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TOPOGRÁFICA REGIÃO INGUINAL Larissa Barral INTRODUÇÃO: Passagem de estruturas para os MMII e vice-versa (principalmente por baixo, região subinguinal); Região muito patológica, do ponto de vista cirúrgico (80-90% das hérnias do abdome acontecem nessa região, principalmente nos homens – embriologia); Embriologia dos homens: funículo espermático, testículo desce guiado pelo gubernáculo (que guia o testículo da cavidade abdominal ate o saco escrotal) – processo que, às vezes, não se fecha; Embriologia das mulheres: do gubernáculo, a parte superior vira o ligamento útero-ovárico e parte inferior vira o ligamento redondo; LIMITES SUPERFICIAIS: Superior: linha perpendicular anterior que sai da espinha ilíaca ântero-superior perpendicularmente à linha mediana infraumbilical, formando um ângulo reto com o limite medial; Inferior ou ínfero-lateral: ligamento inguinal (da espinha ilíaca ântero-superior até o tubérculo púbico); Formado pela parte mais inferior da aponeurose do m.oblíquo externo; Medial: linha mediana ou linha alba ou linha branca – infraumbilical; PROFUNDO (região de parede abdominal): peritônio parietal; PLANOS: INCISÃO FORA DO TRAJETO INGUINAL: PELE: TELA SUBCUTÂNEA: Fáscia de Camper: panículo adiposo; Fáscia de Scarpa: estrato membranáceo – se continua como fáscia de Colles, na região perineal; Fáscia de revestimento do m.oblíquo externo: Outras denominações: fáscia intercolunar/intercrural/asciforme; Feixe vasculonervoso: Nervos toracoabdominais – sensitivos: 7º-9º: inervam a região supraumbilical; 10º: inerva a região paraumbilical; 11º e 12º (subcostal) + plexo lombar: inervam a região infraumbilical; Ramos do plexo lombar: iliohipogástrico, ilioinguinal e ramo genital do genitofemoral; Artérias superficiais (ramos da a.femoral - continuação da ilíaca externa após passar pelo ligamento inguinal): epigástrica superficial, circunflexa ilíaca superficial e pudenda externa superficial; Veias homônimas às artérias superficiais – desembocam na femoral, mas mais comumente na v.safena magna (nasce no arco do pé e se une à veia do hálux, passa pelo maléolo medial, sobe, recebe as tributárias homônimas às artérias superficiais e desemboca na fossa oval); PLANO MUSCULAR: M.oblíquo externo (praticamente só aponeurose), m.oblíquo interno e m.transverso do abdome e suas aponeuroses; Parte medial: presença do m.reto do abdome e, mais inferiormente, o m.piramidal; OBS.1: Nos ¾ superiores da parede abdominal, a aponeurose do m.oblíquo externo passa anteriormente ao m.reto, a do m.oblíquo interno se bilamina para envolver o m.reto e a do m.transverso do abdome vai posteriormente ao m.reto. Assim, são formadas as lâminas anterior e posterior da bainha do m.reto do abdome que irão se unir medialmente para formar a linha alba; OBS.2: No ¼ inferior da parede abdominal, todas as aponeuroses irão passar anteriormente ao m.reto do abdome, deixando a região posterior a esse músculo muito frágil apenas com a fáscia transversal, tecido extraperitoneal e peritônio parietal;LINHA ARQUEADA/ARCO DE DOUGLAS OBS.3: As aponeuroses musculares abdominais mudam o seu comportamento a partir da linha arqueada ou arco de Douglas; FÁSCIA TRANSVERSAL: O espessamento da fáscia transversal forma o Ligamento Interfoveolar ou de Hesselbach; TECIDO EXTRAPERITONEAL: Espaço pré-peritoneal ou de Bogros (retro-inguinal): onde o cirurgião acessa para colocação de prótese/tela para reforçar a parede posterior do canal inguinal (fixa o m.oblíquo interno no ligamento pectíneo); Camada mais gordurosa: Fáscia de “Richet” (próxima da fáscia transversal); Camada mais laminar: Fáscia de “Cloquet” (próxima do peritônio parietal); PERITÔNIO PARIETAL; PREGAS PERITONEAIS (LIGAMENTOS): MEDIANA: persistência do úraco – cordão fibroso, resultado da contração e obliteração do alantoide, ligado ao ápice da bexiga e ao umbigo; MEDIAL: artéria umbilical obliterada – parte parietal obstruída e a permeável é a vesical superior que irriga a bexiga; LATERAL: vasos epigástricos inferiores (permeáveis) – ramos da ilíaca externa; OBS.1: As pregas peritoneais (elevação do peritônio) delimitam as fossetas inguinais; FOSSETAS INGUINAIS: pontos fracos da parede, por onde saem as hérnias; LATERAL: lateral à prega lateral (lateral aos vasos epigástricos inferiores); Hérnias indiretas (congênitas com todas as camadas do funículo junto a elas); MÉDIA/MEDIAL: entre as pregas lateral e medial (entre os vasos epigástricos inferiores e a a.umbilical obliterada); Hérnias diretas (adquiridas, associadas a pessoas de maior idade, associadas ao “carregamento” de peso elevado); MEDIANA/SUPRAVESICAL: entre as pregas medial e mediana (entre a a.umbilical obliterada e o úraco persistente); Hérnias supravesicais (mais raras); LIGAMENTO INGUINAL: Parte inferior extrema da aponeurose do m.oblíquo externo; Se estende da EAS até o tubérculo púbico; TRATO ÍLIOPÚBICO – LIGAMENTO DE THOMSON: Margem inferior espessa da fáscia transversal, que se apresenta como uma faixa fibrosa que segue paralela e posteriormente (profundamente) ao ligamento inguinal; Reforça a parede posterior e o assoalho do canal inguinal; Une estruturas que atravessam o espaço subinguinal; OBS.1: O ligamento inguinal e o trato íliopúbico cobrem uma área de fraqueza inata do corpo, denominada de orifício miopectíneo – local de hérnias inguinais diretas e indiretas, bem como de hérnias femorais; OBS.2: Abaixo do ligamento inguinal, acima do ílio-psoas e dos vasos (artéria, veia e canal femoral), temos o ligamento profundo = ligamento íliopúbico de “Thomson” (espessamento da fáscia transversal por baixo do ligamento inguinal, no espaço subinguinal – onde o cirurgião vai abrir para abordar a hérnia por videolaparoscopia); CANAL/TRAJETO INGUINAL: Se situa paralela e superiormente à metade medial do ligamento inguinal; CONTEÚDO: Funículo espermático (em homens); Ligamento redondo do útero (em mulheres); Vasos sanguíneos e linfáticos; Nervo ilioinguinal; ABERTURAS/ANÉIS: Anel inguinal profundo (interno): Entrada do canal inguinal; Superiormente à região intermediária do ligamento inguinal e lateralmente à a.epigástrica inferior; Formado pelos vasos epigástricos inferiores e o ligamento interfoveolar ou de Hesselbach; Início de uma evaginação na fáscia transversal que forma uma abertura; Passagem do ducto deferente extraperitoneal e vasos testiculares (nos homens) ou ligamento redondo do útero (nas mulheres); Anel inguinal superficial (externo): Limites: Lateral: Pilar lateral; Medial: Pilar medial; Posterior: Pilar posterior; Anterior: Fibras intercolunares ou fibras asciformes ou intercrurais; Emersão do conteúdo do canal inguinal; As partes da aponeurose situadas lateral e medialmente ao anel superficial são os pilares lateral e medial; OBS.1: As fibras da lâmina superficial da fáscia de revestimento do m.oblíquo externo e sua aponeurose passam de um pilar para outro através da parte superolateral do anel = fibras intercolunares – ajudam a evitar o afastamento dos pilares; PAREDES: SUPERIOR: m.oblíquo interno, m.transverso do abdome e foice inguinal (área comum – tendão comum do m.oblíquo interno e m.transverso do abdome); Formado lateralmente pela fáscia transversal, centralmente pelos arcos musculoaponeuróticos dos m.oblíquo interno e m.transverso do abdome, e medialmente pelo pilar medial da aponeurose do m.oblíquo externo do abdome; (Moore, 6ª ed.) INFERIOR: ligamento inguinal e ligamento lacunar; Formado lateralmente pelo trato íliopúbico, centralmente pelo sulco formado pelo ligamento inguinal invaginado, e medialmente pelo ligamento lacunar; (Moore, 6ª ed.) ANTERIOR: aponeurose m.oblíquo externo em toda a extensão do canal e, sua parte lateral, é reforçada por fibras do m.oblíquo interno (terço lateral); (Moore, 6ª ed.) POSTERIOR (área frágil): fáscia transversal, tecido extraperitoneal e peritônio parietal; Reforçado lateralmente pelo ligamento interfoveolar (de Hesselbach); Reforçadomedialmente pela foice inguinal e pelos ligamentos reflexo, lacunar e pectíneo; Fosseta média: fragilidade no meio (apenas fáscia transversal, tecido extraperitoneal e peritônio parietal), já que em todo o resto apresenta reforço por ligamentos – saem as hérnias diretas (adquiridas); COMPORTAMENTO DA APONEUROSE DE INSERÇÃO DO M.OBLÍQUO EXTERNO – a parte muscular não chega à região inguinal: Parte superior: fibras transversais passando anteriormente ao m.reto do abdome; Parte inferior: apenas a aponeurose, que forma o ligamento inguinal/de Poupart/arco de Falópio; Parte média: fibras que se dirigem ao púbis, formando os pilares medial e lateral > orifício superficial; Essas partes formam 3 pilares: PILAR LATERAL: se insere no tubérculo púbico; Algumas das fibras profundas seguem posteriormente para se fixarem à crista púbica lateralmente ao tubérculo púbico, formando o Ligamento Lacunar (de Gimbernat) curvo (com contribuição das fibras que vêm da parte inferior da aponeurose), que forma o limite medial do espaço subinguinal. As fibras mais laterais seguem ao longo da linha pectínea do púbis como Ligamento Pectíneo (de Cooper) (se fixa fortemente à linha pectínea com contribuição dos ligamentos lacunar, inguinal, reflexo, da foice inguinal e da fáscia de revestimento do m.pectíneo); PILAR MEDIAL: se insere na sínfise púbica; PILAR POSTERIOR: reflexo da aponeurose do m.oblíquo externo; Algumas das fibras superiores se abrem em leque para cima, desviando do tubérculo púbico e cruzando a linha alba para se unirem com as fibras inferiores da aponeurose do m.oblíquo externo do abdome contralateral, formando o Ligamento Inguinal Reflexo (de Colles); OBS.1: TRÍGONO DE HESSELBACH: Limite inferior: ligamento inguinal; Limite medial: margem lateral do m.reto do abdome; Limite lateral: vasos epigástricos inferiores; Conteúdo: fosseta medial > saem as hérnias diretas; FUNÍCULO ESPERMÁTICO: FÁSCIAS: Espermática externa: formada pela fáscia de revestimento do m.oblíquo externo; Cremastérica: formada por fibras musculares do m.cremáster que derivam das fibras do m.oblíquo interno; Espermática interna: formada pela fáscia transversal; COMPONENTES: Ducto deferente; Artérias: testicular, cremastérica, do ducto deferente (com os filamentos do plexo pélvico); Plexo pampiniforme; Vasos linfáticos; Nervos: ramo genital do nervo genitofemoral, nervo cremastérico, fibras simpáticas; OBS.1: Os nervos ilioinguinal e iliohipogástrico estão fora do funículo espermático, mas o ilioinguinal esta dentro do canal ou trajeto inguinal; OBS.2: Retináculos: faixas fibrosas espessas; OBS.3: Fáscia de revestimento é DIFERENTE de aponeurose de inserção; ORIGEM FORMAÇÃO FÁSCIA TRANSVERSAL (espessamento) LIGAMENTO INTERFOVEOLAR OU DE HESSELBACH FÁSCIA TRANSVERSAL (espessamento) TRATO ÍLIOPÚBICO APONEUROSE DO M.OBLÍQUO EXTERNO LIGAMENTO INGUINAL APONEUROSE DO M.OBLÍQUO EXTERNO PILARES LATERAL, MEDIAL E POSTERIOR APONEUROSE DO M.OBLÍQUO EXTERNO LIGAMENTO LACUNAR (de Gimbernat) APONEUROSE DO M.OBLÍQUO EXTERNO LIGAMENTO PECTÍNEO (de Cooper) APONEUROSE DO M.OBLÍQUO EXTERNO LIGAMENTO REFLEXO (de Colles) LÂM.SUP.FÁS.DE REVEST.DO M.OBLÍQUO EXTERNO + SUA APONEUROSE FIBRAS INTERCOLUNARES FÁSCIA DE REVESTIMENTO DO M.OBLÍQUO EXTERNO FÁSCIA ESPERMÁRTICA EXTERNA M.CREMÁSTER (VEM DO M.OBLÍQUO INTERNO) FÁSCIA CREMASTÉRICA FÁSCIA TRANSVERSAL FÁSCIA ESPERMÁTICA INTERNA VASOS EPIG. INF. + LIG. HESSELBACH (FÁS.TRANSV.) ANEL INGUINAL PROFUNDO PILARES (APONEUROSE M.OB.EXT.) ANEL INGUINAL SUPERFICIAL M.OBLÍQUO INTERNO + M.TRANSVERSO DO ABDOME FOICE INGUINAL