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UNIP Apostila Metodos Alternativos de Solução de Conflitos 2018 2

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denominado como uma “negociação assistida”.
ALGUNS ERROS COMUNS NA NEGOCIAÇÃO
Como dado adquirido, em todos os processos ocorrem erros. Na negociação existem erros
frequentes que são cometidos que com um pouco de cuidado se conseguem evitar. Um erro
frequente é a falta de preparação, um negociador que não tenha noção dos níveis de resistência
nem de aspiração facilita o fracasso na negociação. Não fazer concessões, tentar vencer em tudo o
que é proposto, não ter em atenção as diferenças culturais são alguns erros comuns praticados.
Outros tipos de erros que podem ocorrer são os erros perceptivos. O fato de criar estereótipos, criar
efeito de halo1 ou de contraste são erros comuns que comprometem a negociação. Por natureza
humana existem erros que não conseguimos muito bem evitar como o efeito da semelhança ou o
habitual erro das primeiras impressões. Qualquer tipo de erro sozinho ou em conjunto com outros
podem custar negociação entre as partes não se chegando a um acordo final.
MODALIDADES DE MÉTODOS DE COMPOSIÇÃO DE CONFLITOS
 
• Conceito : São as vias informais para solução de conflitos
• Espécies:
 Autotutela (vence o mais forte);
 Heterocomposição (processo judicial e processo arbitral) – vence quem o juiz ou árbitro
disserem que vence;
 Autocomposição (mediação, conciliação, negociação direta) - todos vencem
1 Efeito indesejável, que consiste no surgimento de uma auréola negra ao redor de um objeto claro e brilhante, em função do forte contraste
com a área ao seu redor. 
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DA AUTOCOMPOSIÇÃO 
Conceito
Autocomposição é a prevenção ou solução do litígio por decisão consensual das próprias partes
envolvidas no conflito. As modalidades praticadas no Brasil são a negociação direta, a mediação e a
conciliação. A maior vantagem dos mecanismos para obtenção da autocomposição repousa no seu
“alto grau de êxito quanto a três resultados, a saber, rapidez, eficácia e baixo custo, bem assim pela
abrangência com que atinge bem esses resultados e pelo baixo grau de efeitos danosos colaterais.”
(Calmon, Petrônio. Fundamentos da Mediação e da Conciliação, Ed. Forense, 2007, p. 154)
Vantagens:
• Mais célere;
• Mais econômico;
• Mais efetivo ou eficiente do que os métodos heterocompositivos, pois, a solução advém do
diálogo entre as partes e não de um ato impositivo externo;
• É simples e informal;
• Se bem utilizados, com técnica, servirão para solucionar o conflito sociológico e não apenas a
lide, ao passo que o limite da sentença é a lide processual;
• Pode resolver interesses supra legais ou extra jurídicos.
1. Prática: Menos onerosa. De fácil acesso. Menos formal.
2. Controle: Mais participativa e previsível.
3. Soluções: Criativas, práticas, duradouras e realizáveis.
4. Privacidade: Confidencial, não cria jurisprudência.
5. Relações: Menos confrontantes, melhor para as relações continuadas.
Natureza Juridica
É excludente da jurisdição e da autotutela. É, pois, um negócio jurídico (daí exigir objeto lícito, forma
prevista ou não defesa e agentes capazes)
Objeto
Em geral, para direitos patrimoniais disponíveis
Forma
É livre, mas, conforme seja o negócio jurídico, deve observar a forma determinada em lei. Mas,
autocomposição judicial deve ser apresentada sempre por escrito
Sujeitos
Apenas os titulares dos direitos e obrigações sobre os quais versa o conflito, desde que sejam capazes
Espécies 
• Endoprocessual ou extraprocessual/pré-processual (pode ser: antes de se cogitar no processo; na
iminência do processo; e fora do processo)
• Judicial ou Extrajudicial;
• Preventiva ou Sucessiva;
• Genérica ou Específica;
• Unilateral ou bilateral.
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VERTENTES ALTERNATIVAS Á JURISDIÇÃO
• Classificação por tema a ser abordado conforme plano de ensino:
• Negociação direita/autocomposição propriamente dita – sem envolvimento de terceiro
• Conciliação – na modalidade pré-jurisdicional
• Arbitragem – justiça privada com cunho decisório
• Mediação – envolve terceiro sem poder decisório
INOVAÇÃO A VISTA - CÂMARA DOS DEPUTADOS APROVA PROJETO QUE EXIGE ADVOGADO
EM CONCILIAÇÃO E MEDIAÇÃO
A Comissão de Constituição e Justiça e da Câmara dos Deputados aprovou proposta para tornar
obrigatória a presença de advogados na solução consensual de conflitos, como conciliação e mediação.
O projeto de lei (PL 5.511/2016) busca alterar o Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/94) e foi
analisado no dia 05/06/2018. Se não houver recurso, será enviado ao Senado sem precisar passar pelo
Plenário da Casa de origem.
A proposta foi apresentada em 2016 pelo deputado José Mentor (PT-SP). 
Na justificativa do projeto, ele afirmou que métodos alternativos de pacificação de conflitos são
fundamentais, mas dispensar advogados desse tipo de instrumento afronta o direito ao contraditório e à
ampla defesa.
Mentor atendeu a pedido do presidente da seccional paulista da Ordem dos Advogados do
Brasil, Marcos da Costa. Em São Paulo, há vários anos existe uma controvérsia porque o Tribunal de
Justiça considera facultativa a presença de profissionais da área nos Centros Judiciários de Solução de
Conflitos e Cidadanias (Cejuscs).
“Trata-se de um passo importante em direção ao reconhecimento legal da importante da
presença da advocacia como garantia de que as conciliações serão conduzidas sem que haja prejuízo
para os cidadãos”, afirma Marcos da Costa.
Em maio, o presidente do Conselho Federal da OAB, Cláudio Lamachia, levou líderes das
seccionais de todo o país a Brasília para conversar com deputados e tentar destravar o projeto. 
O texto já havia sido aprovado pela CCJ em setembro de 2017, mas foi analisado novamente. 
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DA NEGOCIAÇÃO DIRETA 
OU AUTOCOMPOSIÇÃO PROPRIAMENTE DITA
HISTÓRICO
A ideia hodierna de autocomposição não sofreu profundas mudanças no decorrer da história; ocorreu,
na verdade, a substituição por outras formas de solução de conflitos, onde foram consagradas figuras
importantes no cerne jurídico e na processualística moderna.
Na medida do seu desenvolvimento, novas teorias e caracteres foram elaborados, figuras revistas e
atividades especificadas, na busca de melhorar o relacionamento e legitimar concretamente a
pacificação social.
A convivência do homem em grupamentos e, depois, em comunidade, gera alguns atritos entre os
membros, por meio dos interesses que surgem em cada um. Nessas pretensões, ao não serem
satisfeitas devido à resistência alheia, com interesse também em foco, surgem os conflitos, dado como
elemento de perturbação da paz social. Na clássica definição de Francesco Carnelutti (1999, p. 54),
sendo “o conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida”.
Turbada essa convivência, procura proporcionar a retomada das condições próprias para continuar a
existência, sendo necessário pacificar os sujeitos sociais, determinando com quem estava a razão, ou
seja, o direito. 
Diante disso,“a eliminação desses conflitos ocorrentes na vida em sociedade pode ocorrer por obra de
um ou de ambos os sujeitos envolvidos no conflito, ou por intermediação de um terceiro” (MAGALHÃES;
CASELLA, 2011).
As maneiras com que o homem se relacionava na sociedade ditavam novas formas para a avaliação de
conflitos, na medida em que colocavam mais segurança aos efeitos dos acordos encontrados. Diante
disso, a autocomposição de conflitos não fora a primeira espécie para firmar acordos,