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Strongyloides stercoralis Prof. Dr. Carolina Cella Conter Posição Sistemática • Filo: Nematoda • Classe: Secernentea • Família: Strongyloididae • Gênero: Strongyloides • Espécie: Strongyloides stercolaris Introdução • Distribuição mundial, especialmente nas regiões tropicais. • Infecta mamíferos: cães, gatos e macacos. • Agente etiológico da estrongiloidíase, estrongiloidose Observações epidiomológicas sugerem que cepas oriundas do cão podem contaminar o homem e vice- versa Estudos de biologia molecular, isolados de pacientes de varias partes do mundo apresentam padrões idênticos e podem ser diferenciados dos isolados de cães. Introdução • O Strongyloides stercoralis é o menor dos nematódeos que parasitam o homem. • A única forma parasitária adulta (no intestino delgado humano) é a fêmea partenogênetica Fêmea Partenogenética Parasita: Mede de 1,7 a 2,5 mm de comprimento, delgadas, extremidade anterior arredondada e posterior fina Boca: 3 lábios Esôfago: longo (ocupa 25% do comprimento do parasito) e cilíndrico 30 a 40 ovos por dia • Fêmea partenogenética: – Constituição genética triplóide (3n) produzindo ovos 3n, 2n e n. – Cutícula fina e transparente, Fêmea de vida livre: 0,8 a 1,2 mm de comprimento Corpo fusiforme Boca: 3 pequenos lábios Esôfago: curto, aspecto rabditóide Intestino simples e retilíneo de difícil observação devido a presença de órgãos genitais Apresenta receptáculo seminal Macho de vida livre: Extremidade anterior arredondada - posterior recurvada ventralmente 0,7mm de comprimento Boca: 3 lábios Esôfago: rabditóide, seguido de intestino terminado em cloaca com espículos • Vida livre • Podem viver durante cinco semanas no ambiente. • Alimentam-se de bactérias e matéria orgânica. Ovos: Eliptícos, parede fina e transparente. particamente idênticos aos dos Ancilostomídeos. Já embrionados Larva Rabditóide Esôfago tipo rabditóide 0,2 – 0,3 mm comprimento Vestíbulo bucal curto e inferior ao diâmetro da larva Cauda pontiaguda Larva Filarióide Esôfago longo e cilíndrico 0,35 a 0,50 mm comprimento Muito ativas Porção posterior afina-se gradualmente. Terminando em duas pontas, “cauda entalhada” Esta é a forma infectante, podendo penetrar na pele ou mucosas, assim como evoluir no interior do hospedeiro e causar auto- infecção interna Habitat As fêmeas partenogêneticas vivem nas criptas da mucosa duodenal, principalmente na porção superior do jejuno. Nas formas mais graves são encontradas da porção pilórica do estômago até o intestino grosso. Ciclo Biológico • Eliminação de larvas rabditóides nas fezes do hospedeiro que podem realizar dois ciclos: – Ciclo direto ou partenogenético • Realizado pela eliminação de larvas rabditóides 3n que darão origem à fêmeas partenogenéticas no hospedeiro – Ciclo indireto, sexuado ou de vida livre: • Realizado pelas larvas rabditóides 2n e 1n que darão origem a fêmeas e machos de vida livre respectivamente. – Penetração ativa na pele, mucosa oral, esofágica ou gástrica – Atingem a circulação chegando ao coração e pulmões. Transmissão • Hetero ou primoinfecção – Penetração ativa na pele ou mucosa • Autoinfecção externa – Larvas rabditóides na região perianal diferenciam-se em filarióides e invadem a mucosa iniciando novo ciclo. • Auto-infecção interna – Transformação da larva rabditóide para filarióide ainda no intestino do hospedeiro . Ex :paciente com constipação e retardo na eliminação do material fecal. Patogenia e sintomatologia As lesões causadas por esta infecção situam-se em diferentes níveis: ─ NA PELE, costumam ser discretas ou formar placas de eritema nos pontos de penetração das larvas; lesões urticariformes aparecem em torno do ânus na autoinfecção externa. ─ No início, a penetração larvária pode ser assintomática ou, em pacientes sensibilizados, acompanhar-se de eritema, de prurido ou de manifestações urticariformes. Patogenia da estrongiloidíase Durante o CICLO PULMONAR, são produzidas pequenas hemorragias no parênquima quando as larvas invadem os alvéolos e aí fazem suas mudas. • Podem causar uma pneumonite difusa SÍNDROME DE LOEFFLER,. • Podem surgir TOSSE e EXPECTORAÇÃO com a presença de larvas no escarro e ligeira FEBRE. • Em alguns casos, uma crise de ASMA. Permanência e multiplicação do parasito na mucosa intestinal: Lesões intestinais: • Enterite catarral: reação inflamatória leve, aumento de secreção mucóide • Enterite edematosa: desaparecimento do relevo mucoso, síndrome da má absorção intestinal. • Enterite ulcerosa: tecido fibrótico dor epigástrica diarréia em surtos náuseas e vômitos Desidratação (choque hipovolêmico) sintomas de má-digestão forma disseminada FATAL Patogenia da estrongiloidíase Em consequência da DUODENO- JEJUNITE, AUMENTA O PERISTALTISMO, causando DIARREIA e EVACUAÇÕES MUCOSSANGUINOLENTAS. FIBROSE E ATROFIA DA MUCOSA VÃO TRANSFORMANDO O DUODENO E O JEJUNO EM UM TUBO QUASE RÍGIDO. NA FASE AGUDA, HÁ LEUCOCITOSE QUE PODE APRESENTAR 15 A 45% DE EOSINÓFILOS. O LEUCOGRAMA RARAMENTE É PATOGNOMÔNICO MAS PODE SER ÚTIL PARA O DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL, NA AVALIAÇÃO DA GRAVIDADE DA DOENÇA E O FORNECIMENTO DO PROGNÓSTICO (LATIMER & MEYER, 1992). NOS CASOS GRAVES APARECEM: ANEMIA, EMAGRECIMENTO, DESIDRATAÇÃO AS INFECÇÕES PODEM ASSUMIR UM CURSO CRÔNICO DEVIDO À AUTOINFECÇÃO, TANTO EXTERNA COMO INTERNA, PERSISTINDO POR 20 OU 30 ANOS. O diagnóstico deve ser suspeitado sempre que houver eosinofilia não explicada por outras causas Mas, devido ao caráter inespecífico do quadro clínico, ele deve ser confirmado pelos exames de laboratório. Exame de fezes comum encontro de larvas RABDITOIDES (L1), não os ovos. Diagnóstico • Liberação de larvas nas fezes é irregular • Utilização de 3 a 5 amostras colhidas em dias alternados. • Pesquisa de larvas em fezes sem conservantes. • Métodos baseados em hidro e termotropismo Diagnóstico Como elas são escassas, usar uma das técnicas coproscópicas de enriquecimento para a pesquisa de larvas nas fezes, como: A – Método de Rugai: Em amostras velhas de fezes, poderão encontrar-se as larvas L1 e L2 de ancilostomídeos, a serem reconhecidas pela morfologia. Tratamento da estrongiloidíase Os medicamentos atualmente recomendados são os seguintes: ─ Ivermectina por via oral, 200 µg/kg/dia, administra-dos em 2 vezes. Contraindicada durante a gestação e o aleitamento. ─ Albendazol, oralmente, 400 mg/kg/dia, durante 3 dias. ─ Tiabendazol, oralmente, 25 mg/kg, duas vezes ao dia, durante 7 a 10 dias. É recomendado nos casos de hiperinfecção. Nos casos normais, 50 mg/kg (até um máximo de 3 g) em um dia, divididos em 2 a 4 tomadas, depois das refeições. A taxa de cura é de 70 a 90%, e como os medicamentos não matam as larvas, convém repetir o tratamento para evitar reinfecções externas ou internas. Controle da estrongiloidíase A estrongiloidíase é cosmopolita,com distribuição semelhante à da ancilostomíase, mas com menores prevalências (<10%). As únicas fontes de infecção são as pessoas parasitadas. A transmissão é facilitada onde o clima é quente e úmido, em solos porosos e ricos de matéria orgânica. Em geral, no peridomicílio, onde as crianças e os adultos têm o hábito de defecar no chão e andar descalços. As larvas tornam-se infectantes nas fezes logo após a defecação. Mas, as larvas rabditoides morrem abaixo de 8ºC. As medidas de controle são as mesmas recomendadas para as demais geo-helmintíases.