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Inclusão para a Vida Redação PRÉ-VESTIBULAR DA UFSC Para que um texto seja considerado bem-sucedido, é necessário prezar por: Î clareza; Î coerência; Î coesão; Î correção gramatical; Î elegância. Assim, sabe-se que os ditos “defeitos” de um texto devem ser evitados! Os mais comuns são: A. Ambiguidade Uma frase ambígua é aquela que apresenta mais de um sentido. Veja: “Em época de pleito* é comum ouvirmos candidatos dizendo ao povo que se preocupam com o seu bem-estar”. *Ortografia/Semântica: pleito = eleição; preito = homenagem Analisando: “bem-estar” de quem? Do próprio candidato? Do povo? Percebe-se que o pronome possessivo (seu) não foi bem- empregado. B. Obscuridade A obscuridade é ainda pior que o a ambigüidade, pois, quando se é ambígüo, pode-se ter duas interpretações, enquanto que na obscuridade, muitas vezes, não podemos nem mesmo imaginar do que se trata. É uma falta total de clareza. Normalmente a obscuridade é causada por fases longas, má pontuação, desrespeito à normas gramaticais e linguagem rebuscada. Analise um trecho retirado da Folha de São Paulo já há algum tempo: “As videolocadoras de São Carlos estão escondendo suas fitas de sexo explícito. A decisão atende a uma portaria de Dezembro de 2001, do Juizado de Menores, que proíbe que as casas de vídeo aluguem, exponham e vendam fitas pornográficas a menores de dezoito anos. A portaria proíbe ainda os menores de dezoito anos de irem a motéis e rodeios sem a acompanhia ou autorização dos pais.” Fica a pergunta: então, se estiverem acompanhados dos pais, os menores poderão ir a motéis? C. Pleonasmo É uma espécie de redundância. No Ensino Médio estudamos que Pleonasmo faz parte dos Vícios de Linguagem e nos são passados exemplos de expressões que devemos evitar, tais como “subir para cima”, “descer para baixo”, “entrar para dentro” e “sair para fora”. Contudo não são apenas esses os pleonasmos existentes. Veja outros casos: matinal da manhã, noturno à noite, hemorragia de sangue, dois irmãos gêmeos, ganhou de graçar, recinto fechado, certeza absoluta, grande maioria, dois irãos gêmeos e outros casos. Atenção: quando usado de maneira poética, o Pleonasmo não constitui um erro. Exemplos: “E rir meu riso e derramar meu pranto.” (Vinícius de Moraes) “Os sonhos mais lindos, sonhei...” ( F. D. Marchetti e M. de Feraudy, veersão de Armando Louzada). Há casos de Pleonasmo mais comuns do que se imagina! “Acesso restrito somente a funcionários do setor.” “Há cinco anos atrás(...).” “Este produto é de boa qualidade.” “Isso é um pequeno detalhe.” “Estas são propriedades próprias do sódio.” “É um produto de boa qualidade.” “Que surpresa inesperada!” D. Cacofonia É um som desagradável (às vezes, obsceno), resultante da proximidade de determinadas sílabas. Por exemplo: lá tinha; da vez passada; mande-me já; Õ, dor horrível! E. Eco É a repetição de terminações (mesmo som). Observe: A decisão causou comoção na população. Corrigindo: A decisão fez com que o povo se comovesse. F. Prolixidade A prolixidade é o oposto da concisão. Consiste, portanto, em utilizarmos mais palavras do que o necessário, tornando a leitura cansativa e de difícil compreeensão. O uso de cacaoetes lingüísticos (expressões que não acrescentam nada ao texto, as quais só falamos porque estamos acostumados a ouvir) deve ser evitado. Por exemplo, não devemos introduzir um texto com expressões do tipo “antes de mais nada” ou “inicialmente”, pois, se estamos iniciando, é óbvio que é “inicialmente”. Outros casos: pelo contrário, por outro lado, por sua vez. Na prolixidade (lembre: ser prolixo é “enrolar”; é não ser objetivo), também encontramos o uso dos chavões. Os chavões são frases ou expressões “feitas” as quais só empobrecem o texto. Veja alguns exemplos: inflação galopante, caloroso abraço, caixinha de surpresas, vitória esmagadora e outros. G. Incoerência Ser incoerente é se contradizer. Por isso, tome muito cuidado e releia mais de uma vez seu texto, analisando-o, principalmente para que a conclusão não destoe do restante do texto. O desrespeito às regras gramaticais pode causar incoerência. Portanto tenha muita atenção com as regras de concordância, de regência, de acentuação e até mesmo com a ortografia. Veja: RETIFICAR = corrigir RATIFICAR = confirmar IR DE ENCONTRO = chocar-se; idéias contrárias IR AO ENCONTRO = lado a lado; idéias afins, semelhantes PARA PRATICAR... 01. Leia com atenção o texto a seguir e identifique os problemas existentes nas passagens numeradas: “A exploração do trabalho infantil, ela é algo1 alarmante e intrigante2. Seu índice tem diminuído3 nos últimos anos, talvez pelas medidas tomadas pelo governo. E isso4 é de responsabilidade do governo federal e não do estadual. Na época de nossos5 avós, isso não acontecia4, pois viviam na tranqüilidade do interior. Lá tinha6 tudo que precisavam. Os governantes valorizavam o povo e mantinham seu conforto7.” 02. Há uma ambiguidade no trecho: A.( ) “vem sendo praticada no mundo inteiro” B.( ) “Outros praticam a violência apenas como objetivo de enriquecerem” C.( ) “Há filhos matando pais para tomarem o que lhes pertence” D.( ) “Basta andarmos uns minutos” E.( ) “por quererem simplesmente mostrar que podem mais que os outros” 03. Certo dia, houve, na Inglaterra, um jogo entre Brasil e Argentina. Pouco antes do início da partida, um e Globo afirmou: “O estádio é um espetáculo! Mas o gramado é um tapete: a bola rola com a maior perfeição.” a) Para fazer alusão à qualidade do gramado, usou-se uma metáfora. Sublinhe-a. b) Explique o sentido dessa metáfora. c) Após responder às questões “a” e “b”, percebemos que o comentarista não formulou bem seu comentário. Explique a incoerência cometida. 04. Agora, analise o trecho de uma fala de um apresentador de telejornal apresentada logo após um comentário sobre a fauna brasileira: “(...) a caça e a extração ilegais de palmito (...).” a) Tal passagem apresenta uma incoerência. Qual? b) Reescreva a fala do jornalista, de modo a torná-la coerente. 1 Inclusão para a Vida Redação PRÉ-VESTIBULAR DA UFSC d) Tato 05. Todas as frases listadas a seguir apresentam ambiguidade. Indique quais são as duas interpretações possíveis em cada caso: a) O juiz declarou ter julgado o réu errado. b) O piloto enjoado levantou vôo. c) Comprou um carro rápido. d) Deixou a sala vazia. e) Confessou os erros que cometeu com franqueza. f) O jornal criticou a peça exibida com falta de talento. g)Trata-se de um estudo a respeito de Machado de Assis cuja leitura recomendo. h) A professora deixou a turma entusiasmada. TEXTO DESCRITIVO A Descrição nada mais é que um retrato verbal. Para que esse tipo de texto tenha êxito, uma boa dica é explorar a base sensorial. Analise: a) Visão “A dona era uma idosa franzina, de cabelos mais negros que a asa da graúna. Vestia um pijama desbotado, de seda japonesa. Tinha as unhas bem curtas, recobertas por uma crosta de esmalte vermelho escuro, descascado nas pontas.” (Lygia Fagundes Telles, “As formigas”) b) Audição “De uma mesa distante, a única ocupada ainda, vinha o ruído de vozes de homens. Uma gargalhada sonora em meio de vozes exaltadas. E a palavra cabrito saltou dentre outras que se arrastavam pastosas. Num rádio da vizinhança, ligado ao volume máximo, havia uma canção que contava a história de uma jovem a qual vendia violetas na porta do teatro. A voz da cantora era plana e um pouco fanhosa.” (Lygia Fagundes Teles, “A ceia”) c) Olfato “Lá, os armazéns tresandavam* a lixo e peixe podre, a latas vaziasde óleo como cheiro de homens esfarrapados.” (Autran Dourado, “A barca dos homens”) *tresandar = 1. fazer andar para trás; 2. exalar (mau cheiro); 3. cheirar mal. “O pai comprou o sapado dois números maiores (...). Enfiou o sapato branco, um rígido como só o couro pode ser, no pé frio e trêmulo do garoto. Ao pentear o loiro e sedoso cabelo do caçula, a cabeça ainda em fogo.” (Dalton Trevisan, “Pedrinho”) e) Paladar “Deitado, ele beliscou dois ou três gomos. Chupou o sumo azedo, deixou cair a casca no prato. Apanhou outro bago, desta vez mais doce.” PARA PRATICAR... 01. Leia o texto abaixo, retirado do romance A Moreninha, de Joaquim Manoel de Macedo, e responda às questões pertinentes a ele. “É inútil descrever o quarto de um estudante. Aí nada se encontra de novo. Ao muito, acharão uma estante, onde ele guarda seus livros, um cabide no qual pendura a casaca, a moringa, o castiçal, a cama, uma, até duas canastras de roupa, o chapéu, a bengala e a bacia; a mesa onde escreve e que só apresenta de recomendável a gaveta, cheia de papéis, de cartas da família, de flores e fitinhas misteriosas. É mais ou menos assim o quarto de Augusto.” a) Qual o tema-núcleo da descrição lida? b) A partir de que elementos o tema-núcleo foi destacado? c) Que elementos do texto mostram que o ambiente descrito pertence ao passado? d) Segundo o autor, quando algo merece ser descrito? 02) Observe, agora, trecho da crônica Menor Abandonado, escrita por Fernando Sabino. “Escurinho, de seus seis ou sete anos, não mais. Deitado de lado, braços dobrados como dois gravetos, as mãos protegendo a cabeça. Tinha os gambitos também encolhidos e enfiados na camisa esburacada, para se defender contra o frio da noite. Estava dormindo, como podia estar morto. Não era um ser humano, era um bicho, um saco de lixo mesmo, um traste inútil, abandonado sobre a calçada. Um legítimo menor abandonado.” a) Qual o tema-núcleo do parágrafo lido? b) De que modo o cronista busca provocar no leitor o sentimento de pena pela situação do menino? c) Como Fernando Sabino passa ao leitor a idéia de que a cena descrita não é algo incomum? Aproveitando... 03) Compare as charges abaixo e indique qual delas apresenta o mesmo tema que o parágrafo de Fernando Sabino. Justifique (Bem!) sua resposta. Charge 1 Charge 2 2 Inclusão para a Vida Redação PRÉ-VESTIBULAR DA UFSC CONOTATIVO X DENOTATIVO FIGURAS DE LINGUAGEM MAIS COMUNS a) Metáfora b) Metonímia c) Perífrase d) Catacrese e) Sinestesia f) Onomatopéia g) Hipérbole h) Eufemismo i) Ironia j) Antítese k) Paradoxo PARA PRATICAR... 01. “Foi uma fatalidade” ou “o elemento faleceu” é como um policial, que atirou fatalmente em um suspeito, pronuncia-se, ante a imprensa. Tradução: “Deus tirou-lhe a vida. Eu só fiz o furo.”. E locutores de futebol driblam o erro do seu jogador preferido, que chutou a redonda para fora, narrando: “O campo estreitou” ou “O campo acabou”. Nas passagens em destaque, temos: A. hipérbole e sinestesia. B. eufemismo e catacrese. C. apenas ironia. D. hipérbole e eufemismo. E. ironia e eufemismo. 02. Analise alguns versos da música O paraíso tem um tempo bom, da banda Cidade Negra: “onda grande, onda pequena na maré alta ou na maré vazia surfei ondas de melodia (...) corre devagar” Agora, considere as sentenças: I – No primeiro verso mencionado, temos a presença de antítese. II – O terceiro verso revela uma metáfora. III – o verso “corre devagar” evidencia um paradoxo. Quanto às três classificações enumeradas logo acima: A. apenas a I está correta. B. apenas a II está correta. C. apenas a III está correta. D. estão todas corretas. E. nenhuma está correta. “ESPARADRAPOHá palavras que parecem exatamente o que querem dizer. Esparadrapo, por exemplo. Quem quebrou a cara fica mesmo com cara de esparadrapo. No entanto há outras, aliás de nobre sentido, que parecem estar insinuando outra coisa. Por exemplo, incunábulo*.” QUINTANA, Mário. Da preguiça como método de trabalho. Rio de Janeiro, Globo 1987 p. 83. *Incunábulo: [do lat. Incunabulu: berço] Adj. 1 – Diz-se do livro impresso até o ano de 1500./S.m. 2 – Começo, origem. 03. A expressão “quebrar a cara” é largamente empregada na língua portuguesa com sentido conotativo. O vocábulo que melhor traduz o emprego conotativo dessa expressão no texto é: A. fracassar. B. desanimar. C. machucar-se. D. destruir. E. desistir. 04. Considere o texto a seguir: “A aposentada A. S., 68, tomou, na semana passada, uma decisão macabra em relação ao seu futuro. Ela pegou o dinheiro de sua aposentadoria (um salário mínimo) e comprou um caixão. A. mora com a irmã, M. F., 70, que também é aposentada. Elas não têm parentes. A. diz que está investindo no futuro. Sua irmã a apóia. A. também comprou a mortalha — roupa que quer usar quando morrer. O caixão fica guardado na sala da casa.” Folha de S. Paulo, 22/8/2005, adaptado. a) Localize e sublinhe o trecho que revela ironia. b) Explique como se dá esse efeito de ironia. Ou seja, explique por que ele é irônico. “RECEITA DE MULHER As muito feias que me perdoem Mas beleza é fundamental. É preciso que haja qualquer coisa de flor em tudo isso.” Vinícius de Moraes 05. Nesses versos, Vinícius de Moraes faz menção às mulheres de uma forma nada hipócrita. Ou seja, traça comentários de que muitos fugiriam. Assim, explique, de forma coerente e coesa, a metáfora empregada no último verso. 06. Considere a tira a seguir e as afirmações feitas em relação ao exposto nela: I – A expressão “Psiu” corresponde a uma onomatopeia. II – Do comportamento de Mafalda, infere-se a maturidade da menina. III – Analisando a postura dos personagens, depreende-se que nada mais pode ser feito para socorrer a Terra. Agora, indique a alternativa que expõe a correta análise das afirmações feitas quanto à tira lida: A. as afirmações I e II são verdadeiras. B. as afirmações II e III são verdadeiras. C. somente a afirmação I é verdadeira. D. somente a afirmação II é verdadeira. E. nenhuma das afirmações é verdadeira. 3 Inclusão para a Vida Redação PRÉ-VESTIBULAR DA UFSC A questão 07 se refere aos versos apresentados a seguir, de Alphonsus de Guimarães. “SONETO Hão de chorar por ela os cinamomos, Murchando as flores ao tombar do dia. Dos laranjais hão de cair os pomos, Lembrando-se daquela que os colhia. As estrelas dirão: - ‘Ai, nada somos, Pois ela se morreu silente e fria...’ E pondo os olhos nela como pomos, Hão de chorar a irmã que lhes sorria. (...)” 07. No decorrer dos versos lidos, percebe-se o emprego de: A. perífrase. B. eufemismo. C. prosopopéia. D. hipérbole. E. antonomásia. 08. Metáforas não são privilégio de textos escritos. Ou seja, elas podem ser facilmente empregadas em textos visuais, imagens. Levando isso em consideração, analise a figura a seguir de modo a identificar a problemática levantada. Depois, produza um parágrafo, dissertando sobre o tema exposto na charge. Mas, atenção: não está sendo solicitada a você uma explicação da metáfora empregada, como ocorreu na questão 09. E sim que você discuta o problema focado por ela. TEXTO NARRATIVO ELEMENTOS DA NARRATIVA I – Discurso II – Narrador III – Personagem IV – Tempo PARA PRATICAR... A Seca Raquel de Queiroz (O Quinze – trecho adaptado) Novamente a cavalo, segui o menino pelo solo árido. Vicentemarchava através da estrada vermelha e pedregosa da caatinga morta. Os cascos do animal pareciam tirar fogo dos pedacinhos de rocha em leitos secos dos rios. Lagartixas davam carreirinhas com paradas breves por cima das folhas secas, que estalavam como papel queimado. Todos os dias era isso: o sol que queimava, a seca que matava, a busca pela água não encontrada. Vicente sentia por toda parte uma impressão ressequida de calor e aspereza. A mãe aguardava-lhe, na esperança de ter um pouco d’água que fosse para umedecer a farinha que seria a refeição do dia. Mas o chão, que em outro tempo a sombra cobria, era uma confusão desolada de galhos secos, cuja agressividade ainda mais se acentuava pelos espinhos. E Vicente, mais uma vez, retornava; as mãos vazias da água esperada. 01. Com base no texto A Seca, responda: a) Sendo Vicente o protagonista no texto lido, a seca pode ser classificada a antagonista? Justifique sua resposta: b) O texto apresenta personagens secundárias? Em caso positivo, cite-a(s): c) O tempo trabalhado nessa narração é o cronológico ou o psicológico? Por quê? d) Seria correto dizermos que Vicente é um personagem- tipo? Por quê? e) Qual foi o tipo de narrador empregado por Raquel de Queiroz no trecho lido? TEXTO DISSERTATIVO RELAÇÃO DE SENTIDOS - O encadeamento de ideias - Uma boa forma de se buscar um encadeamento de idéias capaz de deixar seu texto claro é trabalhar com premissas. Veja: PARA PRATICAR... 01. Indique, para cada conjunto de frases a seguir, o que é premissa (P) e o que é conclusão (C):A ( ) A água está saindo da chaleira. ( ) A água está fervendo. B ( ) É possível que ele ganhe as eleições presidenciais. ( ) Ele tem muitos eleitores nos estados do Nordeste.C ( ) Esse tipo de questões deveria ser extinta. ( ) Esse tipo de questões tem uma correção muito subjetiva. D ( ) Minha mulher está ventindo-se. ( ) Minha mulher vai sair. E ( ) Não vou poder trabalhar hoje. ( ) Um computador está com problemas.F ( ) É muito difícil aprender a escrita da Língua Japonesa. ( ) O alfabeto japonês tem mais de mil símbolos. G ( ) Ele é mau motorista. ( ) Ele bateu o carro algumas vezes este ano. PREMISSA Um dos meios mais simples de argumentar é a premissa: a apresentação de duas frases, uma das quais é conclusão da outra. 02. Sempre que passamos da premissa á conclusão, assumimos como verdadeira aguma idéia intermediária, a qual, normalmente, fica subentendida. Quais são as idéias assumidas como verdadeiras nos casos a seguir? a) O motorista do carro da frente é uma mulher; é melhor ultrapassá-lo. b) Neste exercício, cheguei à mesma resposta dada no gabarito do livro; acertei mais um! c) A nota da redação foi melhor do que a da primeira que escrevi; seguirei escrevendo. INFERÊNCIAS Quando observamos um fato, tiramos algumas “conclusões” (inferências). Imaginemos, por exemplo, que leiamos a seguinte manchete em um jornal: “Brasil importa automóveis da França”. Poderíamos, então, tirar como possíveis conclusões: 4 Inclusão para a Vida Redação PRÉ-VESTIBULAR DA UFSC 1 – o Brasil não está produzindo automóveis em número suficiente; 2 – a economia brasileira está cada vez mais dependente da estrangeira; 3 – os automóveis importados são os preferidos dos brasileiros. Contudo nem sempre as inferências são verdadeiras. Por isso é necessário analisar uma a uma das levantadas antes de integrá-las à argumentação. 03. Indique uma inferência de caráter positivo e outra de negativo para cada uma das afirmações manchetes a seguir: a) Florianópolis não “acolherá” a próxima Copa. b) Aulas de Ensino Religioso voltarão a ser obrigatórias no Ensino Fundamental. c) O Carnaval se aproxima. d) As questões discursivas são cobradas em muitos vestibulares. ANALISANDO... TEXTO 1 “O cajueiro floresceu quatro vezes depois que Martim partiu das praias do Ceará, levando no frágil barco o filho e o cão fiel. A jandaia não quis deixar a terra onde repousava sua amiga e senhora. O primeiro cearense, ainda no berço, emigrava da terra da pátria. Havia aí a predestinação de uma raça? Poti levantava a taba de seus guerreiros na margem do rio e esperava o irmão que lhe prometera voltar. Todas as manhãs, subia ao morro das areias e volvia os olhos ao mar, para ver se branqueava ao longe a vela amiga. Afinal volta Martim de novo às terras, que foram de sua felicidade, e são agora de amarga saudade. Quando seu pé sentiu o calor das brancas areias, em seu coração derramou-se fogo, que o requeimou: era o fogo das recordações que ardiam como centelha sob as cinzas. Só aplacou essa chama quando ele tocou a terra onde dormia sua esposa; porque, nesse instante, seu coração transudou*, como o tronco do jataí nos ardentes calores, e orvalhou sua tristeza de lágrimas abundantes. (...) Poti foi o primeiro que ajoelhou aos pés do sagrado lenho; não sofria ele nada mais que o separasse de seu irmão branco. Deviam ter ambos um só Deus, como tinham um só coração.” *transudar = transpirar ALENCAR, José de. Iracema Capítulo 33. 01. A partir do Texto 1, indique a(s) proposição(ões) CORRETA(S): (01) A frase “O primeiro cearense, ainda no berço, emigrava da terra da pátria.” deixa claro que, naquele momento, o personagem em questão chegava a sua pátria. (02) O prefixo usado no termo “requeimou” (linha 11) indica que não era a primeira vez que Martim sentia tal emoção. (04) Na obra Iracema, tem-se o emprego de Metáforas em variadas passagens. A exemplo disso pode-se citar o trecho “(...) seu coração transudou, como o tronco do jataí nos ardentes calores (..).”. (08) O termo destacado em “Só aplacou essa chama quando ele tocou a terra onde dormia sua esposa (...).” (linha 13) indica que se intensificava a angústia de Martim. (16) O último parágrafo do Texto 1 retrata a identificação que existia entre Poti e seu irmão branco. (32) O trecho “O cajueiro floresceu quatro vezes depois que Martim partiu das praias do Ceará” (linha 1) pode ser reescrito, respeitando-se a pontuação, como “Floresceu, Martim, quatro vezes o cajueiro, depois que partiu da praia.” TEXTO 2 “(...) Maria – Shhhh!!! Fala baixo, tu acorda o pessoá! Tião – Acorda, não. Maria – É melhor a gente ir andando... É só um pedacinho. Tião – Prá ficá enterrada na lama? Não senhora, vamo esperá estiá. Maria – Dona Romana não vai achá ruim? Tião (acendendo um lampião) – Não sei por quê! Maria – Vamo embora, Tião. Tá tarde, mamãe não dorme enquanto eu não chego... Tião – Qué te aquietá? (Pausa. Aponta a cadeira.) Senta aqui. (...) Maria – Tu gosta de eu? Tião – Ô, dengosa, eu sem tu não era nada... Maria – Bobagem, namoradô como tu era... Tião – Tudo passô! Maria – Pensa que eu não sei? Todas elas miando: ‘Tiãozinho prá cá, Tiãozinho prá lá...’ (Abraçando- o). Mas eu robei ocê para mim! Tião – Todo eu! Maria (fazendo bico) – Fingido! Tião – Palavra, dengosa! Maria – Sei tudo tintim por tintim. Quando ocê morava na cidade era o garoto mais sapeca do Flamengo. Namorava uma filhinha-do-papai que era vizinha dos seus padrinhos e, por causa dela, levou uma bronca deles. Viu como sei tudo?... Tião – Muito bem, o que mais? Maria – Sei muito mais. Tu era um grande mentiroso. Dizia prá menininha que era estudante, contava uma porção de vantagem, até que, um dia, ela ia te pegando servindo de babá. Aí, quando tu viu ela, quis escondê o carrinho da criança atrás do murinho da praia. O garoto caiu, machucou a cabeça e tu levou uma bruta surrade teus padrinhos, e a menina não quis mais nada com você! 5 Inclusão para a Vida Redação PRÉ-VESTIBULAR DA UFSC 02. Analise as proposições a seguir e indica o que for CORRETO afirmar acerca do Texto 2: (01) Pelo contexto, percebe-se que Tião faz uso de ironia tanto ao citar Brigitte Bardot como ao afirmar a Maria que fato contado por ela “É uma bela história (...).”. (02) O Texto 2 é um exemplo claro de que, na tentativa de dar mais veracidade a textos, autores, quando produzem diálogos de seus personagens, recorrem à transcrição da fala tal qual ela é usada no dia a dia. (04) A passagem “É uma bela história mas é também uma grande mentira (....)” poderia ser reescrita, mantendo-se a mensagem original, como “É uma bela história e uma grande mentira (...).”. (08) A expressão em destaque na passagem “Sei tudo tintim por tintim.” é um exemplo de onomatopeia, tal como ocorre em “Shhhh!!! Fala baixo, tu acorda o pessoá!”. (16) Ao empregar os termos “palavra” e “dengosa” em uma mesma sentença (8ª fala de Tião), o personagem alude à forma exageradamente meiga como Maria se reporta a ele com frequência. (32) Ao afirmar que era cria dos padrinhos, Tião revela amargura e admite a Maria que sempre fora tratado como um serviçal na casa deles. (64) O trecho “(...) contava uma porção de vantagem, até que, um dia, ela ia te pegando servindo de babá.” indicao flagrante que Tião deu na menina com quem mantinha um flerte. 03. Por vezes, na revisão de um texto, percebe-se que é necessário reescrever certas passagens, a fim de que sejam evitados problemas como cacofonia, ambiguidade e outros. E, nesses casos, uma das dificuldades é fazer isso, mantendo-se o sentido original da sentença. Assim, analise a frase em destaque a seguir e indique em qual/quais proposição(ões) é mantida sua mensagem. “Tudo vale a pena, se a alma não é pequena.” (01) Nada vale a pena, se a alma deixa de ser pequena. (02) Não sendo pequena a alma, nada há que deixe de valer a pena. (04) Com alma grandiosa, tudo vale a pena. (08) Sendo a alma grande, não há nada que mereça o sofrimento. (16) Tendo uma alma grande, tudo merece atenção. (32) Se a alma não fosse pequena, tudo valeria a pena. (64) Sendo grandiosa a alma, o sofrimento é compensado. A FAVOR OU CONTRA? 01. Em cada item há uma afirmação. Indique dois argumentos capazes de defendê-la e outros dois que se oponham a ela: a) As provas de múltipla escolha devem ser proibidas. b) O aborto deveria ser legalizado. c) O uso das drogas deveria ser liberado. d) Mulheres já têm tantos cargos de chefia quanto os homens. e) Maiores de 15 anos já deveriam receber penas semelhantes às destinadas a adultos. f) Hoje está mais fácil comprar um carro. g) Ministério da Saúde levanta a hipótese de alguns medicamentos, hoje só vendidos com receita, passarem a não necessitar de prescrição médica. CARTA ARGUMENTATIVA Como o próprio nome já diz, é a correspondência em que se apresenta uma argumentação. Nela, não podem faltar os itens: Î Local e data; Î Saudação; Î Despedida; Î Assinatura (no caso de vestibular, falsa, a fim de que não haja identificação do candidato). OLHA A TAL CARTA AÍ, GENTE! (UFSC 2007) PROPOSTA 3 A partir da leitura dos trechos de poemas transcritos abaixo, o que você escreveria ao presidente da Organização das Nações Unidas (ONU)? POEMA A: “[...] Mas oh não se esqueçam Da rosa da rosa Da rosa de Hiroxima A rosa hereditária A rosa radioativa Estúpida e inválida A rosa com cirrose A anti-rosa atômica Sem cor sem perfume Sem rosa sem nada.”(MORAES, Vinícius de. A Rosa de Hiroxima. In: Nova Antologia Poética. São Paulo: Companhia das Letras, 2004). POEMA B: “Nós merecemos a morte, porque somos humanos, e a guerra é feita pelas nossas mãos, pela nossa cabeça embrulhada em séculos de sombra, por nosso sangue estranho e instável, pelas ordens que trazemos por dentro, e ficam sem explicação.” (MEIRELLES, Cecília. Lamento do Oficial por seu Cavalo Morto. In: Obra Poética. 1 ed. Rio de Janeiro: Aguilar, 1958 ). POEMA C: “Este é tempo de partido, tempo de homens partidos. [...] O poeta declina de toda responsabilidade na marcha do mundo capitalista e com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas promete ajudar a destruí-lo como uma pedreira, uma floresta, um verme.” (DRUMMOND DE ANDRADE, C. Nosso Tempo. In: A Rosa do Povo. Rio de Janeiro: Record, 2004). Tião – É uma bela história mas é também uma grande mentira que eu nunca escondi de ninguém que era cria dos meus padrinho, muito menos prá aquela enjoada lá. (Intrigado) Quem te contó isso? Maria – Não digo. Tião – Tá bem. Não pensa que eu vou rogá... Maria – E sem falá nas moças da fábrica de lã que tu namorou todas... Tião – E nunca esquecendo a Brigitte Bardot que eu namorei três anos... Maria – Convencido! (...)” GUARNIERI, Gianfrancesco Eles Não Usam Black Tie Ato I – Trecho Adaptado 6 Inclusão para a Vida Redação PRÉ-VESTIBULAR DA UFSC (UFSC 2009.1) Observe o quadro Cena de família, do pintor paulista Almeida Júnior (1850-1899). Proposição 3 Redija uma carta dirigida a um dos personagens da família do quadro acima. (UFSC 2009.2) A partir de sua compreensão do poema transcrito abaixo, escreva uma carta a um amigo sobre seus sentimentos, hoje, a respeito do país em que você nasceu. Assine “Fulano de Tal”. UMA CANÇÃO Minha terra não tem palmeiras... E em vez de um mero sabiá, Cantam aves invisíveis Nas palmeiras que não há. Minha terra tem relógios, Cada qual com sua hora Nos mais diversos instantes... Mas onde o instante de agora? Mas onde a palavra “onde”? Terra ingrata, ingrato filho, Sob os céus da minha terra Eu canto a Canção do Exílio! QUINTANA, Mário. Poesias. Porto Alegre: Globo/SERS. 1962. 7 TEXTO DESCRITIVO “RECEITA DE MULHER “SONETO TEXTO NARRATIVO A Seca TEXTO DISSERTATIVO RELAÇÃO DE SENTIDOS TEXTO 1