Prévia do material em texto
* Doenças de Membranas e Enzimopatias Profa. Dra. Romélia Pinheiro Gonçalves * Anemias Hemolíticas * Membrana Eritrocitária Normal * Membrana Eritrocitária Normal * Membrana Eritrocitária Normal * (a e b) Representação esquemática de um Eritrócito humano saudável ; Estrutura complexa da membrana; Bicamada lipídica reforçada no seu interior por uma rede de espectrina bidimensional flexível.(c), a bicamada lipídica e o citoesqueleto são representados em redes triangulares cinza escuro e preto; (d), o cinza escuro, preto e partículas cinza-claras representam aglomerados de moléculas lipídicas, junções de actina e filamentos de espectrina do citoesqueleto, respectivamente; as partículas pretas significam complexos banda-3 Membrana Eritrocitária Normal * Membrana eritrocitária-Banda 3 Penetrar ou atravessa a bicamada lipídica mais de 13 vezes; 50 a 60% da proteína está no interior da membrana eritrocitária; 30 a 40% da proteína é exposta na membrana intracelular, Apenas uma porção limitada da proteína esta exposta na membrana extracelular * Membrana eritrocitária: Banda 3 Manter a integridade da membrana; Espectrina e Anquirina; Regular a forma de eritrócitos e modular o efluxo de ânions, como cloreto (Cl- ) e o bicarbonato (HCO3- ) * Esferocitose Hereditária * Esferocitose hereditária √ Anemia hemolítica congênita mais comum dos caucasianos √ Resulta de alterações quantitativas e/ou qualitativas das proteínas da membrana do eritrócito * Membrana eritrocitária Figura: Proteínas integrais e periféricas da membrana do eritrócito. * Membrana Eritrocitária FC= Fosfatidilcolina; EM= Esfingomielina; FS= Fosfatidilserina; FE= Fosfatidiletanolamina; GPA= Glicoforina A e GPC= Glicoforina C Figura: Proteínas integrais e periféricas da membrana do eritrócito. * Prevalência e Genética Forma leve 1:2000 na área do mediterrâneo Forma típica 1:4000 Portadores Assintomáticos : 1% (?) Autossômica : 75% dominante * Fisiopatologia-EH * Fisiopatologia-EH Lembrar que as células são normais na MO Defeito na interação vertical Perda da membrana por vesiculação Desacoplamento ou desestabilização da bicamada Esferócito * Fisiopatologia-EH * Eritroestase; ↓Glicose; ↓ATP; ↑Oxidantes Fagocitose: ↑do contato com macrôfagos Aprisionamento no Baço Rigidez ou ↓ da deformabilidade ↓da superfície em relação ao volume Perda da membrana microvesículas Hemólise Interações Verticais enfraquecidas Fisiopatologia-EH * Fisiopatologia-EH Figura: Efeitos fisiopatológicos da esferocitose hereditária Modificado de Gallagher e colaboradores Perrotta et al., 2009 * Diminuição do conteúdo lipídico Redução da área superfície da célula Prejuízo da flexibilidade Aumento da permeabilidade ao sódio Para proteger contra a lise osmótica o excesso de sódio é ativamente transportado para fora da célula e este processo requer níveis elevados de ATP. Fisiopatologia-EH * Quadro Clínico Anemia Esplenomegalia Icterícia Crises Hemolíticas, aplásticas e megaloblásticas; Cálculos biliares Miopatia Manifestações raras: úlceras de pernas, gota, dermatite crônica, tumores hemopoiéticos extramedulares, doenças malignas hematológicas. Resposta favorável à esplenectomia * Classificação Clínica da EH Perrotta et al, 2009 * Classificação Clínica da EH * Características da EH de acordo com o defeito molecular * Características Laboratoriais Reticulocitose Esferocitose Acantocitos, poiquilocitose ou hemacias pinçadas no sangue periferico ↑CHCM, VCM normal ou ↓ Ecatacitometria demonstra maior numero de hemacias densa Resistencia globular osmotica ↓ Lise pelo glicerol acidificado ↑ ↓ Espectrina, anquirina, banda 3, proteina 4.2 * Hemograma Anemia discreta a grave Hb variável (6 a 12 g/dL) VCM: variável CHCM (>36%) RDW: normal ou elevado Histogramas: Tamanho(volume) apresenta uma população deslocada para a esquerda (pequeno volume, os esferócitos são células microcíticas) CHCM (Aparelhos Technicom/ADVIABayer) apresenta uma população desviada para a direta (esferócitos são hipersaturados de Hb) * Morfologia eritrocitária: Esferócitos (número variável) Acantócitos associados as deficiência de espectrina e da proteína 4.1 Estomatócitos associados a deficiência da Proteína 4.2 Forma de cogumelos associadas a deficiência da banda 3 Policromasia (grau variável) Eritroblastos (casos graves) * * Microesferócitos Sangue periférico. Coloração May Grünwald - Giemsa 100x * Testes de Hemólise Curva de Fragilidade Osmótica Sinonímia: Resistência Globular das Hemácias Aplicação Clínica: Esferocitose Hereditária Talassemia - “Screen Test” Princípio do Teste: Hemácias + Concentrações Salinas Hipotônicas (TA) * Curva de fragilidade osmótica Teste especifico para o diagnostico de esferocitose hereditaria Consiste em avaliar o sangue em soluções decrescentes de NaCl e medir a hemólise que se produz para cada uma delas; Esferócito: pouca capacidade para suportar a hipotonia do meio externo * Curva de Fragilidade Osmótica * Curva de Fragilidade Osmótica * Curva de Fragilidade Osmótica Interpretação do Resultado CFO - Esferocitose * Teste de Lise pelo Glicerol Acidificado (AGLT) Teste de rastreamento para Esferocitose hereditária Solução salina tamponada hipotônica contendo glicerol Glicerol retarda a taxa de entrada de água na célula Diferenciação entre esferócito e hemácias normais * Eletroforese de proteínas em gel de policriamina (3,7% a 17,%) * Tratamento Esplenectomia: tratamento padrão nas formas moderadas a grave da EH; Paciente maior de 5 a 6 anos (menor risco de septicemia por germes encapsulados); Transfusões sanguíneas; Profilaxia com o ácido fólico (eritropoese compensadora e evitar crises megaloblásticas) * * Eliptocitose Hereditária * Eliptocitose hereditária Freqüente em áreas endêmicas para a malaria (Ásia e África) Vários indivíduos com 90% de ovalocitos sem hemólise Autossômico dominante * Prevalência e Genética USA- 1:2000 a 1:4000 Africa equatorial -1% Autossomica dominante * Eliptocitose hereditária-Brasil 75% defeitos na α-espectrina 20% defeitos da Proteína 4.1 5% defeitos da β-espectrina(glicoforina?) * Fisiopatologia da Eliptocitose hereditária Defeito na interações horizontal Desestabilização do esqueleto Defeito na recuperação da forma Defeito moderado Defeito grave * Fisiopatologia da Eliptocitose hereditária * Eliptocitose hereditária As espectrinas não podem formar tetrâmeros Eritrócito não pode recuperar sua forma e adquire forma eliptica Manifestações clínicas (10% dos casos) Em geral não requer tratamento, salvo ácido fólico Casos graves é indicado a esplenectomia * Eliptocitose hereditária Distúrbio na síntese de espectrina ou proteína 4.1, afetando as “forças horizontais” do citoesqueleto Assintomáticos Sem anemia e esplenomegalia (maioria) Ovalócitos e eliptócitos, os quais não possuem correlação com o grau de hemólise Teste de fragilidade osmótica é normal * Hemograma Hb: geralmente anemia leve de 11 a 13 g/dL ou não anêmicos VCM: geralmente normal podendo haver um leve decréscimo e mais raramente um aumento RDW: normal nos casos brandos Morfologia: presença de eliptócitos em número e forma variável. Presença de >15% indício de Eliptocitose hereditária. * Eliptocitose hereditária Sangue periférico. Coloração May Grünwald - Giemsa 100x * Piropoiquilocitose hereditaria (PPH) Variante grave da Eliptocitose hereditaria Geralmente associada com polimorfismo de baixa expressão da alfa espectrina Um dos pais pode apresentar eliptocitose hereditaria * Característicasda PPH Anemia grave Extrema poiquilocitose, fragmentos de heácias e esferocitos Pouco ou nenhum eliptocito Eritroblastos circulantes * Características da PPH Retardo de crescimento e alargamento da MO VCM baixo (45 a 75 fL)- fragmentaçao das hemacias CHCM pode ser elevado Hemacias sensiveis a temperatura de 44ºC a 46ºC Deficiência de espectrina * Estomatocitose hereditaria * Diagnóstico de Doenças de Membrana Hemólise comprovada Morfologia das hemácias Índices hematimétricos (VCM, CHCM) Curva de fragilidade osmótica (não-incubada e incubada) Estudo familiar Teste de instabilidade térmica (PPH) * Diagnóstico de Doenças de Membrana Ectacitometria Análise molecular Quantificação das proteínas de membrana Digestão da alfa-espectrina Análise da autoassociação de espectrina Análise de conteúdo de cátions eritrocitários Perda de potássio eritrocitárioa; dosagem de potássio no plasma * Referências Murador, P.; Deffune, E. Structural aspects of the erythrocyte membrane. Rev. bras. hematol. hemoter. 2007;29(2):168-178; Manciu, S.; Matei, E.; Trandafir, B. Hereditary Spherocytosis – Diagnosis, Surgical Treatment and Outcomes. A Literature Review. Chirurgia (2017) 112: 110-116. * Obrigada *