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INTRODUÇÃO O Toxoplasma gondii é um protozoário oportunista de fácil transmissão, sendo uma das infecções parasitárias mais comuns em humanos, a qual ocorre especialmente pelas fezes dos gatos, ingestão de carnes cruas e transmissão congênita. É uma das infecções mais temidas durante a gravidez, devido ao risco de acometimento fetal, fato este que torna fundamental o seu diagnóstico precoce durante o acompanhamento pré-natal. Portanto, a atenção especial às gestantes, pois os riscos de transmissão materno-fetal e de gravidade das seqüelas estão relacionados com a idade gestacional em que a soroconversão materna ocorre. Uma vez que o acometimento fetal pode ser a causa de danos irreversíveis ou até causar abortos em grávidas que foram infectadas durante o período gestacional. A sintomatologia se apresenta de forma variável, dependo do estado imunológico da paciente, podendo ser totalmente assintomática ou mesmo apresentar com problemas neurais em imunocomprometidos. A principal forma de detecção do parasito é através de diagnóstico laboratorial, visto que o clínico se confunde com sintomas de diversas doenças. Porém o encontro do parasita em fluidos, excretas ou tecido humano, é de certa forma inviável, restando às técnicas imunológicas o papel da atribuição dos sintomas observados à presença ou não do parasito em questão. Como em outras patologias a forma de combate à parasitose se dá através de medida profilática para a mesma, para tal é necessário conhecê-la a fundo, inclusive sua ocorrência, sendo assim, é de extrema importância investigar a referida parasitose nas gestantes, bem como, pela necessidade de adotar campanhas educativas no sentido de prevenir tal entidade nosológica, particularmente dentre as mulheres grávidas. JUSTIFICATIVA A toxoplasmose é um agravo de distribuição mundial e sua importância clínica está no risco que representa aos organismos imunocomprometidos, à gestante, concepto no potencial de causar lesões oculares tardias (CASTILHO-PELLOSO, 2005). No Brasil, a prevalência da toxoplasmose é alta e a triagem sorológica pré-natal é sugerida como política pública não obrigatória (CARELLOS; ANDRADE; AGUIAR, 2008). A partir disso, percebemos a importância de avaliar o conhecimento das gestantes sobre este tema de grande relevância para a saúde pública, que requer principalmente a participação do profissional enfermeiro para a prevenção deste agravo. OBJETIVOS: OBJETIVOS GERAIS O presente trabalho teve como finalidade aprofundar o conhecimento quanto à ocorrência de toxoplasmose gestacional e a evolução Perinatal dos fetos infectados, bem como avaliar a relação entre os principais testes para diagnóstico da toxoplasmose durante a gestação. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Identificar o conhecimento da toxoplasmose na gestação e seus efeitos sobre o feto, como também a abordagem do enfermeiro nas primeiras consultas de pré- natal visando a prevenção e agravo da referia patologia. TOXOPLASMOSE GESTACIONAL A toxoplasmose é uma zoonose que adquire especial relevância para a saúde pública quando a mulher se infecta, pela primeira vez, durante a gestação pelo risco elevado de transmissão vertical e acometimento fetal. A gestante adquire a doença por meio da ingestão de cistos em água e alimentos contaminados (vegetais, frutas, carnes mal passadas, ou em locais onde eventualmente possa haver fezes de felinos (terra, areia), que são os únicos hospedeiros definitivos de T. gondii (BRASIL b,2012) Mais de 90% dos casos são assintomáticos, portanto o diagnóstico clínico é de pouca valia. Fundamental para o diagnóstico é a coleta de sangue para a detecção dos anticorpos da classe IgG e IgM, o mais precocemente possível, particularmente no início do primeiro trimestre, crucial na orientação terapêutica. Se possível, a informação de sorologias anteriores realizadas pelas gestantes auxilia no diagnóstico. Os métodos laboratoriais mais utilizados são os ensaios enzimáticos imunológicos (ELISA-MEIA), que são extremamente sensíveis para detecção de anticorpos (MONTOYA; REMING-TON,2008). A toxoplasmose congênita pode causar aborto e danos neurológicos e/ou oculares ao feto, incluindo a micro ou macrocefaléia, hidrocefalia, calcificações cerebrais, retarda mental, estrabismo e convulsões. (BAQUERO-ARTIGAO, 2012; FIGUEIRÓ-FILHO, 2007 apud Vidigal et al, 2002). A maioria das crianças nascidas infectadas pode se apresentar normal ao nascer (REMINGTON, 2011) e desenvolver sequelas na infância ou adolescência (LOPES-MORI, 2011; BAQUERO, 2012), sendo a coriorretinite, principal causa de cegueira em crianças com toxoplasmose congênita (GILBERT, 2008) A toxoplasmose é uma doença que tem como agente etiológico um protozoário o Toxoplasma gondii Sinonímia: doença do gato. ASPECTOS CLÍNICOS A maioria dos casos de toxoplasmose em indivíduos imunocompetentes é assintomática. No entanto, de 10% a 20% dos adultos infectados apresentam, na fase aguda da doença, as seguintes formas clínicas: linfoglandular (mais frequente), meningoencefalite, pneumonite, hepatite, miosite, erupção cutânea e retinocoroidite. (AMATO NETO; MARCHI, 2002). De acordo com Beamanet al. (1995), as manifestações clínicas mais comuns são a linfadenopatia (mais comumente, um único nódulo cervical posterior aumentado) e a astenia sem febre. A linfadenopatia pode ocasionalmente vir acompanhada de febre, mal-estar, cefaleia, astenia, mialgia, exantema máculo-papular, odinofagia e hepatoesplenomegalia. Estes sintomas geralmente duram algumas semanas, porém, a adenomegalia e hepatoesplenomegalia podem durar meses. Encefalite, miocardite e pneumonite raramente ocorrem, com exceção nos pacientes imunocomprometidos. Retinocoroidite raramente ocorre no curso da infecção aguda e geralmente são unilateral, 5| Epidemiologia e impacto da toxoplasmose porém Silveira (2002) estima que de 12 a 15% das pessoas infectadas irão desenvolver a lesão ocular em algum momento da vida. PATOGENIA DA TOXOPLASMOSE CONGÊNITA Na toxoplasmose congênita, o parasita atinge o concepto por via transplacentária causando danos com diferentes graus de gravidade dependendo dos fatores como virulência, cepa do parasita, da capacidade da resposta imune da mãe e também do período gestacional em que a mulher se encontra, podendo resultar em morte fetal ou em graves sintomas clínicos. (DUNN et al., 1999). Assim sendo, o acompanhamento sorológico deveria ser periódico durante toda a gestação nas mulheres soronegativas, buscando o diagnóstico de uma possível primoinfecção. (VIDIGAL et al., 2002). Vários estudos demonstraram que o risco de infecção fetal aumenta com a idade gestacional, porém, a gravidade das sequelas diminui com ela, sendo as formas subclínicas neonatais próprias da infecção no terceiro trimestre da gestação. (DESMONTS; COUVREUR, 1974; HOHLFELD et al., 1994). Portanto, a gravidade é inversamente proporcional ao tempo de patogenia da toxoplasmose congênita gestação e a facilidade de transmissão é diretamente proporcional ao mesmo tempo. Por outro lado, as lesões oculares não são totalmente dependentes da época da infecção e podem ocorrer casos graves de retinocoroidite mesmo em infecções adquiridas pela mãe na segunda metade da gestação. (GILBERT et al., 2008). DIAGNÓSTICO A maioria dos casos de toxoplasmose pode acontecer sem sintomas ou com sintomas bastante inespecíficos. Mesmo na ausência de sintomatologia, o diagnóstico da infecção aguda pelo Toxoplasma gondii na gravidez se reveste de importância, tendo como objetivo principal a prevenção da toxoplasmose congênita e suas seqüelas. O diagnóstico materno baseia-se, primeiramente, na triagem sorológica para anticorpos IgG anti-T.gondii por meio do método Elisa (ensaio imunoenzimático) indireto e a pesquisa de IgM anti-T.gondii por meio do método Elisa de captura. A sorologia deverá ser solicitada no início do 1º trimestre de gestação (IgM e IgG), se a gestante for suscetível (IgM e IgG não reagentes), a sorologia deverá serrepetida no início dos 2º e 3º trimestres gestacionais. Em pacientes que apresentem resultado IgM e IgG positivos deverá ser solicitado o teste de avidez para IgG, preferencialmente na mesma amostra. Caso IgM não reagente e IgG reagente, quando realizados precocemente, indicam doença antiga não sendo necessário repetir o exame durante a gestação (exceto em pacientes com imunodeficiência). A gestante que apresentar infecção por T.gondii, por meio da pesquisa de anticorpos IgM reagentes, em qualquer trimestre gestacional, deverá ser iniciado o tratamento na atenção primária e simultaneamente deverá ser encaminhada para referência de alto risco. FORMAS DE PREVENÇÃO . Lavar as mãos ao manipular alimentos; . Lavar bem as frutas, legumes e verduras antes de se alimentar; . Não ingerir carnes cruas, mal cozidas ou mal passadas, incluído embutidos; . Evitar contato com o solo e a terra de jardim; se indispensável, usar luvas e lavar bem as mãos após; . Evitar contato com fezes de gato no lixo ou solo; . Após manusear a carne crua, lavar bem as mãos, assim como também toda a superfície que entrou em contato com o alimento e todos os utensílios utilizados; . Não consumir leite e seus derivados crus, não pasteurizados, seja de vaca ou de cabra; . Propor que a outra pessoa limpe a caixa de areia dos gatos e, caso não seja possível, limpá-la e trocá-la diariamente, utilizando luvas e pazinhas. . Alimentar os gatos com carne cozida ou ração, não deixando que estes ingiram caça; . Lavar bem as mãos após contato com animais. TRATAMENTO O tratamento específico nem sempre é indicado nos casos em que o hospedeiro é imunocompetente, exceto em infecção inicial durante a gestação ou na vigência de comprometimento de outros órgãos, como coriorretinite e miocardite. Recomenda-se o tratamento em gestantes, recém-nascidos e imunodeprimidos. Porém, este deverá ser instituído tão precoce quanto possível, assim que houver comprovação laboratorial da toxoplasmose adquirida na gestação. A terapêutica envolve droga de ação parasitostática (Espiramicina) que atua sobre a infecção placentária e uma associação de parasiticidas (sulfadiazina e primetamina com ácido folínico) que eliminam os agentes que atravessaram a barreira placentária e que atingiram o líquido amniótico e/ou o feto. DISCUSSÃO O pré-natal oferece o momento ideal para que sejam implementadas medidas para prevenção das doenças de transmissão materno-fetal, como a toxoplasmose, que tem de grande prevalência nesse meio. De acordo com o Ministério da Saúde (2005), enfatiza que devem ser solicitados os principais exames na primeira consulta do pré-natal, entretanto, destaca-se que mesmo que o serviço não ofereça o exame para toxoplasmose, o profissional de saúde não está isento de prestar informações sobre o que é toxoplasmose, transmissão e cuidados preventivos, visto que o principal objetivo da atenção pré-natal e puerperal é acolher a mulher desde o início da gravidez, assegurando, no fim da gestação, o nascimento de uma criança saudável e a garantia do bem-estar materno e neonatal (COSTA, 2011). A partir do trabalho realizado, observa-se a importância de estabelecer orientação as gestantes sobre cuidados e procedimentos para a diminuição da proporção de gestantes que desconhecem os riscos que a toxoplasmose pode trazer ao feto, CONCLUSÃO O pré-natal é o momento propício para conhecer a gestante a fim de traçar um plano de cuidados específicos para o binômio mãe-bebê. A toxoplasmose é uma das infecções mais incidentes entre a espécie humana, e por ser latente, na maioria dos casos, não manifesta sintomas devido à ação do sistema imunológico, portanto passa despercebida pelos pacientes, ou até confundida com outras mononucleoses que em algum momento de sua vida teve a infecção. Apesar da grande prevalência, a prevenção da parasitose é simples, tendo por base à adoção de hábitos higiênicos e alimentares, deste modo a educação ao indivíduo e a vigilância da doença são maneiras eficazes de minimizar tanto a propagação da infecção, a ocorrência de novos casos e a evolução da infecção confirmada. Além disso, a prática de medidas preventivas pode diminuir os riscos e evitar a forma mais grave da doença, toxoplasmose congênita. Diante do exposto, faz-se também necessária a atualização dos conhecimentos dos profissionais da saúde sobre a doença, enfatizando a prevenção e tratamento adequado, principalmente da infecção congênita, em mulheres gestantes que caracterizam o grupo de risco, para haja uma aplicação eficaz da prevenção primária. REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO http://www.saude.pr.gov.br/arquivos/File/pdf7.pdf BRASIL, Ministério da Saúde. Doenças Infecciosas e Parasitárias: guia de bolso. Brasília: Ministério da Saúde; 2008. 372 p. ALIBERTI, J. Host persistence: exploitation of anti-inflammatory pathways by Toxoplasma gondii. Nature Reviews Immunology, n.5, p.162-170, feb. 2005. Caderno de Atenção ao pré-natal toxoplasmose Ministério da Saúde, Do Manual Técnico de Gestação de Alto Risco (Ministério da Saúde )