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PSICOPATOLOGIA A psicopatologia (Psyché - alma; Páthos - sofrimento ou doença; e Lógos - estudo ou ciência) é uma disciplina cientifica que estuda o adoecimento mental do ser humano em seus diferentes aspectos. Desse modo, o campo da psicopatologia inclui um grande número de fenômenos humanos associados ao que se denominou, historicamente, doença mental. São vivências, estados mentais e padrões comportamentais descritos sob a forma de sintomas, didaticamente divididos entre as funções psíquicas. ! OBS: Nem todas as alterações descritas são patológicas. Aparência Geral: descrição de como o paciente parece - Parece ter a idade declarada, ser mais velho ou mais novoDuas classificações muito usadas são desleixada ou excêntrica. - Está de acordo o estilo de se vestir e a ocasião - Usa maquiagem, acessórios - Tem higiene - Expressão fisionômica. Atitude: é o comportamento do paciente Pode ser: não cooperativa; de oposição (negativista); hostil; fuga; suspicaz (desconfiança); reivindicativa; arrogante; evasiva; invasiva; pueril; inibida; desinibida; irônica; lamuriosa; dramática; sedutora; viscosa; simuladora; manipuladora; reação de último momento. Consciência é o estado de alerta e de consciência do individuo em relação ao ambiente. Alterações quantitativas dizem respeito ao nível da consciência. - Lucidez: consciente/acordado pleno. - Sono (sono profundo, sono sem sonho, sono com sonho, sonolência do despertar ou do amanhecer) - Obnubilação: um estado de apatia, estando o paciente com pensamento lento e obscuro - Torpor: sonolência patológica com prejuízo da consciência, mas da qual o paciente pode ser despertado - Coma (grau I, grau II, grau III e grau IV). Alterações qualitativas referem-se ao campo da consciência. - Estado crepuscular ou estreitamento da consciência é uma redução da amplitude da consciência – a atividade mental permanece focada em um objeto/grupo e tudo mais fica esmaecido e sem relevo. O paciente atua como um autômato e, em geral, esquece totalmente do que aconteceu nesse período. É observado em quadros dissociativos agudos, crises epilépticas e intoxicações. - Dissociação da consciência refere-se à fragmentação ou divisão do campo da consciência, na qual observa-se um estado semelhante ao sonho e pode ocorrer em estados dissociativos e quadros de ansiedade intensa. - Confusão mental: mistura de percepções reais com ideias fantásticas. - Estados de transe - Estados hipnóticos. Atenção: é a capacidade de concentração Dentro da atenção, existe a vigilância e a tenacidade. A vigilância é quando o paciente está atento ao ambiente (atenção global – em tudo ao mesmo tempo) e a tenacidade é a atenção focada em um acontecimento ou uma atividade. - Vigilância: Normovigilancia; Hipoprosexia/hipovigilancia; Hiperprosexia/hipervigilancia. - Tenacidade: Normotenacidade; Hipotenacidade; Hipertenacidade. Distração: Hipertenacidade associada a hipovigilancia (superconcentração ativa sobre determinados objetos com inibição do restante). Pode ser encontrado em alguns quadros obsessivos e síndromes depressivas. Distratibilidade: Hipotenacidade associada a hipervigilância (atenção focada é facilmente desviada). Pode ser observado em estados maníacos, uso de anfetaminas e situações de intensa ansiedade. Orientação: é a capacidade de situar-se quanto a si mesmo (orientação autopsíquica) e quanto ao ambiente (orientação alopsíquica). A orientação alopsíquica é dividida em orientação temporal e espacial. Distinguem-se vários tipos de desorientação, segundo a alteração de base que a condiciona: desorientação torporosa, por deficit de memória, por apatia e/ou desinteresse profundo, desorientação esquizofrênica (fenômeno da dupla orientação – paciente vive 2 mundos), oligofrênica e dissociativa. Sensopercepção: é a consciência do estímulo sensorial que pode ser estímulos físicos, químicos ou biológicos variados, que produzem alterações nos órgãos receptores. É influenciada pela higidez dos órgãos sensoriais e da integridade do sistema nervoso central, assim como por funções psíquicas como vontade, afetividade e inteligência. Alterações quantitativas - Hiperestesia, que pode ocorrer nas intoxicações por alucinógenos e alguns tipos de epilepsia - Hipoestesia, observada em alguns quadros depressivos Alterações qualitativas: - Ilusões são percepções alteradas de um objeto real e presente e podem ocorrer basicamente em três condições: rebaixamento do nível de consciência, estados de fadiga grave e estados de acentuada carga afetiva/tensão emocional (tensão catatímica – objeto percebido é deformado por influência das emoções). - Alucinações são vivências de percepção de um objeto, sem que este objeto esteja presente. Podem ser classificadas em: auditivas (podem ser elementares quando ouve ruídos ou complexas quando ouve palavras, frases ou diálogos, inclusive entre vozes e o paciente é uma terceira pessoa; eco do pensamento com possível publicação do pensamento – paciente acha que as pessoas ouvem o que ele pensa; vozes que comentam o seu comportamento ou dão ordens), visuais (mais características de distúrbios orgânicos como delirium tremens e intoxicação por cocaína), táteis, olfativas e gustativas, cenestésicas (sensações anormais no corpo, como sentir que “a cabeça está encolhendo”), cinestésicas (alucinações de movimentos, como o “corpo flutuando”), sinestésicas (envolvem mais de um sentido) e alucinações extracampinas (ocorrem fora do campo sensorial). Podem ser caracterizadas também alucinações hipnagógicas (ocorre na transação sono-vigília) e funcionais (desencadeadas por estímulos sensoriais, como o paciente que ouve vozes ao abrir o chuveiro). - Despersonalização: sensação de ser estranho a si mesmo ou de que alguma coisa mudou. - Desrealização: sensação de que o ambiente mudou de alguma forma estranha que é difícil descrever. - Pareidolias: abstração – alterações a partir de nuvens, sombras, etc. - Heautoscopias: experiência de duplo - experiência em que uma pessoa enquanto acreditando estar acordada vê seu corpo, o ambiente e o mundo a sua volta como se estivesse fora do seu corpo físico. - Alucinoses: quadros alucinatórios sem perda de consciência da realidade, podendo ocorrer em casos de alcoolismo Memória: capacidade de registrar, manter e evocar fatos passados. Está intimamente relacionada com o nível de consciência, atenção e interesse afetivo. Pode ser dividida em: Memória de fixação (capacidade de registrar e fixar fatos e informações) Memória de evocação (capacidade de retornar a consciência o que foi apreendido e conservado) Memória imediata (capacidade de reter a informação imediatamente após ser percebida) Memória recente ou de curto prazo (fatos ou informação ocorrida a um período curto, de minutos a uma hora) Memória remota ou de longo prazo (Acontecimentos ocorridos no passado, após meses ou anos). Alterações quantitativas - Hipermnésia, geralmente relacionada a uma aceleração psíquica global, é o aumento da memória. Pouco valor semiológico, mas também se divide em anterógrada, retrógrada, lacunar e seletiva. - Amnésia é a perda da memória Amnesia anterógrada ou de fixação: incapacidade de recordar fatos recentes Amnésia retrógrada ou de evocação: incapacidade de recordar fatos vivenciados há meses ou anos. Amnésia Lacunar: perda de memoria de um determinado período com boa capacidade de evocação para acontecimentos anteriores e posteriores Amnésia Seletiva. Alterações qualitativas: lembranças deformadas que não correspondem à sensopercepção original. - Paramnésia: alucinação de memória. - Alomnésia: ilusão da memória – ilusões mnêmicas (acréscimo de elementos falsos a uma lembrança verdadeira) - Ecminésia: presentificação do passado - Confabulações: dados fantasiosos que preenchem vazios de memória. - Déja Vu (já visto):clara impressão de ter vivivo anteriormente. - Jamais Vu (jamais vi). Inteligência: a capacidade de resolver problemas, de qualquer natureza. Deve-se considerar sempre, na avaliação, o contexto sociocultural e a escolaridade do paciente, e as questões devem ser relevantes à sua bagagem cultural e educacional. - Cálculo: solicitar ao paciente que realize contas simples e complicar à medida que ele responde corretamente. - Cabedal de conhecimento: informações gerais - Raciocínio abstrato: capacidade para lidar com conceitos (explicar semelhanças ou significado de provérbios simples). Pensamento: consiste na organização do fluxo das ideias (associar conhecimentos novos e antigos, integrar estímulos internos e externos, analiar, abstrair, sintetizar e criar). Pode sofrer influência de outras funções psíquicas como consciência, orientação, atenção, memória, inteligência e percepção. O pensamento está dividido didaticamente em curso, forma e conteúdo. Alterações do curso: velocidade e ritmo de como o pensamento flui. - Acelerado ou taquipsiquismo: uma ideia se sobrepõe a outra rapidamente - Lentificado ou bradipsiquismo: progresso lento e dificultoso do pensamento - Aumento do tempo de latência da resposta. - Bloqueio do pensamento ou súbita interrupção : interropimento brusco e repetino do pensamento - Roubo do pensamento: o indivíduo tem a sensação de que seu pensamento foi roubado de sua mente. Alterações da forma do pensamento: como os pensamentos são formulados, organizados e expressos. - Fuga de ideias: secundária à aceleração, na qual uma ideia se segue à outra de forma extremamente rápida, deixando de seguir uma lógica e passando a ocorrer por assonância. - Dissociação do pensamento: decorre de uma articulação inadequada entre os juízos, fazendo com que o pensamento se torne desorganizado. - Afrouxamento das associações: ideias menos articuladas entre o conteúdo sequencial. - Descarrilhamento do pensamento: o pensamento passa a extraviar-se de seu curso normal. - Desagregação do pensamento: associação de ideias sem vinculo de sentido entre si. - Associação por assonância: pensamentos associados pelo som das palavras (p. ex., rimas) e não pelo significado. - Arborização: perda da direcionalidade, sem conclusão do raciocínio. - Perseveração: repetição frequente das mesmas ideias ou palavras - dificuldade de mudança do tema. - Concretude do pensamento: ideias abstratas permanecem, mas são usadas de maneira concreta. - Prolixidade: exagero de dados desnecessários (incapacidade de sintetizar). Se subdivide em: . Circunstancialidade: raciocínio do paciente “dá voltas em torno do tema/pergunta” sem entrar na questão essência, mas consegue atingir o objetivo e existe conexão entre as afirmativas. . Tangencialidade: paciente também ronda o tema semelhante a circunstancialidade, mas o paciente não atinge o tema central da discussão e os assuntos são irrelevantes ou relacionados de uma maneira menor - Incoerente: ideias não apresentam nem logica e nem sentido. - Ideias sobrevaloradas: o pensamento se centraliza obsessivamente num tópico especialmente definido e carregado de uma enorme carga afetiva. As alterações do conteúdo: dizem respeito ao tema do pensamento. - Pensamentos obsessivos: predominância de ideias ou representações com conteúdos absurdos ou repulsivos, que se impõem à consciência de modo inflexível e incontrolável. - Delírio: ideias delirantes são ideias fixas e falsas - se distancia da realidade compartilhada. As ideias delirantes primárias são juízos patologicamente falseados e têm características essenciais: convicção extraordinária, são irremovíveis, seu conteúdo é impossível e incompreensível, e são particulares ao indivíduo, inserindo-se de maneira inteiramente nova em determinado instante da curva vital daquela pessoa. Podem ser divididos em sistematizados e não sistematizados e incluem diversos tipos: persecutório, de autorreferência, de influência, de grandeza, místico, de culpa, de ruína, de ciúme, niilista, infestação, capgras, fregoli, entre outros. Os delírios secundários ou ideias deliroides se caracterizam por não se originarem de uma alteração primária do pensamento, mas de alterações de outras áreas da atividade mental (afetividade, consciência), que indiretamente produziram juízos falsos. - Paranoia: refere-se a desconfiança e pode está relacionado ao delírio. Geralmente envolve câmeras, governo ou microfones. Fala e Linguagem - Taquilalia ou logorreia ou taquifasia: produção aumentada da linguagem verbal podendo haver “pressão ao falar”, isto é, atividade linguística na qual há pressão incoercível para falar sem parar. - Bradilalia ou bradifasia: fala vagarosa. - Oligolalia: expressão verbal diminuída, mas não abolida. - Mutismo: mudo - Perseveração e estereotipia verbal: repetição automática de palavras ou trechos de frases, de forma quase mecânica, comum em alguns casos de esquizofrenia. - Ecolalia: repetição da última ou das últimas palavras que o entrevistador falou ao paciente. - Palilalia e logoclonia: repetição da última ou das últimas palavras que o próprio paciente falou. - Tiques verbais: produções de fonemas ou palavras de forma recorrente, imprópria e irresistível. - Coprolalia: tendência a usar palavras obscenas - Verbigeração: repetição de forma monótona e sem sentido aparente de palavras ou trechos de frases; - Mussitação: produção repetitiva de uma voz muito baixa, murmurada, sem significado comunicativo, o paciente “fala para si”. - Solilóquios: monólogo - Pararrespostas: respostas diferentes do que foi perguntado; - Neologismos: criação de palavras novas, desprovidas de sentido comum; - Jargonofasia: fala incompreensível, incoerente, ininteligível, também denominada salada de palavras. - Respostas Aproximadas. Afetividade: divide-se em humor e afeto Humor: corresponde ao tônus afetivo do indivíduo em um determinado momento (estado emocional interno - subjetivo). P. ex., triste, irritado, ansioso, culpado, deprimido, etc. Alteração do humor: - Distimia: o humor pode está normal (eutimia), elevado (hipertimia), diminuído (hipotimia) ou modificada. Na hipertimia, ou excitabilidade afetiva, ocorre uma reação emocional desproporcional excessiva ao estímulo. A hipotimia, ao contrário, é um estado de apatia e redução global das emoções. Afeto: é a expressão do humor. É analisado quanto a qualidade (tom), quantidade, adequação com ambiente/situação e se é congruente ou incronguente com o humor e conteúdo do pensamento. Alterações afetivas: - Disforia: tonalidade afetiva desagradável, mal-humorada, acompanhada de irritabilidade; - Labilidade afetiva: estado de instabilidade emocional com mudanças súbitas e imotivadas do humor. O indivíduo oscila de forma abrupta, rápida e inesperada de um estado afetivo para outro. Na incontinência afetiva, o indivíduo não consegue conter suas reações afetivas; - Ambivalência afetiva: situação de coexistência de estados emocionais incompatíveis, de forma cindida, desagregada; - Ambitimia: refere-se aos estados de simulta- neidade de sentimentos opostos, conflituosos, porém sem que haja cisão da personalidade; - Puerilismo: estado de regressão ao compor- tamento infantil, que pode ocorrer em quadros hebefrênicos ou dissociativos; - Paratimia: inadequação afetiva apresentando reações emocionais incompreensíveis ou paradoxais; - Neotimia: surgimento repentino de sentimentos novos e inusitados. São afetos muito estranhos e bizarros para a própria pessoa que os experimenta; - Embotamento afetivo: ausência dos nexos afetivos. É a perda profunda de todo tipo de vivência afetiva; - Apatia: é a diminuição da excitabilidade emotiva e afetiva. O paciente torna-se hiporreativo. - Hipomodulação do afeto: incapacidade do paciente de modular a resposta afetiva, indicando rigidez doindivíduo na sua relação com o mundo; - Anedonia: incapacidade total ou parcial de obter e sentir prazer com determinadas atividades e experiências da vida. Vontade ou conação: está relacionada à expressão e execução dos desejos. - Hiperbulia: os pacientes sentem-se dotados de poder e disposição extraordinários. - Hipobulia: sentimento de completa impotência e tudo parece ser inalcançável, cansativo e desanimador. - Negativismo: oposição do indivíduo às solicitações do ambiente. Resistência automática e obstinada. Na forma ativa, o paciente faz o oposto ao solicitado; na forma passiva, o paciente simplesmente nada faz quando solicitado. - Obediência automática: é o oposto ao negativismo, revela uma profunda alteração da atividade volitiva, na qual perde a autonomia e a capacidade de conduzir seus atos volitivos; - Fenômenos em eco: o indivíduo repete de forma automática as palavras ou ações do entrevistador, denominadas ecolalia e ecopraxia, respectivamente. - Atos impulsivos: ações automáticas súbitas e incoercíveis as quais o indivíduo tem dificuldade de resistir, como a dromomania (impulso de “fuga”), a piromania (impulsos incendiários), a cleptomania (impulso de furtar), a frangofilia (impulsos destrutivos), a dipsomania (embriaguez periódica), jogo patológico e as toxicomanias. - Perversões alimentares (bulimia e anorexia) - Disfunções sexuais (perda de libido e parafilias - excitação sexual a objetos, situações e/ou objetivos atípicos) - Insônia e Hipersonia - Heteroagressão: atos destrutivos voltados para o mundo exterior - Auto-agressão: atos destrutivos a si próprio - Compulsões: Atos conscientes executados após muita deliberação (crítica) que nem sempre geram sensação de prazer (apenas alívio). Psicomotricidade: atividade motora - Hipercinesia: agitada - Hipocinesia: lentificada - Acinesia: abolida - Estereotipias motoras: repetições automáticas e uniformes, realizadas mecanicamente muitas vezes em um mesmo dia. Maneirismos: estereotipia motora caracterizada por movimentos bizarros, repetitivos e geralmente complexos. - Tiques motores - Alterações da marcha - Tremor Consciência do eu: o eu se divide em atividade, unidade, identidade e oposição do eu em relação ao mundo. Alteração da atividade do eu: suspensão da sensação normal do próprio eu, corporal e psíquico, ou seja, o paciente torna-se um mero espectardor de suas vivencias psíquicas (pode sentir que seus pensamentos e sentimento são feitos e impostos por alguém ou algo externo e sente perda da autonomia sobre seu corpo e sua mente). Alteração da unidade: o indivíduo vivencia a divisão do seu EU em duas ou mais partes, as quais existem de forma simultânea, porém conflituosa ou o paciente sente é mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Alteração da identidade: o paciente não reconhece a si próprio podendo considerar que é outra pessoa. Alteração da oposição do eu em relação ao mundo: desaparecem os limites entre o indivíduo e o mundo externo e o individuo identifica-se com objetos do mundo externo. Insight: é o entendimento do paciente sobre si e sobre o que está acontecendo. Pode ser bom, razoável ou pobre. Julgamento: é a capacidade de tomar boas decisões e agir de acordo com elas.