Livro Texto – Unidade II
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Livro Texto – Unidade II

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Unidade II

Unidade II
5 INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS HÍBRIDOS

Como já dissemos, os textos híbridos são aqueles que se valem de mais de um tipo de linguagem.
Vamos começar com uma questão.

Exemplo de aplicação

Exemplo 1

Leia os quadrinhos a seguir:

Figura 61

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INTERPRETAÇÃO E PRODUÇÃO DE TEXTOS

O objetivo do texto é:

A) Criticar quem leva uma vida sedentária.

B) Revelar que o trabalhador tem a televisão como seu único momento de lazer.

C) Mostrar, ironicamente, que o trabalhador pratica, de forma involuntária, atividades físicas.

D) Evidenciar que o trabalhador leva uma vida saudável porque faz ginástica.

E) Comprovar que a pessoa fica mais ativa e disposta quando realiza atividades.

Vamos analisar os elementos. Nesse texto, os elementos não verbais interferem muito na interpretação.

Os quadrinhos mostram a rotina de um trabalhador, que literalmente salta da cama, passa correndo
pela mesa do café da manhã, pula os carros no trânsito, fica pendurado na barra do ônibus, lança seu
cartão no relógio de ponto, carrega peso, corre atrás do ônibus e, por fim, senta-se exausto na poltrona
e ouve o locutor da televisão aconselhar a prática de esporte.

Dessa forma, com ironia, o texto mostra que o trabalhador praticou vários esportes durante seu dia.
O estado final dele, derramado na poltrona, contrasta com a ideia de que o esporte traz força e saúde,
conforme anunciado pelo locutor.

Assim, a alternativa correta é a C.

Exemplo 2

Veja a seguir:

Figura 62

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Se fizermos uma leitura apenas da mensagem verbal, temos a declaração do personagem afirmando
adorar os momentos em família. Sem a imagem, essa fala não tem necessariamente sentido irônico.
A ironia só aparece quando percebemos que os personagens não estão vivendo, de fato, um momento
em família, pois cada um está entretido com seu aparelho eletrônico. Mesmo a criança está com um
controle de video game na mão.

Essa oposição entre a fala e a situação representada na imagem revela o objetivo do texto em criticar
os hábitos e os comportamentos atuais, o que é também reforçado pelo título “Tempos modernos”.

 Lembrete

Nos textos híbridos, a integração entre o verbal e o não verbal é
fundamental na construção do sentido. Quando se trata de interpretar um
texto que utiliza mais de um tipo de linguagem, nossa atenção deve se
voltar para a interação entre os elementos.

Nos quadrinhos a seguir, as expressões da personagem Mafalda são essenciais para se compreender o ponto
de vista do enunciador. Nos três primeiros quadrinhos, vemos que ela se mostra contente com o desenrolar da
fala de sua amiga Suzanita, que parece defender a emancipação feminina em relação às tarefas domésticas e a
sua realização em outras profissões. No entanto, no último quadrinho, Mafalda se decepciona, pois a amiga só
quer modernizar os meios utilizados, não a atuação doméstica da mulher. É justamente a reação dela que nos
leva a ler os quadrinhos como uma crítica ao papel tradicional da mulher na sociedade patriarcal.

Figura 63

Outro exemplo do mesmo gênero textual é o apresentado a seguir:

Figura 64

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INTERPRETAÇÃO E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Para compreender o sentido desse texto, deve-se conhecer o uso da expressão “do tempo das
cavernas”, usada para se referir a algo muito arcaico, e o conceito de “caverna de Platão”. Segundo o
“mito da caverna”, do filósofo Platão, os homens viviam em uma caverna sem conhecer a verdade de
fato, apenas conheciam o mundo pelas suas sombras. Assim, quando o personagem Armandinho afirma
que “vivemos na caverna de Platão”, ele se refere ao fato de que não conhecemos a realidade, apenas
imagens dela.

 Saiba mais

Para saber mais sobre o mito da caverna, leia a unidade I do livro:

CHAUÍ, M. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2000.

Repare agora no anúncio de uma campanha publicitária contra as drogas:

Figura 65

Observe que a mensagem é construída apenas com uma palavra e uma imagem. O rosto rachado de
um homem com semblante preocupado e a referência à droga constroem a ideia de que o crack quebra
as pessoas. O fundo preto também é importante, pois metaforicamente remete à morte.

 Observação

Nos textos híbridos, é comum que a compreensão da mensagem
implícita só seja possível com a associação dos elementos verbais e
não verbais.

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Vejamos mais um exemplo do gênero publicitário. É possível apontar qual o produto anunciado?

Figura 66

As três imagens mostram um garoto em situação diversas, mas, em todas, ele tem a sua camiseta
manchada por algo: bebida, bola e molho. Temos, assim, uma pista: as manchas. Elas indicam que o
produto do anúncio é algo que vai resolver esse problema. Assim, identificamos que o anunciante é uma
marca de sabão em pó, conhecida como a que “tira todas as manchas”.

Devemos reparar, ainda, que, em cada imagem, existem dicas verbais, que orientam o leitor na
identificação do produto anunciado.

 Observação

Nos textos publicitários, particularmente, a interação entre verbal e não
verbal é fundamental na construção da persuasão.

O anúncio a seguir foi criado por uma agência publicitária que se posicionou contra a lei da cidade
limpa em São Paulo, que previa a proibição de outdoors na cidade. Observe que a mensagem em um
outdoor acima de uma família sem teto indica que havia outras prioridades para a prefeitura. O ponto
de interrogação na segunda aparição da palavra “vamos” provoca as autoridades para a discussão de
questões sociais mais relevantes.

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INTERPRETAÇÃO E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Figura 67

Embora a fotografia seja normalmente um texto exclusivamente não verbal, encontramos aquelas
em que o registro contempla também algo escrito. Nesses casos, a composição da mensagem depende
da leitura conjunta dos elementos verbais e não verbais.

 A foto jornalística a seguir, de uma questão da Fuvest (2015), tem justamente seu teor crítico
construído pela contradição entre o que está escrito nos painéis e o uso do teto de vidro do ponto de
ônibus pelo morador de rua.

Figura 68

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Essa fotografia abria uma reportagem, que tinha o seguinte começo:

Sem-teto usa topo de pontos de ônibus em SP como cama

Às 9h desta segunda (17), ninguém dormia no ponto de ônibus da rua Augusta com a Caio
Prado. Ninguém a não ser João Paulo Silva, 42, que chegava à oitava hora de sono em cima da
parada de coletivos. “Eu sempre durmo em cima desses pontos novos. É gostoso. O teto tem um
vidro e uma tela embaixo, então não dá medo de que quebre. É só colocar um cobertor embaixo,
pra ficar menos duro, e ninguém te incomoda”, disse Silva depois de acordar e descer da estrutura.
No dia, entretanto, ele estava sem a coberta, “por causa do calor de matar”. Por não ter trabalho em
local fixo (“Cato lata, ajudo numa empresa de carreto. Faço