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Metodologia e prática do ensino de Matemática e Ciências - Unidade II

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de medicamentos sem receita colocaria a poderosa 
indústria farmacêutica mobilizada a favor da ampliação do atendimento médico.
A escolha de conteúdos, também nesse bloco temático, deve ser cuidadosa, pois ela precisa ser 
estimulante e de real interesse dos alunos de modo que sirva à sua aprendizagem, respeitando o 
amadurecimento correspondente a cada faixa etária e levando à aprendizagem de procedimentos, ao 
desenvolvimento de valores e à construção da cidadania.
Exemplo de aplicação
A partir do texto que você acabou de ler, reflita sobre as questões a seguir e redija suas respostas 
pessoais.
• Por que é necessário considerar, no ensino de Ciências, as estruturas de conhecimento envolvidas 
no processo de ensino e aprendizagem? Que estruturas são essas?
• Qual é a importância da história das Ciências para o Ensino Fundamental? Explique.
• Como o professor pode garantir que os alunos se apropriem do conhecimento científico e 
desenvolvam autonomia de pensamento e ação?
• Qual é o papel do professor num ensino de Ciências que vise à autonomia dos alunos?
• Sabendo que o ensino de Ciências deve considerar as ideias prévias dos alunos, o que o professor 
pode fazer se nem todos os alunos possuem ideias prévias acerca dos objetos de estudo?
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METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DA MATEMÁTICA E CIÊNCIAS
Essas questões foram preparadas para que você reflita sobre o texto que acabou de ler. É possível 
encontrar as respostas de cada uma das questões nos tópicos anteriores deste texto. Caso tenha 
necessidade, faça uma segunda leitura mais pausada, destacando os conceitos mais importantes. Bom 
trabalho!
6 AÇÕES DIDÁTICAS INTERESSANTES NAS AULAS DE CIÊNCIAS NATURAIS NO 
ENSINO FUNDAMENTAL
De acordo com as orientações dos PCN de Ciências Naturais para o Ensino Fundamental, a atuação 
do professor deve possibilitar um ensino para a intervenção problematizadora, de modo que haja 
uma busca de informações em fontes variadas e uma elaboração de projetos, além da valorização da 
sistematização dos conhecimentos adquiridos a cada etapa.
O ensino de ciências deverá seguir as seguintes etapas:
• Problematização.
• Busca de informações em fontes variadas:
– observação;
– experimentação;
– leitura de textos informativos;
– sistematização de conhecimentos.
Veja a seguir a explicação de cada uma dessas etapas.
Problematização
Na vida cotidiana, os alunos desenvolvem uma série de explicações acerca dos fenômenos 
naturais e dos produtos tecnológicos, os quais podem ter uma lógica interna diferente da lógica 
das Ciências Naturais, embora às vezes a ela se assemelhe. De alguma forma essas explicações 
satisfazem as curiosidades dos alunos e fornecem respostas às suas indagações, além de serem o 
ponto de partida para o trabalho de construção da compreensão dos fenômenos naturais, que na 
escola se desenvolve. 
É necessário que os modelos trazidos pelos alunos se mostrem insuficientes 
para explicar um dado fenômeno, para que eles sintam necessidade de 
buscar informações e reconstruí-los ou ampliá-los. Em outras palavras, é 
preciso que os conteúdos a serem trabalhados se apresentem como um 
problema a ser resolvido (BRASIL. (b), 1997, p. 77).
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Uma problematização que o professor poderá promover é a desestabilização dos conhecimentos 
prévios, de modo a criar situações em que se estabeleçam os conflitos necessários para a aprendizagem, 
ou seja, aquilo que estava suficientemente explicado não se mostra como tal na nova situação 
apresentada. Coloca-se, assim, um problema para os alunos, cuja solução passa por coletar novas 
informações, retomar seu modelo e verificar o seu limite.
Definido um tema de trabalho, é importante o professor distinguir quais questões são problema para 
si próprio, que têm sentido em seu processo de aprendizagem das Ciências, e quais terão sentido para 
os alunos, estando, portanto, adequadas às suas possibilidades cognitivas. Também se deve distinguir 
entre as questões que de fato mobilizam para a aprendizagem – problemas – e outras que não suscitam 
qualquer mobilização. 
Por exemplo: temos um grupo de alunos trabalhando com o tema cadeia alimentar. Nesse trabalho, 
eles investigam como os seres vivos se alimentam. É comum que os alunos já saibam que os animais 
se alimentam de plantas, de outros animais ou de ambos, e que possivelmente pensem que as plantas 
se alimentam da terra que consomem pela raiz. Sabe-se, entretanto, que as plantas produzem seu 
próprio alimento por meio do processo da fotossíntese, para o qual concorre a água, a luz do sol e o gás 
carbônico do ar.
Estamos aqui diante de dois modelos explicativos: um pertinente à lógica do aluno e outro fornecido 
pela Ciência, que se pretende que seja apropriado por esse aluno. Que perguntas poderão gerar conflitos 
de modo que o modelo do aluno se mostre, para ele, insuficiente na explicação sobre a alimentação das 
plantas? 
Alguns caminhos são possíveis para que o problema se coloque para o aluno de modo favorável 
à reformulação de seus modelos, tais como questões, experimentos e observações propostos pelo 
professor.
Tomemos como exemplo o caso de um professor que pergunta à classe: se as plantas comem terra, 
por que a terra dos vasos não diminui? Por que algumas plantas não se desenvolvem mesmo estando 
na terra e se diz que faltou adubo? Como explicar o fato de algumas plantas sobreviverem em vasos 
apenas com água? Como algumas plantas conseguem viver sobre outras plantas, com as raízes expostas 
(algumas samambaias, orquídeas)?Como vocês podem provar que as plantas comem terra pelas raízes? 
Problemas como esses exigem que os alunos entrem em movimento em busca de informação para 
gerar explicações inéditas, seja por meio da experimentação, seja por meio da leitura ou de outras 
formas, de modo que alcancem elementos para a reelaboração dos modelos anteriores.
Tomando o mesmo assunto, vejamos as seguintes perguntas:
• As plantas produzem seu próprio alimento? 
• De que maneira as plantas aproveitam o ar? 
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METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DA MATEMÁTICA E CIÊNCIAS
Essas perguntas poderão ser respondidas pelos alunos nas formulações: 
“Não, as plantas comem terra. As plantas aproveitam o ar para respirar.” 
Assim, constata-se que os modelos explicativos das crianças continuam suficientes para responder 
às questões colocadas. Portanto, essas questões não se configuram em problemas.
 Observação
Fique atento para o fato de que uma questão somente é um problema 
quando os alunos ganham consciência de que o modelo de explicação do 
professor não é suficiente para esclarecê-la. A partir de então, eles podem 
elaborar um novo modelo mediante investigações e confrontações de 
ideias com a sua orientação.
A problematização busca promover mudança conceitual. No entanto, sabe-se que nem sempre 
ela ocorre e que frequentemente concepções alternativas se preservam. Ainda assim, pode haver 
aprendizagem significativa dos conceitos científicos. 
Ao solucionar problemas, os alunos compreendem quais são as ideias científicas necessárias para sua 
solução e praticam vários procedimentos. 
 Observação
É seu papel como professor trazer elementos das teorias científicas e 
outros sistemas explicativos para a classe sob diversas formas: perguntas, 
nomeações, indicações para observação e experimentação, leitura de textos 
e até mesmo em suas explicações em aula.
Busca de informações em fontes variadas
Um importante procedimento para o ensino e a aprendizagem de Ciências

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