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www.cers.com.br 1 www.cers.com.br 2 # O segundo substrato do crime é ilicitude ou antijuridicidade? 1ªC: O segundo substrato do crime é a ILICITUDE (não se podendo falar em antijuridicidade). É sabido que na teoria geral do Direito, “crime” constitui um fato jurídico. Conclusão: 2ªC: O segundo substrato do crime é a ILICITUDE (ou ANTIJURIDICIDADE). A contradição apontada pela 1ª corrente é aparente, pois o termo antijuridicidade é usado exclusivamente na teoria geral do crime, não se confundindo com a teoria geral do Direito. ILICITUDE: CONCEITO Conduta típica não justificada, espelhando a relação de contrariedade entre o fato típico e o ordenamento jurídico como um todo. MP/GO: Diferencie a antijuridicidade formal da antijuridicidade material. TIPICIDADE: EVOLUÇÃO: www.cers.com.br 3 RELAÇÃO ENTRE TIPICIDADE E ILICITUDE 1ª teoria: TEORIA DA AUTONOMIA OU ABSOLUTA INDEPENDÊNCIA - Von Beling (1906). A tipicidade não tem qualquer relação com a ilicitude. Cuidado: RELAÇÃO ENTRE TIPICIDADE E ILICITUDE 2ª teoria: TEORIA DA INDICIARIEDADE OU RATIO COGNOSCENDI - Mayer (1915). A existência de fato típico gera presunção de ilicitude. - Relativa dependência. Cuidado: RELAÇÃO ENTRE TIPICIDADE E ILICITUDE 3ª teoria: TEORIA DA ABSOLUTA DEPENDÊNCIA OU RATIO ESSENDI www.cers.com.br 4 - Mezger (1930) A ilicitude é essência da tipicidade, numa relação de absoluta dependência. Cuidado: RELAÇÃO ENTRE TIPICIDADE E ILICITUDE 4ª teoria: TEORIA DOS ELEMENTOS NEGATIVOS DO TIPO Chega no mesmo resultado da 3ª teoria, mas por outro caminho. De acordo com essa teoria, o tipo penal é composto de elementos positivos (explícitos) e elementos negativos (implícitos). Atenção: # Qual das 4 teorias o Brasil adotou? ATENÇÃO! ÔNUS DA PROVA É DA DEFESA. Adotando jurisprudência majoritária, a Lei nº 11.690/08 alterou o art. 386, VI do CPP, temperando a teoria da indiciariedade. “Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça: VI – existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena (arts. 20, 21, 22, 23, 26 e § 1o do art. 28, todos do Código Penal), ou mesmo se houver fundada dúvida sobre sua existência”. Art. 386, VI. CPP: www.cers.com.br 5 CAUSAS EXCLUDENTES DA ILICITUDE (DESCRIMINANTES OU JUSTIFICANTES) (ART. 23 C.P.) “Exclusão de ilicitude Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: I - em estado de necessidade; II - em legítima defesa; III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito. Excesso punível Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo excesso doloso ou culposo.” CAUSAS EXCLUDENTES DA ILICITUDE (DESCRIMINANTES OU JUSTIFICANTES) Regra: art. 23 CP. Descriminantes na parte especial do CP - Ex.: Descriminantes na legislação extravagante - Ex.: Descriminante não prevista em lei - Ex.: ESTADO DE NECESSIDADE (arts. 23, I e 24 do C.P.) “Exclusão de ilicitude Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: I - em estado de necessidade; “Estado de necessidade Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. § 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo. § 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a dois terços.” www.cers.com.br 6 ESTADO DE NECESSIDADE A noção de estado de necessidade remete à ideia de sopesamento de bens diante de uma situação adversa. Se há dois bens em perigo, permite-se que seja sacrificado um deles, pois a tutela penal não consegue proteger ambos. FUNDAMENTO JURÍDICO: REQUISITOS: REQUISITOS OBJETIVOS: 1- PERIGO ATUAL É o risco presente causado por conduta humana (ex.: carro desgovernado), por comportamento de animal (ex.: ataque de cachorro) ou por fato da natureza (ex.: desmoronamento). Atenção: # E o perigo iminente? Perigo iminente = prestes a desencadear-se. 1ªC: 2ªC: Quanto à EXISTÊNCIA DO PERIGO, a doutrina classifica o estado de necessidade em: a) Estado de necessidade real: b) Estado de necessidade putativo: 2- QUE A SITUAÇÃO DE PERIGO NÃO TENHA SIDO CAUSADA VOLUNTARIAMENTE PELO AGENTE Se o agente é o causador voluntário do perigo, não pode alegar estado de necessidade. # O que significa ser causador voluntário do perigo? # O que significa ser causador voluntário do perigo? 1ªC (prevalece): Ser causador voluntário é ser causador doloso do perigo. Conclusão: 2ªC (Mirabete): Ser causador voluntário é ser causador doloso ou culposo do perigo. Conclusão: ARTIGO DE APOIO – art. 13 C.P. “Relação de causalidade Art. 13 (...) Relevância da omissão § 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem: a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; www.cers.com.br 7 b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.” 3- SALVAR DIREITO PRÓPRIO OU ALHEIO # Para alegar estado de necessidade de terceiro, é preciso da autorização do terceiro? 1ªC: 2ªC: 4- INEXISTÊNCIA DO DEVER LEGAL DE ENFRENTAR O PERIGO Se o agente tem o dever legal de enfrentar o perigo, não pode alegar estado de necessidade enquanto o perigo comportar enfrentamento. # O que significa dever legal? 1ªC: Por “dever legal” entende-se apenas aquele derivado de mandamento legal (art. 13, § 2º, “a” CP). Conclusão: 2ªC (Exposição de motivos do CP): Por “dever legal” entende-se dever jurídico de agir, abrangendo todas as hipó- teses do art. 13, § 2º CP (“a”, “b” e “c”). Conclusão: ARTIGO DE APOIO – art. 13 C.P. “Relação de causalidade Art. 13 (...) Relevância da omissão § 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem: a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.” 5- INEVITABILIDADE DO COMPORTAMENTO LESIVO O único meio para salvar direito próprio ou de terceiro é o cometimento de fato lesivo, sacrificando-se bem jurídico alheio (não pode ser o meio mais cômodo). ATENÇÃO: Quanto ao TERCEIRO QUE SOFRE A OFENSA: a) Estado de necessidade defensivo: b) Estado de necessidade agressivo: 6- INEXIGIBILIDADE DO SACRIFÍCIO DO INTERESSE AMEAÇADO Trata-se do requisito da proporcionalidade. Proporcionalidade: direito protegido x direito sacrificado. www.cers.com.br 8 TEORIA DIFERENCIADORA C.P. Militar (arts. 39 e 45) “Estado de necessidade, com excludente de culpabilidade Art. 39. Não é igualmente culpado quem, para proteger direito próprio ou de pessoa a quem está ligado por estreitas relações de parentesco ou afeição, contra perigo certo e atual, que não provocou, nem podia de outro modo evitar, sacrifica direitoalheio, ainda quando superior ao direito protegido, desde que não lhe era razoavelmente exigível conduta diversa.” “Excesso culposo Art. 45. O agente que, em qualquer dos casos de exclusão de crime, excede culposamente os limites da necessi- dade, responde pelo fato, se este é punível, a título de culpa. Excesso escusável Parágrafo único. Não é punível o excesso quando resulta de escusável surpresa ou perturbação de ânimo, em face da situação.” TEORIA UNITÁRIA C.P. (art. 24, § 2º) “Estado de necessidade Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. § 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo. § 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a dois terços.” ESTADO DE NECESSIDADE REQUISITO SUBJETIVO: Exige do agente conhecimento da situação de fato justificante. Conclusão: www.cers.com.br 9 ATENÇÃO! # Cabe estado de necessidade em delito habitual e crime permanente? Delito habitual: exige reiteração de atos (ex.: exercício ilegal da medicina). Crime permanente: consumação se prolonga no tempo (ex.: cárcere privado). Exigindo a lei como requisitos o perigo atual, a inevitabilidade do comportamento lesivo e a não razoabilidade de exigência do sacrifício do direito ameaçado, referindo-se às circunstâncias do fato, não se tem admitido estado de necessidade nos delitos habituais e nos crimes permanentes. CUIDADO: Ex.1: Mãe que acorrenta filho em casa para ele não consumir drogas. Ex.2: Estudante de medicina que evita epidemia. www.cers.com.br 10