A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
315 pág.
08 1001questoescomentadasdireitopenalcespe 130811172226 phpapp02

Pré-visualização | Página 19 de 50

ou evitável, porém, faz com a pena 
do agente diminua de um sexto a um terço, não excluindo sua 
culpabilidade. É o que se depreende do art. 21 do CP. 
153. Correto. Conglobar significa juntar na sua totalidade. O 
ordenamento jurídico como um todo não deve possuir antinomias, 
contradições. De acordo com a teoria da tipicidade conglobante, criada 
pelo penalista argentino Zaffaroni, para que haja tipicidade penal, a 
conduta do agente deve ser antinormativa. O carrasco, ao executar a 
sentença de morte, responde a uma obrigação legal a ele imposta. Sua 
conduta não seria antinormativa, ao contrário, estaria de acordo com a 
norma. Logo, segundo o autor, o fato seria considerado atípico e não 
amparado por uma causa de exclusão de ilicitude. 
154. Errado. Causa supralegal de exclusão de ilicitude é aquela não 
expressamente prevista pela lei penal, mas por todos aceita. É o caso do 
consentimento do ofendido em relação a danos que atingem bens 
disponíveis. A inexigibilidade de conduta diversa é uma causa de 
exclusão de culpabilidade e não de antijuridicidade. 
 
1001 Questões Comentadas – Direito Penal – CESPE 
Eduardo Neves e Pedro Ivo 
66
155. Errado. Se, por erro na execução, o agente atingir bem jurídico de 
terceiro inocente, ainda assim estará amparado pela causa de 
justificação da legítima defesa, não respondendo penalmente. Nesse caso 
aplica-se a regra do erro de execução, na qual se considera a pessoa 
visada e não a atingida. Permanece a responsabilidade civil do agente 
com relação ao terceiro inocente. 
156. Errado. Sujeito passivo do crime é o titular do bem jurídico lesado 
pela conduta criminosa. O Estado é o sujeito passivo formal de todos os 
crimes, pois sendo ele titular do ordenamento jurídico, todo crime é uma 
ofensa. E o Estado também pode ser sujeito passivo material de 
inúmeros delitos, tal como acontece nos crimes contra a Administração 
Pública, art. 312 e seguintes do Código Penal. 
157. Errado. O direito penal é ramo do direito público, sendo uma 
pluralidade de princípios e leis a todos imposta. Possui natureza 
fragmentária, ou seja, somente protege os bens jurídicos mais 
importantes, pois os demais são protegidos pelos outros ramos do 
direito. O escopo do direito penal é possibilitar a proteção dos bens 
jurídicos fundamentais para a sobrevivência da própria sociedade. 
158. Errado. O Código Penal adotou a teoria normativa para reger os 
crimes omissivos impróprios. Nela, a omissão é uma abstração e somente 
se pune o agente porque a lei assim determina. Só existe importância 
jurídico-penal para omissão quando estiver presente o dever de agir. É o 
que preceitua o art. 13, § 2° do Diploma Repressor, que traz nas alíneas 
a, b e c as hipóteses do dever de agir. 
159. Correto. A questão traz um exemplo de arrependimento 
posterior, causa obrigatória e pessoal de diminuição de pena. Disposto 
no art. 16 do Código Penal do seguinte modo: nos crimes cometidos sem 
violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a 
coisa, até o recebimento da denúncia ou queixa, por ato voluntário do 
agente, a pena será reduzida de um a dois terços. 
160. Errado. O erro sobre a ilicitude do fato está previsto no art. 21 do 
Código Penal, que afirma que, caso o erro seja inevitável, isentará de 
pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço. 
161. Errado. O delito ou crime putativo por erro de tipo é aquele 
imaginado pelo agente, que fantasia estar cometendo um crime quando, 
por erro, não está. Por exemplo, o sujeito pensa estar traficando drogas, 
quando, por ignorância, está vendendo erva-mate. O crime só existe na 
mente do agente. 
 
1001 Questões Comentadas – Direito Penal – CESPE 
Eduardo Neves e Pedro Ivo 
67
162. Errado. A questão tenta confundir as definições de crime e 
contravenção, encontradas no art. 1° da Lei de Introdução ao Código 
Penal. A distinção é quantitativa e encontra-se na gravidade da pena 
imposta. Quando for cominado pena de reclusão ou detenção, tem-se 
um crime. Caso estas palavras não se encontrem no preceito secundário, 
tem-se uma contravenção, a qual a lei atribuiu pena de prisão simples 
ou multa. 
163. Errado. A palavra putativo significa imaginário. É possível sim a 
legítima defesa real contra a legítima defesa putativa. A compreensão se 
cristaliza com o seguinte exemplo: “X” é um antigo inimigo de “Y”, e 
ambos haviam se jurado de morte. Acontece que “X” muda de opinião e 
resolve pedir desculpas a “Y”, caminhando em sua direção. Ao avistá-lo, 
“Y” amedronta-se acreditando que seria morto. Ao reparar que “X” coloca 
a mão na jaqueta, imagina tratar-se de uma arma, e logo saca a sua 
própria e desfere tiros no “X”. Este último, que iria apenas oferecer-lhe 
um cigarro, abaixa-se e, para se defender da injusta agressão real, revida 
e acaba por matar “Y”. Percebe-se que “X” se encontrava em legítima 
defesa real enquanto “Y” agiu em legítima defesa putativa. 
164. Errado. A questão coloca a palavra culpabilidade no lugar de 
ilicitude, o que a invalida. Da forma correta, pode-se afirmar que, 
segundo a teoria dos elementos negativos do tipo, as causas de exclusão 
de ilicitude devem ser agregadas ao tipo como requisitos negativos 
deste, resultando no conceito denominado pela doutrina de tipo total do 
injusto. Tipicidade e ilicitude integrariam o tipo total do injusto, ou seja, 
se estiver presente a tipicidade, também estará a ilicitude. Esta teoria 
não foi adotada pelo Código Penal pátrio. 
165. Correto. Na desistência voluntária, o agente, embora tenha iniciado 
a execução, desiste de prosseguir. No arrependimento eficaz, o agente 
pratica todos os atos da execução do crime, mas pratica uma nova 
conduta que evita a produção do resultado. São requisitos comuns aos 
dois institutos: a voluntariedade, ou seja, a vontade livre de coação física 
ou moral, e a eficácia, ou seja, a atuação do agente deve ser capaz de 
evitar o resultado. Nos dois casos, de acordo com o art. 15 do CP, o 
agente só responde pelos atos já praticados. 
166. Errado. O Brasil adota um sistema bipartido, dividindo a infração 
penal em duas espécies: crime ou delito de um lado e contravenção penal 
de outro. Assim, crime e delito são expressões sinônimas. Em alguns 
países como a França, Alemanha, Japão, adota-se o sistema tripartido, 
fazendo a distinção das infrações penais em crime, delito e contravenção. 
167. Correto. Crime, em seu conceito material, é toda ação humana que 
lesa ou expõe a perigo de lesão bens jurídicos legalmente protegidos. 
 
1001 Questões Comentadas – Direito Penal – CESPE 
Eduardo Neves e Pedro Ivo 
68
Logo, não há crime sem resultado jurídico ou normativo. Diferente 
situação é a existência do crime sem resultado naturalístico, como 
acontece com os crimes de mera conduta, a exemplo do ato obsceno, art. 
233 do Código Penal. 
168. Errado. Contraria o dispositivo legal, art. 22 do Código Penal, que 
estabelece que se o fato for cometido em estrita obediência a ordem, não 
manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só será punível o autor 
da ordem. 
169. Correto. No erro de proibição indireto o agente possui perfeita 
noção da realidade, agindo com dolo, mas imagina que sua conduta seja 
lícita. Por exemplo, o fazendeiro que, para defender sua propriedade, 
mata qualquer posseiro que a invada, pensando estar nos limites de seu 
direito. A norma no art. 21 do Código Penal ensina: tal erro, se escusável, 
isenta-o de pena; se inescusável, concede-lhe o direito a redução da pena 
de um sexto a um terço. 
170. Correto. Trata-se do instituto do arrependimento posterior, 
disciplinado pelo art. 16 do Código Penal, que ensina que nos crimes 
cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou 
restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou queixa, por ato 
voluntário do agente,