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DIREITO PENAL – 3º Ano Direito – FIPAR 
Professor: Felipe de Freitas e Silva 
Aulas: 07/08/2014 e 18/08/2014 
 
DAS MEDIDAS DE SEGURANÇA 
 
 Quando da prática de um fato tido como típico, após o devido processo 
legal, recai sobre o agente a sanção penal, que subdivide-se em duas 
espécies: pena e medida de segurança. No caso, interessa-nos o estudo das 
medidas de segurança, instrumento utilizado pelo Estado, ao lado da pena, na 
resposta à violação da norma penal incriminadora, pressupondo, no entanto, 
agente não imputável. 
 Com efeito, a redação do art. 26, do Código Penal, “é isento de pena o 
agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou 
retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de 
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse 
entendimento”. 
 Nesse passo, Fernando de Almeida Pedroso conceitua o instituto da 
seguinte forma: “constitui a medida de segurança, destarte, resposta penal 
dada aos autores de fatos típicos ilícitos que apresentam distúrbio mental que 
afeta suas faculdades intelectivas ou volitivas, exsurgindo como sanção penal 
de conotação social protetora e eminentemente preventiva, pois visa, 
sobretudo, afastar o agente do ilícito típico do convívio social e obstar que ele, 
por insanidade mental, sem o domínio psicológico de seus atos e, portanto, 
sem peias ou freios inibitórios que o impeçam de delinquir, venha a reiterar e 
reproduzir condutas previstas como criminosas”. 
 Prosseguindo, os mesmo princípios que se aplicam à pena servem às 
medidas de segurança, havendo de se fazer uma observação no que toca o 
princípio da proporcionalidade, onde o prisma de sua análise está no grau de 
periculosidade do agente (ao contrário das penas, que ajusta-se à gravidade do 
fato delituoso). 
 Existem duas espécies de medida de segurança: a medida de 
segurança detentiva (art. 96, I, do CP), que representa a internação em hospital 
de custódia e tratamento psiquiátrico; e a medida de segurança restritiva (art. 
96, II, do CP), que corresponde ao tratamento ambulatorial. 
DIREITO PENAL – 3º Ano Direito – FIPAR 
Professor: Felipe de Freitas e Silva 
Aulas: 07/08/2014 e 18/08/2014 
 
 Atente-se para a redação do art. 97, do CP, segundo o qual aplica-se a 
medida detentiva aos crimes punidos com pena de reclusão. Percebe-se que 
tal dispositivo leva em conta a gravidade da infração, ignorando que a 
finalidade principal da medida de segurança é o tratamento do agente, de 
forma que viola assim o princípio da proporcionalidade. Tanto o é, que Nucci 
critica esse dispositivo, pois padroniza a aplicação da sanção penal. 
 Nesse sentido, inclusive, é a Resolução n. 113, art. 17, do CNJ, 
dispondo que o juiz competente para a execução da medida de segurança, 
sempre que possível, buscará implementar políticas antimanicomiais. 
 A medida de segurança possui finalidade essencialmente preventiva, 
falando-se em prevenção especial: sua maior missão é evitar que o agente 
(perigoso) volte a delinquir. Assim, nota-se que a medida de segurança volta-se 
para o futuro e não para o passado (fato praticado), como faz a pena. Ademais, 
busca atender a segurança social, e principalmente, ao interesse da obtenção 
de cura daquele a quem é imposta, ou a possibilidade de um tratamento que 
minimize os efeitos da doença ou perturbação mental. 
 Reconhecido tratar-se de inimputável, os pressupostos para aplicação 
da medida de segurança são a prática de fato previsto como crime, além da 
periculosidade do agente. Observe-se que é perfeitamente possível a aplicação 
de medida de segurança em contravenção penal, nos termos do art. 12, do CP. 
Vale ainda frisar que, ao se exigir a “prática” de fato, significa que as medidas 
de segurança no Brasil são pós-delituais (existem por que o delito aconteceu), 
não existindo medidas de segurança pré-delituais (para impedir a prática de um 
crime). Leia-se ainda, fato típico, ou seja, não alcançado por causa excludente 
da ilicitude. 
 A periculosidade do agente pode estar ligada à doença mental ou à 
perturbação mental, de onde se extrai duas situações, ambas trazidas pelo art. 
26, do CP. No caso de doença mental, incide o art. 26, caput, que configura 
uma hipótese de absolvição imprópria, com a aplicação de medida de 
segurança (inimputabilidade). Por sua vez, a segunda situação está prevista no 
parágrafo único do mesmo diploma legal, onde fala-se em semi-imputabilidade 
(perturbação mental). Nesse caso, a pena poderá ser reduzida de um a dois 
DIREITO PENAL – 3º Ano Direito – FIPAR 
Professor: Felipe de Freitas e Silva 
Aulas: 07/08/2014 e 18/08/2014 
 
terços, cuja análise deve ser feita de forma sistemática ao art. 98, também do 
Código Penal, que permite a substituição da pena por medida de segurança, no 
caso de especial tratamento curativo. 
 Dando seguimento, acerca da aplicação das medidas de segurança, sua 
duração é por prazo indeterminado, sendo que a lei fala em prazo mínimo (não 
confundir com máximo), que é de um a três anos, nos termos do prega o art. 
97, § 1º, do CP. Acrescenta-se que tem crescido corrente doutrinária e 
jurisprudencial argumentando que a indeterminação do prazo de duração da 
medida de segurança é incompatível com CF, que veda penas de caráter 
perpétuo (art. 5º, XLVII, alínea b). 
 Assim, uma primeira corrente, adotada no HC 107432, pelo Supremo 
Tribunal Federal, sugere que o tempo de cumprimento da medida de 
segurança não deve ultrapassar o limite de 30 anos, nos termos do art. 75, do 
CP. Por sua vez, para a segunda corrente, adotada no HC 174342, pelo 
Superior Tribunal de Justiça, o tempo de cumprimento da medida de segurança 
não deve ultrapassar o limite máximo da pena abstrata cominada ao fato 
previsto como crime praticado pelo não inimputável. 
 Prosseguindo, ainda na aplicação das medidas de segurança, existe a 
figura da perícia médica, que será realizada no prazo mínimo fixado pelo juiz 
na sentença para verificação da cessação ou permanência da situação de 
periculosidade do agente. Deve-se atentar também para a redação do art. 175, 
da LEP. E, segundo o art. 97, § 2º, do CP, a avaliação médica, após a 
realização da primeira perícia, deverá ser repetida de ano em ano, no caso de 
permanência da situação de periculosidade. Vale lembrar que tal dispositivo 
deve ser analisado de forma conjunta com o art. 176, da LEP, que autoriza o 
juiz a realizar a perícia a qualquer tempo. Sobre a antecipação da perícia, vale 
dizer ainda, que poderão pleiteá-la o MP, o interessado, e o procurador e 
defensor, devendo o pedido ser fundamentado. 
 A exemplo do que ocorre no CPC, sobre os assistentes técnicos, a LEP, 
no art. 43, autoriza a contratação de médico particular para acompanhamento 
da execução da medida de segurança, e, havendo divergência entre as 
opiniões técnicas, decidirá a controvérsia o juiz da execução. 
DIREITO PENAL – 3º Ano Direito – FIPAR 
Professor: Felipe de Freitas e Silva 
Aulas: 07/08/2014 e 18/08/2014 
 
 De outro lado, comprovada a cessação da periculosidade do agente, 
ocorrerá a chamada desinternação ou liberação condicionada. Fala-se em 
desinternação quando se tratar de medida detentiva; liberação quando medida 
restritiva (tratamento ambulatorial). Em ambos os casos, a perícia médica 
deverá atestar a cessação da periculosidade. Será concedida, por sua vez, a 
título de ensaio, pelo juiz da execução, por um período de um ano. E, durante 
tal prazo, pode ser revogada a qualquer tempo, caso o agente pratique fato 
indicativo da persistência de sua periculosidade (não necessariamente crime). 
 Nos tribunais superiores existe menção à desinternação progressiva,que é a passagem da internação em hospital de custódia para o tratamento 
ambulatorial, antes da definitiva liberação do paciente, com fundamento no art. 
5º, da Lei 10216/01 (STF HC 97621 e HC 107777; STJ HC 130159). 
 Ocorrerá, no entanto, a reinternação do agente, em qualquer fase do 
tratamento, se essa providência for necessária para fins curativos, nos moldes 
do art. 97, § 4º, CP. Observe-se que não se trata de regressão (medida 
punitva), mas instrumento eficaz para a busca da cura. 
 No caso de superveniência de doença mental, isto é, aquela que ocorre 
durante a execução da pena (o condenado passa a sofrer de doença mental), 
poderá ocorrer a substituição da pena por medida de segurança, devendo ser 
observados dois artigos da LEP: o art. 108 e o art. 183. 
 No caso de anomalia passageira, aplica-se o art. 108, da LEP. Aqui, a 
medida de segurança é reversível, e o tempo de internação é computado como 
de cumprimento de pena (deve observar o prazo da pena corporal imposta). E, 
transcorrido o prazo de duração da pena sem o restabelecimento do internado, 
a pena deve ser considerada extinta pelo seu cumprimento. 
 Tratando-se, por sua vez, de anomalia não passageira, a medida de 
segurança será irreversível, e o tempo de internação não é computado como 
cumprimento de pena, seguindo as regras do art. 96 e seguintes do CP, 
devendo o juiz fixar o mínimo de internação. No entanto, nesta situação, 
segundo o Superior Tribunal de Justiça, no HC 41269, a medida de segurança 
no curso da execução deve observar o tempo de cumprimento da pena 
privativa de liberdade fixada na sentença condenatória. 
DIREITO PENAL – 3º Ano Direito – FIPAR 
Professor: Felipe de Freitas e Silva 
Aulas: 07/08/2014 e 18/08/2014 
 
 Prosseguindo, se adotada a tese de que a medida de segurança não 
pode ultrapassar os 30 anos, nos termos do art. 75, do CP, escoado tal limite, e 
a periculosidade do agente persistir, deve-se buscar perante o Juízo Cível, a 
interdição do agente, demonstrando-se a necessidade da internação cível para 
a proteção do paciente ou da sociedade (art. 1796, CC e art. 9ª, da Lei 
10216/01). 
 Por fim, tem-se a medida de segurança provisória, que era prevista no 
art. 379, do CPP c.c art. 80, do CP. No entanto, com a Reforma de 84, no 
Código Penal, houve revogação tácita do dispositivo do CPP. Contudo, com o 
advento da Lei 12403/11, no art. 319, VII, do CPP, há permissão legal para a 
internação provisória (medida cautelar de natureza diversa da prisão cautelar).

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