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Condutas prticas em UTI

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do efeito desejado. 
 Midazolam (5 mg/mL): preparar solução decimal a 1,5 mg/mL (3 mL de 
midazolam em 7 mL de AD) e administrar 2 mL até obtenção do nível de 
sedação desejado. 
 Propofol (10 mg/mL): 20 a 50 mg EV (2 a 5 mL); repetir doses de 20 mg até 
obtenção do nível de sedação desejado. 
 Após a CVE o paciente deve ser mantido sob oxigenioterapia até despertar. 
Caso haja demora na recuperação da sedação ou depressão respiratória, 
utilizar: 
 
 
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 Naloxone (Narcan 0,4 mg em 1 mL; antagonista de opióides): 0,4 mg ou 1 
ampola EV com incrementos de 0,1 a 0,2 mg (2,5 a 5 mL da solução 
decimal) a cada 2 a 3 minutos. 
 Flumazenil (Lanexat 0,5 mg/5 mL; antagonista de benzodiazepínicos): 0,2 
mg ou 4 mL da solução decimal EV a cada 1 minuto até o despertar ou até o 
máximo de 1 mg (02 ampolas). 
 
FIBRILAÇÃO ATRIAL E FLUTTER ATRIAL 
 
1. FA com duração menor que 48 horas 
 Pense em causas agudas tratáveis: 
 IAM 
 Hipóxia 
 Embolia pulmonar 
 Distúrbios eletrolíticos 
 Toxicidade medicamentosa (particularmente digoxina ou quinidina) 
 Tireotoxicose 
 Com instabilidade hemodinâmica: use cardioversão elétrica 
 
 
FA 
<48h 
Instável 
CVE 
Estável 
Função 
cardíaca 
normal 
Controle da FC 
Metoprolol 
Verapamil 
Conversão do 
ritmo 
Propafenona 
Amiodarona 
Função 
cardíaca 
alterada 
Amiodarona 
≥48h 
Anticoagulação 
 
 
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1.1. Paciente hemodinamicamente estável, função cardíaca normal 
Controle da frequência cardíaca: 
 Metoprolol: 5 mg EV infundido em 2 a 5 minutos; pode ser repetido intervalos 
de 5 a 10 minutos (máximo 15 mg) 
 Contra-indicações absolutas: hipotensão, broncoespasmo, bradicardia, 
bloqueio cardíaco 
 Verapamil (Dilacoron 5 mg em ampolas de 2 mL): 5 a 10 mg (0,075 a 0,15 
mg/kg) em infundido em 2 minutos; dose de repetição de 10 mg infundido em 
30 minutos após a dose inicial caso a resposta não tenha sido satisfatória. 
 Observar precauções e contraindicações detalhadas no tópico a seguir 
―Taquicardia Supraventricular‖. 
 Diltiazem (Balcor 25 e 50 mg, liofilizado): 0,25 mg/kg (15 a 20 mg) em 2 a 3 
minutos; pode ser repetido após 15 minutos na dose de 0,35 mg/kg (20 a 25 
mg) em 2 a 3 minutos. 
 
Conversão do ritmo 
 Propafenona (Ritmonorm, comprimidos 300mg e ampolas com 70 mg em 20 
mL). 
 Considerar uso antes da amiodarona em pacientes com coração normal ou 
na presença de cardiopatia mínima. Em comparação a outros agentes, a 
propafenona apresenta maior eficácia para reversão de episódios agudos de 
FA e na prevenção de recorrências. 
 Doses: 600 mg (02 comprimidos) VO ou 2 mg/kg EV em 10 a 20 minutos. 
 Efeitos colaterais: hipotensão, flutter atrial com alta resposta ventricular. 
 Contraindicações: esse agente não deve ser empregado em pacientes com 
hipertrofia ventricular esquerda, disfunção ventricular, insuficiência cardíaca 
e insuficiência coronariana devido aos riscos de efeitos pró-arrítimicos. 
 
 Amiodarona (Ancoron ampolas de 150 mg) 
 Ataque: 5 a 10 mg/kg (150 a 300 mg) EV em cerca de 20 minutos – 02 
ampolas em 100 a 250 mL de SG 5% (evitar concentrações < 150 mg/250 
mL devido ao risco de precipitação) 
 Manutenção: 900 mg/dia – 06 ampolas (18 mL) em SG5% 450 mL (2 
mg/mL) 
 360 mg em 6 horas: 30 mL/hora (1 mg/minuto) 
 540 mg em 18 horas: 15 mL/hora (0,5 mg/minuto) 
 Dose máxima cumulativa em 24 horas: 2,2 g 
 Efeitos colaterais: vasodilatação, hipotensão, prolongamento do intervalo 
QT, inotropismo negativo. 
 Contra-indicações: BAV, bradicardia severa, choque, hipotensão severa. 
 
1.2. FA em paciente hemodinamicamente estável, disfunção cardíaca (FE< 
40% ou ICC) 
 Os consensos do American College of Cardiology, da American Heart Association 
e da European Society of Cardiology recomendam a amiodarona como agente 
de primeira-linha para fibrilação atrial em pacientes com insuficiência cardíaca. 
 
Controle da frequência cardíaca 
 Amiodarona: 5 a 10 mg/kg (150 a 300 mg a cada dose). 
 Deslanosídeo (Cedilanide 0,2 mg): 0,4 a 0,8 mg. 
 
Conversão do ritmo 
 Em pacientes com disfunção ventricular severa, a amiodarona é preferível aos 
outros agentes antiarrítmicos para arritmias atriais ou ventriculares. 
 
 
 
 
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2. FA com duração maior ou igual a 48 horas ou de tempo indeterminado 
 Eventos embólicos podem ocorrer nesta situação em 1 a 7% dos pacientes 
submetidos à CV elétrica sem anticoagulação profilática. 
 Pacientes com FA de duração maior ou igual a 48 horas ou de tempo 
indeterminado devem iniciar anticoagulação imediatamente: 
 Enoxaparina subcutânea 1 mg/kg a cada 12 horas, associada a varfarina 5 
mg/dia por via oral , além de controlar a resposta ventricular. 
 O momento da CV poderá ser após 3 semanas de anticoagulação plena com INR 
terapêutico (entre 2,0 e 3,0) ou após ser submetido ao ecocardiograma 
transesofágico sem evidência de trombos intracavitários. 
 Nessas duas situações, após a CV, a anticoagulação deverá ser mantida por no 
mínimo 4 semanas. 
 
3. FA em paciente com síndrome de Wolf-Parkinson-White: 
 Amiodarona ou CVE 
 Não usar adenosina, beta-bloqueador, bloqueador de canal de cálcio ou 
digoxina, pois estes fármacos atuam principalmente sobre o nó AV e podem 
favorecer a condução pela via acessória. 
 
TAQUICARDIA SUPRAVENTRICULAR DE REENTRADA 
 Antigamente denominada taquicardia paroxística supraventricular. É um ritmo 
que se origina nos átrios ou no nó atrioventricular, resultando em resposta 
ventricular rápida. 
 Algumas vezes as manobras vagais podem abortá-las. 
 A adenosina é a segunda melhor escolha. 
 Se a TSV de reentrada recidiva ou se a adenosina falha, e se a pressão arterial 
tolerar, o verapamil é a próxima escolha. 
 Se a pressão arterial for muito baixa para tolerar o verapamil, então deve-se 
realizar a cardioversão elétrica. 
 
Manobras Vagais 
 Aumentam o tônus parassimpático e lentificam a condução através do nó AV. 
 Massagem do seio carotídeo: feita com muita cautela e monitorização de 
ECG; evitada em idosos e contra-indicada em pacientes com sopros carotídeos 
(optar por indução do vômito). 
 Complicações: AVC, síncope, bradicardia, assistolia, agravamento de bloqueios 
AV e taquiarritmias paradoxais em quadros de intoxicação digitálica. 
 Acesso EV, sulfato de atropina, lidocaína e monitoração eletrocardiográfica 
contínua devem estar disponíveis para uso imediato. 
 Vire a cabeça do paciente para a esquerda e massageie o seio carotídeo direito, 
na bifurcação carotídea, próximo ao ângulo da mandíbula. A massagem deve ser 
firme, durante não mais que 5 a 10 segundos. Pode-se repetir a massagem 
várias vezes, após pausas breves, e então, pode ser massageado o seio 
carotídeo esquerdo. 
 NUNCA FAÇA MASSAGEM BILATERAL SIMULTÂNEA! 
 
Adenosina (Adenocard; ampolas de 6 mg) 
 Pode ser dada sem perigo numa TV equivocadamente confundida com TSV de 
reentrada. Permite a diferenciação de uma taquicardia de complexo largo de 
origem incerta: 
 TSV de reentrada  pausa de assistolia 
 TV  não ocorre assistolia 
 A adenosina não aborta arritmias como a fibrilação atrial, flutter atrial ou 
taqucardias atriais ou ventriculares, uma vez que estas arritmias não se devem a 
mecanismo de reentrada envolvendo o nó AV ou nó sinusal. Contudo, o bloqueio 
AV transitório produzido pode esclarecer o ritmo subjacente. 
 
 
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