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Terapia Ocupacional com a criança com autismo O autismo, por se tratar de um transtorno que afeta áreas distintas do desenvolvimento, tem levado diferentes profissionais e pesquisadores a buscarem variadas formas que contribuam para o tratamento destas crianças, e o principal intuito parece ser auxiliar essas crianças a participarem de maneira mais ativa de seu meio. A Terapia Ocupacional vem sendo uma das formas de intervenção utilizada no tratamento de crianças autistas, e vale ressaltar que o uso de atividades no tratamento de desordens psíquicas é usado antes mesmo do século XVlll, com o tratamento moral iniciado por Pinel (MATSUKURA, 1995). Na Constituição de 1988, a educação é apresentada como um direito de todos os cidadãos (1988 apud BARBA; MINATEL, 2013, p. 205) , e o Estatuto da Criança e do Adolescente, determina que é responsabilidade dos pais ou responsável, manter a criança ou adolescente matriculado na rede regular de ensino (1990 apud BARBA; MINATEL, 2013, p. 205). O campo da educação se torna um campo possível para a atuação do Terapeuta Ocupacional, que visa a melhora na inserção do indivíduo na sociedade, autonomia e participação. De acordo com Rocha, Luiz e Zulian (2003 apud BARBA; MINATEL, 2013, p. 205) a atuação do terapeuta ocupacional no contexto escolar não é clínica, e nem mesmo direcionado somente para uma deficiência, mas sim um trabalho para orientar alunos, pais, professores e comunidade. São diversas as possibilidades de trabalho realizadas pelo Terapeuta Ocupacional neste meio, como a aplicação de tecnologia assistiva, a análise de atividades, dinâmica de grupos, introdução de comunicação alternativa e a facilitação de atividades de vida diária. Temos também a consultoria colaborativa, que é uma maneira de colocar em prática os saberes próprios da Terapia Ocupacional. Segundo Kampwirth e Powers (2003 apud BARBA; MINATEL, 2013, p. 205), a consultoria colaborativa consiste em um instrutor que trabalha em uma relação democrática com toda a equipe escolar, e ele irá fornecer assistência nas tomadas de decisões e a implantação dos melhores recursos e planos dentro do interesse educacional do aluno. Essa prática possibilita trabalhar em cima da inclusão escolar em forma de parceria (BARBA e MINATEL, 2013). Pessoas com Transtorno do Espectro autista, possuem a necessidade de manter uma rotina. O terapeuta ocupacional no contexto escolar pode auxiliar a criança a compreender as atividades, para que a mesma não se sinta insegura e tenha apropriação de seu cotidiano. Auxiliar na participação da criança nas atividades escolares, reforçando os pontos positivos e suas conquistas. O uso da tecnologia adaptativa é de extrema importância, pois além de treinar a coordenação motora do indivíduo, promove segurança e autonomia. O terapeuta também pode auxiliar no desenvolvimento de independência no autocuidado, visando a autonomia do indivíduo. São diversas as formas de intervenção, tendo como base o respeito pela criança e suas particularidades, a aprendizagem e o trabalho conjunto entre a família, terapeuta e escola (BARBA e MINATEL, 2013). O terapeuta ocupacional também pode introduzir atividades sensoriais na rotina da criança, para isso ele utiliza a dieta/estilo de vida sensorial. Uma dieta ou estilo de vida sensorial é a introdução de atividades sensoriais no dia a dia do indivíduo, com o objetivo de promover o foco e o bem estar do sujeito durante todo o seu dia. A dieta auxilia a organizar o sistema nervoso da criança, e como consequência, ajudar em sua performance, ajuda a regular a atenção e capacidade de concentração, e também que a criança consiga lidar melhor com as transições sensoriais com menor estresse. Segundo Madruga (2018): Os terapeutas ocupacionais frequentemente recomendam que o dia seja iniciado com um circuito sensorial: uma atividade sensoriomotora que ajuda a criança a alcançar o estado de “preparado para aprender”. Os circuitos sensoriais são uma série de atividades desenhadas especificamente para “acordar” todos os sentidos. São uma ótima forma de estimular ou preparar a criança para o dia. Segundo Fies e Bichara (2009 apud CORRÊA et al. 2017), a brincadeira é interpretada como um fenômeno universal durante a infância, mas isso não ocorre da mesma maneira com crianças autistas. Para essas crianças, o ato de brincar é visto de maneira distorcida, pois o significado das brincadeiras e a interação social não segue o padrão das crianças típicas, e isso pode gerar problemas no desenvolvimento da mesma, pois o brincar é um dos fatores que mais influenciam. Segundo Zanni (2005 apud CORRÊA et al. 2017) o terapeuta ocupacional possui vasto conhecimento para ofertar diferentes brincadeiras que favoreçam o desenvolvimento em diferentes âmbitos, como os associados aos sentimentos e pensamentos e a um entendimento relacionado ao espaço-tempo, a instigação da percepção e da intuição. A ocupação de brincar da criança autista é um dos principais afetados, e o terapeuta ocupacional trabalhando a partir desse, consegue alcançar vários outras áreas que requerem, por exemplo, motricidades fina e grossa, que estarão presentes em todas as atividades de vida diária (CORRÊA et al. 2017). O terapeuta ocupacional também pode estar realizando intervenções diretamente no âmbito domiciliar da criança autista. As atividades desenvolvidas com a criança podem variar desde relacionados às tarefas escolares, a exercícios relacionados a coordenação motora, utilizando sempre atividades que estejam ligadas ao dia-a-dia da criança. O atendimento domiciliar pode ajudar a criança na compreensão de seu espaço como membro da família, incentivando que a mesma tenha maior interação com os familiares e vice-versa (MATSUKURA et al. 1993). Referência: BARBA, P. C. de S. D; MINATEL, M. M. Contribuições da Terapia Ocupacional para a inclusão escolar de crianças com autismo. Caderno de Terapia Ocupacional UFSCar, São Carlos, v. 21, n. 3, p. 601-608, 2013 CORRÊA, P. M. et al. A importância da Terapia Ocupacional no brincar da criança com autismo. Ling. Acadêmica, Batatais, v. 7, n. 7, p. 37-55, jul./dez. 2017 MADRUGA, J. E. Porque é que a Terapia Ocupacional é importante para as crianças com autismo? 2018. Disponivel em:<http://www.projectoeuconsigo.pt/porque-e-que-a-terapia-ocupacional-e-importa nte-para-as-criancas-com-autismo/>. Acesso em: 18 de novembro de 2018. MATSUKURA, T. S. A aplicabilidade da Terapia Ocupacional no tratamento do autismo infantil. Caderno de Terapia Ocupacional- UFSCar, São Carlos, v.6, n. 1, p. 25-47, 1995 Matsukura, T. S. et al (1993). Intervenção domiciliar em Terapia Ocupacional no autismo infantil – Relato de uma experiência. Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar, 4 (1-2),p. 10-16.