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ANÁLISE DE MODELO
ANÁLISE DE DISCREPÂNCIA DE MODELO – DENTE PERMANENTE
Para o cálculo da discrepância de modelo (DM), é necessário incialmente medir o espaço presente (EP) e o espaço requerido (ER).
ESPAÇO PRESENTE (EP)
Corresponde ao tamanho do osso basal, compreendido entre a mesial do primeiro molar permanente de um lado á mesial do primeiro molar permanente do lado oposto.
 Para efetuar essa medida usamos o compasso de ponta seca que nos dará um mínimo erro.
 Inicia-se colocando uma ponta na mesial do primeiro molar permanente e abrindo o compasso até alcançar a papila entre o canino e o primeiro pré molar.
 Em seguida transfere essa medida para uma ficha cartão. Vai se procedendo da mesma maneira em pequenos segmentos até a mesial do primeiro molar do lado oposto.
 Com o auxílio de uma régua mede-se em milímetros o valor do perímetro do arco ou espaço presente.
ESPAÇO REQUERIDO (ER)
É a somatória do maior diâmetro mésio-distal dos dentes permanentes localizados de mesial do primeiro molar permanente de um lado à mesial do primeiro molar permanente do lado oposto.
 Com o auxílio de um compasso de ponta seca vamos medir o diâmetro mésio-distal de cada dente individualmente e transferi-lo para a ficha cartão.
 Com a régua milimetrada somamos todos eles e teremos o valor de espaço requerido do total (ER).
Calcula-se a discrepância de modelo (DM), que é obtida através da diferença entre o espaço presente (EP) e o espaço requerido (ER).
DM = EP – ER
 DISCREPÂNCIA POSITIVA
Quando o espaço presente é maior do que o espaço requerido.
Existe a presença de diastema no arco dental, sobrando portanto espaço para o nivelamento dos dentes.
DISCREPÂNCIA NEGATIVA
Quando o espaço presente é menor do que o espaço requerido.
 Não existe, portanto espaço suficente para o perfeito nivelamento dos dentes.
DISCREPÂNCIA NULA
Quando o espaço presente e igual ao espaço requerido.
ANÁLISE DE DISCREPÂNCIA DE MODELO – DENTADURA MISTA
A dentadura mista caracteriza-se pela prensença, no arco, de dentes decíduos e permanentes em diferentes estágios de desenvolvimento.
 Para fins de análise, deverão estar presentes no arco os quatro primeiros molares permanentes e os incisivos superiores e inferiores permanentes.
 Através de estudos do crescimento dos ossos maxilares, sabe-se que o perímetro dos arcos não se altera de mesial do primeiro molar permanente à mesial do primeiro molar do lado oposto.
 Este fato permite-nos efetuar, a partir deste período, análises que nos darão as possibilidades de espaço para irrupção dos demais dentes permanentes.
 As análises da dentadura mista visam, portanto prever, através de tabelas ou radiografias, o tamanho dos dentes permanentes não erupcionados e se estes terão espaço no arco ósseo.
ESPAÇO PRESENTE (EP)
Perímetro do osso basal compreendido entre mesial do primeiro molar de um lado até a mesial do primeiro molar do lado oposto.
ESPAÇO REQUERIDO (ER)
Somatória do maior diâmetro mésio-distal dos dentes permanentes erupcionados ou intraósseos, localizados de mesial do primeiro molar de um lado á mesial do primeiro molar do lado oposto.
DISCREPÂNCIA POSITIVA
Quando o espaço presente é maior que o requerido, portanto vai haver sobra de espaço ósseo para irrupção dos dentes permanentes.
DISCREPÂNCIA NEGATIVA
Quando o espaço presente é menor que o requerido, ou seja, não vai haver espaço para erupção dos dentes permanentes.
DISCREPÂNCIA NULA
O espaço presente é igual ao espaço requerido, ou seja, o tamanho ósseo é justo para abrigar os dentes permanentes.
 O ortodontista necessita ficar atento quando a discrepância for nula, pois se sabe que o perímetro do arco dentário diminui quando da troca dos decíduos pelo permanente.
ANÁLISE DE MOYERS
Essa análise é feita pelo método estatístico, onde moyers dividiu o arco em dois segmentos: o anterior, que corresponde aos incisivos permanentes, e o posterior que corresponde aos caninos, primeiros e segundo molares decíduos.
ESPAÇO PRESENTE ANTERIOR (Epa)
Usando-se o compasso de ponta seca, coloca-se uma das pontas do mesmo na linha mediana e faz-se a abertura até a mesial do canino decíduo. 
 Essa abertura é demarcada na ficha cartão. Repete-se o mesmo procedimento para o lado oposto.
ESPAÇO REQUERIDO ANTERIOR (Era)
Mede-se a maior distância mesiodistal de cada incisivo permanente, transportando-a para ficha cartão.
ESPAÇO PRESENTE POSTERIOR (EPp) 
Passa-se a sequência para o cálculo do espaço presente posterior.
 Coloca-se a ponta do compasso na mesial do primeiro molar permanente abre-se até a mesial do canino decíduo levando essa medida á ficha cartão.
ESPAÇO REQUERIDO POSTERIOR (ERp)
Para cálculo do espaço requerido da região posterior (Erp), utiliza-se a tabela preconizada por moyers.
 Na faixa horizontal superior da tabela B encontramos o valor da somatória dos quatro incisivos inferiores(Era) e na coluna vertical as que variam de 5% até 95, porém uma estimativa sob ponto de vista clínico nos autoriza a trabalhar em 75%.
 A partir da somatória da largura dos quatro incisivos inferiores e superiores, procura-se na tabela a somatória do maior diâmetro mesiodistal de canino e pré-molares que se encontram intra ósseos e multiplica-se por 2.
Para calcula-se o espaço requerido posterior do arco superior o procedimento é o mesmo, isto é: usamos a tabela de Moyers, porém a tabela A, que é feita tomando referência a somatória dos quatro incisivos inferiores. Transporta-se esse valor para faixa horizontal da tabela A e de acordo com a porcentagem escolhida (75%) chega-se ao resultado final com o mesmo procedimento que utilizado para o arco inferior.
Exemplo de cálculo para o arco inferior:
DM = (Epa+Epp) - (Era + Erp)
DM = (20 + 43) – (21,5 + 42,6)
DM = 63 – 64,1
DM = -1,1mm
Isto indica que falta 1,1mm de espaço para uma melhor acomodação dos dentes permanentes na arcada.
VANTAGENS DESSA ANÁLISE
Possui um erro sistmático mínimo e as variações desses erros são conhecidas.
Pode ser feita com igual segurança, tanto pelo principiante quanto pelo especialista – não requer julgamento sofisticado.
Não exige muito tempo de trabalho.
Não necessita de equipamento especial ou radiografia.
Embora melhor realizada em modelos dentais, pode ser feita com razoável exatidão na boca.
Pode ser usada para ambos os arcos dentais.
ANÁLISE DE BOLTON
Para a execução dessa análise é necessário um modelo de estudo superior e inferior e um compasso de ponta seca.
 Mede-se o maior diâmetro mesiodistal dos dozes dentes inferiores, dividi-se pelo maior diâmetro mesiodistal dos dozes superiores e multiplica-se por 100.
 A relação centensimal média é de 91,3 com desvio padrão de 1,91 de acordo com Bolton.
 Se a relação exceder a 93,21 (91,3 + o desvio padrão de 1,91), a discrepância será devida a um excesso de materia dental inferior.
 Na tabela localizaremos o valor correspondente ao diâmetro dos dentes superiores do paciente. Na coluna ao lado estará a medida dos inferiores desejada. 
A diferença entre a medida dos inferiores real e desejada é a quantidade excessiva do material dental inferior.
Se a relação for menor que 89,39 (91,3 - o desvio padrão de 1,91), a discrepância será devido a um excesso de material dental superior.
 Na tabela localizaremos o valor correspondente ao diâmetro dos dentes inferiores do paciente. Na coluna ao lado estará a medida dos superiores desejada.
 A diferença entre a medida dos inferiores real e desejada é a quantidade excessiva do material dental superior.
O mesmo procedimento é realizado só para os seis dentes anteriores (incisivos e caninos). 
 A relação centensimal média desejada é de 77,2, com desvio padrão de 1,65, que proporcionará sobremordida e sobressaliência ideal se a angulação dos incisivos estiver correta e a espessura lábio-lingual das bordas incisais não estiver excessiva.
 Caso a proporção anterior exceda a 78,85 (77,2 + desvio padrãode 1,65) haverá excesso do material dental inferior. Se for menor que 75,55 (77,20 – o desvio padrão de 1,65) haverá um excesso de materal dental superior.
Quando os dentes anteriores superiores são muito grandes em relação ao anteriores inferiores, as seguintes desarmonias poderão ser encontradas:
SOBREMORDIDA MAIS PROFUNDA
SOBRESSALIÊNCIA MAIS ACENTUADA
COMBINAÇÕES DE SOBREMORDIDA E SOBRESSALIÊNCIA
SEGMENTO POSTERIOR COM OCLUSÃO INCORRETA
APINHAMENTO DO SEGMENTO ANTEROSUPERIOR
Quando, no entanto, o excesso de material dental acontece nos dentes anteroinferiores, podem ocorrer as seguintes desarmonias:
RELAÇÃO INCISAL DE TOPO A TOPO
ESPAÇAMENTO ENTRE OS DENTES ANTERIORES SUPERIORES
APINHAMENTO NA ÁREA DE INCISIVOS INFERIORES
RELAÇÃO INCORRETA DOS SEGMENTOS POSTERIORES
OCLUSÃO E EQUILÍBRIO DOS DENTES
INOCLUSÃO
INOCLUSÃO FISIOLÓGIA ESTÁTICA
Também denominada posição fisiológica de repouso, ou inoclusão fisiológica estática de Izard.
 Corresponde a uma posição fisiológica da mandíbula na qual ela está separada do maxilar por uma distância mínima, dependente da contração (tono muscular) necessária para resistir à ação da gravidade.
 Corresponde à posição postural em que se iniciam e terminam todos os movimentos mastigatórios.
 Seu carácter de continuidade advém da simetria dos meios de união da mandíbula ao maxilar.
 Na inoclusão fisiológica estática, a sínfise do mento coincide com a linha mediana, permanecendo a mandíbula sem movimentação e afastada 2 a 3mm do maxilar.
 Thompson destacou que a posição de repouso fisiológico da mandíbula não se altera pela erupção dental, persistindo com um alto grau de estabilidade, após a perda dos dentes.
INOCLUSÃO DINÂMICA
Corresponde às várias posições da mandíbula em movimento, sem, contudo tomar contato dental. 
 São numerosas e variadas estas posições, não apresentando o caráter de continuidade da inoclusão fisiológica estática.
OCLUSÃO
A posição oclusal, ou oclusão propriamente dita, se estabelece quando a partir da inoclusão, a mandíbula se move para colocar em contato os dentes de ambos os maxilares, havendo, pois a contração muscular.
 Para que a oclusão se estabeleça é necessário haver contato dental, em um ou vários pontos, com imobilidade mandibular. A contração muscular refere-se apenas ao movimento suficiente para vencer a ação da gravidade. 
 Deduz-se que há inúmeras posições de oclusão.
 A oclusão difere da articulação porque, nesta, embora haja também contato dental, ela é dinâmica e não estática. A articulação se inicia com o estabelecimento do contato dental e movimento mandibular, terminando quando este se detém ou os arcos separam.
OCLUSÃO CENTRAL
Partindo de uma inoclusão fisiológica estática, para uma posição de contato dental, sem desvios laterais da linha mediana da mandíbula com respeito ao plano sagital, obtém-se uma fase da oclusão dita oclusão central.
 A oclusão central pode ser definida como a posição determinada pela máxima e melhor intercuspidação dental, estando à mandíbula em atitude estática.
 A partir da chamada relação central definida como a posição mais retruída da mandíbula desde a qual pode efetuar confortavelmente todos os movimentos de lateralidade e abertura da boca, obtém-se a oclusão central.
 Quando a mandíbula passa da fase de relação central, encontrando-se os côndilos em posição de equilíbrio na cavidade glenóide, para a fase de oclusão central, deve ser mantida a situação de equilíbrio dos côndilos.
 Contudo, existindo contatos prematuros entre dentes, planos inclinados anormais, etc.; a mandíbula entrará em uma relação excêntrica com respeito ao maxilar, quando dos contatos dentais.
 
OCLUSÃO CENTRAL NA DENTADURA PERMANENTE
Os dentes em oclusão devem ser estudados e observados pelas suas faces vestibular, proximal e oclusal.
ASPECTO VESTIBULAR 
Em posição de oclusão central, todos os dentes de um arco ocluem com dois do arco oposto, com exceção dos incisivos centrais inferiores e dos terceiros molares superiores que ocluem apenas com os seus homólogos antagonistas.
À distância mesiodistal dos dentes superiores é maior que as correspondentes dos inferiores, até o nível do segundo pré-molar. 
 A partir do primeiro molar, esta relação inverte, ou seja, à distância mesiodistal dos molares inferiores ultrapassa aquelas dos antagonistas.
Desta maneira a face distal dos terceiros molares inferiores termina no mesmo plano.
 Os molares e pré-molares recobrem de uma cúspide o lado vestibular dos seus homólogos inferiores, o mesmo acontecendo com os caninos e incisivos que recobrem os terços incisais dos correspondentes inferiores.
 
Aspecto dos dentes permanentes vistos pela face vestibular, quando em oclusão central.
 O fato de os dentes superiores sobrepassarem os inferiores do lado vestibular, caracteriza o tipo normal de oclusão central, denominada psalidodontia. É também normal uma variação da oclusão central em que em face da grande abrasão dental, a borda incisal dos dentes anteriores superiores toca topo a topo, as correspondentes inferiores, denominando-se labiodontia. A oclusão lingual dos incisivos superiores com relação aos incisivos inferiores caracteriza a opistodontia.
ASPECTO PROXIMAL 
 Quando se observa os dentes por uma de suas faces proximais, fica evidente nos casos de oclusão central em psalidodontia, o trespasse horizontal da borda incisal dos dentes superiores sobre os inferiores e das cúpides vestibulares dos posteriores com relação à de seus homólogos inferiores.
Esse trespasse horizontal ou ‘’overjet’’ dos autores de língua inglesa pode ser medido através da distância que separa os planos frontais das bordas incisais ou oclusais dos dentes.
O intervalo entre os planos horizontais que passam pelas bordas incisais ou oclusais dos dentes é denominado trespasse vertical ou ‘’overbite’.
 Nos casos de labiodontia ou mordida topo a topo, ambos os trespasses são nulos, e nos casos de mordida cruzada, seus valores são negativos.
Aspecto dos dentes incisivos permanentes visto por uma de suas faces proximais, mostrando em 1, trespasse horizontal (distância entre as duas linhas verticais) e o trespasse vertical (distância entre as duas linhas pontilhadas horizontais). Em 2 está representada uma oclusão topo a topo, onde os valores de ambos os trespasses são nulos. Em 3 mostra-se uma oclusão, onde os valores correspondentes aos trespasses horizontal e vertical são determinados da mesma forma que em 1, porém negativa.
 No sentido vestíbulo-lingual, os molares mostram a mesma disposição, isto é, os superiores recobrem de uma cúspide o lado vestibular dos inferiores, estes por sua vez recobrem os molares superiores de uma cúspide do lado lingual. Assim são as cúspides palatinas superiores e as cúspides vestibulares inferiores que mantém a dimensão vertical de oclusão. O ajuste oclusal deve ser feito desgastando-se apenas as cúspides vestibulares superiores e linguais inferiores (VSLI), sem 	que com isso, seja alterada a dimensão vertical.
ASPECTO OCLUSAL 
Nota-se que a linha de união do vértice das cúspides vestibulares e das bordas incisais dos dentes superiores é externa com relação aos inferiores. Do mesmo modo, a linha que une o vértice das cúspides linguais e das bordas incisais dos dentes inferiores, é interna com relação à homóloga superior. 
As relações de contato entre os dentes são variáveis, não havendo normas infalíveis aplicadas a todos os casos para os indivíduos com ‘’intercuspidação normal’’. Contudo podem-se fazer algumas generalizações baseadas em uma correlação cuidadosa:
O terço incisal da face vestibular dos incisivos inferiores oclui com os dois terços mesiais do terço palatino do incisivo central superior.
A porção mesial do terço incisal da face vestibular do incisivo lateral inferior oclui com o terço distal da face palatina do incisivo central superior.
A porçãodistal do terço incisal da face vestibular do incisivo lateral inferior oclui com a porção mesial do terço incisal da face palatina do incisivo lateral superior.
A porção mesial do terço incisal da face vestibular do canino inferior oclui com a porção distal do terço incisal da face palatina do incisivo lateral superior.
A porção distal do terço incisal da face vestibular do canino inferior oclui com a porção mesial do terço incisal da face palatina do canino superior.
O plano inclinado vestibulomesial da cúspide vestibular do primeiro pré-molar inferior oclui com a porção distal do terço incisal da face palatina do canino superior.
A ponta de cúspide vestibular do primeiro pré-molar inferior oclui com a fóssula mesial do primeiro pré-molar superior.
A fóssula distal do primeiro pré-molar inferior oclui com a ponta de cúspide lingual do primeiro pré-molar superior.
O ápice da cúspide vestibular do segundo pré-molar inferior oclui com a fóssula distal do primeiro pré-molar superior.
A fóssula distal do segundo pré-molar inferior oclui com a ponta de cúspide palatina do segundo pré-molar superior.
A ponta de cúspide mesiovestibular do primeiro molar inferior oclui com a fóssula distal do segundo pré-molar superior.
O sulco mesiovestibular do primeiro molar inferior oclui com os planos inclinados oclusais da cúspide mesiovestibular do primeiro molar superior.
A fóssula central do primeiro molar inferior oclui com a ponta de cúspide mesiopalatina do primeiro molar superior.
O ápice da cúspide vestíbulocentral do primeiro molar inferior oclui com a fóssula central do primeiro molar superior.
Os planos inclinados oclusais das cúspides distolingual do primeiro molar inferior ocluem com o sulco palatino do primeiro molar superior.
A fóssula mesial do segundo molar inferior oclui com a ponta cúspide distopalatina do primeiro molar superior.
O ápice da cúspide mesiovestibular do segundo molar inferior oclui com a fóssula distal do primeiro molar superior.
O sulco vestíbulo do segundo molar inferior oclui com os planos inclinados oclusais da cúspide mesiovestibular do segundo molar superior.
A fóssula central do segundo molar inferior oclui com a cúspide mesiopalatina do segundo molar superior.
O ápice da cúspide distovestibular do segundo molar inferior oclui com a fóssula central do segundo molar superior.
Os planos inclinados oclusais da cúspide distolingual do segundo molar inferior ocluem com sulco oclusopalatino do segundo molar superior.
A ameia lingual entre o segundo e o terceiro molar inferior oclui com a cúspide distopalatina do segundo molar superior.
O ápice da cúspide mesiovestibular do terceiro molar inferior oclui com a fóssula distal do segundo molar superior.
O sulco vestibular do terceiro molar inferior oclui com os planos inclinados oclusais da cúspide mesiovestibular do terceiro molar superior.
O ápice da cúspide mesiovestibular do terceiro molar inferior oclui com a fóssula distal do segundo molar superior.
O ápice da cúspide distovestibular do terceiro molar inferior oclui com a fóssula central do terceiro molar superior.
Em virtude do molar dos seis anos ser o primeiro dente permanente a se formar e irromper e porque se constitui num ponto de referência notavelmente estável no que diz a respeito à anatomia craniofacial’’, ele foi considerado por angle como a ‘’chave de oclusão’’
 Numa oclusão central normal, a cúspide mesiovestibular do primeiro molar superior deve ocluir com o sulco vestibular do primeiro molar inferior.
Angle, baseado nesta ‘’chave de oclusão’’ classificou as anomalias de oclusões dentais (má oclusão) em três classes:
MÁ OCLUSÃO DE CLASSE I (NEUTROCLUSÕES)
As relações entre os primeiros molares são normais, porém podem existir torções, apinhamentos de dentes anteriores, etc.,conferindo ao indivíduo um aspecto estético desagradável.
MÁ OCLUSÃO DE CLASSE II (DISTOCLUSÕES)
Nas más oclusões de classe II (prognatia), o arco dental inferior está em uma posição distal em relação ao arco superior, como reflexo da relação entre os primeiros molares. 
MÁOCLUSÃO DE CLASSE III (MESIOOCLUSÕES)
Nas más oclusões de classe III (progenia), o primeiro molar inferior, em oclusão está mesialmente colocando em relação ao primeiro molar superior.
Desenho esquemático das relações entre o 1º molar superior e inferior em oclusão central. Á direita estas relações são normais (classe I de angle); no centro a distalização do molar inferior (classe II de angle); e a esquerda este dente fica mesialmente colocado em relação ao superior (classe III de angle).
OCLUSÃO CENTRAL NA DENTAUDURA DECÍDUA
Os dentes temporários dispõem-se do mesmo modo que os permanentes, em arco, sendo que o superior ultrapassa vestibularmente o inferior (psalidodontia).
 Os incisivos e caninos superiores decíduos tem uma dimensão mesiodistal maior que a dos inferiores, colocam os caninos superiores distalmente com respeito aos inferiores.
 Apesar disso, a face distal dos segundos molares termina em um mesmo plano vertical, devido às dimensões mesiodistais dos molares inferiores serem maiores que de seus homólogos.
 Este fato determina que o primeiro molar permanente, ao irromper, tome contato com uma relação cúspide com cúspide, uma vez que são guiados pelo plano das faces distais dos segundos molares decíduos. 
 O contato correto entre os primeiros molares superiores (chave de oclusão) só se dará em razão ao deslizamento dos planos cúspideos, após a queda dos segundos molares decíduos.
Como a dimensão mesiodistal dos molares decíduos é maior que as correspondentes dos pré-molares substitutos após a queda daqueles permanece um espaço livre (Nance) que permitirá a acomodação dos molares permanentes na chave de oclusão. Esta acomodação se faz devido à migração mesial do primeiro molar inferior permanente ser maior do que a migração mesial do primeiro molar superior permanente. 
 No primeiro caso a distância é de 1,7mm e no segundo caso a migração é de 0,9mm.
Esquema destinado a mostrar que a soma das distâncias MD dos dentes decíduos (caninos e molares é nove décimos de milímetro maior que a soma das distâncias MD dos dentes permanentes (caninos e pré-molares superiores). No arco inferior esta diferença orça em torno de 1 milímetro e sete décimos.
Do mesmo modo que na dentadura permanente, há uma chave de oclusão para a dentadura decídua, a qual se estabelece entre os segundos molares.
 Na oclusão central dos dentes decíduos, encontra-se a cúspide mesiovestibular do segundo molar superior ocluindo com o sulco vestibular do segundo molar decíduo inferior e a cúspide mesiolingual do segundo molar superior decíduo ocluindo na fóssula do seu homólogo inferior. 
 Os demais dentes decíduos ocluem quando observados pela face vestibular:
O incisivo central inferior oclui com os dois terços mesiais do incisivo central superior.
O terço mesial do incisivo lateral inferior oclui com o terço distal do incisivo central inferior.
Os dois terços distais do incisivo lateral inferior ocluem com a metade mesial do incisivo lateral superior.
A metade mesial do canino inferior oclui com a metade distal do incisivo lateral superior.
A metade distal do canino inferior oclui com a metade mesial do canino superior.
O terço mesial do primeiro molar inferior oclui com metade distal do canino superior.
Os dois terços distais do primeiro molar inferior ocluem com os dois terços mesiais do primeiro molar superior.
O quarto mesial do segundo molar inferior oclui com o terço distal do primeiro molar superior.
Os três quartos distais do segundo molar inferior ocluem com o segundo molar superior.
A análise das relações oclusais levada a efeito para cada dente, em separado, permite dizer que, de um modo geral, os dentes temporários tem uma inclinação axial muito pequena, aproximando-se da vertical, tanto no sentido mesiodistal quanto no sentido vestibulolingual. 
 
OCLUSÃO NORMAL
Pode-se definira oclusão normal individual como vinte e oito dentes corretamente ordenados no arco em harmonia com todas as forças estáticas e dinâmicas que atuam sobre eles atuam; ou antes, a oclusão normal é uma oclusão estável, sã e esteticamente atrativa.
As dez chaves de oclusão, ou princípios de oclusão normal, a seguir relatadas, se constituem nos fundamentos básicos de uma oclusão satisfatória do ponto de vista estático e dinâmico.
 Constitui-se em um norte ou guia para obtermos a oclusão ideal.
AS DEZ CHAVES DE OCLUSÃO
CHAVE I – RELAÇÃO MOLAR
A primeira das dez chaves de oclusão é a relação molar, ou chave de oclusão molar de angle, na qual a cúspide mesiovestibular do primeiro molar superior oclui no sulco mesiovestibular do primeiro molar inferior.
A melhor indicação para oclusão normal, além da chave de angle, é que haja o contato vertente distal da cúspide distovestibular do primeiro molar superior permanente com a superfície mesial da cúspide mésiovestibular do segundo molar inferior permanente.
CHAVE II – ANGULAÇÃO MESIODISTAL DOS DENTES
Considerou-se a angulação da coroa como ângulo formado pelo eixo vestibular da coroa clínica (EVCC) em uma linha perpendicular ao plano oclusal.
 A porção cervical do longo eixo de cada coroa encontra-se distalmente a sua superfície oclusal.
	
+ distalmente Angulação positiva
	+ mesialmente Angulação negativa
. 
CHAVE III – INCLINAÇÃO DA COROA OU ‘’TORQUE’’ VESTIBULOLINGUAL
Considera-se a inclinação da coroa como ângulo formado entre a linha perpendicular ao plano oclusal e uma linha paralela e tangente ao eixo vestibular da coroa clínica no seu ponto central.
 A inclinação axial dos dentes está intimamente relacionada ao torque, clinicamente representado por uma força de tração.
	+ lingualizado
		- vestibularizado	
Esse ângulo apresenta as seguintes características para dentes individuais: a maioria dos incisivos superiores (81,5%) exibiu uma inclinação positiva (incisivos centrais + que laterais); os incisivos inferiores mostraram uma inclinação ligeiramente negativa.
 Nas coroas posterosuperiores (do canino ao molar superior), a inclinação apresentou-se negativa, sendo ligeiramente mais pronunciada nos molares do que nos pré-molares e caninos.
 Nas coroas posteroinferiores (do canino ao molar), as inclinações das coroas inferiores apresentaram-se progressivamente mais negativas desde os incisivos até os segundos molares.
Valores médios da inclinação vestibulopalatina da coroa dos dentes superiores (segundo Andrews).
Valores médios da inclinação vestíbulolingual da coroa dos dentes inferiores (segundo Andrews).
CHAVE IV – ÁREAS DE CONTATO INTERPROXIMAL RÍGIDAS
Em virtude da disposição dos dentes, eles se contatam através das faces proximais. Deste modo se estabelece uma relação entre a face distal de um dente com a mesial do que lhe segue, fazendo exceção aos incisivos centrais, que se tocam pelas faces mesiais, e os últimos molares, que tem as suas faces distais livres.
 A área de contato deve ser considerada como verdadeira entidade anatomopatológica que garante a integridade do periodonto.
Se, por motivos vários (cáries, má posição dental), estas áreas forem destruídas ou anormalmente dispostas, haverá ruptura do equilíbrio entre os dentes contíguos, acarretando traumatismo para o lado das estruturas de suporte dental.
 Observando-se os dentes através de suas faces oclusais, nota-se que, em virtude de divergência das faces proximais no sentido vestibulopalatino (ou lingual), a área de contato sempre se localiza mais próxima ao terço vestibular. 
Ao redor da área de contato podem-se considerar quatro espaços, a saber: ameia vestibular, ameia palatina ou lingual, espaço interdental e sulco interdental.
 Quando observamos os dentes através de suas faces oclusais, as ameias correspondem aos espaços prismático-angulares situados para o lado vestibular ou para o lado palatino. Em virtude da posição da área de contato, a ameia vestibular é sempre menor do que a palatina ou lingual.
 Quando observamos os dentes através de suas faces proximais, os espaços situados acima e abaixo da área de contato correspondem, respectivamente, ao sulco interdental e ao espaço interdental. Este último é preenchido pela papila gengival.
Esquema representando as ameias vestibular (AV) e palatina (AP), o espaço interdental (EI) e o sulco interdental (SI). Notar que, em virtude da divergência das faces proximais no sentido vestibulopalatino, a ameia lingual (palatina) é maior que a vestibular.
CHAVE V – AUSÊNCIA DE ROTAÇÕES DENTAIS
Em uma visão oclusal, os sulcos principais mesiodistais de pré-molares e molares estão conformados em um segmento de curva, de modo a haver perfeito engrenamento dos dentes superiores e inferiores, quando em oclusão central.
 Fica evidente que para obtermos uma oclusão normal, não podemos encontrar rotações dentais, pois estas modificam a harmonia do arco, alterando suas dimensões, dando como consequência a falta de engrenamento correto entre os dentes antagonistas.
 Contatos prematuros, traumas oclusais, distúrbios na articulação temporomandibular são apenas alguns problemas advindos deste fato.
CHAVE VI – CURVA DE SPEE
A observação cuidadosa dos arcos dentais quando visto por vestibular, demonstra que as superfícies oclusais não se adaptam a uma área plana e sim ligeiramente curva (côncava ao nível dos dentes inferiores e convexa nos superiores).
 A curva de spee é uma linha curva no sentido ântero-posterior que tangencia as pontas de cúspides vestibulares dos dentes posteriores e as bordas incisais dos incisivos.
 Essa curva foi descrita por Von spee, em 1980, como côncava, no nível dos dentes inferior, e convexo no nível dos dentes superiores, sendo o ponto mais inferior à ponta da cúspide mésio-vestibular.
No planejamento ortodôntico, deve-se considerar a curva de spee por causa da necessidade de espaço para o seu nivelamento. Em casos sem extrações, o nivelamento da curva de spee inclina os incisivos inferiores para vestibular, aumentando o perímetro do arco inferior.
 Durante a execução biomecânicas ortodônticas promovem-se alteração no processo dentoalveolar nivelamento da curva de spee, tornando-a a mais próxima do plano oclusal.
 A curva de spee deve manter harmonia com os movimentos funcionais de oclusão em protrusiva e em látero-protrusão. O tratamento ortodôntico pode ser finalizado estando a curva de spee relativamente plana. No entanto, tangenciara a traçar uma trajetória curva através da função mastigatória, após a remoção do aparelho ortodôntico.
A profundidade da curva de spee variou de um plano raso até uma superfície ligeiramente côncava. Nos modelos normais, não tratados, a curva de spee não ultrapassou 2,5mm de profundidade quando medida a partir da cúspide mais proeminente do segundo molar inferior até o incisivo central inferior.
Curva de spee côncava A, tendente a plana B e convexa C, evidenciando melhor intercuspidação em B. Caso a curva não fosse ligeiramente plana, os dentes de um arco estariam apinhados, enquanto os do outro, espaçados.
CHAVE VII – CONFORMAÇÃO DO ARCO DENTAL
Ao obervarmos através de uma vista oclusal o contorno dos arcos superiores e inferiores deveram considerar uma linha imaginária, que não é contínua, mas sofre desvios, passando ao nível do terço médio da face vestibular de cada dente, em virtude de ser esta a posição que se ajusta ao arco usado nos tratamentos ortodônticos.
No arco superior, a face vestibular dos incisivos centrais é mais proeminente que a dos laterais colocando-se estes num plano mais lingual que em relação daqueles.
 O canino, em vista da forma mais bojuda de sua coroa, se sobressai vestibularmente ao lateral, demarcando a transição da curvatura anterior para posterior do arco dental.
 Os primeiros pré-molares situam-se pouca coisa mais para a vestibular do que os caninos;os segundos pré-molares e a mesial do primeiro molar estão colocados cada vez mais vestibularmente, abrindo-se o arco em direção posterior. À altura do primeiro molar, em virtude da proeminência de sua cúspide mesial, forma-se um verdadeiro desvio vestibular do arco, o mesmo acontecendo com o segundo molar.
 A partir deste, o segmento molar converge para lingual, obedecendo à curvatura imposta pelo anel formado em torno dos arcos pelo músculo orbicular dos lábios e constritor superior da faringe.
Esquema demonstrando o contorno normal dos arcos dentais superiores A, com os desvios correspondentes á morfologia das faces vestibulares dos dentes, quando da confecção dos arcos ortodônticos. Eles correspondem aos valores médios da proeminência das coroas no arco superior.
No arco inferior os incisivos se dispõem segundo uma curva harmoniosa que logo a seguir, em face da grande proeminência dos caninos, forma uma angulação bem marcada para labial, porém menor do que no arco superior.
 Á medida que nos distalizamos no arco inferior, notamos que os pré-molares vão se posicionando cada vez mais para a vestibular e ao nível da cúspide mesiovestibular do primeiro molar (devido a sua grande proeminência) há uma acentuação da curva para a vestibular. Ao nível do segundo molar nota-se uma nova acentuação da curva para vestibular, convergindo o arco, a seguir para lingual. 
Esquema demonstrando o contorno normal dos arcos dentais inferiores B, com os desvios correspondentes á morfologia das faces vestibulares dos dentes, quando da confecção dos arcos ortodônticos. Eles correspondem aos valores médios da proeminência das coroas no arco inferior.
A morfologia dos arcos superiores e inferiores, obedecendo às curvaturas e os desvios citados, não é apenas uma condição estética, mas essencialmente funcional e de equilíbrio da oclusão.
CHAVE VIII – GUIAS DE OCLUSÃO DINÂMICA
Só teremos uma oclusão normal individual quando os dentes, maxilares, articulações e músculos permanecerem em um estado funcional ótimo estabelecido, segundo Saito, pelos seguintes requisitos:
As resultantes das forças oclusais devem seguir uma direção axial biologicamente favorável às estruturas de suporte.
É necessário haver estabilidade mandibular, ou seja, parada estável com contatos bilaterais simultâneos entre os dentes, em cêntrica (posição de máxima intercuspidação).
Não deve existir interferência em qualquer dente posterior no lado de trabalho durante os movimentos de lateralidade;
Para tal, precisamos obter:
 Desoclusão no lado de balanceio dos movimentos de lateralidade.
 Desoclusão de todos os dentes posteriores em movimento protrusivo.
 Guia incisal em harmonia com os movimentos bordejantes.
 Espaço funcional livre correto, permitindo uma função harmoniosa da oclusão com o complexo neuromuscular e ATM.
O lado para qual a mandíbula se movimenta é denominado lado de trabalho e as relações de contato entre os dentes inferiores com os superiores, neste lado, podem ser:
FUNÇÃO DE GRUPO
Quando todas as cúspides vestibulares inferiores e superiores se contatam no lado de trabalho, desde o canino até o molar, distribuindo forças laterais a este grupo de dentes.
GUIA CANINO
Quando há uma desoclusão, pelo canino, de todos os dentes em excursões laterais.
CHAVE IX – EQUILÍBRIO DENTAL
Qualquer tratamento que vise unicamente um posicionamento estético dental pode fracassar se não se levar em consideração as forças funcionais oriundas dos dentes, ligamentos, músculos mastigadores e da mímica, da língua, do palato e da faringe. O desequilíbrio entre estes elementos ocasiona fatalmente a perda da oclusão normal.
Os fatores mecânicos responsáveis pelo equilíbrio dental são:
FORÇAS MOTORAS 
 Representadas pela ação dos músculos mastigadores que aplicam a mandíbula contra a maxila (músculos propulsores, retropulsores, elevadores, abaixadores e diductores), bem como os demais grupos musculares citados.
FORÇAS RESISTENTES E RESISTÊNCIA PASSIVA 
 Reveladas pelos próprios dentes, quer antagonistas, quer vizinhos, que se opõem ao deslocamento vertical e mesiodistal; pelo alvéolo que se opõe ao aprofundamento dos dentes; pela musculatura labioglossogeniana.
ELEMENTOS QUE DISTRIBUEM AS FORÇAS MASTIGATÓRIAS
 A forças que atua sobre um dente não age sobre um ponto nem em uma única direção. Os planos inclinados das cúspides dividem a força primitiva em secundária, repartindo-a em várias direções. Os choques assim divididos são mais bem suportados e a trituração dos alimentos é mais perfeita.
COXIM-ELÁSTICO 
Graças ao coxim – elástico representado pelo ligamento alveolodental, o choques que se manifestam sobre os dentes são amortecidos.
EQUILÍBRIO VESTIBULOLINGUAL
Diversos fatores asseguram este tipo de equilíbrio, que atuam de maneira diferente nos dentes anteriores e nos posteriores, no seu estado dinâmico estático.
Para os dentes posteriores, o equilíbrio é obtido, no estado estático pela dupla ação da musculatura jugolingual.
 No estado dinâmico, isto é, durante a mastigação, dois novos fatores intervêm. Em primeiro lugar, observa-se que o esforço mastigatório se produz de acordo com o próprio eixo do dente, em segundo lugar, interferem os planos inclinados, que asseguram o equilíbrio e impedem que as pirâmides oclusais se rompam. Os componentes horizontais das cúspides antagônicas têm o mesmo valor e sentido oposto o que assegura o equilíbrio, já que se anulam mutuamente. 
Para os dentes anteriores a situação é diferente. A dupla ação da musculatura labiolingual não somente realiza o equilíbrio estático como também o dinâmico, contribuindo consideravelmente para manter este último durante o ato mastigatório.
Estes dentes incisivos não possuem, como molares, os duplos planos inclinados cuspídeos, e, além disso, o ângulo de ação das forças mastigadoras não se faz segundo o eixo do próprio dente. Verifica-se, desta maneira que o componente horizontal é muito maior que a vertical, tendendo o equilíbrio se romper no sentido vestibular, se a musculatura labial não se opuser.
Esquema destinado a elucidar o jogo da musculatura labiolingual I, e glossogeniana 2, no equilíbrio dental. A – lábio; B – língua; C – bochecha. 
EQUILÍBRIO MESIODISTAL
O fator principal para a sua manutenção é constituído pelo apoio dos dentes proximais, uns em contato com os outros.
 O periodonto se organiza, assegurando ativo amparo a esta movimentação, tanto estática como dinâmica. 
 A força mastigadora parece ser um elemento de ruptura deste equilíbrio, pelo menos para os dentes posteriores, em virtude das cúspides dos dentes inferiores situarem-se como cunha no sulco intercuspídeo dos dentes superiores. Mas o apoio interproximal age impedindo o rompimento deste equilíbrio.
 Equilíbrio dental mesiodistal ([região dos pré-molares) no estado dinâmico e na oclusão engrenante.
No curso da evolução da dentadura, quando a queda dos dentes temporários se faz normalmente, o dente de substituição vai muito rapidamente ocupar seu lugar no arco, a fim de impedir a ruptura do equilíbrio mesiodistal.
 Quando, entretanto, a queda é precoce e a substituição retardada, o desequilíbrio é total. O mesmo se diga com respeito aos dentes permanentes.
 Quando há quebra do equilíbrio articular, pela perda de um ou mais elementos do arco, como por exemplo, pela ausência do primeiro molar inferior, observa-se a mesialização do segundo e terceiro molar inferiores. Concomitantemente, formam-se diastemas entre o primeiro e segundo pré-molares inferiores, bem como extrusão do primeiro molar superior, em virtude da ausência do dente antagonista.
EQUILÍBRIO VERTICAL
Dois fatores contribuem para assegurar o equilíbrio vertical:
FORÇA MASTIGADORA
Esta força impede a egressão ou saída do dente do alvéolo; porém ela não exerce continuadamente, mas sim por intervalos, uma vez que cada deglutição produz-se uma oclusão com consequente pressão sobre os dentes.
LIGAMENTO ALVEOLODENTALEste ligamento opõe-se à ingressão do dente no alvéolo. 
Decompondo-se as forças que se manifestam sobre os dentes e transmitindo-as sob ‘forma de tensão á parede alveolar, os diferentes feixes de ligamento evitam o aprofundamento do dente no alvéolo. 
CHAVE X – HARMONIA FACIAL
A harmonia das linhas faciais e um perfeito equilíbrio entre suas partes, incluindo obviamente os dentes, são imprescindíveis para compreensão e o verdadeiro objetivo da oclusão normal.
RADIOGRAFIA DE MÃO E PUNHO
 
CLASSIFICAÇÃO DAS MÁS OCLUSÕES
CLASSIFICAÇÃO DE ANGLE
Angle pressupôs que o primeiro molar permanente superior ocupava uma posição estável no esqueleto craniofacial, e que as desarmonias decorriam de alterações anteroposteriores da arcada inferior em relação a ele.
 Dividiu as más oclusões em três categorias básicas, que se distinguem da oclusão normal descrita no capítulo anterior. As classes de má oclusão foram divididas em I, II e III.
CLASSE I
Estão incluídas neste grupo as más oclusões onde a há relação anteroposterior normal entre os arcos superior e inferior, evidenciada pela ‘’chave de molar’’. 
 O autor denominou chave de molar a oclusão correta entre molares permanentes superior e inferior, na qual a cúspide mesiovestibular do primeiro molar superior oclui no sulco mesiovestibular do primeiro molar inferior.
Nos pacientes portadores de classe I de angle é frequente a presença de um perfil facial reto e equilíbrio nas funções da musculatura peribucal, mastigadora e da língua.
 O perfil facial reto é frequente.
 Os problemas oclusais que podem ocorrer isoladamente ou combinados são normalmente devidos á presença de falta de espaço no arco dental (apinhamento), excesso de espaço no arco (diastema), mas posições dentais individuais, mordida aberta, mordida profunda ou sobremordida, cruzamento de mordida ou até mesmo protrusão dental simultânea dos dentes superiores e inferiores (biprotrusão).
Em geral nos casos de mordida aberta ou de biprotrusão dental o perfil facial torna-se convexo.
CLASSE II
São classificadas como classe II de angle as más oclusões nas quais o primeiro molar permanente inferior situa-se distalmente ao primeiro molar superior, sendo por isso denominada distoclusão.
 Sua característica determinante é que o sulco mesiovestibular do primeiro molar permanente inferior encontra-se distalmente á cúspide mesiovestibular do primeiro molar superior.
 Em geral, os pacientes classificados neste grupo apresentam perfil facial convexo.
Chave molar. É a relação presente na oclusão normal, assim como a má oclusão de classe I. Quando os molares estão em chave, a ponta da cúspide mesiovestibular do superior oclui no sulco mesiovestibular do 1ª molar inferior. 
A figura mostra o perfil convexo, frequente nos pacientes classe II.
CLASSE II DIVISÃO 1a
Angle citou nesta divisão, as más oclusões de classe II com inclinação vestibular dos incisivos superiores.
 São frequentes nestes pacientes os problemas de desequilíbrio da musculatura facial, decorrentes do distanciamento vestibulolingual entre os incisivos superiores e inferiores. Esse desajuste anteroposterior é denominado sobressaliência ou ‘’overjet’’. O perfil facial destes pacientes é, em geral, convexo.
Observa-se que o sulco mesiovestibular do 1ª molar inferior situa-se distalmente à cúspide mesiovestibular do 1ª molar superior.
 
 Notar o desequilíbrio muscular com incompetência dos lábios e aprofundamento do sulco mentolabial
 
A vestibularização dos incisivos superiores cria uma projeção destes em relação aos incisivos inferiores. Essa projeção é denominada sobressaliência ou overjet.
Podemos observar associada á classe II divisão 1ª, a presença de:
MORDIDA PROFUNDA – já que o contato oclusal dos incisivos está alterado pela sobressaliência, estes tendem a extruir, aprofundando a mordida.
MORIDA ABERTA – presente nos pacientes que possuem hábitos inadequados seja devido à interposição de língua, sucção digital ou de chupeta.
PROBLEMAS DE ESPAÇO – falta ou excesso de espaço no arco.
CRUZAMENTOS DE MORDIDA – nos casos com sobressaliência, a língua tende a se projetar para anterior durante as funções de deglutição e fonação, mantendo-se assentada no assoalho bucal (ao invés de tocar o palato duro) durante o repouso. Este desequilíbrio favorece a lingualização dos pré-molares e molares superiores, podendo gerar mordidas cruzadas.
Lingualização dos dentes posteriores superiores, o que pode levar ao cruzamento lingual de mordida. Nestes casos as cúspides vestibulares de pré-molares ou molares ocluem no sulco central dos dentes inferiores.
MÁS POSIÇÕES DENTAIS INDIVIDUAIS
Em alguns casos, a relação molar de classe II ocorre apenas um dos lados. Nestes casos dizemos que estamos diante de uma classe II divisão 1ª subdivisão direita (quando a relação molar de classe II estiver somente no lado direito) ou classe II divisão 1ª subdivisão esquerda (quando a classe II estiver no lado esquerdo).
CLASSE II DIVISÃO 2a
Esta classe engloba as más oclusões que apresentam relação molar de classe II sem sobressaliência dos incisivos superiores, estando eles lingualizados ou verticalizados.
As más oclusões de classe II divisão 2ª de angle caracterizam-se pela distoclusão (relação molar de classe II) e lingualização e verticalização dos incisivos superiores. Neste caso clínico, há lingualização apenas dos dois incisivos centrais.
Os perfis faciais mais comuns a esta má oclusão são o perfil facial reto e o levemente convexo, associados respectivamente á musculatura equilibrada ou aquela com suave alteração. 
Perfil facial levemente convexo, usual nas classes II divisão 2ª. Neste caso há suave desequilíbrio muscular.
É possível que encontremos associada á classe II divisão 2ª, mordida profunda anterior, principalmente nos casos em que não há contato interincisal.
Aspecto de uma classe II divisão 2ª com severa sobremordida. Tanto os incisivos centrais quanto os laterais superiores estão lingualizados.
Quando a má oclusão de classe II divisão 2ª apresenta relação molar de classe II somente de um dos lados, usamos o termo subdivisão. 
Paciente portador de má oclusão de classe II divisão 2ª subdivisão direita, isto é, a relação molar de classe II está apenas do lado direito, enquanto o lado esquerdo apresenta chave de molar.
CLASSE III
Angle classificou as más oclusões nas quais o 1º molar permanente inferior, e, portanto seu sulco mesiovestibular encontra-se mesializado em relação à cúspide mesiovestibular do 1º molar permanente superior.
A mesioclusão do 1º molar permanente é a característica determinante da má oclusão de classe III de angle. Notar que o sulco mesiovestibular do molar inferior está mesializado em relação á cúspide do 1º molar superior. O perfil côncavo é frequente nesses pacientes.
O perfil facial é predominantemente côncavo e a musculatura está em geral, desequilibrada. Os cruzamentos de mordida anterior ou posterior são frequentes.
 Eventualmente encontramos problemas de espaço (falta ou excesso), mordidas abertas ou profundas e más posições dentais individuais.
 Caso apenas um dos lados esteja em classe III, empregamos o termo subdivisão.
Suas limitações estão no fato de o 1º molar superior permanente não é estável no esqueleto craniofacial, como provaram estudos cefalométricos posteriores; baseia-se somente no posicionamento dos dentes, deixando de elucidar os aspectos ósseos e musculares, e considera apenas as alterações no sentido anteroposterior, não citando as verticais ou transversais.
No sentido de suprir as eventuais falhas da classificação de angle, descreveremos a classificação de Lisher e de Simon, que enfocam outros aspectos das más oclusões.
CLASSIFICAÇÃO DE LISHER
Em 1911 Lisher sugereum modo de se classificar o mau posicionamento dental de forma individualizada, isto é, o autor utiliza um nome, que define a alteração do dente em relação a sua posição normal. Acrescentou o ‘’sufixo’’ versão ao termo indicativo da direção do desvio.
 MESIOVERSÃO O dente está mesializado em relação à sua posição normal.
Mesioversão do 1º molar superior esquerdo decorrente da perda do 1º e 2º pré-molar superior
 DISTOVERSÃO – distalização do dente em relação a sua posição ideal.
 VESTIBULOVERSÃO OU LABIOVERSÃO – o dente apresenta sua coroa vestibularizada em relação á posição normal.
Vestibularização do 1º pré-molar inferior direito
 LINGUOVERSÃO – a coroa dental está lingualizada em relação á sua posição ideal.
Linguoversão do incisivo lateral superior direito
 INFRAVERSÃO – o dente apresenta sua face oclusal (ou incisal) aquém do plano oclusal.
Os caninos superiores desta paciente encontram em infraversão, isto é, estão aquém do plano oclusal.
 SUPRAVERSÃO – o dente está com a face oclusal, ou borda incisal, além do plano de oclusão.
 GIROVERSÃO – indica uma rotação do dente em torno do seu longo eixo.
Giroversão dos quatro incisivos inferiores. Os dentes sofreram rotações em torno do seu longo eixo.
 AXIOVERSÃO – há uma alteração da inclinação do longo eixo dental.
Axioversão do incisivo lateral superior direito, isto é, o longo eixo dental sofreu uma alteração.
 TRANSVERSÃO – o dente sofreu uma transposição, isto é, trocou seu posicionamento no arco dental com outro elemento dental.
 PEVERSÃO – indica a impactação do dente em geral por falta de espaço no arco.
Os termos criados por Lisher podem ser combinados para denominar um dente que reúne duas ou mais alterações, como inframesioversão, axigiroversão, ou ainda mesiolinguo-supraversão.
CLASSIFICAÇÃO DE SIMON
A classificação de Simon data de 1922 e prevê a divisão das más oclusões relacionado os arcos dentais, ou parte deles, com três planos anatômicos.
 Os planos escolhidos foram os de Frankfurt, o sagital mediano e o orbital.
ANOMALIAS ÂNTERO-POSTERIORES
Empregando como referência o plano orbital. Simon denominou protração a anteriorização de todo o arco dental, ou parte dele, e retração o deslocamento de um ou mais dentes para posterior.
ANOMALIAS TRANSVERSAIS
São relacionadas ao plano sagital mediano, e diz-se contração quando há aproximação de um dente ou segmento de arco e distração para o afastamento em relação ao plano.
ANOMALIAS VERTICAIS
Foram relacionadas ao plano de Frankfurt, e denominadas atração quando se aproximam do plano (intrusão dos dentes maxilares e extrusão dos dentes mandibulares) e abstração quando se afastam.
Plano orbitrário (B) Plano sagital mediano (C) Plano horizontal de Frankfurt