A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
46 pág.
Apostila de Pré Dimensionamento Tanque séptico e sumidouro

Pré-visualização | Página 1 de 9

INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO CEARÁ 
CAMPUS JUAZEIRO DO NORTE 
CURSO DE BACHARELADO EM ENGENHARIA AMBIENTAL 
 
 
 
APOSTILA DE PRÉ-DIMENSIONAMENTO DE TECNOLOGIAS 
ANAERÓBIAS 
Organizadora: Prof.ª Yannice Santos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
JUAZEIRO DO NORTE-CE 
 2019
 
13 
 
13 
 
 
Autores 
1. Capítulo 1: Lagoas Anaeróbias 
 
2. Capítulo 2: Tanque Séptico e Sumidouro: 
Fonte: MARTINS, JOÃO PAULO DO NASCIMENTO. Proposta de manual de 
dimensionamento de tanque séptico - sumidouro para domicílios localizados 
em Juazeiro do Norte – Ceará. Trabalho de conclusão de Curso. Engenharia 
Ambiental. Instituto Federal do Ceará – campus Juazeiro do Norte. Juazeiro do 
Norte. 2017. 
 
 
14 
 
14 
 
Sistemas Descentralizados Unifamiliares de Tratamento Final de Efluentes 
 
As fossas são sistemas individuais utilizados como destinação final de 
efluentes especialmente em localidades rurais e onde não existe rede coletora de 
esgoto. Esses sistemas podem ser classificados de acordo com seu transporte 
hídrico. As unidades sem transporte hídrico são utilizadas para disposição única das 
excretas, a exemplo da fossa seca de buraco; fossa seca tubular; fossa seca com tubo 
de dejeção inclinado; fossa estanque; fossa de fermentação; fossa química e privada 
com receptáculo móvel. Os sistemas que apresentam transporte hídrico são utilizados 
para recebimento dos esgotos: fossa absorvente; ou poço absorvente; fossa 
estanque; fossa química; e o tanque séptico com disposição final do efluente no solo 
(ANDREOLI, 2009). 
As fossas que utilizam transporte hídrico mais empregadas hoje, estão 
dispostas no quadro1. 
 
 Quadro 1: Alternativas para Sistemas Locais de Tratamento e Disposição de Esgoto e 
Excretas. 
Fonte: Adaptado de Andreoli (2009). 
 
A grande diferença entre a fossa absorvente e o tanque séptico é que este 
funciona como uma unidade de tratamento dos esgotos liberando um efluente com 
melhor qualidade que o afluente, enquanto a fossa é utilizada apenas como disposição 
final do esgoto bruto (ANDREOLI, 2009). 
As fossas absorventes apresentam grandes limitações de uso devido a 
infiltração de sua carga poluente no solo. Já os sistemas de tanque séptico 
DISPOSIÇÃO DE ESGOTO 
Fossa Absorvente/ Poço 
Absorvente 
É uma escavação semelhante a um poço, onde são dispostos os esgotos, podendo ou não ter 
paredes de sustentação. Permitem a infiltração do efluente no solo. 
 
Fossa Estanque 
Tanque impermeável que acumula esgoto até sua frequente remoção. 
 
Fossa Química 
É uma fossa estanque na qual se adiciona um produto químico para desinfecção dos dejetos. 
 
Tanque Séptico 
Unidades hermeticamente fechadas que tratam o esgoto por processos de sedimentação, 
flotação e digestão. Produzem um efluente que deverá ser destinado. 
 
15 
 
15 
 
apresentam limitações referentes a sua necessidade de área de construção além da 
área para a unidade de disposição final de seu efluente. 
 
3.1.1 Fossa Absorvente 
 
As fossas absorventes são as unidades mais utilizadas e são formadas 
basicamente por cavas no solo revestidas lateralmente por tijolos de bloco ou anéis 
de concreto de forma que o esgoto possa transpassá-la e infiltrar no solo. Esses 
sistemas funcionam apenas como contenção do esgoto enquanto o mesmo infiltra. A 
figura 1 representa o modelo de fossa absorvente. 
 
Figura 1: Modelo de fossa absorvente. 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Castro (2014). 
De acordo com Santos (2010), a utilização de fossas absorventes é 
altamente prejudicial ao meio ambiente e a saúde da população uma vez que o líquido, 
proveniente das águas servidas, acaba por lavar o material sólido presente dentro da 
fossa carreando a matéria orgânica, nutrientes e patógenos para o lençol freático 
trazendo sérios riscos de poluição. 
3.1.2 Tanque Séptico 
 
Os tanques sépticos são caixas hermeticamente fechadas com grande 
simplicidade de construção, operação e manutenção. 
De acordo com Silva (2004), os princípios do funcionamento do TS 
baseiam-se principalmente em sedimentação e digestão do lodo. Devido ao tempo de 
 
16 
 
16 
 
detenção hidráulica no TS, tanto o lodo formado como a escuma serão digeridos por 
bactérias anaeróbias o que irá resultar em uma redução do volume e estabilização do 
lodo oferecendo um melhor grau de tratamento do efluente. 
Dentro do reator, ocorre contínua mistura de parte dos sólidos decantados 
com o lodo ativo com a fase líquida devido a turbulência de fluxo e as mudanças de 
densidade do lodo sedimentado e da escuma. Essa turbulência prejudica a 
sedimentação, porém, aumenta a eficiência de remoção de matéria orgânica 
dissolvida. A mesma, pode ser minimizada com o uso de dispositivos de entrada e 
saída adequados (ANDRADE NETO et al., 1999). 
Os TS apresentam a vantagem de serem tecnologias simples, compactas 
e de baixo custo, sem, contudo, apresentar alta eficiência, principalmente na remoção 
de patógenos e de substâncias dissolvidas, mas produzindo um efluente de boa 
qualidade, que pode ser encaminhado mais facilmente a um pós-tratamento ou ao 
destino final (ANDREOLI, 2009). 
A NBR 7229/93 recomenda o uso do tanque séptico em casos de: 
a) Área desprovida de rede pública coletora de esgoto; 
b) Alternativa de tratamento de esgoto em áreas providas de rede coletora local; 
c) Retenção prévia dos sólidos sedimentáveis, quando da utilização de rede coletora 
com diâmetro e/ou declividade reduzidos para transporte de efluente livre de sólidos 
sedimentáveis. 
 
3.1.2.1 Tanque Séptico e Suas Variantes 
 
Os tanques sépticos podem ser de câmara única, câmaras em série ou 
câmaras sobrepostas. Os mesmos podem ser construídos em formato prismático 
retangular ou cilíndrico. 
Os sistemas de câmara única são formados por uma única câmara onde 
ocorrerá os processos de sedimentação, flotação e digestão. 
Suas chicanas promovem a retenção da escuma impedindo que cheguem 
à tubulação de saída, saindo junto ao efluente. Esse sistema é a variante mais 
simples, porém, é também a que apresenta menor eficiência de remoção, por volta de 
30% a 50% de DBO. A figura 2 representa a variante de câmara única. 
 
 
17 
 
17 
 
Figura 2: Tanque séptico de câmara única (corte longitudinal). 
 
 
 
 
 
Fonte: Andrade Neto et al., (1999). 
As variantes de câmara em série são constituídas de um tanque dividido 
em dois por uma parede perfurada que permite o fluxo horizontal de efluente entre as 
duas câmaras. A primeira câmara possui dois terços do volume total. Segundo 
Andrade Neto et al., (1999), é na primeira câmara que ficará retido a maior parte do 
esgoto promovendo uma maior remoção de matéria orgânica sedimentável. Já na 
segunda câmara por conter menos lodo e menor turbulência, ocorre uma maior 
sedimentação de sólidos devido à menor interferência do processo de digestão 
resultando em uma maior eficiência de remoção de sólidos do que no sistema de 
tanque de câmara única. Essa configuração é indicada para tratamento de pequenas 
vazões. A figura 3 apresenta o sistema de câmaras em série. 
 
Figura 3: Tanque séptico de câmaras em série (corte longitudinal). 
 
 
 
 
 
Fonte: Andrade Neto et al., (1999). 
Quanto aos sistemas de câmaras sobrepostas são divididos internamente 
na vertical em duas câmaras. A câmara superior funciona como um separador de 
fases sólidos-líquidos-gases. Essa configuração favorece a sedimentação por 
 
18 
 
18 
 
impedir, na câmara de sedimentação, que as bolhas de gases interfiram na 
sedimentação dos sólidos (ANDRADE NETO et al.,