Redes   Guia Prático 2ª Edição   Carlos E. Morimoto
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Redes Guia Prático 2ª Edição Carlos E. Morimoto

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Prefácio
Quando recebi o convite para escrever o prefácio desta segunda edição do livro Redes e Servidores Linux, fiquei 
muito feliz. Afinal de contas, tenho sido um ávido usuário dos produtos que o Carlos Morimoto desenvolve e dos livros 
que escreve. Escrever este prefácio é uma oportunidade e tanto de expressar minha admiração e gratidão pelo trabalho 
de quem tanto tem contribuindo para disseminar o uso de sistemas livres no Brasil, uma causa à qual tenho me dedica -
do há muitos e muitos anos.
O trabalho mais famoso do Carlos é o Kurumin, que é uma distribuição GNU/Linux baseada no Debian e Knop-
pix. O Kurumin é extremamente fácil de usar e já ganhou diversos prêmios no Brasil, sendo usado por um número in-
contável de usuários. Além disto, o Carlos é também editor do Guia do Hardware.net e autor de diversos livros sobre 
Linux, Hardware e Redes.
Uso o Kurumin em meu trabalho e em casa, já há alguns anos. Dentre tantas opções existentes, o que me cha-
ma mais atenção no Kurumin é a sua simpatia. Parece que o sistema fala com a gente, sempre querendo nos ensinar, 
mostrando atalhos para realizar um grande número de tarefas.
Até aqueles hábitos tão comuns dos usuários de computadores, que não lêem nada e só param para pensar me -
lhor quando algo dá errado foram previstos, de forma quase que sobrenatural. Parece que tudo foi pensado. Os livros 
transmitem a mesma sensação de intimidade, de conhecimento cúmplice, em que nos contam diversos segredos de for-
ma clara, objetiva, sem esconder nada.
Sistemas operacionais livres, como GNU/Linux e suas variações, como o Kurumin, possuem uma quantidade ini-
maginável de aplicativos também livres, que podem ser usados para resolver problemas dos mais variados tipos. Dife -
rentemente do que ocorria alguns anos atrás, em que ninguém conhecia o mundo do software livre e suas potencialida -
des, admitir tal ignorância nos dias de hoje é, para ser gentil, no mínimo perigoso para a reputação profissional.
Este livro nos guia por algumas das tarefas mais comuns e importantes na configuração e administração de ser-
vidores GNU/Linux, como o compartilhamento da conexão e compartilhamento de arquivos, configuração de servidores 
web, acesso remoto, correio eletrônico, criação de redes de terminais com o LTSP, redes sem fio, firewall, segurança, 
enfim, muitos dos tópicos mais importantes no dia a dia de um profissional de suporte de sistemas.
A área de informática, por sua grande diversidade, complexidade e uma taxa de evolução assustadora, faz com 
que mesmo profissionais experimentados, com vários anos de experiência, se sintam desamparados e despreparados 
para lidar com os desafios diários do trabalho. O movimento de software livre, que agrega uma comunidade de cente -
nas de milhares de pessoas ao redor do mundo, torna este cenário ainda mais complexo e desafiador.
Para começar a entender este mundo, tirando o melhor proveito possível de tudo que nos é oferecido, nada me -
lhor do que conhecer a obra do Carlos Morimoto. Seus livros servem como guia tanto para iniciantes (como o Linux, En-
tendendo o Sistema e o Kurumin, Desvendando Seus Segredos), quanto para profissionais experimentados, como o 
Linux Ferramentas Técnicas e este livro, o Redes e Servidores Linux.
Certa vez, em uma aula na faculdade, um professor de inglês muito querido nos aconselhou a nunca ler livros 
bons. Diante da surpresa dos alunos ele completou: "leia apenas os melhores".
Nunca mais esqueci este conselho e aproveito para transmiti-lo neste prefácio. O mundo da informática é muito 
complexo e amplo. Leia apenas o que existir de melhor, uma categoria em que este livro certamente se enquadra.
Um livro que todos nós esperamos que o Carlos escreva um dia, é sobre como ele consegue produzir tanta coisa 
boa e em tão grande quantidade, mas acho que este segredo ele não vai contar, ao menos por enquanto.
Introdução
Inicialmente, as redes eram simplesmente uma forma de transmitir dados de um micro a outro, substituindo o fa-
moso DPL/DPC (disquete pra lá, disquete pra cá), usado até então. 
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As primeiras redes de computadores foram criadas ainda durante a década de 60, como uma forma de transferir 
informações de um computador a outro. Na época, o meio mais usado para armazenamento externo de dados e trans-
porte ainda eram os cartões perfurados, que armazenavam poucas dezenas de caracteres cada (o formato usado pela 
IBM, por exemplo, permitia armazenar 80 caracteres por cartão). 
Eles são uma das formas mais lentas, trabalhosas e demoradas de transportar grandes quantidades de informa -
ção que se pode imaginar. São, literalmente, cartões de cartolina com furos, que representam os bits um e zero armaze -
nados:
De 1970 a 1973 foi criada a Arpanet, uma rede que interligava várias universidades e diversos órgãos militares. 
Nesta época surgiu o e-mail e o FTP, recursos que utilizamos até hoje. Ainda em 1973 foi feito o primeiro teste de trans -
missão de dados usando o padrão Ethernet, dentro do PARC (o laboratório de desenvolvimento da Xerox, em Palo Alto, 
EUA). Por sinal, foi no PARC onde várias outras tecnologias importantes, incluindo a interface gráfica e o mouse, foram 
originalmente desenvolvidas.
O padrão Ethernet é utilizado pela maioria das tecnologias de rede local em uso, das placas mais baratas às re-
des wireless. O padrão Ethernet define a forma como os dados são organizados e transmitidos. É graças a ele que pla -
cas de diferentes fabricantes funcionam perfeitamente em conjunto. 
A partir de 1995, com a abertura do acesso à internet, tudo ganhou uma nova dimensão e a principal função da 
maioria das redes passou a ser simplesmente compartilhar a conexão com a web. Estamos agora assistindo a uma se-
gunda mudança, que é o uso da web não apenas para comunicação, mas como uma forma de rodar aplicativos. Inicial -
mente surgiram os webmails, depois os clientes de MSN/ICQ (como o meebo.com) e agora temos também processado -
res de texto, planilhas e outros aplicativos, desenvolvidos com base no Ajax ou outras ferramentas similares, que permi-
tem desenvolver aplicativos web complexos, que rodam com um bom desempenho mesmo em conexões via modem. 
Pouco a pouco, a internet se torna o verdadeiro computador, e o seu PC passa a ser cada vez mais um simples 
terminal, cuja única função é mostrar informações processadas por servidores remotos. 
Isso se tornou possível devido à popularização do ADSL, wireless e outras formas de acesso rápido e contínuo, 
às redes locais, que permitem compartilhar a conexão entre vários micros (seja em casa, no escritório ou em uma lan-
house) e a servidores como o Apache e o Bind, que formam a espinha dorsal da internet.
Futuramente, a tendência é que mais e mais aplicativos passem a ser usados via web, tornando um PC desco -
nectado cada vez mais limitado e inútil. Eventualmente, é possível que o próprio PC seja substituído por dispositivos 
mais simples e baratos, que sirvam como terminais de acesso, mas isso já é um exercício de futurologia.
Uma rápida explicação do modelo OSI
Imagine que o objetivo de uma rede é simplesmente transportar os bits uns e zeros usados pelos programas de 
um ponto a outro. Da mesma forma que as trilhas da placa-mãe transportam informações do processador para a memó -
ria RAM, um cabo de par trançado, ou uma rede wireless pode transportar as mesmas informações de um PC a outro. 
Do ponto de vista do aplicativo, faz pouca diferença acessar um arquivo gravado diretamente no HD ou acessá-
lo a partir de um compartilhamento dentro da rede, ou na internet. Em ambos os casos, o próprio sistema operacional 
(com a ajuda do TCP/IP e