DIREITO DO CONSUMIDOR - Flavia Marimpietri - Caderno para a 1ª Prova
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DIREITO DO CONSUMIDOR - Flavia Marimpietri - Caderno para a 1ª Prova


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DIREITO DO CONSUMIDOR
Aluno: João Felipe Cabral Fagundes Pereira (T7B)
RELAÇÃO DE CONSUMO \u2013 Muito além do CDC, existem outras normas que também regulam as relações de consumo, fazendo parte do universo consumerista. Para que haja o enquadramento de relação é necessário que a relação possua os três requisitos do \u201cquebra-cabeça\u201d: a relação de consumo é uma relação onde, necessariamente, há em um polo o (i) consumidor (4 tipos de consumidor), em outro polo o (ii) fornecedor e, entre eles, há um (iii) produto ou serviço. Caso não haja um desses três requisitos que configuram a relação de consumo, a relação será de caráter cível, sendo regulamentada pelo Codex, e não pelo CDC. 
 Todo o sistema consumerista é criado para proteger o vulnerável, ou seja, o consumidor, com o intuito de que seja alcançada a igualdade material (tratar os desiguais de forma desigual para que se alcance a igualdade).
CONSUMIDOR PADRÃO (Artigo 2, Caput) \u2013 O consumidor padrão é, conforme o Artigo 2º do CDC, toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. Não interessa, para o CDC, se a parte é PF ou PJ, ou se a mesma é adquirente ou utendi (quem usa), mas basta que a parte se configure como destinatário final do produto/serviço. 
Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final.
-Destinatário Final: O Destinatário Final é o último elo da cadeia produtiva, sendo necessariamente o destinatário final, pois o mesmo acaba por quebrar toda a cadeia produtiva de um produto/serviço, configurando a relação de consumo. 
 Além disso, para que o mesmo seja consumidor, o indivíduo tem que utilizar o produto para o consumo, e não para o insumo (revender o produto, por exemplo, ou transformar o arroz para vender no restaurante à kg da parte). 
OBS: Apesar de não configurar relação de consumo, o comprador do produto que fez uso do mesmo para insumo, seja para revenda do produto ou para utilização do mesmo em seu restaurante à kg, por exemplo, possuirá seus direitos na relação, só que não serão regulados pelo Código do Consumidor, pois a relação é uma relação cível, que será julgada na Vara Cível, sob a luz do Codex de 2002.
Ex: Um saco de açúcar comprado por um restaurante à kg é um insumo, enquanto que um saco de açúcar comprado por uma faculdade para adoçar o café dos professores se caracteriza como relação de consumo, pois o açúcar é uma condição para que o restaurante exerça sua atividade (insumo).
-Corrente Finalista/Minimalista: De acordo com a Teoria Finalista/Minimalista, para ser destinatário final, o que interessa é o fim que há de ser dado ao produto/serviço, sendo esta a teoria aceita e seguida na jurisprudência do STJ. Consumidor final fático é quem adquire bem ou serviço para o seu uso pessoal; o aspecto econômico indica que o bem ou serviço adquirido não será utilizado em qualquer finalidade produtiva, tendo o seu ciclo econômico encerrado na pessoa do adquirente.
-Corrente Maximalista: Pela teoria Maximalista, destinatário final é todo aquele consumidor que adquire o produto para o seu uso, independente de destinação econômica conferida ao mesmo. Tal teoria confere uma interpretação abrangente ao artigo 2º do CDC, podendo o consumidor ser tanto uma pessoa física que adquire o bem para o uso pessoal, quanto uma grande indústria, que pretende conferir ao bem desdobramentos econômicos, ou seja, utilizá-lo nas suas atividades produtivas.
-Corrente do Finalismo Mitigado (Exceção): Em algumas situações de caso concreto ao longo dos anos, percebeu-se que não é possível classificar todos os consumidores apenas como destinatários finais.
 Logo, o STJ mudou seu entendimento para a Corrente do Finalismo Mitigado, que consiste na ideia de que, como regra geral, ainda vale a corrente do finalismo simples/minimalista, porém, excepcionalmente, em uma relação jurídica entre dois fornecedores, quando existe uma desproporção enorme no sentido de um fornecedor estar em extrema vulnerabilidade em relação ao outro, o CDC, por esta teoria, desconsidera a natureza de fornecedor da parte vulnerável e o transforma em consumidor. Portanto, podemos concluir que, o que antes era uma relação empresarial, se torna uma relação de consumo, trazendo os microempreendedores para o conceito de consumidor. 
CONSUMIDOR EQUIPARADO \u2013 O consumidor equiparado se encaixa como todos os terceiros que se equiparam ao consumidor por disposição expressa no CDC, sendo eles a coletividade, vítima de acidente de consumo e indivíduos expostos à práticas abusivas.
-Coletividade (Artigo 2º, §1º, CDC): Se equiparam ao consumidor todas as pessoas que tenham intervindo nas relações de consumo, ou seja, quando o dano recai não sobre apenas uma pessoa/destinatário final, mas sob um grupo de pessoas/coletividade, há uma equiparação dessa coletividade à posição de consumidor. 
Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.
-Vítima de Acidente de Consumo (Artigo 17, CDC): Consiste na ideia de que as pessoas terceiras que tiveram sua saúde, vida ou segurança lesadas pela relação de consumo na qual não fazem parte, serão equiparadas aos consumidores. Portanto, conforme Artigo 17 do CDC, equipara ao consumidor todas as vítimas do sinistro, inclusive o que, embora não tenha relação contratual com o fornecedor, sofre as consequências de um acidente de consumo.
  Art. 17. Para os efeitos desta Seção, equiparam-se aos consumidores todas as vítimas do evento.
-Exposto à Práticas Abusivas (Artigo 29, CDC): Também equiparam-se ao consumidor todas as pessoas que foram expostas à práticas abusivas, não sendo necessária a ocorrência de um dano efetivo, mas apenas a exposição da mesma à prática abusiva. Esta relação assegura ao consumidor equiparado tanto legitimidade material quanto processual, entretanto, individualmente, o indivíduo não pode reclamar por um dano que ainda não sofreu. 
Art. 29. Para os fins deste Capítulo e do seguinte, equiparam-se aos consumidores todas as pessoas determináveis ou não, expostas às práticas nele previstas.
FORNECEDOR (Artigo 3, Caput, CDC) \u2013Fornecedor é toda pessoa, física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira que, com habitualidade e intenção de lucro, oferecem no mercado produtos e serviços, conforme Artigo 3º, CDC. 
Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.
-Fornecedor como Pessoa Física: O fornecedor como PF seriam os profissionais autônomos, como costureiras, por exemplo. Há fortes discussões sobre a possibilidade dos médicos e advogados se enquadrarem como fornecedores, já que tanto o CMB quanto a OAB não reconhecem essas relações como de consumo, inexistindo pacificação na jurisprudência. 
-Fornecedor como Pessoa Pública: Em regra, toda vez que o particular se relaciona com a Administração Pública, a relação é direito público. Entretanto, quando a Administração Pública se relaciona com o particular por meio da prestação de serviços uti singuli (específicos e divisíveis) \u2013 telefonia, água, luz e transporte urbano, por exemplo - há a configuração de uma relação consumerista/de direito privado. 
-Fornecedor como Ente Despersonalizado: Fornecedores são ainda os denominados entes despersonalizados, assim entendidos os que, embora não dotados de personalidade jurídica, quer no âmbito mercantil, quer no civil, exercem atividades produtivas de bens e serviços, como, por exemplo, a gigantesca Itaipu Binacional, em verdade um consórcio entre os governos brasileiro e paraguaio para a produção de energia elétrica, e que tem regime jurídico sui generis.
PRODUTO (Artigo 3º, §1º, CDC) \u2013 Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial