DIREITO INTERNACIONAL – PONTO 04
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DIREITO INTERNACIONAL – PONTO 04


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ser classificados em:
a) deveres jurídicos: decorrem das fontes primárias de Direito Internacional Público e podem ter seu cumprimento exigido coercitivamente pelos meios admitidos em Direito Internacional Público. O principal dever jurídico dos Estados é o dever de não-intervenção. Há também o dever de respeitar a jus cogens.
b) deveres morais: baseiam-se nos princípios da cortesia, da humanidade, da equidade e da justiça natural. Não podem ter seu cumprimento exigido coercitivamente nem seu descumprimento gera sanção jurídica. Muitos dos deveres morais acabam positivando-se com o tempo, passando a ser deveres jurídicos;
O dever de não-intervenção consiste em uma restrição à soberania e independência estatal e se traduz na idéia de que é obrigação de todo e qualquer Estado não se ingerir indevidamente em assuntos particulares (internos ou externos) de outros, para o fim de impor ou fazer preponderar a sua vontade. É princípio geral do Direito Internacional Público. LER art. 19 da Carta da OEA.
Os elementos caracterizadores da intervenção são:
a) imposição da vontade de determinado Estado em relação a outro, pelo uso da força manifestada por meio de violência moral ou material;
b) ingerência não solicitada pelo Estado interessado;
c) existência de uma vontade impositiva e abusiva, estranha à do Estado objeto da medida e sem a aceitação deste;
d) presença de dois Estados soberanos em conflito.
O dever de não-intervenção não é absoluto. A intervenção é legítima nos seguintes casos:
a) em nome do direito de defesa e conservação do Estado, quando este, com razão, sente-se ameaçado por outro Estado e intervém no Estado agressor;
b) salvaguarda da segurança coletiva, permitindo a intervenção para combater determinados Estados contrários à ordem pública internacional;
c) proteção e promoção dos direitos humanos.
Não se pode estudar o problema da intervenção sem fazer menção à DOUTRINA MONROE, exposta por James Monroe, então presidente dos EUA, em 1823. Tal doutrina baseava-se em três premissas:
a) o continente americano não poderia ser objeto de futuras ocupações (ou seja, de futuras pretensões colonialistas) por parte de nenhuma potencia européia;
b) os EUA não deveriam intervir nos assuntos de competência exclusiva dos países europeus;
c) os Estados americanos não aceitariam qualquer forma de ingerência que, originando-se em qualquer país europeu, atingisse os assuntos internos daqueles Estados;
Tal doutrina, que consistia na prática efetiva da não-intervenção, foi distorcida pelo presidente Theodor Roosevelt para praticar várias intervenções nos países latino-americanos, sob o pretexto de evitar ingerências indevidas dos países europeus no continente americano, justificando tal conduta no direito que os EUA teriam de intervir nos outros países americanos sempre que suspeitassem que um colapso pudesse ameaçar a vida e a propriedade de cidadãos estadunidenses.
Ao lado da doutrina Monroe, há a DOUTRINA DRAGO, enunciada por Luís Maria Drago, então Ministro das Relações Exteriores e Cultura da Argentina, em 1902. Sustentava ele que um Estado não podia intervir militarmente em outro para cobrar dívidas deste Estado. Em 1907, com a colaboração do estadunidense Horace Porter, a doutrina, que então passou a chamar-se DRAGO-PORTER, ficou enunciada da seguinte forma: \u201cCom o fim de evitar entre nações incidentes armados de origem pecuniária proveniente de dívidas contratuais reclamadas como dívidas a nacionais de outro Estado, as potências convencionam não recorrer à força armada para a cobrança de tais dívidas contratuais\u201d.
A regra hoje corrente é a de que a intervenção individual só cabe quando se tratar da manutenção da segurança coletiva e no interesse da sociedade internacional, por meio de procedimento próprio do organismo internacional competente.
Uma das mais importantes restrições aos direitos fundamentais dos Estados é a imunidade à jurisdição e à execução estatal de que gozam os representantes de um Estado, bem como o imóvel onde funciona a representação (embaixada) no território de outro, que ficam sujeitos apenas à jurisdição de seu país de origem, por uma ficção de extraterritorialidade. Tal de faz com o fim de garantir aos representantes de um Estado a liberdade e independência necessárias ao exercício pleno de suas funções.
RESPONSABILIDADE INTERNACIONAL DO ESTADO: é o instituto jurídico em virtude do qual o Estado a que é imputado um ato ilícito segundo o DI deve uma reparação ao Estado contra o qual este ato foi cometido. É sempre de Estado a Estado, mesmo quando a vítima ou o autor do ilícito for um particular.
Regra: O Estado é internacionalmente responsável por todo o ato ou omissão que lhe seja imputável e do qual resulte a violação de uma norma jurídica internacional (extensiva às Organizações Internacionais).
A responsabilidade pode ser delituosa ou contratual, segundo resulte de atos delituosos ou de inexecução de compromissos contraídos.
Vide melhores explicações no PONTO 15, pois não é este o objeto central deste ponto.
3 - IMUNIDADE À JURISDIÇÃO ESTATAL
É um princípio de DIP reconhecido no Direito Internacional, segundo o qual os atos praticados pelos Estados e os praticados pelos representantes dos Estados devem estar imunes à jurisdição estrangeira. Em decorrência da soberania, em princípio, não se pode obrigar que um Estado esteja submetido ao Judiciário de outro Estado. O conflito entre os Estados deve ser resolvido no plano internacional e não pela jurisdição de um dos Estados. 
A princípio, o Estado deve ter autoridade sobre as pessoas que estejam em seu território, isso é uma verdade quase que absoluta. Mas, pela cortesia internacional e pelas boas relações internacionais, o Estado se abstém de ter jurisdição sobre determinadas pessoas que estejam em seu território. É daí que nasce a IMUNIDADE À JURISDIÇÃO ESTATAL, ou seja, algumas pessoas em decorrência de sua atividade funcional não estão submetidos à jurisdição nacional, assim como os próprios Estados estrangeiros. 
Imunidade pessoal x real
Imunidade pessoal \u2013 Imunidade que certos agentes de um Estado (em especial chefes de Estado, agentes diplomáticos e consulares) desfrutam com relação à jurisdição de outro Estado.
Imunidade real \u2013 Imunidade que certas coisas pertencentes a um Estado desfrutam com relação ao Estado em que se localizam (notadamente bens da missão diplomático ou consular).
Imunidade cognitiva x executória.
A imunidade cognitiva se refere à impossibilidade de um Estado ser submetido à jurisdição de outro Estado. Também é denominda de imunidade de jurisdição.
A imunidade executória se refere à impossibilidade de efetiva apreensão do patrimônio de um Estado por outro, ainda que em sede de execução de decisão judicial.
Imunidade absoluta x relativa
Segundo a teoria da imunidade absoluta, um Estado estrangeiro somente se submete à jurisdição doméstica de outro ente estatal se com isso consentir. Diante disso, em eventual demanda ajuizada contra outro ente soberano deve o judiciário local declarar-se incompetente, salvo se houver renúncia à imunidade. 
A imunidade relativa, por sua, vez, se dá quando o Estado estrangeiro possa ser processado e julgado mesmo contra sua vontade, dentro de certas condições estatuídas pelo ordenamento jurídico (interno ou internacional).
IMUNIDADE ESTATAL
Para além da imunidade das pessoas que se encontram dentro do Estado, há a imunidade do próprio Estado à jurisdição estatal. A imunidade à jurisdição estatal surge quando um Estado estrangeiro ou organismo estrangeiro a ele vinculado vê-se demandado no Judiciário interno de outro Estado. Por esse motivo, é que a imunidade à jurisdição DO ESTADO pode ser definida, como o atributo de todo Estado soberano, que impede que outros Estados exerçam a sua jurisdição sobre os atos que realiza em exercício do seu poder soberano ou sobre os bens dos quais é titular esse Estado. 
Até a segunda metade do século XX se adotava a regra costumeira
Emerson
Emerson fez um comentário
Tem como você me mandar esse arquivo ???
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