Fisiologia da dor
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Fisiologia da dor


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PROBLEMA 1 
1. Definir e classificar dor. OK 
1.1 Decálogo da dor. OK 
2. Caracterizar os nociceptores (como funcionam e quais são). OK 
3. Descrever a via da dor e identificar as estruturas encefálicas mínimas para sentir dor. OK 
4. Definir sensibilização periférica. OK 
5. Caracterizar a modulação central (Sistema Analgésico Central Descendente) e periférica da dor. OK 
6. Caracterizar sensibilização central (o que é, como ocorre, quais as consequências). OK 
7. Caracterizar neuropatia periférica (o que é, causas, neuroma, características clínicas, tratamento). 
8. Compreender mecanismos de ação de anticonvulsivantes e antidepressivos voltados para o controle 
analgésico da neuropatia. 
9. Descrever limiar de de dor e quais as áreas encefálicas relacionadas. 
10. Definir hiperalgesia e alodínea (tratamento). OK 
 
GLOSSÁRIO 
- DOR\u200b: experiência sensitiva associada a lesão 
- LIMIAR DA DOR\u200b: intensidade de estímulo que leva à percepção, é o mínimo para se der o estímulo doloroso. 
- HIPERALGESIA\u200b: aumento da resposta ao estímulo que normalmente é dolorosa 
- ALODÍNIA\u200b: dor ao estímulo que normalmente não é doloroso mas passa a ser 
- PARESTESIA: \u200bsensação anormal, espontânea ou evocada nem sempre desagradável. 
- NEURALGIA: \u200bdor da distribuição do nervo que pode ou não ser acompanhada de sinais de hipofunção do nervo. 
- ANALGESIA: \u200bausência de dor ao estímulo nociceptivo. 
- PARESTESIA: \u200bsensação anormal, espontânea ou evocada, nem sempre desagradável; 
Guias de Medicina Ambulatorial e Hospitalar UNIFESP: DOR 
CONCEITO 
É uma experiência sensorial, emocional e cognitiva desagradável, relacionada com uma lesão real ou 
potencial dos tecidos a qual determina respostas celulares, do sistema nervoso e psicológicas. 
Aspectos fundamentais da dor: 
1. Perceptivo-discriminativo: dor relacionada a estruturas neurofisiológicas distintas, discrimina o 
estímulo doloroso. 
2. Aversivo-cognitivo: dor como sofrimento, determinantes psicológicos. 
A presença de dor na ausência da lesão tecidual é explicada ao fato da dor depender de diversas 
atividades do sistema nervosos relacionadas com processos sensoriais, motivacionais/afetivos, cognitivos e 
mecanismos psicodinâmicos. 
 
Tratado de Anestesiologia SAESP VII 
DECÁLOGO  
1. \u200bLOCAL\u200b \u2013 \u200bOnde dói? 
2.\u200b \u200bINTENSIDADE\u200b \u2013 \u200bNuma escala de 0 a 10, quanto está doendo? 
3.\u200b \u200bIRRADIAÇÃO\u200b \u2013 \u200bA dor irradia? Ela se move? Espalha pra outro lugar? 
4.\u200b \u200bEXTENSÃO\u200b \u2013 \u200bA dor é pontual ou ela é em uma grande área? 
5.\u200b \u200bEVOLUÇÃO\u200b \u2013 A dor piorou? A dor melhorou? 
6. TIPO DE DOR \u200b\u2013 Pontada, queimação, formigamento, fisgada, aperto, cólica, esmagamento, coceira, ardor, calor, 
choque, pulsação, tremor, como uma batida, pesada, 
7.\u200b \u200bFATORES AGRAVANTES \u200b\u2013 O que faz a dor piorar? 
8.\u200b \u200bFATORES ATENUANTES \u200b\u2013 O que faz a dor melhorar? 
9.\u200b \u200bFATORES QUE ACOMPANHAM \u200b\u2013 Você tem algum outro sintoma junto com a dor? 
10.\u200b \u200bFATORES DE SEMELHANÇA \u200b\u2013 Você já sentiu essa dor antes? 
Semiologia Médica - Celmo Celeno Porto - 7ª Edição. 2013 
 
CLASSIFICAÇÃO 
A classificação da dor pode ser feita de acordo com variados critérios: 
1. TEMPO: \u200baguda, desaparece junto com a lesão; crônica, duração maior que 3 a 4 meses. 
\u25cf AGUDA - dor desaparece junto com a lesão 
\u25cb Causa ansiedade, medo, irritação, aumento da frequência cardíaca e respiratória, provocando 
alterações neurovegetativas como sudorese e dilatação da pupila. Alerta de risco para a lesão. 
\u25cf CRÔNICA - a dor permanece e tem duração maior que 3-4 meses. 
\u25cb É persistente e de longa duração. Não apresenta função biológica, alterando as funções fisiológicas e 
psicológicas como depressão, ansiedade, letargia e distúrbio do sono. Tem alívio inadequado. 
2. FISIOPATOLOGIA: \u200bpode ser nociceptiva somática e visceral, neuropática ou psicogênica. 
\u25cf NOCICEPTIVA (\u200btrauma, infecção, degeneração articular, invasão tumoral em osso): é decorrente da ativação de 
nociceptores situados em tecidos somáticos superficiais e profundos e é visceral quando sensibiliza receptores 
em estruturas viscerais. Caracteriza-se muitas vezes como dor em pontada, latejante ou queimante. Na dor 
visceral, descrita como profunda, tem-se características de uma dor difusa, mal localizada e opressiva, 
geralmente com associação clínica a quedas de pressão, náuseas, vômitos, sudorese e alteração na frequência 
cardíaca. 
\u25cb Funcional: somática profunda, somática superficial (\u200bcãibra\u200b) e visceral (\u200benxaqueca\u200b) 
\u25cb Orgânica: somática profunda (\u200bartrite\u200b), somática superficial (\u200binfecção de pele\u200b) e visceral (\u200btumor\u200b) 
 
 
\u25cf NEUROPÁTICA (\u200bneuralgia pós-herpética, neurite traumática, síndrome complexa de dor regional, neuralgia do 
trigêmeo\u200b): é uma dor causada por doença, lesão ou disfunção dos nervos. 
\u25cb Funcional (\u200bSCDR\u200b) 
\u25cb Orgânica: central (\u200bpós AVC, lesão medular\u200b) e periférica (\u200bneuropatía diabética, neuralgia pós-herpética\u200b) 
\u25a0 Dor central: decorre de lesões da medula espinhal, de tronco cerebral, tálamo e córtex cerebral. 
 
 
\u25cb Psicogênica 
3. LOCALIZAÇÃO: 
\u25cf SOMÁTICA - bem localizada, próxima da lesão e pode exacerbar com o movimento 
\u25cf VISCERAL - é pouco localizada, com alterações autonômicas e é uma dor referida. 
4. ETIOLOGIA: 
\u25cf Pode ser causada por trauma, cirurgia, herpes zóster, câncer, hérnia de disco, infecção, isquemia, espasmos. 
5. DEPENDÊNCIA DO SISTEMA SIMPÁTICO: 
\u25cf Pode ser dependente ou independente do sistema simpático. São mantidas pelo simpático: \u200bSCDR, neuralgia, dor 
inflamatória, dor central e dor fantasma\u200b. 
6. REGIÃO AFETADA: 
\u25cf Lombar, torácica, cefálica, cervical, abdominal, pélvica e dos membros. 
7. SÍNDROME: 
\u25cf Lombalgia e lombociatalgia; 
\u25cf Cervicobraquialgia; 
\u25cf Miofascial; 
\u25cf Fibromiálgica; 
\u25cf SCDR; 
\u25cf Central; 
\u25cf Neuropatia; 
\u25cf Trauma. 
Tratado de Anestesiologia SAESP VII 
Guias de Medicina Ambulatorial e Hospitalar UNIFESP: DOR 
NOCICEPTORES 
Os nociceptores são os neurônios aferentes responsáveis pela detecção e sinalização do estímulo nóxico. É na 
verdade, o terminal sensorial periférico onde ocorre a transdução de energia, podendo ser considerado também o 
corpo celular do gânglio da raiz do corno dorsal ou trigeminal, ou ainda a terminação neuronal na medula espinal ou no 
tronco cerebral. 
Tratado de Anestesiologia SAESP VII 
Existem três classificações de nociceptores: 
1. MECANORRECEPTORES:\u200b respondem ao estímulo mecânico intenso; 
2. TERMORRECEPTORES: \u200bsão ativados por temperaturas extremas, estão acoplados com as fibras A gama ou C. 
3. POLIMODAIS: \u200brespondem à estímulos térmicos, mecânicos e químicos. A lesão leva a liberação ou a formação 
de diferentes substâncias que sensibilizam ou ativam nociceptores (bradicinina, serotonina, histamina, 
prostaglandinas, citocinas, adenosina, íons diversos e óxido nítrico. 
a) ÓXIDO NÍTRICO: gerado pela inflamaçãoativa fibras sensitivas. 
b) ADENOSINA (ATP): causa a ativação direta de neurônios sensitivos, a hidrólise do ATP causa dor pela 
ativação de receptores A2. 
c) BRADICININA E CALICREÍNA: agem pela ligação de receptores B1 e B2. 
d) SEROTONINA: aumenta a permeabilidade do íon sódio. 
e) HISTAMINA: aumento da permeabilidade do íon cálcio. 
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FIBRAS 
\u25cf Há dois tipos de sensações dolorosas que se originam da \u200bpele\u200b: 
\u25cb DOR RÁPIDA (em agulhada) mediada por \u200bfibras aferentes primárias mielinicas do tipo A\u200b, é bem 
localizada quanto à intensidade e a natureza do estímulo, são provocadas por estímulos intensos de 
pressão e calor. 
\u25cb DOR LENTA (difusa e em queimação)