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Universidade Federal do Rio Grande do Norte Centro de Ciências da Saúde Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas Microbiologia Clínica – ACT 0039 Professores: Ivanaldo Amâncio da Silveira Maiza Rocha de Abrantes ROTEIRO DE AULA PRÁTICA Dentre os cocos Gram positivos serão enfatizados na aula prática os gêneros: estafilococos, estreptococos e enterococos. Para a identificação de cocos Gram positivos, é necessária a avaliação preliminar da característica macroscópica da colônia microbiológica, bem como a realização do esfregaço e coloração de Gram confirmando a presença de CGP em microscópio óptico (objetiva 1000X – imersão). Ao microscópio, estes microrganismos apresentam forma arredondada (cocos) e coloração roxa ou azulada. Podem apresentar arranjo em pares ou cadeias (estreptococos) ou em forma de “cachos de uva” (estafilococos). Além disso, esses microrganismos podem apresentar dois tipos de hemólise em ágar sangue: β- hemólise, que consiste na hemólise total das hemácias e α-hemólise, que consiste na hemólise parcial. Além de ser possível a presença de γ-hemólise (ausência de hemólise). A identificação e diferenciação dos gêneros dos cocos Gram positivos se inicia com a prova da catalase, cuja finalidade é verificar a presença da enzima catalase que decompõe H2O2 em H2O e O2 e, dessa forma, distinguir os grupos estafilococos (catalase +) dos estreptococos e enterococos (catalase -). COCOS GRAM POSITIVOS / CATALASE POSITIVA Após a realização da prova da catalase é necessário realizar a prova da coagulase cuja finalidade é verificar se o microrganismo possui a coagulase (ou fator aglutinante) que reage com o fibrinogênio do plasma produzindo a rede de fibrina. Podem ser produzidas duas formas diferentes de coagulase: a ligada e a livre. A coagulase ligada, também conhecida como fator de aglutinação, permanece ligada à parede celular do microrganismo. A coagulase livre consiste numa enzima extracelular produzida quando o microrganismo é inoculado em tubo de ensaio contendo plasma de coelho. A prova da coagulase é utilizada para diferenciar Staphylococcus aureus (coagulase +) dos estafilococos coagulase negativa. COCOS GRAM POSITIVOS O teste da DNase tem por finalidade verificar se o microrganismo possui a enzima desoxirribonuclease, a qual degrada o ácido nucléico (DNA). A formação de halo claro ao redor do crescimento bacteriano após a deposição do ácido clorídrico 1N identifica Staphylococcus aureus. Crescimento bacteriano sem formação de halo identifica os estafilococos coagulase negativa. O teste da Novobiocina tem por finalidade verificar se o microrganismo apresenta resistência a esse antimicrobiano. Prepara-se uma suspensão bacteriana que é distendida em Ágar Mueller-Hinton e depois faz a inoculação de um disco de novobiocina. A formação de um halo de inibição ≤ 16 mm identifica Staphylococcus saprophyticus. COCOS GRAM POSITIVOS / CATALASE NEGATIVA A classificação do tipo de hemólise é fator primordial para indicar quais as provas de identificação devem ser realizadas a fim de chegar as espécies de cocos Gram positivo, catalase negativa. Vários testes de identificação bioquímica são realizados na rotina diária do laboratório de Microbiologia para identificação dos cocos gram positivos. A Prova da Bacitracina deve ser realizada para as colônias beta- hemolíticas em Agar Sangue para avaliar a sensibilidade dos estreptococos à Bacitracina 0,04 Unidades. Prepara-se uma suspensão bacteriana que é distendida em Agar Sangue e se inocula um disco de bacitracina 0,04 unidades. Qualquer halo produzido se considera como sensível à bacitracina. O Teste de Camp deve ser realizado para as colônias beta-hemolíticas suspeitas de serem Streptococcus agalactiae que produzem uma proteína (fator camp) que atua sinergicamente com cepas ATCC (American Type Culture Collection) de Staphylococcus aureus 25923 produtoras de beta-lisina. Realiza uma estria da cepa ATCC de Staphylococcus aureus e perpendicular à mesma faz outra estria com a possível cepa de Streptococcus agalactiae. Se for produzida após incubação uma seta na interseção das duas estrias , o teste é considerado positivo. O Teste do Hipurato de sódio é utilizado para identificação da presença da enzima hipuricase ou hipurase produzida pelas cepas de Streptococcus agalactiae que fazem a hidrólise do hipurato de sódio. A Prova da Optoquina deve ser realizada para as colônias alfa- hemolíticas em Agar Sangue com suspeita de serem Streptococcus pneumoniae que normalmente são sensíveis a esse composto, assim como a prova da bile solubilidade que promove a solubilização dos cocos em Agar Sangue. O teste em ágar Bile-Esculina diferencia os Enterococcus spp. de outros Streptococcus spp., tendo como princípio a hidrólise da esculina presente no meio de cultura bile-esculina pela bactéria, formando esculetina e dextrose. A esculetina reage com sais de ferro presente no meio de bile- esculina tornando-o enegrecido. A presença de cor enegrecida na superfície do meio bile-esculina, identifica Enterococcus spp. Quando o meio permanece inalterado, identifica outros Streptococcus spp. O teste de crescimento em NaCl 6,5% determina a capacidade do microrganismo de crescer em altas concentrações de sal. A turvação ou mudança de cor (no caso da adição de indicador) indica crescimento de Enterococcus spp. O teste de PYR determina a atividade da enzima pirrolidonil arilamidase produzida pelo Streptococcus pyogenes, mas não pelos demais estreptococos β-hemolíticos. Colônias β-hemolíticas de enterococos podem ser confundidas com S. pyogenes, pois ambas apresentam positividade neste teste. Teste de PYR positivo apresenta o desenvolvimento de coloração vermelha. Os Streptococcus pyogenes e os Enterococcus spp. são PYR positivo. 1. Em lâmina de vidro seca, colocar 2 gotas de peróxido de hidrogênio e a partir do crescimento de colônias na placa de Agar Manitol Salgado, adicionar as mesmas ao peróxido de hidrogênio H2O2 e observar se ocorre a formação de bolhas ou efervescência que caracteriza a presença da enzima Catalase. 2. Em caso de positividade, adicionar 3 a 4 colônias da bactéria em estudo em plasma de coelho diluído contido em um tubo de ensaio pequeno e incubar durante 3 horas em estufa de cultura, observando depois se houve a formação ou não de coágulo – Coagulase livre. Da mesma placa de Agar Manitol Salgado retirar colônias e colocar em uma gota de plasma de coelho fazendo homogeneização e movimentos rotatórios e observar se ocorre a formação de grumos – Coagulase ligada. 3. Utilizando as mesmas colônias que deram teste da coagulase positivo, fazer semeadura em estria reta em uma placa pequena de Ágar DNase e incubar à 35ºC ou 37ºC durante 24 horas. A partir do crescimento após 24 horas, promover a revelação da presença da enzima Dnase utilizando solução de Ácido Clorídrico 1N. Observar a formação de um PROCEDIMENTO halo claro ao redor do crescimento bacteriano que indica a despolimerização do DNA contido no meio de cultura. 4. A partir do crescimento de colônias em Agar Cled, preparar suspensão bacteriana utilizando salina estéril. A seguir, realizar semeadura por distensão em placa pequena de Agar Mueller-Hinton utilizando swab estéril. Deixar a placa em repouso e com auxílio de uma pinça colocar um disco de novobiocina com a finalidade de identificar Staphylococcus saprophyticus que é resistente a esse antimicrobiano. 5. Observar o crescimento de colônias em Agar Cled provenientes de infecção do trato urinárioe realizar semeadura em estria reta ou sinuosa em tubo de ensaio contendo Bile-Esculina e fazer semeadura em difusão em caldo de cloreto de sódio a 6,5%. A seguir, incubar em estufa de cultura à 35°C durante 24 horas. Decorrido esse tempo, observar se ocorreu hidrólise da Bile-Esculina caracterizada pelo aparecimento de cor negra, enquanto que o tubo contendo cloreto de sódio modifica cor de lilás para amarelo. 6. Para a realização da prova do PYR utilizar um disco de papel de filtro impregnado com L-PIRROLIDONIL BETA NAFTILAMIDA obedecendo a seguinte sequência: umedecer o papel de filtro com água estéril ou salina também estéril;com auxílio de uma alça estéril retirar colônias do meio de cultura e passar na superfície do papel de filtro. Deixar em repouso por 3 a 5 minutos e decorrido esse tempo utilizar o reativo revelador da presença da enzima L- pirrolidonil arilamidase que é o N-N DIMETIL-CINAMALDEÍDO e observar o surgimento de cor rosa ou avermelhada no disco de papel indicando a positividade do teste. ANTIBIOGRAMA: 1. Com auxílio de uma alça bacteriológica, retirar 3 a 4 colônias da placa com Agar Manitol Salgado, Agar Cled e colocar em salina estéril fazendo a comparação turbidimétrica com tubo de ensaio contendo Sulfato de Bário, correspondente à escala 0,5 de Mc Farland (105 UFC). 2. Introduzir um swab estéril na suspensão, retirar o excesso de líquido nas paredes do tubo e semear pela técnica de distensão na placa de Agar Mueller-Hinton em três direções; deixar a placa em repouso para que ocorra a absorção da suspensão pelo meio de cultura. 3. Inocular os discos contendo antibiótico em várias concentrações utilizando pinça estéril que deve ser flambada na chama rapidamente; pressionar levemente os discos para sua fixação no meio de cultura e se ocorrer a queda de algum disco não fazer a remoção visto que a difusão da droga é imediata; colocar 12 discos na placa de 150mm e 5 discos na placa de 90mm. 4. Incubar as placas de forma invertida (tampa para baixo) durante 18 a 24 horas na estufa de cultura à 35°C em aerobiose e se necessário promover atmosfera de CO2 para determinadas bactérias mais exigentes do ponto de vista nutricional; após o período de incubação, proceder a leitura das placas fazendo a medida do diâmetro do halo formado utilizando paquímetro(halômetro) ou régua milimetrada. Anotar e depois consultar a tabela dos antibióticos para enquadrar nas categorias: SENSÍVEL, INTERMEDIÁRIO, RESISTENTE. Lembrar que na leitura fazer a interpretação dos resultados considerando os mecanismos intrínsecos de resistência das bactérias e informar a detecção fenotípica de formas de resistência bacteriana.