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Referências: Histologia Básica – Luiz C. Junqueira & José Carneiro; Histologia – Ross; Assunto – Epitélios Glandulares: Os epitélios glandulares são constituídos por células especializadas na atividade de secreção, podendo ser classificados de acordo com vários critérios. I. Quanto ao número de células: Glândulas unicelulares – consistem em células glandulares isoladas, a exemplo das células caliciformes presentes no revestimento do intestino delgado ou do trato respiratório. O termo glândula, por sua vez, é designado a agregados maiores e mais complexos de células epiteliais. Glândulas multicelulares – compostas de agrupamentos de células. Sua organização estrutural possibilita a sua subclassificação de acordo com o arranjo das células secretoras (parênquima) e a ocorrência ou não de ramificação dos elementos ductais. O arranjo mais simples de uma glândula multicelular consiste em uma lâmina celular em que cada célula da superfície é uma célula secretora. Por exemplo, o revestimento do estômago e suas fovéolas gástricas formam uma lâmina de células secretoras de muco. II. Quanto ao método de distribuição dos produtos de secreção: Glândulas exócrinas – mantêm conexão com o epitélio do qual foram originadas, e secretam seus produtos diretamente ou através de ductos ou tubos epiteliais que estão conectados a uma superfície do corpo, podendo ser uma cavidade. Os ductos podem transportar o material secretado em sua forma inalterada, ou podem modificar a secreção, concentrando-a, adicionando ou reabsorvendo substâncias constituintes. As glândulas multicelulares exócrinas formam invaginações tubulares a partir da superfície. As porções terminais da glândula contêm as células secretoras, enquanto a porção da glândula que conecta as células secretoras com a superfície atua como ducto. Se o ducto não for ramificado, a glândula é denominada simples; se for ramificado, é denominada composta. Se a porção secretora tiver o formato de um túbulo, a glândula é designada como tubular; quando apresenta um formato semelhante a um frasco ou cacho, a glândula é alveolar ou acinosa; se o tubo terminar em uma dilatação sacular, a glândula é designada como túbulo-alveolar. As porções secretoras tubulares podem ser retas, ramificadas ou espiraladas; as porções alveolares/acinosas podem ser simples ou ramificadas. Ademais, as glândulas exócrinas também são classificadas segundo o modo pelo qual os produtos de secreção deixam a célula. Podem ser, portanto: Secreção merócrina - O produto secretor é transportado em vesículas envoltas por membrana até a superfície apical da célula. Neste local, as vesículas sofrem fusão com a membrana plasmática e liberam o seu conteúdo por exocitose. Trata-se do mecanismo mais comum de secreção, que é encontrado, por exemplo, nas células acinosas do pâncreas. É importante salientar que não há perda de material celular. Secreção apócrina - O produto de secreção é liberado na porção apical da célula, circundado por uma fina camada de citoplasma envolta por membrana plasmática. Ou seja, o produto é descarregado junto a porções do citoplasma apical. Esse mecanismo de secreção é encontrado na glândula mamária em lactação, onde é responsável pela liberação de grandes gotículas de lipídios no leite. Secreção holócrina. O produto de secreção em maturação acumula-se dentro da célula que, simultaneamente, sofre destruição coordenada por vias de morte celular programada. Tanto os produtos de secreção quanto os restos celulares são liberados no lúmen da glândula. Esse mecanismo é encontrado nas glândulas sebáceas da pele e nas glândulas tarsais (de Meibômio) da pálpebra. As glândulas mucosas são assim denominadas devido ao tipo de secreção produzida. As células secretoras das glândulas exócrinas associadas a vários tubos corporais são frequentemente descritas como mucosas, serosas ou ambas. - As secreções mucosas são viscosas e pegajosas, enquanto as secreções serosas são aquosas. As células caliciformes, as células secretoras das glândulas salivares sublinguais e as células superficiais do estômago fornecem exemplos de células secretoras de muco. A natureza mucosa da secreção resulta da extensa glicosilação das proteínas constituintes com oligossacarídios aniônicos, extremamente hidrofílicos. Outro aspecto característico de uma célula mucosa é o fato de que o seu núcleo geralmente está achatado contra a base da célula pelo acúmulo do produto secretor. O complexo de Golgi, localizado acima do núcleo, é muito desenvolvido, indicativo da sua importância celular. A maior parte dos retículos endoplasmáticos, por sua vez, está concentrada na região basal. - Diferentemente das células secretoras de muco, as células serosas produzem secreções proteicas pouco ou não glicosiladas. Em geral, o núcleo é esférico ou oval. O citoplasma perinuclear frequentemente aparece basófilo (corado fortemente), devido ao extenso retículo endoplasmático rugoso, uma característica das células que sintetizam proteína. Com frequência, o citoplasma apical é intensamente corado pela eosina quando os grânulos secretores estão bem preservados. Nessa região, há um complexo de Golgi bem desenvolvido e muitas vesículas, envolvidas por membrana e com conteúdo rico em proteínas, chamadas de vesículas ou grânulos de secreção. Em células que produzem enzimas digestivas, a exemplo das células acinosas do pâncreas, são chamadas grânulos de zimogênio. Os ácinos que contêm células serosas são encontrados na glândula parótida e no pâncreas; os ácinos de algumas glândulas, como a glândula submandibular, contêm células tanto mucosas quanto serosas. Glândulas endócrinas - carecem de sistema de ductos, pois perdem suas conexões com o epitélio de origem, e assim secretam seus produtos no tecido conjuntivo, a partir do qual entram na corrente sanguínea ou linfática, para alcançar as células alvo. Os produtos das glândulas endócrinas são denominados hormônios. De acordo com a organização de suas células, podem ser diferenciados dois tipos: no primeiro, as células formam cordões anastomosados, entremeados por capilares sanguíneos; no segundo, as células foram vesículas ou folículos preenchidos de material secretado. As glândulas multicelulares maiores são envolvidas por uma cápsula de tecido conjuntivo denso, que envia septos (faixas de tecido conjuntivo) para o interior da glândula, subdividindo-a em pequenos compartimentos conhecidos como lobos e lóbulos. Elementos vasculares, nervos e ductos utilizam os septos de tecido conjuntivo para entrar e sair da glândula. Além disso, os elementos do tecido conjuntivo, os quais formam o estroma do órgão, promovem um suporte estrutural para a glândula.