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Cap 3 - neuroanato

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canal iônico. Sua combinação com o neurotransmissor causa a formação, no citoplasma do elemento pós-sináptico, de uma nova molécula, chamada segundo mensageiro. Esse segundo mensageiro é que efetuará modificações na célula pós-sináptica. 
Cada neurônio pode receber de 1.000 a 10.000 contatos sinápticos em seu corpo e dendritos. A região integradora desses potenciais é o cone de implantação do axônio ou está próxima dele. Se na zona gatilho chegar uma voltagem no limiar de excitabilidade do neurônio, por exemplo, despolarização de 15mV, gera-se um potencial de ação.
Inativação do Neurotransmissor
A função das sinapses exige que o neurotransmissor seja rapidamente removido da fenda sináptica. Se não, ocorreria excitação ou inibição do elemento pós-sináptico por tempo prolongado. A remoção do neurotransmissor pode ser feita por ação enzimática. Como a acetilcolina, que é hidrolisada pela enzima acetilcolinesterase em acetato e colina. A colina é imediatamente captada pela terminação nervosa colinérgica servindo como substrato para síntese de nova acetilcolina pela própria terminação. As proteases são responsáveis pela remoção dos peptídeos que funcionam como neurotransmissores ou neuromoduladores. Já no caso das monoaminas e dos aminoácidos, o principal mecanismo de inativação é a recaptação do neurotransmissor pela membrana plasmática do elemento pré-sináptico, através de mecanismo ativo e eficiente (bomba de captação). Essa captação pode ser bloqueada por drogas, a captação de monoaminas é facilmente bloqueada por cocaína, causando distúrbios psíquicos, porque a monoamina permanecerá acessível aos receptores de maneira continua. Uma vez dentro da terminação nervosa, o neurotransmissor pode ser reutilizado ou inativado. 
Neuroglia
Os neurônios tanto do sistema nervoso periférico quanto do sistema nervoso central relacionam-se com células denominadas neuroglia, glia ou gliócitos.
Neuroglia do Sistema Nervoso Central
No sistema Nervoso Central as células da glia são os: astrócitos, oligodendrócitos, mircróglia, gliócitos e células ependimárias. Essas células com exceção dos microgliócitos são derivadas do neuroectoderma. Existem duas “classes” as macróglias e as micróglias representadas respectivamente pelos oligodendrócitos, astrócitos e microgliócitos.
Astrócitos
São abundantes e caracterizados por inúmeros prolongamentos, restando pequena massa citoplasmática ao redor do núcleo esférico ou ovóide e vesiculoso. Reconhecem-se dois tipos: astrócitos protoplasmáticos, localizados na substância cinzenta, e astrócitos fibrosos, encontrados na substância branca. Os primeiros distinguem-se por apresentar prolongamentos mais espessos e curtos que se ramificam profusamente; já os prolongamentos dos astrócitos fibrosos são finos e longos e ramificam-se relativamente pouco.
Ao microscópio eletrônico, os astrócitos apresentam as organelas usuais, mas caracterizam-se pela riqueza em filamentos intermediários que, embora morfologicamente semelhantes aos observados em outras células, são constituídos por polipeptídeo específico da glia. Nos astrócitos fibrosos, esses filamentos são mais abundantes.
Ambos os tipos de astrócitos, através de expansões conhecidas como pés vasculares, apoiam-se em capilares sanguíneos. Seus processos contatam também os corpos neuronais, dendritos e axônios e, de maneira especial, envolvem as sinapses, isolando-as. Têm, portanto, funções de sustentação e isolamento de neurônios.
Os astrócitos são também importantes para a função neuronal, uma vez que participam do controle dos níveis de potássio extraneuronal, captando esse íon e, assim, ajudando na manutenção de sua baixa concentração extracelular. Compreendem o principal sítio de armazenagem de glicogênio no sistema nervoso central, e podem liberar glicose para uso dos neurônios. 
Após injúria, os astrócitos aumentam localmente por mitoses e ocupam áreas lesadas à maneira de cicatriz. Em caso de degeneração axônica, adquirem função fagocítica ao nível das sinapses, ou seja, qualquer botão sináptico em degeneração é internalizado por astrócitos.
Na vida embrionária, precursores de astrócitos que se estendem da superfície dos ventrículos cerebrais à superfície do cérebro revestida pela pia-máter fornecem arcabouço para a migração de neurônios.
Oligodendrócitos
Podem formar pés vasculares e em secções histológicas, apresentam núcleo menor e mais condensado que o dos astrócitos. Conforme sua localização distinguem-se dois tipos: oligodendrocito satélite ou perineuronal, situado junto ao pericário e dendritos; e oligodendrócitos fascicular, encontrado junto às fibras nervosas.
Os oligodendrócitos são menores e possuem poucos prolongamentos. Situam-se tanto na substância branca como na cinzenta. Nesta, localizam-se preferencialmente próximo aos corpos celulares dos neurônios, constituindo células satélites, que formam uma relação simbiótica com esses neurônios. Já na substância branca, os oligodendrócitos estão organizados em fileiras, entre as fibras nervosas, e produzem a mielina do SNC. Os oligodendrócitos são vistos como células mais escuras na micrografia eletrônica, pelo fato de seus citoplasmas possuírem mais organelas que as outras células da neuroglia. 
Microgliócitos
Possuem poucos prolongamentos, que partem das suas extremidades. Os microgliócitos de tecido nervoso normal são células pouco diferenciadas, capazes de transformarem-se em astrócitos ou oligodendrócitos.
Entretanto, inúmeras evidências indicam serem os microgliócitos de origem mesodérmica ou, mais precisamente, de monócitos, equivalendo no sistema nervoso central a um tipo de macrófago, com funções de remoção, por fagocitose, de células mortas, detritos e micro-organismos invasores. Aumentam em caso de injúria e inflamação, especialmente por novo aporte de monócitos, vindos pela corrente sanguínea. Nesse caso, são denominados microgliócitos reativos, podendo estar repletos de vacúolos digestivos, contendo restos celulares. O corpo dessas células é pequeno e alongado, com núcleo denso e também alongado. Pouco numerosas, com prolongamentos curtos e cobertos por saliências finas, conferem a essas células um aspecto espinhoso. Localizam-se tanto na substância branca quanto na cinzenta.
Células Ependimárias
Descendem do neuroepitélio embrionário, sendo designadas epêndima ou epitélio ependimário. São células cuboidais ou prismáticas que forram, como epitélio de revestimento simples, as paredes dos ventrículos cerebrais, do aqueduto cerebral e do canal central da medula espinhal. Apresentam em sua face luminal inúmeras microvilosidades e geralmente são ciliadas. Cada célula ependimária possui um prolongamento ou processo basal que penetra o tecido nervoso ao redor das cavidades. Nos ventrículos cerebrais um tipo de célula ependimária modificada recobre tufos de tecido conjuntivo, rico em capilares sanguíneos, que se projetam da pia-máter, constituindo os plexos corioides, responsáveis pela formação do líquido cérebro-espinhal. 
São células cilíndricas, com a base afilada e diversas vezes ramificada, que originam prolongamentos que se dispõe no interior do tecido nervoso. São células que possuem um arranjo epitelial e que revestem as cavidades do encéfalo e da medula, e consequentemente, estão em contato com o líquido cefalorraquidiano, que é encontrado no interior dessas cavidades. 
Neuróglia do Sistema Nervoso Periférico
A neuroglia periférica compreende as células satélites ou anfícitos e as células de Schwann, derivadas da crista neural. Essas células podem ser consideradas como um único tipo celular que pode expressar dois fenótipos, dependendo da parte do neurônio com que se relaciona. Assim, as células satélites envolvem pericários dos neurônios dos gânglios sensitivos e do sistema nervoso autônomo: as células de Schwann circundam os axônios, formando seus envoltórios, formando a bainha de mielina e o neurilema. Ao contrário dos gliócitos do sistema