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“DEGRADAÇÃO DE TENDÊNCIA - Trabalho de Defesa Direcção Estratégica apresentado à Fundaçã Miguel de Cervantes, Es AUTOR: António Migue ANMDEOS127 ORIENTADOR: Dr Diego GESTÃO SANITÁRIA E TALENTOS NO SECTOR DA SAÚDE, A IAS NA PROVÍNCIA DO KWANZA-NORT de tese, para a obtenção do grau d com especialidade em Organizaçõe ão Universitária Ibero-americana, Univer spanha. el Zangui 1274361 go Jacob Kurtz Ndalatando, Angola Abril de 2015. E, ALGUMAS RTE” de Mestre em ões de Saúde, rsidad Europea DEGRADAÇÃO DE TENDÊNCIA - Trabalho de Defesa Direcção Estratégica apresentado à Fundaçã Miguel de Cervantes, Es AUTOR: António Migue ANMDEOS127 Orientado por: Dr Diego E TALENTOSNO SECTOR DA SAÚDE, A IAS NA PROVINCIA DO KWANZA-NORT de tese, para a obtenção do grau d com especialidade em Organizaçõe ão Universitária Ibero-americana, Univer spanha. el Zangui 1274361 o Jacob Kurtz Ndalatando, Angola Abril de 2015 II ALGUMAS TE. de Mestre em ões de Saúde, rsidad Europea III DEDICATÓRIA Com amor e carinho, dedico este trabalho ao meu Pai, que já repousa entre os defuntos no cemitério Municipal de Cazengo e que muito gostaria que se fizesse presente para apreciar o fruto de sua educação; A minha Mãe, que apesar da idade que não lhe perdoa, vê-se ainda honrada e homenageada com este trabalho, pela educação que me incutiram na companhia daquele, fui andando entre as hastes... Meus filhos, para poderem seguir o exemplo de bem fazer, ser e estar, mesmo com escassos recursos sob alcance. Meu incansável tio Kibenda Panzo Mwata, pela coragem que me incutiu em poder enfrentar momentos difíceis e ensinou-me a ultrapassá-los. AGRADECIMENTOS IV À Deus, nosso Pai Celestial, pela inteligência que me deu na união de ideias, e pela protecção que me tem concedido, fazendo com que este projecto de formação culminasse pela sua graça. À família, que sempre me acompanhou tanto nos momentos de maior desequilíbrio, podendo ser o suporte para que eu não tivesse uma queda livre. Aos amigos (as), como companhia indispensável nos momentos alegres e até mesmo quando não me encontrasse com boa disposição, foram sempre o calmante jamais visto; com maior destaque o meu compadre Gaspar da Silva (Três-Três) e António Dala. Aos docentes, que incansavelmente deram o seu máximo para incutir o que não fazia parte de mim (o conhecimento avançado). Ao orientador Dr Diego Kurtz, que com o seu saber soube colocar o necessário e o importante dentro de mim. Ao meu superior hierárquico, pela paciência que teve comigo, porque muitas vezes tive de prejudicar o trabalho para atender questões ligadas a formação. A todos, OBRIGADO. COMPROMISSO DE AUTOR V Eu António Miguel Zangui, com Bilhete de Identidade nº 005549736KN044, do Arquivo do Kwanza-Norte, aluno do programa académico, Mestrado em Direcção Estratégica das Organizações de Saúde, declaro: O conteúdo do presente documento é um reflexo do meu trabalho pessoal e manifesto que antes de qualquer notificação de plágio, cópia ou falta de fonte original, sou responsável directo legal, económico e administrativo sem afectar o Director do trabalho, a Universidade e quantas instituições tenham colaborado nesse trabalho, assumindo as consequências derivadas das tais práticas. Assinatura do autor _____________________________________ Autorização VI Ndalatando, Angola Janeiro de 2015 Para: Fundação Universitária Ibero-americana – FUNIBER Att: Direcção Académica Por este meio autorizo a publicação electrónica da versão aprovada do meu projecto final sob o título “DEGRADAÇÃO DE TALENTOS” no campus virtual e noutros espaços de divulgação electrónica desta instituição. Informo os dados para a descrição do trabalho Título Degradação de Talentos no sector da saúde, algumas tendências na província do Cuanza-Norte Autor António Miguel Zangui Resumo A falta de políticas de desenvolvimento do pessoal que vise a prossecução da actualização das suas carreiras no sector da saúde, a falta de motivação do pessoal e a falta de recursos materiais nas instituições, tudo isso e muito mais, reflecte num aproveitamento inadequado dos talentos em termos de recursos humanos, cujas consequências são reflectidas na falta de RH nos municípios e consequente atendimento inadequado e não humanizado. Programa Mestrado em Direcção Estratégica das Organizações de Saúde Palavras-chaves Trabalho, Talentos, Saúde, Técnicos, Abandono Contactos 913581997 e 939514272 ou antoniozangui@yahoo.com.br Atentamente Ass:_______________________________ VII “…o que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano…” (Isaac Newton) RESUMO VIII O tema “Degradação de Talento no sector da saúde, algumas tendências na Província do Kwanza-Norte” tem como objectivo geral a “identificação das causas que estão na base da degradação de talentos no sector da saúde na província do Kwanza-Norte”; sendo um dos dilemas que coloca directivos de um lado e funcionários do outro, este fenómeno comum neste sector da vida social, tem várias causas direitas principais que vão desde a falta de motivação do pessoal, a ausência de recursos para o trabalho, salários baixos em relação o custo de vida na sociedade inserida, assim como a falta de atenção por parte dos directivos bem como a inadequada qualificação em termos de promoção dos técnicos com base a sua formação e como que não bastasse um enquadramento inexistente tendo em conta o nível académico adquirido pelos funcionários. Em suma a falta de políticas de desenvolvimento do pessoal que vise a prossecução da actualização das suas carreiras no sector da saúde, a falta de motivação do pessoal e a falta de recursos materiais nas instituições; tudo isso reflecte num aproveitamento inadequado dos talentos em termos de recursos humanos, cujas consequências são reflectidas na falta de RH em quase todas as unidades sanitárias do Serviço nacional de Saúde na província e consequente atendimento inadequado às populações. Metodologicamente para a execução deste trabalho, e com vista a dar mais ênfase no enfoque, na realidade vivida, optei por um estudo de caso. Cabendo aos directivos uma tomada de atitude para proporcionar serviços transparentes e necessários que vise a uma motivação do pessoal no nível do sector que dirigem. a) Palavras-chaves: Trabalho, Talentos, Saúde, Técnicos, Abandono. IX SUMÁRIO SECÇÃO I RESUMO …………………………………………………………………..……………….. VIII SUMÁRIO ………………………………………………………………. …………………...IX LISTA DE TABELAS ………………………………………………….................................. X ABREVIATURAS …………………………………………………………………………… XI 1.- INTRODUÇÃO ……………………………………………………..…………………… 12 a)- justificação …………………………………………………………………………..…………13 b)- importância ………………………………………………………………………………….… 14 c)- perceber a Administração ………………………………………………………………..….. 14 d)- Gestão em Saúde ……………………………………………………………………………… 15 SECÇÃO II 2. - KWANZA-NORTE: ASPECTOS GERAIS CONTEXTUAIS …………...………….. 17 OBJECTIVOS ……………………………………………………….…………………… 20 SECÇÃO III CAPÍTULO 1. CONCEPÇÃO FUNDAMENTAL DO TEMA 1. CARACTERIZAÇÃO DO TRABALHO NO PASSADO E NO ACTUAL CONTEXTO 1.1. ORIGENS DO TRABALHO ……………………………………………………………………. 21 1.2. TRABALHO NO PASSADO……………………………………………………………………..21 1.3. TRABALHO NO ACTUAL CONTEXTO ……………………………………………………... 22 1.4. DEFINIÇÕES DO TRABALHO……………………………………………………………….…23 1.4.1 Modalidades de emprego no sector da saúde (roteiro marcante) ………………………………… 23 CAPÍTULO 2. DEGRADAÇÃO DE TALENTOS 2.1. CARACTERIZAÇÃO FUNDAMENTAL ……………………………………………………… 27 2.2. CAUSAS DA DEGRADAÇÃO DE TALENTOS ……………….……………………………… 29 2.3. O ABANDONO SEGUNDO REGRAS INSTITUCIONAIS……………..……………………. 31 2.4. IMPACTO PARA O SECTOR DA SAÚDE NA PROVÍNCIA ……………………………….. 34 2.5. SALVAMENTO EM TEMPO REAL E OPORTUNO DO SECTOR DA SAÚDE………….... 35 2.6. O PAPEL DO ESTADO AO NÍVEL LOCAL……………………………………….………….. 37 CAPÍTULO 3. RECURSOS HUMANOS NO SECTOR DA SAÚDE 3.1 – CARACTERIZAÇÃO E RELEVÂNCIA DOS RH NA PROVÍNCIA …………..…………… 42 3.1-a) – formação local………………………………………………………………………………………….. 45 3.2 – DISTRIBUIÇÃO DOS RECURSOS HUMANOS NA PROVÍNCIA…………….…………… 45 3.3 – MAIORES RELEVÂNCIAS EM TERMOS DE COORDENAÇÃO…………….…………… 50 3.4 – O QUE FAZER QUANTO A MOTIVAÇÃO………………………………..………………….. 51 3.5 – UMA PROPOSTA DE GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS NO SECTOR DA SAÚDE NA PROVÍNCIA…………………………………………………………………………………………… 55 X 3.5.1- Descentralização Estrutural………………………….………………………………………………… 55 3.5.2- Descentralização Administrativa………………………………….…………………………………… 57 3.5.3- Descentralização de Recursos Humanos……………………………………..……………………… 59 CAPÍTULO 4. CAMINHO METODOLÓGICO 4.1 – ESTRATÉGIA METODOLÓGICA…………………………………………………………….. 60 4.2 – CRITÉRIOS E POPULAÇÃO DE ESTUDO……………………………………………………..61 4.3 – QUANTITATIVO DOS ENTREVISTADOS…………………………………….………………62 4.4 – COLHEITA E TRATAMENTO DE DADOS………………………………..…………………. 63 CAPÍTULO 5. RESULTADOS E DISCUSSÕES 5.1 - APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS ………………………………………..………………..64 5.2 – ESTRATÉGIAS DE RETENÇÃO DE PROFISSIONAIS………………………………..…… 73 5.3 CONCLUSÕES GERAIS……………………………………………...……………………………75 5.4 – RECOMENDAÇÕES…………………………………………………………………………….79 SECÇÃO IV 1. BIBLIOGRAFIA……………………………………………………………………………… 80 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – divisão administrativa da província ………………………………………………...……… 18 Tabela 2 – proposta de níveis de assistência …………………………………………………..………. 57 Tabela 3 - entrevistados no estudo ………………………………….…………………………………62 Tabela 4 – abandonos …………………………………………………………………….……………..68 Tabela 5 – abandono de enfermeiros ………………………………………………………...………… 69 Tabela 6, 7 e 8 – enfermeiros entrevistados ………………………………………………...…………. 70 Tabela 9, 10 e 11 – entrevistados: entradas, satisfação e comp. directivos ……………………...…….71 Tabela 12 e 13 – entrevistas de administrativos e técnicos …………………….……………………….72 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 – RH no sector da saúde …………………………………………………………………….. 35 Gráfico 2 - médicos na Província ………………………..……………………………………………. 44 Gráfico 3 – enfermeiros na Província ………….………………………………………………………. 46 Gráfico 4 – técnicos necessários ………………….…………………………………………………… 47 Gráfico 5 – RH, Ambaca …………………………………………………………………………….. 48 Gráfico 6 e 7 – RH, Banga e Gonguembo …………………………………………………………… 49 Gráfico 8 – RH, Bolongongo ………………………………………………………………………… 50 Gráfico 9 – Rede funcional e não funcional …………………………………………………………… 64 Gráfico 10 – Rede funcional ………………………………………..…………………………………. 65 Gráfico 11 – Rede precária …………………………………………..………………………………… 66 Gráfico 12 – enfermeiros por área de serviço ……………………….………………………………… 70 LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Mapa da província ………………………………………..……………………………... 19 Figura 2 – esquema linear de emprego ………………………………..……………………………. 24 Figura 3 – esquema de ingresso no passado ……………………………..…………………………… 25 Figura 4 – esquema de ingresso hoje …………………………………..…………………………… 26 Figura 5 – Posto de saúde de Capunga …………………………………..…………………………… 35 Figura 6 – Posto de saúde de Kindungue ……………………………………………………………… 66 XI Figura 7 – níveis de atenção …………………………………………………………………………. 67 Figura 8 – níveis de atendimento …………………………………………..………………………..67 LISTA DE SIGLAS MINSA – Ministério da Saúde DPS – Direcção provincial da saúde GPKN – Governo provincial do Kwanza-Norte EFTS – escola de formação de técnicos de saúde RH – Recursos Humanos RMS – Repartições Municipais de saúde ICGA – Instituto de cartografia e geofísica de Angola PMDS – planos municipais de desenvolvimento sanitária FUNIBER – fundação ibero-americana KN – Kwanza-Norte HP – Hospital Provincial HMI – Hospital materno Infantil PS – Posto de Saúde LGT- lei Geral de trabalho OMS – Organização mundial de saúde CPS – Cuidados primários de saúde HM – Hospitais municipais MINDEF – Ministério da defesa LISTA DE ABREVIATURAS Cap. II – capítulo II Tab. – Tabela Fig. - Figura a.c – antes de cristo Nac. - Nacional Sup. - Superior Aux. - Auxiliar Enf. - enfermeiro Técn. - Técnicos Diagn. - Diagnóstico Administ. – Administração / administrativo Prov. - Província Hosp. - Hospital I - INTRODUÇÃO 12 Tanto no passado como na actualidade, não se pode falar em talento sem falar de recursos humanos que carregam tal condição necessária, muitas vezes sem que seja dado o verdadeiro sentido em termos de globalização contextual nas empresas dos nossos dias. Ao citar talentos, estou a me referir, a inclinação natural ou adquirida de um indivíduo realizar uma determinada actividade, facilitando o sucesso. No Cristianismo a palavra foi usada como símbolo de riqueza, isto é, antiga moeda grega, que visava a sua multiplicação ou degradação total (Bíblia Sagrada, Evangelho de S. Mateus capítulo 25: 14 – 28). Segundo o “Novo Dicionário de Língua Portuguesa”da Editorial Domingos Barreira, talento corresponde a engenho, capacidade, habilidade e etc; estas qualidades podem ser naturais ou adquiridas de acordo à experiência do meio envolvente e a vontade do próprio homem em adaptar-se rapidamente à aprendizagem. Classificar o talento é dar significado naquilo que é positivo para as pessoas e que determina uma execução também positiva em termos de resultados. No contexto actual, falar de talento é olhar o homem em relação a sua execução perfecionalizante e motivadora levando a resultados positivos tanto nas áreas técnicas quanto administrativas. Já quanto à degradação, no “Novo Dicionário de Língua Portuguesa” da Editorial Domingos Barreira, o define como sendo a destruição ignominiosa dum grau ou duma dignidade; deterioração; aviltamento ou mudança insensível e contínua; em suma trata-se de desgaste. Sendo o talento natural ou adquirido, também pode se desvanecer ao longo do tempo dependendo do uso que a pessoa faz do seu talento ou dependendo das circunstâncias em que o homem portador desta virtude for tratado. Muitas organizações nacionais e internacionais só não progridem positivamente porque fazem mau aproveitamento do talento dos recursos humanos que possuem. Assim sendo posso definir “degradação de talentos” como sendo a destruição gradual das virtudes ou capacidades de realizar uma determinada actividade com a perfeição necessária, motivada por um determinado problema que surge como barreira. Tratarei fundamentalmente de encetar minha preocupação baseando-me nos funcionários do sector da saúde nesta Província sendo o que mais barreiras apresenta no aproveitamento dos talentos que possui, tendo em conta os funcionários quevão abandonando os serviços para outros sectores da vida social, assim como a própria condição social dos funcionários. Primeiramente tratarei de identificar as causas que estão na base deste subaproveitamento e também averiguar as consequências que advém da perca de talentos neste sector. Olhando pelo rendimento anual de uma maneira global da Província em termos de resultados e organização institucional, se podem identificar vários factores envolventes a partir da área de recursos humanos, não só pela avaliação de desempenho, mas também por outros factores que possam acautelar o serviço no aproveitamento do homem como recursos indispensáveis na organização e entre eles, está acometida a comunicação pelo uso de barreiras que Teixeira, Sebastião em seu livro Gestão das Organizações, aponta como as barreiras técnicas, barreiras de língua e as barreiras psicológicas, sendo estas últimas responsáveis por muitos desalentos de motivação; assim como as diferenças no tratamento que se deve dar ao homem como 13 processador da vida social, por fim “as dissonâncias.”(citadas por Teixeira, em seu livro gestão das organizações, pág. 121). “A produção nas organizações não só depende de um único recurso, mas sim dos recursos humanos, recursos materiais e recursos financeiros” Manuela Frederico e Maria Leitão (2002, pág. 107). Tudo depende do tratamento que a organização comandada pelo próprio recurso humano, estiver a dar aos outros recursos para que possam produzir e reproduzir. Então qual tem sido o papel do directivo quanto a esta situação? Acima de tudo que estilo de direcção se usa? Estas e outras perguntas me guiarão no entendimento em torno do tema. Assim sendo este trabalho encontra-se encetado em termos de organização por capítulos e secções que descreve-se abaixo do seguinte modo: A primeira secção é uma parte introdutora que enceta os aspectos organizacionais do trabalho, após uma corrida pelo passado que nos levou até nos dias de hoje; ainda nesta parte fez-se uma justificação que responde a pergunta porque deste trabalho, a importância do trabalho tendo em conta os pontos de vistas diversificados em que o trabalho se apresenta, o cultural, psicológico e o social; fez-se também uma incursão para se entender a administração a luz da ordem bíblica e a luz de alguns teóricos ao longo dos tempos assim como se falou da origem da palavra; ainda a nível introdução, fez-se perceber também sobre a gestão sanitária de como foi entendida no passado e os domínios pelo qual a corrida é a organização também no nível hospitalar. A segunda secção descreve pormenorizadamente os aspectos globais da Província, seu clima e os aspectos socioeconómicos, demográficos, divisão administrativa, rede sanitária funcional e não funcional assim como a rede precária, foram focados os aspectos tais como os níveis de atendimento funcionais e os níveis de atenção primária constantes na Província do kuanza-norte e finalmente estão apresentados os objectvos que se encontram divididos em gerais e específicos. A terceira secção descreve uma concepção fundamental do tema que o subdivide em cinco capítulos: No Primeiro Capítulo, fizeram-se as descrições de algumas definições do trabalho relacionando-os no passado e contexto actual, assim como foram descritas na generalidade as modalidades de emprego em Angola. Já no segundo Capítulo, definiu-se o tema do trabalho “degradação de talentos” suas causas, as regras jurídicas quanto ao abandono de lugares assim como se descreveu o papel do estado localmente. No terceiro capítulo, fez-se uma descrição não menos importantes dos recursos humanos no sector da saúde a nível da Província do Cuanza-norte, assim como fez-se também algumas propostas de gestão de RH no sector da saúde na Província. No quarto e quinto capítulos, estão descritas as metodologias e os resultados e discussões que nortearam este trabalho. a) Justificação - O tema desperta desde o ponto de vista sociocultural uma atenção sem precedentes se, se pensar nas sociedades cuja educação é muito reduzida em termos de hábitos de avaliação administrativa e onde o papel do directivo de alto nível hierárquico ainda é muito limitado. - Olhando pelas comunidades funcionais, vê-se que maioritariamente as degradações de talentos que aparecem têm até certo ponto um cunho da alta direcção da empresa em atendimento as necessidades básicas em termos de motivação dos funcionários tendo em conta as várias causas de que se encetam. 14 - Um olhar atento pelo sector da saúde nos nossos dias, os danos mentais em que os funcionários do nível mais baixo de execução ou mesmo do nível intermédio têm sido vítimas fruto de lideranças encetadas, levou-me a escolher este tema, para que contribua na mentalização e tomada de consciência da própria sociedade e como meio dos responsáveis das unidades sanitárias mudarem em termos de conduta e seguimento. b) Importância - De um lado este trabalho constitui o resultado de uma pesquisa realizada com vista o levantamento de muitos aspectos importantes que se pretenda levar a conhecimento não só dos directivos e trabalhadores das instituições administrativas de saúde, mas também as unidades de atendimento que duma maneira específica exige-se a mudança de sua conduta quanto ao tema em descrição. - Por outro lado é importante também que se saiba de que este tema ajudará de uma maneira geral a contribuir na mudança de atitude para que se considere e reconsidere o funcionário como um ser humano que leva consigo sentimentos, emoções, competências e necessidades que devem ser atendidas e como que não bastasse necessidade de se desenvolver. Este trabalho de uma maneira geral sua importância aparece em várias facetas das quais descrevemos algumas: - Do ponto de vista cultural, contribui na mudança do comportamento das comunidades, tendo em conta as fantasias que se fazem presente quanto ao comportamento falível de muitas organizações na aplicação do que (Teixeira, 1998), chamou de Cultura Risco Reduzido, Feedback Lento. - Do ponto de vista psicológico, contribui na redução negativa do subjectivismo quanto ao desemprego, evitando consequências psicológicas como depressões e outras, levando as pessoas a aceitarem as suas novas condições de vida. - Do ponto de vista social, este trabalho vai contribuir consideravelmente para que as sociedades e instituições evitem o uso abusivo de exclusão, considerando as várias facetas que encerra, tendo em conta a desestruturação das famílias quando se perde o emprego. c) Perceber a administração hoje O trabalho tem um enfoque de descrição nas ciências administrativas especificamente na área de saúde pelo que ficaria sem sentido se não se fazer entender os conceitos administrativos que caracterizam este relatório. A administração é um acto inato que começou quando o homem sentiu a necessidade de se organizar na terra, organização esta que começa com os primeiros homens por ordens de Deus no jardim do éden, após ter sido criado para que aquele “dominasse tudo na terra” (Génesis 1: 26-30). Quero nesta secção enfatizar a administração e não propriamente dar uma definição neste trabalho da administração por não ser este o objectivo deste trabalho; para faze-lo, há toda uma necessidade baseando-se em alguns teóricos que lhe conceituaram a luz do que acontece no dia- a-dia do trabalho. Por natureza o homem é administrador desde si mesmo, pequenos grupos até as grandes concessionárias. Somos administradores a todos os momentos da nossa vida, pelo que também do mesmo modo a todos os momentos tomamos decisões, este acto de tomada de decisões sejam quais forem, não passa mais que uma administração consciente ou inconsciente. Assim para percebermos a administração temos que ter em conta o momento e a atitude da pessoa e a quem se dirigemos aspectos importantes a resolver. A administração como se apresenta hoje foi um trabalho árduo de muitos percursores que direita ou indiretamente contribuíram com o seu saber; seja quais foram as causas que lhes 15 levou a tratar da administração, o principal objectivo foi a organização das sociedades e posteriormente as organizações. É difícil definir administração em saúde uma vez que esta existe em diferentes graus, o entendimento das práticas em saúde, a reflexão dessas práticas à luz das teorias administrativas de uma maneira geral, da saúde e de enfermagem em particular. Começa, com base no jardim do éden uma administração centrada, influenciando assim a igreja católica, como nos conta Paulina Kurcgant e outos (1991, pág. 4) “A hierarquia da autoridade presente até aos dias de hoje nas estruturas organizacionais e a influência do poder centralizado numa só pessoa são influências típicas da estrutura da igreja. ” Segundo estas autoras, “embora se considere, que a administração científica tenha tido o seu início em 1900, com Frederick W. Taylor, deve-se reconhecer que o pensamento administrativo nele contido remonta ao ano 1776, quando Adam Smith já preconizava a especialização do trabalho, do controlo dos resultados e da remuneração dos operários.” Também houve a influência dos grandes filósofos como “Aristóteles (384-22 a.c.), que estudou a organização do Estado; Francis Bacon (1561-1626), fundador da lógica moderna; René Descartes (1596-1650), que criou as coordenadas cartesianas, cujo princípio da análise da decomposição determinou o princípio da divisão de trabalho, da ordem e da hierarquia e que até nos dias de hoje se faz sentir nas organizações.” Paulina Kurcgant e outos (1991, pág. 5). Com exposto o acima, cabe-me a luz de alguns autores ditar algumas definições da administração: João Costa e Miguel Portugal, definem administração como sendo “a ciência que estuda e sistematiza as práticas utilizadas para gerir as organizações.” (João costa e Miguel Portugal, pág. 11a). O objectivo é na verdade maximizar os resultados da prestação de serviços à comunidade com base nos objectivos fixados a priori. Estes autores relacionam fragmentando o termo administração como vindo do latim na seguinte decomposição: ad + minor = administrare, que significa caminhar para o mais pequeno, isto é, cuidar dos mais pequenos (João costa e Miguel Portugal, pág. 11a 13b); Sendo a tarefa da administração a de interpretar os objectivos propostos pela organização e transformá-los em acção organizacional por meio de planeamento, organização, direcção e controlo de todos os esforços realizados em todas as áreas e em todos os níveis da organização, (Teixeira 1986, pág. 245), afirma que “a palavra administração com sua origem no latim significa Ad = direcção, tendência para… minister = subordinação ou obediência; este autor vai mais distante ainda e diz que a tarefa básica da administração é fazer as coisas, por meio das pessoas, de maneira eficiente e eficaz.” Assim a administração aparece no seu conceito básico como sendo “uma actividade sistemática realizada por um grupo de pessoas, empregando um conjunto de recursos, estes que podem ser humanos, materiais e financeiros, cuja finalidade é encontrar um benefício para quem dirige, gere ou produz. ” Baseando-se em Teixeira, pode-se definir também como sendo “o fazer com que as coisas sejam feitas pelos outros a benefício de quem gere. ” b)- A gestão em saúde Sendo um trabalho virado a gestão no sector da saúde, é tão lacónico que se faça ainda que o mais restrito, uma incursão pelo passado e presente sem deixar de encetar uma visão do que foi e o que são hoje as organizações de saúde (o hospital). 16 importância e a actualidade da gestão em saúde não se medem apenas pelas tendências actuais para a integração dos cuidados de saúde e pelas pressões com vista à crescente e contínua racionalização (económica, técnica e organizacional) dos serviços de saúde, as quais vão a par com a persistência da sua especificidade como organizações profissionais em que subsistem duas linhas de autoridade, a relação de agência (FUNIBER, in epidemiologia), a fraca ou nula soberania do consumidor (FUNIBER, in economia), etc. Refiram-se, por fim, os desafios emergentes, para a gestão e para os gestores dos serviços de saúde, que implicam as mudanças que se estão a operar no campo da saúde, a começar pelo próprio alargamento e enriquecimento do conceito de saúde, o envelhecimento da população, a mudança do perfil de morbimortalidade, a oferta sedentária de recursos, o aumento exponencial dos custos, o paradigma da sociedade da informação e do conhecimento, a espiral tecnológica, o papel do Estado e do consumidor, as questões da bioética, da qualidade e da igualdade, etc. Tal como a própria medicina, a gestão será sempre uma ciência e uma arte, com duas componentes que podem ser independentes mas são sempre complementares: o conhecimento e a acção. O hospital teve um papel de protagonismo nestes processos de mudança, se bem que o conceito de gestão em saúde já não seja hoje hospitalocêntrico; O hospital moderno, contemporâneo, o do direito à saúde, é o da ruptura conceptual (e organizacional) com o passado, em que havia uma medicina privada para os ricos e uma medicina hospitalar para os pobres. Essa ruptura verificou-se essencialmente em relação a quatro domínios: (i) missão do hospital: passou-se de um objectivo hoteleiro para um objectivo de produção de cuidados de saúde; (ii) prática profissional: passou-se de uma prática individual (trabalho a solo) a uma prática colegial (trabalho em equipa); (iii) processo de produção: mudou-se de uma produção artesanal (ou pré-industrial) para uma produção industrial (ou em massa); e finalmente, (iv) gestão: substituiu-se o conceito e a prática da administração (centralizada) pelo conceito e pela prática da gestão (descentralizada). O hospital tende a tornar-se uma empresa não só pelo crescente peso e sofisticação do seu sistema técnico e organizacional de trabalho, como também pela crescente complexidade e conflitualidade da sua envolvente sócio-económica e das necessidades. 17 II - KWANZA-NORTE: ASPECTOS GERAIS CONTEXTUAIS Segundo o relatório do instituto provincial geofísico 2013, A província do Kwanza-Norte está situada entre os paralelos 9º 46º 12º 41º de latitude sul e entre os meridianos 13º e 30º e 16º de longitude Este. A sua superfície é de aproximadamente 23.110 Km2. A província do Kwanza-Norte situa-se a norte do rio Kwanza e é limitada à norte pelas províncias do Bengo e Uíge, à leste pela província de Malanje à sul pelo Kwanza-Sul e à oeste pela província do Bengo e Luanda. A província tem 10 municípios e 31 comunas e compreende três zonas distintas de acordo com as características que determinam o tipo de cultura, a saber: a) A Este no município de Kambambe, com vegetação do tipo savana, quase plana com poucos relevos, altitude a volta dos 30m abaixo do nível do mar, irrigada pelos grandes rios, o Kwanza e o Lucala. b) A segunda zona integra os municípios de Golungo-Alto, Gonguembo, Cazengo e uma faixa de Lucala. É de característica montanhosa, cuja altitude ronda entre os 700 e 800 metros. c) A terceira zona compreende os municípios de Lucala, Samba-Cajú, Banga, Bolongongo, Kiculungo e Ambaca. É de natureza planáltica, com muitos rios e planificações pluviométricas regulares ao nordeste da província. A Província detém os maiores nós rodoviários do país localizados no Alto Fina (Dondo) e Lucala. Há ligação rodoviária do Dondo para Ndalatando/ Lucala/Malanje, Kwanza-Sul e leste do país, Lucala/Uíge. Existe uma importante rede secundária com estradas de terra batida que na sua maioria se encontram em estadodegradado (Gonguembo, Banga, Kiculungo e Bolongongo) que ligam a capital da província com todos os municípios e estes com as respectivas comunas. A rede ferroviária contempla o caminho-de-ferro de Luanda que liga Luanda a Malanje e o ramal de Kambambe. Para os transportes fluviais, existe o rio Kwanza (o maior rio de Angola), que é navegável a partir da Barra do Kwanza até a Cidade do Dondo. A capital da Província é igualmente servida por um aeroporto, de Carianga para aviões de pequeno e médio porte. Os transportes públicos são assegurados por intermédio dos táxis privados vulgarmente conhecidos por candongueiros que diariamente fazem a rota Luanda/ Ndalatando, Luanda/Dondo e vice-versa e dentro da Cidade existem os motoqueiros vulgos Kupapatas que mais provocam acidentes, o que constitui um problema de saúde pública. Divisão administrativa Administrativamente, a Província do Kwanza Norte, possui a sua sede na Cidade de Ndalatando antiga Salazar e compreende os seguintes municípios e comunas: • Município de Ambaca – Com sede na Vila de Camabatela e as comunas são: Sede, Luinga, Maua, Tango e Bindo. • Município de Kambambe – Com sede na Vila do Dondo e as comunas são: Sede, Massangano, Kilemba, Zenza do Itombe e Dange-Ya-Menya. • Município de Cazengo – Com sede em Ndalatando e as comunas são: Sede e Canhoca. • Município de Kiculungo – Com sede e comuna na Vila do mesmo nome. • Município de Lucala – Com sede na vila do mesmo nome e as comunas são: Sede e Kiangombe. 18 • Município da Banga – Com sede na vila do mesmo nome e as comunas são: Sede, Aldeia-Nova, Caculo-Cabaça e Cariamba. • Município de Bolongongo – Com sede na vila do mesmo nome e as comunas são: Sede, Kiquiemba e Terreiro. • Município do Golungo-Alto – Com sede da vila do mesmo nome e as comunas são: Sede, Cambondo, Cerca e Kiluanje. • Município do Gonguembo – Com sede na Vila de Quilombo dos Dembos e as comunas são: Sede, Camame e Kavunga. • Município do Samba-Cajú – Com sede na vila do mesmo nome e as comunas são: Sede e Samba-Lucala. População Depois de já terem sido divulgados os resultados do censo populacional que decorreu de 16 à 31 de maio de 2014, estima-se em 427.971 habitantes, a população geral do Kwanza-norte, com uma densidade populacional de 18.5 habitantes por quilómetro quadrado e a sua composição rácica é africana (negra) coabitando com brancos e mestiços que por laços de consanguinidade e serviço, estão perfeitamente integrados no seio da grande família sem descriminação. (Relatório do Instituto Nacional de Estatistica da Rep. Angola 2014). Adicionada a esta divisão administrativa e para uma compreensão mais exaustiva eis a tabela seguinte. Tab. Nº 01 – Divisão administrativa do Cuanza-Norte com dados demográficos Municípios Nº de Comunas Nº de Bairros População Superfícies em km2 Densidade popul. Hab./Km2 Ambaca 5 155 60 835 3.081 km² 22.8/ km² Banga 4 55 9 493 1.259 km² 9.7/ km² Bolongongo 3 41 12 635 1.018 km² 12/ km² Cambambe 5 75 88 951 5.212 km² 17.7/km² Cazengo 2 78 165 839 1.793 km² 87/ km² Golungo-Alto 4 71 29 259 1.989 km² 17.8/ km² Gonguembo 3 45 6 865 1.400 km² 4.9/ km² Kiculungo 1 45 20 148 1.475 km² 13.6/ km² Lucala 2 29 10 060 1.718 Km² 8/ km² Samba-cajú 2 92 23 886 4.162km² 5.7/ km² total 31 686 427 971 23.110km² 18.5/ km² Fonte de dados: PMDS/kn/2013 e do INE/2014 Fig. 01 01 mapa da Província com a rede sanitá 19 tária. 20 OBJECTIVOS Ficaria sem sentido trabalhar um tema tão e quão importante tendo em conta o objecto de estudo pela qual faço referências, sem que se identifiquem os objectivos pelo qual se elabora este trabalho. Pelo que na elaboração pôde identificar os objectivos a atingir até que o trabalho termine e que a prossecução descrimino em objectivos gerais e objectivos específicos: a) Objectivo Geral - Identificar as causas que estão na base da degradação de talentos no sector da saúde na província do Kwanza-Norte. c) Objectivos Específicos - Caracterizar o trabalho no passado e no actual contexto. - Caracterizar os traços fundamentais dos empregados no sector da saúde e suas vertentes basilares no serviço. - Estudar pormenorizadamente o impacto da degradação de talentos no sector da saúde no período de 2009 à 2013. - Caracterizar as consequências da degradação de talentos no sector da saúde. - Identificar os principais focos de abandono e barreiras a retenção de talentos. - Sugerir estratégias de implementação para evitar degradação de talentos no sector da saúde. 21 SECÇÃO III CAPÍTULO 1. - CONCEPÇÃO FUNDAMENTAL DO TEMA 1.1- Caracterização do trabalho no passado e no actual contexto 1.1.1. Origem do trabalho Seria lógico numa dissertação como esta, começar com a definição do que é o trabalho; mas gostaria começar procurar suas origens segundo alguns pontos de vistas em que o trabalho tem suas raízes; do ponto de vista teológico, tem suas origens no antigo testamento desde que o homem foi criado por Deus e este se rebelou pecando no jardim do éden e que sob ordens divinas lhe foi orientado “Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes a terra...” (Génesis 3: 19). Igualmente, Deus confirma a ordenação do trabalho humano quando por sua própria voz orienta que Noé construísse uma arca com as dimensões já pré-estabelecidas; (Génesis 6: 14- 16); é baseado neste legado bíblico em que Marx nos permite fazer ao mesmo tempo “três distinções principais em relação o trabalho humano: 1ª) é o trabalho que nos diferencia do reino animal; 2ª) é uma condição necessária ao ser humano em qualquer tempo histórico; e 3ª) o trabalho assume formas históricas específicas nos diferentes modos de produção da existência humana” Raimond Aron (2003, pág. 197). No Dicionário da Educação Profissional em Saúde (2006, pág. 258), Gaudêncio Frigotto, afirma que: As distinções acima descritas nos permitem tanto superar o senso comum e a ideologia que reduzem o trabalho do ser humano à forma histórica que assume sob as relações sociais de produção capitalista (compra e venda de força de trabalho, trabalho assalariado, trabalho alienado), quanto perceber a improcedência das teses que postulam o fim do trabalho. Já do ponto de vista social, O trabalho é o ramo da sociologia que procura estudar os sujeitos ocultos do ambiente de trabalho, principalmente as fábricas e os sindicatos estruturados, bem como os fenómenos que surgem das relações de trabalho. Rondo Cameron (2001, pág. 233), afirma que “durante a maior parte da História da Civilização o trabalho foi considerado como uma actividade depreciável”. A palavra trabalho evoluiu da palavra "Tripalium", castigo que se dava aos escravos preguiçosos. Para o mundo protestante europeu não latino, o trabalho não é um castigo, e sim uma oferenda a Deus. Os gregos da Idade de Ouro pensavam que só o ócio criativo era digno do homem livre. A escravidão foi considerada pelas mais diversas civilizações como a forma natural e mais adequadas de relação laboral. Desde os meados do XIX, vinculado ao desenvolvimento da democracia e ao sindicalismo, a escravidão deixa de ser a forma predominante de trabalho, para ser substituída pelo trabalho assalariado. Com o surgimento de uma valorizaçãosocial positiva do trabalho, pela primeira vez na história da civilização. 1.1.2. O trabalho no passado As formas de trabalho variam conforme o momento histórico. As sociedades primitivas, por exemplo, baseavam seu trabalho na colheita, na caça, na pesca e geralmente, as actividades eram divididas por género. Depois se passou para uma sociedade artesanal, e na Idade Média encontramos o sistema feudal como predominante, onde o trabalho fundamentava-se no cultivo da terra. Mas o principal marco na história do trabalho certamente é a Revolução Industrial. Foi ela que transformou a sociedade rural e agrícola do mundo ocidental em uma sociedade basicamente urbana e 22 industrial. A Revolução Industrial provocou grandes transformações no mundo: a economia transformou- se, pois a actividade industrial passou a ocupar o centro da vida económica; formaram-se grandes empresas industriais e o trabalho assalariado passou a predominar em toda parte; em outras palavras, impôs-se o capitalismo industrial. A sociedade foi profundamente afectada pelo êxodo rural e pelo crescimento da vida urbana; começaram a formar-se as cidades industriais; ocorreu também um aumento da população mundial; a burguesia industrial se fortaleceu, e começou a ganhar cada vez mais destaque a classe operária. Na política, houve a queda do Estado Absolutista, disputa entre países europeus pelo domínio das colónias na África e na Ásia, com o objectivo de obter matérias-primas para a indústria e consumidores para os produtos manufacturados; começaram a aparecer ideias políticas, sociais e económicas tentando explicar a nova situação e solucionar os novos problemas. A Revolução Industrial enriqueceu muitos capitalistas, mas a grande maioria dos operários vivia em péssimas condições. 1.1.3. O trabalho no actual contexto Hoje, todos os funcionários de qualquer fábrica que seja, bem como qualquer trabalhador de outro sector, desfrutam de benefícios e leis trabalhistas que definem os direitos e deveres dos empregados. Existem os sindicatos que ainda defendem a classe dos trabalhadores, e mais do que isto, existe uma legislação específica em que, conforme consta no Decreto 33/91 de 26 de Julho, I Série nº 31, diploma que estabelece o regime disciplinar da função pública na República de Angola; são alguns direitos dos trabalhadores da função pública os seguintes: exercer cargo em que for legitimamente promovido; receber as indemnizações ou pensões a que tiver direito em caso de acidente; participar nos cursos de formação; Carteira de trabalho assinada desde o primeiro dia de serviço, ou antes, através de concursos públicos de admissão ou por contrato indeterminado (estado) ou contrato determinado (privado); Exames médicos de admissão e demissão; Repouso Semanal Remunerado (2 folgas por semana); Salário pago até o 25º dia útil do mês; décimo terceiro (13º) salário pago até 25 de Novembro numa única parcela. Férias de 30 dias com um subsídio de férias correspondente a um (1) do salário base; Licença Maternidade de 90 dias, desde que o trabalhador o requeira no momento certo. É bom ressaltar que estes são alguns dos direitos válidos em Angola e que as leis trabalhistas podem variar conforme cada país. Outro aspecto a ser destacado é que existem muitas empresas que actuam de maneira clandestina ou até mesmo que deixam de pagar impostos, prejudicando assim a situação dos trabalhadores. Além do mais, em pleno século XXI ainda existem trabalhadores escravos no mundo todo, isto é o que afirmam os dados da Organização Internacional do Trabalho. Segundo a pesquisa, “pelo menos 12,3 milhões de pessoas estão submetidas ao trabalho forçado em todo o mundo, e quase a metade são crianças de menor idade, (...) disse a Organização Internacional do Trabalho" (SURI,2009). Portanto, mesmo com todos esses direitos garantidos e conquistados através de muita luta por parte dos trabalhadores, podemos perceber que a situação de alguns trabalhadores não evoluiu, alguns ainda são tratados com desigualdade, de forma humilhante e desumana, não recebendo nenhum direito garantido por Lei. Muitas vezes, quem se rende a essa forma de trabalho (escravo) são pessoas leigas, de classe baixa, sendo esta forma, sua única opção de renda. 23 1.1.4. Definições de trabalho Para dar maior significado do que temos vindo até agora falar, vimo-nos em condições ideais para falar propriamente de trabalho a luz de alguns conceitos ou definições segundo alguns teóricos. Tendo o trabalho, originado de diversas facetas, nos veremos também acondicionados para os diversos conceitos segundo sua origem; para muitas sociedades antigas ou mesmo modernas continuam classificando o trabalho como um castigo de Deus a luz da desobediência cometida no jardim do éden “do suor do teu rosto comerás o teu pão”... (Génesis C. 3:19). Já para outros como os sociólogos, “o trabalho passa a ser uma condição necessária para a satisfação de necessidades básicas humanas” Marx e Webber, citados por Cameron (1990). Os irmãos, José Lello e Edgar Lello (1972, p. 1186), no dicionário prático ilustrado definiram trabalho “como sendo a aplicação da actividade física ou intelectual ou ainda um exercício da actividade para fazer ou conseguir um resultado”. Reinert (2008), dá-nos um conceito básico de trabalho, numa das suas abordagens que fez sobre o desemprego e nos diz que “o trabalho é uma actividade social, necessária ao progresso material e moral da humanidade.” Dá-nos aqui subsídios que podem duma maneira geral contribuir para a conduta humana, o ser uma actividade vivenciada em sociedade tornando-o de carácter social onde o homem assume as rédeas deste grande desafio nos nossos dias; ainda sim está o dinamismo do homem a confirmar um ser não estático e que tudo faz para o desenvolvimento social olhando por outros níveis de vida através do trabalho tratando-se de progressos na vida quotidiana em termos de material mantendo a continuidade da vida e do bem-estar; mais adiante vemos que o subjectivismo que domina o homem também faz parte do trabalho olhando pela solidariedade advinda de várias actividades e dominando deste modo o meio que nos rodeia, o trabalho contribui para o amadurecimento da moral nas nossas sociedades. Parece-me que o conceito debruçado por Reinert, é bastante abrangente e pode de certo modo a humanidade se rever nele em termos de trabalho como definição. Já numa sociedade onde tudo pode e tudo falta, o trabalho tem uma característica que posso considerar particular, “o trabalho é constituído por pessoas”(João L.C. Neves 2004, p.222); assim ao falar sobre o trabalho, o mesmo autor alega que “as pessoas não aparecem como objectivo tomadas pela economia” mas sim estão ali exercendo este trabalho “como meio para o objectivo da economia” (João L.C. Neves 2004, p.222); 1.1.5. Modalidades de emprego no sector da saúde Até a viragem da política do País, Angola passou por etapas importantes que visavam a estruturação orgânica dos órgãos do estado, tendo em conta que o País estava mergulhado numa crise sem precedentes, causando uma luta não só política, mas também de desenvolvimento económico, onde os meios estavam centralizados pelo estado. Mas também a par disso estava uma política não pior, que era um ensino laico e gratuito para toda a população, passando por um aproveitamento dos meios de produção que entre eles estava o próprio homem. Aqui se faz ênfase de uma política que do ponto de vista social e ideológico escamoteou uma classe colocando filas longas para que se pudesse comprar ou vender seu bem, uma das 24 liberdades limitada a maioria, facilitado a um restrito número de indivíduos! Assim foi andando o país a sua maneira. Ao lado de outros sectores como a educação que tinha uma escola básica de formação docente,estava também a saúde com uma escola técnica de saúde pública, que como é óbvio, formava técnicos básicos de saúde. Nesta altura o estado adoptara uma política de aproveitamento direito dos quadros que estavam sendo formados; refiro-me praticamente uma política que apesar do acesso limitado em termos de formação profissional naquela altura (nem qualquer teria acesso livre), mas apesar destas barreiras que se impunham ainda sim os formandos tinham regalias e os formados não obedeciam a estruturações burocráticas pesadas, que dificultassem seu acesso ao ingresso. Assim, a partir da escola (terminada a formação), o técnico ia apresentar-se a delegação Provincial da saúde (hoje direcção), para que pudesse fazer o levantamento da guia de colocação (emprego direito), pois nessa altura, fruto das interferências políticas que o país viveu não se obedecia a concursos públicos. A partir do ano de 1992, o país conheceu uma viragem política, fruto de guerras fratricidas que aconteceram desde 1976, as políticas sociais também mudaram-se em prol de manifestações e bem-estar das populações. Daqui, alargam-se as instituições de ensino para todo país, aumentando assim o número de técnicos básicos, médios, superiores e especializados, cabendo ao estado regulamentar o seu ingresso na função pública, de um lado passa ser uma questão de organização, do outro uma demonstração de incapacidade do estado absorver a quantidade de formandos em função da limitação de lugares na função pública, advindas da limitação de recursos financeiros; hoje, para um emprego (seja qual for, ate mesmo no privado), segue-se um “modelo de quatro etapas.” Paul E. Spector. (2008, p. 200): fig. Nº 2 – modelo linear de ingresso de funcionários Fonte: psicologia das organizações Falar hoje de modalidades de emprego em Angola e no sector da saúde em particular, requeira- se um enquadramento a luz do Decreto 102/11 de 23 Maio, sendo a regra geral que se segue em toda função pública, começando com a fase de aprovação do concurso público a nível do MAPESS (ministério da administração pública emprego e segurança social), que dita às regras e o número de vagas para o sector neste caso o da saúde, através de um comunicado de imprensa. A fase seguinte é abertura do concurso pela entidade competente a nível de cada província, a partir deste momento os candidatos estão em condições para a inscrição ao concurso público que pode ser de acesso para os funcionários que queiram mudar de categoria ou escalão (agora classe), e o do ingresso para os funcionários que queiram entrar pela primeira vez na função pública. Feita a inscrição que sensivelmente pode variar de 15 a 45 dias, artigo 11º ponto 2, os candidatos aguardam as deduções finais que vão desde a organização dos processos recebidos, organização das listas Planificação Obtenção de candidatos Selecção Recrutamento 25 dos candidatos e sua publicação e ou afixação em locais públicos e consequentemente os testes de admissão, que acontecem sempre em uma data a anunciar pela comissão de júri criada para o efeito que ultimamente tem sido um trabalho concentrado a nível do Governo Provincial; só assim é que o concurso passa a fase de selecção de candidatos, homologação do tribunal de contas e a consequente colocação para os locais de trabalho. Ainda sim sem querer passar em detalhes comparativos, passo a uma estruturação de um modelo que demonstra o roteiro até ao ano de 1992, como era o ingresso dos técnicos de saúde no Kwanza-Norte. fig. 02 – modelo de ingresso no sector da saúde no passado Retracção Criado com base na experiência vivida em 1992. (Criação própria) Neste modelo não existiam constrangimentos excessivos e a exclusão era diminuta e os profissionais eram colocados de acordo as suas competências e grandes talentos estavam a contribuir para o desenvolvimento do País, de acordo a sua formação e não havia um acentuado problema de corrupção; primeiro porque os técnicos eram poucos, isto é, muita oferta pouca procura, senão mesmo “oferta igual a procura” proporcionando o “equilíbrio do mercado,” João L. C. Neves (2004). Já de 1992, ao actual contexto e com a criação de elementos reguladores do processo de enquadramento e com razões já fundamentadas acima (na página anterior), se tem verificado outro sistema já com base nas leis em vigor no País e que tem alimentado no meu ponto de vista muitas irregularidades dando mesmo lugar a actos de que na “teoria dos sistemas se chama de corrupção sistémica,”Luhmano, citado por Garcias Quitari (2013). Com base nesta explanação, convêm mostrar em esquema pré-concebido o modelo pelo qual um cidadão actualmente obedece e duma maneira geral a sociedade Angolana e quiçá a sociedade kuanza-Nortenha para a obtenção de um emprego principalmente quando se trata da entrada para a função pública onde o quadro aparece invertido: “pouca oferta e muita procura” caso que dá um “desequilíbrio do mercado” João L. C. Neves (2004). Escola Técnica de Saúde Pública Reprovado Aprovado Delegação Provincial de saúde (empregado) Unidade Sanitária Para casa desempregado 26 Fig. 04 Modelo no actual contexto de ingresso na função pública – sector da saúde. Modelo baseado na realidade actual de concursos públicos em Angola. (Criação própria) EFTS Não seleccionado Seleccionado Concurso público Casa (desempregado) Aprovado Reprovado Emprego 27 CAPÍTULO 2. – DEGRADAÇÃO DE TALENTOS 2.1 – Caracterização Fundamental A muito, académicos, investigadores senão mesmo gentes de letras se questionam o que viria a ser degradação de talento, num mundo de maior competitividade e criatividade, onde as principais organizações nacionais e internacionais concorrem para o aperfeiçoamento, procurando a satisfação de necessidades das organizações em termos de produção, desiderato este que não se atinge por falta de criadores, pensadores senão mesmo homens com grande capacidade para as transformações devidas. Fala-se também das grandes companhias que em tempos idos ou mesmo na actualidade acabam por desfalecer em termos de prestação de serviços ao público, reflectindo assim nos grandes objectivos pelos quais foram criadas. Olhando o tema, em abono de verdade tem uma literatura escassa para a investigação que complemente o sentido pelo qual se discute e se investiga, criando um grande constrangimento se assim o podemos considerar. Definir degradação de talentos, não é uma tarefa fácil porque o talento aparece em várias facetas das ciências do saber, pelo que se pode lançar um grande desafio à comunidade do saber. Uma reflexão mais abrangente neste sentido, é primeiramente esboçar uma definição estratificada do tema, isto é, encontrar-se os conceitos de degradação e o de talento para com uma ideia mais profunda se encontrar uma definição que possa aproximar o pensamento naquilo que venha a ser esboçado pelo tema. Já nas páginas anteriores pôde definir degradação com base no dicionário prático ilustrado e que esta apresenta várias traduções, mas a que mais interesse neste contexto é a tradução de “deterioração” lello & Irmão, (1972); a deterioração como efeito de deteriorar ou estragar segundo os mesmos editores, passa a um significado de justaposição quando estamos a falar de um acto que envolve o objectivismo e o subjectivismo onde o próprio homem aparece como factor e objecto de estudo. Não se pode falar de deterioração senão que exista algo ou alguém que possa sofrer este efeito, pois ao aparecer comoum substantivo pressupõe a justificação de uma determinada acção envolvendo a acção humana em termos de negatividade o que evidencia o objectivismo e envolve pensamentos humanos que de certo modo podem também actuar como origem de comportamentos menos agradáveis, quando estamos em presença do subjectivismo. Quanto ao talento, durante muito tempo, esta foi definida classicamente como sendo “aptidão natural ou habilidade adquirida,” José D. Matos (2011, pág. 74); definição, propagada nos quatro cantos do mundo; ou seja, nascia-se com ele ou corria-se ferozmente atrás dele. Mas os tempos e a velocidade das coisas mudaram. E com isso mudou-se também o conceito de talento. De acordo com Assunção, (2004, pág. 199), em seu livro Talento a verdadeira riqueza das nações, define talento como sendo “a condição de se fazer necessário para uma determinada função, actividade ou realização de sonhos, próprios ou de terceiros, comprovando feitos memoráveis ou que alteraram para o bem uma condição vigente qualquer.” 28 Apesar do esforço empreendido por ele, ainda sim a definição aparece muito ambígua e subjectiva quanto a realidade que se pretende; pelo que uma outra definição que nos leva a considerar um recuo no tempo para uma análise mais objectiva e sintetizada, é a de Lello & Irmão (1972), que consideraram que “talento é ter grande inteligência, é uma aptidão natural ou faculdade adquirida;” considera-se a mais abrangente definição porquanto todo homem se revê nela de uma maneira positiva ou negativamente. Indo pela positiva, enquanto ser humano, dotado de capacidade de poder conceber o meio e dominá-lo e poder compreender o mundo que nos rodeia, distinguindo-nos de outros seres do grupo, eis a dotação de inteligência; não teria o homem, sentido algum, se porventura não fosse dotado de aptidão, uma das qualidades referentes a disposição senão mesmo as habilidades que o possibilitam exercer e aplicar a inteligência; finalmente uma mola impulsora que tende a colocar o homem diante dos principais desafios é o poder físico ou moral que o torna capaz para uma determinada acção e que em princípio chamamos de faculdade; Pereira, Orlindo Gouveia: psicologia de hoje (1974). Com o exposto e num momento em que nos parece ter poucas ou mesmo nenhuma bibliografia que nos possa oferecer subsídio em termos da definição do tema é, portanto bastante contribuinte dar algumas definições primárias. “- Degradação de talento é o subaproveitamento que se faz das pessoas (com bastante experiência), e ou das habilidades necessárias para a prossecução e desenvolvimento de uma determinada tarefa.” “- Pode ser definida também como a deterioração brutal ou gradual das capacidades, habilidades e ou faculdades de um individuo na execução das tarefas.” Assunção, (2004, pág. 299). Pois considero as definições ainda latentes pelo que as achei importantes para o tema em curso porquanto oferecem subsídios importantes capazes de responder com precisão os anseios deste trabalho. Quanto a primeira definição, refere-se a pessoa objectiva com as suas faculdades sem olhar de maneira desprezível para o seu intelecto, homem transformador, capaz de satisfazer as necessidades da organização em prol do seu bem-estar – que para Pereira, Orlindo Gouveia (1974) olhar e classificar em suma o próprio homem como um talento em si; considerando que o facto de este estar aqui presente já é a solução em si; e quando isto não acontece a degradação passa a ser da própria pessoa como ela mesma é, um subaproveitamento das faculdades deteriorando sua personalidade como tal. Já na segunda definição, destaco aqui uma visão subjectiva pela qual se considera o talento como um conjunto de qualidades possuídas e que se encontram adicionadas à pessoa, pelo que elas se encontram em termos de consideração, separadas e que a sua degradação faz-se, considerando o que a pessoa sabe e como aplica os seus conhecimentos, aqui a degradação começa pelo não uso das experiências adquiridas pela própria pessoa que as possui e complementadas pelos outros. 29 2.2 – Causas que estão na base da degradação de talentos Mascaró e Porcar (1971), no seu Dicionário Médico, definem causa como sendo “o que produz um efeito; o que se considera fundamento ou origem de algo; e que pode ser imediata, remota, próxima, primária, secundária e etc.” Assim de acordo como pode ser a causa, o problema também pode aparecer como sendo agudo (justificando a urgência) ou crónico (sendo o de inicio insidioso até a instauração). No dicionário online de português, causa se define como sendo “aquilo que faz com que uma coisa seja, exista ou aconteça” www.dicio.com.br/2009. Ao debruçarmos sobre as causas que estão na base da degradação de talentos, vamos direitamente nos inserir no problema do abandono do sector da saúde para outros sectores da vida social, estamos a nos referir aos motivos que estão na base de uma desagregação social, permitindo a procura de outros caminhos considerados livres de obstruções e de políticas que provocam a retenção de quadros considerados como talentos. “Perder trabalhadores talentosos não significa apenas ter perdas financeiras imediatas, mas sobretudo perdas de conhecimentos, de relacionamento com clientes e mesmo perda de capacidade de atrair outros trabalhadores do conhecimento” (Letícia e Tânia 2006, pág.46). Abordar sobre as causas em que se alicerçam a degradação de talentos, é falar de todos aspectos adversos que envolvem os trabalhadores das empresas, instituições e organizações em si em relação as condições de funcionamento e as debilidades de motivação evidenciadas pelos responsáveis do nível estratégico. Assim para uma compreensão mais exaustiva, considero que as causas da degradação de talentos podem aparecer também de várias maneiras possíveis: - De um lado está o subaproveitamento que se faz as pessoas que funcionam na instituição, do outro modo a mudança para outra instituição fora da organização ou então saída por força maior que pode ser jubilado, abandono e morte em si, deixando estas últimas lugares por ocupar; de acordo com (Letícia e Tânia 2006, pág.87). Quanto ao subaproveitamento (das pessoas ou suas habilidades), advém através de lideres autoritários, criando conflitos no serviço; “é o caso daqueles que têm chefes que maltratam, gritam e humilham, de forma que a vida pessoal do funcionário é afectada” Reinert (2008, pág. 122). Quanto a mudanças e é mais este o foco desta caracterização, especialistas apontam várias facetas em que se atolam as teorias e encontram muitas e variadíssimos motivos que aceleram este fenómeno nas organizações dos nossos dias. Encontrar uma única causa que está na base de mudanças seria ser o mais simples e demais razoável neste aspecto. Citando coach Ricardo Melo, Reinert (2008, pág.232), explica: “Existem alguns sintomas que sinalizam o memento de mudança de emprego: o ser difícil de acordar para se ir ao trabalho; quando não pára de pensar nos problemas de trabalho quando se está em casa; quando não 30 se consegue dormir a pensar no que terá de fazer amanhã no trabalho; e por fim quando se irrita com frequência e o corpo fica somatizando as dificuldades, traduzindo-as em problemas de saúde.” Um dos aspectos que se deve levar a consideração é o absentismo que para além de constituir um dos principais sintomas de degradação é a própria causa em si, que o dicionário integral (2009) na página 12, chama de “o hábito de estar ausente no local de trabalho.” Artur Machado e Miguel Portugal (2014, pág.7), consideram que absentismo “Consiste na ausência do trabalhador no processo de trabalho seja por falta ou atraso devido a qualquer motivo; constituído pela soma de todos os tempos de ausências no trabalho, falta ou atraso, noperíodo em que deveria ali estar presente e permanecer… suas causas estão directamente ligadas a factores pessoais, organizacionais que afectam a motivação e o envolvimento dos trabalhadores na dinâmica e na vida da empresa ” Numa sociedade de grandes desafios e maiores competitividade quanto as condições sociais, sendo estas constituindo um dos maiores motivos que leva as pessoas a procura de emprego entre elas estão associadas variadíssimas causas das quais somente citarei algumas. No emaranhado de muitos motivos ou causas, coloco alguns aspectos, que de uma ou outra maneira e no meu entender achei interessante debruçar: - Salário baixo; numa sociedade como a nossa (Angola), quiçá no Kwanza-Norte, as pessoas procuram emprego por um motivo primário – o salário para sustentar a família, se bem que está em última instância o sentimento de progressão na carreira. Quando este salário não satisfaz as necessidades, tem sido motivo de procurar um novo emprego. - Sentimento de não ser respeitado; já se tornou regra geral num País como o nosso, em que todos, no activo ou no passivo, são militares e que este sentimento de comando adicionado ao temperamento e comportamento pessoal faz de uma instituição pública um comando militar (com respeito aos militares), onde reina mais a liderança autoritária; na verdade quando o funcionário que é pai e ou responsável noutro momento, vê seu direito de respeito a ser violado, tem o sentimento de procurar um emprego onde será respeitado. - Futuro incerto quanto as condições sociais; de uma maneira geral, na administração é regra que todos os líderes queiram ser chamados como carismáticos; Pedro Zayaz e Laura Prieto Técnicas de Dirección y Lidrazgo organizacional, fig. 2.5, pág.82), assinalam que estes líderes, “enfatizam a lealdade pessoal ao líder e este funciona para manter débeis os seus seguidores” e quando se dá conta disso o funcionário tem outros caminhos a seguir. - Perda de respeito com relação ao chefe; isto acontece quando o funcionário sabe que o chefe não tem a experiencia profissional e ou não é talentoso ou não tem ética; assim ninguém o vai respeitar para que não incorra em insubordinação, porque vai recebendo ordens que não vai cumprir, tem sido um dos motivos para procurar outro emprego. - Falta de novos desafios; é um outro problema que faz com que muitos, principalmente jovens procurem outro emprego, quando a instituição cria barreiras de os trabalhadores superarem-se; Melo, citado por Reinert, (2008, pág. 122), explica que “para muitos, desenvolver todos santos dias as mesma actividades é uma penitência.” 31 Um outro motivo, é não gostar o que faz; tornou-se moda no mundo de hoje onde existem pouquíssimas ofertas e muita procura no mercado de trabalho, a ser assim as pessoas acabam aceitando empregos que não gostem do que faz; estes têm poucas chances de permanecerem no emprego; aqui faço referência em Angola e na Província se considera normal e que já tornou moda saindo da politica para a administração pública o chamado nepotismo, “Palavra de origem latina que significa nepos = a neto ou descendência, e é utilizado para designar o favorecimento de parentes por parte de quem detém o poder e autoridade, em detrimento de pessoas mais qualificadas, especialmente no que diz respeito a nomeações ou elevação de categorias.” Artur Machado e Miguel Portugal (2014, pág. 97) Portanto são tantos motivos que se podem com certeza enumerar mas aqui estão poucos dos muitos e que tenho certeza são os mais comuns na sociedade em que nos encontramos inseridos. Um olhar atento e uma análise direcionada, encontra-se neste trabalho, penso eu, mais um outro grande motivo que vai dar a degradação de talentos no sector da saúde que é o estado actual de algumas unidades sanitárias que no meio de muitas apresentei a imagem esclarecedora e que para além da precaridade de que se pode escudar um outro comportamento da descentralização está o subaproveitamento das unidades que já é uma das consequências da degradação de talentos, isto é, unidades em estado bom encontram-se paralisadas. Quanto aos outros motivos relacionados ao abandono, jubilação ou morte tratar-se-á já a seguir no apartado 2.3 desta secção e capítulo. 2.3 – O abandono segundo regras institucionais Para melhor entendermos este apartado, gostaria começar entre muitas partes a redigir, procurar acertar duma maneira geral ou especifica procurar conceituar com apoio da literatura existente, o abandono em algumas facetas e visões de muitos teóricos. A palavra surge variadíssimas vezes na bíblia sagrada e a caracterizar contextos diferentes daquele tempo cujo reflexo ainda reflete nos dias de hoje. Segundo o dicionário online a palavra abandono, significa acção de deixar uma coisa, uma pessoa, uma função, um lugar; pode significar ainda esquecimento, renúncia, desistência, desleixo ou deserção. www.dicio.com.br/abandono/index.jsp A palavra é e continuará a ser usada de uma maneira geral na vida quotidiana, porque faz parte de nós e convive connosco. Não se sabe de certo quem e como começou a ser usada na administração pública, mas de certo se sabe que ela faz parte da Administração porque em si mesma aparece como uma acção praticada por alguém; e que sendo a administração comportada de elementos actuantes e que se caracterizam de constituição temperamental e comportamental, daí que surge o abandono como uma das acções que com certeza é adverso ao que se pretende, logo, estamos a falar de um comportamento humano caracterizado como negativo de um certo ponto de vista, isto é, para quem aprecia mas que é positivo do outro lado para quem a pratica, surgindo como uma posição defensiva deste. 32 Para regular esta adversidade, a administração pública coloca limitações e punições para tal acto. Paul E. spetor (2008, pág. 391), afirma que “configura-se abandono de emprego, quando o trabalhador não retorna ao serviço no prazo de 30 dias após a cessação do benefício providenciário, nem justificar o motivo de não o Fazer.” Em Angola, o abandono está regulado por instrumentos próprios de cada instituição ou organização que chamamos de regulamentos internos e as leis reguladoras aprovadas pelo estado com vista a tomada de posições e a implantação de ordens nas empresas de uma maneira geral. Assim ao estar vinculado numa empresa, o individuo estabelece uma relação jurídica que tenha uma duração mais ou menos grande, visando tutelar a liberdade económica, especialmente a liberdade contratual, onde o legislador deve e tem consagrados mecanismos que permitam a cada uma das partes a faculdade de se exonerar da relação jurídica com ou sem justa causa e a qualquer momento. Dada a diversidade de trabalho pelo qual o homem se preocupa para o seu bem-estar, e tendo em conta o estabelecimento da ordem nas organizações, dois principais instrumentos guiam o trabalho no País, quiçá na província, sendo os que são: o primeiro é a Legislação sobre Administração Pública; este instrumento regula o funcionamento em todas instituições estatais. Constitui um conjunto ou colecção de decretos e leis que se produziram no período de 1991 à 1994, pelo Ministério a Administração Pública, Emprego e Segurança Social (MAPESS) e que têm a difícil e nobre missão de toda função pública se rever neste instrumento único, entre muitos, contem o Decreto 33/91 de 26 de Julho, que trata sobre o regime disciplinar dos funcionários públicos e agentes administrativos. A base de concessão de punições, segundo este Decreto no seu artigo 46º (pág. 117) orienta as organizações para que observem o que está estabelecido; “para efeito de demissão, será levantado auto de abandono de lugar ao funcionário que faltar ao serviço sem justificação, durante 30 dias úteis.” Sendoo emprego uma concepção de vínculo laboral com um cunho totalmente jurídico porque a sua vida laboral e o ambiente é regulado pelos elementos com este fim, o abandono em termos jurídicos considera-se violação deste vinculo pelo que o ponto 1) do artigo 46º (Dec. 33/91, pág.117), que de uma maneira geral orienta uma atitude regulamentar e um procedimento a adoptar na presença do que esta alínea lhe chama de infracção - “levantados os autos seguir-se-ão os termos do processo especial por infracção directamente verificada.” De uma maneira geral, quem abandona tem consciência da Lei pelo que enquanto funcionário de uma determinada instituição tem o direito de conviver com a lei que regula a vida laboral; normalmente as pessoas que tende abandonarem os seus empregos em busca de outro por algumas razões já frisadas acima, no primeiro tempo de uma rotura relacional com a empresa, os funcionários tende a manifestarem sentimento de vergonha com os antigos colegas e medo em relação as empresa de uma maneira geral sob pena de ser ouvido por orientações do ponto 2) do artigo 46º (Dec. 33/91, pág.117) “no abandono de lugar o infractor só será ouvido se for conhecido o seu paradeiro.” O segundo é a Lei Geral do Trabalho, não gostaria entrar muito em detalhes sobre este instrumento visto não ser objecto de tratamento deste trabalho, apenas vou direccionar a 33 locução em relação o abandono, porque tem a missão de regular o funcionamento das empresas públicas privadas e muitas com parceria estatal e o sector da saúde não faz parte das empresas públicas privadas. Pois que a par da já referida Legislação, esta lei define o abandono a luz do que acontece no dia-a-dia; Macklion W. Chimuco (2011) citando Leitão, considera o abandono como a “denúncia tácita do Contrato de trabalho, consiste na ausência do trabalhador do serviço, acompanhada de factos que, com toda a probabilidade, revelem a intenção de não o retomar” (Leitão, 2010, p. 511) – Art.º 254.º n.º 1 LGT. O emprego nestas empresas é vinculado através do estabelecimento de contratos de trabalho que podem ser definitivos ou tempo indeterminado, esta é característica comum das empresas estatais ou tempo determinado, mais comum nas empresas públicas privadas e com pouco uso naquelas. Ainda nesta secção um abandono legal sem penalizações e pelo contrário com benefícios que asseguram o funcionário vitaliciamente é a jubilação, mais conhecida por aposentação. Segundo a classificação da palavra vê-se que aposentação é um substantivo feminino, que origina-se do verbo transitivo aposentar, que significa dispensar oficialmente um empregado do serviço merecendo este, uma determinada pensão vitalícia. Sendo este verbo advindo de um substantivo masculino “aposento” que na literatura actual significa casa, surge aqui uma motivação de uma linguagem muito mais clara quanto a aposentação; estando assim a clarificar que o empregado que cumpriu o seu tempo de serviço pode ficar em sua casa de uma maneira autorizada e legalmente pelo que recebendo a sua remuneração estabelecida segundo a lei; daqui, o funcionário pode clamar como Paulo disse: “combati o bom combate e acabei a carreira…”(II Timóteo 4:7) Na Lei Angolana a aposentação é um dos direitos do funcionário ou empregado que se encontra pautado no ponto 11) do artigo 5º Cap. II da Legislação Sobre Administração Pública. Uma outra situação que considero um dos motivos que provoca transtornos no serviço é a morte de um funcionário; este deixa um vazio inesperado tanto no seio de colegas independentemente da sua função que vinha exercendo, assim como no seio de sua família, pelo que tem sido em muitas organizações motivo de muita conturbação até que se cubra a sua vaga. Tanto um, quanto o outro instrumento, nenhum deles prevê um mecanismo de retenção dos profissionais em termo de gerenciamento psicológico; estando apenas limitados quanto a regulamentações direccionadas aos deveres e direitos dos trabalhadores, estando os directivos apenas na exigência aos trabalhadores no cumprimento dos deveres e pouco ou nada se referindo aos direitos destes; e como resultado tem dado vários cadernos reivindicativos que espoletam em greves, paralisando sectores de desenvolvimento, senão mesmo terminando em abandonos de postos de trabalhos por violações de contratos psicológicos, definido por Letícia e Tânia (2006, pág. 127), quando citaram Kidder e Buchholtz (2002), sendo “o conjunto de expectativas recíprocas relativas à obrigações mútuas entre empregadores e empregados.” A falta desta empatia recíproca e não cumprimento e satisfação das expectativas das duas partes no cumprimento dos deveres e direitos tem dado em roturas que duma maneira geral não se reverte aos envolventes (empregador e empregado), assim como ao serviço e aos cidadãos que necessitam destes serviços com qualidade necessária. 34 2.4 – Impacto para o Sector da Saúde na Província É muito bem claro que os recursos humanos não são propriedade das organizações, porque são dotados de livre arbítrio; muitas vezes as decisões tomadas para cada dia, por cada trabalhador, se de um lado reflecte a procura da melhoria em termos sociais, são a maioria que fica prejudicada na falta deste trabalho no cumprimento da sua missão, estando diante do legado de Pareto óptimo, citado por Neves, João (2004 pág. 161), quando frisava a cerca da eficiência do mercado. Quando falamos do abandono de postos de trabalho no sector da saúde, analisamos também o vazio que se faz sentir ao retirar-se definitivamente sem garantias de regresso e em certa medida como esta ausência avisada ou de surpresa reflecte para o serviço. O sector da saúde que é o mais vulnerável pelo facto de que os seus recursos são sempre escassos, principalmente os humanos que por sua essência são os que transformam os planos em acções efectivas mediante a conexão com outros recursos considerados de importância capital. É tanta a preocupação do serviço quando estamos diante do vazio que se deixa, que para além da preocupação de ter que procurar a cobertura a todo custo, fica uma outra em ter que formar outro individuo, até que se adapte ao serviço, por outro muitas vezes os recursos que a sociedade perdeu na formação em formar este que abandona, muitas vezes não só o serviço mas também a própria província, seja por falta de políticas de retenção e atracção dos recursos humanos. Hoje, melhor que ontem e apesar em contextos diferentes, o sector da saúde, apesar de muitos avanços tecnológicos que se verificam no país e a requalificação dos serviços de saúde, ainda se torna importante evitar muitos problemas causados pelo abandono e criar políticas que visam beneficiar o próprio sector. Um outro problema causado pelo abandono de técnicos no sector da saúde, analisa-se em termos do tipo de profissionais que continuamente estão deixando o sector da saúde e que na sua maioria são técnicos de enfermagem (médios), provocando uma sobrecarga em termos de horas de serviços aos que continuam a trabalhar. A carga horária em Angola para os enfermeiros, está orientada através do decreto nº 254/2010 de 17 de Novembro, que estima o tempo normal de serviço em 35 horas semanais, mas quanto se está em situações de que estamos a tratar, o enfermeiro vai muito além deste tempo semanal de 40 à 45horas semanais. Esta sobrecarga, cansa o funcionário que muitas vezes mal ganha em termos de remuneração; foi nesta base em que Romeu e Rogerio (2012, pág. 50), ao falar da jornada de trabalho citam que “não se pode comparar salários de uma empresa cuja carga horária é de 220 horas com outra de 200 horas.” Para a província em particular, hoje nota-se uma falta acentuada de técnicos em quase todos os municípios, estando a trabalhar um técnico para três postos de saúde, como no município de Cambambeem 2013 e 2014 por exemplo e o encerramento de muitas unidades sem que haja quem preste o precioso serviço de bem servir e como evidencia abaixo temos uma unidade nas condições descritas; reabilit sem nenhum saneamento. Posto de saúde Para uma melhor compreen no sector da saúde, já que m GRÁF. 01 2.5 – Salvamento em temp Constitui uma das partes e momento crucial quando tu para quem tem a solução entender. 0 médicos sup. De diag. téc.de diagn aux. Diag .ter enf. Super. téc. Enf. Esp. técn. De enf. Aux. De enf. administ. apoio hosp ilitada, encerrada e em suma subaproveitada, es Fig. 05 de de Capunga no município de Cambambe, encerrado por falta d ensão abaixo estão alguns dados sobre recursos mais abaixo falar-se-á detalhadamente sobre e F. 01 – RH – DO SECTOR DA SAÚDE NA PROVINCIA DO K. NORT Fonte: levantamento de rh da saúde / 2014 po real e oportuno em que as considerações sobre falhas human tudo está-se a esmoronar e a sociedade imp o e o esforço empreendido de uma maneira 21 14 8 10 11 436 392 383 348 0 4 2 36 19 48 23 63 14 5 17 0 100 200 300 400 500 ES NA NA 35 estando no meio do mato a de técnicos sos humanos na Província e eles. ORTE anas fazem-se sentir num pávida e serena olhando ra vã, se assim poder se 500 ESTRANG. NAC. CONTR. NAC. EFECT. 36 Inicialmente são tantas as soluções a serem apontadas, pois, é bem-vindo o velho ditado popular “quando em casa falta o pão, todos ralham e todos têm razão.” Nem sempre numa sociedade com carácter de uma minoria dominante e que têm o poder sobre todos e tudo, as opiniões são de imediato aceites pela maioria, usando enigmaticamente o pretexto da democracia que quase ou nada se exerce, de que a maioria é que vence. Factos são evidentes de que há problemas e sempre existirão no sector da saúde, guiando-se pelo facto de que “os recursos em saúde são sempre escassos;” esta escassez, assim como tudo na vida tem uma origem que é apontada como a génesis do problema, para tal aponto como a deficiente maturidade dos responsáveis de recursos humanos no sector da saúde em termos de políticas e estratégias que visam a advocacia estruturante, não só na província em particular mas assim como no País de uma maneira geral. Olhando para os critérios de admissão do pessoal no sector da saúde, olhando para a quantidade de técnicos e o número de concursos que se realizam no país, e o actual número de técnicos constantes no sector da saúde, continua-se a clamar por défice de trabalhadores. Acima de tudo está a escassez que duma maneira geral nunca tem solução e sem saber como solucionar esta situação que tira o sono de muitos políticos. Por mais insignificante que seja a opinião de quem não faz parte das principais decisões de liderança e é uma cultura ainda fora do nosso contexto, deve-se ouvir o trabalhador de base e que ele tem de sentir-se comparticipante das decisões da organização, se quisermos construir uma sociedade sã e organizações bem estruturadas do ponto de vista administrativo para que a técnica avance livre de imposições políticas mas sim em paralelo. Realça-se também aqui o facto de se dar pouco interesse na aplicação de muitos elementos jurídicos criados para o efeito de regular e colmatar muitas questões de défice do pessoal que Januário de Almeida, Carlos (2012, pág. 17) chamou de “contratos administrativos;” este autor afirma que contrato “é todo acordo de vontades, firmado livremente pelas partes, para criar obrigações e direitos recíprocos.” Em regra todo contrato é um negócio jurídico bilateral e comutativo, ou seja, é realizado entre pessoas que se obrigam a prestações mútuas e equivalentes em encargos e vantagens, como pacto consensual, pressupõe liberalidade e capacidade jurídica das partes para obrigarem-se voluntariamente; estamos assim em presença de um “contrato psicológico de trabalho” que é o vínculo formado com base em um conjunto de expectativas, que se estabelecem entre o empregado e a empresa. As expectativas objectivas e subjectivas do contrato de trabalho nascem a partir do momento em que se iniciam negociações entre um candidato e o representante da empresa interessada em contratar uma pessoa. Desde que haja vontade de se fazer trabalhar as pessoas formadas e constantes, em diminuir de que maneira o défice de trabalhadores no sector da saúde, é urgente que se tracem políticas que visam a prossecução dos contratos administrativos desde que haja disponibilidade financeira para o efeito. Em muitos casos, em Angola, quiçá no Kwanza-Norte, algumas empresas notando a falta de transparência dos concursos público que várias vezes já se realizaram e nunca cobrem as necessidades do serviço, estão optando a aplicação de contratos administrativos como orienta a Lei nº 20/10, de 7 de Setembro. 37 Para Ana Prata (2006, pág. 384), no seu dicionário jurídico define contrato de trabalho como sendo “aquele pelo qual uma pessoa se obriga, mediante retribuição, prestar a sua actividade intelectual ou manual a outra pessoa, sob autoridade e direcção desta”. Esta mesma autora faz ainda uma diferenciação entre contrato de trabalho e contrato de prestação de serviço “por ser este necessariamente remunerado e por a actividade devida se desenvolver sob a autoridade e direcção da parte que dela é credora”. Em abono de verdade os contratos administrativos podem colmatar a insuficiência de técnicos e outro pessoal qualificado nas zonas em que isso é necessário, se bem que tem um inconveniente de ter um tempo determinado, é que se chama de contrato a tempo determinado, que geralmente estes são renováveis a cada ano que passa, dependendo maioritariamente pela disponibilidade de recursos financeiros. Para muitos casos, e em sete dos dez municípios que compõem a província, encontrei nesta pesquisa cerca de quarenta porcento (40%), em termos de média dos funcionários técnicos dos municípios se encontram vinculados por contratos administrativos a tempo determinado e que cerca de trinta porcento (30%) desta franja, estavam a cerca de dois meses sem salários, por motivos que mal sabiam explicar. Ainda existe como que uma falta de coerência e determinação em termos de tratamento do homem no local de serviço, quando o objectivo que lhe levou a procurar o serviço nada ou mal se encontra resolvido. 2.6 – O papel do Estado no nível local No dicionário de Ciências Politicas, Guy, Bertrand e outros (2013, págs. 104 e 105), fazem uma reflexão sobre o estado, de uma maneira geral dando subsídios indispensáveis para a compreensão dos seus mais conhecidos conceitos sobre o que é, e as origens do Estado em termos políticos; na verdade nesta secção não se pode falar do Estado sem que se analise ainda que razoavelmente a questão, mas olhar para os assuntos pertinentes que vão desde o seu conceito e finalmente olhar para o verdadeiro papel de que enceta caminhos para o desenvolvimento do seu papel como Estado, numa sociedade de conturbada organização administrativa onde quase que somente funcionam tudo por emergência. Estas situações associadas a globalização, esta que tem sido escudo e subjectivismo de muitas das incapacidades dos serviços que não mais têm capacidade para outros argumentos cientificamente comprovados. Falar do Papel do estado, ainda mais quando se trata do nível local, num País onde o processo de descentralização, apesar dos esforços que se vem dando para o seu alcance cabal, ainda tem sido e é um grande problema, recorrendo-nos a ajudas externas. Coloca-se aqui perguntas pertinentes e que se precisa de investigações um pouco mais profundas: Numa sociedade como a nossa onde os problemas de abandono de trabalho sãoevidentes, os concursos públicos pelo menos a cada dois anos realizam-se, mas ainda sim há sempre escassez de recursos, de quem é a responsabilidade para resolver estas questões? Para compreendermos estes e outros problemas de que estamos vindo a falar, trato de conceituar o Estado a Luz de alguns teóricos. 38 Segundo o dicionário integral da língua portuguesa, Texto editores, Lda (2009, pág. 714), define o Estado como um “Governo,” ou ainda melhor, como um “conjunto de poderes políticos de uma nação.” No dicionário de Ciências Politicas, Guy, Bertrand e outros (2013, págs. 104), citando Max Weber, considera o Estado como “um empreendimento político de carácter institucional cuja direcção administrativa reivindica com sucesso no quadro da aplicação das normas, o monopólio da coação física.” A noção acima referenciada implica as formas mais gerais de Estado consubstanciadas tanto no domínio total de um território, como no estabelecimento de uma burocracia diferenciada de forças sociais; assim a compreensão da forma de actuação dos estados para pelo predomínio de três conceitos importantes de dominação, que na sua comutação chamou-lhe Raymond Aron (2010, pág. 505), de “dominação racional, dominação tradicional e dominação carismática” e que na sequência os definiu todos de “conceitos atómicos.” A este elemento que se chama Estado ou Governo, a sua existência pressupõe a organização da sociedade de uma maneira geral, impondo regras de convivência e controlo na execução das suas mais destacáveis tarefas que justificam a sua existência. Falar do papel de Estado, implica também conhecer de antemão e muito antes de ser associado este conceito saber de que se trata quando se fala de papel no actual contexto e que sua vinculação nos leva a muitas diferenciações em que a palavra pode ser entendida. Segundo o dicionário integral da língua portuguesa, Texto editores, Lda (2009, pág. 1231), “ papel é uma função que se desempenha na sociedade, na vida pública ou privada. ” quer o homem viva em sociedade ou sozinho, como característica típica dos vivos, deve fazer alguma coisa quer voluntaria ou involuntariamente, demonstrando que seja por ordens de alguém ou mesmo por auto comando exerce-se tarefas que justifiquem a sobrevivência. No dicionário de Ciências Politicas, Guy, Bertrand e outros (2013, págs. 210), rematam uma concordância lógica na definição de papéis quando frisam que estes “têm a ver com a divisão social de trabalho… e que se distinguiam os papéis inatos dos adquiridos.” No actual contexto e apegando-se na locução anterior, considero a segunda distinção de papéis, sendo estas as adquiridas pelos actores sociais ao longo da sua própria vida social, profissional, politica e etc. Cumprir um papel significa muitas vezes aceitar uma dimensão social na medida em que cada actor cumpre com a sua tarefa que lhe é consignada. Neste sentido conceituar “o papel do Estado” numa sociedade que apresenta um índice considerado de desordem administrativa, não tem sido para muitos, tarefa facílima dada as várias correntes que mesmo estando muitos cidadãos a padecerem, preferem viver e trabalhar na mediocridade protegendo seu status e posição (maquiavelismo), do que trabalhar para mudar o quadro da situação. Como vimos no ponto anterior deste trabalho que realizam-se vários concursos no País e nas províncias, mas ainda sim o sector da saúde clama por mais funcionários para a satisfação das necessidades funcionais das unidades sanitárias (aprofundado na secção seguinte), a debilidade do estabelecimento de políticas que visam o enquadramento e a retenção dos quadros; perante este cenário, qual é o papel do Estado no nível local? 39 Para compreender o papel do estado no nível local, convêm ater-nos nos termos descentralização e desconcentração, como instrumentos importantes que nos possam conduzir e aproximar das ideias formuladas apesar de que ainda muitos teóricos consideram conceitos não consensuais. Para Miguel de Oliveira (2010, pág. 54), citando Zilda (1996), “o termo descentralização tem sido usado com diferentes significados, sendo preocupação de alguns autores tentar precisar o conceito. Neste sentido, a descentralização tem sido relacionada, com certa divergência, a outros conceitos como desconcentração, delegação, privatização, estadualização e municipalização (ZILDA, 1996).” Segundo ainda o mesmo autor na mesma página nos mostra uma clara diferença em que são usados os termos, definindo ele mesmo o que de concreto se chama de desconcentração; que de acordo com Miguel de Oliveira (2010, pág. 54), “o termo traz em si mesmo a ideia de deslocamento do centro: transferir competências para autoridades subordinadas, dentro da mesma esfera de Governo; ou retirar do centro as tarefas de execução, sem que seja transferida a correspondente autonomia para outras esferas de governo”. É neste sentido de transferência de poder em que se deve considerar a efectividade da descentralização, comandada não apenas pela sua extensão das competências jurídicas atribuídas às autoridades locais mas também pela sua capacidade para dispor de recursos próprios, estes que podem ser humanos, materiais e financeiros para melhor desenvolver as actividades diante das comunidades. Só assim que os técnicos com a sua sabedoria estarão em melhores condições para o desempenho das suas consignadas tarefas no campo da aplicação da ciência. Mas também põe-se o caso em que muitas sociedades com jovens democracias (muitas delas advindas de regimes socialistas), ainda não funcionam bem com a máquina da descentralização, criando graves constrangimentos no processo da administração, obstaculizando muitos aspectos que do ponto de vista técnico, seriam resolvidos atempadamente. Vê-se que neste campo, o problema não se encontra na elaboração de estratégias para a descentralização mas sim na boa vontade da sua aplicação para a resolução de muitos problemas que as sociedades, isto é, a administração sanitária ainda enfrenta na gestão das suas instituições e organizações. Duma ou de outra maneira, ainda não se está claro na administração sanitária, isto é, ficam ainda algumas lacunas consideradas motivo de uma investigação profunda, o papel do estado no nível local, quanto a deficiência de técnicas administrativas a nível das unidades sanitárias a todos os níveis de atendimento constantes na província. Miguel de Oliveira (2010, pág. 32), afirma que: “Segundo o estudo, em Angola não existe uma tradição de participação dos órgãos locais ou de base nos processos de decisão. A participação dos órgãos locais nos processos de tomada de decisão dos governos provinciais ou da administração central é quase nula. Não há uma cultura de participação dos actores sociais nem de negociação” Esta falta de cultura a que chamo de cultura organizacional tem vindo a colocar em causa os problemas relacionados com stress nos funcionários estando tudo isso a convergir nos resultados da administração sanitária na Província que terminam com a fuga de funcionários, muitos deles talentosos, dando lugar muitas vezes ao desemprego que ficticiamente se pretende combater. Hoje o estado (no nível da província), especificamente no sector da saúde é representado pela direcção provincial da saúde do Kwanza-Norte, servindo de elo de ligação entre a estrutura 40 governamental (governo Provincial) e as repartições municipais de saúde, estas com dupla dependência – local e administrativamente dependentes das administrações municipais e metodologicamente dependentes da direcção provincial da saúde e esta do GPKN. Para satisfazer e concordar com Miguel de Oliveira do extracto acima citado, a DPS (entenda- se Direcção Provincial da saúde), com a dependênciado governo local em quase tudo, debate- se com problemas de falta de recursos materiais para fazer funcionar o sector da saúde na província; como resultado nota-se a presença de vários constrangimentos citados por Miguel de Oliveira (2010, pág. 32), quando para fraseava Fonseca (2005) e que são: “Produtividade administrativa reduzida - O melhor indicador da produtividade administrativa é dado pelo valor do salário médio, mas a capitação das despesas com material e das despesas de capital complementam a produtividade administrativa. Relativamente a estes últimos deve ser referido que os respectivos valores provinciais são extraordinariamente baixos, limitando, portanto, as condições para o exercício de uma governança local eficaz.” Assim nota-se uma fraca prestação de serviços do pessoal tanto técnico (a nível da saúde pública, inspecção e outros) assim como pessoal administrativo, que vêem seus planos não realizados por falta de meios para tal, cujo resultado final é o absentismo no trabalho; ignorância ou não e associada a arrogância dos directivos, a procura de soluções para tal facto escuda-se nas novas tecnologias com a aplicação de bioponto (assinatura electrónica), que segundo teoria de quem usa, isto reduziria o absentismo no trabalho. “Deficiente capacidade institucional – Existência ainda de dificuldades de natureza metodológica para elaboração de programas provinciais de desenvolvimento” Miguel de Oliveira (2010, pág. 32). Por todas as vertentes os departamentos ficam todos sem realizar os seus planos de actividades, acabando por ficar somente no gabinete a tratar de assuntos de rotinas que eventualmente possam surgir. Isso se reflete na própria organização institucional, se termos de olha pelo anexo 1, encontramos dois tipos de organigramas, o primeiro que é o actual, mas também ainda muito deficiente em termos de estruturação, se olharmos com atenção o departamento administrativo está com deficit de secções para responder a demanda administrativa; não apresenta uma representação das repartições municipais, isto é, estão sem dependência em termos de coordenação na Direcção Provincial da Saúde. “Déficit de informação para a decisão - É um estrangulamento relevante, considerando que, não é possível a elaboração de programas provinciais de desenvolvimento sem informação estatística de base e complementar” Miguel de Oliveira (2010, pág. 32). Fruto da relevância deste estrangulamento, hoje a nível do sistema nacional de saúde na provincia, nota-se assimetria de dados e de informações a começar pelo nível municipal (RMS) que se dispõe de um tipo de dados o nível provincial (DPS), que comporta na secção de estatísticas dados diferentes dos do municipal e o nível central com dados da província diferentes das da secção de estatística. “Baixa sustentabilidade dos projectos e acções dos governos provinciais - Apesar de muitas províncias concentrarem a sua actuação em projectos de natureza social que necessitam de garantir o seu funcionamento normal ao longo dos anos, verifica-se frequentemente a falta de recurso para suportar os custos recorrentes, necessários para que, uma vez realizada a obra, se garanta o seu funcionamento normal” Miguel de Oliveira (2010, pág. 32). O que mais preocupa tantos os governos provinciais assim como as direcções adjacentes, não são os resultados alcançados nas organizações e nas instituições com vista ao atendimento do cidadão com humanismo, mas sim o querer agradar o superior hierárquico e assegurar que com estes resultados não serei exonerado; e isto acontece em todos os níveis da administração do Estado ou sanitária em particular. “Recursos humanos Insuficientes - Existe uma grave carência de pessoal para a provisão de serviços essenciais ao desenvolvimento económico ou produtivo, quais sejam a agricultura, o 41 comércio, a energia e água, comércio, transportes e habitação sendo mais acentuada nos níveis municipais e comunais” Miguel de Oliveira (2010, pág. 33). Hoje melhor que ontem, ainda debate-se com esta situação e a maior relevância é no sector da saúde mormente nas unidades sanitárias seja de maior ou menor dimensão. De recordar que a nível da província só se atende doentes até ao segundo nível de atendimento que é o hospital provincial, este o maior na província com a capacidade de 120 camas, cuja reabilitação está a acontecer em 2014 com previsão teórica de 300 camas e com mais especialidades e que infelizmente nada se faz para o aumento dos recursos humanos. “Recursos financeiros limitados - Os programas provinciais e os respectivos relatórios de execução, bem como os governadores provinciais referem, duma forma contundente, que os recursos financeiros disponibilizados apenas têm coberto as despesas com salários e com os investimentos públicos de iniciativa local” Miguel de Oliveira (2010, pág. 33). Hoje, esta questão esta ultrapassada, pois os recursos financeiros são disponibilizados mas o problema esta na sua aplicabilidade e execução; não obstante vê-se tantos orçamentos em papel e definidos para a aplicação e alocação mas até um determinado período, ouve-se falar de o “dinheiro acabou,” mas não se vê o que se fez na prática; as pessoas continuam nas mesmas condições e a sociedade pouco ou nada a mudar! Este é o exemplo da província do Kwanza- Norte. Em geral o papel do Estado consubstancia-se primeiramente em ganhar a confiança das instituições sob sua tutela para além de que deve dos seus colaboradores directos exigir muito mais tendo em conta a humanização dos serviços, que consiste em tratar o homem ou melhor a pessoa como tal sem olhar para os seus valores adicionais e criar a empatia; não basta isso para que tudo funcione da melhor maneira mas adicionalmente há que ter em conta o princípio da transparência, que a muito se fala no país inteiro mas que ainda é para uma determinada camada, por sinal a minoria fazer cumprir e não cumprir este princípio; em Angola e na Província do Kwanza-Norte pouco ou nada se fala e nem sequer se faz. Cabe ao Estado com o poder que o próprio povo lhe concedeu, criar políticas não para um determinado grupo mas que sirva para toda sociedade com base em cumprimento de Leis e regulamentos que autonomizam e punem. Também cabe ao Estado criar as melhores condições de trabalho e é responsabilidade do técnico cuidar da parte que lhe diz respeito com base as condições postas ao seu alcance. Tem papel ainda mais evidente no reforço ao controlo das variáveis que se encontram conturbadas e que impedem o bom funcionamento das instituições, primeiro pela sua maior capacidade de o fazer e segundo pela atenção que estes aspectos devem merecer principalmente quando se trata do sector da saúde, evitando assim desastres que eventualmente possam surgir na ausência do pessoal qualificado nas unidades sanitárias de todos os níveis de atenção e de atendimento. Acima de tudo o Estado deveria ter um papel regulador na resolução dos problemas que afectam a sociedade e dierctamente o cidadão, cujo direito lhe tem sido tirado. 42 Capítulo 3. Recursos humanos no sector da saúde 1.1 – Caracterização e relevância dos RH na província Durante muito tempo os recursos humanos foram equiparados aos outros recursos da organização. Segundo Artur Machado e Miguel Portugal (2014, pág. 124), a expressão “recursos humanos” é relativamente recente, mas entrou definitivamente no discurso das organizações e do trabalho. Estes autores definem recursos humanos o conjunto dos empregados ou colaboradores de uma organização ou empresa. Mas recentemente se vem dando um conceito diferente aos recursos humanos considerando-os não só fundamentalmente diferente dos demais componentes das organizações mas também o seu mais importante constituinte. Ainda de acordo com Artur Machado e MiguelPortugal (2014, pág. 124), a organização passou então a preocupar-se com o homem não apenas enquanto trabalhador mas comparticipante da organização social e por conseguinte como um cidadão. Classificar as pessoas como um “recurso” sublinha o facto de serem tão ou mais importantes como outros recursos. Manuela Frederico e Maria Leitão (2002, pág. 128), dizem que os recursos humanos são os mais complexos da organização pelo que requerem particular atenção dos gestores e a sua gestão exige níveis elevados de cuidados, atenção e especialização. Os recursos humanos são por natureza diferentes dos demais. Ainda estas autoras, enfatizam que não se pode comparar recursos humanos aos demais recursos não só porque são de natureza adversa mas também porque os empregados não são propriedade da organização. Ao contrário, esta tem para com os funcionários, responsabilidades sociais universalmente consagradas. Hoje em dia, nenhuma organização pode ter um plano de trabalho, por mais racional e tecnologicamente que seja, possa ser executado com eficiência sem ter em conta os recursos humanos, estes que transformam os planos de actividades em acção efectiva. Manuela Frederico e Maria Leitão (2002, pág. 105), definem recurso humano como sendo “as pessoas que integram, permanecem e participam na vida da empresa, qualquer que seja o seu nível hierárquico ou tarefa.” Fala-se na exactidão da participação directa das pessoas na vida da empresa, isso implica um envolvimento total da pessoa tendo em conta as responsabilidades que lhe pesam sobre a produtividade desta organização que tem como foco e objectivo a satisfação das necessidades não só de quem está a produzir mas também e principalmente daqueles que nos procuram, para consumo do produto final da nossa dedicação. Acima de tudo a participação da pessoa seja quem for na vida da empresa também implica um compromisso não só com o empregador mas também com a sociedade que espera de ti empatia, com os membros da equipa de um lado e da sociedade em geral, do outro lado. Falar de recursos humanos num momento como o actual onde os pensamentos evoluíram cada vez mais, implica entrar em contradição permanente dado que cada individuo se considera importante (e deve ser assim), senão mesmo tendo em conta o adágio popular que diz de que cada cérebro é um mundo a parte. Outra definição que posso aplicar aos recursos humanos é: são pessoas envolvidas numa determinada empresa, regendo-se através de técnicas próprias para a sua organização. 43 Pode parecer mais simples, mas somente os homens que compartilham o mesmo ambiente (de trabalho), organizados, seguindo um padrão e com objectivos fixados para serem alcançados são considerados recursos humanos. Constituem o único recurso vivo e dinâmico da empresa e que segundo Manuela Frederico e Maria Leitão (2002, pág. 107), “ são as pessoas que trazem consigo habilidades, conhecimentos, atitudes, comportamentos, percepções, experiencias e motivações” pelo que dotados destes atributos cabe ao próprio homem respeitar e criar condições de trabalho e acomodação. Estas pessoas (recursos) e as suas acções, encontram-se desconcentradas e estão distribuídos em níveis de actuação que as autoras consideram (na mesma página), como o “nível institucional (direcção), o nível intermédio (gestão e acessoria) e o nível operacional (técnicos e operários).” Há que referir aqui que acima de tudo deve-se considerar o homem como humano e que é portador de necessidades básicas humanas que segundo a “teoria psicossociológica” enfatizada por “Abrahan H. Maslow,” e que segundo este cientista “constitui um aporte importante no campo da motivação humana,” Armando Costa, José Gonzalez e Lucía Castillo (FUNIBER 1.7.1b, págs. 51, 52). Quanto a caracterização dos recursos humanos no sector da saúde, dizia Miguel de Oliveira (2010, pág. 144), citando (ANGOLA, 2005d), “a alocação, desenvolvimento e distribuição dos Recursos Humanos para a Saúde apresentam sérias deficiências ao nível de todo o país sendo o problema muito mais complicado no interior e particularmente nas zonas remotas.” Corroborando com a afirmação acima, na Província do kwanza-norte, estes adjectivos são bem confirmados quando ainda o sector da saúde sob égide da Direcção Provincial da Saúde, debate com variadíssimos problemas que caracterizam a deficiência, que de minha opinião considero muito grave, quando encontramos nesta parcela do território propriamente no município de Cambambe um técnico a trabalhar em três unidades sanitárias, sem garantias de condições sociais em função do trabalho que exerce. Esta deficiência de técnicos, já vem caminhando desde a independência o que me faz pensar que o colonizador não esteve a fins nem interessado na formação de quadros que eventualmente viriam a servir a população localmente. Tendo em conta esta deficiente cláusula deixada pelo colono em 1975, fez com que o “Ministério da Saúde recorre-se a força de trabalho estrangeira para superar as carências de técnicos especializados em determinados serviços de saúde bem como para fazer chegar, em certos pontos distantes do País, uma saúde de qualidade às populações” (ANGOLA, 1999b), citado por Miguel de Oliveira (2010, pág. 144). Com a reforma administrativa em curso e com o processo de descentralização, a admissão do pessoal de saúde, segundo documentação do XX Conselho Consultivo do MINSA de 2009, deixou de ser unicamente através de contratos e acordos bilaterais, passando a existir os seguintes mecanismos de recrutamento: 1) Concurso público anual (para preenchimento de vagas e reposição); 2) Contrato de provimento (em caso de disponibilidade financeira na instituição e necessidade imperiosa do referido quadro, sendo necessária autorização das instâncias superiores); 3) Contrato de trabalhador estrangeiro não residente e 4) Contrato bilateral entre Angola e outros países (acordos bilaterais). Os concursos públicos anuais para recrutamento de pessoal para os serviços provinciais e municipais foram conduzidos fundamentalmente durante muito tempo pelo governo central e somente no corrente ano (2014), realizou-se o primeiro concurso de ingresso e acesso na Província, sob condução do mesmo assim, penso que o técnico, porque quem está responsáveis provinciais d suplentes do referido concu Os dados disponíveis indic da Província são não-reside Russa, entre outras. Para atender a demanda do de 2009 à 2014, recorrido mão estrangeira como se v são de nacionalidade Cuba especialidades; em termos g Gráf. 2 - MÉD F Estes dados perfazem uma que 8 médicos nacionais do (directores gerais dos ho administrativo; destes (8) municipais de saúde (em Província em cursos de pó patrocínio das direções dos encontra em tratamento méd Em termos de média teríam trabalho dos hospitais ge distribuição fosse equitativa Estatisticamente falando ter um desvio padrão em relaç 50% em relação a média (m Conclui-se neste caso qu concordando com o óptimo a outra. Segundo Manuela Frederic corresponde a uma modal percurso profissional de ca de formação estão directam habilidades necessárias aos 0 20 40 60 80 do GPKN, para os sectores da Saúde, Educaçã o sector da saúde continuará por mais tempo a tá a conduzir o concurso pouco ou nada ente de recursos humanos destes sectores fora curso. icam que maioritariamente os médicos estrang identes (expatriados) de nacionalidade Cubana, dos serviços de saúde, Kwanza-Norte tem seg o significativamente em termos de médicos e vê no gráfico abaixo, onde em maior número bana nos quais 40 deles são médicos e 37 s globais trabalham na Província 100 estrangeir ÉDICOS EXISTENTES NA PROVINCIA POR NACION Fonte: departamento administrativo da DPSKN/2014 a razão de 0,29 médicos nacionais para cada 1 dos 21, exercem cargos de direcção e chefian hospitais municipais), onde mais de 80% 8) ainda 2 são directores dos hospitais e acumulação, Cambambe e Ambaca) e 4 pós-graduação ou especialização (a mais de 3 os hospitais municipais, sem certeza de que re édico a mais de dois anos. íamos 1,1 médico por unidade sanitária o que gerais do segundo nível que mais funcion iva. teríamos uma média de 24,2 por nacionalidade lação a média de 12,3 por nacionalidade, esta (muita dispersão). que se há escassez então também entra em o de Pareto que diz não se pode beneficiar um rico e Maria Leitão (2002, pág. 135), expli alidade particular do processo de socializaçã cada individuo,” estas autoras ainda continuam tamente relacionadas com o aumento constan os novos requisitos de serviços.” 77 5 4 14 21 Médicos na Prov. Cubanos Coreanos Russos Vietnamit Angolanos 44 ação, Governo Provincial; a clamar de pessoal tende do sector, pois, os ram tidos como vogais angeiros alocados na rede a, Vietnamita, Coreana e egundo dados estatísticos e outras especialidades à ro temos 77 funcionários 7 correspondem a outras eiros. ONALIDADE 10.000 habitantes, sendo nas respectivas unidades 0% do seu trabalho é e chefes de repartições se encontram fora da 3 anos), inclusive com o regressem, enquanto 1 se ue colocaria em causa o ionários absorvem se a de ao passo que teríamos tando numa dispersão de em causa a distribuição uma parte sem prejudicar plicam que “a formação ção que coincide com o am que “ as necessidades ante de conhecimentos e os nos mitas anos 45 3.1-a) Formação local Quanto a formação inicial para o pessoal técnico a nível local, existe uma Escola de Formação de Técnicos de Saúde (EFTS), na Província e que tem como objectivo formar técnicos nos níveis básico, médio e formação de promoção, esta última, garantia de formação permanente do pessoal técnico, existente logo após independência do País, mas o seu papel tem sido quase nulo porque muitos técnicos formados de ambos os níveis encontram-se no desemprego. Ao que tange a formação superior, apesar da descentralização das acções de que Miguel de Oliveira fala no seu trabalho de doutoramento (O processo de descentralização do serviço nacional de saúde em Angola,2006), ainda existem graves lacunas neste capítulo tendo em conta que ainda pairam alguns processos de desinteresse quanto a formação do homem. Se entrarmos em termos de análise encontraremos assimetrias porque já existia uma escola técnica de saúde pública desde os anos de 1970 e que em 2000 implantou-se, o Instituto Médio de Saúde (IMS), que em 2010 passou a Escola de Formação de Técnicos de Saúde (EFTS); passados 14 anos desde a implantação da escola média na Província nem existe um projecto a curto ou médio prazo para a implantação de uma Escola Superior em ciências de saúde, sendo implantada nos últimos 2 anos uma escola superior politécnica que a única área de saúde é a formação de técnicos de laboratórios, que para não caírem na obsolescência, os enfermeiros são forçados psicologicamente a ingressarem. Armando Costa, José Gonzalez e Lucía Castillo (FUNIBER 1.8, pág.54), afirmam que “o pessoal pode adquirir novas capacidades, através de novos conhecimentos, e pode também perde-las, através de um processo de obsolescência.” Não existindo nenhuma instituição de formação superior em saúde na Província, tem provocado a deslocação de funcionários para outras províncias como as de Luanda, Malanje e Uíge, tendo os funcionários encontrado várias barreiras no processo de ensino e aprendizagem por parte dos directivos que muitas vezes preterem os pedidos de formação dos quadros, em contradição com o que Figuerola (1971), citado por Armando Costa, José Gonzalez e Lucía Castillo (FUNIBER 1.8, pág.54), diz “o papel das empresas na formação dos seus empregados, é irrenunciável porque é insubstituível.” A maior preocupação com os recursos humanos hoje no sector da saúde na Província do Kwanza-Norte, prende-se por duas vertentes importantes que vão desde a quantidade insuficiente nos municípios para satisfazer a demanda das unidades sanitárias em relação a procura e os serviços que comportam a nível dos cuidados primários da saúde em relação ao investimento material que localmente se faz; nota-se em quase toda Província um conjunto de novas unidades construídas de raiz, mas sem acompanhar a dinâmica da formação e enquadramento dos recursos humanos, como se vê a seguir na secção 3.2 deste trabalho. 1.2 – Distribuição dos recursos humanos na província Segundo Miguel de Oliveira (2010, pág. 149) “Para além da má distribuição e da insuficiência de quadros, fenômeno que se regista não só em todas capitais provinciais, mas também e, sobretudo, nos seus municípios, existem outros fatores agravantes da situação.” Segundo o dicionário integral texto editores Lda (2009, pág. 588), “em termos geográficos, distribuição é a designação dada à localização de uma determinada população numa área especifica.” Olhando para a explanação, acaba-se aproximando cada vez mais no pensamento de alocação dos recursos humanos no sector tendo em conta a rede sanitária que continuamente está crescendo cada tempo que passa, fica para atrás a culpabilidade embora se reconheça a guerra que assolou o País, mas até o desenvolvimento que a m na guerra fratricida e do que Hoje, poucos e que se rec interior da Província mas co a ser diminutos a nível do factores para isso e que mui Um dos factores agravante municípios recebem; é que papéis, isto é, o mesmo mé municipal de saúde, mesmo existe somente na Provínci colocação e distribuição de Um outro aspecto que cham que trabalha na província, q no país (3ª classe, que é a recentemente quase todos insuficiência de que temos v de recursos humanos da saú Gráfico nº3 – Nº DE ENFER PROVINCIA. Distribuição de recursos en sanitárias e áreas adjacente assim vinculado entre a qua Para uma análise mais pro saúde na Província do Kwa Importa aqui referir que u Província, asseguram o tra consubstanciadas em 2 hos 14 centros de saúde e 87 po 0 100 200 300 400 500 Aux Enfe 39 até ao momento já faz parte do passado e conti muito se esperava e que se tinha perdido em 1 ue se tinha escapado em 1992, quando reacend reconheça isso, os recursos humanos já cheg como veremos mais adiante deste trabalho que dos municípios mais afastados da sede Prov uitos dos tais já foram evidenciados atrás. ntes está relacionado com o subaproveitamen ue em muitos municípios existem acumulaç édico director do hospital municipal, também mo existindo outros técnicos que possam assum cia uma má distribuição de recursos humanos de funções. ama-me atenção é em relação as categorias do , quase que todos têm a categoria mais baixa da a categoria inicial desta classe), como que a s funcionários (enfermeiros), também isto mo s vindo a tratar, existe um problema com a ges aúde. ERMEIROS, TÉCNICOS DE ENFERMAGEM E AUXILIA Fonte própria, busca no terreno DPS/2014 engloba para além da colocação do pessoal n ntes, trata também de elevar a auto estima do uantidade e a qualidade necessária. rofunda em relação a distribuição de recursos anza-Norte, abaixo estão alguns gráficos de da um total de 866 funcionários na área de e trabalho de cuidados de enfermagem em 11 ospitais Provinciais, 7 hospitais municipais, 1 postos de saúde. Aux. Enfer. Técn. Enfer. Técn. Enfer. Esp enfer. Sup. Nac enfer. Sup. Estr. 392 436 11 10 17 Enfermagem Aux. Enfer. Técn. Enfe Técn. Enfe enfer. Sup. enfer. Sup. 46 tinuamente olhamos para 1976 quando o país caiu ndeu. egam nos municípios do ue os recursos continuam ovincial, alegando váriosento dos poucos que os ação ou sobreposição de m é o chefe de repartição sumir esta; outrossim não os, mas também uma má o pessoal de enfermagem da classe de enfermagem a Província enquadrasse mostra que para além da estão do pessoal pela área IARES DE ENFERMAGEM NA nas respectivas unidades dos funcionários, estando os humanos no sector da dados recolhidos. enfermagem a nível da 111 unidades funcionais 1 maternidade municipal, fer. nfer. nfer. Esp Sup. Nac Sup. Estr. O XXIº Conselho Consul Outubro de 2011 na Cidad para um posto de saúde e seguinte: 3 enfermeiros chefes (níve técnicos de enfermagem esp técnico de estatística, por ca Baseando-se no exposto, a o seguinte pessoal de uma técnicos especializados, 870 de estatística, tudo isto a nív Pois nesta vertente o MINS nível dos centros de Saúde estaria assim:14 Médicos enfermagem, 56 técnicos farmácia, 42 técnico de est 14 técnicos de estatística, saúde. O Conselho também teve o pessoal a nível do País, o q kuanza-norte com 7 hospita farmácia, 63 médicos par urgências e 182 técnicos de Num quadro realístico (caso Gráf. 04 – Técnicos necess Fonte de dados: Manu Olhando para a actual rea diferença abismal em termo das actividades no campo d Existe então um equívoco apesar do meu estudo cen províncias ainda continuam 143 63 63 ultivo Ordinário do Ministério da saúde de ade do Luena Província do Moxico, definiu q e com vista a melhorar a prestação dos cui vel médio), 5 técnicos de enfermagem ( nível especializados, 10 auxiliares de enfermagem 1 cada posto de saúde, isto é, em todo País. a província do Kwanza-Norte com 87 postos d ma maneira geral: 696 técnicos do nível méd 70 auxiliares de enfermagem, 87 auxiliares de nível dos postos de saúde. NSA neste conselho consultivo também definiu de que de uma maneira global a Província co os de clinica geral, 14 enfermeiros superio s especializados, 168 auxiliares de enferm estomatologia, 42 técnicos de laboratório, 42 t a, tudo isto seria para responder a demanda o cuidado de definir numa espectativa de pad o que deve ser a nível dos hospitais municipai itais municipais teria a este nível e com mais ara atender em consultas de rotina, 70 méd de enfermagem. aso se cumprisse), esta Província teria o seguint essários ual do XXIº Conselho Consultivo Ordinário do MINSA- Moxico ealidade desta província chega-se mesmo em o do quadro do pessoal existente e o quadro e de trabalho. que faz com a situação continue estacionár centrar-se apenas na Província do kuanza no m no mesmo estado uma vez que o grito de aba 147 35 1060 1038 258 63 216 63 médicos ger enfer. Super técn. Enferm aux. De enfe técn. De far técn. Especi técn. radiol 47 e Angola, realizado em que o quadro do pessoal uidados à população é o vel médio), 2 parteiras, 2 1 auxiliar de farmácia e 1 de saúde funcionais teria édio, 174 parteiras, 174 de farmácia e 87 técnicos niu o quadro do pessoal a com 14 centros de saúde riores, 182 técnicos de magem, 42 técnicos de técnicos de radiologia e a a nível dos centros de adronização do quadro do ais e feitos os cálculos o is destaque 21 técnico de édicos para atender em inte quadro do pessoal: co Outubro de 2011. em dizer que existe uma exigido para a satisfação ária e estou em crer que norte penso que muitas abandono do sector da s gerais uperior fermagem enfermagem farmácia pecialistas diologia 48 saúde faz-se sentir por quase toda parte do País; é uma realidade escondida e que está roendo as mentes de quem é de direito. Mas apesar dos poucos recursos humanos ainda sim tenta-se como se diz na linguagem popular “dividir o mal pelas aldeias.” Destaca-se aqui alguns municípios dos 10 que fazem parte da província para mostrar a distribuição assimétrica dos poucos RH existentes. Gráficos mostrando a distribuição de rh na província no sector da saúde: Municipio de AMBACA Gráf. 05 Fonte própria, busca no terreno DPS/2014 Este município contem um hospital regional de média dimensão e considera-se o terceiro maior hospital da Província com uma capacidade de 75 camas e ainda os recursos humanos que aqui se apresentam constituem o global num universo de mais 15 postos de saúde a trabalharem a par do hospital. 3 (1 dte e 1 em form.) 1 2 1 16 30 46 25 13 3 1 5 médicos sup. De diag. aux. Diag .ter técn. De enf. administ. RH AMBACA EST. NAC RH, Municipio de BANGA Gráf. 06 Com uma rede sanitária d acima, a banga apresenta ap (centro municipal de saúde pública (LAV), de naciona um técnico básico de enferm RH, Municipio do GONG Gráf. 07 Fonte própria, busca no terreno DP Este município com uma postos de saúde comunais um número muito reduzido de estrada degradada. 10 15 20 25 30 GA Fonte própria, busca no terreno DPS/2014 de 8 unidades funcionais distribuídas em 4 apenas um total de 29 técnicos dos quais 1 mé de) e um estrangeiro que não é médico mas tr nalidade cubana e que cada um dos sete posto ermagem (auxiliar de enfermagem). GUEMBO PS/2014 a rede sanitária de 9 unidades dos quais 1 h is e mais 6 postos de saúde rurais, não tem ne do de técnicos e como que não bastasse fica sit 1 1 7 19 27 10 1 0 5 10 15 20 25 30 m éd ic o s es p ec ia lis ta s su p . D e d ia g. té c. d e d ia gn au x. D ia g .t er en f. S u p er . té cn . D e en f. A u x. D e en f. ad m in is t. ap o io h o sp NAC Estrang. m éd ic o s es p ec ia lis … su p . D e … té c. d e … au x. D ia g … en f. S u p er . té cn . D e … A u x. D e … ad m in is t. ap o io h o sp 2 11 25 20 8 5 3 RH GONGUEMBO NAC contratos 49 4 comunas como vimos édico a trabalhar na sede trabalha a nível da saúde stos funciona com apenas hospital municipal, dois nenhum médico, e existe situado a mais de 100 km RH, Município de BOLON Gráf. Nº 08 Fonte própria, busca no terreno DP Esta é a realidade de um m postos de saúde funcionais de 47 km de estrada mui industriais são caros em term Esta é apenas a realidade muito contribui na degradaç 1.3 – Maiores relevâncias e No prefácio do seu livro A humanos são fundamentais depende basicamente deles (Chiavenato Idalberto, prefá O tempo nos faz mestres! Pe e tem sido muito difícil rete Kwanza-Norte que é o cam social de se mudar o quadr centro das atenções do sist (2009, cap. 2 - pág. 107) “c recursos.” Muito mais significado tem maciça de técnicos para o trabalho, trabalhadores pouc de uma comunicação deficit Vivemos numa nova era da para se prosperar e mudar organizações, implica que c requerendo da parte dos gest ONGONGO PS/2014 município que tem 1 centro municipal de saú is e dista da sede provincial cerca de 148 km uito degradada, cuja a vida normal é o cam ermos de preços do mercado. e de quase todos os municípios da província ação de talentos. s em termos de coordenação Administração de Recursos Humanos, Chiave is para o sucesso organizacional. A compe es. Há uma verdadeira guerra para conqui efácio a 7ª edição 2009). Pelo tempo que me encontro a trabalhar no sec ter talentos no sector da saúde e falo particula mpo de estudo deste trabalho que doravante h drosugerindo modelos de gestão que possam istema e trata-lo de duas maneiras possíveis “considerar as pessoas como pessoas ou consi m o êxodo que se deu no sector da saúde na o sector da educação fruto de salários déb uco motivados sem saber que lhes dê uma info citária a que Chiavenato chamou de “barreiras h das organizações onde se precisa encarecidam ar o rumo da gestão em todos aspectos da cada uma tenha maneiras diferentes e diferen estores uma maturidade, colocando acima de tu médicos sup. De diag. aux. Diag .ter técn. De enf. administ. 1 2 9 9 9 RH BOLONGONGO NAC 50 saúde com 54 camas, e 9 m de distância com cerca ampo e que os produtos cia do Kwanza-norte que avenato diz que “talentos petitividade da empresa uistar e reter talentos.” ector da saúde notei que é larmente na Província do e há uma obrigatoriedade am olhar o homem como eis como diz Chiavenato nsiderar as pessoas como na Província com a saída beis, más condições de nformação coerente, fruto s humanas.” mente o esforço de todos dadas as variedades das rentes modelos de gestão tudo o interesse comum 51 para a prossecução dos objectivos das organizações com vista a satisfação das necessidades sociais dos indivíduos que a compõem. Segundo Idalberto Chiavenato (2009, pág 17), “a sociedade moderna é uma sociedade de organizações. As organizações são sistemas extremamente complexos compostos de actividades humanas em diversos níveis de análise.” Pressupõem-se aqui uma interacção mutua difícil de separar e que existe uma convivência entre pessoas e organizações. O foco principal no sector da saúde prende-se (mais uma vez), da atitude não só dos níveis mais baixos da administração (nível operacional), mas também e em primeiro lugar nos níveis mais altos da administração empresarial adicionada a atitudes políticas que tenta extrapolar suas actividades na administração do estado em todas as vertentes, isto ainda levará muito tempo para se compreender. Faz-me pensar em alguns aspectos da atitude das pessoas. Ou as pessoas sabem o que fazem e estão consciente de que trabalha-se para o mal ou as pessoas trabalham cegamente não sabendo para onde caminham traçando metas que não se atingem, trabalhando em regulamentos que não se cumprem colocando instrumentos legais que também não se cumprem e não se pune ninguém e ninguém têm coragem de admiti-lo. Pois a nossa sociedade não se pode conformar com estas atitude menos agradáveis para a administração dos serviços, pelo que reformas são necessárias para se colocar a máquina a funcionar da melhor maneira possível. Só para pensar que fruto de má qualidade de gestão que se fez sentir abertamente no ano de 2009 o sector da saúde perdeu para a educação 10% dos seus técnicos de saúde num universo de 690 técnicos de enfermagem (médios). Indo direitamente no assunto desta secção, começa-se por uma coordenação da gestão em saúde que parte do nível mais baixo de uma pirâmide cuja base é constituída pelas Repartições municipais (RM), representações legais das Direcções Provinciais da Saúde, com um papel ainda não bem definido em termos de dependência legal; se de um lado estão as Administrações municipais do outro está a direcção provincial da saúde que tanto um quanto o outro pedem contas ao mesmo serviço e isto tem provocado alguns transtornos nestes serviços. Quanto a coordenação em termo de RH, nos municípios, se de um lado os efectivos dependem da colocação dos concursos público que eventualmente o Governo provincial realiza em termos de disponibilidades financeiras, por outro lado estão as estratégias de alguns contractos a tempo determinados celebrados pela Administração municipal, isto faz com que a DPS, não tenha um controlo eficaz e cabal dos RH a funcionarem no sector. 1.4 – O que fazer quanto a motivação Artur Machado e Miguel Portugal (2014, pág. 94), definem motivação humana como sendo “a tensão que põe em marcha, mantem e dirige o organismo para uma actividade orientada para atingir determinado fim mais ou menos procurado conscientemente.” Para Orlindo Gouveia Pereira (1972, pág. 202), “A motivação, etimologicamente, significa acção de pôr em movimento e deriva das palavras latinas motu (movimento) e movere (mover). O verbo motivar é um frequentativo de mover, o que supõe um conjunto de acções originantes do movimento e não uma só acção” 52 Inicialmente considero que existem duas vertentes de motivação que posso chamar de motivação primária – a que impele o homem em agir de acordo a situação de necessidade que possa existir e que Orlindo (1972 pág. 203), denominou de “Estimulo (E), e que na resposta (R)” deste, o homem é obrigatoriamente a agir e se não o fizer a situação continua a existir e já com mais intensidade. Mas existe a outra que eu quero aqui denominar de motivação secundária, esta que depois que o homem passa a solucionar o problema, constitui na sua psique um constructo de meta e objectivos a atingir e que quando estes se vão agudizando na solução, vai surgindo também uma situação de abatimento, demonstrando cançanso pelas tentativas e que vai decrescendo a medida que o tempo passa e se não aparecerem alguns resultados positivos ou o que a psicologia chama de reforço, leva o homem em condições de desistência. Assim o dicionário integral Texto Editores Lda (2009, pág. 1138), define motivação como sendo “um conjunto de factores psicológicos, conscientes ou não de ordem fisiológica, intelectual ou afetiva, que determinam um certo tipo de conduta em alguém.” Como se vê a motivação dirige-se para um objectivo ou meta que se não pode descurar e que ao longo do desenvolvimento das actividades vão surgindo os conflitos que se vão superando a medida que o homem vai dando conta da situação e quando atingido o objectivo repõem o equilíbrio do individuo, mas quando esta motivação por razões eventuais for interrompida não atingindo os objectivos, ocorre a frustração. É nesta óptica que Artur Machado e Miguel Portugal (2014, pág. 95), enfatizam que “as motivações podem ser intrínsecas ou extrínsecas; as primeiras têm sua génese no interior do individuo, correspondendo a desejos psicológicos, enquanto as segundas são geradas pelos estímulos vindos do exterior podendo, com o passar do tempo e outros fenómenos passar a motivações extrínsecas.” É com este legado que em conjunto com a teoria das motivações cujo conceito foi formulado em 1943 por Abraham Maslow que, “considerou que as pessoas são motivadas pelo desejo de satisfazer um conjunto específico de necessidades humanas básicas; das quais uma certa bagagem delas, o homem já nasce com elas principalmente as fisiológicas, ingressando-se depois numa longa trajectória, de aprendizagem de novos padrões de necessidades.” Manuela Frederico e Maria Leitão (2002, pág. 22). Motivar o trabalhador, é uma acção muito importante da área de recursos humanos, tendo em conta os objectivos e as metas traçadas pela empresa, que espera do homem o seu melhor. Hoje com a situação globalizante no mundo do trabalho, considera-se que a motivação não é somente a resolução dos problemas relacionados com os salários dos funcionários, porque em muitas organizações da saúde, ainda nos debatemos com a situação de desigualdades quanto aos salários, surgindo aqui a situação relacionada com a “teoria da equidade, associada ao nome de J. Stacy Adams” citada por Sebastião Teixeira (1998, pág. 130, 6.2.2), e que passa uma recomendação aos gestores: “Os gestores não podem esquecer-se de que muitas vezes uma pequena inequidade aos olhos do gestor pode ser muito importante no espirito dos que por ela são directamente afectados.” 53 Mas deve-se reconhecer que estas motivações surgem como um complexo de situações quedevem ser resolvidas e que têm a ver com a situação da pessoa que se encontra vinculada na empresa no seu todo. Na verdade toda motivação no trabalho começa com o oferecimento de salários compatíveis aos funcionários, como Tomás J. Figueira e Outros (2008, pág. 199) afirmam “Essa razão pode variar consoante as situações, mas incentivos em dinheiro normalmente funcionam bem. ” Prova-se aqui que com o dinheiro pode-se resolver alguns dos muitos problemas sociais que afecta a população da função pública (funcionários), sendo também que “isto funcionava muito à semelhança do bónus de fim do ano.” Tomás J. Figueira e Outros (2008, pág. 201). Pois como estes autores ao citarem Xenofonte afirmam: Quando chegou a Medeia, deu a cada um dos seus comandantes todo dinheiro que considerava suficiente, para que eles, por seu turno, pudessem premiar alguns dos seus homens que admirassem; [Ciro] pensou que, se cada um fizesse sua distribuição meritória, todo exercito daria o seu melhor por ele. Tomás J. Figueira e Outros (2008, pág. 201). Esta, prova que a motivação monetária tem o seu valor adicional que é empenhar-se cada vez mais em função do que se recebe. Mas um outro assunto que se levanta na função pública em Angola no geral e Kwanza-Norte em particular é que esta função pública que muito clama por muito boa motivação debate-se com o problema de que o salário que recebe não corresponde ainda as actividades que exercem; isto é, não se recebe salário de acordo a produtividade. Uma outra forma de compensar funcionários, dizem os autores que estamos vindo a citar, Tomás J. Figueira e Outros (2008, pág. 202), é o “oferecimento de honras e recompensas.” Para, José Lello e Edgar Lello (1972, p. 610) “honra é uma glória, estima, apreço pelas virtudes, actos ou talentos de alguém.” Penso olhar e valorizar o talento dos trabalhadores não é somente dar o ordenado salarial, mas também é em abono de verdade estimulá-lo, não só com bem materiais mas do ponto de vista moral para que se sinta que o que o funcionário faz independentemente da sua posição social e a medida da sua contribuição de acordo o seu nível de prestação de serviço. Acrescentar a este pensamento Heinz Obermayer e outros (1974, pág. 155), consideram que “honra é consideração, reconhecimento e valorização de outra pessoa.” Os mesmos actores citando I Crónicas 16:28 (Bíblia Sagrada), diz a respeito de Deus “rendei ao Senhor, famílias e povos, rendei ao Senhor glória e honra.” Perfaz isto que honra é respeito pela pessoa humana e reconhecimento do seu valor extrínseco e intrínseco. Quanto a recompensa trata-se de um mérito a qualidade do trabalho executado, pelo que Artur Machado e Miguel Portugal (2014, pág. 122) referem ser “o conjunto de contrapartidas materiais e imateriais que os trabalhadores auferem como retribuição da qualidade de desempenho demonstrado.” Estes autores afirmam ainda que “a recompensa em regra assenta em três componentes que são, compensação-base (salário), incentivo (que premeia e reforça o desempenho) e benefício (compensação indirecta).” Artur Machado e Miguel Portugal (2014, pág. 122). 54 Para que tal se efective, tanto a honra quanto a recompensa para mim ambos visam de uma maneira geral em “atrair e reter trabalhadores, motivar e envolver nos objectivos da organização e estimular a ambição, o progresso e o sucesso, reduzindo os custos e maximizando os lucros,” como citado pelos autores acima. Ainda um outro aspecto não menos importante na motivação do pessoal numa determinada instituição é “tornar as pessoas melhores.” Tornou-se comum principalmente nos chamados países do terceiro mundo, onde quase que todos os países da África fazem parte, isto é, países pobres e subdesenvolvidos, onde muitas regras da administração não são aplicadas, as vezes por má fé dos directivos e muitas vezes mesmo acontece porque estes directivos não conhecem a administração e que trabalham nesta área sem nenhuma formação e se a têm são apenas algumas noções e que a intenção é melhorar ao longo do trabalho, surgindo assim mais erros do que acertos, estando numa situação que Sebastião Teixeira (1998 pág. 122, 6.1.4), chama de “situação de imaturidade.” Neste aspecto de tornar as pessoas melhores, pode-se assinalar que precisa-se acreditar na própria posição do trabalhador tendo em conta o seu papel na sociedade para possa ser superado tendo em conta a formação contínua que se pode processar ao longo da vida e que basta acreditarmos que podemos transformar os trabalhadores de maus para bons como nos diz a Teoria da Maturidade de Argyris citada por Sebastião Teixeira (1998 pág. 122, 6.1.4), “O desenvolvimento de uma pessoa processa-se ao longo de um intervalo contínuo de uma situação de imaturidade para situação de maturidade.” Adicionando o tema deste trabalho a esta “teoria da maturidade,” após uma mobilidade dos funcionários neste aspecto, isto é, da situação de imaturidade para a situação de maturidade, precisa-se da parte dos directivos a descentralização considerável e não um “controlo com um grau apertado,” senão cai-se numa situação em que “os empregados com elevado grau de maturidade, quando encontram uma situação relacionada com um apertado grau de controlo tendem a tomar uma das seguintes atitudes enumeradas por Argyris”, citadas por Sebastião Teixeira (1998 pág. 122, 6.1.4): “Fuga, demitindo-se, faltando ao trabalho, etc”. “Luta, através da organização informal ou das estruturas de classe organizadas, como por exemplo os sindicatos”. “Adaptação, a reacção mais típica; o empregado entra no jogo, desenvolve uma atitude de relativa apatia e indiferença, e o salário é a recompensa pelo castigo que o trabalho representa”. 55 1.5 – Uma proposta de gestão de recursos humanos no sector da saúde na Província. Não se trata aqui de criar uma teoria para a gestão de recursos humanos no sector da saúde de uma maneira geral ou melhor a nível do Ministério da Saúde em Angola, mas apenas para uma visão pessoal apoiando-se as teorias e instrumentos do Estado já existente e de muitos percursores que muitas vezes a própria ignorância à essas teorias faz com tenhamos uma administração deficiente terminando no que é mais conhecido por “desorganização social.” O Serviço Nacional de Saúde cuja Lei de Bases foi estabelecida legislativamente através do Decreto Lei nº 34/92 de 28 de Agosto, 1ª serie, tem vindo a aperfeiçoar o seu desenvolvimento, expandindo a rede assistencial para todo o território nacional, particularmente após o advento da Paz em 2002. Com o Decreto Lei nº 142/010 de 29 de Julho 1ª Serie, sobre a Organização e Funcionamento dos Órgãos da Administração Local, incrementou-se a necessidade em aproximar os serviços às populações, tendo-se iniciado a Estratégia da Municipalização dos Serviços. No Capítulo I Artigo 4º do Decreto Lei 142/010 de 29 de Julho, descreve-se que “as relações entre os Órgãos Centrais e os Órgãos Locais da Administração do Estado, desenvolvem-se com a observância dos princípios da Unidade, da Hierarquia e da Coordenação Institucional, sob a égide de princípios fundamentais.” São considerados os seguintes princípios fundamentais: • Descentralização, • Constitucionalidade e Legalidade, • Transitoriedade, • Colegialidade, • Probidade, • Diferenciação, • Transferência de Recursos, • Simplificação Administrativa, • Participação e Aproximação dos Serviços às Populações. Tendo em conta os objectivos deste trabalho e o que se pretende nesta secção, vou apenas me cingir na descentralização deixando a generalidade para outros momentos investigativos. 3.5.1. Descentralização Estrutural Procurar tornar menos onerosas e mais eficazes as acções de saúde junto das comunidades, melhorando a acessibilidade para as populações.Hoje a estruturação do sector da saúde nesta parcela do País, visa prestar cuidados desde o nível mais conhecido que é o posto de saúde, seguindo aos níveis mais complexos deste que vai desde o centro de saúde, hospitais municipais e até ao hospital provincial. Estruturalmente não existe na Província, quiçá no País a cultura de médico de família pelo que todo acompanhamento da saúde das populações é feito direitamente na unidade sanitária mais próximo e dadas as características geográficas de que a província apresenta, tem sido e é mesmo difícil falar em equidade e acesso fácil aos serviços de saúde muito mais pior quanto se fala das populações do interior da Província. 56 Em termos organizacionais, dever-se-á incrementar o modelo de proximidade através de estruturas adequadas a Organização Administrativa da Província, potenciando-se os cuidados básicos que se traduziriam na adequação dos serviços prestados pelos agentes comunitários em todas as comunidades da Província com um enfoque virado para a “educação para a saúde,” constituindo o primeiro contacto da população com o serviço nacional de saúde visando esta potenciar as actividades dos cuidados primários de saúde, para a melhoria das equações custo- benefício e custo eficácia. Não se trata aqui de mudar o conceito dos CPS pré estabelecidos pela OMS, e que é o ponto de entrada ao sistema de saúde mas sim uma adequação de acordo a realidade e os moldes em que se apresentam os serviços de saúde, sabendo que não são atingidos na prática os objectivos pelo que os CPS foram criados, moldando assim uma visão de aplicação estratégica para se atingir as metas do milénio, propiciando a adequação na distribuição dos serviços de saúde. Seria importante também neste aspecto definir com clareza os níveis de prestação de cuidados, conformando-os com a organização social ou administrativa, com a tipologia de cuidados e com a estratégia de desenvolvimento e crescimento dos serviços de saúde nas comunidades tendo em conta a mobilidade demográfica na Província (migrações internas). Pelo que a nível da Província e tendo em conta as estratégias básicas no aspecto da gestão e administração dos serviços de saúde correspondendo assim a consideração básica dos recursos humanos que ainda são escassos no sector nesta parcela do território, propunha que houvesse os seguintes níveis de prestação de cuidados: Nível Básico – corresponderia a uma organização social a família, onde de uma maneira geral o grande enfoque da actividade seria a Educação Para a Saúde, virada para a mudança de hábitos pessoais, familiares e da comunidade, que estrategicamente contaríamos com a prestação de serviços em termos de recursos humanos os agentes comunitários e a criação de estratégias para a actuação de médicos de famílias. Nível Primário - corresponderia aos serviços de saúde cuja actuação caberiam a nível do sector e da comuna, neste aspecto apreciaríamos uma organização social escalonada a nível de postos e centros de saúde que corresponderia com a assistência de qualidade a partir deste nível organizacional. Nível Secundário – seria o nível de média e maior complexidade a nível da Província e começaria respectivamente pelo Organização social o Município e se estenderia para a Província, incluindo aqui as unidades de maior dimensão estrutural, requerendo um investimento nesta área para que muitas especialidades pudessem funcionar evitando que o cidadão percorra grandes distâncias a procura de serviços de especialidades; na verdade não só um investimento em termos de infraestruturas mas sim em termos de recursos humanos principalmente. Uma proposta estrutural a nível da Província seria a representada na tabela abaixo. 57 Níveis assistenciais, organização, tipo de cuidados, estrutura e estratégia no nível provincial no Kwanza-Norte Tabela nº 2-PROPOSTA DOS NIVEIS DE ASSISTÊNCIA NO CUANZA.NORTE NIVÉIS DE PRESTAÇÃO CUIDADOS ORGANIZAÇÃO SOCIAL OU ADMINISTRATIVA TIPOLOGIA DOS CUIDADOS ESTRUTURA/ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO SANITÁRIO BASICO FAMILIA EDUCAÇÃO PARA SAÚDE (HÁBITOS FAMILIARES) AGENTES COMUNITÁRIOS E MÉDICO DE FAMÍLIA PRIMÁRIO SECTOR CUIDADOS PRIMARIOS DE SAÚDE, OU ASSISTÊNCIA PRE-MÉDICA OU MÉDICA BÁSICA POSTO DE SAÚDE DO SECTOR CENTRO DE SAÚDE COMUNAL COMUNA SECUNDÁRIO MUNICÍPIO CUIDADOS OU ASSISTÊNCIA MÉDICA BÁSICA, COM VALÊNCIAS QUALIFICADAS CENTRO DE SAÚDE DE REFERÊNCIA HOSPITAL MUNICIPAL PROVÍNCIA CUIDADOS OU ASSISTÊNCIA MÉDICA QUALIFICADA, E/OU ESPECIALIZADA HOSPITAL PROVINCIAL (GERAL) HOSPITAL PROV. MATERNO INFANTIL HOSPITAL PROV. SANATÓRIO Fonte: adaptado do conselho consultivo do MINSA, Apresentação do MINDEF (2013) 3.5.2. Descentralização Administrativa Para Miguel de Oliveira (2010 pág. 126) “O processo de reforma administrativa em Angola caracterizou-se inicialmente pelo sistema de organização administrativa durante uma fase singular da administração pública marcada pelo fato de não haver distinção clara entre setor público administrativo, setor público empresarial e setor privado.” Para o autor citando Paulo (2004), “Este período, cujo início é determinado pela independência do país, em 1975, foi marcado por um sistema concentrado e centralizado de planificação, distribuição e gestão dos recursos públicos, isto é, de toda a administração do estado.” De acordo ainda com esta realidade, em 1990 o estado angolano deu início a um período de reforma administrativa com a aprovação da lei n.º17/90, Lei sobre os Princípios a Observar pela Administração Pública. A referida lei teve como objetivo adequar a administração pública à evolução da sociedade, o que exigiria uma reforma gradativa e seletiva, cujo escopo era a melhoria do serviço prestado ao cidadão. Para Lobo (1990), a descentralização é um dos instrumentos de ação governamental que deve buscar dois objetivos: democratizar o estado e ampliar a justiça social. Todavia, não poderá 58 fazê-lo sozinha, já que se impõem outras reformas no aparelho do estado (fiscal, administrativa, econômica, financeira). No sector da saúde as reformas para se atingir a descentralização administrativa percorreram três etapas principais, as que Miguel de Oliveira (2010, pág. 135), considera de “fase inicial, fase intermédia e a fase actual.” Até 1999, esta a que o autor chamou de fase inicial, as direcções Provinciais de Saúde tinham dependência directa do Ministério da Saúde, tanto nos aspectos administrativos, metodológicos e tecnicamente; nesta fase as actuais direcções eram denominadas de Delegações Provinciais da saúde e os resultados eram positivos e o ministério tinha o controlo das informações do sector, mas tinha o inconveniente de muitos programas concebidos localmente não serem realizados em função da dependência total e da indisponibilidade de recursos no momento. Para colmatar os inconvenientes que se identificaram, em 1999 até 2000 existiram outras reformas para uma adequação eficiente e que dois momentos neste período fizeram eco da administração em procura de descentralização no sector da saúde. Miguel de Oliveira (2010, pág. 135) “A segunda fase pode ser subdividida em dois momentos A e B. No momento A (1999-2000), as delegações provinciais transformam-se em direções provinciais dependentes duplamente do MINSA, mas fundamentalmente dos governos de província. As delegações municipais passaram para secções de saúde dependentes também duplamente, agora das respectivas direções provinciais e em alguma medida das administrações municipais. O papel das delegações municipais e das secções municipais era bastante reduzido devido à falta de capacidadeinstitucional, da reduzida quantidade e da baixa qualificação dos técnicos. No momento B, não houve nenhuma alteração de dependência no nível provincial, enquanto no nível municipal a secção de saúde foi aglutinada na secção de serviços sociais, perdendo a saúde a este nível, a reprodução no organograma e na funcionalidade da estrutura ministerial. A terceira fase (desde 2007), com incidência apenas no nível municipal, caracteriza-se pelo surgimento da repartição municipal da saúde, com dupla dependência, das direções provinciais da saúde, mas fundamentalmente das administrações municipais. Abre-se aqui o caminho para a implantação dos serviços municipais de saúde.” Que também está mudando de denominação para direcções municipais de saúde. Mesmo assim ainda são vários os problemas que podem se destacar no âmbito da descentralização no sector da saúde pelo que deve-se potenciar as acções de planificação, controlo financeiro e de informação do Sistema de Saúde, com a departamentalização desses domínios. Fortalecer a planificação provincial, incluindo os gabinetes para controlo da informação, finanças e planificação, que se harmonizem com os diferentes níveis do sistema; Instituir secções de gestão e informação nas direcções municipais de saúde; Desenvolver o Sistema de Gestão de Informação de Saúde (serviços de estatísticas) e adequação dos fluxogramas de informação, utilizando como base as plataformas tecnológicas existentes. 59 3.5.3. Descentralização de Recursos Humanos Desde as reformas de descentralização administrativas, o sistema de gestão de recursos humanos tem conhecido momentos difíceis de contornar na Província do Kwanza-Norte e tem sido um tendão de Aquiles para a sua resolução completa, muitas vezes porque está intimamente ligado aos assuntos e sistemas políticos e por outra uma formação especifica na gestão desta área tem sido necessária e a pouca experiência que se tem em nada tem ajudado, espoletando assim muitas vezes em greves nas instituições, originadas por frustrações e desmotivação do pessoal que se considera vítima de gestão distorcida. Penso que a descentralização no sector da saúde que já tem 15 anos de aplicação (1999-2014), ainda não conheceu o seu verdadeiro rumo nesta província e a realidade não se pode esconder para as outras províncias porquanto as Leis que regem esta matéria são uniformes; senão vejamos: O processo de recrutamento e Selecção de funcionários para uma determinada organização, isto é, para candidatos na administração pública deve obedecer os princípios gerais estabelecidos pelo decreto Presidencial nº 102/11 de 23 de Maio. No ponto 1 do Artigo 4º este decreto define o recrutamento como sendo “o conjunto de operações que têm por objectivo satisfazer as necessidades do pessoal apresentada pelo respectivo organismo, pondo a sua disposição candidatos qualificados necessários a realização das suas atribuições.” Adicionada a esta afirmação o mesmo decreto presidencial no ponto 2 do mesmo artigo, define Selecção do pessoal como sendo “o conjunto de operações enquadradas no processo de recrutamento, traduzidas em métodos e técnicas adequadas que visam apurar e avaliar as capacidades dos candidatos para o exercício de determinada função.” Sequencialmente, e de acordo com o ponto 1 do artigo 5º do mesmo decreto presidencial, “a abertura do concurso é feita por meio do despacho do titular do órgão a que o concurso diz respeito.” Na verdade tudo isto é feito em cumprimento as bases de descentralização administrativa, mas a realidade de que se enceta é outra, os despachos de abertura de concursos públicos continuam a ser feitos não pelos titulares dos órgãos a que pertencem os concursos mas sim pelos Governadores Provinciais não dando nenhuma autonomia aos directores dos respectivos órgãos. Cumprir com o decreto Presidencial nº 102/11 de 23 de Maio, ajudaria a politica de gestão de recursos humanos localmente e os órgãos através dos seus titulares elaborariam estratégias para um controlo eficaz aproveitando o potencial que têm ainda que escasso. Um outro aspecto tem a ver com o promover a alocação dos recursos humanos em toda a extensão da rede estrutural do Sistema de Saúde, desenvolvendo o Programa Nacional de Formação de Quadros, que inclua: Incentivo à formação de quadros básicos, Parteiras Tradicionais e Agentes comunitários; Restabelecer a formação de Técnicos Médios de Saúde (técnicos de enfermagem), em diferentes domínios biomédicos (Laboratório, Radiologia, Estatística etc.) em Escolas de Formação de Técnicos de Saúde. Desenvolver o sistema de formação contínua dos especialistas e quadros técnicos do Serviço Nacional de Saúde, através da Escola Nacional de Saúde Pública; Criar um Programa de Apoio Técnico Metodológico para os Técnicos das Unidades Sanitárias; Rever a política salarial para Médicos, Enfermeiros e Técnicos de Saúde criando incentivos para a sua mobilidade e/ou fixação; Desenvolver anualmente o processo de avaliação do desempenho dos profissionais; Estabelecer o Sistema de Mobilidade de Quadros; Voltarmos no legado do malogrado Dr Veloso Sapuile (ex-ministro da saúde de Angola), quando em 2006 dizia “Cuidar de quem cuida.” 60 Capítulo 4. Caminho metodológico 4.1 – Estratégia metodológica O presente trabalho assentou-se na perspectiva de uma pesquisa avaliativa (Manuela Magalhães, Andrew Hill, 2008) por triangulação de métodos e abrangeu o período compreendido entre 2009 a 2014, “considerando o início da implementação do processo de desconcentração e descentralização adicionado a Municipalização dos serviços de saúde em Angola no ano de 2000 com a aprovação do decreto-lei 29/00 de 20 de Abril (ANGOLA, 2000), que orienta a transição das delegações provinciais em direções provinciais, incrementada com o decreto 2/02 de Maio de 2002 (ANGOLA, 2002b), a partir do qual a dotação orçamental para direções provinciais foi integrada no orçamento dos governos das províncias, julgando que com estes processos aplicados teríamos de melhorar a péssima prestação que vínhamos levando a cabo desde a independência.” (Miguel de Oliveira. 2006). A opção pelo referido período justificou-se também por alguma facilidade de obtenção de dados tendo em conta os investimentos que a Província regista desde a implantação da Paz efectiva no País, assim como os sucessivos concursos públicos registados. Foram também incluídos documentos relevantes de 2002 e 2014, fundamentalmente do MINSA, relacionados diretamente com a série temporal do estudo, Conselhos consultivos, regulamentos e Diários da república que sustentaram este trabalho. O campo escolhido para a pesquisa se deveu ao fato de ser a Província de origem do pesquisador e o espaço onde vive e trabalha, sendo área de seu interesse como profissional da saúde a mais de 25 anos de serviço, a vontade de contribuir na discussão em curso em torno da protecção do homem como talento e o fato de lá ter trabalhado o que propiciou maior facilidade nos contactos estabelecidos para o desenvolvimento do trabalho e colheita de dados. A degradação de talentos na Província do Kwanza-Norte, incluída no sector da saúde ocorre num momento e período em que o Governo de Angola encontra-se preocupado com a situação de melhoramento da saúde das populações estabelecendo diplomas legais aprovados e documentos orientadores do processo de municipalização dos serviços de saúde em todo País e que tem a participação dos órgãos centrais, direções provínciais e municipais. Assim, a análise desta degradação de talentos exigiu a consideração somente em dois (2) níveis dos três (3) da administração pública angolana, provincial e municipal. Nesta base, foram objecto de atenção nos dois (2) níveis, os componentes de maior realce e atenção governamental “as infraestruturas, os recursos humanos e a motivaçãodo pessoa” que penso serem os mais directamente ligados com a degradação de talentos que o tema enceta. As infraestruturas, de minha opinião é um dos problemas que o sector ainda tem como um “tendão de Aquiles” tendo em conta a ergonomia para a contribuição de resultados considerados positivos; Kwanza-Norte ainda se debate com este problema e coloca-se aqui um desafio, cito (Miguel de Oliveira 2006, pág. 107) “aos projetos do governo, capacidade do governo e governabilidade, consideradas categorias teóricas interdependentes e fundamentais para análise do processo da descentralização” e Municipalização na minha opinião; os projetos do governo localmente referem-se aos conteúdos prepositivos do plano; a capacidade de governo que diz respeito ao capital teórico, instrumental e experiência acumulada; e a governabilidade está relacionada à liberdade de ação que dispõem os actores sociais em situação frente às variáveis as quais controlam ou não controlam no processo de governo. (Miguel de Oliveira 2006, pág. 107). Considerando que um dos objetivos fundamentais do estudo é identificar as mudanças em termos de degradação, tendo em conta a perda de técnicos, isto é, registadas no Sector da Saúde na Província ao longo dos tempos e tendo em conta que avaliação deve ser entendida como “um processo que tenta determinar o mais sistemática e objetivamente possível a relevância, 61 efetividade e o impacto das atividades, tendo em vista seus objetivos” segundo Miguel de Oliveira, citando (DONABEDIAN, 1984), é nesta base que recorreu-se também como ferramenta do estudo à analise de aspectos da tríade analítica de Donabedian (1980), citado por Miguel de oliveira, constituída por “estrutura-processo-resultado” para contribuir no apuramento das alterações no modelo da atenção sanitária, na provisão e resolutividade do Sector da Saúde na Província, tendo em conta que esta abordagem não está voltada fundamentalmente para avaliação da qualidade da assistência médica mas sim do homem e suas motivações. Em suma, a estrutura diz respeito a informações sobre atributos dos recursos físicos ou materiais (estabelecimentos de saúde e os detalhes do seu interior: tipo de estrutura e alguns materiais), recursos humanos (número, qualificação, vínculo) e financeiros (agrupados de acordo a que se destinam e fundamentalmente tipos de salários), nos quais ou pelos quais a assistência é provida, cujo resultado diz respeito ao efeito dos cuidados no estado de saúde dos pacientes, resultante da interação desses com o serviço (DONABEDIAN, 1980), visto que estes aspectos estão directamente ligados entre o homem e os resultados produzidos. 4.3 – Critérios e População de estudo Como estratégia para aplicação da maioria das técnicas de pesquisa utilizadas no estudo, e conseguir uma melhor avaliação, foram feitas visitas aos 10 municipios que constituem a província do Kwanza-Norte, com a permanência de 3 dias em cada município. Sendo Cazengo a sede capital da província também foi visitada, perfazendo, desta maneira, a cobertura total da província, visitando assim 133 unidades sanitárias (rede completa funcional e não funcional). Apesar da cessibilidades ser ainda um problema em muitas estradas secundárias na Província, mesmo assim não foi preciso definir critério de seleção dos municípios porquanto a localização geográfica combinada com todos municípios com melhores e piores indicadores de cobertura sanitária, bem como com melhores e piores dotações de RH, foi muito bem facilitada pela estação seca, período que se fez o levantamento e recolha de dados. Considerando que o conhecimento científico se produz pela busca entre teoria e realidade empírica (MINAYO, 2006b) e que concepções filosóficas e epistemológicas diferentes sustentam paradigmas metodológicos diferentes (GRESSLER, 2003), para a persecução dos objetivos do estudo, recorreu-se a combinação das seguintes técnicas de pesquisa: 1. Observação Direta 2. Entrevistas semi-estruturados com gestores, provinciais, municipais, hospitalares e profissionais de base. 3. Análise de fontes secundárias (análise documental) 1. A observação directa - Pretendeu-se com esta técnica obter informações relevantes para o estudo e captar detalhes, situações ou fenômenos diretamente ligados à rede sanitária, constatando directamente o tipo de infraestrutura existente e até que ponto vão contribuir como repelente ou atracção em termos de qualidade e que tipo de recursos humanos existentes (quantidade e qualidade), apesar das suas limitações de vária ordem impostas (MARCONI; LAKATOS, 1986). A observação direta foi apoiada pelo diário de campo (CRUZ NETO, 1994) para registro de aspectos relevantes das entrevistas, dos serviços visitados, das percepções dos profissionais, agendamentos e anotações operacionais. 2. Entrevistas semi-estruturadas com diversos informantes do sector da saúde Com efeito, foram realizadas 84 entrevistas com o roteiro elaborado para o devido efeito, caracterizado como entrevistas abertas. As entrevistas foram transcritas com a finalidade de 62 obter informações que pudessem cobrir os aspectos levantados na etapa quantitativa. Como é óbvio, importa aqui destacar que estas entrevistas foram feitas depois da observação direta. Assim como informantes-chave foram selecionados funcionários do sector da saúde tendo em conta que o assunto principal é focado em termos deste sector, foram responsáveis de hospitais Provincial e municipais assim como funcionários da educação que tinham abandonado os serviços de saúde, responsáveis de recursos humanos da saúde e finalmente alguns funcionários administrativos funcionando da Direcção Provincial da Saúde do Kwanza-Norte. Sendo o município entendido como a porta do sistema de saúde, onde se materializa o resultado da degradação, expresso na mudança ou na manutenção das dimensões do modelo assistencial vigente tendo em conta os recursos humanos existentes, os gestores das unidades hospitalares a nível municipal foram inseridos nas entrevistas. Os gestores de nível municipal acima referidos foram selecionados pelo facto de serem os responsáveis sanitários dos municípios contemplados no estudo e a sua vontade de contribuir na discussão da temática. Para seleção dos profissionais entrevistados, exclusivamente médicos e enfermeiros, foi utilizado o critério de representatividade, no caso, aqueles que tinham maior domínio de informação (de acordo com informações obtidas previamente) e disponibilidade. A opção pelo grupo de profissionais constituídos por médicos e enfermeiros deve-se ao fato destes serem elementos chaves no relacionamento entre os antigos colegas e os serviços de saúde. Foram entrevistados um total de 84 funcionários do sector na provincia como indica a tabela abaixo: Tab. Nº 03 – total de entrevistados no estudo Denominação constante Incidência (%) Funcionários da DPS 12 14% Chefes de RH no sector da saúde 3 3.5% Responsaveis da direcção do HP 7 8.3% Técnicos de saúde do HP 18 21.4% Técnicos de saúde dos HM 15 17.8% Téc. saúde trabalhando na educação 29 35% Total 84 100% Representação de números de entrevistados Quantitativo dos Entrevistados De uma maneira geral, o roteiro de entrevista (constante no anexo abaixo) incluiu questões sobre o tipo de enquadramento em que os funcionários foram admitidos na procura de emprego, a satisfação dos funcionários acerca de relacionamento com colegas e superiores hierárquicos, as causas objectivas que estiveram na base de abandono ou transferência para outra província, motivos que estiveram na base de não impedir a saída de funcionários, as consequências actuais no serviço tendo em conta a saída de uns para outros sectores sociais da vida económica do País, assim como se recolheutambém opinião sobre que fazer para manter os funcionários no actual clima organizacional. Funcionários da DPS – 12 Chefes de RH – 3 Responsáveis da direcção do HP – 7 Técnicos de saúde do HP – 18 Técnicos de saúde dos HM – 15 Téc. saúde trabalhando na educação - 29 63 Assegurando-se em TOBAR; YALOUR, 2001, todas as entrevistas foram realizadas individualmente a fim de evitar respostas induzidas, assim como a influência dos denominados formadores de opinião. 4.4 – Colheita e tratamento de dados Análise e confrontação de fontes secundárias Nesta óptica foi usada toda documentção possível que se baseou desde os relatórios da Direcção provincial da saúde do kuanza-Norte, das repartições municipais, dos hospitais provinciais (Dr António Agostinho neto e o Materno Infantil), e hospitais municipais que permitiu levantar dados sobre as infra-estruturas de saúde, recursos humanos, sendo estes últimos o foco deste trabalho. Sendo que muitos têm feito alusão à pouca confiabilidade dos dados sobre o nosso País, foi necessário uma deslocação aos municípios e unidades sanitárias usando o modelo que doravante se encontra em anexo, destacando-se os dados referentes à infra-estruturas, recursos humanos e equipamentos. Para ajudar na temática principalmente no que tange aos recursos humanos, foi compulsada a legislação configurativa do Sistema Nacional de Saúde, consubstanciada em alguns Diários da República divulgados na imprensa nacional. Assim como foram consultados documentos orientadores do Ministério da saúde sobre a reforma em curso em Angola (relatórios dos concelhos consultivos do MINSA), Ministério da Administração do Território (MAT) sobre emprego e desemprego na administração pública de Angola. Análise do Material Para a análise dos documentos foi feita uma leitura em profundidade e a respectiva categorização (infraestrutura, RH e rede sanitária), visando conhecer o contexto e as mudanças registadas ao longo do período em que se fez o estudo em causa. Quanto aos entrevistados sobre as diversas questões foi agrupado segundo o grupo e tipo de trabalho que exerce numa determinada área e tendo em conta as opiniões que muitas das vezes não são convergentes mas sim divergentes entre si. Para que a validade da pesquisa seja mais consistente, o estudo inseriu-se no âmbito de um trabalho por triangulação de métodos que segundo Mayo (2006) conjugou: a) presença do avaliador; b) abordagens quantitativas e qualitativas; c) a análise do contexto, e um pouco do passado sobre as modalidades do emprego dando enfase na fig. Nº 02 deste trabalho. Foram triangulados dados quantitativos e qualitativos. Na abordagem qualitativa foram construidos diversos instrumentos para a triangulação: múltiplas técnicas de colheta de dados com múltiplos informantes, enfermeiros dos hospitais municipais e provinciais, chefes de repartições municipiais, responsáveis provinciais de recursos humanos (DPS e Hospitais Provinciais), combinada com a realidade levantada através da observação directa. 64 Capítulo 5. Resultados e discussões 5.1 - Apresentação de resultados Não foi tão fácil encontrar bibliografia para este trabalho que doravante se encontra na sua fase culminante; para identificar os vários problemas que se encontram acometidos no sector da saúde na Província do Kwanza-Norte no tocante ao aproveitamento ou não dos cérebros que doravante fazem os talentos contribuindo assim nas mudanças registadas na sua degradação, o estudo se apoiou como referido na estratégia metodológica, na análise de algumas categorias e elementos selecionados a partir das dimensões do sistema analítico. Considerando que as figuras, gráficos, tabelas e mapas permitem visualizar a informação mais claramente, sobretudo quando se pretende fazer comparações, mostrar padrões ou tendências ao longo do tempo, vários indicadores analisados foram apresentados, simultaneamente em tabelas e gráficos ou apenas em gráficos. Segundo Miguel de Oliveira (2006), citando fontes do (UNCDF, PNUD; 2006) diz que “desde a independência em 1975, Angola construiu um governo altamente centralizado que inibe a gestão participativa. Grande parte dos serviços públicos básicos é prestada a partir de uma perspectiva central, afastada das necessidades da população mais pobre.” No entanto, apesar desta forma de governação em que apoiou, o sistema de enquadramento auxiliado pela pouca procura e muita oferta, era mais fácil obter um emprego do que no actual sistema onde temos uma pirâmide invertida em termos de procura e oferta (pouca oferta e muita procura). Rede sanitária funcional e não funcional. gráf. 09 Fonte própria, levantamento / 2014 A rede sanitária nesta parcela do País é assegurada por 133 unidades sanitárias estatais como se vê no gráfico acima; destas, 22 unidades sanitárias não funcionam, muitas vezes por falta de técnicos para fazê-lo e as vezes por mau estado das unidades; Mas também a par das unidades estatais estão 6 unidades sanitárias pertencentes a rede privada, isto é, as igrejas (Católica e Metodista), que em Angola constituem parceiros incontornáveis do estado, apesar da gratuidade que se faz sentir em todas unidades estatais e nas unidades privadas o cidadão assume as despesas advindas da consulta e do tratamento, para 9 8 10 23 23 6 11 8 5 87 0 0 3 3 3 2 2 2 0 0 5 10 15 20 25 REDE SANITÁRIA Un. Func. U. não func. além de que seja um pagam o nível económico muito ba Gráfico nº 10 rede funcional Fonte própria, levantamento / 2014 Foi necessário um trabalho clara e abrangente quanto Norte. Os 83% das unidades func unidades e que entre elas e maternidade municipal, 14 gráfico. Acima de tudo, a rede sanit outra maneira vão influenci Assiste-se uma série de co mande técnicos capazes, es demanda da população. A nível da província ain correspondendo estas a 11% Destas unidades apresentad saúde (o actual centro de município de Cazengo) e 10 (kanguenhe, dange ia menh (km 11 e catari II), no m municipio da Banga; 1 un Ambaca. 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 2 amento ainda é simbólico, mas ressentido pelo baixo da população. onal 14 ho de separação das unidades para que se tenh to as unidades que compõem a rede sanitária ncionais no universo de 133 unidades sanitária s estão 2 hospitais provinciais (HP e HMI), 7 14 centros de saúde e 87 postos de saúde, c nitária funcional ainda apresenta algumas debil ciar no funcionamento geral da actividade sani condições inadequadas nas unidades sanitária estaríamos de uma ou de outra maneira a ser in ainda depara-se com 12 unidades sanitárias 1% num universo de 111 unidades funcionais. tadas em termos de números e separação por e tratamento da tuberculose e o centro de tra 10 postos de saúde, que por ordem decrescente nha, hombo e massangano), no município de C município de Cazengo; 2 unidades (bessen unidade (kindungue), no Bolongongo e 1 un 7 1 14 87 65 lo cliente tendo em conta nha uma apreciação mais ria funcional no Cuanza- rias, correspondem a 111 hospitais municipais, 1 , como consta acima no bilidades que duma ou de nitária na Província. rias e que mesmo que se incapazes de responder a ias em estado precário, or tipologia, 2 centros de tratamento da cólera, no te cita-se: 4 unidades e Cambambe; 2 unidades enguele e cariamba), no unidade (kanguimbi), no H. provinciais H. Municipais M. municipal C. de Saúde Post. Saúde Gráf. Nº11 rede sanitaria Fonte própria, levantamento / 2014 Penso que o actual estado compreendendo de uma m entende-se que o locald primeiramente o próprio p trabalhe sem reserva e res disposição principalmente equipamento que quando nã Por exemplo no município funcional que nada tem a advindos do processo de de ia com unidades em estado precário e precár 14 do das unidades sanitárias tem muito a ver c maneira mais profunda as aspirações da da prestação em serviços de rotina ou ur paciente sinta-se cómodo acima de tudo e f essentimento em relação as condições que lh te quando se trata de infraestruturas, sem não se adequa a realidade provoca frustrações. io de Bolongongo encontra-se uma unidade sa a ver com o actual contexto se, se ter em descentralização administrativa e financeira! Im Fig. 06 - posto de saúde do Kindungue Foto: PS de Kindungue, bolongongo/ julho de 2014 66 ário funcional com o tema em estudo, a prestação de cuidados urgências, faz com que e faz com que o técnico lhe são colocadas a sua m falar em termos de s. sanitária em mau estado conta os investimentos Imagem abaixo. U.SANIT. US.Prec USPFun. 67 Estado precário de algumas unidades sanitárias na província. Ainda muitas unidades sanitárias na província apresentam um estado muito rudimentar para a realidade actual, tendo em conta os investimentos que vão sendo feitos pelo governo. A figura acima é apenas uma unidade sanitária entre 12 que na Província apresentam as mesmas condições e que directamente vão contribuir para a degradação de talentos. Além das unidades sanitárias privadas pertencentes as igrejas, existem outras unidades privadas na província em número de 30 entre postos de enfermagem e centros médicos. Caracterizar a rede sanitária da Província pressupõe que haja níveis de atendimento que comportam na província tendo em conta os serviços de saúde oferecidos pelo estado e suas condições de actuação. fig. Nº 07 - Níveis de atenção funcionais no K.Norte. Fonte: adap. de Miguel de Oliveira (2010) De uma maneira geral, as estruturas do serviço nacional de saúde na província, consubstanciam-se em unidades do primeiro e segundo níveis de atenção sanitária conforme mostra o triângulo acima da figura nº3 deste trabalho, correspondentes aos níveis de atendimento que abaixo descrevo de acordo a figura a seguir: Níveis de atendimento aos pacientes, fig. Nº 08 Fonte: Adaptada dos níveis de atendimento nacional ANGOLA (2008a) Nível primário – composto por hospitais municipais, centros de saúde e postos de saúde. (urbanos e Rurais) Agentes comunitários – neste grupo, estão os agentes sanitários, Nível secundário – Hospitais Provinciais (geral e HMI) Níveis de atendimento Atenção especializada Centros de Saúde de Referência /Hospitais Municipais Secundária: Hospitais Polivalentes Postos de Saúde dos tipos I e II. Hospitais Gerais Atenção primária Centros de Saúde 68 Destaca-se que em todos os níveis de atendimento existem vários problemas relacionados com a gestão hospitalar de uma maneira geral, desde a gestão de recursos materiais, humanos e financeiros; na verdade ainda nos debatemos com o problema relacionado com a transparência na gestão da coisa pública, associado ao tipo de liderança que paira no país como que se estivessem a ler no mesmo livro e a estagiarem no mesmo sitio…tudo prende-se acima de tudo com o tipo de estrutura hierárquica a seguir pelo que esqueceu-se da gestão participativa e todos excluem os membros da alta direcção da instituição na planificação estando concentrado para apenas o directivo. Penso que tem de haver uma educação em termo de gestão sanitária, primeiro para os dirigentes de alta posição administrativa e depois dos próprios funcionários para que se mude de atitude perante a gestão das organizações de saúde. Para este trabalho na verdade não se pode falar de degradação de talentos sem olhar pelos elementos estabelecidos para organização e reformulação das acções tendo em conta o que o próprio homem (como talento), aconchega-se para a satisfação das suas próprias necessidades. Falar deste tema é olhar o homem com os olhos de ver, e é olha-lo em direcção a humanização dos serviços tendo em conta os resultados esperados pela e para a população tendo em conta acima de tudo a motivação e satisfação individual do próprio funcionário. Assim para este trabalho foram entrevistados um total de 84 funcionários dos quais 29 são antigos funcionários que ao longo do tempo foram abandonando o sector da saúde para outros da vida socioeconómica da província como nos mostram os resultados abaixo indicando o total de funcionários que abandonaram o sector ao longo dos anos (tabela nº 04 ) e os resultados dos entrevistados: Tabela nº 04 ABANDONOS / SAÚDE ANOS TÉC. 2009 18 2010 11 2011 23 2012 17 TOTAL 69 SERVIÇO DE DESTINO Bancos comerc. 4 Educação 44 U.S. privadas 21 TOTAL 69 êxodo global do sector da saúde para outros. Fonte dptº administ. Da DPS/KN Fruto de um grau de degradação administrativa no sector da saúde que se evidenciou de 2009 à 2012, notou-se neste período um enorme êxodo de funcionários para outros sectores cujas condições de serviços eram compatíveis com as pretensões dos indivíduos em termos de salários, melhores motivações sociais, respeito pelos funcionários enfim, melhor qualidade de vida. Do global acima referenciado 29 funcionários foram entrevistados e cujos resultados das entrevistas são espelhados na Tabela nº05 abaixo 69 Tabela nº 05 - Técnicos de enfermagem que abandonaram a saúde (entrevistados) GÉNERO Masc. 21 Femin. 8 SERVIÇO ANTERIOR HP 14 HMI 5 HM 10 SERVIÇO ACTUAL Bancarios 4 educação 18 saúde priv. 7 ANOS DE ABANDONO DOS ENTREVISTADOS 2009 8 2010 7 2011 9 2012 5 fonte de dados entrevistas realizadas Todos os entrevistados desta secção segundo o que nos responderam foram admitidos ao emprego através modalidade de concurso público e na categoria de técnico de enfermagem de terceira classe. Se analisarmos em termos de género os homens são os que mais ressentimento comportam dadas as responsabilidades familiares e justamente são eles que mais se preocupam com os resultados sociais que estão na base da procura de um serviço que lhe possa valer a resolução dos variados assuntos de equilíbrio social; assim mostra-nos a tabela acima de que os homens constituem o grupo que mais desaproveitado tenha sido pelo emprego anterior. Também uma análise que chamou-me atenção é que entre os entrevistados não encontrei um administrativo sequer, pelo que todos foram técnico de enfermagem (nível médio) e funcionários de unidades sanitárias de destaque (Hospital Provincial, hospital materno Infantil e hospitais municipais). Quanto ao sector de destino não se duvida que o sector bancário seja o que melhores condições sociais oferece, mas não foi o predilecto pelos funcionários, de um lado porque este sector tem pouca oferta por outro porque as modalidades de admissão são um pouco mais complexa pela complexidade e sensibilidade do próprio trabalho. Já o sector da educação, foi o que mais funcionários recebeu tanto dos nossos entrevistados, quanto da globalidade dos que acabaram de abandonar o sectorda saúde, tudo porque, é o que melhor oferta e condições de trabalho e sociais de uma maneira geral providenciou. Se em Angola conseguir um emprego no sector público tem sido com muito sacrifício, não se vê da melhor maneira e serve este aspecto motivo de análise profunda que alguns funcionários preferiram o sector sanitário privado. Batendo pelos aspectos que poderiam estar na base desta desagregação, todos os nossos entrevistados foram unânimes em responderem que em termos de relações com os colegas de turnos, das unidades sanitárias em geral e até com os administrativos foram excelentes, mas classificam de péssimas as relações com os chefes desde os subalternos até aos superiores de alta direcção. Entrevista com os func funcionando no hospital p Como referido atrás, foram activo no hospital Provinc ilustrativa abaixo: Tab. Nº 06 – local de trabalho e nív - enfermeiros entrevistados por Sendo o município de Ca abandonos para outros sect já referi acima, de resposta em termos de género. Quanto as áreas de funci entrevistas entre as diversa objectivo de diversificação Gráf. N Adicionado ao gráfico acim conta o seu nível de form possam ter uma melhor con Sendo os entrevistados um anos na função pública, as pública: a entrada directa q culminar da guerra que dur públicos de ingresso que ag Daí que as respostas à entre UCI medicina cirurgia BU B. operat. Ortoped. Téc. H.Provincial H. Mun. Cazengo TOTAL ncionários da saúde (técnicos e auxilia l provincial e municipal de Cazengo. m realizadas 84 entrevistas e destas 33 foram incial e no hospital municipal de Cazengo nível dos entrevistados Tab. Nº 07 – incidência do or unidade sanitária. - enfermeiros entrevistados por gé Cazengo (onde se encontra a sede provincia ctores, para tal a entrevista realizada teve em c stas induzidas e trabalhou-se de aproximar o n ncionamento, espelhou-se também de como sas áreas de trabalho dentro das unidades san o das opiniões; assim apresenta-se no gráfico a Nº 12 - enfermeiros entrevistados por área de funcionamen cima também demostrou-se a categoria dos e rmação técnico-profissional na área de saúde onsistência. Tab. Nº 08 – entrevistados por categorias m conjunto de elementos, que muitos deles já f assim apresentaram-se as duas modalidades a que vigorou após a independência nacional urou mais de trinta anos em Angola e a entrad agora vigora na função pública em todo país. trevista realizada foram como consta na tabela a 0 2 4 6 8 10 5 10 5 5 4 4 enf. Por áreas UCI medi cirurg BU B. op Ortop Téc. Aux. 15 6 10 2 25 8 género incidên. Masc Fem total Téc. De enfer. 3ª classe 25 Aux. De enfer. 3ª classe 8 70 liares) de enfermagem m actuais funcionários no o como mostra a tabela do género entrevistado género cial), também o alvo de conta e o cuidado como número de entrevistados o foram distribuídas as anitárias referidas, com o abaixo: ento s entrevistados tendo em de para que as respostas á funcionam a mais de 30 es de ingresso na função al e que terminou após o rada através de concursos la abaixo. edicina irurgia . operat. rtoped. ên. % 19 58% 14 42% 33 100% 71 tab: nº 09 - nº de funcionários entrevistados como entraram no emprego Concurso público 18 Entrada direita 15 - modalidades de emprego dos entrevistados Um dos aspectos que serviu para a avaliação de acordo o tema em tratamento, virou-se também a análise comportamental dos dirigentes para se saber até que ponto os directivos estão sendo um factor catalisador da degradação de talentos no sector da saúde. Sabe-se que a atitude e as relações interpessoais jogam uma influência preponderante em termos de organização empresarial, criando um ambiente sadio para a promoção das pessoas, essas que sem as tais a organização seria um meio estático. O dinamismo que se encontra hoje nas instituições e organizações quer sejam privadas ou públicas, deve-se a grande falange de recursos humanos capazes de responder aos difíceis desafios que se colocam na competitividade de produção. A entrevista mostrou que dos 33 técnicos e auxiliares de enfermagem cuja referencia fizemo-la acima, somente 11 deles disseram que estavam satisfeitos com a atitude dos seus directivos e 22 deles disseram que não estavam satisfeitos. Ainda assim, para emparelhar esta entrevista fez-se uma ligação perante a atitude dos directivos e a reação pacífica dos técnicos demostrada na tabela abaixo, mostrando que 23 técnicos num universo de 33 disseram que já um dia pensaram em abandonar o sector da saúde por motivos variados; pois comportamento aprendido ou não, 25 técnicos entrevistados no mesmo universo responderam que conheceram colegas que estavam nas mesmas condições que eles e abandonaram em procura de outros serviços no estado e no privado. Tab: nº 10 - nº de funcionários entrevistados satisfação dos funcionários nos hospitais SIM NÃO Satisfeitos 11 22 Já pensaram em abandonar 23 10 conhecem colegas que abandonaram 25 8 Fonte de dados: pesquisa no Hospital Provincial e DPSKN/2014 Da mesma maneira a foram os directivos classificados por aqueles que juntos trabalham e dos 33 funcionários técnicos, somente 3 responderam que os seus directivos eram bons, um numero muito ínfimo se considerarmos o numero de entrevistados neste universo; assim também 21 funcionraios disseram que os seus dirigentes eram maus por más relações interpessoais na organização, finalmente 9 funcionarios responderam que os seus directivos tinham um comportamento razoável, conforme a tabela abaixo nos mostra. Tab: nº 11 - nº de funcionários entrevistados / comportamento dos directivos BOM 3 MAU 21 RAZOÁVEL 9 Fonte de dados: pesquisa no Hospital Provincial e DPSKN/2014 72 Apesar de tudo mas os nossos técnicos também emitiram o seu ponto de vista, que mesmo em ocasiões diferentes, muitos coincidiram nas suas respostas onde, 19 técnicos alegaram que devia existir um clima de respeito entre o chefe e o técnico e este retribuir da mesma maneira para que se crie circunstâncias harmoniosas no desenvolvimento das actividades organizacionais. Finalmente, 21 funcionários sugerem que a motivação é uma arma secreta no desenvolvimento de diferentes multinacionais que o mundo já conheceu e um travão para se evitar fugas desnecessárias dos funcionários. 15 Funcionários acham que as organizações deviam investir na formação do novo homem, para assegurar as condições vindouras na Província quiçá no país. Mesmo assim 10 funcionários acharam que para que alguém se sinta cómodo na organização, um reconhecimento se tornaria uma saída para fora deste desagregado comportamento que está tornando à muito o sector da saúde cada vez mais vazio. Um dos aspectos que acima já fiz referencia – e não me esqueceria desta parte – foi confirmada pela entrevista onde 23 funcionários disseram que seria tão salutar que a politica (do poder político), se separasse da técnica, pois, aquela está sobrepondo esta, sem hipóteses de se desagregar. Abaixo apreciasse o quadro resumidor das opiniões: Tab: nº 12 - nº de funcionários administrativos e técnicos entrevistados respeitassem os funcionários 19 motivassem os funcionários 21 investissem na formação dos func. 15 houvesse reconh. De mérito 10 que separassem polit. E téc. 23 Fonte de dados: pesquisa no Hospital Provincial Também foram entrevistados funcionáriosadministrativos do sector da saúde na provincia e na sua maioria ocupando um determinado cargo de direcção e que acabaram emitindo as suas opiniões em torno do que questionário que lhes foi entregue; pois trabalhou-se a nível dos entrevistados para evitar respostas induzidas, assim criou-se todo mecanismo e metodologia de entrevistas separadas evitando a comunicação entre os entrevistados. Foram entrevistados 22 funcionários administrativos com diferentes funções assim distribuídos: Tab: nº 13 - nº de funcionários administrativos entrevistados Responsáveis da direcção do HP 7 Responsáveis da DPSKN 3 Técn. Diversos na DPSKN 12 Total 22 Fonte de dados: pesquisa no Hospital Provincial e DPSKN Na direcção do hospital provincial os 7 responsáveis entrevistados sobre a saída dos técnicos tendo em conta as maiores causas que estiveram na base unanimemente responderam que a falta de motivação do pessoal naquela altura, os baixos salários que também fizeram-se sentir e em muitas unidades ainda fazem-se senteir por falta de uniformização das politicas salariais, a falta dos subsídios aos técnicos e não só, dos têm direito por lei (subsídios de isolamento, subsidio de actavio e subsidio de risco), a falta de dialogo entre subordinados e chefes, estiveram na base de que não se permanecesse no sector da saúde; adicionado a isso estão as condições de trabalho inadequadas, que também foram consideradas como um factor que esteve na base por 6 responsáveis daquela unidade hospitalar; um outro aspecto e não menos importante reportado pelos 7 responsáveis de uma maneira unânime foi, a falta de respeito dos 73 chefes para com os subordinados; na verdade são raras vezes em que o contrário possa acontecer; estas situações foram pactuadas pelos 3 responsáveis dos recursos humanos da DPS, corroboradas por 8 técnicos da DPS dos 12 entrevistados nesta. Estes responsáveis responderam também (todos concordaram), quando interrogados sobre a falta de capacidade para impedir com que os técnicos saíssem ou melhor abandonassem os serviços à procura de novos, - todos os cidadãos são livres de escolher a sua posição, usando do princípio da contrariedade, dando legitima escolha do individuo família ou comunidade para escolher sua própria orientação de convivência. 5.2 - Estratégia de retenção de profissionais no sector da saúde na Provincia do Cuanza- Norte: Com a descentralização e desconcentração do estado e do poder local respectivamente, hoje em Angola de uma maneira geral as estratégias de manutenção dos recursos humanos, materiais e financeiros estão no comando dos Governos Provinciais e das Administrações Municipais, excluindo aqui as comunas que ainda têm um pendor dependente do muncipio em termos de gestão de uma maneira geral. O sector da saúde que nas províncias têm suas dependências administrativas dos Governos provinciais e metodológicas do respectivo ministério, é responsável pela gestão das politicas e dos recursos da saúde a nível provincial e baixando ordens as repartições municipais somente em termos metodológicos, já que administrativamente estas dependem das administrações municipais. Assim, 18 funcionários administrativos dos 22 entrevistados responderam que as estratégias de retenção que até ao momento o governo provincial aplica para a retenção de funcionários no sector da saúde, considera-se ainda insuficiente ou melhor não existe; pois os entrevistados responderam ainda que não existe no nível provincial uma motivação funcional por falta de recursos materiais – que permitam a realização das actividades para buscas activas ou passivas, reduzindo assim as visitas de campos em termos de saúde pública; isso tudo faz refletir um momento de absentismo pelo que passa a Direcção Provincial. Falta de recursos financeiros – refletido numa gestão participativa, não existe um elemento comum ou ponto de convergência que possa acudir uma situação já conhecida em termos de motivação do pessoal; 13 funcionários da DPS, incluindo os de alta responsabilidade num total de 15 funcionários efectivos da direcção entrevistados, responderam que não sabiam do parcelar da DPS (entenda-se programação financeira anual), este documento não comporta somente a planificação salarial mas sim também as despesas entendidas como bens e serviços. Falta de recursos humanos – 20 administrativos entrevistados no universo de 22, responderam que no nível provincial não há falta de RH, mas esta falta é muito mais aclamada ao nível da assistência nas unidades sanitárias de todos os níveis; esta situação pode ser colmatada, na falta de concursos públicos – por contratos a tempo determinado, já a lei permite fazê-lo dependendo das disponibilidades financeiras a nível dos municípios. Falta de empatia – entendido como um sentimento psicológico não na partilha dos problemas do próximo, mas entendendo que os mesmos problemas se passassem do lado oposto, seriam sentidos da mesma maneira; assim 17 administrativos dos 22 responderam que a nível dos responsáveis, tanto das unidades sanitárias quanto das direcções não se faz sentir, razão pela qual, ainda nos debatemos com muitos problemas relacionados com os pedidos de transferências. Respeito pelos funcionários – numa administração moderna, participativa e democrática, não existe um chefe; existe sim um líder que passa em frente de todos, vai a luta com o grupo, perde com o grupo e ganha com o grupo; está aqui o momento que se deve conjugar sempre o 74 verbo que dá azo a ordem na terceira pessoa do plural, - vamos, fazemos, lutemos, trabalhemos e etc. O líder responde pelo grupo, faz-se obedecer participa e é dotado de responsabilidade, abjudica trabalho, controla, motiva o grupo, ouve, responde e respeita todos até a ínfima opinião considera-a; se o líder não se junta ao grupo, não respeitará ninguém e considerará os outros como escravos. Formação – em termos de formação apoios são necessários mesmo a nível local assim como a nível provincial; o envio de técnicos para uma determinada especialidade, deve ser seguido de investimentos; para além do salário do funcionário, outros apoios são indispensáveis para assegurar o sentimento de regresso por um lado e ter um aproveitamento positivo por outro. 15 Entrevistados responderam que os técnicos que se enviam nas especialidades como nas províncias de luanda e malanje, carecem de apoios das respectivas direcções dos hospitais assim como da própria direcção provincial da saúde. Condições de trabalho – refletido desde as más infraestruturas, más condições de trabalho (material), sem motivação dos trabalhadores. Os entrevistados administrativos (22), alegam que prestando uma atenção nestes aspectos, teríamos as ferramentas necessárias para assegurar e reter os funcionários que continuamente de uma maneira passiva ou activa continuam abandonar o sector da saúde. 75 5.3. Conclusões gerais A principal questão que orientou o presente estudo foi identificar quais são as causas, que se pautaram na degradação de talentos e a identificação de barreiras na retenção dos técnicos no sector da saúde na Província do Cuanza-Norte Dessa forma, para viabilizar o estudo de campo, utilizei a pesquisa qualitativa e quantitativa (CRESWELL, 2003; FLICK, 2004; GODOY 1995; VIEIRA 2004; RODRIGUES, 2007; e VERGARA, 2008). Aplicando a entrevista como técnica para coletar as informações. O contexto foi na cultura organizacional da Direcção Provincial da saúde adicionada a cultura de gestão de algumas unidades sanitárias de referência na Província, não obstante que muitas unidades foram visitadas para a obtenção de mais dados comparativos. A análise e tratamento dosdados foram apresentados de maneira descritiva e explicativa, onde tentei narrar individualmente e comparativamente as respostas obtidas por cada grupo entrevistado. Valendo-se da literatura consultada encontrei que a degradação de talentos, sendo um tema ligado com os aspectos comportamentais, proporciona ao homem um sentido e identidade de pertencer a um determinado grupo que muitas vezes não encontra um respaldo positivo tendo em conta as necessidades que levam o homem a agir como tal na procura de acertos relacionados com a convivência do dia a dia, concordando com Meishu-Sama (3 de setembro de 1949) “o homem depende do seu pensamento.” Assim também, de acordo com Feres Júnior (2010), observei que não podia generalizar a existência da degradação de talentos no sector da saúde com todo País, entendendo que existem províncias que têm uma maneira diferente de tratar os seus recursos humanos no sector da saúde e diversas maneiras de atender em termos de recursos de uma maneira geral no sector da saúde também em diferentes províncias. Mesmo com algumas similaridades, cada Província tem diferenças na sua própria cultura organizacional em termos de saúde tendo em conta a própria pessoa, já que não existe uma homogeneidade organizacional. Olhando o tema e contextualizando a nível dos serviços da saúde na Província, apos ter feito todas as análises relacionadas ao assunto, gostaria tecer a conclusão em três aspectos principais: a) Infraestruturas Em saúde um aspecto importante e que joga um papel determinante na condução de uma organização é a posição aceitável ou não das condições inerentes a infraestrutura sanitária para atendimento das pessoas como cliente. Após um levantamento da rede sanitária realizado neste estudo a nível do sector na provincia conseguiu-se ainda encontrar que existem 134 unidades sanitárias entre hospitais, maternidades, centros de saúde e postos de saúde, das quais 24 não funcionam dando lugar a 110 unidades funcionais; estas 12 unidades ainda funcionam em estado precário, sem as mínimas condições para oferecer serviços de saúde, tanto na má qualidade das infraestruturas assim como em termos de materiais degradados e obsoletos que ainda se usa nestas unidades. Estas condições que se vivem nas unidades estudadas vão direita ou indireitamente contribuir para uma produtividade degradante uma vez que o técnico não consiga actuar da melhor maneira fruto de condições degradantes, com respeito a teoria da ergonomia, e valorização do funcionário, estas condições aparecem como stressores. b) Recursos humanos Trata-se concretamente do elemento fundamental na degradação conforme foca-se neste trabalho; é o homem o próprio talento que se pode ou não aproveitar e ser seguido atendendo várias teorias que fazem da pessoa o elemento essencial na resolução de vários problemas que o afectam. Falar de recursos humanos, é na verdade falar das pessoas com um determinado compromisso com uma determinada organização seja ela qual for. 76 Sendo o homem o recurso mais complexo da organização para tal necessita de técnicas própria e específicas para o organizar. Os resultados indicam que no sector da saúde pouco ou nada se importam com a preocupação da pessoa que cuida outras pessoas e também poucas são as acções viradas para a motivação dos funcionários tendo em conta que muitos dos subsídios inerentes a esta acção não são processados; outro motivo evidente foi o êxodo em que o sector conheceu com o abandono de 69 funcionários maioritariamente técnicos de saúde procurando melhores condições, conquistando respeito e preocupação do serviço para com o trabalhador. c) Motivação É uma acção em que está consignada do ponto de vista psicológico ou sociológico para o homem e suas condições não somente de trabalho mas também na satisfação das necessidades básicas humanas, como resultado da acção humana. Análise pormenorizada dos objectivos do trabalho Após um estudo pormenorizado e uma investigação no sector da saúde sobre a degradação de talentos e em consonância com os objectivos propostos deste trabalho, considero que foram atingidos tendo em conta a disponibilidade da informação que permitiu a sua conclusão. - Foi caracterizado o trabalho desde os tempos bíblicos até aos nossos dias tendo em conta as dinâmicas no campo do trabalho as mutações desde a sua definição a luz de vários autores no passado e no presente; serve aqui para chamar atenção a sociedade em geral que apenas consideram o trabalho na vertente emprego estatal ou privado e apenas lucrativo. Mostrou-se que toda actividade humana seja qual for e em que dimensão, lucrativa ou não considera-se trabalho e até mesmo facto de estar ocupado por intermédio de actividades que envolvem o esforço psicológico. - foram também neste trabalho focalizados os tipos de emprego existente em Angola e que esta Província não foge a regra, apontando os caminhos percorridos pela administração do estado para conciliar o homem e a sua actividade e as modalidades seguidas no passado e no actual contexo para a obtenção de emprego em Angola. Apontaram-se as duas vertentes que oferecem emprego – o público e o emprego no sector privado, mostrando que existem também instrumentos diferentes para a sua condução, enquanto no publico é com base no concurso publico e a luz de decretos 102/96 e 33/91 no sector privado usa-se a lei geral do trabalho. - a degradação de talentos no sector tem sofrido oxilações consideráveis e acompanham as condições sociais dos funcionários de um determinado sector. De todos os tempos, o período de 2009 à 2013 foi o que mais degradação mostrou no sector da saúde por se considerarem os abandonos registados pelo departamento de recursos humanos da DPS. - as consequências consentidas pelo sector da saúde continuam até neste preciso momento a fazerem-se sentir e a dar um impacto muito negativo nas unidades sanitárias e a população paga um preço social muito alto percorrendo dezenas senão mesmo centenas de kilometros em procura de serviços de qualidade. Não se compreende isso em Angola e na minha provincia se 77 o sector da saúde é totalmente dirigido por médicos desde as áreas administrativas até as técnicas estando apenas os formados noutras áreas do saber a caminharem como autênticos dependentes e seguidores. Mostrou-se que as consequências para alem de atingirem a população estão também pautadas na sobrecarga de horário de trabalho a nível das unidades sanitárias tanto do nível primário secundário e terciário. - Foram neste trabalho também descritos os maiores focos de que constitui a degradação de talentos desde o abandono (fuga de funcionários para outros sectores sociais), as condições de serviços inadequadas e a actitude negativa dos directivos que vão directa ou indirectamente reflectir na degradação das pessoas, por falta de motivação. A resistência a mudanças e as péssimas condições que se impõem aos funcionários tem funcionado como barreiras a retenção de talentos. - Em última instância fez-se uma proposta de gestão na secção 3.5 deste trabalho. Limitações e Estratégias de Superação 1-Houve um tempo escasso para a elaboração do trabalho tendo em conta a data marcada para o fim (7 de janeiro de 2015), sua magnitude, dificuldade esta que não se foi capaz de ser superada, pelo pesquisador que apesar de ser um funcionário sénior do sector da saúde a nível da província e fazer parte da Direcção estratégica, mas houveram outros constrangimentos que fizeram com que não terminasse a tempo. 2- A intenção primária era desistir e mudar do tema por deficiências das fontes bibliográficas, deficiência de dados do sistema de saúde na província por um trabalho estatístico que na minha opinião parece-me ainda muito débil, o que leva a baixa confiabilidade dos referidosdados, entretanto, superadas com a realização de um trabalho de campo constatado pessoalmente nos municípios e unidades sanitárias pelo pesquisador. Ainda assim, os dados foram analisados e considerados com a devida ponderação. 3- Todos os números (dados) encontrados foram considerados e processados com a devida cautela, pois podem esconder uma realidade da situação sanitária na Província, pelo que foi melhor medir com números absolutos e também justificando assim a presença de algumas fotografias. Para assegurar o levantamento de dados e a utilização de dados demográficos, o projeto deste trabalho foi apresentado ao Governo Provincial do Kuanza-Norte, particularmente o Governador Provincial que autorizou a realização do estudo. Propostas para estudos futuros Considero que os estudos na área de gestão sanitária em Angola ainda são muito latentes, pelo facto de que muito pouco ou nada se conhece acerca desta área, sua aplicabilidade no sector da saúde de uma maneira geral. 78 Assiste-se hoje uma gestão que na minha opinião considero distorcida tendo em conta a especificidade deste sector e a complexidade que envolve em termos de gestão desde os recursos humanos, materiais e financeiros, faltando estratégias nos níveis institucionais, intermédio e até mesmo operacionais. Fala-se hoje na maximização de resultados, mas que não contem qualidade exigida, porque apenas são resultados maximizados para assegurar o estado do poder político dos dirigentes, sem entrar em pormenores de qualidade sectorial e técnica. Assim é de considerar ainda um campo de muita investigação principalmente na Província em que vivo e trabalho. São ainda temas propostos para investigação, actitude dos directivos nas unidades sanitárias, lideres ou chefes; Absentismo nas unidades sanitárias suas causas e consequências; Finalizando Como se viu esta triologia faz-nos perceber o quanto o homem esfalece seu potencial de conhecimentos ou mesmo se perde no meio de um emaranhado de condições inadequadas tendo em conta o “eu,” não para o transformar (por ser dependente em termos de condições de trabalho), mas sim concorrendo para o conformismo. É uma condição impostora por ter uma sequencia de dependência através de terceiros cujas condições de trabalho, atraves da municipalização os recursos foram alocados a nível do município às administrações municipais, sem estes entenderem as necessidades do sector, vão reprovando todas as propostas dadas pelos chefes de repartições municipais. Já em anexo coloquei algumas imagens para reflexão em termos de degradação de talentos no scetor da saúde. 79 5.2 Recomendações Já se compreendeu que o processo de degradação de talentos que é o objecto primordial deste trabalho, coloca frente a frente (na minha maneira de pensar), os três elementos principais pelo que tudo o que se deve fazer em torno da inversão das questões inerentes a soluções passam necessariamente pelo melhoramento das infraestrutura, o homem como recurso fazedor de outros recursos e que é acompanhado de motivação para melhor produzir. Assim, recomenda-se o seguinte: 1. No domínio dos projetos das infraestrutura, que se preste mais atenção e cumprir com os pressupostos pautados pelo regulamento sanitário publicado na Lei 5/87 de 23 de Fevereiro, que recomenda que “se ouvisse os serviços de saúde nas edificações urbanas;” neste caso falo concretamente das unidades sanitárias que foram contruidas a luz dos orçamentos dos cuidados primários de saúde, implementados com as municipalizações. Recomenda-se ainda que haja um programa integrado a nível das administrações municipais que farão com que sempre que se construa uma unidade sanitária não seja subaproveitada como acontece em muitos municípios da provincia do Cuanza-norte, é o caso do posto de saúde da pamba da curva no município de lucaka, posto de saúde de capungo no município de Cambambe. Que se faça reabilitações nas unidades que continuam péssimas e em mau estado físico como no posto de saúde de catari II no município de Cazengo, posto de saúde do Bessenguele no município da Banga e outros, como se vê no anexo 4. 2. Recomenda-se que haja uma política localmente de aproveitamento dos recursos humanos e que as unidades sanitárias tenham mais atenção em cuidar de quem cuida. Recomenda-se ainda que as maiores unidades ou mesmo a nível do município que se faça um levantamento local e criarem os quadros de pessoal por município com vista a se conhecer quantos lugares criados por lei e quantos estão ocupados, para dar lugar a enquadramentos através de concursos públicos. Que haja projectos de retenção de quadros evitando a fuga de técnicos para outros sectores ou mesmo para outras províncias no mesmo sector; Promovendo a implementação de instrumentos legais sobre os subsídios ou suplementos remuneratórios a nível local; a todo caso desenvolver pesquisas para identificar mecanismos de incentivos e de motivação dos RHS a nível local, adicionalmente tendo em conta a dotação de meios e recursos para a investigação em saúde nas unidades de terceiro nível; 3. Um dos aspectos que deve ter em conta é o desenvolvimento de uma verdadeira ciência da administração em saúde, de modo que pudesse ser determinado o melhor método para realizar cada tarefa, porque há sempre uma melhor maneira de realizar uma determinada tarefa. Também em função da produtividade verso capacidades dos funcionários deve-se prestar muita atenção na selecção científica dos trabalhadores, devendo escolher-se pessoas adequadas ao desempenho da função e treiná-las nessa função. Um outro aspecto não menos importante é o relacionado com a educação e o desenvolvimento científico do trabalhador, pôr a pessoa certa no lugar certo, não resolveria o problema, seriam necessários incentivos sobre tudo de carácter financeiro. por final a cooperação entre os trabalhadores e os gestores cabendo aos primeiro receber e executar as ordens e aos segundos planear mandar executar e controlar a execução. SECÇÃO VI – BIBLIOGRAFIA UTILIZADA 1. E. Spector, PAUL; Psicologia nsa organizações, 2ª edição. Editora saraiva 2008 2. Nelson, BOB; Economy, PETER; abiblia da gestão, - os melhores e mais actuais recursos de gestão. Gestão plus editora 2007. 3. MINSA, Angola, legislação do ministério da saúde – XXIº Conselho consultivo ordinário do ministério da saúde; moxico outubro de 2011. 4. THOMAS J. figueira; BRENNAN, T. 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