a problemas 
ambientais; 
c) melhorar o monitoramento do impacto ambiental provocado 
pelas atividades do desenvolvimento; 
d) respeitar as pautas socioculturais próprias, sobretudo das 
povoações indígenas, e focar a questão de gênero no 
desenvolvimento dos projetos. 
 
2. Empreender ações em torno das seguintes linhas estratégicas: 
a) erradicar a pobreza e distribuir mais eqüitativamente os 
recursos; 
b) aproveitar de modo sustentável os recursos naturais e ordenar 
ambientalmente o território; 
c) compatibilizar a realidade social, econômica e natural; 
d) promover a organização e a participação social efetiva; 
e) impulsionar a reforma do Estado e gerar uma estratégia 
socioeconômica própria; 
f) reduzir o crescimento demográfico e aumentar os níveis de 
saúde e educação; 
g) estabelecer sistemas comerciais mais eqüitativos e abertos, 
tanto internos quanto externos, incluindo aumentos da produção 
para consumo local. 
A busca do desenvolvimento sustentável requer: 
- um sistema político que assegure uma participação cidadã 
efetiva na tomada de decisões; 
- um sistema econômico que seja capaz de gerar excedentes e 
conhecimento técnico sustentado e confiável; 
- um sistema social que provê soluções às tensões originadas em 
um desenvolvimento desarmônico; 
- um sistema de produção que respeite a obrigação de preservar 
a base ecológica para o desenvolvimento; 
88 
 
- um sistema tecnológico que possa buscar continuamente novas 
soluções; 
- um sistema internacional que fomente padrões sustentáveis de 
comércio e finanças; 
- um sistema administrativo que seja flexível e tenha a 
capacidade de corrigir a si mesmo. 
 
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (1992) 
oferece três princípios orientadores para tender ao 
desenvolvimento sustentável: 
1. o desenvolvimento sustentável deve conceder prioridade aos 
seres humanos. A proteção ambiental é vital para promover o 
desenvolvimento humano. Isso implica assegurar a viabilidade 
dos ecossistemas do mundo a longo prazo, incluída sua 
biodiversidade, visto que toda a vida depende deles; 
2. os países em desenvolvimento não podem escolher entre 
crescimento econômico e proteção ambiental. O 
crescimento não é uma opção. É um imperativo. A questão não é 
quanto crescimento econômico faz falta, mas que tipo de 
crescimento; 
3. cada país deverá fixar suas próprias prioridades ambientais, as 
quais diferirão com freqüência nos países 
industrializados e em desenvolvimento. 
Considera-se que, ainda que prevaleçam os indicadores 
econômicos como medida do desenvolvimento, é crescente a 
importância que se atribui a outras dimensões, tais como o 
acesso à educação e ao emprego, à saúde e à segurança social, 
ou a uma série de valores tais como a justiça social, a eqüidade 
econômica, a igualdade racial, étnica e religiosa, a liberdade 
política e ideológica, a democracia, a segurança, o respeito aos 
direitos humanos e à qualidade do meio ambiente. 
O desenvolvimento sustentável é um processo em busca da 
eqüidade e de uma melhor qualidade de vida com proteção do 
ambiente, que inclui transformações econômicas, culturais e 
políticas; que requer modificação de linhas produtivas, de 
distribuição e de consumo, e superação do déficit social. 
O desenvolvimento sustentável implica um crescer distinto, a 
partir de uma mudança tecnológica; de um ordenamento 
territorial; de um contexto social democrático que assegure a 
89 
 
participação pública na tomada de decisões; de uma 
reconfiguração de políticas, instituições, leis e normas, e de um 
sistema internacional mais justo. 
Deve-se conceber o desenvolvimento sustentável como 
processo, não como meta, para ir dando conta de suas principais 
restrições associadas às formas de exploração dos recursos 
naturais, à orientação dominante da evolução tecnológica e às 
características do âmbitoinstitucional. 
Sob esta perspectiva, as soluções não se encontram apenas nas 
mãos do governo, nem nas dos grupos de acadêmicos 
especializados. A solução implica o projeto de estratégias que 
incluam todos, com uma co-responsabilidade diferenciada e 
objetivos estabelecidos coletivamente. Também implica 
mensagens inequívocas claramente enunciadas de acordo com 
cada grupo, assegurando-nos que são compreendidos para 
auspiciar novas atitudes e aptidões, para pressionar por uma 
mudança e acelerar o processo. Essa deve ser uma mudança de 
amplo alcance, não uma moda ambientalista, que ofereça novas 
motivações e compromissos de longo prazo. Em suma, por 
desenvolvimento sustentável entende-se um novo e melhor modo 
de vida. 
No entanto, e dado o exposto, as implicações econômicas da 
sustentabilidade não são completamente claras para a 
formulação de políticas, visto que não se trata de tomar decisões 
para obter benefícios de curto prazo. Requer que sejam criadas 
as devidas condições de mercado para ir consolidando um 
controle sustentável dos recursos ambientais, considerando a 
história mais recente da globalização dos processos econômicos. 
Não se pode alcançar a sustentabilidade caso não exista um 
crescimento econômico que enfatize seus aspectos qualitativos 
relacionados à eqüidade e ao alívio da pobreza. Deve-se atuar 
sobre as causas, e não somente sobre seus sintomas e efeitos 
mais aparentes. 
Como se pode inferir, o desenvolvimento sustentável não é 
questão de transações temporárias ou de transferências de uma 
geração a outra. Antes de começar a atuar sobre o problema das 
futuras gerações, é imperativo atender às que hoje se encontram 
em condições de sobrevivência, porque as dificuldades do 
90 
 
desenvolvimento sustentável se incrementam em virtude atraso 
social existente e da magnitude das necessidades básicas que 
estão ainda por se atender. O problema será cada vez mais 
complexo caso continuem reproduzindo os padrões de produção 
e consumo, os valores culturais, a desigual distribuição da renda 
e os esquemas tecnológicos que propiciam a deterioração. 
Em suma, transitar para o desenvolvimento sustentável implica 
uma nova visão do mundo, uma reestruturação das relações 
Estado-Sociedade, uma intervenção protagônica da sociedade 
civil nas decisões e nas mudanças institucionais e culturais para 
a geração de novos valores sociais. Também implica uma ênfase 
por uma modificação de padrões, tanto de produção quanto de 
consumo, sobretudo nos países desenvolvidos e nos segmentos 
mais acomodados dos países pobres; uma reorientação 
tecnológica para atenuar impactos e reduzir riscos; uma 
reconfiguração das políticas, das instituições e da normatização. 
Esses aspectos não se podem abordar de maneira fragmentada, 
e nisso reside a complexidade de operacionalizar o 
desenvolvimento sustentável. 
Desafios Integrados do Desenvolvimento Sustentável 
Dimensão Humana 
- Padrões Culturais. 
- Educação. 
- Formação. 
- Coexistência de interesses. 
Operacionalização do desenvolvimento 
- Ciência e tecnologia. 
- Sistemas de informação. 
- Política econômica (instrumentos). 
- Ferramentas. 
- Custo/Benefício. 
- Taxa de desconto futuro. 
Institucionalidade 
- Horizontalidade. 
- Subsidiariedade. 
- Co-responsabilidade. 
 
91 
 
Perspectivas e Condições 
 
Considerando o exposto, algumas tarefas urgentes que podem 
nos ajudar a empreender um melhor caminho são: 
1. depender menos das fontes de energia fósseis, principalmente 
do petróleo, e cada vez mais das fontes renováveis e menos 
poluentes, bem como favorecer a eficiência energética; 
2. desenvolver processos de tecnologia limpa com uso mais 
intensivo de mão-de-obra, partindo de um enfoque 
eminentemente preventivo; 
3. buscar soluções para os resíduos, seja diminuindo sua 
produção, seja aperfeiçoando e incentivando a reciclagem e o 
reaproveitamento, evitando desperdícios, seja confinando-os 
adequadamente; 
4. impulsionar uma gestão dos recursos naturais com 
conhecimentos e tecnologias baseados em uma nova 
racionalidade ambiental e com eqüidade social; 
5. fortalecer o enfoque regional canalizando esforços para as 
áreas prioritárias; 
6. instituir formas administrativas e políticas muito mais 
descentralizadas e que se apóiem, na maior parte, nas 
comunidades locais, a partir de suas características socioculturais 
e com um enfoque de gênero; 
7. deter o crescimento urbano desordenado e concentrador, bem 
como os padrões de consumo excessivo, favorecendo maiores 
oportunidades de desenvolvimento regional; 
8. fortalecer as bases normativas e o estabelecimento de 
instrumentos econômicos; voltados para o desenvolvimento 
sustentado; 
9. instituir o direito a uma informação oportuna e com veracidade; 
10. educar a população e auspiciar, por todos os meios possíveis, 
a formação de novos valores culturais de acordo com a 
sustentabilidade. 
Todas estas são condições indispensáveis para o futuro. Não se 
trata em absoluto de propostas regressivas; o progresso 
tecnológico não é um mal em si mesmo; o objetivo não é 
renunciar a seus avanços, mas saber utilizá-los em uma 
dimensão humana. 
Problemática ambiental global 
Introdução 
92 
 
 
A sociedade moderna está cada vez mais consciente do impacto 
ambiental associado ao desenvolvimento. O uso intensivo dos 
recursos naturais e a cada vez maior geração de resíduos 
representam, paradoxalmente, um limite para o próprio 
desenvolvimento. 
Os problemas ambientais que afetam o planeta são as mudanças 
atmosféricas, a perda de biodiversidade e a contaminação dos 
mares, por serem recursos comuns de todos os países. Os 
problemas ambientais que afetam mais diretamente os países 
são o desflorestamento, a erosão e a contaminação; no entanto, 
a interconexão dos elementos afetados, água, solo, atmosfera e 
espécies animais e vegetais, faz com que, apesar de os impactos 
serem produzidos em uma área local, seus efeitos repercutam 
em âmbito global (CARABIAS & ARIZPE, 1994). 
A crise ambiental que atinge o planeta não pode ser entendida 
nem analisada à margem de políticas econômicas, sociais e 
culturais em âmbitos nacional e global. 
A busca de soluções é muito complexa, dado o caráter global do 
problema e a necessidade de estabelecer acordos internacionais. 
Neste sentido, evidenciam-se as desavenças entre os países na 
hora de chegar a compromissos reais e acordos efetivos. 
Antes de aprofundar o tema, será útil definir alguns conceitos 
fundamentais, como a poluição atmosférica, a emissão de gases 
ou a noção de fonte poluente. 
- Define-se poluição atmosférica como a existência, na atmosfera, 
de fumaça, gases e vapores tóxicos, bem como de pó, de germes 
microbianos e de substâncias radioativas, em níveis superiores 
aos naturais como resultado dos resíduos gerados pela atividade 
humana. 
- A emissão de gases é a produção de substâncias em estado 
gasoso como conseqüência de qualquer processo industrial, 
natural ou doméstico que, ao se dispersar pela atmosfera, 
provocam mudanças nas características anteriores do ar. Por 
imissão entende-se a assimilação desses gases por pessoas, 
animais ou plantas. 
93 
 
- Uma fonte poluente é qualquer dispositivo ou instalação, 
estática ou dinâmica, que verte de forma contínua ou descontínua 
substâncias sólidas, líquidas ou gasosas que geram uma 
modificação do meio natural. 
A maioria dos problemas ambientais são gerados pelo emprego 
de combustíveis fósseis. 
Aqui serão tratados em profundidade os principais problemas 
globais ambientais que nos afetam e serão estabelecidas 
algumas das medidas preventivas e corretivas realizadas 
atualmente. 
Mudança Climática e Efeito Estufa 
Aspectos gerais 
Um dos principais problemas ambientais associados à 
exploração, ao uso e à transformação da energia é o"aquecimento global do planeta", devido ao aumento gradual da 
temperatura média global do ar na superfície da Terra. 
Atualmente, a maioria dos cientistas concorda em assinalar a 
atividade humana como a causadora do aquecimento global 
terrestre por contribuir, com suas emissões, com o incremento da 
concentração na atmosfera dos denominados "gases de efeito 
estufa", como o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4), os 
óxidos de nitrogênio (N2O) e os halocarbonos (compostos de 
carbono que contêm flúor, cloro, bromo ou iodo). 
O CO2 resultante dos processos de queima dos combustíveis 
fósseis é o principal responsável pelo efeito 
estufa. 
No entanto, outros estudiosos apontam que as mudanças que 
estão ocorrendo no planeta (furacões, épocas de seca seguidas 
de chuvas torrenciais, expansão térmica dos oceanos, etc.) 
devem-se a variações naturais periódicas do clima, cuja origem 
não é claramente antropogênica. Estes cientistas baseiam seus 
argumentos no fato de que, ao longo de sua história, a Terra foi 
sofrendo flutuações climáticas, como a acontecida entre 1550 e 
1850, conhecida como Pequena Glaciação, durante a qual se 
produziram grandes mudanças, tanto econômicas como sociais, 
como conseqüência de um declínio de 2°C na temperatura média 
global do planeta. 
94 
 
Alguns cientistas afirmam que estamos ao final de um período 
interglacial prévio a uma glaciação. 
Seja qual for a posição adotada, o certo é que a temperatura da 
Terra aumentou meio grau centígrado ao longo do século XX. 
Os dados publicados na atualidade sobre o efeito estufa se 
evidenciaram graças a um estudo preparado pela Organização 
Mundial da Meteorologia, no qual se fez uma subdivisão da 
contribuição para o efeito estufa de cada um dos gases, como 
veremos mais adiante. 
Conforme mencionado, depreende-se que as atividades do 
homem a partir da revolução industrial estão tendo um efeito 
direto no aumento das emissões e, portanto, da concentração na 
atmosfera dos gases que provocam o efeito estufa. Após vários 
anos de estudo sobre as conseqüências desse fenômeno, os 
cientistas do IPCC1 concluíram que, nos últimos 100 anos, há um 
aumento real, porém irregular, da temperatura média da 
superfície terrestre na ordem de 0,3 a 0,6°C; uma redução da 
superfície de glaciares; e um aumento médio do nível do mar na 
ordem de 1 a 2 mm por ano. 
Graças ao uso de complexos modelos matemáticos para a 
simulação do clima através do computador, e assumindo a 
hipótese de que, caso se mantenham os índices de emissão 
atuais, a concentração de CO2 pode dobrar por volta do ano 
2050, o Terceiro Relatório de Avaliação do IPCC, apresentado 
em 2001, prevê um aquecimento global médio entre 1,5°C e 
4,5°C. Isso provocaria um deslocamento das zonas áridas do 
planeta para latitudes mais altas, o que teria um impacto direto 
sobre a agricultura, ao mesmo tempo que produziria uma redução 
da superfície polar e um considerável aumento do do mar. 
A figura 3.1 apresenta a contribuição de diferentes setores para o 
efeito estufa. Nota-se como as atividades ligadas à produção de 
energia representam praticamente a metade das causas da 
mudança climática global. 
95 
 
 
 
 
Balanço e fluxos de radiação 
A energia procedente do sol constitui o motor que origina os 
principais fenômenos que afetam diretamente o clima. Tal energia 
é transmitida sob forma de radiação, que, ao ser absorvida pela 
atmosfera e pela superfície terrestre, converte-se sob forma de 
energia calorífica. Da mesma forma, os corpos que absorvem 
radiação podem, por sua vez, emiti-la em outros níveis de 
freqüência diferente do que a têm recebido, tal como veremos 
posteriormente. 
Há um equilíbrio entre o fluxo de radiação emitida pelo sol e a 
radiação refletida pela Terra, equilíbrio este que condiciona em 
grande parte o clima do planeta. 
Se, por alguma razão, a concentração de gases de efeito estufa 
na atmosfera aumentar, haverá um desequilíbrio no balanço, 
provocando uma maior absorção da radiação emitida pela Terra 
e, portanto, um aumento da temperatura do ar na superfície do 
planeta. 
96 
 
 
 
Os gases do efeito estufa 
No item anterior foi observado como o efeito estufa tem algumas 
conotações positivas, contrariamente ao que se poderia pensar a 
princípio. Graças a tal efeito, a temperatura média superficial da 
Terra se mantém entre limites que tornam possível a vida. De 
fato, caso não existisse, a Terra seria, em certa medida, um 
planeta gélido como Marte. 
No entanto, a proporção natural dos gases que favorecem esse 
fenômeno tem-se multiplicado desde os inícios da era industrial, 
devido fundamentalmente à atividade humana. Isto significa um 
sério perigo em virtude das repercussões que possa ter a 
mudança climática sobre as espécies que povoam o planeta, 
inclusive o homem. 
O principal gás causador do efeito estufa natural é o vapor de 
água; enquanto, os mais prejudiciais são os produzidos pelo 
homem, como o dióxido de carbono (CO2) e, em menor 
quantidade, mas nem por isso menos significativos, o metano 
97 
 
(CH4), os óxidos de nitrogênio (N2O) e os halocarbonos. Outros 
gases que favorecem esse fenômeno são o ozônio nas camadas 
baixas da atmosfera e alguns gases substitutivos dos CFCs (1). 
A Tabela 3.1, apresenta os seis gases de efeito estufa 
contemplados no Protocolo de Quioto, suas fontes de emissão, 
seu potencial de aquecimento global (2) e tempo de permanência 
das moléculas desses gases na atmosfera. 
 
 
Deve-se esclarecer que a importância do CO2 na mudança 
climática deve-se ao fato de que este gás se produz em 
quantidades muito consideráveis como conseqüência da queima 
de combustíveis fósseis. De todas as formas, deve-se controlar 
também a emissão dos demais gases, mesmo quando 
produzidos em menor proporção, dado seu maior poder de 
aquecimento global. 
 
_________________________ 
1 Em 1996 foi proibida sua produção e importação - exceto em 
casos excepcionais - por parte dos países industrializados. Foram 
substituídos temporariamente pelos hidroclorofluorocarbonos 
(HCFC), cuja produção deve ser erradicada para o ano 2030. 
98 
 
2 Este índice assinala a capacidade de absorver a radiação 
infravermelha, considerando-se como referência o CO2, com um 
PCG (CO2) =1. Assim, por exemplo, uma molécula de metano 
absorve em média 23 vezes mais energia que uma de CO2. 
Esses valores se alteram conforme avança o conhecimento 
científico que se tem dos gases, razão pela qual, aparecem em 
dois períodos de tempo diferentes. 
 
 
O dióxido de carbono (CO2) 
Também denominado anídrido carbônico, a importância do CO2 
está em sua contribuição para o efeito estufa, cifrada em 60%. 
Esse gás é produzido na respiração dos seres vivos, na oxidação 
da matéria orgânica e na queima de combustíveis fósseis, 
constituindo os oceanos e a vegetação os principais sumidouros 
de CO2. 
O aumento de CO2 na composição da atmosfera durante o SÉC. 
XX foi devido a uma combinação entre um 
aumento de 80% na queima de combustíveis fósseis e de 30% no 
desflorestamento. 
Graças às medições realizadas na Antártida, pôde-se demonstrar 
as correlações diretas existentes entre as concentrações dos 
gases causadores do efeito estufa e a temperatura média da 
superfície da Terra. 
A concentração de CO2 passou de 280 ppm (partes por milhão) 
na era pré-industrial (ano 1800) aos 358 ppm da atualidade. 
Aproximadamente a metade desse aumento foi gerado desde 
1960, em virtude majoritariamente das emissões dos países 
industrializados. Atualmente, o ritmo de crescimento da 
concentração de CO2 aumenta em 1,5 ppm por ano. 
A figura 3.3 ilustra o aumento das emissões de CO2 como 
conseqüência da queima de combustíveis fósseis em dois 
períodos de tempo diferentes. 
99 
 
 
 
Cadaum dos tipos de combustíveis fósseis gera uma quantidade 
diferente de dióxido de carbono por unidade de energia liberada. 
Por exemplo, o carvão é majoritariamente constituído pelo 
carbono, de modo que quase todo o subproduto da combustão 
será CO2. Por outro lado, a combustão do gás natural, que é 
constituído por metano, produzirá vapor de água e dióxido de 
carbono e, portanto, sua emissão de CO2 por unidade de energia 
será menor que a gerada pelo carvão. 
O petróleo está em um termo médio entre o carvão e o gás 
natural em relação à emissão de dióxido de carbono. Por essa 
razão, apesar da maior abundância do carvão, intenta-se que 
haja uma tendência ao emprego do gás natural nas centrais 
térmicas. 
Na figura 3.4 ilustram-se as emissões de CO2 por regiões em 
dois períodos de tempo diferentes. 
 
100 
 
 
 
As razões das emissões antropogênicas de dióxido de carbono 
são variáveis segundo o país: por exemplo, nos Estados Unidos 
devem-se fundamentalmente ao transporte; nos países da OPEP, 
às centrais de petróleo; na China, às indústrias e as térmicas e, 
nos países mais pobres, à queima de lenha para obter calor. 
 
 
O metano (CH4) 
 
Depois do dióxido de carbono, o gás metano está em segundo 
lugar entre os causadores do efeito estufa, com uma contribuição 
de 16%. 
Esse gás constitui um subproduto gerado a partir da combustão 
da biomassa ou do carvão. Também se libera da ventilação do 
gás natural e na putrefação da matéria orgânica nas zonas 
úmidas e pobres em oxigênio, razão pela qual sua emissão está 
fortemente relacionada a atividades agropecuárias. 
101 
 
Os principais produtores de metano são os aterros, determinados 
cultivos como os arrozais e, sobretudo, os gases expelidos pelos 
animais durante seu ciclo digestivo. Outras fontes de metano são, 
em menor grau, os incêndios florestais e a atividade de certos 
insetos como os cupins. 
Considera-se factível a redução do metano na atmosfera por ser 
um combustível que pode ser aproveitado como fonte energética 
alternativa. Assim, a curta sobrevivência do metano (12 anos), 
provocada pela oxidação deste por radicais OH presentes na 
atmosfera, contribui para sua minimização. No entanto, o 
aumento da presença de outros poluentes - como o CO - tende a 
aumentar estes radicais. 
O metano, devido a sua estrutura molecular, tem muito mais 
eficiência que o dióxido de carbono (23 vezes mais) no processo 
de absorção da radiação de onda longa emitida pela terra, 
embora sua contribuição total para efeito estufa seja menor, já 
que sua concentração na atmosfera é também menor. 
A concentração atual de metano na atmosfera é de apenas 1,7 
ppm. No entanto, este valor representa mais do dobro obtido 
durante a época pré-industrial, cifrado em 0,7 ppm. 
O leste e o sudeste asiático constituem as principais áreas 
produtoras de metano. 
 
 
Os óxidos de nitrogênio (N2O) 
 
Os óxidos de nitrogênio contribuem em torno de 6% para o efeito 
estufa e são liberados na degradação dos fertilizantes 
nitrogenados e de outros resíduos animais. Apesar de sua baixa 
concentração na atmosfera, a capacidade de absorção de uma 
molécula destes gases é 300 vezes superior a outra de dióxido 
de carbono. 
 
Halocarbonos 
 
Diferentemente dos anteriores, a origem dos halocabornos se 
102 
 
deve exclusivamente à atividade humana, já que durante o 
período pré-industrial sua concentração era inexistente na 
atmosfera. 
Os halocarbonos contribuem em 15% para o efeito estufa e 
englobam os compostos de carbono que contêm flúor, cloro, 
bromo ou iodo. 
Têm um grande poder de absorção de calor - muito superior ao 
CO2 - e uma sobrevivência muito longa na atmosfera. Sua 
concentração na atmosfera é pequeníssima (0,5 ppmmv) (1), e 
são mais conhecidos por sua capacidade de destruição da 
camada de ozônio que por sua contribuição para o efeito estufa. 
Os halocarbonos que contêm cloro e bromo são também os 
principais responsáveis pelo esgotamento da camada de ozônio. 
Os halocarbonos contemplados no Protocolo de Quioto são os 
hidrofluorocarbonos (HFCs) e os perfluorocarbonos (PFCs). Os 
primeiros são empregados para substituir as substâncias 
esgotadoras da camada de ozônio, enquanto os PFCs são 
utilizados como produtos intermediários na fundição de alumínio 
e na fabricação de semicondutores. 
________________________________________ 
1 Parte por mil milhões de volume. 
 
Hexafluoreto de enxofre (SF6) 
 
Esse é o gás com um maior potencial de aquecimento global. 
Gera-se durante a produção de certos tipos de alumínio, em 
fundições desse metal ou do magnésio, e pode-se emitir à 
atmosfera devido a fugas ou acidentes com o equipamento 
elétrico de alta voltagem que emprega este elemento químico 
como isolante. 
 
Consequências do aquecimento global no planeta 
A conseqüência mais imediata e catastrófica do aquecimento 
global na superfície terrestre é a elevação no nível do mar como 
resultado da expansão térmica dos oceanos e do desgelo dos 
glaciares. 
103 
 
Desde o princípio do século XX, o nível do mar tem subido 18 cm 
aproximadamente e se prevê que para o 
ano 2100 se alcance os 50 cm. 
A elevação do nível do mar provocaria, entre outras, a inundação 
das zonas costeiras (Egito, Vietnã e Bangladesh são as mais 
vulneráveis), o desaparecimento de ilhas (de fato, algumas ilhas 
do Pacífico Sul já têm ficado submersas pelas águas), a erosão 
das praias, o surgimento de tormentas e um aumento na 
salinidade dos estuários. 
Assim, o aumento da temperatura representará mudanças no 
ciclo hidrológico do planeta e na circulação geral das correntes de 
ar (Fenômeno El Niño), com o que se acentuarão as perdas dos 
glaciares de montanha, as secas, as inundações, os incêndios, 
etc. 
Por outro lado, muitas espécies de animais serão obrigadas a 
mudar seu habitat, o que redundará no rompimento da cadeia 
alimentícia e em uma perda da biodiversidade, que pode levar na 
diminuição da população de algumas espécies. 
Não se pode quantificar a magnitude das repercussões políticas, 
econômicas e sociais, proliferação de pragas que arrasarão as 
colheitas, surgimento de doenças próprias de zonas tórridas em 
regiões setentrionais, maior incidência de doenças 
cardiorrespiratórias, etc. 
A ciência não sabe ao certo o grau de influência que possa ter a 
atividade humana em todas essas catástrofes e se estas 
ocorrerão ou não. De qualquer forma, impõe-se que os países 
mais implicados adotem políticas e medidas - tanto preventivas 
como corretivas - para evitar essa alarmante situação. 
 
Acordos e compromissos 
Do dia 28 de novembro até 9 de dezembro de 2005 ocorreu, em 
Montreal (Canadá) a primeira conferência dos 157 países 
firmantes do Protocolo de Quioto, o grande pacto mundial - que 
entrou em vigor em fevereiro de 2005 - para frear a emissão dos 
gases de efeito estufa e combater a mudança climática. 
104 
 
Segundo os organizadores, a conferência foi um êxito, pois se 
colocaram as bases para o funcionamento do registro 
internacional de compra e venda de certificados de direitos de 
emissão dos mecanismos de desenvolvimento limpo; os países 
em vias de desenvolvimento aceitaram pela primeira vez ações 
voluntárias para reduzir o CO2; formou-se um comitê de 
conformidade que garantirá que os países participantes de Quioto 
contem com um regime claro de responsabilidades na hora de 
cumprir com seus objetivos; impulsionou um programa de cinco 
anos de adaptação às mudanças climáticas; acordou em 
continuar estudando o "sequestro" e o armazenamento do 
carbono na terra e no mar para coletar e guardar o CO2 que 
certas plantas expulsam ao ar; e, finalmente, os EUA deram início 
às conversações sobre "ações de cooperação a longo prazo para 
enfrentar a mudança climática". 
Anteriormente à Cúpulado Clima de Montreal de 2005, 
celebraram-se outras com o tema do efeito estufa como pano de 
fundo: o convênio sobre a mudança climática, enquadrado na 
Declaração do Rio de maio de 1992; o Protocolo de Quioto 
(Japão) em dezembro de 1997, a Cúpula de Buenos Aires 
(Argentina), em novembro de 1998, as Cúpulas de Bonn 
(Alemanha) de outubro de 1999 e julho de 2001, a de Haia 
(Holanda) em novembro de 2000, a de Marrakech nos finais de 
2001 e a de Johannesburgo de 2002. 
No Convênio marco das Nações Unidas sobre a Mudança 
Climática, firmado no Rio de Janeiro em 1992, durante a 
Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o 
Desenvolvimento (CNUMAD), estabeleceu-se que os países 
desenvolvidos deviam tentar alcançar para o ano 2000 as 
mesmas cotas de emissão que em 1990. No entanto, a 
inoperância desse convênio evidenciou-se durante o Protocolo de 
Quioto, quando ficou claro que apenas uns poucos países - 
curiosamente os de economia precária como a ex-URSS e outros 
do antigo bloco comunista - haviam reduzido suas emissões, 
diferentemente de outros países como Estados Unidos, Japão, 
China, Índia, Brasil e Indonésia que, distantes de diminuir suas 
emissões, haviam-nas aumentado em grande proporção. 
105 
 
Segundo um relatório do World Watch Institute, as emissões 
mundiais de CO2 ascenderam a 26.400 milhões de toneladas 
durante 1997. 
No Protocolo de Quioto de dezembro de 1997 foram traçados os 
objetivos gerais que os países industrializados deveriam cumprir 
quanto à redução das emissões de gases de efeito estufa, porém, 
sem especificar quantidades nem data de cumprimento 
obrigatório. 
Seu objetivo básico era reduzir em 5,2% as emissões de gases 
de efeito estufa globais sobre os níveis de 1990 para o período 
2008-2012. Foi o único mecanismo internacional com o fim de 
começar a enfrentar a mudança climática e minimizar seus 
impactos. Para isso, contem objetivos legalmente obrigatórios 
para que os países industrializados reduzam as emissões dos 
seis gases de efeito estufa de origem humana: dióxido de 
carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (NO2), além dos 
três gases industriais fluorados: hidrofluorocarbonos (HFC), 
perfluorocarbonos (PFC) e hexafluoreto de enxofre (SF6). 
 
PRINCIPAIS ASPECTOS DEBATIDOS DURANTE O PROTOCOLO 
DE Quioto 
 
Acordou-se que os países industrializados deviam reduzir suas 
emissões de CO2 e CH4 na atmosfera em 5,2% com relação aos 
níveis de 1990, durante o período 2008-2012. Assim, os Estados 
Unidos se comprometeram a diminuir em 7% suas emissões, a 
UE em 8% e o Japão, em 6%. 
Os países em vias de desenvolvimento ficam excluídos do 
cumprimento de reduzir a emissão de gases de efeito estufa. 
Para o ano 2005, esses países deveriam demonstrar avanços em 
seus compromissos. A este respeito, podemos dizer que, em 
novembro desse mesmo ano, as estatísticas mostram que será 
muito complicado alcançar as primeiras metas estabelecidas em 
1997. 
Com o fim de alcançar tal objetivo, estabeleceram-se três 
mecanismos: 
106 
 
- um comércio de direitos de emissão transferíveis: baseia-se na 
compra e venda de certificados de dióxido de carbono. As 
empresas receberão certificados de contaminação, dependendo 
da área à qual pertencem. Esses certificados determinarão 
quanto dióxido de carbono as empresas podem emitir; 
- mecanismos de desenvolvimento limpo: define-se como as ajudas 
que os países industrializados ofereceriam mediante apoio e 
investimentos tecnológicos em troca de quantidades de 
emissões, aos países em desenvolvimento. Isto possibilitaria a 
seus governos a transferência de tecnologias limpas aos países 
não industrializados, mediante investimentos em projetos de 
redução de emissões e, em troca, receber certificados de 
emissão que servirão como suplemento a suas emissões 
internas; 
- aplicação conjunta: investimento de um país industrializado em 
outro país industrializado para que este reduza as emissões de 
gases de efeito estufa em seu processo produtivo. O país 
investidor recebe em troca uma redução das emissões a um 
custo inferior do de seu âmbito nacional, e ao mesmo tempo o 
país receptor sai beneficiado com o investimento e com a 
tecnologia. 
 
O Protocolo está inspirado no princípio de justiça, pois permite 
aos países em vias de desenvolvimento contaminar mais e aos 
países desenvolvidos contaminar menos, porque as cotas de 
emissão consideram as contaminações passadas e futuras. 
 
EXTRATO DO PLANO DE AÇÃO DA CÚPULA DE JOANESBURGO 
2002 EM RELAÇÃO À MUDANÇA CLIMÁTICA 
Protocolo de Quioto: os Estados que têm ratificado o Protocolo de 
Quioto contra a mudança climática realizam uma chamada 
àqueles países que ainda não o fizeram. Neste contexto, aderem-
se a tal Protocolo países como a China, a Rússia, o Canadá e a 
Estônia. 
A Cúpula de Buenos Aires (Argentina) de novembro de 1998 
tentou materializar esses compromissos em algo concreto; no 
entanto, após onze dias de discussões, o resultado mais 
relevante foi a elaboração de um programa de trabalho 
denominado Agenda 2000, que apresentava a política que se 
deveria seguir para que, no ano 2000, pusesse em ação os 
107 
 
mecanismos do Protocolo de Quioto, a fim de se cumprir os 
compromissos assumidos. 
A Cúpula de Buenos Aires, distante de desenvolver o Protocolo 
de Quioto, caracterizou-se por um certo conformismo e uma 
prorrogação das principais medidas de redução de gases para 
mais adiante. 
Outros acordos importantes realizados nesta conferência foram: 
- a possibilidade de que as ONGs tivessem presença nos órgãos 
de negociação das conferências; 
- a constituição de uma plataforma para reunir os Protocolos de 
Montreal (enfocado à conservação da camada de ozônio) e o de 
Quioto (focado nos efeitos dos gases estufas); 
- o compromisso de reforçar e ampliar a rede internacional de 
vigilância da concentração de gases na atmosfera; 
- a prorrogação das decisões sobre as repercussões da absorção 
de CO2 na vegetação e nos oceanos (sumidouros) até a Cúpula 
de Haia em 2000; 
- a possibilidade de proporcionar um novo impulso aos 
mecanismos financeiros da Convenção do Clima e do Fundo 
Mundial para o Meio Ambiente; 
- a promoção e a participação de especialistas para a 
denominada "tecnologia limpa"; 
- a assinatura, na última hora, dos Estados Unidos 
comprometendo-se a reduzir a emissão de gases poluentes na 
condição de que se envolvam mais ativamente os países em 
desenvolvimento. 
Os Estados Unidos, com apenas 5% da população, produzem 
mais de 25% das emissões totais de CO2 do planeta. 
E os temas que ficaram pendentes continuam sendo os mesmos 
que em Quioto: 
- como e em que momento os países desenvolvidos devem pôr 
em funcionamento um plano de redução das emissões de gases 
estufa; 
- o detalhamento da política a ser seguida no denominado 
"comércio de emissões", que permite vender e comprar poluição 
entre as nações desenvolvidas; 
- um plano de ação com relação à "tecnologia limpa", que 
consiste no financiamento de tecnologia inócua (energias 
108 
 
renováveis) nos países mais desfavorecidos em troca de 
"créditos" de poluição; 
- a finalização de um tipo de acordo com relação à limitação dos 
"créditos" de emissão. Em relação a esse tema, a UE respalda o 
estabelecimento de uma cota que limite tais "créditos", 
diferentemente dos Estados Unidos, que defendem um comércio 
totalmente livre; 
- a conclusão da definição do conceito de sumidouro de CO2, 
sobretudo no concernente às florestas. A questão que se coloca 
é de que forma e o quanto se pode contar com estes grandes 
absorvedores de dióxido de carbono - muito difícil de quantificar -, 
com o objetivo de não mascarar os resultados na hora de avaliar 
uma possível redução dos gases estufa por parte da atividade 
humana. 
No dia 26 de outubro de 1999, iniciou-se, em Bonn(Alemanha), 
uma conferência para se pôr em prática os compromissos sobre 
redução de gases estufa estabelecidos no Protocolo de Quioto de 
dezembro de 1997. Não se esperava (e de fato foi assim) que 
desta conferência saíssem importantes acordos, já que foi 
considerada como um "passo intermediário" entre a celebrada em 
Buenos Aires, em novembro de 1998, e a que ocorreria em Haia 
aos finais de 2000. 
Neste contexto, em 13 de novembro de 2000, representantes de 
160 governos debateram, na cidade holandesa da Haia, os 
mecanismos para obter a ratificação dos compromissos 
derivados do Protocolo de Quioto com vistas à redução da 
emissões dos gases estufa em pelo menos 5% para o período 
2008-2012, em relação aos níveis de 1990. 
Na reunião da Haia, a maioria dos governos deveria ratificar o 
Protocolo de Quioto, com o objetivo de que este entrasse em 
vigor, se possível, no ano 2002. Assim, a reunião devia 
estabelecer as condições para alcançar uma relação de 
compromisso para com as medidas adotadas sob o ponto de 
vista econômico e dar credibilidade às atuações ambientais. 
O êxito da conferência dependia da entrada em vigor do 
Protocolo de Quioto em 2002, dez anos após a Cúpula da Terra 
no Rio de Janeiro. 
109 
 
No entanto, a conferência fracassou ante a impossibilidade de 
chegar a algum tipo de acordo. Efetivamente, os representantes 
dos 160 países reunidos decidiram suspender as negociações 
ante a incapacidade destes para tornar operativo o protocolo. 
Por outro lado, alguns especialistas asseguravam que os 
pressupostos nos quais se baseavam os compromissos de 
redução das emissões três anos atrás haviam ficado defasados, 
tornando necessária uma atualização. Seja como for, entre os 
pontos de desencontro enumeraram-se os mesmos problemas de 
sempre: 
 
- os quatro blocos negociadores com interesses conflitantes: a 
União Européia, o denominado grupo "Paraguas" (Estados 
Unidos, Japão, Nova Zelândia e Austrália), o grupo "Oásis", 
formado por pequenos Estados insulares do Pacífico e, 
finalmente, os Países em Vias de Desenvolvimento (PVD); 
- o estabelecimento de limites aos mecanismos flexíveis 
propostos para garantir o cumprimento do "Protocolo de Quioto" 
(problema de suplementariedade); 
- o uso de comércio de direitos de emissões; 
- a utilização de sumidouros: consideração das florestas para 
estabelecer o grau de contribuição para a contaminação e, 
portanto, os objetivos a serem cumpridos; 
- projetos que se devem cumprir nos mecanismos de 
desenvolvimento limpo (polêmica sobre a energia nuclear); 
- vias para que os PVD cumpram os objetivos do protocolo e 
mecanismos para garantir sua adesão. 
Apesar do fracasso da Cúpula, deixou-se uma abertura para se 
chegar a um acordo em 2001 - seguramente em meados do ano, 
em Bonn -, com a esperança de que o tempo extra permitisse 
chegar a um consenso global para que o Protocolo de Quioto 
pudesse ser ratificado. 
A esse respeito, em março de 2001, durante a Cúpula de 
Ministros do Meio Ambiente do G-8 celebrada em Trieste (Itália), 
chegou-se a um compromisso para a redução da emissão dos 
110 
 
gases estufa. Os países envolvidos acordaram em se esforçar 
para "...assegurar de uma maneira efetiva a integridade ambiental 
do Protocolo de Quioto". 
Apesar da oposição dos Estados Unidos, no dia 23 de julho de 
2001, 178 países reunidos novamente em Bonn (Alemanha) 
aprovaram um protocolo para a redução dos gases na atmosfera 
e recuperar, desta forma, o Protocolo de Quioto. 
O acordo alcançado excluiu os EUA, mas permitiu solicitar mais 
apoios para a entrada em vigor do Protocolo de Quioto sobre 
redução de emissões de gases estufa. O processo foi muito 
difícil, pois se temeu que a negativa dos EUA em ratificar o 
tratado provocasse um efeito em cascata. Por fim, os Estados 
Unidos ficaram sozinhos na defesa de suas teses e a UE pôde 
obter o apoio da Rússia, do Canadá e do Japão, o que foi o 
grande avanço da Cúpula de Bonn. 
Aos finais do ano 2001 foi celebrada a Cúpula de Marrakech, que 
constitui a VII Conferência das Partes da Convenção Marco das 
Nações Unidas sobre a Mudança Climática (UNFCCC). 
O objetivo da reunião de Marrakech foi acabar de perfilar os 
mecanismos e procedimentos com que se concretizará a luta 
contra a mudança climática. Além das florestas (sumidouros que 
captam e neutralizam o CO2), as nações poderão dispor de 
outros instrumentos que lhes permitirão fazer descontos de 
emissões. Entre estes, está a compra e venda das cotas de 
emissões poluentes não atingidas por outros países (o problema 
é que a não participação dos Estados Unidos desvirtua e reduz o 
volume desse mercado mundial). Outra fórmula são os 
investimentos em tecnologia limpa no Terceiro Mundo, que 
também permitem reduções nos inventários nacionais. 
 
A UE, por outro lado, necessita fazer um esforço real para reduzir 
as emissões poluentes e centralizar os esforços em políticas 
internas mediante o fomento de energias renováveis, o transporte 
coletivo, a economia de energia ou tecnologias limpas. 
Os pontos-chave na Agenda da Mudança Climática (Marrakech, 
2001) são: 
- Financiamento: 
111 
 
– são necessários recursos adicionais para financiar projetos 
contra a mudança climática. Esses recursos devem proceder dos 
países ricos (Estados Unidos são reticentes em participar com o 
financiamento do processo). 
 
- Mecanismos flexíveis: 
– as nações desenvolvidas reduzirão suas emissões com 
"medidas internas": energias renováveis, economia energética e 
transporte público; 
– só atenderão "de maneira suplementar" a "medidas externas": 
compra de direitos de emissões e investimentos em tecnologia 
limpa no Terceiro Mundo; 
– não serão válidos os investimentos em tecnologia nuclear. 
 
- Sumidouros: 
– em Bonn foi reconhecido o papel das florestas como 
"sumidouros" que captam dióxido de carbono; 
– a Rússia, o Canadá, a Austrália e outros países querem 
sublinhar ainda mais este papel. No entanto, ainda é difícil 
contabilizar seu impacto real no efeito estufa. 
 
- Sanções: 
– o descumprimento na redução de emissões implica uma 
redução de 30% superior no seguinte período; 
– os países menos desenvolvidos querem ter mais peso no 
"tribunal sancionador". 
 
Na Cúpula de Marrakech obteve-se um acordo quanto aos 
aspectos técnicos do Protocolo de Quioto. 
Em novembro de 2004, com o apoio da Rússia, superou-se a 
famosa cifra de 55% e noventa dias depois entrou em vigor o 
Protocolo de Quioto. A partir desse momento, os países firmantes 
deverão reduzir suas emissões em 5,2% entre os anos 2008 e 
2012 com relação aos valores de 1990. No caso de não 
consegui-lo, o país descumpridor deverá multiplicar essa 
quantidade por 1,3 no período seguinte. 
O esgotamento da camada de ozônio 
Generalidades 
Constitui outro dos problemas atmosféricos globais, também 
produto da poluição antropogênica. Trata-se da dissipação da 
112 
 
camada de ozônio, situada a aproximadamente 20-50 km da 
superfície da Terra, e que é a responsável por proteger o planeta 
das radiações solares ultravioleta. 
Tal como se verá a seguir, a emissão de compostos clorados na 
atmosfera, produto das atividades industriais, terão muito a ver 
com a problemática. 
 
O gás ozônio 
O ozônio - do grego ozein (oler) - é um gás aromático, incolor em 
pequenas quantidades, mas com uma tonalidade azulada quando 
em grandes concentrações. É um composto de oxigênio cuja 
molécula tem três átomos (O3). Por ser diferente dos dois do 
oxigênio comum, é quimicamente instável e muito vulnerável a 
componentes que contenham nitrogênio, hidrogênio ou cloro, os 
quais o podem destruir. 
Esse gás pode ser encontrado tanto na estratosfera (entre 20 e 
50 km a partir da superfície terrestre), em uma proporção de 
0,0001%, onde as radiações ultravioletasdo sol (UV) 
decompõem as moléculas de oxigênio em átomos, os quais, por 
sua vez, combinam-se com outras moléculas de oxigênio para 
formar o ozônio; quanto na camada inferior da atmosfera ou da 
troposfera (entre a superfície terrestre e os 10 km de altura), onde 
constitui um perigoso veneno que pode afetar o sistema 
respiratório e a vegetação. 
As moléculas de ozônio se criam e se destroem continuamente 
de forma natural na atmosfera. 
Durante o processo de decomposição das moléculas de oxigênio 
em átomos livres e posterior formação do ozônio, libera-se calor e 
destroem-se os raios ultravioletas UVC, os quais são, muito 
prejudiciais aos seres vivos. Esta produção de energia é a causa 
da inversão térmica que se produz nos primeiros níveis da 
estratosfera, chegando-se a alcançar temperaturas de até 30°C. 
Definitivamente, o ozônio estratosférico atua como um manto 
protetor da Terra ao absorver as radiações ultravioletas UVB e 
UVC (radiações solares de alta energia e baixo comprimento de 
onda), prejudiciais aos seres vivos. 
113 
 
No início da década de 1970 foi dado sinal de alarme quanto ao 
emprego massivo de diversos gases constituintes de cloro 
(CFCs), que chegavam inalterados à estratosfera e que, 
catalisados pelas radiações solares, eram decompostos em 
átomos livres, provocando reações em cadeia que destruíam o 
ozônio. No entanto, apenas em 1985 a comunidade internacional 
tomou senso da seriedade do problema, à luz de alguns estudos 
que demonstravam a perda de até 50% do ozônio estratosférico 
situado acima da Antártida. 
Além dos clorofluorocarbonos, há outros gases que deterioram a 
camada de ozônio, como os óxidos nitrosos, liberados pelos 
aviões supersônicos nos níveis superiores da estratosfera ou 
pelos pesticidas à base de brometo de metilo. 
Os efeitos imediatos de uma redução da camada de ozônio são 
uma maior incidência do câncer de pele ou cegueira, alterações 
nas colheitas e sobretudo no fitoplâncton, base da cadeia trófica 
dos oceanos. 
 
O problema do buraco na camada de ozônio na Antártida 
Apesar de se entrechocarem diferentes teorias, tudo aponta o 
emprego dos CFCs (clorofluorocarbonos), ou seus substitutivos, 
como os principais responsáveis pela destruição do manto 
protetor que cobre a Terra. 
Os clorofluorocarbonos foram criados no final dos anos 20. Sua 
descoberta representou toda uma revelação, já que reuniam tudo 
o que se pode exigir de um produto químico: estável, não 
corrosivo, atóxico e não inflamável. Assim, iniciou-se sua 
comercialização massiva como espumantes, refrigerantes e 
solventes. 
O caráter inerte desses compostos - uma boa característica em 
camadas baixas da atmosfera - permite-lhes alcançar a 
estratosfera inalteráveis, onde podem perdurar entre 70 e 180 
anos. Uma vez ali, e graças à radiação ultravioleta (UVC), 
rompem suas ligações químicas, liberando o átomo de cloro. Este 
pode roubar um átomo de oxigênio do ozônio para formar uma 
molécula de monóxido de cloro (ClO), que ao reagir com o 
oxigênio monoatômico, proporciona oxigênio diatômico e cloro 
livre para começar novamente o ciclo destrutivo (figura 3.5). 
114 
 
Apenas um átomo de cloro pode destruir até 100.000 moléculas de 
ozônio. 
 
Em 1974, Molina e Rowland - premiados, em 1995, com o Nobel 
de Química - informaram sobre os possíveis efeitos destrutivos 
dos CFCs sobre a camada de ozônio. Essas suspeitas foram 
confirmadas, em 1982, quando o cientista japonês Sigeru 
Chuchabi detectou pela primeira vez uma concentração 
anormalmente baixa deste gás durante sua estadia na estação 
antártica de Syowa. 
Em 1985, cientistas britânicos constataram que se havia 
produzido uma perda média de 50% do ozônio sobre o Pólo Sul 
durante as longas noites da primavera austral (de setembro a 
dezembro). Este fato desconcertava os estudiosos sobre o tema, 
pois a diminuição drástica do ozônio somente ocorria nessa parte 
do planeta e nessa época do ano. 
A figura 3.6 apresenta um desenho ilustrativo das magnitudes e 
das áreas que o buraco da camada de ozônio pode alcançar. 
115 
 
 
 
Por outro lado, dava-se a circunstância de que se os poluentes 
eram emitidos majoritariamente no hemisfério norte (Europa, 
Rússia, China, Japão e EUA) e seus efeitos se evidenciavam nas 
zonas meridionais, era porque as correntes de vento haviam 
arrastado os CFCs aos pólos; assim, a estratosfera continha uma 
divisão aproximadamente homogênea do conteúdo de cloro em 
todas suas latitudes e, em conseqüência, todas as zonas eram 
potencialmente vulneráveis a sofrer os efeitos dos poluentes. 
Deve-se buscar a explicação para o fato de na zona antártica o 
esgotamento da camada de ozônio ser mais evidente que em 
outras latitudes nas propícias condições orográficas e 
climatológicas apresentada por essa região para a destruição 
desse gás: 
- o frio intenso e as peculiaridades terrestres do Pólo Sul 
(grandes extensões de terra rodeadas de mar) favorecem a 
formação das denominadas nuvens polares estratosféricas 
(NPE), que constituem o substrato sobre o qual se produzem as 
reações químicas que liberam os átomos de cloro; 
- na Antártida, os ventos giram ao redor do "vórtice polar", 
favorecendo o isolamento das massas de ar detido do vórtice, o 
116 
 
que faz com que a temperatura desse ar diminuiu continuamente 
ao longo do inverno. 
Apesar de na zona ártica o efeito destruidor da camada de ozônio 
também se produzir, as conseqüências não são tão graves. 
Com efeito, nessa região a circulação dos ventos fortes e quentes 
permite o contato com a massa de ar estancada no vórtice, 
elevando as temperaturas. Este fato, unido à diferente 
distribuição do relevo terrestre em relação à Antártida, fazem com 
que a presença das NPEs não seja tão acentuada. 
O tamanho do buraco na camada de ozônio na Antártida tem 
sofrido importantes variações ao longo da última década. Desta 
forma, em 1989, abrangia toda a superfície do continente 
antártico, constatando-se reduções da concentração de O3 de 
até 20% nas latitudes próximas a Nova Zelândia. No entanto, o 
buraco nos anos 2000 e 2003 foram os mais extensos registrados 
até agora (tabela 3.2). 
 
 
Em nível mundial, também se produz um esgotamento da 
camada de ozônio, porém, sem a relevância que alcança na 
Antártida. Por exemplo, em algumas regiões do hemisfério norte, 
registram-se diminuições de até 8% por década conforme a 
época do ano. De forma semelhante, no hemisfério sul algumas 
reduções da camada de ozônio ultrapassaram 6% por década, 
sobretudo em países como Nova Zelândia. 
117 
 
 
 Regeneração da camada de ozônio 
 
A regeneração da camada de ozônio acontece de maneira 
natural durante o verão. Nessa estação do ano, o ar fresco 
procedente de outras latitudes permite a recuperação dos níveis 
de ozônio. No entanto, com a chegada da primavera austral, o 
buraco volta a se formar. 
A Unidade Dobson (UD) é uma espessura teórica da camada de 
ozônio e é utilizada como uma medida da quantidade de 
moléculas de ozônio na estratosfera. Os valores normais de 
ozônio na estratosfera sobre a Antártida são da ordem das 350 
UD. Quando a quantidade de ozônio diminui a valores de 220 
UD, considera-se crítica a situação em função dos conseqüentes 
aumentos de radiação UV-B, implicando sérios riscos à saúde 
humana. Essa área com valores de ozônio inferiores a 220 UD é 
a que se denomina "buraco de ozônio". 
Os níveis da camada de ozônio se medem em unidades Dobson, 
de forma que 100 unidades Dobson correspondem a 1 mm de 
ozônio comprimido. 
Embora sejam eliminadas drasticamente as emissões de cloretos 
e brometos à atmosfera, o problema persistiria na estratosfera 
durante muitos anos. Considera-se que os CFCs ou seus 
substitutivos demoram até dez anos para alcançar a baixa 
estratosfera, ondeestá a maior concentração de ozônio. Por 
outro lado, dado o ritmo atual de emissões, é provável que o 
esgotamento da camada de ozônio se estenda a outras zonas 
além da do continente antártico. 
Têm-se buscado substitutos para os CFCs empregados nos 
sistemas de climatização e refrigeração, como os 
hidrofluorocarbonos (HFC) e os hidroclorofluorocarbonos 
(HCFCs). Estes últimos compostos destroem menos moléculas 
de ozônio que os CFCs, no entanto, sua velocidade de destruição 
é superior. Além disso, ambos contribuem em grande parte para 
o efeito estufa. Outras medidas substitutivas estão baseadas no 
emprego de GLPs, que são prejudiciais à camada de ozônio ao 
necessitar de cloro, de amoníaco e hidrocarbonetos, como o 
butano ou o propano, os quais apesar de serem tóxicos e 
inflamáveis, utilizam-se nos frigoríficos Greenfreeze. 
118 
 
Os compostos halogenados (halon) contidos nos extintores 
podem ser substituídos por água sem perder eficácia na 
utilização. 
Essas substâncias são usadas, na maioria das ocasiões, como 
soluções temporárias para poder cumprir as exigências atuais do 
Protocolo de Montreal e outras diretrizes ambientais, até que se 
descubram outros compostos que não sejam prejudiciais à 
camada de ozônio e atendam melhor aos demais requisitos 
técnicos necessários. 
Seguindo esta linha, as indústrias trabalham sobre como influir 
nos processos de fabricação, com o objetivo de buscar métodos 
alternativos que reduzam a emissão destes produtos. 
Da mesma forma que nas questões relacionadas à mudança 
climática, não se sabe exatamente até que ponto se pode 
produzir a regeneração da camada de ozônio. No entanto, pelos 
graves efeitos que pode provocar o desaparecimento do ozônio 
estratosférico sobre a vida na terra, cabe adotar as medidas que 
sejam oportunas para pôr fim a estas emissões. 
 
Situação atual do tamanho do buraco da camada de ozônio 
 
Segundo observações da Organização Meteorológica Mundial 
das Nações Unidas de 1 de setembro de 2005, "o buraco de 
ozônio" já tem alcançado uma superfície de 22 milhões de km2, e 
as previsões indicam que alcançará uma superfície de 26 milhões 
de km2, sendo sua evolução similar à dos maiores "buracos" da 
história, acontecida nos anos 2000 e 2003. (Para se ter uma idéia 
comparativa, a superfície dos Estados Unidos é de 
aproximadamente 10 milhões de km2 e a da Antártida, de 14 
milhões de km2). 
 
Acordos e compromissos 
 
O alarme social gerado a partir da descoberta do buraco da 
camada de ozônio na Antártida desencadeou a conscientização 
do problema pela ecomunidade internacional e adoção de uma 
série de medidas tendentes à redução dos CFCs, e outros gases 
prejudiciais constituintes de bromo, como os halons. 
119 
 
Em 1987, firmou-se o Protocolo de Montreal, que contou com o 
apoio do programa ambiental das Nações Unidas. Esse acordo 
foi firmado por 24 países e pela UE, sendo posteriormente 
ratificado por 150 países. 
O objetivo fundamental do Protocolo era reduzir as emissões de 
CFCs dos países industrializados a 50% para o ano 2000 e o 
congelamento da produção e do emprego dos halons antes de 
1992. 
Por causa do crescente aumento da radiação ultravioleta no nível 
da superfície terrestre, tal acordo foi modificado em 1990, em 
Londres, com o objetivo de obter a eliminação total dos halons e 
dos CFCs para o ano 2000, e, posteriormente, em 1992, em 
Copenhague, para adiantar a agenda de eliminação dos halons 
em 1994 e a dos CFCs aos finais de 1995 (data que o Conselho 
de Ministros de meio ambiente da UE adiantou em 31 de 
dezembro de 1994). Neste último acordo foram impostas cotas de 
emprego do brometo de metilo, utilizado de forma massiva como 
praguicida. 
Em dezembro de 1993, a reunião do Conselho de Ministros de 
meio ambiente da UE adotou as seguintes disposições: 
1. interrupção da produção dos HCFCs para finais do ano 2014; 
2. a primeira escala de redução na produção dos HCFCs estaria 
fixada para o ano 2004 e representaria 35% menos que em 1989; 
3. a proibição do emprego dos HCFCs na refrigeração doméstica 
e na climatização do automóvel a partir de 
1/1/1996. 
4. a proibição do emprego dos HCFCs nas novas instalações de 
climatização e refrigeração que superem os 150 kW de potência, 
a partir do 1 de janeiro de 2000. 
 
O Acordo de Viena de 1995 significou a obrigatoriedade de 
erradicar do mundo industrializado a produção de brometo de 
metilo para o ano 2010, bem como a necessidade de envolver os 
países em desenvolvimento na eliminação total dos CFCs para 
essa mesma data. Este pode ser um tema difícil para as nações 
menos industrializadas, já que podem sofrer um retrocesso em 
120 
 
sua economia caso não se forneçam ou se produzam, com 
lentidão, outro tipo de soluções substitutivas. 
Como resultado das medidas aprovadas, em 1995, a produção 
mundial de CFCs diminuiu em 76% com relação ao máximo 
registrado em 1988. No entanto, países como a China ou a Índia 
continuam aumentando suas cotas de emissão apesar de 
haverem firmado os tratados. 
Um problema pendente é o atual mercado negro de CFCs, do 
qual participam vários países de economia precária, como os da 
antiga União Soviética, e possivelmente China, Índia e Tailândia. 
No comércio ilegal destes produtos - estima-se que 
correspondem a 1/5 das emissões - movimentam-se valores na 
ordem dos milhões de dólares. 
Durante o Dia Internacional da Preservação da Camada de 
Ozônio celebrado em 16 de setembro de 1999, Kofi Annam, 
então secretário geral da ONU, alertou para esse crescente 
mercado ilícito de gases clorados e aos 20 países que não têm 
ratificado os tratados internacionais relativos ao ozônio, 
apontando para o perigo de se cair em um certo conformismo ou 
complacência após os resultados obtidos na redução da emissão 
deste tipo de gases. 
As estimativas atuais apontam que se todos os países do mundo 
acatassem o Protocolo de Montreal, a camada protetora de 
ozônio começaria a se recuperar aos finais dos anos noventa, 
podendo alcançar a recuperação total em 2045. 
121 
 
 
Perda da Biodiversidade 
Uma das preocupações mais estendidas em todo o mundo 
científico e conservacionista é a progressiva perda de áreas 
naturais e de espécies, tanto da flora quanto de fauna. Esta 
perda, produzida em escala global, contrasta com o aumento das 
explorações desenfreadas dos recursos naturais da Terra. 
A transformação, alteração ou destruição dos ecossistemas 
naturais tem provocado o desaparecimento de habitats, sua 
fragmentação, a invasão de espécies introduzidas, a 
superexploração dos recursos e a contaminação, o que tem posto 
em perigo de extinção numerosas espécies e eliminado do 
planeta um bom número delas (CARABIAS & ARIZPE, 1994). 
A perda de biodiversidade, sobretudo nos ecossistemas 
ameaçados (por exemplo, ilhas e áreas úmidas), é irreversível na 
maior parte das vezes. Atualmente, não existe nenhuma 
tecnologia que permita criar novamente, ou pelo menos imitar, os 
ecossistemas, as espécies ou a grande maioria dos genes que 
estão desaparecendo. Se possível no futuro, seria exorbitante o 
custo de duplicar ecossistemas tão complexos e auto-regulados 
como os que se encontram na natureza (figura 3.8). 
122 
 
 
Figura 3.8: Vida em um recife de coral no Panamá. Seria impossível 
chegar a imitar com exatidão todos os processos ecológicos que se 
desenvolvem neste ecossistema. A complexidade dos organismos que 
o compõem e sua elevada produtividade são únicos na natureza. 
A perda de biodiversidade envolve muito mais que a redução do 
número total de espécies que povoam o planeta. A conservação 
dessas espécies não responde somente a argumentos éticos, 
mas representa a salvaguarda de múltiplos recursos: alimentos, 
medicamentos e matérias-primas atualmente utilizadas para a 
indústria,e, sobretudo, de outros desconhecidas. 
 
Acordos e compromissos 
 
Entre os convênios mais interessantes cabe destacar os 
seguintes: o Programa MAB (Homem e Biosfera) que, a partir de 
1974 cria as chamadas Reservas da Biosfera; a convenção 
relativa às áreas úmidas de importância internacional como 
habitat de espécies aquáticas (RAMSAR), cuja entrada em vigor 
data de dezembro de 1975; o convênio sobre o comércio 
internacional de espécies ameaçadas de fauna e flora silvestre 
(1975); o convênio sobre a conservação de espécies migratórias 
(1983); o convênio sobre biodiversidade, no marco da 1ª Cúpula 
da Terra (1992); o protocolo de proteção da Antártida (1991) e 
outros convênios de caráter latino-americano. 
 
Degradação do solo e desflorestamento 
A degradação do solo se define como a perda parcial ou total de 
sua produtividade, seja qualitativa e/ou quantitativa, como 
123 
 
conseqüência de processos tais como a erosão e a 
desertificação. 
Esse processo repercute diretamente sobre a agricultura, 
diminuindo o rendimento dos cultivos e dos recursos hídricos, e 
afetando gravemente outros setores econômicos e ambientais. 
As causas da degradação do solo são o resultado de uma 
interação complexa de um grande número de fatores associados 
quase sempre à atividade humana, como a má gestão dos 
recursos do solo, a mudança climática, fatores políticos e 
socioeconômicos, etc. 
A erosão é a principal forma de degradação de um solo. Define-
se como a perda gradual de terra, ao serem arrastadas as 
partículas superficiais que constituem o solo pela ação de 
diversos agentes erosivos (água, vento, temperatura, atividade 
biológica e humana). 
Em condições normais, a coberta vegetal protege o solo da ação 
da chuva e do vento, propiciando um equilíbrio entre a erosão e a 
formação do solo. No entanto, a substituição da vegetação 
natural de amplas zonas por explorações agrícolas intensivas tem 
rompido esse equilíbrio, especialmente quando as variações 
climáticas têm acompanhado esta circunstância. 
A desertificação constitui a última etapa no processo de 
degradação de um solo. Define-se como a perda progressiva dos 
ecossistemas, devido a agentes antrópicos e naturais, 
consistente em uma diminuição qualitativa e quantitativa dos 
sistemas vitais (solo, água e floresta), que leva a uma aridização 
e diminuição da produtividade biológica até a destruição do 
potencial biosférico. 
 
A desertificação, em última instância, pode converter o 
ecossistema em um deserto. 
Esse processo ocorre com mais freqüência nas regiões áridas, 
caracterizadas por uma permanente seca (1), escassa vegetação 
e com grandes contrastes de temperatura. 
124 
 
Segundo alguns autores, anualmente perdem-se 6 milhões de 
hectares de terreno cultivável, seja como conseqüência da 
desertização ou por outros usos do solo. 
 
PRINCIPAIS FATORES ANTROPOGÊNICOS QUE INFLUENCIAM 
NO FENÔMENO DA EROSÃO E DESERTIFICAÇÃO 
o Conversão do solo florestal no solo agrário. Nestas 
situações, aumenta em grande parte a erosão por 
escoamento e se produz a degradação e a substituição do 
ecossistema natural em equilíbrio com outro ecossistema 
artificial agrário muito mais simples e instável. 
o Excessiva tendência ao monocultivo ou à agricultura 
intensiva. 
o Mineralização e contaminação do solo. O uso de 
fertilizantes químicos, pesticidas e herbicidas rompe a 
estrutura do solo em dois sentidos: por um lado, 
mineralizam-no e empobrecem em matéria orgânica e, por 
outro lado, contaminam, aumentando o nível de produtos 
prejudiciais à vida vegetal. 
o Empobrecimento seletivo do solo, produzido pelo 
apetite seletivo de algumas espécies vegetais, plantadas 
pelo homem, de alguns nutrientes específicos do solo. 
o Aumento de população humana. 
o Desvastamentos massivos de montes e 
desflorestamento. 
o Trabalho excessivo. Em época de chuvas freqüentes, 
aumentam-se os cultivos e se estende a exploração dos 
solos, ultrapassando os níveis normais; desta forma, 
contribui para potencializar a aridez em posteriores 
períodos de seca. 
o Inadequadas técnicas florestais. 
125 
 
o Inadequado ordenamento do território. 
o Grandes obras públicas. 
o Incêndios florestais provocados. 
Outros fatores naturais, além dos puramente antropogênicos, que 
fomentam a degradação dos solos são: 
- as margens do deserto; 
- as zonas de forte lixiviação; 
- as catástrofes naturais; 
- as chuvas torrenciais ou ciclones. 
O deflorestamento é um problema ocasionado pela derrubada 
abusiva das florestas a uma velocidade maior que a própria 
regeneração ou reflorestamento. As repercussões climáticas 
dessa prática são evidentes: um aumento dos períodos de seca e 
uma diminuição das precipitações. 
Diferentemente do que acontece nas nações industrializadas, o 
problema do deflorestamento é bem mais problemático nos 
países em vias de desenvolvimento, pois nestes a madeira ainda 
constitui uma fonte de energia muito utilizada. Como exemplo, um 
dado: dos 460 metros de madeiras empregadas como 
combustível em 1990, 80% foram consumidas nos países em 
vias de desenvolvimento. 
Cerca de 2.000 milhões de pessoas em todo o mundo dependem 
da lenha como única fonte de energia. Os países em vias de 
desenvolvimento obtêm da madeira 17% do suprimento de suas 
necessidades totais de energia primária, enquanto essa 
quantidade pode chegar 70% nos países mais pobres; ao 
contrário, a contribuição da madeira para atender às 
necessidades de energia primária nos países desenvolvidos é de 
apenas 2%. 90% da madeira utilizada como combustível em todo 
o mundo é para combustão direta (2), enquanto os 10% restantes 
empregam-se majoritariamente para a obtenção de carvão 
vegetal. 
Anualmente, desmatam-se no mundo 13 milhões de hectares de 
floresta. 
 
126 
 
________________________ 
1 Os anticiclones quentes com seus céus despejados e seus 
ventos descendentes são os responsáveis pelos períodos de 
seca, ao atuar como "bloqueadores" dos fluxos de ar úmido que 
comportam as nuvens e chuvas. 
2 O rendimento é muito baixo, já que só se aproveita 10% da 
energia que contêm. 
 
Chuva Ácida 
Grande parte do dióxido de enxofre e dos óxidos de nitrogênio 
lançados na atmosfera, produto das atividades industriais, 
retornam à superfície da Terra em estado gasoso, principalmente 
sobre as zonas próximas às fontes de emissão ou sob forma de 
ácidos dissolvidos nas gotas da chuva. 
 
Origem e efeitos da chuva ácida 
 
Embora possa ter origens naturais diversas (erupções vulcânicas, 
putrefação de vegetais e plâncton, orvalho do mar, etc.), a chuva 
ácida se deve majoritariamente a causas antropogênicas, ou 
seja, a processos resultantes da exploração e do uso da energia, 
mais especificamente, à queima de combustíveis fósseis. 
Alguns dos gases que se desprendem da combustão do petróleo 
e do carvão, em particular o dióxido de enxofre (SO2) e os óxidos 
de nitrogênio (NOx), podem-se depositar a seco e serem 
absorvidos diretamente pela terra, lagos ou vegetação (deposição 
seca), ou permanecer na atmosfera e oxidar-se graças à ação de 
agentes oxidantes (catalisadores), como o ozônio (O3), o 
peróxido de hidrogênio (OH-) ou o amônio (NH4 +). Desta 
maneira, o dióxido de enxofre se converte em ácido sulfúrico 
(H2SO4) e os óxidos de nitrogênio em ácido nítrico (HNO3). 
Geralmente, os ácidos formados se dissolvem nas gotas de 
nuvens e névoas, podendo percorrer grandes distâncias antes de 
precipitar sob forma de chuva, neve, névoa ou granizo (deposição 
úmida). 
Na figura 3.10, ilustra-se o processo de formação da chuva ácida. 
 
127 
 
 
 
Os ácidos dissolvidos na água aparecem principalmente sob 
forma de íons (SO4=, NO3 - e H+). O ácido nítrico libera um íon 
hidrogênio, enquanto da reação do sulfúricoresultam dois íons; 
assim, a acidez das precipitações será diretamente proporcional 
à concentração de íons hidrogênio presentes. 
O amoníaco (NH3) gerado a partir de processos naturais e da 
atividade humana é o protagonista do seguinte paradoxo: por um 
lado, neutraliza alguns íons hidrogênio e, por outro, da reação 
resulta o íon amônio (NH4 +), que catalisa a formação de ácidos. 
Pode-se considerar a chuva limpa naturalmente ácida, já que seu 
pH é próximo a 5,6. 
128 
 
Ao precipitar, a chuva ácida libera metais pesados (Pb, Al, Hg, V, 
Cd...) e íons (H+, NH4 +, NO3, SO4=), acidificando (1) os lagos e 
favorecendo a proliferação de algas verdes que acabam com a 
vida lacustre. Assim, as florestas se danificam seriamente pelos 
efeitos sobre as folhas das plantas (folhagem desigual e escassa, 
incapaz de realizar a fotossíntese com eficácia), pelas perdas de 
nutrientes essenciais e pelo aumento de metais tóxicos que 
danificam as raízes e os microorganismos do solo. 
Os efeitos da chuva ácida também podem ser observados sobre 
as estruturas metálicas dos edifícios sob forma de corrosão, e, 
inclusive, sobre a saúde das pessoas. Com efeito, os 
hidrocarbonetos emitidos pelos tubos de escape dos automóveis 
reagem com os óxidos de nitrogênio e produzem ozônio, que, 
embora tenha um valor incalculável na estratosfera, em níveis 
superficiais provoca problemas respiratórios e acelera a formação 
da chuva ácida. 
A deposição seca é uma variante do fenômeno da chuva ácida, e 
consiste na precipitação dos óxidos como gases ou pequenas 
partículas diretamente sobre o solo, lagos ou florestas. Sua ação 
costuma ser de curto alcance, afetando principalmente as zonas 
próximas ao ponto emissor, embora, conforme as condições 
meteorológicas favoráveis, possam se depositar a grandes 
distâncias. 
São constrastantes os efeitos da chuva ácida em diversas 
localizações. Por exemplo, tem-se evidenciado o aumento de 
acidez dos lagos da Escandinávia, do nordeste dos Estados 
Unidos e do sudeste do Canadá, bem como as repercussões 
sobre o tamanho e a diversidade da população de peixes. O 
fenômeno da chuva ácida também tem-se relacionado com os 
danos surgidos nas florestas do norte da Europa e nordeste dos 
Estados Unidos. 
____________ 
1 O pH da chuva ácida oscila entre 4,5 e 5,6, no entanto, em 
algumas ocasiões pode diminuir até 3. 
 
O enxofre como poluente 
Conforme mencionado anteriormente, a principal origem da 
chuva ácida é de natureza antropogênica, e deve em sua maior 
129 
 
parte à combustão do carvão e do petróleo cru que, em função de 
sua origem, contém uma concentração de enxofre que varia entre 
0,5% e 5%. No carvão, as concentrações deste poluente variam 
em uma categoria mais ampla. Por outro lado, o gás natural 
contém uma proporção muito pequena de enxofre, de forma que 
geralmente não intervem no fenômeno da chuva ácida. 
Os compostos de enxofre são responsáveis por 2/3 do total da 
chuva ácida, sendo as emissões mundiais totais (naturais e 
artificiais) de dióxido de enxofre à atmosfera de aproximadamente 
170 milhões de toneladas por ano. 
Atualmente, na Europa são emitidas cerca de 30 milhões de 
toneladas anuais de dióxido de enxofre, das quais 80% provêm 
da combustão de petróleo bruto e carvão, enquanto 20% restante 
se associam a outros processos industriais. 
Os maiores poluentes mundiais são Grã-Bretanha, EUA e a 
antiga União Soviética, sendo os problemas associados à chuva 
ácida especialmente graves na Europa do Leste, por causa da 
emissão de grandes quantidades de SO2 procedentes do 
emprego de lignitos -conteúdos de enxofre de até 14%- nas 
centrais termoelétricas. 
 
O nitrogênio como poluente 
 
Os principais compostos nitrogenados que contaminam a 
atmosfera são o monóxido de nitrogênio (NO) e o dióxido de 
nitrogênio (NO2), que costumam se agrupar sob a denominação 
NOx. 
A origem desse tipo de emissões pode ser natural (decomposição 
química de nitratos, relâmpagos, etc.) ou antropogênica 
(combustão de carburantes fósseis). Conjuntamente, essas 
emissões que são liberadas anualmente no mundo representam 
86 t de poluentes à atmosfera. 
Esses óxidos, responsáveis por 1/3 do total da chuva ácida, 
formam-se em todo tipo de combustões a alta temperatura, em 
parte pelo conteúdo em nitrogênio do próprio combustível (carvão 
ou madeira) ou pela oxidação do nitrogênio do ar de combustão. 
Os principais causadores das emissões de óxidos de nitrogênio à 
130 
 
atmosfera são os motores dos veículos destinados ao transporte 
rodoviário. 
Nos países escandinavos, as duas terças partes das emissões 
totais de NOx procedem dos veículos de 
transporte. 
Do mesmo modo, certos tipos de fertilizantes constituem uma 
fonte de compostos nitrogenados contaminantes que podem levar 
a uma superfertilização do solo, acarretando danos na vegetação 
e na eutrofização das águas subterrâneas. 
 
Conseqüências da acidificação sobre o meio ambiente 
A acidificação pode afetar as águas subterrâneas, os solos, a 
flora, a fauna e a saúde humana, entre outros. 
 
 
Acidificação das águas subterrâneas 
 
A origem da acidificação das águas provém em 90% da infiltração 
e da lixiviação da água da chuva no solo, o que afeta as camadas 
freáticas e, desta forma, os rios e lagos. Apenas 10% restante 
estão diretamente relacionados à chuva ou à neve. 
As águas dos lagos afetados pela acidificação são claras e pouco 
turvas, em virtude da precipitação do plâncton no fundo. 
Assim, a diminuição do pH favorece a presença de metais como 
o mercúrio ou o alumínio livre (1), causador do envenenamento 
da fauna aquática. 
____________________ 
1 O alumínio unido a diversos minerais constitui um dos 
elementos mais abundantes da crosta terrestre. No entanto, 
torna-se extremamente solúvel em meios ácidos. 
 
Acidificação dos solos 
131 
 
Uma vez produzida a deposição dos contaminantes no solo, 
estes podem ser absorvidos pela terra ou pelos vegetais, 
deslocar-se ou incorporar-se às águas continentais. 
A acidificação do solo é um processo mais lento que o descrito 
anteriormente. No entanto, é mais difícil seu tratamento que na 
contaminação das águas. 
Por exemplo, o SO2 pode se transformar em H2SO4 de duas 
maneiras diferentes: nas folhas das plantas, após absorver a 
água da chuva ou diretamente no solo. Da mesma forma, pode 
constituir compostos orgânicos ao reagir com a matéria desta 
mesma natureza presente no solo. 
Tanto o ácido sulfúrico quanto a decomposição dos sais 
amoniacais (NH4)2 SO4 acidificam o solo, provocando uma 
diminuição nos níveis de potássio, cálcio e magnésio, 
constituintes dos nutrientes do solo. 
Em uma zona muito castigada pela chuva ácida, como no caso 
do sul da Escandinávia, chega-se a valores de pH de entre 1 e 
0,3. 
A acidificação não apenas ocorre nos estratos superficiais do 
solo, mas pode-se estender a profundidades de até 1 m. 
Nesse tipo de solo, os fungos substituem as bactérias e demais 
organismos decompositores presentes no solo, com o que se 
produz uma desaceleração na mineralização (1) da matéria 
orgânica. 
A solubilidade dos nutrientes é favorecida na medida em que o 
solo é mais ácido, condição na qual não podem ser aproveitados 
pelas plantas: por isso, não é conveniente agregar resíduos 
orgânicos a um solo ácido, já que desta forma se contribui ainda 
mais para a solubilização desses metais. 
________________ 
1 Consiste na liberação gradual dos elementos nutritivos do solo 
em diferentes formas inorgânicas como cálcio, sódio, magnésio, 
potássio e fósforo. 
 
Efeitos sobre a flora, a fauna e a saúde humana 
132 
 
 
Embora seja muito difícil estabelecer uma relação entre o tipo de 
dano e a causa que o tem provocado, é certo que a corrosão do 
depósito seco de dióxido de enxofreexerce efeitos diretos sobre 
a gordura protetora das folhas das árvores. Por exemplo, os 
abetos e os pinos afetados pela chuva ácida apresentam uma 
descoloração e perda de suas folhas, bem como uma 
deterioração de suas raízes. 
Os musgos e os líquens também são gravemente afetados, já 
que absorvem a água diretamente através de suas folhas. Essas 
espécies são alguns indicadores diretos da contaminação 
atmosférica. 
Há outros efeitos indiretos sobre as árvores, resultado da 
acidificação do solo, como a redução de nutrientes e liberação de 
outros compostos prejudiciais. 
As mudanças na composição e na estrutura da vegetação 
incidirão diretamente sobre a fauna. Efetivamente, o efeito da 
chuva ácida se manifesta no ciclo reprodutivo dos pequenos 
pássaros que habitam nas proximidades das águas acidificadas, 
bem como nos herbívoros, que acumulam grande quantidade de 
metais pesados ao ingerir as plantas afetadas. 
Por exemplo, em algumas zonas da Holanda, os pássaros botam 
cada vez mais ovos com cascas mais finas por que a chuva ácida 
reduz a quantidade de caracóis, que são sua principal fonte de 
cálcio. 
Embora não esteja provado que as águas subterrâneas ácidas 
sejam por si mesmas prejudiciais à saúde, o certo é que a 
concentração de metais pesados, como o alumínio e o cádmio, 
reduz notadamente o pH a valores inferiores a 5. Esses 
elementos podem provocar graves danos nos sistemas cerebral, 
renal e ósseo. 
 
Medidas preventivas e corretivas a adotar para reduzir os efeitos 
da chuva ácida 
 
Para mitigar os efeitos da chuva ácida nas águas continentais, 
133 
 
costuma-se adicionar uma base, que provoca um aumento do pH 
e origina a precipitação e uma posterior sedimentação do 
alumínio e outros metais no fundo do lago. Essa medida permite 
restituir as condições da flora e da fauna do lago. No entanto, a 
acumulação de metais tóxicos nos leitos dos cursos dos rios 
provoca o surgimento de numerosos problemas. 
Em relação às águas subterrâneas, pode-se combater a acidez 
mediante a colocação de um filtro, próximo do fundo do poço 
escavado para tal fim, com o objetivo de atuar como 
neutralizante. 
Estas medidas são efetivas para um curto período de tempo e, 
geralmente, têm um caráter corretivo mais que preventivo. 
A maioria das soluções tendentes a minimizar o problema da 
chuva ácida tem um elevado custo econômico que, a princípio, 
não é coberto pelo agente poluente. 
Atualmente, a solução para esse problema passa pela limitação 
das emissões de gases poluentes à atmosfera, sendo necessário 
empregar uma tecnologia desenvolvida na queima de 
combustíveis fósseis e na limpeza dos gases desprendidos. 
Há diversas técnicas para reduzir as emissões de SO2 nos 
processos de combustão do carvão. Nas centrais térmicas de 
carvão convencionais, o fluxo de gases procedente da combustão 
circula através de um filtro de carbonato de cálcio para, desta 
forma, absorver o enxofre e produzir sulfato de cálcio ou 
GYPSUM. Esse processo tem a desvantagem de diminuir a 
eficiência termodinâmica global na geração de eletricidade, 
ocasionando um leve aumento das emissões de CO2 produzidas 
por unidade de energia. 
Outras tecnologias mais desenvolvidas se fundamentam na 
combustão pressurizada de carvão com baixo conteúdo em 
enxofre no leito fluido, bem como na realização de mudanças nos 
métodos de combustão; por exemplo, a utilização de 
queimadores de baixa produção de NOx requer um menor 
excesso de oxigênio, tempos mais curtos de combustão e 
menores temperaturas. 
Outras alternativas se baseiam na purificação das fumaça 
mediante métodos catalíticos, que permitem a reação dos óxidos 
134 
 
de nitrogênio com amoníaco para proporcionar nitrogênio, gás e 
água. 
Uma alta porcentagem dos óxidos de nitrogênio emitidos à 
atmosfera provém das combustões dos veículos a motor. Neste 
caso, impõem-se medidas tais como um desenho adequado do 
motor, que permita uma combustão mais completa possível; a 
redução do trânsito por rodovia, o estabelecimento de limites de 
velocidade ou o emprego obrigatório de catalisadores (1). 
 
_________________ 
1 Dispositivo que permite transformar mais de 90% dos óxidos de 
nitrogênio, hidrocarbonetos e monóxido de carbono em 
nitrogênio, dióxido de carbono e água. 
 
 
Acordos e compromissos 
 
O primeiro passo para reduzir de forma progressiva a 
contaminação atmosférica ocorreu em novembro de 1979 quando 
se firmou a Convenção sobre Contaminação Transfronteriça em 
Genebra, que entrou em vigor em 16 de março de 1983 e foi 
ratificada por 24 países. 
Posteriormente, em julho de 1985, 21 países firmaram o 
Protocolo para o Controle das Emissões de Dióxido de Enxofre, 
que entrou em vigor em 2 de setembro de 1987. Seu objetivo era 
reduzir em 30% as emissões de SO2 para o ano de 1993. Assim, 
constituía-se o denominado Clube dos 30%. Semelhantemente, 
em outubro de 1985, 25 países acordavam em congelar suas 
emissões de NO2 para que estas atingissem, em1994, o mesmo 
nível que tinham em 1987. 
Com o objetivo de cumprir os compromissos firmados no 
Protocolo de Quioto de 1987, a União Européia elaborou um 
programa de ação denominado "Estratégia de Acidificação", a 
qual tratava de limitar o conteúdo em enxofre de alguns 
combustíveis líquidos derivados do petróleo. 
A falta de cumprimento determinou que o V Programa da União 
Européia contemplasse, como um de seus objetivos, a redução 
135 
 
em 30% dos níveis de NOx e de 35% nos de SO2 para o ano 
2000. 
Atualmente, este é o campo de atuação da Comunidade Européia 
em matéria de meio ambiente para o qual há mais legislação e no 
qual tem-se avançado mais. No entanto, os resultados não são 
ainda suficientes, dado que os problemas de saúde e meio 
ambiente ainda persistem ou pioram. 
A névoa fotoquímica 
A combustão imperfeita dos combustíveis fósseis gera, além do 
dióxido de carbono, outros compostos como monóxido de 
carbono (CO), constituintes de nitrogênio e enxofre e 
hidrocarbonetos inqueimáveis. 
Esta situação é especialmente grave quando os poluentes são 
liberados na denominada zona de inversão térmica, na 
troposfera. Essa região - em zonas próximas à superfície 
terrestre costuma-se situar entre 30 m e 40 m - caracteriza-se por 
apresentar uma mudança no padrão de comportamento da 
temperatura conforme a altitude, de forma que se inverta a 
tendência normal de declínio da temperatura com a altura. 
 
A zona de inversão térmica se produz quando uma massa de ar 
quente fica acima de outra massa de ar frio, de forma que esta 
não tem a possibilidade de se elevar. Com isso, impede-se a 
circulação vertical do ar, com o consequente estancamento dos 
contaminantes em tal camada fria ou de mistura (1). 
As razões pelas quais uma massa de ar quente se sobrepõe a 
outra de ar frio estão estreitamente relacionadas com as 
condições meteorológicas e orográficas do lugar. Desta forma, 
136 
 
podem-se produzir inversões durante as noites claras de inverno 
e sem vento (inversão térmica ou de radiação), em situações 
anticiclônicas (inversão de subsidência) ou por deslocamentos de 
ar paralelos à superfície da Terra (inversão advectiva). 
Assim, as condições do terreno podem propiciar a formação de 
tal fenômeno, como, por exemplo, no caso de um vale ou em 
depressões de terreno rodeadas de montanhas. 
As inversões térmicas ou de radiação contribuem para o 
surgimento da névoa fotoquímica ou "smog" que aparece sobre 
as cidades e áreas industriais na primeira hora da manhã. Com 
efeito, o início diário da atividade humana (trânsito, indústrias, 
calefações, etc.) faz com que grandes quantidades de poluentes 
fiquem retidos na camada de mistura, abaixo da zona de inversão 
térmica. 
Quando a Terra se aquece por causa da radiação solar, a 
inversão térmica se anulaao aquecer-se a camada de ar mais 
próxima da superfície. No entanto, as condições de forte 
insolação provocam a reação dos hidrocarbonetos e dos óxidos 
de nitrogênio, com a consequente formação de oxidantes como o 
ozônio ou os nitroperóxidos de acilo (NPA). 
No nível do solo, o efeito dos oxidantes provoca problemas 
respiratórios e efeitos negativos sobre a fotossíntese dos 
vegetais. 
As cidades -sobretudo quando cercadas de montanhas- são 
especialmente suscetíveis de sofrer o "smog" fotoquímico, pois a 
intensa atividade humana propicia o aparecimento das 
denominadas ilhas de calor, onde se criam algumas condições 
adequadas para a formação de nuvens e névoas. 
O fim de uma situação de névoa fotoquímica ocorre graças à 
ação do vento, ao dispersar todo o manto de poluição para o 
exterior. 
Na hora de implantar uma área industrial nos arredores de uma 
cidade, é conveniente realizar um estudo prévio da orografia e 
das correntes de vento do lugar. 
137 
 
Atualmente, em algumas das maiores cidades do mundo onde o 
fenômeno do "smog" tornou-se cotidiano, tem-se começado a 
tomar as primeiras iniciativas com o fim de tentar resolver esta 
situação. Por exemplo, em alguns lugares, é habitual a limitação 
e o controle do tráfico rodoviário com revesamento de veículos 
conforme a matrícula. 
 
_________________ 
1 A camada de mistura é a que se encontra imediatamente 
abaixo da zona de inversão térmica. Diferentemente desta última, 
nela podem ocorrer movimentos verticais de ar. 
Produção e consumo 
Novas pautas de produção e consumo 
 
Muitos dos problemas ambientais atuais são o resultado das 
pautas de produção e consumo das pessoas que não são pobres 
e que vivem, geralmente, nos países ricos. Os países ricos 
utilizam uma grande quantidade de combustíveis fósseis e 
esgotam muitas das reservas pesqueiras do planeta, danificando 
o meio ambiente. Além disso, registram altos níveis de demanda 
de madeiras exóticas e produtos derivados de espécies em 
perigo de extinção. 
Para garantir a sustentabilidade da terra e dos recursos, bem 
como as perspectivas de desenvolvimento dos países pobres, 
essas pautas de produção e consumo tão prejudiciais devem 
mudar. É necessário que os sistemas de energia reduzam 
consideravelmente suas emissões de gás de efeito estufa. 
A superexpansão do consumo danifica o meio ambiente através 
das emissões de resíduos poluentes gerados pela produção 
desses bens. O esgotamento e a degradação crescente dos 
recursos renováveis também debilitam os meios de vida. Nos 
últimos 50 anos, as emissões de dióxido de carbono têm-se 
quadruplicado e a maior parte de tal aumento tem-se produzido 
nos países ricos. 
Os países ricos, por contribuir em maior medida para a 
degradação ambiental e por possuir maiores recursos financeiros 
e tecnológicos, devem assumir a maior parte da responsabilidade 
138 
 
dos problemas ambientais. Esses países também devem ajudar 
os pobres a buscar um desenvolvimento ambientalmente 
sustentável. 
 
 
Produção limpa 
 
Com o crescimento industrial experimentado no século XX e no 
atual, a proliferação do uso de fontes de energia não renováveis 
e poluentes e os danos sobre o ecossistema global e sobre a 
saúde humana como conseqüência da contaminação têm 
crescido dramaticamente. 
Esse modelo industrial não é ecologicamente sustentável no 
tempo e não pode atender as necessidades básicas de toda a 
humanidade. São amostras disso a depredação de recursos 
naturais não renováveis para satisfazer o superconsumo de 
produtos descartáveis e desnecessários; a produção de bens 
gerando volumes exorbitantes de resíduos tóxicos e a 
consequente poluição dos rios, do ar e do solo; a irreversível 
extinção de espécies; o aumento da incidência de enfermidades 
por causas ambientais e o desaparecimento de solos férteis e 
produtivos ocasionando enormes desertos e maior pobreza. O 
modelo industrial tal como o conhecemos tem servido para 
satisfazer algumas necessidades humanas, mas também tem 
deixado uma enorme dívida com as gerações futuras e não tem 
mostrado ser capaz de satisfazer as necessidades de todos. 
É tempo para um novo paradigma, uma nova revolução nos 
sistemas de produção, que permita satisfazer as necessidades 
vitais de todos, sem pôr em perigo a sobrevivência dos 
ecossistemas do planeta: a produção limpa é um dos desafios do 
século XXI. 
Os sistemas de produção limpa têm as seguintes características: 
- são não-contaminantes ao longo de todo o processo; 
- preservam a diversidade natural e cultural; e 
- não comprometem a capacidade das futuras gerações de 
satisfazer suas necessidades. 
As tecnologias atualmente disponíveis ainda estão muito 
distantes de representar uma solução rentável aos complexos 
139 
 
desafios ambientais. É preciso encontrar o modo de fornecer 
essas tecnologias às pessoas que mais necessitam, mas, além 
disso devem ser compatíveis com a natureza, ou seja, não 
poluentes de ar, solo e água, independentes dos grandes 
consórcios tecnológicos, e que sejam de fácil manejo e aplicação. 
Para melhorar as tecnologias contra os problemas ambientais, é 
necessário reorientar drasticamente as políticas de pesquisa e 
desenvolvimento. 
 
 
Consumo sustentável 
 
O consumo é um ato essencial e inevitável da vida humana e 
apresenta características particulares que ultrapassam as 
necessidades da vida biológica ou material. A satisfação das 
necessidades humanas tem três componentes: o utilitário, o de 
comunicação e o psicológico. 
O componente utilitário nem sempre determina a escolha; às 
vezes o ato de consumo está motivado pelo propósito de se 
comunicar com os outros, de demonstrar que se respeitam as 
convenções sociais, que se está na moda ou que se é 
completamente diferente. O componente psicológico impulsiona a 
consumir para se provar algo a si mesmo, para se assemelhar à 
imagem que se tem de si e se sentir bem consigo mesmo. 
O consumo desmedido das sociedades modernas implica o uso 
de elevadas quantidades de recursos naturais. Ao mesmo tempo, 
os atos de consumo comprometem todas as esferas da vida 
humana: a material, a social e a psicológica. Modificar os hábitos 
de compra da população é um objetivo indispensável para 
coadjuvar a proteção do meio ambiente, diminuir a contaminação 
e a geração de resíduos e promover um eficiente controle de 
energia, entre outras coisas. A aquisição de novos hábitos implica 
a modificação da cultura que faz consumir bens e serviços 
supérfluos, limitando-se apenas à satisfação das necessidades 
básicas e gerando novas formas de relação entre a população e 
o meio natural. Torna-se evidente que a educação é um 
instrumento catalisador através do qual se pode impulsionar e 
fomentar uma cultura da responsabilidade ambiental. 
140 
 
Tem-se esforçado muito para mudar os padrões de consumo 
desmedido; por exemplo, têm-se projetado tecnologias 
inovadoras para conseguir uma maior eficiência no uso da 
energia e dos materiais e na reciclagem de muitas matérias-
primas. 
Na indústria, promovem-se tecnologias mais limpas. Em muitos 
países têm-se realizado programas para compartilhar os veículos, 
para o consumo de alimentos frescos e para a compra de 
produtos de limpeza que não danifiquem o ambiente. Na 
fabricação de papel, têm-se produzido novos processos de 
alvejamento sem cloro. Com a execução desses processos, 
minimiza-se o uso dos recursos e diminui a quantidade de 
desperdícios. No entanto, é muito importante a participação dos 
consumidores, de forma sustentável, ou seja, antepondo-se ao 
ato de consumo - de idéias, produtos, bens, serviços - juizos de 
valores relativos ao impacto social, econômico, cultural e 
ambiental. Esses consumidores se sentem responsáveis pelas 
conseqüências de suas decisões e têm claro qual é precisamenteo espaço de poder a partir do qual podem gerar uma mudança 
política, econômica e social. 
O consumo sustentável trata de encontrar soluções viáveis aos 
desequilíbrios - social e ambiental - por meio de uma conduta 
mais responsável por parte de todos. Em particular, está 
relacionado com a produção, distribuição, uso e disposição de 
produtos e serviços. Proporciona os meios para repensar a 
respeito de seus ciclos de vida. O objetivo é certificar que se 
cubram as necessidades básicas da comunidade global em sua 
totalidade, que se reduzam os excessos e se evite o dano 
ambiental. 
Ambiente no Brasil 
A caracterização ambiental do Brasil não se restringe à descrição 
de seu espaço físico ou de sua distribuição populacional e 
política. Como vimos anteriormente, o conceito de meio ambiente 
deve incluir observações que levam em consideração a interação 
resultante entre a dinâmica dos processos naturais e humanos. 
 
141 
 
Biomas brasileiros - Natureza e impactos antrópicos 
 
O Brasil tem uma área de 8,5 milhões de km2, ocupando quase a 
metade da América do Sul. Possui várias zonas climáticas, que 
incluem o trópico úmido no norte, o semi-árido no nordeste e 
áreas temperadas no sul. Essas diferenças climáticas contribuem 
para a diversificação ecológica, formando zonas biogeográficas 
distintas chamadas biomas. 
A maior floresta tropical úmida (Floresta Amazônica) e a maior 
planície inundável (Pantanal) do mundo, além de savanas e 
bosques (Cerrado), das florestas semi-áridas (Caatinga), da 
floresta tropical pluvial (Mata Atlântica) e das florestas estacionais 
(Pampas), configuram biomas continentais brasileiros. 
 
O bioma continental brasileiro de maior extensão é o Amazônico, 
e o de menor extensão, o Pantanal. Esses dois ocupam juntos 
mais de metade do Brasil: o Bioma Amazônia, com 49,29%, e o 
Bioma Pantanal, com 1,76% do território brasileiro. 
Bioma é conceituado pelo IBGE (2005) como um conjunto de vida 
(vegetal e animal) constituído pelo agrupamento de tipos de 
vegetação contíguos e identificáveis em escala regional, com 
condições geoclimáticas similares e história compartilhada de 
mudanças, o que resulta em uma diversidade biológica própria. 
142 
 
 
Além destes biomas continentais, também a costa marinha 
brasileira, com 3,5 milhões de km2 (7.367 km de linha costeira), 
caracteriza-se como importante conjunto de ecossistemas que 
incluem recifes de corais, dunas, manguezais, lagoas, estuários e 
pântanos. A Zona Costeira abriga um mosaico de ecossistemas 
de alta relevância ambiental, cuja diversidade é marcada pela 
transição de ambientes terrestres e marinhos, com interações 
que lhe conferem um caráter de fragilidade e que requerem, por 
isso, atenção especial do poder público, conforme demonstra sua 
inserção na Constituição Brasileira, de 1988, como área de 
patrimônio nacional. 
Essa variedade de biomas reflete a riqueza da flora e da fauna 
brasileiras, tornando-as as mais diversas do mundo. O Brasil, 
neste sentido, é o país com a maior biodiversidade do planeta, 
contando com um número estimado de mais de 20% do total de 
espécies reconhecidas, sendo que muitas dessas são exclusivas 
no mundo (endêmicas). 
A flora brasileira contribui com 50 a 56 mil espécies descritas de 
plantas superiores, o que corresponde a cerca de 20% do total de 
143 
 
espécies conhecidas no mundo. Presume-se que haja no país 
algo entre 22 a 24% das espécies de árvores angiospermas 
(plantas com flores) do mundo. Possui, por exemplo, a maior 
riqueza de espécies de palmeiras (390 espécies) e de orquídeas 
(2.300 espécies). 
Diversas espécies de plantas de importância econômica mundial 
são originárias do Brasil, destacando-se dentre elas o abacaxi, o 
amendoim, a castanha do Brasil (também conhecida como 
castanha do Pará), a mandioca, o caju e a carnaúba. 
Você já ouviu falar do "Banco de Germoplasma", desenvolvido 
pela EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária -
que tem como objetivo recolher nas florestas brasileiras e 
catalogar as plantas com potencial para originarem outros 
produtos? Reflita sobre a importância desta iniciativa para 
manutenção da biodiversidade presente no Brasil. 
Quanto à diversidade de fauna, o Brasil também abriga o maior 
número de primatas com 55 espécies, o que corresponde a 24% 
do total mundial; de anfíbios, com 516 espécies; e de animais 
vertebrados, com 3.010 espécies de vertebrados vulneráveis, ou 
em perigo de extinção. Possui, também, 3.000 espécies de 
peixes de água doce, totalizando três vezes mais que qualquer 
outro país do mundo. 
Por outro lado, apresenta-se, no Brasil, não só a maior riqueza de 
espécies, mas, também, a mais alta taxa de endemismo. 
Uma em cada onze espécies de mamíferos existentes no mundo 
é encontrada no Brasil (522 espécies), juntamente com uma em 
cada seis espécies de aves (1.622 espécies), uma em cada 
quinze espécies de répteis (468 espécies), e uma em cada oito 
espécies de anfíbios (516 espécies). 
Muitas dessas espécies existem exclusivamente para o Brasil, 
com 68 espécies endêmicas de mamíferos, 191 espécies 
endêmicas de aves, 172 espécies endêmicas de répteis e 294 
espécies endêmicas de anfíbios. Esta riqueza de espécies 
corresponde a, pelo menos, 10% dos anfíbios e mamíferos e 17% 
das aves descritas em todo o planeta. 
Os biomas encontrados no Brasil são: 
144 
 
• Amazônia, 
• Floresta Atlântica (Mata Atlântica), 
• Cerrado, 
• Caatinga, 
• Pantanal, 
• Pampas, e 
• Zona Costeira (Restingas e Manguezais). 
 
A localização desses biomas está representada na próxima 
figura. 
 
 
Amazônia 
A Floresta Amazônica ocupa a Região Norte do Brasil, 
abrangendo cerca de 47% do território nacional. É a maior 
formação florestal do planeta, condicionada pelo clima equatorial 
úmido. 
Esse bioma possui uma grande variedade de fisionomias 
vegetais, desde florestas densas até campos. As florestas densas 
são representadas pelas florestas de terra firme, pelas florestas 
de várzea, periodicamente alagadas pelos rios de água branca, e 
as florestas de igapó, periodicamente alagadas pelos rios de 
água preta, e ocorrem por quase toda a Amazônia central. Os 
campos desse bioma ocorrem em Roraima, sobre solos pobres 
no extremo setentrional da bacia do Rio Branco. 
145 
 
As campinaranas desenvolvem-se sobre solos arenosos, 
espalhando-se em manchas ao longo da bacia do Rio Negro. 
Ocorrem ainda áreas de cerrado isoladas do ecossistema do 
Cerrado do planalto central brasileiro. 
Em seu conjunto, é a maior reserva de biodiversidade do planeta, 
sendo fonte de recursos genéticos muito valiosos, e contém 
quase 10% da água doce disponível no mundo. 
O principal problema no bioma da Amazônia é o desmatamento, 
o qual ocorre a uma taxa anual de 0,51% (dados de 1996), e a 
área desflorestada corresponde a 13% da área total original. Isto 
é conseqüência de uma dinâmica de avanço da fronteira 
agropecuária, com abertura de novas áreas para pastagens e 
para a lavoura, conjugada com a atividade das empresas 
madeireiras. 
Segundo dados do Banco Mundial, em 2003, foram derrubadas 
na Amazônia 24,5 milhões de metros cúbicos de árvores. Esse 
processo é resultado do impacto da pecuária sobre o 
desmatamento que alcança cifras de 12% da Amazônia legal, 
perfazendo um total aproximado de 60 milhões de hectares. 
Além dos impactos causados pelo intenso processo de 
desmatamento, esse bioma também sofre problemas ambientais 
decorrente do processo de urbanização. Os núcleos urbanos da 
Amazônia apresentam deficiências de estruturas de saneamento 
ambiental e uma gestão urbana similares aos encontrados nas 
regiões mais urbanizadas do Brasil. 
 
Mata Atlântica (Floresta Atlântica) 
É composta pelas seguintes formações florestais e ecossistemas 
associados: FlorestaOmbrófila Densa Atlântica, Floresta 
Ombrófila Mista, Floresta Ombrófila Aberta, Floresta Estacional 
Semidecidual, Floresta Estacional Decidual, manguezais, 
restingas, campos de altitude, brejos interioranos e encraves 
florestais do Nordeste. 
A variabilidade climática ao longo de sua distribuição é grande, 
indo desde climas temperados superúmidos no extremo sul a 
146 
 
tropical úmido e semi-árido no nordeste. O relevo acidentado da 
zona costeira adiciona ainda mais variabilidade a esse bioma. 
Nos vales, geralmente, as árvores se desenvolvem muito, 
formando uma floresta densa. Nas encostas, essa floresta é 
menos densa, devido à freqüente queda de árvores. Nos topos 
dos morros, geralmente, aparecem áreas de campos rupestres. 
Os impactos ambientais sofridos pelos biomas brasileiros 
decorrem do processo de ocupação dos espaços nacionais. 
Esses impactos podem ser avaliados pelo que ocorreu na Mata 
Atlântica, hoje reduzida a menos de 10% de fragmentos ao longo 
da costa brasileira. 
Os remanecentes florestais da Mata Atlântica estão localizados, 
principalmente, em áreas de difícil acesso. A preservação desses 
remanescentes vem garantindo a contenção de encostas, e o 
desenvolvimento de atividades voltadas ao ecoturismo. 
Também neste contexto estão a manutenção de várias 
populações tradicionais, nas quais incluem-se nações indígenas. 
Destaca-se como aspecto fundamental que neste bioma estão 
localizados mananciais hídricos essenciais para abastecimento 
de cerca de 70% da população brasileira. 
Nas Florestas Atlântica e Meridional e nos Campos Meridionais, 
os principais problemas ambientais enfrentados são a depleção 
das florestas e da diversidade de espécies; empobrecimento e 
erosão dos solos, com assoreamento dos cursos de água; 
eutroficação das águas e perda da biodiversidade aquática; 
poluição difusa, por adubos químicos e agrotóxicos no solo e 
água. Além disso, nesse bioma estão as maiores concentrações 
urbanas e industriais do país, com sérias conseqüências para o 
meio ambiente (poluição do ar, geração de resíduos sólidos 
perigosos, poluição sonora, problemas socioeconômicos, 
escassez de espaço, entre outros). 
 
Cerrado 
O Cerrado ocupa a região do Planalto Central brasileiro. A área 
nuclear, contínua do Cerrado, corresponde a cerca de 22% do 
147 
 
território nacional, sendo que há grandes manchas dessa 
fisionomia na Amazônia e algumas menores, na Caatinga e na 
Mata Atlântica. 
Seu clima é particularmente marcante, apresentando duas 
estações bem definidas. O Cerrado apresenta fisionomias 
variadas, indo desde campos limpos desprovidos de vegetação 
lenhosa ao cerradão, uma formação arbórea densa. Essa região 
é permeada por matas ciliares e veredas, que acompanham os 
cursos da água. 
O regime hídrico do Cerrado é fortemente caracterizado pela 
rígida divisão entre estação chuvosa e estação seca. Esse fato 
determina a estratégia adaptativa das plantas nativas, que 
desenvolvem um sistema radicular apto a buscar água em 
profundidades maiores, tornando a vegetação no Cerrado mais 
volumosa sob o solo do que acima da superfície. 
Apesar da enorme riqueza natural, o Cerrado brasileiro tem sido 
visto, por políticas públicas e pelos agentes privados que 
investem na área, como fronteira agropecuária. Nessa ótica, o 
Cerrado representa uma área a ser ocupada, onde as 
dificuldades naturais impostas pelos ecossistemas devem ser 
vencidas para adaptá-los às exigências da produção 
agropecuária. Esse fato constitui-se como principal agente 
causador dos impactos ambientais detectados no bioma, por 
causarem: desmatamento de áreas nativas; desequilíbrio 
ecológico por monocultura extensiva; uso de grandes 
quantidades de agrotóxicos, e a conseqüente poluição das 
águas; compactação dos solos pela mecanização extensiva. 
Outros impactos ambientais nesse bioma, segundo a EMBRAPA 
(1996), são: a extração não sustentável de madeira para 
produção de carvão vegetal; invasão de reservas indígenas; 
erosão; assoreamento e contaminação dos cursos da água por 
atividades de garimpo; e a expansão urbana desordenada. 
 
Caatinga 
 
A Caatinga é uma extensa região do Nordeste brasileiro, que 
ocupa mais de 70% da sua área, ou 11% do território brasileiro. 
148 
 
Sua vegetação se utiliza da queda das folhas como estratégia 
fundamental para sobreviver às épocas de estiagem. 
A região nordeste do Brasil, que abrange a Caatinga, apresenta 
grande diversidade de agroecossistemas. Em 1993, um estudo 
desenvolvido pela EMBRAPA caracterizou um total de 172 
unidades geoambientais em 20 unidades de paisagem. 
As características da ocupação desse bioma são os grandes 
latifúndios e a prospecção e exploração de lençóis de água 
subterrâneos e de combustíveis fósseis. Na Caatinga brasileira 
vivem aproximadamente 15 milhões de pessoas, sendo a maior 
parte em estado de miséria, perfazendo mais de dois terços dos 
pobres rurais do país. 
Esse quadro socioeconômico aprofunda os impactos ambientais 
desse bioma, caracterizados por: 
- desmatamento da vegetação nativa; 
- controle dos recursos naturais por grandes grupos econômicos; 
- êxodo rural; e 
- contaminação da água por agrotóxicos. 
Também nesse bioma estão localizadas as áreas de risco de 
desertificação, tendo como principais causas o uso inadequado 
do solo e o desmatamento. 
 
Pantanal 
O Pantanal mato-grossense é a maior planície de inundação 
contínua do planeta, com 138.183 km2, coberta por vegetação 
predominantemente aberta, ocupando 1,8% do território nacional. 
Esse ecossistema é formado por terrenos em grande parte 
arenosos, cobertos por diferentes fisionomias devido à variedade 
de micro-relevos e regimes de inundação. Como área de 
transição entre o Cerrado e a Amazônia, o Pantanal ostenta um 
mosaico de ecossistemas terrestres, com afinidades, sobretudo, 
com o Cerrado. 
Segundo a EMBRAPA (1996), os principais problemas 
ambientais enfrentados por esse bioma são decorrentes das 
seguintes atividades: 
149 
 
- pecuária extensiva; 
- pesca predatória e caça ao jacaré; 
- garimpo; 
- turismo e migração desordenados e predatórios; 
- aproveitamento agropecuário inadequado do Cerrado (bioma 
adjacente ao Pantanal). 
 
 Pampas 
Os Campos do Sul, ou pampas, desenvolvem-se no clima 
temperado do extremo sul do país. Os terrenos planos das 
planícies e planaltos gaúchos, e as coxilhas, de relevo suave-
ondulado, são colonizados por espécies pioneiras campestres, 
que formam uma vegetação tipo savana aberta. Há ainda áreas 
de florestas estacionais e de campos de cobertura 
gramíneolenhosa. 
As regiões de Campos do Sul sofrem grande impacto ambiental 
principalmente com a monocultura de soja, arroz, trigo e as 
queimadas. 
 
Zona costeira e marinha 
 
Os ecossistemas costeiros geralmente estão associados à Mata 
Atlântica, devido à sua proximidade. Nos solos arenosos dos 
cordões litorâneos e dunas, desenvolvem-se as restingas, onde 
pode ocorrer desde formas rastejantes até formas arbóreas. 
Os manguezais e os campos salinos, de origem flúvio-marinha, 
desenvolvem-se sobre solos salinos. 
Principais problemas ambientais no Brasil 
Impacto sobre a biodiversidade 
 
Sendo o Brasil um dos países de maior biodiversidade do mundo, 
as intervenções sobre seus biomas acabam por gerar 
importantes impactos também na sua biodiversidade. 
O intenso desmatamento que ocorre nas florestas tropicais 
úmidas - segundo a EMBRAPA (1996), são aproximadamente 
180.000 km2/ano -, a expansão desordenada das áreas urbanas, 
a contaminação das águas, do solo e do ar, ocasionada por 
150 
 
diferentes práticas industriais e agrícolas, contribuem 
negativamente sobre a biodiversidade, já que os impactos da 
ocupação humana se fazem sentir na perda de habitats naturais 
e no desaparecimentode muitas espécies e formas genéticas. 
Estima-se que 107 espécies de angiospermas estejam 
ameaçadas de extinção. A lista oficial da fauna ameaçada de 
extinção inclui 228 espécies (destas, são 60 mamíferos e 103 
aves). As tabelas a seguir apresentam alguns animais 
ameaçados de extinção no Brasil. 
 
 
 
 
 
Impacto sobre os recursos hídricos 
151 
 
 
A poluição da zona costeira é grave, visto que menos de 20% dos 
municípios costeiros são beneficiados por serviços de 
saneamento básico, ressaltando que cinco das nove regiões 
metropolitanas brasileiras encontram-se à beira-mar. 
Não há acompanhamento sistemático das condições de poluição 
dos sistemas hídricos. De modo geral, os problemas mais graves 
na área podem ser assim sintetizados: 
- poluição por esgotos domésticos; 
- poluição industrial; 
- deposição de resíduos sólidos; 
- poluição difusa de origem agrícola; 
- poluição acidental; 
- eutroficação de lagos e represas; 
- salinização de rios e açudes; 
- poluição por mineração; 
- falta de proteção aos mananciais superficiais e subterrâneos. 
O Documento "Subsídio à elaboração da agenda 21 brasileira - 
Gestão dos recursos naturais" (IBAMA/2000), oferece um 
panorama sobre os problemas na gestão que contribuem para o 
agravamento desse quadro: 
- dados e informações insuficientes ou não acessíveis para 
adequada avaliação dos recursos hídricos; 
- inexistência de práticas efetivas de gestão de usos múltiplos e 
integrados dos recursos hídricos; 
- base legal insuficiente para assegurar a gestão descentralizada; 
- manejo inadequado do solo na agricultura; 
- distribuição injusta dos custos sociais associados ao uso 
intensivo da água; 
- participação incipiente da sociedade na gestão, com excessiva 
dependência nas ações de governos; 
- escassez de água, natural ou causada pelo uso intensivo do 
recurso hídrico; 
- ocorrência de enchentes periódicas nos grandes centros 
urbanos brasileiros. 
Esse quadro evidencia que os impactos ambientais sobre os 
recursos hídricos podem ser caracterizados, não só pela 
inadequação do seu uso direto pela sociedade, em diferentes 
setores, ou da aplicação insuficiente de tecnologias adequadas, 
152 
 
mas também pela falta de instrumentos adequados para sua 
gestão. 
 
Impacto sobre o solo 
 
No Brasil, o uso predominante do recurso solo é na agropecuária. 
Entretanto, mais de um terço (35,3%) do território nacional é 
totalmente inadequado para qualquer tipo de atividade agrícola. 
Apenas 4,2% são solos com boas características para a 
agricultura. Esse percentual representa cerca de 35 milhões de 
hectares, que se distribuem irregularmente no território nacional 
(IBGE, 1993). 
O modelo agrícola predominante (em que a principal 
preocupação é a produtividade, em sua dimensão econômica) 
calcado no uso de energia fóssil, de agroquímicos e na 
mecanização intensiva, tem causado erosão e degradação do 
solo. Estima-se que as perdas ambientais causadas por erosão 
associadas ao uso agrícola e florestal do recurso solo alcançam 
1,4% do PIB brasileiro (IPEA, 1997). 
A manutenção desses desequilíbrios estimula os processos de 
desertificação. A salinização do solo é freqüente na região 
nordeste por causa do manejo inadequado da irrigação. 
 
Impacto da urbanização 
Dados de 1996 indicam que 79% dos brasileiros vivem nas 
cidades (Agenda 21 Nacional, 2000). São taxas elevadas e 
crescentes de urbanização observadas nas duas últimas décadas 
e que promoveram o agravamento dos problemas urbanos no 
país. 
Esse quadro é resultado da inter-relação de diversos fatores, 
dentre os quais podemos citar: 
- crescimento desordenado e concentrado; 
- ausência ou deficiência do planejamento municipal; 
- obsolescência da estrutura física existente; 
- demanda não atendida por recursos e serviços de toda ordem; 
- agressões ao ambiente urbano. 
153 
 
A questão dos resíduos sólidos, por exemplo, apresenta-se como 
uma das questões básicas das zonas urbanas brasileiras. A 
Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, elaborada pelo 
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, em 1991, já 
registrava uma produção de 241 mil toneladas diárias de lixo, 
sendo 130 mil toneladas de resíduos domiciliares e as restantes 
111 mil toneladas constituídas por resíduos industriais, de saúde, 
comerciais e públicos. O mesmo estudo demonstra que, desse 
total, apenas 24% recebia tratamento adequado. 
Políticas ambientais, programas e legislação 
A partir da década de 70, o Brasil volta-se para o estudo do mar e 
do aproveitamento sustentável de seus recursos, com a 
implantação da Política Nacional de Recursos do Mar, e da 
Política Nacional de Meio Ambiente, em 1981. 
A Lei n ×6.938/81, além de dispor sobre a Política Nacional de 
Meio Ambiente, dispõe sobre o Sistema Nacional de Meio 
Ambiente - SISNAMA, composto pelo CONAMA (Conselho 
Nacional de Meio Ambiente), Órgão Superior, com função de 
assistir o Presidente da República na formulação de diretrizes da 
Política Nacional de Meio Ambiente, pelo Órgão Central, a 
Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA) - atualmente o 
Ministério do Meio Ambiente -, pelos Órgãos Setoriais, órgãos ou 
entidades da Administração Pública Federal, pelos Órgãos 
Seccionais, órgãos ou entidades da Administração Pública 
Estadual, e pelos Órgãos Locais, órgãos ou entidades da 
Administração Pública Municipal. 
Os municípios brasileiros, embora tenham autonomia político-
administrativa e interesse preponderante, deverão agir de acordo 
com os princípios e normas constitucionais, e a par com a 
legislação federal, estadual e municipal. A seguir são 
apresentadas informações sobre algumas políticas, programas e 
leis na área ambiental no país. 
 
 
Sistema de Licenciamento Ambiental - SLA 
154 
 
O Sistema de Licenciamento Ambiental (SLA) foi estabelecido em 
nível nacional a partir da implementação da Política Nacional do 
Meio Ambiente, em 1981. 
A aplicação do licenciamento ambiental estende-se a todas as 
atividades utilizadoras/degradadoras dos recursos naturais. O 
SLA consiste em um conjunto de leis e normas técnicas e 
administrativas que estabelecem as obrigações e 
responsabilidades dos empresários e do Poder Público, com 
vistas a autorizar a implantação e operação de empreendimentos, 
potencial ou efetivamente capazes de alterar as condições do 
meio ambiente. 
 
Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro - PNGC 
A Zona Costeira recebeu atenção especial do poder público, 
conforme demonstra sua inserção na Constituição brasileira 
como área de patrimônio nacional. O Plano Nacional de 
Gerenciamento Costeiro - PNGC, foi instituído pela Lei 7.661, de 
16/05/88, cujos detalhamentos e operacionalização foram objeto 
da Resolução no 01/90 da Comissão Interministerial para os 
Recursos do Mar (CIRM), de 21/11/90, aprovada após audiência 
do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA). A própria 
Lei já previa mecanismos de atualização do PNGC, por meio do 
Grupo de Coordenação do Gerenciamento Costeiro 
(COGERCO). 
O Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro (PNGC) tem sido 
implementado pelo GERCO, cujo objetivo preponderante é 
"planejar e gerenciar, de forma integrada, descentralizada e 
participativa, as atividades socioeconômicas na Zona Costeira, de 
modo a garantir sua utilização sustentável, por meio de medidas 
de controle, proteção, preservação e recuperação dos recursos 
naturais e ecossistemas costeiros". 
 
Programa de Avaliação do Potencial Sustentável de Recursos 
Vivos na Zona Econômica Exclusiva - REVIZEE 
O Programa de Avaliação do Potencial Sustentável de Recursos 
Vivos na Zona Econômica Exclusiva (REVIZEE), aprovado pela 
Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), 
155 
 
através de resolução específica, em julho de 1994, resultado 
compromisso, assumido pelo Brasil, ao ratificar a CNUDM 
(Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar) e ao 
incorporar os seus conceitos à legislação interna, através da 
Constituição de 1988, e da Lei Nº 8.617, de 04 de janeiro de 
1993. 
O REVIZEE, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, dos 
Recursos Hídricos e da Amazônia Legal (MMA), através da 
Secretaria de Coordenação dos Assuntos do Meio Ambiente 
(SMA) / Departamento de Gestão Ambiental (DEGAM), destina-
se a proceder ao levantamento dos potenciais sustentáveis de 
captura dos recursos vivos na ZEE. 
 
Política Nacional de Recursos Hídricos 
A Constituição de 1988 estabelece que praticamente todas as 
águas são públicas. Em função da localização do manancial, são 
consideradas bens de domínio da União ou dos Estados. 
Estabelece, no entanto, em seu art. 21, parágrafo XIX, como 
competência da União, a instituição do Sistema Nacional de 
Gerenciamento de Recursos Hídricos. 
Em 1997, a Lei 9433, de 8 de janeiro, institui a Política Nacional 
de Recursos Hídricos, e cria o Sistema Nacional de 
Gerenciamento de Recursos Hídricos (a ser implementada pela 
Agência Nacional de Águas - ANA, criada somente em 17 de 
julho de 2000, pela Lei nº 9984). 
Compete à Secretaria de Recursos Hídricos (Portaria número 
253, de 09 de julho de 1999) implementar a Política Nacional de 
Recursos Hídricos, propor normas, definir estratégias e 
implementar programas e projetos. 
São estabelecidos, através da Lei 9433, os seguintes princípios 
gerais básicos para a gestão dos recursos hídricos: 
- a gestão por bacia hidrográfica; 
- a observância aos usos múltiplos; 
- o reconhecimento da água como valor econômico; 
- a gestão descentralizada e participativa; e 
- o reconhecimento da água como bem finito e vulnerável. 
156 
 
Os seguintes organismos compõem o Sistema Nacional de 
Gerenciamento de Recursos Hídricos: O Conselho Nacional de 
Recursos Hídricos, os Comitês de bacias hidrográficas, as 
Agências de Águas, e os órgãos e entidades do serviço público 
federal, estaduais e municipais. 
 
Programa Nacional de Diversidade Biológica - PRONABIO 
Foi instituído, no âmbito do Ministério do Meio Ambiente - MMA, o 
"Programa Nacional da Diversidade Biológica - PRONABIO". 
O objetivo principal do PRONABIO é promover parceria entre o 
Poder Público e a sociedade civil, na conservação da diversidade 
biológica, utilização sustentável dos seus componentes e 
repartição justa e eqüitativa dos benefícios decorrentes dessa 
utilização. Desse modo, o PRONABIO se torna o principal 
instrumento para a implementação da Convenção sobre 
Diversidade Biológica no país. 
O Decreto Presidencial nº 1.354/94, que criou o PRONABIO, 
criou também sua Comissão Coordenadora, com a finalidade de 
coordenar, acompanhar e avaliar as ações do Programa. 
Em fevereiro de 1999, o Decreto Nº. 2.972 informa que "à 
Secretaria de Biodiversidade e Florestas compete propor políticas 
e normas, definir estratégias, e implementar programas e 
projetos". 
 
Sistema Nacional de Unidade de Conservação 
O Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) e o 
Sistema de Licenciamento Ambiental (SLA) destacam-se como 
instrumentos na gestão dos recursos naturais. 
Segundo WEGNER (2000), o Projeto de Lei nº 27/99 
regulamenta o Artigo 225 § 1, incisos I, II, III, e VII da 
Constituição Federal, instituindo o SNUC (Lei nº 9.985/2000). A 
importância da instituição do SNUC, através de projeto de lei, 
está na definição oficial do conceito de Unidades de Conservação 
e seus objetivos. 
Conceitua-se Unidade de Conservação como: 
157 
 
"... espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as 
águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, 
legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de 
conservação e limites definidos, sob regime especial de 
administração ao qual se aplicam garantias adequadas de 
proteção". 
As categorias de manejo das Unidades de Conservação (UC) são 
diferenciadas na Lei em duas classes distintas: 
Unidades de Proteção Integral, "cujo objetivo básico é preservar a 
natureza, sendo admitido apenas o uso indireto de seus recursos 
naturais, com exceção dos casos previstos na Lei". 
Unidades de Uso Sustentável, "com objetivo básico de 
compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável 
de uma parcela dos seus recursos naturais". 
Lei 9985/2000 
 
Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável e Agenda 21 
 
O Brasil, como país signatário da Conferência das Nações 
Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, Rio-92, 
assumiu o compromisso e o desafio de internalizar, nas políticas 
públicas do país, as noções de sustentabilidade e de 
desenvolvimento sustentável. 
Através de decreto editado em 1999, é definida a competência da 
Secretaria de Políticas para o Desenvolvimento Sustentável para 
propor políticas, normas e estratégias, e implementar estudos, 
visando a melhoria da relação entre o setor produtivo e o meio 
ambiente, de maneira a contribuir para a formulação da Política 
Nacional de Desenvolvimento Sustentável. 
A Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável, e da 
Agenda 21 Nacional - CPDS, foi criada, então, com a atribuição 
de coordenar o processo de elaboração e implementação da 
Agenda 21 Brasileira, adotando uma metodologia de seleção de 
áreas temáticas. Como temas centrais foram escolhidos: 
158 
 
- agricultura sustentável; 
- cidades sustentáveis; 
- infra-estrutura e integração regional; 
- gestão dos recursos naturais; 
- redução das desigualdades sociais; 
- ciência e tecnologia para o desenvolvimento sustentável. 
A partir da segunda metade do ano 2000, iniciou-se um processo 
de discussão nos estados brasileiros sobre os documentos 
elaborados e organizados pela CPDS. 
 
Programa Nacional de Educação Ambiental 
 
O Programa Nacional de Educação Ambiental foi criado em abril 
de 1999, com o objetivo de promover a sensibilização, a 
mobilização, a conscientização e a capacitação dos diversos 
segmentos da sociedade para o enfrentamento dos problemas 
ambientais, visando a construção de um futuro sustentável. O 
Programa vem cumprir a Lei nº 9.795/99 , que estabeleceu a 
Política Nacional de Educação Ambiental. 
Existe uma íntima relação entre políticas, programas, planos e 
legislação. Esse relacionamento não está dissociado das 
pressões nacionais e internacionais sobre a temática ambiental, 
bem como do processo de seu desenvolvimento ao longo do 
tempo. 
Na Tabela a seguir, relacionamos algumas importantes leis que 
viabilizaram a efetivação de uma política brasileira mais voltada 
para as questões ambientais no país. 
159 
 
 
 
Atribuições e competências 
Ministério do Meio Ambiente - MMA 
Após a realização da Rio-92, a sociedade, que vinha 
organizando-se nas últimas décadas, pressionava as autoridades 
brasileiras pela proteção ao meio ambiente. Estas, preocupadas 
com a repercussão internacional das teses discutidas na 
Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente, determinaram, em 
16 outubro de 1992, a criação do Ministério do Meio Ambiente - 
MMA, órgão de hierarquia superior, com o objetivo de estruturar a 
política ambiental no Brasil. 
O Ministério do Meio Ambiente (MMA), em função de sua área de 
competência, é o órgão central do Sistema Nacional do Meio 
Ambiente (SISNAMA). 
 
160 
 
Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA 
 
O Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA, instituído pela 
Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, e regulamentada pelo 
Decreto nº 99.274, de 06 de junho de 1990, é constituído pelos 
órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal, 
dos Municípios e pelas Fundações instituídas pelo Poder Público, 
responsáveis pela proteção e melhoria da qualidade ambiental,e 
tem a seguinte estrutura: 
I. Órgão Superior: O Conselho de Governo. 
II. Órgão Consultivo e Deliberativo: O Conselho Nacional do Meio 
Ambiente - CONAMA. 
III. Órgão Central: O Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos 
Hídricos e da Amazônia Legal - MMA. 
IV. Órgão Executor: O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos 
Recursos Naturais Renováveis - IBAMA. 
V. Órgãos Seccionais: Os órgãos ou entidades da Administração 
Pública Federal, direta ou indireta, as fundações instituídas pelo 
Poder Público, cujas atividades estejam associadas às de 
proteção da qualidade ambiental, ou àquelas de disciplinamento 
do uso dos recursos ambientais, assim como os órgãos e 
entidades estaduais, responsáveis pela execução de programas 
e projetos, e pelo controle e fiscalização de atividades capazes 
de provocar a degradação ambiental. 
VI. Órgãos Locais: os órgãos ou entidades municipais, 
responsáveis pelo controle e fiscalização das atividades 
referidas no inciso anterior, nas suas respectivas jurisdições. 
A atuação do SISNAMA efetivar-se-á através da articulação 
coordenada dos Órgãos e entidades que o constituem, observado 
o seguinte: 
I. o acesso da opinião pública às informações relativas às 
agressões ao meio ambiente, e às ações de proteção ambiental, 
na forma estabelecida pelo CONAMA; e 
II. caberá aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios a 
regionalização das medidas emanadas do SISNAMA, elaborando 
normas e padrões supletivos e complementares. 
 
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais 
Renováveis - IBAMA 
161 
 
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais 
Renováveis (IBAMA), de acordo com sua área de competência, é 
o órgão executor federal das políticas e diretrizes governamentais 
fixadas para o meio ambiente. 
O IBAMA, entidade autárquica de regime especial, com 
autonomia administrativa e financeira, dotada de personalidade 
jurídica de direito público, com sede em Brasília, criada pela Lei 
nº 7.735, de 22 de fevereiro de 1989, vincula-se ao Ministério do 
Meio Ambiente. 
O IBAMA foi formado pela fusão de quatro entidades brasileiras, 
que trabalhavam na área ambiental: Secretaria do Meio Ambiente 
- SEMA; Superintendência da Borracha - SUDHEVEA; 
Superintendência da Pesca - SUDEPE, e o Instituto Brasileiro de 
Desenvolvimento Florestal - IBDF. 
 
Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA 
O Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA, instituído 
pela Lei 6.938/81, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio 
Ambiente, e regulamentada pelo Decreto no 99.274/90, alterado 
pelo Decreto nº 2.120/97, é o órgão consultivo e deliberativo do 
Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA. 
O CONAMA é composto de Plenário e Câmaras Técnicas, sendo 
presidido pelo Ministro do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos 
e da Amazônia Legal. A Secretaria Executiva do CONAMA é 
exercida pelo Secretário de Formulação de Políticas e Normas 
Ambientais do MMA. O Conselho é um colegiado representativo 
dos mais diversos setores do governo e da sociedade civil, que 
lida direta ou indiretamente com o meio ambiente. 
É da competência do CONAMA: 
a) estabelecer diretrizes de políticas governamentais para o meio 
ambiente e recursos naturais; 
b) baixar normas necessárias à execução e à implementação da 
Política Nacional do Meio Ambiente; 
c) estabelecer normas e critérios para o licenciamento de 
atividades efetiva ou potencialmente poluidoras; 
d) determinar, quando julgar necessário, a realização de estudos 
162 
 
sobre as alternativas e possíveis conseqüências ambientais de 
projetos públicos ou privados, requisitando aos órgãos federais, 
estaduais ou municipais, bem como às entidades privadas, as 
informações indispensáveis à apreciação dos estudos de impacto 
ambiental e respectivos relatórios, no caso de obras ou atividades 
de significativa degradação ambiental; 
e) decidir, como última instância administrativa, em grau de 
recurso, mediante depósito prévio, sobre multas e outras 
penalidades impostas pelo IBAMA; 
f) homologar acordos visando a transformação de penalidades 
pecuniárias em obrigação de executar medidas de interesse para 
a proteção ambiental; 
g) estabelecer normas e padrões nacionais de controle de 
poluição causada por veículos automotores terrestres, aeronaves 
e embarcações; 
h) estabelecer normas, critérios e padrões relativos ao controle e 
manutenção da qualidade do meio ambiente com vistas ao uso 
racional dos recursos ambientais, principalmente os hídricos; 
i) estabelecer normas gerais relativas às Unidades de 
Conservação, e às atividades que podem ser desenvolvidas em 
suas áreas circundantes; 
j) estabelecer os critérios para a declaração de áreas críticas, 
saturadas ou em vias de saturação. 
 
O CONAMA legisla por meio de Resoluções, quando a matéria se 
tratar de deliberação vinculada à competência legal, e através de 
Moções, quando versar sobre matéria, de qualquer natureza, 
relacionada com a temática ambiental. Abaixo relacionamos, a 
título de exemplo, algumas importantes resoluções desse 
conselho. 
 
163 
 
 
Relação de entidades ambientalistas 
Endereços selecionados 
o Ministério do Meio Ambiente (Esplanada dos 
Ministérios. Bloco "B" do 5° ao 8º andar) CEP:70068-900 - 
BRASÍLIA/DF - BRASIL. 
o IBAMA (SAIN 1 - 4 Bl. B. Térreo. Ed. Sede do IBAMA). 
CEP.: 70.800-900. Brasília - DF. 
 
A seguir são apresentados os endereços de algumas entidades 
ambientalistas atuantes no Brasil. 
 
o Associação de Preservação do Meio Ambiente do Alto 
Vale do Itajaí – APREMAVI Caixa postal 218 - Rio do Sul - 
89.160-000 - SC. 
o Assessorias em Serviços de Projetos de Agricultura 
Alternativa - AS-PTA Rua da Candelária, 9, 6° andar - Rio 
de Janeiro - 20.020-020 - RJ. 
o Conservation International do Brasil - CI do Brasil Av. 
Antônio Abrahão Caram, 820 , CJ. 301 - Belo Horizonte - 
31.275-000 - MG. 
o Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza 
– FBCN Rua Miranda Valverde, 103 - Rio de Janeiro - 
22.281-000 - RJ. 
o Fundação SOS Mata Atlântica Rua Manoel da 
Nóbrega, 456 - São Paulo - 04.001-001 - SP. 
o Instituto Socioambiental – ISA Rua Higienópolis, 901 - 
São Paulo - 01.238-001 - SP. 
o Sociedade Nordestina de Ecologia – SNE Rua Barão 
de Itapissuma, s/n - Itapissuma - 53.700-000 - PE. 
164 
 
Bibliografia/Links Recomendados 
Portais de Interesse 
 
• Base de Dados Tropical - www.bdt.org.br/bdt/portugues 
• Companhia de Saneamento e Tecnologias Ambientais – 
CETESB - www.cetesb.br 
• Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA - 
www.ibama.gov.br/~sconama 
• Fundo Brasileiro para a Biodiversidade – FUNBIO - 
www.funbio.org 
• Fundo Mundial para a Natureza – WWF - www.wwf.org.br 
• Instituto Brasileiro de Meio Ambiente – IBAMA - 
www.ibama.gov.br 
• Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA - 
www.inpa.br 
• Ministério do Meio Ambiente – MMA - www.mma.gov.br 
• Programa Piloto de Proteção para as Florestas Tropicais do 
Brasil. PPG7. - www.gtz.de/pp-g7/portugues/ 
• Biodiversity – Hotspots - 
http://www.biodiversityhotspots.org/xp/Hotspots/hotspots_by_regi
on/Pages/default.aspx 
• Base de Datos Del CIDOC: Medio Ambiente. Centro Instituto 
Nacional del Consumo - 
http://www.consumo-inc.es/rware/consumo.html 
• COMADRID. Consejería del Medio Ambiente de la Comunidad 
de Madrid - 
http://www.comadrid.es/cmadrid/medambi.htm 
• GENCAT. Departamento de Medio Ambiente de la Generalitat 
de Cataluña - 
http://www.gencat.es/mediamb/cast/eindex.htm 
• EUSKADI. Departamento de ordenación del territorio, vivienda y 
Medio Ambiente del País Vasco - 
• http://www.euskadi.net/infogv/governo_c.htm 
• COGO. La Comision Gubernamental del Ozono (COGO) de 
Costa Rica - http://www.ozono.imn.ac.cr 
• CONAMA. Comision Nacional de Medioambiente de Chile - 
http://www.conama.cl/• OEA. Organização dos Estados Americanos - 
http://www.idrc.ca/industry/mesas.html 
• Programa Ambiental das Nações Unidas – UNEP - 
http://www.unep.ch/ 
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• Banco Mundial. Pollution Prevention and Abatement Handbook - 
http://wbln0018.worldbank.org/essd/essd.nsf/Docs/PPAH 
• Organização das Nações Unidas (ONU) - Desenvolvimento 
Sustentável - http://www.un.org/esa/agenda21/natlinfo/ 
• Organização das Nações Unidas (ONU). Comissão de 
Desenvolvimento Sustentável - 
http://www.un.org/esa/sustdev/est8.htm 
http://www.un.org/esa/sustdev/industry.htm 
• Red de Desarrollo Sostenible - RDS – NICARÁGUA - 
http://www.sdnnic.org.ni/ 
• World Business Council for Sustaniable Development – WBCSD 
- http://www.wbcsd.ch 
• Centro de Información para la Ecoeficiencia en los Negocios - 
CIEN América Latina - 
http://www.bcsdla.org/texto/interaccion/servinf.htm 
• División Tecnología de Industria y Economía del UNEP – 
PNUMA - http://www.unepie.org/home.html 
• Eco-Efficiency Case Study Collection – WBCSD - 
http://www.wbcsd.ch/eedata/eecshome.htm 
• Minambiente. Ministerio del Medio Ambiente – Colombia - 
http://www.minambiente.gov.co/ 
• IDEAM. Instituto de Hidrología, Meteorología e Estudios 
Ambientales – Colombia - http://www.ideam.gov.co 
• DAMA. Departamento Administrativo del Medio Ambiente 
(Bogotá) – Colombia - http://www.dama.gov.co/ 
• RDS. Red de Desarrollo Sostenible en Colombia - 
http://rds.org.co/ 
• CAR. Corporación Autónoma Regional de Cundinamarca – 
Colombia - http://www.car.gov.co/ 
• CVC. Corporación Autónoma Regional del Valle del Cauca – 
Colombia - http://www.cvc.gov.co/ 
• Corporinoquia. Corporación Autónoma Regional de La 
Orinoquía – Colômbia - http://www.corporinoquia.gov.co/ 
• CORNARE. Corporación Autónoma Regional de Ríonegro – 
Colombia - http://www.cornare.gov.co/ 
• Foro Nacional Ambiental – Colombia - 
http://www.foroambiental.org.co/ 
 
Bibliografía 
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Ed. Vozes, 1973. 
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ambiente, 1991. 
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global. Relaciones Norte-Sur. Madrid: Fundación Universidad 
Empresa, 1995. 
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superior ante los desafíos de la sustentabilidad (vol.1). México: 
Asociación Nacional de Universidades e Instituciones de 
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enfoques básicos. Madrid: Fundación Universidad-Empresa, 
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En preparación para su edición - Lima: 1999. 
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