Incitação ao Crime
3 pág.

Incitação ao Crime

Disciplina:Proteção Penal Inter Sociais27 materiais51 seguidores
Pré-visualização1 página
CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA
4 Recortes objetivos da doutrina recomendada. Confronte com o conteúdo aplicado e as análises efetuadas em sala de aula, questões de concurso, e a bibliografia indicada no plano de estudos. Examine a legislação e consulte a jurisprudência. Pesquise, atualize, questione e discorra sobre a matéria.

INCITAÇÃO AO CRIME

Art. 286. Incitar, publicamente, a prática de crime:

Pena – detenção, de 3 (três) a 6 (seis) meses, ou multa. ______________________________________________________________________

1. Objeto jurídico: a paz pública.

2. Sujeito ativo: qualquer pessoa.

3. Sujeito passivo: a coletividade (crime vago, que não possui sujeito passivo determinado).

4. Conduta típica: consiste em incitar, publicamente, a prática de crime. Abrange o induzimento e a instigação.

5. Incitação pública: a incitação deve ser feita em público, v.g., de modo a ser percebida por um número indefinido de pessoas. Por isso, a incitação feita em ambiente familiar não caracteriza o delito.

6. Meios de execução: palavras, gestos, escritos, etc..

7. Destinatários da incitação: pouco importa se o agente incita publicamente à prática de crime determinado indivíduo, desde que, pelo contexto no qual a conduta é realizada, possa ser percebida por indeterminado número de pessoas.

8. Incitação à prática de crime, contravenção e ato imoral: a incitação deve ser de crime determinado. Se o agente incitar à prática de contravenção, o fato é atípico, e assim também se incita publicamente à prática de ato imoral.

9. Determinação típica: o agente deve incitar à prática de crime determinado, roubos, estupros, homicídios, etc. Não é necessário que o ofendido seja individualizado. Não é preciso que o agente incite à prática de roubo na residência de determinada pessoa. Basta que incite à prática de roubos.
10. Incitação inócua: não desfigura o delito a circunstância de ninguém, em face da incitação, vir a cometer o crime visado pelo indutor.

11. Genocídio: se a incitação é à prática do crime de genocídio, o delito será o previsto no art. 3º da Lei n. 2.889, de 1º de outubro de 1956.

12. Segurança nacional: se o agente incita à prática de crime contra a Segurança Nacional, o crime é o descrito no art. 23, IV, da Lei n. 7.170, de 14 de dezembro de 1983 (Lei de Segurança Nacional).

13. Incitação ao suicídio: art. 122 do Código Penal.

14. Acordo de marginais para o cometimento de crimes: não há o delito do art. 286, absorvida a incitação pelo concurso de pessoas, quando da prática delituosa. O fato integra o delito de associação criminosa (art. 288 do CP).

15. Incitação à lascívia e à prostituição: arts. 227 e 228 do Código Penal, tipos específicos.

16. Elemento subjetivo do tipo: dolo.

17. Momento consumativo e participação: a consumação ocorre com a percepção, por indeterminado número de pessoas, da incitação ao crime. É irrelevante que o crime ao qual foram as pessoas incitadas não seja praticado. Trata-se de crime formal. Se cometido, o incitador é partícipe ou coautor (art. 29, caput, do CP).

18. Tentativa: é admissível.

____________________________________________________________

APOLOGIA DE CRIME OU CRIMINOSO

Art. 287. Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime:
Pena – detenção, de 3 (três) a 6 (seis) meses, ou multa.

Objeto jurídico: A paz pública.
Sujeito ativo: qualquer pessoa (crime comum)
Sujeito passivo: a coletividade.
Conduta típica: consiste em fazer, publicamente, apologia de autor de crime ou de fato criminoso. Fazer apologia significa exaltar, enaltecer, elogiar.
Publicidade: é necessário que a apologia seja feita publicamente, isto é, em condições que possa ser percebida por um número indefinido de pessoas.
Simples defesa: ou demonstração de solidariedade não constitui delito, porque a manifestação de pensamento é garantia constitucionalmente assegurada a todos os brasileiros e estrangeiros residentes no Brasil (CF, art. 5º, IV).
Crime, contravenção e ato imoral: a apologia deve ser de fato definido como crime, não configurando o delito o elogio de fato contravencional ou imoral.
Crime culposo: a apologia de fato criminoso culposo não constitui o delito porque é inconcebível que a paz pública, objeto jurídico, seja ameaçada pela exaltação de crime decorrente de culpa. É que não se pode admitir que alguém seja incitado (indiretamente) à prática de fatos criminosos decorrentes de inobservância do cuidado objetivo necessário. Tal apologia, se feita, resultaria inócua e não ofenderia o bem jurídico.
Fato real e determinado: o fato criminoso deve ser determinado e ter realmente ocorrido anteriormente à apologia criminosa.
 Não se exige fato definitivamente julgado: a exigência não consta do tipo.
 Apologia de autor de crime: exige-se que o elogia feito ao sujeito ativo do delito anterior verse sobre a conduta criminosa e não sobre seus atributos morais ou intelectuais.
 Meios de execução: palavras, gestos, escritos, etc.
 Segurança Nacional: a apologia de crime contra a Segurança Nacional constitui o delito do art. 22, IV, da Lei n. 7.170, de 14 de dezembro de 1983.
 Elemento subjetivo do tipo: dolo.
 Momento consumativo: acontece com a percepção, por indefinido número de pessoas, dos elogios endereçados a crime determinado e anteriormente praticado ou a autor de crime.
 Tentativa: é admissível.