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Apoìstila   Cirurgia Vascular

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três sistemas venosos:
 � Sistema venoso superficial e safeno; 
 � Sistema venoso profundo;
 � Sistema venoso perfurante.
Veia cava inferior
Veia ilíaca comum
Veia ilíaca interna
Ligamento inguinal
Veia femoral comum
Croça da veia safena magna
Veia femoral profunda
Veia femoral super�cial
Veia de Giacomini
Veias poplítea
Croça da veia safena parva
Veias safena parva
Veias profundas
da perna
Perfurantes
da panturrilha
Arco plantar
Arco dorsal
do pé
Perfurantes
de Cockett
Perfurantes
de Boyd
Veia safena
magna
Perfurantes
de Dodd
Veia ilíaca
externa
Figura 6.1 Drenagem venosa do membro inferior.
Veia
anterolateral
super�cial
da coxa
Veia tributária
posterolateralVeia
safena
parva
Junção
safenopoplítea
Veia de
Giacomini
Veia postero-
medial super�cial
da coxa
Arco venoso dorsal
Figura 6.2 A veia safena parva (menor) domina a drenagem venosa 
posterolateral superficial e se origina no arco venoso dorsal. Na porção 
posterolateral do tornozelo está intimamente associada ao nervo sural. 
Note a importante veia tributária posterolateral, que ascende e se co-
necta ao sistema da veia safena parva. A veia anterolateral superficial 
da coxa e a veia tributária posterolateral podem ser muito importantes 
nas anomalias venosas congênitas, como a síndrome de Klippel-Tre-
naunay (veja final do capítulo).
Compartimento da safena
(VSA = safena acessória)
Derme
VSAVSA
NS
VF AF
VSM
Músculo
Fáscia da
safena
Fáscia muscular
Compartimento
da safena
Compartimento
super�cial
Compartimento
profundo
Figura 6.3 O compartimento da safena é delimitado pelas camadas 
superficial e profundada fáscia. As tributárias do sistema da safena pe-
netram a fáscia superficial e são elas que se tornam varicosas. O exame 
ultrassonográfico transversal demonstra a presença de uma única veia 
safena em 52% dos indivíduos, duas veias paralelas em 1%, uma única 
veia safena com uma grande tributária que penetra a fáscia superficial 
para se juntar à safena na coxa em diferentes níveis em 26%. Outras 
variantes foram identificadas. VSA: veia safena acessória; AF: artéria 
femoral; VF: veia femoral; VSM: veia safena magna.
Veia perfurante do canal de
Hunter
Veia perfurante de Dodd
Veias perfurantes de Boyd
Veia perfurante
inframaleolar
Veias perfurantes de Cockett
(I, II, III)
Figura 6.4 Apresentação da localização das veias perfurantes mais 
importantes associadas ao sistema da safena magna. As veias perfuran-
tes de Cockett e inframaleolares são, de fato, separadas do sistema da 
safena magna. A veia perfurante de Boyd está constantemente presen-
te, mas pode drenar para a veia safena ou para suas tributárias. As veias 
perfurantes no terço distal da coxa são denominadas “perfurantes de 
Dodd”, enquanto aquelas no terço médio da coxa são conhecidas como 
as “perfurantes do canal de Hunter”.
Dentre os trabalhos referentes às veias perfuran-
tes, os de Sherman, por apresentar em um plano de 
localização topográfica que coincide com os dados cli-
nicocirúrgicos e, portanto, comprovados pela prática, 
parecem ser os mais completos. Descreveu seis grupos 
de perfurantes localizados (figura a seguir):
1. Na face medial da coxa (1 a 6 com média de 1,4);
2. Na face medial da perna;
3. Na face lateral da perna, no septo entre os 
músculos gêmeos e solear, de um lado, e os músculos 
peroneiros, do outro;
Clínica cirúrgica | Vascular
SJT Residência Médica - 201574
4. Na face lateral da perna no septo entre os mús-
culos fivulares, de um lado, e os músculos tibial ante-
rior e o extensor longo dos dedos, de outro;
5. Na face posterior da perna, unindo as veias 
profundas à safena externa;
6. Na face posterior da perna, unindo as colate-
rais das safenas às veias dos músculos gêmeos e sóleo.
Figura 6.5 Localização das principais veias perfurante-comunicantes 
da perna.
Padrões de varicosidade
Localização das varizes Perfurante
Região medial da coxa, terço médio Do canal de Hunter
Região medial da coxa, terço médio De Dodd
Região medial da perna, terço superior De Boyd
Tornozelo, posteromedial De Cockett
Tornozelo, anteromedial De Sherman
Dobra do joelho posterolateral lnominada
Tabela 6.1
Existe um amplo espectro na apresentação da 
insuficiência venosa crônica, o que dificulta enorme-
mente estabelecer uma classificação que englobe to-
dos esses pacientes. A classificação mais usada é desig-
nada pelas iniciais CEAP. A parte mais importante da 
classificação CEAP é a letra “C” – classificação clínica 
–, que descreve os sinais clínicos objetivos do grau da 
doença que devem guiar o tratamento adequado.
Classificação CEAP
“C”
Para sinais clínicos (0-6) acrescidos de (A) para assin-
tomáticos e (S) para sintomáticos
“E”
Para etiologia congênitas-C, primárias-P, secundá-
rias-S
“A”
Para distribuição anatômica (superficial-S, profun-
da-D [do inglês deep], ou perfurante-P)
“P”
Para fisiopatologia [do inglês pathophysiology] (reflu-
xo-R ou obstrução-O)
Tabela 6.2
Classificação clínica (C0-C6)
Classe 0 Sinais não visíveis nem palpáveis de doença venosa
Classe 1 Telangiectasias ou veias reticulares
Classe 2 Veias varicosas
Classe 3 Edema
Classe 4
Alterações próprias da doença (pigmentação, 
eczema venoso, lipodermatoesclerose)
Classe 5 Alterações da pele ao redor de úlcera cicatrizada
Classe 6 Alterações de pele com úlcera ativa
Tabela 6.3
Varizes dos membros 
 inferiores
Considerações gerais
As varizes são veias superficiais anormais, dila-
tadas, cilíndricas ou saculares, tortuosas e alongadas, 
caracterizando uma alteração funcional.
O crédito da primeira proposta de tratamento 
para as varizes dos membros inferiores é dado a Hi-
pócrates (460-377 a. C.), que recomendava múltiplas 
punções com o objetivo de provocar a sua trombose. 
Com o passar do tempo, várias técnicas foram descri-
tas, como a cauterização, a excisão ou avulsão, a liga-
dura e a terapia compressiva. No entanto, um grande 
aumento do interesse para o tratamento cirúrgico 
das varizes ocorreu no final do século XIX e início do 
século XX com Trendelemburg, Javel, Mayo, Babcok 
e outros que descreveram métodos mais apurados de 
ligaduras e extração venosa. Recentemente, o desen-
volvimento de técnicas não invasivas para o diagnós-
tico da insuficiência venosa ajudou no tratamento 
precoce e melhorou o prognóstico desta enfermidade 
tão frequente.
Etiopatogenia
Todas as situações intrínsecas ou extrínsecas ca-
pazes de debilitar a parede venosa, aumentar a pressão 
intraluminal e/ou acometer a função valvular venosa 
serão potencialmente causadoras de varizes.
A permanência na posição ortostática por mais 
de seis horas/dia, geralmente causada pelo tipo de 
ofício do indivíduo, favorece o edema ortostático dos 
membros inferiores e o aparecimento de varizes.
Um componente genético tem sido relacio-
nado ao aparecimento das varizes. A população 
afroasiática é notoriamente menos acometida pela 
doença varicosa.
6 Insuficiência venosa de membros inferiores
75
A idade e a obesidade influem na tonicidade dos 
tecidos, constituindo fator etiopatogênico para a insu-
ficiência da parede vascular venosa. Observa-se maior 
prevalência entre os 30 e 50 anos de idade. A dieta 
pobre em fibras, levando à constipação e, consequen-
temente, a um aumento da pressão intra-abdominal 
durante a evacuação, constitui outro fator etiopatogê-
nico. O aumento da pressão intra-abdominal também 
pode ser causa do aparecimento de varizes em atletas 
(remadores, halterofilistas, fisiculturistas etc.).
A maior incidência no sexo feminino está bem 
estabelecida, variando de duas a cinco vezes em al-
gumas estatísticas. A gravidez e o anticoncepcional 
constituem grandes causas que favorecem o surgi-
mento de varizes.
Fatores de risco
 • Raça
 • Idade
 • Sexo
 • Hereditariedade
 • Obesidade
 • Hábitos (alimentares, trabalho)
 • Traumatismo
 • Anovulatórios
Tabela 6.4
Classificação
Varizes essenciais ou primárias: alteração embrio-
genética mesodérmica.
Varizes secundárias: assim chamadas por serem 
secundárias a alterações