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Suinocultura 
Prof. Charles Kiefer 
charles@nin.ufms.br – Fone: (67)3345-3625 
DZO/FAMEZ/UFMS 
Imunocastração em Suínos 
 Por que castrar os suínos? 
 O que causa o odor na carne? 
 Metabolismo da Androsterona e Escatol 
 Qual é o momento ideal de castração? 
 Alternativas ao método cirúrgico de castração 
 Imunocastração e sua globalização 
 Imunocastração: Desempenho & Carcaça 
 Questões envolvidas na escolha do método 
 Considerações Finais 
Sumário da Aula 
Por que Castrar os Suínos?? 
– BRASIL – 
 
A castração é uma medida obrigatória (Artigos 121 e 172 do 
Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos 
de Origem Animal - RIIPOA, sob Lei 1.283 de 18 de 
dezembro de 1950 do MAPA). 
Por que Castrar os Suínos?? 
Inspeção “Ante-Mortem” 
 Art. 121 - É proibida a matança de suínos não 
castrados ou de animais que mostrem sinais de 
castração recente. 
 
Inspeção "Post-Mortem" 
 Art. 172 - Carnes repugnantes - São assim 
consideradas e condenadas as carcaças que 
apresentem mal aspecto, coloração anormal ou que 
exalem odores medicamentosos excrementícias, 
sexuais e outros considerados anormais. 
Por que Castrar os Suínos?? 
 
Suínos machos inteiros 
 
  Carne com odor característico de machos. 
Quais são as substâncias envolvidas? 
Androsterona & Escatol 
# Substâncias altamente solúveis no tecido adiposo 
(lipofílicas) que se concentram tanto na gordura 
subcutânea quanto intramuscular. 
É produzida somente em suínos com tecido testicular 
funcional; 
 
Biossintetizada no fígado a partir da testosterona; 
 
Machos sexualmente maduros  as glândulas salivares 
utilizam a androsterona, convertendo-a em ferormônio 
que é liberado na saliva durante o acasalamento. 
Metabolismo da Androsterona 
Androsterona  Estímulo sexual; 
 
Aquecimento  libera odor semelhante ao da urina; 
 
[ ] aceitável na carne (MAPA) = ???? 
 Concentração de 0,5 – 1,0 µg/g = Média 
 Concentração < 0,5 µg/g = Baixa 
 
4 a 7 dias após a castração  Níveis iguais as fêmeas 
Metabolismo da Androsterona 
É um subproduto da degradação metabólica do triptofano 
pelas bactérias do IG, como parte da conversão de 
nutrientes em energia; 
 
Está presente em fêmeas e machos castrados; 
 
A [ ] de escatol é maior na gordura dos machos inteiros  
taxa lenta de catabolismo hepático de escatol, devido aos 
efeitos dos esteróides sexuais; 
Metabolismo do Escatol 
Aquecimento  odor semelhante ao das fezes; 
 
[ ] aceitável na carne MAPA = ???? 
 
[ ] aceitável na carne UE = 0,25 µg/g 
Metabolismo do Escatol 
Androsterona & Escatol 
Androsterona & Escatol 
Como produzir carne de suínos machos isenta de odor? 
Alternativas... 
# Abate precoce  Relação entre Peso e Idade; 
# Castração cirúrgica  ~98% dos suínos no mundo; 
# Imunocastração ou Castração Imunológica. 
Quando devemos castrar? 
Qual o momento ideal para castração? 
Castração  Ideal até o 7º dia de vida. 
UE  Até o 5º dia de vida. 
Vantagens da castração cirúrgica 
Prática comum e de baixo custo para as granjas; 
 
Ausência do comportamento de macho (manejo); 
 
Questões relacionadas ao mercado. 
Críticas ao método cirúrgico de castração 
Enfoque ao Bem-Estar  estresse, dor, mutilações, 
infecções secundárias e mortes; 
 
Pior GP e CA em relação aos Machos Inteiros; 
 
Carcaças com maior teor de gordura. 
O que é Imunocastração? 
 Método temporário ou definitivo de castração por 
meio da aplicação de vacina anti-GnRF (fator liberador das 
gonadotrofinas) que atua induzindo o próprio sistema 
imunológico do suíno a produzir anticorpos contra o GnRF, 
inibindo o acúmulo de substâncias odoríferas na carcaça dos 
machos inteiros (Poleze, 2008). 
Modo de uso da Vacina 
 2 mL via subcutânea; 
 2 doses com intervalo de quatro semanas (conforme 
previsão de peso e/ou idade de abate); 
Administração da Vacina 
 Alto no pescoço, imediatamente atrás da orelha – perpendicular a 
pele com agulha 10 x 15 mm (penetrando ~7 mm) 
Administração da Vacina 
 Imunização realizada na própria baia 
Aspectos da Vacina 
 Não é uma droga; 
 Não contém produtos químicos e de origem animal; 
 Não contém hormônios; 
 Não é tóxico; 
 Sem atividade oral após várias doses; 
 Não deixa resíduos (Período de retirada = 0 dias). 
Ação da Vacina 
Figura: Mecanismo fisiológico em machos 
sexualmente maduros. 
Figura: Mecanismo de ação da vacina. 
Ação da Vacina – 1ª dose 
Figura: 1ª Dose – sensibiliza o sistema imune, mas não produz níveis protetores 
contra o GnRF. Testículos permanecem com tamanho normal. 
Ação da Vacina – 2ª dose 
Figura: 2ª Dose – os altos níveis de anticorpos contra o GnRF inibem a secreção 
de LH e FSH. Testículos regridem de tamanho e a síntese de esteróides 
testiculares (testosterona e androsterona) é inibida. 
Ação da Vacina – Após a 2ª dose 
Figura: Após a 2ª Dose – o catabolismo hepático do escatol aumenta. Os níveis 
de androsterona e escatol teciduais caem para valores insignificantes. Ocorre a 
diminuição da libido e do comportamento agressivo. 
Figura: Animais com 23 semanas de idade e 110 kg 
Ação da Vacina sobre os Testículos 
 Machos 
Inteiros 
 Machos 
Imunocastrados 
Ação da Vacina sobre os Testículos 
 Machos 
Inteiros 
 Machos 
Imunocastrados 
Ação da Vacina sobre os Testículos 
 Machos 
Inteiros 
 Machos 
Imunocastrados 
Duração da imunidade 
Os suínos 
estão livres 
do odor de 
macho inteiro 
de 2 a 8 
semanas 
após a 
segunda 
dose da 
vacina. 
 
N
ív
e
l 
d
e
 I
m
u
n
id
a
d
e
 e
 O
d
o
r 
Semanas após 2a dose 
Período 
recomendado 
para o abate 
Nível de imunidade 
Nível de 
anticorpos protetores 
Nível de odor 
de macho inteiro 
1a dose 2a dose 
Vantagens da Imunocastração 
Não há incidência de odor sexual na carne. 
 
Respeita as condições de Bem-Estar Suíno; 
 
Possibilita a manutenção do desempenho e das 
características de carcaça semelhantes aos dos 
suínos machos inteiros. 
Desvantagens da Imunocastração 
 Aspectos de manejo; 
 
 Custo com as vacinas (R$ 5,00/dose); 
 
 Ajuste nutricional (maior custo) – Imunocastrados 
apresentam exigência diferenciada em relação aos castrados; 
 
 Abatedouros - Necessidade de autorização para a 
realização do abate de animais imunocastrados. 
Globalização da Imunocastração 
Austrália e Nova Zelândia  Utilização desde 1998, onde já foram 
aplicadas mais de 5 milhões de doses da vacina (informação de 2009). 
 
 
Suíça e Noruega  Baniram a castração cirúrgica em 2009. 
 
 
UE  Não existem impedimentos para a castração imunológica. 
 
Japoneses e Coreanos  Aceitam comprar carne de suínos 
imunocastrados. 
 
 
Vários países da América Latina, América do Norte, Europa e Ásia  
processo de aprovação. 
 
 
Brasil  A vacina foi registrada em dezembro/2005, mas somente em 
maio/2007 foi lançada comercialmente. 
 
 
Não há barreiras comerciais para a carne de suínos imunocastrados. 
Globalização da Imunocastração 
Questões Envolvidas na Escolha do Método de Castração 
# Relação Custo x Benefício; 
 
# Impacto sobre o Desempenho dos Suínos; 
 
# Impacto sobre as Carcaças dos Suínos; 
 
# Mercado para a comercialização dos Suínos 
imunocastrados. 
Figura: Ganho de peso, taxas de deposição de proteína e gordura na carcaça de 
suínos de 25 a 90 kg segundo o sexo. Fonte: Donzele et al. (2001). 
Efeito do sexono desempenho dos suínos 
Desempenho diferencial entre Machos Inteiros e Castrados 
Rendimento e ET diferencial entre Machos Inteiros e Castrados 
Desempenho comparativo entre MI e MC dos 67 aos 107 dias 
Fonte: Kiefer et al. (Dados não publicados). 
Desempenho comparativo entre MI e MC dos 67 aos 167 dias 
Fonte: Kiefer et al. (Dados não publicados). 
Desempenho comparativo entre 
MI e MC dos 95 aos 125 kg 
Fonte: Kiefer et al. (Dados não publicados). 
 Macho 
Castrado 
 Macho 
Imunocastrado 
Desenvolvimento de títulos de anticorpos anti-GnRF em suínos imunocastrados 
1ª Dose dia 0 (18 semanas de vida) e 2ª Dose 28 dias após a primeira. 
Fonte: Claus et al. (2007). 
LH no plasma em suínos imunocastrados 
1ª Dose dia 0 (18 semanas de vida) e 2ª Dose 28 dias após a primeira. 
Fonte: Claus et al. (2007). 
Testosterona no plasma em suínos imunocastrados 
1ª Dose dia 0 (18 semanas de vida) e 2ª Dose 28 dias após a primeira. 
Fonte: Claus et al. (2007). 
Androsterona no plasma em suínos imunocastrados 
1ª Dose dia 0 (18 semanas de vida) e 2ª Dose 28 dias após a primeira. 
Fonte: Claus et al. (2007). 
Comparação de níveis de Testosterona entre suínos machos inteiros e imunocastrados 
Comparação de níveis de Escatol entre suínos machos inteiros e imunocastrados 
Teste de Cocção 
Padronização da avaliação das carcaças 
 Circular 69 MAPA-DIPOA 
 Banho-Maria - Becker 
 Fechados 
 45-55ºC 
 2-3 minutos 
 Abertos: avaliados = destino 
Aceitação dos Consumidores 
Figura: Comportamento comparativo entre suínos machos inteiros e 
imunocastrados. Fonte: Zamaratskaia et al. (2008) 
Efeito da imunocastração sobre o comportamento dos Suínos 
» A Imunocastração é uma prática segura ao meio-
ambiente; 
» Respeita o bem-estar animal; 
» Permite maximizar o desempenho e melhorar as 
características de carcaça dos suínos machos; 
» Permite controlar efetivamente o odor sexual na carne 
dos suínos machos; 
 
Considerações Finais 
» Evita perdas de produção associadas a castração 
cirúrgica; 
» Animais imunocastrados exigem práticas de manejo e 
nutrição diferenciada em relação aos machos castrados 
cirurgicamente. 
» Sua utilização vai depender de questões específicas de 
custo-benefício ao produtor. 
Considerações Finais 
Muito Obrigado !!!!