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Pedagogia
Kátia Montalvão
Natalia Aguiar de Menezes
Educação e Novas Tecnologias
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Pedagogia
Kátia Montalvão
Natalia Aguiar de Menezes
Educação e Novas Tecnologias
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M543e Menezes, Natalia Aguiar; Montalvão, 
Kátia.
Educação e novas tecnologias./ Natalia 
Aguiar Menezes, Kátia Montalvão. – João 
Pessoa: FUNEPI, 2016.
172f.
ISBN: 
1. Educação. 2. Tecnologias. 3. Escrita. 4. 
Prática de ensino. I. Título.
FUNEPI CDD: 371.33
Diretor Geral: Daniel Porto Campello
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Pró-Diretoria de Educação à Distância: Thiago Silveira Coelho
Coordenação de Curso: Veridiana Xavier Dantas
Capa e Editoração: Andresa Guilhen Zam; André Morais; Diego R. Pinaffo; 
Renata Sguissardi; Welder Henrique O. Carvalho
Revisão Textual e Normas: Rosângela Maria de Carvalho
Ficha catalográfica realizada pela bibliotecária 
Este livro é publicado pelo Programa de Publicações Digitais da FACULDADE TRÊS 
MARIAS
FICHA CATALOGRÁFICA - SERVIÇO DE BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO 
– CENTRO EDUCACIONAL TRÊS MARIAS - FACULDADE TRÊS MARIAS
SOBRE A FACULDADE
A Faculdade FUNEPI, atualmente, Três Marias é 
uma instituição de ensino superior pluricurricular, 
credenciada pela Portaria do Ministério da Educação nº 
663 de 1º julho de 2015, que tem como objetivo ministrar 
cursos presenciais e a distância nas diversas áreas de 
conhecimentos; atender a demanda do setor produtivo, 
industrial, comercial e de prestação de serviços; 
desenvolver pesquisa nas áreas de saúde, educação, 
ciência e tecnologia, bem como atuar na extensão 
universitária. Para atendimento aos estudantes, contará 
com as organizações empresariais como parcerias que 
terão papel de auxílio na integração da faculdade com a 
comunidade, além dos programas institucionais de apoio 
aos discentes.
MISSÃO
Formar profissionais diferenciados, que atuem de 
forma autônoma, capazes de atender a demanda do 
mercado, com ética e espírito empreendedor.
VISÃO
Ser reconhecida como instituição de ensino superior 
por meio da oferta qualificada de cursos de graduação e de 
pós-graduação de alto nível.
VALORES
Gestão consciente, ética, respeito mútuo, qualidade de 
ensino, e compromisso social.
AP
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Educação 
e Novas 
Tecnologias
Kátia Montalvão; Natalia Aguiar de Menezes
Prezado(a) Acadêmico(a)!
Eu sou a Professora Kátia Rodrigues Montalvão Paias, sou 
graduada em Administração com Habilitação em Comércio 
Exterior pelo Centro Universitário Cesumar, também sou 
especialista em Docência no Ensino Superior e em EAD e 
Tecnologias Educacionais. Possuo também o MBA em Gestão 
com Pessoas, todos pelo Centro Universitário Cesumar. Conclui 
60h no Mestrado em Educação na disciplina Prática Docente 
e Novas Tecnologias pela Universidade do Oeste Paulista. 
Atualmente sou Professora Mediadora do Núcleo de Educação 
a Distância da Unicesumar. É com orgulho e muita alegria que 
tenho a oportunidade de contribuir com o seu aprendizado, por 
meio da realização deste livro, espero que aprecie cada linha que 
desenvolvemos especialmente para você! 
Eu sou a professora Natália Aguiar de Menezes, possuo 
graduação em Pedagogia com ênfase em Recursos Humanos 
pela Faculdade Assis Gurgacz, e também sou formada em 
Processos Gerenciais pela Unicesumar. Conclui o MBA Recursos 
Humanos – Gestão de Pessoas e Desenvolvimento de Talentos, 
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Especialização em Docência no Ensino Superior e a Pós-
graduação em EAD e as Tecnologias Educacionais, ambas pelo 
Centro Universitário Cesumar. Cursei como aluna não regular 
no Mestrado em Educação pela Universidade do Oeste Paulista 
a disciplina de Prática Docente e Novas Tecnologias. Atualmente 
sou Professora Mediadora da Educação a Distância no curso de 
Graduação em Gestão de Recursos Humanos da Unicesumar 
e Colunista do Portal Educação. Sinto-me honrada em poder 
compartilhar um pouco de meus conhecimentos com você por 
meio desta obra, assim, espero que venha comigo neste desafio!
Muito se discute sobre o processo de ensino-aprendizagem 
e a sua eficácia, porém na contemporaneidade é impossível 
discutir sobre este tema sem abordarmos os Recursos 
tecnológicos na Educação, os quais são de extrema relevância 
já que quando bem empregados permitem uma melhor prática 
aos docentes e eficácia nesse processo. 
Deste modo, torna-se de suma relevância escrever um livro 
que trate especificamente sobre os Recursos Tecnológicos 
na Educação, visto que é essencial que os docentes tenham 
conhecimentos sobre a evolução da tecnologia e suas 
consequências para a vida do homem e as possibilidades e limites 
na educação. Além de ser vital saber utilizar o computador na 
prática docente, de modo geral, precisam conhecer a importância 
do computador para a Educação. Faz-se necessário também, 
estudar de modo teórico-prático os recursos computacionais 
aplicados na educação como os aplicativos, internet, multimídia, 
entre outros. E, por fim, saber que o computador é e pode ser 
um recurso tecnológico no processo de ensino aprendizagem 
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é primordial, porém ele não pode ser usado como apenas um 
reprodutor de conhecimentos. 
Na primeira unidade que tem o título Tecnologia: 
consequências, possibilidades e limites, aborda a história 
da tecnologia, a qual é quase tão antiga quanto à história da 
humanidade, visto que desde quando os seres humanos 
começaram a usar ferramentas de caça e de proteção, fala-
se em tecnologia. A tecnologia evoluiu ao longo dos anos 
e atualmente podemos afirmar que somos uma sociedade 
verdadeiramente tecnológica. Com tanta evolução, chegamos 
à Sociedade do Conhecimento, a qual proporciona mudanças 
constantes e permite que a inversão dos papeis ocorram, ou 
seja, é o momento em que os ricos serão substituídos pelos 
sábios, assim, quem tiver conhecimento poderá ter riquezas e 
quem não tiver deixará de possuir as riquezas. 
Desde os anos de 1990 ocorre uma explosão de recursos 
tecnológicos, e as Tecnologias de Informação e Comunicação, 
as TIC´s como são chamadas atualmente, vieram para facilitar 
toda uma vida. Estas são um conjunto de tecnologias e 
maneiras de se comunicar, muito utilizadas pelas pessoas que 
permitem a troca de informações. Neste contexto, a inclusão 
digital se faz necessária, a qual não é apenas colocar as pessoas 
a frente do computador e ensiná-las a utilizar, é muito mais 
que isso, é disponibilizar o acesso a tecnologia da informação 
e comunicação, em condições favoráveis, com objetivo ao 
desenvolvimento pessoal e coletivo.
As novas tecnologias possibilitaram uma gama de cursos 
online, oferecidos na modalidade a distância, cursos estes de 
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Graduação, Pós-graduação, extracurriculares, entre outros. 
Veremos que as mudanças no acesso à informação estão 
acontecendo a todo o momento, e é neste momento que o 
professor deve agir como um trabalhador do conhecimento, 
ou seja, se aperfeiçoar, ir atrás de novos conhecimentos, deixar 
esse ensino tradicional de lado e partir para as novas tecnologias 
aplicadas à educação. Com tanta evolução, o processo de ensino 
e aprendizagem também sofreu alterações, visto que atualmente 
este acontece quando o aluno consegue pesquisar e desenvolver 
sua própria criatividade, assumindo um papel ativo na educação.
Na segunda unidade, a qual tem o título de Inovação e Tecno-
logias Educacionais, mostra que as tecnologias estão presentes 
na educação, porém,alguns professores não estão preparados 
para tanta mudança. Os professores precisam estar abertos para 
incorporar essa nova realidade, aceitar as mudanças e inovar a 
escola. Assim, os educadores devem levar em consideração que 
os ambientes de informática proporcionam vantagens aos acadê-
micos, sendo que os alunos ganham autonomia nos trabalhos, fi-
cam mais motivados, mais criativos; curiosos, mais concentrados, 
entre outras vantagens. 
Neste contexto, os docentes devem estar cientes de que 
aplicativos do computador podem facilitar a prática docente, 
como o Editor de Texto que é um aplicativo do computador para 
criação e edição de um arquivo de texto, os softwares gráficos 
que são aqueles para elaboração de desenhos e produções 
artísticas, a Internet, que oferece um leque de oportunidades 
para adquirir conhecimentos e rompe fronteiras dos países, 
entre outros benefícios que o computador pode trazer para a 
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prática docente. 
Deste modo, é possível afirmar que o espaço educacional 
passou por várias mudanças após a revolução digital, assim, 
além das vantagens que já foram relatadas, hoje é possível 
o desenvolvimento das atividades educacionais sem que os 
sujeitos do processo ensino e aprendizagem estejam restritos 
a um espaço físico limitador. Neste sentido, a Educação a 
distância revolucionou o modo de estudar e tem aumentado 
o numero de adeptos desta modalidade, trata-se de uma 
modalidade mais vantajosa e acessível à população, visto 
tamanha globalização. O uso da internet possibilita uma 
forma de aprendizado dinâmico, sem que o aluno necessite 
precisamente estar em sala de aula para obter o conhecimento. 
Entendemos também, que na modalidade à distância a prática 
docente passa por algumas divisões em relação as suas tarefas, 
que muitas vezes na modalidade presencial são de única e 
exclusiva responsabilidade dos professores. Assim, o professor 
nesta modalidade deixa de ser uma entidade individual e torna-
se uma entidade coletiva, este não exerce mais sua profissão 
de modo isolado. 
No contexto atual diante da interação e da modificação 
que esta modalidade proporciona, é possível concluir então, 
que existem diferentes funções dos profissionais diretamente 
ligados ao processo de ensino aprendizagem, como por 
exemplo, os professores e os tutores. 
A terceira e última unidade que tem a temática O Educador e 
a Inovação Tecnológica, define a didática como a arte de ensinar, 
visto que o educador perante a inovação tecnológica precisa ter 
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uma boa didática para promover uma educação eficaz. Resgata 
também, um pouco da história da didática no Brasil, a qual até 
os dias de hoje influencia a prática docente, visto que muitos 
docentes por aterem suas raízes as práticas tradicionais, não 
utilizam as TIC de modo eficaz, utilizam a inovação tecnológica 
como uma reprodutora de conhecimentos e não é este o 
objetivo de utilizá-la no processo de ensino e aprendizagem. 
Perante a recapitulação da história da didática no Brasil 
é possível concluir que a educação no Brasil se estabeleceu 
mediante uma prática conservadora caracterizada por três 
abordagens: abordagem tradicional, abordagem escolanovista e 
abordagem tecnicista, assim, mesmo que se apresentando em 
épocas diferentes, todos têm como característica fundamental 
a reprodução do conhecimento, podem ser apontados como 
paradigma conservador. 
Mediante as TIC o professor tem que ter ações para 
que o processo de ensino e aprendizagem seja eficaz, deste 
modo Freire (2006) discute três saberes fundamentais a ação 
docente, denominado por ele como à prática educativo-crítica 
ou progressista, para ele esses saberes devem ser conteúdos 
obrigatórios à organização programática da formação docente. 
Os três saberes fundamentais que devem ser adotados pelos 
docentes progressistas são: não há docência sem discência, 
ensinar não é transferir conhecimento e ensinar é uma 
especificidade humana. Assim, o docente poderá utilizar os três 
saberes para a inclusão das tecnologias em sala de aula e ter 
êxito no processo de ensino e aprendizagem. 
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TECNOLOGIA: CONSEQUÊNCIAS, POSSIBILIDADES E LIMITES 15
UNIDADE 1 15
INTRODUÇÃO .................................................................................. 17
A EVOLUÇÃO DA TECNOLOGIA ..................................................... 19
A ERA DA INFORMAÇÃO E/OU CONHECIMENTO ......................... 29
TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) ........... 41
O QUE É INCLUSÃO DIGITAL? ........................................................ 50
A EDUCAÇÃO DO SÉCULO XXI ....................................................... 56
AS VANTAGENS E DESVANTAGENS DA UTILIZAÇÃO DA 
TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO ........................................................ 63
TECNOLOGIA PARA FAZER EDUCAÇÃO ......................................... 73
INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS 89
UNIDADE 2 89
INTRODUÇÃO .................................................................................. 90
TECNOLOGIA EDUCACIONAL ......................................................... 91
AS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO: UM PROCESSO DE MUDANÇA 
92
O COMPUTADOR COMO TECNOLOGIA EDUCACIONAL ............... 99
RECURSOS COMPUTACIONAIS APLICADOS NA EDUCAÇÃO 
SU
M
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(APLICATIVOS, INTERNET, MULTIMÍDIA, ENTRE OUTROS) ......... 104
INTERNET, COMO USÁ-LA EM SALA DE AULA .............................. 111
DAS SALAS DE AULAS AOS AMBIENTES VIRTUAIS DE 
APRENDIZAGEM .............................................................................. 114
INTEGRANTES DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA ................................ 128
PAPEL DO ALUNO ONLINE ............................................................ 136
O EDUCADOR E A INOVAÇÃO TECNOLÓGICA 151
UNIDADE 3 151
INTRODUÇÃO .................................................................................. 153
DEFINIÇÃO DA DIDÁTICA .............................................................. 155
A AÇÃO PEDAGÓGICA DOS JESUÍTAS NO PERÍODO COLONIAL E 
SUAS INFLUÊNCIAS NA PRÁTICA DOCENTE ................................ 159
SÉCULO XX INICIA A SEGUNDA FASE DA HISTÓRIA DA DIDÁTICA NO 
BRASIL ............................................................................................ 166
EDUCANDO NA ERA DIGITAL: SABERES NECESSÁRIOS PARA 
INCLUSÃO DOS RECURSOS TECNOLÓGICOS NO PROCESSO DE 
ENSINO-APRENDIZAGEM .............................................................. 183
CONCLUSÃO .................................................................................... 222
Tecnologia: consequências, 
possibilidades e limites 
UNIDADE 1
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
• Conceituar Tecnologia.
• Apontar as principais inovações.
• Realizar uma breve reflexão sobre a Era (da informação) em 
que vivemos.
• Identificar as influências da tecnologia na educação.
• Apresentar o computador como recurso tecnológico na 
educação..
PLANO DE ESTUDO
Serão abordados os seguintes tópicos:
• A evolução da tecnologia
• A era da informação e/ou conhecimento
• Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC)
• O que é Inclusão Digital?
• A educação do século XXI
• As vantagens e desvantagens da utilização da tecnologia 
na Educação
• Tecnologia para fazer educação
Kátia Montalvão; Natalia Aguiar de Menezes
17
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
INTRODUÇÃO
Olá, Caro(a) Acadêmico(a)!
É uma satisfação participar junto com você nesta tro-
ca de experiências e disseminação de conhecimentos. 
Nesta unidade falaremos sobre as mudanças tecnológi-
cas, assunto muito abordado por muitos autores, e quepodemos aproveitar na área da Educação. Sabemos que 
atualmente vivemos em mundo em que as mudanças 
acontecem constantemente, onde é criado o netbook 
e depois de um mês cria-se algo muito mais inovador, 
como por exemplo, o tablet, mas estes são apenas alguns 
exemplos de mudanças na tecnologia, que percebemos 
a cada instante. Sendo a tecnologia tão inovadora, pre-
sente em nossas vidas, nosso cotidiano, é necessário 
que as pessoas procurem dar um pouco mais de aten-
ção a essas mudanças, como na área da Educação.
Esta realidade que se vive hoje, a Era da Tecnologia e co-
nhecimento, mostra forma definitiva que a tecnologia se 
18
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
torna cada dia mais presente na vida do cidadão. Desde 
os serviços mais básicos como pesquisas estudantis e 
interação com pessoas, aos mais complexos como com-
pras, atividades bancárias, dentre outros, pode-se ver 
claramente a presença do ciberespaço atuante como 
meio principal para tais interações.
Com o avanço tecnológico, muitos tipos de mídia vêm 
sendo utilizadas no processo ensino-aprendizagem a 
distância. Podemos dizer que as mídias correspondem 
aos meios tecnológicos utilizados como veículo de in-
formações nas relações estabelecidas entre o educan-
do, educador e o conhecimento no processo educacio-
nal, podendo ser tradicionais, como a mídia impressa, 
mas também, modernas, como as tecnologias de in-
formação e comunicação surgidas a partir da era do 
computador.
Portanto, nossa postura frente às novas tecnologias não 
deve ser de negação, mas de abertura critica, devemos 
19
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
pensar a inteligência coletiva a partir da interatividade. 
Essa está presente em todas as relações humanas, no 
entanto a mesma foi de grande valor a partir do desen-
volvimento das tecnologias de informação e comunica-
ção. Pois é proporcional ao mesmo número de envolvi-
dos na comunicação. 
Muitas vezes as pessoas acham que ensinar é explicar, 
aprender é escutar e o conhecimento é o que contêm 
nos livros, sentem certa resistência quando o assunto é 
novas tecnologias para sala de aula. Por isso, os profes-
sores têm um papel fundamental na hora de determinar 
o que é possível realizar com as TIC´s em sala de aula. 
É possível inovar suas aulas com algumas tecnologias 
disponíveis na instituição, basta conhecê-las melhor e 
aplicar a que melhor se encaixa com seus conteúdos e 
turma.
A EVOLUÇÃO DA TECNOLOGIA
A tecnologia pode ser definida de várias maneiras, tudo 
20
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
vai depender do contexto em que ela está inserida. É 
basicamente um encontro entre ciência e engenharia, 
podem ser as ferramentas e máquinas que ajudam a re-
solver problemas, como também um método ou proces-
so de construção.
A história da tecnologia é quase tão antiga quanto a his-
tória da humanidade, desde quando os seres humanos 
começaram a usar ferramentas de caça e de proteção, 
fala-se em tecnologia. A tecnologia evoluiu ao longo dos 
anos e atualmente podemos afirmar que somos uma 
sociedade verdadeiramente tecnológica. Talvez seja até 
engraçado dizer, mas hoje em dia não conseguimos vi-
ver sem a tecnologia, se por um momento nos retiras-
sem todas as tecnologias, praticamente deixaríamos de 
realizar muitos trabalhos, empresas deixariam de reali-
zar grandes projetos, instituições deixariam de oferecer 
cursos online para as pessoas, entre outras tantas coi-
sas que fazemos e utilizamos a tecnologia.
21
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
O ser humano, dotado de sua inteligência, buscou for-
mas, durante toda a história, de vencer os obstáculos 
impostos pela natureza. Foi desenvolvendo e inventan-
do instrumentos tecnológicos com o objetivo de superar 
dificuldades, digamos que a necessidade é a mãe das 
grandes invenções tecnológicas.
Fonte: shutterstock
Bom, então vamos falar da tecnologia como um pro-
cesso de comunicação, onde são mais conhecidas. A 
22
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
evolução da tecnologia vai desde a criação dos antigos 
sistemas postais até a invenção do telégrafo, do telefo-
ne, do rádio, da televisão, do computador e de várias 
outras para a melhoria do processo de comunicação. 
A história de cada tecnologia revela uma sequência de 
conexões, onde cada melhoria associa-se ao sintetizado 
pelas criações anteriores, ou seja, para cada tecnologia 
criada, já se pensam na criação da próxima para melho-
rar a anterior.
E é diante de todas essas mudanças, do avanço das 
tecnologias que percebemos as mudanças também no 
comportamento do ser humano, pois é necessária a for-
mação de um novo homem, aquele que sabe lidar com 
diferentes situações, resolver problemas imprevistos, 
ser flexível e multifuncional e estar sempre aprendendo. 
Para lidar com as inovações atualmente, precisamos de 
pessoas engajadas, que saibam aproveitar cada tecno-
logia, que entendam e que sejam proativas, a ponto de 
23
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
procurar saber mais sobre o assunto e aprender.
Você já parou para pensar quantas tecnologias já foram 
inventadas até hoje? Pois é, são muitas! E o que explica 
isso, é que estamos vivenciando a era da informação, 
uma era de inovações, que podem ser aproveitadas por 
todos, basta saber aproveitá-las e utilizá-las de forma 
correta.
“A longa sequência evolutiva caracterizada pela criação 
do telégrafo, do telefone, do rádio, da televisão e do 
computador, culminando com rede mundial de compu-
tadores, entre outras interfaces, exemplifica uma proxi-
midade com a evolução do conhecimento” (PAIS, 2002, 
p.102).
Para ficar mais claro a evolução da tecnologia, listare-
mos parte das inovações, em um período de 1452 a 
2012, que mostra como a tecnologia evoluiu em todos 
os anos, disponível no site: <http://www.ramalhodigital.
24
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
com/index.php?option=com_content&view=article&i-
d=48&Itemid=16>. Acesso em: 19 jun. 2013.
• Calculadora (1452-1519) – utilizada até hoje, capaz de fazer so-
mas e subtrações;
• Máquina fotográfica (1827/1829) - O primeiro inventor a ob-
ter a uma imagem fixada pela ação da luz (que é o princípio 
da fotografia) foi o francês Joseph Nicéphore Niépce;
• Fax (1926) – menos utilizado atualmente, a ideia de trans-
mitir e reproduzir material gráfico à distância foi do escocês 
Alexander Bain;
• Computador (1936) - Konrad Zuse cria o Z1, o primeiro com-
putador programável. Mas em 1972 foi criado o primeiro 
computador brasileiro, o projeto foi de responsabilidade da 
equipe do professor Hélio Guerra Vieira;
• Satélite (1957) - O primeiro satélite, o Sputnik 1, foi lançado 
25
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
pela União Soviética em 4 de outubro de 1957. O satélite é 
muito utilizado atualmente pelas instituições que oferecem 
cursos na modalidade a distância, para transmissão de aulas;
• Transmissão via satélite (1962) - A AT&T lança o Telstar, o pri-
meiro satélite a fazer transmissão de TV;
• Internet (1969) - No início dos anos 60, o americano Paul Baran 
concebeu uma rede de computadores na qual cada máqui-
na seria capaz de orientar o trabalho das outras. Durante a 
Guerra Fria, preocupado com a possibilidade de um conflito 
nuclear com a União Soviética paralisar as comunicações, o 
Departamento de Defesa dos Estados Unidos desenvolveu 
essa rede de computadores para que seus pesquisadores pu-
dessem continuar trocando ideias;
• E-Mail (1971) - O engenheiro Ray Tomlinson idealizou um 
novo meio de comunicação via computadores: o electronic 
mail, conhecidopopularmente como e-mail. A primeira men-
sagem foi enviada de Ray para ele mesmo, em computadores 
26
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
diferentes;
• MP3 (1987) - Ele existe desde 1987 e foi invenção de um ins-
tituto de tecnologia alemão, o Fraunhofer Institut Integriert 
Schaltungen. Para começar, o seu nome é uma abreviação de 
MPEG audio Layer-3, uma homenagem ao grupo do instituto 
que padronizou a compressão de arquivos digitais, o MPEG 
(Moving Picture Experts Group);
• Skype (2003) - O programa foi criado em 2003 pelo sueco 
Niklas Zennström. Ele permite fazer ligações telefônicas entre 
computadores e chamadas do micro para um telefone fixo 
ou celular. Isso é possível graças ao sistema de VoIP (voz por 
protocolo de internet), que transformar a mensagem em pa-
cotes de arquivos digitais como os e-mails.
Vejamos a figura a seguir, que nos mostra a evolução da 
tecnologia e uma reflexão sobre o futuro tecnológico:
27
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
Fonte: <http://blog.cdsistemas.com.br/?p=47> Acesso em: 19 jun. 2013.
Enfim, são muitas as tecnologias das quais podemos tra-
tar aqui, mas acreditamos que já conseguimos passar a 
você como acontece a evolução da tecnologia, mostran-
do parte das inovações que todos conhecem. O objetivo 
não seria apresentar toda a história de cada tecnologia 
criada, mas demonstrar a importância destas inova-
ções para que compreendam que todas fazem parte de 
28
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
nossas vidas e que podem nos auxiliar de alguma forma 
em uma determinada situação.
REFLITA
O blog de fotos da ‘’NBCNews’’ mostrou como a tecnologia evo-
luiu no mundo nos últimos oito anos, usando duas imagens: 
a primeira, mostra a passagem do corpo do papa João Paulo 
II, em 2005; a segunda, a escolha do Papa Francisco, o carde-
al argentino Jorge Mario Bergoglio, em 2013. Acesse o site: 
<http://tecnologia.uol.com.br/noticias/redacao/2013/03/14/
imagens-mostram-evolucao-tecnologica-da-morte-de-joao-
-paulo-2-a-escolha-do-papa-francisco.htm>. 
A partir disso, depois de demonstrar como acontece a 
evolução da tecnologia, podemos abordar sobre a era 
da informação, a era da qual estamos vivenciando, uma 
sociedade do conhecimento, é o que veremos no próxi-
mo item.
29
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
A ERA DA INFORMAÇÃO E/OU 
CONHECIMENTO
Encontramo-nos em um momento em que ocorrem 
mudanças constantes, se em um dia conhecemos uma 
tecnologia nova, no outro, somos apresentados para 
uma mais nova e eficiente que a anterior. Este momen-
to vivido, podemos chamar de pós-industrial, sendo o 
momento que temos na sociedade novas categorias 
sociais, os sábios e os ignorantes, pois o conhecimento 
não é apenas mais um recurso, ao lado dos tradicionais 
fatores de produção, trabalho, mas sim o recurso signi-
ficativo e decisivo.
Este momento pós-industrial é a chamada sociedade do 
conhecimento, onde o núcleo do capital o qual é fonte 
geradora de renda e produção está transitando do di-
nheiro para o conhecimento, Peter Drucker afirma que 
“os ricos serão substituídos pelos sábios e os pobres, pe-
los ignorantes”.
30
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
Para manter-se eficaz e ativo neste contexto é primor-
dial o desenvolvimento da informação e a expansão dos 
conhecimentos, sendo a essência do processo ensino e 
aprendizagem, além de ser o fundamento do progresso 
cultural e científico, onde a superabundância de infor-
mações nas sociedades modernas, nas quais as mídias 
são onipresentes, coloca novos problemas para os do-
centes, que não são mais a principal fonte de informa-
ção, tendo que investir na formação continuada como 
meio de superação.
Ausência de fronteiras permite que o conhecimento 
existente em qualquer continente se translade simul-
taneamente para qualquer outro em fração de segun-
dos sem nenhuma resistência, tendo menos esforço do 
que o próprio dinheiro para estar em qualquer parte do 
mundo em pouco tempo. Esta faceta traz para as salas 
de aula um novo contexto, o qual o docente tem que 
estar preparado, pois: 
31
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
A rapidez das alterações tecnológicas fez, de fato, 
surgir em nível das empresas e dos países, a neces-
sidade de flexibilidade qualitativa da mão-de-obra. 
Acompanhar, e até, antecipar-se às transformações 
tecnológicas que afetam permanentemente a natu-
reza e a organização do trabalho, tornou-se primor-
dial (DELORS, 2001, p.71).
Com o advento das alterações tecnológicas surge a ine-
vitabilidade do profissional ter que estar apto para varia-
das tarefas, tendo que ser proativo, o qual não tem que 
desenvolver somente a tarefa para o qual foi contratado. 
Por exemplo, um contador não tem que somente saber 
fazer o balanço, fluxo de caixa, DRE (demonstração do 
resultado do exercício), entre outras tarefas desenvol-
vidas por esta atividade profissional, mas também sa-
ber manusear os softwares e os meios de comunicações 
eletrônicos (Internet, e-mail, MSN, Facebook) os quais 
foram implantados para desenvolvimento e facilidades 
destas, uma vez que não cabem mais no mercado os 
32
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
profissionais que desenvolvem estas manualmente. 
Fonte: shutterstock
Para os docentes não é diferente, pois o campo da edu-
cação enfrenta o desafio de metodologicamente ser me-
diador entre o acadêmico e as novas tecnologias, uma 
33
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
vez em que não se dá mais para ignorar essas novas 
tecnologias, pois o processo de ensino e aprendizagem 
torna-se cada vez mais impossibilitado sem uso destas, 
já que a informática está revolucionando todas as áre-
as, em particular as que lidam com o conhecimento, as 
telecomunicações, que conhecem uma revolução tec-
nológica mais profunda, tornado possível e mais barato 
transmitir tudo – textos, imagens, som em grandes volu-
mes e com rapidez, em particular por meio da telemáti-
ca, associação da informática com as telecomunicações 
(DOWBOR, 1996).
Mobilidade para cima é a segunda característica da so-
ciedade do conhecimento, a qual é disponível para todos 
mediante uma educação formal facilmente adquirida.
Segundo Morini (2000) as diferentes linguagens e ex-
pressões comunicacionais possibilitam abordar novas 
sensibilidades, respeitando as necessidades e os inte-
resses dos sujeitos imersos no mundo tecnológico e 
34
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
audiovisual, as quais proporcionam aos acadêmicos 
chegarem às salas de aula munidas de informações, 
adquiridas por meio das diferentes linguagens, que po-
dem aprender por meio das novas tecnologias, as quais 
são indiscutíveis e incomparáveis, desenvolvendo novas 
formas de pensar, de agir, de se comunicar. 
Na interpretação de Delors (2005, p.21), “essa supera-
bundância de informações nas sociedades modernas, 
nas quais as mídias são onipresentes, coloca novos pro-
blemas para a escola, que não é mais a principal fonte 
de informação”. Para Perriault (1996, p.82), “o papel do 
professor é ‘chamado a evoluir’: Quando estiver rodeado 
de mídias, ele não mais veiculará todo o conhecimento, 
mas ajudará os alunos a assimilá-lo bem. Responderá 
às questões difíceis [...]”. O docente neste contexto tem 
que apreender a destacar o interesse pedagógico des-
se novo ambiente auxiliando os acadêmicos a adquiri-
rem entendimentos, critérios de seleção em presencia 
35
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
à massa de informação que recebem todos os dias 
(DELORS, 2005). 
A terceira e última característica é Potencial para o fra-casso, assim como para o sucesso, “qualquer um pode 
adquirir os “meios de produção”, isto é, o conhecimen-
to exigido para a tarefa, mas nem todos podem vencer” 
(DRUCKER, 2002, p.171). 
Dentro dessa nova realidade é possível destacar que:
A digitalização da informação operou uma revolução 
profunda no mundo da comunicação, caracterizada, 
em particular, pelo aparecimento de dispositivos 
multimídia e por uma ampliação extraordinária das 
redes telemática, a partir de 1988 a Internet duplica 
todos os anos o numero de usuários e de redes as-
sim como o volume de tráfego (DELORS, 2001, p.63).
Assim a indústria que mais crescerá nos próximos trinta 
anos será a educação profissional continuada de adultos, 
36
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
porém diferente do modo tradicional. Os componentes 
são: docente e o livro, onde o docente é a presença fí-
sica e o livro permite o acompanhamento do conteúdo, 
porém na sala de aula o modo tradicional não permite 
aos receptores voltarem a página dezesseis quantas ve-
zes desejarem até obterem a interpretação do que está 
escrito, no entanto existe a presença física do professor. 
A Internet combina as vantagens da sala de aula e do 
livro, proporcionando o manuseio do material didático 
conforme a compreensão de cada indivíduo, sem deixar 
de proporcionar também a presença física (DRUCKER, 
2002). 
Conforme Drucker (2002, p.57), “o custo do recurso bási-
co, a capacidade intelectual, está subindo rapidamente. 
Essa capacidade tornou-se muito cara. Pessoas tecni-
camente preparadas e inovadoras estão incrivelmente 
caras”. O que é uma condição necessária para que con-
tinue o progresso:
37
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
A expansão dos conhecimentos conduz inevita-
velmente a níveis de especialização sempre mais 
elevados, o que é uma condição necessária para o 
progresso científico, é sobre essa base que se orga-
nizam no ensino superior as atividades fundadas no 
“conhecimento” (DELORS, 2005, p.21).
Estes níveis de especialização cada vez mais elevados 
que a propagação do conhecimento conduz, proporcio-
na o potencial para o sucesso, assim como quem não o 
busca para o fracasso.
É por meio da educação que o homem do século XXI 
alcançará a diminuição da pobreza, da opressão, dos 
problemas sociais. Frente ao progresso tecnológico 
e científico e aos desafios postos à humanidade têm-
-se na humanização e na convivência os pilares desta 
sociedade.
Neste item da unidade I, você pôde observar que a Era 
do conhecimento é para aquele que sabe aproveitar 
38
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
as oportunidades, como para os docentes, que podem 
aproveitar as novas tecnologias para tornar suas aulas 
mais dinâmicas e produtivas. São várias as tecnologias 
que podem ser utilizadas pelos docentes, porém, será 
necessário identificar quais se adéquam ao conteúdo 
que será ministrado, não basta simplesmente incluí-la 
e “deixar acontecer”, é preciso muita atenção e compro-
metimento para que essa parceria dê certo. 
REFLITA
Já pensou como as coisas mudam e como podem mudar ainda 
mais? Então veja este artigo disponível em: <http://www.consulto-
res.com.br/artigos.asp?cod_artigo=133>. Acesso em: 24 jun. 2013, 
que trata sobre inovações na área mercadológica, que já vem 
acontecendo há algum tempo em algumas regiões do planeta:
TECNOLOGIA DA INTERAÇÃO
Imagine que você acaba de acordar e deseja tomar seu café 
da manhã. Vai até a cozinha e verifica que já está conectado à 
39
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
Internet num painel instalado na porta da geladeira e também 
no microondas. No controle da geladeira já existe uma lista 
prévia de alimentos que computa o consumo da semana e, 
imediatamente, é gerada sua listagem de compras, que pode-
rá ser enviada ao seu supermercado favorito através de um 
simples comando na tela.
Entretanto, hoje, você quer ter outra opção. Quer ir direta-
mente às compras com sua família. Aproveita e vai conhe-
cer aquele “novo” supermercado que lhe forneceu um cartão 
de identificação num cadastramento feito em seu local de 
trabalho. 
Chegando ao supermercado você passa o cartão de identifi-
cação pela portaria, liberando sua entrada para o interior da 
loja. Neste momento, é acionada toda a database marketing 
da companhia.
Sua presença é detectada e a partir de agora seu objetivo 
principal (como para todos os outros que também entraram) 
é suprir suas necessidades. Em sua ficha consta, entre outras 
coisas, que você gosta de vinho tinto português.
O sistema rastreia alguma promoção deste item e por meio 
de alto-falantes, comunica de forma impessoal que “a quem 
possa interessar, está havendo naquele momento uma pro-
moção de vinhos portugueses na seção de bebidas”. E isto vai 
acontecendo, durante sua permanência no local, para todos 
40
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
os itens que representem hábitos cadastrados em seu cartão.
Agora é hora de ir embora e ao passar pela porta de saída, 
seu carrinho vai por outro compartimento, te encontrando 
lá fora, onde você recebe sua nota fiscal discriminada com os 
produtos comprados e o valor já lançado em seu cartão. Isto 
tudo em 25 segundos de média. 
No estacionamento, estranhamente um manobrista vem ao 
encontro de sua família, cumprimenta com mais atenção seu 
filho e lhe entrega uma pequena lembrança pela passagem 
de seu aniversário que ocorreu três dias atrás (conforme des-
crito em seu cartão).
Com sua partida, a central do supermercado detecta que na 
compra de hoje você não levou margarina, apesar de estar re-
gistrado que sua média de compra deste produto é de quatro 
por mês, preferencialmente da marca X. Automaticamente é 
enviado um e-mail questionando o porquê de você não ter 
comprado este item e fornecendo algumas vantagens para 
você confirmar um pedido extra que será enviado para sua 
residência [...].
INDICAÇÃO DE LEITURA
Para saber mais sobre as inovações em sala de aula, su-
giro a leitura do livro “Inovação na sala de aula: como 
41
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
a inovação de ruptura muda a forma de aprender” de 
Clayton M. Christensen.
Livro: Inovação na sala de aula: 
como a inovação de ruptura muda 
a forma de aprender
Autor: Clayton M. Christensen
Editora: Bookman
Sinopse: o guru da inovação Clayton 
Christensen aborda um dos temas fundamentais na so-
ciedade contemporânea: a educação. Neste livro, ele 
propõe uma abordagem inovadora para os desafios da 
educação, privilegiando a personalização no modo de 
aprendizagem, uma solução de ruptura que leva ao en-
sino centrado no aluno.
TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E 
COMUNICAÇÃO (TIC)
42
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
Vivemos desde os anos de 1990 uma explosão de re-
cursos tecnológicos, e as Tecnologias de Informação e 
Comunicação, as TIC´s como são chamadas atualmente, 
vieram para facilitar toda uma vida. Estas são um con-
junto de tecnologias e maneiras de se comunicar, muito 
utilizadas pelas pessoas, das quais tratamos algumas no 
tópico anterior. Permitem a troca de informações, rela-
cionamentos, educação, entre outras, como exemplo: 
• Computadores.
• Telefones fixos.
• Celulares.
• TV.
• CD´s / DVD´s.
• Tablets.
• Rádio.
43
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
• Internet. 
• Pendrives, entre outros.
Desta forma, vão surgindo outras tecnologias, dia após 
dia. Alguns ultrapassados, outros mais novos, porém, 
todas são consideradas tecnologias.
Apesar de nem todas as pessoas possuírem algumas das 
tecnologias, todos conhecem, já ouviram falar ou já tive-
ram contato com a tecnologia por meio de um amigo. 
REFLITA
Vejamos a seguir um textode Luís Fernando Veríssimo que 
ilustra, de uma maneira divertida, as mudanças tecnológicas, 
das quais ele cita a máquina de escrever e o computador:
“Para começar, ele nos olha nos olha na cara. Não é como a 
máquina de escrever, que a gente olha de cima, com superio-
ridade. Com ele é olho no olho ou tela no olho. Ele nos desafia. 
44
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
Parece estar dizendo: vamos lá, seu desprezível pré-eletrôni-
co, mostre o que você sabe fazer. A máquina de escrever faz 
tudo que você manda, mesmo que seja a tapa. Com o com-
putador é diferente. Você faz tudo que ele manda. Ou precisa 
fazer tudo ao modo dele, senão ele não aceita. Simplesmente 
ignora você. Mas se apenas ignorasse ainda seria suportável. 
Ele responde. Repreende. Corrige. Uma tela vazia, muda, ne-
nhuma reação aos nossos comandos digitais, tudo bem. Quer 
dizer, você se sente como aquele cara que cantou a secretária 
eletrônica. É um vexame privado. Mas quando você o manda 
fazer alguma coisa, mas manda errado, ele diz “Errado”. Não 
diz “Burro”, mas está implícito. É pior, muito pior. Às vezes, 
quando a gente erra, ele faz “bip”. Assim, para todo mundo 
ouvir. Comecei a usar o computador na redação do jornal e 
volta e meia errava. E lá vinha ele: “Bip!” “Olha aqui, pessoal: 
ele errou.” “O burro errou!”.
Outra coisa: ele é mais inteligente que você. Sabe muito mais 
coisa e não tem nenhum pudor em dizer que sabe. Esse ne-
gócio de que qualquer máquina só é tão inteligente quanto 
quem a usa não vale com ele. Está subentendido, nas suas 
relações com o computador, que você jamais aproveitará me-
tade das coisas que ele tem para oferecer. Que ele só desen-
volverá todo o seu potencial quando outro igual a ele o esti-
ver programando. A máquina de escrever podia ter recursos 
45
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
que você nunca usaria, mas não tinha a mesma empáfia, o 
mesmo ar de quem só aguentava os humanos por falta de 
coisa melhor, no momento. E a máquina, mesmo nos seus 
instantes de maior impaciência conosco, jamais faria “bip” em 
público.
Dito isto, é preciso dizer também que quem provou pela 
primeira vez suas letrinhas dificilmente voltará à máquina 
de escrever sem a sensação de que está desembarcando 
de uma Mercedes e voltando à carroça. Está certo, jamais 
teremos com ele a mesma confortável cumplicidade que 
tínhamos com a velha máquina. É outro tipo de relaciona-
mento, mais formal e exigente. Mas é fascinante. Agora 
compreendo o entusiasmo de gente como Millôr Fernandes 
e Fernando Sabino, que dividem a sua vida profissional em 
antes dele e depois dele. Sinto falta do papel e da fiel Bic, 
sempre pronta a inserir entre uma linha e outra a palavra 
que faltou na hora, e que nele foi substituída por um bo-
tão, que, além de mais rápido, jamais nos sujará os dedos, 
mas acho que estou sucumbindo. Sei que nunca seremos 
íntimos, mesmo porque ele não ia querer se rebaixar a ser 
meu amigo, mas retiro tudo o que pensei sobre ele. Claro 
que você pode concluir que eu só estou querendo agradá-
-lo, precavidamente, mas juro que é sincero.
Quando saí da redação do jornal depois de usar o computador 
46
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
pela primeira vez, cheguei em casa e bati na minha máquina. 
Sabendo que ela aguentaria sem reclamar, como sempre, a 
pobrezinha.” 
Fonte: Luís Fernando Veríssimo. Disponível em: <http://pen-
sador.uol.com.br/frase/NTI4NjQz/>. Acesso em 25 jun. 2013.
No texto de Luís Fernando Veríssimo podemos observar a 
comparação que ele faz entre a máquina de escrever e o 
computador, atualmente mais utilizado. “A máquina de es-
crever faz tudo que você manda, mesmo que seja a tapa. 
Com o computador é diferente. Você faz tudo que ele man-
da. Ou precisa fazer tudo ao modo dele, se não ele não 
aceita”.
Às vezes o computador pode ser ignorado e com isso 
muitos professores vão deixar de fazer o exercício de 
descobrir o potencial do computador, ele será evitado, 
estará lá disponível, mas não utilizado pelos professores, 
pois não sabem exatamente o que fazer com ele e dei-
xam de explorá-lo, desta forma, o computador poderá 
47
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
ser rejeitado e não inserido como ferramenta pedagógi-
ca para auxiliar no ensino-aprendizagem. É exatamente 
o que Veríssimo fala em seu texto, que por mais que as 
mudanças acontecem, para melhorar seja em qualquer 
área, acaba-se sempre obtendo um receio em aprender 
a utilizar tal tecnologia. 
“Sinto falta do papel e da fiel Bic, sempre pronta a inserir 
entre uma linha e outra a palavra que faltou na hora, 
e que nele foi substituída por um botão, que, além de 
mais rápido, jamais sujará os dedos [...]”.
As tecnologias existem e precisa-se partir do professor a 
atitude de procurar aprendê-las para aplicá-las em sala 
de aula. As mudanças na educação dependem em pri-
meiro lugar, de termos educadores maduros intelectual 
e emocionalmente, pessoas curiosas, abertas, que sai-
bam motivar e dialogar. Aquele que mostra o que sabe e 
ao mesmo tempo está sempre atento ao que não sabe, 
que saiba chamar a atenção do aluno para o conteúdo 
48
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
da aula e facilite todo o processo de organizar a apren-
dizagem. Mas infelizmente ainda temos uma boa parte 
de professores que é previsível, que repete fórmulas e 
sínteses, sem se preocupar com as mudanças tecnoló-
gicas que vem por aí. E as tecnologias de informação e 
comunicação estão aí, o educador tem a oportunidade 
de levar para a sala de aula e proporcionar ao seu aluno 
um ensino atual e de qualidade, porém, é preciso antes 
de tudo saber o que está fazendo, o porquê da utiliza-
ção, se tem fundamento e se irá servir para o conteúdo 
que será trabalhado, pois de nada adianta utilizar destes 
meios apenas porque está na moda ou porque é orienta-
ção da instituição. Também não podemos apenas utilizar 
um meio de aprendizagem, devemos ter um equilíbrio 
e saber sempre quando utilizá-los, diversificando as for-
mas de ministrar aulas e de realizar atividades.
Às vezes é tão mais prático utilizarmos de ferramen-
tas ou tecnologias que já conhecemos que fica difícil 
49
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
abrirmos nossas mentes para novas tecnologias, novas 
formas de ensinar, de aprender etc., chamamos isto de 
“resistência a mudanças”, pois acostuma-se com algu-
mas práticas e acaba se fechando para novas.
REFLITA
“Tecnologia é uma forma de conhecimento. ‘Coisas’ tecnológi-
cas não fazem sentido sem o ‘saber-como’ (know-how) usá-las, 
consertá-las, fazê-las” (EVANS; NATION, 1993 apud BELLONI, 
2006, p.53).
Somos obrigados atualmente a pensar e refletir sobre 
processos educativos que ultrapassem os meios mais 
tradicionais, que possibilitem a criação de novos am-
bientes de aprendizagem, apresentando as TIC´s como 
forma de mudança.
Podemos observar escolas e/ou instituições que têm 
50
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
acesso aos meios mais modernos de tecnologias, mas 
também vemos algumas que vão praticamente se ar-
rastando, implorando por melhorias e oportunidades 
de ter, são aquelas que nem ao menos possuem uma 
cadeira descente para se sentar e estudar, com um pro-
fessor em sala que luta por recursos didáticos inovado-
res para dinamizar sua aula. Fica nítido a diferença de 
oportunidades para as novas tecnologias entre escolas 
e/ou instituições.
Sendo assim, não adianta tratar da tecnologia sem falar 
da exclusão digital, tema muito abordado atualmente. 
Com os problemas sociais há muitos brasileiros com falta 
de acesso, dos quais são excluídos social e digitalmente.
O QUE É INCLUSÃO DIGITAL?
Ao contrário do que alguns dizem inclusãodigital não 
é apenas colocar as pessoas a frente do computador e 
51
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
ensiná-las a utilizar, é muito mais que isso, é disponibili-
zar o acesso à tecnologia da informação e comunicação, 
em condições favoráveis, com objetivo ao desenvolvi-
mento pessoal e coletivo. De nada adianta utilizar por 
utilizar, se não acontecer a construção e aquisição do 
conhecimento.
De acordo com Bertoncello (2011, p.15), “o processo de inclu-
são digital deveria levar o indivíduo incluído à produção de in-
formações e conhecimentos, à participação social ativa [...]”.
Dessa forma, o docente, a escola e/ou a instituição de-
vem incluir seus alunos na era digital, demonstrando 
as TIC´s, para que todos tenham acesso, e assim, ob-
tenham noções básicas de algumas das tecnologias da 
informação e comunicação.
O Governo Brasileiro acredita que a solução para a inclu-
são social é justamente a inclusão digital, ou pelo menos é 
um dos caminhos. É por meio dela que aquela população 
52
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
mais carente poderá se beneficiar das novas ferramentas 
para obter conhecimentos, consequentemente, com aces-
so a melhores oportunidades no mercado de trabalho. 
Sendo assim, o Governo implantou programas de inclusão 
digital que ajudam a democratizar este acesso. Um dos 
programas é o “Computador para todos”, onde são dispo-
nibilizados computadores com preços reduzidos, ou até 
mesmo linhas de créditos especiais para a compra. Outro 
programa é “Banda Larga nas Escolas”, que leva internet 
com uma conexão rápida a estudantes do Ensino Básico 
de escolas públicas, e segundo o Governo Federal, tem 
duração prevista até 2025. São todos programas que au-
xiliam para a inclusão digital desde a infância, dos quais é 
preciso aproveitar.
53
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
Fonte: shutterstock
Vale ressaltar também que aqui no Brasil temos alguns 
programas do Governo para a melhoria da qualidade da 
educação brasileira, relacionada a formação de profes-
sores, conforme cita Brocanelli, Gitahy e Rinaldi (2011):
• Proformação (Programa de Formação de Professores em 
Exercício): para professores que lecionam nas séries iniciais, 
classes de alfabetização ou Educação de Jovens e Adultos, das 
redes públicas de ensino do país.
• Proinfo (Programa Nacional de Informática na Educação): 
54
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
promove a utilização da Telemática como ferramenta de en-
riquecimento pedagógico no ensino público fundamental e 
médio.
• TV Escola: capacitação e aperfeiçoamento de professores da 
rede pública do ensino fundamental e médio.
• Rádio Escola: desenvolve ações nas escolas públicas ou comu-
nidades, que visam à utilização e à mobilização dessa mídia na 
difusão e no desenvolvimento de práticas pedagógicas, além 
de fornecer insumos para o exercício docente.
FIQUE POR DENTRO
<http://www.brasil.gov.br/sobre/educacao/acesso-a-bibliote-
cas-publicas-na-rede>. Acesso em: 19 jun. 2013.
Percebe-se que há uma necessidade em incluir estes pro-
fissionais da educação na Era digital, visto que, os alunos 
55
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
estão chegando à sala de aula já com o conhecimento, 
quase que avançado, sobre as novas tecnologias. Desta 
forma, o Governo tenta de algumas formas auxiliar o 
professor neste desafio, com programas de aperfeiçoa-
mento, pois a Educação passa por uma adaptação fren-
te a todas essas tecnologias, exigindo do professor este 
aperfeiçoamento, que necessita ser permanente, para 
que estes recursos possam ser utilizados nos processos 
de ensino e aprendizagem do aluno.
FIQUE POR DENTRO
O Google está prestes a conquistar a estratosfera. A empresa 
anunciou o lançamento de 30 balões de alta tecnologia para 
levar o acesso à internet para lugares remotos, em que as 
pessoas ainda não estão conectadas.
Acesse os links e veja os vídeos:
<http://info.abril.com.br/noticias/internet/baloes-do-google-
-levarao-sinal-de-internet-ate-areas-remotas-15062013-5.
shl>.
56
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
< h t t p : / / w w w . y o u t u b e . c o m / w a t c h ? v = m c w -
6j-QWGMo&feature=player_embedded#at=34>. Acesso em: 
19 jun. 2013.
A EDUCAÇÃO DO SÉCULO XXI
É interessante iniciar este tópico com uma charge que 
ilustra esta realidade da qual estamos vivenciando na 
Educação, com ela podemos discutir como está sendo vis-
ta a Educação do século XXI e como mudar para esta reali-
dade, observe a charge a seguir:
57
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
Fonte: <http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/coletaneas/
calvin-seus-amigos-428892.shtml> Acesso em: 19 jun. 2013.
Na charge observamos que o aluno se encontra preocu-
pado com a educação que está obtendo em sala de aula, 
cobrando isso da Professora, porém, a mesma afirma 
58
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
que também dependerá do esforço e dos saberes do 
aluno para que a educação que ele almeja aconteça.
Podemos dizer que atualmente o educador não é mais 
o detentor do conhecimento, e sim o mediador, o alu-
no também precisa fazer a parte dele. O professor deve 
ser o mediador emocional, aquele que motiva, incentiva, 
estimula; o mediador intelectual, aquele que ajuda a es-
colher as informações mais importantes, que informa; 
o mediador comunicacional, aquele que organiza ativi-
dades de pesquisa, interações, o professor atua como 
orientador comunicacional e tecnológico, ajuda a desen-
volver todas as formas de expressão, de interação, con-
teúdos e tecnologias. 
O educador do século XXI deve ser o agente da educação, 
que transmite todos os conhecimentos necessários de 
acordo com os interesses dos alunos, provocando assim, 
uma massa de ideias que acaba favorecendo a assimila-
ção de novos conhecimentos.
59
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
Conforme dito pela professora na charge citada, “sugiro 
que você comece a se esforçar mais”, ou seja, o aluno 
deve ser o maior interessado na educação que ele está 
levando para a vida e para que tenha competência para 
competir efetivamente numa economia global e opor-
tunidades de emprego, precisa ter um diferencial, um 
esforço a mais para que não fique para traz. A professo-
ra coloca no aluno também a responsabilidade por seu 
processo de formação.
O ensino-aprendizagem acontece quando o aluno con-
segue pesquisar e desenvolver sua própria criativida-
de, assumindo um papel ativo na educação. Os alunos 
aprendem muito mais quando realizado uma compara-
ção dos conteúdos trabalhados e as experiências.
Na educação atual, o aluno participa, pode dialogar e 
construir seu próprio conhecimento e o professor é o 
transmissor e facilitador deste. É importante que o aluno 
perceba que sem o empenho dele não é possível agregar 
60
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
conhecimentos, que não depende apenas do professor ou 
da instituição, mas sim, do interesse do aluno em sala de 
aula.
[...] Os professores podem focar mais a pesquisa do 
que dar respostas prontas. Podem propor temas in-
teressantes e caminhar nos níveis mais simples de 
investigação para os mais complexos; das páginas 
mais coloridas e estimulantes para as mais abstratas; 
dos vídeos e narrativas impactantes para os contex-
tos mais abrangentes e assim ajudar a desenvolver 
um pensamento arborescente (BERTONCELLO, 2010, 
p.21).
Não há mais espaço para a educação tradicional onde 
somente o professor fala e o aluno apenas escuta, na 
educação atual os dois sujeitos participam, trocando e 
vivendo experiências, interagindo um com o outro.
Por fim,conclui-se que a charge apresenta uma reali-
dade da educação atual, onde o aluno imagina que a 
responsabilidade de uma boa formação na escola de-
pende apenas do professor e da instituição, e se exime 
61
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
da responsabilidade para este. Mas essa formação que 
o aluno procura dependerá do trabalho realizado pelo 
professor em sala de aula, da instituição e principalmen-
te do empenho e interesse do aluno no aprendizado que 
levará para o resto da vida. 
Como exemplo, acredita-se que a educação a distância 
possa ser uma modalidade que irá formar um aluno 
crítico e dinâmico para buscar estratégias para resol-
ver seus problemas, aprendendo por si só com a ajuda 
do professor mediador, do qual auxiliará na construção 
do conhecimento. Diante de toda essa realidade que 
a charge nos mostra, acredita-se que é o momento do 
professor e/ou instituição refletir sobre como abordar o 
aluno para que o mesmo perceba o quanto a educação 
na vida do cidadão é importante para alcançar seus ob-
jetivos e conseguir uma oportunidade de emprego.
A figura abaixo mostra uma cronologia demonstrando 
as particularidades de cada geração, é bem interessante, 
62
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
pois podemos observar a evolução na educação.
Fonte: <http://fabiopestanaramos.blogspot.com.br/2011/12/tecnologia-e-
ducacional-cenario-atual-e.html> . Acesso em: 19 jun. 2013.
63
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
pois podemos observar a evolução na educação.
Fonte: <http://fabiopestanaramos.blogspot.com.br/2011/12/tecnologia-e-
ducacional-cenario-atual-e.html> . Acesso em: 19 jun. 2013.
Percebe-se uma diferença grande na comunicação en-
tre professor e aluno, onde a comunicação antigamente 
era muito rara e que atualmente é muito frequente, pois 
agora o professor tem um papel de mediador do conhe-
cimento, não apenas de transmissor, o aluno começa a 
fazer parte do seu próprio ensino, não apenas como um 
ser passivo, mas ativo. Na área da educação podemos 
dizer que as mudanças tecnológicas vieram para ajudar 
o ensino aprendizagem, a cada mudança uma conquista, 
uma melhoria para a disseminação de conhecimentos.
AS VANTAGENS E DESVANTAGENS DA 
UTILIZAÇÃO DA TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO
Essa Era da Informação, com as novas tecnologias, nos 
possibilitou uma gama de cursos online, oferecidos na 
modalidade a distância, cursos estes de Graduação, 
64
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
Pós-graduação, extracurriculares, entre outros. 
Atualmente já existem várias Instituições que oferecem 
cursos online, por meio da tecnologia satélite, confor-
me citado no primeiro tópico. Desta forma, houve uma 
democratização do ensino, pois muitas pessoas que an-
tes não tinham condições de frequentar uma sala de 
aula, hoje podem estudar o curso desejado por meio da 
transmissão via satélite e por ambientes virtuais.
É válido ressaltar que da mesma forma que a tecnolo-
gia pode ser vantajosa, por exemplo, neste caso, tam-
bém podem oferecer desvantagens. A internet da qual 
tratamos, pode ser boa como também pode ser ruim 
para muitos Professores, pois com toda essa evolução, 
muitos alunos perderam a prática de ler um livro, para 
navegar em sites na internet que não correspondem 
aos seus estudos, ou então, realizar trabalhos com par-
tes retiradas da internet na íntegra, o que é considera-
do plágio, por não haver uma correta citação do autor 
65
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
pesquisado. É importante dizer que a tecnologia em si, 
se bem utilizada pode trazer muitos benefícios, tudo de-
pende da forma como sua utilização for cultivada pelos 
seus usuários. Outra desvantagem é saber que uma tec-
nologia criada pode substituir a mão de obra nas em-
presas, apesar de que, para manuseio destas ferramen-
tas, será necessário sempre a presença de uma pessoa. 
Tem-se também a dependência que a tecnologia traz, 
vejamos na figura abaixo:
Fonte: <http://informaticavidadigital.blogspot.com.br/2010/04/
66
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
olhando-este-quadro-podemos-chegar.html> . Acesso em: 19 jun. 2013.
No caso da figura, a falta de acesso à rede traz a impos-
sibilidade destes profissionais de exercer suas funções, 
demonstrando também a falta de ética no trabalho. A 
dependência tecnológica é uma desvantagem, da qual 
todos precisam prestar atenção, pois a partir do mo-
mento em que tornarmos totalmente dependentes de 
uma tecnologia não mais teremos autonomia, devemos 
utilizar a tecnologia de forma que isso não aconteça, a 
boa utilização pode trazer muitos benefícios.
Mas pensando pelo lado da Educação, as novas tec-
nologias podem ter sido criadas em um bom momen-
to, momento este que a Educação no país necessita 
de uma aprendizagem mais dinâmica, mais inovado-
ra, onde o conhecimento pode ser demonstrado de 
formas diferentes, fazendo com que o aluno assimile 
mais facilmente. Os benefícios da tecnologia podem 
67
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
ser reinvestidos em favor do próprio conhecimento, 
possibilitando uma continuidade no encadeamento de 
novos saberes.
As tecnologias merecem estar presentes no cotidiano 
escolar porque estão presentes na vida das pessoas, 
mas também para diversificar a forma como o aluno irá 
apropriar-se do conhecimento, como irá chegar até este 
conhecimento, para se familiarizar com este leque de 
novas tecnologias, para haver a democratização e para 
dinamizar o trabalho do docente.
Segundo Pocho (2003, p.15), 
O domínio do professor deve se concentrar no campo 
crítico e pedagógico, decidindo-se pela opção de inte-
grar ou não a tecnologia em seu currículo, de acordo 
com os objetivos, e ainda escolher o momento apro-
priado para fazê-lo, evitando, assim, a imposição tec-
nológica na sala de aula. O professor não pode perder 
a dimensão pedagógica.
68
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
Diante disso, a utilização pode ser considerada vanta-
josa se bem utilizada, em prol da qualidade de ensino, 
como mostra a reportagem publicada recentemente em 
um site da internet, da qual a empresa Intel apresen-
tou o primeiro tablet do mundo voltado exclusivamente 
para a educação, que foi pensado para auxiliar o desen-
volvimento infantil e as atividades curriculares dentro e 
fora da sala de aula.
O Intel Learning Series Tablet apresenta alta durabilida-
de, é resistente o bastante para ser usado em uma sala 
de aula ano após ano, tem duração de bateria estendi-
da e recursos específicos para promover uma experi-
ência de uso multissensorial. A Intel Learning Series foi 
criada para habilitar soluções básicas para a educação 
um a um e estimular a inovação do ecossistema em 
torno da arquitetura Intel (META ANÁLISE, 2011, p.1)
Assim, podemos observar a inovação tecnológica che-
gando para permanecer e ainda inovando nossas salas 
de aulas. Fica claro que é preciso atenção nas ferramen-
tas utilizadas, quanto ao processo de planejamento, 
69
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
gerenciamento e execução, mas que não podemos dei-
xar de utilizar as tecnologias educacionais nas aulas mi-
nistradas, para inovar cada vez mais o ensino-aprendi-
zagem do aluno. Pode-se até ter um pouco de receio em 
manusear uma nova tecnologia, algo que mudou, mas 
não podemos deixar que estas “velhas” ferramentas to-
mem conta de nós e não nos deixe enxergar o quanto 
é importante aprendermos coisas novas para repassar 
com qualidade aos nossos alunos.
Observamos que são muitas as vantagens da utilização 
da tecnologia na educação, várias formas de utilizá-las 
com o intuito de inovar as aulase torná-las mais dinâ-
micas, produzindo e adquirindo conhecimentos de di-
versas formas de interesse dos alunos. A escola e/ou 
instituição é responsável pelo acesso dos alunos às tec-
nologias digitais, em condições favoráveis e que auxilie 
no desenvolvimento do aluno, por isso a importância de 
se introduzir novas ferramentas pedagógicas.
70
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
Na área da Educação, entende-se que tecnologia e edu-
cação devem caminhar juntas, sendo a tecnologia ele-
mento fundamental e inseparável da educação.
A educação é e sempre foi um processo complexo 
que utiliza a mediação de algum tipo de meio de 
comunicação como complemento ou apoio à ação 
do professor em sua interação pessoal e direta com 
os estudantes. A sala de aula pode ser considerada 
uma “tecnologia” da mesma forma que o quadro ne-
gro, o giz, o livro e outros materiais são ferramentas 
(“tecnologias”) pedagógicas que realizam a media-
ção entre o conhecimento e o aprendente (BELLONI, 
2006, p.54).
A tecnologia está presente na Educação tanto na mo-
dalidade presencial quanto na modalidade a distância. 
Algumas ferramentas utilizadas pelo professor em sala 
de aula no ensino presencial, como o quadro-negro ou o 
giz, com certeza são considerados ferramentas pedagó-
gicas, que podem ser chamadas também de tecnologias, 
mas atualmente existem várias outras tecnologias que 
podem ser substituídas por estes, como por exemplo, 
71
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
a substituição do quadro-negro por Datashow e vídeos 
para auxiliar na aprendizagem do aluno, conforme cita 
Brocanelli, Gitahy e Rinaldi (2010, p.6),
Há um avanço no que diz respeito ao uso dos recur-
sos em sala de aula: em lugar de um quadro e um 
giz (muitas vezes, vários giz coloridos), há uma pos-
sibilidade de uso de outros recursos atrativos, como 
o próprio computador ou uma projeção tecnológica 
de alta definição e rapidez; o uso de softwares; em 
lugar de textos em papel, há uma variedade de pos-
sibilidades de trabalho coletivo e colaborativo na in-
ternet, em vários sites eficientes sobre determinado 
assunto. Porém, um recurso não substituiu o outro, 
mas a articulação entre eles por meio da mediação 
do professor é que produzirá melhores situações de 
ensino aos alunos.
Claro que não estamos tratando de mudanças fáceis e rá-
pidas, muitas vezes o professor depende da escola e/ou 
instituição, que a mesma também depende de alguém. 
Mas de qualquer forma não podemos deixar que a for-
ma autoritária de educar permaneça, o objetivo é trazer 
72
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
para as salas de aulas cada vez mais a forma comunica-
cional de se educar, onde as TIC´s estão presentes.
FIQUE POR DENTRO
Como as escolas podem nos preparar para o futuro se elas 
não estão preparadas para o presente? O professor da 
Universidade da cidade de Nova York James G. Lengel expli-
ca como as escolas atuais ainda estão despreparadas para o 
ambiente de trabalho 3.0 e como elas podem se atualizar por 
meio de 8 passos.
Acesse o link e veja o vídeo:
<http://www.youtube.com/watch?annotation_id=annota-
tion_383421&feature=iv&src_vid=4G79ePIYMnI&v=AdQIYIg-
4-Ww>. Acesso em 20 de junho de 2013.
73
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
TECNOLOGIA PARA FAZER EDUCAÇÃO
Atualmente percebemos que a educação está voltada 
para a aprendizagem e não para o ensino, algo que é 
muito estudado e falado ultimamente, que o professor 
precisa se preocupar com a aprendizagem do aluno, 
e não somente passar o conteúdo e acreditar que sua 
missão foi cumprida, pelo contrário, é necessário trans-
mitir o conteúdo e ao mesmo tempo nos preocuparmos 
em saber se esse conhecimento foi adquirido pelo alu-
no. E hoje em dia temos vários recursos para utilizarmos 
em sala de aula que podem auxiliar nessa captura de 
conhecimentos e que facilitam a aprendizagem do alu-
no, assim como recursos tecnológicos, que antigamente 
os professores não tinham tantas opções de tecnologias 
para utilização em sala de aula.
As mudanças no acesso à informação estão acontecen-
do a todo o momento, e é neste momento que o profes-
sor deve agir como um trabalhador do conhecimento, 
74
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
ou seja, se aperfeiçoar, ir atrás de novos conhecimentos, 
deixar esse ensino tradicional de lado e partir para as 
novas tecnologias aplicadas à educação. Porém, estas 
mudanças na educação dependem em primeiro lugar, 
de termos educadores maduros intelectual e emocional-
mente, pessoas curiosas, abertas, que saibam motivar 
e dialogar. Aquele que mostra o que sabe e ao mesmo 
tempo está sempre atento ao que não sabe, que saiba 
chamar a atenção do aluno para o conteúdo da aula e 
facilite todo o processo de organizar a aprendizagem. 
Mas infelizmente ainda temos uma boa parte de profes-
sores que é previsível, que repete fórmulas e sínteses, 
sem se preocupar com as mudanças que vem por aí. 
Michel de Montaigne (1533-1592) já dizia que, “deco-
rar, apenas, representa ter a barriga cheia de comi-
da, sem digeri-la. E isso seria de todo inútil, porque se 
não assimilarmos o alimento, ou seja, o conhecimento, 
como nos fortaleceríamos e cresceríamos?” Essa fala de 
75
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
Montaigne nos faz refletir sobre o ensino atual, em que 
o professor não apenas faz com que o aluno decore o 
conteúdo, mas que aprenda, pois o aluno somente che-
gará a sabedoria quando souber formular e responder 
aos questionamentos que a busca pelo conhecimento 
coloca em sua mente.
O educador precisa ser o mediador emocional, aquele 
que motiva, incentiva, estimula; o mediador intelectual, 
aquele que ajuda a escolher as informações mais impor-
tantes, que informa; o mediador comunicacional, aquele 
que organiza atividades de pesquisa, interações, o pro-
fessor atua como orientador comunicacional e tecnoló-
gico, ajuda a desenvolver todas as formas de expressão, 
de interação, conteúdos e tecnologias.
O professor tem um grande número de opções metodo-
lógicas, de possibilidades de organizar sua comunicação 
com seus alunos, de introduzir um tema, de trabalhar 
com os alunos presencialmente ou virtualmente e de 
76
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
avaliá-los. Como exemplo temos computador, internet, 
televisão, softwares educativos, rádio, multimídias, en-
tre outros.
Cada docente pode encontrar sua forma mais ade-
quada de integrar as várias tecnologias e os mui-
tos procedimentos metodológicos. Mas também é 
importante que amplie que aprenda a dominar as 
formas de comunicação interpessoal/grupal e as de 
comunicação audiovisual/telemática (MORAN, 2000, 
p.32).
Ao estudar o uso das tecnologias no campo pedagógico, 
nosso interesse é ressaltar as potencialidades cognitivas 
desses recursos, explorando as melhores formas de uti-
lização para melhoria das condições de aprendizagem. 
Como o computador, que mesmo conectado a uma 
rede de informação, por si só, não oferece nenhuma ga-
rantia de ampliação do conhecimento, é necessário uma 
competência pedagógica para a estruturação de objeti-
vos, metodologias e conteúdos apropriados a esse novo 
instrumento.
77
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
Desta forma, a área da educação precisa dominar o po-
tencial educativo das tecnologias e colocá-las a serviço 
do desenvolvimento de um projeto político pedagógico 
que vise a construção da autonomia dos educandos e a 
formação para o exercício pleno da cidadania.
FIQUE POR DENTRO
Professores conectados! 
Depois de lançar uma rede social direcionada a estudantes 
(chamada de Socl) a Microsoft desenvolveu agora uma rede 
para conectarprofessores ao redor do mundo. A PIL, sigla em 
inglês para Parceiros na Aprendizagem, já tem cerca de qua-
tro milhões de usuários em 119 países e pode ser acessada 
no endereço <www.pil-network.com>. Além das ferramentas 
comuns às redes sociais, ela converte textos acadêmicos e 
didáticos para 36 idiomas diferentes e oferece vídeos tuto-
riais para usar as novas tecnologias e criar atividades em sala 
que promovam o engajamento dos estudantes. Para come-
çar a participar, é possível se conectar por meio da conta do 
Hotmail, Google, Facebook ou Yahoo. 
78
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
Fonte: Revista Ensino Superior. Ano 14, n. 166.
Existem algumas escolas, ou, a maioria Instituições de 
Ensino Superior, que oferecem cursos online de com-
plemento, tanto para o aluno quanto para o professor, 
um meio de fazer educação utilizando-se da tecnologia, 
o que faz a instituição mudar radicalmente, não ape-
nas em função da oferta dos cursos, mas também pela 
transformação de seu processo educacional, onde anti-
gamente era voltado apenas para o professor e suas au-
las, e agora passa a contar com alguns métodos online 
para realização dos trabalhos.
É claro que devemos levar em consideração que não se 
faz uma grande mudança de um momento para o ou-
tro, isso precisa ser bem pensado e planejado de acordo 
com as exigências do Ministério da Educação (MEC). O 
que a instituição pode e deve fazer é dar início à mu-
dança, promovendo a contaminação controlada do 
79
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
processo atual pelas novas técnicas, aos poucos é pos-
sível implantar novas tecnologias para fazer educação.
Um início da mudança também é a instituição oferecer 
cursos gratuitos online e aprender com a experiência. 
Com essa prática, a mesma deve estar preparada e dis-
posta a ceder parte da sua riqueza, que nada mais é 
que o conteúdo educacional. Existem algumas institui-
ções que oferecem cursos extracurriculares gratuitos e 
totalmente online, para quem tiver interesse, vejamos 
alguns exemplos:
• Fundação Getúlio Vargas (FGV): oferece cursos online gratui-
tos com declaração de participação ao aluno. E ainda afirmam 
que agora não há mais desculpas para quem quer estudar e 
não tem dinheiro para arcar com os altos preços das men-
salidades dos cursos. O interessante é que segundo site da 
instituição, esta fundação é a primeira instituição brasileira 
a ser membro do OCWC (Open Course Ware Consortium), que 
de acordo com as informações, é o consórcio de instituições 
80
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
de ensino de diversos países que oferecem conteúdos e ma-
teriais didáticos de graça pela internet. Dentre os cursos gra-
tuitos online, estão cursos da área de comunicação, gestão e 
direito. Não são cursos que proporcionam titulação, crédito, 
certificação, ao final das aulas, mas o participante poderá re-
alizar um teste ao final dos conteúdos e obtendo uma nota 
mínima conseguirá emitir uma declaração de participação. O 
site para acesso aos cursos é: <http://www5.fgv.br/fgvonline/
cursosgratuitos.aspx>. Acesso em 20 de junho de 2013.
• Sebrae: instituição que costuma promover alguns cursos onli-
ne e gratuitos para quem deseja iniciar um negócio, repensar 
seu empreendimento ou mesmo obter informações sobre 
o empreendedorismo e gestão. Os principais cursos ofere-
cidos pelo Sebrae são: AE – Aprender a Empreender; APF – 
Análise e Planejamento Financeiro; CVMM – Como Vender 
Mais e Melhor; D-Olho na Qualidade: 5Ss para os pequenos 
negócios; AC – Atendimento ao Cliente; GCC – Gestão de 
Cooperativas de Crédito; BPSA – Boas práticas nos serviços 
81
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
de alimentação: gestão da segurança; EI – Empreendedor 
Individual; IPGN - Iniciando um Pequeno e Grande Negócio; 
MEG – Primeiros Passos para a Excelência; IPN – Internet para 
Pequenos Negócios. O site para acesso aos cursos é: <http://
www.ead.sebrae.com.br/hotsite/>. 
• Fundação Bradesco (Escola Virtual): cursos rápidos, online 
e gratuitos em diversas áreas do conhecimento. Oferecem 
cursos semipresenciais também, que são cursos mais técni-
cos, voltados para os participantes mais experientes. Alguns 
dos cursos oferecidos online, onde interessa mais aquela 
pessoa que não tem muito tempo disponível para frequen-
tar uma sala de aula, são: na área da administração financei-
ra (matemática financeira; contabilidade empresarial, entre 
outros); na área comportamental (novo acordo ortográfico, 
recrutamento e seleção, postura e imagem profissional, co-
municação e escrita, entre outros); na área da informática 
(Internet, Word, Excel, entre outros), ou seja, são várias as 
áreas e cursos ofertados, e o que é melhor, praticidade.
82
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
Podemos listar várias das instituições que oferecem cur-
sos utilizando-se da tecnologia de distribuir conhecimen-
to para muitas pessoas de toda parte do mundo, mas 
apenas três exemplos de iniciativa a inovação na apren-
dizagem, já conseguimos ter conhecimento da dimen-
são que esta modalidade de ensino está se apropriando.
Estes também são cursos que pode-se pensar em ofertar 
para os professores como forma de treinamento, pois a 
preparação dos docentes para sala de aula inovadora, é 
fundamental. É um interesse do docente e da instituição 
acompanhar as mudanças tecnológicas e didáticas.
Claro que não há fórmula exata, nem método mágico 
para estimular o aprendizado, mas a partir da experi-
mentação, vontade de mudar e percepção das neces-
sidades dos alunos, as instituições de ensino podem 
encontrar caminhos para torná-lo mais significativo e 
afinado aos dias de hoje, pois precisamos de um siste-
ma de ensino mais dinâmico e adequado à realidade 
83
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
dos alunos.
INDICAÇÃO DE LEITURA
Para saber mais sobre os Recursos Tecnológicos uti-
lizados na área da Educação, sugiro a leitura do li-
vro “Recursos Educacionais para o ensino: quando e 
por quê?” de Ilza Martins Sant’Anna e Victor Martins 
Sant’Anna.
Livro: Recursos Educacionais para 
o ensino: quando e por quê?
Autores: Ilza Martins Sant’Anna e 
Victor Martins Sant’Anna
Editora: Vozes
Sinopse: os recursos de ensino 
não são somente meios, mas cons-
tituem, muitas vezes, a própria realidade. Ter uma in-
formação atualizada por meio de um jornal ou revista, 
ouvir um noticiário, assistir com o grupo a um programa 
84
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
de televisão, fazer gravações, elaborar textos, fazer ex-
posições, inventar e contar histórias, ler livros, planejar 
gincanas, construir jogos a partir desses contatos com a 
realidade... é o que deve e precisa ser feito. Por que de-
senhar no quadro um mamífero, se temos um zoológico 
próximo?
Este livro ensina a trabalhar com a realidade objetiva, mas 
quer também que o aluno confronte suas percepções in-
dividuais com a realidade e com as percepções do grupo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No decorrer desta unidade verificamos a importância 
da evolução da tecnologia na vida das pessoas, onde 
é utilizado estas tecnologias em várias áreas, inclusive 
na área da educação, onde foi o nosso foco principal. 
É importante ressaltarmos que a aprendizagem aconte-
ce por meios mais simples, sem novas tecnologias im-
plantadas nas salas de aulas, mas também se uma nova 
85
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
ferramenta está disponível para ser utilizada, é preciso 
aproveitar o máximo e extrair coisas boas, levando para 
a sua didática em sala de aula, o dinamismo e a vontade 
de estudar de seus alunos.
Na próxima unidadefalaremos de toda esta inovação e 
das tecnologias educacionais, demonstrando com mais 
detalhes as ferramentas que podem ser utilizadas com 
sucesso em sala de aula.
ATIVIDADES
1) Em relação ao primeiro tópico desta unidade, onde 
se fala sobre a Evolução da Tecnologia, visualize a 
segunda imagem (evolução da tecnologia de 1960 a 
2060), reflita e faça um texto complementando um 
futuro para daqui 10 anos na sua perspectiva e dis-
cuta com seus colegas.
2) As tecnologias utilizadas por você no dia a dia es-
tão contribuindo para a melhoria contínua? Se a 
86
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
resposta for não, reflita sobre como resolver esta si-
tuação pensando sempre nesta melhoria. Converse 
com os seus colegas.
3) Levando em consideração que a inclusão social é um 
tema muito abordado atualmente e que é preciso repen-
sar nossas atitudes como Professores, reflita e responda 
como você acredita que o docente possa agir diante des-
ta situação? Cite exemplos.
4) A educação atual passa por grandes mudanças, mui-
tas ferramentas tecnológicas que o decente pode 
utilizar para tornar suas aulas mais dinâmicas e atra-
entes. Pense nestas mudanças e responda como 
deve ser este educador do século XXI, quais as mu-
danças que devemos acatar.
5) Diante das reflexões realizadas nesta unidade, pro-
ponho a você, uma análise crítica da escola, do pa-
pel do educador e do perfil dos alunos em diferentes 
87
UNIDADE I - Educação e Novas Tecnologias
tempos, considerando as questões sociais, históri-
cas, culturais, econômicas e tecnológicas. Preencha 
os quadros abaixo com suas reflexões:
30 anos atrás
Escola Educadores Alunos
Na atualidade
Escola Educadores Alunos
Daqui dez anos
Escola Educadores Alunos
Inovação e tecnologias 
educacionais 
UNIDADE 2
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
• Realizar uma breve reflexão sobre as Tecnologias 
Educacionais.
• Apresentar o funcionamento do processo de mudança.
• Identificar os recursos computacionais que podem ser 
aplicados na didática em sala de aula.
• Apresentar um breve conceito da Educação a Distância e 
seus integrantes..
PLANO DE ESTUDO
Serão abordados os seguintes tópicos:
• Tecnologias educacionais
• As tecnologias na Educação: um processo de mudança
• O computador como tecnologia educacional
• Recursos computacionais aplicados na educação 
(aplicativos, internet, multimídia, entre outros) 
• Internet, como usá-la em sala de aula
• Das salas de aulas aos ambientes virtuais de 
aprendizagem
• Integrantes da educação a distância
• Papel do aluno online
Kátia Montalvão; Natalia Aguiar de Menezes
90
UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias
INTRODUÇÃO
Olá, Caro(a) Acadêmico(a)!
Ao longo da primeira unidade tivemos a oportunidade 
de entender como foi o processo evolutivo das tecno-
logias até o momento atual. Também vimos as vanta-
gens e desvantagens da tecnologia na educação, e que 
podemos utilizá-la de forma a dinamizar a didática em 
sala de aula. E dando continuidade nesta jornada de es-
tudos, serão apresentados nesta unidade alguns dos re-
cursos tecnológicos que podem ser utilizados em sala 
de aula, apresentando algumas atividades com estes 
recursos. Também falaremos do processo de mudan-
ça, que o educador se encontra em meio a tantas mu-
danças tecnológicas que afetam a Educação, querendo 
ou não temos a tão falada, resistência à mudança, por 
parte de alguns educadores. E para finalizar a unidade, 
será tratada sobre a Educação a Distância, uma modali-
dade que vem conquistando o país e deixando algumas 
91
UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias
pessoas com dúvidas em relação aos seus integrantes 
desta modalidade, sendo assim, trataremos detalhada-
mente a responsabilidade de cada integrante. A partir 
desta unidade de estudo, você terá a oportunidade de 
mergulhar e ir mais fundo no entendimento dos recur-
sos tecnológicos aplicados à educação. Aproveite este 
momento e boa leitura!
TECNOLOGIA EDUCACIONAL
Na unidade anterior falamos muito sobre a tecnologia 
e sua evolução, bem como a importância de introduzir 
esta tecnologia na área da Educação, assim, nesta unida-
de convidamos você para se aprofundar mais nas tecno-
logias educacionais, as quais é possível utilizar em sala 
de aula e obter sucesso no aprendizado dos alunos. É 
preciso muita atenção para fazer a escolha certa do re-
curso tecnológico para aplicação do conteúdo. Muitas 
vezes as tecnologias chegam à escola não por escolha do 
92
UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias
professor, mas por imposição, como no caso de tecnolo-
gias entregues pelo Governo, às vezes até sem a devida 
orientação de utilização para os professores.
Mas mesmo com estas e outras dificuldades, podemos 
pensar ainda que a própria tecnologia pode ser um meio 
de concretizar o discurso que propõe que a escola deve 
fazer o aluno aprender a aprender, a criar, a inventar 
soluções próprias diante dos desafios, e não formar o 
aluno para repetir e copiar. A tecnologia pode ser um 
meio de auxiliar os professores neste aspecto.
Também devemos considerar que o avanço tecnológico 
ainda não chegou para todos, e escola sendo um local 
que se propõe o ensino e aprendizagem ao aluno, ca-
berá à ela agir com e sobre as tecnologias, demonstran-
do sua importância e ensinando de uma maneira mais 
dinâmica, a escola poderá orientar o aluno ao uso da 
tecnologia relacionado com o conteúdo.
AS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO: UM 
93
UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias
PROCESSO DE MUDANÇA
Que as tecnologias estão presentes na educação já sa-
bemos, mas é fácil concluirmos que alguns professores 
não estão preparados para tanta mudança. Os profes-
sores precisam estar abertos para incorporar essa nova 
realidade, aceitar as mudanças e inovar a escola. 
Mas é válido ressaltar que entre identificar as novas tec-
nologias e iniciar a sua utilização, existe um espaço de 
tempo bem grande, pois sabemos que pode existir certa 
resistência à mudança por parte dos responsáveis pela 
escola e os professores.
Existe certo tempo para que este professor sinta-se 
motivado e seguro para utilizar uma ferramenta nova 
em suas aulas, às vezes nem este tempo existe, pois 
em um primeiro momento já demonstra a resistência 
às novas ferramentas que a escola disponibiliza.
O processo de qualquer mudança, seja na área da 
94
UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias
educação ou profissional, pode ser representado pela 
figura abaixo:
Fonte: <http://ideagri.com.br/plus/modulos/noticias/imprimir.php?cdnoti-
cia=283> . Acesso em 20 de junho de 2013.
Especificando as etapas, o “descongelamento”, é aque-
le momento em que observamos a necessidade da 
mudança, é se conscientizar, identificar a mudança e 
95
UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias
refletir sobre ela, onde o professor deverá rever seus 
paradigmas.
Depois vem a etapa “mudança”, onde já nos deparamos 
no processo de mudança, aprendendo os novos concei-
tos. Esta etapa somente é concluída quando a pessoa vê 
que está apta para esta nova realidade.
E a última etapa é “recongelamento”, quando iniciamos 
um novo processo de mudança, aquele momento em 
que vemos que sempre estaremos diante de novas re-
alidades, novas mudanças e da necessidade de aprendi-
zagem, dais quais precisamos novamente “descongelar”, 
ou seja, retornar no início do processo de mudança.
O processo de mudança precisa ser constante, a cada 
realidade, tonando-se parte do cotidiano. Conforme dito 
na Unidade anterior, a área da tecnologia, ou mesmo da 
Informática, já estamos falando dela nestaUnidade, é 
caracterizada pela inovação constante, isso quer dizer 
96
UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias
que precisamos estar atualizados e sempre mudando, 
quebrando velhos paradigmas.
Para Tajra (2001, p.127), “[...] As mudanças não se limi-
tam aos instrumentos físicos, mas às mudanças na so-
ciedade, na cultura, na economia, na forma de produção, 
na forma de aprender, nos sistemas de comunicação e 
nas atividades mais simples do nosso cotidiano”.
Mas é claro que a resistência sempre existirá, sempre 
que aparecer alguma mudança, logo vamos perceber 
uma resistência como resposta de alguém, porque é cer-
to que algumas pessoas tendem mesmo a resistir a algo 
que percebem como uma ameaça, quanto mais intensa 
a mudança, mais intensa será a resistência. Infelizmente 
isso já se tornou normal.
Na área da Educação não é diferente, pois as mudanças 
são constantes e os educadores precisam se acostumar, 
aceitando esta mudança como uma melhoria para o 
97
UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias
ensino de seus alunos.
Segundo a colunista Debora Guerra do site <administrado-
res.com>, existem três pontos fundamentais que podem 
diminuir os problemas com as mudanças, vejamos quais:
• A resistência a mudanças poderá ser evitada, na 
medida em que o gestor auxilie os que serão afe-
tados por ela a compreender sua necessidade;
• A resistência diminuirá na proporção em que as 
pessoas afetadas tenham oportunidade de ex-
por abertamente o que pensam sobre a mudan-
ça introduzida;
• A resistência pode não ocorrer, ou ganhar me-
nor proporção, se as pessoas afetadas participa-
rem da definição e da forma como a mudança 
será implantada;
Disponível em: <http://www.administradores.com.
br/artigos/carreira/resistencia-a-mudanca-nas-orga-
nizacoes/50624/>. Acesso em: 11 ago. 2013.
Mesmo com estas dicas a quem pense, “não consigo 
enfrentar estas mudanças de uma maneira tranquila, 
98
UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias
como se fosse algo bom”, claro que haverá muitas re-
flexões deste tipo, mas o fato é que precisamos nos 
acostumar com as mudanças, ainda mais na área da 
Educação, pois muitas vezes precisamos destas mu-
danças para tornar nossas aulas mais dinâmicas, até 
porque muitos alunos já veem para sala de aula com 
um conhecimento amplo quando o assunto é mudan-
ças tecnológicas, assim, o educador precisa estar pre-
parado, ou seja, é necessária a quebra de paradigmas.
Fonte: shutterstock
99
UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias
O COMPUTADOR COMO TECNOLOGIA 
EDUCACIONAL
Quando se iniciou a utilização do computador nas es-
colas muitos profissionais da área sentiram uma certa 
insegurança em relação à maquina, alguns por medo 
de ser substituído pelo computador e outros por medo 
da máquina causar a desumanização na educação, pelo 
fato de proporcionar a formação de cidadãos desuma-
nos e robóticos, iguais a própria máquina.
Mas há aqueles que acreditam que a introdução dos 
computadores na educação possa gerar efeitos posi-
tivos no processo de ensino e aprendizagem. Esta difi-
culdade dos professores no manuseio, na adaptação, é 
normal, como também encontraremos em alguns alu-
nos que não têm conhecimento sobre a máquina, mas 
é preciso persistência, e em primeiro lugar do professor 
e da escola, que recebem os computadores e precisam 
se adaptar para depois apresentar uma atividade com a 
100
UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias
tecnologia em sala de aula.
Outra preocupação de alguns profissionais da área é o 
destino dos livros em uma sociedade computadorizada, 
pois a facilidade em ler pequenos resumos no compu-
tador, acabou deixando o livro de lado, na prateleira de 
um sebo. Você já parou pra pensar que as enciclopédias 
que os antigos guardavam em suas casas, como algo 
inédito e que foi pago bem caro na época, foi substituí-
do pelas informações obtidas por métodos eletrônicos? 
Hoje ficou fácil acessar as informações sem se reportar 
aquele livro grosso e pesado da enciclopédia, qualquer 
pessoa pode acessar esta máquina, obter algumas in-
formações e armazená-las em qualquer pasta.
Mas levando em consideração que estamos falando so-
bre o computador na área da educação, mesmo esta 
máquina deixando de lado os livros, nunca deixarão de 
existir, e ainda melhor, os livros podem ser digitais e li-
dos em um Tablet, por exemplo. Cada nova tecnologia 
101
UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias
vem para melhoria contínua.
Observamos que as crianças e os jovens utilizam o com-
putador nas situações mais diversas, em sua residência, 
em um lan house, jogando games, realizando pesquisas 
de diversos assuntos, batendo papo com seus amigos, 
enfim, e neste momento em que os educadores devem 
aproveitar para incorporar esta ferramenta na práti-
ca educacional, já que irá auxiliá-los na aprendizagem, 
enriquecendo na leitura e outros. Aproveitar que seus 
alunos já conhecem a ferramenta e não terão maiores 
dificuldades para acessá-la. E para aqueles alunos que 
desconhecem a ferramenta, cabe à escola ensiná-los a 
utilizarem, orientar quanto ao uso adequado e também 
aos perigos que o mesmo pode oferecer. É sempre bom 
lembrar que se precisa saber como vai utilizar esta tec-
nologia, de que forma vai utilizar e quais serão os objeti-
vos propostos para este trabalho.
Mas vamos pensar nas disciplinas ministradas e a 
102
UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias
utilização do computador, em um artigo publicado pela 
pesquisadora Raquel Rosan Gitahy, consta uma pesqui-
sa realizada que buscou elucidar e auxiliar a compreen-
der questões relacionadas à leitura e à escrita dos alunos 
utilizando tecnologia disponível na escola, mais especi-
ficamente, a informática. Foram identificadas algumas 
deficiências dos alunos em relação à máquina, como 
também a facilidade na utilização de outros alunos, uns 
realizaram a atividade mais rápido, outros demoraram 
um certo tempo. Em uma das atividades que exigia do 
aluno utilizar o programa PowerPoint foi descrito como 
um dos momentos mais criativo para os pesquisados, 
onde eles puderam criar sua história com um ambiente 
propício. Acesse o site <http://e-revista.unioeste.br/in-
dex.php/travessias/article/view/4105> e veja a pesquisa 
realizada na íntegra.
Diante disso, observamos que é possível utilizar esta fer-
ramenta em várias disciplinas, mas claro que devemos 
103
UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias
refletir se o conteúdo que será ministrado cabe a utiliza-
ção do computador.
Vejamos, a seguir, alguns exemplos de atividades na 
educação com a utilização de recursos computacionais.
INDICAÇÃO DE LEITURA
Para saber mais sobre a informática na área da educação 
e algumas ferramentas para a didática em sala de aula, 
sugiro a leitura do livro “Informática na Educação: novas 
ferramentas pedagógicas para o professor da atualidade” 
de Sanmya Feitosa Tajra.
Livro: Informática na Educação: no-
vas ferramentas pedagógicas para 
o professor da atualidade
Autora: Sanmya Feitosa Tajra
Editora: Érica
Sinopse: este livro visa apresentar 
104
UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias
conceitos básicos e promover uma reflexão sobre a prá-
tica do uso dos computadores como ferramenta peda-
gógica. Nele são abordadas questões relacionadas ao 
uso das tecnologias computacionais em sala de aula, 
tais como – o computador no contexto educacional, his-
tórico, econômico e social; a história da política de in-
formática na educação no Brasil; formas de utilização 
do computador em sala de aula, análise e aplicabilidade 
dos softwares; as fases de implantaçãode um projeto 
de informática educativa; fatores a serem considerados 
na capacitação dos professores, a utilização de jornais 
em sala de aula e, por fim, o uso da Internet como mais 
um recurso à disposição das escolas.
RECURSOS COMPUTACIONAIS APLICADOS 
NA EDUCAÇÃO (APLICATIVOS, INTERNET, 
MULTIMÍDIA, ENTRE OUTROS)
A autora Tajra (2001, pp.61-62), aponta alguns aspectos 
105
UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias
em que os ambientes de informática proporcionam po-
sitivamente e que os educadores devem levar em consi-
deração, vejamos alguns:
• Os alunos ganham autonomia nos trabalhos, podendo de-
senvolver boa parte das atividades sozinhos, de acordo com 
as suas características pessoais, atendendo de forma mais 
nítida ao aprendizado individualizado;
• Em função da gama de ferramentas disponíveis nos sotfwa-
res, os alunos, além de ficarem mais motivados, também se 
tornam mais criativos;
• A curiosidade é outro elemento bastante aguçado com a in-
formática, visto que é ilimitado o que se pode aprender e pes-
quisar com os sotfwares e “sites” da Internet disponíveis;
• Os alunos se auto-ajudam. Os ambientes tornam-se mais di-
nâmicos e ativos. Os alunos que sobressaem pelo uso da tec-
nologia costumam ajudar àqueles que estão com dificuldades;
106
UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias
• Alunos com dificuldades de concentração tornam-se mais 
concentrados;
• Esses ambientes favorecem uma nova socialização que, às 
vezes, não conseguimos nos ambientes tradicionais;
• As aulas expositivas perdem espaços para os trabalhos cor-
porativos e práticos;
• Estímulo a uma forma de comunicação voltada para a reali-
dade atual de globalização;
• A informática passa a estimular o aprendizado de novas lín-
guas. Muitas vezes nos deparamos com argumentações de 
que não possível expandir a utilização da informática na es-
cola pelo fato de os programas estarem em outros idiomas; 
esta característica do software em si não deve ser vista como 
empecilho, mas como uma motivação para o aprendizado de 
novos idiomas;
• Além de a escola direcionar as fontes de pesquisas para os 
107
UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias
recursos já existentes, tais como: livros, enciclopédias, revis-
tas, jornais e vídeos, ela pode optar por mais uma fonte de 
aprendizagem: o computador;
• A informática contribui para o desenvolvimento das habilida-
des de comunicação e de estrutura lógica de pensamento.
O Editor de Texto é um aplicativo do computador para 
criação e edição de um arquivo de texto, pode ser utili-
zado por professores de qualquer disciplina, para qual-
quer projeto e a partir dos níveis escolares básicos. O 
aplicativo do qual iremos falar é o Word, um dos mais 
utilizados pelas pessoas, seja no ambiente profissional 
ou educacional, faz parte da Microsoft.
Estes editores de texto podem auxiliar no desenvolvi-
mento das habilidades linguísticas, pode-se o professor 
elaborar atividades do tipo: criação de relatórios, cartas, 
músicas, entrevistas, cartazes, cartões, livros, jornais, 
entre outros, basta utilizar a criatividade e elaborar uma 
108
UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias
atividade que esteja dentro dos objetivos propostos.
Os softwares gráficos são aqueles para elaboração de de-
senhos e produções artísticas, é possível o aluno criar de-
senhos e utilizar a imaginação para isso. De acordo com 
Tjra (2001), é uma das ferramentas mais bem aceitas pe-
los alunos, uma ferramenta que traz alegria para os mes-
mo, pois podem criar seus desenhos de acordo com sua 
imaginação e criatividade, tornando mais fácil e ágil a pro-
dução dos trabalhos.
Na educação de nível infantil ou até mesmo nível médio, 
o professor pode desenvolver atividades que faça relação 
com textos e imagens, ou seja, a partir de um texto, que 
pode ser extraído de revistas, jornais ou internet, o aluno 
deverá elaborar um texto com imagens sobre o cenário, 
enfim, são várias as atividades a serem elaboradas.
O jornal eletrônico é uma forma de se trabalhar alguns 
conteúdos na escola/instituição, pode-se até elaborar o 
109
UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias
próprio jornal da escola, mas para isso é necessário uma 
boa equipe de professores engajados neste projeto, é 
necessário que o professor esteja atento à veracidade e 
tendências das informações.
Tajra (2001) enfatiza que a vantagem da utilização do 
jornal para fins educativos, é garantir o estímulo à lei-
tura e escrita, o aluno adquire uma formação crítica se 
bem trabalhada esta ferramenta, estimulando a apren-
dizagem de novos conhecimentos e facilitando o acesso 
a alguns acontecimentos da atualidade.
Essa ferramenta além do docente conseguir trabalhar 
com o conteúdo, que trabalharia normalmente se não 
a utilizasse, dá oportunidade de estabelecer uma rela-
ção entre o conteúdo trabalhado em sala de aula, com 
a realidade social, contribuindo para a aprendizagem do 
aluno. 
110
UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias
Desta forma, podemos dizer que os artigos de jornais, 
dos quais podem e devem ser utilizados como recursos 
pedagógicos em sala de aula, auxiliam o aluno a estabe-
lecer relações de conteúdos, a formar conceitos, refle-
xões sobre os acontecimentos e ainda, formar um aluno 
crítico, incentivando à leitura.
Existem várias outras ferramentas a serem utilizadas em 
sala de aula que irão proporcionar ao aluno um grande 
aprendizado de uma forma prazerosa e dinâmica, tenho 
certeza de que você conhece várias outras destas ferra-
mentas. Então, pense e reflita sobre estas ferramentas, 
tentando levar para a sala de aula e tornar a sua aula 
mais dinâmica.
REFLITA
“Tecnologia ou Metodologia?”. Acesse o link e veja o vídeo: 
<http://www.youtube.com/watch?v=IJY-NIhdw_4>. Acesso 
111
UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias
em 20 de junho de 2013.
INTERNET, COMO USÁ-LA EM SALA DE AULA
Uma das inovações que mais se destaca e mais conheci-
da pelos alunos e professores é a Internet, que oferece 
um leque de oportunidades de adquirir conhecimentos 
e rompe fronteiras dos países. É possível obter vários 
ganhos pedagógicos, como: acessibilidade a fontes para 
pesquisas, páginas educacionais para pesquisa escolar; 
comunicação e interação; uma forma de socialização; es-
timula à curiosidade; raciocínio lógico; desenvolvimento 
da autonomia; troca de experiências; estimula a leitura 
e escrita, enfim, são várias as vantagens para a área da 
educação. 
Com esta ferramenta o professor pode estimular o alu-
no a localizar as informações, tratá-las e não se esquecer 
de criticá-las, realizar críticas construtivas para a ativida-
de ter validade frente a aprendizagem e proporcionar a 
112
UNIDADE II - Educação e Novas Tecnologias
comunicação entre os alunos. A internet é uma grande 
facilitadora das pesquisas, onde podemos sanar nossas 
dúvidas rapidamente por meio de fontes de pesquisas, 
com estas vantagens é possível tornar a aula mais dinâ-
mica e sempre com foco na aprendizagem do aluno.
Podemos dizer que esta ferramenta é uma oportunida-
de para que os professores que são abertos à realiza-
ção da mudança, possam inovar sua didática em sala de 
aula. Mas também é papel do professor fazer o confron-
to das informações, verificar a veracidade delas e sem-
pre procurar estimular o senso crítico do aluno, levando 
à interação entre os alunos e a comunicação adequada 
com as informações obtidas.
Mas para que os professores possam fazer a utilização 
de todos os softwares disponíveis na escola/instituição, é 
necessário que estejam capacitados para utilização des-
te como um instrumentopedagógico.
113
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
Abaixo listei algumas dicas de atividades que podem ser 
desenvolvidas em sala de aula, propostas pela autora 
Tjra (2001):
• Sala de bate-papo: o intuito é promover uma socialização vir-
tual a partir da escrita (mas esquecer de incentivar os alunos 
à escrita correta, não à escrita com abreviações, geralmente 
utilizadas pelos internautas).
• Lista de Discussão/Fórum: promover debates argumentativos 
de análises prós e contras sobre um determinado assunto.
• Lista de Discussão/Fórum: construção coletiva de texto: o tex-
to é iniciado por um aluno e finalizado por outros alunos.
• Sites da Internet: pesquisa direcionada: com indicação de sites 
ou com indicações de assuntos específicos para a pesquisa.
• Software de videoconferência: promover debates em tempo 
real.
114
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
É importante ressaltar que o grupo de discussão men-
cionado acima, pode ser utilizado também para pais, 
alunos e professores, pois a interação deve ocorrer en-
tre todos os níveis de participantes. Também em relação 
às pesquisas em sites da internet, o professor precisa 
estar disposto e com tempo para fazer o direcionamen-
to, para que não haja a dispersão do assunto e foco da 
aula.
FIQUE POR DENTRO
Educação 3.0 
Confira as novidades da 20º Feira Educar no link <http://www.
youtube.com/watch?v=iPcW2ut9H-w>. Acesso em 21 de ju-
nho de 2013.
DAS SALAS DE AULAS AOS AMBIENTES 
VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM
Na contemporaneidade a formação de pessoas tem 
115
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
mobilizado gestores de todas as áreas. Na educação, 
esta formação é assumida por processos presenciais e 
pela EAD (Educação a Distância). 
A EAD tem se destacado, por aproximar professores e 
alunos através de um Ambiente Virtual de Aprendizagem, 
que não existia no ensino presencial. Para Lazilha (2011) 
o Ambiente Virtual de Aprendizagem é um software que 
permite a administração de cursos on-line por meio de 
um complexo de recursos. Entre os recursos estão às 
ferramentas síncronas e assíncronas, as quais possibili-
tam a interatividade entre os acadêmicos e os docentes, 
as publicação e disponibilização de conteúdos, constru-
ção de textos colaborativos e ferramentas de avaliação. 
Além do acompanhamento por meio de relatórios, os 
quais apontam: número de acessos, recursos acessa-
dos, boletim de notas e atividades realizadas. Observa-
se que por meio do ambiente virtual de aprendizagem 
é possível coordenar cursos a distância e promover a 
116
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
interatividade entre os sujeitos do processo que promo-
vem o ensino e aprendizagem. 
Contudo, se faz inevitável a discussão sobre as mudan-
ças que ocorreram entre os sujeitos integrantes desse 
processo, porém é necessário resgatar as características 
do ambiente presencial e as diferenças existentes entre 
ambos. 
A pesquisadora Kenski (2010), por exemplo, descreve 
características peculiares da escola presencial. Para ela 
o ambiente escolar é composto por um espaço educa-
tivo, seja este um prédio, campos, uma quadra, uma 
casa, um barraco, os quais contam histórias que ocor-
reram neste perímetro. Tem o calor humano, vozes e os 
sons especiais, os quais espalham pelo ambiente e dão 
sentido a este espaço, composta pela movimentação de 
professores e alunos tornando-se um vai e vem cons-
tante. A autora acredita que é a presença humana, com 
suas emoções e seus sons que dá sentido ao ambiente 
117
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
escolar e isto abre então, precedentes para o seguinte 
questionamento: Na modalidade da educação a distân-
cia é possível existir este sentido pelo ambiente virtual 
de aprendizagem?
Para responder a esta afirmativa, Drucker (2002) faz en-
tender que nos dias de hoje o aumento do número de 
adeptos a essa modalidade tem sido cada vez maior, por 
tratar de uma modalidade mais vantajosa e acessível à 
população, visto tamanha globalização. Ele acredita que 
neste século a relação entre aquele que ensina e aquele 
que aprende se faz por novos meios, como a internet, 
pois esta ferramenta combina as vantagens da sala de 
aula e do livro, proporcionando o manuseio do mate-
rial didático conforme a compreensão de cada indiví-
duo, sem deixar de proporcionar também a presença 
física. Para o pesquisador esta modalidade é mais van-
tajosa do que as salas de aulas por proporcionar ferra-
mentas que na modalidade presencial dificilmente são 
118
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
conciliadas, proporcionando aos acadêmicos uma me-
lhor compreensão. 
Kenski (2010) afirma ainda, que a aura da escola depen-
de de seus espaços e de seus atores. O espaço da escola 
é mágico. Onde realiza o milagre contínuo do aprendi-
zado e do abrir-se para o mundo. As linguagens da es-
cola são múltiplas e diferentes, capazes de transformar 
o pensamento racional em afeto, o qual se transforma 
em saudade. E isto desafia, de certo modo, a modalida-
de da educação a distância, no que diz respeito a fazer 
do ambiente virtual de aprendizagem um espaço má-
gico, realizando o milagre do aprendizado de “modo 
transformador”. 
Entretanto, é possível observar que o ambiente virtual de 
aprendizagem possui todos os espaços existentes em um 
ambiente presencial de educação, os quais os acadêmi-
cos devem exploram do mesmo modo que explorariam 
na modalidade presencial. 
119
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
Lazilha (2011) apresenta ferramentas do ambiente 
virtual de aprendizagem que auxiliam o aluno de for-
ma ampla e expressa no seu desempenho na EaD. O 
recurso das ferramentas de gerenciamento pedagó-
gico e administrativo permite ao acadêmico o acesso 
às avaliações e consulta ao seu desempenho e dos 
demais participantes, assim como consultas a infor-
mações de secretaria. Mediante esta ferramenta o 
acadêmico visualiza suas notas, feedback do profes-
sor, registro das ferramentas e conteúdos visitados, 
quantidade de participações em fóruns, chat e outras 
atividades; métodos para avaliação, publicação de 
notas e histórico de disciplinas cursadas, sistema de 
controle para cadastro de atividades. Deste modo, o 
espaço mágico tão almejado pelos acadêmicos pode 
ser alcançado sem que este se desloque de sua zona 
de conforto, e ainda assim terão todas estas informa-
ções e acessos para o conhecimento, mas de forma 
facilitada.
120
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
A revolução digital trouxe transformação ao espaço 
educacional e neste contexto o acadêmico pode desen-
volver suas atividades, ter o retorno do professor, acom-
panhar seu desempenho e o da turma sem estar fisica-
mente em um espaço determinado. Para Kenski (2010, 
p.32) “nas épocas anteriores, a educação era oferecida 
em lugares física e ‘espiritualmente’ estáveis: nas esco-
las e nas mentes dos professores. O ambiente educacio-
nal era situado no tempo e no espaço”. 
Para um melhor êxito na educação a distância, consti-
tuiu-se então, diferentes ferramentas de aplicabilidade 
do ensino, que podem auxiliar o aprendizado do aluno 
de diferentes formas, para obter um resultado comple-
to. Estas são divididas em Ferramentas de informação 
e documentação, ferramentas de comunicação e ferra-
mentas de produção.
Lazilha (2011) acredita que as importantes ferramentas 
para a formação deste ambiente escolar, a priori são as 
121
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
de informação e documentação, as quais proporcionam 
informações institucionais do curso, conteúdose ma-
teriais didáticos, download de arquivos e suporte para 
melhor conhecimento do ambiente. Alguns elementos 
são: mural virtual, catálogo de cursos, listagem de novos 
cursos, agenda do curso, servidor de arquivos entre ou-
tros. Antigamente havia apenas um local definido para 
obter tais informações, no qual o acadêmico deveria 
estar neste âmbito para adquiri-las. Tratava-se de um 
compromisso cotidiano, pois, sem este não era possível 
obter o aprendizado: 
O espaço e o tempo de ensinar eram determinados. 
“Ir à escola” representava um movimento, um deslo-
camento até a instituição designada para a tarefa de 
ensinar e aprender. O “tempo da escola”, também 
determinado, era considerado como tempo diário 
que, tradicionalmente, o homem dedicava à sua 
aprendizagem sistematizada. Correspondia, tam-
bém, na sua história de vida à época que o homem 
dedicava à formação escolar (KENSKI, 2010, p.30).
122
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
Hoje, além deste local já definido para o aprendizado, 
existem também outras formas para estudar, aprender 
e obter um retorno a nível superior, sem que o indivíduo 
vá a uma sala de aula todos os dias.
No ambiente virtual de aprendizagem existem tam-
bém as ferramentas de comunicação, e Lazilha as defi-
ne como as ferramentas que propiciam a facilitação da 
conversa síncrona e assíncrona entre os participantes 
dos ambientes. Como fórum de discussão, Chat, E-mail, 
ambiente colaborativo 3D entre outros. 
Para um melhor entendimento, podemos observar que 
existem dois tipos de comunicação, a comunicação 
Síncrona e a comunicação Assíncrona, e estas são de 
suma importância para o processo de ensino aprendi-
zagem na modalidade da educação a distância. O pes-
quisador Hass (2004, p.23) define a comunicação assín-
crona como “[...] aquela em que os interlocutores não 
precisam estar conectados ao mesmo tempo para a 
123
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
troca de mensagens. Ela não ocorre, portanto, em tem-
po real. É o caso típico do correio eletrônico”. Ou seja, 
devido este tipo de comunicação se faz possível o envio 
de textos, documentos entre outros materiais inerentes 
as aulas, tanto para o professor como para os demais 
alunos. 
Fonte: shutterstock
Para Palloff e Pratt (2002, p.157) “a possibilidade de 
124
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
enviar documentos anexos aos e-mails é algo extrema-
mente útil para os cursos de redação on-line e também 
para a realização de tarefas em grupo”.
Já a comunicação síncrona é aquela onde os interlocuto-
res estão conectados no instante em que ocorre o envio 
da mensagem, portanto para Hass (2004, p.23) a comu-
nicação síncrona é aquela que “[...] exige que os interlo-
cutores estejam conectados ao mesmo tempo em que a 
troca de mensagem acontece. Trata-se, assim, de uma 
comunicação em tempo real. Salas de bate-papo (ou 
chatrooms) e a videoconferência [...]”. Esta comunicação 
proporciona a interatividade semelhante à sala de aula 
presencial, no entanto para que isso ocorra “os alunos 
precisam reunir-se no ciberespaço assim como fazem 
no campus universitário. [...] eles precisam estabelecer 
uma sensação de presença on-line [...]” (PALLOFF; PRATT, 
2002, p.34). 
As últimas ferramentas são as de produção, Lazilha 
125
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
(2011) as descreve, como as que permitem o desenvol-
vimento do processo, do ensino e da aprendizagem, 
por meio da realização de atividade e resolução de pro-
blemas dentro do ambiente, os quais são: conjunto de 
atividades, tarefas e problemas, aplicativos de labora-
tórios virtuais interativos e similares entre outros. Para 
que aconteça o desenvolvimento do processo ensino e 
aprendizagem é preciso que o acadêmico explore e co-
nheça estas ferramentas: 
O aluno precisava deslocar-se regularmente até os 
lugares do saber - um campus, uma biblioteca, um 
laboratório – para aprender. Na era digital, é o sa-
ber que viaja veloz nas estradas virtuais da informa-
ção. Não importa o lugar em que o aluno estiver: 
em casa, em um barco, no hospital, no trabalho. Ele 
tem acesso ao conhecimento disponível nas redes, e 
pode continuar a aprender (KENSKI, 2010, p.32). 
Deste modo Palloff e Pratt (2002) afirmam que o su-
cesso das aulas, reuniões, oficinas e os seminários no 
ambiente on-line, dependem de como os participantes 
126
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
conduzem as aulas. Para que tenha uma boa adminis-
tração é preciso que os integrantes tenham acesso à 
tecnologia e estejam familiarizados com ela, de modo 
que se sintam à vontade. São estes fatores que contri-
buirão para a sensação de bem-estar e uma maior inte-
ração dos participantes. 
É por meio do ambiente virtual de aprendizagem e de 
suas ferramentas que ocorre a interação entre o aluno 
e o docente, proporcionando, assim, o desenvolvimento 
do processo de ensino aprendizagem. 
Inicialmente, foi levantado um questionamento a res-
peito do ambiente escolar a distância, e se este pode se 
assemelhar ao ambiente escolar presencial.
Como já vimos anteriormente Kenski (2010) acredita que 
é a presença humana com suas emoções e seus sons 
que dão sentido ao ambiente escolar.
Portanto, logo abaixo segue a descrição das emoções, 
127
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
relatadas por uma aluna que estuda pelo ambiente vir-
tual de aprendizagem: 
Na noite em que fiquei sabendo da morte de Ari, 
sentei-me e fiquei olhando para o computador en-
quanto lágrimas corriam pelo meu rosto. Sua morte 
ocorreu uma semana depois de eu ter perdido um 
colega. Foi difícil para mim. Um sentimento de in-
credulidade invadiu-me como um raio. Embora eu 
venha a dizer mais tarde que os computadores não 
incorporam um espírito, eles certamente o fizeram 
durante esse período de luto. Sem o “memorial” ele-
trônico, eu não saberia ter lidado com a morte de 
Ari. Theresa (PALLOFF; PRATT, 2002, p.67).
Diante deste relato, podemos observar que na moda-
lidade a distância é possível pelo ambiente virtual de 
aprendizagem, estar presente, de modo que as emoções 
de cada acadêmico sejam compartilhadas, transforman-
do-se em sentimento e permitindo que este ambiente 
tenha sentido, assim como ocorre no ambiente escolar 
na modalidade presencial. 
128
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
INTEGRANTES DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
A prática docente na modalidade a distância sofre al-
gumas fragmentações em relação as suas tarefas, que 
hora na modalidade presencial são de única e exclusi-
va responsabilidade dos docentes. Para Maia e Mattar 
(2007, p.90) “uma das características em geral associa-
das à EAD é o fato de o professor ter deixado de ser uma 
entidade individual para se tornar uma entidade coleti-
va”. O que faz com que o professor não exerça mais sua 
profissão de modo isolado. 
Na EAD as responsabilidades docentes são divididas en-
tre vários profissionais, os quais, engajados, garantem a 
eficácia do processo de ensino aprendizagem. “O profes-
sor de cursos a distância pode ser considerado uma equi-
pe, que incluiria o autor, um técnico, um artista gráfico, o 
tutor, o monitor etc.” (MAIA; MATER, 2007, p.90).
Diante da interação e da modificação que esta modalida-
de proporciona, é possível concluir então, que existem 
129
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
diferentes funções dos profissionais diretamente liga-
dos com o processo de ensino aprendizagem, como por 
exemplo, os professores e os tutores. Estes apesar de 
singulares são de suma importância para a elaboração e 
prática da educação a distância.
Para Ruckstadter(2011, p.22) na modalidade EAD “é o 
professor quem produz o material didático, propõe ati-
vidades, elabora as avaliações, grava as aulas e ministra 
as web-conferências” , ou seja, é aquele que organiza 
a disciplina. O professor fica responsável pelo planeja-
mento, ministração e organização das aulas, estes são 
os docentes inseridos na EAD possuem desafios, como 
autoria de materiais, elaboração e organização dos con-
teúdos ministrados. 
Os pesquisadores Maia e Mattar (2007) abordam as ha-
bilidades específicas que os professores precisam de-
senvolver nesta modalidade, entre elas estão a seleção 
dos conceitos de cada aula, que não devem ser extensos; 
130
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
os materiais planejados devem ser didáticos, para que 
o aluno tenha tempo suficiente para percorrer as aulas 
e desenvolver as atividades etc. Estas ações peculiares, 
são de extrema importância para o bom desempenho e 
eficácia da aula, as quais permitem aos acadêmicos pos-
sibilidades de acompanhamento dos conteúdos abor-
dados, interação entre a aula, o material e o desenvolvi-
mento das atividades. 
Ainda sobre as habilidades Maia e Mattar (2007) enfati-
zam cuidados que os professores devem ter quanto ao 
tipo de letra, tamanhos, cores, fundos das mensagens 
que serão utilizadas nas aulas, além das escolhas do 
material visual, como: gráficos, tabelas, figuras, ima-
gens, fotos entre outros; planejamento de sons e ani-
mações além do domínio dos recursos de multimídia. 
Simples detalhes que devem ser levados em conside-
ração pelo professor no momento em as aulas estão 
sendo preparadas. 
131
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
Fonte: shutterstock
O docente necessita, também, de um aprendizado con-
tínuo, visto que o mundo atual sempre está se atualizan-
do, este então, deve se atualizar constantemente para 
suprir as necessidades de uma boa aula. Dowbor (1996) 
ao estudar as características da contemporaneidade 
132
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
menciona que o trabalho do professor necessita ade-
quar às necessidades do momento. Para isso, ele pre-
cisa dominar a tecnologia e aprender a produzir textos, 
explorar imagens, analisar vídeos porque a revolução 
tecnológica se aprofunda a cada dia. O professor, anal-
fabeto digital não tem lugar nesta sociedade. 
Após a definição da atuação docente na modalidade da 
EAD, questiona-se então, como o professor conseguirá 
acompanhar todos os alunos nesta modalidade, sem 
a presença física? Visto que os mesmos estão espalha-
dos pelos mais diversificados e distantes estados. Como 
será a correção destas atividades? Como ocorrerão as 
orientações em relação ao conteúdo ministrado nas au-
las e em relação ao ambiente virtual de aprendizagem? 
Certamente o professor não será capaz de conduzir e 
acompanhar todo o processo de ensino e aprendizagem 
sozinho. Sendo assim, nesta modalidade existe a pre-
sença do tutor, o qual de modo geral:
133
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
[...] tem como papel central o apoio docente a um 
professor. Esse apoio geralmente se dá em uma das 
disciplinas de um curso, na sua preparação de ma-
terial didático e no acompanhamento das ativida-
des desenvolvidas. Espera-se também que este seja 
responsável pelas ferramentas de avaliação, assim 
como, na análise dos trabalhos dos alunos. Além 
disso, tem por tarefa o encaminhamento de dúvi-
das dos alunos aos professores, promovendo maior 
interatividade entre os mesmos, e com o corpo do-
cente. Atua, ainda, no esclarecimento de dúvidas dos 
alunos através de e-mail, fórum, telefone ou pesso-
almente, no recebimento e controle de entrega dos 
trabalhos. [...] Um ponto fundamental é estar aten-
to às necessidades do aluno, fazendo pontes entre 
as demandas dos alunos e propostas do professor, 
podendo agir de maneira a solucionar as questões 
tanto teóricas quanto de situações do dia-a-dia. Isso 
quer dizer que o tutor deverá estar atento no nível 
de interatividade dos alunos, para então identificar 
quais alunos não estão interagindo e tentar resgatar 
a relação interativa (JAEGER; ACORSSI, s.d, s.p.).
O tutor avalia, portanto, o desempenho dos alunos e 
instrui estes acadêmicos por meio do atendimento. 
134
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
Quanto aos professores das disciplinas, é o tutor quem 
presta assessoria em relação à elaboração do material e 
acompanha as atividades desenvolvidas e aplicadas aos 
acadêmicos. 
Para que os acadêmicos não se percam em relação aos 
prazos e aos objetivos esperados, os tutores devem or-
ganizar “[...] a classe virtual, definindo o calendário e os 
objetivos do curso, dividindo grupos e deixando claras 
as expectativas em relação aos alunos, principalmen-
te no sentido da interação esperada” (MAIA; MATTAR, 
2007, p.91).
Maia e Mattar (2007) apresentam outras responsabili-
dades do tutor, por exemplo, a definição das regras do 
curso a distância, o controle do tempo para o acesso ao 
material e a realização das atividades, a indicação do iní-
cio e o término das atividades para que os acadêmicos 
estejam atentos em relação aos prazos das atividades 
que devem ser realizadas. Estas ações servem para que 
135
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
o contato inicial e o contato que ocorre durante o curso, 
que é feito pelo Tutor, por meio de mensagens de boas-
-vindas, agradecimentos, informações etc., seja de total 
eficácia. Este deve instigar a apresentação dos alunos, 
liderar os que são mais tímidos, além de ter o dever de 
gerar um senso de comunidade na turma que conduz, 
proporcionando constantemente o feedback aos seus 
alunos. 
Maia e Mattar (2007) acreditam ainda, que para o suces-
so da educação a distância o tutor deve prestar orien-
tação extra-aula, deve oferecer um suporte para os alu-
nos, deve incentivar a pesquisa, desenvolver perguntas, 
coordenar as discussões, sintetizar os pontos principais 
das discussões e relacionar os comentários que não es-
tão de acordo com o grupo de discussão, objetivando o 
clima intelectual geral do curso e encorajando a cons-
trução do conhecimento. Para eles é papel do tutor, o 
auxílio aos acadêmicos em relação à interpretação do 
136
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
material visual e multimídia, pois são os tutores quem 
avaliam de certo modo o rendimento dos alunos, e esti-
pulando os critérios de avaliação. 
Portanto, pode-se perceber que a EAD atinge seu obje-
tivo quando os três principais sujeitos (professor, tutor 
e aluno) atuam de forma interligada, haja vista, que em 
conjunto, cada um executando sua função com excelên-
cia chega a um denominador comum que é uma apren-
dizagem transformadora.
PAPEL DO ALUNO ONLINE
Até o momento estudamos o papel do Professor e do 
Tutor na modalidade de da Educação a Distância, vimos 
que o professor deixou de ser uma entidade individu-
al, porém acredito que você está ansioso(a) para saber 
como o aluno deve agir para que a aprendizagem trans-
formadora ocorra.
137
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
Segundo Nosella (2010) e o conteúdo que já estudamos 
na primeira unidade o advento do computador tornou 
a vida mais dinâmica, este aproximou as pessoas e que-
brou fronteiras. Sua linguagem cibernética provoca a ra-
pidez de respostas e a flexibilidade do pensamento que, 
deve interpretar os dados e relacioná-los com os exis-
tentes num processo de análise e síntese.
Em meio a este contexto tecnológico que a EAD está in-
serida é possível criar um novo modo de aprendizado e 
interatividade entre os sujeitos do processo de ensino 
eaprendizagem.
Neste contexto o aluno tem a oportunidade de aprender 
online, unir as vantagens tecnológicas com as da sala de 
aula sem precisar se deslocar para o ambiente físico escolar. 
Contudo é essencial que no ambiente online ocorra a 
aprendizagem transformadora, a qual faz com que os 
acadêmicos sejam motivados a elogiar, falar a favor 
138
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
da aprendizagem, e estarem neste meio, “[...] explicar 
suas crenças, a avaliar suas evidências e justificativas 
e a julgar argumentos para atingir o objetivo máximo 
de crescimento pessoal, independência e pensamen-
to crítico” (AQUINO, 2007, p.25). 
Para que ocorra aprendizagem transformadora no am-
biente online é necessário que o aluno assuma uma 
nova postura, diferente da encontrada na modalidade 
presencial, onde: 
Durante muitos anos o ensino aprendizagem foram 
considerados intimamente ligados, ou seja, para 
acontecer aprendizagem era necessário que houves-
se ensino e vice-versa. Isso se dava principalmente 
em função de haver uma crença de que aprendiza-
gem era centrada no professor, que assumia total 
responsabilidade e controle pelo processo. Isso ca-
racterizava a chamada pedagogia, cujo significado, 
para muitas pessoas, confundia-se com o de ensinar 
(AQUINO, 2007, p.10). 
Esta crença não existe na educação a distância, pois, o 
139
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
acadêmico tem que conscientizar-se de que nesta mo-
dalidade a aprendizagem não é centrada no professor, 
e este não assume toda a responsabilidade do processo 
ensino aprendizagem. Como vimos neste artigo existe o 
tutor que auxilia neste processo, mas é o aluno quem se 
dedica ao aprendizado e ao estudo, fazendo com que o 
ensino seja completo. Assim sendo, cada um assumirá 
sua responsabilidade.
O aluno do EAD possui uma postura diferenciada peran-
te a EAD, trata-se de um papel inovador, uma caracterís-
tica peculiar. 
140
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
Fonte: shutterstock
O acadêmico deve ter ciência que uma das abordagens 
utilizada será a andragogia, a qual presume que o acadê-
mico na modalidade EAD é “[...] adulto, que sabe o que 
quer, estabelece os seus objetivos, é autônomo e pre-
cisa de conhecimento e habilidades para desempenhar 
bem sua função social e profissional” (CORTELAZZO, 
2009, p.143). 
Segundo Aquino (2007) Malcolm Knowles define a 
141
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
andragogia como a arte de auxiliar adulto a aprender, 
onde a responsabilidade pela aprendizagem é dividida 
entre os sujeitos do processo ensino aprendizagem, 
professor e aluno. O acadêmico é estimulado a buscar 
a independência e responsabilidade por aquilo que ele 
acha que é necessário apreender, assim a aprendiza-
gem é centrada no aprendiz. O professor e o tutor são 
os sujeitos responsáveis por auxiliar o aluno, estes in-
centivam, estimulam, apoiam, fornece suporte, acompa-
nham o discente. O aprendiz deve desenvolver algumas 
aprendizagens “no novo ambiente, podemos falar de 
aprendizagem auto-responsável, auto-planejada, au-
to-organizada, independente e auto-regulada, além de 
não-linear e não sequencial [...]” (MAIA; MATTAR, 2007, 
p.85). 
O professor não educa sozinho, ele depende do outro e, 
na EAD cria-se uma interdependência entre o professor, 
tutor e o aluno que, estes sujeitos são aprendizes, sendo 
142
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
que os docentes passam a ter um novo papel nesta era, 
deixando de ser o detentor do saber e assumindo a fun-
ção de mediador:
[...] as funções da tutoria são: acolhida, acompanha-
mento, orientação e avaliação. Cada uma delas pre-
cisa ser exercida com a colaboração do aluno. A ação 
do tutor não implica um movimento unidirecional, 
mas uma interação social comunicativa intencional 
que só acontece com efetividade e eficácia se hou-
ver a participação de todos os envolvidos. A simples 
presença do Aluno ouvindo o tutor não concretiza a 
interação do tutor se comunicar. Há, pois, uma res-
ponsabilidade de ambas as partes para essa intera-
ção (CORTELAZZO, 2009, p.141). 
Oliveira (2010, p.238) conclui que “ao lidar com a EAD 
o papel do educador é cada vez mais promover a auto-
nomia de quem aprende, a fim de que ele se veja como 
sujeito pensante e atuante, capaz de produzir conheci-
mentos”. Deste modo, o docente não é mais o detentor 
143
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
do saber e o acadêmico deixou de ser conceituado numa 
perspectiva acrítica, como aquele ser não questionador, 
passivo frente ao conhecimento, indivíduo que recebia 
o conhecimento transmitido pelo professor e não o re-
lacionava com o seu contexto, só o reproduzia alienada-
mente. O papel do discente mudou, este evoluiu.
Além deste modelo de aprendizagem, o aluno deve 
desenvolver a heutagogia que é a aprendizagem “au-
todeterminada pelo indivíduo que desenha a sua traje-
tória, o que precisa e vai aprender, sem uma estrutura-
ção definida por uma instituição ou por um professor” 
(CORTELAZZO, 2009, p.143). Embora na modalidade 
EAD tenha a presença e o auxilio dos professores e tu-
tores é necessário que aluno desenvolva a aprendiza-
gem da heutagogia, visto que este deve traçar um tra-
jeto em relação aos seus horários de estudos, de modo 
que desenvolva a autonomia e independência quanto 
ao desenvolvimento e entrega das atividades, acesso 
144
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
a aula, avaliações, leitura do material, pesquisas etc. O 
acadêmico alcançará estas habilidades pela interação e 
autodeterminação:
O aluno pode interagir com o conteúdo de diversas 
maneiras: navegando e explorando, selecionando, 
controlando, construindo, respondendo, entre ou-
tras. O aluno pode, hoje, também criar seu ambiente 
pessoal de aprendizagem, personalizar o conteúdo 
com o qual deseja interagir e, inclusive, contribuir 
para o aperfeiçoamento do material utilizado nos 
cursos (LITTO; FORMIGA, 2009, p.116). 
Outra estratégia importante para o aluno virtual é a 
“metacognição” que é definida como a capacidade “[...] 
de avaliar continuamente a sua compreensão, analisar 
abordagens alternativas, selecionar uma ou mais abor-
dagens e reavaliar sua compreensão” (HANNAFIN et al., 
2033, p.246 apud MAIA; MATTAR, 2007, p.84). Assim o 
acadêmico avaliará o seu próprio desempenho por meio 
145
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
da observação de sua aprendizagem, ou seja, ele tem a 
responsabilidade de se autoavaliar. 
Neste contexto os autores Maia e Mattar (2007) relatam 
sobre o desafio que o acadêmico online deve superar, 
em relação às diferentes abordagens que deve adotar 
para o êxito de seu aprendizado. O qual tem que desen-
volver a capacidade de “aprender a aprender”, não so-
mente por meio da instituição de ensino, mas por meio 
das diversificadas situações que enfrentará na vida. A 
essência não está no acumulo de conhecimentos, mas 
na capacidade de transformar as informações obtidas 
em conhecimento. 
Os Alunos online que assumem este modelo de apren-
dizagem, e executam as suas responsabilidades e obri-
gações, sem dúvidas alcançam o êxito do aprendizado e 
obtêm além de tudo, a aprendizagem transformadora, a 
qual é capaz de superar as exigências do mundo atual: 
146
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
O mundo atualmente exige um profissional crítico, 
criativo, com capacidade de pensar, de aprender a 
aprender, de trabalhar com grupo e de conhecer o 
seu potencial intelectual, com capacidade de cons-
tante aprimoramento e depuração de idéias e ações. 
Certamente, essa nova atitude não é possívelde ser 
transmitida, mas deve ser construída e desenvolvi-
da por cada indivíduo, ou seja, deve ser fruto de um 
processo educacional em que o aluno vivencie situa-
ções que lhe permitam construir e desenvolver essas 
competências. E o computador pode ser um impor-
tante aliado nesse processo (VALENTE, 1999, p.20).
A modalidade a distância proporciona para os alunos, 
meios para que estes desenvolvam o aprendizado e 
descubram o sentido da educação, que para Oliveira é 
“[...] problematizar a vivência social e deve levar as pes-
soas a desconfiarem da “inexorabilidade do futuro”, ou 
seja, elas precisam acreditar que a mudança é possível 
e que a educação é uma maneira de construí-la” (2010, 
p.227). A EAD é um meio eficaz para obter o sentido que 
a educação proporciona, ela é interdisciplinar e visa or-
ganizar o conhecimento para que o aluno o construa de 
147
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
modo autônomo. 
FIQUE POR DENTRO
Brasil Escola. 
Confira a coluna de Rodiney Marcelo Especialista em 
Educação a Distância (SENAC) no link <http://www.brasi-
lescola.com/educacao/aprendizagem-ead.htm>. Acesso em 
20 de junho de 2013.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No decorrer desta unidade verificamos como e por 
que utilizar recursos computacionais na área da edu-
cação, como complemento na didática em sala de aula. 
Demonstrando algumas ferramentas que podem auxi-
liar no processo de ensino e aprendizagem, e onde estas 
provocam um tipo de resistência à mudança por parte 
de alguns educadores, mas que isso pode ser revertido, 
se bem trabalhado com estes docentes. Existem várias 
148
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
maneiras de utilizar a tecnologia em benefício para a 
Educação, como a utilização do Ambiente Virtual de 
Aprendizagem, do qual podemos estudar, realizar cur-
sos, do seu próprio computador, utilizando a internet, 
um ótimo recurso para auxiliar na didática dos conteú-
dos ministrados em sala de aula.
Na terceira e última unidade deste livro, definiremos o 
que é didática e a história da didática no Brasil, pois mui-
tas influências da história da didática impede que os do-
centes tenham êxito no processo de ensino e aprendiza-
gem. Abordaremos também três saberes fundamentais 
de Paulo Freire (2006) para a prática docente, os quais 
conciliados com a utilização das tecnologias promove-
rão uma educação de excelência. 
INDICAÇÃO DE LEITURA
Para saber mais sobre a modalidade de Educação a 
149
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
Distância, sugiro a leitura do livro “O estudo em Ambiente 
Virtual de Aprendizagem: um guia prático” de Antônio 
Siemsen Munhoz.
Livro: O estudo em Ambiente 
Virtual de Aprendizagem: um guia 
prático
Autor: Antônio Siemsen Munhoz
Editora: Ibpex
Sinopse: esta obra analisa as al-
terações na forma de se estudar 
decorrentes do uso mais intenso das novas tecnolo-
gias de Ensino a Distância (EAD), em especial a utiliza-
ção do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e da 
Comunidade de Aprendizagem Virtual (CAV). Por meio 
de uma leitura prática e de fácil linguagem, visa possi-
bilitar ao estudante – principalmente aquele de idade 
adulta – uma nova forma de percepção do processo de 
ensino-aprendizagem.
150
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
ATIVIDADES
1) Faça uma pesquisa na internet ou em outras biblio-
grafias em busca de outros tipos de recursos compu-
tacionais que podem ser utilizados em sala de aula e 
como estes podem influenciar no processo de ensi-
no e aprendizagem.
2) Explique o motivo pelo qual alguns educadores pas-
sam pelo processo de mudança com muita resistên-
cia e dê dicas de como quebrar paradigmas.
3) Após a leitura da Unidade referente à modalidade 
de Educação a Distância, discorra a respeito da sua 
importância e suas influências para a Educação.
4) Dos integrantes da EAD apresentados nesta Unidade, 
discorra sobre o Tutor e Professor, bem como suas 
responsabilidades.
5) Discorra sobre o Papel do Aluno Online frente ao 
processo de ensino e aprendizagem.
O educador e a inovação 
tecnológica 
UNIDADE 3
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
• Definir o que é didática.
• Abordar a história da didática no Brasil. 
• Apontar as influências tradicionais e o paradigma conservador 
que a história da didática no Brasil traz para a prática docente 
ainda nos dias de hoje.
• Contribuir para que a ação docente possa praticar o 
exercício do ensinar e do aprender na inter-relação com a 
realidade sociocultural e tecnológica.
• Orientar o docente para que saiba que não há docência sem 
discência. 
• Demonstrar ao professor que ensinar não é transferir 
conhecimento.
• Compreender que ensinar é uma especificidade humana.
• Demonstrar que o docente poderá utilizar os três saberes 
para a inclusão das tecnologias em sala de aula. 
• Como ter êxito no processo de ensino e aprendizagem por 
meio dos saberes e das tecnologias..
Kátia Montalvão; Natalia Aguiar de Menezes
PLANO DE ESTUDO
Serão abordados os seguintes tópicos:
• Definição da didática 
• Primeira fase da história da didática no Brasil: a ação 
pedagógica dos Jesuítas no período colonial e suas 
influências na prática docente
• Século XX inicia a segunda fase da história da didática 
no Brasil 
• Educando na Era Digital: saberes necessários para 
inclusão dos recursos tecnológicos no processo de 
ensino e
153
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
INTRODUÇÃO
Olá, Caro(a) Acadêmico(a)!
Chegamos à unidade III, é uma conquista e estamos feli-
zes por termos colaborado com o seu aprendizado, po-
rém já sentimos saudades, visto que por mais atuais que 
são os assuntos abordados neste livro, o dinamismo da 
contemporaneidade e as suas mutações contínuas, fa-
rão com que logo surjam tecnologias mais avançadas, 
assim não limite-se aos conteúdos abordados apenas 
neste material. Esperamos que você alcance a apren-
dizagem transformadora e a autonomia de renovar-se 
continuamente. Cremos que apenas aguçamos a sua 
curiosidade e o estimulamos a sua reflexão crítica. 
Até o momento abordamos as mudanças que o avan-
ço tecnológico trouxe para a sociedade em geral, o qual 
nos proporcionou vivenciarmos a era da informação e 
ou conhecimento, as tecnologias de informação (TICs), 
as quais não podemos mais desenvolver as nossas 
154
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
atividades sem elas. Comprovamos que precisamos 
passar pelo processo de Inclusão Digital, abordamos as 
vantagens da utilização da tecnologia na educação e que 
ela é necessária para promover a educação eficaz. 
Discutimos sobre a Inovação e tecnologias educacionais, 
abrangemos as tecnologias educacionais com ênfase no 
computador e nos recursos computacionais que podem 
ser aplicados na Educação e abrimos um tópico espe-
cial de como utilizarmos a Internet na Educação, a qual 
proporcionou que a educação ultrapassasse as paredes 
das salas de aulas e alcançasse os ambientes virtuais de 
aprendizagem e descrevemos as posturas que os sujei-
tos do processo ensino aprendizagem devem ter para 
alcançar a educação transformadora. 
Preparemo-nos para um momento especial, talvez o 
mais importante para a prática docente, o qual será 
abordado na unidade III, é a prática dos sujeitos do pro-
cesso ensino aprendizagem, a qual foi influenciada ao 
155
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
logo da história e exige uma nova postura dos integran-
tes para alcançar a eficácia no processo ensino aprendi-
zagem na era do conhecimento. 
Vamos adentrar a mais esta unidade, assim contamos com 
a sua companhia e interação. 
DEFINIÇÃO DA DIDÁTICA 
A obraDidática Magna de Comênio publicada em 1957 
define didática como a arte de ensinar. É longa e signi-
ficativa à história da didática no contexto escolar, ela é 
traduzida ao longo dos anos como uma ação pedagó-
gica com finalidade de expressar o conhecimento cien-
tífico, filosófico, educacional produzido pelo homem 
historicamente. Gasparim (2005, p.32) afirma que a di-
dática tem origem “[...] desde fora da escola como uma 
apreensão filosófico-científico-educacional-medotoló-
gica e torna-se na escola uma resposta teórico-prática 
156
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
na transmissão-assimilação dos conteúdos que, por sua 
vez, se originam na vida extra-escolar”. 
Desta forma, essa afirmativa nos faz compreender a 
didática a partir da dinâmica da sociedade, como um 
produto histórico dos homens para atender as necessi-
dades causadas pelas mudanças nas estruturas sociais, 
que são refletidas também no ambiente escolar.
Fonte: shutterstock
No contexto escolar a didática utilizada pelo professor 
157
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
é de extrema importância para a compreensão e apro-
priação do aluno ao conhecimento científico e sistemati-
zação, de forma que o conteúdo se torne um elemento 
fundamental em sua vida. Para concretização de uma 
ação didática compreendida com o exercício da ciência, 
que leve o aluno a uma visão de mundo crítica, criativa e 
reflexiva, que possibilite a ligação entre teoria e prática, 
cabe ao docente ao explicar os conteúdos uma metodo-
logia semelhante a um projeto de pesquisa com tema, 
problema, hipóteses e considerações, como relata a 
professora Mestre Mura (2009, p.61) “trata-se de uma 
busca de conhecimento que possa transcender a visão 
simplista rumo à universalização do pensamento e da 
ação, que ultrapasse os conceitos gerais e particulares 
na compreensão do conteúdo proposto”. Assim, o pro-
fessor tem que estar preparado para desenvolver o aca-
dêmico, pois:
158
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
O mundo atualmente exige um profissional crítico, 
criativo, com capacidade de pensar, de aprender a 
aprender, de trabalhar com grupo e de conhecer o 
seu potencial intelectual, com capacidade de cons-
tante aprimoramento e depuração de idéias e ações. 
Certamente, essa nova atitude não é possível de ser 
transmitida, mas deve ser construída e desenvolvi-
da por cada indivíduo, ou seja, deve ser fruto de um 
processo educacional em que o aluno vivencie situa-
ções que lhe permitam construir e desenvolver essas 
competências. E o computador pode ser um impor-
tante aliado nesse processo (VALENTE, 1999, p.20).
Entretanto, para que essas ações docentes se concre-
tizem o professor precisa buscar sustentação em um 
referencial teórico que tenha ampla relação com práxis 
social, que incentive e desperte a curiosidade dos alunos 
e que lhes de abertura para uma visão crítica criativa.
Antes de adentrarmos na didática que o Professor tem 
que ter na sala aula frente às TIC e ao dinamismo que 
o mundo contemporâneo proporciona, se faz funda-
mental resgatarmos um pouco da história da didática 
159
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
no Brasil. Para a pesquisadora Veiga (2011) a história da 
didática é dividida em dois períodos, o primeiro período 
abrange os anos 1549 até 1930 até hoje. 
A AÇÃO PEDAGÓGICA DOS JESUÍTAS NO 
PERÍODO COLONIAL E SUAS INFLUÊNCIAS NA 
PRÁTICA DOCENTE 
É de suma importância resgatar as influências que 
a Educação no Brasil teve desde o seu processo de 
Colonização, para entendermos as práticas docentes pre-
sentes no ambiente escolar, as quais progressivamente 
têm sido substituídas e os resquícios que ainda restam 
precisam desaparecer para que uma aprendizagem efi-
caz ocorra. 
 A educação no Brasil não era constituída por um va-
lor social relevante, visto que surgiu em um cenário 
não favorável, a sua economia era classificada como 
160
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
agrário-exportadora-dependente, ou seja, era explo-
rada pela metrópole e dependia dela, a metrópole era 
Portugal. A catequese e a informação dada aos índios 
eram consideradas como uma atividade educativa, mas 
é importante destacar que a elite colonial desfrutava de 
uma educação privilegiada (VEIGA, 2011). 
Tal contexto fez com que a educação no Brasil fosse en-
gessada, o pesquisador Veiga (2011, p.34) descreve que 
“a ação pedagógica dos jesuítas foi marcada pelas for-
mas dogmáticas de pensamento contra o pensamento 
crítico. Privilegia o exercício da memória e o desenvolvi-
mento do raciocínio [...]”. A autora relata que os Jesuítas 
assumiram o papel de educadores do ano de 1549 até 
1759, sendo os principais educadores e os que perma-
neceram por mais anos, eles atuaram em todo o perío-
do colonial do Brasil. 
Neste contexto Veiga (2011, p.34) conclui que “não se po-
dia pensar em uma prática pedagógica e muito menos 
161
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
em uma didática que buscasse uma perspectiva trans-
formadora na educação”. 
Os Jesuítas usavam o Ratio Studiorun que era um plano 
de instrução: 
Quando o Ratio Studiorun discorre sobre o “método 
de estudar, repetir e disputar”, deixa evidente que 
o trabalho didático se compõe de duas etapas fun-
damentais. A primeira delas corresponderia à predi-
lectio, que girava em torno da figura e da ação do 
professor. A preleção, como o próprio termo indica, 
era entendida como “lição antecipada, uma explica-
ção do que o aluno deverá estudar”. Algumas vezes, 
antes da preleção, “recitava-se de cor um trecho la-
tino em prosa ou verso”. Contudo, quase sempre, as 
atividades de ensino eram desencadeadas com base 
na “leitura e o resumo do texto”. A leitura do texto 
podia incidir sobre uma carta, um documento ou um 
trecho de obra clássica (ALVES, 2005, p.46).
Os Jesuítas assumiram a educação por 210 anos, até 
que no ano de 1759 Marquês de Pombal expulsou os 
Jesuítas do Brasil, visto que tinha em mente organizar 
162
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
a escola para suprir os interesses do Estado, enquanto 
que as escolas da Companhia de Jesus objetivavam ser-
vir os interesses da fé (BÔAS, 2008). 
Embora os interesses de Pombal fossem alavancar a 
economia do Estado, não foi isso que ocorreu, pois com 
a retirada dos jesuítas do Brasil pedagogicamente hou-
ve um retrocesso: 
Após os jesuítas, não ocorreram no país grandes 
movimentos pedagógicos, como são poucas as mu-
danças sofridas pela sociedade colonial e durante o 
Império e a República. A nova organização instituída 
por Pombal representou, pedagogicamente, um re-
trocesso. Professores leigos começaram a ser admi-
tidos para as “aulas-régias” introduzidas pela refor-
ma pombalina (VEIGA, 2011, p.35). 
Segundo Bôas (20011), durante quarenta anos o Brasil 
permaneceu estagnado, até a vinda da família real para 
o país, a qual ocorreu no ano de 1807 por transferirem 
o reino para a cidade do Rio de Janeiro, pois estavam 
163
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
fugindo de Napoleão, propiciando a vinda de dom Pedro 
para o Novo Mundo. O autor alega que a vinda da famí-
lia real não determinou um novo sistema educacional, 
porém gerou as bases para um rompimento definitivo 
com o modelo adotado pelos jesuítas e deu um novo 
fôlego às mudanças que iniciaram no ano de 1760.
“Buscando construir um modelo diferente que moder-
nizasse a colônia, dom João VI fundou academias mili-
tares, escolas de Direito e Medicina, a Biblioteca Real, o 
Jardim Botânico e a Imprensa Régia” (BÔAS, 2008, p.27).
Veiga (20011) relata que o período marcado pela ex-
pansão cafeeira e tambémda passagem de um modelo 
agrário-exportador para um urbano-comercial-exporta-
dor, o Brasil viveu o seu período de iluminismo, o qual 
ocorreu por volta de 1870:
Com a proclamação da República, vieram novas ten-
tativas de reforma que almejavam fazer evoluir a 
educação brasileira, mas nenhum resultado efetivo 
164
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
foi alcançado. Os gestores do período tentaram ado-
tar o modelo positivista – corrente filosófica desen-
volvida com base no Iluminismo (que afastava ra-
dicalmente a teologia ou metafísica e se associava 
às ciências experimentais) -, iniciada pelo francês 
Augusto Comte (1789-1857) (BÔAS,2008, p.28).
Após esses acontecimentos, o Estado assume a laicida-
de suprimindo o ensino religioso nas escolas públicas, 
com a aprovação da reforma de Benjamin Constant no 
ano de 1890, a qual teve influência do positivismo. Deste 
modo, a escola passou a propagar uma visão burguesa 
de mundo e sociedade, com o propósito de garantir a 
consolidação da burguesia industrial como classe domi-
nante. Veiga (2011). Ainda segundo a autora, os indícios 
de surgimento da pedagogia tradicional em sua verten-
te leiga são devido aos pareceres de Rui Barbosa ocorri-
do no ano de 1882 e a primeira reforma republicana de 
Benjamin Constante no ano de 1890. 
Tal vertente leiga da pedagogia tradicional para Saviani 
165
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
(1984b, p. 274) “[...] mantém a visão essencialista de ho-
mem, não como criação divina, mas aliada à noção de 
natureza humana, essencialmente racional. Inspirou a 
criação da escola pública, laica, universal e gratuita”. 
Para Veiga (2011, p.35) correspondem as seguintes 
características: 
A essa teoria pedagógica corresponderiam as se-
guintes características: a ênfase no ensino humanís-
tico de cultura geral, centrada no professor, que 
transmite a todos os alunos, indistintamente, a ver-
dade universal e enciclopédica; a relação pedagógica 
se desenvolve de forma hierarquizada e verticalista, 
onde o aluno é educado para seguir atentamente a 
exposição do professor; o método de ensino, calca-
do nos cinco passos formais de Hebart (preparação 
ou apresentação, comparação, assimilação, genera-
lização e aplicação). 
É nesse contexto da pedagogia tradicional leiga que a 
didática no Brasil surge e que Veiga (2011, p.36) define 
166
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
como uma prática “[...] centrada no intelecto, na essên-
cia, atribuindo um caráter dogmático aos conteúdos; os 
métodos são princípios universais e lógicos [...]”. A au-
tora conclui que o professor tornou-se centro do pro-
cesso de aprendizagem e o aluno um indivíduo passivo 
e receptivo, onde a atenção, o silêncio e a ordem são 
alcançados por meio da disciplina. 
SÉCULO XX INICIA A SEGUNDA FASE DA 
HISTÓRIA DA DIDÁTICA NO BRASIL 
 Segundo Mura (2009) no começo do século XX, o anal-
fabetismo predominava no Brasil, o qual não favoreceu 
o processo de produção capitalista que acelerava o de-
senvolvimento urbano-industrial. Para a pesquisadora 
Mura (2009, p.34) foram criados “[...] em meio a esse ar-
senal de mudanças na estrutura sociocultural, anseios 
de progresso social e prosperidade para a nação, em 
vista do progresso mundial que se instalou na Europa 
167
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
com as revoluções capitalistas”.
Deste modo, na década de 30 o Brasil foi influenciado 
pela crise mundial capitalista, provocando a crise cafe-
eira, sendo preciso implantar o modelo socioeconômico 
de substituição de importação, ao mesmo tempo, origi-
nou-se o movimento de reorganização das forças eco-
nômicas e políticas, tal movimento provocou confrontos 
e ficou denominado como a Revolução de 1930, inician-
do uma nova fase da República do Brasil, visto que al-
mejavam derrubar o sistema oligárquico e instalar uma 
nova forma de Estado (VEIGA, 2008). 
A Revolução de 1930 trouxe o modelo de produção 
capitalista para o Brasil. A acumulação de capital, 
durante a República Velha, permitiu o crescimento 
do mercado interno e da produção industrial, que 
demandavam um capital humano especializado. Por 
uma necessidade econômica (e não social), era pre-
ciso, talvez pela primeira vez na história, investir na 
educação. Para coordenar esse esforço, criou-se o 
Ministério da Educação e Saúde Pública em 1930 e, 
168
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
em 1931, o governo provisório estabeleceu os parâ-
metros para funcionamento de um ensino secundá-
rio e de universidade brasileira (até então inexistentes 
em terras tupiniquins). Com base nesses fundamen-
tos, em 1934 foi criada a Universidade de São Paulo, 
seguida da Universidade Federal do Distrito Federal, 
que contava com um Faculdade de Educação (BÔAS, 
2008, pp.28-29).
Ainda neste início do século XX, é importante destacar 
que o cenário da educação brasileira fez com que polê-
micas fossem geradas, propiciando “um movimento de 
desestabilização da abordagem tradicional à medida que 
manifestações de apoio à Escola Nova surgiam em meio 
às divergências políticas educacionais lançadas pelo 
Manifesto dos Pioneiros da Educação Brasileira, a partir 
da década 30” (MURA, 2009, p.33). Assim, as críticas nes-
se período em relação ao ensino tradicional, o qual qua-
se não supria a necessidade social industrial, deram ori-
gem a outras buscas com o objetivo de ter novos modos 
169
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
de ensinar. Neste contexto, Mura (2009, p.33) conclui 
que “[…] as velhas e novas formas de ensino-aprendi-
zagem se entrecruzaram, foi se consolidando um novo 
modelo, compatível às exigências econômicas e político-
-ideológicas difundidas pela nova teoria educacional, a 
qual surgiu em meio ao movimento escolanovista”.
[...] o ensino-aprendizagem centrado no aluno, pers-
pectiva da Escola Nova, na qual o aluno “deveria ser 
ativo”, participar diretamente do seu processo de 
aprendizagem. São os “métodos ativos” que direcio-
nam o processo de “construção do conhecimento”. 
Os conteúdos representam os meios para o desen-
volvimento de habilidades e capacidades cognitivas, 
propiciados para este fim (MURA 2009, p.40).
Segundo Veiga (2008), no ano de 1937 Vargas assumiu 
o poder com auxílio de grupos militares e com apoio da 
classe burguesa e implantou o Estado Novo ditatorial, 
170
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
o qual permaneceu até 1945, os debates educacionais 
foram cessados nesse período. 
No mesmo ano foi escrita a nova Constituição, a qual 
de um modo explícito orientou às políticas educacionais 
para suprir as demandas de produção, visto que sugeriu 
uma grande demanda por de mão de obra qualificada, 
o intuito era suprir as necessidades ocasionadas pelas 
novas atividades abertas pelo mercado, por meio do en-
sino pré-vocacional e profissional (BÔAS, 2008). 
Para Veiga (2008, p.49), o Estado Novo favoreceu o “[...] 
‘realismo em educação’, ou seja, o processo educativo 
visto em seus vínculos com a sociedade a que serve mas 
no desempenho de seu papel de conservação, isto é, a 
escola como mantenedora do status quo”.
Para Mura (2009) a educação desse período era direcio-
nada à força de trabalho, a qual seria capaz de acabar 
com a ignorância e proporcionar avanços no processo 
171
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
sociocultural e produtivo do Brasil, com intuito de radi-
car a marginalidade que surgiu com o advento do novo 
modelo de produção industrial. A pesquisadora Mura 
(2009, p.34) alega que a divulgação dessas ideologias, 
somadas ao otimismo em “[…] reformar a educação com 
base em segmentos científicos e psicológicos,até então 
utilizados na educação européia como base de apoio 
teórico, seria a âncora para a implantação e reforço da 
escola pública brasileira”.
A pesquisadora Veiga (2008, p.49) conclui que a Educação 
presente no período do Estado Novo não acabou com 
enfoque técnico, porém de alguma forma a ele foi in-
corporada “[…] a ideia da relação educação-sociedade. 
Ainda que pretendam uma “aparência de neutralidade” 
técnica, os renovadores que atuam oficialmente têm de 
agir em coerência com a política defendida pelo Estado 
Novo”. No entanto, uma nova guinada aconteceu quan-
do o Estado Novo chegou ao fim, pois: 
172
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
Uma nova guinada ocorreu com o fim o Estado 
Novo e das diretrizes totalitárias da Constituição 
de 1937. A nova constituição determinava o ensino 
primário obrigatório e outorgava à União o direito 
de legislar sobre as diretrizes e bases da educação 
nacional. Novamente, assistiu-se a iniciativas sig-
nificativas desenvolvidas em todo o país (talvez o 
período mais fértil para a educação na história do 
Brasil) (BÔAS, 2008, p.29).
De acordo com Mura (2009, p.34) os debates que ocor-
reram na “[...] primeira metade do século XX trouxeram 
a afirmação dos ideais da escola pública e, em seu em-
brião, as reformas necessárias ao atendimento às forças 
produtivas e ao meio de produção capitalista”. Para Veiga 
(2008, p.49), “o período situado entre 1930 e 1945 é mar-
cado pelo equilíbrio entre as influências das concepções 
humanistas tradicionais (representada pelos católicos) e 
humanista moderna (representada pelos pioneiros)”. 
E para o pesquisador Bôas (2008): 
O fato mais marcante, contudo, teve início em 1948, 
173
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
quando foi encaminhado à Câmara Federal um pro-
jeto de reforma geral da educação nacional orga-
nizado em três diretrizes: ensino primário, ensino 
médio, e ensino superior. Essa reforma criou um 
amplo debate sobre a responsabilidade do Estado e 
a participação das instituições privadas na educação. 
Depois de treze anos de acirradas discussões, foi 
promulgada a Lei n. 4.024, Lei de Diretrizes e Bases 
da Educação Nacional (LDB), em 20 de dezembro de 
1961, que atendia às reivindicações da Igreja Católica 
e dos donos de estabelecimentos particulares de en-
sino no seu debate com os que defendiam o mono-
pólio do Estado na oferta da educação (BÔAS, 2008, 
p.29).
No entanto, Bôas (2008, p.29) afirma que “a diversida-
de de iniciativas e de discussões acerca da educação foi 
posta abaixo quando, em 1964, um golpe militar classi-
ficou todas as tentativas de modificar a educação brasi-
leira como ‘comunizantes e subversivas’”. Ele relata que:
Por meio de um forte movimento repressivo, da 
prisão de professores e alunos, da invasão de uni-
versidades e do fechamento da União Nacional dos 
174
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
Estudantes, o regime militar espelhou na educação 
o caráter antidemocrático de sua proposta ideológi-
ca. Ao mesmo tempo, foi nesse período que ocorreu 
a primeira grande expansão das universidades no 
Brasil e a criação do exame classificatório chama-
do vestibular (que tinha como meta acabar com os 
“excedentes” que tiravam notas suficientes para ser 
aprovados, mas não conseguiam vaga para estudar) 
(BÔAS, 2008, p.30).
A pesquisadora Ribeiro (2010) relata que em pleno pe-
ríodo de intensificação da repressão militar, a crise da 
Escola Nova fez com que a Pedagogia Tecnicista fos-
se articulada, assim no ano de 1961 a primeira Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação nº 4.024/61, foi implan-
tada, a qual entrou em vigor no ano seguinte em 1962. 
Desencadeou mudanças e implementações no campo 
educacional, como “a instalação do Conselho Federal 
de Educação (CFE) e a elaboração do Plano Nacional de 
Educação (PNE) por Anísio Teixeira, cujo Plano foi apro-
vado pelo CFE em dezembro de 1962 [...]” (RIBEIRO, 
175
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
2010, p.37). 
A Lei da Educação fez com que ocorresse a descentra-
lização, segundo a autora Ribeiro (2010, p.37) “[...] res-
ponsabilizando os Estados de organizarem seus siste-
mas de ensino. O Estado Nacional vivia um momento de 
‘democratização’, que não correspondia ao centralismo 
provocado pela ditadura instalada, durando pouco tem-
po”. Assim:
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, 
de 1961, em pleno período de intensificação da re-
pressão militar, voltou a orientar a educação à pro-
fissionalização dos indivíduos. Durante o regime, as 
questões educacionais assumiram status de ban-
deira política, e a “educação” tornou-se catalisadora 
de pensadores de áreas diversas, que impedidos de 
exercer a própria profissão, participavam ativamen-
te de debates, que lhes proporcionavam alcançar 
uma profundidade de pensamentos que transcendia 
às esferas da escola e da sala de aula. Em dezembro 
de 1996 foi aprovado um texto para o projeto de lei 
de uma nova LDB, oito anos depois de escrita a nova 
176
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
Constituição de 1988 (BÔAS, 2008, p.30).
Esses acontecimentos fizeram que a tendência fosse 
embasada na racionalidade técnica, na eficiência e na 
produtividade, proporcionou que o foco não estivesse 
mais voltado ao docente, como na Pedagogia tradicio-
nal, muito menos no aluno como na Escola Nova, mas 
na operacionalização dos meios (RIBEIRO, 2010). Neste 
contexto, “o professor e o aluno passam a ocupar po-
sições secundárias no processo de ensino e aprendiza-
gem. A base que orienta essa perspectiva está na cor-
rente filosófico-psicológica do behaviorismo” (RIBEIRO, 
2010, p.36). 
Para Kawamura (1990):
O avanço do capitalismo monopolista dá as condi-
ções básicas para o desenvolvimento do caráter 
tecnicista na educação. De um lado, a expansão mo-
nopolista significa mudanças nos processos de pro-
dução e de gestão, que passam a se fundamentar 
na concentração e centralização das atividades em 
177
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
organizações burocráticas e na utilização de equi-
pamentos, materiais e processos tecnológicos avan-
çados baseados na automação, na informática e no 
uso de novos materiais. De outro, essa expansão 
desenvolve a indústria cultural, colocando em dispo-
nibilidade um vasto arsenal de meios de comunica-
ção de massa e tecnologias de ensino (KAWAMURA, 
1990, p.35).
Podemos concluir após a recapitulação da história da 
didática no Brasil que a “[...] educação no Brasil se esta-
beleceu através de uma prática conservadora caracteri-
zada por três abordagens: abordagem tradicional, abor-
dagem escolanovista e abordagem tecnicista” (NOSELLA 
et al., 2010, p.21), mesmo que “[...] se apresentando em 
épocas diferentes, todos têm como característica fun-
damental a reprodução do conhecimento” (BEHRENS, 
2005, p.41). Podem ser apontados como paradigma 
conservador. 
178
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
Fonte: Bôas (2008, p.24)
Agora podemos adentrar a prática docente frente às 
TIC, visto que já resgatamos um pouco sobre a história 
da didática no Brasil e definimos o que é didática, assim 
já é possível compararmos as ações que o Professor tem 
179
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
que deixar e as que ele deve adotar. No entanto ressal-
tamos que este breve relato sobre a história da didática 
não é o suficiente para você dominar este assunto que 
é de extrema importância, uma vez que a história da di-
dática e as suas particularidades não cabe somente em 
algumas páginas, mas em uma obra específica, ou até 
mesmo em alguns volumes destinados a este assunto 
que é tão relevante.
O nosso objetivoé somente situá-lo(a) para que entenda 
os resquícios da história que os docentes devem aban-
donar e as ações que precisam adotar para que o pro-
cesso de ensino e aprendizagem seja eficaz e não como 
o caso que está descrito a seguir no quadro Fique por 
Dentro, onde os autores Christensen, Horn e Johnson 
(2009) descrevem uma situação que demonstra clara-
mente que não adianta o professor utilizar as TIC se a 
sua didática não mudar, pois serão meramente uma re-
produção de conhecimentos iguais os estudados até o 
180
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
momento. 
É necessário que a prática docente frente às TIC seja di-
nâmica que ultrapasse as barreiras postas pelos nossos 
antecessores, por isso que o próximo tópico desta uni-
dade abordará a prática pedagógica que levará o profes-
sor utilizar as TIC com os seus saberes alcançando assim 
a aprendizagem transformadora. 
REFLITA
Maria e suas amigas pulam na arquibancada para comemo-
rar o gol de Rob. 
“Gooool!!!”, gritam elas, se abraçando, entusiasmadas. A 
equipe parece destinada a ganhar mais um campeonato, 
pelo menos enquanto Rob continuar fazendo parte do grupo, 
com suas boas notas, e, ultimamente, Maria tem se mostrado 
mais otimista quanto a essa possibilidade. 
Depois do jogo, Rob e Maria vão juntos para casa. Eles têm 
outro compromisso com a química, logo mais à noite, mas, 
desta vez, Rob está confiante: tudo que eles precisam fazer é 
181
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
usar o Microsoft Excel para elaborar um gráfico com os dados 
certos. Depois disso, pensando em conquistar nota um pou-
co melhor na avaliação do professor, poderão elaborar bre-
ves perfis de químicos famosos, recorrendo à Internet como 
instrumento de suas pesquisas. Eles o os colegas apresenta-
rão os trabalhos em pequenos grupos. 
“Barbara!”. Diz Rob à Maria, ainda vibrando com a vitória no 
futebol. Ela concorda, e os dois se despedem na esquina em 
que convergem as ruas onde moram suas famílias. 
Pouco depois, ainda naquela tarde, Maria está concluindo a 
sua parte no trabalho, destinado a conquistar pontos extras, 
quando sua mãe entra na sala. “O que é que você faz aí, me-
nina?”, pergunta a mãe. 
“Uma biografia de Marie Curie”, diz Maria, continuando a digi-
tar as citações que selecionou. 
“Verdade? Eu fiz isso para o Sr. Alvera quando estava na aula 
dele!”, observa a mãe de Maria. “A sua avó telefonou para 
o tio Dan, e eu copiei da enciclopédia dele. Eu me senti tão 
esperta...”.
Só então Maria presta atenção no que a mãe, que já havia ido 
para a cozinha, estava dizendo. E passa a sentir-se um tanto 
estranha com o fato de que, mesmo tendo nascido pratica-
mente brincando com um computador, continuava fazendo 
as mesmas tarefas que a mãe fazia vinte e poucos anos atrás, 
182
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
quando o Sr. Alvera era um professor em início de carreira. 
Será que na faculdade as coisas mudarão? 
Apesar da quase onipresença dos computadores, a experiên-
cia de Maria na escola não é muito diferente daquela de sua 
mãe, um pouco mais de duas décadas atrás. Enquanto sua 
mãe trabalhava em pesquisas utilizando-se de textos de re-
ferência, Maria, agora, está fazendo tudo online; e enquanto 
a sua mãe datilografava o trabalho em uma máquina de es-
crever, Maria o digita usando um processador de textos. Por 
que os computadores não conseguiram implantar nas esco-
las uma transformação de proporções semelhantes àquelas 
que tiveram em outras áreas da vida? 
Trecho extraído do livro: Inovação na Sala de Aula: Como 
a inovação de ruptura muda a forma de aprender, pp.81-82. 
Autores: Clayton M. Christensen; Michael B. Horn e Curtis W. 
Johnson 
FIQUE POR DENTRO
Este link trata da importância da educação para o crescimen-
to das pessoas. Sem a educação as pessoas ficam paradas no 
tempo e não são capazes de interagir umas com as outras.
183
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
<http://educarparacrescer.abril.com.br/gestao-escolar/tec-
nologia-na-escola-618016.shtml>. Acesso em 20 de junho de 
2013.
EDUCANDO NA ERA DIGITAL: SABERES 
NECESSÁRIOS PARA INCLUSÃO DOS 
RECURSOS TECNOLÓGICOS NO PROCESSO DE 
ENSINO-APRENDIZAGEM 
Mediante as TIC o professor tem que ter ações para que 
o processo de ensino e aprendizagem seja eficaz, deste 
modo Freire (2006, p.22) aborda e discute “[...] saberes 
fundamentais à prática educativo-crítica ou progressista 
e que, por isso mesmo, devem ser conteúdos obrigató-
rios à organização programática da formação docente”. 
O pesquisador aborda três saberes fundamentais que 
devem ser adotados pelos docentes progressistas: não 
há docência sem discência, ensinar não é transferir co-
nhecimento e ensinar é uma especificidade humana. 
Assim, o docente poderá utilizar os três saberes para a 
184
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
inclusão das tecnologias em sala de aula e ter êxito no 
processo de ensino e aprendizagem. 
Para o autor Freire (2006, p.23) não há docência sem dis-
cência, pois “[...] as duas se explicam e seus sujeitos apesar 
das diferenças que os conotam, não se reduzem à condi-
ção de objeto, um do outro. Quem ensina aprende ao ensi-
nar e quem aprende ensina ao aprender”. Por meio da in-
teração que ocorre no processo de ensino e aprendizagem 
entre o professor e aluno é possível que ambos aprendam 
mesmos que: 
[...] embora diferentes entre si, quem forma se for-
ma e re-forma ao formar e quem é formado forma-
-se e forma ao ser formado. É neste sentido que ensi-
nar não é transferir conhecimentos, conteúdos nem 
formar é ação pela qual um sujeito criador dá forma, 
estilo ou alma a um corpo indeciso e acomodado 
(FREIRE, 2006, p.23).
185
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
Fonte: shutterstock
A prática de ensinar não é possível sem que aprendiza-
do ocorra antes, visto que homens e mulheres ao apren-
derem socialmente descobriram que era possível ensi-
nar, sendo que foi “[...] socialmente aprendendo, que 
ao longo dos tempos mulheres e homens perceberam 
que era possível – depois, preciso – trabalhar maneiras, 
caminhos, métodos de ensinar” (FREIRE, 2006, p.23). É 
notório que a ação de aprender vem antes da prática de 
186
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
ensinar. 
Para que os docentes tenha êxito no uso das TIC como 
recursos auxiliares nas salas de aulas, é preciso assumir 
a responsabilidade de aprender a utilizar as tecnologias 
para depois transferir o aprendizado, visto que é preciso 
que a integração ocorra primeiramente interna já que:
Nosso desafio maior é caminhar para um ensino e 
uma educação de qualidade, que integre todas as 
dimensões do ser humano. Para isso precisamos de 
pessoas que façam essa integração em si mesmas 
no que concerne aos aspectos sensorial, intelectual, 
emocional, ético e tecnológico, que transitem de for-
ma fácil entre o pessoal e o social, que expressem 
nas suas palavras e ações que estão sempre evoluin-
do, mudando, avançando (MORAN, 2012, p.15).
Fica claro que “ensinar é um processo social (inserido 
em cada cultura, com suas normas, tradições e leis), 
mas também é um processo profundamente pessoal: 
cada um de nós desenvolve um estilo, seu caminho [...]” 
187
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
(MORAN, 2012, p.13). Assim, cabe ao professor desen-
volver o seu estilo, seu caminho para aprender os meios 
de utilizar as TIC como ferramenta essencial, pois, “as 
tecnologias digitais de comunicação e de informação, 
sobretudo o computador e o acesso à Internet, come-
çam a participar das atividades de ensino realizadas nas 
escolas brasileiras de todos os níveis” (KENSKI, 2010, 
p.70). 
Neste contexto, o docente tem que encarar o usodas 
tecnologias como parte de sua prática, porém o desafio 
é que como um “[...] educador democrático não pode 
negar-se o dever de, na sua pátria docente, reforçar a 
capacidade crítica do educando, sua curiosidade, sua in-
submissão” (FREIRE, 2006, p.26). Assim, “muito mais do 
que ‘treinamento’, é necessário que os professores de-
senvolvam a habilidade de beneficiarem-se da presen-
ça dos computadores e de levarem esse benefício para 
seus alunos” (PAPERT, 2008, p.79). O desafio do docente 
188
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
é fazer que: 
[...] as novas tecnologias não sejam vistas como 
apenas mais um modismo, mas com a relevância 
e o poder educacional transformador que elas pos-
suem, é preciso refletir sobre o processo de ensino 
de maneira global. Antes de tudo, é necessário que 
todos estejam conscientes e preparados para assu-
mir novas perspectivas filosóficas, que contemplem 
visões inovadoras de ensino e de escola, aprovei-
tando-se das amplas possibilidades comunicativas 
e informativas das novas tecnologias, para a con-
cretização de um ensino crítico e transformador de 
qualidade (KENSKI, 2010, p.73).
Diante do mundo globalizado a “velha” forma de edu-
cação não condiz com a realidade, hoje os alunos tem 
acesso fácil às novas tecnologias o que faz com que eles 
interajam com várias culturas ao mesmo tempo. Para 
Corazza (2001, p.103) “[...] somos sujeitos desta época 
e de nenhuma outra, não conseguimos experimentar 
mais a educação e a pedagogia do mesmo jeito que an-
tes”. Deste modo:
189
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
[...] Não se trata de dar receitas, porque as situações 
são muito diversificadas. É importante que cada 
docente encontre o que lhe ajuda mais a sentir-se 
bem, a comunicar-se bem, auxiliar os alunos para 
que aprendam melhor. É importante diversificar as 
formas de dar aula, de realizar atividades, de avaliar 
(PATRONI et al., 2009, p.390). 
“O aprendiz deve ser incentivado a estudar e pesquisar 
de modo independente e o aprendizado colaborativo, 
dinamizando a comunicação e a troca” (PATRONI et al., 
2009, p.45). Neste contexto, é importante que desenvol-
va a habilidade de pesquisar, já que o ensino não acon-
tece sem a pesquisa e a pesquisa propicia novos conhe-
cimentos e permite que seja compartilhada a novidade, 
ou seja, o aprendizado (FREIRE, 2006). 
Além de desenvolver o ato contínuo de pesquisa, o pro-
fessor precisa também ter respeito aos saberes dos alu-
nos, sempre levar em consideração o conhecimento e 
a vivência de cada educando, pois eles trazem para a 
190
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
sala de aula os “[...] saberes socialmente construídos na 
prática comunitária [...]” (FREIRE, 2006, p.30). No entan-
to, não se pode limitar em considerar, é fundamental 
“[...] discutir com os alunos a razão de ser de alguns des-
ses saberes em relação com o ensino dos conteúdos” 
(FREIRE, 2006, p.30), pois:
Há uma preocupação com ensino de qualidade mais 
do que com educação de qualidade. Ensino e edu-
cação são conceitos diferentes. No ensino organiza-
-se uma série de atividades didáticas para ajudar os 
alunos a compreender áreas específicas do conheci-
mento (ciências, história, matemática). Na educação 
o foco, além de ensinar, é ajudar a integrar ensino 
e vida, conhecimento e ética, reflexão e ação, a ter 
uma visão de totalidade. Educar é ajudar a integrar 
todas as dimensões da vida, a encontrar nosso ca-
minho intelectual, emocional, profissional, que nos 
realize e que contribua para modificar a sociedade 
que temos (MORAN, 2012, p.12).
É necessário também que o docente estimule a critici-
dade, pois para o pesquisador Freire (2006, p.32) a “[...] 
191
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
promoção da ingenuidade para a criticidade não se dá 
automaticamente, uma das tarefas precípuas da prática 
educativo-progressista é exatamente o desenvolvimen-
to da curiosidade crítica, insatisfeita, indócil”. Visto que 
“[...] nos tornamos capazes de comparar, de valorar, de 
intervir, de escolher, de decidir, de romper, por tudo isso 
nos fazemos seres éticos” (FREIRE, 2006, p.33). 
É oportuno ressaltar que estimular a criticidade do alu-
no é fundamental, talvez uma das ações mais impor-
tantes, pois, “a aquisição da informação, dos dados, de-
penderá cada vez menos do professor. As tecnologias 
podem trazer, hoje, dados, imagens, resumos de forma 
rápida e atraente” (MORAN, 2012, p.30). Assim, para o 
autor Moran (2012) o papel principal do docente é auxi-
liar o acadêmico a interpretar esses dados e relacioná-
-los com a sua realidade, bem como contextualizá-los. 
Para Freire (2006) o docente precisa ter o caráter 
formador e cuidados para não influenciar o aluno 
192
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
negativamente, é fundamental que seja humano na prá-
tica educativa, pois educar é substantivamente formar, 
“[...] é colaborar para que professores e alunos – nas es-
colas e organizações – transformem suas vidas em pro-
cessos permanentes de aprendizagem” (MORAN, 2012, 
p.13).
Assim, o professor auxilia “os alunos na construção de 
sua identidade, do seu caminho pessoal e profissional 
– do seu projeto de vida, no desenvolvimento das ha-
bilidades de compreensão, emoção e comunicação [...]” 
(MORAN, 2012, p.13), de modo que sejam realizados e 
produtivos, visto que a prática de: 
Divinizar ou diabolizar a tecnologia ou a ciência é 
uma forma altamente negativa e perigosa de pensar 
errado. De testemunhar aos alunos, às vezes com 
ares de quem possui a verdade, um rotundo desa-
certo. Pensar certo, pelo contrário, demanda pro-
fundidade e não superficialidade na compreensão e 
na interpretação dos fatos (FREIRE, 2006, p.33). 
193
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
Neste contexto é função do professor dominar as TIC em 
sala de aula, tendo conhecimentos profundos de como 
utilizá-las, ultrapassando a superficialidade na compre-
ensão e na interpretação dos fatos, para que não caia 
no engano da falsa fórmula farisaica do “[...] faça o que 
mando e não o que eu faço” (FREIRE, 2006, p.34). 
Segundo Moran (2012) o docente é um pesquisador em 
serviço, ou seja, através da prática e da pesquisa ele 
aprende, assim ele tem que aprofundar as suas pesqui-
sas para conhecer detalhadamente as TIC, pois, “o seu 
papel é fundamentalmente o de um orientador/media-
dor” (MORAN, 2012, p.30). Ele precisa buscar a seguran-
ça em sua argumentação, aceitar o novo e não temê-lo, 
ter seu momento da reflexão crítica sobre a sua prática, 
o qual é fundamental, pois é por meio do pensamento 
crítico na ação de hoje ou de outrora que é possível aper-
feiçoar a próxima prática (FREIRE, 2006). Neste contexto 
194
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
é oportuno ressaltar a importância da prática docente e 
o seu aperfeiçoamento, pois: 
A utilização da tecnologia pela tecnologia não tem 
sentido de ser e acaba por não gerar a construção 
e a aquisição do conhecimento, não oportunizando 
o pensamento crítico. O processo de inclusão digi-
tal deveria levar o indivíduo incluído à produção 
de informações e conhecimentos, à participação 
social ativa, à inserção em múltiplas culturas nas 
redes, introduzindo-o em um processo de alfabe-
tização em todas as áreas em todas as linguagens 
(BERTONCELLO, 2011, p.16).
Deste modo, o professor não pode somente utilizar a 
tecnologia de modo banal, caso isso ocorra, o docente 
reportará ao modelo tradicional, o qual era método de 
transferência de informação, do docente para o aluno. 
A autora Kenski (2007) relata que a fala é o método mais 
utilizado para interaçãoentre o professor e os alunos, 
bem como para promover o ensino e a verificação da 
195
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
aprendizagem, normalmente o acadêmico é o que me-
nos emite a fala. Assim, não adianta o professor utilizar 
as TIC como uma extensão desta prática, somente subs-
tituindo a sua voz por equipamentos como a televisão 
e o vídeo que são narrativos. Caso isso ocorra, a autora 
descreve que as TIC assumirão o “[...] papel de ‘contado-
res de histórias’ e os alunos, de seus ‘ouvintes’” (KENSKI, 
2007, p.29), para ela as TIC serão utilizadas para substi-
tuir o mesmo método, ou seja, a informação será “[...] 
transmitida, na esperança de que seja armazenada na 
memória e aprendida. A sociedade oral, de todos os 
tempos, aposta na memorização, na repetição e na con-
tinuidade” (KENSKI, 2007, p.29). Porém, os docentes na 
era digital tem que abandonar esta prática, pois é a mes-
ma utilizada pelos Jesuítas no processo de colonização 
do Brasil que abordamos no começo desta unidade, a 
qual não cabe mais nesta era. 
Por isso que o professor tem que proporcionar condições 
196
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
aos acadêmicos de “assumir-se como ser social e histó-
rico como ser pensante, comunicante, transformador, 
criador, realizador de sonhos, capaz de ter raiva porque 
capaz de amar” (FREIRE, 2006, p.41) e não mero ouvinte 
da fala transmitida pelas TIC ou pelo próprio docente. 
Outro saber que Freire (2006, p.47) traz como indispen-
sável para a prática docente é que “ensinar não é trans-
ferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a 
sua própria produção ou a sua construção”. Assim, o 
docente tem que ter como meta “[...] desafiar o educan-
do com quem se comunica e a quem comunica, produ-
zir sua compreensão do que vem sendo comunicado” 
(FREIRE, 2006, p.47).
Para o pesquisador, “onde há vida, há inacabamento. 
Mas só entre mulheres e homens o inacabamento se tor-
nou consciente” (FREIRE, 2006, p.50), porém o docente 
tem que estar ciente que ele pode ir mais além, por isso 
que ele é ser condicionado e não determinado. Desde 
197
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
modo o professor tem que respeitar à “[...] curiosidade 
do educando, o seu gosto estético, a sua inquietude, a 
sua linguagem, mais precisamente a sua sintaxe e a sua 
prosódia [...]” (FREIRE, 2006, p.60). Visto que:
A sociedade ensina. As instituições aprendem e en-
sinam. Os professores aprendem e ensinam. Sua 
personalidade e sua competência ajudam mais ou 
menos. Ensinar depende também de o aluno querer 
aprender e estar apto a aprender em determinado 
nível (depende da maturidade, da motivação e da 
competência adquiridas) (MORAN, 2012, p.13). 
O professor e o aluno são seres diferentes e precisam 
promover o dialogo para que ambos possam aprender 
e crescer na diferença, o autor define que estes tem que 
ser sujeitos dialógicos. Assim, é preciso que o professor 
use o seu bom senso e que exerça a sua autoridade em 
na sala de aula conduzindo as ações, mas em nenhum 
momento pode-se confundir autoridade com autori-
tarismo, licença com liberdade. Visto que para ensinar 
precisa de humildade, tolerância e luta em defesa dos 
198
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
direitos dos educadores (FREIRE, 2006). 
Nesse sentido, o dialogo pode ser promovido por meio 
das TIC, já que ambos são diferentes e pode crescer com 
essa diferença, o professor deve permitir que os alunos 
por meio da hipermídia tenham acesso às informações, 
as quais terão uma enorme variedade e inúmeros for-
matos, de modo que o aluno poderá “[...] assistir a um 
vídeo, ver imagens de vários ângulos, fotos, desenhos, 
textos, sons, poesias; enfim, hipertextos e hipermídias 
realizam sínteses e se articulam” (KENSKI, 2007, p.33). 
No entanto, caberá ao professor promover os saltos 
entre os diversos tipos de informação e definir qual o 
caminho mais propício a seguir para promover o apren-
dizado (KENSKI, 2007).
O professor terá que promover os saltos com respeito 
ao acadêmico, não somente a sua pessoa, mas à sua 
curiosidade e à sua timidez, assim o docente precisa cul-
tivar a humildade e tolerância, além de tomar o cuidado 
199
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
para não agravar a situação com ações inibidoras. Sem 
perder a motivação pelos desafios que não lhe permi-
tem burocratizar-se, precisa assumir suas limitações, as 
quais devem sempre estar acompanhadas do esforço 
para superá-las (FREIRE, 2006). 
Jamais o educador pode perder a esperança e a alegria 
de que ele e os alunos podem aprender, ensinar, esta-
rem inquietos, produzir e juntos igualmente resistir aos 
obstáculos que as TIC ou qualquer outra situação pode 
trazer:
Por tudo isso me parece uma enorme contradição 
que uma pessoa progressista, que não teme a novi-
dade, que se sente mal com as injustiças, que se ofen-
de com as discriminações, que se bate pela decência, 
que luta contra a impunidade, que recusa o fatalismo 
cínico e imobilizante, não seja criticamente esperan-
çosa (FREIRE, 2006, p.73). 
Para Freire (2006) é necessário estar ciente que mu-
dar é difícil, mas é possível, precisa programar a ação 
200
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
político-pedagógica, independente do projeto, seja o de 
inclusão das TIC na sala de aula, seja de alfabetização 
de adultos ou de crianças, enfim, qualquer que seja. 
Mesmo que a implantação das TIC na prática docente 
seja difícil é preciso perseverar, pois “[...] as tecnologias 
eletrônicas de comunicação funcionam como importan-
tes auxiliares” (KENSKI, 2010, p.69). 
No entanto, existe um desafio maior do que apenas uti-
lizar as TIC como reprodutoras da fala e se convencer 
que aderiu as TIC para a prática pedagógica, o desafio 
do docente é promover o rompimento:
A tecnologia digital rompe com as formas narrativas 
circulares e repetidas da oralidade e com o enca-
minhamento contínuo e sequencial da escrita e se 
apresenta como um fenômeno descontínuo, frag-
mentado e, ao mesmo tempo, dinâmico, aberto e 
veloz.  Deixa de lado a estrutura serial e hierárquica 
na articulação dos conhecimentos e se abre para o 
estabelecimento de novas relações entre conteúdos, 
espaços, tempos e pessoas diferentes (KENSKI, 2007, 
201
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
p.32).
Fonte: shutterstock
Para que este rompimento ocorra é necessário que o 
docente seja bom, pois, “[...] o bom professor é o que 
202
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
consegue, enquanto fala, trazer o aluno até a intimida-
de do momento de seu pensamento. Sua aula é assim 
um desafio e não uma ‘cantiga de ninar’” (FREIRE, 2006, 
p.86). As TIC podem auxiliá-lo neste desafio de romper 
com as formas de narrativas circulares que são repeti-
das, permitindo ao docente que “seus alunos cansam, 
não dormem. Cansam porque acompanham as idas e 
vindas de seu pensamento, surpreendem suas pausas, 
suas dúvidas, suas incertezas” (FREIRE, 2006, p.86).
O terceiro e último saber é que ensinar é uma especi-
ficidade humana, para Freire (2006) a educação é uma 
forma de intervenção no mundo, a qual transmite co-
nhecimento dos conteúdos que podem ser bem ou mal 
ensinados e que por sua vez o aluno pode aprender 
bem ou mal, aborda o esforço de reprodução da ideolo-
gia dominante como o seu desmascaramento. Conclui-
se que a educação é Dialética e ao mesmo tempo con-
traditória, não pode ser só uma ou só a outra dessas 
203
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
coisas, ou seja, não pode ser somente reprodutora nem 
somente desmascaradora da ideologia dominante.Quando o pesquisador fala em educação como inter-
venção, ele se refere: 
[...] tanto à que aspira a mudanças radicais na socie-
dade, no campo da economia, das relações huma-
nas, da propriedade, do direito ao trabalho, à terra, 
à educação, à saúde, quanto a que, pelo contrário, 
reacionariamente pretende imobilizar a História e 
manter a ordem injusta (FREIRE, 2006, p.109).
204
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
Fonte: shutterstock
Neste sentido, o docente também tem que aspira a afir-
mação da autora Kenski (2007, p.28) que “o avanço tec-
nológico das últimas décadas garantiu novas formas de 
uso das TICs para a produção e propagação de informa-
ções, a interação e a comunicação em tempo real, ou 
seja, no momento em que o fato acontece”, para que 
ocorra a “[...] constituição e a solidez da autonomia do 
205
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
ser educando” (FREIRE, 2006, p.110). Os docentes têm 
que assumir a verdade que as TIC trouxeram mudanças 
significativas para a prática docente e que é necessá-
rio desenvolver a autonomia dos alunos perante essas 
mudanças. 
“De modo geral, teimam em depositar nos alunos apas-
sivados a descrição do perfil dos conteúdos, em lugar de 
desafiá-los a aprender a substantividade dos mesmos 
[...]” (FREIRE, 2006, p.110). Ao invés de estimular os alu-
nos frente às TIC para que a pedagogia da autonomia 
ocorra, o docente recua perante o arsenal de informa-
ções que as TIC possuem. No entanto, o docente terá 
que ser mais ousado, terá que superar as dificuldades, 
visto que “[...] uma pedagogia da autonomia tem de es-
tar centrada em experiências estimuladoras da decisão 
e da responsabilidade, vale dizer, em experiências res-
peitosas da liberdade” (FREIRE, 2006, p.107) e as TIC po-
dem promover essas experiências estimuladoras: 
206
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
A convergência das tecnologias de informação e de 
comunicação para a configuração de uma nova tec-
nologia, a digital, provocou mudanças radicais. Por 
meio das tecnologias digitais é possível representar 
e processar qualquer tipo de informação. Nos am-
bientes digitais reúnem-se a computação (a informá-
tica e suas aplicações), as comunicações (transmis-
são e recepção de dados, imagens, sons etc.) e os 
mais diversos tipos, formas e suportes em que estão 
disponíveis os conteúdos (livros, filmes, fotos, mú-
sicas e textos). É possível articular telefones celula-
res, computadores, televisores, satélites etc. e, por 
eles, fazer circular as mais diferenciadas formas de 
informação. Também é possível a comunicação em 
tempo real, ou seja, a comunicação simultânea, en-
tre pessoas que estejam distantes, em outras cida-
des, em outros países ou mesmo viajando no espaço 
(KENSKI, 2007, p.33).
Neste contexto, segundo Freire (2006) o professor não 
precisa fazer a todo o momento o discurso sobre sua 
autoridade, alias não tem que questionar o educando se 
ele “sabe com quem está falando?”, pois, o docente tem 
que exercer a autoridade com indiscutível sabedoria. 
207
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
Assim, se o professor trouxer as TIC para a sala de aula e 
usá-las como ferramenta para alcançar a pedagogia da 
autonomia, não precisará o docente progressista ques-
tionar o aluno, pois, a liberdade amadurece no confron-
to com outras liberdades, na defesa em face da autori-
dade dos pais, do professor, do Estado (FREIRE, 2006, 
p.106-107).
No entanto, é fundamental que o professor esteja pre-
parado para o uso das TIC em sala de aula, uma forma 
de se preparar é levar a serio sua formação, visto que “o 
professor que não leve a sério sua formação, que não 
estude, que não se esforce para estar à altura de sua 
tarefa não tem força moral para coordenar as atividades 
de sua classe” (FREIRE, 2006, p.92). Assim, “[...] a incom-
petência profissional desqualifica a autoridade do pro-
fessor” (FREIRE, 2006, p.92).
É indispensável saber que o docente não pode passar 
despercebido pelos alunos, e que a forma como eles 
208
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
o percebem, pode ajudá-lo ou desajudá-lo no cumpri-
mento de sua atividade docente, assim, é preciso que 
aumente os cuidados com o seu próprio desempenho, 
principalmente com relação ao domínio das TIC. Se a 
opção do professor é ser democrática, progressista, ele 
não pode ter uma prática racionaria, autoritária, elitista 
(FREIRE, 2006, p.97-98).
O educador que se considera educador democrático, 
precisa estar ciente que a neutralidade da educação é 
impossível, assim, precisa “[...] forjar em si um saber es-
pecial, que jamais deve abandonar, saber que motiva e 
sustenta sua luta: se a educação não pode tudo, algu-
ma coisa fundamental a educação pode” (FREIRE, 2006, 
p.112). Os educadores críticos não podem pensar que 
suas ações podem transformar o país, porém tem que 
demonstrar que é possível mudar, de modo que refor-
çará a importância de sua tarefa político-pedagógica. 
A professora democrática, coerente, competente, 
209
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
que testemunha seu gosto de vida, sua esperança 
no mundo melhor, que atesta sua capacidade de 
luta, seu respeito às diferenças, sabe cada vez mais 
o valor que tem para a modificação da realidade, a 
maneira consciente com que vive sua presença no 
mundo, de que sua experiência na escola é apenas 
um momento, mas um momento importante que 
precisa de ser autenticamente vivido (FREIRE, 2006, 
p.113). 
É de extrema importância saber escutar, o professor 
tem que escutar para aprender a falar com os alunos, 
pois “[...] se, na verdade, o sonho que nos anima é de-
mocrático e solidário, não é falando aos outros, de cima 
para baixo, sobretudo, como se fôssemos os portadores 
da verdade a ser transmitida aos demais [...]” (FREIRE, 
2006, p.113). O docente que ouve os alunos aprende a 
difícil lição de transformar seu discurso que às vezes é 
necessário.
O docente precisa saber da importância do diálogo, vis-
to que “o sujeito que se abre ao mundo e aos outros 
210
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
inaugura com seu gesto a relação dialógica em que se 
confirma como inquietação e curiosidade, como incon-
clusão em permanente movimento na História” (FREIRE, 
2006, p.136). Sendo que “o mundo encurta, o tempo 
dilui: o ontem vira agora; o amanhã já está feito. Tudo 
muito rápido. Debater o que se diz e o que se mostra e 
como se mostra na televisão me parece algo cada vez 
mais importante” (FREIRE, 2006, p.139).
Os educadores progressistas precisam usar a televisão e 
as outras TIC, sobretudo, discuti-las: 
Não temo parecer ingênuo ao insistir não ser pos-
sível pensar sequer em televisão sem ter em mente 
a questão da consciência crítica. É que pensar em 
televisão ou na mídia em geral nos põe o problema 
da comunicação, processo impossível de ser neutro. 
Na verdade, toda comunicação é comunicação de 
algo, feita de certa maneira em favor ou na defesa, 
sutil ou explícita, de algum ideal contra algo e contra 
alguém, nem sempre claramente referido (FREIRE, 
2006, p.139).
211
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
É fato que o docente tem que dialogar com os acadêmi-
cos e implantar em seus diálogos as TIC, visto que é um 
fenômeno que não tem mais volta. Para Papert (2008, 
p.74) “o computador é um dispositivo técnico aberto que 
estimula pelo menos alguns estudantes a avançar seu 
conhecimento até onde puderem, dando realce ao pro-
jeto por meio de uma ilimitada variedade de ‘efeitos’”. 
212
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
Fonte: shutterstock
Torna-se um desafio ao docente fazer não com que“al-
guns” estudantes avancem em seu conhecimento, mas 
porque não todos os estudantes avancem em seu co-
nhecimento com o uso do computador? Acreditamos 
213
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
que é um desafio totalmente possível, basta somente o 
empenhos dos educadores progressistas: 
Assim, aprender mais sobre técnicas de computa-
ção torna-se parte do projeto de uma forma que 
não ocorreria com o papel e o lápis. Isso poderia dar 
impressão de desvio do “objetivo principal”, que era 
estudar Biologia. Não o fez: pensar sobre represen-
tações na tela produziu uma familiaridade mais rica 
com o esqueleto do que era comum na época pré-
-computador (PAPERT, 2008, p.74). 
Tal fragmento mostra que foi possível utilizar o compu-
tador para melhorar a didática de ensinar a disciplina de 
Biologia, é possível conciliar a teoria e as TIC para me-
lhorar o aprendizado. 
Acima de tudo que abordamos neste capítulo, mesmo 
com todas as dificuldades que podem ser encontradas 
no decorrer do processo de inserção das TIC, Freire 
(2006) afirma que: 
O desrespeito à educação, aos educandos, aos 
214
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
educadores e às educadoras corrói ou deteriora em 
nós, de um lado, a sensibilidade ou a abertura ao 
bem querer da própria prática educativa, de outro, a 
alegria necessária ao que – fazer docente. É digna de 
nota a capacidade que tem a experiência pedagógi-
ca para despertar, estimular e desenvolver em nós o 
gosto de querer bem e o gosto da alegria sem a qual 
a prática educativa perde o sentido (p.142). 
Assim, o professor tem que ter disponibilidade à alegria 
de viver, pois quando a alegria de viver é assumida ple-
namente, ele “não permite que se transforme num ser 
‘adocicado’ nem tampouco num ser arestoso e amargo” 
(FREIRE, 2006, p.141), tendo mais disposição para supe-
rar as dificuldades e as novidades que as TIC trazem. A 
alegria é parte do processo de busca e não chega ape-
nas no encontro do achado, então no processo de adap-
tação com as TIC e inclusão dessas em sala de aula, é 
preciso estar ciente que “[...] ensinar e aprender não po-
dem dar-se fora da procura, fora da boniteza e da ale-
gria” (FREIRE, 2006, p.142). 
215
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
REFLITA
Assista ao vídeo “A educação e as novas tecnologias” que mos-
tra que os educadores devem estar preparados para utilizar a 
tecnologia, além de perceber que ela é uma ferramenta que 
auxilia na prática docente, porém sozinha não promoverá a 
mudança que almejamos. 
Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=X-
dY57PMsTsQ>. Acesso em 20 de junho de 2013.
Sugerimos também que assista ao vídeo “Tecnologia ou 
Metodologia?”, o qual demonstra uma escola que implantou 
recursos tecnológicos na sala de aula, porém a didática da 
professora não mudou, assim é cabível questionar se o inves-
timento foi valido? Já que a prática não mudou. 
Disponível em: <http://www.youtube.com/
watch?v=xLRt0mvvpBk>.
INDICAÇÕES DE LEITURA
O nosso objetivo com a primeira parte desta unidade, a 
qual abordou um pouco sobre a história da didática no 
Brasil, é de situá-lo(a) sobre as influências que a prática 
docente sofreu e ainda sofre com as ações de nossos 
216
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
antepassados, os quais não estavam preparados para 
implantar uma didática eficaz no Brasil. 
Agora você já conhece um pouco da história da didática 
do Brasil e entende os resquícios que os docentes de-
vem abandonar e as ações que precisam adotar para 
que o processo de ensino e aprendizagem seja eficaz. 
Deste modo, como sugestão de leitura indicamos o livro 
que a pesquisadora Veiga organizou, a qual é especialis-
ta em didática e aborda a história da didática do Brasil 
de um modo singular.
Livro: Didática: O Ensino e suas 
relações 
Organizadora: Ilma Passos 
Alencastro Veiga 
Editora: Papirus Editora 
Sinopse: após mais de dez edições 
217
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
do livro “Repensando a Didática”, os autores reuniram-
-se e decidiram elaborar um novo livro que desse con-
tinuidade às concepções didáticas refletidas naquela 
obra e fosse além, aprofundando-as.
Este projeto assentou-se na concepção da Didática como 
campo de estudo e disciplina pedagógica obrigatória 
dos cursos de formação de professores, voltada para 
a compreensão do processo de ensino e suas relações, 
quais sejam: educação-sociedade, teoria-prática, conte-
údo-forma, ensino-pesquisa, ensino-aprendizagem, re-
cursos didáticos, avaliação etc. 
Didática: o ensino e suas relações chama a atenção para 
a necessidade de se superar a visão dualista e dicotômi-
ca na análise de tais relações, que serão debatidas aqui 
sob vários ângulos. 
Na segunda parte desta unidade, abordamos a práti-
ca docente na era digital e abordamos como saberes 
218
UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
fundamentais para o cotidiano dos docentes, os de Paulo 
Freire, os quais frente às TIC e com sabedoria darão su-
porte para que a aprendizagem transformadora ocorra. 
Assim, indicamos como leitura o livro do pesquisador 
Paulo Freire, Pedagogia da Autonomia: Saberes necessá-
rios à prática educativa. 
Livro: Pedagogia da Autonomia: 
Saberes necessários à prática 
educativa 
Organizador: Paulo Freire 
Editora: Paz e Terra 
Sinopse: na Pedagogia da autono-
mia, de 1996, Paulo Freire nos apresenta uma reflexão 
sobre a relação entre educadores e educandos e elabora 
propostas de práticas pedagógicas, orientadas por uma 
ética universal, que desenvolvem a autonomia, a capaci-
dade crítica e a valorização da cultura e conhecimentos 
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UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
empíricos de uns e outros. Criando os fundamentos para 
a implementação e consolidação desse diálogo político-
-pedagógico e sintetizando questões fundamentais para 
a formação dos educadores e para uma prática educati-
vo-progressiva, Paulo Freire estabelece neste livro novas 
relações e condições para a tarefa da educação.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No decorrer desta unidade definimos o que é didática 
e abordamos as influências tradicionais e conservado-
ras que a história da didática no Brasil trouxe para as 
salas de aulas. Neste contexto, estudamos que o pro-
fessor para ter uma didática eficaz frente às tecnolo-
gias educacionais precisa muito mais do que transmitir 
conhecimentos, ele precisa saber que não há docência 
sem discência, ensinar não é transferir conhecimento e 
ensinar é uma especificidade humana. Assim, o profes-
sor poderá utilizar os três saberes para a inclusão das 
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UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
tecnologias em sala de aula e ter êxito no processo de 
ensino e aprendizagem. 
Deste modo, o docente que não conseguir aplicar estes 
saberes para a utilização das tecnologias nas salas de 
aula, estará defasado frente as suas práticas educacio-
nais e não promoverá um processo de ensino e apren-
dizagem eficaz. 
ATIVIDADES
1) Em relação ao tópico desta unidade que aborda a 
ação pedagógica dos Jesuítas no período colonial e 
as suas influências na prática docente, relate de que 
forma os Jesuítas influenciaram na prática de ensi-
nar no Brasil. 
2) Conforme estudamos no decorrer desta unidade, 
é preciso que o docente assuma uma postura efi-
caz frente às TIC, para que o processo de ensino e 
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UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
aprendizagem não tenha “como característica funda-
mental a reprodução do conhecimento” (BEHRENS, 
2005, p.41), como ocorreu na história da didática no 
Brasil. Assim, Paulo Freire aborda três saberes da 
Pedagogia da Autonomia,os quais se bem aplicados 
na prática docente permitirá a eficácia do processo 
de ensino aprendizagem, diante deste contexto, ex-
plique como os docentes poderão conciliar esses sa-
beres com as TIC. 
3) No primeiro quadro “Reflita” desta unidade, os auto-
res Christensen, Horn e Johnson (2009) descrevem 
uma situação que demonstra claramente que não 
adianta o professor utilizar as TIC se a sua didática 
não mudar, pois promoverá uma reprodução de co-
nhecimentos iguais os de nossos precursores que 
promoveram a didática no Brasil. Deste modo, faça 
uma análise crítica desse caso apontando quais as 
ações que o Sr. Alvera adota deste o início de sua 
carreira docente que prejudica o processo de ensino 
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UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
aprendizagem no contexto da Era digital, e sugere 
quais ações que ele deverá adotar para que sua di-
dática seja transformadora e não apenas reproduto-
ra de conhecimentos. 
4) Escreva uma carta de sugestão ao Diretor e a 
Professora do vídeo “Tecnologia ou Metodologia?” 
que está no segundo quadro “Reflita” desta unida-
de, para que ambos possam inovar a prática docente 
frente às TIC que a escola adquiriu.
CONCLUSÃO
Chegamos ao fim deste trabalho, o qual não seria tão 
importante sem a sua presença, pois o processo de en-
sino e aprendizagem ocorre por meio do diálogo entre o 
docente e os acadêmicos, neste caso entre a professora 
Natalia e a professora Kátia com você. Já estamos com 
muitas saudades da sua ilustre presença, pois foi um mo-
mento especial que nos proporcionou compartilharmos 
conhecimentos e informações. Vimos ao longo desta 
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UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
obra que a história da tecnologia é antiga como a história 
da humanidade, pois os nossos antepassados quando 
iniciaram o uso das ferramentas de caça e de proteção já 
usavam a tecnologia a seu favor, claro que de um modo 
mais rupestre. A tecnologia evolui ao longo do tempo 
até chegarmos a Sociedade do Conhecimento, a qual os 
ricos serão substituídos pelos sábios. Apresentamos as 
evoluções tecnologias e as datas que estas ocorreram, 
vimos também que os aplicativos dos computadores po-
dem auxiliar os docentes nas suas atividades, porém tem 
que ser usados com eficácia para que eles não sejam so-
mente reprodutores de conhecimentos, de modo que 
substitua a sua fala. Aplicativos como a Internet possibi-
litou que a educação ocorresse fora dos espaços limita-
dores de um prédio, ou seja, proporcionou que a educa-
ção ocorresse na modalidade à distância com a mesma 
eficácia da modalidade presencial, visto que conta com o 
Professor e o Tutor que auxiliam no processo de ensino 
e aprendizagem.
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UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
Abordamos também um pouco da história da Didática 
no Brasil, a qual sofreu influências conservadoras e tra-
dicionais e que ainda estão presentes nas ações docen-
tes, mesmo que vivemos a Sociedade do Conhecimento. 
Como sugestão para auxiliar os docentes em suas prá-
ticas, sugerimos os saberes de Paulo Freire para que 
os professores os conciliem com as tecnologias e não 
caiam no fatalismo de utilizarem as TIC como substitu-
tas de suas falas, ou seja, como reprodutoras do conhe-
cimento de modo simplista. Deste modo concluímos a 
nossa obra, com muito orgulho e alegria, porém é com 
pesar que nos despedimos, pois despedias nunca são 
agradáveis, assim preferimos dizer “até breve!”, pois es-
tamos crentes que você jamais se limitará aos conhe-
cimentos abordados nestas páginas, visto que elas são 
limitadora e que as informações mudam a todo instan-
te, e que em poucos dias este livro infelizmente estará 
desatualizado, já que vivemos um mundo tecnológico e 
cada minuto tem informações novas na internet. Assim, 
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UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
contamos que você não desistirá de inovar-se sempre, 
todos os dias. 
Fica uma mensagem para você, pois acreditamos que 
você poderá e vencerá, esperamos que seja como este 
“sapo”, que não dê ouvidos a torcida que muitas vezes é 
contrária, acredite em seu potencial!
A fábula do sapinho surdo!
Era uma vez uma corrida de sapinhos!
O objetivo era atingir o alto de uma grande torre.
Havia no local uma multidão assistindo; muita gente 
para vibrar e torcer por eles. E começou a competi-
ção. Infelizmente uma onda de negativismo pairou 
sobre a multidão “Que pena!... esses sapinhos não 
vão conseguir... não vão conseguir!”.
E os sapinhos começaram a desistir. Entretanto, ha-
via um que persistia e continuava a subida, em busca 
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UNIDADE III - Educação e Novas Tecnologias
do topo.
A multidão continuava gritando:
“Que pena! Vocês não vão conseguir!”
E os sapinhos estavam mesmo desistindo, um por 
um... Menos aquele sapinho que continuava tranqui-
lo, embora cada vez mais arfante.
Já ao final da competição, todos desistiram menos 
ele. E a curiosidade tomou conta de todos, que que-
riam saber o que tinha acontecido...
E assim, quando foram perguntar ao sapinho como 
ele havia conseguido concluir a prova, aí sim, conse-
guiram descobrir: ele era surdo!
Você pode!!!
Autor: desconhecido
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