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Aula 11 - DIREITO CONSTITUCIONAL 1 2017 2º Sem 17.docx

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Trata-se de uma das garantias centrais da cidadania, que impede que as pessoas ajam em sociedade constrangidas pela possibilidade súbita de perda de seus bens ou de sua liberdade. Entre o momento atual e o momento em que isso venha a ocorrer, haverá neste meio, necessariamente, a oportunidade para um diálogo entre os interessados, realizado sob a forma de um processo legal.
Um processo legal significa não apenas que seja um processo com as normas (atos e prazos para os atos) fixados em lei, mas também que se trata de um processo justo (com prazos e oportunidades razoáveis para todos os envolvidos).
O STF, no julgamento do habeas corpus 67759/92 reconheceu que também existe a figura do promotor natural, não sendo possível a designação arbitrária de agente acusador.
Direito ao contraditório e à ampla defesa nos processos judiciais e administrativos (inciso LV)
Fixado o critério para escolha do Juízo que examinará a causa, a Constituição, no passo seguinte, pretende estabelecer minimamente em que termos ocorrerá o processo.
Quando afirma o contraditório como princípio essencial, a Constituição diz que as partes devem ser informadas de todos os atos (tanto da outra parte, quanto do Juiz/da Administração Pública), com a possibilidade efetiva de reagir a eles. Para isso, deve ser permanentemente informada sobre o que está sendo tratado/decidido.
A consequência prática mais evidente disso é que nenhuma decisão (judicial/administrativa) pode ser baseada em provas a que as partes não tiveram efetivo acesso, em procedimento do qual elas realmente tenham participado.
O direito ao contraditório prévio somente pode ser dispensado quando o Poder Judiciário ou a Administração perceba o risco iminente de lesão a outro direito fundamental, que tornaria sua decisão inócua. Sem prejuízo, contudo, da obrigatoriedade deste contraditório em momento posterior à realização do ato.
Por fim, entende-se como exercício da ampla defesa a utilização de todos os meios necessários (porém lícitos) para que o interessado demonstre seu ponto de vista sobre o fato discutido no processo: desde a liberdade de argumentação até as provas necessárias para comprova-la.
Duração Razoável do Processo (inciso LXXVIII)
Trata-se da única dos direitos fundamentais que não fazia parte do texto constitucional original, tendo sido acrescido à lista em 2004.
Tanto se deve ao reconhecimento que pouco adiantam todos os outros direitos se não houver um direito à resposta (do Judiciário ou da Administração) em um tempo razoável. Sem isso, o acesso à Justiça (e não meramente ao Judiciário) não é um acesso efetivo.
Este direito pertence a todos que precisem se dirigir à Administração ou ao Poder Judiciário, sendo responsável pelo seu cumprimento tanto o Poder Executivo (tanto em razão de conduzir processos administrativos quanto por ser o verdadeiro gestor do orçamento) quanto o Poder Judiciário (que tem a obrigação de se organizar para oferecer a prestação que melhor conjugue segurança e rapidez), quanto o Poder Legislativo (que deve votar leis que atendam este princípio).
O que é duração razoável do processo é algo que será definido a partir de quatro variáveis: complexidade do caso discutido, garantia do contraditório e ampla defesa, conduta das autoridades julgadoras e conduta dos litigantes. Duração razoável não é necessariamente sinônimo de rapidez, mas de um processo que dure exatamente o tempo necessário para avaliação do problema trazido e não mais.
Ainda não há nenhum julgamento do STF que reconheça este direito como um direito subjetivo imediatamente exigível, com alguma ordem expressa neste sentido. 
Mas, assim como aconteceu em relação aos demais direitos, imaginamos que esta seja a tendência, já havendo algumas decisões do CNJ (órgão administrador do Judiciário) impulsionando os tribunais a tomarem providências genéricas, como mutirões, para solução de casos mais extremos de atraso.
Indenização por erro judiciário ou por prisão além do tempo de sentença (inciso LXXV)
No direito brasileiro, o Estado é responsável pelos erros que comete, devendo indenizar as pessoas que foram prejudicadas. Esta regra geral, que será exaustivamente estudada no Curso de Direito Administrativo, inclui também os atos praticados pelo Poder Judiciário.
Em um primeiro momento, os erros de um juiz, tanto no campo cível quanto no penal, são corrigidos por meio de recursos, pedidos formulados pelo interessados a juízes superiores àquele que praticou o ato impugnado.
Encerrado o processo e as respectivas oportunidades de recurso, a possibilidade de indenização por erro judiciário dependerá da comprovação de que o Juiz tenha agido com dolo ou fraude no trato da questão, não bastando a simples inconformidade com a decisão (se imaginássemos o contrário, o processo nunca teria fim).
Em relação à segunda hipótese (prisão além do tempo de sentença), o primeiro ponto a destacar é que ela não inclui prisões temporárias. Estas são decretadas durante o processo, e a quantidade de informação disponível pode, eventualmente, levar o Poder Judiciário a uma visão errada da situação, também a ser resolvida mediante a apresentação de recursos.
Assim, a hipótese de indenização se dá apenas quando é excedido o tempo de condenação penal, sem que a Administração Penitenciária ou o Poder Judiciário tome providências para soltura. Nesta hipótese, não se exige que o erro tenha se dado por má-fé ou fraude.
A indenização deve ser a mais completa possível, podendo o Estado propor ação regressiva (fazer a cobrança do que pagou) em desfavor do agente que cometeu o erro.
Direito Adquirido, Ato Jurídico Perfeito, Coisa Julgada (inciso XXXVI)
A Constituição Brasileira reconhece que, nestas situações, o tempo consolida determinados direitos alcançados pelas pessoas, não podendo mais haver nenhuma possibilidade de mudança. Em outros termos, ela identifica a segurança jurídica como um princípio constitucional relevante, que deve ser preservado, sendo impossível a retroatividade da lei nestas situações.
Direito Adquirido: direito cujo titular já tenha cumprido todas as condições para obtê-lo;
Ato Jurídico Perfeito: ato já consumado completamente, de acordo com as leis vigentes;
Coisa julgada: decisão judicial contra a qual não caiba mais nenhum recurso.