Buscar

Resumo Unidade psc

Prévia do material em texto

Resumo Unidade I
Desenvolvimento humano é o estudo que procura descrever, explicar e predizer as etapas pelas quais o homem passa ao longo de seu ciclo vital, em relação aos aspectos físico, cognitivo e psicossocial, desde a concepção até o final da vida com a morte.
Os primeiros estudos sobre o desenvolvimento humano tiveram início durante o século XIX com investigações sobre a infância e somente no século XX a adolescência começou a ser estudada como uma etapa separada das demais.
São várias as teorias que estudam e explicam o desenvolvimento humano, e nessa disciplina foram citados os seguintes teóricos: Jean Piaget,
Burrhus Skinner, Sigmund Freud, Erik Erikson, René Spitz, John Bowlby e Kohlberg.
O início da vida se dá com a fecundação que ocorre no momento em que um espermatozoide de um homem penetra em um óvulo de uma mulher para formar um único ovo ou zigoto, iniciando-se então o processo de reprodução celular.
O desenvolvimento pré-natal leva em média 38 semanas e é dividido em três estágios: o período germinativo ou zigótico, período embrionário, período fetal. Fatores gerais de risco (nutrição, idade, estresse psicológico e atividade física da mãe) e fatores teratogênicos (doenças, drogas e riscos ambientais) podem ter efeitos sobre o desenvolvimento pré-natal.
O nascimento é marcado pelo momento em que o feto é retirado do útero materno, tornando-se um bebê. Denomina-se parto esse momento de expulsão, que pode ocorrer de várias formas: parto normal, fórceps, induzido, cesariana, cócoras etc. O processo do parto pode ser facilitado ou dificultado por fatores anatômicos, fisiológicos e psicológicos.
O recém-nascido possui uma série de habilidades, a saber: reflexos, habilidades sensoriais, desenvolvimento físico-motor, desenvolvimento cognitivo, habilidades sociais. 
O desenvolvimento da criança de 0 a 2 anos é composto de uma série de fatores inter-relacionados com os demais aspectos desenvolvimentais:
físicos, cognitivos e psicossociais. Para estudar e compreender esse processo, foi utilizado neste capítulo os conceitos da teoria dos seguintes autores Gesell, Skinner, Piaget, Erikson e Bowlby.
Estudamos também nesta Unidade as características da criança na segunda e terceira infância, período que marca a passagem da infância para a adolescência.
A criança de 2 a 6 anos, também chamada de criança pré-escolar, apresenta um contínuo crescimento físico, mas não tão rápido como no período anterior; é também nesse momento que se aperfeiçoam as habilidades motoras globais e finas. Há mudanças em relação à rotina do sono e à dentição.
A criança de 2 a 6 anos apresenta um pensamento pré-operatório; há o aparecimento da função simbólica (capacidade de empregar símbolos e signos que substituem as coisas, observada na linguagem, no jogo simbólico, na imitação indireta ou representativa), trazendo modificações na conduta afetiva e intelectual da criança. Outras características
são: pensamento egocêntrico, finalista, animista, artificialista e
irreversibilidade.
As crianças entre 4 e 5 anos desenvolvem uma teoria da mente, quer dizer, são teorias sobre como sua própria mente e a dos outros funcionam e como as pessoas são afetadas por suas crenças e sentimentos.
É comum a criança pré-escolar apresentar surtos de negativismo e acessos de raiva, por essa ocasião há ainda a construção da identidade de gênero; além disso, a criança passará por duas crises: autonomia versus vergonha e dúvida; e iniciativa versus culpa.
Nos relacionamentos sociais, a criança pré-escolar apresenta mudanças em relação aos relacionamentos verticais e relacionamentos horizontais.
A criança de 7 a 11 anos, também chamada de criança escolar, emrelação ao desenvolvimento físico, continua a crescer durante os anos escolares e as habilidades motoras melhoram notavelmente, embora isso aconteça de forma menos rápida que nos períodos anteriores. As crianças ficam mais fortes, rápidas, bem coordenadas e se tornam mais autônomas nas tarefas diárias. Os processos biológicos ligados à puberdade (sobretudo o desenvolvimento das características sexuais secundárias) podem aparecer nas meninas a partir dos 9 anos e para os meninos a partir dos 11 anos.
A criança de 7 a 11 anos desenvolve o pensamento operatório concreto, pensa antes de agir, possui uma discussão interiorizada,liberta-se do egocentrismo social e intelectual. 
Com isso ocorre o início da construção lógica, isto é, a capacidade de estabelecer relações que permitam a coordenação de pontos de vista diferentes.
O escolar apresenta a noção de conservação, possui um pensamento reversível; tem noção de tempo, velocidade e espaço. É capaz de realizar operações lógicas, tais como: adição, subtração, multiplicação, divisão e operações geométricas.
No plano afetivo, o escolar apresenta novos sentimentos morais, tais como: uma moral autônoma baseada no respeito mútuo, honestidade, companheirismo, senso de justiça e cooperação. Dessa forma, torna-se capaz de jogar os jogos de regra, pois consegue compreender e respeitar as regras.
No período escolar, o desenvolvimento do eu é marcado por um autoconceito cada vez mais abstrato, mais focalizado em qualidades internas do que ligado à aparência externa. Surge um juízo global de autovalia, e a opinião da criança sobre sua própria competênciadependerá de fatores como: quão competente se acha e do apoio social que recebe.
Nos relacionamentos sociais, a criança escolar tende a apresentar uma autonomia natural em relação aos seus pais e a ampliar o número de amigos.
Suas amizades são baseadas na confiança recíproca e há segregação dos grupos por gênero, a famosa “turma da Luluzinha” e “turma do Bolinha”.
Aparecem as amizades mais duradouras, que continuam ao longo desses anos e às vezes se perpetuam pela vida adulta. Com relação às brincadeiras, passam de impetuosas (lutas, golpes, perseguições) para brincadeiras com regras (amarelinha, esconde-esconde e pega-pega).
Resumo Unidade I I
Puberdade (12 a 18 anos) está ligada às modificações biológicas que se passam nessa fase, assinaladas por dois tipos gerais de mudanças físicas:
ao aumento no peso, na altura, na gordura e nos músculos corporais e à maturação sexual e ao desenvolvimento das características sexuais secundárias. O final da puberdade se caracteriza pelo amadurecimento gonodal e o fim do crescimento esquelético, o que ocorre em torno dos 18 anos.
Adolescência (12 a 18 anos) diz respeito às transformações psicossociais que acompanham o processo biológico; o início da adolescência pode coincidir ou não com a puberdade. O final da adolescência está interrelacionado com fatores socioculturais.
O desenvolvimento cognitivo se caracteriza por operações formais (PIAGET, 1967); o adolescente constrói sistemas e teorias, liga soluções de problemas por meio de teorias gerais, é capaz de deduzir as conclusões de puras hipóteses e não somente por meio de uma observação real (pensamento hipotético-dedutivo).
Na adolescência, há uma crise e consequente construção de identidade. 
Identidade é a consciência que o indivíduo tem de si mesmo como “um ser no mundo”, traz o sentimento de pertinência e de diferenciação. Construir a identidade implica formar uma autoimagem e integrar as ideias que se têm sobre si mesmo e os feedbacks que os outros emitem a seu respeito.
Para Erikson (1974), o dilema dessa fase é identidade versus confusão de papéis.
As principais características da puberdade/adolescência são:
culminação do processo de separação/individuação dos pais da
infância; elaboração de lutos referentes à perda da condição infantil;
estabelecimento de uma escala de valores ou código de ética próprio;
busca de pautas de identificação no grupo de iguais;
 estabelecimento de um padrão de luta/fuga no relacionamento com a geração precedente;
aceitação dos ritos de iniciação como condição de ingresso ao status adulto; 
e assunção de funções ou papéis sexuais auto-outorgados.
A vida adulta compreende o período em torno dos 20 aos 65 anos, pode-se observar neleque os aspectos físicos contemplam um continuum, que vai da plenitude física ao começo do declínio. O adulto jovem (20 e 40 anos) tem como temas centrais da vida o amor, o trabalho e a ética. É uma idade de muitas produções, assume e responde pelas próprias escolhas e
pelos seus compromissos. 
Com relação aos aspectos físicos na fase adulta jovem ou juventude, há o auge das estruturas intelectuais e morais; pode-se afirmar que as funções corporais se encontram plenas, a força muscular está no seu ponto máximo, bem como a agudeza sensorial. Quanto à estatura, os homens costumam atingir sua estatura máxima por volta dos 21 anos e as mulheres, em torno dos 18 anos. O adulto jovem faz parte do grupo mais saudável da população. Por outro lado, as maiores causas de morte nesse período são principalmente acidentes e atos de violência, como homicídios ou suicídios.
A juventude se caracteriza pelo auge das estruturas intelectuais, é o início do trabalho e dos estudos superiores, muitas pessoas começam a modelar seu projeto de vida, colocando suas decisões à prova ou alterando seu plano de vida. 
De acordo com Erikson (1974), a juventude se caracteriza pelo sexto estágio psicossocial: as pessoas vivem o dilema intimidade versus isolamento.
 A intimidade se caracteriza pela capacidade de estabelecer de forma integral compromissos emocionais, morais e sexuais com outras pessoas, sendo necessário renunciar preferências
pessoais, aceitar responsabilidades e abrir mão da privacidade e da independência. Os indivíduos que não conseguem estabelecer relações de intimidade desenvolvem uma sensação de isolamento, incapacidade de se vincular a outros de forma psicologicamente significativa, são pessoas que mantêm relações superficiais, evitam contatos sociais, rejeitam as outras pessoas e podem até se tornar agressivos em relação a elas; preferem ficar sós porque temem a intimidade, que veem como uma ameaça à identidade do seu ego.
O segundo eixo central na vida do adulto jovem é o trabalho, há uma preocupação em se estabelecer profissionalmente, buscar por uma estabilidade profissional, o que é reforçado socialmente; tende a trabalhar muito, renunciar ao lazer e aos relacionamentos sociais a fim de se dedicar ao trabalho e/ou à carreira. O terceiro eixo central é a ética, que acompanha
o amor e o trabalho. 
Além da estabilização da vida afetiva e do início da vida matrimonial, alguns outros fatos são comuns nessa fase da vida: o ingresso na vida social plena; autossustento social, psicológico e financeiro; e o trabalho. 
Elementos básicos para o amadurecimento das pessoas, tais fatos muitas vezes acabam sendo postergados em função das atuais exigências e normas culturais. 
As consequências de tais restrições podem levar à dependência familiar; flutuações afetivas; falta de experiências vitais; tendência a idealizar. Outros fatores que delimitam esse período dizem respeito ao encontro ou conflito de gerações, a modelagem do projeto de vida. As escolhas são colocadas à prova ou modificadas.
Resumo Unidade I I
O desenvolvimento na meia-idade, também chamada de vida adulta média e tardia (40 a 65 anos), contempla alguns paradoxos; por um lado, poderá haver uma grande satisfação conjugal e profissional, mas, por outro, o declínio físico começa a ficar evidente.
Normalmente as pessoas na meia-idade apresentam boa forma física, cognitiva e emocional, e isso dependerá da história pregressa do indivíduo. O relógio biológico e o relógio social são sinalizadores disso.
Em relação ao desenvolvimento cognitivo, os adultos na meia-idade são capazes de integrar a lógica com a intuição e a emoção, tendem a ser bons para solucionar os problemas.
 O indivíduo pode fazer uso de sua inteligência cristalizada, que é a capacidade de lembrar e usar informações adquiridas durante uma vida inteira; está relacionada à educação, à experiência cultural e ao conhecimento especializado.
Em relação ao desenvolvimento psicossocial, a meia-idade é para muitos um período do auge da competência, produtividade e controle, momento no qual o indivíduo desenvolveu um grande senso de autoconfiança e autoestima, de tal forma que sente que é capaz de lidar e enfrentar todas as circunstâncias e questões que aparecem.
A meia-idade é a fase de maturidade na qual os adultos precisam estar ativamente envolvidos no ensino e na orientação da próxima geração, é a capacidade que Erikson denominou generatividade. Quando fracassam na capacidade generativa, são tomados pela estagnação, tédio e empobrecimento interpessoal, então passam a buscar compulsivamente uma pseudointimidade, mas ainda assim permanecem com o sentimento de “vazio”. 
A crise da meia-idade é caracterizada por um “balanço de vida”, que é balizado em função da finitude da vida, esse é o primeiro momento do ciclo vital em que o indivíduo se depara com a morte enquanto possibilidade real: amigos da mesma geração morrem, os sinais de envelhecimento são encarados de uma forma realística, algumas metas traçadas no projeto de
vida não foram alcançadas, o indivíduo percebe que está na metade da sua vida; além disso, pode ocorrer uma transformação na dinâmica familiar, o “ninho vazio”.
As mudanças demográficas no Brasil apresentam, hoje, o aumento do número proporcional e absoluto de idosos na população. A velhice pode ser divida em três grupos: idosos jovens (65 a 74 anos), idosos velhos (75 a 84 anos), idosos mais velhos (85 anos ou mais). 
Outra classificação da velhice mais significativa é pela idade funcional: envelhecimento primário
e envelhecimento secundário.
Dois pontos devem nortear os estudos sobre a velhice, o primeiro está relacionado ao aumento na expectativa de vida e consequentemente ao alargamento dessa fase no ciclo vital e o segundo está relacionado aos preconceitos e representações que os próprios idosos nutrem sobre a velhice.
A velhice é razoavelmente saudável, principalmente se houver um estilo de vida que incorpore exercícios e boa nutrição. Entretanto, é comum apresentarem problemas crônicos, tais como: perda de pigmentação, textura e elasticidade da pele, os pelos tornam-se mais finos e brancos, há diminuição da estatura, rarefação dos ossos e tendência a dormir menos, problemas visuais, artrite, hipertensão, problemas cardíacos, depressão, demência (mal de Alzheimer, mal de Parkinson ou derrames múltiplos). 
A memória mais afetada pela perda na velhice é a memória secundária, aquela que recupera um dado vários minutos ou horas depois de ser apresentado à pessoa, e não a memória primária, que permite recordar um dado pouco depois de ter sido informado. 
Já a memória terciária é completamente preservada, que é a que conserva a informação do
acontecido muitos anos antes. Por essa razão, o idoso é capaz de contar histórias do seu passado ricas em detalhes e não é capaz de responder se tomou o seu remédio pela manhã.
Na velhice o idoso examina, reflete e faz um último “balanço” sobre a própria vida. Se diante dessa análise sente-se satisfeito com a vida que viveu, apresenta um sentimento de realização e satisfação, pode-se dizer que ele tem a integridade de ego e conquistou a virtude da sabedoria, aceitando o seu lugar e o seu passado. Caso contrário, ele depara com um sentimento de frustração, fica aborrecido porque perdeu oportunidades e arrependido de erros que não pode corrigir, como não há mais tempo para corrigi-los, então há a desesperança. Os indivíduos ficam desgostosos consigo mesmos, ranzinzas, amargos em relação ao que poderiam ter sido, criticam e são intolerantes com as novas gerações.
A morte é a interrupção da vida e pode ocorrer em qualquer momento do ciclo vital.
O processo de luto congrega uma série de reações diante de uma perda ou morte e contempla quatro fases: fase de torpor ou aturdimento (choque);
fase de saudade e busca da figura perdida; 
fase de desorganização e desespero; 
fase de alguma organização.
Há alguns aspectos que interferem no processo de elaboração de luto:
a identidade e papel da pessoa morta; 
a idade e osexo do enlutado; as
causas e circunstâncias da perda;
 as circunstâncias sociais e psicológicas do enlutado, na época e após a perda; 
e a personalidade do enlutado.
A criança passa pelas mesmas fases do luto que o adulto. Os pais e educadores devem evitar respostas que escamoteiam o caráter de permanência da morte, bem como esconder seus sentimentos para não entristecer a criança, pois isso pode causar mais problemas, acaba por não permitir que a elaboração da perda ocorra.

Continue navegando