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ESTADO DE SERGIPE SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO (SEED) Concurso Público para Provimento de Cargo de Professor de 5a a 8a Séries do Ensino Fundamental e Ensino Médio Filosofia – S18 P R O V A Conhecimentos Básicos Conhecimentos Específicos I N S T R U Ç Õ E S - Verifique se este caderno: • corresponde a sua opção de cargo. • contém 50 questões, numeradas de 1 a 50. Caso contrário, reclame ao fiscal da sala um outro caderno. Não serão aceitas reclamações posteriores. - Para cada questão existe apenas UMA resposta certa. - Você deve ler cuidadosamente cada uma das questões e escolher a resposta certa. - Essa resposta deve ser marcada na FOLHA DE RESPOSTAS que você recebeu. VOCÊ DEVE: - procurar, na FOLHA DE RESPOSTAS, o número da questão que você está respondendo. - verificar no caderno de prova qual a letra (A, B, C, D, E) da resposta que você escolheu. - marcar essa letra na FOLHA DE RESPOSTAS, fazendo um traço bem forte no quadrinho que aparece abaixo dessa letra. ATENÇÃO - Marque as respostas primeiro a lápis e depois cubra com caneta esferográfica de tinta preta. - Marque apenas uma letra para cada questão, mais de uma letra assinalada implicará anulação dessa questão. - Responda a todas as questões. - Não será permitida qualquer espécie de consulta, nem o uso de máquina calculadora. - Você terá 4 horas para responder a todas as questões e preencher a Folha de Respostas. - Devolva este caderno de prova ao aplicador, juntamente com sua Folha de Respostas. - Proibida a divulgação ou impressão parcial ou total da presente prova. Direitos Reservados. FUNDAÇÃO CARLOS CHAGAS Dezembro/2003 ____________________________________________________ Opcao de Cargo S18, Tipo 1 0000000000000000 00001−001−001 Nº de Inscrição MODELO 27/11/03 - 08:35 2 SESEP-SE-C.Basicos-4 CONHECIMENTOS BÁSICOS 1. Segundo Luiz Antônio Cunha, o dualismo do sistema de educação brasileiro vem sendo considerado um obstáculo ao seu desenvolvimento porque (A) esta questão não tem sido reconhecida como objetivo de políticas educacionais. (B) inexiste a preocupação dos governantes em relação à resolução deste problema. (C)) persiste a resistência daqueles que se beneficiam do sistema vigente, até hoje. (D) as políticas educacionais não se propõem a organizar a gestão democrática nas escolas. (E) inexistem projetos educacionais que tenham como objetivo o acesso da população à escola pública. _________________________________________________________ 2. A escola tem por função preparar os indivíduos para o desempenho de papéis sociais, de acordo com aptidões individuais. Para isso, os indivíduos precisam aprender a adaptar-se aos valores e às normas vigentes na sociedade de classes, através do desenvolvimento da cultura individual. A ênfase no aspecto cultural esconde a realidade das diferenças de classe, pois, embora difunda a idéia de igualdade de oportunidade não leva em conta a desigualdade de condições. A educação e a escola a que se refere o texto acima representam concepções e tendências da Educação no Brasil da pedagogia (A)) liberal. (B) construtivista. (C) progressista libertária. (D) progressista libertadora. (E) crítico-social dos conteúdos. _________________________________________________________ 3. Historicamente, o ensino obrigatório ficava restrito ao período necessário ao domínio da habilidade de ler, escrever e contar. A partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional − LDB (no 9.394/96), observa-se um alargamento nesta concepção, constituindo a Educação Básica em: (A) pré-escola – ensino fundamental – ensino superior. (B) ensino fundamental – ensino médio – ensino superior. (C) pré-escola – ensino fundamental – educação de jovens e adultos. (D)) educação infantil – ensino fundamental – ensino médio. (E) educação especial – educação infantil – educação de jovens e adultos. 4. Segundo Maria Teresa Mantoan, a adesão à inclusão exige dos educadores a compreensão de que os alunos são diferentes uns dos outros e que os ambientes inclusivos devem concorrer para estimular os alunos, em geral, a se comportarem (A) disciplinadamente, para que se possa desenvolver atividades iguais para todos os alunos. (B) naturalmente, para que o professor possa atender individualmente todas as dificuldades dos alunos. (C) passivamente, para que o professor possa desen- volver seu planejamento de aula. (D) espontaneamente, diante das dificuldades cogni- tivas, sem a preocupação constante de produção de conhecimento. (E)) ativamente, diante dos desafios do meio escolar, abandonando os estereótipos, os condicionamentos, as dependências. _________________________________________________________ 5. Para Paulo Freire, ensinar é desafiar os educandos a que pensem sua prática, a partir da prática social, e com eles (os educandos), em busca dessa compreensão, estudar rigorosamente (A) os parâmetros curriculares nacionais. (B)) a teoria da prática. (C) os conteúdos do núcleo comum dos currículos das escolas. (D) a metodologia dos conteúdos. (E) a dinâmica do mercado de trabalho. _________________________________________________________ 6. Segundo José Carlos Libâneo, a primeira condição para se realizar um planejamento é saber com segurança a (A) grade de conteúdos que se irá ensinar aos alunos. (B) metodologia de trabalho a ser adotada em sala de aula. (C) organização disciplinar de cada série e o perfil dos professores. (D)) direção que queremos dar ao processo educativo na nossa sociedade. (E) noção do que é plano, planejamento, programa e projeto e suas etapas. _________________________________________________________ 7. Na verdade, esses professores, ao resistirem a uma mudança que não corresponda às suas condições materiais de trabalho, acabam definindo, dentro de um espaço fora do controle do Estado – a sala de aula – o que se deve ensinar. Segundo João Baptista Bastos, o plano prioritário da escola é o de gestão; no entanto, as condições materiais desumanas do trabalho escolar podem gerar (A)) não só o conformismo, mas também sentimento de impotência dos educadores. (B) contraditoriamente, a construção de um projeto pedagógico adequado à realidade dos alunos. (C) um trabalho coletivo, mas corporativista pois consegue envolver somente parte dos professores. (D) principalmente, um projeto pedagógico de má quali- dade pela falta de competitividade. (E) o descompromisso de professores com baixa capa- cidade técnica de ensinar. MODELO − Opcao de Cargo S18, Tipo 1 27/11/03 - 08:35 SESEP-SE-C.Basicos-4 3 8. A valorização dos profissionais da educação, através da garantia de "aperfeiçoamento profissional continuado, inclusive com licenciamento periódico remunerado para este fim"; de "período reservado a estudos, planejamento e avaliação, incluído na carga de trabalho", bem como de "condições adequadas de trabalho", dentre outros aspectos, está prevista (A) na Constituição Federal/1988. (B) na Constituição Estadual de Sergipe. (C)) na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB - no 9.394/96). (D) na Emenda Constitucional no 14/96. (E) no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). _________________________________________________________ 9. “Algumas vezes se abandona a escala de 6 a 10 ou de A a E ou deixa-se de utilizar conceitos como ‘ótimo’, ‘bom’ ou ‘regular’ onde o contexto escolar adquire um certo grau de liberdade, mas os processos pedagógicos continuam vinculados a um produto previamente determinado.” O texto acima de Maria Teresa Esteban faz referência às muitas das propostas atuais de avaliação que mantêm o estabelecimento de parâmetros com os quais as respostas dos alunos devem ser comparados (A) para se desenvolver uma avaliação emancipatória.(B)) e não rompem com a prática de avaliação classifica- tória. (C) visando a realização de uma avaliação diagnóstica. (D) visando uma aprendizagem significativa, a partir do erro construtivo. (E) e organizadas de forma a oferecer a idéia exata do rendimento dos alunos. _________________________________________________________ 10. De acordo com o artigo 56 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n° 8.069/90), serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar os casos de: I. problemas indisciplinares. II. casos de doenças contagiosas. III. maus tratos envolvendo alunos. IV. reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar, esgotados os recursos escolares. São corretas, APENAS (A) I e II (B) I e III (C) II e III (D) II e IV (E)) III e IV Atenção: As questões de números 11 a 15 baseiam-se no texto apresentado abaixo. O Brasil é, sem favor, a maior reserva folclórica do mundo. O Nordeste, em particular, tem sido uma imensa casa- grande, em torno da qual o povo inventa e conta estórias. Tem cabido ao povo nordestino a guarda dos acervos, que se mostram nos espaços das ruas e das praças, nos mercados e nas feiras, no Natal, no São João ou no carnaval, na quaresma e na aleluia - lugares e ocasiões em que o povo veste sua alma de festa e de arte e professa, entre cantos, danças, gestos, a sua sobrevivência. Há, em meio ao repertório folclórico conhecido, insofis- máveis provas da concepção que o povo brasileiro tem do mundo e da vida. Há, também, protestos óbvios, diretos, duros. Há, predominantemente, uma herança catequética que percorre os contos, os provérbios, os autos e folguedos, as crendices e superstições, as quadrinhas e a literatura de cordel - variadas formas da literatura popular reconhecida pelos letrados e eruditos. Um repertório que é capaz de afirmar um tipo de vida severina, pelo modelo do poema de João Cabral de Melo Neto, ou manter quase intactos gestas e dramas que colocam em oposição cristãos e mouros, religiosos e infiéis. Vigoram ainda nas escolas as quatro características básicas do fato folclórico, fixadas por Luiz da Câmara Cascudo: antigüidade, persistência, anonimato e oralidade. Tais características colidem com a definição de João Ribeiro, de que o folclore é a concepção do mundo e da vida de um povo. Tudo tem uma autoria. Nas comunidades convivem na mesma importância os que puxam os versos, juntamente com os que sustentam o refrão, repetindo-os. No uso, aquilo que nasceu da individualidade passa a pertencer a muitos. A colegialidade, então, passa a ser, também, característica do popular. Por fim, a expressividade do fato cultural do povo, que engloba a mensagem e a linguagem que lhe vale de suporte, adquire, igualmente, feição de característica, por conta do conjunto de expressões que facilitam a aceitação e a sobrevivência do que é produzido. (Adaptado de Luiz Antonio Barreto. Um novo entendimento do folclore. Aracaju: Sociedade Editorial de Sergipe, 1994, p. 27-41) 11. A coesão do 2o parágrafo do texto mantém-se, espe- cialmente, (A) por afirmações opostas quanto ao sentido e quanto à sua organização sintática. (B) pela seqüência cronológica dos fatos apresentados, garantida pelos tempos verbais. (C) pelo uso de conectivos que estabelecem a subordinação coerente entre as orações. (D)) pela repetição de frases de estrutura sintática semelhante e significado coerente. (E) pelo uso coloquial do vocabulário e da ordem direta nas frases. Opcao de Cargo S18, Tipo 1 − MODELO 27/11/03 - 08:35 4 SESEP-SE-C.Basicos-4 12. ... fixadas por Luiz da Câmara Cascudo: antigüidade, persistência, anonimato e oralidade. (início do 3o pará- grafo) Os dois pontos introduzem, considerando-se o contexto, (A)) uma seqüência enumerativa. (B) a restrição ao que se afirma anteriormente. (C) interrupção intencional do pensamento. (D) transcrição exata de palavras de outro autor. (E) uma repetição desnecessária. _________________________________________________________ 13. Tais características colidem com a definição de João Ribeiro. (início do 3o parágrafo) Emprega-se um sinônimo do verbo grifado na frase acima em: (A) apóiam-se na ... (B) acrescentam à ... (C)) chocam-se com a ... (D) confirmam a ... (E) combinam com a ... _________________________________________________________ 14. ... e professa, entre cantos, danças, gestos, a sua sobrevivência. (final do 1o parágrafo) A mesma regência exigida pelo verbo grifado na frase acima se encontra em: (A) O Nordeste, em particular, tem sido uma imensa casa-grande ... (B)) ... que facilitam a aceitação e a sobrevivência ... (C) Tem cabido ao povo nordestino a guarda dos acervos. (D) Vigoram ainda nas escolas as quatro caracterís- ticas... (E) .... ou manter quase intactos gestas e dramas. 15. Há palavras escritas de modo INCORRETO na frase: (A) A alegria contagiante do povo nordestino explode nas festas populares, especialmente as que homenageiam São João. (B) Uma análise das manifestações populares não pode deixar de destacar a imensa criatividade dos declamadores nas feiras e mercados. (C) É prodigiosa a capacidade de memorização dos poetas populares e a facilidade de desfiar versos harmoniosos em seus improvisos. (D) O povo iletrado assimilou em sua memória coletiva os fatos folclóricos trazidos pelos colonizadores e cristalizados na literatura de cordel. (E)) As condições de vida do povo nordestino permitiram- lhe ser alegre e expontâneo, gosando da alegria de suas festas regionais. _________________________________________________________ 16. Acaju − Estas árvores são muito grandes, e formosas, perdem a folha em seus tempos, e a flor se dá nos cachos que fazem umas pontas como dedos, e nas ditas pontas nasce uma flor vermelha de bom cheiro, e após ela nasce uma castanha, e da castanha nasce um pomo do tamanho de um repinaldo, ou maçã camoeza; é fruta muito formosa, e são alguns amarelos, e outros vermelhos, e tudo é sumo: são bons para a calma, refrescam muito, e o sumo põe nódoa em pano branco que não se tira senão quando se acaba. É correto afirmar-se que o trecho acima pertence (A)) à literatura informativa sobre a nova terra, cujos autores tentavam descrever para os que permane- ciam no reino as novidades encontradas aqui. (B) ao barroco, pelo uso de uma linguagem rebuscada, plena de figuras e de inversões, além de um tratamento religioso conferido à natureza, como obra de Deus. (C) à época arcádica, em que se pregava a convivência saudável e harmoniosa com a natureza, como fonte de equilíbrio e sabedoria. (D) ao romantismo, em vista de uma percepção idílica da terra, valorizando seus aspectos mais originais, em oposição aos valores trazidos da Europa. (E) ao modernismo, por tratar-se de assunto cotidiano, registrado em linguagem coloquial, direta e objetiva, visando a clareza da informação. MODELO − Opcao de Cargo S18, Tipo 1 27/11/03 - 08:35 SESEP-SE-C.Basicos-4 5 17. Atualmente, a luta pela posse da terra em Sergipe, e em várias regiões do Brasil, tem mobilizado diferentes setores sociais, especialmente os ligados ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. Na história de Sergipe, os problemas da terra estão intrinsecamente relacionados aos mecanismos de exploração colonial, cuja característica marcante foi (A) a forma como se organizou a pecuária, desenvolvida predominantemente para atender ao mercado consumidor europeu. (B) os conflitos entre os colonizadores para a obtenção das melhores terras, visando a exploração de produtos de subsistência, como o feijão e o algodão. (C)) o alto grau de concentração fundiária tanto na produção açucareira como na criação de gado. (D) o tipo de sistema de distribuição das terras, denominado sesmarias, que beneficiou, com pequenos lotes, imigrantese trabalhadores livres. (E) o predomínio do sistema minifundiário, onde eram produzidos açúcar e bens de produtos intermediários para abastecer o mercado interno. _________________________________________________________ 18. Analise as frases abaixo, procurando detectar as que apresentam coerência de fatos e justificativas sobre a transferência da capital de Sergipe de São Cristóvão para Aracaju. I. A cidade de São Cristóvão recebia grande quantidade de migrantes de diferentes cidades do interior de Sergipe e do Nordeste; isso provocou reações da população desta cidade, que pressionou a Câmara Municipal para votar a transferência da capital para Aracaju. II. A escolha de Aracaju como capital de Sergipe estava diretamente relacionada, entre outros fatores, à força econômica da região de Cotinguaba, que tinha dificuldades de escoar seu principal produto de exportação para o mercado interno e externo. III. Nas décadas de 1910 e 1920, os jornais "O Estado de Sergipe" e o "Correio de Aracaju" exerceram uma poderosa influência sobre a população de São Cristóvão para que ela se manifestasse contra a transferência da capital para Aracaju. IV. A transferência da capital de Sergipe estava inserida no contexto das transformações ocorridas no país das quais, dentre outros aspectos, destacaram-se os processos de modernização, de industrialização e de urbanização. As frases corretas são APENAS (A) I e II (B) I e III (C) II e III (D)) II e IV (E) III e IV 19. Observe o gráfico. 32% 10% 4% 7% 10% 37% Lavouras permanentes Lavouras temporárias Pastagens naturais Pastagens plantadas Matas Não utilizadas IBGE. Censo agropecuário 1995-1996 A observação do gráfico e seus conhecimentos sobre as atividades rurais de Sergipe permitem afirmar que (A) no estado, todas as terras agrícolas são intensamente ocupadas. (B) embora ocupando pequena área, as lavouras permanentes têm alta produtividade. (C) cerca de 1/3 das terras agrícolas do estado são ocupadas por matas. (D) as lavouras temporárias concentram-se no agreste e ocupam cerca de 25% da área do estado. (E)) mais da metade das terras agrícolas sergipanas destinam-se à pecuária. _________________________________________________________ 20. Na festa de São Benedito, celebrada no dia de Reis, em Lagarto, há dois folguedos: no 1o, são pretos, vestidos de reis e de príncipes, que fazem a guarda de honra de três rainhas; no 2o, são mulatas vestidas de branco e enfeitadas com fitas que vão em procissão, dançando e cantando música puramente brasileira. As descrições identificam, respectivamente, (A) Sambas e Folgança dos mouros. (B)) Congadas e Taieiras. (C) Batuques e Cavalo marinho. (D) Espírito Santo e Bumba-meu-boi. (E) Folgança dos marujos e Pastorinhas. Opcao de Cargo S18, Tipo 1 − MODELO 28/11/03 - 13:42 6 SESEP-SE-Filosofia-S18 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 21. O mito é essencialmente uma narrativa (...) que não se define apenas pelo tema ou objeto da narrativa, mas pelo modo de narrar. (M. Chaui) O modo de narrar característico do pensamento mítico pode ser corretamente definido como uma forma que recorre (A) à fantasia somente para descrever o sobrenatural. (B)) ao mágico para descrever o mundo e o homem. (C) à experimentação para explicar a natureza. (D) à descrição para compreender o progresso histórico. (E) à experimentação para descrever o mundo e a história. _________________________________________________________ 22. A razão grega é a que de maneira positiva, refletida, metódica, permite agir sobre os homens, não transformar a natureza. Dentro de seus limites como em suas inovações, é filha da cidade. (J. P. Vernant) A partir desse excerto de Vernant, é correto afirmar que em sua visão: (A) a expressão “milagre grego” descreve corretamente a continuidade entre o pensamento mítico e o surgimento da filosofia. (B) o surgimento da filosofia permitiu aos gregos o desenvolvimento de tecnologias que impulsionaram seu desenvolvimento econômico. (C)) o surgimento da filosofia é solidário da nova ordem política das cidades gregas na qual o debate público ocupa lugar central. (D) a filosofia é a principal causa da urbanização crescente das colônias gregas a partir do século VII a.C. (E) a democracia do mundo rural grego foi fruto do embate das doutrinas filosóficas e políticas flores- cidas a partir de Sócrates. _________________________________________________________ 23. A maior parte dos primeiros filósofos considerava como os únicos princípios de todas as coisas os que são da natureza da matéria. Aquilo de que todos os seres são constituídos e de que primeiro são gerados e em que por fim se dissolvem, tal é para eles o elemento, o princípio dos seres; e por isso julgam que nada se cria nem se destrói, como se tal natureza subsistisse para sempre. (Aristóteles) É correto afirmar que, no trecho acima, Aristóteles refe- re-se: (A) à cosmogonia de Hesíodo que, em seus poemas, apresentou uma visão filosófica da natureza. (B) às especulações dos sofistas, caracterizadas por seu relativismo quanto ao conhecimento da natu- reza. (C) à perspectiva antropológica das reflexões socráticas sobre o homem, a justiça e a virtude. (D) à visão platônica de um mundo das idéias, caracterizado pela existência de formas eternas. (E)) à busca, por parte dos filósofos pré-socráticos, do princípio gerador do devir e da permanência do mundo. 24. Assim, pois, a virtude é um hábito de escolha, que se acha no meio termo em relação a nós, determinada pela razão e, como faria um sábio, eqüidistância entre dois vícios, um por excesso, o outro por falta. (...) Por isso é também grande e árdua a empresa a realizar-se: pois é grande empresa encontrar o meio termo de cada coisa, como achar o centro do círculo não é para qualquer um, mas para quem sabe. (Aristóteles) A partir do trecho acima, pode-se afirmar corretamente que, para Aristóteles, a virtude (excelência moral) é o meio termo entre (A) dois vícios: o mal absoluto e o bem supremo. (B) duas faculdades complementares: o hábito e a escolha. (C) dois elementos conflitantes: a razão e o hábito. (D)) dois extremos: o mal por excesso e o mal por falta. (E) dois vícios: a falta de razão e o excesso de razão. _________________________________________________________ 25. Pois eu, Atenienses, devo essa reputação exclusiva- mente a uma ciência. Qual vem a ser essa ciência? A que é, talvez, a ciência humana. É provável que eu a possua realmente, os mestres mencionados há pouco possuem, quiçá, uma sobre-humana. (Platão) Esse trecho, retirado da Apologia de Sócrates, é uma ilustração frisante: (A)) do caráter antropológico da reflexão socrática. (B) do ceticismo radical das especulações socráticas. (C) da identidade entre o pensamento socrático e a cosmologia de Tales. (D) da continuidade entre sua doutrina e o pensamento mítico. (E) do surgimento da ciência experimental. _________________________________________________________ 26. Eis, com efeito, em que consiste o proceder corretamente nos caminhos do amor ou por outro se deixar conduzir: em começar do que aqui é belo e, em vista daquele belo, subir sempre, como que servindo-se de degraus, de um só para dois e de dois para todos os belos corpos, e dos belos corpos para os belos ofícios, e dos ofícios para as belas ciências até que das ciências acabe naquela ciência, que nada mais é senão a do próprio belo, e conheça enfim o que é em si belo. O trecho acima transcrito pode ser corretamente interpretado como um exemplo: (A) das perspectivas essencialistas dominantes entre os sofistas contemporâneos de Sócrates. (B) do método de busca pela arkhé (princípio) caracte- rístico dos pré-socráticos. (C)) da dialética ascendente de Platão, que vai da imagempara subir até a essência ou a idéia. (D) da perspectiva indutiva e empirista que caracteriza os escritos de Aristóteles. (E) da perspectiva epicurista, que valoriza simulta- neamente a alma e os sentidos. MODELO − Opcao de Cargo S18, Tipo 1 28/11/03 - 13:42 SESEP-SE-Filosofia-S18 7 27. Tomamos inicialmente consciência da liberdade ou de seu contrário em nosso relacionamento com outros, e não no relacionamento com nós mesmos. Antes que se tornasse um atributo do pensamento ou uma qualidade da vontade, a liberdade era entendida como o estado do homem livre, que o capacitava a se mover, a se afastar de casa, a sair para o mundo e a se encontrar com outras pessoas em palavras e ações (...). A liberdade necessitava também de um espaço comum para encontrar a companhia de outros homens. (H. Arendt) O conceito de liberdade acima descrito tem como referência a noção (A) kantiana de autonomia, como a lei que cada indivíduo dá a si mesmo. (B) hobbesiana de liberdade como ausência de impedimento externo. (C) cristã de liberdade como um atributo da alma. (D)) antiga de liberdade como um atributo público e político. (E) moderna de liberdade como vitória da vontade sobre o desejo. _________________________________________________________ 28. Que porém um público se esclareça a si mesmo é perfeitamente possível; mais do que isso, se lhe for dada a liberdade, é quase inevitável. Pois encontrar-se-ão sempre alguns indivíduos capazes de pensamento próprio (...) que, depois de terem sacudido de si mesmos o jugo da menoridade, espalharão em redor de si o espírito de uma avaliação racional do próprio valor e da vocação de cada homem em pensar por si mesmo. O texto acima transcrito pode ser corretamente interpretado como um exemplo frisante: (A) dos esforços tomistas de conciliação entre a razão e a fé. (B) da crítica pós-moderna ao racionalismo. (C) das primeiras formulações do ceticismo grego. (D) dos filósofos do período helenista. (E)) do racionalismo iluminista. _________________________________________________________ 29. O que é a verdade, portanto? Um batalhão móvel de metáforas, metonímias, antropomorfismos, enfim, uma so- ma de relações humanas, que foram enfatizadas poética e retoricamente, transpostas, enfeitadas, e que, após longo uso, parecem a um povo sólidas, canônicas e obrigatórias; as verdades são ilusões, das quais se esqueceu que o são, metáforas que se tornaram gastas e sem força sen- sível, moedas que perderam sua efígie e agora só entram em consideração como metal, não mais como moedas. O texto acima pode ser corretamente interpretado como exemplo da crítica: (A) marxista às formas burguesas de pensamento. (B)) de Nietsche ao racionalismo iluminista. (C) de Platão ao pensamento dos sofistas. (D) iluminista ao pensamento medieval. (E) de Agostinho aos filósofos pagãos. 30. Desde sempre o Iluminismo, no sentido mais abrangente de um pensar que faz progressos, perseguiu o objetivo de livrar os homens do medo e de fazer deles senhores. Mas, completamente iluminada, a terra resplandece sob o sígno do infortúnio triunfal. O programa do iluminismo era o de livrar o mundo do feitiço. Sua pretensão, a de dissolver os mitos e eliminar a imaginação, por meio do saber [...] O entendimento, que venceu a superstição, deve ter voz de comando sobre a natureza desenfeitiçada [...] O que os homens querem aprender da natureza é como aplicá-la para dominar completamente sobre ela e sobre os homens. A partir do trecho acima é correto afirmar que, para Adorno e Horkheimer: (A)) o desejo de dominação do homem sobre a natureza aboliu o mito e a magia e instaurou a racionalidade técnica e controladora. (B) o Iluminismo propiciou simultaneamente um progresso técnico e moral a partir da libertação das superstições e dos mitos. (C) a racionalidade moderna tende a, progressivamente, libertar os homens do medo e da dominação. (D) o infortúnio de nossa sociedade deve-se ao malogro do ideal iluminista de pleno desenvolvimento da razão. (E) somente a contínua desmistificação da natureza poderá nos livrar definitivamente da dominação do homem sobre o homem. _________________________________________________________ 31. Verdade e falsidade podem ser predicados das propo- sições, nunca dos argumentos. Do mesmo modo, proprie- dades de validade ou invalidade só podem pertencer a argumentos dedutivos, mas nunca a proposições. (I. Copi) A partir desse esclarecimento de Copi é correto afirmar que: (A) a conclusão de um argumento será necessariamente um raciocínio inválido se as premissas forem falsas. (B) se as premissas e a conclusão de um argumento forem verdadeiras, a conclusão deve necessaria- mente ser resultado de um raciocínio válido. (C)) um argumento pode conter exclusivamente propo- sições falsas e, apesar disso, seu raciocínio pode ser válido. (D) as premissas de um argumento podem ser todas verdadeiras e sua conclusão válida, mas falsa. (E) é possível determinar a verdade ou falsidade de uma premissa analisando-se a validade do raciocínio. Opcao de Cargo S18, Tipo 1 − MODELO 28/11/03 - 13:42 8 SESEP-SE-Filosofia-S18 32. O conjunto das relações de produção (que corresponde ao grau de desenvolvimento das forças produtivas materiais) constitui a estrutura econômica da sociedade, a base concreta sobre a qual se eleva uma superestrutura jurídica e política à qual correspondem determinadas formas de consciência social. O modo de reprodução de vida material determina o desenvolvimento da vida social, política e intelectual em geral. Não é a consciência dos homens que determina seu ser; é seu ser social que, inversamente, determina sua consciência. É correto afirmar que o texto acima apresenta uma visão característica: (A) do jusnaturalismo dos séculos XVII e XVIII. (B) do idealismo alemão do século XIX. (C) da economia política liberal. (D) do materialismo epicurista grego. (E)) do materialismo histórico do século XIX. _________________________________________________________ 33. O fim da filosofia é o esclarecimento lógico dos pensamentos. A filosofia não é uma teoria, mas uma atividade. Uma obra filosófica consiste essencialmente em elucidações. O resultado da filosofia não são proposições filosóficas, mas é tornar proposições claras. Cumpre à filosofia tornar claros e delimitar precisamente os pensamentos, antes como que turvos e indistintos. (L. Wittgenstein) A visão de filosofia acima expressa gerou uma corrente significativa de trabalhos cuja característica fundamental é (A) a fusão da filosofia com as ciências da natureza, trazendo à primeira um estatuto científico. (B)) a ênfase em estudos voltados para as linguagens, analisando-as do ponto de vista da clareza dos conceitos e da força dos argumentos. (C) a separação entre as ciências e a metafísica, ficando esta última como tarefa eminentemente filosófica. (D) a ênfase na construção, por parte da filosofia, de sistemas éticos, já que as proposições sobre a natureza ficam ao encargo das ciências. (E) o abandono de qualquer pretensão de esclareci- mento conceitual nos campos tradicionais da ética e da epistemologia. 34. A ciência não é um sistema de enunciados certos ou bem estabelecidos, nem um sistema que avança constantemente em direção a um estado final. Nossa ciência não é um conhecimento (episteme): ela nunca pode pretender haver atingido a verdade, ou mesmo um substituto para ela, tal como a probabilidade [...] Embora não possa atingir a verdade nem a probabilidade, o esforço pelo conhecimento e a procura da verdade ainda são os motivos mais fortes da descoberta científica. [...] Somos sempre nós que formulamos as questões propostas à natureza; somos nós que repetidas vezes tentamos colocar essas questões para então obter um nítido “sim” ou “não”.(K. Popper) A partir do trecho acima é correto afirmar que, para Popper, as teorias científicas (A) são convenções úteis e modelos analógicos e não têm, pois, valor ou pretensão de verdade. (B) se caracterizam por um progresso acumulativo de verdades provadas metodicamente. (C) constituem modelos – ou paradigmas – cuja corres- pondência com a realidade empírica não é possível verificar. (D)) enunciam conjecturas cujas implicações ou conse- qüências são passíveis de testes e, eventualmente, refutação. (E) constituem um conjunto de hipótese verificadas e aceitas como verdades históricas. _________________________________________________________ 35. O homem tem uma inclinação para associar-se porque se sente mais como homem num tal estado pelo desenvolvimento de suas disposições naturais. Mas ele também tem uma forte tendência a separar-se, porque encontra em si uma qualidade insociável que o leva a querer conduzir tudo simplesmente em seu proveito, esperando oposição de todos os lados [...] Esta oposição é a que, despertando todas as forças do homem, o leva a superar sua tendência à preguiça e, movido pela busca de projeção, pela ânsia de dominação ou pela cobiça, a proporcionar-se uma posição entre os companheiros que ele não atura, mas dos quais não pode prescindir. (Kant) A partir do trecho citado, é correto afirmar que para Kant: (A) tal como para Rousseau, a sociedade corrompe a natureza boa e livre dos homens. (B) o Estado significa a abdicação da liberdade natural e o fim dos conflitos. (C) a sociabilidade natural do homem é a responsável pelo seu desenvolvimento histórico. (D) a insociabilidade humana atrapalha o curso do desenvolvimento histórico da espécie. (E)) o antagonismo das disposições humanas é o responsável por seu desenvolvimento. MODELO − Opcao de Cargo S18, Tipo 1 28/11/03 - 13:42 SESEP-SE-Filosofia-S18 9 36. É característica do movimento que costumamos designar por Renascimento a (A) hostilidade completa em relação à filosofia clássica, sobretudo a de Platão e Aristóteles. (B)) clara busca pela separação entre fé e razão, natureza e religião, política e Igreja. (C) ênfase na autoridade das Sagradas Escrituras e na filosofia cristã de modo geral. (D) concepção hierárquica de universo e de ordem política. (E) crítica ao conhecimento produzido pelos órgãos dos sentidos. _________________________________________________________ 37. Precisamos nos desfazer de todas as idéias, de todas as crenças recebidas, ou seja, libertarmo-nos de todas as tradições, de todas as autoridades, se quisermos alguma vez reencontrar a pureza nativa da nossa razão, chegar à certeza da verdade. (A. Koyré) É correto afirmar que, nessa passagem, Koyré se refere (A) à necessidade que tem o cético de permanecer em dúvida, por considerar impossível alcançar qualquer certeza. (B) à proposta de São Tomás de Aquino de integrar o costume à razão para obter o conhecimento das coisas. (C)) ao momento em que Descartes precisou da dúvida para se desfazer de idéias pré-concebidas e fundar uma ciência inteiramente baseada na razão. (D) à continuidade do projeto renascentista de domi- nação da natureza que Bacon implementou no final do século XVI. (E) à origem da crítica da razão pura, promovida por Kant em resposta ao racionalismo do século XVII. _________________________________________________________ 38. Essas longas cadeias de razões (...), de que os geômetras costumam servir-se para chegar às suas mais difíceis demonstrações, haviam-me dado ocasião de imaginar que todas as coisas possíveis de cair sob o conhecimento dos homens seguem-se umas às outras da mesma maneira, e que, contanto que nos abstenhamos somente de aceitar por verdadeira qualquer que não o seja, e que guardemos sempre a ordem necessária para deduzi-las umas das ou- tras, não pode haver quaisquer tão afastadas a que não se chegue por fim, nem tão ocultas que não se descubram. (Descartes) É correto afirmar que, no trecho acima, Descartes defende que (A) não se pode obter o conhecimento da verdade. (B) o método geométrico descreve a realidade física. (C) o senso comum é o início de todo conhecimento científico. (D) o conhecimento deve partir das coisas mais com- plexas para as mais simples. (E)) a essência do pensamento matemático é a in- venção de relações e de uma ordem entre as relações. 39. É por isso necessário a um príncipe que deseje manter seus domínios saber como praticar o mal, e fazer uso disso ou não de acordo com a necessidade. (Maquiavel) A partir do trecho acima, pode-se afirmar corretamente que, para Maquiavel, a virtude cívica é a (A)) qualidade de flexibilidade moral que se exige de um príncipe ou governante. (B) capacidade de adquirir riqueza para o Estado. (C) observação das quatro virtudes cardeais: tempe- rança, justiça, coragem e sabedoria. (D) capacidade de ser cruel e desse modo causar medo aos adversários. (E) a possibilidade de ser irracional, se necessário. _________________________________________________________ 40. Desta guerra de todos contra todos os homens também isto é conseqüência: nada pode ser injusto. As noções de bem e de mal, de justiça e de injustiça, não podem aí ter lugar. Onde não há poder comum não há lei, e onde não há lei não há injustiça. (Hobbes) Nesse trecho, retirado do Leviatã, Hobbes considera que: (A) os valores morais são anteriores à existência das leis civis. (B) o bem e o mal são valores absolutos, mas deles não depende a definição do justo e do injusto. (C) naturalmente os homens tendem a criar o Estado e as leis. (D)) é o Estado que determina o sentido da lei. (E) em nome do direito de propriedade os homens exigem a instituição do Estado. _________________________________________________________ 41. ... devemos considerar em que estado todos os homens se acham naturalmente, sendo este um estado de perfeita liberdade para ordenar-lhes as ações e regular-lhes as posses e pessoas conforme acharem conveniente, dentro dos limites da lei de natureza, sem pedir permissão ou depender da vontade de qualquer outro homem. (Locke) Nesse trecho, Locke define a liberdade como: (A) licenciosidade, ou direito de fazer o que se quiser. (B) agir de acordo com a lei civil. (C) ausência de autoridade religiosa. (D)) não estar sujeito ao arbítrio de ninguém. (E) exercício da virtude moral. Opcao de Cargo S18, Tipo 1 − MODELO 28/11/03 - 13:42 10 SESEP-SE-Filosofia-S18 42. O homem nasce livre, e por toda a parte encontra-se a ferros. (Rousseau) Qual das seguintes afirmações a respeito dessa célebre frase, que abre o Contrato Social, NÃO PODE SER ASSOCIADA ao pensamento de Rousseau? (A) Rousseau considera que a desigualdade entre os homens seja criada pela sociedade. (B) Todo tipo de relação social implica subordinação. (C) Rousseau faz uma crítica ao processo de civilização do homem. (D) Os homens são naturalmente livres porque nasce- ram naturalmente iguais. (E)) Os reis governam por direito divino. _________________________________________________________ 43. O sol não nascerá amanhã é uma proposição tão inteligível e implica tanta contradição como o sol nascerá amanhã. Seria inútil, portanto, toda tentativa de demonstrar sua falsidade. Se fosse demonstrativamente falsa, implicaria contradição e não poderia jamais ser distintamente concebida pela mente. (Hume) No excerto acima, é correto dizer que, segundo Hume: (A)) é impossível provar demonstrativamente um fato da natureza. (B) a afirmação o sol nascerá amanhã é científica. (C) somos incapazes de imaginar o contrário de uma questão de fato. (D) algo pode ser verdadeiro e falso ao mesmo tempo. (E) a matemática deve servir de método para o estudo da natureza. _________________________________________________________44. Até agora, diz Kant, a metafísica tem sido uma insensatez dogmática. Tem sido a pretensão de conhecer aqueles seres que, justamente, escapam de toda possibilidade humana de conhecimento (...). Essa metafísica não é possível. (M. Chaui) Costumou-se designar o pensamento de Kant de filosofia crítica porque: (A) é uma vertente do ceticismo grego. (B) propõe que a filosofia seja somente uma crítica ao dogmatismo. (C)) estabelece limites à possibilidade de conhecimento da razão. (D) defende que não temos meios de conhecer nada. (E) pretende conhecer os objetos centrais da metafísica: Deus, alma, substância etc. 45. O que Comte procura sempre são leis invariáveis, de acordo com o modelo da física e da matemática, paradig- mas da ordem. Por isso, a história é pensada como uma sucessão ordenada (...), e a sociedade será pensada como uma totalidade orgânica dividida em segmentos ou classes, que se relacionam de maneira estática. (Franklin L. e Silva) De acordo com o trecho acima, é FALSO afirmar que: (A) A filosofia de Comte deve ser compreendida a partir do êxito das ciências exatas e naturais. (B)) O positivismo adota o conceito de luta de classes para explicar as mudanças históricas. (C) Ordem e progresso são noções centrais para a compreensão do positivismo. (D) A sociologia, ciência que estuda a sociedade, deve procurar pelas leis que regem a conduta e as relações humanas. (E) Há, no positivismo, uma crença no processo evo- lutivo da sociedade. _________________________________________________________ 46. A metáfora da relação entre senhor e escravo, entre quem submete e quem é submetido, procura mostrar (....) como, dialeticamente, os papéis acabam por se inverter, já que o senhor também precisa ser reconhecido como tal pelo escravo. (D. Marcondes) No trecho acima, é correto afirmar que o autor se refere: (A)) a uma poderosa imagem utilizada por Hegel não só para descrever o processo de constituição da consciência, mas para exemplificar as conse- qüências morais da relação de escravidão. (B) ao pensamento de Heidegger, e sua investigação filosófica dos conceitos relativos às modalidades ônticas. (C) à fenomenologia de Husserl, que tentou separar a psicologia e filosofia, manter o privilégio do sujeito do conhecimento e ampliar o conceito de fenômeno. (D) a um dos principais artigos da Declaração dos Direitos do Homem (1789). (E) ao nascimento da sociologia, no final do século XIX, como estudo das relações sociais. _________________________________________________________ 47. É hábito de nosso tempo nada desejar intensamente. O ideal de caráter é não ter nenhum caráter marcante; aleijar por compressão, como fazem os chineses com os pés das mulheres, toda parte da natureza humana que projete uma saliência, e tenda a tornar uma pessoa notadamente dissimilar em relação ao perfil comum da humanidade. (Stuart Mill) No excerto acima Stuart Mill expressa uma crítica: (A) aos movimentos sindicais e socialistas, muito atuantes em meados do século XIX na Inglaterra. (B) à imprensa vitoriana, que não respeitava a individua- lidade dos cidadãos, expondo-a à opinião pública. (C) à doutrina positivista, e sua proposta de uma sociedade hierarquizada. (D) aos governantes dos grandes impérios, que esmagam o potencial de desenvolvimento dos mais pobres. (E)) aos que afirmam ser possível conhecer as verda- deiras finalidades da vida e reprimir os que se opõem a elas, disseminando falsidades perniciosas. MODELO − Opcao de Cargo S18, Tipo 1 28/11/03 - 13:42 SESEP-SE-Filosofia-S18 11 48. Ora, na realidade, para o existencialista, não há amor diferente daquele que se constrói; não há possibilidade de amor senão a que se manifesta no amor, não há gênio senão o que se exprime nas obras de arte. (Sartre) De acordo com esse excerto de Sartre, é correto afirmar que: (A) a essência do homem, seus sentimentos, sua razão, determinam o modo como ele age em relação a outros e a si mesmo. (B) é possível definir o homem sem considerar sua cultura e sua história. (C) as intenções equivalem a atos. (D)) o homem é o que ele faz. (E) a condição humana se caracteriza pela dominação de um homem por outro e pela inexistência de liber- dade. _________________________________________________________ 49. A expressão microfísica do poder, cunhada pelo filósofo Michel Foucault, designa: (A) as mudanças de regime político nos períodos revolucionários. (B)) uma rede de dispositivos ou mecanismos de poder que se disseminam por toda a estrutura social. (C) a forma repressiva da dominação capitalista. (D) o Estado como instância coercitiva que origina e fundamenta todo tipo de poder social. (E) o aparato de pompa envolvido no espetáculo das punições durante o Antigo Regime. _________________________________________________________ 50. O irracionalismo foi gerado, em parte, pela identificação que se produziu (...) entre a razão sistêmica e a razão em si. Opor-se ao sistema equivalia, assim, a opor-se à própria razão. A razão não pode deixar de ser vista como opressora, quando o poder que oprime fala em nome dela e quando ela é percebida como a única possível. (S.P. Rouanet) A partir do excerto acima, é possível afirmar corretamente que, para a teoria da ação comunicativa de Habermas: (A)) o irracionalismo surge, paradoxalmente, como re- sultado da confiança excessiva na possibilidade de esclarecimento promovida pela razão. (B) a razão e a verdade devem estar a serviço de uma ideologia política. (C) são racionais as proposições que correspondam a uma verdade objetiva, não a um processo argumen- tativo. (D) a economia, como ciência racional, tem condições de prever o desenvolvimento da sociedade. (E) quando vários argumentos são usados para refutar uma afirmação, a razão corre o risco de desaparecer e, junto com ela, a liberdade. Opcao de Cargo S18, Tipo 1 − MODELO