3- Apostila Segunda

3- Apostila Segunda


DisciplinaDireito do Consumidor10.081 materiais39.484 seguidores
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Profº. Ms. Flawbert Farias Guedes Pinheiro
flawbertguedes@ig.com.br
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PRINCÍPIOS E NORMAS CONSTITUCIONAIS DE PROTEÇÃO AO CONSUMIDOR
(PROPOSTA DE SUPRESSÃO EM RAZÃO DA SUPERPOSIÇÃO COM DIREITO CONSTITUCIONAL)
 Os princípios exercem uma função importantíssima dentro do ordenamento jurídico-positivo, já que orientam, condicionam e iluminam a interpretação das normas jurídicas em geral.
 Embora os princípios e as normas tenham a mesma estrutura lógica, aqueles têm maior pujança axiológica do que estas. São, pois, normas qualificadas, que ocupam posição de destaque no mundo jurídico, orientando e condicionando a aplicação de todas as demais normas.
 Na lição de BANDEIRA DE MELO, 1994, p. 451:
\u201cViolar um princípio é muito mais grave que transgredir uma norma qualquer. A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório, mas a todo o sistema de comando. É a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade. Conforme o escalão do princípio atingido, pode representar insurgência contra todo o sistema jurídico\u201d.
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A doutrina e a jurisprudência tendem a considerar possível a aplicação dos Princípios Constitucionais em questões de consumo, tendo em vista se tratar de matéria de ordem constitucional, pública e de interesse social. Dentre eles, destacamos:
 A Dignidade da Pessoa Humana 
No art. 1º da CF/88 a dignidade aprece como um dos fundamentos da República Federativa do Brasil, que funciona como princípio maior para a interpretação de todos os direitos e garantias conferidos às pessoas no texto constitucional. Isto porque todo ser humano tem dignidade só pelo fato de ser pessoa.  
O professor jus-ambientalista brasileiro Fiorillo, citado por NUNES (2005), utilizou a expressão \u201cmínimo vital\u201d, para definir, em suma, o que seria o princípio da dignidade humana.
Diz o professor que, para começar a respeitar a dignidade da pessoa humana, tem-se de assegurar concretamente os direitos sociais previstos no art. 6º da Carta Magna, que por sua vez está atrelado ao caput do art. 225, que assim dispõe:
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Art. 6º. São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.
 
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
É forçoso, pois, reconhecer que não há como falar em dignidade se esse mínimo não estiver garantido e implementado concretamente na vida das pessoas.
Como é que se poderia imaginar que qualquer pessoa teria sua dignidade garantida se não lhe fosse assegurada saúde e educação? Se não lhe fosse garantida sadia qualidade de vida, como é que se poderia afirmar sua dignidade?
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 O direito à Vida é outro princípio constitucional
Quando se fala em direito a vida, é preciso entender que a constituição está falando em vida digna, já que a dignidade é o fundamento mais importante, como primeira e última garantia das pessoas (art. 1º, inciso III, da CF/88).
A garantia a uma vida digna deverá ser acompanhada da garantia da qualidade de vida. Daí, ser o direito a vida o primeiro direito básico do consumidor, previsto no art. 6º, inciso I, do CDC, in verbis:
Art. 6º. São direitos básicos do consumidor:
I \u2013 a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos;
(...)
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 Direito à Intimidade, Vida Privada, Honra e Imagem
Esses princípios, previstos no art. 5º, inciso X, da Carta Política de 1988, refletem diretamente nas relações de consumo, posto que o Código de Defesa do Consumidor traz como um dos direitos básicos do consumidor, a efetiva prevenção e reparação dos danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos (art. 6º, inciso VI, do CDC).
 A informação
A Informação é um princípio constitucional de enorme relevância no que diz respeito às relações de consumo, sobretudo e, tendo em vista ser ela o ponto de partida para toda e qualquer aquisição de produtos ou contratação de serviços.
A informação aparece em vários dispositivos do CDC, como por exemplo, nos artigos 4º, IV; 6º, III, 31, 36, parágrafo único e 44, este último servindo inclusive, como instrumento essencial de defesa e orientação dos consumidores.
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Além de ser um direito básico do consumidor, a informação aparece em vários dispositivos do CDC, como por exemplo, nos artigos 4º, IV; 6º, III, 31, 36, parágrafo único e 44, este último servindo inclusive, como instrumento essencial de defesa e orientação dos consumidores.
 Dos Princípios Constitucionais da Atividade Econômica, previstos no art. 170, da CF, destaca-se o da Livre Concorrência
Livre Concorrência
Sem dúvida, uma garantia do consumidor e do mercado. A sua essência consiste em que ela tem de oferecer ao consumidor produtos e serviço melhores do que os de seu concorrente, sempre procurando uma melhor qualidade ao lado do melhor preço.
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 A liberdade
Em relação ao consumidor, a liberdade que o texto lhe garante é a prevista no art. 1º do Texto Constitucional, um dos objetivos da República Brasileira. Ou seja, o Estado brasileiro tem entre seus objetivos, o de assegurar que a sociedade seja livre. Isso significa que, concretamente, no meio social, dentre as várias ações possíveis, existe a de que a pessoa designada como consumidora seja livre.
Por essa razão, é que o Estado deverá intervir, seja na produção, seja na distribuição de produtos e serviços. Não apenas para garantir essa liberdade, mas também para regular aqueles bens que, essenciais às pessoas, elas não possam adquirir por falta da capacidade de escolha.
 O princípio da Justiça Real 
Previsto no art. 3°, inciso I, da CF/88, estabelece ser objetivo fundamental da República Federativa do Brasil, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária.
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O objetivo da sociedade, entendida como uma nação ou comunidade, é a busca da paz e da harmonia social. As normas jurídicas são o instrumento para que tal fim seja atingido. E esse objetivo só será alcançado numa sociedade justa.
A Isonomia sem dúvida coloca a questão da igualdade de todos perante a lei, a partir da norma do caput do art. 5° da Constituição Federal, que assim dispõe: \u201cTodos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:\u201d
Esse Princípio é representado por uma determinação obrigatória ao intérprete e ao aplicador, que devem seguir todos os esforços possíveis a fim de obter a igualdade como resultado prático de seu mister.
NUNES, 2005, p. 32, cita um caso típico de discriminação ao consumidor: o sucesso do filme \u201cTitanic\u201d, ganhador de vários prêmios Oscar, levou, durante semanas, milhares de pessoas às salas de cinema. A procura era tamanha que o público tinha que chegar mais de três horas antes do início de cada sessão. 
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Era um enorme esforço. Mas, ao que tudo indica, os consumidores não se importavam. 
Acontece que, os exibidores firmaram um contrato com os administradores do cartão de crédito Diners Club que permitia que seus usuários pudessem adquirir os ingressos para assistir ao filme sem pegar fila. Foi um verdadeiro \u201cfura-fila\u201d. 
Esses consumidores privilegiados passaram a gozar de direito não oferecido aos demais. Isso porque somente podiam comprar por telefone os portadores do indigitado cartão de crédito. 
Não resta dúvida, de que aquela prática era ilegal, na medida em que feria o princípio de isonomia previsto na Carta Magna.
Com efeito, utilizando-se dos critérios