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e policiais, dentre 
outros, por força de mandamento legal, possuem o dever de enfrentar 
situações perigosas. 
96. Errado. A primeira parte da questão está correta, mas a segunda 
faz uma inversão do significado da norma penal. Exemplo: X atira contra 
um vulto achando que era X², seu irmão mais potente, e mata Z, o 
vizinho. Nesse caso, X responderá como se tivesse matado seu próprio 
irmão, pois se considera as condições ou qualidades da vítima virtual, 
visada, e não da vítima real, como afirmou a questão. 
97. Correto. O Código Penal brasileiro adotou a teoria unitária, na qual 
todo estado de necessidade é justificante, ou seja, afasta a ilicitude do 
fato típico praticado pelo agente. Já na teoria diferenciadora faz-se a 
 
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distinção entre estado de necessidade justificante (excludente de 
ilicitude) e o exculpante (excludente de culpabilidade), através de 
ponderação de bens. 
98. Correto. No erro de proibição não há no agente a consciência de 
ilicitude de sua conduta. Ele faz um juízo errado sobre seu 
comportamento, pensando que é lícito, quando na verdade não é. Como o 
agente atua voluntariamente, permanece o dolo. Fica afastada, porém, 
sua culpabilidade quando escusável. Se inescusável, terá sua pena 
reduzida de um sexto a um terço, conforme art. 21 do CP. 
99. Errado. O exemplo da questão vislumbra um exemplo de crime 
omissivo impróprio, tratado no art. 13, § 2° do CP, que dispõe que a 
omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir 
para evitar o resultado. No mesmo dispositivo, ensina o Código que o 
dever de agir incumbe a quem tenha por lei obrigação de cuidado, 
proteção ou vigilância. O guarda-vidas da piscina do clube enquadra-se 
nessa situação, devendo somente ele responder pelo delito de omissão de 
socorro. 
100. Errado. A questão contraria o dispositivo legal que preceitua que o 
erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, 
poderá diminuí-la de um sexto a um terço (art. 21 do CP). 
101. Errado. A previsibilidade, como elemento do fato típico culposo, 
deve ser objetiva. É aquela fundada no homem médio, de prudência 
normal. Se, nas condições em que se encontrava o agente, um homem 
comum pudesse prever o resultado, estaria configurada a previsibilidade 
objetiva. Difere, portanto, da previsibilidade subjetiva, que leva em 
consideração as características pessoais do agente. 
102. Correto. Da mesma forma, relações familiares como pai e filho, ou 
religiosas como sacerdote e fiéis, não configuram subordinação 
hierárquica. A hierarquia é uma relação de Direito Público, não sendo 
admitida entre particulares. 
103. Errado. O Código Penal brasileiro adotou a teoria unitária, na qual 
o estado de necessidade é causa de exclusão de antijuricidade, desde que 
o bem jurídico sacrificado seja de valor igual ou inferior ao bem 
preservado. Dessa forma, se, para salvar vida humana, houver 
destruição de patrimônio alheio ou a morte de outra pessoa, haverá a 
excludente de ilicitude. Basta, somente, a razoabilidade da conduta do 
agente. Na teoria diferenciadora, no entanto, faz-se sim a distinção entre 
estado de necessidade justificante (excludente de ilicitude) e o exculpante 
(causa supralegal de exclusão de culpabilidade), através de ponderação 
dos bens. 
 
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104. Errado. Tentativa imperfeita é aquela na qual o agente não 
consegue praticar todos os atos que intencionava, por circunstâncias 
alheias a sua vontade. Em outras palavras, o sujeito ativo é interrompido 
durante a prática dos atos de execução. Por exemplo, com a chegada da 
polícia, o agressor é impedido de prosseguir desferindo golpes na vítima, 
a qual queria matar. 
105. Correto. No crime comissivo por omissão a lei descreve uma 
conduta de fazer, porém, a inércia do agente em impedir o resultado 
naturalístico quando devia e podia agir, deflagra sua produção. Como 
exemplo, o salva-vidas que não socorre um banhista na praia, deixando-
o morrer, comete um crime omissivo impróprio. O tipo penal, matar 
alguém, descreve uma ação. A inação do agente, consoante o art. 13, §2° 
do CP, torna-se penalmente relevante, pois se negou a cumprir seu dever 
de agir. Trata-se, portanto, de um crime comissivo por omissão. 
106. Errado. A conduta de Matias está albergada pela excludente de 
antijuridicidade do estado de necessidade, e não da legítima defesa. 
Marco praticou o fato para salvar direito próprio de perigo atual que não 
provocou por sua vontade, conforme dispõe o art. 24 do CP. 
107. Errado. Sujeito passivo do crime é o titular do bem jurídico lesado 
pela conduta delituosa. No crime de vilipêndio a cadáver, art. 212 do 
Código Penal, as vítimas são os familiares e a própria coletividade. Os 
mortos não podem ser sujeitos passivos de crime, já que não são 
titulares de direitos, assim como os animais. 
108. Errado. De acordo com o art. 1° da Lei de Introdução ao Código 
Penal, contravenção é a infração penal a que a lei comina, isoladamente, 
pena de prisão simples ou multa, ou ambas, alternativa ou 
cumulativamente. A questão tenta confundir o aluno com o conceito de 
crime de menor potencial ofensivo, importante instituto para o Direito 
Processual Penal, disposto no art. 61 da Lei 9.099/95. 
109. Errado. O crime de homicídio admite tentativa branca, aquela na 
qual o sujeito ativo, tendo usado todos os meios ao seu alcance, não 
consegue efetuar nenhum dano ao bem jurídico visado. Por exemplo, 
Joca saca de seu revólver e atira contra Juca, disparando todos os 
cartuchos do tambor, com o objetivo de matá-lo. Contudo, nenhum dos 
disparos acerta a vítima. No caso, Joca responderá pela tentativa de 
homicídio. 
110. Errado. O exemplo da questão trata de negligência. O médico, ao 
esquecer uma pinça no abdome do paciente durante uma intervenção 
para a qual possuía a especialização, foi negligente. Deixou de fazer 
 
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aquilo que a diligência normal impunha. Já a imperícia é a falta de 
conhecimentos técnicos no exercício da arte, profissão ou ofício. Se um 
médico resolve fazer uma cirurgia para a qual não está devidamente 
capacitado, será então considerado imperito. 
111. Errado. É necessária a aferição no caso concreto, como já decidido 
pelo STJ. O fato de o supermercado possuir sistema eletrônico de 
vigilância não ilide, de forma absolutamente eficaz, a consumação do 
delito de furto, pois existe o risco, ainda que mínimo, de que o agente 
logre êxito na consumação do furto e cause prejuízo ao supermercado. O 
crime impossível somente se caracteriza quando o agente, após a prática 
do fato, jamais poderia consumar o crime pela ineficácia absoluta do 
meio empregado ou pela absoluta impropriedade do objeto material, nos 
termos do art. 17 do CP. 
112. Correto. Assim como o estado de necessidade e a legítima defesa, o 
exercício regular de direito e o estrito cumprimento do dever legal são 
causas de exclusão da ilicitude, conforme art. 23 do Código Penal. 
113. Errado. O erro de tipo essencial escusável ou inevitável ou 
invencível ou desculpável é aquele erro que o agente não poderia evitar 
mesmo usando toda a cautela possível. Nesse caso, exclui-se o dolo e a 
culpa, deixando o fato de ser típico. Já no erro do tipo essencial 
inescusável ou evitável ou vencível ou indesculpável, o qual o agente 
poderia evitar caso empregasse a prudência necessária, exclui-se o dolo, 
mas poderá ser-lhe atribuído o resultado a título de culpa, caso haja 
previsão legal. 
114. Errado. Meio necessário é aquele que o agente dispõe para impedir 
a injusta agressão no momento em que esta é praticada. Já a moderação 
no seu uso refere-se