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[ECO] Curso de Economia - Fábio Nusdeo - Capítulo 16 - Ecomonia Internacional.

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OBRAS DO AUTOR 
Comentários a Lei do Inquilinato. São Paulo: Saraiva, 1965. 
Da política económica ao direito económico. São Paulo, 1977. 
Desenvolvimento e ecologia. São Paulo: Saraiva, 1975. 
Fundamentos para uma codificação do direito económico. São Paulo: RT, 1995. 
^ R 0 , , , , ( O . I T : 
í: 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) 
Nusdeo, Fábio, 1931 -
Curso de economia : introdução ao direito económico / Fábio Nusdeo. - 4. ed. rev. 
c aluai. - São Paulo : Editora Revista dos Tribunais, 2005. 
Bibliografia. 
ISBN 85-203-2776 I 
I . Direito económico I . Título. 
05-5875 CDU-34:33 
índices para catálogo sistemático: 1. Direito económico 34:33 
FÁBIO NUSDEO 
CURSO 
DE ECONOMIA 
Introdução ao Direito Económico 
4.a edição revista e atualizada 
E D I T O R A 
R E V I S T A D O S TRIBUNAIS 
328 CURSO DE ECONOMIA 
BIBLIOGRAFIA BÁSICA 
ÁRIDA, P. et al. Inflação zero. São Paulo, 1986. 
BATISTA, P. N. et al. O combate à inflação no Brasil. São Paulo, 1986. 
BUITONJ. O direito na balança da estabilização económica - Do cruzado ao real. 
São Paulo, 1977. 
C A R D O S O , E . A. Economia brasileira ao alcance de todos. São Paulo, 1996, 
Caps. 4 c 5. 
D E CHIARA, J. T. Moeda e ordem jurídica. São Paulo, 1987. 
GUDIN, E. Princípios de economia monetária. Rio de Janeiro, 19&0. I o v . 
LANZANA, A. E. T. "Desafios do plano real". In Revista da Indústria. Ano 3, n. 9. 
São Paulo, jul./set. 1994. 
. Economia brasileira: Fundamentos e atualidade. São Paulo, 2001. 
MONTORO FILHO, A. F. "Introdução à teoria monetária". In Manual de econo-
mia. Equipe de Professores da USP, Parte II, Cap. 4 e seu Apêndice: "Sistema 
Financeiro Nacional" de Manuel Enriques Cíarcia. 
MUNIZ, M. A. et al. Direito e processo inflacionário. Belo Horizonte, 1994. 
SADDI, J. S. Autonomia do Banco Central. São Paulo, 1997. 
SIMONSEN, M. H. Sistema federal de reserva. Objetivos e funções. Rio de Ja-
neiro 1964. 
VASCONCELOS, M.A.S. Economia - Micro e macro. São Paulo, 2000. 
; G E R M AND, A. P. e TONETO, R. A economia brasileira contemporânea. 
São Paulo, 1999. 
16 
E C O N O M I A I N T E R N A C I O N A L 
SUMÁRIO: 16.1 Considerações gerais - 16.2 A teoria das vanlagens 
comparativas: 16.2.1 A crítica protecionista: a indústria nascente; 
16.2.2 Crítica protecionista: as relações de troca - 16.3 Globaliza-
ção e libei a l i /ação- 16.4 Movimento de fatores- 16.5 Os blocos eco-
nómicos - 16.6 Balança comercial - 16.7 Balança de serviços - Os 
invisíveis - 10.8 Balança de capitais - 16.9 Balança de pagamentos -
16.10 Taxa cambial - Síntese e conclusões - Bibliografia básica. 
16.1 Considerações gerais 
Até agora todas as considerações expendidas sobre a atividade e o 
funcionamento do sistema económico partiram do pressuposto de ser ele 
um sistema fechado, isto é, no qual todas as operações de troca, a divisão 
do trabalho e os mercados localizam-se dentro de uma determinada fron-
teira nacional, sem manter relações de qualquer espécie com outras eco-
nomias situadas fora dessas fronteiras. 
Como é fácil compreender, tal pressuposto c apenas didálieo, não 
sendo realista imaginar-se, na prática, qualquer país apto a. permanente-
mente, viverem estado autárquico. Se é verdade que, internamente, são a 
especialização e a divisão do trabalho as grandes responsáveis pela econo-
mia social de troca, isso se torna mais nítido ainda no âmbito internacio-
nal, onde diferentes universos culturais, físicos e tecnológicos geram for-
ças extremamente poderosas de intercâmbio, com vistas àprocuradas zonas 
de complementariedade e de sinergia entre as respectivas economias. Sur-
gem daí as operações ditas internacionais, cuja natureza é essencialmente 
a mesma daquelas ocorridas dentro das fronteiras de cada país. Elas po-
dem variar desde a importação de uma matéria-prima até o envio, por um 
imigrante, de algum dinheiro à família que Ficou no país de origem, pas-
sando pelo pagamento a residente de outro país, por um serviço prestado, 
como, por exemplo, um projeto arquitetônico ou um parecer jurídico. A 
grande diferença entre operações internas e internacionais reside no pro-
cesso de pagamento, pois países diferentes envolvem não obrigatoriamen-
330 CURSO DE ECONOMIA 
te, mas comumente, moedas diversas e portanto a troca dessas moedas, 
tecnicamente chamada de operação de câmbio. 
A expressão Comércio Internacional é hoje em dia tomada como 
sinónima de Economia Internacional, muito embora a palavra comércio 
possa ter uma conotação mais mercantil, no sentido de dizer respeito a 
bens corpóreos ou produtos, sinteticamente: importação c exportação. 
Mas não é assim. Sc é verdade ter o intercâmbio entre nações se iniciado 
com a troca de mercadorias, essa característica foi, gradualmente, sendo 
superada pelo surgimento e ampliação de operações outnfs, inteiramen-
te dissociadas do movimento de mercadorias, como os serviços, emprés-
timos recebidos de não residentes de um dado país;, dando origem, num 
primeiro momento, à entrada de recursos financeiros, em moeda, c, pos-
teriormente, a remessas para o exterior a título de juros e finalmente da 
importância mutuada, quando esta retorna ao credor. O mesmo se diga 
de um investimento vindo de fora, o qual pode gerar remessas de juros. 
Com o tempo, a expressão Comércio Exterior ou Internacional superou 
a conotação puramente mercantil, para englobar o mesmo tipo de opera-
ções visadas pelaexpressão Economia Internacional, aquela, talvez, mais 
vinculada ao enfoque jurídico; esta, ao prisma económico. 
16.2 A teoria das vantagens comparativas 
A teoria das vantagens comparativas fornece uma explicação para 
as trocas internacionais. Segundo ela, os diversos povos tendem a se es-
pecializar na produção daqueles bens e serviços para os quais são melhor 
dotados em relação aos demais, não devendo, pois, produzir internamente 
produtos outros. Será, assim, sempre mais vantajoso trocar os bens pro-
duzidos internamente em melhores condições por outros importados de 
terceiros países, por sua vez melhor dotados com relação a tais produtos. 
Trata-se, como se vê, de uma extensão internacional da teoria da divisão 
do trabalho. As vantagens, porém, não são absolutas. Assim, por exem-
plo, a Inglaterra poderá produzir lã e maçãs em condições de maior efi-
ciência do que a Argentina. No entanto, convirá à Inglaterra adquirir tais 
produtos da Argentina e se especializar, digamos, na produção de ma-
quinaria e de navios, com relação aos quais, comparativamente, a sua 
vantagem é ainda maior, dada a alta capacitação tecnológica. No início, 
a teoria foi aplicada em sua forma mais bruta e primitiva, como simples 
ECONOMIA INTERNACIONAL 331 
comparação produto a produto e sem levar em conta as proporções. Pos-
teriormente ela foi sendo refinada, para chegar à formulação supra. 
Soberana, tal teoria prevaleceu durante pelos menos um século no 
unindo ocidental, como suporte teórico do comércio internacional. Se-
gundo ela, algum comércio será sempre mais vantajoso do que nenhum 
comércio, por sempre haver algum tipo de bem a cuja produção um país 
poderá se dedicar em melhores condições do que outro, e assim ambos -
e por extensão toda a comunidade mundial - sairão beneficiados com a 
utilização mais racional dos recursos com os quais cada qual foi dotado. 
Subjacente a este raciocínio estava a visão de um intercâmbio dc produ-
tos primários, as chamadas commodities, com relação às quais, realmen-
te, as diferenças de ordem física são pronunciadas e. cm grande número 
de casos, decisivas, bastando citar o exemplo incontornável das jazidas 
minerais e, é claro, solo, clima, habilidades pessoais, no campo das mer-
cadorias de origem agrícola ou pecuária. 
16.2.1 A (lítica protecionista: a indústria nascente 
No entanto, essepredomínio das vantagens comparativas acabou 
sendo posto cm cheque com base no chamado infant ituhtstry case, ou 
seja, o argumento da indústria nascente. Segundo a nova teoria, os bene-
lícios da especialização nem sempre são decorrentes de unia vantagem 
específica apresentada por um país cm termos seja de qualificação dc seus 
recursos humanos, seja de tecnologia, seja, ainda, de condições físicas 
adequadas. Eles podem, pura e simplesmente, resultar dc economias de 
escala das quais puderam aproveitar-se alguns países, quando, por razões 
diversas, se anteciparam aos demais no desenvolvimento dos seus par-
ques industriais. Isso não significaria, porém, que outros países não pu-
dessem, igualmente, chegar ao mesmo estágio, uma vez vencida a fase 
adolescente das suas indústrias, isto é, aquela onde estivessem ainda 
operando abaixo do pleno proveito das mesmas economias de escala. 
Para os críticos, as nações ainda não-industrializadas, a vigorar ler-
leamcnlc o princípio das vantagens comparativas e o seu corolário político 
a plena liberdade do intercâmbio internacional - jamais passariam da 
condição dc meras fornecedoras de produtos primários e, como tal, fica-
riam relegadas a uma posição de permanente dependência frente aos gran-
des centros industriais. Com base nesse argumento, acentua-se, sobretudo 
332 CURSO DE ECONOMIA 
a partir de finsdo século XIX, a pratica do protecionismo alfandegário, ou 
seja, a colocação de barreiras à entrada de produtos estrangeiros, represen-
tadas por tarifas aduaneiras destinadas a encarecê-los, com vistas a facili-
tar a disputa do mercado interno por parte dos produtores locais. Quando 
tal proteção se torna muito forte, virtualmente impedindo a entrada de con-
correntes alienígenas, diz-se haver uma reserva de mercado. 
O protecionismo sempre existiu, mas passou a ser praticado mais 
intensamente pelas nações que se haviam atrasado no processo de indus-
trialização com base na nova teoria.. Foi o caso sobretudo da Alemanha, 
dos Estados Unidos, da Itália e do Japão. Mais tarde, após a Segunda 
Guerra, os países subdesenvolvidos também passaram a aspirar à indus-
trialização, entendendo-a como o caminho obrigatório em direção ao 
desenvolvimento. Ademais, tais países, fundamentalmente fornecedo-
res internacionais de produtos primários (alimentos não-industrializa-
dos e matérias-primas), tinham um outro forte argumento para impor 
restrições ao livre cambismo, isto é, à doutrina de que o intercâmbio in-
ternacional não deve sofrer qualquer restrição. Trata-se do argumento da 
deterioração dos termos de intercâmbio (terms oftrade). 
16.2.2 Crítica protecionista: as relações de troca 
Com eleito, se se estabelecer uma relação, um quociente, entre os 
preços internacionais dos produtos primários e os preços internacio-
nais dos produtos industrializados, observar-se-á uma tendência secu-
lar à desvalorização dos primeiros em face dos segundos. Essa tendên-
cia é detnmentosa aos exportadores de primários, por levá-los a entre-
gar cada vez maior quantidade de seus produtos para poderem impor-
tar a mesma quantidade dos bens de que necessitam. Essa tendência 
reverteu-se nas últimas duas décadas, mas apenas no caso específico 
do petróleo, cujos produtores formaram um cartel em condições de 
impor preços a todos os compradores. 
Assim, por diversas razões, entre as quais sobrelevam as duas aci-
ma apresentadas, o comércio internacional não se processou durante o 
século passado tão livremente quanto preconizado pelos economistas 
liberais, tendo havido dentro de cada estado nacional restrições de di-
versa ordem â entrada de bens de fora, representadas, basicamente, pelas 
tarifas aduaneiras, pelo sistema de licenciamento prévio de importa-
ECONOMIA INTERNACIONAL 333 
ções e ainda pelo chamado contingenciamento, ou seja, a determina-
ção pelo governo de quotas para cada bem importado, além de depósi-
tos ligados a operações cambiais, na prática representando uma sobre-
taxa a gravar as importações. 
No entanto, é irrespondível a asserção de que algum comércio in-
ternacional sempre será preferível a nenhum comércio internacional, pois, 
descartando a autarquia como um estado possível ou mesmo desejável, 
sempre haverá países em condições de produzir mais economicamente 
determinados bens, sendo, portanto, racional vendê-los ao mercado in-
ternacional e deste adquirir mercadorias em situação inversa. Além do 
mais, o comércio internacional tem sido quase sempre um importante 
propulsor do desenvolvimento económico, pois o baixo nível de renda e 
a consequente estreiteza dos mercados internos formam aquilo que foi 
designado como o ciclo vicioso da pobreza, cuja possibilidade de ruptu-
ra é representada precisamente pelos mercados externos, como foi o caso 
do café quando de simples ciclo típico da economia colonial em outros 
estados transformou-se numa atividade condutora do desenvolvimento 
em São Paulo, como se verá no capítulo seguinte. 
16.3 Globalização e liberalização 
A doutrina protecionista ganhou extremo impulso com os dois cha-
mados choques do petróleo de 1974 e 1979, quando os países consumido-
res, particularmente da América Latina, endividaram-se pesadamente e sua 
receita cambial mal dava para cobrir os juros da dívida e a conta do petró-
leo. Com isso as importações foram extremamente contidas durante cerca 
de quinze anos, criando para as indústrias domésticas em diferentes países 
verdadeiras posições de mono ou oligopólio, com altos preços e pouco 
estímulo à melhora qualitativa dos produtos. Havia, ainda, uma indesejá-
vel, embora parcial, autarquia em certos setores, com produção local de 
determinados artigos, obviamente sem condições para tanto. 
Em vista destes e de outros fatores, assiste-se, desde a década de 80 
do século XX no Primeiro Mundo e, a partir dos primeiros anos de 90 na 
América Latina, a um processo de queda de barreiras e de liberalização 
geral do comércio exterior, não apenas no campo estritamente mercan-
til, mas igualmente no movimento de recursos financeiros, transferên-
cias de tecnologia, investimentos e outros. À medida que esta tendência 
CURSO DE ECONOMIA 
se generaliza e passa a abarcar um grande número de nações, ela ganha o 
nome de globalização, para significar que os critérios de eficiência na 
produção, na comercialização, nos investimentos, em toda a economia, 
enfim, são fixados em nível mundial e não mais nacional ou local. As 
empresas se transnacionalizam, perdendo as amarras ou vínculos com o 
país de onde se originaram. Legislações tributárias ou ambientais muito 
rígidas em alguns países poderão levar à transferência para outros de 
unidades fabris ou até de complexos industriais, exportando-se a polui-
ção e a tributação. Passa a se instaurar uma nova forma de#divisão inter-
nacional do trabalho, não mais baseada nos produtos finais, mas nos fa-
tores ou processos de produção, os quais tendem a se distribuir pelo 
mundo, em função de estímulos os mais diversos, inclusive o suprimen-
to de mão-de-obra e as legislações locais. 
Os chamados carros mundiais, produzidos e lançados pelas gran-
des montadoras multinacionais, são bem um exemplo. Tais carros po-
dem ser indiferentemente produzidos nas mais longínquas latitudes. A 
sua montagem incorpora peças provindas, também elas, de países diver-
sos, nos quais os fabricantes recebem as mesmas especificações técnicas 
e adotan ou absorvem tecnologia semelhante, por sua vez desenvolvida 
em pontos distantes do universo. E eles, os fabricantes de peças, cada vez 
menos são nacionais, são, também, o produto de investimentos ou tecno-
logia provindos de diferentes origens. E, assim, os mesmos automóveis 
surgem em diferentes pontos do planeta, sempre idênticos, comercializa-
dos segunJo uma política centralizada de vendas e com suporte logístico 
quanto a suprimentos e deslocamentos sob comandoúnico. 
Como observa o Prof. Celso Grisi, "a intensificação dos processos 
de globalização da economia obrigou as organizações a buscarem mer-
cados internacionalizados, cujas dimensões - substanciais como são - , 
viabilizem a distribuição massiva de produção assentada em escalas eco-
nómicas crescentes. Esse mecanismo, que se retroalimenta à medida que 
as várias expansões industriais induzam o aparecimento do regime de 
economas de escala, provoca a exacerbação dos movimentos de concen-
tração económica e o aparecimento de megacorporações transnacionais. 
A busca deliberada pelo gigantismo, como forma de garantir padrões de 
custos e níveis de preços competitivos, faz multiplicar os casos de fusões 
empres iriais, de incorporações e aquisições de outras organizações e 
incentiva a formação de alianças estratégicas e operacionais. Investido-
ECONOMIA INTERNACIONAL 335 
res, gestores e sociedades holdings globalizam suas ações amparadas no 
desenvolvimento da tecnologia de informações. Com essa sofisticação, 
que a informática e as telecomunicações propiciam, administram, de 
forma quase virtual, poucas nas extensas cadeias internacionais dc su-
primentos, promovendo um fluxo físico de materiais inusitado, cuja 
movimentação é orquestrada por logística de grande eficiência. Assim, 
essas megaempresas, a cada dia maiores, e em número, a cada dia menor, 
concentram as operações de produção e distribuição, lastreando-as em 
enormes volumes de capitais que migram de país para país, através 
dessas cadeias, por um mundo sem fronteiras, na exala velocidade das 
transmissões eletrônicas de dados. O resultado óbvio desses movimen-
tos é a concentração do capital e do poder em instituições como ban-
cos, companhias de investimento, de seguros, de administração de re-
cursos, de fundos mútuos, de pensão, gerando fortes impactos sociais, 
económicos e políticos nas comunidades por que passam, os quais pre-
cisam ser definidos e monitorados. Com seus capitais atomizados em 
um grande número de acionistas e com suas gestões altamente profissio-
nalizadas, chega ao auge a inevitável separação entre os detentores do 
capital e o corpo de dirigentes dessas empresas". 
A par de palpáveis benefícios em termos de suprimento de bens, a 
globalização certamente implica riscos representados, sobretudo nos 
países do Terceiro Mundo, pelo crescimento do desemprego, pela des-
nacionalização industrial e mesmo comercial e por uma nova dimensão 
do confronto eficiência versus justiça ou versus amenidade. As econo-
mias dc escala em nível mundial tenderão a uma concentiação também 
mundial com o alargamento dos desníveis no campo da indústria em 
especial. No campo do trabalho, além do desemprego há o problema da 
instabilidade locacional de funcionários administrativos e gerenciais, 
sujeitos a deslocamentos bruscos, gerando custos sociais em termos de 
ajustamento familiar e outros. Trata-se, porém, de riscos passíveis de 
serem neutralizados, dependendo da engenharia social utilizada para esse 
fim, para o que já se fazem sentir pressões bastante fortes, sobretudo na 
Europa, onde a tendência desperta maior ceticismo. 
16.4 Movimento de fatores 
Subjacente às teorias clássicas do comércio internacional, quer l i -
berais, quer protecionistas, estava sempre a movimentação de mercado-
336 CURSO DE ECONOMIA 
rias finais, de produtos acabados, ainda quando seriam utilizados como 
insumo para outros bens. E realmente este era, essencialmente, o quadro 
prevalecente do comércio internacional até as primeiras décadas do sé-
culo. No período entre as duas guerras, e sobretudo a partir dos anos 50 
do Século XX, intensifica-se sobremaneira a circulação de fatores de 
produção, tais como o fator capital, incluindo a tecnologia e o fator tra-
balho. Claramente, o fator natureza permanece insuscetível de transfe-
rência. A partir da época indicada, começa a destacar-se a circulação de 
fatores, muito embora continue a de bens acabados. E a razão é simples: 
ela prende-se às medidas protecionistas adotadas sobretudo pelos países 
em desenvolvimento, acopladas às de estímulo à industrialização inter-
na, inclusive, pela reserva de mercado. 
A vista delas, as empresas sediadas no Primeiro Mundo foram pro-
gressivamente estabelecendo unidades produtoras naqueles países, trans-
ferindo-lhes recursos financeiros sob a forma de investimentos de capi-
tal de risco e de capital de empréstimo, de tecnologia e de recursos hu-
manos. Essa movimentaçãode fatores, inicialmente vista como uma mera 
adaptação do mundo desenvolvido aos objetivos industrialistas das eco-
nomias emergentes, ganhou novo impulso com o mais recente processo 
de globalização, como já descrito. 
Poder-se-ia objetar ao acima dito, no tocante ao fator trabalho, lem-
brando as maciças transferências de recursos humanos ocorridas no sé-
culo passado, e início deste, sobretudo da Europa para a América. Mas 
nesse caso, não se tratou propriamente de uma circulação, mas de uma 
mudança definitiva, um transplante do fator trabalho, que passou de uma 
paraout a margem do Atlântico. Ele estava fixo lá e continuou fixo aqui. 
Apenas ;nudou-se. Quando se fala, hoje em dia, em circulação do fator 
trabalhe, a referência é a diretores, administradores, técnicos e mesmo 
mão-de-obra qualificada, em permanente circulação, deslocando-se de 
um para outro ponto do planeta em função dos reclamos do mercado de 
cada um deles, no quadro, agora, do processo de globalização. São cha-
mados em inglês de expatriates. 
A empresa multinacional - Dentro deste novo quadro da economia 
mundial um fenómeno a ser destacado é o da empresa multinacional. A 
rigor, o nome que melhor a descreveria seria o de empresa transnacional, 
porque, justamente, ela transcende as fronteiras nacionais para operar nos 
ECONOMIA INTERNACIONAL 337 
mais diversos países de forma conjugada e afinada com uma estratégia 
central, pouco importando aí onde esteja localizado aquele centro. No 
entanto, a denominação multinacional já está consagrada c não é o caso 
de chamá-la por forma diferente neste livro. 
Existem, sobretudo no âmbito governamental, empresas decorren-
tes de acordos entre países para a exploração de uma atividade de interes-
se de ambos, tendo tais empresas sedes e centros de decisão cm mais de 
umpaís. Exemplo típicoé a binacional Itaipu.destinadaa construir ausina 
elétrica do mesmo nome na fronteira Brasil-Paraguai e a explorá-la. No 
caso de outros países dela virem a participar, ao invés dc bi ela poderia 
vir a ser uma tri ou multinacional, sempre porém com a ideia de ser uma 
empresa só, com sedes ou centros diversos em mais de um país e objeti-
vos específicos, como é o caso da chamada empresa europeia no âmbito 
da União Europeia ou a sua similar ainda em projeto no Mercosul. 
A empresa multinacional não se caracteriza por uma formajurídica 
própria. Ela é muito mais uma realidade económica a se utilizar do apa-
rato legal de vários países. Em síntese, ela corresponde a uma sociedade 
sediada em determinado país que envia recursos seus, em dinheiro ou 
em bens, para formar outras sociedades locais em países diversos. Estas 
sociedade locais, em termos jurídicos, em nada se distinguem de qual-
quer outra em operação nos respectivos países. A única diferença consis-
te na origem dos capitais, cujos titulares - pessoas físicas ou jurídicas, 
mas no comum apenas estas últimas - são não-residentes do país em 
questão. Como assinalado, esta diferença não é de ordem legal, mas pu-
ramente fálica, muito embora possa existir - e normalmente existe - le-
gislação nacional sobre investimentos estrangeiros, relativa ao seu regis-
tro, normas para remessa de lucros, repatriamento do capital investido e 
outros que tais. No entanto, essa legislação, em geral, aplica-sc indistin-
tamente a qualquer investimento provindo do exterior, ainda quando uma 
mera participaçãominoritária em uma sociedade nacional, não havendo 
na maioria dos países normas próprias e específicas referentes às multi-
nacionais como tais. Assinale-se existir no âmbito das Nações Unidas 
um Código Ético recomendado para a ação desse tipo de sociedade nos 
vários países onde se instalam, sobretudo nas suas relações com a socie-
dade local e os governos. Trata-se, porém, como diz o nome, de normas 
éticas, objeto de recomendações, não dando origem a sua transgressão a 
sanções, salvo de ordem moral. 
338 CURSO DE ECONOMIA 
A multinacional idade dos empreendimentos económicos serve para 
ilustrar bem a distinção entre empresa e sociedade, sobre a qual já se fa-
lou no Capítulo 12. Com efeito é correto falar em empresa multinacional 
e não em sociedades multinacionais, porque normalmente a empresa, no 
sentido de empreendimento, é uma só. Porém, esse empreendimento -
que pode abranger vários ramos ou selores económicos - desdobra-se 
em um sem-número de empresas específicas, cada uma delas conduzida 
ou sob a responsabilidade de uma sociedade constituída para tal fim. Tais 
sociedades podem ter a totalidade do seu capital em mãos de outras so-
ciedades da empresa multinacional, ou, então, o seu capital pode estar 
distribuído entre aquela e terceiros, que tanto podem ser outras multina-
cionais como sociedades locais do país onde se dê o investimento. Nes-
tes casos, isto é, quando grupos empresariais distintos - internacionais 
ou nacionais - se associam para a exploração de um empreendimento 
comum, fala-se em joint venture, que é uma designação inglesa mais 
genérica mas, na prática, aplicável a esses casos. 
Note-se, no entanto, ser perfeitamente possível uma empresa mul-
tinacional atuar em diversos países sem constituir ou sem participar de 
sociedades locais. Ela poderá fazê-lo, pura e simplesmente, mediante a 
abertura de agências, filiais, sucursais e estabelecimentos, que nada mais 
são do que a mesma pessoa jurídica aluando iliretamente em diversos 
países, sem assumir novas formas societárias, isto é, sem neles se insta-
lar juridicamente. Esta última modalidade é, cm geral, a utilizada por 
bancos. Como já se acentuou, a questão é muito mais de natureza econó-
mica do que dc forma jurídica. 
16.5 Os blocos económicos 
Antes mesmo de o movimento de globalização ganhar terreno, as-
sistiu-se a partir da década de 50 a uma tendência de integração de eco-
nomias vizinhas, formando espécies de regiões económicas, dentro das 
quais já se implantava algum tipo de globalização, geograficamente l i -
mitada. São os blocos económicos formados por países que já a possuem 
ou estão em busca de alguma afinidade económica. 
Historicamente, desde o fim da Segunda (iuerra Mundial, a Bélgi-
ca, a Holanda e o Luxemburgo formaram o chamado Benelux, essencial-
mente uma união aduaneira, como a seguir se explicará. Surge depois a 
ECONOMIA INTERNACIONAL 339 
Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, englobando também Fran-
ça, Itália e Alemanha. Em 1957 celebrou-se oTratado de Roma, pelo qual 
aquelas seis nações partem para uma integração económica e também 
política, formando o Mercado Comum Europeu, o qual se transformou 
mais tarde em Comunidade Económica Europeia, hoje União Europeia. 
I nspirados no exemplo europeu, vários outros blocos surgiram com 
objetivos ora mais, ora menos ambiciosos: o Pacto Andino, o Bloco 
Leste Asiático, a Alalc, depois Aladi (América Latina), o Bloco Cen-
tro-Americano e, mais recentemente, o Mercosul e o Nafta (América 
Setentrional), preparando-sejá uma Alca- Área de Livre Comércio das 
Américas. Tais processos de integração regional dão-se, em geral, ao 
longo de três etapas: 
• União aduaneira - quando os vários países decidem adolar uma 
tarifa única para a importação de produtos provenientes de ter-
ceiros países. 
• Arca livre de comércio - quando, além disso, se abolem as tari-
fas aduaneiras intrabloco. ou seja, os bens passam a circular l i -
vremente entre os países-membros. 
• Mercado comum - quando, além da livre circulação de bens fi-
nais, integi am-se os mercados dos fatores de produção, inclusive 
o fator trabalho, com criação de uma legislação própria para as 
atividades desenvolvidas no âmbito do mercado comum. E o caso 
dos seis países signatários do Tratado de Roma, os quais já supe-
raram a terceira fase, ao formar uma Comunidade Económica, com 
uma ampla legislação e sistema judiciário supranacionais e o es-
tabelecimento de políticas económicas comuns. Aqueles seis paí-
ses, já ampliados para do/e, trabalham presentemente na consoli-
dação dc uma União Europeia, inclusive com moeda comum e 
objetivos que transcendem o próprio campo económico. 
16.6 Balança comercial 
O conjunto de todas as exportações e de todas as importações de 
um país constitui a sua balança comercial. Note-se, porém, serem os 
bens exportados e importados produtos materiais, corpóreos. Apenas 
estes integram a Balança Comercial. O que leva qualquer operador eco-
nômico a se diriíiir ao comércio internacional é, basicamente, uma 
340 CURSO DE ECONOMIA 
questão de preço, como parece evidente. Duas observações se impõem 
neste particular. 
O preço internacional - Quase sempre ele se forma num regime 
muito próximo ao da concorrência perfeita. Isto se explica pelo fato de 
serem várias as fontes de proveniência dos bens no mercado mundial, 
havendo uma razoável atomização, pois o número de supridores (ofer-
tantes) é, pelo menos potencialmente, muito grande, já que a qualquer 
momento os produtores de cada país poderão desviar suas mercadorias 
do mercado interno para o externo, bastando perceberem neste último 
maior probabilidade de ganho e inexistência de barreiras. Vice-versa, não 
havendo barreiras alfandegárias intransponíveis, o recurso às fontes ex-
ternas estará sempre aberto em cada país. Em suma, tanto a procura quanto 
a oferta são altamente elásticas, em geral. 
Ação do.; governos - A possibilidade de rápida transferência de 
produtos do mercado interno para o internacional é limitada - e muitas 
vezes, severamente - pela ação governamental, a qual, por um lado, pro-
cura incentivar as exportações, mas por outro tenta proteger o seu merca-
do interno, reservando-o para os produtores locais. Existem casos, mais 
raros, de restrições à exportação com vistas a evitar o desabastecimento 
nos países de origem. Há cerca de 15 ou 20 anos, vem-se assistindo, como 
já dito, a expressivo movimento de liberalização do comércio interna-
cional, conduzido sob os auspícios da Organização Mundial do Comér-
cio, no quadro do processo de globalização acima brevemente descrito. 
Comércio exterior e o Direito- Além das normas jurídicas de toda 
ordem aplicáveis a essa atividade, seja para restringi-la, como as aci-
ma apontadas, seja para estimulá-la, merecem destaque aquelas desti-
nadas exatatr ente a garantir um mínimo de lisura e de transparência 
nas iniciativa: dos vários operadores e governos, quase sempre volta-
dos ao estímulo das exportações. Trata-se especificamente da questão 
do dumping e dos subsídios. 
Dumpin} - Consiste na venda ao exterior por preço abaixo daquele 
pelo qual o produto é oferecido no mercado doméstico de origem, natural-
mente feitos os ajustes quanto a taxas e impostos, incidentes apenas inter-
namente, e também quanto a custos de frete e seguro que gravam o produto 
exportado. Semelhante ao dumping é o chamado underpricing, ou seja, a 
venda ao exterior, por preço abaixo do custo interno de produção do bem. 
ECONOMIA INTERNACIONAL 341 
Subsídios - Correspondem a recursos transferidos por governos 
ou entidades a ele ligadas para os exportadores, a fim de reduzir-lhes os 
custos, tornando seus produtos mais concorrenciais no mercado inter-
nacional. Tais transferências se efetuam pelas mais variadas formas, 
sendo objeto de discussões e negociações internacionais o que se devaentender por subsídio. 
Existem, seja no âmbito internacional, seja no nacional, normas a 
respeito, sendo as principais aquelas que permitem ao país lesado por 
tais práticas a imposição de direitos antidumping ou direitos compensa-
tórios, ou seja, a elevação da tarifa aduaneira para compensar a prática do 
dumping pelo exportador, ou a medida oficial dos governos quando sub-
sidiam as suas exportações. O Brasil tem também a sua chamada fei an-
tidumping-Lá 9.019/95. 
Dumping ecológico e social - Diversos países e organizações in-
ternacionais vêem na sistemática destruição da natureza ou na imposi-
çãode condições de trabalho próximas da escravidão, freqúeniesem países 
do Terceiro Mundo, inclusive Brasil, formas não-convencionais úe dum-
ping ou de subsídio, consistindo em modalidade de política económica 
omissiva ou por omissão, por parte de governos interessados em expor-
tar, como já indicado no Capítulo 9.0 tema é evidentemente polémico e 
está sendo ainda debatido. Não é. pois, o momento de analisá-lo, mas 
apenas de apontar a sua existência. 
16.7 Balança de serviços - Os invisíveis 
Nem apenas do movimento de mercadorias, porém, vive o comér-
cio internacional. Inúmeras outras operações são diariamente efetuadas 
por residentes de países diversos, implicando, pois, remessas de divisas 
para o seu pagamento, entendo-se por divisa exatamente a moeda estran-
geira usada para pagamentos internacionais. Essas outras operações que 
não envolvem produtos materiais integram a chamada balança de servi-
ços, englobando, naturalmente, serviços recebidos por não-residentes a 
serem pagos ao exterior e vice-versa, serviços prestados por residentes, 
cujos pagamentos provirão do exterior. Além de serviços propriamente 
ditos, várias outras remessas de divisas estão incluídas nesta rubrica e 
por isso tal balançaé igualmente conhecida comodeí/imó r /v , justamente 
por corresponder a operações com bens não corpóreos. Ela compreende 
342 CURSO DE ECONOMIA 
tipos e modalidades muito diferentes de serviços, como os de frete e se-
guro das mercadorias importadas e exportadas, o pagamento de aluguéis, 
de royalties e remunerações diversas. O royalty, palavra inglesa cuja tra-
dução literal é regalia, corresponde a pagamento pela utilização de l i -
cenças de fabricação e patentes, bem como pelo uso de marcas. Há tam-
bém as remunerações por assistência técnica e f< >t necimento de tecnologia 
não-patenteada, fornecimento de plantas e desenhos, bem como por direi-
tos autorais, no caso de impressão de livros, produção de discos, audição 
de músicas, cujos autores do exterior estejam intitulados a rece&ê-los. Um 
item especial neste conjunto é o das remessas feitas por imigrantes a seus 
países de origem, em geral destinadas às famílias que lá ficaram. 
Os serviços internacionais e o direito - O principal alvo da regula-
mentação legal nesse setor situa-se nos contratos envolvendo patentes e 
outras transferências de tecnologia, bem como assistência técnica e mar-
cas. Em princípio, tais contratos estão sujeitos a registro no Brasil junto 
a um órgão próprio, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial - INPI, 
bem como no Banco Central, e as regras básicas a respeito encontram-se 
na Lei 4.131/62, que disciplina os capitais estrangeiros, pois as patentes 
e conhecimentos tecnológicos num certo sentido se assimilam ao con-
ceito de capital e assim foram tratados por aquela lei. 
16.8 Balança de capitais 
Corresponde à conta de entrada e saída de capitais, normalmente 
ocorridas sob a forma de remessas financeiras, isto é, em moeda, muito 
embora seja perfeitamente possível uma entrada de bens corpóreos des-
tinados à produção justamente dos chamados bens de capital (máquinas 
e equipamentos diversos). Assim, uma máquina ou os direitos corporifi-
cados numa patente podem chegar ao Brasil a título de investimento, 
destinando-se a integraro capital de uma empresa. Neste caso, diz-se que 
os referidos b^ns entram no país sem cobertura cambial, isto é, sem que 
haja remessr de qualquer pagamento por eles, como ocorreria caso t i-
vessem sido importados. A esse capital - dinheiro ou bens - ingressado 
para ser investido numa atividade produtiva (Lei 4.131, art. 1.°) dá-se o 
nome de capital de risco, pois, uma vez no país, ele tanto pode si multi-
plicar, quanto pode diminuir ou desaparecer, na hipótese de insucesso do 
empreendimento. O capital investido gera remessas futuras de lucros e 
dividendos, e o seu próprio repatriamento. 
ECONOMIA INTERNACIONAL 343 
Uma outra modalidade é a do capital de empréstimo, recursos in-
gressados ao abrigo de contratos de mútuo, onde o mutuante é uma pes-
soa estrangeira, normalmente pessoa jurídica, uma empresa comercial 
ou um banco, e o mutuário, um residente, também pessoa física ou jurí-
dica. Nesse caso, a conta balança de capitais é creditada pela entrada do 
principal num primeiro momento e debitada, ao longo do período do 
contrato, pelas remessas de juros e, a final, pelo reenvio daquele princi-
pal. Importante notar que a saída de recursos relativos ao pagamento de 
juros pode variar ao longo de todo o período do empréstimo, em virtude 
de tais juros não serem lixos ou determinados, mas apenas determináveis, 
isto é, referidos a uma taxa básica variável. Essa taxa básica é, na maioria 
dos casos, a Libor - abreviatura de London Interbank Offered Kate-que é 
a taxa pela qual os bancos cedem uns aos outros recursos que têm deposi-
tados no centro financeiro de Londres. Assim, normalmente, num emprés-
timo internacional os juros correspondem a Libor mais spread, sendo este 
último uma margem percentual fixa a refletir o julgamento de risco do 
banqueiro quanto ao país receptor. Em essência, a Libor nada mais é do 
que o custo de oportunidade da entidade emprestadora. 
Uma terceira modalidade a figurar na balança de capitais vem a ser a 
do movimento de entrada e saída de recursos financeiros, a título de aplica-
ções no país, quer em títulos de renda fixa, quer em operações nas bolsas 
locais. Trata-se dc recursos de curto prazo, chamados de investimentos de 
porfólio ou no jargão financeiro de hot money por entrarem e saírem de 
cada país muito rapidamente e sem qualquer previsibilidade, ao sabor das 
meras condições de mercado prevalecentes a cada momento. 
A balança de capitais e o Direito - Todas essas modalidades de 
aporte de capitais têm como fulcro regulador a já referida Lei 4.131/ 
62, a qual, em síntese, estabelece um processo de registro junto ao Banco 
Central do Brasil dos capitais ingressados sob qualquer modalidade no 
país, registro esse a respaldar as futuras remessas de seus rendimentos 
- lucros, dividendos, juros - e, quando cabível, o próprio repatriamen-
to do montante ingressado. O mesmo registro vale, como dito acima, 
para os casos de transferência de tecnologia, patentes, marcas etc, muito 
embora, nesses casos, o capital propriamente dito não tenha entrado no 
Brasil por estar com o seu titular no exterior, mas os contratos respec-
tivos possam dar origem às remessas de royalties ou outro tipo de re-
muneração, como acima especificado. 
344 CURSO DE ECONOMIA 
16.9 Balança de pagamentos 
A soma das três balanças acima apresentadas: a comercial, a de ser-
viços e a dc capitais - no fundo contas ou tabelas de dados ordenados -
constitui a balança de pagamentos, a contabilizar o conjunto das opera-
ções externas de um país. Ela pode apresentar saldo positivo (superavit), 
saldo negativo (déficit) ou ainda equilíbrio. 
As duas primeiras são comumente conhecidas como a balança de 
transações correntes, dentro de uma visão, talvez um tanto superada, de 
ser o movimento de capitais algo de menor peso ou pouco habitual. Como 
parece óbvio, é perfeitamente possível haver um superavit comercial e 
um déficit nas demais balanças ou vice-versa. Quando o déficit atinge a 
balança de pagamentoscomo um todo, isto é, as contas externas em seu 
conjunto, ele costuma ser coberto com financiamentos especiais conce-
didos por órgãos como o FMI (Fundo Monetário Internacional), ou ou-
tras entidades do exterior, sendo tais financiamentos chamados de com-
pensatórios por se destinarem a cobrir ou compensar insuficiências nos 
pagamentos internacionais de um país, tidas como transitórias. 
16.10 laxa cambial 
Discutidos em linhas externamente amplas os aspectos relevantes 
do comércio internacional, cabe, agora, apresentar algumas informações 
sobre a taxa cambial a fim de dar uma ideia ainda que superficial sobre os 
seus principais fatores determinantes. 
Poderá surgir a pergunta: qual a razão de 1 dólar valer cerca de 1,20 
euros ou 110 ienes, enquanto 1 libra corresponde a 1,5 dólar ou 160 ie-
nes? O que explica essas discrepâncias tão amplas? A resposta é simples: 
essas diferenças nominais correspondem, em princípio, a diferentes po-
deres aquisitivos internos de cada unidade de moeda. 
Se imaginarmos uma cesta teórica de mercadorias, contendo n uti-
lidades, tais como cereais, frutas, medicamentos, entradas de cinema, 
máquinas, consultas médicas, serviços tecnológicos, tecidos, brinque-
dos etc, a taxa de câmbio tenderá a ser um quociente entre os montantes 
de cada rr.oeda nacional necessários para adquirir a mesma cesta teórica 
em diversos países, e explica, por essa forma, as variações da taxa cam-
bial, explicação conhecida como a teoria da paridade do poder de com-
ECONOMIA INTERNACIONAL 345 
pra. Esses diversos poderes de compra decorrem de circunstâncias his-
tóricas, vicissitudes passadas pelas várias moedas ao longo dos tem-
pos. Assim, por exemplo, o cruzeiro e depois o cruzado, o cruzado novo 
e o cruzeiro ressuscitado sofreram severo processo de desgaste de seu 
poder aquisitivo interno, o qual não pode deixar de se refletir no seu 
valor externo, pois necessitava-se sempre de maior quantidade daque-
las sucessivas moedas para trocar pelo mesmo dólar. Por quê? Porque 
o poder aquisitivo interno da moeda desgastava-se. Como o Brasil con-
seguiu em anos recentes um razoável domínio sobre a sua inflação, a 
taxa cambial passou a sofrer variações bem menores. E, apenas para 
explorar mais a fundo essa hipótese, caso, agora, após a inflação brasi-
leira ter sido razoavelmente controlada, os Estados Unidos entrassem 
num processo inflacionário agudo, a tendência seria a de haver uma 
valorização do real ante o dólar com o curso de câmbio evoluindo, por 
exemplo, para um real trocado por 4, 5 ou 10 dólares. 
No fundo o que se passa é a taxa cambial, como o preço da moeda 
estrangeira, acompanhar o comportamento dos demais preços. A rigor 
ela tende a se antecipar ao aumento dos outros preços, em função de um 
movimento especulativo: os importadores antecipam suas compras no 
exterior, onde os preços estão estáveis, para vendê-los internamente em 
nível mais elevado, especulando com uma inflação futura e crescente. A 
medida que todos fizerem isto, o câmbio tenderá a subir antes ou mais 
acentuadamente do que os demais preços internos, verificando-se tam-
bém nesse caso a auto-realização de profecia. 
A última frase do parágrafo antei iorjá acena para uma segundacausa 
explicativa para as variações cambiais: a alta do câmbio pode antecipar 
a alta dos demais preços. Esta segunda causa é de caráler, por assim di-
zer, mercantil, ou seja, ela faz com que o preço da moeda estrangeira suba 
ou desça segundo haja maior ou menor procura por aquela moeda ou 
segundo haja maior ou menor oferta da mesma. Assim, por exemplo, se 
houver uma grande procura de dólares no mercado cambial europeu e 
uma grande oferta de euros, no mesmo mercado, a tendência será a de o 
euro perder valor ante o dólar, ainda quando o nível geral de preços inter-
nos naquele país se mantenha razoavelmente estável. 
A mesma tendência dar-se-ia no Brasil, caso, por exemplo, uma 
colossal geada o impedisse dc exportar produtos agrícolas por dois ou 
346 CURSO DE ECONOMIA 
três anos. A oferta de divisas estrangeiras representada pela exportação 
de café, laranjas e outros produtos afetados cairia drasticamente, levan-
do a cotação das demais moedas (dólar, euro, libra, yen, etc.) a subir acen-
tuadamente face ao real. 
Tudo isso decorre do fato já apontado de ser, no fundo, a taxa cam-
bial um preço como qualquer outro, sujeito às oscilações da oferta e da 
procura. Mesmo a teoria da paridade do poder de compra, acima apre-
sentada, em última análise, também se explica por esta mesma forma, 
pois, havendo uma inflação mais acentuada cm um país, com relação a 
outro, a tendência será a de o primeiro importar maior quantidade de bens 
do segundo. Mas isto significa maior procura pela moeda deste segundo 
país ou por uma moeda de curso internacional por ele aceita (o dólar, por 
exemplo),oque, automaticamente, leva a taxa cambial a se atualizar, acom-
panhando os demais preços internos também em ascensão, impulsiona-
dos pelo surto inflacionário ou, como visto, até a ele se antecipando. 
Pode-se, pois, concluir que a taxa cambial tende a ser um reflexo 
dos diferentes poderes de compra das várias moedas ao longo tempo, 
sujeita porém a oscilações mais ou menos bruscas em torno dessa linha 
tendencial, determinadas por forças de mercado, inclusive de caráter 
especulativo. 
Durante o primeiro semestre de 2005, o nível de inflação brasileiro 
ficou no mesmo patamar do verificado ao longo de 2004, apresentando 
elevação ao redor de 5%. No entanto, o real sobrevalorizou-se bastante, 
passando a sua cotação frente ao dólar de algo como 2,75 para cerca de 
2,35.0 que houve? Simplesmente a maior entrada de dólares (ou euros) 
decorrentes de captação de recursos no exterior, e do bom desempenho 
das exportações. Prevaleceu nesse período a componente mercantil da 
taxa de câmbio, já que a outra causa - poder dc compra de moeda - man-
teve-se bas.ante estável. 
A taxa cambial e o Direito - Se o câmbio apresenta-se como um 
preço como outro qualquer, ele porém não flutua solto no mercado. So-
bre ele repousam permanentemente as atenções e os cuidados das auto-
ridades monetárias de todos os países, as quais o tem como o instrumen-
to básico para o controle das operações com o exterior e poderoso adju-
vante no controle interno do nível de preços. 
Como supradestacado, a sobre ou subvalorização internacional da 
moeda local sóc levar a excessos de importação ou de exportação, pois, 
ECONOMIA INTERNACIONAL 347 
na primeira hipótese - a sobrevalorização - , torna os bens vindos de fora 
proporcionalmente mais baratos em relação aos produzidos internamente. 
Vice-versa, na segunda hipótese - subvalorização - , os exportadores es-
tarão recebendo maior quantidade de moeda local pelos produtos envia-
dos para fora e, consequentemente, tentarão fazê-lo, o quanto possível, 
diminuindo a oferta interna daqueles produtos. 
A ação dos governos sobre a taxa cambial faz-se de forma direla, 
quando o Banco Central a fixa por um ato de direção económica. Tal fixa-
ção pode abranger um pei iodo maior ou menor ou, mesmo, ser diária. A 
ação indireta faz-se via mercado, informalmente, mediante comprae ven-
da de divisas, sacando das ou adicionando recursos às reservas cambiais 
do país. Pode-se, ademais, atuar sobre a taxa cambial via controle das ope-
rações que dela dependem, como o licenciamento estrito das importações, 
as quotas de exportação e a imposição de restrições aos movimentos de 
capitais. O câmbio pode também vir a ser monopolizado pelo Estado, via 
Banco Central ou outros órgãos. I lá ainda o recurso de o Banco Central 
lançar no país títulos cujo valor seja amarrado a uma moeda forte, como o 
dólar, ou seja, corrigido pela taxa cambial. Isto desvia a compra especula-
tiva de moeda estrangeira, aliviando a pressão sobre a moeda do país. Fi-
nalmente, pode-se encarecer artificialmentea taxa cambial para algumas 
operações, como importação de supérfluos, viagens internacionais ou re-
messas de imigrantes, por via de depósitos prévios de um valor equivalen-
te ao da operação, ou parte dela, durante um certo período, depósitos estes 
sem juros, a significar, portanto, um encarecimento da taxa cambial. 
Claramente, todas essas medidas estão, por alguma forma, previs-
tas na legislação económica, inclusive a possibilidade de ingresso dos 
bancos centrais no mercado cambial, comprando ou vendendo moeda, a 
fim de manter o câmbio dentro de certas faixas relativamente estreitas de 
flutuação, chamadas de bandas cambiais, quer oficialmente impostas, 
quer apenas intuídas pelo mercado. 
Para concluir: a taxa cambial é, em essência, um reflexo das vicissi-
tudes ocorridas com cada uma das economias, cujas moedas estão em pre-
sença. No entanto, é indubitável a sua influência sobre as demais variá-
veis, numa espécie de refluxo, razão pela qual ela é vista como um impor-
tante instrumento de política económica, bastando lembrar ser, em grande 
parte, a responsável pelas posições de equilíbrio ou desequilíbrio da ba-
lança ilc pagamentos, pois, supostamente, haverá sempre um nível ótimo 
348 CURSO DE ECONOMIA 
a ser por ela atingido, o qual levará ao equilíbrio dos fluxos de entrada e 
saída de recursos internacionais. A taxa decâmbio pode ser vista, pois, como 
uma espécie de preço macroeconómico, respondendo não apenas pelas 
operações próprias dos mercados de produtos individualizados, mas tam-
bém pelo equilíbrio (ou não) das contas externas como um todo. 
SÍNTESE E CONCLUSÕES 
1) As operações internacionais são aquelas que envolverp residentes 
de países diferentes. 
2) Elas não têm explicação essencialmente diversa daquelas realiza-
das dentro de um mesmo país. 
3) A teoria das vantagens comparativas sustenta que cada país deve 
se especializar no tipo de produção para o qual for melhor dotado, 
trocando-a com os demais. A sua aplicação leva ao livre jambis-
mo, ou seja, a abolição de quaisquer barreiras ao intercâmbio in-
ternacional. 
4) A crítica a essa teoria pelos protecionistas aponta para o argumento 
da indústria nascente e para a tendência à deterioração dos termos 
de troca contra as exportações dos países não-industrializados. Jus-
tifican , pois, restrições ao comércio internacional dentro de uma 
política de industrialização. 
5) A globalização, processo ainda em marcha, implica a liberalização 
e desregulamentação dos fluxos internacionais de bens. Estes flu-
xos, modernamente, apresentam uma alta participação das transfe-
rências de fatores, não se limitando, como antes, à movimentação 
de produtos acabados. 
6) A balança de pagamentos vem a ser o registro das operações inter-
nacionais de um país, isto é, aquelas cujos pagamentos implicam 
unidades monetárias diversas. 
7) A balança de pagamentos compreende a balança comercial, de ser-
viços e de capitais. 
8) A taxa cambial é a relação de troca entre duas moedas. Explica-se 
pelos diferentes poderes aquisitivos de cada uma das moedas em 
presei ça e também pela maior ou menor disponibilidade de uma 
com relação à outra. 
ECONOMIA INTERNACIONAL 349 
9) Em grande parte, a taxa cambial pode ser vista como um preço 
macroeconómico, pois sempre se pode imaginar para ela um nível 
ótimo que tende a manter em equilíbrio a balança dc pagamentos. 
10) Os bancos centrais de todos os países atuam nos mercados de câm-
bio a fim de manter as oscilações da taxa cambial dentro de deter-
minadas faixas-limite, a fim de não provarem oscilações indesejá-
veis na economia de cada país. 
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