Buscar

Desafio Profissional Servico Social


Continue navegando


Prévia do material em texto

� PAGE \* MERGEFORMAT �2�
Curso:- Serviço Social - 4ª série – 2016/2
DESAFIO PROFISSIONAL
Disciplinas Norteadoras:
Fundamentos das Políticas Sociais
 Psicologia e Serviço Social II
 Direitos Humanos
 Fundamentos Históricos e Teórico-Metodológicos do Serviço Social III
 Étrica Profissional
	Nome: 
					
Tutora EAD Serviço Social						Tutora Presencial EAD
Jundiaí, SP.
2016.
SUMÁRIO
RESUMO
Introdução .............................................................................................................. 3 
Adoção no Brasil.............................................................................................4;5 e 6
Questões Sobre Adoção
Etapas de um Processo de Adoção.....................................7;8 e 9
Atuação do Assistente Social no Processo de Adoção..................10;11;12;13 e 14
Avaliação Psicossocial – Família ...............................................15
Considerações Finais
Referências	bibliográficas....................................................................................21
1 – INTRODUÇÃO
Atualmente a adoção é um direito de todos, dentro das normas estabelecidas nas leis, além de ser uma forma de garantir a chance de se ter uma família, tanto para aqueles que têm o desejo de adotar quanto para as crianças ou adolescentes que necessitam de um lar. Para garantir esse direito, a Constituição Federal prevê em seu artigo 226 que “A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.”, ou seja, o Estado deve primar pela família, independentemente de seus arranjos familiares.
Mesmo com tantas leis, normas e estudos, o processo de adoção em nosso país ainda é demorado, mas é possível observar uma melhora com relação ao tempo de espera. O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), criado em 1990, vem de encontro a todas as necessidades das crianças e/ou adolescentes, e pertencer a um lar é uma destas necessidades. Com o melhor funcionamento dos Juizados de Infância e Juventude e com o auxílio dos Assistentes Sociais, o processo tem se tornado mais simples e funciona com mais seriedade e segurança para o benefício de todas as partes envolvidas no processo.
Para que a adoção seja concluída são seguidas algumas etapas, e respeitadas normas que servem de apoio para o processo. Estes passos ajudam a identificar se o pretendente está ou não apto, sempre levando em consideração o bem estar da criança. 
Vale ressaltar que muitas vezes os pretensos adotantes acham algumas dessas etapas desnecessárias, porém deve-se pensar que é preciso passar por todo esse processo para que haja uma preparação eficaz. Entretanto isso não deve ser considerado como obstáculo para uma adoção, desde que o desejo dos adotantes seja concreto e que estes comprovem que serão capazes de oferecer ao infante/adolescente “assistência material, moral e educacional” (ECA, 1990, art. 33.).
Simões ressalta que 
O procedimento de adoção depende de uma verificação previa dos requisitos formais e materiais do pretendente à adoção. Este deve recorrer previamente sua habilitação, na Vara da Infância e Juventude competente, seguida de entrevistas com psicólogo e o assistente social e visitas domiciliares, os quais emitem um laudo sobre habilidade e o perfil do adotando desejado, seguindo de um parecer do Ministério Público. Segue-se a decisão do juiz, concedendo ou não a habilitação, cuja formalização é a entrega do Certificado de Habilitação. (SIMÕES, 2009, p. 230).
Compreendendo a complexidade que envolve o processo de adoção, o referido trabalho apresenta inicialmente um breve histórico da adoção no Brasil, bem como, as principais funções do Assistente Social no processo. Além da parte teórica há a apresentação das análises e relatórios referente ao projeto de extensão intitulado “Grupo de apoio à adoção: famílias acolhedoras preparadas” que objetiva dar apoio a possíveis famílias adotantes.
2 – A ADOÇÃO NO BRASIL
A história da adoção no Brasil começa desde os primórdios da colonização, onde a mesma estava relacionada com a caridade. Naquela época os mais abastados davam assistência aos menos favorecidos e não era raro ver nas casas dos mais ricos os ‘filhos de criação’, oriundos de outras famílias. Entretanto, por essa situação não ser formalizada, essas famílias se aproveitavam das crianças/adolescentes para ter mão de obra gratuita.
Percebe-se que este ato não tratava dos interesses de cuidado pela criança que estava abandonada, este novo ‘filho’ tinha um lugar diferenciado dos demais que eram biológicos e eram tratados de maneira inferior, como serviçais. 
Segundo Maux e Dutra (2010) apud Weber (2001)
A prática ilegal de registrar como filho uma criança nascida de outra pessoa sem passar pelos trâmites legais, ou seja, o registro feito diretamente em cartório, conhecida como adoção à brasileira, até os anos 80 do século XX, constituía cerca de 90% das adoções realizadas no país. Dessa forma procurava-se, dentre outras razões, esconder a adoção, como se esta fosse motivo de vergonha e humilhação. (MAUX e DUTRA, 2010, p. 4).
No Brasil têm-se os primeiros registros na legislação sobre adoção com a Lei Nº 11.784 de 22 de setembro de 1828, que atribuiu aos juízes de primeira instância a incumbência de confirmar o ânimo dos interessados em audiência.
Desde então a legislação tem passado por vários processos, em 1916 o Código Civil brasileiro menciona em seu Capítulo V algumas exigências sobre o ato de adotar, o que passou a ser um marco na história, uma vez que os textos jurídicos anteriores eram escassos quanto a esse tema. Essa lei permitia a adoção apenas para casais que não tinham filhos e o adotando não perdia os vínculos com a família biológica.
Após essa iniciativa, outras três leis foram aprovadas: Lei Nº 3.133 - de 8 de maio de 1957, Lei Nº 4.655 - De 2 de junho de 1965 e Lei Nº 6.697, de 10 de outubro de 1979. Essas leis trouxeram modificações importantes, porém ainda com algumas falhas.
Vale lembrar que em 1927 foi promulgado o primeiro Código de Menores brasileiros (Decreto nº 17943-A, de 12 de outubro de 1927), no qual o Estado tinha a função de ser o responsável legal pela tutela da criança órfã e abandonada. Assim, a mesma era encaminhada para instituições e abrigos para ser orientada e ter oportunidade de trabalho. Mais tarde esse Código foi revisto e se tornou a Lei 6.697/1979, que estabeleceu duas formas de adoção, a simples e a plena. A simples se tratava da adoção de crianças de sete anos até adolescentes de dezoito e que estivessem em situação irregular. E a plena referia-se a crianças de até sete anos que após serem adotadas passavam a serem filhos, sendo impossível a revogação do ato.
Apenas no ano de 1988 é que a legislação passou a tratar igualmente todos os filhos, sendo eles ou não oriundos do casamento ou através do acolhimento. Isso serviu como base para o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), Lei Nº 8.069, de 13 de julho de 1990, que regulamentou a prática da adoção no Brasil. Essa aboliu a adoção simples e ampliou todos os benefícios. Visando defender integralmente o direito da criança e do adolescente, o ECA dispõe em seu artigo 19 que 
toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio da sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente livre da presença de pessoas dependentes de substâncias entorpecentes. (BRASIL, ECA, art.19, 1999).
Por fim, em agosto de 2009 foi sancionada a Lei 12.010/09 que traz novas questões sobre a prática da adoção do Brasil. A chamada Nova Lei de Adoção vigora desde novembro de 2009 e mostra alguns avanços em relação ao tempo de permanência nas instituições, levar em conta a opinião do infante, preservar a identidade cultural das crianças/adolescente indígenas ou remanescentes de quilombos, dentre outros.
3 – QUESTÕES SOBRE A ADOÇÃO
É de grande relevância que todos aqueles que desejamadotar conheçam a fundo este processo. Percebe-se que, mesmo sendo um assunto bastante comentado, pouco se sabe sobre os trâmites para uma adoção. 
A adoção é o processo de admitir uma criança como filho legítimo, este ato é realizado pelo Juizado da Criança e do Adolescente e para que o indivíduo esteja apto a adotar uma criança/adolescente é preciso que este preencha alguns requisitos:
Art. 42.  Podem adotar os maiores de 18 (dezoito) anos, independentemente do estado civil. 
§ 1º Não podem adotar os ascendentes e os irmãos do adotando.
§ 2o  Para adoção conjunta, é indispensável que os adotantes sejam casados civilmente ou mantenham união estável, comprovada a estabilidade da família. 
§ 3º O adotante há de ser, pelo menos, dezesseis anos mais velho do que o adotando.
 § 4o  Os divorciados, os judicialmente separados e os ex-companheiros podem adotar conjuntamente, contanto que acordem sobre a guarda e o regime de visitas e desde que o estágio de convivência tenha sido iniciado na constância do período de convivência e que seja comprovada a existência de vínculos de afinidade e afetividade com aquele não detentor da guarda, que justifiquem a excepcionalidade da concessão. (ECA, 1990).
É importante que não haja distinção entre a criança adotada e um filho biológico, pois a partir da adoção a criança adotada passa a ter os mesmos direitos de seus irmãos. Também não se deve esconder da criança o fato dela ser filha adotiva, além de ser um direito, é importante que ela conheça sua história.
3.1 – Etapas de um Processo de Adoção
Os infantes e adolescentes poderão ser entregues a adoção quando a mãe biológica na gestação ou após o parto manifestar o interesse em doar o filho, devendo ser “[...] obrigatoriamente encaminhadas à Justiça da Infância e da Juventude.” (ECA, 1990) ou através de processos judiciais de destituição do poder familiar.
A princípio será instaurada ação de medida de proteção em prol da criança e adolescente que se encontra em situação de risco “por ação ou omissão da sociedade ou do Estado; por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável ou em razão de sua conduta” (ECA, 1990, art.98).
Quando são esgotadas todas as possibilidades de intervenção sem quebra de vínculo e mesmo assim a criança/adolescente se encontra na mesma situação de vulnerabilidade, o Poder Judiciário intervém para protegê-los, encaminhando provisoriamente para o acolhimento institucional. 
O acolhimento institucional e o acolhimento familiar que são medidas provisórias e excepcionais, utilizáveis como forma de transição para reintegração familiar ou, não sendo esta possível, para colocação em família substituta, não implicando privação de liberdade (ECA, 1990, Art. 101, § 1º). 
É neste processo que a equipe multidisciplinar da rede sócio assistencial deve trabalhar para potencializar a família sugerindo alternativas para que esta possa sair da situação de risco, se isto não acontecer e a criança/adolescente não puder retornar ao lar ou ser colocada em família extensa então culminará com abertura de processo judicial de destituição do poder familiar possibilitando assim que a criança/adolescente esteja apta para a colocação em família substituta, como diz o ECA (1990 art. 39, §1º).
A adoção é medida excepcional e irrevogável, à qual se deve recorrer apenas quando esgotados os recursos de manutenção da criança ou adolescente na família natural ou extensa, na forma do parágrafo único do art. 25 desta Lei. 
Do outro lado está aqueles que querem adotar, até agosto de 2013 o número de famílias cadastradas na fila de espera para a adoção contava com aproximadamente 29.284 pretendentes.
O processo de adoção, basicamente, gira em torno de alguns pontos1:
Ter a idade mínima de 18 anos e ser, no mínimo, 16 anos mais velho que a criança;
Deve-se procurar a Vara da Infância e da Juventude do local em que reside expor o desejo, apresentar documentos pessoais, bem como, atestados médicos e certidões criminais;
Após esta prévia apresentação faz-se uma petição judicial (geralmente advogado particular ou defensor público) no cartório judicial da Vara da Infância e da Juventude. Quando esta petição é aprovada, eis que o processo de adoção em si se inicia;
É obrigatória, uma preparação psicossocial, com equipe técnica (assistentes sociais e psicólogos) e o resultado destas avaliações permitem ou não a continuidade do processo de adoção;
Os pretendentes a pais podem expor um perfil desejável de criança (idade, cor, estado de saúde, etc.). É importante dizer que, se a criança tiver irmão(s) a lei prevê que estes não sejam separados;
Com o laudo favorável da equipe o Juiz autoriza a sentença e os futuros pais, a partir daí, aguardam a criança desejada. Vale comentar que, caso o laudo não seja favorável, o entrevistado pode verificar os motivos para tal negativa;
Quando enfim a criança (perfil escolhido) surge no banco de dados a Vara da Infância comunica aos habilitados, obedecendo a fila de espera do CNA. Os futuros pais conhecem a criança e se optarem poderá dar continuidade ao processo; 
A criança também é entrevistada para relatar se quer ou não ser adotada por tal família (se a criança tiver mais de 12 anos é primordial sua aceitação, menos que tal idade ela também opina, mas, neste caso, as opiniões são confrontadas com os fatos);
A princípio os pretendentes recebem a guarda provisória da criança, pois a adoção será concretizada apenas ao final do processo. Durante o estágio de convivência a equipe técnica continua fazendo visitas periódicas e observações;
A equipe técnica, através de laudos, oferecerá subsídios para que o Juiz defira ou não a adoção. Se deferida, o processo será concretizado e emitido uma nova certidão de nascimento constando o novo nome da criança (se optarem pela mudança) e o nome com sobrenome dos adotantes;
Não há duvidas que a adoção seja um ato carregado de amor, mas acima de tudo, com o alto grau de responsabilidade. Segundo o Conselho nacional de Justiça, atualmente no CNA (Cadastro Nacional de Adoção) existem 5471 crianças e adolescentes a espera de uma família que os adotem.
4 – ATUAÇÕES DO ASSISTENTE SOCIAL NO PROCESSO DE ADOÇÃO
O Serviço Social Brasileiro tem como um de seus objetivos a defesa dos direitos dos cidadãos inclusive de crianças/adolescentes, portanto, este profissional está diretamente ligado aos processos de adoção no país. Assim como afirma Bittencourt (2010, p. 48) “A criança ou adolescente é um sujeito de direitos especial, dotado de superioridade dentre todos os interesses envolvidos na questão concreta que se busca solucionar”.
Segundo Ferreira e Carvalho (2002, p.36) podem observar que “no âmbito judiciário, o Serviço Social exerce um papel de suma importância, que consiste no fornecimento de subsídios para as decisões judiciais.”. E ainda, que “o ideal seria assistência social e psicológica, às famílias desamparadas e principalmente às mães que manifestam a intenção de entregar seus filhos para adoção.” (p. 29).
No processo de adoção, o Assistente Social serve como uma ponte entre a criança a ser adotada e, a família que pretende adotar. É papel desse profissional, acolher, orientar e esclarecer aos pretendentes a adoção, sobre os trâmites do processo, além de, auxiliar a justiça na decisão final do processo adotivo.
O Assistente Social participa ativamente, de todas as etapas da adoção, estando intimamente próximo aos envolvidos, passando a conhecer a situação socioeconômica, os desejos e dificuldades dos adotantes.
O ECA em seus artigos 150 e 151 destacam a relevância destes profissionais técnicos “cabe ao Poder Judiciário, na elaboração de sua proposta orçamentária, prever recursos para manutenção de equipe inter profissional, destinada a assessorar a Justiça da Infância e da Juventude.” (ECA, art.150, 1999). E ainda, 
Compete à equipe inter profissional dentre outras atribuições que lhe forem reservadas pela legislação local, fornecerem subsídios por escrito, mediante laudos, ou verbalmente, na audiência, e bem assim desenvolver trabalhosde aconselhamento, orientação, encaminhamento, prevenção e outros, tudo sob a imediata subordinação à autoridade judiciária, assegurada a livre manifestação do ponto de vista técnico. (ECA, art.151, 1999).
Além de assessorar a Vara da Infância e da Adolescência cabe ao Assistente Social se atentar a situação da família, os membros que a compõem e como todos estão encarando a possível chegada de um novo membro na família. É necessário que se conheça o real motivo destas pessoas desejarem uma criança/adolescente.
Outro ponto de grande importância a ser analisado pelo profissional de Serviço Social é a condição socioeconômica dos pretendentes, situação de moradia, de emprego, condições sociais, enfim, se o adotante terá suporte emocional e material para atender as necessidades da criança, como alimentação, saúde, educação, lazer, esporte, entre outros.
No processo de adoção o Assistente Social tem como função primordial a de averiguar as famílias, orientá-las segundo suas duvidas diante a adoção e, enfim, ser favorável ou não a adoção daquela criança por determinada família.
É um fato que, quando se pensa em Infância e Juventude a adoção é um dos processos mais importante, pois se trata de um assunto muito delicado, ainda mais, a inserção de uma criança/adolescente em uma família. O profissional de Serviço Social deve ter total conhecimento das leis que circundam a adoção, bem como, todas as normas que vigoram tal processo.
Levando em consideração a seriedade do relatório social realizado pelo Assistente Social, ao final do processo este profissional deve dedicar tempo e compromisso aos trabalhos que envolvem estes processos, todas as dúvidas que este profissional venha a ter devem ser sanadas para que, a análise e avaliação sejam feita de forma correta e não traga prejuízos finais para a criança/adolescente.
Segundo o Manual de Procedimentos Técnicos:
O assistente social judiciário deve ter em mente que precisam buscar a imparcialidade evitando pré-julgamento. Necessitam ter clareza do poder que a situação de avaliação que o lugar institucional lhe confere, buscando estabelecer uma vinculação positiva com os atendidos. O clima deve ser amistoso e proporcionar um espaço que facilite as reflexões, o que gerará – provavelmente – maior disponibilidade para revelações e reais motivações. Recomenda-se que os profissionais apurem suas escuta e a observação em relação a como os pretendentes à adoção lidam com as suas relações sócio familiar e afetivas, pois elas trarão elementos significativos para a avaliação. (2006, pg. 156).
Além da imparcialidade, o Assistente Social deve ser um profissional crítico, expondo sempre seu ponto de vista técnico, lutando para que os preconceitos impostos pela sociedade sejam minimizados. A adoção infelizmente ainda é cercada de preconceitos, seja pelo fato de adotar uma criança/adolescente, ou pelo perfil do infante/adolescente que se encontra a espera de uma família. É inegável a relevância deste profissional e todos, inclusive os próprios, devem estar cientes de quanta responsabilidade carregam em seu trabalho. 
4.1 – Avaliações Psicossociais e Pós-adoção
A avaliação psicossocial da família é feita pelo Psicólogo e Assistente Social e é o início de todo o processo de adoção. O ECA afirma que “não se deferirá colocação em família substituta a pessoa que revele, por qualquer modo, incompatibilidade com a natureza da medida ou não ofereça ambiente familiar adequado.” (ECA, art.29, 1999), ou seja, após esta avaliação, se os técnicos concluírem que os pretendentes são capacitados, a adoção tem continuidade, pelo contrário, o processo termina neste ponto.
A criança ou adolescente também são ouvidos, analisados e avaliados pelos técnicos. Se o adotando tiver mais de 12 anos, seu desejo é levado em consideração na decisão final, porém, se o mesmo tiver menos que a idade mencionada ele também tem direito a opinar, mas esta opinião é diretamente confrontada a outros fatores para que seja feita a conclusão final. Segundo Bittencourt: 
A opinião da criança sobre a aplicação da medida é muito relevante: sempre que possível ela será ouvida por equipe inter profissional, respeitando seu estágio de desenvolvimento e grau de compreensão sobre as implicações da medida, devendo ser sua opinião considerada pelo juiz. (2010, p.111-112).
Após a colocação da criança/adolescente na família substituta o Assistente Social continuará acompanhando a família durante a adaptação provisória da família recém-formada, através de visitas domiciliares, observação e outros instrumentais do Serviço Social.
Deve-se observar de que forma a criança foi recebida afetiva e emocionalmente, as condições de moradia, higiene, alimentação, dentre outros. Em resumo, deve-se analisar se realmente, tudo que foi dito previamente é verídico e funciona na prática familiar.
Então a criança passa a conviver com a família, mas de forma provisória. Para que tal adoção seja concluída, o Assistente Social deve emitir relatório social informando se é favorável ou não após suas análises. Este período chamado estágio de convivência deve ter duração estipulada pela autoridade judiciária, como diz o ECA “A adoção será precedida de estágio de convivência com a criança ou adolescente, pelo prazo que a autoridade judiciária fixar, observadas as peculiaridades do caso” (ECA, 1990, Art. 46)
Este período de adaptação através da convivência tem como principal objetivo unir os indivíduos, pais, crianças e outros membros da família, para que estes possam criar vínculos afetivos e emocionais, bem como, se conhecerem em suas mais diversas características.
Após acompanhamento da equipe técnica, entrevistas e formulação de relatórios o laudo final é lavrado pelo Assistente Social e enviado ao Juiz, e este, após analisar os documentos defere ou não a adoção.
Enfim, o Assistente Social trabalha como um dos principais atores do poder público no processo de adoção, a ele cabe o contato físico e o reconhecimento dos anseios dos envolvidos. Portanto, precisam estar preparados teoricamente para concluírem com responsabilidade, honestidade e seriedade seu trabalho.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A adoção é algo que envolve amor, cuidado e dedicação, vem a favor de embelezar a sociedade como demonstração de não preconceito, mas não devemos esquecer as dificuldades e sofrimento que as crianças em abandono enfrentam. Acima de um ato engrandecedor a adoção deve ser encarada como defesa dos direitos das crianças e adolescentes que se encontram com seu direito de crescer em família violada.
É importante a adoção como uma medida de proteção às crianças/adolescentes, e não uma forma de satisfazer os interesses dos adultos. Trata-se sempre, de encontrar uma família adequada a uma determinada criança, e não buscar uma criança para aqueles que querem adotar. Sem dúvida, a intenção das famílias é louvável, mas ao poder público, bem como profissionais de Serviço Social o que realmente importa é o bem estar dos infantes.
O Assistente Social é o profissional responsável pela preparação dos pretendentes durante todo o processo de adoção, desde a exposição do desejo até a guarda definitiva. É a equipe técnica que tem contato direto com as famílias acolhedoras, isso faz com que seja de extrema responsabilidade o trabalho destes, pois o Juiz age de acordo com os pareceres apresentados nos relatórios. 
A partir do estudo realizado, é pertinente considerar que o papel do Assistente Social no âmbito judiciário, especialmente no contexto da adoção, ocupa um espaço peculiar e significativo, haja vista ser esse profissional de extrema necessidade para o processo adotivo e futuro das crianças.
Enfim, através deste artigo percebe-se que o Serviço Social é uma profissão fundamentalmente necessária, pois o processo de adoção envolve diversas manifestações sociais, o que implica na importância de uma pratica profissional adequada.
RESUMO
A IMPORTÂNCIA DO ASSISTENTE SOCIAL NO PROCESSO DE ADOÇÃO. 
Este artigo tem por objetivo esclarecersobre a história da adoção no Brasil e os passos que devem ser seguidos por aqueles que querem adotar, contextualizando o espaço em que o profissional de Serviço Social é inserido. Este mostra sua importância no processo de adoção através de suas habilidades técnicas, capazes de garantir os direitos dos cidadãos, inclusive das crianças e adolescentes. Nesse contexto sua ação revela-se de suma importância oferecendo orientação e esclarecimento à família que pretende adotar, ajudando na compreensão sobre os trâmites do processo judicial e avaliando juntamente com a equipe multidisciplinar se a mesma esta apta a assumir os cuidados de um filho através do referido processo.
Palavra-chave: adoção, assistente social, criança e adolescente.
O direito à convivência familiar é, antes de tudo, um direito que integra a condição humana. No dizer de Hannah Arend: 
A condição humana compreende algo mais que as condições nas quais a vida foi dada ao homem. Os homens são seres condicionados: tudo aquilo com o qual eles entram em contato torna-se imediatamente uma condição de sua existência. (1999, p. 17) 
Insta registrar que o Estatuto da Criança e do Adolescente possui um princípio fundamental a proteção integral da criança e do adolescente reconhecendo direitos essenciais e específicos a todas elas. Preleciona assim o art. 3º do referido instituto:
 
 “A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.” 
   O art. 13, com a nova redação passará assim a vigorar: 
 
“Os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providências legais. Parágrafo único.  As gestantes ou mães que manifestem interesse em entregar seus filhos para adoção serão obrigatoriamente encaminhadas à Justiça da Infância e da Juventude.”
Com relação aos que podem adotar o art. 42, §2º, passará a viger com a seguinte redação: 
 
“Art. 42.  Podem adotar os maiores de 18 (dezoito) anos, independentemente do estado civil. (...) § 2o  Para adoção conjunta, é indispensável que os adotantes sejam casados civilmente ou mantenham união estável, comprovada a estabilidade da família. (...)”
ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. PEDIDO DE GUARDA PROVISÓRIA. PRETENSÃO DE REGULARIZAR. CONDUTA MORAL IRREPREENSÍVEL. PROVIMENTO. Adoção.Cadastro de adotantes. Inobservância. Interesse do menor. Não se deve afastar uma criança do convívio, ainda que provisório, de uma família que a acolhe, supre suas necessidades e tem a intenção de adotá-la, sob o argumento de inobservância cadastral de pretendentes à adoção, a não ser que se comprove de plano a inabilitação moral daquela família. (TJRO; AI 100.005.2009.002289-6; Rel. Des. Moreira Chagas; DJERO 29/07/2009; Pág. 43)
 
APELAÇÃO CÍVEL. ECA. PEDIDO DE ADOÇÃO. REQUERENTES NÃO HABILITADOS. ADOÇÃO DIRIGIDA. IMPOSSIBILIDADE.Inexiste cerceamento de defesa quando os requerentes, devidamente intimados acerca da audiência aprazada para oitiva dos genitores do menor, nada requereram. O desatendimento à ordem da lista de espera para adoção somente é admissível em casos excepcionais, em que evidenciada ampla e duradoura relação de afetividade entre o menor e o pretenso adotante, situação não retratada nos autos. Caso em que os genitores, quando da realização de estudo social, manifestaram interesse em receber de volta o filho, apresentando condições favoráveis para tanto. Recomendação de instauração de medida de proteção, com acompanhamento psicológico da família, a fim de evitar que entreguem, novamente, o filho a terceiros. REJEITARAM A PRELIMINAR E DESPROVERAM A APELAÇÃO. (TJRS; AC 70024893885; Caxias do Sul; Sétima Câmara Cível; Rel. Des. André Luiz Planella Villarinho; Julg. 11/03/2009; DOERS 23/03/2009; Pág. 41) (Publicado no DVD Magister nº 26 - Repositório Autorizado do TST nº 31/2007)
 
De acordo com o art. 51 do Estatuto da Criança e do Adolescente com nova redação dada pelo Lei nº 12.010/2009, temos que: 
 
“Considera-se adoção internacional aquela na qual a pessoa ou casal postulante é residente ou domiciliado fora do Brasil, conforme previsto no Artigo 2 da Convenção de Haia, de 29 de maio de 1993, Relativa à Proteção das Crianças e à Cooperação em Matéria de Adoção Internacional, aprovada pelo Decreto Legislativo no 1, de 14 de janeiro de 1999, e promulgada pelo Decreto no 3.087, de 21 de junho de 1999. (...)”
            Diante do estudo realizado pode-se concluir que a nova lei de adoção teve mudanças significativas, principalmente com relação a convivência familiar, focando bem este tema. Entretanto, tais mudanças não importam em maior morosidade para o procedimento, e sim, que o mesmo seja conduzido com maior responsabilidade.
                        Salienta-se que existem elementos indispensáveis para formação de um processo de habilitação para quem pretende adotar, exemplos: algumas formalidades fundamentais (como o próprio processo de habilitação), requisitos e medidas de proteção visando a segurança, sempre o bem estar da criança e o sigilo das informações.
             Outro aspecto fundamental é acerca da reintegração familiar referente à eventual colocação das crianças e adolescentes em família substituta. Esta deve ser feita sempre com cautela, preparando os profissionais, e demais envolvidos, com acompanhamento posterior, para assegurar o sucesso da medida.
             Insta registrar que as medidas para cadastro são bastante simples, apesar de burocráticas, e não serão obstáculos para desestimular a adoção ou dificultar a vontade das partes envolvidas.
             Outro ponto importante é o prévio cadastro, ou seja, o procedimento de habilitação, ante a necessidade de analisar a idoneidade, os motivos para a adoção e o preparo dos interessados. 
             As pessoas que são consideradas despreparadas e que burlam a lei (não passando por esta avaliação) podem causar prejuízos irreparáveis para os adotados, cabendo ao Poder Judiciário evitar que estes ocorram. Por isso, é obrigatório o acompanhamento posterior, conforme mencionado anteriormente, com previsão do art. 28 §5º da Lei 8.069/90.
 Por fim, importante lembrar que a adoção é medida para satisfazer os interesses da criança e do adolescente, dando-lhe condições dignas de desenvolvimento para que possam vir a ser adultos estruturados familiarmente.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BANDEIRA, Regina. Conheça o processo de adoção no Brasil. Disponível em: <http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/21572-conheca-o-processo-de-adocao-no-brasil>. Acesso em: 23 nov. 2013.
BITTENCOURT, Sávio. A Nova Lei de Adoção. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010. 
BRASIL. ECA. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm>. Acesso em: 29 out. 2013.
CHIZZOTTI, Antônio. Pesquisa em Ciência Humanas. 3ª ed. São Paulo: Editora Cortez, 1991.
CORREGEDORIA Geral da Justiça. Núcleo de Apoio Profissional de Serviço Social e Psicologia. Atuação dos Profissionais de Serviço Social e Psicologia – infância e juventude: Manual de procedimentos técnico. São Paulo, 2006.
FERREIRA, M.R.P. CARVALHO, S. R. 1º Guia de adoção de crianças e adolescentes do Brasil. 2002.
JUSBRASIL. Art. 227, § 7 da Constituição Federal de 88. Disponível em: <http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10644074/paragrafo-7-artigo-227-da-constituicao-federal-de-1988>. Acesso em: 29 out. 2013.
JUSBRASIL. Art. 1618 do Código Civil - Lei 10406/02. Disponível em: <http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10621643/artigo-1618-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002>. Acesso em: 29 out. 2013.
MAUX, Ana Andréa B. DUTRA, Elza. A adoção no Brasil:algumas reflexões. Disponível em: <http://www.revispsi.uerj.br/v10n2/artigos/pdf/v10n2a05.pdf>. Acesso em: 05 nov. 2013.
MORAES, Madson. Adoção: Um gesto de amor e muita responsabilidade. Disponível em: <http://www.vejanoticias.com.br/noticia/adocao-um-gesto-de-amor-e-muita-responsabilidade-tire-suas-duvidas,nacional,9457.html#.Uov9r9KsjLR>. Acesso em: 10 nov. 2013.
PAES, Janiere Portela Leite. O Código de Menores e o Estatuto da Criança e do Adolescente: avanços e retrocessos. Disponível em: <http://www.egov.ufsc.br/portal/conteudo/o-c%C3%B3digo-de-menores-e-o-estatuto-da-crian%C3%A7a-e-do-adolescente-avan%C3%A7os-e-retrocessos>. Acesso em: 05 nov. 2013.
SIMÕES, Carlos. Curso de direito do Serviço Social – Biblioteca Básica do Serviço Social. 3° ed. São Paulo: Cortez, 2009.Fonte: http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/21572-conheca-o-processo-de-adocao-no-brasil