Prévia do material em texto
______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ PPRREEFFEEIITTUURRAA MMUUNNIICCIIPPAALL DDEE FFAAZZEENNDDAA RRIIOO GGRRAANNDDEE -- PPRR GGEERRÊÊNNCCIIAA MMUUNNIICCIIPPAALL DDEE EEDDUUCCAAÇÇÃÃOO EENNSSIINNOO FFUUNNDDAAMMEENNTTAALL DDEE NNOOVVEE AANNOOSS ((11ºº AAOO 55ºº AANNOO)),, EEDDUUCCAAÇÇÃÃOO IINNFFAANNTTIILL EE EEDDUUCCAAÇÇÃÃOO EESSPPEECCIIAALL 22000088 ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ Dados internacionais de catalogação na publicação. Bibliotecária responsável: Mara Rejane Vicente Teixeira. Proposta curricular municipal : ensino fundamental de nove anos ( 1. ao 5. ano), educação infantil e educação especial / Gerência Municipal de Educação. - Fazenda Rio Grande, PR: Gerência Municipal de Educação, 2008. 483 p. ; 28cm. Currículos – Planejamento – Fazenda Rio Grande (PR). 2. Ensino fundamental – Fazenda Rio Grande (PR) – Currículos. 3. Educação infantil - Fazenda Rio Grande (PR) – Currículos. 4. Educação especial – Fazenda Rio Grande (PR) – Currículos. I. Fazenda Rio Grande (PR). Prefeitura Municipal. Gerência Municipal de Educação. CDD (22ª ed.) 372.19 Nenhuma parte dessa publicação poderá ser reproduzida, por qualquer meio, sem autorização. __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ PROPOSTA CURRICULAR MUNICIPAL*: ENSINO FUNDAMENTAL DE NOVE ANOS (1º AO 5º ANO), EDUCAÇÃO INFANTIL E EDUCAÇÃO ESPECIAL VERSÃO PRELIMINAR (2006 – 2007) ASSESSORIA E COORDENAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL Roseneide Batista Cirino Rosana Aparecida Dea Paz EQUIPE PEDAGÓGICA Ensino Fundamental Eleni Nogueira Ukan Roseni Ramos de Lima Samara Cosme de Oliveira Mathias Sandra Goss Velter Kuchnir Sueli de Oliveira Souza Suzimar Regina Serafim Ferreira Educação Infantil Célia Regina Ferreira da Silva Ianiski Silviani de Oliveira Franco Educação Especial Silvana da Rosa Lascosky Suzimar Regina Serafim Ferreira Educação de Jovens e Adultos – EJA Andreia Velter Sellma Gestão Escolar Beatriz Back Roseni Ramos de Lima Silvana da Silva Língua e Linguagens Língua Portuguesa Elaine Cristina de Lima dos Santos Linguagem Corporal e Brinquedoteca Cristiane Santos Linguagens Artísticas Fabiana Cristina Palioto dos Santos Linguagem Digital e Literatura Rose Maria Zaionz da Rocha DOCUMENTAÇÃO ESCOLAR Edna Starepravo PROGRAMAS E PROJETOS EDUCACIONAIS Legina Carmem Pereira Liliany Vanessa Barbosa dos Santos Marlise Clorinda Suman Claudino Sirlene de Jesus Santos Silva APOIO AO RECURSOS HUMANOS Willian Gaspar NUTRICIONISTA Valdirene Hitner Padilha ASSESSORIA PEDAGÓGICA Maria Madselva Ferreira Feiges Sandra Terezinha Bisusko de Lima ** PPrrooppoossttaa CCuurrrriiccuullaarr eellaabboorraaddaa ccoolleettiivvaammeennttee eemm ssuuaa vveerrssããoo pprreelliimmiinnaarr ee ooffiicciiaall,, eessttaannddoo eemm ccoonnssoonnâânncciiaa ccoomm aa LDB 9394/96. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9394 de 26 de dezembro de 1996. Ministério da Educação e Cultura. Diário da República Federativa do Brasil. Brasília, 1996, e demais legislações que regulamentam a Implantação do Ensino Fundamental de Nove Anos, dentre as quais ressaltam-se: - INSTRUÇÃO CONJUNTA Nº 02/06. Estabelece Normas para a Implantação do Ensino de Nove Anos do Sistema Estadual de Ensino. Paraná. - DELIBERAÇÃO Nº 03/06, CEE/PR. Normas para a Implantação do Ensino Fundamental de 9 (nove) Anos de Duração no Sistema Estadual de Ensino do Paraná. Conselho Estadual de Educação – Paraná. Câmara do Ensino Fundamental. Aprovada em 09/06/2006. Os Projetos Políticos-Pedagógicos das Instituições Educativas da Rede Municipal de Ensino de Fazenda Rio Grande, bem como, a Proposta Curricular Municipal: Ensino Fundamental de Nove Anos (1º ao 5º ano), Educação Infantil e Educação Especial, foram aprovados pelo Núcleo Regional de Educação do Paraná – Área Metropolitana Sul, a partir do ano de 2007, conforme os pareceres: 014/2008, 015/2008, 016/2008, 017/2008, 018/2008, 019/2008, 020/2008, 021/2008, 022/2008, 023/2008, 024/2008, 025/2008, 026/2008, 027/2008, 028/2008, 029/2008, 030/2008, 031/2008, 032/2008, 059/2008, 060/2008, 061/2008, 062/2008, 063/2008, 064/2008, 070/2008, 079/2008, 083/2008, 084/2008. __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ PROPOSTA CURRICULAR MUNICIPAL: ENSINO FUNDAMENTAL DE NOVE ANOS (1º AO 5º ANO), EDUCAÇÃO INFANTIL E EDUCAÇÃO ESPECIAL VERSÃO OFICIAL (2008) ASSESSORIA E COORDENAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL Roseneide Batista Cirino EQUIPE PEDAGÓGICA Ensino Fundamental Eleni Nogueira Ukan Roseni Ramos de Lima Samara Cosme de Oliveira Mathias Sandra Goss Velter Kuchnir Sueli de Oliveira Souza Suzimar Regina Serafim Ferreira Educação Infantil Célia Regina Ferreira da Silva Ianiski Educação Especial Silvana da Rosa Lascosky Educação de Jovens e Adultos – EJA Andreia Velter Sellma Gestão Escolar Beatriz Back Linguagens Linguagem Corporal e Brinquedoteca Cristiane Santos Linguagens Artísticas Fabiana Cristina Palioto dos Santos Linguagem Digital e Literatura Rose Maria Zaionz da Rocha DOCUMENTAÇÃO ESCOLAR Édrine Jamille de Deus Mendes Luiz Rodrigo Solano Samara Cosme de Oliveira Mathias PROGRAMAS E PROJETOS EDUCACIONAIS Liliany Vanessa Barbosa dos Santos Marlise Clorinda Suman Claudino APOIO AO RECURSOS HUMANOS Willian Gaspar NUTRICIONISTA DeysiCristina Wielewski EQUIPE DE APOIO À GERÊNCIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO Amarildo José Carvalho Célia Maria Borges Claudia Maria de melo Claudinir das Graças P. da Cruz Eliane Oliveira da Silva José Itali Mainardes Priscila Zarochinski Regina Bibiana Santos Marcolin Rosani Nercolini Simony Rafaeli Quirino ASSESSORIA PEDAGÓGICA Danieli Maques Vieira Fábio Gusmão da Silva Fernanda Mocelin Schena Inês Astréia Almeida Marques Josélia Schawanka Salomé Lucianita Machado Landvoigt Maria Tereza Xavier Cordeiro Paulo Ricardo Ross Ricardo Battisti Archer Rosana Aparecida Dea Paz REVISÃO LINGÜÍSTICA Fábio Gusmão da Silva CAPA Fabiana Cristina Palioto dos Santos ILUSTRAÇÃO Márcia Traszkos ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ WWxxww||vvttÅÅÉÉáá __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ A todos os educadores que trilham a caminhada da reflexão e da construção de uma educação de qualidade na perspectiva da Formação Humana. ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ TTzzÜÜttwwxxvvxxÅÅÉÉáá ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Primeiramente a Deus por ter nos concedido a vida para que pudéssemos presenciar tantos momentos de reflexões e mudanças. Aos educandos e as suas famílias que contribuíram para a construção desta proposta e que contribuem cotidianamente para sua garantia, acreditando na educação como uma das possibilidades de garantia de um futuro digno para a nação. Aos educadores, a todos os profissionais e as demais pessoas que permitiram valiosas contribuições à proposta curricular e que constroem dia a dia um projeto de educação que valoriza o ser humano em sua totalidade. ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ As imagens dos educandos estão no cerne dos debates docentes porque nos obrigam a redefinir quem somos. Quanto mais conhecemos a totalidade de dimensões que fazem parte da infância, adolescência, juventude ou vida adulta dos alunos reais com que convivemos, mais instigante fica a pergunta: qual nossa tarefa? O que é a docência? Quem somos como profissionais? (ARROYO, 2005, p. 67). __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ LISTA DE QUADROS E TABELAS QUADRO 1 – IMPLANTAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL DE NOVE ANOS ............................................ 39 QUADRO 2 – MATRIZ CURRICULAR .................................................................................................................. 109 QUADRO 3 – ESQUEMA DIALÉTICO ................................................................................................................... 120 QUADRO 4 – ESQUEMA DIALÉTICO: EIXO ARTICULADOR - TRABALHO ....................................................122 TABELA 1 – ORGANIZAÇÃO CURRICULAR: TEMPO DE VIDA I – 4 MESES A 1 ANO .............................. 52 TABELA 2 – ORGANIZAÇÃO CURRICULAR: TEMPO DE VIDA I – 1 A 2 ANOS ............................................ 55 TABELA 3 – ORGANIZAÇÃO CURRICULAR: TEMPO DE VIDA I – 2 A 3 ANOS ............................................ 58 TABELA 4 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – 1º TRIMESTRE/ 1º ANO .................................................. 125 TABELA 5 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – 2º TRIMESTRE/ 1º ANO .................................................. 127 TABELA 6 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – 3º TRIMESTRE/ 1º ANO .................................................. 129 TABELA 7 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – LÍNGUA PORTUGUESA /1º ANO .................................. 131 TABELA 8 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – PRÁTICAS DA LÍNGUA PORTUGUESA /1º ANO ....... 132 TABELA 9 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – 1º TRIMESTRE/ 2º ANO .................................................. 134 TABELA 10 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – 2º TRIMESTRE/ 2º ANO ................................................ 136 TABELA 11 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – 3º TRIMESTRE/ 2º ANO ................................................ 138 TABELA 12 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – LÍNGUA PORTUGUESA /2º ANO ................................ 140 TABELA 13 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – PRÁTICAS DA LÍNGUA PORTUGUESA /2º ANO ..... 141 TABELA 14 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – 1º TRIMESTRE/ 3º ANO ................................................ 142 TABELA 15 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – 2º TRIMESTRE/ 3º ANO ................................................ 144 TABELA 16 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – 3º TRIMESTRE/ 3º ANO ................................................ 147 TABELA 17 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – LÍNGUA PORTUGUESA /3º ANO ................................ 149 TABELA 18 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – PRÁTICAS DA LÍNGUA PORTUGUESA / 3º ANO .... 150 TABELA 19 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – 1º TRIMESTRE/ 4º ANO ................................................ 151 TABELA 20 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – 2º TRIMESTRE/ 4º ANO ................................................ 153 TABELA 21 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – 3º TRIMESTRE/ 4º ANO ................................................ 156 TABELA 22 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – LÍNGUA PORTUGUESA /4º ANO ................................ 158 TABELA 23 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – PRÁTICAS DA LÍNGUA PORTUGUESA / 4º ANO .... 159 TABELA 24 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – 1º TRIMESTRE/ 5º ANO ................................................ 160 TABELA 25 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – 2º TRIMESTRE/ 5º ANO ................................................ 163 TABELA 26 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – 3º TRIMESTRE/ 5º ANO ................................................ 166 TABELA 27 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – LÍNGUA PORTUGUESA /5º ANO ................................ 168 TABELA 28 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – PRÁTICAS DA LÍNGUA PORTUGUESA / 5º ANO .... 169 TABELA 29 – ESTRUTURA PARA ELABORAÇÃO DO PLANO DE AÇÃO DA INSTITUIÇÃO ................... 178 TABELA 30 – SUGESTÕES DE INSTRUMENTOS AVALIATIVOS .................................................................. 193 TABELA 31 – GÊNEROS INDICADOS PARA EDUCAÇÃO INFANTIL – 4 E 5 ANOS .............................. 229 TABELA 32 – GÊNEROS INDICADOS PARA CADA ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL .......................... 232 TABELA 33 – ORGANIZAÇÃO CURRICULAR/EDUCAÇÃOINFANTIL - CRIANÇAS COM 4 E 5 ANOS - ESTUDOS DA NATUREZA E SOCIEDADE........................................................................................................... 255 __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ TABELA 34 – ORGANIZAÇÃO CURRICULAR DE HISTÓRIA PARA OS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DE NOVE ANOS /1º AO 5º ANO................................................................................................ 265 TABELA 35 – ORGANIZAÇÃO CURRICULAR DE GEOGRAFIA PARA OS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DE NOVE ANOS/1º AO 5º ANO ................................................................................................ 276 TABELA 36 – ORGANIZAÇÃO CURRICULAR DE CIÊNCIAS PARA OS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DE NOVE ANOS/1º AO 5º ANO ................................................................................................ 286 TABELA 37 – ORGANIZAÇÃO CURRICULAR DE ENSINO RELIGIOSO PARA OS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DE NOVE ANOS/1º AO 5º ANO ............................................................................... 298 TABELA 38 – ORGANIZAÇÃO CURRICULAR/EDUCAÇÃO INFANTIL - CRIANÇAS COM 4 E 5 ANOS – LINGUAGEM MATEMÁTICA .................................................................................................................................. 323 TABELA 39 – ORGANIZAÇÃO CURRICULAR DE LINGUAGEM MATEMÁTICA PARA OS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DE NOVE ANOS/1º AO 5º ANO ......................................................................... 326 TABELA 40 – ORGANIZAÇÃO CURRICULAR DE LINGUAGENS ARTÍSTICAS PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL: TEMPO DE VIDA I E II ........................................................................................................................... 349 TABELA 41 – ORGANIZAÇÃO CURRICULAR DE LINGUAGENS ARTÍSTICAS PARA OS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DE NOVE ANOS/1º AO 5º ANO ........................................................................................... 355 TABELA 42 – ORGANIZAÇAO CURRICULAR DA LINGUAGEM CORPORAL PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL: TEMPO DE VIDA I E II ..................................................................................................................... 370 TABELA 43 – ORGANIZAÇAO CURRICULAR DA LINGUAGEM CORPORAL PARA OS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DE NOVE ANOS/ 1º AO 5º ANO .................................................................................... 377 TABELA 44 – SALA DE RECURSOS: ÁREAS DE DESENVOLVIMENTO ..................................... 441 __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ SUMÁRIO CARTA DE PRINCÍPIOS: IV CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO/2006............................... 23 APRESENTAÇÃO................................................................................................................................................ 28 1. CICLOS DE FORMAÇÃO HUMANA E APRENDIZAGEM..................................................................... 31 1.1 ENSINO FUNDAMENTAL ............................................................................................................................32 1.1.1 Contextualizando a Ampliação do Ensino Fundamental ....................................................................... 32 1.2 IMPLANTAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL DE 9 ANOS.................................................... 37 1.2.1 Ciclo da Infância ........................................................................................................................................... 37 1.3 EDUCAÇÃO INFANTIL ................................................................................................................................. 40 1.3.1 A trajetória da Educação Infantil em Fazenda Rio Grande .................................................................... 40 2. TEMPOS DE VIDA .......................................................................................................................................... 43 2.1 TEMPOS DE VIDA I – 0 A 3 ANOS ............................................................................................................ 43 2.2 TEMPO DE VIDA II – 4 A 5 ANOS .............................................................................................................. 63 2.3 TEMPOS DE VIDA III E IV – 6 A 10 ANOS ................................................................................................ 72 3. APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO NO CONTEXTO DA INTERAÇÃO SOCIAL .............. 80 4. FORMAR-SE NA DIVERSIDADE ................................................................................................................. 82 5. CAMINHOS POSSÍVEIS PARA A APRENDIZAGEM ............................................................................. 84 6. CONCEPÇÃO DE INFÂNCIA ....................................................................................................................... 87 7. DIMENSÕES HUMANAS ............................................................................................................................... 91 8. ELEMENTOS CONSTITUINTES DA PRÁTICA PEDAGÓGICA .......................................................... 94 8.1 CUIDAR E EDUCAR ..................................................................................................................................... 94 8.2 INSERÇÃO E ACOLHIMENTO ................................................................................................................... 95 8.3 RELAÇÕES EDUCADOR (A) – EDUCANDO (A) .................................................................................... 97 8.4 CONSTITUIÇÃO DE IDENTIDADE ............................................................................................................ 98 8.5 AS LINGUAGENS DA CRIANÇA ................................................................................................................ 99 8.6 A BRINCADEIRA COMO ATIVIDADE PRINCIPAL DA CRIANÇA ..................................................... 101 8.7 O ESPAÇO E TEMPO NA INSTITUIÇÃO EDUCATIVA COMO PROCESSOS SOCIALIZADORES ................................................................................................................................ 104 9. RELAÇÕES: FAMILIARES, ECONÔMICAS, POLÍTICAS, RELIGIOSA, ÉTNICAS, DE TRABALHO, E ÉTICAS .................................................................................................................................. 107 10. METODOLOGIA DIALÉTICA .................................................................................................................. 110 11. A ORGANIZAÇÃO CURRICULAR E A METODOLOGIA DIALÉTICA PARA OS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DE 9 ANOS ............................................................................................... 118 12. GESTÃO ESCOLAR ................................................................................................................................. 172 12.1 A AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL ENQUANTO POSSIBILIDADE DE REDIMENSIONAMENTO DA ORGANIZAÇÃODO TRABALHO PEDAGÓGICO NAS INSTITUIÇÕES ESCOLARES........................ 175 __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ 12.1.1 Avaliação Institucional e a necessidade do Plano de Ação da instituição educativa escolar .......................................................................................................................................... 177 13. FORMAÇÃO CONTINUADA .................................................................................................................. 179 13.1 FUNÇÕES DA GERÊNCIA DE EDUCAÇÃO PARA IMPLEMENTAÇÃO DA POLÍTICA CURRICULAR E POLÍTICA DE FORMAÇÃO CONTINUADA NA REDE MUNICIPAL DE FAZENDA RIO GRANDE .................................................................................................................................................... 181 14. CONCEPÇÃO EMANCIPATÓRIA DE AVALIAÇÃO ......................................................................... 188 14.1 O PROCESSO DE AVALIAÇÃO EMANCIPATÓRIA NA REDE MUNICIPAL DE FAZENDA RIO GRANDE ............................................................................................................................................................ 189 14.2 ENCAMINHAMENTOS PARA ORGANIZAÇÃO DO PROCESSO DE PROGRESSÃO CONTINUADA ................................................................................................................................................... 197 15. ORGANIZAÇÃO DOS CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS NO CURRÍCULO ............................ 203 16. PRESSUPOSTOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS DA LÍNGUA PORTUGUESA ..................... 207 16.1 A LÍNGUA PORTUGUESA NO CONTEXTO DA ALFABETIZAÇÃO E DO LETRAMENTO: PERSPECTIVAS PARA O ENSINO FUNDAMENTAL DE 9 ANOS ....................................................... 217 16.2 A ESPECIFICIDADE DA LÍNGUA PORTUGUESA NA EDUCAÇÃO INFANTIL ......................... 223 16.3 AVALIAÇÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA ......................................................................................... 247 17. ESTUDOS DA NATUREZA E DA SOCIEDADE ................................................................................. 252 17.1 HISTÓRIA .................................................................................................................................................. 261 17.1.1 Avaliação em História ............................................................................................................................ 271 17.2 GEOGRAFIA ............................................................................................................................................ 272 17.2.1 Avaliação em Geografia ........................................................................................................................ 280 17.3 CIÊNCIAS .................................................................................................................................................. 282 17.3.1 Avaliação em Ciências .......................................................................................................................... 294 17.4 ENSINO RELIGIOSO .............................................................................................................................. 295 17.4.1 Fenômenos Religiosos ......................................................................................................................... 295 17.4.2 Avaliação em Ensino Religioso ............................................................................................................ 301 18. AS MÚLTIPLAS LINGUAGENS NA ORGANIZAÇÃO DO CURRÍCULO ..................................... 303 18.1 DIAGRAMA CURRICULAR DAS MÚLTIPLAS LINGUAGENS .................................................... 305 19. LINGUAGEM MATEMÁTICA ................................................................................................................. 308 19.1 AVALIAÇÃO MATEMÁTICA .................................................................................................................. 332 20. LINGUAGENS ARTÍSTICAS ................................................................................................................... 337 20.1 AVALIAÇÃO EM LINGUAGENS ARTÍSTICAS .................................................................................. 361 21. LINGUAGEM CORPORAL ...................................................................................................................... 364 21.1 AVALIAÇÃO EM LINGUAGEM CORPORAL ..................................................................................... 392 22. LINGUAGEM DIGITAL ............................................................................................................................. 394 23. LITERATURA ............................................................................................................................................. 401 __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ 23.1 HISTÓRIA DA LITERATURA INFANTIL .............................................................................................. 401 23.2 A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA INFANTIL NA ESCOLA ........................................................ 403 23.2 AVALIAÇÃO EM LITERATURA ............................................................................................................ 410 24. BRINQUEDOTECA ................................................................................................................................... 413 24.1 AVALIAÇÃO EM BRINQUEDOTECA .................................................................................................. 419 25. FUNDAMENTOS TEÓRICOS DA EDUCAÇÃO ESPECIAL E INCLUSIVA ................................. 420 25.1 NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS .............................................................................. 422 25.2 EDUCAÇÃO ESPECIAL E INCLUSIVA ............................................................................................... 424 25.3 INCLUSÃO ................................................................................................................................................ 426 25.4 DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ............................................................................................... 429 25.5 ADAPTAÇÕES CURRICULARES PARA A EDUCAÇÃO ESPECIAL E INCLUSIVA ................ 431 26. ÁREAS DA EDUCAÇÃO ESPECIAL .................................................................................................... 434 26.1 ÁREA MENTAL ........................................................................................................................................ 434 26.1.1 Deficiência Intelectual/ Déficit Cognitivo .............................................................................................. 434 26.1.2 Distúrbios de Aprendizagem ................................................................................................................ 436 26.1.3 Sala de Recursos ................................................................................................................................... 440 26.1.4 Centro Municipal de Atendimento Especializado – CMAE.............................................................. 442 26.1.5 Avaliação psicoeducacional ................................................................................................................. 442 26.1.6 Fonoaudiologia ....................................................................................................................................... 444 26.1.7 Central de Apoio Pedagógico .............................................................................................................. 445 26.1.8 Classe Especial ...................................................................................................................................... 445 26.1.9 Escola Especial ...................................................................................................................................... 447 26.2 SURDEZ .................................................................................................................................................... 449 26.2.1 Centro de Atendimento Especializado na Área da Surdez – CAES .............................................. 451 26.3 ÁREA VISUAL ........................................................................................................................................... 451 26.3.1 Centro de Atendimento Especializado em Deficiência Visual – CAE-DV ..................................... 453 26.4 SURDOCEGUEIRA ................................................................................................................................. 455 26.5 DEFICIÊNCIA FÍSICA NEUROMOTORA ........................................................................................... 456 26.5.1 Professor de Apoio Permanente – PAP ............................................................................................. 461 26.5.2 Centro de Atendimento Especializado em Deficiência Física – CAE-DF ...................................... 462 26.6 TRASNTORNOS GLOBAIS DO DESENVOLVIMENTO ................................................................. 463 26.7 MÚLTIPLAS DEFICIÊNCIAS ................................................................................................................. 466 26.8 ALTAS HABILIDADES / SUPERDOTAÇÃO ....................................................................................... 467 REFERÊNCIAS ................................................................................................................................................. 473 ANEXO ............................................................................................................................... 483 __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ -- 2233 -- CARTA DE PRINCÍPIOS: IV CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO/2006 FORMAÇÃO HUMANA: REPENSANDO OS RUMOS DA EDUCAÇÃO ESCOLAR Nós, educadores, representantes da sociedade civil e pais de alunos da Rede Municipal de Ensino, nos reunimos na IV Conferência Municipal de Educação com o objetivo de deliberar os princípios orientadores da Proposta Curricular da Rede Municipal de Fazenda Rio Grande. Ao assumir, enquanto Concepção os Ciclos da Formação Humana e Aprendizagem, entendemos que a Ampliação do Ensino Fundamental para 9 anos exigiu da Rede o repensar de nossas ações. Repensar as ações implica tomar decisões que perpassam pela concepção de Gestão Democrática, respaldada em processos de Formação Continuada, que direcione estudos referentes à: CONCEPÇÃO DE INFÂNCIA, AVALIAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DO TEMPO E ESPAÇO ESCOLAR, tendo como pressuposto teórico/metodológico a perspectiva da Formação Humana nas suas dimensões afetiva, cognitiva, biológica, corpórea, histórico-cultural, política e social. Nesse sentido, as ações pedagógicas direcionadas às crianças de 4 meses a 10 anos de idade, aos jovens, aos adolescentes e aos adultos da Rede Municipal de Educação, configuram-se pela compreensão de que as Escolas e os Centros Municipais de Educação Infantil – CMEIS – são espaços que propiciarão aos educandos a apropriação, pela ressignificação do saber, elaborado por ser esse elemento fundamental para a Formação Humana na sua totalidade. Desse modo, as ações desenvolvidas na Rede buscam articular, portanto, práticas educativas e políticas públicas comprometidas com a qualidade da aprendizagem enquanto direito fundamental para o exercício da cidadania. Assim, após elaboração e aprovação dos princípios na 1ª, 2ª e 3ª Sessão do Fórum Municipal de Educação, cabe a esta IV Conferência Municipal de Educação, deliberar os seguintes princípios: CONCEPÇAO DE INFÂNCIA 1 – A infância, bem como a adolescência, a Juventude e a Adultez são processos em permanente construção histórico-social e cultural, o que compreende a garantia de práticas pedagógicas significativas, condizentes com os diferentes tempos de vida. 2 – A concepção de Infância, na perspectiva da Formação Humana, requer a garantia de uma unidade pedagógica que assegura a memória, a percepção e consciência como pontos chaves dos processos de ensino e aprendizagem. 3 – A concepção de Infância fundamenta-se na educação como direito, sendo a Instituição Educativa Escolar um espaço de manifestação cultural, a qual garante a articulação do ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ -- 2244 -- conhecimento científico, construído historicamente, com as experiências e vivências de educandos e educadores. 4 – Os tempos da infância são tempos de constituição de identidade e significados e, esses, se efetivam via processos socializadores de aprendizagem e de Formação Humana nas suas dimensões afetiva, cognitiva, biológica, corpórea, histórico-cultural, política e social compreendendo e garantindo o processo educativo, pois cada criança tem seu tempo certo de aprender. 5 – As práticas pedagógicas, na instituição escolar, são organizadas e reorganizadas na perspectiva de Formação Humana, nos tempos da infância, valorizando e respeitando a criança enquanto sujeito histórico e social, em função do desenvolvimento e aprendizagem, auxiliando na aquisição de autonomia e independência das mesmas. 6 – A Formação Humana, no ciclo da infância, na instituição educativa, requer ações pedagógicas que considerem as relações intrínsecas entre os conteúdos sistematizados historicamente e as dimensões afetiva, cognitiva, biológica, corpórea, histórico, cultural e social. 7 – As políticas de formação continuada garantem a toda Comunidade Escolar (Diretores, Pedagogos, Professores, Funcionários, Educandos e Pais) práticas educativas que compreendem as especificidades de cada tempo nas diferentes formas de aprender, respeitando a infância enquanto Ciclo de Formação Humana e Aprendizagem. 8 – O tempo da infância implica a compreensão de que tanto educadores quanto educandos são produtores de cultura pelas suas inúmeras capacidades de (re) elaborar e ressignificarconhecimentos, interagindo assim com outras culturas. 9 – Cada tempo da infância assume a articulação entre aprendizagem, desenvolvimento humano, socialização e formação da identidade. 10 – Formar-se é apropriar-se, via ressignificação, de todas as formas de conhecimentos, de modo que esses possam ser utilizados na vida cotidiana. 11 – No tempo da infância, os educandos, nas suas capacidades de aprender, manifestam aspectos biológicos e simbólicos decorrentes das relações sociais e culturais, tendo assegurado o direito de ser criança no processo de aprendizagem. 12 – A interação entre as trajetórias de vida e as trajetórias escolares, dos educandos nos torna sujeitos plenos de direitos, tanto na sua dimensão individual quanto social. 13 – A concepção de infância, na perspectiva da Formação Humana, tem como elementos constituintes a ludicidade, a curiosidade, a autonomia e a socialização como práticas pedagógicas necessárias ao processo de desenvolvimento e aprendizagem. 14 – O cuidado e educação são ações indissociáveis do processo de desenvolvimento e aprendizagem. 15 – O processo de inserção e acolhimento são momentos necessários no ingresso e na continuidade da permanência do educando na instituição educativa escolar. ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ -- 2255 -- ORGANIZAÇÃO DE ESPAÇO E TEMPO 16 – A educação, na perspectiva da Formação Humana, compreende a organização do espaço e tempo educacional enquanto determinantes da ação pedagógica, bem como da aprendizagem de cada educando (a). 17 – A educação, na perspectiva da Formação Humana, através dos ciclos de vida, garante o acesso ao conhecimento na especificidade de cada tempo humano, respeitando-o e reconhecendo o educador (a) e o educando (a) como sujeitos de direito. 18 – As Instituições Educativas Escolares, por meio de suas ações pedagógicas, entendem que as vivências de cada sujeito envolvido na ação educativa possuem diferenças sociais, culturais, biológicas, históricas e afetivas que devem ser respeitadas. 19 – A organização do tempo e espaço, na perspectiva da Formação Humana, assume a criança enquanto sujeito de direito à educação, garantindo a adequação do ambiente, nas dimensões físicas e humanas de modo a proporcionar a interação neste espaço das diversas linguagens. 20 – A prática educativa implica a compreensão da idéia de tempos diferentes enquanto ciclos de Formação Humana e tempos adequados enquanto tempos de aprendizagem. 21 – A organização dos tempos e espaços da Instituição Educativa Escolar implica considerar as dimensões humanas, bem como as contribuições das ciências, entre elas, a antropologia, a sociologia, a psicologia e a filosofia. 22 – A organização dos espaços educativos, na perspectiva da Formação Humana, implica definir com professores, pedagogos e diretores, critérios de reagrupamentos de educandos a partir do planejamento que explicite a reflexão sobre o ciclo da infância em diferentes tempos. 23 – A Instituição Educativa Escolar configura-se como construção cultural carregada de signos e significados produzidos pelos sujeitos envolvidos, portanto, constitui-se espaço de formação e aprendizagem da Comunidade Escolar. 24 – A formação continuada assegura que a Comunidade Escolar reflita criticamente sobre a prática pedagógica, o que implica a compreensão do processo educacional, da concepção e dos métodos de trabalho que assegurem a aprendizagem dos educandos. 25 – A educação, na perspectiva da Formação Humana, implica a definição e implementação de políticas públicas que garantam número limite de alunos por turma (de acordo com o Plano Municipal de Educação), bem como materiais pedagógicos, espaço físico e mobiliário adequado. 26 – A organização do espaço da instituição educativa escolar, na perspectiva da Formação Humana, requer o compromisso ético, político e social de todos os educadores com a aprendizagem dos educandos. ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ -- 2266 -- 27 – A organização do espaço e do tempo educativo implica, necessariamente, considerar as diferentes experiências vividas dos educandos. 28 – O Projeto Político-Pedagógico explicita uma concepção de educação, de sociedade e de escola que orienta a organização do tempo e espaço, do trabalho pedagógico e da avaliação, considerando as especificidades dos diferentes tempos de vida no Ciclo de Formação Humana. 29 – A prática educativa se configura de ações subjetivas - de educadores e educandos - que se manifestam pelas necessidades físicas, cognitivas, sociais, culturais e emocionais, nas diferentes formas de expressar a corporalidade humana. CONCEPÇÃO EMANCIPATÓRIA DE AVALIAÇÃO 30 – Avaliação é parte constitutiva da vida humana, é inerente à produção histórico- cultural, política e social do homem, assumindo assim o caráter formador. 31 – Processo de avaliação compreende o ciclo de Formação Humana e aprendizagem, considerando as especificidades de cada tempo, enquanto atividade humana formadora. 32 – O processo de avaliação, na perspectiva emancipatória, fundamenta-se no princípio de igualdade da condição humana, da capacidade de pensar, raciocinar e aprender. 33 – A avaliação, na perspectiva da Formação Humana, considera que os educandos aprendem em tempos e formas diferentes, o que implica práticas avaliativas emancipatórias. 34 – Dialeticamente as práticas avaliativas e pedagógicas, fundamentam-se nas várias dimensões humanas (afetiva, cognitiva, biológica, corpórea, histórico-cultural e social). 35 – A avaliação no processo ensino - aprendizagem compreende as dimensões humanas dos sujeitos envolvidos, o que implica o compromisso ético-político entre educando e educador. 36 – A avaliação, na perspectiva da Formação Humana, implica ação coletiva para a superação das práticas de reprovação, classificação, segregação e rotulação, assumindo o caráter formativo e a progressão da aprendizagem dos educandos. 37 – O processo de avaliação é inerente à função da escola, enquanto Formação Humana rompe a visão naturalista que perpetua as polarizações sociais em termos culturais, sociais, étnicos, religiosos, de gênero, bem como as desigualdades sociais de classe. 38 – O processo de avaliação, na concepção emancipatória, implica desenvolver situações desafiadoras de aprendizagem que garantam a Formação Humana dos educandos. 39 – A avaliação é uma das práticas pedagógicas que viabiliza aos educandos, condições para que todos se apropriem, pela (re) significação, dos conhecimentos culturais enquanto sujeitos produtores de cultura. ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ -- 2277 -- 40 – A avaliação da aprendizagem, bem como a avaliação institucional,são partes constitutivas do processo de ensino – aprendizagem as quais têm caráter diagnóstico, formativo e redimensiona todas as práticas pedagógicas da Instituição Educativa Escolar. 41 – O processo de avaliação, na perspectiva da Formação Humana, fundamenta-se na progressão continuada, a qual, se efetiva enquanto Direito com a finalidade de garantir a aprendizagem. 42 – A auto-avaliação é o processo que se configura na constituição da identidade de cada educando, na medida em que estabelece relações de autonomia e de autoconsciência em relação aos limites e possibilidades, tanto do educador quanto do educando. ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ -- 2288 -- APRESENTAÇÃO Em virtude da Ampliação do Ensino Fundamental para nove anos, e, com a inserção da criança de 6 anos no Ensino Fundamental, verificamos a necessidade de re-organizar toda a Rede Municipal de Educação em consonância com a Legislação Vigente. Nesse sentido, a Proposta Curricular Municipal de Fazenda Rio Grande está reorganizada com base nos princípios elaborados coletivamente por educadores representantes de pais, educandos e demais funcionários da Rede Municipal de Ensino. Esses princípios foram discutidos e aprovados em Fórum Municipal com representantes de vários segmentos da sociedade civil, originando uma Carta de Princípios que regem a concepção de educação, infância, organização de tempo e espaço escolar e avaliação na perspectiva da Formação Humana, adotada no Município. Assim, conforme preconizam os documentos legais e manuais orientadores do Ministério da Educação, é coerente que se faça uma reforma educativa, englobando: espaço e tempo escolar, avaliação e metodologia. Para atender a demanda de espaço e tempo escolar, os critérios de reorganização adotados, seguem cuidadosamente o que dispõe o artigo 23 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação – BRASIL. LDB 9394/96 (1996) que incentiva a criatividade e insiste na flexibilidade da organização da Educação Básica. Portanto, o Ensino Fundamental, segundo o que estabelece o referido artigo, “a educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na idade, na competência regular de períodos de estudos e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar.”[sem grifo no original] (LDB 9394/96, 1996). Desse modo, as enturmações das Escolas foram organizadas com base no Critério Idade, seguindo o que estabelece as Deliberações acerca da Ampliação do Ensino Fundamental que dispõem sobre a manutenção dos dois Sistemas – o Ensino Fundamental de 8 anos e Ensino Fundamental de 9 anos. Em decorrência disso, nossos educandos estão agrupados com base no critério idade, porém, incluídos no tempo de vida ou na série correspondente, a fim de efetivar o processo de transição de série para o Ciclo de Formação Humana e Aprendizagem conforme o que se apresenta a seguir: Tempo de Vida I – crianças de 0 a 3 anos Educação Infantil - CRECHE Tempo de Vida II – crianças de 4 e 5 anos Educação Infantil - PRÉ-ESCOLA Tempo de vida III – crianças de 6, 7 e 8 anos Ensino Fundamental - 1º CICLO Tempo de vida IV – crianças de 9 a 10 anos Ensino Fundamental - 2º CICLO Ressalta-se, aqui, que todas as alterações realizadas na Rede são em virtude da Ampliação do Ensino Fundamental para 9 anos no tocante às exigências Legais, as quais ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ -- 2299 -- abrangem: a reorganização do espaço e tempo escolar, a proposta curricular, metodologia e avaliação. Essa readequação corresponde ao que verificamos explícito no Manual publicado pelo MEC – Ensino Fundamental de nove anos – Orientações Gerais, (...) assim, implantar o Ensino Fundamental, agora de nove anos, leva necessariamente a repensá-lo no seu conjunto. Assim, esta é uma oportunidade preciosa para uma nova práxis dos educadores, sendo primordial que ela aborde os saberes e seus tempos, bem como os métodos de trabalho. (...) os educadores são convidados a uma práxis que caminhe na direção de uma escola de qualidade social (MEC, 2004, p.18). Para confirmar tal necessidade, a nova práxis a qual buscamos efetivar, fundamenta-se em diversas teorias que tratam da aprendizagem e desenvolvimento humano nas suas múltiplas dimensões, com destaque à teoria defendida por Miguel Arroyo (2005), uma vez que, o mesmo apresenta consistentes subsídios acerca de um sujeito - educando - real, que cotidianamente está imerso numa sociedade de contradições. E o sistema de ensino também é revisitado pelas contradições, pois percebemos que inúmeros dados estatísticos de não aprendizagem de nossos educandos denunciavam uma lógica que necessitava ser rompida. O nosso espaço e tempo escolar organizado historicamente em conseqüência dos conteúdos históricos que precisavam ser socializados, e, por ser assim, priorizávamos somente os aspectos cognitivos, ou seja, uma forma de aprendizagem técnica, um tanto desconexa da realidade vivenciada pelo educando. Nesse sentido, inovamos ao nos indignar com os altos índices de não aprendizagem denunciada a cada final de ano letivo, logo, com o objetivo de sair do plano reflexivo para a ação, percebemos a necessidade de propor à Rede, a reformulação e implantação gradativa da Proposta Curricular Municipal organizada por Ciclo de Formação Humana e Aprendizagem através da Metodologia Dialética. A implantação ocorrerá com a inclusão dos primeiros Anos do Ensino Fundamental de 9 anos da proposta reformulada, e as demais séries com implantação gradativa. Portanto, quanto à relação conteúdo-metodologia é importante primar por uma prática que se respalde na problematização, baseada na Metodologia Dialética, com a finalidade de entender as “contradições” de caráter social. Na busca desse foco, retomamos o que se apresenta no Manual Orientador - Ensino Fundamental de nove anos: orientações para a inclusão de crianças de seis anos de idade. (...) pensamos que um ponto de partida seria conhecer as crianças, saber quais são os seus interesses e preferências, suas formas de aprender, suas facilidades e dificuldades, como é seu grupo familiar e social, sua vida dentro e fora da escola. (...) indagar, devolver respostas para articular o que as crianças sabem com os objetivos das diferentes áreas do currículo. Implica, também, uma organização pedagógica flexível, aberta ao novo e ao imprevisível; pois não há como ouvir as crianças e considerar as suas falas, interesses e ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________-- 3300 -- produções sem alterar a ordem inicial do trabalho, sem torná-lo uma via de mão dupla onde as trocas mútuas sejam capazes de promover ampliações (...) (MEC, 2006, pág. 58 ). Assim, ao tratar especificamente da inserção da criança de seis anos, algumas considerações são necessárias, pois “a infância, mais que estágio de desenvolvimento, é categoria Histórica: existe uma história humana porque o homem tem infância” (KRAMER in MEC, p. 15, 2006). Nesse sentido, a inclusão dessa criança no Ensino Fundamental, segundo entendimento do Poder Público e Educadores, é uma possibilidade de inserção para esse Tempo da Infância, de qualificação do ensino, da aprendizagem, da alfabetização e do letramento, assim, a criança terá maior tempo para se apropriar desses conhecimentos. No entanto, o ensino no tempo de vida III deverá priorizar, além do processo de letramento, situações de aprendizagens que envolvam as áreas do conhecimento nas diversas linguagens e nos estudos da natureza e da sociedade. Partindo desse pressuposto, o trabalho pedagógico com a Criança de Seis Anos, fundamenta-se, no diálogo com o ser humano em todas as suas dimensões por meio de um Projeto de Educação pautado na perspectiva da Formação Humana e Aprendizagem. Nesse sentido, conforme o princípio aprovado na Conferência Municipal de Educação em 2006, “a educação na perspectiva da Formação Humana compreende a organização do espaço e tempo educacional enquanto determinantes da ação pedagógica, bem como, da aprendizagem de cada educando.” (GME/FRG, 2006) Esse princípio apresenta em si a concepção de que as instituições educativas da Rede Municipal, ao organizarem o Projeto Político-Pedagógico, têm como fator primordial a organização do espaço e tempo escolar, garantindo as convivências humanas, bem como, apropriação e ressignificação do saber, elaborado a partir de práticas pedagógicas comprometidas com a Formação Humana na sua totalidade. Nesse sentido, organizar tempos e espaços pressupõe articular o tempo institucionalizado ao tempo vivido, de modo a considerar o tempo da aprendizagem dos educandos conforme a especificidade da cada tempo humano. Os tempos de vida nos Ciclos de Formação Humana, organizados por idade, configuram- se como a forma mais sensata de olhar para o educando. “Priorizar os ciclos da vida para reorganizar os tempos da escola pode estar revelando que estamos mais sensíveis aos educandos e seus processos de aprendizagem” (ARROYO, 2005, p. 255). Assim, a Rede Municipal de Educação de Fazenda Rio Grande, terá como organização os CICLOS DE FORMAÇÃO HUMANA E APRENDIZAGEM. ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ -- 3311 -- 1. CICLOS DE FORMAÇÃO HUMANA E APRENDIZAGEM Na verdade, diferentemente dos outros animais, que são apenas inacabados, mas não são históricos, os homens se sabem inacabados. Têm a consciência de sua inconclusão (...) Dessa maneira, se re-faz constantemente na práxis. Para ser tem que estar sendo (FREIRE, 1987, p. 73) Formação Humana para mim é ver a criança no tempo da criança (profª. Grupo de estudos, 2006). A partir das duas citações, tecemos então algumas considerações a respeito do que seja formar-se humano. Trata-se de algumas considerações, pois, segundo as sábias palavras de FREIRE, o ser humano é um ser ilimitado, suas realizações não podem ser mensuradas a partir de parâmetros elaborados no ato da sua exclusão. As sábias palavras da professora confirmam esse fato ao dizer: “Formação Humana é ver a criança no tempo da criança”. Onde mais, poderíamos tecer considerações a respeito das realizações da criança, do jovem do adulto ou do idoso, não fosse enxergá-los no seu próprio tempo de vida? A lógica que permeia a história da educação, por longo tempo encarregou-se de difundir idéias práticas e abstratas acerca de um ser humano que, no imaginário social seria um futuro cidadão, conforme o que se verifica no discurso de alguns educandores, “a escola tem a função de preparar os educandos para o futuro, para transformar sua realidade”. A concepção fundamentada no ideário social, cujos processos escolares, sejam os fins e os meios de toda a educação, revelam uma visão pragmática que domina os discursos de ordem política e social o qual articulado ao papel da educação escolar, visa preparar os educandos para o exercício da cidadania, após terem se “apossados” dos conteúdos que lhes são considerados necessários. A configuração desse contexto ideológico, não será nada mais que, a difusão de uma cidadania abstrata, almejada em longo prazo. No entanto, tal discurso tem esvaziado o cumprimento da função escolar, uma vez que, dessa forma a escola e “seus” conhecimentos historicamente acumulados, vão perdendo o valor. Contudo, não negamos a função da escola em sua íntima relação com o saber elaborado, até porque, formar-se humano é ter em igual medida o acesso aos conhecimentos, pois, os conhecimentos, são partes constitutivas do processo da Formação Humana, isso implica não confundi-lo com a totalidade. A concepção de Educação, que se busca nessa Rede Educacional, visa o processo integral de Formação Humana, entendendo que, esse processo não se esgota no tempo escolar, portanto, sua formação global não está determinada pela passagem escolar. Cada ser humano ao nascer, requer condições que o auxiliem na sua existência no mundo da cultura. Por esse fato, argumenta-se favoravelmente à aquisição de produtos culturais ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ -- 3322 -- nos quais se inserem também os conhecimentos racionais, esses, à medida que são re- elaborados ampliam o desenvolvimento científico e cultural da humanidade. Situar o ser humano enquanto produtor, portanto, não determinado, implica orientar-se pelos princípios da solidariedade, do reconhecimento do valor das individualidades e respeito às diferenças. Assim, desenvolver ações que contribuam no processo de Formação Humana requer a compreensão de que cada educando pode construir inúmeras possibilidades de relações, inclusive com o conhecimento, tendo por base a liberdade da vontade, a autonomia para organizar os modos de existência e a responsabilidade pela direção de suas ações. Trata-se de características essenciais que culminam para a formação de um sujeito acima de tudo ético. Preconiza-se, assim, o objetivo fundamental da Educação, pelo qual perpassa toda e qualquer prática educativa inclusive as desenvolvidas nas nossas Instituições Educativas Escolares. Nesse sentido, a escola que se configura num espaço da sociedade o qual por legitimidade deve assegurar a educação das crianças e dos adolescentes, jovens e adultos, portanto, terá de se transformar em direção da sua real função social que consiste em ser um lugar de escolarização, mas, sobretudo o da Formação Humana. O contexto ora apresentado vem de encontro às necessidades que se apresentam nessa Rede Municipal de Educação, à medida que as lógicas, pelas quais se organizam as escolas atualmente, vêm se tornando infrutíferas do pontode vista da aprendizagem de cada educando. Nesse sentido, os esforços dos sujeitos envolvidos diretamente no processo educativo se intensificaram rumo a uma nova organização escolar que de fato atendesse a demanda da classe trabalhadora, que por obviedade fazem parte educandos, educadores e familiares, enfim, todos os sujeitos que constituem a comunidade escolar. Desse modo, a defesa acerca do Ciclo de Formação Humana e Aprendizagem é mais que uma opção política, pois, perpassa necessariamente pela compreensão do ser humano na sua totalidade, o que requer a definição de alguns aspectos que necessitam estar presente na concepção que se quer emancipadora do ser humano. 1.1 ENSINO FUNDAMENTAL 1.1.1 Contextualizando a Ampliação do Ensino Fundamental No término do ano de 2004, iniciou-se uma tímida discussão na Rede Municipal de Educação, a respeito da Ampliação do Ensino Fundamental para 9 anos. No entanto, em virtude de indecisões ainda de âmbito nacional, as discussões estacionaram. Em 2005, embora, sem a ampliação legalmente resolvida, iniciamos o processo de inserção de ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ -- 3333 -- crianças que completavam seis anos de idade de 01/01 até 01/03/05, nas Escolas Municipais para freqüentarem a então 1ª série. Naquele momento, algumas turmas “especiais” de 6 anos de idade, foram constituídas. As práticas pedagógicas desenvolvidas com essas crianças foram as mais diversas, situando-se ora em conteúdos da 1ª série, ora nos conteúdos do pré III. Evidenciou-se assim, a preocupação com questões relacionadas ao desenvolvimento - “maturação” - até as questões de aprendizagem dos conteúdos escolares. O fato é que em 2006, estando esses educandos na sua maioria, na segunda série, precisávamos do ponto de vista pedagógico, ter um olhar diferenciado, a fim, de não repetirmos, os mesmos equívocos do passado. Assim, com base na necessidade desse acompanhamento, organizaram-se visitas às escolas com o fim, de que se realizasse um diagnóstico e com isso, verificar onde esses educandos se encontravam. Alguns desses educandos continuaram em turmas de 2ª série “especiais”, outras foram agrupadas, junto aos demais educandos de 2ª série. No entanto, em meio a esse movimento, nossa maior descoberta foi constatar que a maioria das crianças que ingressaram a primeira série na rede estavam com seis anos de idade, ou seja, em nenhum momento percebeu-se a necessidade de tratá-las de forma tão diferenciada. Com isso, mais um elemento nos chama a atenção, e esse, de muita importância, nos alertou para buscar compreender os motivos pelos quais inúmeros educandos ingressam nas escolas e ficam por muito tempo numa mesma série. Uma lógica era denunciada, uma lógica arraigada nas práticas escolares, e essa, de um modo muito determinante se constituíam impeditiva aos avanços para inúmeros educandos, não somente os de primeira série, mas de igual modo nas demais subseqüentes. A educação que estava posta, a partir das discussões de ampliação do Ensino Fundamental para 9 anos, começou a ser questionada, nossos espaços e tempos escolares, precisavam ser repensados, e junto a esses, nossas propostas de avaliação e a própria concepção de Infância. A educação como direito, difundida nos marcos legais, gradativamente foi se perdendo, à medida que uma ou mais crianças ao entrarem na escola eram reprovadas ao final do ano letivo. Nossa lógica escolar, então, precisava passar por rupturas, romper com os paradigmas que por longo período histórico centrou-se na Aprovação ou Reprovação. Nossos esforços agora se centram em garantir a aprendizagem, nisso consiste a função o papel social da escola e de cada educador dessa Rede. O caminho que estamos construindo desde 2001, é marcado pelo processo coletivo. Os educadores dessa Rede de Ensino estão engajados em garantir a aprendizagem de cada educando. ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ -- 3344 -- A caminhada histórica, a luta pelo Direito à educação, sempre contaram com os educadores na linha de frente. As conquistas alcançadas, Hora-Atividade, Formação Continuada, Plano de Cargo e Carreira, Plano Municipal de Educação, Proposta Curricular Municipal, Gestão Democrática, Eleição de Diretores, Conselho Municipal de Educação, são avanços marcados também pela presença de educadores e educadoras dessa Rede de Ensino. No entanto, vale o alerta de Arroyo (2005), ao afirmar que se o reconhecimento do direito à educação é muito fácil em se tratando do acesso à escola, o mesmo não ocorre quando, embora inconscientemente, traímos nossas próprias convicções quando disseminamos práticas extremamente excludentes, quando permitimos, co-habitar num mesmo espaço, por um lado, o ideário da democratização reforçado pelo discurso de participação cidadã e por outro, a imposição da condição de reprovados, lentos, mal comportados, segregados e os inúmeros silenciados anos após anos. Assim, a Ampliação do Ensino Fundamental para 9 anos, não poderia ser tratada apenas do ponto de vista da política, em termos de se implantar ou não, é preciso muito mais, foi preciso envolver todos os educadores, os familiares dos educandos em discussões que direcionavam o repensar das práticas que até então vinha se efetivando. A comunidade escolar dessa Rede de Ensino, disseram sim, engajaram-se em encontros, seminários, grupos de estudos, núcleos de discussões, discussões no interior das escolas com pais, alunos, funcionários, enfim, todos os envolvidos no processo, com o objetivo de elaborar os princípios orientadores para a elaboração dessa Proposta de Ampliação, a qual expressa uma concepção de Educação que está fundamentada e organizada nos Ciclos de Formação Humana e Aprendizagem. Porque optamos por essa concepção? Ao longo dos processos de estudos e discussões que ocorreram foi sendo reforçada, a necessidade, de se repensar o Espaço e Tempo Escolar, de modo a não incorrermos em equívocos como o que nos alerta o Manual publicado pelo MEC – Ensino Fundamental de nove anos – Orientações Gerais. Recomenda-se que as escolas organizadas pela estrutura seriada não transformem esse novo ano em mais uma série, com as características e a natureza da primeira série. Assim, orienta-se que, nos seus PPP, sejam previstas estratégias possibilitadoras de maior flexibilização dos seus tempos, como menos cortes e descontinuidades. Estratégias que, de fato, contribuam para o desenvolvimento da criança, possibilitando- lhe, efetivamente uma ampliação qualitativa de seu tempo na escola (MEC, 2004, p. 22). No entanto, para repensar nosso espaço e tempo, teríamos que submeter a nossa Proposta Curricular Municipal - PCM ao processo de re-escrita. Assim, as discussões direcionaram para repensar a PCM, bem como, para as organizações da Rede em termos de Espaço e tempo, no entanto, essas discussões não caberiam mais somente às crianças de 6 ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ -- 3355 -- anos, pois, a preocupação de se efetivar uma proposta pedagógica que atendesse a diversidade que se apresentavam nas Instituições Educativas Escolares, era premente. Optamos então, por reorganizar a Rede no seu todo, ou seja, desde a Educação Infantil ao Ensino Fundamental, por Ciclo de Formação Humana e Aprendizagem. Essa decisão obrigou-nos então a buscar fundamentos acerca dos Tempos de Vida. Assumir a concepção de Educação fundamentada nos Ciclos de Formação Humana e Aprendizagem, em consonância com a Ampliação do Ensino Fundamental para 9 anos, implicou num processo de reflexão da Rede Municipal de Educação de Fazenda Rio Grande, no tocante à concepção de infância, avaliação e organização do espaço e tempo institucional escolar. Tal processo direcionou-se à elaboração de princípios norteadores pelos grupos de estudos formados por representatividade de toda a comunidade escolar. Os princípios, então elaborados na I Sessão do Fórum Municipal de Educação e aprovados na IV Conferência Municipal de Educação, nos meses setembro/ outubro do ano de 2006, constituíram-se norteadores, na reorganização da Rede Municipal de Educação, bem como, no processo de reescrita da Proposta Curricular Municipal. O contexto Democrático referendou a participação coletiva, e proporcionou por um lado, condições para a efetivação com qualidade da política pública nacional que é a Ampliação do Ensino Fundamental e por outro a continuidade do compromisso público local na efetivação de políticas que primam pela qualidade no processo ensino-aprendizagem. Assim, a Implantação do Ensino Fundamental de 9 anos, reverenciou compromisso ético e político de todos os envolvidos na ação educativa, que, engajados em estudos assumiram uma Concepção de Educação, que delinearia não apenas a Ampliação enquanto demanda Legal, mas principalmente enquanto compromisso ético político em garantir a qualidade no processo ensino-aprendizagem que atendesse os requisitos para a Formação Humana de cada educando dessa Rede de Ensino, conforme o que estabelece a LDB/9394/96 no artigo 2º ao inferir que a educação “(...) tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando” (BRASIL. LDB/9394/96, 1996, p.49). A definição de políticas públicas perpassa pelo “olhar criterioso” e coerente à cerca do Ciclo de Formação Humana, assumindo no contexto da Rede, as especificidades de cada tempo humano, e, de igual modo os aspectos legais que regem a legislação em vigor. Quanto aos aspectos legais, apresenta-se o processo normativo definidor a nível nacional e estadual para que possamos compreender os objetivos da política de Ampliação do Ensino Fundamental para 9 anos. • No âmbito Nacional: – Lei 11.114/ 2005 de 16/05/2005 que altera os artigos 6º, 30º, 32º e 87º da LDB 9304/96 (1996), com o objetivo de tornar obrigatório o início do Ensino Fundamental aos 6 anos de idade (PARECER 06/2005, CNE/CEB). ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ -- 3366 -- – Lei 11.274/2006, de 06/02/2006, modifica a redação dos artigos 29º, 30º, 32º e 87º da LDB 9304/96 (1996) dispondo sobre a duração de 9 (nove) anos, gratuito na escola pública, com matrícula obrigatória aos 6 anos. A redação legal explicita que essa política deverá ser implementada até 2010 e não implantada, isto implica um processo gradativo, com início no ano letivo de 2006. Contudo, no Estado do Paraná em função de liminares judiciais, o Conselho Estadual de Educação através da Deliberação 03/07 abre a possibilidade dos municípios que não implantaram o Ensino Fundamental de 9 anos em 2007, poderão implantá-lo até 2010 (MEC, 2006). – Parecer CNE/CEB 06/2005 de 8/06/2005 trata da implantação progressiva do Ensino fundamental, bem como, da antecipação de matrícula aos 6 anos, conforme verifica-se no item 5 do capítulo II do referido parecer: “Os sistemas de ensino deverão fixar as condições para a matrícula de seis anos no ensino fundamental quanto à idade cronológica: que tenham 6 (seis) anos completos ou que venham a completar seis anos de idade no início do ano letivo” (PARECER 06/2005, CNE/CEB) Verifica-se que o parecer supra mencionado, da idade, refere-se ao corte etário. Que no Estado do Paraná, segundo a Deliberação 03/06 no Artigo 12 define como data limite para ingresso no Ensino Fundamental de 9 anos, crianças que completaram ou à completar 6 anos de idade até 1º de março de cada ano letivo. No entanto, essa regulamentação também sofreu alteração especificamente com a Deliberação 02/07 que invalida o referido artigo 12. Porém, essa questão ainda está em discussão no âmbito do Conselho Nacional de Educação e do Conselho Estadual, cujos conselheiros entendem a necessidade da criança ter 6 anos completos para ingressar no Ensino Fundamental. Implica, pois, que trata-se de uma questão a ser definida no âmbito Estadual. – Resolução CNE/CEB 03/2005 de 03/08/2005 define as normas nacionais para a Ampliação do Ensino Fundamental. O referido documento, ressalta a necessidade de elaboração de Proposta Pedagógica apropriada a faixa etária dos 6 anos especialmente em termos de recursos humanos, organização de espaço e tempo escolar, considerando material didático, mobiliário e equipamentos. Explicita também que matricula da criança aos 6 anos, a partir de 2006 implica ampliação. – Parecer CNE/CEB 18/2005 de 15/09/2005 recomenda que os Sistemas de Ensino administrem a convivência dos Planos Curriculares de Ensino Fundamental de 8 anos e de 9 anos, pois considera a articulação das fixas etárias de 6 e 7 anos como forma de ingresso (período de transição, anos 2006/2007) (PARECER 18/2005, CNE/CEB). – Parecer CNE/CEB 39/2006 de 08/08/2006 ressalta que a Educação Infantil, enquanto primeira etapa da educação básica atende crianças até os 6 anos completos, com variação de meses em função da data de início do ano letivo, bem como, acerca do direito a educação infantil nesta faixa etária (PARECER 39/2006, CNE/CEB). ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ -- 3377 -- • No âmbito estadual: – Deliberação CEE/ PR - 03/2006 de 09/06/2006 delibera acerca da organização do Ensino Fundamental de 9 anos no estado do Paraná (DELIBERAÇÃO Nº 03/06, CEE/PR). Conforme as definições legais ora mencionadas, verifica-se que a Ampliação do Ensino Fundamental para 9 anos é obrigatório no Sistema Estadual de Ensino do Estado do Paraná, assegurando com essa medida, a permanência de todas crianças, por um período mais longo no convívio escolar. A urgência dessa política é, portanto, uma questão de direito a democratização da educação, uma política afirmativa que visa a equidade social e continuidade dos estudos. Considerando-se que no Brasil há inúmeras crianças que não estão na escola aos 6 anos, então, se fez necessário universalizar a oferta aessa faixa etária. Com base nos parâmetros legais, o Município de Fazenda Rio Grande, ao repensar a organização da Rede de Ensino, compreendeu ser necessário implantar e implementar uma Proposta Pedagógica fundamentada no Ciclo de Formação Humana e Aprendizagem, a qual está estruturada em Ciclo/tempos de vida, e, para efeito dessa Proposta, tratando especificamente da organização do Ciclo da Infância, compreendendo as crianças de 4 meses a 10 anos de idade. Nesta perspectiva, entendemos que a especificidade da infância perpassa pelas crianças de 4 meses a 10 anos, durante todo o processo educativo do referido ciclo, e não apenas as crianças de 6 anos de idade (no ingresso). Assim, em 2007, implantamos o Ensino Fundamental de 9 anos e os Ciclos de Formação Humana e Aprendizagem, de forma gradativa para que possamos garantir condições pedagógicas e estruturais no processo de implantação desse Projeto de Educação, o qual apresenta especificidades que lhes são próprias, e exigiu de nossos educadores após intenso esforços, a elaboração de uma matriz curricular que expressasse a concepção de educação, pautada na possibilidade de emancipação, onde a metodologia dialética assume forma e sentido, não apenas em âmbito teórico, mas sobretudo no âmbito das práticas de sala de aula de cada educador desta Rede de Ensino conforme apresentaremos ao longo desta Proposta Curricular Municipal. 1.2 IMPLANTAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL DE 9 ANOS 1.2.1 Ciclo da Infância Compreende a infância dos 4 meses aos 10 anos de idade, na abrangência dos Níveis: Educação Infantil e Ensino Fundamental (1ª etapa), conforme preconiza a LDB 9394/96 (1996) em seu artigo 21, quanto à composição da educação escolar. ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ -- 3388 -- O ciclo da infância pressupõe a organização por tempos de vida, garantindo-se a especificidade de cada tempo, estruturados da seguinte forma: a) Educação Infantil – Tempos de vida I – compreende as crianças de 4 meses a 3 anos de idade, garantindo-se a especificidade do atendimento integral nos Centros Municipais de Educação Infantil – CMEI”s. – Tempos de Vida II – Compreende as crianças de 4 e 5 anos, cuja idade equivale ao atendimento pré escolar, com oferta gradativa nas escolas municipais. b) Ensino Fundamental – Tempos de Vida III – Compreende as crianças de 6 a 8 anos de idade, atendidas nas escolas da Rede Municipal de Educação. – Tempos de Vida IV – Compreende as crianças de 9 e 10 anos de idade, atendidas nas escolas da Rede Municipal de Educação. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ____________________________________________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________ -- 3399 -- QUADRO 1 – IMPLANTAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL DE NOVE ANOS Ciclos de Formação Humana e Aprendizagem Tempos de viver humano Idades de formação Agrupamentos/ turmas Nível/modalidade Tempos de Vida I Tempos de Vida II 4 meses a 3 anos; 4 e 5 anos Creche Pré-escolar Educação Infantil 6 anos ( 1ª ano ) 7 anos ( 2º ano ) 1º CICLO Tempos de Vida III 6 a 8 anos 8 anos ( 3º ano ) Ciclo da infância 2º CICLO Tempos de Vida IV 9 e 10 anos 9 anos (4º ano) 10 anos (5º ano) Ensino Fundamental ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ____________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 4400 -- 1.3 EDUCAÇÃO INFANTIL 1.3.1 A trajetória da Educação Infantil em Fazenda Rio Grande A história da Educação Infantil em Fazenda Rio Grande, está intrinsecamente relacionada aos movimentos nacionais que ocorreram nesse seguimento de ensino. Teve início por volta de 1978, quando este município ainda era distrito de Mandirituba. O primeiro registro de atendimento educacional da criança surgiu através da Fundação da Sociedade Beneficente São Gabriel da Virgem Dolorosa. Em 1984, o atendimento realizado por esta fundação passa à instituição de Educação Infantil, através de um convênio com a Legião Brasileira de Assistência (LBA) e Fundação Nacional de Bem-Estar do Menor (FUNABEM) e recebe o nome “Sonho de Criança”. Seu funcionamento ocorria nas dependências do Salão Paroquial da Igreja São Gabriel da Virgem Dolorosa. Atendia aproximadamente 100 (cem) crianças de 0 a 6 anos, em período integral, contando com o trabalho de voluntários da comunidade, funcionários da prefeitura e da própria Sociedade Beneficente. No mesmo ano, a Prefeitura Municipal de Mandirituba doou terreno e madeiras usadas de uma escola que foi desmontada, para que fosse construída a primeira sede própria de atendimento de Educação Infantil no município. A comunidade contribuiu significativamente para a construção do prédio, promovendo eventos e venda de trabalhos manuais. Dessa forma a Creche Sonho de Criança começou a funcionar em sede própria, em 21 de abril de 1985, atendendo aproximadamente 220 (duzentos e vinte) crianças. Encerrando o seu funcionamento em 1989. Em 26 de janeiro de 1990, Fazenda Rio Grande é elevada à categoria de município, desmembrando-se de Mandirituba. Numa fase de urbanização acelerada e de imensas transformações, a cidade corre contra o tempo. Tudo precisava ser construído com urgência, para oferecer aos 17 mil munícipes residentes os serviços públicos essenciais, bem como, para os migrantes que vinham de toda parte em busca de loteamentos, para construírem suas casas próximo à capital do Estado - Curitiba. Tendo estabelecido parceria com o Governo Estadual, através do projeto Paraná Urbano, foram construídos até 1998, cinco Centros Municipais de Educação Infantil, os quais passaram a atender 550 crianças de 0 a 6 anos, em período integral. A responsabilidade quanto ao atendimento prestado nas referidas instituições era da Secretaria de Ação Social, que dispunha de funcionários concursados na função de babá, para desenvolver o trabalho. Em dezembro de 1999, as instituições municipais de Educação Infantil passaram a integrar a Rede de Ensino do Município, conforme estabelecido nas Disposições Transitórias da LDB 9394/96 (1996). ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ____________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ -- 4411 -- A partir de 2001, esta integração à rede possibilitou mudanças significativas na organização do trabalho neste nível de educação. Dentre elas: – a elaboração coletiva da Proposta Curricular; – lotação do professor para atuar nos Centros Municipais de Educação Infantil; – implantação de hora-atividade com a finalidade de desenvolver o planejamento coletivo; – formação continuada. Estas práticas são condições necessárias à construção da qualidade da Educação Infantil, que no âmbito da Educação Básica assume sua natureza educativa. A Educação Infantil, enquanto, nível de ensino, conforme dispositivo legal apresenta especificidades, configuradas pelas necessidades de cada educando compreendidos, no Tempo de Vida I, ou seja, as crianças de 4 meses a 3 anos de idade e Tempo de Vida II crianças de 4 e 5 anos, ao passo que tal especificidade constitui-se também a identidade própria desse segmento de ensino. Desse modo, a Educação Infantil, assim como os demais níveis e modalidades de Ensino, realizam ações educativas que se diferenciam dos cuidados e educação prestados pelas famílias aos seus filhos. Para tanto, há de se considerar alguns pressupostos: • tem uma função social, e, embora não atenda toda a demanda dessa Rede de Ensino por fatores diversos inclusive a não obrigatoriedade por parte do Estado, constitui-se como direito da criança; • caráter educativo complementar às ações da família – o que requer uma comunicação constante, profunda e articulada entre família e instituição. Não há como se constituírem em mundos paralelos, à parte um do outro, pois, atendendo crianças pequenas estes contextos de desenvolvimento e aprendizagem precisam se integrar a fim de evitar-se descontinuidades nas práticas educativas propostas às crianças; • atendimento às crianças (4 meses a 5 anos) – implica pautar seu trabalho pela indissociabilidade entre cuidado e educação. As crianças precisam ser auxiliadas naquilo que não conseguem fazer sozinhas e, ao mesmo tempo, instigadas a exercer a autonomia que seja capaz a cada situação; • período diário extenso, de permanência na instituição - pode ser de até 12 horas por dia para muitas crianças (em específico da criança de 4 meses a 3 anos de idade). Este fato incorre no dever da instituição de atender as crianças em suas necessidades de acolhimento afetivo, nutrição, higiene e saúde, ou seja, em seu bem-estar pessoal e físico e não apenas nas suas necessidades de aquisição de conhecimento; • espaço físico – mesmo contando com uma infra-estrutura que ora se assemelha a de uma casa, ora com a da escola de Ensino Fundamental, o espaço físico da Educação Infantil se distingue de ambos, pois, implica em uma grande porcentagem da área (interna: salas, banheiros, pátio coberto e externa: cancha, pátio, parque, árvores) para ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ____________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 4422 -- o convívio e bem estar das crianças, considerando-se as situações de repouso, alimentação, higiene parcial ou completa, brincadeiras, movimentação, fazeres artísticos. Outra parte da área deve servir de estrutura para os trabalhos técnicos e administrativos (secretaria, recepção, banheiros, outras salas) e os serviços gerais ou de apoio (cozinha, lavanderia, depósitos, lactário). ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ____________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 4433 -- 2. TEMPOS DE VIDA O aluno de 6 anos se difere do de 8 ou 9 anos. Não posso cobrar de uma criança de 6 anos a mesma coisa que cobro da criança de 9 anos (Professor grupo de estudos 2006). Queremos iniciar este item da proposta a partir das falas de uma das professoras do grupo de estudo, envolvido mais diretamente na elaboração desta proposta, com o objetivo de justificar a necessidade de, ao assumirmos o Ciclo de Formação Humana e Aprendizagem como estrutura organizacional e pedagógica de nossa Rede de Ensino, precisaríamos, então, entender as especificidades da aprendizagem e desenvolvimento da criança em cada período etário. Deste modo, após intensas discussões e reflexões, sentimos a necessidade de organizarmos todo o trabalho considerando os tempos de vida dentro do ciclo da infância articulados às demandas de ordem legal. Há, ainda, de se considerar a diferenciação em relação ao tempo, que os educandos manifestam no processo de aprendizagem. O tempo requerido pela criança pequena, ao ser envolvida em uma situação educativa pela educadora, pode ser curto, rápido, longo ou demorado. Algumas situações propostas pela educadora precisarão ser retomadas e exigirão mais tempo. Contudo, é importante ressaltar que o tempo não pode ser visto como uma condição estática de aprendizagem, como em algumas considerações acerca dos estágios de desenvolvimento, pois o tempo até pela própria dinamicidade constitui-se em momentos de suma importância de mediação, intervenção e desafios propositalmente organizados por parte do educador/professor. Neste contexto, faz-se necessário atentarmos para algumas considerações a respeito dos tempos de vida dentro do ciclo da infância. 2.1 TEMPOS DE VIDA I – 0 A 3 ANOS A reelaboração do Currículo para a Educação Infantil, Tempos de Vida I e II, em Fazenda Rio Grande, foi constituído de maneira coletiva, em que toda a equipe docente participou da formação continuada, ora em grupos de estudos nas instituições, ora em encontros realizados pela Gerência Municipal de Educação. Esse processo iniciou no final do segundo semestre do ano de 2006. O texto, bem como a organização curricular para essa etariedade iniciou-se com a construção do texto Tempo de Vida I, o qual aborda a Aprendizagem e o Desenvolvimento da criança de 4 meses a 3 anos contemplado por meio de eixos, os quais norteiam cada faixa etária da criança – 4 meses a 1 ano (EIXO: O MEU MUNDO), 1 a 2 anos ( EIXO: EU E MINHA FAMÍLIA) e 2 a 3 anos (EIXO: EU NO CMEI), os conhecimentos , as ações pedagógicas possíveis e as aprendizagens. ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ____________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 4444 -- O Currículo para a criança de 0 a 3 precisa considerar nas ações docentes, aspectos relevantes como: - as atividades significativas contempladas na rotina, estabelecidas semanalmente e/ou quinzenalmente; - o acompanhamento do processo de aprendizagem e desenvolvimento da criança sistematizado em forma de parecer descritivo, elaborado trimestralmente e socializado com as famílias. Nosprimeiros anos de vida, a criança precisa ser atendida em suas demandas nutricionais, de higiene (banho, troca de fraldas, uso do banheiro, lavar as mãos antes de se alimentar e após usar o banheiro) de saúde (sono, enfermidades, equilíbrio emocional) e sempre que precisar de ajuda para realizar quaisquer ações em seu cotidiano. Nesse contexto, é fundamental que sejam oferecidas condições favoráveis para a ampliação de suas capacidades e para que possa usufruir, por meio de suas habilidades desenvolvidas, a aquisição de conhecimentos e da produção cultural socializada em sua vivência cotidiana – casa e instituição educativa. Considerando que cada criança desenvolverá suas potencialidades sob a influência do meio – cultura de origem e vivência educacional –, dar conta dessa diversidade requer um olhar mais cuidadoso para o processo de desenvolvimento e aprendizagem. Assim, as ações educativas voltadas para a criança de 0 a 3 anos devem estar pautadas no entendimento de que é imprescindível levarmos em conta a mediação necessária para conduzi-la à conquista de sua autonomia, nesse momento, principalmente em relação às suas necessidades básicas. Nesse sentido, o parâmetro para acompanhar tal processo e estabelecer estratégias pedagógicas que promovam a conquista de novos conhecimentos e atitudes será aquilo que a própria criança já é capaz de fazer. Concebida em sua totalidade – que integra a dimensão motora, afetiva e cognitiva1 –, a criança congrega em seu tempo de vida, experiências socioculturais e necessidades maturacionais – ou orgânicas –, como repertório e trajetória de desenvolvimento, respectivamente, manifestando-as de forma expressiva por meio de diferentes linguagens. Na concepção dialética do desenvolvimento, preconizada por Henri Wallon, a cada idade a criança estabelece um tipo particular de interação com o seu ambiente. Baseada naquilo que já faz parte do seu universo, ou seja, suas referências sobre o mundo conhecido, ela entra em contato com o novo, o estranho, o que por vezes contraria as suas expectativas. Desse conflito se instaura a dinâmica da interação e do movimento, impelindo a criança a se desenvolver. 1 A perspectiva walloniana de desenvolvimento infantil será a referência dessa proposta. ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ____________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 4455 -- Nessa perspectiva, os aspectos físicos do espaço, as pessoas próximas, a linguagem e os conhecimentos inerentes a cada cultura formam o contexto de desenvolvimento infantil. Nesse bojo, a criança pequena é mediada pelo adulto-educador, podendo vivenciar em seu processo educativo as mais diversas situações de aprendizagens, ricas e significativas, que ampliarão as suas capacidades, uma vez que a ação educativa parta das habilidades das próprias crianças. Vigotsky, afirmava ser incontestável a relação entre determinado nível de desenvolvimento da criança e a sua capacidade potencial de aprendizagem. Primeiramente ela se encontra em um nível de desenvolvimento efetivo, ou seja, o nível de desenvolvimento das funções psicointelectuais que ela conseguiu como resultado de um específico processo de desenvolvimento já realizado. (VIGOTSKII, 2001, p.111) Esse nível de desenvolvimento efetivo corresponde à idade mental da criança, que nada mais é do que a sua capacidade de realizar uma atividade de forma independente em determinado momento de sua vida, tendo como recurso as suas habilidades cognitivas. No entanto, ao tentar imitar a ação do adulto ou de outras crianças mais velhas, a criança pequena demonstra o que é capaz de fazer potencialmente, mesmo que ainda não compreenda o que representa a referida ação. A isso Vigotsky denominou zona de desenvolvimento potencial (ibid, p.112). A área de desenvolvimento potencial permite-nos, pois, determinar os futuros passos da criança e a dinâmica do seu desenvolvimento e examinar não só o que o desenvolvimento já produziu, mas também o que produzirá no processo de maturação. (ibid, p.113) Observando as interações presentes no processo educativo, o educador pode detectar o nível de desenvolvimento potencial em que a criança se encontra, o que lhe indicará as possibilidades de aprendizagens que ela poderá realizar, bem como as intervenções necessárias para promover uma ampliação do seu desenvolvimento efetivo. Desenvolver o olhar para identificar e caracterizar a criança em seu estágio de desenvolvimento constitui-se na própria especificidade do trabalho com a criança de 0 a 3 anos. A efetivação desse trabalho requer definir claramente os objetivos dessa faixa etária, para os quais a ação pedagógica deverá voltar-se, realizando procedimentos e propondo desafios que ajudem a criança a se desenvolver nas suas capacidades. Para Wallon, a duração de cada estágio e as idades, são referências relativas e variáveis. O desenvolvimento não é uma linearidade, é uma organização de elementos presentes desde o nascimento da criança, é um processo marcado por conflitos, que podem ser resultantes da influência do ambiente ou da maturação nervosa do sujeito. (GALVÃO, 2004). O desenvolvimento infantil, na psicogenética walloniana, é visto como uma construção coletiva em que se sucedem fases com predominância alternadamente afetiva e cognitiva. No estágio impulsivo emocional, o qual abrange o primeiro ano de vida da criança, a afetividade ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ____________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 4466 -- orienta as primeiras reações do bebê às pessoas, intermediando suas relações com o meio físico. Isto é, predomina uma afetividade impulsiva, emocional, que se nutre pelo olhar, pelo contato físico e se expressa em gestos, mímicas e posturas. O bebê não se percebe como indivíduo diferenciado, a distinção entre o eu e o outro só se adquire progressivamente, num processo que se faz nas e pelas interações sociais. Portanto, nesse momento, o sentido do processo de socialização é de crescente individualização, o bebê ainda não diferencia seu corpo das superfícies exteriores. É pela interação com os objetos e com o seu próprio corpo que estabelece relações concretas que consolidam a vivência de forma significativa e referencial e, por meio dessas experiências, torna-se capaz de reconhecer, no plano das sensações, os limites de si mesmo, ou seja, constrói o próprio recorte corporal. Na relação com a mãe – “objeto de desejo” nutricional e afetivo – o bebê desenvolve muitas de suas habilidades à medida que a mãe suficientemente boa conceituada por Winnicott, frustre algumas das suas expectativas, fazendo com isso, que ele precise realizar ações em prol de si. Nesse momento, abre-se o espaço para o outro no mundo do bebê. A ausência do adulto – mãe, educadores e demais adultos presentes em seu cotidiano – deve ser uma oportunidade para a criança experimentar a possibilidade de criar. No primeiro ano de vida, a sobrevivência da criança depende de parceiros mais experientes, sendo que sua primeira atividade eficaz é desencadear no outro reações de ajuda para satisfazer suas necessidades. Assim,seus movimentos expressam estados afetivos de bem estar ou de mal estar. Torna-se inevitável, portanto, que as pessoas próximas ao bebê procurem agir visando atender a suas necessidades à medida que vão aprimorando os meios de comunicação com ele. É nesse contexto que se desenvolve a linguagem afetiva, baseada no diálogo entre componentes corporais e expressivos. As emoções, assim como os sentimentos e os desejos, são manifestações da vida afetiva, com características específicas que as distingue de outras manifestações da afetividade, sendo acompanhadas de alterações orgânicas, que provocam alterações na mímica facial, na postura, e na forma como são executados os gestos. No bebê, os estados afetivos são invariavelmente vividos como sensações corporais e expressos sob a forma de emoções. Com a conquista da oralidade, diversificam-se e ampliam- se os motivos dos estados afetivos, bem como os recursos para sua expressão, assim, perto dos 3 anos a criança já é capaz de utilizar a fala tanto para comunicar suas necessidades como manifestar pensamentos, sentimentos e sua imaginação. Desta forma, pode-se constatar que, ao longo do desenvolvimento humano, a afetividade vai adquirindo relativa independência dos fatores corporais. Quando o bebê é submetido a bruscas variações no grau de tensão muscular, é muito comum que estados emocionais tenham suas causas no plano corporal, devido à sua imperícia ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ____________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 4477 -- motora, a forte tensão transforma-se em contorções e espasmos, gerando crises emotivas. Nas crianças maiores, podemos identificar essa dinâmica em crises de choro, momentos de birra e de brigas, ocorrendo assim, a descarga de tensão. Nesse sentido, as emoções podem ser consideradas como origem da consciência de si, constituindo-se em ponto de partida da consciência pessoal do sujeito por intermédio do grupo. Nesse contexto, o desenvolvimento motor, por meio do movimento, contribui significativamente para o desenvolvimento da afetividade e da cognição. O exemplo do bebê no berço que explora seu tônus quando se agarra no berço e tenta ficar em pé, é a atividade muscular que pode existir sem que se dê o deslocamento do corpo no espaço. A musculatura possui a função cinética que regula o estiramento e o encurtamento das fibras musculares e é responsável pelo movimento propriamente dito, portanto, é fundamental que o bebê tenha oportunidade de deslocar-se com o próprio corpo, podendo aprimorar suas habilidades e fortalecer sua musculatura, antes de tentar andar, acionando a função postural ou tônica, que regula a variação no grau de tensão dos músculos. Além disso, no final do primeiro ano, com o desenvolvimento das práxis, ou seja, gestos como os de pegar, empurrar, abrir ou fechar, intensificam-se as possibilidades do movimento como instrumento de exploração do mundo físico, evidenciando a influência cognitiva nas suas ações. Com a conquista da postura ereta, a criança avança em seu processo de aquisição da habilidade de andar, o que será fundamental para a ampliação das suas capacidades motoras. No entanto, é preciso garantir-lhe um tempo necessário para a máxima exploração do espaço, que suscitará da criança ações mentais mais elaboradas para desenvolver estratégias em busca de seus desejos – objetos, pessoas, ambientes. Nesse contexto, é importante entender a relação entre os aspectos motores e cognitivos, pois à medida que a criança amplia sua capacidade de locomoção no espaço, também realiza uma intensa atividade cognitiva. Tal fato se revela no processo de engatinhar, que constitui uma oportunidade para sofisticar suas estratégias, experiência que resultará em um repertório que mais tarde a auxiliará para o desenvolvimento de outras capacidades como, por exemplo, ao formular hipóteses, durante o processo de aquisição da linguagem escrita. Então a relevância da ação pedagógica nesse período da vida do bebê, propiciando um ambiente rico em obstáculos e objetos a serem explorados e promovendo situações desafiadoras que o estimulem a engatinhar. Outro aspecto fundamental na ação pedagógica com a faixa etária de 0 a 3 anos é entender que a criança precisa consolidar algumas habilidades antes de realizar determinadas ações. Para ouvir uma história, por exemplo, é necessário um tempo mínimo de atenção. Para isso, ela precisa sentar e escutar. Pode-se esperar que, ao final do primeiro ano de vida, ela seja capaz de sentar-se, no entanto, isso deverá ser desenvolvido por meio de estratégias adequadas que respeitem o interesse e o tempo de permanência possível para ela nessa ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ____________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 4488 -- atividade. Uma boa estratégia para demarcar esse momento da história é caracterizá-lo com elementos de referência, reproduzindo no ambiente a repetição de procedimentos e a utilização de objetos específicos para a realização da proposta – chamar as crianças com uma música e estender um pano colorido onde elas deverão sentar-se. É importante ressaltar que, durante esse processo, a rotina se constitui em uma condição para que ocorra a internalização de tais procedimentos, sendo estes introduzidos aos poucos para que as aprendizagens sejam mais efetivas. A rotina é uma categoria pedagógica utilizada na instituição educativa para auxiliar o trabalho do educador, sobretudo, para garantir que a criança seja atendida em suas necessidades básicas. Mas é também uma forma de assegurar a tranqüilidade do ambiente, uma vez que a repetição das ações cotidianas sinaliza às crianças cada situação do dia. A repetição de certos enquadre de certas ações, de determinadas práticas dá estabilidade e segurança aos sujeitos. Saber que depois de determinada tarefa ocorrerá outra, dá um certo sossego às pessoas, sejam elas grandes ou pequenas (BARBOSA, 2006, p.38). Nos primeiros meses de vida, o bebê depende do adulto para suprir suas necessidades de alimentação, sono e higiene, e está submetida a ele por meio da rotina, que estrutura seu dia-a-dia. Nesse contexto, a criança faz uso dos artifícios da emoção para chamar a atenção do adulto em relação aos seus desejos ou necessidades vitais. O choro, nesse caso, é uma estratégia eficaz para comunicar a fome, o incômodo, ou a ausência de afeto. Por exemplo, para comer, enquanto não tiver capacidade articulatória suficiente para apreender objetos como a mamadeira, dependerá durante um bom tempo da ressonância afetiva, uma espécie de linguagem capaz de promover sua interação com a mãe e, conseqüentemente, a satisfação de suas necessidades (ALMEIDA, 2004, p.60). Em sua teoria, Wallon enuncia que a origem da afetividade provém da atividade tônica postural, ou seja, das emoções (ibid). Há, portanto, uma relação direta entre a emoção e o tônus, uma vez que o aparelho muscular recebe e sinaliza as impressões afetivas do bebê, mediando essa comunicação e servindo como veículo das emoções. Nesse sentido, é fundamental que o adulto que está em contato com o bebê compreenda suas manifestações enquanto reações orgânicas que funcionamcomo uma ferramenta de sua linguagem corporal. A emoção conduz o bebê a provocar a ajuda do outro, instaurando um modo de formação de vínculo com o meio social. Na mesma medida que a criança manifesta fome com o choro intermitente e, conseqüentemente, a resposta é a satisfação de sua necessidade ao ser alimentada, ela corresponderá ao tom de voz, ao sorriso, à alegria, reagindo de forma imitativa. A imitação se especializará conforme ampliarem as possibilidades de interação, e aí entra o papel fundamental do adulto, propiciando situações em que a criança possa vivenciar a troca afetiva, familiarizar-se com a linguagem oral, aprimorar movimentos e experimentar seus sentidos. ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ____________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 4499 -- Os rituais presentes no cotidiano de uma instituição educativa são importantes para demarcar os modos de agir socialmente aceitos, que fazem parte de qualquer cultura, e que contribuem para a formação da identidade da criança. Tais rituais estão alicerçados por práticas sociais, que constituem oportunidades para a criança construir seu repertório de ações e inserir- se culturalmente no meio social, como a escola, por exemplo. Ao final do seu primeiro ano de vida, a criança já é capaz de ampliar suas reações emocionais, correspondendo a algumas ações dos adultos, por meio da automatização das rotinas. Mas é precisamente a interação que possibilitará o aprimoramento de suas habilidades. Depois dos dois primeiros anos de vida, quando ocorre uma intensa atividade física, principalmente no plano motor, por meio do deslocamento e da exploração dos objetos no espaço, a criança sente certo poder que a impele a se afirmar de forma mais exacerbada. Tal atitude é necessária para que ela se diferencie do outro e assuma sua individualidade. Isso se dará gradativamente, porém, faz-se necessária uma atitude de oposição, a fim de que a criança possa vivenciar sistematicamente o confronto com o outro nas situações cotidianas de convívio. É no estágio sensório-motor [que compreende] importante período do desenvolvimento infantil que nós encontramos as formas iniciais de distinção entre o eu e o mundo circundante, o aparecimento da autoconsciência (LURIA in VYGOTSKII, 2001, p. 196). Ciente disso, o adulto-educador, poderá conduzir, por meio de situações passíveis de interação, o aprendizado da criança sobre si e sobre o outro. Esse é o princípio da convivência mediada para qual será imprescindível o estabelecimento de regras, ou derivações, como os combinados, que se originam das negociações. Aproximadamente na passagem do primeiro para o segundo ano de vida é que a criança será capaz de compreender a linguagem das negociações, interagindo com o adulto por meio delas. Desde os estágios mais primitivos, o desenvolvimento mental da criança ocorre não apenas sob a influência da realidade objetiva (ela mesma resultante da história social), mas também sob a influência constante da comunicação entre a criança e os adultos. Essa comunicação, que exige uma participação íntima da linguagem, leva à formação da fala na criança, e isto provoca uma reorganização radical da estrutura total de seu processo psicológico (LURIA in VYGOTSKII, 2001, p. 197). Quando a criança atinge o terceiro ano de vida, já é possível esperar dela que seja capaz de se comunicar de forma complexa, por meio de linguagens que envolvam um sistema de signos e representações – suas primeiras referências de conhecimento sobre o mundo. A ampliação de sua experiência com o meio, principalmente nas suas relações interpessoais, constitui-se em um fator determinante para isso ocorrer. Ao voltar-se para si e exaltar o sentido de pertencimento, fortemente marcado pela consolidação de sua identidade, nessa fase do desenvolvimento, a criança estabelece o limite do eu e o outro, a partir de uma auto-afirmação necessária o poder de ser. Esse período se caracteriza pelo ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ____________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 5500 -- ápice do egocentrismo. No entanto, tal atitude também deriva de sua capacidade de exercer intensamente a função simbólica. A função simbólica, entendida como uma capacidade que a criança consolida, à medida que evoca objetos, pessoas ou percebe ausências e as representa. Nos dois primeiros anos de vida, a criança vive concretamente situações cotidianas em parceria com um ou mais adultos, nas quais vivencia intensamente rotinas que passam a constituir seu repertório de ações. Conforme amplia sua capacidade de interação, as situações de brincadeira também se ampliam, o que vai diferenciar significativamente o brincar simbólico do brincar sociodramático é a criança estar ou não sozinha. O brincar sociodramático implica necessariamente uma ação interativa, na qual a criança irá desenvolver sua comunicação com o outro e exercitar a cooperação como forma de participar e contribuir para que a brincadeira aconteça. Inicialmente a criança brinca simbolicamente por meio da imitação de sons, gestos e ações, evocando objetos reais e imaginados. Esse brincar passa a ser sociodramático quando o tema é elaborado em cooperação com pelo menos uma outra pessoa e se os participantes interagirem um com o outro tanto na ação como na fala. (MOYLES, 2006 p. 109). Assim, o jogo simbólico se especializa no jogo sociodramático, podendo evoluir de uma brincadeira individualizada para uma brincadeira coletiva quando o aprendizado da criança se amplia incluindo o universo das relações humanas. Nesse contexto, a oralidade será muito desenvolvida. Para isso, é necessário estimulá-la a fim de que a criança possa também aprimorar a sua comunicação, tornando-a mais eficaz. Durante esse processo de desenvolvimento, o nível maturacional da criança se revelará segundo o grau de autonomia que ela tem em relação aos aspectos: afetivos – controle das emoções –, motores – deslocamento no espaço – e cognitivos – comunicação e representação. Disso, resultará a internalização de práticas sociais que propiciam a sociabilidade dos indivíduos. Ou seja, antes de ser capaz de compreender a importância de respeitar o outro, a criança aprende a conviver com ele no mesmo espaço, dividindo o adulto e os objetos do ambiente, ao mesmo tempo em que vai aprendendo o valor da amizade e do respeito. Nesse contexto de aprendizagem, a criança poderá conquistar a sua autonomia à medida que o educador propiciar situações ao mesmo tempo desafiadoras e reguladoras. A ação educativa é que garantirá o limite da ação possível, o que se torna imprescindível para consolidação de parâmetros que servirão de referência para a criança agir no meio social. Por isso, o educador precisa conhecer e acompanhar cada criança em seu processo de desenvolvimento, estando disponível enquanto a ajuda for necessária, mas ao mesmo ______________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ____________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ -- 5511 -- tempo propiciando situações em que essa criança tenha oportunidade de experimentar e agir sozinha. No âmbito das relações interpessoais, os dois primeiros anos da criança se constituem em períodos de autoconhecimento e fortalecimento do eu, mas necessariamente isso se dará conforme a criança for confrontada com o outro, ou seja, ela precisa da referência do outro para se dar conta de si. Oportunizar diferentes convívios é uma importante estratégia para aprendizagens interativas. Eventualmente, a integração de crianças com diferentes idades permite a troca de conhecimentos, a projeção da ação futura e o aprimoramento de habilidades. Diante do contexto ora situado, é importante salientar que a prática educativa exige um educador atento, capaz de desenvolver um olhar mais preciso para as reações do bebê, uma vez que a comunicação é predominantemente corporal. Nesse sentido, o registro diário se constitui em uma ferramenta bastante eficaz quando está pautado em parâmetros pré- estabelecidos por uma teoria do desenvolvimento infantil, que contemple as áreas destacadas anteriormente – motora afetiva e cognitiva. Além de controlar o processo de desenvolvimento, esse acompanhamento possibilita ao educador a reflexão sobre a ação educativa, à medida que a criança apresentar indicadores acerca de suas demandas. São várias as formas de realizá-lo, seja por meio de fichas de controle diário sobre as atividades de higiene, alimentação e sono, ou pautas de observação em que seja possível representar os aspectos subjetivos, específicos e singulares de cada criança. Assim, o currículo para essa etariedade leva em consideração a seguinte organização: ______________________________________________________________________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ____________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ -- 5522 -- TABELA 1 – ORGANIZAÇÃO CURRICULAR: TEMPO DE VIDA I – 4 MESES A 1 ANO PARA A FAIXA ETÁRIA DE 4 MESES a 1 ANO EIXO – O MEU MUNDO • Desenvolvimento da afetividade: formação de vínculo no relacionamento com o adulto-referência e manifestação das emoções como forma de comunicação. • Onde estou: os espaços de convívio – exploração dos ambientes da casa e do CMEI. • Meus prazeres: a percepção dos sentidos – exploração de si e dos objetos. AÇÕES PEDAGÓGICAS POSSÍVEIS 1. Ambientar o espaço da sala com materiais que estimulem nas crianças: • a visão – móbiles, figuras, cores; • a audição – música, chocalhos de sucata, comunicação verbal; • o paladar – diversidade de alimentos, adequação do tipo de alimento/idade; • o tato – o próprio corpo, texturas, materiais diversos, frio/quente; • o olfato – comida, cocô/xixi, perfumes; • área motora ampla – pescoço/cabeça, tronco ereto, movimento: sentar, rolar, engatinhar, andar; • área motora fina – membros: pegar, segurar, empurrar, jogar, abrir, fechar. 2. Proporcionar passeios para as crianças explorarem o espaço, o corpo e objetos, entre outros: • circuitos motores; • cesto de Tesouros; • espelhos. 3. Dar atenção adequada para cada criança nas tarefas de troca, alimentação, sono e banho. 4. Construir referências acerca da convivência em grupo, a partir da consciência de si: • música e dança; • momento de relaxamento e massagem; • brincadeiras: sons, esconde-esconde, “jogar-pegar”; 5. Falar com a criança sobre tudo o que acontece à sua volta: • nomear as partes do corpo, mapeamento do corpo, banho pedagógico; • apresentar os objetos – nome e características; • antecipar as ações verbalmente; • estabelecer uma ordem da cada vez. 6. Diálogo social – introduzir as relações interpessoais. FICHA DE AVALIAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL – FAIXA ETÁRIA DE 4 MESES A 1 ANO Critérios baseados no Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEIs). CAPACIDADES COMUNICACIONAIS 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Manifesta prazer ou incômodo diante de determinadas situações. Expressa e manifesta as suas necessidades pessoais, gesticulando ou verbalmente. Utiliza o corpo para expressar-se. Expressa suas emoções e seus sentimentos. CAPACIDADES PERCEPTIVAS 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Relaxa quando o ambiente está propício. Reage a diferentes ruídos e intensidade de som. Dorme ou acorda com facilidade. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ____________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ -- 5533 -- Utiliza o corpo para expressar-se. Imita os movimentos que observa. Reage diante de estímulos sonoros. Agrada-lhe escutar canções e músicas. Imita gestos e produz diferentes ruídos e sons musicais. Acompanha o ritmo com o corpo. CAPACIDADES INTERATIVAS 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Experimenta e realiza as tarefas e as condutas ao seu alcance. Participa dos rituais de higiene, limpeza e troca. Colabora ativamente nas situações de refeições. Reconhece a rotina diária integrando-se às atividades. CAPACIDADES MOTORAS 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Desloca-se pelo espaço se arrastando ou engatinhando. Senta-se e levanta-se sozinha. Desloca-se caminhando, tem equilíbrio e postura. Participa de jogos motrizes. Explora objetos de diferentes maneiras. Manipula os objetos que tem ao seu alcance. Brinca com jogos manipulativos. Tira seus calçados ou tenta tirá-los. Amassa papéis, explora-os e manipula-os. Faz atividades complexas de exploração e de manipulação. CAPACIDADES DE LOCALIZAÇÃO 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Adapta-se rapidamente à instituição. Conhece sua sala e tem curiosidade em explorar outros espaços. Localiza alguns objetos. Antecipa alguma situação ou atividade cotidiana a partir de referências. CAPACIDADES DE CONVIVÊNCIA 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Toma os brinquedos/objetos dos companheiros. Interage bem com o adulto-referência. Começa a interagir com outras crianças. Começa a partilhar pequenos períodos de jogos com a intervenção de um adulto. Observa as outras crianças e as imita. Solicita a atenção da educadora freqüentemente. Distingue as pessoas conhecidas entre as desconhecidas. CAPACIDADES INVESTIGATIVAS 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Tem iniciativa. Tem curiosidade por tudo que a envolve. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ -- 5544 -- }Mostra-se observadora e receptiva. CAPACIDADES LINGUÍSTICAS 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Manifesta interesse e iniciativa em comunicar-se com as outras pessoas. Comunica-se gestualmente. Bate palmas. Faz ruidinhos para escutar e para chamar a atenção. Reconhece a voz da sua educadora e das pessoas mais próximas. Responde quando ouve seu nome. Pára ante as proibições. Solicita coisas verbalmente. Repete sons imitando. Balbucia com entonação. Gesticula enquanto fala. Destaca e nomeia algumas partes do corpo. Entende ordens simples. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ____________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ -- 5555 -- TABELA 2 – ORGANIZAÇÃO CURRICULAR: TEMPO DE VIDA I – 1 A 2 ANOS PARA A FAIXA ETÁRIA DE 1 a 2 ANOS EIXO – EU E MINHA FAMÍLIA • Desenvolvimento do afeto: sentimento construído nas relações cotidianas - pai, mãe, educadora, avós, parentes. • O lugar onde moro: a estrutura familiar – espaço/ambiente, pessoas, animais. • Como é o meu dia: as ações que a criança realiza, com ou sem ajuda do adulto. AÇÕES PEDAGÓGICAS POSSÍVEIS 1. Ambientar o espaço da sala com materiais que estimulem nas crianças: • discriminar os sentidos recentemente desenvolvidos – visão, audição, paladar, tato, olfato. • consolidar a habilidade de andar, deslocando-se pelo ambiente; • aprimorar a habilidade de manipular objetos por meio do movimento de pinça. 2. Proporcionar passeios para as crianças explorarem os ambientes da instituição, o corpo, e objetos entre outros: • circuitos motores; • cesto de tesouros; • espelhos; • caixas Temáticas – bonecas, carrinhos, livros, bolas, objetos diversos. 3. Dar atenção adequada para cada criança nas tarefas de troca, alimentação, sono, banho: • incentivar a conquista da autonomia, valorizando as ações realizadas pela criança de forma independente. 4. Construir referências acerca da convivência em grupo, a partir da consciência de si: • momento de relaxamento; • brincadeiras: corporais, cantadas, imitação, faz-de-conta, fantasias; • rodas: chamada, conversa, histórias, música. 5. Estabelecer o diálogo como forma primordial de comunicação: • combinar sobre “o que pode e o que não pode” a fim de delimitar a ação da criança; • conversar sobre as vivências individuais e coletivas do grupo; • discutir a sistematização da rotina – por meio de figuras e escrita – para que as crianças possam antecipar as atividades previstas; • estabelecer ordens que a criança possa realizar sozinha. 6. Propiciar a ampliação dos conhecimentos da criança acerca do mundo à sua volta: • registro dos acontecimentos cotidianos, destacando os elementos mais significativos para o grupo; • contextualização das temáticas de interesse do grupo, caracterizando os elementos abordados; • vivências das práticas culturais tais como festa junina/ aniversários. 7. Propor atividades que desenvolvam a criatividade na criança: • propostas de construção com materiais diversos; • atividades plásticas – massinha, pintura a dedo/com esponja/rolha, rasgadura, colagem. FICHA DE AVALIAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL – FAIXA ETÁRIA DE 1 A 2 ANOS (Critérios baseados nos RCNEIs) CAPACIDADES COMUNICACIONAIS 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Manifesta o seu estado de ânimo de maneira não-verbal. Faz uso da linguagem oral para manifestar seus desejos. Demonstra seus sentimentos. CAPACIDADES PERCEPTIVAS 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Discrimina visualmente figuras, cores e objetos pessoais. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ____________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ -- 5566 -- Reconhece a sua imagem no espelho. Discrimina sons e os nomeia animais, objetos e máquinas. Estabelece preferências gustativas. Come só determinados alimentos. Explora os objetos com a boca. Reconhece os efeitos de suas experiências anteriores – textura, temperatura, volume. Distingue e nomeia cheiros diferentes. Diferencia se fez cocô ou xixi. Começa a controlar os esfíncteres de dia. CAPACIDADES INTERATIVAS 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Colabora quando a vestimos e quando a trocamos. Relaciona-se bastante com a sua educadora por iniciativa própria. Participa dos rituais de higiene, limpeza e troca com a mediação do adulto. Conhece as pessoas adultas próximas. CAPACIDADES MOTORAS 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Desloca-se com objetos nas mãos. Começa a correr e pular. Sobe em escadas, degraus e cadeiras. Perde o equilíbrio com freqüência. Segura a bola nas mãos. Explora os objetos com os dedos. Agrada-lhe os jogos de construção, montar e de manipulação com peças pequenas. Folheia um livro. Destapa caixas e volta a tapá-las. Abre gavetas. Enche baldinhos de areia e os esvazia. Enche e esvazia de areia pequenos frascos de diferentes tamanhos. Manipula pequenos objetos de encaixe. Utiliza o garfo e também a colher. Segura o copo com as mãos e bebe sozinha. CAPACIDADES LÚDICAS 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Reproduz gestos e movimentos com todo o corpo ou com partes do corpo. Imita animais, personagens, sensações e estados de ânimo. Brinca com brinquedos/objetos atribuindo-lhes características e funções. Reproduz ações cotidianas dos adultos, imitando-os. CAPACIDADES DE LOCALIZAÇÃO 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Conhece os espaços habituais da instituição. Identifica os diferentes cantinhos da sala e os nomeia. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ____________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________-- 5577 -- Identifica alguns objetos habituais, localiza-os e os nomeia. Identifica ambientes de seu cotidiano – casa, escola. CAPACIDADES DE CONVIVÊNCIA 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Toma os brinquedos/objetos dos companheiros. Interage bem com outras crianças ou com adultos. Partilha pequenos períodos de jogos com mais uma criança e a mediação de um adulto. Reproduz o que observa cotidianamente. Solicita a atenção da educadora apenas em situações que não domina. Distingue as pessoas conhecidas entre as desconhecidas. CAPACIDADES INVESTIGATIVAS 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Tem iniciativa e realiza ações simples. Demonstra curiosidade e relaciona conhecimentos inferindo características. Mostra-se observadora e receptiva. CAPACIDADE DE AUTONOMIA 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Protesta e tenta evitar situações que não lhe agradam. Expõe-se freqüentemente ao perigo. Tira sozinha alguma peça de roupa. CAPACIDADES LINGUÍSTICAS 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Comunica-se gestualmente. Comunica-se com as outras pessoas por meio da oralidade. Diz não, diz sim. Reconhece e nomeia algum animal. Responde quando ouve seu nome. Pára ante as proibições. Repete sons imitando. Segue o ritmo que escuta. Diferencia intenções na fala dos adultos. Combina duas palavras. Faz frases com dois elementos. Destaca e nomeia algumas partes do corpo. Entende mais de uma ordem simples ao mesmo tempo. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ____________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ -- 5588 -- TABELA 3 – ORGANIZAÇÃO CURRICULAR: TEMPO DE VIDA I – 2 A 3 ANOS PARA A FAIXA ETÁRIA DE 2 A 3 ANOS EIXO – EU NO CMEI • Desenvolvimento da amizade: a ampliação do modo de relacionamento afetivo, havendo a possibilidade do vínculo entre crianças de mesma idade. • Como é o CMEI: as rotinas e linguagens características do cotidiano educativo, a disposição dos espaços/ambientes, os diferentes papéis, as relações interpessoais - outros agentes educativos presentes na escola. • O que acontece no meu dia: a vivência diária/rotina – destaca-se uma situação educativa para registrar, seja por meio de escrita e imagem, só escrita ou com a produção plástica das crianças. • O que descobrimos: as pesquisas compartilhadas, as investigações casuais e as hipóteses testadas. AÇÕES PEDAGÓGICAS POSSÍVEIS 1. Ambientar o espaço da sala com materiais que estimulem nas crianças: • exploração e utilização dos sentidos – visão, audição, paladar, tato, o olfato; • ampliação da capacidade de movimentarem-se nos ambientes do espaço educativo; • aprimoramento e domínio da capacidade de manipular pequenos objetos. 2. Proporcionar passeios para as crianças explorarem a capacidade corporal, os brinquedos do ambiente externo e a natureza: • circuitos motores; • cantinhos de manipulação e exploração; • cantinhos Temáticos – casinha/cozinha/utensílios/quarto de bonecas, pista de corrida/cidade de sucata/carrinhos, minibiblioteca/livros para manuseio, objetos diversos. 3. Dar atenção adequada para cada criança nas tarefas de: uso do banheiro, alimentação, sono, banho: • incentivar a conquista da autonomia, valorizando as ações realizadas pela criança de forma independente. 4. Construir referências acerca da convivência em grupo, a partir da consciência de si: • momentos: de relaxamento e de concentração; • brincadeiras: corporais, cantadas, imitação, faz-de-conta, fantasias, jogos sociodramáticos; • rodas: chamada-rotina, conversa, pesquisa, histórias, música. 5. Estabelecer o diálogo como forma primordial de comunicação: • fazer os combinados sobre “o que pode e o que não pode” junto com o grupo a fim de delimitar as ações das crianças; • conversar sobre as vivências individuais e coletivas do grupo; • discutir a sistematização da rotina – por meio de figuras e escrita – para que as crianças possam antecipar as atividades previstas; • apresentar e mediar as tarefas a serem realizadas pelas crianças. 6. Propiciar a ampliação dos conhecimentos da criança acerca do mundo à sua volta: • registro dos acontecimentos cotidianos destacando os elementos mais significativos para o grupo. • laboratório dos sentidos – experimentação auditiva, gustativa, visual, tátil e olfativa; • contextualização das temáticas de interesse do grupo, caracterizando os elementos abordados; • leitura de livros literários, informações sobre temas de estudo, recados, bilhetes; • apresentação de repertório musical contextualizado no universo infantil e de qualidade – evitar os produtos veiculados pela mídia televisiva; • questionamento sobre os conhecimentos prévios das crianças, confrontando-os e problematizando-os; • vivências das práticas culturais tais como festa junina/aniversários. 7. Propor atividades que desenvolvam a criatividade na criança: • propostas de construção com materiais diversos; • atividades plásticas – massinha, pintura a dedo/com esponja/rolha/pincel, recorte, colagem, montagem, desenho com giz de cera/lápis de cor/canetinha. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ____________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ -- 5599 -- FICHA DE AVALIAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL – FAIXA ETÁRIA DE 2 A 3 ANOS (Critérios baseados nos RCNEIs) CAPACIDADES COMUNICACIONAIS 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Manifesta o seu estado de ânimo de maneira não-verbal. Em situações de conflito utiliza artifícios corporais. Expressa-se verbalmente em qualquer situação. Fala sobre seus sentimentos. CAPACIDADES PERCEPTIVAS 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Discrimina visualmente figuras, cores e objetos pessoais. Brinca e reconhece partes do corpo na sua imagem do espelho. Discrimina sons e os nomeia animais, objetos e máquinas. Diferencia: som/silêncio e forte/fraco. Sabe localizar o lugar de onde provém o ruído/som. Observa e conhece alguns fenômenos atmosféricos. Escolhe o que quer comer. Reconhece cheiros diferentes. Reconhece quando fez cocô ou xixi. Consegue controlar os esfíncteres. Começa a controlar as suas emoções negativas. CAPACIDADES INTERATIVAS 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Colabora quando a vestimos e quando a trocamos. Relaciona-se bastante com a sua educadora por iniciativa própria. Participa dos rituais de higiene, limpeza e troca com a mediação do adulto. Aceita a relação com outras pessoas adultas da escola e no conhecimento das funções. CAPACIDADES MOTORAS 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICASINDIVIDUAIS Desloca-se com objetos nas mãos. Corre e pula. Sobe escadas, degraus e cadeiras. Lança a bola a um determinado lugar. Folheia as páginas de um livro uma a uma. Consegue rasgar um papel em pedacinhos e amassá-los. Faz colares com bolinhas ou massa. Organiza os quebra-cabeças de peças grandes e simples resolução e encaixes. Faz pilhas com peças pequenas. Consegue desatar laços simples. Tampa e destampa caixas e potes fáceis de abrir. Abre as torneiras habituais. Preenche uma superfície com pintura, massinha, lápis de cera. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ____________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ -- 6600 -- Enche baldinhos e os vira fazendo bolo de areia. Enche e esvazia de areia/serragem/grãos pequenos frascos de diferentes tamanhos. Utiliza o garfo e também a colher. Segura o copo com as mãos e bebe sozinha. CAPACIDADES LÚDICAS 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Reproduz gestos e movimentos dançando e cantando. Imita animais, personagens, sensações e estados de ânimo. Brinca com brinquedos/objetos atribuindo-lhes características, funções e significados. Reproduz ações cotidianas dos adultos, imitando-os em suas brincadeiras. Sente prazer nos jogos com água, areia e de modelar. Concentra-se um momento nos jogos que faz sozinha. Brinca espontaneamente nos cantinhos de jogos simbólicos. Começa a participar de jogos com mais uma criança. Participa de jogos sociodramáticos. CAPACIDADES DE LOCALIZAÇÃO 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Conhece e se desloca pelos espaços habituais da instituição. Conhece os cantinhos da sala e os nomeia. Identifica objetos habituais, localiza seu lugar de origem e os guarda. Diferencia os ambientes de seu cotidiano – casa, escola, e outros. Reconhece os momentos do dia – rotina, dia/noite. CAPACIDADES DE CONVIVÊNCIA 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Troca brinquedos/objetos com os companheiros. Está aprendendo a compartilhar os objetos, os espaços e a atenção. Começa a compartilhar jogos e brinquedos com a intervenção do adulto. Interage bem com outras crianças ou adultos. Partilha períodos de jogos com mais de uma criança e a mediação de um adulto. Participa de jogos dirigidos. Reproduz o que observa cotidianamente. Solicita a atenção da educadora apenas em situações que não domina. CAPACIDADES INVESTIGATIVAS 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Tem iniciativa e realiza ações diversas. Tem curiosidade por tudo que a envolve. Demonstra curiosidade e relaciona conhecimentos inferindo características. Experimenta durante breves momentos, os materiais propostos. Mostra-se observadora e faz perguntas sobre objetos, situações, pessoas e fenômenos. Interessa-lhe observar as coisas e descobrir suas qualidades. Antecipa efeitos da sua ação sobre os objetos. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ____________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ -- 6611 -- CAPACIDADES COGNITIVAS 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Conhece os objetos habituais do seu ambiente e a sua função. Nomeia e reconhece características de alguns animais e plantas. Canta canções trabalhadas, recorda fragmentos, imita gestos. Sabe citar características dos objetos ou elementos. Agrupa objetos por semelhanças, utilizando critérios. Classifica objetos segundo alguma qualidade proposta. Compara elementos ou objetos a partir de semelhanças ou diferenças. Sabe diferenciar: grande/pequeno, muito/pouco, todos/um/poucos/muitos, longo/curto. Compreende conceitos: dentro/fora, acima/abaixo, ao lado/em frente/atrás. Representa graficamente por meio de garatujas. Representa suas idéias por meio de desenhos figurativos. CAPACIDADE DE AUTONOMIA 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Quer fazer todas as coisas sozinha. Colabora quanto à higiene pessoal, não lhe agrada estar lambuzada. Controla suas necessidades fisiológicas, vai sozinha ao banheiro. Consegue tirar a roupa sozinha. Colabora durante as refeições. Conhece e adapta-se bem a organização do horário. Ordena os brinquedos. Cumpre pequenas responsabilidades ou pedidos que lhe sejam atribuídos. Solicita ajuda e aceita quando é necessário. Sabe colocar as coisas nos seus devidos lugares. Encontra os seus objetos pessoais e coloca-os em seu lugar Prevê acontecimentos cotidianos e antecipa ações. CAPACIDADES ATITUDINAIS 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Mostra confiança nas tarefas habituais. Esforça-se por vencer dificuldades que é capaz de vencer. Mostra satisfação por suas ações ou produções. Insiste em conseguir o que quer. Agrada-lhe cumprir pedidos e ter responsabilidades. Começa a esperar a sua vez. Muda constantemente de atividades. Concentrar-se por um momento na mesma atividade. Agrada-lhe desenhar. CAPACIDADES LINGÜÍSTICAS 1º TRI 2º TRI 3º TRI CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Explica o que fez na escola a quem vai buscá-la. Sabe fazer pequenos pedidos. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ____________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ -- 6622 -- Conhece todos os companheiros e os seus nomes. Explica sobre suas experiências pessoais. Responde às perguntas. Utiliza a linguagem verbal em diferentes situações Entende ordens simples. Escuta os contos ou as pequenas explicações. Sabe associar situações atuais com experiências anteriores. Expressa-se de maneira compreensível. Fala enquanto brinca. Nomeia os objetos habituais por meio de indicação ou imagem. Utiliza os diminutivos. Possui um vocábulo amplo. Denomina o que vê ou o que faz. Utiliza o pronome pessoal eu, tu ele. Utiliza nomes, adjetivos e verbos. Utiliza estruturas afirmativas, negativas, interrogativas, imperativas. Sabe imitar ruídos dos animais e diferentesonomatopéias. Explica alguma seqüência de um conto e recorda alguns personagens. Tem interesse por se expressar melhor. Atende às regras. Repete sons imitando. Segue o ritmo que escuta. Combina mais de três palavras. Elabora frases com sentido. Destaca e nomeia as partes do corpo. Compreende as ordens que lhe são dirigidas. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 6633 -- 2.2 TEMPO DE VIDA II – 4 E 5 ANOS A criança de 4 e 5 anos encontra-se num tempo de vida da infância em que está desenvolvendo-se e constituindo o processo de formação da personalidade e a construção da consciência, através da interação com o meio social e predominância das relações afetivas. Assim, no decorrer deste processo, intensificam-se as relações sociais da criança com o meio. A autonomia é conquistada nos conflitos que mantêm com o outro e, dessas relações, vão sendo despertados sentimentos e manifestações afetivas que diretamente se inter-relacionam com outros indivíduos. No entanto, dependendo do tempo de vida de cada criança, as características de socialização se modificam. Ocorre que os interesses e necessidades são diferenciados e condizentes com a faixa etária e peculiaridades individuais da criança. Em cada etapa do desenvolvimento infantil, a socialização contextualizada possibilita a criança condições para criar e apropriar-se da linguagem, comunicar-se, influenciar e ser influenciada pelo ambiente como forma de produção cultural. No entanto, a criança não se desenvolve de forma homogênea, pois o ser humano é um ser complexo e de múltiplas dimensões, capaz de articular, num único gesto, múltiplas linguagens: sentimentos, desejos, contradições. Além disso, a criança tem sua individualidade e ritmo próprio, pois recebe influências orgânicas, afetivas e sociais. Da mesma forma que o desenvolvimento infantil não é homogêneo, o meio também não é uma entidade estática e homogênea, pois se transforma juntamente com a criança, Para Wallon (citado por GALVÃO, 2004), o estudo da criança contextualizada deve considerar o sujeito como “genericamente social” nas relações com o meio. As determinações são recíprocas, já que é inconcebível a ação humana apartada do meio social. Como o ser humano é em essência um ser social, é coerente que as práticas pedagógicas nas Instituições Educativas Escolares atendam as necessidades da criança nos planos: afetivo, cognitivo e motor, além de promover o seu desenvolvimento global, garantir a aprendizagem e proporcionar condições de socialização e interação consigo e com o outro. Nessa perspectiva ressalta-se o princípio aprovado na IV Conferência Municipal de Educação/2006, Os tempos da infância são tempos de constituição de identidade e significados e, esses, se efetivam via processos socializadores de aprendizagem e de Formação Humana nas suas dimensões afetiva, cognitiva, biológica, corpórea, histórica, cultural, política e social. Compreendendo e garantindo o processo educativo, pois cada criança tem seu tempo certo de aprender (GME/FRG, 2006). ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 6644 -- Ao assumir este princípio, acreditamos que o maior objetivo da educação no contexto da pedagogia e da psicologia genética walloniana está posto no desenvolvimento global da pessoa e não apenas em seu desenvolvimento intelectual. A inteligência é uma parte intrínseca ao todo que constitui a pessoa - o ser humano. Segundo Galvão (2004, p. 39), perceber a criança no seu contexto possibilita que se perceba que, entre os recursos e os de seu meio, instala-se uma dinâmica de determinações recíprocas. Essas determinações precisam ser percebidas no cotidiano da Educação Infantil, o que pressupõe a necessidade de um olhar atento do educador quanto: • estabelecer relações de afeto como elogios, olhar nos olhos e ter contato físico. Esses momentos podem ser garantidos na hora da brincadeira em que o educador senta-se ao lado da criança, ri com ela, interessa-se pelo que ela tem a dizer; • mediar a dimensão afetiva proporcionada pelo meio; • observar o que as crianças contam a respeito dos convívios familiares; • perceber como a criança se socializa, como interage com o educador, com o grupo e com outras crianças que não fazem parte de seu grupo. O convívio entre as crianças na Educação Infantil favorece o desenvolvimento intelectual, afetivo e físico, o que facilita a aprendizagem, pois cada criança traz consigo uma gama de informações de seu ambiente familiar, cabendo a instituição a elaboração de atividades significativas para a ampliação do conhecimento. A idéia walloniana é que ambiente e criança influenciam-se reciprocamente e que a criança estabelece um sistema próprio de relação com o meio a cada momento. Isto pode ser observado nas atividades em que ela desenvolve, na forma como interage com os demais, no tempo que dedica a cada atividade, no significado que atribui a aspectos da situação, nos locais e objetos que seleciona para brincar. Cada meio estabelece determinadas condições de aprendizagem e desenvolvimento infantil e, a partir dessas condições, a criança selecionará, dentre os elementos disponíveis, aqueles que seriam ideais para a realização de seus objetivos. O desenvolvimento humano é uma construção progressiva, na qual se sucedem fases com predominância afetiva e cognitiva. Essa alternância de caracteres, ora intelectuais – voltados para o real, mundo físico –, ora afetivos – construção do eu, mundo humano –, é o que Wallon (citado por GALVÃO, 2004) denomina predominância funcional. Momentos de predominância afetiva, subjetiva, de acúmulo de energia sucedem outros que são de predominância cognitiva, objetiva e de dispêndio de energia. O predomínio do caráter intelectual corresponde às etapas em que a ênfase está na elaboração do real e no conhecimento do mundo físico. Já a alternância de funções de em que, ora há predominância do afetivo, ora do cognitivo como forma de acúmulo de energia e propulsora do desenvolvimento humano é chamada predominância funcional. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 6655 -- A identidade se constrói por meio da integração funcional, ou seja, embora a criança tenha passado pelo estágio de preponderância afetiva por volta dos 5 meses, ao retornar ao afetivo com 4 anos de idade, por exemplo, suas atitudes perante o meio são mais elaboradas, com diferentes características da faixa etária. No tempo de vida da criança com 4 e 5 anos de idade, verifica-se uma nova definição dos contornos da personalidade,desestruturados devido às modificações corporais resultantes da ação hormonal. Questões pessoais, morais e existenciais são trazidas à tona. O psiquismo humano constitui-se da interação da realidade de ordem genética e de realidade de ordem social. Portanto, a criança é um ser social desde o nascimento ou mesmo anterior a ele. Para Wallon (citado por GALVÃO, 2004), o processo de construção da pessoa se dá pela interação e contradição. Ao interagir com o outro, a criança irá conviver com muitos conflitos que certamente contribuirão para o desenvolvimento de sua personalidade. Assim, esta teoria não se preocupa somente com a sociabilidade como processo necessário para o desenvolvimento humano, mas atribui ainda importância fundamental para a emoção como um instrumento de sobrevivência da pessoa humana. É na idade Pré-escolar que Walon (citado por GALVÃO, 2004), assinala a ocorrência da construção do “eu psíquico” pela criança. Nessa fase do desenvolvimento infantil, ao invés de se identificar com cada um dos personagens e de emprestar seus órgãos e seus pensamentos, a criança adota um ponto de vista exclusivo e unilateral (o seu), o de uma personalidade particular e exclusivamente sua, tendo sua própria perspectiva e referenciando-se com relação ao outro. Ocorrem conflitos interpessoais, pois a criança opõe-se sistematicamente ao que distingue como sendo diferente dela, – o não eu. Neste momento da infância, a criança está formando sua personalidade, pois se adapta aos acontecimentos numa sucessão de conflitos interpessoais. Não tem certeza dos próprios pensamentos ou sentimentos, pois a construção de si está inacabada, ora expulsa, ora incorpora o outro aos movimentos complementares e alternantes neste processo de formação do eu. Assim, a construção do eu depende essencialmente do outro, quando ocorrem “crises de oposição” em que a negação do outro funciona como uma espécie de instrumento da descoberta de si próprio (a). Isso acontece mais ou menos em torno de três anos, quando é hora de saber quem “eu” sou. A imitação, a manipulação, a sedução em relação ao outro são características comuns nesta fase. Para desenvolver o “eu psíquico” é fundamental que a criança conheça o eu corporal, mesmo que sem autonomia e, muitas vezes, confusa, ela passa a interagir e a criar sua própria personalidade. Quando a criança começa a ter consciência do “eu”, ocorre ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 6666 -- um confronto com sua personalidade pelas diversas atitudes, às vezes, até agressivas e tentando ser superior aos outros. Nessa fase, a criança inicia a constituição de sua autonomia e deixa de ser facilmente modificada e influenciada. Ao adquirir novas ações procura chamar atenção de maneira positiva, para que o outro passe a admirá-la, pois ele precisa suprir uma necessidade própria. A criança por meio da interação com o outro, passa a imitar as pessoas que lhe atraem, enriquecendo suas relações sociais. Portanto, o “eu psiquico” se refere ao desenvolvimento da personalidade e isso ocorre durante todo o desenvolvimento humano. Em cada período da vida o eu psíquico se manifesta de forma diferente. Como exemplo: é antes de 3 anos de idade que a criança refere-se a si mesma na 3ª pessoa. Ela dialoga consigo e mistura realidade e imaginação. Não distingue o eu do personagem. Mais tarde, ocorre uma reviravolta no comportamento da criança, pois, ao perceber que o outro é externo a si mesma, ela sente a necessidade de posse, ou seja, sente o desejo de propriedade. Isso é bem perceptível na pré-escola: as crianças brigam para ficar perto da educadora, querem determinado objeto e não aceitam perder algo. Estão na fase de descoberta do mundo e isso gera conflitos interiores (consigo mesma) e com o outro. Mais tarde, por volta de 5 a 6 anos de idade, a criança entra em equilíbrio consigo e com o mundo externo. Ela quer ser elogiada e quer cativar. É o chamado estado de graça. É bem visível as atitudes graciosas da criança nesta faixa etária. Os educadores relatam que desenvolver as práticas pedagógicas na pré-escola se torna prazeroso, pois a criança demonstra interesse em participar. Ela quer revelar-se, compartilhar, socializar-se, empresta objetos, dialoga, relata fatos, faz algumas graças em sala, proporciona momentos de risos e motivação. Segundo Wallon (citado por GALVÃO, 2004), afirma que, nessa fase do desenvolvimento, a formação do caráter da criança se funde com a dos outros. A consciência ainda está inacabada, a criança não se refere a ela como “eu”, mas pelo nome, fala sozinha e é egocêntrica (faz trapaça, é agressiva). Há um conflito entre o eu e o outro, muito mais emocional, este é chamado de personalista. A criança só constrói o eu psíquico quando o eu corporal já está construído. É nessa fase que normalmente vai dos três aos cinco anos, que as funções representativas estão em seu auge. Desenho, faz-de-conta, simulações, imitações, escrita vão tornando-se objetos de interesse e curiosidade da criança, os quais possibilitam a apropriação e atribuições de significados. A intervenção do educador frente às necessidades infantis começa a se modificar bastante neste período de vida da criança, pois elas conseguem comunicar-se de maneira mais eficaz e também passam a resolver sozinhas muitas situações cotidianas, a exemplo: ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 6677 -- a maioria delas não precisam mais dormir durante o dia, mas é bom que a educadora planeje um horário para descanso, no caso do período integral. A colaboração entre pares, entre as próprias crianças, pode e deve ser incentivada. A organização do cotidiano pressupõe a compreensão de que a educadora deve estar atenta às demandas dos grupos e de cada criança. Por isso, é fundamental o planejamento de intervenções educativas, nas quais o conhecimento deve ser apresentado como um desafio em sua dimensão problematizadora. A organização do trabalho pedagógico está intimamente ligada aos princípios e objetivos contidos no currículo. A autonomia e a cooperação são elementos que permeiam essa organização. Por este motivo, cabe apresentá-los: • Cooperação e autonomia A autonomia apresenta-se nas situações em que as crianças agem sobre o objeto de seu conhecimento e são desafiadas em atividades problematizadoras postas em sala de aula e mediadas pelo educador. A cooperação caminha junto com a autonomia, pois se entende que a criança possui capacidade de viver em grupo e aceitar estratégias de interações solidárias. Essas ações podem ocorrer em diferentes momentos e ou situações: quando a criança escolhe o lugar em qual repousar/descansar, a cadeira a qual quer sentar, tanto no espaço do refeitório quanto em sala, a brincadeira do faz-de-conta, quando traz brinquedos de sua preferência para brincar na instituição, quando pede que desenhe ou escreva algo como exemplo para que possa olhar e tentar fazer, quando realiza a higiene pessoal, arruma a sala de aula, quando éa ajudante do dia, no momento em que organiza e cuida de seus pertences (mochila, calçado, roupa) na hora de sua alimentação (sistema de buffet) e ainda nas atividades pedagógicas realizadas. Portanto, no cotidiano da instituição, evidenciamos esses elementos –cooperação e autonomia – quando : • desde os primeiros dias na instituição, o educador observa e propicia momentos de cooperação entre as crianças; • quando uma criança está chorando, querendo ir embora, faz-se uma conversa e tenta explicar que agora ela precisa ficar na instituição e que quando chegar o horário de saída o pai ou a mãe virá buscá-la; • nos primeiros dias na instituição, as crianças sentem-se inseguras, mas com o passar dos dias, elas começam a ter iniciativas e, aos poucos, constroem vínculos afetivos com o novo grupo, ao mesmo tempo, adquirindo independência em relação a família; ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 6688 -- • a elaboração de regras com as crianças, permitindo que elas opinem e sugiram, oportunizando a conquista de autonomia para praticarem o que acham certo ou errado, como escovar os dentes, cuidar de seus pertences, ir sozinha ao banheiro, comer sem ajuda, escolher a brincadeira, o jogo entre outros; • o trabalho em grupo como elaboração e produção coletiva de atividades que envolvam recorte, colagem, pintura, construção de brinquedos, contação de histórias entre outras. Ao se tratar da finalidade da Educação Infantil na perspectiva de uma pedagogia progressista, a organização do trabalho pedagógico deve estar voltado para a construção da autonomia e da cooperação. Portanto, essas ações devem perpassar pelo enfrentamento e a solução de problemas, a responsabilidade, a criatividade, a formação do autoconceito estável e positivo, a comunicação e a expressão em todas as formas, levando em conta as características específicas da criança e do momento em que vivem. As referências de seu entorno oportunizam a aquisição dos conhecimentos das diferentes áreas, visando sua inserção social, crítica e criativa, considerando a criança sujeito que faz parte da sociedade. Alguns princípios são considerados fundamentais na Educação Infantil. Ao “(...) implementar uma Educação Infantil de qualidade, que reconheça e valorize as diferenças entre as crianças, impõe-se a necessidade de elencar alguns princípios metodológicos”. (GARMS in GUIMARÃES, 2005 p.193). Nesse sentido, nos remetemos as contribuições de KRAMER (1993), a qual referencia os seguintes princípios: – tomar a realidade da criança como ponto de partida para o trabalho, reconhecendo sua diversidade; – observar as ações infantis e as interações entre as crianças, valorizando suas atividades; – confiar nas possibilidades que todas as crianças têm de desenvolver e aprender, promovendo a construção de sua auto- imagem positiva; – propor atividades com sentido reais e desafiadoras para as crianças, as quais sejam pois, simultaneamente, significativas e prazerosas, incentivando sempre a descoberta, a criatividade e a criticidade; – favorecer a ampliação do processo de construção dos conhecimentos do mundo físico e social; – enfatizar a participação e a ajuda mútua, possibilitando a construção da autonomia e da cooperação. Portanto, considerando as finalidades da Educação Infantil, os objetivos e princípios metodológicos, é imprescindível, “reorganizar a prática pedagógica e efetivar algumas articulações necessárias para que a organização do trabalho pedagógico se ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 6699 -- torne legítimo” (GARMS, 2005, p. 195). Assim, alguns dos elementos que compõe as articulações necessárias são: • Organização do espaço Possibilita a ampla mobilidade de circulação das crianças no espaço da instituição. Deve constituir instrumento necessário para o desenvolvimento da autonomia, da disciplina e da criatividade, por exemplo, o uso da biblioteca, o canto do descanso, o canto do brinquedo, o canto da leitura, a construção de jogos e brinquedos que sejam significativos para as crianças. O espaço precisa ser amplo, arejado, onde as crianças possam se deslocar livremente. Sua adequação prevê diversas formas de organização como a disposição das carteiras, dos cartazes/produções, do quadro de giz, dos armários/estantes com brinquedos e pertences entre outros. Dispor a sala em áreas facilita o deslocamento das crianças, sua participação nas atividades e suas escolhas. Essas áreas podem ser classificadas em movimentadas (casinha de boneca), semi-movimentadas (roda de conversa) e tranqüilas (biblioteca, canto do descanso, viveiros e museus). • Organização do tempo O planejamento do tempo deve ser organizado prevendo os diversos momentos do dia, contemplando as atividades coletivas e individuais nas ações pedagógicas (atividades em sala, as atividades diversificadas, as rotinas e também a avaliação no final de cada dia). • Disposição dos materiais pedagógicos Devem ser dispostos de forma que possibilitem o livre acesso das crianças, favorecendo o seu manuseio e exploração, contribuindo, assim, para a construção da autonomia e da cooperação. Há algumas formas de oportunizar essas situações como, por exemplo, fixar os armários e prateleiras com os materiais na altura das crianças, expor os seus trabalhos, utilizar-se da agenda, compreendendo-a como um dos meios de comunicação com a família entre outras. O fácil acesso das crianças a esses materiais, o momento e a utilização adequada dos mesmos requer do educador o estabelecimento de contratos de convivências, os quais devem ser introduzidos na rotina de maneira gradual. • Projetos diversificados A realização pode ocorrer em momentos coletivos, em que as crianças possam escolher situações e materiais variados. Nesse momento, o educador pode trabalhar as necessidades individuais e/ou do grupo considerando os diferentes interesses. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 7700 -- O desenvolvimento de projetos tem como objetivo levar as crianças a novas descobertas, além do conhecimento de outros espaços como, por exemplo, museu, teatros, zoológico e parques. Esses projetos devem ser elaborados e aplicados no decorrer do ano e podem ocorrer por meio da oferta de oficinas, cantinhos diversos que facilitem a livre escolha por parte da criança, com orientação da educadora. • Articulações entre grupos homogêneos e heterogêneos Trata da realização de atividades coletivas e diversificadas. Ocorre no momento do trabalho pedagógico, ora individual ora em grupo. É preciso que os educadoresconsiderem as diversidades, levando em conta as aquisições de uns e de outros e as experiências do grupo. • Atitudes básicas dos educadores com as crianças Na dinâmica do trabalho pedagógico, as atividades propostas pelos educadores devem estar pautadas na relação afetiva positiva com as crianças, no respeito mútuo, no estabelecimento de critérios, na elaboração coletiva de regras, na postura de firmeza e segurança entre outros. Além das articulações necessárias à organização do trabalho pedagógico ora apresentadas, importa mensurar acerca da brincadeira, da relação adulto-criança e da rotina, as quais precisam fazer parte da prática pedagógica no tempo de vida II, conforme segue: • A importância da brincadeira no tempo de vida II A brincadeira deve ser incorporada no trabalho educativo, isto é, devem ocorrer durante a prática pedagógica do educador. É preciso atenção para que a brincadeira não esteja sempre vinculada ao brincar como forma de recurso. Isto requer a observação atenta do educador, pois as interferências adequadas, significativas e diversificadas produzem a aprendizagem, ampliam os conhecimentos e desenvolvem capacidades que possibilitam a criança à tomada da consciência de si, do outro e do mundo. Cabe ao educador, analisar e descobrir a melhor forma de utilizar esses recursos pedagógicos no cotidiano educativo. Segundo Lima citado por GUIMARÃES (2005, p.158) “Utilizar a brincadeira como recurso pedagógico é tão complexo quanto desenvolver o trabalho em outras áreas de estudo, como Português, Matemática, Artes, exigindo do educador fundamentação teórico-prática, clareza de princípios e de finalidades”. É preciso ter clareza de princípios para não correr o risco de transformar o brincar em conteúdo escolarizado e formal. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 7711 -- A brincadeira em grupo é uma das principais atividades nesse estágio do desenvolvimento infantil, pois a criança gosta de brincar com ações que refletem a vida adulta – faz-de-conta e imitações. As crianças enxergam o adulto como modelo, tomam atitudes a partir das funções e relações que estabelece com ele, invertem os papéis sociais, assumindo, conforme a sua realidade, o que vivencia no seu cotidiano pelas brincadeiras. Quando brinca, enfatiza Vygotsky “a criança parece mais madura do que é, na realidade, pois se infiltra, mesmo que simbolicamente no mundo adulto que cada vez mais se abre para ela e lida com os mais diversos temas” (VYGOTSKY (1991) citado por LIMA, 2005, pág. 167). A sensação de vivenciar papéis é carregada de emoção, surgindo, nesse período, a imaginação, sendo a brincadeira, ações livres e não produtivas. Jogos com regras, jogos de construção, atividades significativas, proporcionam a assimilação da linguagem, instigam a criatividade, desenvolvem a noção espaço-temporal, a imaginação, a percepção e o pensamento, incentivam a socialização e interação por meio do teatro, da música, da dança e das brincadeiras livres e dirigidas. Venguer (1986) (citado por LIMA, 2005, pág. 168) afirma portanto, que “a brincadeira é uma influência constante no desenvolvimento das diversas faculdades humanas da criança”. Uma outra importante tarefa a ser assumida na educação das crianças, na faixa etária de 4 e 5 anos, é a preparação para o estudo sistemático e para o trabalho produtivo, pois essa ocorre fundamentalmente pela brincadeira e pelos tipos de atividades produtivas, sendo que nas atividades lúdicas aparecem as primeiras formas de concordância, de planejamento, de distribuição das ações e dos hábitos de ações conjuntas e, nas atividades produtivas, por sua vez, as crianças aprendem a buscar um resultado produtivo e pré-fixado. Além disso, controlam, comparam e avaliam o seu trabalho. Portanto, deve-se perceber quais as brincadeiras mais marcantes em cada estágio para usá-las, garantindo-as no planejamento. Dessa forma, organizando atividades significativas de formas diversificadas, proporcionará às crianças brincadeira em diferentes espaços e, se o educador leva em consideração a disponibilidade de espaço e de material, as crianças terão a oportunidade de criar, de fazer escolhas de materiais e de resolver diferentes formas situações. • Interação adulto-criança e interação criança-criança Na Educação Infantil, em específico, na faixa etária de 4 e 5 anos, a interação do adulto é indispensável para o desenvolvimento psíquico da criança, pois é por meio das atividades lúdicas adequadas que elas se desenvolvem e aprendem, como, por exemplo, o dia do brinquedo, música, brincadeiras de roda, roda de conversa e contação de histórias, jogos (quebra-cabeça, memória e de construção etc.), cantinho da leitura, brincadeiras com tampinhas, brinquedoteca recreativa, espaço das piadas e charadas. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 7722 -- o aprendizado desperta vários processos internos de desenvolvimento, que são capazes de operar somente quando a criança interage com pessoas em seu ambiente e quando em cooperação com seus companheiros. Tais processos, uma vez internalizados, tornam-se parte das aquisições do desenvolvimento independente da criança (VYGOTSKY citado por LIMA, 1991, p. 168). • As atividades de rotina no tempo de vida II Para as crianças de 4 e 5 anos, a rotina continua sendo o elemento chave para garantir que seja atendida em suas necessidades básicas. “A rotina é compreendida como uma categoria pedagógica da Educação Infantil que opera como uma estrutura básica organizadora da vida cotidiana diária em certo tipo de espaço social, creches ou pré-escola. Devem fazer parte da rotina todas as atividades recorrentes ou reiterativas na vida cotidiana coletiva, mas nem por isso precisam ser repetitivas”. (BARBOSA, 2006, p 201). A rotina é uma prática com diferentes ações que ocorrem em nosso cotidiano. Ela possibilita que a criança oriente-se na relação espaço/tempo, reconhecendo seu andamento, dando sugestões e propondo mudanças. Levando em consideração as necessidades da criança, é fundamental que dentre os elementos que compõem a rotina façam parte os horários de alimentação, higiene, escovação de dentes, calendário, chamada (crachá), janela do tempo, oração, momento da novidade, ajudante do dia, hora do conto, repouso, atividades lúdicas e significativas, jogos diversificados como faz-de-conta, exploração de diversos materiais, ou seja, atividades que estimulem o desenvolvimento da criança. 2.3 TEMPOS DE VIDA III E IV – 6 A 10 ANOS Este texto objetiva enfocar como a criança estabelece seus primeiros contatos com o mundo exterior e como ela vai se tornando parte do meio social à medida que aprende e se desenvolve. Além disso, importa explicitar alguns exemplos sobre a forma como a criança aprende os conhecimentos escolares no tempo de vida III e IV. As experiências culturais são assimiladas num processo gradativo em meio às ações que os sujeitos estabelecem entre si, os outros e o mundo. O primeirocontato com esse mundo se dá pelas condições perceptivas, pois, “o mundo das percepções infantis difere profundamente do nosso, dos adultos e que, durante os primeiros meses de vida, uma criança não percebe formas distintas” (LURIA in VIGOSTKII, 2001, p.87). A percepção do mundo externo, por parte da criança, sai de um processo confuso e desorganizado para somente, por volta dos três a quatro anos, se estruturar numa forma de percepção organizada, o que Luria definiu como um processo em que a criança começa a discriminar certos destaques do meio. Ocorre um processo de seleção em que a atenção organizada vai se evidenciando “atenção é marcada, acima de tudo, pela substituição do comportamento desorganizado e difuso por respostas organizadas e concentradas em estímulos específicos”, (ibid, p.91). O trajeto da ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 7733 -- percepção também é evidenciado no processo de relações com o mundo, sendo que, num primeiro momento (antes dos dois anos) suas relações são marcadas por uma organização assistemática, evoluindo para um processo sistemático. É possível que “uma criança de três a quatro anos seja capaz de contar, correta e sistematicamente, (...), mas, ainda não é capaz de responder de forma organizada” (ibid, p.93) a uma estrutura apresentada irregularmente, ou seja, estabelecer relações com as partes da figura. Neste processo de aprendizagem e desenvolvimento, uma criança de cinco a seis anos consegue orientar-se a partir de instruções mediadas pelo sujeito mais experiente, verifica-se, no entanto, que sua percepção está ainda em função da forma que visualiza o meio (as coisas, os objetos, os outros e a si mesma). Assim, verifica-se avanços na percepção dos elementos individuais constitutivos do todo, trata-se de um processo de “natureza complexa e mediadora”, que se configura pela percepção aculturada, ligada à abstração dos elementos individuais. Nesse contexto, os experimentos de Luria in VIGOTSKII (2001), apontaram que, entre quatro e cinco anos, os alunos cometem erros ao realizarem a contagem de figuras organizadas de forma regular por não perceberem ainda elementos individuais que formam o todo. Aos oito e nove anos, os erros em função da forma estrutural caem consideravelmente. No entanto, ao se tratar de uma organização irregular, como blocos organizados em cruz, a incidência de erros se deram na sua totalidade quando se tratou de crianças entre quatro e cinco anos e se manteve acentuada no grupo de oito e nove anos. Esses dados são importantes, pois alertam para o fato de que “a habilidade para discriminar um elemento individual dentro de uma forma percebida é tarefa bastante complexa para a criança, é claro, todavia, que só após o desenvolvimento de tal habilidade será a criança capaz de utilizar formas complexas de pensamento que requerem a habilidade de isolar, à vontade, os elementos individuais, abstraí-los e operar com eles com relativa facilidade”, (ibid, 2001, p.94) Ao avançar em processos gradativos, a criança vai desenvolvendo hábitos culturais. Ao lermos ou escrevermos, afirma LURIA (2001), não estamos executando ações psicológicas superiores, mas reproduzindo técnicas que aprendemos em estágios anteriores. Entre essas técnicas, a fim de melhor compreendermos a função da escola, estaremos analisando como se dá o desenvolvimento das habilidades culturais de contar e escrever. As habilidades culturais são adquiridas no processo simbólico de compreensão do mundo. Segundo o Manual Orientador - Ensino Fundamental de nove anos: orientações para a inclusão de crianças de seis anos de idade, A chamada natureza humana não existe de modo independente da cultura; o homem, diferente dos animais, não é capaz de organizar experiências sem a orientação de sistemas simbólicos. Os símbolos não são simples expressões e instrumentos de ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 7744 -- natureza humana – são historicamente constituidores da natureza das pessoas, de diferentes maneiras. Há situações culturais, formas de vida, objetos e saberes que são peculiares a determinadas grupos e sociedades e não podem ser desprezados cultural e politicamente (...) (MEC, 2006, p. 48). Vivemos em uma sociedade letrada, o que implica garantir na Instituição Educativa o desenvolvimento de habilidades simbólicas que constituem a leitura e a escrita para além do processo de alfabetização (decodificação do código), mas que se ampliem para a perspectiva do letramento, tanto na área de Língua Portuguesa quanto em Matemática. Por este motivo, é premente ressaltar que a dimensão cultural permeia a relação do sujeito histórico social com o conhecimento. “A arte, a linguagem e o conhecimento, de modo geral, são frutos da ação humana sobre o mundo, sobre a realidade.” (ibid, 2006, p. 48) Quanto ao conhecimento da linguagem matemática, por exemplo, o processo de contagem da criança da etapa de quatro ou cinco anos acontece do aspecto visual/concreto para um próximo passo no sentido de contar por números e fazer a transição dos objetos para as figuras espaciais num movimento de simbolização espacial da quantidade em geral. Entre os 6 e 7 anos é muito presente a necessidade de manipulação de objetos, reprodução de ações dos adultos. Também podem ler, mas não de forma significativa para o seu psiquismo expor de forma verbal ao meio que a cerca. Dos 6 aos 11 anos, são evidenciados importantes avanços no plano da inteligência. Os progressos intelectuais dirigem o interesse da criança para as coisas, para o conhecimento e conquista do mundo exterior. Na prática, implica um olhar diferenciado com o fim de mediar a aprendizagem para que desenvolva os aspectos da disciplina mental de concentração, atenção, motricidade etc. Essas atividades podem ser conquistadas por meio de práticas lúdicas, buscando articular a ligação com o saber que a criança já traz consigo. A atividade do brincar, como já anunciado, constitui-se central no plano de desenvolvimento cognitivo dos educandos, independente da idade. É por meio do brincar que a criança se apropria de novos conhecimentos, e também aprende. As crianças “reconstroem ruínas; refazem pedaços. Interessadas em brinquedos e bonecas, atraídas por contos de fadas, mitos, lendas, querendo aprender e criar (...) a cultura infantil é , pois, produção e criação. (...) Nesse refazer, reside o potencial da brincadeira, entendida como experiência da cultura” (MEC, 2006, p. 16). A brincadeira não é especificidade apenas das crianças dos tempos de vida I e II, ela permeia também os interesses e encantos das crianças no tempo de vida III e IV. Ocorre que a idéia de criança infante na contemporaneidade tem se perdido mediante este contexto histórico social de marginalização da infância. A imagem cruel da pobreza, do trabalho infantil da exploração sexual, da mediocridade posta pela mídia, da barbárie social, “retratam uma situação de que o reino encantado da infância teria chegado ao fim. (...) Mas____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 7755 -- é a idéia de infância que entra em crise ou a crise é a do homem contemporâneo e suas idéias?” (MEC, 2006, p. 15). Nos grupos de estudos com os docentes da Rede Municipal de Fazenda Rio Grande (2006), uma professora coloca: “as crianças de hoje não são as mesmas que antigamente”. Este desabafo evidencia o novo olhar que lançamos, tanto para a infância quanto para a sociedade moderna, no cruzamento complexo de conflitos e contradições que permeiam o ambiente escolar. Segundo ARROYO (2005), as imagens romantizadas e cândidas da infância são as primeiras que se destituem mediante a barbárie social que assusta nossos educadores com suas condutas violentas e indisciplinadas. Mas como entender essas relações complexas – histórico – sociais – da infância (de 6 a 10 anos) no interior da instituição educativa, sem cair no determinismo de que a criança nascida em lar conflituoso tem problemas de aprendizagem? Refletir acerca dessa questão pressupõe entender sobre como a criança aprende, ou seja, a forma como se desencadeiam os processos de aprendizagem, nesse sentido, cabe destacar que, (...) o ser humano aprende observando e imitando o outro, constituindo suas ações passo a passo à medida que se apropria da forma de atuação do outro na vida cotidiana. Esta ação não é apenas motora, ela desencadeia processos neurológicos da memória, (grifo nosso) o que permite que estas ações por imitação se tornem cada vez mais complexas, fato que não ocorre com outras espécies animais que também aprendem observando e imitando os outros seres da espécie (LIMA, 2002, p. 17). Segundo os estudos de LEONTIEV (2001) o desenvolvimento da memória nos educandos de sete anos revela que a criança, nos primeiros dias de sua vida escolar, esquece-se facilmente do que devem fazer, ou seja, não está à altura de lembrar-se de ações em momentos específicos, memória voluntária. Como se formam na criança esses processos cognitivos intelectuais? Duas hipóteses precisam ser descartadas, a primeira diz respeito à crença que a criança possui de maneira inata às funções intelectuais e às operações cognitivas que são simplesmente ativadas pela ação dos fenômenos exteriores, a segunda refere-se às operações mentais que se formam a partir de suas experiências individuais, por meio de ações como a repetição e o reforço num simples processo de ligações ou associações a serem reproduzidas pela criança. Por isso, é de extrema importância que a criança por meio de suas experiências contribua na elaboração do plano de trabalho docente. Em síntese, a criança no início da aprendizagem realiza ações quer com ajuda do adulto – aprendizagem do uso da colher, do copo etc. – , quer quando o adulto mostra-a como fazer – ação segundo um modelo – quer enfim, por intermédio de uma instrução verbal. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 7766 -- A diferença no curso de aprendizagem entre uma criança, seja de doze e oito anos ou de nove ou oito, chama-se Zona de Desenvolvimento Proximal. Essa é a distância entre o nível de desenvolvimento real que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado pela solução de problemas sob a orientação de um adulto, nesse caso, o educador. Na idade escolar, o brinquedo não desaparece, mas permeia a atitude em relação à realidade e revela-se necessário para que se desenvolvam novas atitudes, em função de novos interesses, tanto da criança (na especificidade de sua faixa etária) quanto do educador (na especificidade do que precisa ensinar, seja alfabetização inicial – decodificação do código – seja na produção de textos – que exige maior domínio da língua escrita). O ensino da leitura e escrita precisa se constituir em ações necessárias, ou seja, a criança precisa ser ensinada como uma atividade cultural complexa e não apenas como prática motora. Deve ser articulada à tarefa importante para a vida, precisa ser desenvolvida não apenas como habilidades de mãos e dedos, mas como uma nova e complexa linguagem. O que se deve ensinar à criança é, portanto, a linguagem escrita, e não apenas a escrita de letras. O processo de educação escolar é quantitativamente diferente do processo de educação em sentido amplo. Na instituição educativa, a criança está diante de uma tarefa particular: entender as bases dos estudos científicos, ou seja, um sistema de concepções científicas. Durante o processo de educação escolar, a criança parte de suas próprias generalizações e significados. Na verdade, ela não sai de seus conceitos, mas, sim entra num novo caminho, acompanhada deles entra no caminho da análise intelectual, da comparação, da unificação e do estabelecimento de relações lógicas. A criança raciocina, seguindo as explicações recebidas, e então reproduz operações lógicas novas para ela. Os conceitos iniciais (espontâneos) que foram construídos na criança ao longo de sua vida no contexto de seu ambiente social são agora deslocados para novo processo, para nova relação especialmente cognitiva com o mundo. E assim, nesse processo, os conceitos da criança são transformados e sua estrutura muda (LURIA, 2001, p. 211) Refletir acerca do processo de como a criança começa a aprender a língua escrita nos possibilita intervir de forma adequada nesse aprendizado. Ao chegarem às nossas salas de aula, as crianças trazem consigo alguns conhecimentos sobre nossa língua. Falam tudo o que precisam para suas necessidades práticas do dia-a-dia e têm algum conhecimento sobre a escrita. O conhecimento sobre a escrita varia de criança para criança, e é determinado pelas experiências sociais e escolares que cada uma delas já viveu. Diante dessa possibilidade, alguns questionamentos são importantes como: O que cada um dos meus educandos já sabe? ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 7777 -- A partir da reflexão acerca desse questionamento, temos condições de planejar o trabalho a ser desenvolvido, buscando atingir alguns objetivos básicos como levar a criança a falar, a ouvir, a ler e a escrever melhor, ou seja, a desenvolver e a ampliar o uso da linguagem. A linguagem é constituinte do sujeito, portanto se revela como elemento central no cotidiano escolar. O uso dos diferentes tipos de linguagem precisa fazer parte da prática pedagógica docente e, ao mesmo tempo, precisa ser incorporado tanto pelo educador quanto pelo educando. Um exemplo disso é quando o professor lê um texto literário para as crianças. Se o ato de ler estiver ligado apenas à intençãopedagógica de desenvolver um dado conteúdo (sistematizado no planejamento), possivelmente a criança perceba essa ação como sendo prática de ensino. Mas quando o professor realiza a leitura com prazer, demonstra uma intencionalidade apaixonante pelo “Ato de Ler”, a criança percebe, imita e incorpora essa prática. Por este motivo, dois planos precisam ser garantidos na prática pedagógica escolar com as crianças do tempo de vida III e IV, ou seja, o plano de ação e o plano de representação. Segundo o Manual Orientador - Ensino Fundamental de nove anos: orientações para a inclusão de crianças de seis anos de idade, quanto ao plano de ação, implica, (...) à proposta de atividades que favoreçam as ações da criança sobre o mundo social e natural. Sem a possibilidade de agir, a criança não tem elementos para construir os conceitos espontâneos e, consequentemente chegar à tomada de consciência e aos conceitos científicos. Por isso, o planejamento das atividades, sejam elas de Matemática, Ciências, História, Geografia ou Língua Portuguesa, precisam contemplar inicialmente a ação, ou seja, a própria movimentação da criança e manipulação de objetos e materiais, aulas-passeio, estudo do meio, visitas, entrevistas, etc. (MEC, 2006, p. 63-64), A mediação do educador favorece por meio da ação à representação a apropriação gradativa dos conceitos científicos, além de tornar o trabalho pedagógico mais dinâmico. Para tanto, no processo de mediação é preciso que o educador considere, além do plano de ação, o plano de representação, que consiste em: expressão corporal são brincadeiras, imitações, dramatizações (...); expressões gráficas e plásticas são os desenhos, pinturas colagens, modelagens (...); expressão oral – fala/ verbalização são as situações em que as crianças são chamadas a conversar sobre o que fizeram, viram, sentiram ... falar sobre suas experiências (...); expressão/registros escritos ... É importante que, na escola, as crianças sejam desafiadas a fazer uso de diferentes gêneros e diferentes formas de registrar as ações ... num processo de apropriação gradativa dos usos e convenções dos sistemas notacionais que incluem a linguagem escrita (MEC, 2006, p. 64). Ao articular esses planos, focaremos o plano de representação da língua escrita, pois ao tratar das crianças na faixa etária de 6 a 10 anos, um desafio que se verifica na prática pedagógica é o ensino e a aprendizagem da língua escrita, que decorre tanto no ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 7788 -- processo inicial de alfabetização quanto nas práticas de produção de texto e uso dos elementos lingüísticos. Ao tratar dessa questão, é necessário que se tenha claro a importância de se realizar uma sondagem inicial a fim de conhecer as diversas idéias que as crianças podem ter sobre a escrita. Realizar essa verificação inicial contribui para que possamos caminhar de forma tranqüila, atendendo ao mesmo tempo na sala de aula as crianças que estão em momentos diferentes no processo de aquisição da linguagem verbal, ou seja, a escrita. No tempo de vida III e IV, o professor se insere no desafio de estruturar as habilidades simbólicas que garantem a apropriação do sistema de escrita, mediante os processos de apropriação da leitura. Não é tarefa fácil, pois empreende a compreensão de conteúdos que precisam fazer parte da ação docente, por exemplo, a lingüística. Mediante isso, é importante: • reconhecer como a criança aprende a falar e como percebe o funcionamento da língua escrita; • identificar os níveis da criança em relação ao seu desenvolvimento da língua escrita; • elaborar o planejamento do processo educacional com as crianças que estão em momentos diferentes de desenvolvimento da língua escrita; • criar situações de aprendizagem por meio de Possibilidades de Registro, tais como: – escreva seu nome; – escreva o nome de sua mãe; – que animal é esse? – que objetos são esses? – dê um nome para esse animal; – conte a história que acontece nessas tirinhas. A partir dessas tarefas, é possível identificar naturalmente algumas das idéias que a criança pode revelar em seu caminho de reflexão em direção à língua escrita. Nesse processo, é de extrema importância se ter claro o papel do erro para a análise dos equívocos da criança, seja direcionada em tecer considerações acerca de como a criança pensa. Muitas vezes, as hipóteses das crianças não são percebidas pelo adulto que já conhece as regras da escrita. Por isso, é muito importante que o educador, periodicamente, entreviste individualmente cada um dos educandos. Nessas entrevistas individuais, ele pode propor situações de diagnóstico, a fim de conhecer o que o educando está pensando sobre a escrita. O registro desses resultados é importante para o acompanhamento do seu processo de construção das noções relativas à escrita. Para coletar dados e informações a respeito do desenvolvimento da criança, propomos as seguintes situações de diagnóstico: ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 7799 -- – solicite que ela escreva mesmo antes de saber escrever; – solicite que ela forme palavras com o alfabeto móvel; – pergunte o que escreveu; – peça que leia em voz alta o que escreveu; – dê oportunidade para que reformule suas idéias; – ajude-a a pensar por meio de perguntas adequadas; – dê oportunidade para que fale de seu raciocínio e de suas idéias - sem se sentir ameaçada ou amedrontada. As considerações até aqui apresentadas não esgotam as reflexões sobre a questão, mas propõem um novo olhar para o processo ensino aprendizagem da criança de 6 a 10 anos de idade. Os apontamentos, ora citados, estão fundamentados nos materiais orientadores difundidos pelo Ministério da Educação - (MEC 2004; 2006) e em específicos às orientações apresentadas PRÓ-LETRAMENTO (MEC, 2007) e constituem importantes reflexões acerca da cultura simbólica expressa por meio da escrita que ao mesmo tempo é papel da instituição educativa, pois vivemos numa sociedade letrada, como explicitamos no início deste texto. Todavia, importa destacar que as nossas crianças de 6 a 10 anos imersas neste processo também precisam adquirir ao longo de sua vida escolar, outros conhecimentos, tais como, a compreensão e utilização do princípio da problematização da linguagem matemática. A linguagem matemática também é carregada de signos e significados e na medida em que a criança manipula objetos, visualiza e identifica cores formas e figuras, representa- a por meio de desenhos ou gráficos, realiza contagem, registra risquinhos, bolinhas e, no processo, descobre as relações entre número (representação de quantidade) e numeral (representação escrita - algoritmo). Assim, podemos dizer que ela está se apropriando de novas linguagens que fazem parte da cultura letrada. Todas essas aprendizagens que permeiam a organização do currículo da Rede Municipal de Fazenda Rio Grande possibilitam a formação integral da criança. “Percepção, atenção, memória, imaginação, são,portanto, funções presentes na vida cotidiana, e a compreensão dos mecanismos de aprendizagem na vida cotidiana informa a ação educativa na escola.” (LIMA, 2002, p.18). Por este motivo, é importante conhecer os processos de aprendizagem e desenvolvimento da criança nesta faixa etária, bem como nas demais para que possamos ressignificar nosso olhar para as crianças e enxergá-las como sujeitos histórico-social, como pessoas que apresentam individualidades, desejos e sonhos, mas, sobretudo, como cidadãs que têm o direito de aprender. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 8800 -- 3. APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO NO CONTEXTO DA INTERAÇÃO SOCIAL Como já afirmado, a possibilidade de apropriação de conhecimentos pelo ser humano está presente desde o início de seu desenvolvimento nas e pelas interações sociais em que ele se insere. Desta forma, a Instituição Educativa tem uma grande responsabilidade frente aos conhecimentos que serão socializados com os educandos, não podendo menosprezar a capacidade de elaboração subjetiva de cada um deles. Os conhecimentos a serem trabalhados poderão ser melhor compreendidos pelos educandos à medida que sejam trazidos pela educadora/professora na forma de desafio, por meio de uma dimensão problematizadora. Cabe lembrarmos que o aprendizado das crianças não se restringe ao conhecimento científico, devendo incluir assuntos relativos ao conhecimento de si e do outro, conforme alerta Machado, A concepção de conhecimento como uma totalidade que engloba aspectos sociais, individuais, cognitivos, afetivos, a presença de conceitos advindos da experiência direta e daqueles que são frutos de uma elaboração complexa, conferem valor e sentido ao espaço institucional dirigido a crianças de [0 a 10 anos]. A articulação destes conceitos será a principal tarefa das interações pedagógicas, não fazendo sentido sua restrição aos conhecimentos tidos como clássicos ou eruditos, (...) Os conteúdos de trabalho com crianças não se limitam ao conhecimento lógico-matemático ou lingüístico, devendo incluir temas relativos ao conhecimento de si, do outro e das questões presentes na sociedade contemporânea (MACHADO in OLIVEIRA, 1993, p. 47- 48). Nos processos interativos dos quais participa ativamente, a criança capta as palavras e atos dos adultos, os objetos que estão à sua volta, os modos de trabalho, hábitos, costumes, valores, conhecimentos, habilidades, para apropriar-se do conhecimento, da experiência histórico-social, do legado cultural das gerações antecedentes, desenvolvendo em si funções, habilidades e competências especificamente humanas. Em todo esse processo de desenvolvimento, a criança não se mostra como um ser genérico, mas como diferente, pois é dona de uma "singularidade irrepetível", de um conjunto de características particulares de comportamento, morais, físicas, mentais e estéticas, dentre outras. Disso, decorre que o desenvolvimento, assim como outras características humanas, não é adquirido biologicamente como herança da espécie, mas na relação dialética entre criança e contexto social, produzindo uma identidade única, exclusiva. Se cada criança na sua individualidade apresenta um ritmo de desenvolvimento e aprendizagem diferente, é importante que o professor/educador observe as preferências, os interesses e o ritmo de cada criança, respeitando-os, porém desafiando e estabelecendo as intervenções necessárias. Com base nesta compreensão histórica e social, é fundamental que as práticas educativas desenvolvidas nos CMEI”s e Escolas sejam intencionais e comprometidas com o ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 8811 -- “ser criança”. Afinal, consideramos que todas as crianças são capazes de aprender, dependendo das condições sócio-históricas que lhes são oferecidas. Neste sentido, cabe ressaltar que as práticas de convívios humanos possibilitam o que VIGOTSKII (2001) preconizou como Zona de Desenvolvimento Proximal, ou seja, a “distância, percurso”, daquilo que a criança pode fazer sozinha e com ajuda. Essa idéia nos leva a refletir sobre o que acontece nos nossos contextos de aprendizagem quando analisamos a seguinte fala “falta a percepção para nós educadores de perceber nos educandos as possibilidades que eles têm”. (Professor, grupo de estudos 2006). Uma das possibilidades que tem sido desenvolvida na rede se configura nas práticas de reagrupamento, as quais podem acontecer na escola por meio de desafios pedagógicos, oficinas de livre escolha, oficinas por níveis de domínios de leitura e escrita, oficina brincando com Matemática, oficinas inter-classe, inter-escolas, oficinas com jogos de raciocínio, reagrupamentos de pré-adolescentes, dentre outras, segundo a criatividade dos educadores. Essas práticas aconteceram após discussão e reflexão do coletivo de cada escola em períodos semanais, quinzenais ou mensais com o pressuposto de garantir a articulação entre a necessidade de convívios humanos e contextualização de conhecimentos mais dinâmicos e diferenciados, “o reagrupamento garante o coletivo, o convívio e a afetividade”; “garantir os agrupamentos entre as diversas turmas da escola é valorizar os interesses dos grupos de educandos, isto é, dos maiores e dos menores.” (Professor, núcleo de estudos, 2006) Garantir diferentes convívios na escola significa caminhar pedagogicamente na direção da aprendizagem no contexto interacional, ou seja, aprender no contexto das interações sociais. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 8822 -- 4. FORMAR-SE NA DIVERSIDADE Abordar a perspectiva do formar-se na diversidade implica suscitar reflexões sobre a diversidade que se apresenta em sala de aula. As pessoas não são caixinhas padronizadas, são, acima de tudo, a manifestação de seus desejos, anseios, seus saberes, sua cultura, seu modo singular de ler a vida e o mundo que as cercam, enfim, as pessoas são a própria expressão de suas múltiplas linguagens. Num contexto de diversidade, é o olhar que se tem aos educandos que os definirá como seres capazes ou incapazes, ou seja, a presença de uma deficiência não determina as condições de aprendizagem. Todos os sujeitos são iguais na capacidade de aprender, ou seja, a análise das aprendizagens de cada sujeito “devem ser valorizadas em relação a si próprio” (Professor do grupo estudo, 2006). A Inclusão, nesta perspectiva, implica ampliar o conceito de Inclusão, entendendo-o como a garantia de aprendizagem para todos os educandos. Portanto, não se restringe apenasà inserção de pessoas com deficiência nos espaços escolares. A escola, como espaço de apropriação do conhecimento, é também determinada pelas interferências do modelo social vigente. Assim, a concepção de mundo, de homem, de conhecimento e de aprendizagem fundamenta os processos educativos referentes à emancipação dos educandos, na perspectiva de assegurar a qualidade na educação para todos. Do ponto de vista pedagógico, a diferença deve ser um recurso positivo, uma vantagem que auxilia o trabalho escolar, superando a busca de culpados, bem como a crença de que as desigualdades sociais e econômicas são fatores preponderantes de empecilho para a aprendizagem. A diferença precisa ser compreendida como elemento enriquecedor de aprendizagem. Esse modo de ver implica praticar uma educação que parta do pressuposto da desigualdade existente entre os homens, e, ao mesmo tempo, supere a dissociação que há no ato de ser e pertencer. O compromisso da escola deve consistir, portanto, em oferecer condições de inclusão das pessoas, sejam crianças, jovens, adultos e idosos que contemplem as necessidades apresentadas em sala de aula ao longo do processo. Nessa perspectiva, a prática da inclusão propõe um novo olhar pedagógico, político e social sobre o processo de aprendizagem, buscando a interação social, a partir de novos valores e atitudes que requerem mudanças tanto da estrutura da social quanto da própria educação escolar. Assim, o projeto político-pedagógico deve assegurar condições de acessibilidade, ou seja, ambientes flexíveis de aprendizagem, estratégias baseadas em ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 8833 -- pesquisas, novas formas de avaliação escolar e formação continuada de todos os profissionais da educação. Ressalta-se que pensar a inclusão não se trata de criar uma estrutura especial para o atendimento de quaisquer educandos, mas de fazer com que a estrutura educacional em vigor, mesmo com adaptações, seja eficiente para atender a todos nos seus diferentes níveis e modalidades de ensino. Para tanto, faz-se necessário observar e assumir alguns princípios que norteiam uma prática Inclusiva, entre eles: • participação de toda a comunidade escolar; • diversidade: todos somos diferentes; • valorização de cada pessoa: sentimento de ser e pertencer; • justiça: concepção de direito; • respeito: aceitação das diferenças; • tolerância: aceitar os ritmos e formas diferenciadas de aprendizagem do outro. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 8844 -- 5. CAMINHOS POSSÍVEIS PARA A APRENDIZAGEM As crianças aprendem várias coisas por diversos caminhos (Professor do grupo de estudos 2006). No contexto apresentado ao longo desta proposta, coerente com uma educação humanizadora e emancipadora, é premente que se considere o fato de que os seres humanos são únicos e singulares nos seus tempos de vida e nas formas de aprender. A diversidade no caminho da aprendizagem, quando desconsiderada, pode se constituir como obstáculo no processo de aprender. Neste sentido, assumir uma concepção de educação cujo objetivo é propiciar a independência, a autonomia, a criticidade e a condição dos educandos enquanto sujeitos de aprendizagem remete à necessidade das escolas conhecerem e reconhecerem que se pode aprender de diversas formas e diversos “canais”. Com essa afirmativa, não estamos dizendo que algumas pessoas aprendem melhor com recursos visuais e, neste caso, descartem os demais recursos, pois, no ser humano, as modalidades de aprendizagem se manifestam de forma mais ou menos articulada, sobressaindo em determinados momentos e condições uma ou outra. Assim, julgamos necessário conhecer os inúmeros “caminhos para a aprendizagem”, definida segundo RIEF; HEIMBURGE (2000, p.19-23) por Modalidades de Aprendizagem que são descritas a seguir: Modalidade auditiva: para educandos que priorizam por essa modalidade a aprendizagem é otimizada se for baseada em instruções verbais, leituras (para si próprios ou realizados por outros), debates, apresentações orais, programas de televisão, rádio, música, jogos verbais, paráfrases, repetições, concurso em que o aluno soletra palavras, livros sonorizados, dramatizações criativas, abordagens fonéticas, dramatizações de diálogos, poesias e versos. Os referidos educandos retêm, recordam e manifestam suas múltiplas leituras, recorrendo à linguagem e monologam ou verbalizam para obterem melhor êxito, normalmente os resultados são melhores quando participam de tarefas com rimas, combinações, jogos de palavras e aprendem bem quando a informação é reforçada pelo recurso a melodias, a compassos e a ritmos. Trata-se de educandos que se sobressaem quando estão envolvidos em trabalhos grupais, de forma que o debate, o diálogo, enfim, a oralidade anteceda e prepare o trabalho independente. Modalidade visual: os educandos que se identificam nessa modalidade, encontram o seu processo de aprendizagem facilitado olhando, vendo e observando. Recordam com muita facilidade detalhes visuais. Freqüentemente, a melhor forma de aprenderem a ler baseia-se no reconhecer de padrões visuais nas palavras como, por exemplo, aguaceiro, aguadeiro, aguado; ou palavras que partilham um mesmo núcleo, mudando a letra inicial, como bata, nada, lata, ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 8855 -- assim como no reconhecimento da estrutura e da configuração (forma) das palavras. São indicados recursos e códigos como cores. Quando necessitam recuperar informações e recordar determinados aspectos mais salientes e mais importantes, é muito útil o uso de sublinhados a cores, o enquadramento dos dados em caixas de linhas bem marcadas, ou recurso a quaisquer símbolos visuais na proximidade ou cercando a informação para a qual se pretende chamar a atenção dos educandos. Esses educandos recordam melhor os dados por meio de recursos que envolvem o desenho e a imagens. A informação deve ser registrada, por escrito, para que eles possam recorrer quando necessário. Os educandos, cujo processo de aprendizagem se desenvolve visualmente, necessitam que nas instruções lhes sejam incluídos muitos organizadores gráficos (mapas, tabelas, esquemas, sublinhados e esquematizações de histórias, diagramas, etc.). O professor deve recorrer a mapas, filmes, exemplos visuais e modelos, atividade em que o aluno tem de estabelecer correspondências, vídeos, atividades em que ao aluno é solicitado para agrupar determinados elementos, demonstrações, gráficos ecomputadores. É necessário facultar-lhes muitos livros cujo texto seja acompanhado por figuras – mesmo ao nível de ensino mais elevado (livro de referência com imagens). Modalidade tátil cinestésica: os educandos que se beneficiam dessa modalidade têm melhores resultados quando lhes são permitido o envolvimento direto e que impliquem fazer e tocar. Precisam estar envolvidos em práticas e necessitam de estar fisicamente envolvidos em projetos e atividades, precisam também ter acesso a materiais que possam manipular. Os objetos adquirem importância à medida que permitem a manipulação tátil e ajuda-os a interiorizar a aprendizagem. É necessário que lhes sejam oportunizados à participação em jogos didáticos, experiências de laboratórios, atividades que envolvam o desempenho direto, representações, trabalho de caráter manual, desenho, diferentes artes e construções. Os conceitos a transmitir devem ter por base exemplos concretos que possam ser representados na sala de aula pelos educandos. Têm mais sucesso quando a informação está aliada à possibilidade de movimento. Modalidade analítica: refere-se ao lado esquerdo do cérebro ou hemisfério esquerdo dominante indutivo. E trata-se de educandos que aprendem passo a passo, partindo da parte para o todo. As principais características que apresentam esses educandos são: - aprendem melhor através de um processamento seqüencial; - desenvolvem seu trabalho partindo da parte para o todo; - são lógicos; - têm noção do fator tempo; - gostam de planejar com certa antecedência; - são racionais; - têm prazer em escrever, ler e falar; - gostam de seguir instruções escritas; ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 8866 -- - fazem listas; - necessitam seguir os passos do processo; - gostam de finalizar projetos; - tendem a necessitar de sossego para se concentrarem; - prestam atenção à série de fatos que concorrem para estabelecer um conceito; - processam linearmente a informação; - o nível lingüístico /verbal constitui um ponto forte. Na maior parte dos casos, o hemisfério esquerdo do cérebro controla as funções da linguagem, do pensamento seqüencial e do literal, assim, como do pensamento lógico e do matemático. Controla ainda o raciocínio e a análise. Este hemisfério, em geral, é responsável pelas tarefas da leitura, da escrita e da fala. Modalidade global: Refere-se ao hemisfério direito dominante, e trata-se de educandos que preferem a modalidade global ou dedutiva. Aprendem mais facilmente extraindo significado de um conceito abrangente para, a seguir, se centrarem nos respectivos detalhes: - baseiam-se no pensamento holístico (gostam de olhar primeiro para o todo ou para o panorama global); - processam informações simultaneamente; - descobrem semelhanças e analogias; - são intuitivos; - tendem a necessitar de ruído de fundo ou de música para serem capazes de se concentrar; - são artísticos; - são criativos; - são movidos pela fantasia; - podem ter vários projetos a decorrer ao mesmo tempo; - não têm uma sólida consciência do fator tempo; - compreendem conceitos abrangentes, dedicando-se depois atenção aos detalhes; - precisam abarcar o panorama geral; - consideram útil ver um exemplo do produto final; - necessitam de analisar o fator relevância e estabelecer relações; - consideram muito útil reunir as idéias para depois as organizar. Contudo, é importante destacar que as modalidades de aprendizagem, ora citadas, não se reduzem a si mesmas, pois, como já afirmado, não estamos dizendo que as pessoas apresentam apenas uma modalidade de aprendizagem, mas que umas podem sobressair em relação às demais. Portanto, numa sala de aula, é impossível sabermos antecipadamente quem é quem, ou seja, as crianças não “carregam etiquetas: sou visual, auditivo...” por isso, é preciso estar atentos e propiciar diferentes estratégias nos Planos de Trabalho Docente de modo a contemplar as necessidades dos mais diversos educandos. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 8877 -- 6. CONCEPÇÃO DE INFÂNCIA A reflexão sobre os diferentes espaços da infância nos permite descentrar nossos olhares das dimensões físicas e ambientais, instituídas pela fragmentação histórica que há entre creches e escola, e perceber que a infância também acontece em outros espaços por meio de inúmeros encontros, desencontros, descobertas e trocas. Nesse sentido, entendemos que os espaços, embora aparentemente prontos, são construídos e idealizados por nós adultos. Nem sempre garantem relações humanas baseadas em sentimentos de respeito pela diversidade ou pelas pluralidades das infâncias ali contidas, uma vez que, “a infância, bem como a adolescência a juventude e adultez são processos em permanente construção histórica social e cultural, o que compreende a garantia de práticas pedagógicas significativas, condizentes com os diferentes tempos de vida” (GME/FRG, 2006). Cabe então, refletirmos acerca de alguns paradoxos que incidem no tempo espaço da criança, tais como: • os adultos dedicam menos tempo às crianças, ao passo que discursam a necessidade de a criança estar junto aos familiares; • valorizam a espontaneidade da criança ao mesmo tempo em que as submetem às regras institucionais; • acreditam na educação para liberdade e democracia, mas a organização social no trato com as crianças fundamenta-se no controle e na disciplina. Os paradoxos, ora apresentados, contrariam a concepção discutida e aprovada na IV Conferência sobre educação realizada em 2006, pois, “a Concepção de Infância fundamenta-se na educação como direito, sendo a Instituição Educativa Escolar um espaço de manifestação cultural, a qual garante a articulação do conhecimento científico, construído historicamente, com as experiências e vivências de educandos e educadores” (GME/FRG, 2006). Na concepção de infância, assumida pela Rede Municipal de Fazenda Rio Grande, as categorias tempo e espaço da infância precisam ser compreendidas numa dimensão mais ampla. As vivências das crianças não estão somente vinculadas aos espaços físicos institucionais, mas também aos espaços relacionais. Elas experimentam diversas relações educativas, considerando que, os tempos da infância são tempos de constituição de identidade e significados e, esses, se efetivam via processos socializadores de aprendizagem e de Formação Humana nas suas dimensões afetiva, cognitiva, biológica, corpórea, históricas, cultural, política e social. Compreendendo e garantindo o processo educativo, pois cada criança tem seu tempo certo de aprender (GME/FRG, 2006). ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________-- 8888 -- O espaço relacional converge para o princípio da Zona de Desenvolvimento Proximal, preconizado por Vygotsky (1991), pois é fato que as interações entre crianças de diferentes idades em um ambiente em que todas as crianças são concebidas como seres de direitos só contribuem para experiências positivas. Até mesmo as privações referentes às suas necessidades (seja de brincar, falar sobre o que deseja, realizar alguma ação) nos levam a refletir a forma como as crianças resistem e reinterpretam a realidade para garantir sua infância nos diferentes tempos de vida. Por isso, a Concepção de Infância, assumida por essa Rede de Ensino, expressa-se pelas múltiplas vozes de educadores e funcionários que aprovaram princípios norteadores da Proposta Curricular Municipal na IV Conferência Municipal de Educação. Assim, por representar o coletivo de vozes resultantes de intensos esforços e estudos, apresentam-se os referidos princípios que nortearão toda a organização curricular deste Município na concepção de infância assumida: • As práticas pedagógicas, na instituição escolar, são organizadas e reorganizadas na perspectiva de Formação Humana nos tempos da infância, valorizando e respeitando a criança enquanto sujeito histórico e social, em função do desenvolvimento e aprendizagem, auxiliando na aquisição de autonomia e independência das mesmas. • A Formação Humana, no ciclo da infância, na instituição educativa, requer ações pedagógicas que considerem as relações intrínsecas entre os conteúdos sistematizados historicamente e as dimensões afetiva, cognitiva, biológica, corpórea, histórico, cultural e social. • O tempo da infância implica a compreensão de que tanto educadores quanto educandos são produtores de cultura pelas suas inúmeras capacidades de reelaborar e ressignificar conhecimentos, interagindo assim com outras culturas. Cada tempo da infância assume a articulação entre aprendizagem, desenvolvimento humano, socialização e formação da identidade. • Formar-se é apropriar-se, via ressignificação, de todas as formas de conhecimentos, de modo que esses possam ser utilizados na vida cotidiana. • No tempo da infância, os educandos, nas suas capacidades de aprender, manifestam aspectos biológicos e simbólicos decorrentes das relações sociais e culturais, tendo assegurado o direito de ser criança no processo de aprendizagem. • A interação entre as trajetórias de vida e as trajetórias escolares, dos educandos nos torna sujeitos plenos de direitos, tanto na sua dimensão individual quanto social. • A concepção de infância, na perspectiva da Formação Humana, tem como elementos constituintes a ludicidade, a curiosidade, a autonomia e a socialização ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 8899 -- como práticas pedagógicas necessárias ao processo de desenvolvimento e aprendizagem. • O cuidado e educação são ações indissociáveis do processo de desenvolvimento e aprendizagem. • O processo de inserção e acolhimento são momentos necessários no ingresso e na continuidade da permanência do educando na instituição educativa escolar. (GME/FRG, 2006). No contexto dos princípios apresentados, é salutar que se considere todo o processo de desenvolvimento da criança o qual é permeado por vários aspectos conforme aponta Lima: Desenvolvimento cultural O desenvolvimento cultural do aluno abre possibilidades novas de apropriação dos conhecimentos escolares. Facilita o trabalho do ensino, porque nesse desenvolvimento o sujeito desenvolve a função simbólica, amplia o domínio dos instrumentos culturais, apropria-se do uso de equipamentos vários, do lápis e papel ao computador. As funções psicológicas superiores No desenvolvimento infantil, a memória e a imaginação são funções psicológicas que, particularmente, interessam à educação. O ensino precisa, necessariamente, mobilizar a memória para que a pessoa aprenda. E, para que ocorra a formação de uma memória, é necessária alguma forma de percepção e/ou exercício do pensamento. (...) propiciar ações que o levem a perceber elementos do contexto e, a partir disto, constituir um acervo de imagens e palavras que irão constituir a imagética visual e a linguagem interna, bases importantes para o pensamento. As imagens mentais são constituídas a partir dos sentidos e do movimento. Embora consideremos a visão como o órgão de sentido principal na formação de imagens mentais, na realidade, estas podem ser constituídas a partir de qualquer um dos sentidos. Diante disso entende-se a necessidade de em nossas práticas pedagógicas ampliarmos as possibilidades de recursos e metodologia para que os educandos possam avançar na aprendizagem. Movimento Pela sua importância no desenvolvimento humano, sobretudo na infância e na função simbólica, o movimento deve fazer parte de todo planejamento do professor. É verdade que todas as crianças de educação infantil e de ensino fundamental precisam ter, em seu currículo, atividades que exercitem, ampliem os movimentos existentes e criem novos. É interessante planejar e garantir, a cada semana, atividades que englobem as várias formas de movimento e, também, que os combinem entre si. Emoção e afetividade A emoção é constitutiva de ato de aprender. Ela participa dos processos mentais, tanto no que se refere a guardar, esquecer e evocar conteúdos da memória, quanto na realização de várias formas de trabalhos escolares. (...) Na interação social com as outras crianças, jovens e, também, com os adultos, a emoção e a afetividade têm um papel muito importante, porque o acolhimento da diversidade, na escola, na cultura brasileira, passa, necessariamente, pelo afeto, expresso com o toque físico. A dimensão cultural das expressões das emoções é um aspecto da vida da escola a que todos os adultos precisam estar sempre atentos, uma vez que a cultura da nossa escola precisa, ainda, despir-se de normas de disciplina e comportamento de escolas de outros países, que influenciam muito a nossa concepção. Exercício da vontade Teóricos da abordagem histórico-cultural enfatizam a dimensão da vontade, na ação humana. A vontade, neste caso, não é o desejo de fazer ou não alguma coisa, mas a possibilidade de se manter na ação o tempo necessário para completá-la. Dois fatores são importantes a respeito da vontade: o tempo e a concepção de diversidade presente no contexto escolar. Ambos os fatores são decisivos na formação da auto-estima do aluno. O educando precisa ser desafiado a pensar o que pressupõe paciência por parte do educador. Se o tempo não for concedido ao aluno, ele terá a frustração não só de não completar a tarefa, mas principalmente, de não ter tido a possibilidade de completá- la, o que o leva, em muitos casos, a entender esta ruptura como falta de capacidade sua. Da mesma forma, a baixa expectativa em relação ao seu desempenho pode convencê-lo de que ele, realmente, não tem os requisitos mínimos para realizar a ação. Então, interrompe suas tentativas, ou nem mesmo ousa iniciar a tarefa, convencido de ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________-- 9900 -- que não terá sucesso. Com sentimentos como este, é difícil imaginar que o aluno terá a confiança necessária para se lançar em uma tarefa. Tomada de decisão Um dos comportamentos básicos da espécie humana e que se verifica, desde o primeiro ano de vida, é a tomada de decisão. Bebês já exercitam este comportamento, com perícia, ao iniciarem a atividade de engatinhar. Aceitar e incentivar a tomada de decisão, na infância, faz parte do processo de educar a pessoa para que ela tenha autonomia e independência. Como o desenvolvimento se efetua por ações efetivadas, se a pessoa (...) não realiza a ação, ela não aprende, não constitui o comportamento, não se apropria dos objetos, não constitui representações, não elabora, mentalmente, idéias e seqüências, não exercita a função simbólica. Por conseguinte, não aprende coisas novas e seu desenvolvimento é afetado, de maneira geral. (...) As possibilidades de cada um, é sempre bom lembrar, são dadas pela organização funcional, produto das transformações e construções resultantes da integração das dimensões biológica e cultural do desenvolvimento humano. Exercício da função simbólica Eixo constitutivo da pessoa, a função simbólica está na base da formação de memórias, na elaboração de sistemas simbólicos como a fala, na formação de imagens e na apropriação de bens culturais. Uma pedagogia para a diversidade deve incluir, diariamente, atividades que envolvam a função simbólica, tanto utilizando os recursos já adquiridos, quanto trazendo propostas para ampliação. As atividades artísticas são, especialmente, interessantes para o desenvolvimento da função simbólica, pois a grande gama de alternativas oferecidas por cada uma das várias formas de arte atende a todo tipo de diversidade. O trabalho diversificado, envolvendo a função simbólica, proporciona ao aluno (...) formas diferenciadas de comunicação, especialmente interessantes para aqueles que, (...), necessitam utilizar formas alternativas de comunicação em relação àquelas mais comumente utilizadas como a fala, a escrita, a expressão facial. Exercício da criatividade A auto-estima de qualquer pessoa está relacionada à visão que ela tem de si própria como capaz de aprender, de criar, de realizar algo. Os processos de aprendizagem estão relacionados com a auto-estima. Assim, uma pessoa com capacidade para aprender, mas com baixa auto-estima, poderá enfrentar dificuldades para aprender ou nem mesmo aprenderá. (...). Desta forma, o educador tem que estar sempre atento à questão da auto-estima e garantir que as ações propostas permitam que os educandos conheçam suas capacidades e acreditem em si mesmos. O aluno é aquilo que realiza, mas não tem consciência disso. Cabe ao professor enxergar o mérito, o avanço, o valor do aluno manifesto no seu trabalho. Propor situações em que haja a possibilidade de criar é uma boa estratégia, pois o ser humano, toda vez que é autor de algo, sente-se bem consigo mesmo. Para os jovens, esta é uma necessidade básica. Criar garante o exercício da imaginação, da função simbólica e pode mobilizar inúmeras formas de ação e utilização de muitos materiais e equipamentos. Raramente, se encontrará uma pessoa que não tenha condições de criar algo em alguma das esferas humanas de atuação O exercício da imaginação, envolvido em qualquer situação de criatividade, também, trará conseqüências positivas para as aprendizagens escolares. (...) as crianças vêem, e também, escutam o que se passa lá fora. As dinâmicas à sua volta fazem parte do campo visual e auditivo das crianças, e as leva à participação do que ocorre lá fora. Espera-se que elas se restrinjam ao "dentro da sala de aula", mas este "dentro" inclui, também, o parquinho, a aula de educação física, ensaios e as apresentações, porque ele está, visual e auditivamente, acessível à percepção das crianças (LIMA, 2005, p.22 - 31). Ao incorporar os princípios curriculares na prática pedagógica das instituições educativas escolares, bem como os aspectos apresentados por Lima (2005), implica assumirmos que a concepção de infância ora explicitada deverá nortear as ações pedagógicas desenvolvidas tanto na Educação Infantil, no tempo de vida I e II, quanto no ensino fundamental no tempo de vida III e IV. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 9911 -- 7. DIMENSÕES HUMANAS Os tempos da infância são tempos de constituição de identidade e significados e, esses, se efetivam via processos socializadores de aprendizagem e de Formação Humana nas suas dimensões afetiva, cognitiva, biológica, corpórea, históricas, cultural, política, social. Compreendendo e garantindo o processo educativo, pois cada criança tem seu tempo certo de aprender (GME/FRG, 2006). Abordar as dimensões humanas, nesta Proposta Curricular, implica assumirmos a criança como um sujeito global, que não se reduz somente aos aspectos cognitivos. Essas dimensões são apresentadas na seqüência a partir de uma adaptação do texto apresentado por Elvira Souza Lima (2005, p. 18 - 33). Cognitiva: Muito antes de entrar na escola, a criança já iniciou o seu processo de aprendizagem. Ações que envolvem o brincar, planejar, elaborar produzir exige atenção. O ato de medir, comparar, cortar, colar, estimar são todas ações que exigem elevado grau perceptivo (visual e/ou tátil), evocação da memória, para que as decisões tomadas sejam as adequadas para a realização do produto final. As ações pedagógicas que visam desenvolver essas tarefas cognitivas devem desafiar os educandos a: planejar, registrar descritivamente ou por meio do desenho (o antes e/ou depois de determinada ação). Essas atividades envolvem diretamente a memória de longa duração uma vez que organizam os elementos da percepção visual e tátil, trabalham com a distribuição de atos no tempo. Todas essas considerações são de extrema importância para o processo do desenvolvimento cognitivo. - Memória: Produzir um brinquedo desenvolve no educando ações que envolve o guardar na memória (por exemplo: como se faz), como evocar (como se fez antes). Essa atividade exercita, também, a memória de procedimentos, pois implica realizar a aprendizagem de um "script". "Script": é uma seqüência de ações organizadas no tempo. - Percepção: isto relaciona-se ao desenvolvimento de áreas do cérebro envolvidas com o processamento de cores, com a nomeação das cores e com a "escolha" de cores do papel. Exige-se o exercício da tomada de decisão, a antecipação e a execução da tarefa. Essa prática Relaciona-se com a formação de imagens das formas geométricas e pela transformação de formas em outras. Biológica: O processo de desenvolvimento humano é de natureza biológica e cultural. Isto é, somos um organismo vivo que traz uma carga genética que caracteriza a espécie humana. Vemos, assim, que há um movimento dialético entre organismo e meio, mesmo na realização da herança genética, ou seja, a efetivação das possibilidades estabelecidas pelos parâmetros genéticos depende, grandemente, do meio em que o indivíduo está inserido e do momento histórico em que se dá este desenvolvimento. Isto é, momentos distintos da evolução histórica darão possibilidades distintas de desenvolvimento, de acordo com o conhecimento acumulado, as práticas sociais e os instrumentos culturais presentes. Nesta perspectiva, podemos falar em desenvolvimento cultural do ser humano. O contexto é parte intrínsecado processo de desenvolvimento, uma vez que ele efetiva, promove, inibe, dificulta, impede ou garante as aquisições e as apropriações a serem realizadas da infância à maturidade. Sendo a escola o lugar por excelência de socialização dos conhecimentos formais, temos que ela é um espaço imprescindível de vivência e aprendizagem para a criança ou jovem com impedimentos. Cultural: Devemos a Wallon e a Vygotsky a inclusão da cultura como eixo de desenvolvimento humano. Vygotsky argumentou que, ao se apropriar das técnicas, ações e práticas da cultura, o pensamento da criança é transformado pela utilização de instrumentos culturais (simbólicos ou não). Desta forma, diz ele, é legítimo falar de desenvolvimento cultural do ser humano. O que é o desenvolvimento cultural? É a apropriação de formas culturalmente constituídas de comunicação, de construção de significados e de representação. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 9922 -- “A prática educativa se configura de ações subjetivas - de educadores e educandos - que se manifestam pelas necessidades físicas, cognitivas, sociais, culturais e emocionais, nas diferentes formas de expressar a corporalidade humana” (GME/FRG, 2006). Além das dimensões apresentadas por Lima, cabe ressaltar ainda a dimensão afetiva, a qual é inerente ao ser humano e como buscamos elucidar em cada texto dessa proposta trata-se de propor um resgate necessário da dimensão afetiva no contexto escolar. Afetividade Quando me aproximo dos educandos, eles se sentem mais seguros e perguntam mais. Por isso me aproximo sempre (Professor do grupo de Estudos, 2006). Emocionar-se, estar em estado de comoção, desejo por. Segundo o Dicionário Aurélio, a emoção é definida como uma reação intensa e breve do organismo, acompanhada de um estado afetivo cuja conotação pode ser penosa ou agradável. Do latim, “movere”, mover-se para fora, externalizar-se. É a intensidade máxima do afeto (FERREIRA, 2001). A afetividade adquire importante papel na constituição da subjetividade humana, o que pode ser percebido ao longo da história. As discussões de caráter filosófico, desde a Grécia Antiga, centravam-se na distinção entre a razão e emoção, enfatizando-se a supremacia da razão, que era considerada a base fundante para a Formação do Homem. Desse momento, algumas metáforas ainda hoje permanecem: “Não ajam com o coração!”, “Coloque a cabeça para funcionar!”, “Coloque o que sente de lado!”, “Seja mais racional!”, “Deixe a emoção e se concentre mentalmente!”. As contribuições da Psicologia resgatam a importância da afetividade no desenvolvimento humano, considerando razão e emoção como indissociáveis, pois elas nos formam e nos identificam como humanos. A emoção, antes descartada, agora é resgatada, porque influencia no processo de desenvolvimento cognitivo e social. Fundamentos da teoria histórico-cultural afirmam que o ser humano constitui-se por meio das relações sociais. Desse modo, a afetividade também se constrói ao longo do desenvolvimento, caracterizando-se principalmente pelas relações que são estabelecidas desde o nascimento. É a mãe, ou a pessoa que assume esse papel, a primeira socializadora. É ela quem possibilita as primeiras relações da criança com o mundo por meio dos primeiros contatos físicos, essenciais para o desenvolvimento da afetividade. Essas relações são ampliadas para a família, comunidade, escolas, trabalho e demais ambientes ao longo da vida e são fundamentais para os seres humanos, pois tanto a afetividade quanto a cognição são construídas permanentemente. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 9933 -- Os estudos fundamentados na concepção sócio-histórica e dialética apontam importantes contribuições acerca do funcionamento cognitivo, especificado por Vygotsky (1989), como as funções mentais – pensamento, memória, percepção e atenção – e a consciência. Para o autor, a organização dinâmica da consciência aplica-se ao afeto e ao intelecto. Emoções, sentimentos, afetos e desafetos permeiam o nosso pensamento – que é gerado por nossos desejos, necessidades, interesses, emoções – e fazem parte do nosso amadurecimento biológico e social. Toda a forma de pensamento expressa afeto ou desafeto, o que requer um trabalho efetivo com as questões que envolvem a afetividade, dentro e fora da sala de aula. A ação pedagógica desenvolvida nas instituições educativas que têm a Formação Humana e a aprendizagem como objetivo central considera a afetividade como uma das dimensões indissociáveis do processo de aprendizagem e desenvolvimento dos educandos. Aprendizagem não é aquisição de conhecimentos apenas, mas também de afetos e desafetos. O sorriso é a primeira resposta social, e, portanto, indicativo de que um vínculo afetivo – educador e educando positivo está se estabelecendo. Assim, os educadores, que também são seres afetivos, tornam-se agentes de mudanças, porque neles está a capacidade de estabelecer relações com seus educandos, considerando-os como seres completos, integrais, conscientes de suas ações humanas, propiciando o diálogo entre a afetividade e as demais dimensões (cognitiva, corpórea, biológica, histórica-cultural e social) no processo de aprendizagem e desenvolvimento. Para Henry Wallon (citado por GALVÃO, 1995), as emoções situam-se no intermédio entre o corpo, sua fisiologia, seus reflexos e as condutas, destacando-se nesse processo o movimento. As posturas são as primeiras figuras de expressão e comunicação que servirão de base ao pensamento concebido, antes de tudo, como uma das formas de ação, logo, movimento é à base do pensamento. Nesse sentido, a dimensão afetiva ocupa lugar central, tanto do ponto de vista da construção da pessoa quanto do conhecimento, a emoção, portanto, tem o importante papel da mediação. O processo de aprendizagem e de desenvolvimento infantil se realiza nas interações. As interações emocionais de qualidade ampliam o horizonte da criança e possibilita transcendência de sua subjetividade e inserção no social. Tanto a emoção quanto a inteligência são importantes no processo de aprendizagem e desenvolvimento da criança, esse fato, requer do educador um “olhar” atento ao estado emotivo dos educandos de modo a estabelecer mediações significativas que contribuam para o crescimento individual e social de cada um dos sujeitos. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 9944 -- 8. ELEMENTOS CONSTITUINTES DA PRÁTICA PEDAGÓGICA 8.1 CUIDAR E EDUCAR O que se opõe ao descuido e ao descaso é o cuidado. Cuidar é mais que um ato;é uma atitude. Portanto, abrange mais que um momento de atenção, zelo e desvelo. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro. (BOFF, 2004 p. 33) A concepção de educação que visa à Formação Humana de cada educando assume a necessidade de efetivar ações pedagógicas na Rede de Ensino que priorizem a importância de articular a prática de Cuidar e Educar. “Quem cuida, ama e em nosso contexto educa”. Ao assumir um projeto de educação cujas bases fundamentam-se no Ciclo de Formação Humana e Aprendizagem é premente que desmistifique a idéia de que a arte de cuidar refere-se somente à criança inserida na Educação Infantil. Na necessidade de romper com a lógica que atrela cuidado à criança pequena, reorganizamos as enturmações da Rede de Ensino, com base no critério IDADE, enquanto “turma” referencial. Esses grupos serão então organizados, em CICLO DA INFÂNCIA, subdivididos em: • Tempo de vida I – crianças de 4 meses a 3 anos de idade; • Tempo de vida II – crianças de 3/4 a 5 anos de idade; • Tempo de vida III – crianças de 6-7 a 8 anos de idade e; • Tempos de vida IV – 9 a 10/11 anos de idade. Tal organização significa muito mais que reagrupar por idade, pois, expressa acima de tudo o compromisso com a Formação Humana de cada uma das crianças que passarem por essa Rede de Ensino. O ideal cuidar e educar deixa o plano teórico para o prático, efetivando-se enquanto essência no Ciclo da Infância. Assim, o tradicional fosso na passagem Educação Infantil e Ensino Fundamental, expresso em discursos como: “agora não pode brincar, tem que prestar atenção para aprender”, “se cuide, agora, você já está ‘grandinho’, não está mais no CMEI”, amplia-se tanto para o ciclo da infância, objeto específico dessa proposta, quanto para o ciclo da adolescência, da juventude e da idade adulta. Nesse contexto, as instituições educativas escolares, organizam seus trabalhos em consonância com a concepção de educação que articule cuidado e educação, vistos como funções complementares e indissociáveis, à medida que requer a consideração das especificidades de cada tempo do viver humano. As palavras de Leonardo Boff contêm a concepção de cuidado que compartilhamos. Para esse autor, educar envolve o cuidar, de uma forma dialética, ultrapassando a ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 9955 -- dimensão pedagógica, implicando em responsabilidade, preocupação e envolvimento com o outro, por meio de diálogo e acolhimento (BOFF, 2004). Essa compreensão sobre o cuidar denota um elemento essencial nas interações com cada educando que se materializa pela evidência de vínculos afetivos. A atitude de cuidado do educador implica ser solícito a cada um dos sujeitos inseridos no contexto da instituição educativa escolar, estar atento às necessidades que se expressam pelas dimensões: afetiva, cognitiva, biológica, corpórea, histórico-cultural e social. É através dessa ética profissional que cada educador dessa Rede de Ensino estará contribuindo para a Formação Humana de cada educando, de modo que esses se manifestem sensíveis às necessidades e dificuldades dos outros. A concepção de educação, no contexto desta Rede de Ensino, implica uma particularidade: “educar” adquire um caráter mais amplo que o termo “ensinar”. Portanto, educar e cuidar implicam propiciar situações que contribuam para o desenvolvimento e apropriação de conhecimentos pelas crianças, por meio das diferentes formas de interação humano-social, afetivas, lúdicas e pedagógico-educativas articuladas às ações pedagógicas adequadas. 8.2 INSERÇÃO E ACOLHIMENTO (...) o acolhimento, na escola, é fruto, também, de uma ação coletiva em que as regras de funcionamento e de disciplina são flexibilizadas para incluir(...) (LIMA, 2005) Inserção e acolhimento são fundamentais no processo ensino-aprendizagem e, embora fundamentais, demandam estarem articulados às ações pedagógicas adequadas que proporcionem desafios à aprendizagem. O ingresso da criança na Instituição Educativa Escolar pode se dar em qualquer momento. Assim, a entrada da criança dentro dos tempos de vida I, II, III e IV, requer uma atenção diferenciada. Implica pensarmos e planejarmos um processo individualizado que permita um real acolhimento tanto da criança como de sua família neste contexto educativo escolar, considerando que “a cada novo espaço, novos significados vão se produzindo, tendo assim a necessidade de se efetivar significados positivos” (Professor do grupo de estudos, 2006) . Uma inserção adequada é importante e necessária à criança, às famílias e à própria instituição educativa escolar. A instituição precisa mobilizar-se para encaminhar adequadamente esse processo para as crianças “novas”, independente de suas idades, mas em consonância com suas particularidades de interação com pessoas estranhas, em espaços e ambientes que elas estarão começando a conhecer. Na maioria das vezes, esse ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 9966 -- desconhecido se configura como um ambiente inseguro, causando desconforto para todos os envolvidos, principalmente à própria criança e seus familiares. Para realizar a função de cuidado e educação nos diferentes tempos da Infância, é imprescindível a existência de interações entre os sujeitos (adultos com crianças, crianças com crianças e adultos com adultos). As interações dependem de vinculação afetiva, portanto, pensar em acolhimento e inserção é justamente pensar na formação destes vínculos e como cultivá-los. É evidente que para isso precisamos de tempo, de práticas e de uma organização especifica, “quanto mais interação, maior a possibilidade de aprendizagem” (Professor do grupo de estudos, 2006). Como explícito nas palavras da professora quanto mais interações, mais aprendizagens, cabe ressaltar que a aprendizagem da criança demanda desafios constantes e proposições de práticas pedagógicas efetivas nas quais a criança sinta-se inserida, acolhida e envolvida na resolução desses desafios. Pensar o acolhimento e a inserção nos remete a duas ações fundamentais: a primeira diz respeito ao contato inicial com a família, durante o processo de matrícula, permitindo-lhes conhecer o funcionamento, o espaço e os profissionais da instituição e conversar sobre sua escolha - compartilhar os cuidados e educação do filho - e as implicações decorrentes da mesma. A segunda diz respeito ao encaminhamento que deverá ser efetivado nos primeiros contatos com as educadoras (e) e demais crianças, caracterizando um espaço ou formação de novas relações. Em relação à criança do tempo de vida I, II e III (em específico à criança de 4/5/6 anos), é necessário haver uma organização especial que lhe permita, num processo gradual, vivenciar novas interações e conseqüentemente novas aprendizagens. O contato da educadora/professora com os pais deve implicar trocas, até mais intensas que em outros momentos, pautadas pelo profissionalismo de modo a fornecerinformações corretas sobre como a criança está e de que forma eles estão agindo. É importante considerarmos ainda que, muitas vezes, as emoções e reações dos familiares refletem nas reações da própria criança. Conquistar a confiança dos pais contribuirá favoravelmente para que a criança não se ressinta com a separação diária e temporária de sua família. As equipes docentes de cada Instituição Educativa têm autonomia para conduzir o processo de inserção dos educandos, de forma a atender melhor sua realidade. Contudo, o essencial é entender esse processo como necessário e como um direito de todo o ser humano. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 9977 -- 8.3 RELAÇÕES EDUCADOR (A) – EDUCANDO (A) Não basta só mudar as carteiras, mas as mentalidades (Profº grupo de estudos 2006). Outro aspecto de igual importância e que se configura elemento constituinte da prática pedagógica no trabalho com a infância é a dinâmica da sala de aula que deve estar em consonância com as características daquele grupo em específico. É relevante considerar o cotidiano educativo, o tempo e os cuidados essenciais para cada nível. É imprescindível levar em conta que as crianças de 4 meses a 3 anos apresentam considerável dependências dos adultos e serem ajudadas sempre que não conseguirem realizar sozinhas o que lhe foi proposto, precisam, ao mesmo tempo, que lhes sejam ofertadas condições para usufruírem de suas possibilidades de aquisição de conhecimento e de produção cultural. As crianças de 4, 5 e 6 anos necessitam ser desafiadas com muita afetividade por parte do educador a desenvolverem a autonomia. Dar conta dessa diversidade requer a organização do tempo nas Instituições Educativas de modo flexível, ou seja, não circunscrevendo o trabalho em tempos rígidos e acelerados, pois é possível que em dados momentos a criança necessite realizar práticas mais livre e lúdica, mesmo durante a aula. A intervenção do educador implica planejamento e adequação no arranjo do espaço e do ambiente que os educandos passarão a usufruir. As práticas pedagógicas, na instituição escolar, são organizadas e reorganizadas na perspectiva de Formação Humana nos tempos da infância, valorizando e respeitando a criança enquanto sujeito histórico e social, em função do desenvolvimento e aprendizagem, auxiliando na aquisição de autonomia e independência das mesmas. A Formação Humana, no ciclo da infância, na instituição educativa, requer ações pedagógicas que considerem as relações intrínsecas entre os conteúdos sistematizados historicamente e as dimensões afetiva, cognitiva, biológica, corpórea, histórico, cultural e social (GME/FRG, 2006). A interação entre educador e crianças constitui a base de qualquer proposta educativa segundo Kramer (1994) citada na Proposta Curricular Municipal de 2004. Os professores só poderão favorecer a construção de conhecimentos pelas crianças, caso eles também sejam desafiados a construir os seus. Para isso, eles precisam ter acesso não apenas aos conhecimentos da área, como também aos da cultura geral. Assim, será possível a reflexão crítica sobre sua prática, bem como a participação efetiva na elaboração da proposta curricular e na construção do conhecimento, de forma mais ampla (KRAMER, 1994 in PROPOSTA CURRICULAR MUNICIPAL, 2004, p.96). Os profissionais da educação, mais especificamente os educadores acompanham a iniciação do ser humano na organização da identificação da realidade que o cerca. Essa mediação requer intencionalidade, firmeza e, ao mesmo tempo, ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 9988 -- disponibilidade afetiva. Cabe ao educador planejar o que ela fará, e o que os educandos farão, seus próprios processos de estudo e o processo de aprendizagem das crianças. Assim, além do conhecimento técnico-profissional, é premente o compromisso pessoal com a causa da infância, respeitando a peculiaridade deste período da vida do ser humano, articulado ao contexto histórico, social e cultural que cada um compartilha. 8.4 CONSTITUIÇÃO DE IDENTIDADE Cada pessoa é um ser singular, embora por muito tempo buscou-se tornar todos os sujeitos iguais uns aos outros, tal singularidade é evidenciada, no modo de ser, de agir, de sentir, de se expressar, de solucionar problemas e até mesmo nas formas de se relacionar (PROJETO ESCOLA VIVA, 2000). Cada um de nossos educandos tem sua história de vida, sua história de aprendizagem, suas características pessoais e suas necessidades específicas. As ações iniciais da criança partem de um plano da atividade isolada, caracterizado pela imitação para as atividades grupais envolvendo dois ou mais participantes. É por meio desse relacionamento, caracterizado pelo social, que surgem as possibilidades de lidar com os conflitos no grupo: as amizades - embora instáveis - o gosto pela competição e cooperação, o respeito às regras, a aceitação de controle, a luta por seus direitos, a defesa de seus pontos de vista e o respeito pelos direitos e ponto de vista dos outros. As relações sociais quando marcadas pela cooperatividade, pela harmonia, pelo apoio, pelo incentivo, pela segurança e desprendimento, permitem a criança aprender a cooperar, sentir-se apoiada e segura no grupo. Com isso, novas relações grupais vão se estabelecendo. À medida que o processo de socialização vai se fazendo, aprenderá a ser uma pessoa integrada ao grupo social. O sujeito é constituído pela sua experiência social, histórica e pelo desdobramento da consciência, que acontece por meio do desdobramento na consciência do eu e do outro. O sujeito consciente estabelece relações com a experiência de outros sujeitos e na experiência com outros sujeitos pela intersubjetividade. A experiência social, segundo Vygotsky (1991), extrapola as interações sociais, isto é, o sujeito se apropria da experiência dos outros sujeitos, não somente em condições de interação imediatas, mas também por meio de intersubjetividades anônimas. A subjetividade manifesta-se, revela-se, converte-se, materializa-se e objetiva-se no sujeito. Ela é processo que não se cristaliza, não se torna condição nem estado estático e ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 9999 -- nem existe como algo em si, abstrato e imutável. É permanentemente constituinte e constituída. Está na interface do psicológico e das relações sociais (MOLON, 2003). O processo social que o leva da dependência à autonomia é a socialização, cujo desenvolvimento constitui uma base essencial da identidade de cada sujeito.É nesse contexto de interação e constituição de identidade que o professor irá atuar. Os objetivos e conhecimentos trabalhados são oportunidades para cada aluno enxergar suas capacidades e sua subjetividade. Nós manifestamos o que somos por meio de nossas ações, nossos questionamentos, nossos posicionamentos, etc. 8.5 AS LINGUAGENS DA CRIANÇA A natureza humana não é dada ao homem, mas é por ele produzida sobre a base da natureza biofísica Conseqüentemente o trabalho educativo é o ato de produzir direta e intencionalmente, em cada indivíduo singular, a humanidade que é produzida histórica coletivamente pelo conjunto de homens (SAVIANI, 1991, p. 14). Desde o nascimento, momento em que se insere no mundo humano - social, histórico-cultural – a criança vai se constituindo enquanto sujeito por meio da própria ação e da ação dos outros sujeitos. Essa noção implica pensarmos que a condição humana está posta na cultura. E para apropriar-se dessa cultura, a criança necessita estar em relação com as pessoas (adultos, crianças) que já fazem parte dela. A criança é um ser ativo e, assim como os adultos, desenvolve uma relação dialética com o contexto em que está envolvida, tanto físico quanto social, exercendo influências sobre o mesmo (de modo que o transforma e o modifica). Para Charlot (1979) pensar a criança como sujeito ativo implica conceber que o contexto social interfere tanto nos comportamentos das crianças como dos próprios adultos. A sociedade responde às exigências infantis em função de seus modos de produção, de sua organização, de suas estruturas, tanto quanto em função das próprias necessidades, problemas, conflitos e individualidade das crianças. O interessante é que a criança, no primeiro ano de vida, faz tudo isso sem dispor da fala ou da linguagem verbal. Existe, para a criança pequena, outras formas de comunicação: o gesto, a expressão facial, o choro, o grito. Ainda, nesse mesmo período, é grande a dependência física que a criança tem do adulto, precisando integralmente deste para ser alimentada, para ir e vir e até mesmo para ser higienizada. É por esse processo, intimamente articulado de interação com o outro, que a criança aprende sobre si e sobre o mundo, produzindo gradativamente sua autonomia. Para Vygotsky (1983), a apropriação do conhecimento é uma possibilidade para os seres humanos. Possibilidade porque não é algo que nasce com o indivíduo, mas que decorre das interações entre as pessoas, das mediações propiciadas pelos indivíduos mais ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 110000 -- experientes numa determinada cultura. No cotidiano, o adulto vai mediando o olhar da criança sobre o mundo e sobre si mesma e, aos poucos, esse conhecimento vai se transformando em conceito2, a partir da atividade cognitiva e instrumental. Portanto, é resultado de um longo processo de comunicação e compreensão partilhadas desde o nascimento. Enfim, “o pensamento da criança diferencia-se do pensamento do adulto, tanto na sua estrutura/composição como no modo de operação, pois a característica essencial do pensamento infantil é a dependência da experiência imediata” (VYGOTSKY, 1983) A criança irá, gradualmente, tomando consciência de sua própria atividade mental, aprendendo a prestar atenção ao seu pensamento sobre o objeto e não apenas ao objeto em si (percepção imediata), realizando generalizações até ter o domínio de um determinado conhecimento. Para fazer referência a essa particularidade das crianças pequenas, recentemente, a partir da ampla divulgação do trabalho realizado em algumas regiões da Itália, tem se utilizado a expressão "a criança tem cem linguagens" e não somente a verbal ou mesmo o pensamento. A criança sente, pensa e fala com o corpo, com as mãos, por meio dos gostos e cheiros, jogos, brincadeiras, alegrias, invenções, sonhos, tristezas, fantasias, trabalho, imaginação, dor, de uma forma mais inteira e intensa que o adulto, sendo para ela impossível fazer separação entre sentimento e pensamento, corpo e cabeça, fala e escuta, razão e sonho. É no período que começa do nascimento e vai até aproximadamente os 6 anos de idade que as crianças desenvolvem as habilidades de independência física, motora, sendo capazes de ir e vir, dentro de casa, na vizinhança, no CMEI ou na Escola, de resolver suas necessidades mais imediatas, como ir ao banheiro, colocar roupas e sapatos. As primeiras conquistas da criança que a aproximam do adulto dizem respeito ao andar e ao falar. Essas aprendizagens se relacionam com o conversar e contar, com a imitação, com a brincadeira, com a possibilidade de movimentar-se ou de ficar quieta. A partir destas conquistas, a criança expressa seus desejos, vontades, regulando ela própria algumas de suas necessidades. Também, durante estes anos, a criança conquista e refina sua capacidade representativa. Quando bebê, o gesto e as expressões faciais constituem-se nos principais recursos simbólicos. Aos poucos e, por estar imersa na cultura humana, ela poderá desenvolver a imitação, o faz-de-conta, os rabiscos, os desenhos e a escrita. Este último recurso simbólico a aproxima ainda mais do mundo do adulto. 2 Vygotsky estabelece dois tipos de conceitos: os cotidianos (espontâneos) – adquiridos pela experiência direta, não requisitando do aprendiz intencionalidade, generalização, elaboração cognitiva; e os científicos (intelectuais) – adquiridos pela atividade instrumental e cognitiva, pressupondo atenção e memória voluntárias, capacidade de uso de signos e da abstração, ou seja, requerem condições específicas para a sua apropriação. Para um aprofundamento desta questão, ver "O Pensamento e a Linguagem", cap. 5 e 6, do próprio autor. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 110011 -- As crianças entre 0 e 6 anos de idade estão iniciando a organização da realidade que, ao mesmo tempo, estão começando a identificar, conhecer e compreender. Aqui nos apropriamos das seguintes palavras de Machado: Finalmente, é preciso sublinhar que é da interação de diferentes tipos de conhecimentos, sua elaboração pelas crianças em termos de conceitos nas distintas sociedades e, especialmente, nas instituições de caráter educativo, que se abrem novas possibilidades de desenvolvimento e aprendizagem individuais e sociais, de transformação e superação de níveis anteriores de conhecimentos. A elaboração de conceitos pela criança irá depender da diversidade, não só quantitativa, mas, especialmente, qualitativa, das experiências interacionais que vivenciará nos espaços institucionais nos quais se encontrar. (MACHADO, 1993, p.37). Com base nessas idéias, é imprescindível realizarmos, nas Instituições Educativas, um trabalho que possibilite aos educandos desenvolverem sua curiosidade, imaginação e capacidade de expressão, assim como possibilitar sua movimentação em espaços amplos, seu envolvimento em brincadeiras interessantes, contribuindo desta maneira para a ampliação desuas linguagens e de seus conhecimentos como também para a construção de sua identidade. 8.6 A BRINCADEIRA COMO ATIVIDADE PRINCIPAL DA CRIANÇA (...) o paradoxo fundamental do jogo consiste em que, sendo uma atividade maximamente livre, encontrando-se sob o poder das emoções, é a fonte de desenvolvimento do caráter voluntário e de tomada de consciência, por parte da criança, de suas ações e de seu próprio eu (ELKONIN,1998, p.100). A brincadeira nasceu, ao longo do desenvolvimento histórico da sociedade, como resultado da mudança de lugar da criança no sistema de relações sociais. A brincadeira se constitui numa das atividades principais das crianças. A essa noção, soma-se o entendimento de que o brincar é uma atividade de natureza social e está relacionada às condições concretas da criança na vida em sociedade e, como afirma Luria (2001), é a atividade principal. O jogo, as brincadeiras infantis são, portanto, produtos culturais, resultantes das relações entre pessoas. Daí se conclui que pode ser necessário ensinar a criança a brincar, ou seja, as crianças não nascem sabendo brincar, elas aprendem a brincar nos contextos onde elas convivem, com adultos e entre si. Quando trabalhamos com crianças inseridas em instituições Educativas, será que podemos pensar o brincar como atividade que ao mesmo tempo contemple a ação lúdica, livre e a ação direcionada para a os fins educacionais, destinada à aquisição de aprendizado? ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 110022 -- Vamos contextualizar, bem brevemente, as relações entre criança, jogo e educação. É importante lembrarmos que antes do século XVII não havia uma separação clara entre jogos e brincadeiras de adultos e crianças na cultura ocidental. É a partir desse período que o jogo passa a ser entendido como atividade típica da infância e, somente com Froebel, ele começa a fazer parte da história da educação pré-escolar. Assim, conforme Elkonin (1998), em virtude do novo espaço que a criança passa a ocupar em determinada etapa evolutiva da sociedade, criam-se traços específicos na atividade da criança que então se comporta de forma peculiar e distinta de outros períodos da vida. Logo, pela impossibilidade de a criança inserir-se por inteiro nas atividades de trabalho dos adultos que a cercam, ela o faz mediante a brincadeira. Kramer (1993) e Kishimoto (1994) discutem a coexistência de duas dimensões ou funções do jogo, a lúdica, quando o brincar é escolhido voluntariamente e traz diversão, prazer e mesmo desprazer, e a educativa, quando o brincar ensina algo, traz conhecimentos, muda a apreensão de mundo do educando (sentido de trabalho, para Kramer), mas que, não por esta condição, perde seu aspecto lúdico. Há de se buscar então o equilíbrio entre essas duas dimensões, para que não eliminemos o prazer de um lado, ou o aprendizado de outro. Isso quer dizer que devemos evitar situação como a que se apresenta: "vamos brincar nos colchões, mas não pode pular, não pode gritar nem se machucar, nem se agitar demais". Ao censurar, desconsiderar, não participar ou não se envolver, ou ainda, não oportunizar a brincadeira, o jogo de faz-de-conta, o educador demonstra um desconhecimento da validade, da necessidade e importância no trato com o imaginário. Precisamos lembrar que brincar e aprender não são atividades contrárias entre si, mais complementares e quase que uma necessidade humana. Liublinskaia (1979), ao escrever sobre as peculiaridades do jogo, refere que, nas brincadeiras, a criança reflete a sua realidade; adquire e desenvolve conhecimentos; desenvolve o pensamento por meio da análise e da síntese sobre as situações envolvidas nas mesmas; age fisicamente e interage verbalmente, mesmo quando brinca sozinha; além de refletir a realidade, transforma-a ativamente, criando, inventando; combina realidade e fantasia, introduzindo na brincadeira a ficção, o que ela quer que seja verdade; lida e resolve contradições internas ao próprio jogo, as suas necessidades e possibilidades em função das regras implícitas a este. (...) o jogo, em primeiro lugar, é uma forma antecipada de atividade cognoscitiva, que precede o conhecimento indireto da realidade pela criança. Em segundo lugar, o jogo é um processo, um meio para conhecer que a rodeia. A sua forma varia de acordo com as possibilidades alcançadas pelas crianças. Em terceiro lugar, tal como qualquer experiência prática, o jogo é uma forma de comprovar, fixar e precisar de modo efectivo os conhecimentos adquiridos. Tal como qualquer outra atividade das crianças, o jogo só ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 110033 -- assume importância para seu desenvolvimento, com a condição de ser dirigido sistematicamente pelo educador (LIUBLINSKAIA, 1979, p.140). Quando mencionamos os jogos, as brincadeiras e o brincar estamos falando da atividade, da ação da criança, que, pode implicar a criação de uma situação imaginária por parte dela (VYGOTSKY, 1984, p.123). Nessa atividade, o brinquedo é concebido como um instrumento sócio-cultural, um mediador que transmite valores e imagens. A implicação importante deste dado é percebermos que o brinquedo não é neutro, sendo portador de significados ideológicos. Ou seja, faz bastante diferença termos, por exemplo, apenas bonecas e bonecos de cor branca e nenhum de cor negra; assim como faz diferença não dispormos de nenhum brinquedo nas instituições de Educação, ou apenas dispormos de brinquedos pedagógicos, que se resumem em ser material didático e não um instrumento simbólico. Aos olhos das pessoas que não compreendem a importância do brincar no desenvolvimento humano, a brincadeira em sala pode dar a impressão de desorganização, de ambiente não propício à aprendizagem. A organização, no entanto, está na própria brincadeira. É fundamental lembrarmos ainda que o brincar de faz-de-conta (jogo de papéis, jogo dramático ou jogo protagonizado, assim denominado por Elkonin) é muito freqüente entre crianças de 2 a 6 anos. Esse tipo de brincadeira acontece quando a criança transforma objetos presentes, ou seja, lhes dá significados diferentes daqueles que possuem na realidade; e/ou transforma os ambiente para servirem aos seus propósitos; e/ou representa o papel de alguns personagens, sejam pessoas (mãe, pai, professora, super-herói) ou animais e, neste caso, assume com o corpo suas características físicas (seus braços viram asas, anda de quatro); e/ou utiliza objetos inanimados como se tivessem vida. Nesta brincadeira "de fazer de conta", a criança representa, pois já pôde constituir, em seu pensamento, imagens, símbolos e idéias que vão sendo analisadas, confrontadas e diferenciadas, criando uma possibilidade para evolução daquele pensamento inicial. Outras brincadeiras também são desenvolvidas pelas crianças e não são menos importantes que o faz-de-conta, entre elas, os exercícios corporais, rítmicos, físicos; jogos de construção, de encaixe; jogos musicais, entre outras. Na Instituição de Educativa,todas essas brincadeiras têm como pressuposto a multidimensionalidade. Além de servirem ao brincar em si, devem servir ao desenvolvimento dos educandos, à construção de conhecimentos e ao resgate cultural, o que amplia suas noções e concepções sobre o mundo. As idéias aqui expostas partem do pressuposto de que, na brincadeira, a criança, além de ampliar seu repertório vivencial, também revela hipóteses, interesses e conhecimentos. Sendo assim, o professor/educador, por intermédio da observação da brincadeira, podem identificar o interesse das crianças e ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 110044 -- perceber muitas hipóteses elaboradas por elas e também levá-las a questionar a realidade que as cerca. A intervenção do professor/educador deve se dar tanto na organização que antecede e possibilita às crianças brincarem, como por meio de sua participação efetiva em algumas brincadeiras. Ao participar do brincar infantil, o adulto educador/professor, pode e deve agir no sentido de ampliar as possibilidades das crianças naquela situação. O profissional deve atuar criticamente no sentido de desvelar o preconceito e permitir que a criança faça o seu próprio julgamento e reconstrua as hipóteses e os conhecimentos até então elaborados pela humanidade. 8.7 O ESPAÇO E TEMPO NA INSTITUIÇÃO EDUCATIVA COMO PROCESSOS SOCIALIZADORES Para a criança, o espaço é o que sente, o que vê, faz nele. Portanto, o espaço é sombra e escuridão, é grande, enorme, ou pelo contrário, pequeno; é de correr ou ter que ficar quieto, é esse lugar onde pode ir para olhar, ler, pensar (BATTINI in FORNEIRO, 1998, p. 231). Com essa citação, busca-se ressaltar que é fundamental pensar o espaço das Instituições na sua dimensão física e na sua dimensão humana. Os professores envolvidos no trabalho com crianças precisam intervir quanto à criação e/ou adequação do ambiente a fim de torná-lo aconchegante, seguro e ao mesmo tempo estimulante. Deste modo, estará permitindo à criança aventurar-se nele, descobri-lo, além de poder descobrir-se e descobrir o outro. Em função de como se organiza o espaço, as atividades podem ou não acontecer. O espaço é uma questão central na Educação, sendo em si uma forma de educar. As salas devem ser organizadas de modo a priorizar as trocas de interações entre os educandos, de forma a contrapor o modelo das salas de aula tradicional; nas quais, pela própria organização e disposição das carteiras, está implícita a idéia de inibir a interação entre os estudantes. Carvalho e Rubiano (1994), referindo-se a (David & Weinstein, 1987) expõem cinco funções do ambiente relativas à educação/cuidado da criança. Essas considerações são de igual modo, cabíveis à organização do espaço de trabalho com adolescentes e mesmo com os adultos e devem ser entendidas pelas instituições de Educação como espaço propício à interação, à aprendizagem e ao desenvolvimento, levando em consideração: • a noção de identidade pessoal – relaciona-se a possibilidade de os educandos perceberem-se como sujeitos que se situam em um determinado momento histórico-social, vivendo em um lugar específico; • a sensação de segurança e confiança - fatores essenciais para que o educando demonstre interesse em explorar o espaço, crucial para sua constituição como agente de seu processo de aprendizagem e desenvolvimento. Especialmente, no ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 110055 -- caso das crianças bem pequenas, menos de 3 anos, as mudanças nos espaços devem ser feitas moderadamente, por meio de pequenas modificações. Assim como o afastamento da família, no início da inserção da criança no Centro de Educação Infantil, também precisa ser gradual e dará à criança a sensação de conforto, num local, inicialmente, estranho para ela; • a competência e autonomia – implica a proposição de desafios que levem os educandos a satisfazerem suas próprias necessidades, sem precisar da assistência constante do adulto; • oportunidades para aprendizagens sociais, motoras e cognitivas - relativo a esta função, além de materiais adequados, brinquedos, equipamentos, livros infantis, revistas – e de áreas internas e externas - cobertas e não cobertas – adequadas, faz-se necessário acrescentar o importante papel da mediação do adulto, que será o indicador de como estes espaços serão explorados e aproveitados. O contato com a natureza também precisa ser explorado. O espaço para a criança é aproveitado na medida em que pode ser palco de brincadeiras e de suas várias expressões; • ao mesmo tempo, oportunidades para as necessidades de convivência social e de privacidade - variando o tamanho das áreas para as atividades dentro do mesmo espaço, da sala ou do pátio, a fim de que essas possam ser realizadas ora em grupos pequenos, em duplas, sozinho ou pela turma inteira. Vale lembrar que as interações criança/criança são tão importantes quanto às adulto/criança e que a organização dos ambientes pode favorecer ou dificultar essa interação. Sendo assim, é preciso flexibilidade para dispor móveis e equipamentos nos espaços utilizados (CARVALHO; RUBIANO, 1994, p.107-131) Fica evidente que a estruturação do espaço, a forma como os materiais e móveis são organizados, a qualidade e adequação dos mesmos são elementos essenciais no processo educativo, especialmente no trabalho com os tempos de vida I, II, III e IV, ou seja, com todas as crianças. A estrutura física de todo o prédio da instituição e, particularmente das salas para os grupos de crianças, deve oferecer segurança e, ao mesmo tempo, desafios para o desenvolvimento e aprendizado (físico, social e cognitivo). A intervenção do educador implica planejamento e adequação no arranjo do espaço e do ambiente que o grupo de educandos irá utilizar. Nesse contexto, cabe ressaltar a importante contribuição de Lima (2005) no tocante ao espaço e tempo escolar: Tempo e espaço: Por muito tempo, as discussões em torno de reformas educacionais estiveram centradas em questões de currículo, avaliação e métodos pedagógicos. À medida que se ampliou o conhecimento sobre o desenvolvimento do ser humano, através das contribuições da antropologia e das neurociências, evidenciou-se que os processos de aprendizagem e desenvolvimento, na escola, envolvem outras dimensões, que foram, até há pouco tempo, praticamente, ignoradas na Educação. Dentre estas dimensões, estão incluídos o tempo e o espaço, considerados, hoje, como elementos fundamentais no processo educativo. • Tempo Embora não os tenhamos presentes na consciência, todos nós temos modelos de duração temporal. Quanto leva para fazer um bolo, tomar banho, percorrer uma distância determinada, arrumar a cama e assim por diante? Também, na escola, temos estes modelos internos de duração: Quanto leva para fazer uma cópia de uma página, resolver um problema de matemática, ler um trecho do livro, fazer um mapa? Estas são medidas presentes, no planejamento do professor, embora nem ele tenha consciência disto, na maiorparte das vezes. Este modelo interno de duração [do professor] constitui um critério de avaliação do aluno. • Espaço ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 110066 -- O espaço da escola é organizado para controlar o movimento, não para fortalecê-lo ou incentivá-lo. A disposição do mobiliário, na sala de aula, deixa espaços de circulação, mas não de movimentação do corpo. A organização espacial influencia o processo educativo de maneira mais incisiva do que pode parecer. Por exemplo, o movimento está relacionado à memória: um comportamento situado num contexto pode ser evocado, a partir de um movimento que faz parte deste comportamento. Assim, se não há possibilidade da criança se movimentar na sala de aula e, se não se pode mudar o espaço interno, então, é preciso, no planejamento, sair de sala, realizar atividades em outros espaços da escola. Para ser um ambiente que propicie o desenvolvimento dos educandos, a escola deve oferecer possibilidades de aprendizagem, não só na sala de aula, mas em todos os ambientes que o educando ocupa. Para tanto, os espaços do recreio, das quadras, (...) precisam ser planejados de forma a oferecer ao aluno o exercício das atividades próprias do seu período de formação, além de propiciar a realização de ações educativas que, geralmente, só podem ser realizadas em outros espaços que não a sala de aula (Lima, 2005, p. 24-25). Concluindo, compreende-se que é imprescindível observar, avaliar e reorganizar o espaço e o ambiente das Instituições Educativas para podermos concretizar as intenções pedagógicas/educativas em relação às crianças de 4 meses a 10 anos de idade, com as quais trabalhamos. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 110077 -- 9. RELAÇÕES: FAMILIARES, ECONÔMICAS, POLÍTICAS, RELIGIOSA, ÉTNICAS, DE TRABALHO, E ÉTICAS Na concepção assumida por esta de Rede de Ensino, importa considerar que o trabalho pedagógico desenvolvido na Instituição Educativa perpassa pela influência das diversas relações: familiares, econômicas, políticas, sociais, culturais, éticas, étnicas e religiosas, o que exigiu a partir dos estudos efetivados na Rede, ao longo do ano de 2006, redimensioná-las na área de história para as demais áreas, através da metodologia dialética. Deste modo, os educadores/professores, ao organizarem seus planos de trabalho docente, precisam estar contemplando conforme explícito na matriz curricular as diversas relações, evidenciando, sobretudo, os anseios dos grupos de educandos quanto ao conhecimento, no contexto estrutural e cultural da sociedade em que vivemos, ou seja, a sociedade capitalista, marcada por contradições sociais e políticas. Os conhecimentos, na atual proposta curricular, rompem com a linearidade (do mais fácil para o mais difícil) e passam a ser permeados por atividades problematizadoras. Essas consistem em promover reflexão, pesquisa, diálogo, comparação e produção de textos que possibilitem ao aluno o entendimento do significado e da função social da realidade em que vive. O conhecimento pensado e abordado na perspectiva dialética nega a possibilidade da justaposição ou mesmo a condição de receptor dada ao aluno frente ao possível dogma docente (FREIRE, 1989). Outra questão que tem a ver com a forma como se vê e se relaciona – conhecimento, educandos e educadores – referem-se a negar a totalidade, ambos, educandos e educadores estão imersos constituem e são constituídos pela totalidade das relações que nos tornam seres humanos. Ainda, sobre a dialética e seus conflitos, podemos dizer que “a transformação da escola não se dá sem conflitos. Ela se dá lentamente. Pequenas ações, mas continuadas, são melhores no processo de mudança que eventos espetaculares, mas passageiros. Só a ação direta de cada professor, de cada classe, de cada escola, pode tornar a educação um processo enriquecedor” (PADILHA, 2004, p.59), Ao partir da contradição, do movimento, da mudança e da transformação, buscamos desenvolver os conteúdos curriculares numa perspectiva de totalidade. Essas categorias da dialética quando permeadas pela problematização e participação do educando possibilitam condições para que o educador estabeleça relações cada vez mais complexas e reais. Por esse motivo, entendemos que a apreensão dos conhecimentos por parte dos educandos implica a compreensão sócio-histórica dos mesmos também por parte dos educadores, considerando as relações: ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ -- 110088 -- • familiar: relações pessoais que incluem ações das pessoas do grupo familiar a que pertence; • cultural: costumes e valores construídos nas relações sociais; • de trabalho: referente à produção material e intelectual produzida pela sociedade ao longo tempo; • econômica: estudo da produção, distribuição e consumo de riquezas; • política: plano de ação, relações de poder presentes na sociedade; • ética: referente à convivência guiada por valores como verdade, respeito e interação entre seres humanos e entre esses e a natureza. Dessa forma, a organização dos conteúdos pressupõe a explicitação das ligações entre estrutura social e suas manifestações, nas relações histórico-sociais, com o objetivo de formar um educando crítico, criativo, responsável e participativo, sujeito de sua própria história e, portanto, capaz de atuar na sociedade para transformá-la. Este é o pressuposto que fundamenta a metodologia dialética, na organização da matriz curricular a qual apresenta-se a seguir. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ____________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________ -- 110099 -- QUADRO 2 - MATRIZ CURRICULAR MATRIZ ELABORADA PELA EQUIPEPEDAGÓGICA DA GERÊNCIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO (GME) DE FAZENDA RIO GRANDE, A PARTIR DE ESTUDOS REALIZADOS COM OS PROFESSORES DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO. EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS TEMPOS DE VIDA III E IV – 6 A 10 ANOS APRENDIZAGENS TEMPOS DE VIDA I – 0 A 3 ANOS APRENDIZAGENS DIMENSÕES HUMANAS CICLO DA INFÂNCIA CICLO DA ADOLESCÊNCIA, JUVENTUDE E ADULTEZ CUIDADO E EDUCAÇÃO – INSERÇÃO E ACOLHIMENTO – RELAÇÃO EDUCADOR (A) E EDUCANDO (A) – CONSTITUIÇÃO DA IDENTIDADE – FUNÇÃO SIMBÓLICA – LUDICIDADE – LINGUAGENS DA CRIANÇA – PROCESSOS SOCIALIZADORES – AUTONOMIA – PESQUISA - SISTEMATIZAÇÃO VIOLÊNCIA – SAÚDE – TRABALHO – EDUCAÇÃO – LAZER – SEXUALIDADE – HABITAÇÃO – MEIO AMBIENTE - MÍDIA METODOLOGIA DIALÉTICA FAMILIARES – RELIGIOSAS – ECONÔMICAS – ÉTNICAS – ÉTICAS – POLÍTICAS – CULTURAIS - SOCIAIS RELAÇÕES CONHECIMENTOS A SEREM DESENVOLVIDOS NO CICLO DA INFÂNCIA CICLOS DA INFÂNCIA – TEMPOS DE VIDA TEMPOS DE VIDA II – 4 E 5 ANOS APRENDIZAGENS ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DA PRÁTICA PEDAGÓGICA BIOLÓGICA – AFETIVA – COGNITIVA – CORPÓREA – HISTÓRICA – SÓCIO - CULTURAL FORMAÇÃO HUMANA E APRENDIZAGEM ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 111100 -- 10. METODOLOGIA DIALÉTICA Assumir a educação por direito implica a compreensão de que nossas práticas pedagógicas devem propiciar a cada educando um processo voltado à Formação Humana e à aprendizagem. O processo de Formação Humana não se conclui somente no espaço escolar, pois é amplo e ao mesmo tempo complexo. A aprendizagem dos conhecimentos sistematizados são inquestionavelmente constituintes da função escolar, pois, de um lado, tais conhecimentos não estão ao acesso da classe trabalhadora no seu cotidiano, e, por outro, são esses conhecimentos que instrumentalizam a classe trabalhadora para exercer a cidadania na sociedade em que vivemos. O conhecimento elaborado torna-se significativo aos educandos à medida que sejam estabelecidas as devidas relações com suas trajetórias de vida que se configuram pela integração das experiências vivenciadas pelos sujeitos envolvidos no processo ensino- aprendizagem. O conhecimento é elemento central da escola, no entanto, a relação entre escola, conhecimentos elaborados e trajetórias de vidas só se efetiva no âmbito da existência recíproca dessa tríade. O conhecimento, por sua condição histórica e social, num dado momento foi elitizado e, ao passar por esse processo, foi de igual modo expropriado do homem, seu produtor originário. Esse fato exige a compreensão de que o conhecimento na sua forma sistematizada precisa ser “devolvido” aqueles que o produziram na sua origem. No entanto, esse processo pressupõe que se efetive ao retornar às raízes, em outras palavras, é por meio da prática social que o conhecimento elaborado adquire significado. É pela construção e reconstrução de significados atribuídos ao conteúdo elaborado que cada educando tem a possibilidade de apropriar-se dessa forma de saber. Contudo, não estamos negando o que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais em termos de conhecimentos a serem tratados no Ensino Fundamental. Ao refletir as implicações da fragmentação do conhecimento em áreas nas aprendizagens dos educandos, estamos sim, buscando ressignificar com essa forma de organização, pois, os problemas, as contradições vivenciadas nas práticas sociais de cada sujeito não se perguntam a que áreas pertencem. Nesse contexto, implica, pois, que não cabe mais organizar os planos docentes por conteúdos ou áreas, determinadas previamente pelos educadores, pois, como já afirmado, elas só terão significados ao se constituírem instrumentos que possibilitarão a compreensão-transformação, pelas ações dos sujeitos de uma dada realidade social. Assim, ao garantir a problematização da prática social, buscando nos conteúdos a compreensão de determinada situação ou contexto, estaremos articulando os conhecimentos (que são a função da escola) à prática social. Isso implica que, se o ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 111111 -- currículo estiver fechado, apenas nos conteúdos estaremos repetindo o abstracionismo de uma organização curricular funcionalista3. Portanto, o que se propõe é que o conteúdo/função escolar seja articulado às práticas sociais. Em âmbito especificamente escolar implica compreender que a realidade social vivenciada pelos educandos (as) é marcada pela inacessibilidade ao conhecimento elaborado, logo, é essa realidade que necessita ser transformada, efetivando assim, a função social da escola. É preciso considerar que as crianças trazem suas histórias (trajetórias vividas) e, muitas vezes, não compreendemos toda essa complexidade histórica e nos preocupamos mais com a aprendizagem acadêmica do que com a Formação Humana. É necessário rever essas questões, pois as histórias de vida dos educandos fazem parte também da nossa prática pedagógica. Precisamos, então, articular história de vida aos conhecimentos formais que devem ser trabalhados na escola. Nesse contexto, para a efetivação de uma proposta educacional, exige-se a compreensão de que “a Formação Humana, no ciclo da infância, na instituição educativa, requer ações pedagógicas que considerem as relações intrínsecas entre os conteúdos sistematizados historicamente e as dimensões afetiva, cognitiva, biológica, corpórea, histórico, cultural e social” (GME/FRG, 2006). Desse modo, promover a educação escolar que articule essa concepção de educação, requer o repensar das práticas de modo a assumir que: •o ser humano é ser de múltiplas dimensões; •todos apresentam tempos e ritmos diferentes, para realizar toda e qualquer aprendizagem, desde o andar, o falar, o brincar, o comer com autonomia até o ato de ler e escrever (grifo nosso); •o desenvolvimento humano é um processo contínuo; •o conhecimento deve ser construído e reconstruído, processual e continuamente; •o conhecimento deve ser abordado em uma perspectiva de totalidade; •a diversidade metodológica e a avaliação diagnóstica, processual e formativa devem estar comprometidas com uma aprendizagem inclusiva, em que o aluno, dentro da escola, aprenda de fato (MEC, 2004). Assim, é com esse olhar para o ser humano que nossa Rede Municipal de Educação se propõe a repensar nossos espaços e tempos escolares, nossas formas de avaliação, bem como a concepção de infância e os aspectos que teremos de assumir para garantirmos a aprendizagem. Para tanto, não somente pelo fato da ampliação do Ensino Fundamental para 9 anos e o conseqüente ingresso da criança de 6 anos, mas por todas as crianças que têm acesso 3 A corrente funcionalista tem origem nos Estados Unidos em 1918 com Franklin Bobbitt. É posta por uma cultura tradicional e hegemônica de organização da escola e das grades curriculares. A estrutura curricular funcionalista prima pela organização de conteúdos listados (conteúdos e objetivos) nos moldes da racionalidade técnica e científica, daeficiência, da estrutura curricular pautada no planejamento e atividades. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 111122 -- à Rede Municipal de Educação, estamos reformulando nossa Proposta Curricular de modo a explicitar uma MATRIZ CURRICULAR que, acima de tudo, atenda à diversidade existente na escola. Entendemos que, nesse processo, alguns conteúdos da cultura humana serão selecionados, no entanto, não nos eximimos de refletir coletivamente quais conhecimentos seriam então necessários. Organizar momentos de reflexão acerca dos conhecimentos implica entendermos que um dos desafios mais importante que se coloca à escola é que essa se assuma enquanto espaço cultural. Parafraseando Moreira (2001), a escola precisa trazer para dentro de si os mais diversos elementos das culturas que convivem nessa sociedade, enfim, abrir-se para todas as manifestações culturais. Logo, é preciso organizar-se enquanto um espaço em que os educandos possam agir e participar, entendendo-se enquanto produtores de cultura. Assim, a escola além de abrir-se às diversas manifestações culturais, precisa se efetivar enquanto espaço de crítica cultural. Nessa perspectiva, a escola necessita garantir uma forma de currículo que ultrapasse os limites das disciplinas ou áreas do conhecimento. Para MOREIRA (2004, p.17), o currículo é um “conjunto de experiências que o aluno vive na escola e que se relacionam com o conhecimento escolar”. Dessa afirmativa, queremos corroborar a idéia de que o currículo é mais que uma organização por áreas do conhecimento ou listagem de conteúdos a serem trilhados, é, acima de tudo, possibilidade de vivência e relações culturais. Neste sentido, a Proposta Curricular de Fazenda Rio Grande (2004) em seu texto de fundamentos teóricos do Ensino Fundamental, já expressa essa idéia: Um Projeto de Escola que se fundamenta no princípio de que os alunos aprendem em tempos e formas diferentes, exige da escola a garantia das condições para construir os processos de aprendizagem, propondo tarefas que desafiem e motivem os alunos a mobilizar os conhecimentos que já possuem e buscarem novos conhecimentos. Assim, este projeto é expressão de um processo de participação de muitas vozes, que construíram uma vontade coletiva cientes das suas responsabilidades individuais para com a formação do cidadão, o que torna viável na escola, o assumir de uma postura de enfrentamento contra-ideológico, contra a opressão e alienação, que “venha criticar e denunciar o projeto político opressor e anunciar as exigências de um projeto político libertador”, (Severino,1998, p. 82). (...) em consonância com os princípios ÉTICOS DA AUTONOMIA, RESPONSABILIDADE, SOLIDARIEDADE E RESPEITO. (...) As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental ressaltam a valorização da experiência extra-escolar dos alunos e a vinculação entre a educação escolar e as práticas sociais como sendo o fim maior da educação. A LDB 9394/96, em seu artigo 22, remete-se ao desenvolvimento do educando na busca de lhe assegurar a formação comum indispensável ao exercício da cidadania. Considera ainda, no artigo 32, a formação básica do cidadão mediante o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo; a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade, desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, do fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância, situados no horizonte da igualdade, (DCN, 1998). Neste sentido, nosso educando precisa de uma Formação Humana que desenvolva suas múltiplas dimensões como ser humano, com necessidades materiais, culturais, afetivas e lúdicas, preocupada, além da competência científica, com a transformação social para o Bem Comum. A ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 111133 -- Estética da sensibilidade, da criatividade e da diversidade, de manifestações artísticas e culturais também deverão nortear o trabalho escolar, objetivando desenvolver as potencialidades e as características próprias de cada aluno para tornar-se um homem, que, ao contrário de passivo e submisso às decisões do sistema, seja um ser ativo e questionador das injustiças - sujeito da transformação social através do papel que desempenha no mundo para construir uma sociedade justa e democrática (PROPOSTA CURRICULAR MUNICIPAL, 2004, p. 71 – 72). Assim, os pressupostos da teoria crítica nos direcionam a questionar que currículo estaremos assumindo nessa Rede Municipal de Educação? Pensar que currículo e que conhecimentos iremos abordar exige uma reflexão dos reais sentidos e significados que esses assumem na vida de cada educando. Considera-se que um currículo escolar organizado tradicionalmente por Áreas do Conhecimento limita-se a fragmentos da cultura. Esse fato acarreta o distanciamento dos conhecimentos elaborados da prática social. Assim, a relevância atribuída a esses conhecimentos perde-se em si mesmos. Perde seus significados ao intencionar por meio da transmissão de determinados conteúdos a preparação de cada criança para uma realidade futura. Se não fosse dessa forma de organização fragmentada, não seriam comuns os questionamentos por parte dos educandos acerca da aplicabilidade de determinados conteúdos na sua vida cotidiana. A essa questão, é comum respostas dos docentes no sentido de: “no futuro verás”. Salienta-se que os currículos organizados de forma conservadora e divisionários, mantendo um distanciamento entre as próprias disciplinas, produzem ou reproduzem alunos que tem acúmulos de informações desconectadas da realidade. Freire alertava que tratar as condições sociais como fatalidade, portanto, distante da escola, é manter-se numa ingênua neutralidade a esperar pacientemente que a realidade mude (FREIRE, 1997, p. 67 e 70). Na perspectiva de provocar rupturas com essa forma de pensar a escola e seus currículos, reportamos novamente a Freire (1997) que afirma: Ensinar exige respeito aos saberes dos educandos. (...) Por que não aproveitar a experiência que têm os alunos (...). Por que não discutir com os alunos a realidade concreta a que se deva associar a disciplina cujo conteúdo se ensina, a realidade agressiva em que a violência é a constante e a convivência das pessoas é muito maior com a morte do que com a vida? (FREIRE, 1997, p. 33 – 34). Assim, a identidade curricular que estamos buscando se constitui pela práxis, situando-a num processo dialógico, crítico, problematizador e transformador das condições objetivas e subjetivas que constituem a realidade. Trata-se de compreender a questão da práxis, refletindo-a a partir de seu caráter dialético sob o enfoque da Formação Humana e aprendizagem com vistas à emancipação. Esse modo de assumir a organização curricular não nos permite a dissociação entre subjetividade-objetividade, considerando-a como algo que vai se constituindo dialeticamente. ____________________________________________________________________________FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 111144 -- A dialética historicista, portanto, entende que a individualização e a personalidade constituem-se somente na concretude da vida social, num determinado processo histórico que “marca” e é “marcado” a cada um de nós. No âmbito do currículo, esse movimento se efetiva via prática pedagógica cuja ênfase consiste em que cada educando, seja imerso num processo de busca coletiva de respostas ao cotidiano, através da problematização, sem descartar o caráter de totalidade. O que seria então esse movimento dialético? Com a finalidade de compreendermos como esse processo será implementado na prática retomaremos o princípio 12 (Concepção de Infância) aprovado na IV CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO o qual estabelece que: “a interação entre as trajetórias de vida e as trajetórias escolares dos educandos nos torna sujeitos plenos de direitos, tanto na sua dimensão individual quanto social” (GME/FRG, 2006) Através desse princípio, podemos inferir que, por meio de nossas práticas pedagógicas, estaremos articulando trajetórias de vida e trajetórias escolares, pois o conhecimento sistematizado, a partir da concepção dialética, adquire significado na medida em que se relaciona às práticas sociais dos sujeitos envolvidos no processo ensino- aprendizagem, cujo esquema adaptado de DAVINI (1983) pode ser expresso da seguinte forma: Com efeito, para garantir esse movimento dialético, bem como a opinião e os anseios das comunidades escolares dessa Rede Municipal de Educação, nossos professores, representados nos grupo de estudos e de sistematização da Proposta Curricular Municipal, engajaram-se em estudos e esforços intensificados que culminaram em pesquisa de campo. A partir do exposto no artigo 4º do Estatuto da Criança e do Adolescente: “é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à TEORIA REFLEXÃO PRÁTICA SOCIAL INSTRUMENTALIZAÇÃO NOVA PRÁTICA/TRANSFORMAÇÃO DA REALIDADE ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 111155 -- dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária” (BRASIL, 1990). Encaminhou-se à comunidade os seguintes questionamentos: O que gosto em meu país e em meu município (que me deixa orgulhoso e feliz?; O que não gosto em meu país e em meu município (que me entristece)?; Os meus direitos e deveres que conheço e os direitos que são garantidos por lei, mas que não tenho? A partir desses questionamentos, realizou-se a compilação dos dados levantados junto à comunidade fazendense, então foram identificados os eixos que expressavam anseios de cunho social. Os professores realizaram as devidas análises e compreensão dos mesmos, para, então, constituir os eixos articuladores do trabalho pedagógico na Matriz Curricular. Portanto, os Eixos Articuladores se configuraram por problemáticas sociais apontadas pelas comunidades escolares. Esses eixos direcionarão todo o trabalho desenvolvido ao longo dos tempos de vida II, III e IV, ou seja, com as crianças de (4 e 5 anos), (6,7 e 8 anos) e (9 e 10 anos). Nessa perspectiva, cada eixo articulador estará a serviço da organização curricular dessa Rede de Ensino. Considerando-se, porém que nessa lógica não estamos submetendo o currículo aos extremos dos determinantes sociais e tão pouco à realidade, à existência, ao subjetivismo relativista ou exclusivamente à superficialidade. Com esse olhar, a ética e a responsabilidade acerca de si, do outro e do mundo situam as escolhas em contextos de interações sociais. Nesse direcionamento, entendemos a importância de se realizar a cada início de ano letivo o diagnóstico inicial. É importante salientar que o diagnóstico inicial esteja previsto em calendário escolar, envolvendo todos os educandos de cada instituição educativa escolar. Pois, somente pelo reconhecimento das interfaces e contradições configuradas historicamente e pelas relações sociais é possível entender o sentido do conhecimento. Como acontecerá o diagnóstico? A partir de questões, devidamente planejadas, permeadas pelos aspectos “Eu e o Mundo” será realizado todo o processo de reconhecimento da identidade de cada educando, em termos legais, (análise do histórico escolar, pareceres, encaminhamentos e outros documentos) que expressem a vida escolar dos educandos. Em seguida, a continuidade do processo ocorrerá por meio de pesquisa, na forma de instrumentos, como questionário, entrevistas, seminários, debates e outros com o fim de identificar os anseios da comunidade escolar. Esses levantamentos poderão auxiliar os professores na condução do trabalho com os eixos articuladores. Finalizado o processo de diagnóstico inicial, dá-se início, então, ao trabalho com os conteúdos articulados aos eixos articuladores. O processo de articulação dos eixos aos conteúdos é resultante de um ano de trabalho no interior das escolas, direcionado à implementação dessa proposta curricular ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 111166 -- para o Ensino Fundamental de 9 anos. No decorrer desse período, os educadores da rede explicitaram os limites e as possibilidades de se desenvolver uma prática pedagógica consoante aos princípios da dialética, portanto com a contribuição efetiva do educando no plano de trabalho docente. Com muitas reflexões e contribuições, inclusive dos educandos, chegou-se a conclusão de que os eixos articuladores deveriam estar explícitos nessa proposta de forma organizada com a finalidade de melhor orientar o trabalho do educador. Para tanto, com a participação dos pedagogos e coordenadores das escolas representando os anseios do corpo docente de cada instituição educativa, organizou-se o currículo do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental de 9 anos. Assim, a subdivisão dos eixos articuladores se deu da seguinte forma: • 1º e 2º ano – o trabalho será desenvolvido, contemplando 6 eixos articuladores ao longo do ano, sendo eles, meio ambiente, habitação, educação, lazer, saúde e trabalho; • 3º, 4º e 5º ano – os eixos a serem contemplados são: meio ambiente, saúde/sexualidade, trabalho, habitação, violência, lazer e educação. É importante destacar que a partir do 3° ano o professor precisa estar considerando as influências que a mídia exerce sobre a vida das pessoas, sobre a forma como as informações são intencionalmente transmitidas, enfim, a influência da mídia sobre o próprio conhecimento, e articular este eixo às trajetórias de vida dos sujeitos do processo ensino aprendizagem. Portanto, não se pode desconsideraro poder que a mídia, enquanto formadora de opinião exerce sobre todos os aspectos que envolvem as problemáticas sociais que foram explicitadas pela própria comunidade fazendense para compor esse currículo. É necessário salientar que a referida organização curricular contemplará, também, os trabalhos a serem desenvolvidos com as crianças do tempo de vida II (4 e 5 anos) por meio da articulação dos conteúdos a serem trabalhados com essa demanda aos eixos articuladores: meio Ambiente, lazer, trabalho e habitação. Os aspectos que impulsionaram a organização para essa etapa da Educação Infantil consiste na crença de que as ações desenvolvidas, na Educação Infantil, podem e devem ser sistematizadas e intencionais visando inserir a criança em práticas participativas reflexivas e argumentativas, entendendo, no entanto, a especificidade dessa etariedade. Nesse contexto, é de bom tom que o professor tenha essa sensibilidade ao engendrar as discussões acerca dos eixos articuladores, pois esses aspectos podem auxiliar o educando na atribuição de significados aos novos conteúdos que serão abordados. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 111177 -- Outro diferencial dessa nova organização curricular consiste numa estrutura organizacional que articula os eixos e as relações junto aos blocos de conteúdos das áreas de conhecimentos previstos para serem desenvolvidos trimestralmente. Além disso, cabe ressaltar que os conteúdos serão mediados pela participação do educando e pela organização do esquema dialético no PLANO DE TRABALHO DOCENTE – PTD. SELEÇÃO E ORGANIZAÇÃO DOS CONHECIMENTOS, APRENDIZAGENS E AÇÕES PEDAGÓGICAS: ESPECIFICIDADES NA EDUCAÇÃO INFANTIL – 4 E 5 ANOS A elaboração do Plano de Trabalho Docente ocorrerá partindo de Esquemas Dialéticos. Os EIXOS a serem trabalhados com as crianças de 4 e 5 anos serão: SAÚDE, LAZER, HABITAÇÃO e MEIO AMBIENTE. Antes de iniciar o trabalho com o eixo, será realizado um diagnóstico inicial enfatizando a identidade da criança. A escolha do EIXO para o inicio do trabalho como também a seqüência, no decorrer do semestre, será uma atribuição das educadoras. Segundo o grupo de educadores da Rede Municipal de Ensino, nesta idade, as crianças ainda não possuem argumentação suficiente para fazer esse tipo de escolha. Nesse processo é fundamental a participação das crianças. Assim, para emergir questões/perguntas das crianças referentes ao EIXO proposto, gerando os esquemas dialéticos, é necessário que os educadores se utilizem vários recursos didáticos. O tempo de trabalho com o EIXO corresponderá ao tratamento dados as questões levantadas pelas crianças e dos vários conhecimentos (retirados do currículo) listados pelos educadores, relacionando-os ao EIXO proposto. Como parte da elaboração do Esquema Dialético, no Plano de Trabalho Docente deverá conter os CONHECIMENTOS, APRENDIZAGENS e AÇÕES PEDAGÓGICAS POSSIVEIS referentes ao EIXO em questão, podendo ser trabalhado mais de um EIXO no trimestre, dependendo da demanda do grupo etário. A avaliação é contínua, portanto, a criança deve ser acompanhada no processo de aprendizagem e desenvolvimento seguido de registros diários, os quais servirão de instrumentos para a elaboração do parecer descritivo (trimestral). ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 111188 -- 11. A ORGANIZAÇÃO CURRICULAR E A METODOLOGIA DIALÉTICA PARA OS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DE 9 ANOS As RELAÇÕES, mediadas pelos eixos articuladores na metodologia dialética da proposta curricular municipal, compreendem: FAMILIARES – RELIGIOSAS – ECONÔMICAS – ÉTNICAS – ÉTICAS – POLÍTICAS – CULTURAIS – SOCIAIS. Cabe salientar que, em cada eixo articulador, existem questões norteadoras as quais têm a função de possibilitar ao professor que instigue o diálogo com seus educandos de forma intencional e sistematizada, permeando-se pelo eixo articulador, pelas relações e, ao mesmo tempo, pelos conteúdos que irá desenvolver. Trata-se, portanto, de garantir a intencionalidade da função escolar, pois, como já afirmado anteriormente, a Rede sentiu essa necessidade devido ao fato de, no primeiro ano de trabalho com a proposta organizada por eixos, terem sentido muitas dificuldades em articular, a partir dos questionamentos dos educandos, determinados eixos aos conteúdos. Nessa perspectiva organizacional dos conteúdos, que será em breve apresentada, o professor irá mediar o diálogo acerca de cada eixo, visualizando os conteúdos que terão de ser desenvolvidos. Destaca-se que toda a mediação do professor será direcionada pelas seguintes questões: o que sei, o que quero saber e onde buscar esse conhecimento. Estabelecido o diálogo, o professor irá organizar a lista de interesses dos educandos e, sempre que sentir necessidade, poderá realizar assembléias visando à conscientização com base numa listagem consensual da turma para que se elabore então o PLANO DE TRABALHO DOCENTE. É importante salientar que algumas questões referendadas na assembléia (caso não façam relação com o eixo) não precisam ser descartadas. Essas, poderão auxiliar a discussão com outros eixos. É imprescindível destacar, nesse momento, o esforço que se faz para: - permitir ao educando a participação ativa no plano de trabalho docente; - possibilitar ao educando atribuição de significados aos novos conteúdos que serão apresentados pelo professor; - democratizar o processo ensino e aprendizagem, na perspectiva em que ambos, professor e educandos, situam-se num processo de diálogo dialético no qual o professor assume a função imprescindível de mediador. Realizado, então, o processo do diagnóstico inicial, as discussões acerca dos eixos e a organização da lista de interesses da turma, o próximo passo consiste na elaboração do plano de trabalho docente que poderá assumir, as seguintes estruturas (conforme segue as possibilidades 1 e 2): ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 111199 -- POSSIBILIDADE – 1 PLANO DE TRABALHO DOCENTE 1- EIXO ARTICULADOR: Lazer 2- QUESTÕES DE INTERESSE DO GRUPO O que sei? O que queremos saber? • QUE BRINCADEIRAS CONHEÇO? • QUAIS OS JOGOS E BRINCADEIRAS QUE MEUS FAMILIARES BRINCAVAM? • QUE JOGOS E BRINCADEIRAS SÃO REALIZADAS EM OUTROS PAÍSES (AMÉRICA LATINA, AMÉRICA DO NORTE, AMÉRICA CENTRAL E OUTROS CONTINENTES)? • QUE TIPO DE BRINQUEDOS SÃO MAIS ACEITOS E DIVULGADOS ATUALMENTE? • QUAIS OS VALORES DE UM “BOM BRINQUEDO”? • QUE OPÇÃO DE BRINQUEDO TEMOS? • POR QUE ALGUMAS CRIANÇAS NÃO BRINCAM? • EXISTEM BRINQUEDOS SÓ DE MENINAS E SÓ DE MENINOS? • O QUE POSSO FAZER COM OS BRINQUEDOS? • PELAS BRINCADEIRAS, APRENDO A CONVIVERCOM O OUTRO? Onde buscar o conhecimento? • REALIZAR PESQUISA DE CAMPO, NA PRÓPRIA SALA DE AULA E JUNTO Á COMUNIDADE, E BIBLIOGRÁFICAS ACERCA DO ESQUEMA DIALÉTICO NO QUE DIZ RESPEITO ÀS SUAS PERMANÊNCIAS E MUDANÇAS. • REFLEXÃO DA PRÁTICA SOCIAL, PESQUISA E REFLEXÃO – INSTRUMENTALIZAÇÃO ACERCA DA INFLUÊNCIA DA MÍDIA POR MEIO DE IMAGENS, PROPAGANDAS, FOTOS, MATERIAIS IMPRESSOS, REPORTAGENS, VÍDEOS, DENTRE OUTROS. • PESQUISAS EM MATERIAIS IMPRESSOS – ENCARTES, MEIOS ELETRÔNICOS E RELACIONAR OS VALORES DOS BRINQUEDOS INDUSTRIALIZADOS. • REALIZAÇÃO DE DEBATES, SEMINÁRIOS, ENTREVISTAS. • PRODUÇÃO E DOAÇÃO DE BRINQUEDOS À COMUNIDADE (CMEI). Constata-se, no referido esquema, a falta da questão: O que sei? Contudo, as questões acerca do que sei foram devidamente registradas pela professora no momento em que desenvolviam o diálogo em sala. As questões dos educandos parecem, em uma análise inicial, sem importância e sem conteúdo. No entanto, somente por uma análise mais criteriosa e mediadora do educador será possível aprofundar nos conhecimentos que o referido grupo precisava construir coletivamente para que, de posse dos mesmos, pudessem compreender, analisar, criticar, opinar e propor soluções às suas próprias inquietações. 3- ESQUEMA DIALÉTICO Após a elaboração da lista de interesses, o professor elabora o esquema dialético. Neste momento, estabelece as relações com a prática social. É importante que, nesse momento, o professor não se detenha aos conteúdos curriculares, pois os Esquemas Dialéticos expressam na sua forma o movimento da práxis, permeado por questões de interesses individuais e coletivas, como no exemplo a seguir: ______________________________________________________________________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ____________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ -- 112200 -- QUADRO 3 – ESQUEMA DIALÉTICO: EIXO ARTICULADOR - LAZER Eixo articulador LAZER RELAÇÕES CULTURAIS RELAÇÕES FAMILIARES RELAÇÕES SOCIAIS: Mídia e tecnologia RELAÇÕES ECONÔMICAS Brincadeiras do passado e do presente Brincadeiras da minha casa e da minha comunidade a partir da sala de aula Brincadeiras na minha comunidade Brincadeiras no mundo Crianças que não brincam – trabalho infantil Discriminação de gêneros Brinquedos que posso ter Classificando, comparando e agrupando: brinquedos populares e eletrônicos Cultura R$ 1,99 Relações salariais e valores Brinquedos industrializados Brinquedos artesanais Cooperatividade e competitividade Valores estéticos Dooping X Saúde Violência X Paz Marketing e propaganda ESQUEMA DIALÉTICO: EIXO ARTICULADOR - LAZER EU e o MUNDO na relação: jogos e brincadeiras RELAÇÕES ÉTICAS ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 112211 -- 4 - AVALIAÇÃO – auto-avaliação, avaliação formal e avaliação do processo. 5 - PERÍODO – quinzenal, mensal, trimestral etc. Elaborado o esquema, o professor pode então definir os conteúdos, as aprendizagens e as estratégias de ensino. POSSIBILIDADE - 2 PLANO DE TRABALHO DOCENTE. 1 - EIXO ARTICULADOR: Trabalho 2 - QUESTÕES DE INTERESSE DO GRUPO (Lista de assuntos): • COMO FAZ PARA TRABALHAR COMO PROFESSORA E COMO COZINHEIRA? possível conteúdo: profissões, importância de ambas no espaço escolar e na sociedade. • O QUE É SER PROFESSORA? Escolaridade. • O QUE SE FAZ EM CASA É CONSIDERADO TRABALHO? Trabalho Doméstico (Sem Remuneração), Atividade Infantil em Casa. • QUAL A IMPORTÂNCIA DO TRABALHO? • POR QUE TEM GENTE QUE NÃO TRABALHA? • PARA TRABALHAR TEM DE FAZER CURSO E ESTUDAR? • O QUE É TRABALHO DOMÉSTICO? • COMO SE FAZ PARA TRABALHAR? • POR QUE EXISTE O DESEMPREGO? • O QUE É SALÁRIO MÍNIMO? • QUAL FOI O PRESIDENTE QUE DEFINIU O SALÁRIO MÍNIMO NO BRASIL? HÁ QUANTOS ANOS? sistema monetário, valor posicional, técnica operatória, adição e subtração. • PARA SER PEDREIRO TEM DE FAZER FACULDADE? • NECESSIDADES HUMANAS? carga horária de trabalho, sono, alimentação, turno de trabalho, saúde, para garantir a sua condição de cidadania. • O QUE É PRECISO FAZER PARA SER FUNCIONÁRIO ESCOLAR? ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 112222 -- 3- ESQUEMA DIALÉTICO: QUADRO 4 – ESQUEMA DIALÉTICO: EIXO ARTICULADOR - TRABALHO 4 - CONTEÚDOS (que estabelecem relação com o esquema dialético) - ATIVIDADES PRODUTIVAS NO MUNICÍPIO DE FAZENDA RIO GRANDE; - A PROFISSÃO NA FAMÍLIA; - REGRAS QUE ORGANIZAM A CONVIVÊNCIA HUMANA: CONSELHO DE CLASSE, SINDICATO, ASSOCIAÇÕES; - RESPEITAR E VALORIZAR AS DIFERENÇAS; - DEZENA/CENTENA; - SISTEMA MONETÁRIO; - CALENDÁRIO; - RELIGIÃO NA VIDA DA MINHA FAMÍLIA; - OS SÍMBOLOS RELIGIOSOS; - SÍMBOLO DE ALGUMAS TRADIÇÕES RELIGIOSAS; - AS PESSOAS TÊM DIFERENTES IDÉIAS SOBRE A TRANSCENDENTE NAS DIFERENTES TRADIÇÕES RELIGIOSAS; - RELAÇÕES ESPACIAIS; - RELAÇÃO SALARIAL EM VÁRIOS CONTEXTOS: ESPAÇO E EM DETERMINADAS ÉPOCAS, - RELAÇÃO DO HOMEM E A NATUREZA; - EXPLORAÇÃO DA NATUREZA, TRABALHO NECESSIDADE / TRABALHO COMO FONTE DE PRODUÇÃO. TRABALHO POLÍTICAS SOCIAIS ÉTICAS FAMILIARES RELIGIOSAS ECONÔMICAS Regras que organizam a convivência humana: conselho de classe, sindicato, associações Respeitar e valorizar as diferenças Atividades produtivas no município de Fazenda Rio Grande A profissão na família Dezena/centena; Sistema monetário; Calendário; Religião na vida da minha família; Os símbolos religiosos; Símbolo de algumas tradições religiosas; As pessoas têm diferentes idéias sobre a transcendente nas diferentes tradições religiosas ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 112233 -- 5 - ESTRATÉGIAS (que podem ser utilizadas a partir do esquema dialético) - PESQUISAR EM ÓRGÃOS E SITE OFICIAIS - MINISTÉRIO DE TRABALHO, LEI, CONSTITUIÇÃO FEDERAL, DIREITOS E DEVERES DO TRABALHADOR REGISTRADO (PATRÃO E EMPREGADO, IMPOSTOS EMPREGATÍCIO); - JORNAIS E PERIÓDICOS ANTIGOS E ATUAIS PARA LEITURA E ANÁLISE; - PESQUISA NA FAMÍLIA, A AGÊNCIA DEEMPREGO - ÍNDICES DE EMPREGO E DESEMPREGO; - PRODUÇÃO DE MATERIAL EXPLICATIVO: ESTRESSE OCUPACIONAL, TRABALHO INFANTIL; - A ESPECIFICIDADE DE ARTES SERÁ TRABALHADA PELOS PROFESSORES DE LINGUAGENS; - LEITURA DE IMAGENS ENQUANTO RECURSO. 6 - AVALIAÇÃO – auto-avaliação, avaliação formal e avaliação do processo. 7 - PERÍODO – quinzenal, mensal, trimestral etc. Após a apresentação das possibilidades de Plano de Trabalho docente, é importante destacar que é possível elaborar o plano de trabalho sem a apresentação do Esquema dialético. Contudo, cabe ressaltar que a apresentação do esquema permite tanto ao autor – o professor – quanto aos demais leitores visualizar a reflexão da realidade que houve em sala à medida que o esquema explicita uma forma ampla e complexa de situar os eixos, as relações, bem como os conteúdos, enfim, cabe reafirmar que não se trata de mais um plano de trabalho docente, mas a possibilidade de efetivarmos a metodologia dialética em sala de aula e, exatamente por esse motivo, diante da complexidade um plano nos moldes tradicionais não explicita todo esse movimento. Na essência, o que defendemos é a efetivação do movimento proposto por SAVIANI (1983) da prática social, perpassando pela instrumentalização – via acesso ao conhecimento – e o retorno à prática transformada. Reafirma-se, com base nesse contexto, que somente o comprometimento ético e político do educador garantirá esse processo, pois , ao trabalhar a partir de problemáticas sociais não significa permanecer nas hipóteses e nos conhecimentos tácitos, uma vez que esses na medida em que são mediatizados nos esquemas dialéticos articulam-se ao conhecimento científico que é inquestionavelmente função da escola. Ao articular o conhecimento dos alunos aos conhecimentos que justificam a existência e função social da escola, estaremos articulando trajetórias de vidas e trajetórias escolares. Há, então, a articulação entre teoria e prática de saberes necessários tanto aos educadores quanto aos educandos. No entanto, a relação teoria-prática, evidenciada a partir de um eixo articulador, não se faz de forma casual, é, portanto, intencional “de grande importância e de alto valor enquanto meio de desenvolvimento da compreensão das crianças sobre a realidade atual”, (PISTRAK, 2000, p. 135). Assim, a organização curricular, a partir de um determinado eixo articulador, serve-se então à compreensão da realidade social na qual se vivencia e se soluciona conflitos e contradições. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 112244 -- Por esse motivo, os Eixos Articuladores, assemelham-se ao que Pistrak (2000), denominou de complexos organizados por temas. Das análises do autor, pode-se inferir que essa forma de organização curricular, bem como a seleção dos eixos articuladores, não se dá ao acaso e tampouco parte de contextos e interesses individuais. Desse modo, cada Eixo Articulador é resultante de aspectos extraídos do cotidiano vivencial de cada instituição educativa escolar, ou seja, não são determinados por um programa oficial, mas dão forma a esse, uma vez que é a expressão das muitas vozes de cada comunidade escolar. Conforme apresentado nos dois exemplos de estruturação do plano de trabalho docente. Assim, com o fim de auxiliar o educador, a matriz curricular apresenta a atual estrutura, ou seja, eixos articuladores e blocos de conteúdos trimestral conforme segue: ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 112255 -- RELAÇÕES: FAMILIARES, RELIGIOSAS, ECONÔMICAS, ÉTNICAS, ÉTICAS, POLÍTICAS, CULTURAIS E SOCIAIS. TABELA 4 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – 1º TRIMESTRE/ 1º ANO EIXO CONHECIMENTOS / CONTEÚDOS - 1º TRIMESTRE M E I O A M B I E N T E ESTUDOS DA NATUREZA E DA SOCIEDADE HISTÓRIA • Construção da identidade do aluno: - história do aluno, história do nome e sobrenome, nascimento; - pessoas com as quais convive: familiares, amigos e outros grupos; - participação dos integrantes da família nos diferentes grupos sociais: família, escola, comunidade; - as diferentes estruturas familiares hoje e o cotidiano das famílias hoje; - crianças de outros tempos: infância das pessoas com as quais convive. • Regras de convivência: - direito e deveres das crianças; - regras de convivência formal (escola) e informal (família); - a importância do respeito às regras combinadas. CIÊNCIAS Ecossistemas: relações de interdependência entre sistema biótico e abiótico (homem, ar, água, sol, solo e seres vivos); • Homem: - saúde do homem; - prevenção de acidentes; - características gerais; - habitat, locomoção; - corpo humano: diferenças, órgãos dos sentidos, partes estruturais; - necessidades básicas (higiene); - reprodução; • Relações com os animais e vegetais: - Animais (características gerais, habitat, locomoção, alimentação, defesa, reprodução); - Vegetais (características gerais, classificação das partes principais, relações com os homens e com os animais, plantas medicinais); • Solo: relações com animais / vegetais / homem: - composição, tipos e sua importância, uso racional do solo, habitação, produção de alimentos e empobrecimento do solo; - cadeia alimentar: seres produtores, consumidores e decompositores. • Água: importância, uso racional, onde ela é encontrada, estado sólido, líquido, e gasoso, propriedade inodora, insípida, e incolor (doce, salgada). • Ar: a importância do ar para os seres vivos (fotossíntese e respiração), relações com os seres vivos, vento - noções de existência e manifestações na natureza. • Preservação do Meio ambiente (reciclagem do Município de Fazenda Rio Grande). GEOGRAFIA • Esquema corporal: - mapa do corpo; - noções de direita e esquerda; - reconhecimento e representação do corpo, suas partes e funções, expressão corporal. • Elementos da paisagem; - elementos da natureza (ar, água, solo, plantas, animais e pedra). ENSINO RELIGIOSO • Eu: - eu e os outros; - a religião no cotidiano da minha vida. LINGUAGEM MATEMÁTICA ORGANIZAÇÃO CURRICULAR PARA OS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DE 9 ANOS 1º ANO 1º TRIMESTRE EIXOS: MEIO AMBIENTE - Constituição dos sujeitos: na interação do homem com o meio em que vive e suas relações de interdependência; - quem sou eu? - quem é minha família? HABITAÇÃO Bens da cidadania: direito de moradia. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 112266 -- • Números e operações: - História dosnúmeros, seqüências, ordenação, classificação, seriação, comparação; - Agrupamentos; - Conservação: - Idéia de juntar quantidades: adição a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos...; - Idéia de tirar quantidades: subtração (idéia aditiva, subtrativa e comparativa) a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Noções de multiplicação (como adição de parcelas iguais e proporção), a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Noções de divisão (como idéia subtrativa e repartitiva), a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Cálculo mental. • Medidas: - Função social dos instrumentos de medida; - Medidas arbitrarias e padrão; - Medidas de comprimento, massa. • Tempo: - Seqüência temporal: dia / noite /manhã/tarde /semana /mês/ ano; - construção do calendário; - Sistema monetário, identificação do uso das cédulas e moedas, composição e decomposição de valores. LÍNGUA PORTUGUESA (VERIFICAR TABELAS 7 E 8) EIXO CONHECIMENTOS / CONTEÚDOS - 1º TRIMESTRE H A B I T A Ç Ã O ESTUDOS DA NATUREZA E DA SOCIEDADE HISTÓRIA • Bens da Cidadania: habitação, abrigo, acampamento, casa de passagem, ocupação, residência e outros. CIÊNCIAS • Terra - planeta em que vivemos – característica, uso racional do solo, habitação, produção de alimentos e empobrecimento do solo. GEOGRAFIA • Espaço, paisagem e lugar: - representação de espaços conhecidos: sala de aula, cômodos da casa, utilizando medidas não convencionais (passos, palmos); - representação da escola e do itinerário casa-escola (maquetes, mapas, fotografia, desenhos); - espaços da escola, suas funções e relações; - localização do objeto no espaço: lateralidade (à direita de, à esquerda de), anterioridade (em frente de, atrás de) e profundidade (longe, perto, em cima, embaixo). • Elementos da paisagem: - os diferentes lugares do bairro: tipos de moradia, casas comerciais, templos, áreas de lazer e cultura (parques, áreas verdes, áreas degradadas, escolas, teatros, cinemas, bibliotecas, entre outros). ENSINO RELIGIOSO - conhecendo as tradições religiosas presentes na nossa turma. LINGUAGEM MATEMÁTICA • Números e operações: - Antecessor e sucessor, pares e ímpares, agrupamentos; - Idéia de juntar quantidades: adição a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos...; - Idéia de tirar quantidades: subtração (idéia aditiva, subtrativa e comparativa) a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Noções de multiplicação (como adição de parcelas iguais e proporção), a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala Cuisenaire...; - Noções de divisão (como idéia subtrativa e repartitiva), a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Cálculo mental. • Medidas: - Função social dos instrumentos de medida, medidas arbitrárias e padrão; - Medidas de comprimento; - Tempo: seqüência temporal: dia / noite /manhã/tarde /semana /mês/ ano; - construção do calendário. • Geometria: - Noções topológicas que envolvem relações num mesmo objeto ou entre um objeto e outros elementos do espaço; - Noções básicas de figuras planas: quadrado, retângulo, triângulo e circunferência. LÍNGUA PORTUGUESA (VERIFICAR TABELAS 7 E 8) ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 112277 -- RELAÇÕES: FAMILIARES, RELIGIOSAS, ECONÔMICAS, ÉTNICAS, ÉTICAS, POLÍTICAS, CULTURAIS E SOCIAIS. TABELA 5 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – 2º TRIMESTRE/ 1º ANO EIXO CONHECIMENTOS / CONTEÚDOS - 2º TRIMESTRE T R A B A L H O ESTUDOS DA NATUREZA E DA SOCIEDADE HISTÓRIA • Profissões. • Trabalho infantil e atividade da criança. - vestuário: roupas para passear, para dormir, para trabalhar, para ir à escola e outros; - transporte: ônibus coletivo, bicicleta, carrocinhas, motos, carros e outros; - meios de comunicação: rádio, TV, jornal, outdoor, alto-falante, panfletos, internet e outros. CIÊNCIAS • saúde do homem: - prevenção de acidentes. • Ação transformadora do homem na natureza: - preservação e poluição (arborização, coleta de lixo, reciclagem); - tecnologia; GEOGRAFIA • Elementos da paisagem: - atividades produtivas; - diferentes atividades e modo de produzir; ENSINO RELIGIOSO - Saber conviver com as diferenças. LINGUAGEM MATEMÁTICA • Números e operações: - Idéia de juntar quantidades: adição a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos...; - Idéia de tirar quantidades: subtração (idéia aditiva, subtrativa e comparativa) a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Noções de multiplicação (como adição de parcelas iguais e proporção), a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Noções de divisão (como idéia subtrativa e repartitiva), a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Estatística: tabelas, pictogramas, gráficos de barras e colunas, (incluir na grade) - Cálculo mental. • Medidas: - Tempo: - Seqüência temporal: dia / noite /manhã/tarde /semana /mês/ ano; - construção do calendário; Geometria: - Noções topológicas que envolvem relações num mesmo objeto ou entre um objeto e outros elementos do espaço; - Noções básicas de figuras planas: quadrado, retângulo, triângulo e circunferência. LÍNGUA PORTUGUESA (VERIFICAR TABELAS 7 E 8) EIXO CONHECIMENTOS / CONTEÚDOS - 2º TRIMESTRE ESTUDOS DA NATUREZA E DA SOCIEDADE HISTÓRIA • Bens da Cidadania: lazer: praças, teatros, parques,leituras, cinemas e outros. • As diferentes manifestações culturais da comunidade: ORGANIZAÇÃO CURRICULAR PARA OS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DE 9 ANOS 1º ANO 2º TRIMESTRE EIXOS TRABALHO - Constituição dos sujeitos na organização do trabalho: - relações do trabalho nesta sociedade; - relações sociais e culturais. LAZER - Bens da cidadania:Direito ao lazer. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 112288 -- L A Z E R - diferentes tipos de brinquedos e brincadeiras praticados pelas crianças e pelos seus pais. • Regras de convivência: - direito e deveres das crianças; - regras de convivência formal (escola) e informal (familia); - a importância do respeito às regras combinadas; - respeito à diversidade cultural, étnica (índio, imigrante e afrodescendente), religiosa, de gênero, etária (criança, idoso), pessoas com necessidades especiais; - vestuário: roupas para passear, para dormir, para trabalhar, para ir a escola e outros. CIÊNCIAS • Ação transformadorado homem na natureza: - preservação e poluição (arborização, coleta de lixo, reciclagem); • Preservação do meio ambiente (reciclagem), no município de Fazenda Rio Grande. • Saúde do homem. • Prevenção de acidentes. GEOGRAFIA • Elementos da paisagem: - os diferentes lugares do bairro: áreas de lazer e cultura (parques, áreas, verdes, áreas degradadas, escolas, teatros, cinemas, biblioteca, entre outros) ENSINO RELIGIOSO - Saber conviver com as diferenças. LINGUAGEM MATEMÁTICA • Números e operações: - Idéia de juntar quantidades: adição a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos...; - Idéia de tirar quantidades: subtração (idéia aditiva, subtrativa e comparativa) a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Noções de multiplicação (como adição de parcelas iguais e proporção), a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Noções de divisão (como idéia subtrativa e repartitiva), a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Operações com números naturais: adição e subtração; - Cálculo mental, composição e decomposição, valor posicional; - Proporcionalidade - Estatística: tabelas, pictogramas, gráficos de barras e colunas. • Medidas: - Relações entre os objetos a partir de um ponto de referência; - Medida arbitrária; - Tempo: - Seqüência temporal: dia / noite /manhã/tarde /semana /mês/ ano; - Construção do calendário. LÍNGUA PORTUGUESA (VERIFICAR TABELAS 7 E 8) ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 112299 -- RELAÇÕES: FAMILIARES, RELIGIOSAS, ECONÔMICAS, ÉTNICAS, ÉTICAS, POLÍTICAS, CULTURAIS E SOCIAIS. TABELA 6 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – 3º TRIMESTRE/ 1º ANO EIXO CONHECIMENTOS / CONTEÚDOS - 3º TRIMESTRE S A Ú D E / S E X U A L I D A D E ESTUDOS DA NATUREZA E DA SOCIEDADE HISTÓRIA • Bens da cidadania: higiene, alimentação: café da manhã, almoço, lanche e jantar, saúde: atendimento público e atendimento privado. CIÊNCIAS • Homem: saúde do homem (física e mental), necessidades básicas (higiene). • Ação transformadora do homem na natureza: - preservação e poluição (arborização, coleta de lixo, reciclagem), saneamento básico: origem e destino do lixo, dejetos humanos; - tecnologia. GEOGRAFIA • Esquema corporal, mapa do corpo, noções de direita e esquerda, reconhecimento e representação do corpo, suas partes e funções. • Expressão corporal. ENSINO RELIGIOSO • Saber conviver com as diferenças. LINGUAGEM MATEMÁTICA • Números e operações: - Idéia de juntar quantidades: adição a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos...; - Idéia de tirar quantidades: subtração (idéia aditiva, subtrativa e comparativa) a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Noções de multiplicação (como adição de parcelas iguais e proporção), a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Noções de divisão (como idéia subtrativa e repartitiva), a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Operações com números naturais: adição e subtração; - Cálculo mental; - Proporcionalidade; - Estatística: tabelas, pictogramas, gráficos de barras e colunas.(incluir na grade). • Medidas: - Tempo: seqüência temporal: dia / noite /manhã/tarde /semana /mês/ ano; - construção do calendário; - comprimento/massa/capacidade. • Geometria: - Contornos de figuras espaciais (desenho de uma de suas faces). LÍNGUA PORTUGUESA (VERIFICAR TABELAS 7 E 8) EIXO CONHECIMENTOS / CONTEÚDOS - 3º TRIMESTRE E D U C A Ç Ã O ESTUDOS DA NATUREZA E DA SOCIEDADE HISTÓRIA • Regras de convivência: - direito e deveres das crianças; • As diferentes manifestações culturais da comunidade: - diferentes manifestações culturais presentes no cotidiano: aniversários, batizado, casamento, funeral e outros. - tradições e hábitos familiares (almoço de domingo, jogo de futebol, presentear e outros) • Bens da Cidadania: - vestuário: roupas para passear, para dormir, para trabalhar, para ir a escola e outros; - transporte: ônibus coletivo, bicicleta, carrocinhas, motos, carros e outros; - meios de comunicação: rádio, TV, jornal, outdoor, alto-falante, panfletos, internet e outros. ORGANIZAÇÃO CURRICULAR PARA OS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DE 9 ANOS 1º ANO 3º TRIMESTRE EIXO SAÚDE/SEXUALIDADE – CORPO HUMANO - Bens da cidadania: relação homem – homem, relação homem – natureza, qualidade de vida. EDUCAÇÃO - Bens da cidadania: direito a educação. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 113300 -- CIÊNCIAS • Ação transformadora do homem na natureza: - preservação e poluição (arborização, coleta de lixo, reciclagem); - preservação do meio ambiente (reciclagem), no município de Fazenda Rio Grande. GEOGRAFIA Espaço, paisagem e lugar: - espaços da escola, suas funções e relações; - localização da escola no bairro, identificação dos elementos do espaço (pontos de referências); - representação da escola e do itinerário casa-escola (maquetes, mapas, fotografia, desenhos); • Elementos da paisagem: - os códigos criados pela sociedade para organizar o espaço: horizontal, placas de orientação (com nomes de ruas, praças indicação de direções, entre outros). ENSINO RELIGIOSO • Os símbolos na minha vida. LINGUAGEM MATEMÁTICA • Números e operações: - Idéia de juntar quantidades: adição a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos...; - Idéia de tirar quantidades: subtração (idéia aditiva, subtrativa e comparativa) a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Noções de multiplicação (como adição de parcelas iguais e proporção), a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Noções de divisão (como idéia subtrativa e repartitiva), a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Operações com números naturais: adição e subtração; - Cálculo mental; - Proporcionalidade; - Estatística: tabelas, pictogramas, gráficos de barras e colunas. (incluir na grade) • Medidas: - Tempo: seqüência temporal: dia / noite /manhã/tarde /semana /mês/ ano; - construção do calendário. LÍNGUA PORTUGUESA (VERIFICAR TABELAS 7 E 8) ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 113311 -- TABELA 7 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS– LÍNGUA PORTUGUESA /1º ANO LÍNGUA PORTUGUESA/ENSINO FUNDAMENTAL 1º ANO O trabalho com Língua Portuguesa, deverá garantir, em sala de aula, momentos direcionados à leitura (pelo professor e/ou pelos próprios alunos) e análise dos textos lidos. Essa análise deve englobar questões orais e escritas para a interpretação do conteúdo dos textos e , também, para análise dos recursos lingüísticos empregados pelo autor. A oralidade e a produção textual do aluno (tendo o professor como escriba e/ou em forma de desenho, para os que não dominam os códigos ainda, e escrita, para os que já estão avançados, com o fim de ampliar o direito a ler e escrever na condição do letramento). Quanto à prática de reestruturação textual, é necessário ser constante, pois é por meio dela que o aluno aprimora sua forma de escrever. Gêneros INSTRUCIONAIS Receita História em quadrinhos HUMORÍSTICOS Tiras Bilhete Cartão Convite EPISTOLARES Aviso Conto Fábula Lenda Letra de música LITERÁRIOS Poema Trava - língua Adivinhas Quadrinhas Cantiga de roda FOLCLÓRICOS Parlendas ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 113322 -- TABELA 8 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – PRÁTICAS DA LÍNGUA PORTUGUESA /1º ANO LÍNGUA PORTUGUESA/ENSINO FUNDAMENTAL Contemplados em todos os eixos, atendendo à especificidade dos gêneros 1º ANO LÍNGUA PORTUGUESA 1º TRIMESTRE • Prática da leitura; • Prática da produção textual (oral, escrita pictórica e gráfica, reestruturação); • Prática de análise Lingüística; - Idéia de representação; - Escrita como sistema de representação; - Alfabeto como conjunto de símbolos convencionais da escrita; - Ordem alfabética em situações concretas, como, por exemplo, a ordem alfabética em uma agenda; - Letras do alfabeto, diferenciando-as de desenhos e outros sinais gráficos; - Comparação de número de letras entre as palavras; - Relação fonema(sons)/grafema(tetras); • Valor sonoro das partes iniciais e/ou finais de palavras; • Direção da escrita; • Alinhamento da escrita; • Espaçamento entre palavras - Unidade temática: - Identificar finalidade de gêneros, como, por exemplo, convite, anúncio publicitário, apoiando-se em suas características gráficas como imagens e em seu modo de apresentação; - Elementos de apresentação (título ou vocativo, data, autor); Unidade estrutural: - Gêneros textuais mais próprios do contexto escolar e mais familiares, com base em características gráficas; - Seqüência lógica, paragrafação, sinais de acentuação, sinais gráficos (til, trema, hífen, cedilha, apóstrofo); - Elementos coesivos (pronomes, sinônimos); - Ampliação vocabular. (Substantivo,adjetivos); - Concordância verbal (tempos presente, passado e futuro e número: singular e plural); - Concordância nominal (flexão de gênero e número do substantivo); - Uso de letras maiúsculas e minúsculas; - Leitura de palavras contextualizadas, escrita com vários tipos de letras; - Sinais de pontuação (ponto-final, interrogação, exclamação); - Legibilidade (traçado correto das letras); - Segmentação das palavras; - Número de silabas de palavras; - Palavras como unidades gráficas num texto; - Discurso direto e indireto; - Inferências sobre o assunto de um texto a partir de título, subtítulo, capa e imagem; - Elementos que compõem a narrativa, como tempo, espaço e personagem. LÍNGUA PORTUGUESA 2º E 3º TRIMESTRE � Prática da leitura; • Prática da produção textual (oral, escrita pictórica e gráfica, reestruturação); • Prática de análise Lingüística; - Idéia de representação; - Escrita como sistema de representação; - Alfabeto como conjunto de símbolos convencionais da escrita; - Ordem alfabética em situações concretas, como, por exemplo, a ordem alfabética em uma agenda; - Letras do alfabeto, diferenciando-as de desenhos e outros sinais gráficos; - Comparação de número de letras entre as palavras; - Relação fonema(sons)/grafema(tetras); • Valor sonoro das partes iniciais e/ou finais de palavras; • Direção da escrita; • Alinhamento da escrita; • Espaçamento entre palavras - Identificação de diferentes padrões silábicos: CV- (ex.: sílaba) V - (ex.: a-ba-ca-te) CVC - (ex.: tex-to, ve-ri-fi-car) CCV - (ex.: pa-la-vra); - Palavras e unidades fonológicas ou segmentos sonoros como rimas, sílabas (em diversas posições) e aliterações (repetições de um fonema numa frase ou palavra); - princípios e as regras ortográficas do sistema de escrita, considerando as correspondências entre grafemas e fonemas que são invariáveis, como P, B,V. F.; - as correspondências que dependem da posição (s no início e entre vogais); - Direção da escrita, alinhamento da escrita, espaçamento entre palavras; ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 113333 -- - Unidade temática: - Identificar finalidade de gêneros, como, por exemplo, convite, anúncio publicitário, apoiando-se em suas características gráficas como imagens e em seu modo de apresentação; - Elementos de apresentação (título ou vocativo, data, autor); Unidade estrutural: - Gêneros textuais mais próprios do contexto escolar e mais familiares, com base em características gráficas; - Seqüência lógica, paragrafação, sinais de acentuação, sinais gráficos (til, trema, hífen, cedilha, apóstrofo); - Elementos coesivos (pronomes, sinônimos); - Ampliação vocabular. (Substantivo,adjetivos); - Concordância verbal (tempos presente, passado e futuro e número: singular e plural); - Concordância nominal (flexão de gênero e número do substantivo); - Uso de letras maiúsculas e minúsculas; - Leitura de palavras contextualizadas, escrita com vários tipos de letras; - Sinais de pontuação (ponto-final, interrogação, exclamação); - Legibilidade (traçado correto das letras); - Segmentação das palavras; - Número de silabas de palavras; - Palavras como unidades gráficas num texto; - Discurso direto e indireto; - Localização de informação em frases de padrão sintático simples (sujeito + verbo + objeto) e em período composto em ordem direta; - Inferências sobre o assunto de um texto a partir de título, subtítulo, capa e imagem; - Elementos que compõem a narrativa, como tempo, espaço e personagem. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 113344 -- RELAÇÕES: FAMILIARES,RELIGIOSAS, ECONÔMICAS, ÉTNICAS, ÉTICAS, POLÍTICAS, CULTURAIS E SOCIAIS. TABELA 9 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – 1º TRIMESTRE/ 2º ANO EIXO CONHECIMENTOS / CONTEÚDOS – 1º TRIMESTRE M E I O A M B I E N T E ESTUDOS DA NATUREZA E DA SOCIEDADE HISTÓRIA • Construção da identidade do aluno: - história do aluno, história do nome e sobrenome, nascimento; - pessoas com as quais convive: familiares, amigos e outros grupos; - participação dos integrantes da família nos diferentes grupos sociais: família, escola, comunidade; - as diferentes estruturas familiares hoje e o cotidiano das famílias hoje; - crianças de outros tempos: infância das pessoas com as quais convive. CIÊNCIAS • Ecossistemas: relações de interdependência entre sistema biótíco e abiótico (homem, ar, água, sol, solo e seres vivos); - Sistema solar: apresentação dos planetas e suas órbitas; - Corpos celestes: Lua, estrela /Lua (satélite natural da Terra), fases da Lua; • Estações do ano: - características: frio, calor, úmido, seco, ciclos/tempo, característica; - translação (estações do ano). GEOGRAFIA Esquema corporal, mapa do corpo, noções de direita e esquerda, reconhecimento e representação do corpo e suas partes e funções, expressão corporal; • Elementos da paisagem: • Elementos da natureza (ar, água,solo, plantas, animais e pedras): - paisagem produzida pela ação humana: caminhos, moradias; • Mudanças e permanências. ENSINO RELIGIOSO - Eu e os outros; LINGUAGEM MATEMÁTICA • Números e operações: - História dos números, seqüências, ordenação, classificação, Seriação; - Comparação, agrupamentos, composição e decomposição, antecessor e sucessor, valor posicional, pares e ímpares; - Idéia de juntar quantidades: adição a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos...; - Idéia de tirar quantidades: subtração (idéia aditiva, subtrativa e comparativa) a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Noções de multiplicação (como adição de parcelas iguais e proporção), a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Noções de divisão (como idéia subtrativa e repartitiva), a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Cálculo mental. - Estatística: tabelas, pictogramas,gráficos de barras e colunas. • Medidas: Medidas arbitrária e padrão, função social da medida; Tempo: seqüência temporal: dia / noite /manhã/tarde /semana /mês/ ano, construção do calendário, uso do relógio; - sistema monetário; - identificação do uso das cédulas e moedas, composição e decomposição de valores; • Geometria: - Noções básicas de figuras planas: quadrado, retângulo, triângulo e circunferência. LÍNGUA PORTUGUESA (VERIFICAR TABELAS 12 E 13) ORGANIZAÇÃO CURRICULAR PARA OS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DE 9 ANOS 2º ANO 1º TRIMESTRE EIXOS: MEIO AMBIENTE - Construção do sujeito na Interação do homem com o meio em que vive e suas relações de interdependência; - Quem sou eu? Quem é a minha família? 1º TRIMESTRE – HABITAÇÃO - Bens da cidadania: direito de moradia. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 113355 -- EIXO CONHECIMENTOS / CONTEÚDOS – 1º TRIMESTRE H A B I T A Ç Â O ESTUDOS DA NATUREZA E DA SOCIEDADE HISTÓRIA • Bens da Cidadania: habitação, abrigo, acampamento, casa de passagem, ocupação, residência e outros. CIÊNCIAS - sistema solar: apresentação dos planetas e suas órbitas; - Terra - planeta em que vivemos, característica: - uso racional do solo, habitação, produção de alimentos e empobrecimento do solo; Sol - Sol: fonte de luz e calor /Corpos celestes: Lua, estrela /Lua (satélite natural da Terra) fases da lua, projeção de sombra. GEOGRAFIA • Espaço, paisagem e lugar: - representação de espaços conhecidos: cômodos da casa, utilizando medidas não convencionais; - localização do objeto no espaço: lateralidade (à direita de, à esquerda de), anterioridade (em frente de, atrás de) e profundidade (longe, perto, em cima, embaixo); - Paisagens produzidas pela ação humana: caminhos e moradias; - Mudanças e permanências; - Elementos da paisagem:os diferentes lugares do bairro: tipos de moradia. ENSINO RELIGIOSO - Eu e o outro. Saber conviver com as diferenças; - A religião no cotidiano da minha vida. (família) LINGUAGEM MATEMÁTICA • Números e operações: - operações com números naturais: adição e subtração; - SND – Sistema de numeração decimal /Valor posicional; - Noções de multiplicação (como adição de parcelas iguais e proporção) a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Noções de divisão (como idéia subtrativa e repartitiva), a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Agrupamentos / construção da tabuada; CIÊNCIAS Ecossistemas: relações de interdependência entre sistema biótico e abiótico (homem, ar, água, sol, solo e seres vivos); • Homem: - saúde do homem; - prevenção de acidentes; - características gerais; - habitat, locomoção; - corpo humano: diferenças, órgãos dos sentidos, partes estruturais; - necessidades básicas (higiene); - reprodução; • Relações com os animais e vegetais: - Animais (características gerais, habitat, locomoção, alimentação, defesa, reprodução; - Vegetais (características gerais, classificação das partes principais, relações com os homens e com os animais, plantas medicinais; • Solo: relações com animais, vegetais e com o homem: - composição, tipos e sua importância, uso racional do solo, habitação, produção de alimentos e empobrecimento do solo; - cadeia alimentar: seres produtores, consumidores e decompositores. • Água: importância, uso racional, onde ela é encontrada, estado sólido, líquido e gasoso, propriedade inodora, insípida e incolor (doce, salgada). Ar: a importância do ar para os seres vivos (fotossíntese e respiração), relações com cálculo mental; - Proporcionalidade; - Estatística: tabelas, pictogramas, gráficos de barras e colunas.(incluir na grade) • Medidas: - função social dos instrumentos de medida: medidas arbitraria, medidas padrão; - Medidas de comprimento. Uso de diferentes unidades padrões e símbolos: metro(m) a partir de práticas do cotidiano, sistema monetário, identificação do uso das cédulas e moedas; - Composição e decomposição de valores, comparação entre as grandezas da mesma espécie; - relações entre os objetos a partir de um ponto de referência; Tempo: seqüência temporal: dia / noite /manhã/tarde /semana /mês/ ano; - construção do calendário,uso de relógio; • Geometria: - Noções topológicas que envolvem relações num mesmo objeto ou entre um objeto e outros elementos do espaço; - Noções básicas de figuras planas: quadrado, retângulo, triângulo e circunferência; Contornos de figuras espaciais (desenho de uma de suas faces). LINGUA PORTUGUESA (VERIFICAR TABELAS 12 E 13) ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ -- 113366 -- 2º ANO RELAÇÕES: FAMILIARES, RELIGIOSAS, ECONÔMICAS, ÉTNICAS, ÉTICAS, POLÍTICAS, CULTURAIS E SOCIAIS. TABELA 10 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – 2º TRIMESTRE/ 2º ANO EIXO CONHECIMENTOS / CONTEÚDOS – 2º TRIMESTRE T R A B A L H O ESTUDOS DA NATUREZA E DA SOCIEDADE HISTÓRIA -Trabalho: - base da economia da família; - relações de trabalho nesta e em outra sociedade; - mudanças históricas do processo de trabalho; - profissões - trabalho da criança /trabalho assalariado/ trabalho escravo/ desemprego; - vestuário: roupas para passear, para dormir, para trabalhar, para ir à escola e outros; - transporte: ônibus coletivo, bicicleta, carrocinhas, motos, carros e outros. CIÊNCIAS Homem: - características gerais, saúde do homem (saúde física e mental), prevenção de acidentes. GEOGRAFIA - os diferentes lugares do bairro: casas comerciais, atividades produtivas; - diferentes atividades e modos de produzir, produtos industrializados e produtos in natura. ENSINO RELIGIOSO - eu e os outros, saber conviver com as diferenças; - Transcendente na minha vida; - o Transcendente tem nome. LINGUAGEM MATEMÁTICA • Números e operações: - Operações, números naturais: adição e subtração, sistema de numeração decimal (SND), valor posicional; - Noções de multiplicação (como adição de parcelas iguais e proporção), a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Noções de divisão (como idéia subtrativa e repartitiva), a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Agrupamento /construção da tabuada, cálculo mental; proporcionalidade; - Estatística: tabelas, pictogramas, gráficos de barras e colunas. • Medidas: - função social dos instrumentos de medida; Medida arbitrária e Medida padrão; - Tempo: - Seqüência temporal: dia / noite /manhã/tarde /semana /mês/ ano, construção do calendário, medida de valor: sistema monetário, identificação do uso das cédulas e moedas, composição e decomposição de valores. LINGUA PORTUGUESA (VERIFICAR TABELAS 12 E 13) EIXO CONHECIMENTOS / CONTEÚDOS – 2º TRIMESTRE L A Z E R HISTÓRIA - Bens da Cidadania: função social dos diferentes tipos de brinquedos e brincadeiras nesta e em outras sociedades; - diferentes tipos de brinquedos e brincadeiras praticados pelas crianças e pelos seus pais; - análise de diferenças, semelhanças, permanências e mudanças dos brinquedos; - brincadeiras nesta e outras sociedades; - construção de diferentes tipos de brinquedos que permitam analisar regras sociais; - lazer: praças, teatros, parques, leituras, cinemas e outros; - diferentes manifestações culturais presentes no cotidiano: aniversários, batizado, casamento e outros; - tradições e hábitos familiares (almoço de domingo, jogo de futebol, presentear e outros); - As diferentes manifestações culturais da comunidade; CIÊNCIAS • saúde do homem ( saúde física e mental), prevenção de acidentes. ORGANIZAÇÃO CURRICULAR PARA OS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DE 9 ANOS 2º ANO 2º TRIMESTRE EIXOS: TRABALHO - Constituição dos sujeitos na organização do trabalho: relações do trabalho nesta sociedade e relações sociais e culturais. LAZER - Bens da cidadania: direito ao lazer. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 113377 -- - Ação transformadora do homem na natureza (espaços de lazer) ; - preservação e poluição (arborização, coleta de lixo, reciclagem) ; • Tecnologia. GEOGRAFIA • Elementos da paisagem: - os diferentes lugares do bairro: áreas de lazer e cultura (parques, áreas verdes, áreas degradadas, escolas, teatros, cinemas, bibliotecas entre outros). ENSINO RELIGIOSO - Eu e o outro; - Saber conviver com as diferenças. LINGUAGEM MATEMÁTICA • Números e operações: - operações com números naturais: adição e subtração; - SND – Sistema de numeração decimal, valor posicional; - Noções de multiplicação (como adição de parcelas iguais e proporção) a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Noções de divisão (como idéia subtrativa e repartitiva) a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Agrupamentos (construção da tabuada), cálculo mental, proporcionalidade; - Estatística: tabelas, pictogramas, gráficos de barras e colunas. • Medidas: - função social dos instrumentos de medida; - medidas arbitraria, medidas padrão; Medidas de comprimento: - Uso de diferentes unidades padrões e símbolos: metro(m) a partir de práticas do cotidiano; - Sistema monetário; identificação do uso das cédulas e moedas - Composição e decomposição de valores - Comparação entre as grandezas da mesma espécie. - relações entre os objetos a partir de um ponto de referência Tempo: - Seqüência temporal: dia / noite /manhã/tarde /semana /mês/ ano; - construção do calendário, uso de relógio; • Geometria: - Noções topológicas que envolvem relações num mesmo objeto ou entre um objeto e outros elementos do espaço; - Noções básicas de figuras planas: quadrado, retângulo, triângulo e circunferência. LINGUA PORTUGUESA (VERIFICAR TABELAS 12 E13) ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 113388 -- RELAÇÕES: FAMILIARES, RELIGIOSAS, ECONÔMICAS, ÉTNICAS, ÉTICAS, POLÍTICAS, CULTURAIS E SOCIAIS. TABELA 11 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – 3º TRIMESTRE/ 2º ANO EIXO CONHECIMENTOS / CONTEÚDOS - 3º TRIMESTRE S A Ú D E / S E X U A L I D A D E ESTUDOS DA NATUREZA E DA SOCIEDADE HISTÓRIA • Bens da cidadania: - higiene; - vestuário: roupas para passear, para dormir, para trabalhar, para ir à escola e outros; - alimentação: café da manhã, almoço, lanche e jantar; - saúde: atendimento público e atendimento privado. CIÊNCIAS • Homem: - saúde do homem (saúde física e mental) ; - necessidades básicas (higiene) ; - plantas medicinais; - cadeia alimentar: seres produtores, consumidores e decompositores; - sol: (benefício e malefício) efeitos da radiação; - saneamento básico:dejetos humanos e tecnologia. GEOGRAFIA • Elementos da paisagem: - atividades produtivas: diferentes atividades e modos de produzir; - produtos industrializados e produtos in natura ( agrotóxicos x orgânicos) ; ENSINO RELIGIOSO − Saber conviver com as diferenças. LINGUAGEM MATEMÁTICA • Números e operações: - operações com números naturais: adição, subtração, multiplicação e divisão; SND – Sistema de numeração decimal, valor posicional; - Agrupamentos, construção da tabuada, cálculo mental, proporcionalidade;- Estatística: tabelas, pictogramas, gráficos de barras e colunas. • Medidas: - função social dos instrumentos de medida, medidas arbitraria, medidas padrão; - Sistema monetário, identificação do uso das cédulas e moedas; - Composição e decomposição de valores ; - Comparação entre as grandezas da mesma espécie; - relações entre os objetos a partir de um ponto de referência; - Tempo: - Seqüência temporal: dia / noite /manhã/tarde /semana /mês/ ano; - construção do calendário, uso de relógio; - Medidas de capacidade , massa e volume: Uso de diferentes unidades padrões e símbolos: metro(m), litro(l) e quilograma (Kg) a partir de práticas do cotidiano. • Geometria: - Contorno de figuras espaciais (desenho de uma de suas faces). LÍNGUA PORTUGUESA (VERIFICAR TABELAS 12 E 13) EIXO CONHECIMENTOS / CONTEÚDOS - 3º TRIMESTRE HISTÓRIA • Bens da Cidadania: - meios de comunicação: rádio, TV, jornal, outdoor, alto-falante, panfletos, internet e outros; - Mídia presentes no cotidiano das crianças e das outras pessoas: - meios multimídias nos diferentes tempos e espaços; - influência da mídia no modo de viver das pessoas hoje; - educação: acesso e permanência no Ensino Fundamental, na Educação de Jovens e Adultos e Educação ORGANIZAÇÃO CURRICULAR PARA OS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DE 9 ANOS 2º ANO 3º TRIMESTRE EIXOS: SAÚDE/SEXUALIDADE - CORPO HUMANO - Bens da cidadania: qualidade de vida. EDUCAÇÃO - Bens da cidadania: direito à educação, fatores que desencadeiam o direito negado à educação na sociedade em que vivemos. ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 113399 -- E D U C A Ç Ã O Especial; - Folclore: compreensão das relações culturais presentes na organização do povo:(rural, urbano, étnicas e outros) ; • Regras de convivência: - direito e deveres das crianças; - regras de convivência formal (escola) e informal (família); - a importância do respeito às regras combinadas. CIÊNCIAS • Ação transformadora do homem na natureza: - preservação e poluição (arborização, coleta de lixo, reciclagem); - origem e destino do lixo; - preservação do meio ambiente (reciclagem) no município de Fazenda Rio Grande; - tecnologia. GEOGRAFIA • Espaço, paisagem e lugar: espaços da escola, suas funções e relações; - localização da escola no bairro, identificação dos elementos do espaço (pontos de referências): - representação da escola e do itinerário casa-escola (maquetes, mapas, fotografia, desenhos); • Elementos da paisagem: os códigos criados pela sociedade para organizar o espaço: horizontal, placas de orientação com nomes de ruas e praças; ENSINO RELIGIOSO - as religiões e a construção da Paz: saber viver com as diferenças, as diferenças religiosas e suas riquezas, conhecendo as tradições religiosas presentes na nossa turma. LINGUAGEM MATEMÁTICA • Números e operações: - Operações com números naturais: adição e subtração; - Agrupamentos, construção da tabuada, sistema de numeração decimal; - Valor posicional, dezena, dobro, metade e dúzia; - Noções de multiplicação (como adição de parcelas iguais e proporção), a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Noções de divisão (como idéia subtrativa e repartitiva), a partir de objetos, brinquedos, blocos lógicos, material dourado, ábaco, escala cuisenaire...; - Cálculo mental, igual e desigual; proporcionalidade, estatística: tabelas, pictogramas, gráficos de barras e colunas. • Medidas: - função social dos instrumentos de medida, medida arbitrária, medida padrão; - Tempo e valor: seqüência temporal: dia / noite /manhã/tarde /semana /mês/ ano; - construção do calendário; - sistema monetário, identificação do uso das cédulas e moedas, composição e decomposição de valores. • Geometria -Contorno das figuras espaciais (desenho de uma de suas faces). LINGUA PORTUGUESA (VERIFICAR TABELAS 12 E 13) ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 114400 -- TABELA 12 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – LÍNGUA PORTUGUESA /2º ANO LÍNGUA PORTUGUESA/ENSINO FUNDAMENTAL - 2º ANO O trabalho com Língua Portuguesa deverá garantir, em sala de aula, momentos direcionados à leitura (pelo professor e/ou pelos próprios alunos) e análise dos textos lidos. Essa análise deve englobar questões orais e escritas para a interpretação do conteúdo dos textos e , também, para análise dos recursos lingüísticos empregados pelo autor. A oralidade e a produção textual do aluno (tendo o professor como escriba e/ou em forma de desenho, para os que não dominam os códigos ainda, e escrita, para os que já estão avançados, com o fim de ampliar o direito a ler e escrever na condição do letramento). Quanto à prática de reestruturação textual, é necessário ser constante, pois é por meio dela que o aluno aprimora sua forma de escrever. Gêneros Propaganda Capa de revista PUBLICITÁRIO Outdoors Receitas INSTRUCIONAIS Rótulo História em Quadrinho Piadas/ Anedotas HUMORÍSTICOS Tiras Bilhete Cartão Convite Aviso EPISTOLARES Carta Conto Fábula Lenda Letra de Música LITERÁRIOS Poema Trava – Língua Adivinhas Quadrinhas Parlendas FOLCLÓRICOS Cantigas de Roda ____________________________________________________________________________ FFaazzeennddaa RRiioo GGrraannddee –– 22000088 ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ -- 114411 -- TABELA 13 – CONHECIMENTOS/CONTEÚDOS – PRÁTICAS DA LÍNGUA PORTUGUESA/2º ANO LÍNGUA PORTUGUESA/ENSINO FUNDAMENTAL Contemplados em todos os eixos, atendendo à especificidade dos gêneros 2º ANO LÍNGUA PORTUGUESA • Prática da leitura; • Prática da produção textual (oral, escrita pictórica e gráfica, reestruturação); • Prática de análise Lingüística; - Idéia de representação; - Escrita como sistema de representação; - Alfabeto como conjunto de símbolos convencionais da escrita; - Ordem alfabética em situações concretas, como, por exemplo, a ordem alfabética em uma agenda; - Letras do alfabeto, diferenciando-as de desenhos e outros sinais gráficos; - Comparação de número de letras entre as palavras; - Relação fonema/grafema; - Valor sonoro das partes iniciais e/ou finais de palavras; - Identificação de diferentes padrões silábicos: CV- (ex.: sílaba) V - (ex.: a-ba-ca-te) CVC - (ex.: tex-to, ve-ri-fi-car) CCV - (ex.: pa-la-vra); - Palavras e unidades fonológicas ou segmentos sonoros como rimas, sílabas (em diversas posições) e aliterações (repetições de um fonema