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Inclusão para a Vida Redação 
 
PRÉ-VESTIBULAR DA UFSC 
Para que um texto seja considerado bem-sucedido, é 
necessário prezar por: 
Î clareza; 
Î coerência; 
Î coesão; 
Î correção gramatical; 
Î elegância. 
 
Assim, sabe-se que os ditos “defeitos” de um texto devem 
ser evitados! Os mais comuns são: 
A. Ambiguidade 
Uma frase ambígua é aquela que apresenta mais de um 
sentido. 
Veja: “Em época de pleito* é comum ouvirmos candidatos 
dizendo ao povo que se preocupam com o seu bem-estar”. 
*Ortografia/Semântica: pleito = eleição; preito = 
homenagem 
Analisando: “bem-estar” de quem? Do próprio candidato? 
Do povo? 
Percebe-se que o pronome possessivo (seu) não foi bem-
empregado. 
 
B. Obscuridade 
A obscuridade é ainda pior que o a ambigüidade, pois, 
quando se é ambígüo, pode-se ter duas interpretações, enquanto que 
na obscuridade, muitas vezes, não podemos nem mesmo imaginar 
do que se trata. É uma falta total de clareza. 
Normalmente a obscuridade é causada por fases longas, má 
pontuação, desrespeito à normas gramaticais e linguagem 
rebuscada. 
Analise um trecho retirado da Folha de São Paulo já há 
algum tempo: 
“As videolocadoras de São Carlos estão escondendo suas 
fitas de sexo explícito. A decisão atende a uma portaria de 
Dezembro de 2001, do Juizado de Menores, que proíbe que as 
casas de vídeo aluguem, exponham e vendam fitas pornográficas a 
menores de dezoito anos. A portaria proíbe ainda os menores de 
dezoito anos de irem a motéis e rodeios sem a acompanhia ou 
autorização dos pais.” 
Fica a pergunta: então, se estiverem acompanhados dos pais, 
os menores poderão ir a motéis? 
 
C. Pleonasmo 
É uma espécie de redundância. 
No Ensino Médio estudamos que Pleonasmo faz parte dos 
Vícios de Linguagem e nos são passados exemplos de expressões 
que devemos evitar, tais como “subir para cima”, “descer para 
baixo”, “entrar para dentro” e “sair para fora”. 
Contudo não são apenas esses os pleonasmos existentes. 
Veja outros casos: matinal da manhã, noturno à noite, hemorragia 
de sangue, dois irmãos gêmeos, ganhou de graçar, recinto fechado, 
certeza absoluta, grande maioria, dois irãos gêmeos e outros casos. 
Atenção: quando usado de maneira poética, o Pleonasmo 
não constitui um erro. 
Exemplos: 
“E rir meu riso e derramar meu pranto.” (Vinícius de 
Moraes) 
“Os sonhos mais lindos, sonhei...” ( F. D. Marchetti e M. 
de Feraudy, veersão de Armando Louzada). 
 
Há casos de Pleonasmo mais comuns do que se imagina! 
“Acesso restrito somente a funcionários do setor.” 
 “Há cinco anos atrás(...).” 
“Este produto é de boa qualidade.” 
“Isso é um pequeno detalhe.” 
“Estas são propriedades próprias do sódio.” 
“É um produto de boa qualidade.” 
“Que surpresa inesperada!” 
 
D. Cacofonia 
É um som desagradável (às vezes, obsceno), resultante da 
proximidade de determinadas sílabas. 
Por exemplo: lá tinha; da vez passada; mande-me já; Õ, dor 
horrível! 
 
E. Eco 
É a repetição de terminações (mesmo som). 
Observe: A decisão causou comoção na população. 
Corrigindo: A decisão fez com que o povo se comovesse. 
F. Prolixidade 
A prolixidade é o oposto da concisão. Consiste, portanto, 
em utilizarmos mais palavras do que o necessário, tornando a 
leitura cansativa e de difícil compreeensão. 
O uso de cacaoetes lingüísticos (expressões que não 
acrescentam nada ao texto, as quais só falamos porque estamos 
acostumados a ouvir) deve ser evitado. 
Por exemplo, não devemos introduzir um texto com 
expressões do tipo “antes de mais nada” ou “inicialmente”, pois, se 
estamos iniciando, é óbvio que é “inicialmente”. 
Outros casos: pelo contrário, por outro lado, por sua vez. 
Na prolixidade (lembre: ser prolixo é “enrolar”; é não ser 
objetivo), também encontramos o uso dos chavões. 
Os chavões são frases ou expressões “feitas” as quais só 
empobrecem o texto. 
Veja alguns exemplos: inflação galopante, caloroso abraço, 
caixinha de surpresas, vitória esmagadora e outros. 
 
G. Incoerência 
Ser incoerente é se contradizer. Por isso, tome muito cuidado 
e releia mais de uma vez seu texto, analisando-o, principalmente 
para que a conclusão não destoe do restante do texto. 
O desrespeito às regras gramaticais pode causar incoerência. 
Portanto tenha muita atenção com as regras de concordância, de 
regência, de acentuação e até mesmo com a ortografia. 
Veja: 
RETIFICAR = corrigir 
RATIFICAR = confirmar 
IR DE ENCONTRO = chocar-se; idéias contrárias 
IR AO ENCONTRO = lado a lado; idéias afins, semelhantes 
 
 
PARA PRATICAR... 
01. Leia com atenção o texto a seguir e identifique os 
problemas existentes nas passagens numeradas: 
“A exploração do trabalho infantil, ela é algo1 
alarmante e intrigante2. Seu índice tem diminuído3 nos 
últimos anos, talvez pelas medidas tomadas pelo governo. E 
isso4 é de responsabilidade do governo federal e não do 
estadual. 
Na época de nossos5 avós, isso não acontecia4, pois 
viviam na tranqüilidade do interior. Lá tinha6 tudo que 
precisavam. Os governantes valorizavam o povo e 
mantinham seu conforto7.” 
 
 
02. Há uma ambiguidade no trecho: 
A.( ) “vem sendo praticada no mundo inteiro” 
B.( ) “Outros praticam a violência apenas como objetivo de 
enriquecerem” 
C.( ) “Há filhos matando pais para tomarem o que lhes 
pertence” 
D.( ) “Basta andarmos uns minutos” 
E.( ) “por quererem simplesmente mostrar que podem mais 
que os outros” 
 
 
03. Certo dia, houve, na Inglaterra, um jogo entre Brasil e 
Argentina. Pouco antes do início da partida, um e Globo afirmou: 
“O estádio é um espetáculo! Mas o gramado é um tapete: a bola 
rola com a maior perfeição.” 
a) Para fazer alusão à qualidade do gramado, usou-se uma 
metáfora. Sublinhe-a. 
b) Explique o sentido dessa metáfora. 
c) Após responder às questões “a” e “b”, percebemos que o 
comentarista não formulou bem seu comentário. Explique a 
incoerência cometida. 
 
 
04. Agora, analise o trecho de uma fala de um 
apresentador de telejornal apresentada logo após um comentário 
sobre a fauna brasileira: “(...) a caça e a extração ilegais de 
palmito (...).” 
a) Tal passagem apresenta uma incoerência. Qual? 
b) Reescreva a fala do jornalista, de modo a torná-la 
coerente. 
 
1 
Inclusão para a Vida Redação 
 
PRÉ-VESTIBULAR DA UFSC 
d) Tato 05. Todas as frases listadas a seguir apresentam 
ambiguidade. Indique quais são as duas interpretações possíveis 
em cada caso: 
a) O juiz declarou ter julgado o réu errado. 
b) O piloto enjoado levantou vôo. 
c) Comprou um carro rápido. 
d) Deixou a sala vazia. 
e) Confessou os erros que cometeu com franqueza. 
f) O jornal criticou a peça exibida com falta de talento. 
g)Trata-se de um estudo a respeito de Machado de Assis 
cuja leitura recomendo. 
h) A professora deixou a turma entusiasmada. 
 
 
TEXTO DESCRITIVO 
 
A Descrição nada mais é que um retrato verbal. Para que 
esse tipo de texto tenha êxito, uma boa dica é explorar a base 
sensorial. 
Analise: 
a) Visão 
“A dona era uma idosa franzina, de cabelos mais negros que a 
asa da graúna. Vestia um pijama desbotado, de seda japonesa. 
Tinha as unhas bem curtas, recobertas por uma crosta de esmalte 
vermelho escuro, descascado nas pontas.” 
(Lygia Fagundes Telles, “As formigas”) 
b) Audição 
“De uma mesa distante, a única ocupada ainda, vinha o 
ruído de vozes de homens. Uma gargalhada sonora em meio de 
vozes exaltadas. E a palavra cabrito saltou dentre outras que se 
arrastavam pastosas. Num rádio da vizinhança, ligado ao volume 
máximo, havia uma canção que contava a história de uma jovem a 
qual vendia violetas na porta do teatro. A voz da cantora era plana 
e um pouco fanhosa.” 
(Lygia Fagundes Teles, “A ceia”) 
c) Olfato 
“Lá, os armazéns tresandavam* a lixo e peixe podre, a 
latas vaziasde óleo como cheiro de homens esfarrapados.” 
(Autran Dourado, “A barca dos homens”) 
*tresandar = 1. fazer andar para trás; 2. exalar (mau cheiro); 3. 
cheirar mal. 
 
 
 
 
“O pai comprou o sapado dois números maiores (...). Enfiou 
o sapato branco, um rígido como só o couro pode ser, no pé frio e 
trêmulo do garoto. Ao pentear o loiro e sedoso cabelo do caçula, a 
cabeça ainda em fogo.” 
(Dalton Trevisan, “Pedrinho”) 
e) Paladar 
“Deitado, ele beliscou dois ou três gomos. Chupou o sumo 
azedo, deixou cair a casca no prato. Apanhou outro bago, desta vez 
mais doce.” 
 
PARA PRATICAR... 
01. Leia o texto abaixo, retirado do romance A Moreninha, 
de Joaquim Manoel de Macedo, e responda às questões pertinentes 
a ele. 
“É inútil descrever o quarto de um estudante. Aí nada se 
encontra de novo. Ao muito, acharão uma estante, onde ele guarda 
seus livros, um cabide no qual pendura a casaca, a moringa, o 
castiçal, a cama, uma, até duas canastras de roupa, o chapéu, a 
bengala e a bacia; a mesa onde escreve e que só apresenta de 
recomendável a gaveta, cheia de papéis, de cartas da família, de 
flores e fitinhas misteriosas. É mais ou menos assim o quarto de 
Augusto.” 
 
a) Qual o tema-núcleo da descrição lida? 
b) A partir de que elementos o tema-núcleo foi destacado? 
c) Que elementos do texto mostram que o ambiente descrito 
pertence ao passado? 
d) Segundo o autor, quando algo merece ser descrito? 
 
02) Observe, agora, trecho da crônica Menor Abandonado, 
escrita por Fernando Sabino. 
“Escurinho, de seus seis ou sete anos, não mais. Deitado de 
lado, braços dobrados como dois gravetos, as mãos protegendo a 
cabeça. Tinha os gambitos também encolhidos e enfiados na 
camisa esburacada, para se defender contra o frio da noite. Estava 
dormindo, como podia estar morto. Não era um ser humano, era 
um bicho, um saco de lixo mesmo, um traste inútil, abandonado 
sobre a calçada. Um legítimo menor abandonado.” 
 
a) Qual o tema-núcleo do parágrafo lido? 
b) De que modo o cronista busca provocar no leitor o 
sentimento de pena pela situação do menino? 
c) Como Fernando Sabino passa ao leitor a idéia de que a 
cena descrita não é algo incomum? 
 
 
Aproveitando... 
03) Compare as charges abaixo e indique qual delas apresenta o mesmo tema que o parágrafo de Fernando Sabino. Justifique 
(Bem!) sua resposta. 
Charge 1 Charge 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
Inclusão para a Vida Redação 
 
PRÉ-VESTIBULAR DA UFSC 
CONOTATIVO X DENOTATIVO 
 
FIGURAS DE LINGUAGEM MAIS COMUNS 
a) Metáfora 
b) Metonímia 
c) Perífrase 
d) Catacrese 
e) Sinestesia 
f) Onomatopéia 
g) Hipérbole 
h) Eufemismo 
i) Ironia 
j) Antítese 
k) Paradoxo 
 
PARA PRATICAR... 
 
01. “Foi uma fatalidade” ou “o elemento faleceu” é como 
um policial, que atirou fatalmente em um suspeito, pronuncia-se, 
ante a imprensa. Tradução: “Deus tirou-lhe a vida. Eu só fiz o 
furo.”. 
E locutores de futebol driblam o erro do seu jogador 
preferido, que chutou a redonda para fora, narrando: “O campo 
estreitou” ou “O campo acabou”. 
Nas passagens em destaque, temos: 
A. hipérbole e sinestesia. 
B. eufemismo e catacrese. 
C. apenas ironia. 
D. hipérbole e eufemismo. 
E. ironia e eufemismo. 
 
02. Analise alguns versos da música O paraíso tem um 
tempo bom, da banda Cidade Negra: 
“onda grande, onda pequena 
na maré alta ou na maré vazia 
surfei ondas de melodia 
(...) 
corre devagar” 
Agora, considere as sentenças: 
I – No primeiro verso mencionado, temos a presença de 
antítese. 
II – O terceiro verso revela uma metáfora. 
III – o verso “corre devagar” evidencia um paradoxo. 
Quanto às três classificações enumeradas logo acima: 
A. apenas a I está correta. 
B. apenas a II está correta. 
C. apenas a III está correta. 
D. estão todas corretas. 
E. nenhuma está correta. 
 
“ESPARADRAPOHá palavras que parecem exatamente o que 
querem dizer. Esparadrapo, por exemplo. Quem quebrou a cara fica 
mesmo com cara de esparadrapo. No entanto há outras, aliás de 
nobre sentido, que parecem estar insinuando outra coisa. Por 
exemplo, incunábulo*.” 
QUINTANA, Mário. 
Da preguiça como método de trabalho. 
Rio de Janeiro, Globo 1987 p. 83. 
*Incunábulo: [do lat. Incunabulu: berço] Adj. 1 – Diz-se do 
livro impresso até o ano de 1500./S.m. 2 – Começo, origem. 
 
03. A expressão “quebrar a cara” é largamente empregada 
na língua portuguesa com sentido conotativo. O vocábulo que 
melhor traduz o emprego conotativo dessa expressão no texto é: 
A. fracassar. 
B. desanimar. 
C. machucar-se. 
D. destruir. 
E. desistir. 
 
04. Considere o texto a seguir: 
“A aposentada A. S., 68, tomou, na semana passada, uma 
decisão macabra em relação ao seu futuro. Ela pegou o dinheiro de 
sua aposentadoria (um salário mínimo) e comprou um caixão. A. 
mora com a irmã, M. F., 70, que também é aposentada. Elas não 
têm parentes. A. diz que está investindo no futuro. Sua irmã a 
apóia. A. também comprou a mortalha — roupa que quer usar 
quando morrer. O caixão fica guardado na sala da casa.” 
Folha de S. Paulo, 22/8/2005, adaptado. 
a) Localize e sublinhe o trecho que revela ironia. 
b) Explique como se dá esse efeito de ironia. Ou seja, 
explique por que ele é irônico. 
 
 
 “RECEITA DE MULHER 
As muito feias que me perdoem 
Mas beleza é fundamental. 
É preciso que haja qualquer coisa de flor em tudo isso.” 
 Vinícius de Moraes 
 
05. Nesses versos, Vinícius de Moraes faz menção às mulheres de uma forma nada hipócrita. Ou seja, traça comentários de que 
muitos fugiriam. 
Assim, explique, de forma coerente e coesa, a metáfora empregada no último verso. 
 
06. Considere a tira a seguir e as afirmações feitas em relação ao exposto nela: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
I – A expressão “Psiu” corresponde a uma onomatopeia. 
II – Do comportamento de Mafalda, infere-se a maturidade da menina. 
III – Analisando a postura dos personagens, depreende-se que nada mais pode ser feito para socorrer a Terra. 
 
Agora, indique a alternativa que expõe a correta análise das afirmações feitas quanto à tira lida: 
A. as afirmações I e II são verdadeiras. 
B. as afirmações II e III são verdadeiras. 
C. somente a afirmação I é verdadeira. 
D. somente a afirmação II é verdadeira. 
E. nenhuma das afirmações é verdadeira. 
3 
Inclusão para a Vida Redação 
 
PRÉ-VESTIBULAR DA UFSC 
A questão 07 se refere aos versos apresentados a seguir, de 
Alphonsus de Guimarães. 
“SONETO 
Hão de chorar por ela os cinamomos, 
Murchando as flores ao tombar do dia. 
Dos laranjais hão de cair os pomos, 
Lembrando-se daquela que os colhia. 
 
As estrelas dirão: - ‘Ai, nada somos, 
Pois ela se morreu silente e fria...’ 
E pondo os olhos nela como pomos, 
Hão de chorar a irmã que lhes sorria. 
(...)” 
 
07. No decorrer dos versos lidos, percebe-se o emprego de: 
A. perífrase. 
B. eufemismo. 
C. prosopopéia. 
D. hipérbole. 
E. antonomásia. 
 
08. Metáforas não são privilégio de textos escritos. Ou seja, 
elas podem ser facilmente empregadas em textos visuais, imagens. 
Levando isso em consideração, analise a figura a seguir de modo a 
identificar a problemática levantada. Depois, produza um 
parágrafo, dissertando sobre o tema exposto na charge. 
Mas, atenção: não está sendo solicitada a você uma 
explicação da metáfora empregada, como ocorreu na questão 09. E 
sim que você discuta o problema focado por ela. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TEXTO NARRATIVO 
 
ELEMENTOS DA NARRATIVA 
I – Discurso 
II – Narrador 
III – Personagem 
IV – Tempo 
 
PARA PRATICAR... 
A Seca 
Raquel de Queiroz (O Quinze – trecho adaptado) 
 
Novamente a cavalo, segui o menino pelo solo árido. 
Vicentemarchava através da estrada vermelha e pedregosa da 
caatinga morta. Os cascos do animal pareciam tirar fogo dos 
pedacinhos de rocha em leitos secos dos rios. Lagartixas davam 
carreirinhas com paradas breves por cima das folhas secas, que 
estalavam como papel queimado. 
Todos os dias era isso: o sol que queimava, a seca que 
matava, a busca pela água não encontrada. Vicente sentia por toda 
parte uma impressão ressequida de calor e aspereza. A mãe 
aguardava-lhe, na esperança de ter um pouco d’água que fosse para 
umedecer a farinha que seria a refeição do dia. 
Mas o chão, que em outro tempo a sombra cobria, era uma 
confusão desolada de galhos secos, cuja agressividade ainda mais 
se acentuava pelos espinhos. E Vicente, mais uma vez, retornava; 
as mãos vazias da água esperada. 
01. Com base no texto A Seca, responda: 
a) Sendo Vicente o protagonista no texto lido, a seca pode 
ser classificada a antagonista? Justifique sua resposta:
b) O texto apresenta personagens secundárias? Em caso 
positivo, cite-a(s): 
c) O tempo trabalhado nessa narração é o cronológico ou o 
psicológico? Por quê? 
d) Seria correto dizermos que Vicente é um personagem-
tipo? Por quê? 
e) Qual foi o tipo de narrador empregado por Raquel de 
Queiroz no trecho lido? 
 
 
TEXTO DISSERTATIVO 
 
RELAÇÃO DE SENTIDOS 
- O encadeamento de ideias - 
 
Uma boa forma de se buscar um encadeamento de idéias capaz de deixar seu texto claro é trabalhar com premissas. 
Veja: 
 
 
 
 
 
 
PARA PRATICAR... 
01. Indique, para cada conjunto de frases a seguir, o que é 
premissa (P) e o que é conclusão (C):A 
( ) A água está saindo da chaleira. 
( ) A água está fervendo. 
B 
( ) É possível que ele ganhe as eleições presidenciais. 
( ) Ele tem muitos eleitores nos estados do Nordeste.C 
( ) Esse tipo de questões deveria ser extinta. 
( ) Esse tipo de questões tem uma correção muito 
subjetiva. 
D 
( ) Minha mulher está ventindo-se. 
( ) Minha mulher vai sair. 
E 
( ) Não vou poder trabalhar hoje. 
( ) Um computador está com problemas.F 
( ) É muito difícil aprender a escrita da Língua Japonesa. 
( ) O alfabeto japonês tem mais de mil símbolos. 
G 
( ) Ele é mau motorista. 
( ) Ele bateu o carro algumas vezes este ano. 
 
PREMISSA 
Um dos meios mais simples de argumentar é a premissa: a apresentação de 
duas frases, uma das quais é conclusão da outra. 
02. Sempre que passamos da premissa á conclusão, assumimos como verdadeira aguma idéia intermediária, a qual, 
normalmente, fica subentendida. 
Quais são as idéias assumidas como verdadeiras nos casos a seguir? 
a) O motorista do carro da frente é uma mulher; é melhor ultrapassá-lo. 
b) Neste exercício, cheguei à mesma resposta dada no gabarito do livro; acertei mais um! 
c) A nota da redação foi melhor do que a da primeira que escrevi; seguirei escrevendo. 
 
 
 
 
 
 
INFERÊNCIAS 
Quando observamos um fato, tiramos algumas “conclusões” (inferências). Imaginemos, por exemplo, 
que leiamos a seguinte manchete em um jornal: “Brasil importa automóveis da França”. Poderíamos, então, 
tirar como possíveis conclusões: 
4 
Inclusão para a Vida Redação 
 
PRÉ-VESTIBULAR DA UFSC 
 
 
 
 
 
 
 
1 – o Brasil não está produzindo automóveis em número suficiente; 
2 – a economia brasileira está cada vez mais dependente da estrangeira; 
3 – os automóveis importados são os preferidos dos brasileiros. 
 
Contudo nem sempre as inferências são verdadeiras. Por isso é necessário analisar uma a uma das 
levantadas antes de integrá-las à argumentação. 
03. Indique uma inferência de caráter positivo e outra de negativo para cada uma das afirmações manchetes a seguir: 
a) Florianópolis não “acolherá” a próxima Copa. 
b) Aulas de Ensino Religioso voltarão a ser obrigatórias no Ensino Fundamental. 
c) O Carnaval se aproxima. 
d) As questões discursivas são cobradas em muitos vestibulares. 
 
ANALISANDO... 
TEXTO 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“O cajueiro floresceu quatro vezes depois que Martim partiu das praias do Ceará, levando no frágil barco o 
filho e o cão fiel. A jandaia não quis deixar a terra onde repousava sua amiga e senhora. 
O primeiro cearense, ainda no berço, emigrava da terra da pátria. Havia aí a predestinação de uma 
raça? 
Poti levantava a taba de seus guerreiros na margem do rio e esperava o irmão que lhe prometera 
voltar. Todas as manhãs, subia ao morro das areias e volvia os olhos ao mar, para ver se branqueava ao 
longe a vela amiga. 
Afinal volta Martim de novo às terras, que foram de sua felicidade, e são agora de amarga saudade. 
Quando seu pé sentiu o calor das brancas areias, em seu coração derramou-se fogo, que o requeimou: era o 
fogo das recordações que ardiam como centelha sob as cinzas. 
Só aplacou essa chama quando ele tocou a terra onde dormia sua esposa; porque, nesse instante, seu 
coração transudou*, como o tronco do jataí nos ardentes calores, e orvalhou sua tristeza de lágrimas 
abundantes. 
(...) 
Poti foi o primeiro que ajoelhou aos pés do sagrado lenho; não sofria ele nada mais que o separasse 
de seu irmão branco. Deviam ter ambos um só Deus, como tinham um só coração.” 
 
*transudar = transpirar 
ALENCAR, José de. 
Iracema 
Capítulo 33.
01. A partir do Texto 1, indique a(s) proposição(ões) CORRETA(S): 
(01) A frase “O primeiro cearense, ainda no berço, emigrava da terra da pátria.” deixa claro que, naquele momento, o 
personagem em questão chegava a sua pátria. 
(02) O prefixo usado no termo “requeimou” (linha 11) indica que não era a primeira vez que Martim sentia tal emoção. 
(04) Na obra Iracema, tem-se o emprego de Metáforas em variadas passagens. A exemplo disso pode-se citar o trecho “(...) seu 
coração transudou, como o tronco do jataí nos ardentes calores (..).”. 
(08) O termo destacado em “Só aplacou essa chama quando ele tocou a terra onde dormia sua esposa (...).” (linha 13) indica 
que se intensificava a angústia de Martim. 
(16) O último parágrafo do Texto 1 retrata a identificação que existia entre Poti e seu irmão branco. 
(32) O trecho “O cajueiro floresceu quatro vezes depois que Martim partiu das praias do Ceará” (linha 1) pode ser reescrito, 
respeitando-se a pontuação, como “Floresceu, Martim, quatro vezes o cajueiro, depois que partiu da praia.” 
 
TEXTO 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“(...) 
Maria – Shhhh!!! Fala baixo, tu acorda o pessoá! 
Tião – Acorda, não. 
Maria – É melhor a gente ir andando... É só um pedacinho. 
Tião – Prá ficá enterrada na lama? Não senhora, vamo esperá estiá. 
Maria – Dona Romana não vai achá ruim? 
Tião (acendendo um lampião) – Não sei por quê! 
Maria – Vamo embora, Tião. Tá tarde, mamãe não dorme enquanto eu não chego... 
Tião – Qué te aquietá? (Pausa. Aponta a cadeira.) Senta aqui. 
(...) 
Maria – Tu gosta de eu? 
Tião – Ô, dengosa, eu sem tu não era nada... 
Maria – Bobagem, namoradô como tu era... 
Tião – Tudo passô! 
Maria – Pensa que eu não sei? Todas elas miando: ‘Tiãozinho prá cá, Tiãozinho prá lá...’ (Abraçando-
o). Mas eu robei ocê para mim! 
Tião – Todo eu! 
Maria (fazendo bico) – Fingido! 
Tião – Palavra, dengosa! 
Maria – Sei tudo tintim por tintim. Quando ocê morava na cidade era o garoto mais sapeca do 
Flamengo. Namorava uma filhinha-do-papai que era vizinha dos seus padrinhos e, por causa dela, levou uma 
bronca deles. Viu como sei tudo?... 
Tião – Muito bem, o que mais? 
Maria – Sei muito mais. Tu era um grande mentiroso. Dizia prá menininha que era estudante, contava 
uma porção de vantagem, até que, um dia, ela ia te pegando servindo de babá. Aí, quando tu viu ela, quis 
escondê o carrinho da criança atrás do murinho da praia. O garoto caiu, machucou a cabeça e tu levou uma 
bruta surrade teus padrinhos, e a menina não quis mais nada com você!
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Inclusão para a Vida Redação 
 
PRÉ-VESTIBULAR DA UFSC 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
02. Analise as proposições a seguir e indica o que for 
CORRETO afirmar acerca do Texto 2: 
(01) Pelo contexto, percebe-se que Tião faz uso de ironia 
tanto ao citar Brigitte Bardot como ao afirmar a Maria que fato 
contado por ela “É uma bela história (...).”. 
(02) O Texto 2 é um exemplo claro de que, na tentativa de 
dar mais veracidade a textos, autores, quando produzem diálogos de 
seus personagens, recorrem à transcrição da fala tal qual ela é usada 
no dia a dia. 
(04) A passagem “É uma bela história mas é também uma 
grande mentira (....)” poderia ser reescrita, mantendo-se a 
mensagem original, como “É uma bela história e uma grande 
mentira (...).”. 
(08) A expressão em destaque na passagem “Sei tudo tintim 
por tintim.” é um exemplo de onomatopeia, tal como ocorre em 
“Shhhh!!! Fala baixo, tu acorda o pessoá!”. 
(16) Ao empregar os termos “palavra” e “dengosa” em uma 
mesma sentença (8ª fala de Tião), o personagem alude à forma 
exageradamente meiga como Maria se reporta a ele com frequência. 
(32) Ao afirmar que era cria dos padrinhos, Tião revela 
amargura e admite a Maria que sempre fora tratado como um 
serviçal na casa deles. 
 
(64) O trecho “(...) contava uma porção de vantagem, até 
que, um dia, ela ia te pegando servindo de babá.” indicao flagrante 
que Tião deu na menina com quem mantinha um flerte. 
 
03. Por vezes, na revisão de um texto, percebe-se que é 
necessário reescrever certas passagens, a fim de que sejam evitados 
problemas como cacofonia, ambiguidade e outros. E, nesses casos, 
uma das dificuldades é fazer isso, mantendo-se o sentido original da 
sentença. 
Assim, analise a frase em destaque a seguir e indique em 
qual/quais proposição(ões) é mantida sua mensagem. 
“Tudo vale a pena, se a alma não é pequena.” 
(01) Nada vale a pena, se a alma deixa de ser pequena. 
(02) Não sendo pequena a alma, nada há que deixe de valer 
a pena. 
(04) Com alma grandiosa, tudo vale a pena. 
(08) Sendo a alma grande, não há nada que mereça o 
sofrimento. 
(16) Tendo uma alma grande, tudo merece atenção. 
(32) Se a alma não fosse pequena, tudo valeria a pena. 
(64) Sendo grandiosa a alma, o 
sofrimento é compensado. 
 
A FAVOR OU CONTRA? 
01. Em cada item há uma afirmação. Indique dois argumentos 
capazes de defendê-la e outros dois que se oponham a ela: 
a) As provas de múltipla escolha devem ser proibidas. 
b) O aborto deveria ser legalizado. 
c) O uso das drogas deveria ser liberado. 
d) Mulheres já têm tantos cargos de chefia quanto os homens. 
e) Maiores de 15 anos já deveriam receber penas semelhantes 
às destinadas a adultos. 
f) Hoje está mais fácil comprar um carro. 
g) Ministério da Saúde levanta a hipótese de alguns 
medicamentos, hoje só vendidos com receita, passarem a não 
necessitar de prescrição médica. 
 
 
 
 
 
 
CARTA ARGUMENTATIVA 
 
Como o próprio nome já diz, é a correspondência em que se 
apresenta uma argumentação. 
Nela, não podem faltar os itens: 
Î Local e data; 
Î Saudação; 
Î Despedida; 
Î Assinatura (no caso de vestibular, falsa, a fim de que 
não haja identificação do candidato). 
 
OLHA A TAL CARTA AÍ, GENTE! 
 
(UFSC 2007) 
PROPOSTA 3 
A partir da leitura dos trechos de poemas transcritos abaixo, 
o que você escreveria ao presidente da Organização das Nações 
Unidas (ONU)? 
 
POEMA A: 
“[...] 
Mas oh não se esqueçam 
Da rosa da rosa 
Da rosa de Hiroxima 
A rosa hereditária 
A rosa radioativa 
Estúpida e inválida 
A rosa com cirrose 
A anti-rosa atômica 
Sem cor sem perfume 
Sem rosa sem nada.”(MORAES, Vinícius de. A Rosa de Hiroxima. 
In: Nova Antologia Poética. São Paulo: Companhia das Letras, 
2004). 
 
POEMA B: 
“Nós merecemos a morte, 
porque somos humanos, 
e a guerra é feita pelas nossas mãos, 
pela nossa cabeça embrulhada em séculos de sombra, 
por nosso sangue estranho e instável, pelas ordens 
que trazemos por dentro, e ficam sem explicação.” 
(MEIRELLES, Cecília. Lamento do Oficial por seu Cavalo Morto. 
In: Obra Poética. 1 ed. Rio de Janeiro: Aguilar, 1958 ). 
 
POEMA C: 
“Este é tempo de partido, 
tempo de homens partidos. 
[...] 
O poeta 
declina de toda responsabilidade 
na marcha do mundo capitalista 
e com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas 
promete ajudar 
a destruí-lo 
como uma pedreira, uma floresta, 
um verme.” 
 
 (DRUMMOND DE ANDRADE, C. 
Nosso Tempo. In: A Rosa do Povo. Rio de 
Janeiro: Record, 2004). 
 
 
 
 
Tião – É uma bela história mas é também uma grande mentira que eu nunca escondi de ninguém que 
era cria dos meus padrinho, muito menos prá aquela enjoada lá. (Intrigado) Quem te contó isso? 
Maria – Não digo. 
Tião – Tá bem. Não pensa que eu vou rogá... 
Maria – E sem falá nas moças da fábrica de lã que tu namorou todas... 
Tião – E nunca esquecendo a Brigitte Bardot que eu namorei três anos... 
Maria – Convencido! 
(...)” 
GUARNIERI, Gianfrancesco 
Eles Não Usam Black Tie 
Ato I – Trecho Adaptado 
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Inclusão para a Vida Redação 
 
PRÉ-VESTIBULAR DA UFSC 
(UFSC 2009.1) 
Observe o quadro Cena de família, do pintor paulista 
Almeida Júnior (1850-1899). 
 
 
 
 Proposição 3 
 
 Redija uma carta dirigida a 
um dos personagens da família 
do quadro acima. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
(UFSC 2009.2) 
A partir de sua compreensão do poema transcrito abaixo, 
escreva uma carta a um amigo sobre seus sentimentos, hoje, a 
respeito do país em que você nasceu. Assine “Fulano de Tal”. 
 
UMA CANÇÃO 
 
Minha terra não tem palmeiras... 
E em vez de um mero sabiá, 
Cantam aves invisíveis 
Nas palmeiras que não há. 
 
Minha terra tem relógios, 
Cada qual com sua hora 
Nos mais diversos instantes... 
Mas onde o instante de agora? 
 
Mas onde a palavra “onde”? 
Terra ingrata, ingrato filho, 
Sob os céus da minha terra 
Eu canto a Canção do Exílio! 
 
QUINTANA, Mário. Poesias. 
Porto Alegre: Globo/SERS. 1962. 
7 
	TEXTO DESCRITIVO
	 “RECEITA DE MULHER
	“SONETO
	TEXTO NARRATIVO
	A Seca
	TEXTO DISSERTATIVO
	RELAÇÃO DE SENTIDOS
	TEXTO 1

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