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Pedagogia Kátia Montalvão Natalia Aguiar de Menezes Educação e Novas Tecnologias Ed u ca çã o e N ov as T ec n ol og ia s Pedagogia Kátia Montalvão Natalia Aguiar de Menezes Educação e Novas Tecnologias Ed u ca çã o e N ov as T ec n ol og ia s M543e Menezes, Natalia Aguiar; Montalvão, Kátia. Educação e novas tecnologias./ Natalia Aguiar Menezes, Kátia Montalvão. – João Pessoa: FUNEPI, 2016. 172f. ISBN: 1. Educação. 2. Tecnologias. 3. Escrita. 4. Prática de ensino. I. Título. FUNEPI CDD: 371.33 Diretor Geral: Daniel Porto Campello NEAD - Núcleo de Educação a Distância Pró-Diretoria de Educação à Distância: Thiago Silveira Coelho Coordenação de Curso: Veridiana Xavier Dantas Capa e Editoração: Andresa Guilhen Zam; André Morais; Diego R. Pinaffo; Renata Sguissardi; Welder Henrique O. Carvalho Revisão Textual e Normas: Rosângela Maria de Carvalho Ficha catalográfica realizada pela bibliotecária Este livro é publicado pelo Programa de Publicações Digitais da FACULDADE TRÊS MARIAS FICHA CATALOGRÁFICA - SERVIÇO DE BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO – CENTRO EDUCACIONAL TRÊS MARIAS - FACULDADE TRÊS MARIAS SOBRE A FACULDADE A Faculdade FUNEPI, atualmente, Três Marias é uma instituição de ensino superior pluricurricular, credenciada pela Portaria do Ministério da Educação nº 663 de 1º julho de 2015, que tem como objetivo ministrar cursos presenciais e a distância nas diversas áreas de conhecimentos; atender a demanda do setor produtivo, industrial, comercial e de prestação de serviços; desenvolver pesquisa nas áreas de saúde, educação, ciência e tecnologia, bem como atuar na extensão universitária. Para atendimento aos estudantes, contará com as organizações empresariais como parcerias que terão papel de auxílio na integração da faculdade com a comunidade, além dos programas institucionais de apoio aos discentes. MISSÃO Formar profissionais diferenciados, que atuem de forma autônoma, capazes de atender a demanda do mercado, com ética e espírito empreendedor. VISÃO Ser reconhecida como instituição de ensino superior por meio da oferta qualificada de cursos de graduação e de pós-graduação de alto nível. VALORES Gestão consciente, ética, respeito mútuo, qualidade de ensino, e compromisso social. AP RE SE N TA ÇÃ O Educação e Novas Tecnologias Kátia Montalvão; Natalia Aguiar de Menezes Prezado(a) Acadêmico(a)! Eu sou a Professora Kátia Rodrigues Montalvão Paias, sou graduada em Administração com Habilitação em Comércio Exterior pelo Centro Universitário Cesumar, também sou especialista em Docência no Ensino Superior e em EAD e Tecnologias Educacionais. Possuo também o MBA em Gestão com Pessoas, todos pelo Centro Universitário Cesumar. Conclui 60h no Mestrado em Educação na disciplina Prática Docente e Novas Tecnologias pela Universidade do Oeste Paulista. Atualmente sou Professora Mediadora do Núcleo de Educação a Distância da Unicesumar. É com orgulho e muita alegria que tenho a oportunidade de contribuir com o seu aprendizado, por meio da realização deste livro, espero que aprecie cada linha que desenvolvemos especialmente para você! Eu sou a professora Natália Aguiar de Menezes, possuo graduação em Pedagogia com ênfase em Recursos Humanos pela Faculdade Assis Gurgacz, e também sou formada em Processos Gerenciais pela Unicesumar. Conclui o MBA Recursos Humanos – Gestão de Pessoas e Desenvolvimento de Talentos, AP RE SE N TA ÇÃ O Especialização em Docência no Ensino Superior e a Pós- graduação em EAD e as Tecnologias Educacionais, ambas pelo Centro Universitário Cesumar. Cursei como aluna não regular no Mestrado em Educação pela Universidade do Oeste Paulista a disciplina de Prática Docente e Novas Tecnologias. Atualmente sou Professora Mediadora da Educação a Distância no curso de Graduação em Gestão de Recursos Humanos da Unicesumar e Colunista do Portal Educação. Sinto-me honrada em poder compartilhar um pouco de meus conhecimentos com você por meio desta obra, assim, espero que venha comigo neste desafio! Muito se discute sobre o processo de ensino-aprendizagem e a sua eficácia, porém na contemporaneidade é impossível discutir sobre este tema sem abordarmos os Recursos tecnológicos na Educação, os quais são de extrema relevância já que quando bem empregados permitem uma melhor prática aos docentes e eficácia nesse processo. Deste modo, torna-se de suma relevância escrever um livro que trate especificamente sobre os Recursos Tecnológicos na Educação, visto que é essencial que os docentes tenham conhecimentos sobre a evolução da tecnologia e suas consequências para a vida do homem e as possibilidades e limites na educação. Além de ser vital saber utilizar o computador na prática docente, de modo geral, precisam conhecer a importância do computador para a Educação. Faz-se necessário também, estudar de modo teórico-prático os recursos computacionais aplicados na educação como os aplicativos, internet, multimídia, entre outros. E, por fim, saber que o computador é e pode ser um recurso tecnológico no processo de ensino aprendizagem AP RE SE N TA ÇÃ O é primordial, porém ele não pode ser usado como apenas um reprodutor de conhecimentos. Na primeira unidade que tem o título Tecnologia: consequências, possibilidades e limites, aborda a história da tecnologia, a qual é quase tão antiga quanto à história da humanidade, visto que desde quando os seres humanos começaram a usar ferramentas de caça e de proteção, fala- se em tecnologia. A tecnologia evoluiu ao longo dos anos e atualmente podemos afirmar que somos uma sociedade verdadeiramente tecnológica. Com tanta evolução, chegamos à Sociedade do Conhecimento, a qual proporciona mudanças constantes e permite que a inversão dos papeis ocorram, ou seja, é o momento em que os ricos serão substituídos pelos sábios, assim, quem tiver conhecimento poderá ter riquezas e quem não tiver deixará de possuir as riquezas. Desde os anos de 1990 ocorre uma explosão de recursos tecnológicos, e as Tecnologias de Informação e Comunicação, as TIC´s como são chamadas atualmente, vieram para facilitar toda uma vida. Estas são um conjunto de tecnologias e maneiras de se comunicar, muito utilizadas pelas pessoas que permitem a troca de informações. Neste contexto, a inclusão digital se faz necessária, a qual não é apenas colocar as pessoas a frente do computador e ensiná-las a utilizar, é muito mais que isso, é disponibilizar o acesso a tecnologia da informação e comunicação, em condições favoráveis, com objetivo ao desenvolvimento pessoal e coletivo. As novas tecnologias possibilitaram uma gama de cursos online, oferecidos na modalidade a distância, cursos estes de AP RE SE N TA ÇÃ O Graduação, Pós-graduação, extracurriculares, entre outros. Veremos que as mudanças no acesso à informação estão acontecendo a todo o momento, e é neste momento que o professor deve agir como um trabalhador do conhecimento, ou seja, se aperfeiçoar, ir atrás de novos conhecimentos, deixar esse ensino tradicional de lado e partir para as novas tecnologias aplicadas à educação. Com tanta evolução, o processo de ensino e aprendizagem também sofreu alterações, visto que atualmente este acontece quando o aluno consegue pesquisar e desenvolver sua própria criatividade, assumindo um papel ativo na educação. Na segunda unidade, a qual tem o título de Inovação e Tecno- logias Educacionais, mostra que as tecnologias estão presentes na educação, porém,alguns professores não estão preparados para tanta mudança. Os professores precisam estar abertos para incorporar essa nova realidade, aceitar as mudanças e inovar a escola. Assim, os educadores devem levar em consideração que os ambientes de informática proporcionam vantagens aos acadê- micos, sendo que os alunos ganham autonomia nos trabalhos, fi- cam mais motivados, mais criativos; curiosos, mais concentrados, entre outras vantagens. Neste contexto, os docentes devem estar cientes de que aplicativos do computador podem facilitar a prática docente, como o Editor de Texto que é um aplicativo do computador para criação e edição de um arquivo de texto, os softwares gráficos que são aqueles para elaboração de desenhos e produções artísticas, a Internet, que oferece um leque de oportunidades para adquirir conhecimentos e rompe fronteiras dos países, entre outros benefícios que o computador pode trazer para a AP RE SE N TA ÇÃ O prática docente. Deste modo, é possível afirmar que o espaço educacional passou por várias mudanças após a revolução digital, assim, além das vantagens que já foram relatadas, hoje é possível o desenvolvimento das atividades educacionais sem que os sujeitos do processo ensino e aprendizagem estejam restritos a um espaço físico limitador. Neste sentido, a Educação a distância revolucionou o modo de estudar e tem aumentado o numero de adeptos desta modalidade, trata-se de uma modalidade mais vantajosa e acessível à população, visto tamanha globalização. O uso da internet possibilita uma forma de aprendizado dinâmico, sem que o aluno necessite precisamente estar em sala de aula para obter o conhecimento. Entendemos também, que na modalidade à distância a prática docente passa por algumas divisões em relação as suas tarefas, que muitas vezes na modalidade presencial são de única e exclusiva responsabilidade dos professores. Assim, o professor nesta modalidade deixa de ser uma entidade individual e torna- se uma entidade coletiva, este não exerce mais sua profissão de modo isolado. No contexto atual diante da interação e da modificação que esta modalidade proporciona, é possível concluir então, que existem diferentes funções dos profissionais diretamente ligados ao processo de ensino aprendizagem, como por exemplo, os professores e os tutores. A terceira e última unidade que tem a temática O Educador e a Inovação Tecnológica, define a didática como a arte de ensinar, visto que o educador perante a inovação tecnológica precisa ter AP RE SE N TA ÇÃ O uma boa didática para promover uma educação eficaz. Resgata também, um pouco da história da didática no Brasil, a qual até os dias de hoje influencia a prática docente, visto que muitos docentes por aterem suas raízes as práticas tradicionais, não utilizam as TIC de modo eficaz, utilizam a inovação tecnológica como uma reprodutora de conhecimentos e não é este o objetivo de utilizá-la no processo de ensino e aprendizagem. Perante a recapitulação da história da didática no Brasil é possível concluir que a educação no Brasil se estabeleceu mediante uma prática conservadora caracterizada por três abordagens: abordagem tradicional, abordagem escolanovista e abordagem tecnicista, assim, mesmo que se apresentando em épocas diferentes, todos têm como característica fundamental a reprodução do conhecimento, podem ser apontados como paradigma conservador. Mediante as TIC o professor tem que ter ações para que o processo de ensino e aprendizagem seja eficaz, deste modo Freire (2006) discute três saberes fundamentais a ação docente, denominado por ele como à prática educativo-crítica ou progressista, para ele esses saberes devem ser conteúdos obrigatórios à organização programática da formação docente. Os três saberes fundamentais que devem ser adotados pelos docentes progressistas são: não há docência sem discência, ensinar não é transferir conhecimento e ensinar é uma especificidade humana. Assim, o docente poderá utilizar os três saberes para a inclusão das tecnologias em sala de aula e ter êxito no processo de ensino e aprendizagem. SU M ÁR IO TECNOLOGIA: CONSEQUÊNCIAS, POSSIBILIDADES E LIMITES 15 UNIDADE 1 15 INTRODUÇÃO .................................................................................. 17 A EVOLUÇÃO DA TECNOLOGIA ..................................................... 19 A ERA DA INFORMAÇÃO E/OU CONHECIMENTO ......................... 29 TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) ........... 41 O QUE É INCLUSÃO DIGITAL? ........................................................ 50 A EDUCAÇÃO DO SÉCULO XXI ....................................................... 56 AS VANTAGENS E DESVANTAGENS DA UTILIZAÇÃO DA TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO ........................................................ 63 TECNOLOGIA PARA FAZER EDUCAÇÃO ......................................... 73 INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS 89 UNIDADE 2 89 INTRODUÇÃO .................................................................................. 90 TECNOLOGIA EDUCACIONAL ......................................................... 91 AS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO: UM PROCESSO DE MUDANÇA 92 O COMPUTADOR COMO TECNOLOGIA EDUCACIONAL ............... 99 RECURSOS COMPUTACIONAIS APLICADOS NA EDUCAÇÃO SU M ÁR IO (APLICATIVOS, INTERNET, MULTIMÍDIA, ENTRE OUTROS) ......... 104 INTERNET, COMO USÁ-LA EM SALA DE AULA .............................. 111 DAS SALAS DE AULAS AOS AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM .............................................................................. 114 INTEGRANTES DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA ................................ 128 PAPEL DO ALUNO ONLINE ............................................................ 136 O EDUCADOR E A INOVAÇÃO TECNOLÓGICA 151 UNIDADE 3 151 INTRODUÇÃO .................................................................................. 153 DEFINIÇÃO DA DIDÁTICA .............................................................. 155 A AÇÃO PEDAGÓGICA DOS JESUÍTAS NO PERÍODO COLONIAL E SUAS INFLUÊNCIAS NA PRÁTICA DOCENTE ................................ 159 SÉCULO XX INICIA A SEGUNDA FASE DA HISTÓRIA DA DIDÁTICA NO BRASIL ............................................................................................ 166 EDUCANDO NA ERA DIGITAL: SABERES NECESSÁRIOS PARA INCLUSÃO DOS RECURSOS TECNOLÓGICOS NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM .............................................................. 183 CONCLUSÃO .................................................................................... 222 Tecnologia: consequências, possibilidades e limites UNIDADE 1 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Conceituar Tecnologia. • Apontar as principais inovações. • Realizar uma breve reflexão sobre a Era (da informação) em que vivemos. • Identificar as influências da tecnologia na educação. • Apresentar o computador como recurso tecnológico na educação.. PLANO DE ESTUDO Serão abordados os seguintes tópicos: • A evolução da tecnologia • A era da informação e/ou conhecimento • Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) • O que é Inclusão Digital? • A educação do século XXI • As vantagens e desvantagens da utilização da tecnologia na Educação • Tecnologia para fazer educação Kátia Montalvão; Natalia Aguiar de Menezes 17 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias INTRODUÇÃO Olá, Caro(a) Acadêmico(a)! É uma satisfação participar junto com você nesta tro- ca de experiências e disseminação de conhecimentos. Nesta unidade falaremos sobre as mudanças tecnológi- cas, assunto muito abordado por muitos autores, e quepodemos aproveitar na área da Educação. Sabemos que atualmente vivemos em mundo em que as mudanças acontecem constantemente, onde é criado o netbook e depois de um mês cria-se algo muito mais inovador, como por exemplo, o tablet, mas estes são apenas alguns exemplos de mudanças na tecnologia, que percebemos a cada instante. Sendo a tecnologia tão inovadora, pre- sente em nossas vidas, nosso cotidiano, é necessário que as pessoas procurem dar um pouco mais de aten- ção a essas mudanças, como na área da Educação. Esta realidade que se vive hoje, a Era da Tecnologia e co- nhecimento, mostra forma definitiva que a tecnologia se 18 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias torna cada dia mais presente na vida do cidadão. Desde os serviços mais básicos como pesquisas estudantis e interação com pessoas, aos mais complexos como com- pras, atividades bancárias, dentre outros, pode-se ver claramente a presença do ciberespaço atuante como meio principal para tais interações. Com o avanço tecnológico, muitos tipos de mídia vêm sendo utilizadas no processo ensino-aprendizagem a distância. Podemos dizer que as mídias correspondem aos meios tecnológicos utilizados como veículo de in- formações nas relações estabelecidas entre o educan- do, educador e o conhecimento no processo educacio- nal, podendo ser tradicionais, como a mídia impressa, mas também, modernas, como as tecnologias de in- formação e comunicação surgidas a partir da era do computador. Portanto, nossa postura frente às novas tecnologias não deve ser de negação, mas de abertura critica, devemos 19 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias pensar a inteligência coletiva a partir da interatividade. Essa está presente em todas as relações humanas, no entanto a mesma foi de grande valor a partir do desen- volvimento das tecnologias de informação e comunica- ção. Pois é proporcional ao mesmo número de envolvi- dos na comunicação. Muitas vezes as pessoas acham que ensinar é explicar, aprender é escutar e o conhecimento é o que contêm nos livros, sentem certa resistência quando o assunto é novas tecnologias para sala de aula. Por isso, os profes- sores têm um papel fundamental na hora de determinar o que é possível realizar com as TIC´s em sala de aula. É possível inovar suas aulas com algumas tecnologias disponíveis na instituição, basta conhecê-las melhor e aplicar a que melhor se encaixa com seus conteúdos e turma. A EVOLUÇÃO DA TECNOLOGIA A tecnologia pode ser definida de várias maneiras, tudo 20 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias vai depender do contexto em que ela está inserida. É basicamente um encontro entre ciência e engenharia, podem ser as ferramentas e máquinas que ajudam a re- solver problemas, como também um método ou proces- so de construção. A história da tecnologia é quase tão antiga quanto a his- tória da humanidade, desde quando os seres humanos começaram a usar ferramentas de caça e de proteção, fala-se em tecnologia. A tecnologia evoluiu ao longo dos anos e atualmente podemos afirmar que somos uma sociedade verdadeiramente tecnológica. Talvez seja até engraçado dizer, mas hoje em dia não conseguimos vi- ver sem a tecnologia, se por um momento nos retiras- sem todas as tecnologias, praticamente deixaríamos de realizar muitos trabalhos, empresas deixariam de reali- zar grandes projetos, instituições deixariam de oferecer cursos online para as pessoas, entre outras tantas coi- sas que fazemos e utilizamos a tecnologia. 21 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias O ser humano, dotado de sua inteligência, buscou for- mas, durante toda a história, de vencer os obstáculos impostos pela natureza. Foi desenvolvendo e inventan- do instrumentos tecnológicos com o objetivo de superar dificuldades, digamos que a necessidade é a mãe das grandes invenções tecnológicas. Fonte: shutterstock Bom, então vamos falar da tecnologia como um pro- cesso de comunicação, onde são mais conhecidas. A 22 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias evolução da tecnologia vai desde a criação dos antigos sistemas postais até a invenção do telégrafo, do telefo- ne, do rádio, da televisão, do computador e de várias outras para a melhoria do processo de comunicação. A história de cada tecnologia revela uma sequência de conexões, onde cada melhoria associa-se ao sintetizado pelas criações anteriores, ou seja, para cada tecnologia criada, já se pensam na criação da próxima para melho- rar a anterior. E é diante de todas essas mudanças, do avanço das tecnologias que percebemos as mudanças também no comportamento do ser humano, pois é necessária a for- mação de um novo homem, aquele que sabe lidar com diferentes situações, resolver problemas imprevistos, ser flexível e multifuncional e estar sempre aprendendo. Para lidar com as inovações atualmente, precisamos de pessoas engajadas, que saibam aproveitar cada tecno- logia, que entendam e que sejam proativas, a ponto de 23 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias procurar saber mais sobre o assunto e aprender. Você já parou para pensar quantas tecnologias já foram inventadas até hoje? Pois é, são muitas! E o que explica isso, é que estamos vivenciando a era da informação, uma era de inovações, que podem ser aproveitadas por todos, basta saber aproveitá-las e utilizá-las de forma correta. “A longa sequência evolutiva caracterizada pela criação do telégrafo, do telefone, do rádio, da televisão e do computador, culminando com rede mundial de compu- tadores, entre outras interfaces, exemplifica uma proxi- midade com a evolução do conhecimento” (PAIS, 2002, p.102). Para ficar mais claro a evolução da tecnologia, listare- mos parte das inovações, em um período de 1452 a 2012, que mostra como a tecnologia evoluiu em todos os anos, disponível no site: <http://www.ramalhodigital. 24 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias com/index.php?option=com_content&view=article&i- d=48&Itemid=16>. Acesso em: 19 jun. 2013. • Calculadora (1452-1519) – utilizada até hoje, capaz de fazer so- mas e subtrações; • Máquina fotográfica (1827/1829) - O primeiro inventor a ob- ter a uma imagem fixada pela ação da luz (que é o princípio da fotografia) foi o francês Joseph Nicéphore Niépce; • Fax (1926) – menos utilizado atualmente, a ideia de trans- mitir e reproduzir material gráfico à distância foi do escocês Alexander Bain; • Computador (1936) - Konrad Zuse cria o Z1, o primeiro com- putador programável. Mas em 1972 foi criado o primeiro computador brasileiro, o projeto foi de responsabilidade da equipe do professor Hélio Guerra Vieira; • Satélite (1957) - O primeiro satélite, o Sputnik 1, foi lançado 25 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias pela União Soviética em 4 de outubro de 1957. O satélite é muito utilizado atualmente pelas instituições que oferecem cursos na modalidade a distância, para transmissão de aulas; • Transmissão via satélite (1962) - A AT&T lança o Telstar, o pri- meiro satélite a fazer transmissão de TV; • Internet (1969) - No início dos anos 60, o americano Paul Baran concebeu uma rede de computadores na qual cada máqui- na seria capaz de orientar o trabalho das outras. Durante a Guerra Fria, preocupado com a possibilidade de um conflito nuclear com a União Soviética paralisar as comunicações, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos desenvolveu essa rede de computadores para que seus pesquisadores pu- dessem continuar trocando ideias; • E-Mail (1971) - O engenheiro Ray Tomlinson idealizou um novo meio de comunicação via computadores: o electronic mail, conhecidopopularmente como e-mail. A primeira men- sagem foi enviada de Ray para ele mesmo, em computadores 26 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias diferentes; • MP3 (1987) - Ele existe desde 1987 e foi invenção de um ins- tituto de tecnologia alemão, o Fraunhofer Institut Integriert Schaltungen. Para começar, o seu nome é uma abreviação de MPEG audio Layer-3, uma homenagem ao grupo do instituto que padronizou a compressão de arquivos digitais, o MPEG (Moving Picture Experts Group); • Skype (2003) - O programa foi criado em 2003 pelo sueco Niklas Zennström. Ele permite fazer ligações telefônicas entre computadores e chamadas do micro para um telefone fixo ou celular. Isso é possível graças ao sistema de VoIP (voz por protocolo de internet), que transformar a mensagem em pa- cotes de arquivos digitais como os e-mails. Vejamos a figura a seguir, que nos mostra a evolução da tecnologia e uma reflexão sobre o futuro tecnológico: 27 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias Fonte: <http://blog.cdsistemas.com.br/?p=47> Acesso em: 19 jun. 2013. Enfim, são muitas as tecnologias das quais podemos tra- tar aqui, mas acreditamos que já conseguimos passar a você como acontece a evolução da tecnologia, mostran- do parte das inovações que todos conhecem. O objetivo não seria apresentar toda a história de cada tecnologia criada, mas demonstrar a importância destas inova- ções para que compreendam que todas fazem parte de 28 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias nossas vidas e que podem nos auxiliar de alguma forma em uma determinada situação. REFLITA O blog de fotos da ‘’NBCNews’’ mostrou como a tecnologia evo- luiu no mundo nos últimos oito anos, usando duas imagens: a primeira, mostra a passagem do corpo do papa João Paulo II, em 2005; a segunda, a escolha do Papa Francisco, o carde- al argentino Jorge Mario Bergoglio, em 2013. Acesse o site: <http://tecnologia.uol.com.br/noticias/redacao/2013/03/14/ imagens-mostram-evolucao-tecnologica-da-morte-de-joao- -paulo-2-a-escolha-do-papa-francisco.htm>. A partir disso, depois de demonstrar como acontece a evolução da tecnologia, podemos abordar sobre a era da informação, a era da qual estamos vivenciando, uma sociedade do conhecimento, é o que veremos no próxi- mo item. 29 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias A ERA DA INFORMAÇÃO E/OU CONHECIMENTO Encontramo-nos em um momento em que ocorrem mudanças constantes, se em um dia conhecemos uma tecnologia nova, no outro, somos apresentados para uma mais nova e eficiente que a anterior. Este momen- to vivido, podemos chamar de pós-industrial, sendo o momento que temos na sociedade novas categorias sociais, os sábios e os ignorantes, pois o conhecimento não é apenas mais um recurso, ao lado dos tradicionais fatores de produção, trabalho, mas sim o recurso signi- ficativo e decisivo. Este momento pós-industrial é a chamada sociedade do conhecimento, onde o núcleo do capital o qual é fonte geradora de renda e produção está transitando do di- nheiro para o conhecimento, Peter Drucker afirma que “os ricos serão substituídos pelos sábios e os pobres, pe- los ignorantes”. 30 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias Para manter-se eficaz e ativo neste contexto é primor- dial o desenvolvimento da informação e a expansão dos conhecimentos, sendo a essência do processo ensino e aprendizagem, além de ser o fundamento do progresso cultural e científico, onde a superabundância de infor- mações nas sociedades modernas, nas quais as mídias são onipresentes, coloca novos problemas para os do- centes, que não são mais a principal fonte de informa- ção, tendo que investir na formação continuada como meio de superação. Ausência de fronteiras permite que o conhecimento existente em qualquer continente se translade simul- taneamente para qualquer outro em fração de segun- dos sem nenhuma resistência, tendo menos esforço do que o próprio dinheiro para estar em qualquer parte do mundo em pouco tempo. Esta faceta traz para as salas de aula um novo contexto, o qual o docente tem que estar preparado, pois: 31 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias A rapidez das alterações tecnológicas fez, de fato, surgir em nível das empresas e dos países, a neces- sidade de flexibilidade qualitativa da mão-de-obra. Acompanhar, e até, antecipar-se às transformações tecnológicas que afetam permanentemente a natu- reza e a organização do trabalho, tornou-se primor- dial (DELORS, 2001, p.71). Com o advento das alterações tecnológicas surge a ine- vitabilidade do profissional ter que estar apto para varia- das tarefas, tendo que ser proativo, o qual não tem que desenvolver somente a tarefa para o qual foi contratado. Por exemplo, um contador não tem que somente saber fazer o balanço, fluxo de caixa, DRE (demonstração do resultado do exercício), entre outras tarefas desenvol- vidas por esta atividade profissional, mas também sa- ber manusear os softwares e os meios de comunicações eletrônicos (Internet, e-mail, MSN, Facebook) os quais foram implantados para desenvolvimento e facilidades destas, uma vez que não cabem mais no mercado os 32 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias profissionais que desenvolvem estas manualmente. Fonte: shutterstock Para os docentes não é diferente, pois o campo da edu- cação enfrenta o desafio de metodologicamente ser me- diador entre o acadêmico e as novas tecnologias, uma 33 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias vez em que não se dá mais para ignorar essas novas tecnologias, pois o processo de ensino e aprendizagem torna-se cada vez mais impossibilitado sem uso destas, já que a informática está revolucionando todas as áre- as, em particular as que lidam com o conhecimento, as telecomunicações, que conhecem uma revolução tec- nológica mais profunda, tornado possível e mais barato transmitir tudo – textos, imagens, som em grandes volu- mes e com rapidez, em particular por meio da telemáti- ca, associação da informática com as telecomunicações (DOWBOR, 1996). Mobilidade para cima é a segunda característica da so- ciedade do conhecimento, a qual é disponível para todos mediante uma educação formal facilmente adquirida. Segundo Morini (2000) as diferentes linguagens e ex- pressões comunicacionais possibilitam abordar novas sensibilidades, respeitando as necessidades e os inte- resses dos sujeitos imersos no mundo tecnológico e 34 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias audiovisual, as quais proporcionam aos acadêmicos chegarem às salas de aula munidas de informações, adquiridas por meio das diferentes linguagens, que po- dem aprender por meio das novas tecnologias, as quais são indiscutíveis e incomparáveis, desenvolvendo novas formas de pensar, de agir, de se comunicar. Na interpretação de Delors (2005, p.21), “essa supera- bundância de informações nas sociedades modernas, nas quais as mídias são onipresentes, coloca novos pro- blemas para a escola, que não é mais a principal fonte de informação”. Para Perriault (1996, p.82), “o papel do professor é ‘chamado a evoluir’: Quando estiver rodeado de mídias, ele não mais veiculará todo o conhecimento, mas ajudará os alunos a assimilá-lo bem. Responderá às questões difíceis [...]”. O docente neste contexto tem que apreender a destacar o interesse pedagógico des- se novo ambiente auxiliando os acadêmicos a adquiri- rem entendimentos, critérios de seleção em presencia 35 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias à massa de informação que recebem todos os dias (DELORS, 2005). A terceira e última característica é Potencial para o fra-casso, assim como para o sucesso, “qualquer um pode adquirir os “meios de produção”, isto é, o conhecimen- to exigido para a tarefa, mas nem todos podem vencer” (DRUCKER, 2002, p.171). Dentro dessa nova realidade é possível destacar que: A digitalização da informação operou uma revolução profunda no mundo da comunicação, caracterizada, em particular, pelo aparecimento de dispositivos multimídia e por uma ampliação extraordinária das redes telemática, a partir de 1988 a Internet duplica todos os anos o numero de usuários e de redes as- sim como o volume de tráfego (DELORS, 2001, p.63). Assim a indústria que mais crescerá nos próximos trinta anos será a educação profissional continuada de adultos, 36 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias porém diferente do modo tradicional. Os componentes são: docente e o livro, onde o docente é a presença fí- sica e o livro permite o acompanhamento do conteúdo, porém na sala de aula o modo tradicional não permite aos receptores voltarem a página dezesseis quantas ve- zes desejarem até obterem a interpretação do que está escrito, no entanto existe a presença física do professor. A Internet combina as vantagens da sala de aula e do livro, proporcionando o manuseio do material didático conforme a compreensão de cada indivíduo, sem deixar de proporcionar também a presença física (DRUCKER, 2002). Conforme Drucker (2002, p.57), “o custo do recurso bási- co, a capacidade intelectual, está subindo rapidamente. Essa capacidade tornou-se muito cara. Pessoas tecni- camente preparadas e inovadoras estão incrivelmente caras”. O que é uma condição necessária para que con- tinue o progresso: 37 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias A expansão dos conhecimentos conduz inevita- velmente a níveis de especialização sempre mais elevados, o que é uma condição necessária para o progresso científico, é sobre essa base que se orga- nizam no ensino superior as atividades fundadas no “conhecimento” (DELORS, 2005, p.21). Estes níveis de especialização cada vez mais elevados que a propagação do conhecimento conduz, proporcio- na o potencial para o sucesso, assim como quem não o busca para o fracasso. É por meio da educação que o homem do século XXI alcançará a diminuição da pobreza, da opressão, dos problemas sociais. Frente ao progresso tecnológico e científico e aos desafios postos à humanidade têm- -se na humanização e na convivência os pilares desta sociedade. Neste item da unidade I, você pôde observar que a Era do conhecimento é para aquele que sabe aproveitar 38 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias as oportunidades, como para os docentes, que podem aproveitar as novas tecnologias para tornar suas aulas mais dinâmicas e produtivas. São várias as tecnologias que podem ser utilizadas pelos docentes, porém, será necessário identificar quais se adéquam ao conteúdo que será ministrado, não basta simplesmente incluí-la e “deixar acontecer”, é preciso muita atenção e compro- metimento para que essa parceria dê certo. REFLITA Já pensou como as coisas mudam e como podem mudar ainda mais? Então veja este artigo disponível em: <http://www.consulto- res.com.br/artigos.asp?cod_artigo=133>. Acesso em: 24 jun. 2013, que trata sobre inovações na área mercadológica, que já vem acontecendo há algum tempo em algumas regiões do planeta: TECNOLOGIA DA INTERAÇÃO Imagine que você acaba de acordar e deseja tomar seu café da manhã. Vai até a cozinha e verifica que já está conectado à 39 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias Internet num painel instalado na porta da geladeira e também no microondas. No controle da geladeira já existe uma lista prévia de alimentos que computa o consumo da semana e, imediatamente, é gerada sua listagem de compras, que pode- rá ser enviada ao seu supermercado favorito através de um simples comando na tela. Entretanto, hoje, você quer ter outra opção. Quer ir direta- mente às compras com sua família. Aproveita e vai conhe- cer aquele “novo” supermercado que lhe forneceu um cartão de identificação num cadastramento feito em seu local de trabalho. Chegando ao supermercado você passa o cartão de identifi- cação pela portaria, liberando sua entrada para o interior da loja. Neste momento, é acionada toda a database marketing da companhia. Sua presença é detectada e a partir de agora seu objetivo principal (como para todos os outros que também entraram) é suprir suas necessidades. Em sua ficha consta, entre outras coisas, que você gosta de vinho tinto português. O sistema rastreia alguma promoção deste item e por meio de alto-falantes, comunica de forma impessoal que “a quem possa interessar, está havendo naquele momento uma pro- moção de vinhos portugueses na seção de bebidas”. E isto vai acontecendo, durante sua permanência no local, para todos 40 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias os itens que representem hábitos cadastrados em seu cartão. Agora é hora de ir embora e ao passar pela porta de saída, seu carrinho vai por outro compartimento, te encontrando lá fora, onde você recebe sua nota fiscal discriminada com os produtos comprados e o valor já lançado em seu cartão. Isto tudo em 25 segundos de média. No estacionamento, estranhamente um manobrista vem ao encontro de sua família, cumprimenta com mais atenção seu filho e lhe entrega uma pequena lembrança pela passagem de seu aniversário que ocorreu três dias atrás (conforme des- crito em seu cartão). Com sua partida, a central do supermercado detecta que na compra de hoje você não levou margarina, apesar de estar re- gistrado que sua média de compra deste produto é de quatro por mês, preferencialmente da marca X. Automaticamente é enviado um e-mail questionando o porquê de você não ter comprado este item e fornecendo algumas vantagens para você confirmar um pedido extra que será enviado para sua residência [...]. INDICAÇÃO DE LEITURA Para saber mais sobre as inovações em sala de aula, su- giro a leitura do livro “Inovação na sala de aula: como 41 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias a inovação de ruptura muda a forma de aprender” de Clayton M. Christensen. Livro: Inovação na sala de aula: como a inovação de ruptura muda a forma de aprender Autor: Clayton M. Christensen Editora: Bookman Sinopse: o guru da inovação Clayton Christensen aborda um dos temas fundamentais na so- ciedade contemporânea: a educação. Neste livro, ele propõe uma abordagem inovadora para os desafios da educação, privilegiando a personalização no modo de aprendizagem, uma solução de ruptura que leva ao en- sino centrado no aluno. TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) 42 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias Vivemos desde os anos de 1990 uma explosão de re- cursos tecnológicos, e as Tecnologias de Informação e Comunicação, as TIC´s como são chamadas atualmente, vieram para facilitar toda uma vida. Estas são um con- junto de tecnologias e maneiras de se comunicar, muito utilizadas pelas pessoas, das quais tratamos algumas no tópico anterior. Permitem a troca de informações, rela- cionamentos, educação, entre outras, como exemplo: • Computadores. • Telefones fixos. • Celulares. • TV. • CD´s / DVD´s. • Tablets. • Rádio. 43 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias • Internet. • Pendrives, entre outros. Desta forma, vão surgindo outras tecnologias, dia após dia. Alguns ultrapassados, outros mais novos, porém, todas são consideradas tecnologias. Apesar de nem todas as pessoas possuírem algumas das tecnologias, todos conhecem, já ouviram falar ou já tive- ram contato com a tecnologia por meio de um amigo. REFLITA Vejamos a seguir um textode Luís Fernando Veríssimo que ilustra, de uma maneira divertida, as mudanças tecnológicas, das quais ele cita a máquina de escrever e o computador: “Para começar, ele nos olha nos olha na cara. Não é como a máquina de escrever, que a gente olha de cima, com superio- ridade. Com ele é olho no olho ou tela no olho. Ele nos desafia. 44 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias Parece estar dizendo: vamos lá, seu desprezível pré-eletrôni- co, mostre o que você sabe fazer. A máquina de escrever faz tudo que você manda, mesmo que seja a tapa. Com o com- putador é diferente. Você faz tudo que ele manda. Ou precisa fazer tudo ao modo dele, senão ele não aceita. Simplesmente ignora você. Mas se apenas ignorasse ainda seria suportável. Ele responde. Repreende. Corrige. Uma tela vazia, muda, ne- nhuma reação aos nossos comandos digitais, tudo bem. Quer dizer, você se sente como aquele cara que cantou a secretária eletrônica. É um vexame privado. Mas quando você o manda fazer alguma coisa, mas manda errado, ele diz “Errado”. Não diz “Burro”, mas está implícito. É pior, muito pior. Às vezes, quando a gente erra, ele faz “bip”. Assim, para todo mundo ouvir. Comecei a usar o computador na redação do jornal e volta e meia errava. E lá vinha ele: “Bip!” “Olha aqui, pessoal: ele errou.” “O burro errou!”. Outra coisa: ele é mais inteligente que você. Sabe muito mais coisa e não tem nenhum pudor em dizer que sabe. Esse ne- gócio de que qualquer máquina só é tão inteligente quanto quem a usa não vale com ele. Está subentendido, nas suas relações com o computador, que você jamais aproveitará me- tade das coisas que ele tem para oferecer. Que ele só desen- volverá todo o seu potencial quando outro igual a ele o esti- ver programando. A máquina de escrever podia ter recursos 45 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias que você nunca usaria, mas não tinha a mesma empáfia, o mesmo ar de quem só aguentava os humanos por falta de coisa melhor, no momento. E a máquina, mesmo nos seus instantes de maior impaciência conosco, jamais faria “bip” em público. Dito isto, é preciso dizer também que quem provou pela primeira vez suas letrinhas dificilmente voltará à máquina de escrever sem a sensação de que está desembarcando de uma Mercedes e voltando à carroça. Está certo, jamais teremos com ele a mesma confortável cumplicidade que tínhamos com a velha máquina. É outro tipo de relaciona- mento, mais formal e exigente. Mas é fascinante. Agora compreendo o entusiasmo de gente como Millôr Fernandes e Fernando Sabino, que dividem a sua vida profissional em antes dele e depois dele. Sinto falta do papel e da fiel Bic, sempre pronta a inserir entre uma linha e outra a palavra que faltou na hora, e que nele foi substituída por um bo- tão, que, além de mais rápido, jamais nos sujará os dedos, mas acho que estou sucumbindo. Sei que nunca seremos íntimos, mesmo porque ele não ia querer se rebaixar a ser meu amigo, mas retiro tudo o que pensei sobre ele. Claro que você pode concluir que eu só estou querendo agradá- -lo, precavidamente, mas juro que é sincero. Quando saí da redação do jornal depois de usar o computador 46 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias pela primeira vez, cheguei em casa e bati na minha máquina. Sabendo que ela aguentaria sem reclamar, como sempre, a pobrezinha.” Fonte: Luís Fernando Veríssimo. Disponível em: <http://pen- sador.uol.com.br/frase/NTI4NjQz/>. Acesso em 25 jun. 2013. No texto de Luís Fernando Veríssimo podemos observar a comparação que ele faz entre a máquina de escrever e o computador, atualmente mais utilizado. “A máquina de es- crever faz tudo que você manda, mesmo que seja a tapa. Com o computador é diferente. Você faz tudo que ele man- da. Ou precisa fazer tudo ao modo dele, se não ele não aceita”. Às vezes o computador pode ser ignorado e com isso muitos professores vão deixar de fazer o exercício de descobrir o potencial do computador, ele será evitado, estará lá disponível, mas não utilizado pelos professores, pois não sabem exatamente o que fazer com ele e dei- xam de explorá-lo, desta forma, o computador poderá 47 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias ser rejeitado e não inserido como ferramenta pedagógi- ca para auxiliar no ensino-aprendizagem. É exatamente o que Veríssimo fala em seu texto, que por mais que as mudanças acontecem, para melhorar seja em qualquer área, acaba-se sempre obtendo um receio em aprender a utilizar tal tecnologia. “Sinto falta do papel e da fiel Bic, sempre pronta a inserir entre uma linha e outra a palavra que faltou na hora, e que nele foi substituída por um botão, que, além de mais rápido, jamais sujará os dedos [...]”. As tecnologias existem e precisa-se partir do professor a atitude de procurar aprendê-las para aplicá-las em sala de aula. As mudanças na educação dependem em pri- meiro lugar, de termos educadores maduros intelectual e emocionalmente, pessoas curiosas, abertas, que sai- bam motivar e dialogar. Aquele que mostra o que sabe e ao mesmo tempo está sempre atento ao que não sabe, que saiba chamar a atenção do aluno para o conteúdo 48 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias da aula e facilite todo o processo de organizar a apren- dizagem. Mas infelizmente ainda temos uma boa parte de professores que é previsível, que repete fórmulas e sínteses, sem se preocupar com as mudanças tecnoló- gicas que vem por aí. E as tecnologias de informação e comunicação estão aí, o educador tem a oportunidade de levar para a sala de aula e proporcionar ao seu aluno um ensino atual e de qualidade, porém, é preciso antes de tudo saber o que está fazendo, o porquê da utiliza- ção, se tem fundamento e se irá servir para o conteúdo que será trabalhado, pois de nada adianta utilizar destes meios apenas porque está na moda ou porque é orienta- ção da instituição. Também não podemos apenas utilizar um meio de aprendizagem, devemos ter um equilíbrio e saber sempre quando utilizá-los, diversificando as for- mas de ministrar aulas e de realizar atividades. Às vezes é tão mais prático utilizarmos de ferramen- tas ou tecnologias que já conhecemos que fica difícil 49 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias abrirmos nossas mentes para novas tecnologias, novas formas de ensinar, de aprender etc., chamamos isto de “resistência a mudanças”, pois acostuma-se com algu- mas práticas e acaba se fechando para novas. REFLITA “Tecnologia é uma forma de conhecimento. ‘Coisas’ tecnológi- cas não fazem sentido sem o ‘saber-como’ (know-how) usá-las, consertá-las, fazê-las” (EVANS; NATION, 1993 apud BELLONI, 2006, p.53). Somos obrigados atualmente a pensar e refletir sobre processos educativos que ultrapassem os meios mais tradicionais, que possibilitem a criação de novos am- bientes de aprendizagem, apresentando as TIC´s como forma de mudança. Podemos observar escolas e/ou instituições que têm 50 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias acesso aos meios mais modernos de tecnologias, mas também vemos algumas que vão praticamente se ar- rastando, implorando por melhorias e oportunidades de ter, são aquelas que nem ao menos possuem uma cadeira descente para se sentar e estudar, com um pro- fessor em sala que luta por recursos didáticos inovado- res para dinamizar sua aula. Fica nítido a diferença de oportunidades para as novas tecnologias entre escolas e/ou instituições. Sendo assim, não adianta tratar da tecnologia sem falar da exclusão digital, tema muito abordado atualmente. Com os problemas sociais há muitos brasileiros com falta de acesso, dos quais são excluídos social e digitalmente. O QUE É INCLUSÃO DIGITAL? Ao contrário do que alguns dizem inclusãodigital não é apenas colocar as pessoas a frente do computador e 51 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias ensiná-las a utilizar, é muito mais que isso, é disponibili- zar o acesso à tecnologia da informação e comunicação, em condições favoráveis, com objetivo ao desenvolvi- mento pessoal e coletivo. De nada adianta utilizar por utilizar, se não acontecer a construção e aquisição do conhecimento. De acordo com Bertoncello (2011, p.15), “o processo de inclu- são digital deveria levar o indivíduo incluído à produção de in- formações e conhecimentos, à participação social ativa [...]”. Dessa forma, o docente, a escola e/ou a instituição de- vem incluir seus alunos na era digital, demonstrando as TIC´s, para que todos tenham acesso, e assim, ob- tenham noções básicas de algumas das tecnologias da informação e comunicação. O Governo Brasileiro acredita que a solução para a inclu- são social é justamente a inclusão digital, ou pelo menos é um dos caminhos. É por meio dela que aquela população 52 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias mais carente poderá se beneficiar das novas ferramentas para obter conhecimentos, consequentemente, com aces- so a melhores oportunidades no mercado de trabalho. Sendo assim, o Governo implantou programas de inclusão digital que ajudam a democratizar este acesso. Um dos programas é o “Computador para todos”, onde são dispo- nibilizados computadores com preços reduzidos, ou até mesmo linhas de créditos especiais para a compra. Outro programa é “Banda Larga nas Escolas”, que leva internet com uma conexão rápida a estudantes do Ensino Básico de escolas públicas, e segundo o Governo Federal, tem duração prevista até 2025. São todos programas que au- xiliam para a inclusão digital desde a infância, dos quais é preciso aproveitar. 53 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias Fonte: shutterstock Vale ressaltar também que aqui no Brasil temos alguns programas do Governo para a melhoria da qualidade da educação brasileira, relacionada a formação de profes- sores, conforme cita Brocanelli, Gitahy e Rinaldi (2011): • Proformação (Programa de Formação de Professores em Exercício): para professores que lecionam nas séries iniciais, classes de alfabetização ou Educação de Jovens e Adultos, das redes públicas de ensino do país. • Proinfo (Programa Nacional de Informática na Educação): 54 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias promove a utilização da Telemática como ferramenta de en- riquecimento pedagógico no ensino público fundamental e médio. • TV Escola: capacitação e aperfeiçoamento de professores da rede pública do ensino fundamental e médio. • Rádio Escola: desenvolve ações nas escolas públicas ou comu- nidades, que visam à utilização e à mobilização dessa mídia na difusão e no desenvolvimento de práticas pedagógicas, além de fornecer insumos para o exercício docente. FIQUE POR DENTRO <http://www.brasil.gov.br/sobre/educacao/acesso-a-bibliote- cas-publicas-na-rede>. Acesso em: 19 jun. 2013. Percebe-se que há uma necessidade em incluir estes pro- fissionais da educação na Era digital, visto que, os alunos 55 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias estão chegando à sala de aula já com o conhecimento, quase que avançado, sobre as novas tecnologias. Desta forma, o Governo tenta de algumas formas auxiliar o professor neste desafio, com programas de aperfeiçoa- mento, pois a Educação passa por uma adaptação fren- te a todas essas tecnologias, exigindo do professor este aperfeiçoamento, que necessita ser permanente, para que estes recursos possam ser utilizados nos processos de ensino e aprendizagem do aluno. FIQUE POR DENTRO O Google está prestes a conquistar a estratosfera. A empresa anunciou o lançamento de 30 balões de alta tecnologia para levar o acesso à internet para lugares remotos, em que as pessoas ainda não estão conectadas. Acesse os links e veja os vídeos: <http://info.abril.com.br/noticias/internet/baloes-do-google- -levarao-sinal-de-internet-ate-areas-remotas-15062013-5. shl>. 56 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias < h t t p : / / w w w . y o u t u b e . c o m / w a t c h ? v = m c w - 6j-QWGMo&feature=player_embedded#at=34>. Acesso em: 19 jun. 2013. A EDUCAÇÃO DO SÉCULO XXI É interessante iniciar este tópico com uma charge que ilustra esta realidade da qual estamos vivenciando na Educação, com ela podemos discutir como está sendo vis- ta a Educação do século XXI e como mudar para esta reali- dade, observe a charge a seguir: 57 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias Fonte: <http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/coletaneas/ calvin-seus-amigos-428892.shtml> Acesso em: 19 jun. 2013. Na charge observamos que o aluno se encontra preocu- pado com a educação que está obtendo em sala de aula, cobrando isso da Professora, porém, a mesma afirma 58 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias que também dependerá do esforço e dos saberes do aluno para que a educação que ele almeja aconteça. Podemos dizer que atualmente o educador não é mais o detentor do conhecimento, e sim o mediador, o alu- no também precisa fazer a parte dele. O professor deve ser o mediador emocional, aquele que motiva, incentiva, estimula; o mediador intelectual, aquele que ajuda a es- colher as informações mais importantes, que informa; o mediador comunicacional, aquele que organiza ativi- dades de pesquisa, interações, o professor atua como orientador comunicacional e tecnológico, ajuda a desen- volver todas as formas de expressão, de interação, con- teúdos e tecnologias. O educador do século XXI deve ser o agente da educação, que transmite todos os conhecimentos necessários de acordo com os interesses dos alunos, provocando assim, uma massa de ideias que acaba favorecendo a assimila- ção de novos conhecimentos. 59 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias Conforme dito pela professora na charge citada, “sugiro que você comece a se esforçar mais”, ou seja, o aluno deve ser o maior interessado na educação que ele está levando para a vida e para que tenha competência para competir efetivamente numa economia global e opor- tunidades de emprego, precisa ter um diferencial, um esforço a mais para que não fique para traz. A professo- ra coloca no aluno também a responsabilidade por seu processo de formação. O ensino-aprendizagem acontece quando o aluno con- segue pesquisar e desenvolver sua própria criativida- de, assumindo um papel ativo na educação. Os alunos aprendem muito mais quando realizado uma compara- ção dos conteúdos trabalhados e as experiências. Na educação atual, o aluno participa, pode dialogar e construir seu próprio conhecimento e o professor é o transmissor e facilitador deste. É importante que o aluno perceba que sem o empenho dele não é possível agregar 60 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias conhecimentos, que não depende apenas do professor ou da instituição, mas sim, do interesse do aluno em sala de aula. [...] Os professores podem focar mais a pesquisa do que dar respostas prontas. Podem propor temas in- teressantes e caminhar nos níveis mais simples de investigação para os mais complexos; das páginas mais coloridas e estimulantes para as mais abstratas; dos vídeos e narrativas impactantes para os contex- tos mais abrangentes e assim ajudar a desenvolver um pensamento arborescente (BERTONCELLO, 2010, p.21). Não há mais espaço para a educação tradicional onde somente o professor fala e o aluno apenas escuta, na educação atual os dois sujeitos participam, trocando e vivendo experiências, interagindo um com o outro. Por fim,conclui-se que a charge apresenta uma reali- dade da educação atual, onde o aluno imagina que a responsabilidade de uma boa formação na escola de- pende apenas do professor e da instituição, e se exime 61 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias da responsabilidade para este. Mas essa formação que o aluno procura dependerá do trabalho realizado pelo professor em sala de aula, da instituição e principalmen- te do empenho e interesse do aluno no aprendizado que levará para o resto da vida. Como exemplo, acredita-se que a educação a distância possa ser uma modalidade que irá formar um aluno crítico e dinâmico para buscar estratégias para resol- ver seus problemas, aprendendo por si só com a ajuda do professor mediador, do qual auxiliará na construção do conhecimento. Diante de toda essa realidade que a charge nos mostra, acredita-se que é o momento do professor e/ou instituição refletir sobre como abordar o aluno para que o mesmo perceba o quanto a educação na vida do cidadão é importante para alcançar seus ob- jetivos e conseguir uma oportunidade de emprego. A figura abaixo mostra uma cronologia demonstrando as particularidades de cada geração, é bem interessante, 62 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias pois podemos observar a evolução na educação. Fonte: <http://fabiopestanaramos.blogspot.com.br/2011/12/tecnologia-e- ducacional-cenario-atual-e.html> . Acesso em: 19 jun. 2013. 63 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias pois podemos observar a evolução na educação. Fonte: <http://fabiopestanaramos.blogspot.com.br/2011/12/tecnologia-e- ducacional-cenario-atual-e.html> . Acesso em: 19 jun. 2013. Percebe-se uma diferença grande na comunicação en- tre professor e aluno, onde a comunicação antigamente era muito rara e que atualmente é muito frequente, pois agora o professor tem um papel de mediador do conhe- cimento, não apenas de transmissor, o aluno começa a fazer parte do seu próprio ensino, não apenas como um ser passivo, mas ativo. Na área da educação podemos dizer que as mudanças tecnológicas vieram para ajudar o ensino aprendizagem, a cada mudança uma conquista, uma melhoria para a disseminação de conhecimentos. AS VANTAGENS E DESVANTAGENS DA UTILIZAÇÃO DA TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO Essa Era da Informação, com as novas tecnologias, nos possibilitou uma gama de cursos online, oferecidos na modalidade a distância, cursos estes de Graduação, 64 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias Pós-graduação, extracurriculares, entre outros. Atualmente já existem várias Instituições que oferecem cursos online, por meio da tecnologia satélite, confor- me citado no primeiro tópico. Desta forma, houve uma democratização do ensino, pois muitas pessoas que an- tes não tinham condições de frequentar uma sala de aula, hoje podem estudar o curso desejado por meio da transmissão via satélite e por ambientes virtuais. É válido ressaltar que da mesma forma que a tecnolo- gia pode ser vantajosa, por exemplo, neste caso, tam- bém podem oferecer desvantagens. A internet da qual tratamos, pode ser boa como também pode ser ruim para muitos Professores, pois com toda essa evolução, muitos alunos perderam a prática de ler um livro, para navegar em sites na internet que não correspondem aos seus estudos, ou então, realizar trabalhos com par- tes retiradas da internet na íntegra, o que é considera- do plágio, por não haver uma correta citação do autor 65 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias pesquisado. É importante dizer que a tecnologia em si, se bem utilizada pode trazer muitos benefícios, tudo de- pende da forma como sua utilização for cultivada pelos seus usuários. Outra desvantagem é saber que uma tec- nologia criada pode substituir a mão de obra nas em- presas, apesar de que, para manuseio destas ferramen- tas, será necessário sempre a presença de uma pessoa. Tem-se também a dependência que a tecnologia traz, vejamos na figura abaixo: Fonte: <http://informaticavidadigital.blogspot.com.br/2010/04/ 66 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias olhando-este-quadro-podemos-chegar.html> . Acesso em: 19 jun. 2013. No caso da figura, a falta de acesso à rede traz a impos- sibilidade destes profissionais de exercer suas funções, demonstrando também a falta de ética no trabalho. A dependência tecnológica é uma desvantagem, da qual todos precisam prestar atenção, pois a partir do mo- mento em que tornarmos totalmente dependentes de uma tecnologia não mais teremos autonomia, devemos utilizar a tecnologia de forma que isso não aconteça, a boa utilização pode trazer muitos benefícios. Mas pensando pelo lado da Educação, as novas tec- nologias podem ter sido criadas em um bom momen- to, momento este que a Educação no país necessita de uma aprendizagem mais dinâmica, mais inovado- ra, onde o conhecimento pode ser demonstrado de formas diferentes, fazendo com que o aluno assimile mais facilmente. Os benefícios da tecnologia podem 67 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias ser reinvestidos em favor do próprio conhecimento, possibilitando uma continuidade no encadeamento de novos saberes. As tecnologias merecem estar presentes no cotidiano escolar porque estão presentes na vida das pessoas, mas também para diversificar a forma como o aluno irá apropriar-se do conhecimento, como irá chegar até este conhecimento, para se familiarizar com este leque de novas tecnologias, para haver a democratização e para dinamizar o trabalho do docente. Segundo Pocho (2003, p.15), O domínio do professor deve se concentrar no campo crítico e pedagógico, decidindo-se pela opção de inte- grar ou não a tecnologia em seu currículo, de acordo com os objetivos, e ainda escolher o momento apro- priado para fazê-lo, evitando, assim, a imposição tec- nológica na sala de aula. O professor não pode perder a dimensão pedagógica. 68 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias Diante disso, a utilização pode ser considerada vanta- josa se bem utilizada, em prol da qualidade de ensino, como mostra a reportagem publicada recentemente em um site da internet, da qual a empresa Intel apresen- tou o primeiro tablet do mundo voltado exclusivamente para a educação, que foi pensado para auxiliar o desen- volvimento infantil e as atividades curriculares dentro e fora da sala de aula. O Intel Learning Series Tablet apresenta alta durabilida- de, é resistente o bastante para ser usado em uma sala de aula ano após ano, tem duração de bateria estendi- da e recursos específicos para promover uma experi- ência de uso multissensorial. A Intel Learning Series foi criada para habilitar soluções básicas para a educação um a um e estimular a inovação do ecossistema em torno da arquitetura Intel (META ANÁLISE, 2011, p.1) Assim, podemos observar a inovação tecnológica che- gando para permanecer e ainda inovando nossas salas de aulas. Fica claro que é preciso atenção nas ferramen- tas utilizadas, quanto ao processo de planejamento, 69 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias gerenciamento e execução, mas que não podemos dei- xar de utilizar as tecnologias educacionais nas aulas mi- nistradas, para inovar cada vez mais o ensino-aprendi- zagem do aluno. Pode-se até ter um pouco de receio em manusear uma nova tecnologia, algo que mudou, mas não podemos deixar que estas “velhas” ferramentas to- mem conta de nós e não nos deixe enxergar o quanto é importante aprendermos coisas novas para repassar com qualidade aos nossos alunos. Observamos que são muitas as vantagens da utilização da tecnologia na educação, várias formas de utilizá-las com o intuito de inovar as aulase torná-las mais dinâ- micas, produzindo e adquirindo conhecimentos de di- versas formas de interesse dos alunos. A escola e/ou instituição é responsável pelo acesso dos alunos às tec- nologias digitais, em condições favoráveis e que auxilie no desenvolvimento do aluno, por isso a importância de se introduzir novas ferramentas pedagógicas. 70 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias Na área da Educação, entende-se que tecnologia e edu- cação devem caminhar juntas, sendo a tecnologia ele- mento fundamental e inseparável da educação. A educação é e sempre foi um processo complexo que utiliza a mediação de algum tipo de meio de comunicação como complemento ou apoio à ação do professor em sua interação pessoal e direta com os estudantes. A sala de aula pode ser considerada uma “tecnologia” da mesma forma que o quadro ne- gro, o giz, o livro e outros materiais são ferramentas (“tecnologias”) pedagógicas que realizam a media- ção entre o conhecimento e o aprendente (BELLONI, 2006, p.54). A tecnologia está presente na Educação tanto na mo- dalidade presencial quanto na modalidade a distância. Algumas ferramentas utilizadas pelo professor em sala de aula no ensino presencial, como o quadro-negro ou o giz, com certeza são considerados ferramentas pedagó- gicas, que podem ser chamadas também de tecnologias, mas atualmente existem várias outras tecnologias que podem ser substituídas por estes, como por exemplo, 71 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias a substituição do quadro-negro por Datashow e vídeos para auxiliar na aprendizagem do aluno, conforme cita Brocanelli, Gitahy e Rinaldi (2010, p.6), Há um avanço no que diz respeito ao uso dos recur- sos em sala de aula: em lugar de um quadro e um giz (muitas vezes, vários giz coloridos), há uma pos- sibilidade de uso de outros recursos atrativos, como o próprio computador ou uma projeção tecnológica de alta definição e rapidez; o uso de softwares; em lugar de textos em papel, há uma variedade de pos- sibilidades de trabalho coletivo e colaborativo na in- ternet, em vários sites eficientes sobre determinado assunto. Porém, um recurso não substituiu o outro, mas a articulação entre eles por meio da mediação do professor é que produzirá melhores situações de ensino aos alunos. Claro que não estamos tratando de mudanças fáceis e rá- pidas, muitas vezes o professor depende da escola e/ou instituição, que a mesma também depende de alguém. Mas de qualquer forma não podemos deixar que a for- ma autoritária de educar permaneça, o objetivo é trazer 72 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias para as salas de aulas cada vez mais a forma comunica- cional de se educar, onde as TIC´s estão presentes. FIQUE POR DENTRO Como as escolas podem nos preparar para o futuro se elas não estão preparadas para o presente? O professor da Universidade da cidade de Nova York James G. Lengel expli- ca como as escolas atuais ainda estão despreparadas para o ambiente de trabalho 3.0 e como elas podem se atualizar por meio de 8 passos. Acesse o link e veja o vídeo: <http://www.youtube.com/watch?annotation_id=annota- tion_383421&feature=iv&src_vid=4G79ePIYMnI&v=AdQIYIg- 4-Ww>. Acesso em 20 de junho de 2013. 73 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias TECNOLOGIA PARA FAZER EDUCAÇÃO Atualmente percebemos que a educação está voltada para a aprendizagem e não para o ensino, algo que é muito estudado e falado ultimamente, que o professor precisa se preocupar com a aprendizagem do aluno, e não somente passar o conteúdo e acreditar que sua missão foi cumprida, pelo contrário, é necessário trans- mitir o conteúdo e ao mesmo tempo nos preocuparmos em saber se esse conhecimento foi adquirido pelo alu- no. E hoje em dia temos vários recursos para utilizarmos em sala de aula que podem auxiliar nessa captura de conhecimentos e que facilitam a aprendizagem do alu- no, assim como recursos tecnológicos, que antigamente os professores não tinham tantas opções de tecnologias para utilização em sala de aula. As mudanças no acesso à informação estão acontecen- do a todo o momento, e é neste momento que o profes- sor deve agir como um trabalhador do conhecimento, 74 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias ou seja, se aperfeiçoar, ir atrás de novos conhecimentos, deixar esse ensino tradicional de lado e partir para as novas tecnologias aplicadas à educação. Porém, estas mudanças na educação dependem em primeiro lugar, de termos educadores maduros intelectual e emocional- mente, pessoas curiosas, abertas, que saibam motivar e dialogar. Aquele que mostra o que sabe e ao mesmo tempo está sempre atento ao que não sabe, que saiba chamar a atenção do aluno para o conteúdo da aula e facilite todo o processo de organizar a aprendizagem. Mas infelizmente ainda temos uma boa parte de profes- sores que é previsível, que repete fórmulas e sínteses, sem se preocupar com as mudanças que vem por aí. Michel de Montaigne (1533-1592) já dizia que, “deco- rar, apenas, representa ter a barriga cheia de comi- da, sem digeri-la. E isso seria de todo inútil, porque se não assimilarmos o alimento, ou seja, o conhecimento, como nos fortaleceríamos e cresceríamos?” Essa fala de 75 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias Montaigne nos faz refletir sobre o ensino atual, em que o professor não apenas faz com que o aluno decore o conteúdo, mas que aprenda, pois o aluno somente che- gará a sabedoria quando souber formular e responder aos questionamentos que a busca pelo conhecimento coloca em sua mente. O educador precisa ser o mediador emocional, aquele que motiva, incentiva, estimula; o mediador intelectual, aquele que ajuda a escolher as informações mais impor- tantes, que informa; o mediador comunicacional, aquele que organiza atividades de pesquisa, interações, o pro- fessor atua como orientador comunicacional e tecnoló- gico, ajuda a desenvolver todas as formas de expressão, de interação, conteúdos e tecnologias. O professor tem um grande número de opções metodo- lógicas, de possibilidades de organizar sua comunicação com seus alunos, de introduzir um tema, de trabalhar com os alunos presencialmente ou virtualmente e de 76 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias avaliá-los. Como exemplo temos computador, internet, televisão, softwares educativos, rádio, multimídias, en- tre outros. Cada docente pode encontrar sua forma mais ade- quada de integrar as várias tecnologias e os mui- tos procedimentos metodológicos. Mas também é importante que amplie que aprenda a dominar as formas de comunicação interpessoal/grupal e as de comunicação audiovisual/telemática (MORAN, 2000, p.32). Ao estudar o uso das tecnologias no campo pedagógico, nosso interesse é ressaltar as potencialidades cognitivas desses recursos, explorando as melhores formas de uti- lização para melhoria das condições de aprendizagem. Como o computador, que mesmo conectado a uma rede de informação, por si só, não oferece nenhuma ga- rantia de ampliação do conhecimento, é necessário uma competência pedagógica para a estruturação de objeti- vos, metodologias e conteúdos apropriados a esse novo instrumento. 77 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias Desta forma, a área da educação precisa dominar o po- tencial educativo das tecnologias e colocá-las a serviço do desenvolvimento de um projeto político pedagógico que vise a construção da autonomia dos educandos e a formação para o exercício pleno da cidadania. FIQUE POR DENTRO Professores conectados! Depois de lançar uma rede social direcionada a estudantes (chamada de Socl) a Microsoft desenvolveu agora uma rede para conectarprofessores ao redor do mundo. A PIL, sigla em inglês para Parceiros na Aprendizagem, já tem cerca de qua- tro milhões de usuários em 119 países e pode ser acessada no endereço <www.pil-network.com>. Além das ferramentas comuns às redes sociais, ela converte textos acadêmicos e didáticos para 36 idiomas diferentes e oferece vídeos tuto- riais para usar as novas tecnologias e criar atividades em sala que promovam o engajamento dos estudantes. Para come- çar a participar, é possível se conectar por meio da conta do Hotmail, Google, Facebook ou Yahoo. 78 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias Fonte: Revista Ensino Superior. Ano 14, n. 166. Existem algumas escolas, ou, a maioria Instituições de Ensino Superior, que oferecem cursos online de com- plemento, tanto para o aluno quanto para o professor, um meio de fazer educação utilizando-se da tecnologia, o que faz a instituição mudar radicalmente, não ape- nas em função da oferta dos cursos, mas também pela transformação de seu processo educacional, onde anti- gamente era voltado apenas para o professor e suas au- las, e agora passa a contar com alguns métodos online para realização dos trabalhos. É claro que devemos levar em consideração que não se faz uma grande mudança de um momento para o ou- tro, isso precisa ser bem pensado e planejado de acordo com as exigências do Ministério da Educação (MEC). O que a instituição pode e deve fazer é dar início à mu- dança, promovendo a contaminação controlada do 79 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias processo atual pelas novas técnicas, aos poucos é pos- sível implantar novas tecnologias para fazer educação. Um início da mudança também é a instituição oferecer cursos gratuitos online e aprender com a experiência. Com essa prática, a mesma deve estar preparada e dis- posta a ceder parte da sua riqueza, que nada mais é que o conteúdo educacional. Existem algumas institui- ções que oferecem cursos extracurriculares gratuitos e totalmente online, para quem tiver interesse, vejamos alguns exemplos: • Fundação Getúlio Vargas (FGV): oferece cursos online gratui- tos com declaração de participação ao aluno. E ainda afirmam que agora não há mais desculpas para quem quer estudar e não tem dinheiro para arcar com os altos preços das men- salidades dos cursos. O interessante é que segundo site da instituição, esta fundação é a primeira instituição brasileira a ser membro do OCWC (Open Course Ware Consortium), que de acordo com as informações, é o consórcio de instituições 80 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias de ensino de diversos países que oferecem conteúdos e ma- teriais didáticos de graça pela internet. Dentre os cursos gra- tuitos online, estão cursos da área de comunicação, gestão e direito. Não são cursos que proporcionam titulação, crédito, certificação, ao final das aulas, mas o participante poderá re- alizar um teste ao final dos conteúdos e obtendo uma nota mínima conseguirá emitir uma declaração de participação. O site para acesso aos cursos é: <http://www5.fgv.br/fgvonline/ cursosgratuitos.aspx>. Acesso em 20 de junho de 2013. • Sebrae: instituição que costuma promover alguns cursos onli- ne e gratuitos para quem deseja iniciar um negócio, repensar seu empreendimento ou mesmo obter informações sobre o empreendedorismo e gestão. Os principais cursos ofere- cidos pelo Sebrae são: AE – Aprender a Empreender; APF – Análise e Planejamento Financeiro; CVMM – Como Vender Mais e Melhor; D-Olho na Qualidade: 5Ss para os pequenos negócios; AC – Atendimento ao Cliente; GCC – Gestão de Cooperativas de Crédito; BPSA – Boas práticas nos serviços 81 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias de alimentação: gestão da segurança; EI – Empreendedor Individual; IPGN - Iniciando um Pequeno e Grande Negócio; MEG – Primeiros Passos para a Excelência; IPN – Internet para Pequenos Negócios. O site para acesso aos cursos é: <http:// www.ead.sebrae.com.br/hotsite/>. • Fundação Bradesco (Escola Virtual): cursos rápidos, online e gratuitos em diversas áreas do conhecimento. Oferecem cursos semipresenciais também, que são cursos mais técni- cos, voltados para os participantes mais experientes. Alguns dos cursos oferecidos online, onde interessa mais aquela pessoa que não tem muito tempo disponível para frequen- tar uma sala de aula, são: na área da administração financei- ra (matemática financeira; contabilidade empresarial, entre outros); na área comportamental (novo acordo ortográfico, recrutamento e seleção, postura e imagem profissional, co- municação e escrita, entre outros); na área da informática (Internet, Word, Excel, entre outros), ou seja, são várias as áreas e cursos ofertados, e o que é melhor, praticidade. 82 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias Podemos listar várias das instituições que oferecem cur- sos utilizando-se da tecnologia de distribuir conhecimen- to para muitas pessoas de toda parte do mundo, mas apenas três exemplos de iniciativa a inovação na apren- dizagem, já conseguimos ter conhecimento da dimen- são que esta modalidade de ensino está se apropriando. Estes também são cursos que pode-se pensar em ofertar para os professores como forma de treinamento, pois a preparação dos docentes para sala de aula inovadora, é fundamental. É um interesse do docente e da instituição acompanhar as mudanças tecnológicas e didáticas. Claro que não há fórmula exata, nem método mágico para estimular o aprendizado, mas a partir da experi- mentação, vontade de mudar e percepção das neces- sidades dos alunos, as instituições de ensino podem encontrar caminhos para torná-lo mais significativo e afinado aos dias de hoje, pois precisamos de um siste- ma de ensino mais dinâmico e adequado à realidade 83 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias dos alunos. INDICAÇÃO DE LEITURA Para saber mais sobre os Recursos Tecnológicos uti- lizados na área da Educação, sugiro a leitura do li- vro “Recursos Educacionais para o ensino: quando e por quê?” de Ilza Martins Sant’Anna e Victor Martins Sant’Anna. Livro: Recursos Educacionais para o ensino: quando e por quê? Autores: Ilza Martins Sant’Anna e Victor Martins Sant’Anna Editora: Vozes Sinopse: os recursos de ensino não são somente meios, mas cons- tituem, muitas vezes, a própria realidade. Ter uma in- formação atualizada por meio de um jornal ou revista, ouvir um noticiário, assistir com o grupo a um programa 84 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias de televisão, fazer gravações, elaborar textos, fazer ex- posições, inventar e contar histórias, ler livros, planejar gincanas, construir jogos a partir desses contatos com a realidade... é o que deve e precisa ser feito. Por que de- senhar no quadro um mamífero, se temos um zoológico próximo? Este livro ensina a trabalhar com a realidade objetiva, mas quer também que o aluno confronte suas percepções in- dividuais com a realidade e com as percepções do grupo. CONSIDERAÇÕES FINAIS No decorrer desta unidade verificamos a importância da evolução da tecnologia na vida das pessoas, onde é utilizado estas tecnologias em várias áreas, inclusive na área da educação, onde foi o nosso foco principal. É importante ressaltarmos que a aprendizagem aconte- ce por meios mais simples, sem novas tecnologias im- plantadas nas salas de aulas, mas também se uma nova 85 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias ferramenta está disponível para ser utilizada, é preciso aproveitar o máximo e extrair coisas boas, levando para a sua didática em sala de aula, o dinamismo e a vontade de estudar de seus alunos. Na próxima unidadefalaremos de toda esta inovação e das tecnologias educacionais, demonstrando com mais detalhes as ferramentas que podem ser utilizadas com sucesso em sala de aula. ATIVIDADES 1) Em relação ao primeiro tópico desta unidade, onde se fala sobre a Evolução da Tecnologia, visualize a segunda imagem (evolução da tecnologia de 1960 a 2060), reflita e faça um texto complementando um futuro para daqui 10 anos na sua perspectiva e dis- cuta com seus colegas. 2) As tecnologias utilizadas por você no dia a dia es- tão contribuindo para a melhoria contínua? Se a 86 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias resposta for não, reflita sobre como resolver esta si- tuação pensando sempre nesta melhoria. Converse com os seus colegas. 3) Levando em consideração que a inclusão social é um tema muito abordado atualmente e que é preciso repen- sar nossas atitudes como Professores, reflita e responda como você acredita que o docente possa agir diante des- ta situação? Cite exemplos. 4) A educação atual passa por grandes mudanças, mui- tas ferramentas tecnológicas que o decente pode utilizar para tornar suas aulas mais dinâmicas e atra- entes. Pense nestas mudanças e responda como deve ser este educador do século XXI, quais as mu- danças que devemos acatar. 5) Diante das reflexões realizadas nesta unidade, pro- ponho a você, uma análise crítica da escola, do pa- pel do educador e do perfil dos alunos em diferentes 87 UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias tempos, considerando as questões sociais, históri- cas, culturais, econômicas e tecnológicas. Preencha os quadros abaixo com suas reflexões: 30 anos atrás Escola Educadores Alunos Na atualidade Escola Educadores Alunos Daqui dez anos Escola Educadores Alunos Inovação e tecnologias educacionais UNIDADE 2 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Realizar uma breve reflexão sobre as Tecnologias Educacionais. • Apresentar o funcionamento do processo de mudança. • Identificar os recursos computacionais que podem ser aplicados na didática em sala de aula. • Apresentar um breve conceito da Educação a Distância e seus integrantes.. PLANO DE ESTUDO Serão abordados os seguintes tópicos: • Tecnologias educacionais • As tecnologias na Educação: um processo de mudança • O computador como tecnologia educacional • Recursos computacionais aplicados na educação (aplicativos, internet, multimídia, entre outros) • Internet, como usá-la em sala de aula • Das salas de aulas aos ambientes virtuais de aprendizagem • Integrantes da educação a distância • Papel do aluno online Kátia Montalvão; Natalia Aguiar de Menezes 90 UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias INTRODUÇÃO Olá, Caro(a) Acadêmico(a)! Ao longo da primeira unidade tivemos a oportunidade de entender como foi o processo evolutivo das tecno- logias até o momento atual. Também vimos as vanta- gens e desvantagens da tecnologia na educação, e que podemos utilizá-la de forma a dinamizar a didática em sala de aula. E dando continuidade nesta jornada de es- tudos, serão apresentados nesta unidade alguns dos re- cursos tecnológicos que podem ser utilizados em sala de aula, apresentando algumas atividades com estes recursos. Também falaremos do processo de mudan- ça, que o educador se encontra em meio a tantas mu- danças tecnológicas que afetam a Educação, querendo ou não temos a tão falada, resistência à mudança, por parte de alguns educadores. E para finalizar a unidade, será tratada sobre a Educação a Distância, uma modali- dade que vem conquistando o país e deixando algumas 91 UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias pessoas com dúvidas em relação aos seus integrantes desta modalidade, sendo assim, trataremos detalhada- mente a responsabilidade de cada integrante. A partir desta unidade de estudo, você terá a oportunidade de mergulhar e ir mais fundo no entendimento dos recur- sos tecnológicos aplicados à educação. Aproveite este momento e boa leitura! TECNOLOGIA EDUCACIONAL Na unidade anterior falamos muito sobre a tecnologia e sua evolução, bem como a importância de introduzir esta tecnologia na área da Educação, assim, nesta unida- de convidamos você para se aprofundar mais nas tecno- logias educacionais, as quais é possível utilizar em sala de aula e obter sucesso no aprendizado dos alunos. É preciso muita atenção para fazer a escolha certa do re- curso tecnológico para aplicação do conteúdo. Muitas vezes as tecnologias chegam à escola não por escolha do 92 UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias professor, mas por imposição, como no caso de tecnolo- gias entregues pelo Governo, às vezes até sem a devida orientação de utilização para os professores. Mas mesmo com estas e outras dificuldades, podemos pensar ainda que a própria tecnologia pode ser um meio de concretizar o discurso que propõe que a escola deve fazer o aluno aprender a aprender, a criar, a inventar soluções próprias diante dos desafios, e não formar o aluno para repetir e copiar. A tecnologia pode ser um meio de auxiliar os professores neste aspecto. Também devemos considerar que o avanço tecnológico ainda não chegou para todos, e escola sendo um local que se propõe o ensino e aprendizagem ao aluno, ca- berá à ela agir com e sobre as tecnologias, demonstran- do sua importância e ensinando de uma maneira mais dinâmica, a escola poderá orientar o aluno ao uso da tecnologia relacionado com o conteúdo. AS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO: UM 93 UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias PROCESSO DE MUDANÇA Que as tecnologias estão presentes na educação já sa- bemos, mas é fácil concluirmos que alguns professores não estão preparados para tanta mudança. Os profes- sores precisam estar abertos para incorporar essa nova realidade, aceitar as mudanças e inovar a escola. Mas é válido ressaltar que entre identificar as novas tec- nologias e iniciar a sua utilização, existe um espaço de tempo bem grande, pois sabemos que pode existir certa resistência à mudança por parte dos responsáveis pela escola e os professores. Existe certo tempo para que este professor sinta-se motivado e seguro para utilizar uma ferramenta nova em suas aulas, às vezes nem este tempo existe, pois em um primeiro momento já demonstra a resistência às novas ferramentas que a escola disponibiliza. O processo de qualquer mudança, seja na área da 94 UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias educação ou profissional, pode ser representado pela figura abaixo: Fonte: <http://ideagri.com.br/plus/modulos/noticias/imprimir.php?cdnoti- cia=283> . Acesso em 20 de junho de 2013. Especificando as etapas, o “descongelamento”, é aque- le momento em que observamos a necessidade da mudança, é se conscientizar, identificar a mudança e 95 UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias refletir sobre ela, onde o professor deverá rever seus paradigmas. Depois vem a etapa “mudança”, onde já nos deparamos no processo de mudança, aprendendo os novos concei- tos. Esta etapa somente é concluída quando a pessoa vê que está apta para esta nova realidade. E a última etapa é “recongelamento”, quando iniciamos um novo processo de mudança, aquele momento em que vemos que sempre estaremos diante de novas re- alidades, novas mudanças e da necessidade de aprendi- zagem, dais quais precisamos novamente “descongelar”, ou seja, retornar no início do processo de mudança. O processo de mudança precisa ser constante, a cada realidade, tonando-se parte do cotidiano. Conforme dito na Unidade anterior, a área da tecnologia, ou mesmo da Informática, já estamos falando dela nestaUnidade, é caracterizada pela inovação constante, isso quer dizer 96 UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias que precisamos estar atualizados e sempre mudando, quebrando velhos paradigmas. Para Tajra (2001, p.127), “[...] As mudanças não se limi- tam aos instrumentos físicos, mas às mudanças na so- ciedade, na cultura, na economia, na forma de produção, na forma de aprender, nos sistemas de comunicação e nas atividades mais simples do nosso cotidiano”. Mas é claro que a resistência sempre existirá, sempre que aparecer alguma mudança, logo vamos perceber uma resistência como resposta de alguém, porque é cer- to que algumas pessoas tendem mesmo a resistir a algo que percebem como uma ameaça, quanto mais intensa a mudança, mais intensa será a resistência. Infelizmente isso já se tornou normal. Na área da Educação não é diferente, pois as mudanças são constantes e os educadores precisam se acostumar, aceitando esta mudança como uma melhoria para o 97 UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias ensino de seus alunos. Segundo a colunista Debora Guerra do site <administrado- res.com>, existem três pontos fundamentais que podem diminuir os problemas com as mudanças, vejamos quais: • A resistência a mudanças poderá ser evitada, na medida em que o gestor auxilie os que serão afe- tados por ela a compreender sua necessidade; • A resistência diminuirá na proporção em que as pessoas afetadas tenham oportunidade de ex- por abertamente o que pensam sobre a mudan- ça introduzida; • A resistência pode não ocorrer, ou ganhar me- nor proporção, se as pessoas afetadas participa- rem da definição e da forma como a mudança será implantada; Disponível em: <http://www.administradores.com. br/artigos/carreira/resistencia-a-mudanca-nas-orga- nizacoes/50624/>. Acesso em: 11 ago. 2013. Mesmo com estas dicas a quem pense, “não consigo enfrentar estas mudanças de uma maneira tranquila, 98 UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias como se fosse algo bom”, claro que haverá muitas re- flexões deste tipo, mas o fato é que precisamos nos acostumar com as mudanças, ainda mais na área da Educação, pois muitas vezes precisamos destas mu- danças para tornar nossas aulas mais dinâmicas, até porque muitos alunos já veem para sala de aula com um conhecimento amplo quando o assunto é mudan- ças tecnológicas, assim, o educador precisa estar pre- parado, ou seja, é necessária a quebra de paradigmas. Fonte: shutterstock 99 UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias O COMPUTADOR COMO TECNOLOGIA EDUCACIONAL Quando se iniciou a utilização do computador nas es- colas muitos profissionais da área sentiram uma certa insegurança em relação à maquina, alguns por medo de ser substituído pelo computador e outros por medo da máquina causar a desumanização na educação, pelo fato de proporcionar a formação de cidadãos desuma- nos e robóticos, iguais a própria máquina. Mas há aqueles que acreditam que a introdução dos computadores na educação possa gerar efeitos posi- tivos no processo de ensino e aprendizagem. Esta difi- culdade dos professores no manuseio, na adaptação, é normal, como também encontraremos em alguns alu- nos que não têm conhecimento sobre a máquina, mas é preciso persistência, e em primeiro lugar do professor e da escola, que recebem os computadores e precisam se adaptar para depois apresentar uma atividade com a 100 UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias tecnologia em sala de aula. Outra preocupação de alguns profissionais da área é o destino dos livros em uma sociedade computadorizada, pois a facilidade em ler pequenos resumos no compu- tador, acabou deixando o livro de lado, na prateleira de um sebo. Você já parou pra pensar que as enciclopédias que os antigos guardavam em suas casas, como algo inédito e que foi pago bem caro na época, foi substituí- do pelas informações obtidas por métodos eletrônicos? Hoje ficou fácil acessar as informações sem se reportar aquele livro grosso e pesado da enciclopédia, qualquer pessoa pode acessar esta máquina, obter algumas in- formações e armazená-las em qualquer pasta. Mas levando em consideração que estamos falando so- bre o computador na área da educação, mesmo esta máquina deixando de lado os livros, nunca deixarão de existir, e ainda melhor, os livros podem ser digitais e li- dos em um Tablet, por exemplo. Cada nova tecnologia 101 UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias vem para melhoria contínua. Observamos que as crianças e os jovens utilizam o com- putador nas situações mais diversas, em sua residência, em um lan house, jogando games, realizando pesquisas de diversos assuntos, batendo papo com seus amigos, enfim, e neste momento em que os educadores devem aproveitar para incorporar esta ferramenta na práti- ca educacional, já que irá auxiliá-los na aprendizagem, enriquecendo na leitura e outros. Aproveitar que seus alunos já conhecem a ferramenta e não terão maiores dificuldades para acessá-la. E para aqueles alunos que desconhecem a ferramenta, cabe à escola ensiná-los a utilizarem, orientar quanto ao uso adequado e também aos perigos que o mesmo pode oferecer. É sempre bom lembrar que se precisa saber como vai utilizar esta tec- nologia, de que forma vai utilizar e quais serão os objeti- vos propostos para este trabalho. Mas vamos pensar nas disciplinas ministradas e a 102 UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias utilização do computador, em um artigo publicado pela pesquisadora Raquel Rosan Gitahy, consta uma pesqui- sa realizada que buscou elucidar e auxiliar a compreen- der questões relacionadas à leitura e à escrita dos alunos utilizando tecnologia disponível na escola, mais especi- ficamente, a informática. Foram identificadas algumas deficiências dos alunos em relação à máquina, como também a facilidade na utilização de outros alunos, uns realizaram a atividade mais rápido, outros demoraram um certo tempo. Em uma das atividades que exigia do aluno utilizar o programa PowerPoint foi descrito como um dos momentos mais criativo para os pesquisados, onde eles puderam criar sua história com um ambiente propício. Acesse o site <http://e-revista.unioeste.br/in- dex.php/travessias/article/view/4105> e veja a pesquisa realizada na íntegra. Diante disso, observamos que é possível utilizar esta fer- ramenta em várias disciplinas, mas claro que devemos 103 UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias refletir se o conteúdo que será ministrado cabe a utiliza- ção do computador. Vejamos, a seguir, alguns exemplos de atividades na educação com a utilização de recursos computacionais. INDICAÇÃO DE LEITURA Para saber mais sobre a informática na área da educação e algumas ferramentas para a didática em sala de aula, sugiro a leitura do livro “Informática na Educação: novas ferramentas pedagógicas para o professor da atualidade” de Sanmya Feitosa Tajra. Livro: Informática na Educação: no- vas ferramentas pedagógicas para o professor da atualidade Autora: Sanmya Feitosa Tajra Editora: Érica Sinopse: este livro visa apresentar 104 UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias conceitos básicos e promover uma reflexão sobre a prá- tica do uso dos computadores como ferramenta peda- gógica. Nele são abordadas questões relacionadas ao uso das tecnologias computacionais em sala de aula, tais como – o computador no contexto educacional, his- tórico, econômico e social; a história da política de in- formática na educação no Brasil; formas de utilização do computador em sala de aula, análise e aplicabilidade dos softwares; as fases de implantaçãode um projeto de informática educativa; fatores a serem considerados na capacitação dos professores, a utilização de jornais em sala de aula e, por fim, o uso da Internet como mais um recurso à disposição das escolas. RECURSOS COMPUTACIONAIS APLICADOS NA EDUCAÇÃO (APLICATIVOS, INTERNET, MULTIMÍDIA, ENTRE OUTROS) A autora Tajra (2001, pp.61-62), aponta alguns aspectos 105 UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias em que os ambientes de informática proporcionam po- sitivamente e que os educadores devem levar em consi- deração, vejamos alguns: • Os alunos ganham autonomia nos trabalhos, podendo de- senvolver boa parte das atividades sozinhos, de acordo com as suas características pessoais, atendendo de forma mais nítida ao aprendizado individualizado; • Em função da gama de ferramentas disponíveis nos sotfwa- res, os alunos, além de ficarem mais motivados, também se tornam mais criativos; • A curiosidade é outro elemento bastante aguçado com a in- formática, visto que é ilimitado o que se pode aprender e pes- quisar com os sotfwares e “sites” da Internet disponíveis; • Os alunos se auto-ajudam. Os ambientes tornam-se mais di- nâmicos e ativos. Os alunos que sobressaem pelo uso da tec- nologia costumam ajudar àqueles que estão com dificuldades; 106 UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias • Alunos com dificuldades de concentração tornam-se mais concentrados; • Esses ambientes favorecem uma nova socialização que, às vezes, não conseguimos nos ambientes tradicionais; • As aulas expositivas perdem espaços para os trabalhos cor- porativos e práticos; • Estímulo a uma forma de comunicação voltada para a reali- dade atual de globalização; • A informática passa a estimular o aprendizado de novas lín- guas. Muitas vezes nos deparamos com argumentações de que não possível expandir a utilização da informática na es- cola pelo fato de os programas estarem em outros idiomas; esta característica do software em si não deve ser vista como empecilho, mas como uma motivação para o aprendizado de novos idiomas; • Além de a escola direcionar as fontes de pesquisas para os 107 UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias recursos já existentes, tais como: livros, enciclopédias, revis- tas, jornais e vídeos, ela pode optar por mais uma fonte de aprendizagem: o computador; • A informática contribui para o desenvolvimento das habilida- des de comunicação e de estrutura lógica de pensamento. O Editor de Texto é um aplicativo do computador para criação e edição de um arquivo de texto, pode ser utili- zado por professores de qualquer disciplina, para qual- quer projeto e a partir dos níveis escolares básicos. O aplicativo do qual iremos falar é o Word, um dos mais utilizados pelas pessoas, seja no ambiente profissional ou educacional, faz parte da Microsoft. Estes editores de texto podem auxiliar no desenvolvi- mento das habilidades linguísticas, pode-se o professor elaborar atividades do tipo: criação de relatórios, cartas, músicas, entrevistas, cartazes, cartões, livros, jornais, entre outros, basta utilizar a criatividade e elaborar uma 108 UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias atividade que esteja dentro dos objetivos propostos. Os softwares gráficos são aqueles para elaboração de de- senhos e produções artísticas, é possível o aluno criar de- senhos e utilizar a imaginação para isso. De acordo com Tjra (2001), é uma das ferramentas mais bem aceitas pe- los alunos, uma ferramenta que traz alegria para os mes- mo, pois podem criar seus desenhos de acordo com sua imaginação e criatividade, tornando mais fácil e ágil a pro- dução dos trabalhos. Na educação de nível infantil ou até mesmo nível médio, o professor pode desenvolver atividades que faça relação com textos e imagens, ou seja, a partir de um texto, que pode ser extraído de revistas, jornais ou internet, o aluno deverá elaborar um texto com imagens sobre o cenário, enfim, são várias as atividades a serem elaboradas. O jornal eletrônico é uma forma de se trabalhar alguns conteúdos na escola/instituição, pode-se até elaborar o 109 UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias próprio jornal da escola, mas para isso é necessário uma boa equipe de professores engajados neste projeto, é necessário que o professor esteja atento à veracidade e tendências das informações. Tajra (2001) enfatiza que a vantagem da utilização do jornal para fins educativos, é garantir o estímulo à lei- tura e escrita, o aluno adquire uma formação crítica se bem trabalhada esta ferramenta, estimulando a apren- dizagem de novos conhecimentos e facilitando o acesso a alguns acontecimentos da atualidade. Essa ferramenta além do docente conseguir trabalhar com o conteúdo, que trabalharia normalmente se não a utilizasse, dá oportunidade de estabelecer uma rela- ção entre o conteúdo trabalhado em sala de aula, com a realidade social, contribuindo para a aprendizagem do aluno. 110 UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias Desta forma, podemos dizer que os artigos de jornais, dos quais podem e devem ser utilizados como recursos pedagógicos em sala de aula, auxiliam o aluno a estabe- lecer relações de conteúdos, a formar conceitos, refle- xões sobre os acontecimentos e ainda, formar um aluno crítico, incentivando à leitura. Existem várias outras ferramentas a serem utilizadas em sala de aula que irão proporcionar ao aluno um grande aprendizado de uma forma prazerosa e dinâmica, tenho certeza de que você conhece várias outras destas ferra- mentas. Então, pense e reflita sobre estas ferramentas, tentando levar para a sala de aula e tornar a sua aula mais dinâmica. REFLITA “Tecnologia ou Metodologia?”. Acesse o link e veja o vídeo: <http://www.youtube.com/watch?v=IJY-NIhdw_4>. Acesso 111 UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias em 20 de junho de 2013. INTERNET, COMO USÁ-LA EM SALA DE AULA Uma das inovações que mais se destaca e mais conheci- da pelos alunos e professores é a Internet, que oferece um leque de oportunidades de adquirir conhecimentos e rompe fronteiras dos países. É possível obter vários ganhos pedagógicos, como: acessibilidade a fontes para pesquisas, páginas educacionais para pesquisa escolar; comunicação e interação; uma forma de socialização; es- timula à curiosidade; raciocínio lógico; desenvolvimento da autonomia; troca de experiências; estimula a leitura e escrita, enfim, são várias as vantagens para a área da educação. Com esta ferramenta o professor pode estimular o alu- no a localizar as informações, tratá-las e não se esquecer de criticá-las, realizar críticas construtivas para a ativida- de ter validade frente a aprendizagem e proporcionar a 112 UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias comunicação entre os alunos. A internet é uma grande facilitadora das pesquisas, onde podemos sanar nossas dúvidas rapidamente por meio de fontes de pesquisas, com estas vantagens é possível tornar a aula mais dinâ- mica e sempre com foco na aprendizagem do aluno. Podemos dizer que esta ferramenta é uma oportunida- de para que os professores que são abertos à realiza- ção da mudança, possam inovar sua didática em sala de aula. Mas também é papel do professor fazer o confron- to das informações, verificar a veracidade delas e sem- pre procurar estimular o senso crítico do aluno, levando à interação entre os alunos e a comunicação adequada com as informações obtidas. Mas para que os professores possam fazer a utilização de todos os softwares disponíveis na escola/instituição, é necessário que estejam capacitados para utilização des- te como um instrumentopedagógico. 113 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias Abaixo listei algumas dicas de atividades que podem ser desenvolvidas em sala de aula, propostas pela autora Tjra (2001): • Sala de bate-papo: o intuito é promover uma socialização vir- tual a partir da escrita (mas esquecer de incentivar os alunos à escrita correta, não à escrita com abreviações, geralmente utilizadas pelos internautas). • Lista de Discussão/Fórum: promover debates argumentativos de análises prós e contras sobre um determinado assunto. • Lista de Discussão/Fórum: construção coletiva de texto: o tex- to é iniciado por um aluno e finalizado por outros alunos. • Sites da Internet: pesquisa direcionada: com indicação de sites ou com indicações de assuntos específicos para a pesquisa. • Software de videoconferência: promover debates em tempo real. 114 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias É importante ressaltar que o grupo de discussão men- cionado acima, pode ser utilizado também para pais, alunos e professores, pois a interação deve ocorrer en- tre todos os níveis de participantes. Também em relação às pesquisas em sites da internet, o professor precisa estar disposto e com tempo para fazer o direcionamen- to, para que não haja a dispersão do assunto e foco da aula. FIQUE POR DENTRO Educação 3.0 Confira as novidades da 20º Feira Educar no link <http://www. youtube.com/watch?v=iPcW2ut9H-w>. Acesso em 21 de ju- nho de 2013. DAS SALAS DE AULAS AOS AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM Na contemporaneidade a formação de pessoas tem 115 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias mobilizado gestores de todas as áreas. Na educação, esta formação é assumida por processos presenciais e pela EAD (Educação a Distância). A EAD tem se destacado, por aproximar professores e alunos através de um Ambiente Virtual de Aprendizagem, que não existia no ensino presencial. Para Lazilha (2011) o Ambiente Virtual de Aprendizagem é um software que permite a administração de cursos on-line por meio de um complexo de recursos. Entre os recursos estão às ferramentas síncronas e assíncronas, as quais possibili- tam a interatividade entre os acadêmicos e os docentes, as publicação e disponibilização de conteúdos, constru- ção de textos colaborativos e ferramentas de avaliação. Além do acompanhamento por meio de relatórios, os quais apontam: número de acessos, recursos acessa- dos, boletim de notas e atividades realizadas. Observa- se que por meio do ambiente virtual de aprendizagem é possível coordenar cursos a distância e promover a 116 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias interatividade entre os sujeitos do processo que promo- vem o ensino e aprendizagem. Contudo, se faz inevitável a discussão sobre as mudan- ças que ocorreram entre os sujeitos integrantes desse processo, porém é necessário resgatar as características do ambiente presencial e as diferenças existentes entre ambos. A pesquisadora Kenski (2010), por exemplo, descreve características peculiares da escola presencial. Para ela o ambiente escolar é composto por um espaço educa- tivo, seja este um prédio, campos, uma quadra, uma casa, um barraco, os quais contam histórias que ocor- reram neste perímetro. Tem o calor humano, vozes e os sons especiais, os quais espalham pelo ambiente e dão sentido a este espaço, composta pela movimentação de professores e alunos tornando-se um vai e vem cons- tante. A autora acredita que é a presença humana, com suas emoções e seus sons que dá sentido ao ambiente 117 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias escolar e isto abre então, precedentes para o seguinte questionamento: Na modalidade da educação a distân- cia é possível existir este sentido pelo ambiente virtual de aprendizagem? Para responder a esta afirmativa, Drucker (2002) faz en- tender que nos dias de hoje o aumento do número de adeptos a essa modalidade tem sido cada vez maior, por tratar de uma modalidade mais vantajosa e acessível à população, visto tamanha globalização. Ele acredita que neste século a relação entre aquele que ensina e aquele que aprende se faz por novos meios, como a internet, pois esta ferramenta combina as vantagens da sala de aula e do livro, proporcionando o manuseio do mate- rial didático conforme a compreensão de cada indiví- duo, sem deixar de proporcionar também a presença física. Para o pesquisador esta modalidade é mais van- tajosa do que as salas de aulas por proporcionar ferra- mentas que na modalidade presencial dificilmente são 118 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias conciliadas, proporcionando aos acadêmicos uma me- lhor compreensão. Kenski (2010) afirma ainda, que a aura da escola depen- de de seus espaços e de seus atores. O espaço da escola é mágico. Onde realiza o milagre contínuo do aprendi- zado e do abrir-se para o mundo. As linguagens da es- cola são múltiplas e diferentes, capazes de transformar o pensamento racional em afeto, o qual se transforma em saudade. E isto desafia, de certo modo, a modalida- de da educação a distância, no que diz respeito a fazer do ambiente virtual de aprendizagem um espaço má- gico, realizando o milagre do aprendizado de “modo transformador”. Entretanto, é possível observar que o ambiente virtual de aprendizagem possui todos os espaços existentes em um ambiente presencial de educação, os quais os acadêmi- cos devem exploram do mesmo modo que explorariam na modalidade presencial. 119 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias Lazilha (2011) apresenta ferramentas do ambiente virtual de aprendizagem que auxiliam o aluno de for- ma ampla e expressa no seu desempenho na EaD. O recurso das ferramentas de gerenciamento pedagó- gico e administrativo permite ao acadêmico o acesso às avaliações e consulta ao seu desempenho e dos demais participantes, assim como consultas a infor- mações de secretaria. Mediante esta ferramenta o acadêmico visualiza suas notas, feedback do profes- sor, registro das ferramentas e conteúdos visitados, quantidade de participações em fóruns, chat e outras atividades; métodos para avaliação, publicação de notas e histórico de disciplinas cursadas, sistema de controle para cadastro de atividades. Deste modo, o espaço mágico tão almejado pelos acadêmicos pode ser alcançado sem que este se desloque de sua zona de conforto, e ainda assim terão todas estas informa- ções e acessos para o conhecimento, mas de forma facilitada. 120 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias A revolução digital trouxe transformação ao espaço educacional e neste contexto o acadêmico pode desen- volver suas atividades, ter o retorno do professor, acom- panhar seu desempenho e o da turma sem estar fisica- mente em um espaço determinado. Para Kenski (2010, p.32) “nas épocas anteriores, a educação era oferecida em lugares física e ‘espiritualmente’ estáveis: nas esco- las e nas mentes dos professores. O ambiente educacio- nal era situado no tempo e no espaço”. Para um melhor êxito na educação a distância, consti- tuiu-se então, diferentes ferramentas de aplicabilidade do ensino, que podem auxiliar o aprendizado do aluno de diferentes formas, para obter um resultado comple- to. Estas são divididas em Ferramentas de informação e documentação, ferramentas de comunicação e ferra- mentas de produção. Lazilha (2011) acredita que as importantes ferramentas para a formação deste ambiente escolar, a priori são as 121 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias de informação e documentação, as quais proporcionam informações institucionais do curso, conteúdose ma- teriais didáticos, download de arquivos e suporte para melhor conhecimento do ambiente. Alguns elementos são: mural virtual, catálogo de cursos, listagem de novos cursos, agenda do curso, servidor de arquivos entre ou- tros. Antigamente havia apenas um local definido para obter tais informações, no qual o acadêmico deveria estar neste âmbito para adquiri-las. Tratava-se de um compromisso cotidiano, pois, sem este não era possível obter o aprendizado: O espaço e o tempo de ensinar eram determinados. “Ir à escola” representava um movimento, um deslo- camento até a instituição designada para a tarefa de ensinar e aprender. O “tempo da escola”, também determinado, era considerado como tempo diário que, tradicionalmente, o homem dedicava à sua aprendizagem sistematizada. Correspondia, tam- bém, na sua história de vida à época que o homem dedicava à formação escolar (KENSKI, 2010, p.30). 122 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias Hoje, além deste local já definido para o aprendizado, existem também outras formas para estudar, aprender e obter um retorno a nível superior, sem que o indivíduo vá a uma sala de aula todos os dias. No ambiente virtual de aprendizagem existem tam- bém as ferramentas de comunicação, e Lazilha as defi- ne como as ferramentas que propiciam a facilitação da conversa síncrona e assíncrona entre os participantes dos ambientes. Como fórum de discussão, Chat, E-mail, ambiente colaborativo 3D entre outros. Para um melhor entendimento, podemos observar que existem dois tipos de comunicação, a comunicação Síncrona e a comunicação Assíncrona, e estas são de suma importância para o processo de ensino aprendi- zagem na modalidade da educação a distância. O pes- quisador Hass (2004, p.23) define a comunicação assín- crona como “[...] aquela em que os interlocutores não precisam estar conectados ao mesmo tempo para a 123 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias troca de mensagens. Ela não ocorre, portanto, em tem- po real. É o caso típico do correio eletrônico”. Ou seja, devido este tipo de comunicação se faz possível o envio de textos, documentos entre outros materiais inerentes as aulas, tanto para o professor como para os demais alunos. Fonte: shutterstock Para Palloff e Pratt (2002, p.157) “a possibilidade de 124 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias enviar documentos anexos aos e-mails é algo extrema- mente útil para os cursos de redação on-line e também para a realização de tarefas em grupo”. Já a comunicação síncrona é aquela onde os interlocuto- res estão conectados no instante em que ocorre o envio da mensagem, portanto para Hass (2004, p.23) a comu- nicação síncrona é aquela que “[...] exige que os interlo- cutores estejam conectados ao mesmo tempo em que a troca de mensagem acontece. Trata-se, assim, de uma comunicação em tempo real. Salas de bate-papo (ou chatrooms) e a videoconferência [...]”. Esta comunicação proporciona a interatividade semelhante à sala de aula presencial, no entanto para que isso ocorra “os alunos precisam reunir-se no ciberespaço assim como fazem no campus universitário. [...] eles precisam estabelecer uma sensação de presença on-line [...]” (PALLOFF; PRATT, 2002, p.34). As últimas ferramentas são as de produção, Lazilha 125 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias (2011) as descreve, como as que permitem o desenvol- vimento do processo, do ensino e da aprendizagem, por meio da realização de atividade e resolução de pro- blemas dentro do ambiente, os quais são: conjunto de atividades, tarefas e problemas, aplicativos de labora- tórios virtuais interativos e similares entre outros. Para que aconteça o desenvolvimento do processo ensino e aprendizagem é preciso que o acadêmico explore e co- nheça estas ferramentas: O aluno precisava deslocar-se regularmente até os lugares do saber - um campus, uma biblioteca, um laboratório – para aprender. Na era digital, é o sa- ber que viaja veloz nas estradas virtuais da informa- ção. Não importa o lugar em que o aluno estiver: em casa, em um barco, no hospital, no trabalho. Ele tem acesso ao conhecimento disponível nas redes, e pode continuar a aprender (KENSKI, 2010, p.32). Deste modo Palloff e Pratt (2002) afirmam que o su- cesso das aulas, reuniões, oficinas e os seminários no ambiente on-line, dependem de como os participantes 126 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias conduzem as aulas. Para que tenha uma boa adminis- tração é preciso que os integrantes tenham acesso à tecnologia e estejam familiarizados com ela, de modo que se sintam à vontade. São estes fatores que contri- buirão para a sensação de bem-estar e uma maior inte- ração dos participantes. É por meio do ambiente virtual de aprendizagem e de suas ferramentas que ocorre a interação entre o aluno e o docente, proporcionando, assim, o desenvolvimento do processo de ensino aprendizagem. Inicialmente, foi levantado um questionamento a res- peito do ambiente escolar a distância, e se este pode se assemelhar ao ambiente escolar presencial. Como já vimos anteriormente Kenski (2010) acredita que é a presença humana com suas emoções e seus sons que dão sentido ao ambiente escolar. Portanto, logo abaixo segue a descrição das emoções, 127 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias relatadas por uma aluna que estuda pelo ambiente vir- tual de aprendizagem: Na noite em que fiquei sabendo da morte de Ari, sentei-me e fiquei olhando para o computador en- quanto lágrimas corriam pelo meu rosto. Sua morte ocorreu uma semana depois de eu ter perdido um colega. Foi difícil para mim. Um sentimento de in- credulidade invadiu-me como um raio. Embora eu venha a dizer mais tarde que os computadores não incorporam um espírito, eles certamente o fizeram durante esse período de luto. Sem o “memorial” ele- trônico, eu não saberia ter lidado com a morte de Ari. Theresa (PALLOFF; PRATT, 2002, p.67). Diante deste relato, podemos observar que na moda- lidade a distância é possível pelo ambiente virtual de aprendizagem, estar presente, de modo que as emoções de cada acadêmico sejam compartilhadas, transforman- do-se em sentimento e permitindo que este ambiente tenha sentido, assim como ocorre no ambiente escolar na modalidade presencial. 128 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias INTEGRANTES DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA A prática docente na modalidade a distância sofre al- gumas fragmentações em relação as suas tarefas, que hora na modalidade presencial são de única e exclusi- va responsabilidade dos docentes. Para Maia e Mattar (2007, p.90) “uma das características em geral associa- das à EAD é o fato de o professor ter deixado de ser uma entidade individual para se tornar uma entidade coleti- va”. O que faz com que o professor não exerça mais sua profissão de modo isolado. Na EAD as responsabilidades docentes são divididas en- tre vários profissionais, os quais, engajados, garantem a eficácia do processo de ensino aprendizagem. “O profes- sor de cursos a distância pode ser considerado uma equi- pe, que incluiria o autor, um técnico, um artista gráfico, o tutor, o monitor etc.” (MAIA; MATER, 2007, p.90). Diante da interação e da modificação que esta modalida- de proporciona, é possível concluir então, que existem 129 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias diferentes funções dos profissionais diretamente liga- dos com o processo de ensino aprendizagem, como por exemplo, os professores e os tutores. Estes apesar de singulares são de suma importância para a elaboração e prática da educação a distância. Para Ruckstadter(2011, p.22) na modalidade EAD “é o professor quem produz o material didático, propõe ati- vidades, elabora as avaliações, grava as aulas e ministra as web-conferências” , ou seja, é aquele que organiza a disciplina. O professor fica responsável pelo planeja- mento, ministração e organização das aulas, estes são os docentes inseridos na EAD possuem desafios, como autoria de materiais, elaboração e organização dos con- teúdos ministrados. Os pesquisadores Maia e Mattar (2007) abordam as ha- bilidades específicas que os professores precisam de- senvolver nesta modalidade, entre elas estão a seleção dos conceitos de cada aula, que não devem ser extensos; 130 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias os materiais planejados devem ser didáticos, para que o aluno tenha tempo suficiente para percorrer as aulas e desenvolver as atividades etc. Estas ações peculiares, são de extrema importância para o bom desempenho e eficácia da aula, as quais permitem aos acadêmicos pos- sibilidades de acompanhamento dos conteúdos abor- dados, interação entre a aula, o material e o desenvolvi- mento das atividades. Ainda sobre as habilidades Maia e Mattar (2007) enfati- zam cuidados que os professores devem ter quanto ao tipo de letra, tamanhos, cores, fundos das mensagens que serão utilizadas nas aulas, além das escolhas do material visual, como: gráficos, tabelas, figuras, ima- gens, fotos entre outros; planejamento de sons e ani- mações além do domínio dos recursos de multimídia. Simples detalhes que devem ser levados em conside- ração pelo professor no momento em as aulas estão sendo preparadas. 131 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias Fonte: shutterstock O docente necessita, também, de um aprendizado con- tínuo, visto que o mundo atual sempre está se atualizan- do, este então, deve se atualizar constantemente para suprir as necessidades de uma boa aula. Dowbor (1996) ao estudar as características da contemporaneidade 132 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias menciona que o trabalho do professor necessita ade- quar às necessidades do momento. Para isso, ele pre- cisa dominar a tecnologia e aprender a produzir textos, explorar imagens, analisar vídeos porque a revolução tecnológica se aprofunda a cada dia. O professor, anal- fabeto digital não tem lugar nesta sociedade. Após a definição da atuação docente na modalidade da EAD, questiona-se então, como o professor conseguirá acompanhar todos os alunos nesta modalidade, sem a presença física? Visto que os mesmos estão espalha- dos pelos mais diversificados e distantes estados. Como será a correção destas atividades? Como ocorrerão as orientações em relação ao conteúdo ministrado nas au- las e em relação ao ambiente virtual de aprendizagem? Certamente o professor não será capaz de conduzir e acompanhar todo o processo de ensino e aprendizagem sozinho. Sendo assim, nesta modalidade existe a pre- sença do tutor, o qual de modo geral: 133 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias [...] tem como papel central o apoio docente a um professor. Esse apoio geralmente se dá em uma das disciplinas de um curso, na sua preparação de ma- terial didático e no acompanhamento das ativida- des desenvolvidas. Espera-se também que este seja responsável pelas ferramentas de avaliação, assim como, na análise dos trabalhos dos alunos. Além disso, tem por tarefa o encaminhamento de dúvi- das dos alunos aos professores, promovendo maior interatividade entre os mesmos, e com o corpo do- cente. Atua, ainda, no esclarecimento de dúvidas dos alunos através de e-mail, fórum, telefone ou pesso- almente, no recebimento e controle de entrega dos trabalhos. [...] Um ponto fundamental é estar aten- to às necessidades do aluno, fazendo pontes entre as demandas dos alunos e propostas do professor, podendo agir de maneira a solucionar as questões tanto teóricas quanto de situações do dia-a-dia. Isso quer dizer que o tutor deverá estar atento no nível de interatividade dos alunos, para então identificar quais alunos não estão interagindo e tentar resgatar a relação interativa (JAEGER; ACORSSI, s.d, s.p.). O tutor avalia, portanto, o desempenho dos alunos e instrui estes acadêmicos por meio do atendimento. 134 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias Quanto aos professores das disciplinas, é o tutor quem presta assessoria em relação à elaboração do material e acompanha as atividades desenvolvidas e aplicadas aos acadêmicos. Para que os acadêmicos não se percam em relação aos prazos e aos objetivos esperados, os tutores devem or- ganizar “[...] a classe virtual, definindo o calendário e os objetivos do curso, dividindo grupos e deixando claras as expectativas em relação aos alunos, principalmen- te no sentido da interação esperada” (MAIA; MATTAR, 2007, p.91). Maia e Mattar (2007) apresentam outras responsabili- dades do tutor, por exemplo, a definição das regras do curso a distância, o controle do tempo para o acesso ao material e a realização das atividades, a indicação do iní- cio e o término das atividades para que os acadêmicos estejam atentos em relação aos prazos das atividades que devem ser realizadas. Estas ações servem para que 135 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias o contato inicial e o contato que ocorre durante o curso, que é feito pelo Tutor, por meio de mensagens de boas- -vindas, agradecimentos, informações etc., seja de total eficácia. Este deve instigar a apresentação dos alunos, liderar os que são mais tímidos, além de ter o dever de gerar um senso de comunidade na turma que conduz, proporcionando constantemente o feedback aos seus alunos. Maia e Mattar (2007) acreditam ainda, que para o suces- so da educação a distância o tutor deve prestar orien- tação extra-aula, deve oferecer um suporte para os alu- nos, deve incentivar a pesquisa, desenvolver perguntas, coordenar as discussões, sintetizar os pontos principais das discussões e relacionar os comentários que não es- tão de acordo com o grupo de discussão, objetivando o clima intelectual geral do curso e encorajando a cons- trução do conhecimento. Para eles é papel do tutor, o auxílio aos acadêmicos em relação à interpretação do 136 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias material visual e multimídia, pois são os tutores quem avaliam de certo modo o rendimento dos alunos, e esti- pulando os critérios de avaliação. Portanto, pode-se perceber que a EAD atinge seu obje- tivo quando os três principais sujeitos (professor, tutor e aluno) atuam de forma interligada, haja vista, que em conjunto, cada um executando sua função com excelên- cia chega a um denominador comum que é uma apren- dizagem transformadora. PAPEL DO ALUNO ONLINE Até o momento estudamos o papel do Professor e do Tutor na modalidade de da Educação a Distância, vimos que o professor deixou de ser uma entidade individu- al, porém acredito que você está ansioso(a) para saber como o aluno deve agir para que a aprendizagem trans- formadora ocorra. 137 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias Segundo Nosella (2010) e o conteúdo que já estudamos na primeira unidade o advento do computador tornou a vida mais dinâmica, este aproximou as pessoas e que- brou fronteiras. Sua linguagem cibernética provoca a ra- pidez de respostas e a flexibilidade do pensamento que, deve interpretar os dados e relacioná-los com os exis- tentes num processo de análise e síntese. Em meio a este contexto tecnológico que a EAD está in- serida é possível criar um novo modo de aprendizado e interatividade entre os sujeitos do processo de ensino eaprendizagem. Neste contexto o aluno tem a oportunidade de aprender online, unir as vantagens tecnológicas com as da sala de aula sem precisar se deslocar para o ambiente físico escolar. Contudo é essencial que no ambiente online ocorra a aprendizagem transformadora, a qual faz com que os acadêmicos sejam motivados a elogiar, falar a favor 138 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias da aprendizagem, e estarem neste meio, “[...] explicar suas crenças, a avaliar suas evidências e justificativas e a julgar argumentos para atingir o objetivo máximo de crescimento pessoal, independência e pensamen- to crítico” (AQUINO, 2007, p.25). Para que ocorra aprendizagem transformadora no am- biente online é necessário que o aluno assuma uma nova postura, diferente da encontrada na modalidade presencial, onde: Durante muitos anos o ensino aprendizagem foram considerados intimamente ligados, ou seja, para acontecer aprendizagem era necessário que houves- se ensino e vice-versa. Isso se dava principalmente em função de haver uma crença de que aprendiza- gem era centrada no professor, que assumia total responsabilidade e controle pelo processo. Isso ca- racterizava a chamada pedagogia, cujo significado, para muitas pessoas, confundia-se com o de ensinar (AQUINO, 2007, p.10). Esta crença não existe na educação a distância, pois, o 139 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias acadêmico tem que conscientizar-se de que nesta mo- dalidade a aprendizagem não é centrada no professor, e este não assume toda a responsabilidade do processo ensino aprendizagem. Como vimos neste artigo existe o tutor que auxilia neste processo, mas é o aluno quem se dedica ao aprendizado e ao estudo, fazendo com que o ensino seja completo. Assim sendo, cada um assumirá sua responsabilidade. O aluno do EAD possui uma postura diferenciada peran- te a EAD, trata-se de um papel inovador, uma caracterís- tica peculiar. 140 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias Fonte: shutterstock O acadêmico deve ter ciência que uma das abordagens utilizada será a andragogia, a qual presume que o acadê- mico na modalidade EAD é “[...] adulto, que sabe o que quer, estabelece os seus objetivos, é autônomo e pre- cisa de conhecimento e habilidades para desempenhar bem sua função social e profissional” (CORTELAZZO, 2009, p.143). Segundo Aquino (2007) Malcolm Knowles define a 141 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias andragogia como a arte de auxiliar adulto a aprender, onde a responsabilidade pela aprendizagem é dividida entre os sujeitos do processo ensino aprendizagem, professor e aluno. O acadêmico é estimulado a buscar a independência e responsabilidade por aquilo que ele acha que é necessário apreender, assim a aprendiza- gem é centrada no aprendiz. O professor e o tutor são os sujeitos responsáveis por auxiliar o aluno, estes in- centivam, estimulam, apoiam, fornece suporte, acompa- nham o discente. O aprendiz deve desenvolver algumas aprendizagens “no novo ambiente, podemos falar de aprendizagem auto-responsável, auto-planejada, au- to-organizada, independente e auto-regulada, além de não-linear e não sequencial [...]” (MAIA; MATTAR, 2007, p.85). O professor não educa sozinho, ele depende do outro e, na EAD cria-se uma interdependência entre o professor, tutor e o aluno que, estes sujeitos são aprendizes, sendo 142 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias que os docentes passam a ter um novo papel nesta era, deixando de ser o detentor do saber e assumindo a fun- ção de mediador: [...] as funções da tutoria são: acolhida, acompanha- mento, orientação e avaliação. Cada uma delas pre- cisa ser exercida com a colaboração do aluno. A ação do tutor não implica um movimento unidirecional, mas uma interação social comunicativa intencional que só acontece com efetividade e eficácia se hou- ver a participação de todos os envolvidos. A simples presença do Aluno ouvindo o tutor não concretiza a interação do tutor se comunicar. Há, pois, uma res- ponsabilidade de ambas as partes para essa intera- ção (CORTELAZZO, 2009, p.141). Oliveira (2010, p.238) conclui que “ao lidar com a EAD o papel do educador é cada vez mais promover a auto- nomia de quem aprende, a fim de que ele se veja como sujeito pensante e atuante, capaz de produzir conheci- mentos”. Deste modo, o docente não é mais o detentor 143 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias do saber e o acadêmico deixou de ser conceituado numa perspectiva acrítica, como aquele ser não questionador, passivo frente ao conhecimento, indivíduo que recebia o conhecimento transmitido pelo professor e não o re- lacionava com o seu contexto, só o reproduzia alienada- mente. O papel do discente mudou, este evoluiu. Além deste modelo de aprendizagem, o aluno deve desenvolver a heutagogia que é a aprendizagem “au- todeterminada pelo indivíduo que desenha a sua traje- tória, o que precisa e vai aprender, sem uma estrutura- ção definida por uma instituição ou por um professor” (CORTELAZZO, 2009, p.143). Embora na modalidade EAD tenha a presença e o auxilio dos professores e tu- tores é necessário que aluno desenvolva a aprendiza- gem da heutagogia, visto que este deve traçar um tra- jeto em relação aos seus horários de estudos, de modo que desenvolva a autonomia e independência quanto ao desenvolvimento e entrega das atividades, acesso 144 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias a aula, avaliações, leitura do material, pesquisas etc. O acadêmico alcançará estas habilidades pela interação e autodeterminação: O aluno pode interagir com o conteúdo de diversas maneiras: navegando e explorando, selecionando, controlando, construindo, respondendo, entre ou- tras. O aluno pode, hoje, também criar seu ambiente pessoal de aprendizagem, personalizar o conteúdo com o qual deseja interagir e, inclusive, contribuir para o aperfeiçoamento do material utilizado nos cursos (LITTO; FORMIGA, 2009, p.116). Outra estratégia importante para o aluno virtual é a “metacognição” que é definida como a capacidade “[...] de avaliar continuamente a sua compreensão, analisar abordagens alternativas, selecionar uma ou mais abor- dagens e reavaliar sua compreensão” (HANNAFIN et al., 2033, p.246 apud MAIA; MATTAR, 2007, p.84). Assim o acadêmico avaliará o seu próprio desempenho por meio 145 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias da observação de sua aprendizagem, ou seja, ele tem a responsabilidade de se autoavaliar. Neste contexto os autores Maia e Mattar (2007) relatam sobre o desafio que o acadêmico online deve superar, em relação às diferentes abordagens que deve adotar para o êxito de seu aprendizado. O qual tem que desen- volver a capacidade de “aprender a aprender”, não so- mente por meio da instituição de ensino, mas por meio das diversificadas situações que enfrentará na vida. A essência não está no acumulo de conhecimentos, mas na capacidade de transformar as informações obtidas em conhecimento. Os Alunos online que assumem este modelo de apren- dizagem, e executam as suas responsabilidades e obri- gações, sem dúvidas alcançam o êxito do aprendizado e obtêm além de tudo, a aprendizagem transformadora, a qual é capaz de superar as exigências do mundo atual: 146 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias O mundo atualmente exige um profissional crítico, criativo, com capacidade de pensar, de aprender a aprender, de trabalhar com grupo e de conhecer o seu potencial intelectual, com capacidade de cons- tante aprimoramento e depuração de idéias e ações. Certamente, essa nova atitude não é possívelde ser transmitida, mas deve ser construída e desenvolvi- da por cada indivíduo, ou seja, deve ser fruto de um processo educacional em que o aluno vivencie situa- ções que lhe permitam construir e desenvolver essas competências. E o computador pode ser um impor- tante aliado nesse processo (VALENTE, 1999, p.20). A modalidade a distância proporciona para os alunos, meios para que estes desenvolvam o aprendizado e descubram o sentido da educação, que para Oliveira é “[...] problematizar a vivência social e deve levar as pes- soas a desconfiarem da “inexorabilidade do futuro”, ou seja, elas precisam acreditar que a mudança é possível e que a educação é uma maneira de construí-la” (2010, p.227). A EAD é um meio eficaz para obter o sentido que a educação proporciona, ela é interdisciplinar e visa or- ganizar o conhecimento para que o aluno o construa de 147 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias modo autônomo. FIQUE POR DENTRO Brasil Escola. Confira a coluna de Rodiney Marcelo Especialista em Educação a Distância (SENAC) no link <http://www.brasi- lescola.com/educacao/aprendizagem-ead.htm>. Acesso em 20 de junho de 2013. CONSIDERAÇÕES FINAIS No decorrer desta unidade verificamos como e por que utilizar recursos computacionais na área da edu- cação, como complemento na didática em sala de aula. Demonstrando algumas ferramentas que podem auxi- liar no processo de ensino e aprendizagem, e onde estas provocam um tipo de resistência à mudança por parte de alguns educadores, mas que isso pode ser revertido, se bem trabalhado com estes docentes. Existem várias 148 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias maneiras de utilizar a tecnologia em benefício para a Educação, como a utilização do Ambiente Virtual de Aprendizagem, do qual podemos estudar, realizar cur- sos, do seu próprio computador, utilizando a internet, um ótimo recurso para auxiliar na didática dos conteú- dos ministrados em sala de aula. Na terceira e última unidade deste livro, definiremos o que é didática e a história da didática no Brasil, pois mui- tas influências da história da didática impede que os do- centes tenham êxito no processo de ensino e aprendiza- gem. Abordaremos também três saberes fundamentais de Paulo Freire (2006) para a prática docente, os quais conciliados com a utilização das tecnologias promove- rão uma educação de excelência. INDICAÇÃO DE LEITURA Para saber mais sobre a modalidade de Educação a 149 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias Distância, sugiro a leitura do livro “O estudo em Ambiente Virtual de Aprendizagem: um guia prático” de Antônio Siemsen Munhoz. Livro: O estudo em Ambiente Virtual de Aprendizagem: um guia prático Autor: Antônio Siemsen Munhoz Editora: Ibpex Sinopse: esta obra analisa as al- terações na forma de se estudar decorrentes do uso mais intenso das novas tecnolo- gias de Ensino a Distância (EAD), em especial a utiliza- ção do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e da Comunidade de Aprendizagem Virtual (CAV). Por meio de uma leitura prática e de fácil linguagem, visa possi- bilitar ao estudante – principalmente aquele de idade adulta – uma nova forma de percepção do processo de ensino-aprendizagem. 150 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias ATIVIDADES 1) Faça uma pesquisa na internet ou em outras biblio- grafias em busca de outros tipos de recursos compu- tacionais que podem ser utilizados em sala de aula e como estes podem influenciar no processo de ensi- no e aprendizagem. 2) Explique o motivo pelo qual alguns educadores pas- sam pelo processo de mudança com muita resistên- cia e dê dicas de como quebrar paradigmas. 3) Após a leitura da Unidade referente à modalidade de Educação a Distância, discorra a respeito da sua importância e suas influências para a Educação. 4) Dos integrantes da EAD apresentados nesta Unidade, discorra sobre o Tutor e Professor, bem como suas responsabilidades. 5) Discorra sobre o Papel do Aluno Online frente ao processo de ensino e aprendizagem. O educador e a inovação tecnológica UNIDADE 3 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Definir o que é didática. • Abordar a história da didática no Brasil. • Apontar as influências tradicionais e o paradigma conservador que a história da didática no Brasil traz para a prática docente ainda nos dias de hoje. • Contribuir para que a ação docente possa praticar o exercício do ensinar e do aprender na inter-relação com a realidade sociocultural e tecnológica. • Orientar o docente para que saiba que não há docência sem discência. • Demonstrar ao professor que ensinar não é transferir conhecimento. • Compreender que ensinar é uma especificidade humana. • Demonstrar que o docente poderá utilizar os três saberes para a inclusão das tecnologias em sala de aula. • Como ter êxito no processo de ensino e aprendizagem por meio dos saberes e das tecnologias.. Kátia Montalvão; Natalia Aguiar de Menezes PLANO DE ESTUDO Serão abordados os seguintes tópicos: • Definição da didática • Primeira fase da história da didática no Brasil: a ação pedagógica dos Jesuítas no período colonial e suas influências na prática docente • Século XX inicia a segunda fase da história da didática no Brasil • Educando na Era Digital: saberes necessários para inclusão dos recursos tecnológicos no processo de ensino e 153 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias INTRODUÇÃO Olá, Caro(a) Acadêmico(a)! Chegamos à unidade III, é uma conquista e estamos feli- zes por termos colaborado com o seu aprendizado, po- rém já sentimos saudades, visto que por mais atuais que são os assuntos abordados neste livro, o dinamismo da contemporaneidade e as suas mutações contínuas, fa- rão com que logo surjam tecnologias mais avançadas, assim não limite-se aos conteúdos abordados apenas neste material. Esperamos que você alcance a apren- dizagem transformadora e a autonomia de renovar-se continuamente. Cremos que apenas aguçamos a sua curiosidade e o estimulamos a sua reflexão crítica. Até o momento abordamos as mudanças que o avan- ço tecnológico trouxe para a sociedade em geral, o qual nos proporcionou vivenciarmos a era da informação e ou conhecimento, as tecnologias de informação (TICs), as quais não podemos mais desenvolver as nossas 154 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias atividades sem elas. Comprovamos que precisamos passar pelo processo de Inclusão Digital, abordamos as vantagens da utilização da tecnologia na educação e que ela é necessária para promover a educação eficaz. Discutimos sobre a Inovação e tecnologias educacionais, abrangemos as tecnologias educacionais com ênfase no computador e nos recursos computacionais que podem ser aplicados na Educação e abrimos um tópico espe- cial de como utilizarmos a Internet na Educação, a qual proporcionou que a educação ultrapassasse as paredes das salas de aulas e alcançasse os ambientes virtuais de aprendizagem e descrevemos as posturas que os sujei- tos do processo ensino aprendizagem devem ter para alcançar a educação transformadora. Preparemo-nos para um momento especial, talvez o mais importante para a prática docente, o qual será abordado na unidade III, é a prática dos sujeitos do pro- cesso ensino aprendizagem, a qual foi influenciada ao 155 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias logo da história e exige uma nova postura dos integran- tes para alcançar a eficácia no processo ensino aprendi- zagem na era do conhecimento. Vamos adentrar a mais esta unidade, assim contamos com a sua companhia e interação. DEFINIÇÃO DA DIDÁTICA A obraDidática Magna de Comênio publicada em 1957 define didática como a arte de ensinar. É longa e signi- ficativa à história da didática no contexto escolar, ela é traduzida ao longo dos anos como uma ação pedagó- gica com finalidade de expressar o conhecimento cien- tífico, filosófico, educacional produzido pelo homem historicamente. Gasparim (2005, p.32) afirma que a di- dática tem origem “[...] desde fora da escola como uma apreensão filosófico-científico-educacional-medotoló- gica e torna-se na escola uma resposta teórico-prática 156 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias na transmissão-assimilação dos conteúdos que, por sua vez, se originam na vida extra-escolar”. Desta forma, essa afirmativa nos faz compreender a didática a partir da dinâmica da sociedade, como um produto histórico dos homens para atender as necessi- dades causadas pelas mudanças nas estruturas sociais, que são refletidas também no ambiente escolar. Fonte: shutterstock No contexto escolar a didática utilizada pelo professor 157 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias é de extrema importância para a compreensão e apro- priação do aluno ao conhecimento científico e sistemati- zação, de forma que o conteúdo se torne um elemento fundamental em sua vida. Para concretização de uma ação didática compreendida com o exercício da ciência, que leve o aluno a uma visão de mundo crítica, criativa e reflexiva, que possibilite a ligação entre teoria e prática, cabe ao docente ao explicar os conteúdos uma metodo- logia semelhante a um projeto de pesquisa com tema, problema, hipóteses e considerações, como relata a professora Mestre Mura (2009, p.61) “trata-se de uma busca de conhecimento que possa transcender a visão simplista rumo à universalização do pensamento e da ação, que ultrapasse os conceitos gerais e particulares na compreensão do conteúdo proposto”. Assim, o pro- fessor tem que estar preparado para desenvolver o aca- dêmico, pois: 158 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias O mundo atualmente exige um profissional crítico, criativo, com capacidade de pensar, de aprender a aprender, de trabalhar com grupo e de conhecer o seu potencial intelectual, com capacidade de cons- tante aprimoramento e depuração de idéias e ações. Certamente, essa nova atitude não é possível de ser transmitida, mas deve ser construída e desenvolvi- da por cada indivíduo, ou seja, deve ser fruto de um processo educacional em que o aluno vivencie situa- ções que lhe permitam construir e desenvolver essas competências. E o computador pode ser um impor- tante aliado nesse processo (VALENTE, 1999, p.20). Entretanto, para que essas ações docentes se concre- tizem o professor precisa buscar sustentação em um referencial teórico que tenha ampla relação com práxis social, que incentive e desperte a curiosidade dos alunos e que lhes de abertura para uma visão crítica criativa. Antes de adentrarmos na didática que o Professor tem que ter na sala aula frente às TIC e ao dinamismo que o mundo contemporâneo proporciona, se faz funda- mental resgatarmos um pouco da história da didática 159 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias no Brasil. Para a pesquisadora Veiga (2011) a história da didática é dividida em dois períodos, o primeiro período abrange os anos 1549 até 1930 até hoje. A AÇÃO PEDAGÓGICA DOS JESUÍTAS NO PERÍODO COLONIAL E SUAS INFLUÊNCIAS NA PRÁTICA DOCENTE É de suma importância resgatar as influências que a Educação no Brasil teve desde o seu processo de Colonização, para entendermos as práticas docentes pre- sentes no ambiente escolar, as quais progressivamente têm sido substituídas e os resquícios que ainda restam precisam desaparecer para que uma aprendizagem efi- caz ocorra. A educação no Brasil não era constituída por um va- lor social relevante, visto que surgiu em um cenário não favorável, a sua economia era classificada como 160 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias agrário-exportadora-dependente, ou seja, era explo- rada pela metrópole e dependia dela, a metrópole era Portugal. A catequese e a informação dada aos índios eram consideradas como uma atividade educativa, mas é importante destacar que a elite colonial desfrutava de uma educação privilegiada (VEIGA, 2011). Tal contexto fez com que a educação no Brasil fosse en- gessada, o pesquisador Veiga (2011, p.34) descreve que “a ação pedagógica dos jesuítas foi marcada pelas for- mas dogmáticas de pensamento contra o pensamento crítico. Privilegia o exercício da memória e o desenvolvi- mento do raciocínio [...]”. A autora relata que os Jesuítas assumiram o papel de educadores do ano de 1549 até 1759, sendo os principais educadores e os que perma- neceram por mais anos, eles atuaram em todo o perío- do colonial do Brasil. Neste contexto Veiga (2011, p.34) conclui que “não se po- dia pensar em uma prática pedagógica e muito menos 161 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias em uma didática que buscasse uma perspectiva trans- formadora na educação”. Os Jesuítas usavam o Ratio Studiorun que era um plano de instrução: Quando o Ratio Studiorun discorre sobre o “método de estudar, repetir e disputar”, deixa evidente que o trabalho didático se compõe de duas etapas fun- damentais. A primeira delas corresponderia à predi- lectio, que girava em torno da figura e da ação do professor. A preleção, como o próprio termo indica, era entendida como “lição antecipada, uma explica- ção do que o aluno deverá estudar”. Algumas vezes, antes da preleção, “recitava-se de cor um trecho la- tino em prosa ou verso”. Contudo, quase sempre, as atividades de ensino eram desencadeadas com base na “leitura e o resumo do texto”. A leitura do texto podia incidir sobre uma carta, um documento ou um trecho de obra clássica (ALVES, 2005, p.46). Os Jesuítas assumiram a educação por 210 anos, até que no ano de 1759 Marquês de Pombal expulsou os Jesuítas do Brasil, visto que tinha em mente organizar 162 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias a escola para suprir os interesses do Estado, enquanto que as escolas da Companhia de Jesus objetivavam ser- vir os interesses da fé (BÔAS, 2008). Embora os interesses de Pombal fossem alavancar a economia do Estado, não foi isso que ocorreu, pois com a retirada dos jesuítas do Brasil pedagogicamente hou- ve um retrocesso: Após os jesuítas, não ocorreram no país grandes movimentos pedagógicos, como são poucas as mu- danças sofridas pela sociedade colonial e durante o Império e a República. A nova organização instituída por Pombal representou, pedagogicamente, um re- trocesso. Professores leigos começaram a ser admi- tidos para as “aulas-régias” introduzidas pela refor- ma pombalina (VEIGA, 2011, p.35). Segundo Bôas (20011), durante quarenta anos o Brasil permaneceu estagnado, até a vinda da família real para o país, a qual ocorreu no ano de 1807 por transferirem o reino para a cidade do Rio de Janeiro, pois estavam 163 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias fugindo de Napoleão, propiciando a vinda de dom Pedro para o Novo Mundo. O autor alega que a vinda da famí- lia real não determinou um novo sistema educacional, porém gerou as bases para um rompimento definitivo com o modelo adotado pelos jesuítas e deu um novo fôlego às mudanças que iniciaram no ano de 1760. “Buscando construir um modelo diferente que moder- nizasse a colônia, dom João VI fundou academias mili- tares, escolas de Direito e Medicina, a Biblioteca Real, o Jardim Botânico e a Imprensa Régia” (BÔAS, 2008, p.27). Veiga (20011) relata que o período marcado pela ex- pansão cafeeira e tambémda passagem de um modelo agrário-exportador para um urbano-comercial-exporta- dor, o Brasil viveu o seu período de iluminismo, o qual ocorreu por volta de 1870: Com a proclamação da República, vieram novas ten- tativas de reforma que almejavam fazer evoluir a educação brasileira, mas nenhum resultado efetivo 164 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias foi alcançado. Os gestores do período tentaram ado- tar o modelo positivista – corrente filosófica desen- volvida com base no Iluminismo (que afastava ra- dicalmente a teologia ou metafísica e se associava às ciências experimentais) -, iniciada pelo francês Augusto Comte (1789-1857) (BÔAS,2008, p.28). Após esses acontecimentos, o Estado assume a laicida- de suprimindo o ensino religioso nas escolas públicas, com a aprovação da reforma de Benjamin Constant no ano de 1890, a qual teve influência do positivismo. Deste modo, a escola passou a propagar uma visão burguesa de mundo e sociedade, com o propósito de garantir a consolidação da burguesia industrial como classe domi- nante. Veiga (2011). Ainda segundo a autora, os indícios de surgimento da pedagogia tradicional em sua verten- te leiga são devido aos pareceres de Rui Barbosa ocorri- do no ano de 1882 e a primeira reforma republicana de Benjamin Constante no ano de 1890. Tal vertente leiga da pedagogia tradicional para Saviani 165 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias (1984b, p. 274) “[...] mantém a visão essencialista de ho- mem, não como criação divina, mas aliada à noção de natureza humana, essencialmente racional. Inspirou a criação da escola pública, laica, universal e gratuita”. Para Veiga (2011, p.35) correspondem as seguintes características: A essa teoria pedagógica corresponderiam as se- guintes características: a ênfase no ensino humanís- tico de cultura geral, centrada no professor, que transmite a todos os alunos, indistintamente, a ver- dade universal e enciclopédica; a relação pedagógica se desenvolve de forma hierarquizada e verticalista, onde o aluno é educado para seguir atentamente a exposição do professor; o método de ensino, calca- do nos cinco passos formais de Hebart (preparação ou apresentação, comparação, assimilação, genera- lização e aplicação). É nesse contexto da pedagogia tradicional leiga que a didática no Brasil surge e que Veiga (2011, p.36) define 166 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias como uma prática “[...] centrada no intelecto, na essên- cia, atribuindo um caráter dogmático aos conteúdos; os métodos são princípios universais e lógicos [...]”. A au- tora conclui que o professor tornou-se centro do pro- cesso de aprendizagem e o aluno um indivíduo passivo e receptivo, onde a atenção, o silêncio e a ordem são alcançados por meio da disciplina. SÉCULO XX INICIA A SEGUNDA FASE DA HISTÓRIA DA DIDÁTICA NO BRASIL Segundo Mura (2009) no começo do século XX, o anal- fabetismo predominava no Brasil, o qual não favoreceu o processo de produção capitalista que acelerava o de- senvolvimento urbano-industrial. Para a pesquisadora Mura (2009, p.34) foram criados “[...] em meio a esse ar- senal de mudanças na estrutura sociocultural, anseios de progresso social e prosperidade para a nação, em vista do progresso mundial que se instalou na Europa 167 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias com as revoluções capitalistas”. Deste modo, na década de 30 o Brasil foi influenciado pela crise mundial capitalista, provocando a crise cafe- eira, sendo preciso implantar o modelo socioeconômico de substituição de importação, ao mesmo tempo, origi- nou-se o movimento de reorganização das forças eco- nômicas e políticas, tal movimento provocou confrontos e ficou denominado como a Revolução de 1930, inician- do uma nova fase da República do Brasil, visto que al- mejavam derrubar o sistema oligárquico e instalar uma nova forma de Estado (VEIGA, 2008). A Revolução de 1930 trouxe o modelo de produção capitalista para o Brasil. A acumulação de capital, durante a República Velha, permitiu o crescimento do mercado interno e da produção industrial, que demandavam um capital humano especializado. Por uma necessidade econômica (e não social), era pre- ciso, talvez pela primeira vez na história, investir na educação. Para coordenar esse esforço, criou-se o Ministério da Educação e Saúde Pública em 1930 e, 168 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias em 1931, o governo provisório estabeleceu os parâ- metros para funcionamento de um ensino secundá- rio e de universidade brasileira (até então inexistentes em terras tupiniquins). Com base nesses fundamen- tos, em 1934 foi criada a Universidade de São Paulo, seguida da Universidade Federal do Distrito Federal, que contava com um Faculdade de Educação (BÔAS, 2008, pp.28-29). Ainda neste início do século XX, é importante destacar que o cenário da educação brasileira fez com que polê- micas fossem geradas, propiciando “um movimento de desestabilização da abordagem tradicional à medida que manifestações de apoio à Escola Nova surgiam em meio às divergências políticas educacionais lançadas pelo Manifesto dos Pioneiros da Educação Brasileira, a partir da década 30” (MURA, 2009, p.33). Assim, as críticas nes- se período em relação ao ensino tradicional, o qual qua- se não supria a necessidade social industrial, deram ori- gem a outras buscas com o objetivo de ter novos modos 169 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias de ensinar. Neste contexto, Mura (2009, p.33) conclui que “[…] as velhas e novas formas de ensino-aprendi- zagem se entrecruzaram, foi se consolidando um novo modelo, compatível às exigências econômicas e político- -ideológicas difundidas pela nova teoria educacional, a qual surgiu em meio ao movimento escolanovista”. [...] o ensino-aprendizagem centrado no aluno, pers- pectiva da Escola Nova, na qual o aluno “deveria ser ativo”, participar diretamente do seu processo de aprendizagem. São os “métodos ativos” que direcio- nam o processo de “construção do conhecimento”. Os conteúdos representam os meios para o desen- volvimento de habilidades e capacidades cognitivas, propiciados para este fim (MURA 2009, p.40). Segundo Veiga (2008), no ano de 1937 Vargas assumiu o poder com auxílio de grupos militares e com apoio da classe burguesa e implantou o Estado Novo ditatorial, 170 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias o qual permaneceu até 1945, os debates educacionais foram cessados nesse período. No mesmo ano foi escrita a nova Constituição, a qual de um modo explícito orientou às políticas educacionais para suprir as demandas de produção, visto que sugeriu uma grande demanda por de mão de obra qualificada, o intuito era suprir as necessidades ocasionadas pelas novas atividades abertas pelo mercado, por meio do en- sino pré-vocacional e profissional (BÔAS, 2008). Para Veiga (2008, p.49), o Estado Novo favoreceu o “[...] ‘realismo em educação’, ou seja, o processo educativo visto em seus vínculos com a sociedade a que serve mas no desempenho de seu papel de conservação, isto é, a escola como mantenedora do status quo”. Para Mura (2009) a educação desse período era direcio- nada à força de trabalho, a qual seria capaz de acabar com a ignorância e proporcionar avanços no processo 171 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias sociocultural e produtivo do Brasil, com intuito de radi- car a marginalidade que surgiu com o advento do novo modelo de produção industrial. A pesquisadora Mura (2009, p.34) alega que a divulgação dessas ideologias, somadas ao otimismo em “[…] reformar a educação com base em segmentos científicos e psicológicos,até então utilizados na educação européia como base de apoio teórico, seria a âncora para a implantação e reforço da escola pública brasileira”. A pesquisadora Veiga (2008, p.49) conclui que a Educação presente no período do Estado Novo não acabou com enfoque técnico, porém de alguma forma a ele foi in- corporada “[…] a ideia da relação educação-sociedade. Ainda que pretendam uma “aparência de neutralidade” técnica, os renovadores que atuam oficialmente têm de agir em coerência com a política defendida pelo Estado Novo”. No entanto, uma nova guinada aconteceu quan- do o Estado Novo chegou ao fim, pois: 172 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias Uma nova guinada ocorreu com o fim o Estado Novo e das diretrizes totalitárias da Constituição de 1937. A nova constituição determinava o ensino primário obrigatório e outorgava à União o direito de legislar sobre as diretrizes e bases da educação nacional. Novamente, assistiu-se a iniciativas sig- nificativas desenvolvidas em todo o país (talvez o período mais fértil para a educação na história do Brasil) (BÔAS, 2008, p.29). De acordo com Mura (2009, p.34) os debates que ocor- reram na “[...] primeira metade do século XX trouxeram a afirmação dos ideais da escola pública e, em seu em- brião, as reformas necessárias ao atendimento às forças produtivas e ao meio de produção capitalista”. Para Veiga (2008, p.49), “o período situado entre 1930 e 1945 é mar- cado pelo equilíbrio entre as influências das concepções humanistas tradicionais (representada pelos católicos) e humanista moderna (representada pelos pioneiros)”. E para o pesquisador Bôas (2008): O fato mais marcante, contudo, teve início em 1948, 173 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias quando foi encaminhado à Câmara Federal um pro- jeto de reforma geral da educação nacional orga- nizado em três diretrizes: ensino primário, ensino médio, e ensino superior. Essa reforma criou um amplo debate sobre a responsabilidade do Estado e a participação das instituições privadas na educação. Depois de treze anos de acirradas discussões, foi promulgada a Lei n. 4.024, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), em 20 de dezembro de 1961, que atendia às reivindicações da Igreja Católica e dos donos de estabelecimentos particulares de en- sino no seu debate com os que defendiam o mono- pólio do Estado na oferta da educação (BÔAS, 2008, p.29). No entanto, Bôas (2008, p.29) afirma que “a diversida- de de iniciativas e de discussões acerca da educação foi posta abaixo quando, em 1964, um golpe militar classi- ficou todas as tentativas de modificar a educação brasi- leira como ‘comunizantes e subversivas’”. Ele relata que: Por meio de um forte movimento repressivo, da prisão de professores e alunos, da invasão de uni- versidades e do fechamento da União Nacional dos 174 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias Estudantes, o regime militar espelhou na educação o caráter antidemocrático de sua proposta ideológi- ca. Ao mesmo tempo, foi nesse período que ocorreu a primeira grande expansão das universidades no Brasil e a criação do exame classificatório chama- do vestibular (que tinha como meta acabar com os “excedentes” que tiravam notas suficientes para ser aprovados, mas não conseguiam vaga para estudar) (BÔAS, 2008, p.30). A pesquisadora Ribeiro (2010) relata que em pleno pe- ríodo de intensificação da repressão militar, a crise da Escola Nova fez com que a Pedagogia Tecnicista fos- se articulada, assim no ano de 1961 a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº 4.024/61, foi implan- tada, a qual entrou em vigor no ano seguinte em 1962. Desencadeou mudanças e implementações no campo educacional, como “a instalação do Conselho Federal de Educação (CFE) e a elaboração do Plano Nacional de Educação (PNE) por Anísio Teixeira, cujo Plano foi apro- vado pelo CFE em dezembro de 1962 [...]” (RIBEIRO, 175 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias 2010, p.37). A Lei da Educação fez com que ocorresse a descentra- lização, segundo a autora Ribeiro (2010, p.37) “[...] res- ponsabilizando os Estados de organizarem seus siste- mas de ensino. O Estado Nacional vivia um momento de ‘democratização’, que não correspondia ao centralismo provocado pela ditadura instalada, durando pouco tem- po”. Assim: A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1961, em pleno período de intensificação da re- pressão militar, voltou a orientar a educação à pro- fissionalização dos indivíduos. Durante o regime, as questões educacionais assumiram status de ban- deira política, e a “educação” tornou-se catalisadora de pensadores de áreas diversas, que impedidos de exercer a própria profissão, participavam ativamen- te de debates, que lhes proporcionavam alcançar uma profundidade de pensamentos que transcendia às esferas da escola e da sala de aula. Em dezembro de 1996 foi aprovado um texto para o projeto de lei de uma nova LDB, oito anos depois de escrita a nova 176 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias Constituição de 1988 (BÔAS, 2008, p.30). Esses acontecimentos fizeram que a tendência fosse embasada na racionalidade técnica, na eficiência e na produtividade, proporcionou que o foco não estivesse mais voltado ao docente, como na Pedagogia tradicio- nal, muito menos no aluno como na Escola Nova, mas na operacionalização dos meios (RIBEIRO, 2010). Neste contexto, “o professor e o aluno passam a ocupar po- sições secundárias no processo de ensino e aprendiza- gem. A base que orienta essa perspectiva está na cor- rente filosófico-psicológica do behaviorismo” (RIBEIRO, 2010, p.36). Para Kawamura (1990): O avanço do capitalismo monopolista dá as condi- ções básicas para o desenvolvimento do caráter tecnicista na educação. De um lado, a expansão mo- nopolista significa mudanças nos processos de pro- dução e de gestão, que passam a se fundamentar na concentração e centralização das atividades em 177 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias organizações burocráticas e na utilização de equi- pamentos, materiais e processos tecnológicos avan- çados baseados na automação, na informática e no uso de novos materiais. De outro, essa expansão desenvolve a indústria cultural, colocando em dispo- nibilidade um vasto arsenal de meios de comunica- ção de massa e tecnologias de ensino (KAWAMURA, 1990, p.35). Podemos concluir após a recapitulação da história da didática no Brasil que a “[...] educação no Brasil se esta- beleceu através de uma prática conservadora caracteri- zada por três abordagens: abordagem tradicional, abor- dagem escolanovista e abordagem tecnicista” (NOSELLA et al., 2010, p.21), mesmo que “[...] se apresentando em épocas diferentes, todos têm como característica fun- damental a reprodução do conhecimento” (BEHRENS, 2005, p.41). Podem ser apontados como paradigma conservador. 178 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias Fonte: Bôas (2008, p.24) Agora podemos adentrar a prática docente frente às TIC, visto que já resgatamos um pouco sobre a história da didática no Brasil e definimos o que é didática, assim já é possível compararmos as ações que o Professor tem 179 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias que deixar e as que ele deve adotar. No entanto ressal- tamos que este breve relato sobre a história da didática não é o suficiente para você dominar este assunto que é de extrema importância, uma vez que a história da di- dática e as suas particularidades não cabe somente em algumas páginas, mas em uma obra específica, ou até mesmo em alguns volumes destinados a este assunto que é tão relevante. O nosso objetivoé somente situá-lo(a) para que entenda os resquícios da história que os docentes devem aban- donar e as ações que precisam adotar para que o pro- cesso de ensino e aprendizagem seja eficaz e não como o caso que está descrito a seguir no quadro Fique por Dentro, onde os autores Christensen, Horn e Johnson (2009) descrevem uma situação que demonstra clara- mente que não adianta o professor utilizar as TIC se a sua didática não mudar, pois serão meramente uma re- produção de conhecimentos iguais os estudados até o 180 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias momento. É necessário que a prática docente frente às TIC seja di- nâmica que ultrapasse as barreiras postas pelos nossos antecessores, por isso que o próximo tópico desta uni- dade abordará a prática pedagógica que levará o profes- sor utilizar as TIC com os seus saberes alcançando assim a aprendizagem transformadora. REFLITA Maria e suas amigas pulam na arquibancada para comemo- rar o gol de Rob. “Gooool!!!”, gritam elas, se abraçando, entusiasmadas. A equipe parece destinada a ganhar mais um campeonato, pelo menos enquanto Rob continuar fazendo parte do grupo, com suas boas notas, e, ultimamente, Maria tem se mostrado mais otimista quanto a essa possibilidade. Depois do jogo, Rob e Maria vão juntos para casa. Eles têm outro compromisso com a química, logo mais à noite, mas, desta vez, Rob está confiante: tudo que eles precisam fazer é 181 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias usar o Microsoft Excel para elaborar um gráfico com os dados certos. Depois disso, pensando em conquistar nota um pou- co melhor na avaliação do professor, poderão elaborar bre- ves perfis de químicos famosos, recorrendo à Internet como instrumento de suas pesquisas. Eles o os colegas apresenta- rão os trabalhos em pequenos grupos. “Barbara!”. Diz Rob à Maria, ainda vibrando com a vitória no futebol. Ela concorda, e os dois se despedem na esquina em que convergem as ruas onde moram suas famílias. Pouco depois, ainda naquela tarde, Maria está concluindo a sua parte no trabalho, destinado a conquistar pontos extras, quando sua mãe entra na sala. “O que é que você faz aí, me- nina?”, pergunta a mãe. “Uma biografia de Marie Curie”, diz Maria, continuando a digi- tar as citações que selecionou. “Verdade? Eu fiz isso para o Sr. Alvera quando estava na aula dele!”, observa a mãe de Maria. “A sua avó telefonou para o tio Dan, e eu copiei da enciclopédia dele. Eu me senti tão esperta...”. Só então Maria presta atenção no que a mãe, que já havia ido para a cozinha, estava dizendo. E passa a sentir-se um tanto estranha com o fato de que, mesmo tendo nascido pratica- mente brincando com um computador, continuava fazendo as mesmas tarefas que a mãe fazia vinte e poucos anos atrás, 182 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias quando o Sr. Alvera era um professor em início de carreira. Será que na faculdade as coisas mudarão? Apesar da quase onipresença dos computadores, a experiên- cia de Maria na escola não é muito diferente daquela de sua mãe, um pouco mais de duas décadas atrás. Enquanto sua mãe trabalhava em pesquisas utilizando-se de textos de re- ferência, Maria, agora, está fazendo tudo online; e enquanto a sua mãe datilografava o trabalho em uma máquina de es- crever, Maria o digita usando um processador de textos. Por que os computadores não conseguiram implantar nas esco- las uma transformação de proporções semelhantes àquelas que tiveram em outras áreas da vida? Trecho extraído do livro: Inovação na Sala de Aula: Como a inovação de ruptura muda a forma de aprender, pp.81-82. Autores: Clayton M. Christensen; Michael B. Horn e Curtis W. Johnson FIQUE POR DENTRO Este link trata da importância da educação para o crescimen- to das pessoas. Sem a educação as pessoas ficam paradas no tempo e não são capazes de interagir umas com as outras. 183 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias <http://educarparacrescer.abril.com.br/gestao-escolar/tec- nologia-na-escola-618016.shtml>. Acesso em 20 de junho de 2013. EDUCANDO NA ERA DIGITAL: SABERES NECESSÁRIOS PARA INCLUSÃO DOS RECURSOS TECNOLÓGICOS NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM Mediante as TIC o professor tem que ter ações para que o processo de ensino e aprendizagem seja eficaz, deste modo Freire (2006, p.22) aborda e discute “[...] saberes fundamentais à prática educativo-crítica ou progressista e que, por isso mesmo, devem ser conteúdos obrigató- rios à organização programática da formação docente”. O pesquisador aborda três saberes fundamentais que devem ser adotados pelos docentes progressistas: não há docência sem discência, ensinar não é transferir co- nhecimento e ensinar é uma especificidade humana. Assim, o docente poderá utilizar os três saberes para a 184 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias inclusão das tecnologias em sala de aula e ter êxito no processo de ensino e aprendizagem. Para o autor Freire (2006, p.23) não há docência sem dis- cência, pois “[...] as duas se explicam e seus sujeitos apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à condi- ção de objeto, um do outro. Quem ensina aprende ao ensi- nar e quem aprende ensina ao aprender”. Por meio da in- teração que ocorre no processo de ensino e aprendizagem entre o professor e aluno é possível que ambos aprendam mesmos que: [...] embora diferentes entre si, quem forma se for- ma e re-forma ao formar e quem é formado forma- -se e forma ao ser formado. É neste sentido que ensi- nar não é transferir conhecimentos, conteúdos nem formar é ação pela qual um sujeito criador dá forma, estilo ou alma a um corpo indeciso e acomodado (FREIRE, 2006, p.23). 185 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias Fonte: shutterstock A prática de ensinar não é possível sem que aprendiza- do ocorra antes, visto que homens e mulheres ao apren- derem socialmente descobriram que era possível ensi- nar, sendo que foi “[...] socialmente aprendendo, que ao longo dos tempos mulheres e homens perceberam que era possível – depois, preciso – trabalhar maneiras, caminhos, métodos de ensinar” (FREIRE, 2006, p.23). É notório que a ação de aprender vem antes da prática de 186 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias ensinar. Para que os docentes tenha êxito no uso das TIC como recursos auxiliares nas salas de aulas, é preciso assumir a responsabilidade de aprender a utilizar as tecnologias para depois transferir o aprendizado, visto que é preciso que a integração ocorra primeiramente interna já que: Nosso desafio maior é caminhar para um ensino e uma educação de qualidade, que integre todas as dimensões do ser humano. Para isso precisamos de pessoas que façam essa integração em si mesmas no que concerne aos aspectos sensorial, intelectual, emocional, ético e tecnológico, que transitem de for- ma fácil entre o pessoal e o social, que expressem nas suas palavras e ações que estão sempre evoluin- do, mudando, avançando (MORAN, 2012, p.15). Fica claro que “ensinar é um processo social (inserido em cada cultura, com suas normas, tradições e leis), mas também é um processo profundamente pessoal: cada um de nós desenvolve um estilo, seu caminho [...]” 187 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias (MORAN, 2012, p.13). Assim, cabe ao professor desen- volver o seu estilo, seu caminho para aprender os meios de utilizar as TIC como ferramenta essencial, pois, “as tecnologias digitais de comunicação e de informação, sobretudo o computador e o acesso à Internet, come- çam a participar das atividades de ensino realizadas nas escolas brasileiras de todos os níveis” (KENSKI, 2010, p.70). Neste contexto, o docente tem que encarar o usodas tecnologias como parte de sua prática, porém o desafio é que como um “[...] educador democrático não pode negar-se o dever de, na sua pátria docente, reforçar a capacidade crítica do educando, sua curiosidade, sua in- submissão” (FREIRE, 2006, p.26). Assim, “muito mais do que ‘treinamento’, é necessário que os professores de- senvolvam a habilidade de beneficiarem-se da presen- ça dos computadores e de levarem esse benefício para seus alunos” (PAPERT, 2008, p.79). O desafio do docente 188 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias é fazer que: [...] as novas tecnologias não sejam vistas como apenas mais um modismo, mas com a relevância e o poder educacional transformador que elas pos- suem, é preciso refletir sobre o processo de ensino de maneira global. Antes de tudo, é necessário que todos estejam conscientes e preparados para assu- mir novas perspectivas filosóficas, que contemplem visões inovadoras de ensino e de escola, aprovei- tando-se das amplas possibilidades comunicativas e informativas das novas tecnologias, para a con- cretização de um ensino crítico e transformador de qualidade (KENSKI, 2010, p.73). Diante do mundo globalizado a “velha” forma de edu- cação não condiz com a realidade, hoje os alunos tem acesso fácil às novas tecnologias o que faz com que eles interajam com várias culturas ao mesmo tempo. Para Corazza (2001, p.103) “[...] somos sujeitos desta época e de nenhuma outra, não conseguimos experimentar mais a educação e a pedagogia do mesmo jeito que an- tes”. Deste modo: 189 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias [...] Não se trata de dar receitas, porque as situações são muito diversificadas. É importante que cada docente encontre o que lhe ajuda mais a sentir-se bem, a comunicar-se bem, auxiliar os alunos para que aprendam melhor. É importante diversificar as formas de dar aula, de realizar atividades, de avaliar (PATRONI et al., 2009, p.390). “O aprendiz deve ser incentivado a estudar e pesquisar de modo independente e o aprendizado colaborativo, dinamizando a comunicação e a troca” (PATRONI et al., 2009, p.45). Neste contexto, é importante que desenvol- va a habilidade de pesquisar, já que o ensino não acon- tece sem a pesquisa e a pesquisa propicia novos conhe- cimentos e permite que seja compartilhada a novidade, ou seja, o aprendizado (FREIRE, 2006). Além de desenvolver o ato contínuo de pesquisa, o pro- fessor precisa também ter respeito aos saberes dos alu- nos, sempre levar em consideração o conhecimento e a vivência de cada educando, pois eles trazem para a 190 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias sala de aula os “[...] saberes socialmente construídos na prática comunitária [...]” (FREIRE, 2006, p.30). No entan- to, não se pode limitar em considerar, é fundamental “[...] discutir com os alunos a razão de ser de alguns des- ses saberes em relação com o ensino dos conteúdos” (FREIRE, 2006, p.30), pois: Há uma preocupação com ensino de qualidade mais do que com educação de qualidade. Ensino e edu- cação são conceitos diferentes. No ensino organiza- -se uma série de atividades didáticas para ajudar os alunos a compreender áreas específicas do conheci- mento (ciências, história, matemática). Na educação o foco, além de ensinar, é ajudar a integrar ensino e vida, conhecimento e ética, reflexão e ação, a ter uma visão de totalidade. Educar é ajudar a integrar todas as dimensões da vida, a encontrar nosso ca- minho intelectual, emocional, profissional, que nos realize e que contribua para modificar a sociedade que temos (MORAN, 2012, p.12). É necessário também que o docente estimule a critici- dade, pois para o pesquisador Freire (2006, p.32) a “[...] 191 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias promoção da ingenuidade para a criticidade não se dá automaticamente, uma das tarefas precípuas da prática educativo-progressista é exatamente o desenvolvimen- to da curiosidade crítica, insatisfeita, indócil”. Visto que “[...] nos tornamos capazes de comparar, de valorar, de intervir, de escolher, de decidir, de romper, por tudo isso nos fazemos seres éticos” (FREIRE, 2006, p.33). É oportuno ressaltar que estimular a criticidade do alu- no é fundamental, talvez uma das ações mais impor- tantes, pois, “a aquisição da informação, dos dados, de- penderá cada vez menos do professor. As tecnologias podem trazer, hoje, dados, imagens, resumos de forma rápida e atraente” (MORAN, 2012, p.30). Assim, para o autor Moran (2012) o papel principal do docente é auxi- liar o acadêmico a interpretar esses dados e relacioná- -los com a sua realidade, bem como contextualizá-los. Para Freire (2006) o docente precisa ter o caráter formador e cuidados para não influenciar o aluno 192 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias negativamente, é fundamental que seja humano na prá- tica educativa, pois educar é substantivamente formar, “[...] é colaborar para que professores e alunos – nas es- colas e organizações – transformem suas vidas em pro- cessos permanentes de aprendizagem” (MORAN, 2012, p.13). Assim, o professor auxilia “os alunos na construção de sua identidade, do seu caminho pessoal e profissional – do seu projeto de vida, no desenvolvimento das ha- bilidades de compreensão, emoção e comunicação [...]” (MORAN, 2012, p.13), de modo que sejam realizados e produtivos, visto que a prática de: Divinizar ou diabolizar a tecnologia ou a ciência é uma forma altamente negativa e perigosa de pensar errado. De testemunhar aos alunos, às vezes com ares de quem possui a verdade, um rotundo desa- certo. Pensar certo, pelo contrário, demanda pro- fundidade e não superficialidade na compreensão e na interpretação dos fatos (FREIRE, 2006, p.33). 193 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias Neste contexto é função do professor dominar as TIC em sala de aula, tendo conhecimentos profundos de como utilizá-las, ultrapassando a superficialidade na compre- ensão e na interpretação dos fatos, para que não caia no engano da falsa fórmula farisaica do “[...] faça o que mando e não o que eu faço” (FREIRE, 2006, p.34). Segundo Moran (2012) o docente é um pesquisador em serviço, ou seja, através da prática e da pesquisa ele aprende, assim ele tem que aprofundar as suas pesqui- sas para conhecer detalhadamente as TIC, pois, “o seu papel é fundamentalmente o de um orientador/media- dor” (MORAN, 2012, p.30). Ele precisa buscar a seguran- ça em sua argumentação, aceitar o novo e não temê-lo, ter seu momento da reflexão crítica sobre a sua prática, o qual é fundamental, pois é por meio do pensamento crítico na ação de hoje ou de outrora que é possível aper- feiçoar a próxima prática (FREIRE, 2006). Neste contexto 194 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias é oportuno ressaltar a importância da prática docente e o seu aperfeiçoamento, pois: A utilização da tecnologia pela tecnologia não tem sentido de ser e acaba por não gerar a construção e a aquisição do conhecimento, não oportunizando o pensamento crítico. O processo de inclusão digi- tal deveria levar o indivíduo incluído à produção de informações e conhecimentos, à participação social ativa, à inserção em múltiplas culturas nas redes, introduzindo-o em um processo de alfabe- tização em todas as áreas em todas as linguagens (BERTONCELLO, 2011, p.16). Deste modo, o professor não pode somente utilizar a tecnologia de modo banal, caso isso ocorra, o docente reportará ao modelo tradicional, o qual era método de transferência de informação, do docente para o aluno. A autora Kenski (2007) relata que a fala é o método mais utilizado para interaçãoentre o professor e os alunos, bem como para promover o ensino e a verificação da 195 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias aprendizagem, normalmente o acadêmico é o que me- nos emite a fala. Assim, não adianta o professor utilizar as TIC como uma extensão desta prática, somente subs- tituindo a sua voz por equipamentos como a televisão e o vídeo que são narrativos. Caso isso ocorra, a autora descreve que as TIC assumirão o “[...] papel de ‘contado- res de histórias’ e os alunos, de seus ‘ouvintes’” (KENSKI, 2007, p.29), para ela as TIC serão utilizadas para substi- tuir o mesmo método, ou seja, a informação será “[...] transmitida, na esperança de que seja armazenada na memória e aprendida. A sociedade oral, de todos os tempos, aposta na memorização, na repetição e na con- tinuidade” (KENSKI, 2007, p.29). Porém, os docentes na era digital tem que abandonar esta prática, pois é a mes- ma utilizada pelos Jesuítas no processo de colonização do Brasil que abordamos no começo desta unidade, a qual não cabe mais nesta era. Por isso que o professor tem que proporcionar condições 196 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias aos acadêmicos de “assumir-se como ser social e histó- rico como ser pensante, comunicante, transformador, criador, realizador de sonhos, capaz de ter raiva porque capaz de amar” (FREIRE, 2006, p.41) e não mero ouvinte da fala transmitida pelas TIC ou pelo próprio docente. Outro saber que Freire (2006, p.47) traz como indispen- sável para a prática docente é que “ensinar não é trans- ferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”. Assim, o docente tem que ter como meta “[...] desafiar o educan- do com quem se comunica e a quem comunica, produ- zir sua compreensão do que vem sendo comunicado” (FREIRE, 2006, p.47). Para o pesquisador, “onde há vida, há inacabamento. Mas só entre mulheres e homens o inacabamento se tor- nou consciente” (FREIRE, 2006, p.50), porém o docente tem que estar ciente que ele pode ir mais além, por isso que ele é ser condicionado e não determinado. Desde 197 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias modo o professor tem que respeitar à “[...] curiosidade do educando, o seu gosto estético, a sua inquietude, a sua linguagem, mais precisamente a sua sintaxe e a sua prosódia [...]” (FREIRE, 2006, p.60). Visto que: A sociedade ensina. As instituições aprendem e en- sinam. Os professores aprendem e ensinam. Sua personalidade e sua competência ajudam mais ou menos. Ensinar depende também de o aluno querer aprender e estar apto a aprender em determinado nível (depende da maturidade, da motivação e da competência adquiridas) (MORAN, 2012, p.13). O professor e o aluno são seres diferentes e precisam promover o dialogo para que ambos possam aprender e crescer na diferença, o autor define que estes tem que ser sujeitos dialógicos. Assim, é preciso que o professor use o seu bom senso e que exerça a sua autoridade em na sala de aula conduzindo as ações, mas em nenhum momento pode-se confundir autoridade com autori- tarismo, licença com liberdade. Visto que para ensinar precisa de humildade, tolerância e luta em defesa dos 198 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias direitos dos educadores (FREIRE, 2006). Nesse sentido, o dialogo pode ser promovido por meio das TIC, já que ambos são diferentes e pode crescer com essa diferença, o professor deve permitir que os alunos por meio da hipermídia tenham acesso às informações, as quais terão uma enorme variedade e inúmeros for- matos, de modo que o aluno poderá “[...] assistir a um vídeo, ver imagens de vários ângulos, fotos, desenhos, textos, sons, poesias; enfim, hipertextos e hipermídias realizam sínteses e se articulam” (KENSKI, 2007, p.33). No entanto, caberá ao professor promover os saltos entre os diversos tipos de informação e definir qual o caminho mais propício a seguir para promover o apren- dizado (KENSKI, 2007). O professor terá que promover os saltos com respeito ao acadêmico, não somente a sua pessoa, mas à sua curiosidade e à sua timidez, assim o docente precisa cul- tivar a humildade e tolerância, além de tomar o cuidado 199 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias para não agravar a situação com ações inibidoras. Sem perder a motivação pelos desafios que não lhe permi- tem burocratizar-se, precisa assumir suas limitações, as quais devem sempre estar acompanhadas do esforço para superá-las (FREIRE, 2006). Jamais o educador pode perder a esperança e a alegria de que ele e os alunos podem aprender, ensinar, esta- rem inquietos, produzir e juntos igualmente resistir aos obstáculos que as TIC ou qualquer outra situação pode trazer: Por tudo isso me parece uma enorme contradição que uma pessoa progressista, que não teme a novi- dade, que se sente mal com as injustiças, que se ofen- de com as discriminações, que se bate pela decência, que luta contra a impunidade, que recusa o fatalismo cínico e imobilizante, não seja criticamente esperan- çosa (FREIRE, 2006, p.73). Para Freire (2006) é necessário estar ciente que mu- dar é difícil, mas é possível, precisa programar a ação 200 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias político-pedagógica, independente do projeto, seja o de inclusão das TIC na sala de aula, seja de alfabetização de adultos ou de crianças, enfim, qualquer que seja. Mesmo que a implantação das TIC na prática docente seja difícil é preciso perseverar, pois “[...] as tecnologias eletrônicas de comunicação funcionam como importan- tes auxiliares” (KENSKI, 2010, p.69). No entanto, existe um desafio maior do que apenas uti- lizar as TIC como reprodutoras da fala e se convencer que aderiu as TIC para a prática pedagógica, o desafio do docente é promover o rompimento: A tecnologia digital rompe com as formas narrativas circulares e repetidas da oralidade e com o enca- minhamento contínuo e sequencial da escrita e se apresenta como um fenômeno descontínuo, frag- mentado e, ao mesmo tempo, dinâmico, aberto e veloz. Deixa de lado a estrutura serial e hierárquica na articulação dos conhecimentos e se abre para o estabelecimento de novas relações entre conteúdos, espaços, tempos e pessoas diferentes (KENSKI, 2007, 201 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias p.32). Fonte: shutterstock Para que este rompimento ocorra é necessário que o docente seja bom, pois, “[...] o bom professor é o que 202 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias consegue, enquanto fala, trazer o aluno até a intimida- de do momento de seu pensamento. Sua aula é assim um desafio e não uma ‘cantiga de ninar’” (FREIRE, 2006, p.86). As TIC podem auxiliá-lo neste desafio de romper com as formas de narrativas circulares que são repeti- das, permitindo ao docente que “seus alunos cansam, não dormem. Cansam porque acompanham as idas e vindas de seu pensamento, surpreendem suas pausas, suas dúvidas, suas incertezas” (FREIRE, 2006, p.86). O terceiro e último saber é que ensinar é uma especi- ficidade humana, para Freire (2006) a educação é uma forma de intervenção no mundo, a qual transmite co- nhecimento dos conteúdos que podem ser bem ou mal ensinados e que por sua vez o aluno pode aprender bem ou mal, aborda o esforço de reprodução da ideolo- gia dominante como o seu desmascaramento. Conclui- se que a educação é Dialética e ao mesmo tempo con- traditória, não pode ser só uma ou só a outra dessas 203 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias coisas, ou seja, não pode ser somente reprodutora nem somente desmascaradora da ideologia dominante.Quando o pesquisador fala em educação como inter- venção, ele se refere: [...] tanto à que aspira a mudanças radicais na socie- dade, no campo da economia, das relações huma- nas, da propriedade, do direito ao trabalho, à terra, à educação, à saúde, quanto a que, pelo contrário, reacionariamente pretende imobilizar a História e manter a ordem injusta (FREIRE, 2006, p.109). 204 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias Fonte: shutterstock Neste sentido, o docente também tem que aspira a afir- mação da autora Kenski (2007, p.28) que “o avanço tec- nológico das últimas décadas garantiu novas formas de uso das TICs para a produção e propagação de informa- ções, a interação e a comunicação em tempo real, ou seja, no momento em que o fato acontece”, para que ocorra a “[...] constituição e a solidez da autonomia do 205 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias ser educando” (FREIRE, 2006, p.110). Os docentes têm que assumir a verdade que as TIC trouxeram mudanças significativas para a prática docente e que é necessá- rio desenvolver a autonomia dos alunos perante essas mudanças. “De modo geral, teimam em depositar nos alunos apas- sivados a descrição do perfil dos conteúdos, em lugar de desafiá-los a aprender a substantividade dos mesmos [...]” (FREIRE, 2006, p.110). Ao invés de estimular os alu- nos frente às TIC para que a pedagogia da autonomia ocorra, o docente recua perante o arsenal de informa- ções que as TIC possuem. No entanto, o docente terá que ser mais ousado, terá que superar as dificuldades, visto que “[...] uma pedagogia da autonomia tem de es- tar centrada em experiências estimuladoras da decisão e da responsabilidade, vale dizer, em experiências res- peitosas da liberdade” (FREIRE, 2006, p.107) e as TIC po- dem promover essas experiências estimuladoras: 206 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias A convergência das tecnologias de informação e de comunicação para a configuração de uma nova tec- nologia, a digital, provocou mudanças radicais. Por meio das tecnologias digitais é possível representar e processar qualquer tipo de informação. Nos am- bientes digitais reúnem-se a computação (a informá- tica e suas aplicações), as comunicações (transmis- são e recepção de dados, imagens, sons etc.) e os mais diversos tipos, formas e suportes em que estão disponíveis os conteúdos (livros, filmes, fotos, mú- sicas e textos). É possível articular telefones celula- res, computadores, televisores, satélites etc. e, por eles, fazer circular as mais diferenciadas formas de informação. Também é possível a comunicação em tempo real, ou seja, a comunicação simultânea, en- tre pessoas que estejam distantes, em outras cida- des, em outros países ou mesmo viajando no espaço (KENSKI, 2007, p.33). Neste contexto, segundo Freire (2006) o professor não precisa fazer a todo o momento o discurso sobre sua autoridade, alias não tem que questionar o educando se ele “sabe com quem está falando?”, pois, o docente tem que exercer a autoridade com indiscutível sabedoria. 207 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias Assim, se o professor trouxer as TIC para a sala de aula e usá-las como ferramenta para alcançar a pedagogia da autonomia, não precisará o docente progressista ques- tionar o aluno, pois, a liberdade amadurece no confron- to com outras liberdades, na defesa em face da autori- dade dos pais, do professor, do Estado (FREIRE, 2006, p.106-107). No entanto, é fundamental que o professor esteja pre- parado para o uso das TIC em sala de aula, uma forma de se preparar é levar a serio sua formação, visto que “o professor que não leve a sério sua formação, que não estude, que não se esforce para estar à altura de sua tarefa não tem força moral para coordenar as atividades de sua classe” (FREIRE, 2006, p.92). Assim, “[...] a incom- petência profissional desqualifica a autoridade do pro- fessor” (FREIRE, 2006, p.92). É indispensável saber que o docente não pode passar despercebido pelos alunos, e que a forma como eles 208 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias o percebem, pode ajudá-lo ou desajudá-lo no cumpri- mento de sua atividade docente, assim, é preciso que aumente os cuidados com o seu próprio desempenho, principalmente com relação ao domínio das TIC. Se a opção do professor é ser democrática, progressista, ele não pode ter uma prática racionaria, autoritária, elitista (FREIRE, 2006, p.97-98). O educador que se considera educador democrático, precisa estar ciente que a neutralidade da educação é impossível, assim, precisa “[...] forjar em si um saber es- pecial, que jamais deve abandonar, saber que motiva e sustenta sua luta: se a educação não pode tudo, algu- ma coisa fundamental a educação pode” (FREIRE, 2006, p.112). Os educadores críticos não podem pensar que suas ações podem transformar o país, porém tem que demonstrar que é possível mudar, de modo que refor- çará a importância de sua tarefa político-pedagógica. A professora democrática, coerente, competente, 209 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias que testemunha seu gosto de vida, sua esperança no mundo melhor, que atesta sua capacidade de luta, seu respeito às diferenças, sabe cada vez mais o valor que tem para a modificação da realidade, a maneira consciente com que vive sua presença no mundo, de que sua experiência na escola é apenas um momento, mas um momento importante que precisa de ser autenticamente vivido (FREIRE, 2006, p.113). É de extrema importância saber escutar, o professor tem que escutar para aprender a falar com os alunos, pois “[...] se, na verdade, o sonho que nos anima é de- mocrático e solidário, não é falando aos outros, de cima para baixo, sobretudo, como se fôssemos os portadores da verdade a ser transmitida aos demais [...]” (FREIRE, 2006, p.113). O docente que ouve os alunos aprende a difícil lição de transformar seu discurso que às vezes é necessário. O docente precisa saber da importância do diálogo, vis- to que “o sujeito que se abre ao mundo e aos outros 210 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias inaugura com seu gesto a relação dialógica em que se confirma como inquietação e curiosidade, como incon- clusão em permanente movimento na História” (FREIRE, 2006, p.136). Sendo que “o mundo encurta, o tempo dilui: o ontem vira agora; o amanhã já está feito. Tudo muito rápido. Debater o que se diz e o que se mostra e como se mostra na televisão me parece algo cada vez mais importante” (FREIRE, 2006, p.139). Os educadores progressistas precisam usar a televisão e as outras TIC, sobretudo, discuti-las: Não temo parecer ingênuo ao insistir não ser pos- sível pensar sequer em televisão sem ter em mente a questão da consciência crítica. É que pensar em televisão ou na mídia em geral nos põe o problema da comunicação, processo impossível de ser neutro. Na verdade, toda comunicação é comunicação de algo, feita de certa maneira em favor ou na defesa, sutil ou explícita, de algum ideal contra algo e contra alguém, nem sempre claramente referido (FREIRE, 2006, p.139). 211 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias É fato que o docente tem que dialogar com os acadêmi- cos e implantar em seus diálogos as TIC, visto que é um fenômeno que não tem mais volta. Para Papert (2008, p.74) “o computador é um dispositivo técnico aberto que estimula pelo menos alguns estudantes a avançar seu conhecimento até onde puderem, dando realce ao pro- jeto por meio de uma ilimitada variedade de ‘efeitos’”. 212 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias Fonte: shutterstock Torna-se um desafio ao docente fazer não com que“al- guns” estudantes avancem em seu conhecimento, mas porque não todos os estudantes avancem em seu co- nhecimento com o uso do computador? Acreditamos 213 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias que é um desafio totalmente possível, basta somente o empenhos dos educadores progressistas: Assim, aprender mais sobre técnicas de computa- ção torna-se parte do projeto de uma forma que não ocorreria com o papel e o lápis. Isso poderia dar impressão de desvio do “objetivo principal”, que era estudar Biologia. Não o fez: pensar sobre represen- tações na tela produziu uma familiaridade mais rica com o esqueleto do que era comum na época pré- -computador (PAPERT, 2008, p.74). Tal fragmento mostra que foi possível utilizar o compu- tador para melhorar a didática de ensinar a disciplina de Biologia, é possível conciliar a teoria e as TIC para me- lhorar o aprendizado. Acima de tudo que abordamos neste capítulo, mesmo com todas as dificuldades que podem ser encontradas no decorrer do processo de inserção das TIC, Freire (2006) afirma que: O desrespeito à educação, aos educandos, aos 214 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias educadores e às educadoras corrói ou deteriora em nós, de um lado, a sensibilidade ou a abertura ao bem querer da própria prática educativa, de outro, a alegria necessária ao que – fazer docente. É digna de nota a capacidade que tem a experiência pedagógi- ca para despertar, estimular e desenvolver em nós o gosto de querer bem e o gosto da alegria sem a qual a prática educativa perde o sentido (p.142). Assim, o professor tem que ter disponibilidade à alegria de viver, pois quando a alegria de viver é assumida ple- namente, ele “não permite que se transforme num ser ‘adocicado’ nem tampouco num ser arestoso e amargo” (FREIRE, 2006, p.141), tendo mais disposição para supe- rar as dificuldades e as novidades que as TIC trazem. A alegria é parte do processo de busca e não chega ape- nas no encontro do achado, então no processo de adap- tação com as TIC e inclusão dessas em sala de aula, é preciso estar ciente que “[...] ensinar e aprender não po- dem dar-se fora da procura, fora da boniteza e da ale- gria” (FREIRE, 2006, p.142). 215 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias REFLITA Assista ao vídeo “A educação e as novas tecnologias” que mos- tra que os educadores devem estar preparados para utilizar a tecnologia, além de perceber que ela é uma ferramenta que auxilia na prática docente, porém sozinha não promoverá a mudança que almejamos. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=X- dY57PMsTsQ>. Acesso em 20 de junho de 2013. Sugerimos também que assista ao vídeo “Tecnologia ou Metodologia?”, o qual demonstra uma escola que implantou recursos tecnológicos na sala de aula, porém a didática da professora não mudou, assim é cabível questionar se o inves- timento foi valido? Já que a prática não mudou. Disponível em: <http://www.youtube.com/ watch?v=xLRt0mvvpBk>. INDICAÇÕES DE LEITURA O nosso objetivo com a primeira parte desta unidade, a qual abordou um pouco sobre a história da didática no Brasil, é de situá-lo(a) sobre as influências que a prática docente sofreu e ainda sofre com as ações de nossos 216 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias antepassados, os quais não estavam preparados para implantar uma didática eficaz no Brasil. Agora você já conhece um pouco da história da didática do Brasil e entende os resquícios que os docentes de- vem abandonar e as ações que precisam adotar para que o processo de ensino e aprendizagem seja eficaz. Deste modo, como sugestão de leitura indicamos o livro que a pesquisadora Veiga organizou, a qual é especialis- ta em didática e aborda a história da didática do Brasil de um modo singular. Livro: Didática: O Ensino e suas relações Organizadora: Ilma Passos Alencastro Veiga Editora: Papirus Editora Sinopse: após mais de dez edições 217 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias do livro “Repensando a Didática”, os autores reuniram- -se e decidiram elaborar um novo livro que desse con- tinuidade às concepções didáticas refletidas naquela obra e fosse além, aprofundando-as. Este projeto assentou-se na concepção da Didática como campo de estudo e disciplina pedagógica obrigatória dos cursos de formação de professores, voltada para a compreensão do processo de ensino e suas relações, quais sejam: educação-sociedade, teoria-prática, conte- údo-forma, ensino-pesquisa, ensino-aprendizagem, re- cursos didáticos, avaliação etc. Didática: o ensino e suas relações chama a atenção para a necessidade de se superar a visão dualista e dicotômi- ca na análise de tais relações, que serão debatidas aqui sob vários ângulos. Na segunda parte desta unidade, abordamos a práti- ca docente na era digital e abordamos como saberes 218 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias fundamentais para o cotidiano dos docentes, os de Paulo Freire, os quais frente às TIC e com sabedoria darão su- porte para que a aprendizagem transformadora ocorra. Assim, indicamos como leitura o livro do pesquisador Paulo Freire, Pedagogia da Autonomia: Saberes necessá- rios à prática educativa. Livro: Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa Organizador: Paulo Freire Editora: Paz e Terra Sinopse: na Pedagogia da autono- mia, de 1996, Paulo Freire nos apresenta uma reflexão sobre a relação entre educadores e educandos e elabora propostas de práticas pedagógicas, orientadas por uma ética universal, que desenvolvem a autonomia, a capaci- dade crítica e a valorização da cultura e conhecimentos 219 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias empíricos de uns e outros. Criando os fundamentos para a implementação e consolidação desse diálogo político- -pedagógico e sintetizando questões fundamentais para a formação dos educadores e para uma prática educati- vo-progressiva, Paulo Freire estabelece neste livro novas relações e condições para a tarefa da educação. CONSIDERAÇÕES FINAIS No decorrer desta unidade definimos o que é didática e abordamos as influências tradicionais e conservado- ras que a história da didática no Brasil trouxe para as salas de aulas. Neste contexto, estudamos que o pro- fessor para ter uma didática eficaz frente às tecnolo- gias educacionais precisa muito mais do que transmitir conhecimentos, ele precisa saber que não há docência sem discência, ensinar não é transferir conhecimento e ensinar é uma especificidade humana. Assim, o profes- sor poderá utilizar os três saberes para a inclusão das 220 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias tecnologias em sala de aula e ter êxito no processo de ensino e aprendizagem. Deste modo, o docente que não conseguir aplicar estes saberes para a utilização das tecnologias nas salas de aula, estará defasado frente as suas práticas educacio- nais e não promoverá um processo de ensino e apren- dizagem eficaz. ATIVIDADES 1) Em relação ao tópico desta unidade que aborda a ação pedagógica dos Jesuítas no período colonial e as suas influências na prática docente, relate de que forma os Jesuítas influenciaram na prática de ensi- nar no Brasil. 2) Conforme estudamos no decorrer desta unidade, é preciso que o docente assuma uma postura efi- caz frente às TIC, para que o processo de ensino e 221 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias aprendizagem não tenha “como característica funda- mental a reprodução do conhecimento” (BEHRENS, 2005, p.41), como ocorreu na história da didática no Brasil. Assim, Paulo Freire aborda três saberes da Pedagogia da Autonomia,os quais se bem aplicados na prática docente permitirá a eficácia do processo de ensino aprendizagem, diante deste contexto, ex- plique como os docentes poderão conciliar esses sa- beres com as TIC. 3) No primeiro quadro “Reflita” desta unidade, os auto- res Christensen, Horn e Johnson (2009) descrevem uma situação que demonstra claramente que não adianta o professor utilizar as TIC se a sua didática não mudar, pois promoverá uma reprodução de co- nhecimentos iguais os de nossos precursores que promoveram a didática no Brasil. Deste modo, faça uma análise crítica desse caso apontando quais as ações que o Sr. Alvera adota deste o início de sua carreira docente que prejudica o processo de ensino 222 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias aprendizagem no contexto da Era digital, e sugere quais ações que ele deverá adotar para que sua di- dática seja transformadora e não apenas reproduto- ra de conhecimentos. 4) Escreva uma carta de sugestão ao Diretor e a Professora do vídeo “Tecnologia ou Metodologia?” que está no segundo quadro “Reflita” desta unida- de, para que ambos possam inovar a prática docente frente às TIC que a escola adquiriu. CONCLUSÃO Chegamos ao fim deste trabalho, o qual não seria tão importante sem a sua presença, pois o processo de en- sino e aprendizagem ocorre por meio do diálogo entre o docente e os acadêmicos, neste caso entre a professora Natalia e a professora Kátia com você. Já estamos com muitas saudades da sua ilustre presença, pois foi um mo- mento especial que nos proporcionou compartilharmos conhecimentos e informações. Vimos ao longo desta 223 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias obra que a história da tecnologia é antiga como a história da humanidade, pois os nossos antepassados quando iniciaram o uso das ferramentas de caça e de proteção já usavam a tecnologia a seu favor, claro que de um modo mais rupestre. A tecnologia evolui ao longo do tempo até chegarmos a Sociedade do Conhecimento, a qual os ricos serão substituídos pelos sábios. Apresentamos as evoluções tecnologias e as datas que estas ocorreram, vimos também que os aplicativos dos computadores po- dem auxiliar os docentes nas suas atividades, porém tem que ser usados com eficácia para que eles não sejam so- mente reprodutores de conhecimentos, de modo que substitua a sua fala. Aplicativos como a Internet possibi- litou que a educação ocorresse fora dos espaços limita- dores de um prédio, ou seja, proporcionou que a educa- ção ocorresse na modalidade à distância com a mesma eficácia da modalidade presencial, visto que conta com o Professor e o Tutor que auxiliam no processo de ensino e aprendizagem. 224 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias Abordamos também um pouco da história da Didática no Brasil, a qual sofreu influências conservadoras e tra- dicionais e que ainda estão presentes nas ações docen- tes, mesmo que vivemos a Sociedade do Conhecimento. Como sugestão para auxiliar os docentes em suas prá- ticas, sugerimos os saberes de Paulo Freire para que os professores os conciliem com as tecnologias e não caiam no fatalismo de utilizarem as TIC como substitu- tas de suas falas, ou seja, como reprodutoras do conhe- cimento de modo simplista. Deste modo concluímos a nossa obra, com muito orgulho e alegria, porém é com pesar que nos despedimos, pois despedias nunca são agradáveis, assim preferimos dizer “até breve!”, pois es- tamos crentes que você jamais se limitará aos conhe- cimentos abordados nestas páginas, visto que elas são limitadora e que as informações mudam a todo instan- te, e que em poucos dias este livro infelizmente estará desatualizado, já que vivemos um mundo tecnológico e cada minuto tem informações novas na internet. Assim, 225 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias contamos que você não desistirá de inovar-se sempre, todos os dias. Fica uma mensagem para você, pois acreditamos que você poderá e vencerá, esperamos que seja como este “sapo”, que não dê ouvidos a torcida que muitas vezes é contrária, acredite em seu potencial! A fábula do sapinho surdo! Era uma vez uma corrida de sapinhos! O objetivo era atingir o alto de uma grande torre. Havia no local uma multidão assistindo; muita gente para vibrar e torcer por eles. E começou a competi- ção. Infelizmente uma onda de negativismo pairou sobre a multidão “Que pena!... esses sapinhos não vão conseguir... não vão conseguir!”. E os sapinhos começaram a desistir. Entretanto, ha- via um que persistia e continuava a subida, em busca 226 UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias do topo. A multidão continuava gritando: “Que pena! Vocês não vão conseguir!” E os sapinhos estavam mesmo desistindo, um por um... Menos aquele sapinho que continuava tranqui- lo, embora cada vez mais arfante. Já ao final da competição, todos desistiram menos ele. E a curiosidade tomou conta de todos, que que- riam saber o que tinha acontecido... E assim, quando foram perguntar ao sapinho como ele havia conseguido concluir a prova, aí sim, conse- guiram descobrir: ele era surdo! Você pode!!! Autor: desconhecido REFERÊNCIAS 1. AQUINO, Carlos Tasso Eira de. 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