APOSTILA DE RADIOTERAPIA
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APOSTILA DE RADIOTERAPIA


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Escola Técnica Salute 
 
Disciplina: Radioterapia 
 
Prof. Tnlo. Robson Bitencourt 
 
 
Aula 1. Conceitos de Radioterapia: Teleterapia e Braquiterapia 
 
 
Radioterapia 
 
Radioterapia é uma forma de tratamento que usa radiações ionizantes. 
Quando a radiação é proveniente de um aparelho como uma unidade de cobalto-
60 ou acelerador linear, nos quais a fonte encontra-se a uma distância mínima de 15 a 
20cm e no máximo de 1,20 a 5m do paciente, a forma de tratamento é conhecida como 
teleterapia. 
Uma maneira de se elevar esta dose é empregar pequenas fontes de radiação em 
contato direto com o tumor, este segundo método é chamado de braquiterapia. 
 
Cobalto-60 
 
 
 
Num equipamento de cobaltoterapia, o radioisótopo Co60 encontra-se confinado 
em um cilindro metálico de aproximadamente 2cm de diâmetro x 2cm de altura 
constituindo assim a fonte de cobalto-60. Dentro dessa fonte, duplamente encapsulada, 
foram depositados os pequenos. Provenientes do reator nuclear que os produziu por um 
processo de ativação por nêutrons. 
Fontes de cobalto-60 liberam fótons sob forma de raios-x com energias de 1,17 e 
1,33 MeV. Como a fonte é radioativa, a emissão de fótons é contínua, ou seja, a fonte não 
para de emitir fótons. Quando a máquina está desligada, a fonte permanece guardada 
numa blindagem adequada que bloqueia a saída dos raios-x. Alguns serviços mais 
antigos ainda usam fontes de césio-137, que não são mais recomendadas devido à baixa 
penetração de seu feixe. 
Depois de 5,27 anos, que é o valor de uma meia-vida, a exposição do paciente ao 
feixe demora o dobro do tempo em relação ao inicial para que seja atingida a mesma 
dose. 
Desse modo, uma fonte de cobalto-60 de teleterapia deve ser trocada pelo menos 
a cada 8 anos. Entretanto, deve ser dito que aparelhos de cobalto-60 necessitam de 
menos manutenção que os aceleradores lineares. 
 
Aceleradores Lineares 
 
 
 
Estes aparelhos usam microondas para acelerar elétrons a grandes velocidades 
em um tubo com vácuo. Numa extremidade do tubo, os elétrons muito velozes choca-se 
com um alvo metálico, de alto número atômico. Na colisão com os núcleos dos átomos do 
alvo, os elétrons são subitamente desacelerados e liberam a energia relativa a esta perda 
de velocidade. Parte desta energia é transformada em raios X de freiamento, que tem 
energia variável na faixa de 1 MeV até a energia máxima do elétron no momento do 
choque. Por exemplo, um acelerador linear que acelera elétrons até 10 MeV, produz 
raios-x com energias entre 1 e 10 MeV. Os aceleradores lineares podem gerar fótons de 
energia muito maior que os do cobalto-60. Fótons de alta energia liberam menor dose na 
pele e nos tecidos sadios do paciente. 
Os elétrons não penetram profundamente no tecido, liberando sua dose num 
intervalo que vai da pele até uma profundidade em torno de 5cm, com uma queda 
acentuada após esta profundidade. Os tratamentos com elétrons são adequados quando 
o órgão alvo é superficial com estruturas radiossensíveis ao seu redor, como, por 
exemplo, os linfonodos cervicais que têm a medula espinhal logo atrás e lesões 
infiltrativas de pele. 
 
Emprego de Mais de Um Campo de Irradiação 
 
Com o uso de diversos campos de irradiação (feixe de fótons) entrando por 
diferentes locais do corpo, mas todos localizados no volume tumoral obtêm-se uma maior 
concentração da dose no tumor homogeneamente distribuída e uma diminuição da dose 
nas regiões adjacentes não tumorais. Desta forma, podem-se aplicar doses tumoricidas 
elevadas, enquanto se mantém em níveis toleráveis as doses nos tecidos sadios vizinhos 
ao tumor. No mínimo, são usados dois campos de irradiação, à exceção dos tumores 
superficiais que podem ser irradiados com feixes diretos. Quanto maior a dose curativa 
empregada, mais campos devem ser usados. A fim de facilitar o uso de múltiplos feixes, 
muitos aparelhos giram em torno de um eixo chamado isocentro. Colocando-se o centro 
do volume tumoral no isocentro, torna-se fácil dirigir todos os campos para o tumor e girar 
a máquina de uma posição de entrada para a próxima. A escolha da técnica de 
tratamento deve ser feita conjuntamente pelo radioterapêuta e por um físico radiológico 
treinado. 
 
Princípios da Braquiterapia e Tipos de Aplicação 
 
O termo braquiterapia foi primeiramente sugerido por Forsell, em 1931, para 
irradiação a curta distância. A braquiterapia constitui uma forma de tratamento que utiliza 
fontes radioativas, em contato direto com o tumor, sendo indicada em cerca de 10% dos 
pacientes que se submetem à radioterapia. Sendo indicada rotineiramente no tratamento 
das neoplasias do colo e do corpo uterino, da cabeça e pescoço, da região perineal e dos 
tecidos moles. 
A dose diminui rapidamente com a distância a partir de uma fonte de 
braquiterapia. Por causa disto, o tumor, que está praticamente em contato com as fontes, 
recebe altas doses, enquanto os tecidos sadios vizinhos recebem doses baixas. A 
braquiterapia geralmente é executada num período entre 24 e 72 horas, após o qual são 
retiradas do paciente. Em alguns casos, como, por exemplo, o uso de sementes de ouro-
198, as fontes podem permanecer no paciente porque decaem rapidamente. 
Isótopos radioativos são caracterizados pela sua meia-vida, tipo de energia da 
radiação emitida e forma de apresentação. O primeiro isótopo disponível foi o Radium-
226, descoberto no início do século passado pelo casal Curie. Este isótopo radioativo está 
em desuso, tendo em vista que libera gás radônio, extremamente nocivo à saúde. 
Atualmente os radioisótopos mais utilizados são: o Césio-137, o Irídio-192 e o Cobalto-60, 
para uso temporário, o Ouro-198 e o Iodo-125, para uso permanente. Este material é 
manufaturado sob a forma de tubos, agulhas, fios ou sementes. 
Os isótopos para braquiterapia podem ser utilizados em regime de baixa taxa de 
dose (LDR) de 0,24 a 1,2 Gy, média taxa de dose (MDR) de 2 a 12 Gy ou alta taxa de 
dose (HDR) acima de 12 Gy. 
A baixa taxa de dose o tratamento é realizado em regime de hospitalização, por 
um período de 2 a 7 dias, a depender das características do isótopo utilizado. Manipulado, 
manualmente, com ajuda de uma pinça dentro de cateteres, ou através de equipamentos 
com controle remoto, nos aplicadores que já se encontram na paciente. 
A alta taxa de dose a fonte de radiação é de alta atividade (cerca de 10 Ci para 
fontes de Ir-192), comandada por controle remoto e operada por computador. O 
equipamento possui uma unidade de controle digital com impressora acoplada, fora da 
sala de tratamento, que é utilizada para programar e armazenar dados do tratamento 
planejado para cada paciente. 
Na braquiterapia, a aplicação da fonte pode ser feita por Contato (fonte em 
contato com a lesão); Endovenosa (introduzido por cateter); Intersticial (diretamente na 
lesão); Interluminal (introduzido dentro de cavidades) e Intra-operatório (introduzindo 
durante a cirurgia). 
 
 
 
 
O tubo de transferência é o dispositivo que leva o material radioativo, no caso o Ir-
192, do cofre do equipamento até o paciente. 
 
 
 
 
 
 
Esses equipamentos possibilitam a utilização de 18 a 24 canais para serem 
conectados aos tubos de transferência (este número pode variar em função do 
fabricante). 
 
 
 
Os sistemas HDR apresentam um dispositivo de teste que faz com que antes da 
fonte verdadeira ser liberada uma fonte falsa percorra a trajetória da fonte verdadeira. 
Na braquiterapia de alta taxa de dose, o tempo de aplicação é curto (em torno de 
10 minutos) permitindo sua execução a nível ambulatorial. 
É freqüente a combinação de radioterapia externa (teleterapia) e braquiterapia, 
esta servindo como reforço de dose em áreas limites e promovendo o tratamento de 
áreas de envolvimento microscópico.