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Comunicação e Linguagem Viviane Favaro Notari Mestra em Estudos Linguísticos - UEM Pós-graduada em Metodologia do ensino da Língua Portuguesa - Unicesumar Graduada em Letras-Português - UEM É Mestra em Letras, pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Estadual de Maringá (UEM), na área de concentração Estudos Linguísticos e na linha de pesquisa Ensino e aprendizagem de línguas. Tem Pós-graduação lato sensu em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa pelo Centro Universitário Cesumar (UNICESUMAR). É Graduada em Letras-Português pela Universidade Estadual de Marin- gá (UEM). Realiza pesquisas e publicações, especialmente, na área de ensino-aprendizagem de língua materna, com ênfase para aquisição da escrita e letramento. Tem experiência como revisora de textos e elabo- ração de materiais didáticos para educação a distância. Atualmente, é revisora de textos em uma empresa de consultoria educacional. Yara Dias Canali MBA Gestão de Pessoas - Unicesumar. Graduação Pedagogia - Uninter. Graduação Letras - UEM. Possui MBA em Gestão de Pessoas pelo Centro Universitário Cesumar (Uni- cesumar), graduação em Pedagogia pela Universidade Internacional (Unin- ter) e graduação em Letras Português e Literaturas Correspondentes (Licen- ciatura) pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Tem experiência em revisão de texto e em produção de materiais didáticos da Educação a Distância. Atualmente, é Designer Educacional em uma consultoria educa- cional e colunista em blogs de bastante acesso na internet. Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) ao nosso livro Comunicação e Linguagem. Tratare- mos, aqui, de assuntos que são relevantes para a comunicação e para a linguagem. Iniciaremos nosso estudo abordando recursos que ajudam o texto a ser compreendido: a coesão e a coerência. Esses dois recursos são elementos importantes para que aquilo que se escreve tenha textualidade. Abordaremos, também, o processo comunicativo, uma vez que entendemos que o ob- jetivo da linguagem é estabelecer a comunicação. Veremos a relação entre a linguagem e a comunicação, os elementos envolvidos na comunicação e aquilo que é preciso para que se estabeleça uma comunicação com qualidade. Ampliando nosso conhecimento a respeito da comunicação, veremos a linguagem e a competência linguística, a linguagem e a comunicação e o processo da comunicação, abordando, ainda, as funções da lingua- gem, a argumentação, a compreensão e a interpretação, qualidade na comunicação, variação linguística e norma padrão. Finalizaremos nosso estudo com a comunicação no ambiente organizacional que pode ocorre por meio da comunicação dirigida, que pode ocorrer em textos impressos, de for- ma oral ou e forma eletrônica e, ainda, em formas específicas. Traremos a definição e tra- remos exemplo para que você, aluno(a), possa compreender melhor cada um dos tópicos abordados no nosso livro Comunicação e Linguagem. Bons estudos! Comunicação e Linguagem O processo comunicativounidade 2 O processo comunicativo Viviane Favaro Notari Yara Dias Canali Vimos, caro(a) aluno(a), na unidade anterior, que o objetivo principal da linguagem é estabelecer a comunicação. Nesta unidade, estudaremos, mais especificamente, a relação entre a linguagem e a comunicação, os elementos envolvidos nesse processo e o que é necessário para mantermos uma comu- nicação com qualidade e êxito. A partir desse objetivo, a presente unidade iniciará tratando da linguagem e da competência linguís- tica, da linguagem e da comunicação e do processo da comunicação, explorando, ainda, as funções da linguagem. Em seguida, abordaremos a argumentação, a compreensão e a interpretação, que são elemento que se ligam no momento da comunicação. A qualidade na comunicação também será abordada, trazendo a definição dos ruídos da comunicação que comprometem essa qualidade. Finalizaremos este estudo contemplando a variação linguística - considerando os diferentes tipos de variação - e a importância da norma padrão para nós. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Linguagem e Competência linguística Diferentes períodos históricos apresentam diversificadas maneiras de descrever e interpretar a linguagem. Noam Chomsky foi um dos estudiosos que se dedicou a compreender as características da língua e da linguagem, dando início a uma ver- tente linguística denominada gerativismo. Para essa vertente, a linguagem é uma capacidade inata do ser humano, e a língua é uma “faculdade mental natural” (KENEDY, 2012, p. 129). Dessa forma, os sujeitos já nascem com uma capacidade biológica para se comunicarem. Podemos observar essa característica, de acordo com Chomsky, quando as crianças elaboram construções que não foram expressas anteriormente por nenhum adulto. Nesse sentido, Chomsky define a língua como um infinito de frases. Esse “infinito” dá à definição de lín- gua um caráter aberto, dinâmico, criativo. Não se trata, entretanto, de qualquer criatividade, mas de uma criatividade governada por regras. A língua não se define só pelas frases existentes mas também pelas possíveis, aquelas que se pode criar a partir de regras. Os falantes interiorizam um sistema de regras que os torna aptos a produzir frases, mesmo as que nunca foram ouvidas, mas que são possíveis na língua (ORLANDI, 2006, p. 39-40). A partir disso, compreendemos que, para a visão gerativa, há, na mente dos falantes, um sistema de regras, que os permite entender e elaborar diferentes sequ- ências linguísticas. Nessa proposta, a língua é considerada sob dois vieses que se complementam: interior e exterior, denominados por Chomsky, respectivamente, Comunicação e Linguagem O processo comunicativo como língua-I e língua-E. A língua-I é a presente na mente do indivíduo, que já a conhece, é aquela que é adquirida e usada por ele; a língua-E diz respeito à empregada pela comunidade linguística que pretende se comunicar. Em síntese, a língua-I é a competência linguística de cada indivíduo, e a língua-E refere-se ao desempenho linguístico. Nas palavras de Kenedy (2013, p. 54-55), a competência está relacionada à capacidade individual de elaborar “e compreender expressões linguísticas compos- tas pelos códigos da língua-E”. Ou seja, todo indivíduo tem biologicamente a capa- cidade de entender e manifestar a língua empregada pela comunidade linguística da qual faz parte. Essa capacidade se manifesta em diversos contextos: na fala, na audição, na escrita, na leitura e, inclusive, no silêncio, uma vez que ela está abri- gada na mente de cada um. Assim, todos temos uma competência linguística que se torna ativa no momento que entramos em uma conversa, quando nos comunicamos por meio da língua-E. Percebemos, então, que o ser humano tem a competência de gerar, compreender e reproduzir diversas manifestações comunicativas na comunidade linguística da qual participa. Logo, um dos propósitos da linguagem e da competência linguística é a comunicação. Exploraremos, a seguir, a relação entre a linguagem e a comunicação. Linguagem e comunicação Como vimos no tópico anterior, para que a comunicação se concretize, é necessá- rio o desenvolvimento da linguagem, tanto verbal quanto não verbal. Na litera- tura linguística, muitos autores se dedicaram a explicar o funcionamento dessa lin- guagem. Nos estudos desenvolvidos por Geraldi (1984), por exemplo, observamos a caracterização de três concepções de linguagem: como expressão do pensamento, como instrumento de comunicação e como forma de interação. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Grosso modo, a concepção de linguagem como expressão do pensamento entende que é na mente que se dá a formação da expressão, o que é exteriorizado, por meio da linguagem, é somente uma tradução. Sendo assim, a “enunciação é um ato monológico, individual, que não é afetado pelo outro nem pelascircunstâncias que constituem a situação social em que a enunciação acontece” (TRAVAGLIA, 1996, p. 21). Pode-se pensar, a partir disso, que há uma maneira certa de expressão, pri- vilegiando a norma padrão culta da linguagem (FUZA; OHUSCHI; MENEGASSI, 2011). A concepção de linguagem como instrumento de comunicação interpreta a lin- guagem como um código, “ou seja, um conjunto de signos que se combinam segundo regras e que é capaz de transmitir uma mensagem, informações de um emissor a um receptor” (TRAVAGLIA, 1996, p. 22). Dessa forma, o objetivo da linguagem é transmitir uma mensagem, por meio da variedade linguística padrão (FUZA; OHUSCHI; MENEGASSI, 2011). A terceira maneira de conceber a linguagem parte de uma perspectiva dia- lógica e considera que “as situações ou ideias do meio social são responsáveis por determinar como será produzido o enunciado”. Assim, a linguagem é um pro- cesso de interação entre o sujeito e o meio social do qual faz parte, o que permite que as condições sociais influenciem a construção da expressão (FUZA; OHUSCHI; MENEGASSI, 2011, p. 489). Podemos observar, então, que, embora essas concepções e esses modos de ver a linguagem sejam, de certo modo, dicotômicos e impliquem em diferentes formas de ensinar e compreender a língua e a comunicação, de modo geral, no processo de uso da língua, estão envolvidos sujeitos, leitor, interlocutor, texto (oral ou escrito), ambiente etc. Esses elementos caracterizam o processo comunicativo, melhor abor- dado na concepção de linguagem como instrumento de comunicação, foco do nosso próximo tópico. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo O processo da comunicação Sabemos, caro(a) aluno(a), que o ser humano se constitui socialmente, por meio de interações sócio-históricas-ideológicas. Dessa forma, está sempre se comunicando, tanto de forma oral quanto escrita. Nesse processo comunicativo, junto com aquele que emite uma mensagem, outros elementos estão envolvidos, como o receptor (aquele para quem a mensagem é enviada) e a mensagem a ser enviada/recebida. A construção da estrutura comunicativa foi estudada e descrita por Roman Jakobson. O pesquisador esquematiza todos os fatores envolvidos na comunicação da seguinte maneira: Figura 2.1 - Esquema situação comunicativa Fonte: adaptada de Jakobson (2003, p. 123). Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Observa-se, no esquema, que, de um modo geral, o processo comunicativo ini- cia-se com o remetente, também chamado de emissor, que, como antecipamos, é responsável por enviar uma mensagem, a qual será recebida pelo destinatário, ou receptor. Para que essa mensagem possa ser compreendida, remetente e destinatá- rio precisam compartilhar o mesmo código, ou seja, o sistema linguístico utilizado precisa ser comum a ambos. Imaginemos, por exemplo, um brasileiro (remetente) tentando entrar em contato (mensagem) com um coreano (destinatário) que não domina o sistema linguístico da língua portuguesa. É fácil concluir que essa men- sagem não terá êxito na recepção, não sendo, de fato, compreendida. A transmissão dessa mensagem, então, dependerá, ainda, do meio pelo qual ela será enviada (canal) e da situação comunicativa, bem como dos objetos reais envolvidos no processo (contexto). O canal caracteriza-se por ser um meio “físico e uma conexão psicológica entre o remetente e o destinatário”, que permite a eles “entrarem e permanecerem em comunicação” (JAKOBSON, 2003, p. 123). Segundo Martelotta (2012, p. 33), na comunicação face a face, o ar pode ser considerado o canal, pois através dele, “as ondas sonoras se propagam” e a mensagem chega ao destino. Já na comunicação a distância, os canais podem ser o telefone, as faixas de frequência de rádio, o e-mail, aplicativos de mensagem de texto etc. O contexto, por sua vez, envolve “todas as informações referentes às condições de produção da mensagem: o emissor, o destinatário, o tipo de relação existente entre eles, o local e a situação em que a mensagem é proferida” (MARTELOTTA, 2012, p. 32-33). Para entendermos o funcionamento desse fator, observemos a figura a seguir: Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Figura 2.2 - Exemplo de contexto - ambiguidade Fonte: adaptada de Santos (2016, on-line). Notamos, na Figura 2.2, que há dois sentidos possíveis para mensagem inicial (“Vendo pôr do sol”) transmitida pelo remetente, que se instauram em virtude de o vocábulo “vendo” poder se referir ao gerúndio tanto do verbo “ver” quanto do verbo “vender”. Para que se compreenda a qual dos verbos a mensagem diz res- peito, a situação comunicativa é essencial, pois desfaz a ambiguidade (atestando que “vendo” refere-se a ver) e leva o destinatário a compreender a informação (de que o remetente está “olhando/apreciando” o pôr do sol). Em síntese, “conhecer um conjunto de informações que vai além, desde elementos relacionados ao momento Comunicação e Linguagem O processo comunicativo da produção dessa mensagem até dados referentes ao conhecimento do assunto em pauta” (MARTELOTTA, 2012, p. 32-33), é fundamental para que o processo comu- nicativo se efetive. É importante ressaltar que esses elementos são a base do processo comunica- tivo, mas não são garantias de que a comunicação sempre terá sucesso, ou seja, as pessoas envolvidas nesse processo carregam valores ideológicos e crenças particulares, que nem sempre coincidem, logo, embora a mensagem passe por todo o percurso, ela pode não ser compreendida, pode receber resistência de uma das partes em aceitá-la, o que interromperia o fluxo, dentre outras situações que podem estar envolvidas. Assim, é importante que haja uma cooperação entre remetente e destinatário, além de “algum tipo de interesse comum que crie uma conexão psicológica entre os participantes, sem a qual a comunica- ção seria prejudicada” (MARTELOTTA, 2012, p. 32-33). Estudaremos as nuances desse processo comunicativo em tópicos posteriores. Jakobson (2003) propõe que cada um desses elementos efetiva uma função específica para a linguagem. Caracterizam-se, assim, seis funções da linguagem, as quais exploraremos na seção seguinte. Funções da linguagem O uso das palavras relaciona-se, em todo processo comunicativo, aos usuários da língua e às situações concretas da comunicação. Dessa forma, a linguagem, em sua manifestação real, tem, a todo tempo, uma função específica, que direciona/ orienta/envolve a construção e a interpretação da mensagem. Cada função mani- festada pela linguagem, então, diz respeito a um elemento comunicativo específico, como sintetizado no esquema a seguir. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Elemento comunicativo Função Remetente Emotiva Destinatário Conativa Contexto Referencial Mensagem Poética Canal Fática Código Metalinguística Quadro 2.1 - Funções da linguagem e seus elementos correspondentes Fonte: adaptada de Jakobson (2003). Atividade 1. Cada elemento da comunicação apresenta uma função da linguagem correspon- dente. Com base nisso, assinale a alternativa correta. a. O remetente tem como função da linguagem correspondente a poética, para expressar os sentimentos daquele que envia a mensagem. b. O código tem como função da linguagem correspondente a metalinguística, que faz uso do código para explicar o próprio código. c. O destinatário tem como função da linguagem correspondente a emotiva, que tem o intuito de convencer o remetente. d. A mensagem tem como função da linguagem correspondente a conativa, buscando transmitir uma informação de forma imparcial. e. O canal tem como função da linguagem correspondente a referencial, que tem o propó- sito de manter o canal em uso, tentando-o. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo É importante ressaltar que, nas mensagens, há o predomínio de uma função, mas isso não pressupõe a existência exclusiva desta. Várias funções podem fazer partede uma mesma mensagem, uma vez que o usuário da língua pode usar diversos recursos para efetuar a comunicação. Assim, apesar de distinguirmos “seis aspec- tos básicos da linguagem, dificilmente lograríamos, contudo, encontrar mensagens verbais que preenchessem uma única função”, logo, a “diversidade reside não no monopólio de alguma dessas funções, mas numa diferente ordem hierárquica de funções” (JAKOBSON, 2003, p. 123). Conheceremos, agora, as especificidades de cada função. Função emotiva Como visto no Quadro 2.1, quando a mensagem enfoca o remetente, caracteriza- se a função emotiva, que prioriza os sentimentos, as emoções, as opiniões e os pen- samentos desse sujeito. Por esse motivo, as mensagens com predomínio dessa função fazem uso da primeira pessoa, especialmente do singular. O uso constante de palavras que expressem sensações, emoções e estado de espí- rito do remetente (as interjeições), assim como o de termos que marquem o posicio- namento, o julgamento ou o juízo de valor dele (expressos, geralmente, por adjeti- vos) e de sinais de pontuação (por exemplo, exclamação e reticências) são algumas particularidades da construção dessa função. Em síntese, a função emotiva “visa a uma expressão direta da atitude de quem fala em relação àquilo de que se está falando” (JAKOBSON, 2003, p. 123-124). Ela é mais presente em músicas, biografias e diários. Observemos o exemplo a seguir para compreendermos melhor o funcionamento dessa função. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Agora eu quero ir – Anavitória Encontrei descanso em você Me arquitetei, me desmontei Enxerguei verdade em você ^Me encaixei, verdade eu dei Fui inteira e só pra você Eu confiei, nem despertei Silenciei meus olhos por você Me atirei, precipiteiE agora... Agora eu quero ir Pra me reconhecer de volta Pra me reaprender e me apreender de novo Quero não desmanchar com teu sorriso bobo Quero me refazer longe de você Fiz de mim descanso pra você Te decorei, te precisei Tanto que esqueci de me querer Testemunhei o fim do que era agora (...) Eu que sempre quis acreditar Que sempre acreditei que tudo volta Nem me perguntei como voltar nem porque (...) Na letra da música “Agora eu quero ir”, constata-se o uso de pronome pessoal de primeira pessoa do singular (eu), de pronome oblíquo átono de primeira pessoa do singular (me), de pronome oblíquo tônico de primeira pessoa do singular (mim), Comunicação e Linguagem O processo comunicativo de pronome possessivo de primeira pessoa do singular (meu). Além disso, é fre- quente a presença de verbos conjugados na primeira pessoa do singular (encontrei, quero etc.). Toda essa construção contribui para formar a subjetividade do eu lírico, que demonstra seus sentimentos, o que pensa e quer para a sua vida. Nota-se, ainda, que há marcas de destinatário (você, te etc.), que é para quem toda a emo- ção expressa na letra é dirigida. Nesse exemplo, esse destinatário está em segundo plano; quando ele é o foco, temos a função conativa. Função conativa Influenciar as atitudes do destinatário é o objetivo principal da função conativa, que coloca esse receptor como foco de sua mensagem. Busca-se, assim, convencer ou influenciar o outro, por meio de uma linguagem apelativa. Nesse sentido, o cha- mamento, a ordem, a sugestão, o pedido etc. são características da construção das mensagens. Por isso, a segunda pessoa do discurso é mais utilizada nessa função, a qual tem “sua expressão gramatical mais pura no vocativo e no imperativo”. Mensagens com essas características são vistas, de modo mais frequente, em propagandas, que têm função de convencer o destinatário a comprar determinado produto ou a se comover com determinada situação, por exemplo, como vemos na imagem a seguir. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Figura 2.3 - Exemplo de função conativa Fonte: adaptada de Costa (2006, on-line). Ao interpretarmos o outdoor da Figura 2.3, notamos que o intuito da mensagem transmitida é “impressionar” o receptor, fazendo-o pensar a respeito da relação bebida alcoólica versus direção. Para isso, faz uso de uma linguagem imperativa, que pretende assustar e comover quem a lê (o destinatário); além disso, no fim, faz um apelo, em tom de ordem (Não vacile no trânsito), marcado pelo verbo conju- gado no imperativo, que firma, de fato, a intenção de atingir o outro e de fazê-lo mudar de atitude, passando a não beber e dirigir. Por meio dessa mensagem, pode- mos ver o funcionamento da função conativa. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Função referencial Jakobson (2003, p. 123) afirma que, embora cada texto tenha a sua função predominante, ter uma orientação para o contexto é “tarefa dominante de nume- rosas mensagens”. Dessa forma, a função referencial caracteriza-se por enfocar o conteúdo, o assunto da mensagem, fazendo “referência a acontecimentos, fatos, pessoas, animais ou coisas, com o objetivo de transmitir informações” (MAIA, 2005, p. 33), de forma imparcial e neutra. Para isso, faz uso de linguagem objetiva, clara e sem ambiguidade, com a presença predominante da terceira pessoa do singular. Textos científicos, acadêmicos e jornalísticos (que não expressam opinião, apenas divulgam a notícia) são exemplos de mensagens com essa função, como vemos a seguir: Em nono corte seguido, BC reduz juro para 7,5% ao ano, perto do piso histórico Selic recua ao menor patamar desde abril de 2013, ou seja, em pouco mais de quatro anos. Mercado estima que taxa terá nova queda em dezembro, para 7% ao ano. Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta quar- ta-feira (25) a redução da taxa básica de juros da economia brasileira de 8,25% para 7,5% ao ano. Esse foi o nono corte consecutivo na Selic, o que levou a taxa ao menor patamar desde abril de 2013, ou seja, em pouco mais de quatro anos. A queda de 0,75 ponto percentual já era amplamente esperada pelos economistas do mercado financeiro. A decisão desta quarta marca a redução no ritmo de corte dos juros, que havia sido de 1 ponto percentual nos últimos quatro encontros do Copom. O próprio BC já havia indicado que essa desaceleração aconteceria. Fonte: MARTELLO, Alexandro. Em nono corte seguido, BC reduz juro para 7,5% ao ano, perto do piso histórico. 25 out. 2017. G1. Disponível em: g1.globo.com. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Observamos, caro(a) aluno(a), que o propósito do texto é informar uma notí- cia sem apresentar um juízo de valor em relação ao conteúdo explorado, apenas expondo informações de forma neutra. Não há, então, marcas de remetente, e o foco está na informação de dados e decisões do Selic, caracterizando a função referencial. Função poética Com foco na mensagem, a função poética busca explorar o modo como essa mensagem é construída e articulada. Assim, “realça a elaboração da mensagem e caracteriza-se pela criatividade da linguagem” (MAIA, 2005, p. 33). Objetiva explorar a palavra e a sua materialidade, mostrando os “recursos imaginativos criados pelo emissor”. Essa função é, então, “afetiva, sugestiva, conotativa, ela é metafórica. É a linguagem figurada presente em obras literárias, em letras de música, em algumas propagandas, na fala fantasiosa de crianças” (PASCHOALIN; SPADOTO, 2010, p. 442). Nessas construções, o uso de figuras de linguagem tam- bém é muito frequente. Para compreendermos melhor o funcionamento da função poética, observemos o texto a seguir. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Figura 2.4 - Exemplo de texto com função poética Fonte: adaptada de Almeida (2012, on-line). Essa imagem retrata um poema concreto, produzido por Augusto de Campos. Observamos que, mais do que a mensagem transmitida (de que o luxo é um lixo), o foco do texto está no modo como essa mensagem é construída, por meio: da repe- tição da palavra luxo, que, na exposição, forma a palavra lixo; também,da seme- lhança entre a grafia das duas palavras, que só se diferenciam pela troca de duas vogais, o que dá a sonoridade do poema. Em síntese, há um jogo entre o sentido particular de cada palavra e a disposição visual delas, que leva à compreensão da mensagem e caracteriza a predominância da função poética. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Saiba mais Vimos que, nas mensagens em que há o predomínio da função poética, o aparecimento de figuras de linguagem é comum, que são recursos utilizados na comunicação para deixar a mensagem mais persuasiva e significativa. Para conhecer melhor as características e o funcionamento de algumas figuras de linguagem mais comuns, assista ao vídeo do Professor Noslen, disponível no Youtube. Função fática A função fática caracteriza-se quando o foco da comunicação está no canal. De acordo com Jakobson (2003, p. 126), as mensagens com o predomínio dessa função “servem fundamentalmente para prolongar ou interromper a comunicação, para verificar se o canal funciona (...), para atrair a atenção do interlocutor ou confirmar sua atenção continuada”. Desse modo, não só os signos linguísticos estão envolvidos na comunicação, mas gestos (como balançar a cabeça afirmativa ou negativamente, levantar o polegar, dentro outros), sons não significativos etc. também constituem a mensagem. Um exemplo de função fática é visto na figura a seguir. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Figura 2.5 - Exemplo de texto com função fática Fonte: Elaborada pelas autoras. Observamos que, no diálogo, um personagem testa o canal comunicativo, para conferir se a mensagem está sendo transmitida corretamente por meio dele. A res- posta da outra personagem apenas atesta que o canal está funcionando. Além de testar o canal, a função fática tem os propósitos de: iniciar a comunicação (“Olá”, “Bom dia”), prolongar a comunicação (“E aí?” “Como foi?” “Continua...”), evitar o silêncio (“Está frio, hoje, não é?”, “Parece que vai chover...”), confirmar a comuni- cação (“Ok.”, “Entendido”) e interromper a comunicação (“Aguarde um momento”, “Até breve”). Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Função metalinguística Quando o foco da mensagem está no próprio código, há a função metalinguís- tica. Código, segundo Chalhub (2002, p. 48), é definido como um “sistema de símbolos com significação fixada, convencional, para representar e transmitir a organização dos seus sinais na mensagem, circulando pelo canal entre a emissão e a recepção”. Assim, o uso do código para explicar o próprio código caracteriza a metalinguagem. Veja o exemplo: Poesia Carlos Drummond de Andrade Gastei uma hora pensando um verso que a pena não quer escrever. No entanto ele está cá dentro inquieto, vivo. Ele está cá dentro e não quer sair. Mas a poesia deste momento inunda minha vida inteira. Fonte: CASTELLI Jr., Walther. Modernismo e idiossincrasia na poesia de Carlos Drummond de Andrade. Unicamp. Disponível em: www.unicamp.br. Observamos que Carlos Drummond usa o poema para falar a respeito da difi- culdade de dar forma à poesia. Por meio do modo escrito da linguagem (utilizando a língua portuguesa como signo), o poeta expõe o que sente em relação ao escrever Comunicação e Linguagem O processo comunicativo poesia, ao fazer poético. A construção do poema leva o interlocutor a sentir as angústias do escritor ao compor os versos, que não “saem”. Em síntese, há, nessa mensagem, o predomínio da metalinguagem, em que a linguagem é usada para falar dela mesma. Esse tipo de construção é comum no cotidiano, por exemplo, quando consultamos um dicionário para compreender o sentido de determinada palavra, quando, por meio da língua portuguesa, explicamos algo relacionado ao funcionamento dessa língua, enfim, todas as vezes em que utilizamos o código combinando elementos que se voltem para o próprio código. Atividade 2. Há, segundo a proposta de Jakobson (2003), seis funções da linguagem. Analise o texto a seguir e assinale a alternativa que apresenta a função da linguagem predominante nesse texto. Tô virado já tem uns três dias Tô bebendo o que eu jamais bebi Vou falar o que eu nunca falei É a primeira e a última vez Eu sosseguei Ontem foi a despedida Na balada, dessa vida de solteiro Eu sosseguei Mudei a rota em meus planos E o que eu tava procurando, eu achei em você Fonte: JORGE E MATEUS. Sosseguei. Vagalume. Disponível em: <https://www. vagalume.com.br/jorge-e-mateus/sosseguei.html>. Acesso em: 20 out. 2017. a. No texto, há o predomínio da função metalinguística, que enfoca o código. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo b. No texto, há o predomínio da função emotiva, que enfoca o remetente. c. No texto, há o predomínio da função conativa, que enfoca o destinatário. d. No texto, há o predomínio da função fática, que testa o canal comunicativo. e. No texto, há o predomínio da função referencial, com foco no assunto da mensagem. Vimos, prezado(a) aluno(a), que a mensagem a ser transmitida sempre tem um intuito: falar das emoções, convencer o outro, dar ênfase ao assunto, explorar os mecanismos de construção dessa mensagem, testar o canal comunicativo, explicar o próprio código etc.; tudo isso compõe e instaura o funcionamento da linguagem. Para que haja uma compreensão dessa mensagem, portanto, os envolvidos no pro- cesso comunicativo precisam interpretar a argumentação envolvida na construção do texto. A partir de agora, entenderemos melhor como se manifestam e se carac- terizam esses três elementos: compreensão, interpretação e argumentação. Argumentação, compreensão e interpretação Como vimos até aqui, a linguagem cumpre, no processo comunicativo, diferentes funções. O objetivo principal dela é proporcionar a comunicação. De acordo com Chiavenato (2006, p. 127-128), a comunicação acontece “quando uma informa- ção é transmitida a alguém, e é então compartilhada também por esse alguém”; para que, de fato, ela ocorra, precisa-se de “que o destinatário da informação rece- ba-a e compreenda-a. A informação simplesmente transmitida – mas não recebida Comunicação e Linguagem O processo comunicativo – não foi comunicada. Comunicar significa tornar comum a uma ou mais pes- soas determinada informação”. Dois conceitos, então, são fundamentais no processo comunicativo: compreensão e interpretação. Quando a mensagem é transmitida pelo remetente, o destinatário, a princípio, precisa decodificá-la, isto é, reconhecer os símbolos utilizados na mensagem (sejam eles gráficos ou sonoros) e a relação deles com o significado. Depois disso, essa men- sagem necessita ser compreendida, processo em que a temática e o assunto são reconhecidos e as inferências são requisitadas. Nesse momento, o destinatário ativa seus conhecimentos de mundo, para que o assunto possa fazer sentido e a mensa- gem, realmente, signifique para ele. Dessa forma, “a compreensão da mensagem reclama aptidões que englobam processamento de informações e conhecimento da estrutura da língua e do mundo que o cerca” (MEDEIROS; HERNANDES, 2004, p. 210). Estabelece-se, então, a compreensão quando, como afirmam Rosa e Landim (2009, p. 144), há uma “tentativa de tornar comum os conhecimentos, as ideias, as instruções, ou qualquer outra mensagem, seja ela verbal, escrita ou corporal”. A partir dessa troca, espera-se que o destinatário seja capaz de avaliar a mensa- gem que recebeu, de pensar criticamente a respeito dela, de julgar ser favorável, contrário ou imparcial ao conteúdo, às opiniões, aos argumentos do remetente. Instaura-se, assim, no processo comunicativo, a interpretação da mensagem. É importante reconhecer que a interpretação não é única, e sim específica a cada destinatário, uma vez que está relacionada aos conhecimentos e à bagagem dele. Sendo assim, a construção da mensagem pelo remetente deve ser elaborada de modo que, além designificar, possa ser interpretada, da maneira como ele pre- tende, pelo destinatário. Para isso, é fundamental, na construção da mensagem, um trabalho argumentativo. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Segundo Zanini (2017, p. 48), produz-se argumentação mediante acontecimentos, comprovações, explicações que pretendem convencer o destinatário de que o posiciona- mento do remetente (daquele que constrói a mensagem) é o que deve ser considerado e o que tem credibilidade. A presença de argumentos na transmissão da informação tem, então, o intuito de convencimento, de persuasão. Para tanto, como apresenta Platão e Fiorin (1996), o remetente pode fazer uso, dentre outros, de • argumentos que se baseiam no consenso – referem-se a hipóteses que são admitidas como verdadeiras social e coletivamente. • argumentos que se baseiam em provas concretas – referem-se a comprova- ções que fornecem credibilidade ao argumento utilizado (recorrer a dados estatísticos, por exemplo). • argumentos de autoridade – referem-se ao apoio em autores consagrados em área específicas, que têm prestígio a respeito dos conhecimentos compar- tilhados e que dão credibilidade à construção da mensagem. • argumentos da competência linguística – referem-se à habilidade de utilizar o vocabulário e a variedade linguística adequados ao contexto comunicativo. Baseando-se nesses tipos de argumentos, o remetente produz sua mensagem, com intuito de persuadir o destinatário. Em síntese, quando o remetente envia uma mensagem, ele espera que o destinatário possa compreender os argumentos utilizados e interpretar a informação, dando credibilidade à opinião do remetente, fazendo com que o propósito da comunicação (produzir sentidos e gerar respostas) possa ser atingido e, com isso, ter qualidade na comunicação, assunto de nosso pró- ximo tópico. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo A qualidade na comunicação Comunicar, etimologicamente, significa tornar comum. A comunicação faz parte do processo de evolução do ser humano. Podemos dizer que a humanidade só evo- lui, porque o homem passou a se comunicar. Caminha e Silva (2015, p. 3) enten- dem a comunicação como o processo de troca de significados entre indivíduos por meio de um código comum – signos, sinais, símbolos, linguagem falada ou escrita. Envolve a transmissão de mensagem entre uma fonte e um destinatário. A partir dessa concepção vemos delineados os dois principais personagens do processo de comunicação, o transmissor ou emissor - que é a fonte da infor- mação - e um receptor, ao qual se dirige a mensagem. As autoras completam ao dizerem que o processo de comunicação permeia por várias diretrizes como a linguís- tica, a semiótica, os processos de evolução social, a tecnologia. Enquanto o homem vivia no estado de barbárie – cidades organizadas sem posiciona- mento político – bastava-lhe para sua sobrevivência sistemas rudimentares de comunicação (CAMINHA; SILVA, 2015, p. 4). Hoje, considerando que somos seres que praticam a comunicação, necessitamos, então, de uma maneira para realizar esse processo com qualidade, haja vista que, se identificarmos uma forma para expressar claramente nossa mensagem, mais resultados obteremos disso. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Como vimos anteriormente, no processo comunicativo (ilustrado na Figura 2.1), um emissor codifica sua mensagem e a envia por meio de um canal para seu receptor decodificá-la e, assim, elaborar uma nova mensagem, que será o feedback do emissor. Quanto maior a qualidade na mensagem do emissor, mais precisão o receptor terá ao decodificá-la e, consequentemente, o retorno do emissor será mais satisfatório. Entendemos, prezado(a) aluno(a), que, para obtermos êxito naquilo que escre- vemos/falamos, devemos fazer uma comunicação de qualidade. Como, então, ter qualidade na comunicação? Uma boa comunicação necessita de clareza, concisão (não divagar e não inserir muitas informações complementares antes da informa- ção principal), saber se adaptar às diversas situações comunicativas, boa argu- mentação e coerência. Busca-se, assim, que a comunicação faça sentido a todos os envolvidos no processo. No Quadro 2.2, Brizon (2016, on-line) aponta algumas falhas que podem ser evitadas na comunicação. Ambiguidade Quando provoca o duplo sentido na mensagem. Ex.: “João disse ao amigo que havia chegado”. (Quem havia chegado? João ou o amigo?). Redundância Quando há repetição desnecessária de termos na mensagem que interfere na clareza. Ex.: “Subir pra cima”; “Descer pra baixo”. Incoerência Perda de sentido na mensagem, quando uma informação contradiz a outra, alternando a lógica interna do texto, na qual as ideias devem fazer sentido para que o leitor as assimile de forma plausível. Ex.: “Estão derrubando muitas árvores e por isso a floresta consegue sobreviver”. Obscuridade Quando a mensagem não tem clareza, não possui inteligibilidade, é incompreensível, confusa ou tenta esconder um significado. Ex.: “O caráter polivalente dos estrategistas em campo maximizará a performance da equipe.” Eco Quando há o emprego de termos de características fonéticas sonoramente parecidas. Ex.: “O procedimento para o desenvolvimento do empreendimento, neste momento, está em fase de conhecimento.” Hipérbole Figura de linguagem que dá ênfase exagerada no significação da mensagem. Ex.: “Morrendo de sede”; “Correndo feito um louco”. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Cacófato Quando há união dos sons de duas ou mais palavras vizinhas e que produzem um som feio, desagradável, impróprio ou com sentido equivocado. Ex.: “Nunca mais eu acho uma como ela”; “Tirar o pirulito da boca dela”. Preciosismo Quando a mensagem contém expressões rebuscadas, prejudicando a naturalidade do estilo. Também se encaixam casos de prolixidade, quando se fala demais, quando há pouco a dizer. Ex.: “Magnífico Excelentíssimo Magnânino Voluptuoso ministro…”. Barbarismo Quando se faz o emprego de palavras com erro de pronúncia. Ex.: “Rúbrica, ao invés de rubrica”; “Telexpectador ao invés de telespectador”. Solecismo Quando se cometem erros quanto às normas de concordância, regência ou colocação. Ex.: "As convicções do político vão de encontro às do público, por isso, concordam" ao invés de "As convicções do político vão ao encontro às do público, por isso, concordam". Vulgarismo Quando se faz o uso linguístico popular em contraposição à linguagem culta da mesma região privilegiada/exigida em determinado contexto comunicativo. Ex.: “Ozi vamu cumê i bebê batanti”; “Adevogado”; “Dois quilo”; “Eu vi ela”. Quadro 2.2 - Evitando falhas na comunicação Fonte: adaptado de Brizon (2016, on-line). A partir do quadro de Brizon (2016, on-line), pudemos, então, caro(a) alu- no(a), perceber falhas que ocorrem na comunicação, por meio, por exemplo, da ambiguidade, da redundância e da incoerência, e, ao compreendê-las enquanto falhas, podemos evitar que elas ocorram. Atividade 3. Segundo Brizon (2016, on-line), a ambiguidade é uma das falhas da comunicação, visto que, por meio dela, a frase terá um duplo sentido, não sendo possível assim, ter clareza na mensagem transmitida. Qual dos itens a seguir também é considerado falha na comunicação? a. Funções da linguagem. b. Coerência. c. Norma Padrão. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo d. Obscuridade. e. Coesão. Ruídos na comunicação Os ruídos são as interferências que prejudicam o entendimento da mensagem que se pretende passar ao receptor. Vejamos a Figura 2.6 que tem o processo da comunicação sofrendo a interferência dos ruídos. Figura 2.6 - Os ruídos no processo da comunicação Fonte: adaptada de Lição… (on-line). Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Por algum motivo, ao emitir a mensagem, o emissor não conseguiu traduzi-la com clareza e gerou o primeiro ruído. Ao decodificá-la, ocorreu um novo ruído, vistoque a interpretação do receptor não foi a desejada pelo emissor. Logo, o retorno dado por ele não pode ser o almejado, uma vez que a mensagem não foi entregue com qualidade. No Quadro. 2.3, Brizon (2016, on-line) apresenta exemplos de ruídos na comunicação. Físico Fisiológico Psicológico Semântico Pessoa Interferências externas causadas pelo ambiente, como sons em alto volume, mas há também outros fatores, como calor, frio, iluminação, chuva, vento etc. Interferências causadas pelas pessoas envolvidas no processo, mas que são de natureza física, como fome, sede, odores, dores, doenças etc. Interferências causadas pelas pessoas envolvidas no processo, mas que estão com a atenção voltada para outra situação, deixando a mente vagar ou em estado de preocupação. Interferência causada pelos significados diferentes que podem ter uma palavra, frase, texto técnico ou gesto e que atrapalham a compreensão. Interferências causadas pelas pessoas envolvidas no processo, como emoção, valores, interesses, nível de conhecimento, questões familiares etc. Quadro 2.3 - Ruídos na comunicação Fonte: Brizon (2016, on-line). Tomando por base Brizon (2016, on-line), entendemos que os ruídos podem ocorrer não apenas de forma física, como também fisiológica, psicológica, semân- tica e, ainda, por pessoas. Saiba mais Maurício Gois - que é empresário, palestrante, autor e estrategista – elenca 21 ruídos que podem acontecer na comunicação verbal, enfraquecendo a realização do seu trabalho. Veja em: editoraproexito.com.br. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Variação linguística A língua, enquanto atividade social, é um conjunto de usos concretos, historicamente situados, que envolvem sem- pre um locutor e um interlocutor, localizados num espaço particular, inte- ragindo a propósito de um tópico conversacional previamente negociado. [...] é um fenômeno funcionalmente heterogêneo, representável por meio de regras variáveis socialmente motivadas (CASTILHO, 2000, p. 12). Isto é, devemos considerar que a língua poderá sofrer mudanças no espaço e no tempo, uma vez que ela é heterogênea e pode, então, sofrer alterações. Leite e Callou (2002, p. 12) ressaltam que “um território com 8,5 milhões de quilômetros quadrados, com uma população hoje estimada em 170 milhões de habitantes – com índice ainda alto de analfabetismo – não poderia apresentar um quadro linguístico homogêneo”. As autoras completam: a diversidade que existe em qualquer ponto espelha uma pluralidade cul- tural e não se pode presumir para expansão do português no Brasil uma forma linguística única, pois a época em que se deu a colonização, a origem dos colonizados e as consequências linguísticas de um contato heterogêneo são aspectos que devem ser considerados (LEITE; CALLOU, 2002, p. 12). Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Figura 2.7 - As diversidades no Brasil Fonte: adaptada de MARKUS MAINKA, 123RF. Considerando o exposto por Leite e Callou (2002), é possível perceber os moti- vos que fazem com que, em nosso país, haja tantas variações na língua. As pessoas, contudo, nem sempre consideram certas essas variações e buscam, muitas vezes, na gramática, uma forma de desconstruir as construções de outras regiões. Bagno (2008, p. 69) enfatiza que é preciso ensinar a escrever de acordo com a ortografia oficial, mas não se pode fazer isso tentando criar uma língua falada “artificial” e reprovando Comunicação e Linguagem O processo comunicativo como “erradas” as pronúncias que são resultado da história social e cultural das pessoas que falam a língua em cada canto do Brasil. Ou seja, para Bagno (2008), embora seja necessário ter uma forma oficial para que a escrita seja ensinada, é preciso reconsiderar as formas variadas de comuni- cação. Veremos, a seguir, que essas mudanças podem ocorrer, especialmente, por meio de variações geográficas, variações sociais ou variações estilísticas. Variação geográfica Essa variação está ligada com as diferenças na fala que são determinadas pela região. Isso vale tanto para variações de um país para outro, por exemplo, Brasil e Portugal, quanto para variações de falantes de regiões distintas, como Sul e Nordeste. No caso do Brasil, percebemos claramente que existem diferenças, por exemplo, entre os falares gaúcho, paulista, carioca, baiano etc., assim como também percebemos diferenças entre a fala de indivíduos provenientes de zona rural e a de indivíduos urbanos nas diferentes regiões. As variações regionais ocorrem em todos os níveis linguísticos [...] (GÖRSKI, 2009, p. 77). Essas diferenças podem ser notadas em expressões, nome dado a objetos e ali- mentos, gírias, bem como no sotaque que cada uma das regiões apresenta. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Figura 2.8 - Variação linguística no nome de alimentos Fonte: adaptada de ILDIPAPP, 123RF. Variação social Com relação à variação social, Mateus (2005, p. 11) nos diz que o modo como nos dirigimos a pessoas hierarquicamente superiores é diverso do que usamos para falar com aqueles que nos são familiares. Um locutor de televisão utiliza expressões que não empregaria no seu dia a dia, e que são diferentes, até, das que usa um locutor de rádio. O uso oral de uma Comunicação e Linguagem O processo comunicativo língua distingue-se do seu uso escrito. Uma conversa através da Internet tem, por seu lado, características particulares em consequência da adaptação a este recentíssimo meio de comunicação. Para Görski (2009, p. 77), essa variação está relacionada a fatores concernentes à organização socioeconômica e cultural da comunidade. Entram em jogo fatores como a classe social, o sexo, a idade, o grau de escolaridade, a profissão do indivíduo. São exem- plos típicos de variação social: a vocalização do -lh- > -i- como em mulher/ muié; a rotacização do -l- > -r- em encontros consonantais como em blusa/ brusa; a assimilação do –nd- > -n> como em cantando/cantano; a concor- dância nominal e verbal como em os meninos saíram cedo/ os menino saiu cedo. As marcas da variação social se apresentam, assim, tanto na classe social da qual o indivíduo é pertencente como em relação ao seu sexo, sua idade, sua esco- larização e, inclusive, sua profissão. Göeski (2009, p. 77) apresenta um ponto importante para pensarmos referente à variação: tanto a variação geográfica como a variação social estão intimamente associadas às forças internas que promovem ou impedem a variação e a mudança e à identidade do falante. É como se o indivíduo, ao manifestar-se oralmente, já revelasse a sua origem regional e social. É como se ele, pela sua forma de falar, se identificasse como pertencente ou não a determinada comunidade e a determinado grupo social. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Pela fala da autora, podemos inferir que essas marcas da variação, tanto geo- gráfica quanto social, são, de certa forma, identidades de seus falantes que, ainda que tentem camuflar sua origem, acabam por dar sinais de sua região e/ou grupo social de origem. Variação estilística No que tange à variação estilística, Göeski (2009, p. 78) expõe que, em contextos socioculturais que exigem maior formalidade, usamos uma lin- guagem mais cuidada e elaborada – o registro formal; em situações familia- res e informais, usamos uma linguagem coloquial – o registro informal. Mas, o que observamos na prática é que as situações cotidianas de interação são permeadas por diferentes graus de formalidade, mais do que por uma oposição polarizada. Ao pensarmos, por exemplo, em um julgamento que ocorre em um tribunal, não podemos imaginar outro diálogo senão aquele formal, recheado de termos próprios da área de direito que, muitas vezes, para os leigos, se faz de difícil compreensão, mas que, naquela situação, não pode, nem deve, ser exposta de outra forma. O mesmo nãoaconteceria, hipoteticamente, em um diálogo entre pai e filho, ainda que o pai fizesse uma correção na conduta do filho, visto que, em ambiente fami- liar, a linguagem coloquial é a que melhor se adéqua. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Figura 2.9 - Diálogo entre juíza e advogado Fonte: WAVEBREAK MEDIA LTD, 123RF. Ainda nas palavras de Göeski (2009, p. 78), percebemos que, nas várias formas de interação, a língua que utilizamos muda, de alguma maneira, para adaptar-se ao interlocutor e ao contexto de situação. A varia- ção, portanto, é inerente à fala e à própria comunidade de fala e está relacio- nada aos diferentes papéis sociais exercidos por cada um dos participantes. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo A variação pode proporcionar uma comunicação não satisfatória, por exemplo, quando os falantes não compartilham o mesmo léxico, o que causaria um ruído. Não podemos considerar, porém, que essa variação é apenas prejudicial para a comunicação, pelo contrário, ela evidencia a riqueza da língua, do sistema linguís- tico e dos contextos comunicativos. Considerando os tipos de variações, podemos concluir, querido(a) aluno(a), que não faz sentido mantermos o preconceito linguístico, seja ele pelo sotaque regional que a pessoa carrega, seja por marcas de níveis sociais – principalmente aquelas que marcam um nível menor de escolaridade –, de gênero ou idade. Diferente da estilística, o respeito ao outro cabe em todos os lugares. Pense nisso O conhecimento serve para encantar as pessoas, não para humilhá-las (Mário Sérgio Cortella). Saiba mais Para pensar melhor a respeito das questões abordadas referentes ao processo comunicativo, à qualidade na comunicação, aos ruídos e à variação linguística, assista ao filme Narradores de Javé, disponível no Youtube. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Atividade 4. A variação linguística é um movimento natural, visto que a língua sofre mudanças no espaço e no tempo. Considerando os tipos de variação linguística, assinale o exemplo que retrata a variação geográfica: a. “Ao chegar à padaria, pedi 5 cassetinhos”. b. “O excelentíssimo senhor deverá avaliar as provas contra o incomensurável ato de violência”. c. “Nóis vai tudo de busão”. d. “Estamos aqui de boa na lagoa” e. “Vó, a senhora faz falta aqui”. Norma padrão Com relação à norma padrão, Leite e Callou (2002, p. 15) pontuam que a hegemonia da língua portuguesa não dependeu de fatores linguísticos, mas sim históricos, e só nos dois últimos dois séculos e meio ocorreu uma normatização do português falado no Brasil em direção a um chamado “padrão”, que, apesar de intrinsecamente variado e regional e socialmente, passou a gozar de prestígio e a representar a “norma” para o bem falar e o bem escrever. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Corroborando essa ideia, Görski (2009, p. 78-79) mostra-nos que, quando nos reportamos à gramática normativa, de imediato nos vem à mente a palavra “norma”. Em termos gerais, a noção de norma corresponde à regra. No caso da gramática normativa, trata-se de prescrição de regras a serem seguidas sob pena de se incorrer em erro. Mas, no âmbito dos estu- dos linguísticos, a norma diz respeito à língua em funcionamento nas mais diferentes situações comunicativas. A norma padrão é necessária para definirmos o modelo ideal de escrita, o que não significa, todavia, que essa escrita seja absoluta. Para Mateus (2005, p. 15), “a existência de uma norma padrão é necessária como referência da produção linguís- tica e como garantia da aceitabilidade de um certo comportamento no contexto sócio-cultural em que estamos inseridos”. Ou seja, precisamos da norma para que aquilo que produzimos seja melhor aceito, mas isso não anula as variações linguís- ticas que ocorrem. A noção de norma padrão, por vezes, confunde-se com a de norma culta. Görski (2009, p. 80) define alguns pontos que aproximam as duas normas: (i) A regra básica de concordância verbal normatizada em português é que o verbo deve concordar com o sujeito; a norma culta também contempla essa regra de concordância, pelo menos quando se trata de ordem SV (sujeito- verbo) como em Os meninos chegaram. (ii) A regra padrão de concordância nominal é que os elementos determinantes e modificadores devem concor- dar em gênero e número com o núcleo nominal dentro de um sintagma; a norma culta efetiva esse uso, pelo menos em sintagmas nominais simples como em meus filhos pequenos. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Há, ainda, os pontos que as diferem: (i) A regra geral de colocação do pronome átono (clítico) é a ênclise, como em Ele veio interromper-me; porém, salvo alguns poucos casos, a tendência de uso do brasileiro é a próclise: Ele veio me interromper. (ii) A expressão do tempo verbal futuro do presente é feita, na norma padrão, mediante a desinência –rei (cantarei); na norma culta encontramos o uso generalizado da perífrase ir + INF (vou cantar). (iii) A norma padrão prevê a omissão dos pronomes sujeitos, uma vez que a informação número pessoal já aparece na desinência verbal (estudo; estudas); a norma culta tende a realizar o sujeito (eu estudo; tu estudas) (GÖRSKI, 2009, p. 80). A autora conclui afirmando que “nem a norma padrão nem a norma culta equivalem à língua portuguesa: a primeira corresponde a um ideal abstrato de língua tida como correta; a segunda, a uma variedade da língua portuguesa” (GÖRSKI, 2009, p. 80-81). Assim, caro(a) aluno(a), podemos considerar que a norma padrão é relevante para a língua, visto que, por meio dela, podemos ado- tar uma escrita que será aceita em diferentes meios e compreendida por diversos sujeitos, facilitando a comunicação. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Atividade 5. A norma padrão se faz necessária para que possamos ter uma escrita - e, também, uma fala - que seja aceita e entendida. Sabendo disso, assinale a alternativa que compreende a uma frase que adotou a norma padrão corretamente: a. Vamos todos juntos à igreja. b. Haviam muitos livros na estante. c. Fazem 5 anos que não nos vemos. d. Minha mãe deu o dinheiro para mim fazer as compras. e. Fomos ao salão fazer a sombrancelha. Saiba mais Em 2011, uma grande polêmica foi gerada no Brasil após o MEC disponibilizar para estudantes livros com erros gramaticais e alegar que a intenção foi mostrar que há mais de uma maneira de se falar corretamente. Leia a matéria que explica o caso disponível em: oglobo.globo.com. Comunicação e Linguagem O processo comunicativo Indicação de leitura Nome do livro: As funções da Linguagem Editora: Ática Autor: Samira Chalhub O livro “As funções da linguagem”, de Samira Chalhub, discute, com riqueza de detalhes, os assuntos sucintamente abordados nesta unidade. A leitura é recomendada para aprofundar os conhecimentos iniciados neste material. Consulte o livro disponível em: www.academia.edu. Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacionalunidade 3 A comunicação no ambiente organizacional Viviane Favaro Notari Yara Dias Canali Caro(a) aluno(a), até aqui, nossos estudos nos levaram à compreensão do objetivo da linguagem e à relação da linguagem e da comunicação. Nesta unidade, complementaremos os estudos anteriores abordando os propósitos que a linguagem adquire no ambiente organizacional, tema que ajudará você a desenvolver melhor e com mais eficiência a comunicação no meio profissional. Para essa abordagem, estudaremos o que é ambiente organizacional, quais as características das comunicações oral e escrita e o que é necessário para a construção de um texto coeso e coerente nesse ambiente, o que nos leva à abordagem de aspectos textuais e gramaticais. Por ser tratar de comunicação em ambiente organizacional, veremos, ainda, os tipos de comunica- ção dirigida, que podem ser textos impressos, comunicação oral, comunicação eletrônicae comunica- ção específica. Vamos lá? Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional Habilidades para construção de texto no ambiente organizacional Querido(a) aluno(a), antes de adentrarmos em nosso objetivo de explicar as habilidades para construção do texto no ambiente organizacional, importante se faz que compreendamos como é esse ambiente. Latorre (2015, p. 21) aponta que a organização pode ser entendida como unidades planejadas intencionalmente construídas e reconstruídas a fim de atingir objetivos específicos em um conjunto de atividades e forças coordenadas conscientemente por duas ou mais pessoas. Corroborando essa ideia, Nascimento et al. (2016, on-line) afirmam que a “organização é uma combinação de esforços individuais que tem por finali- dade objetivos coletivos, independente do que ela faz ou de seu tamanho”. Para Maximiniano (2012, p. 4), “as organizações são grupos sociais deliberadamente orientados para a realização de objetivos”. Assim, podemos inferir que um ambiente organizacional é um lugar em que pessoas desenvolvem atividades para atingirem determinado objetivo. Para tanto, a comunicação é indispensável para estabelecer a unidade de entendimento entre os indivíduos que visam à mesma finalidade. Saiba mais Embasado em Chiavenato (2003), o site Portal Educação traz a notícia “O ambiente organizacional”, publicada em 2013. Bastante relevante para a compreensão desse ambiente, o texto explora como interferem no ambiente organizacional as mudanças nos aspectos políticos, sociais e econômicos. www.portaleducacao.com.br. Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional No ambiente organizacional, é realizada, dentre outras, a comunicação dirigida, esta, no entanto, necessita ser bem elaborada para que se tenha êxito naquilo que busca transmitir, para isso, são necessárias habilidades de construção de texto. Esse texto pode se manifestar, especialmente, de forma oral e escrita. A comunicação oral é constantemente praticada, refere-se ao uso da fala para transmitir uma informação. No ambiente organizacional, a depender do contexto em que essa comunicação é manifestada, alguns cuidados precisam ser tomados. A manifestação falada da linguagem é imediata, por isso, há um envolvimento maior entre emissor e receptor. Este precisa estar atento ao diálogo, para que com- preenda corretamente a informação e possa passá-la adiante, em caso de neces- sidade. Aquele deve ter uma postura condizente com o exigido nesse ambiente: deve apresentar uma linguagem em tom acessível a todos os presentes, não fazer rodeios para chegar à informação principal, ser polido na manifestação da lingua- gem corporal (que acompanha a fala) e saber adaptar o seu discurso aos diferentes contextos da organização (sabendo usar construções linguísticas formais e menos formais, conforme o gênero discursivo determina). Dessa forma, observamos que a comunicação oral tem como característica prin- cipal a rapidez, com a transmissão e o retorno rápidos da mensagem (ROBBINS, 2005), o que nem sempre é marcante na escrita. Muito se fala, hoje em dia, que a escrita está intrinsecamente ligada à leitura. Soares (1999, p. 68) apresenta outra concepção: frequentemente tomam a leitura e a escrita como uma mesma e única habi- lidade, desconsiderando as peculiaridades de cada uma e as dessemelhan- ças entre elas (uma pessoa pode ser capaz de ler, mas não ser capaz de escrever; ou alguém pode ler fluentemente, mas escrever muito mal). Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional Ou seja, embora tenham uma relação entre si, o fato de uma pessoa ser consi- derada uma boa leitora não garante a ela uma boa escrita, mesmo que esse seja um dos passos para a sua melhoria, não é fator único e decisivo. Soares (2003, p. 1-2) completa: o que poderíamos chamar de acesso ao mundo da escrita – num sentido amplo – é o processo de um indivíduo entrar nesse mundo, e isso se faz basicamente por duas vias: uma, através do aprendizado de uma “técnica”. Chamo a escrita de técnica, pois aprender a ler e a escrever envolve relacionar sons com letras, fonemas com grafemas, para codificar ou para decodificar. Envolve, também, aprender a segurar um lápis, aprender que se escreve de cima para baixo e da esquerda para a direita; enfim, envolve uma série de aspectos que chamo de técnicos. A outra via, ou porta de entrada, consiste em desenvolver as práticas de uso dessa técnica. Não adianta aprender uma técnica e não saber usá-la. Para Garcez (2001, p. 61), antes da escrita, devemos esclarecer as seguintes dúvidas: • Quais os objetivos do texto que vou produzir? • Que informações quero transmitir? • Qual o gênero de texto mais adequado aos meus objetivos? • Que estruturas de linguagem devo usar? As questões levantadas por Garcez (2001) são relevantes para a eficácia daquilo que se escreve, haja vista que, se esses pontos estiverem bem definidos, as chances de alcançarem o objetivo de se fazerem compreender pelo interlocutor são maiores. Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional Antes de elaborarmos um texto, devemos ter em mente nossa intenção ao escre- vê-lo e aquilo que desejamos transmitir, depois, é definido o meio em que o texto será vinculado, isso ajudará, inclusive, na definição da linguagem que adotaremos. Após respondermos às questões levantadas, devemos entrelaçar as ideias para que elas possam, assim, compor, de forma harmônica, o texto. Ao escrever, nossa preocupação inicial é captar as idéias e ordená-las com uma determinada hierarquia, de modo que as principais idéias sejam enfa- tizadas. Qual a nossa idéia central? Como pretendemos defendê-la? Que exemplos são mais interessantes? Quem devemos citar? Que palavras esco- lher? Como devemos nos dirigir ao leitor? Em que medida devemos explicar todas as idéias? Ou deixá-las implícitas? (GARCEZ, 2001, p. 111). Novamente, a autora nos bombardeia com questões que precisam ser definidas para a elaboração de um bom texto. Podemos, então, caro(a) aluno(a), perceber que não basta, apenas, sabermos o que queremos transmitir ao escrevermos, por qual meio e com qual linguagem, precisamos, ainda, ordenar nossas ideias. A organização das ideias e como elas se relacionam entre si se dão por meio da coesão textual, uma vez que esse recurso, já abordado anteriormente, faz a articu- lação que é precisa para estabelecer a coerência do texto. Segundo Garcez (2001, p. 122), “na elaboração de um texto, criam-se laços de citações entre seus próprios elementos constituintes, de maneira que se forme um tecido harmonioso, uma rede bem urdida de relações gramaticais e de significado”. As ideias estarão, portanto, organizadas e transmitindo a mensagem almejada. Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional Figura 3.1 - A função coesão no texto Fonte: adaptada de Garcez (2001). Para que se pratique esse entrelaçamento de ideias, é importante que o autor do texto releia o texto que já elaborou para verificar quais as técnicas de coesão já foram adotadas anteriormente. Além disso, em uma nova leitura, o olhar no texto muda e novas considerações podem ser realizadas para seu melhoramento (GARCEZ, 2001). A partir de uma releitura, é possível considerar alguns pontos importantes, consi- derando a visão que o leitor poderá ter desse texto. Vejamos o Quadro 3.1, em que é apresentada, para aquele que escreve, uma leitura distanciada, como se ele não Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional tivesse elaborado o texto e fosse somente um leitor. Assim, ele deve fazer avalia- ções quanto: Ao leitor Inserir o leitor no texto ou tratá-lo de forma neutra e distanciada. A opção escolhida foi mantida durante todo o texto? O leitor que você tem em mente é atendido durantetodo o texto? Ao gênero de texto Que plano de escrita utilizar para a situação. O formato é adequado à situação? As exigências referentes ao gênero foram respeitadas ou há ambiguidades e inconsistências? Às informações O que informar e o que considerar pressuposto. As informações fornecidas são suficientes ou o texto ficou muito denso, exigindo muito do leitor? A introdução de informações novas é bem realizada? Há informações irrelevantes que podem ser dispensadas? Há excesso de informação? Há informações incompletas ou confusas? As informações factuais estão corretas? À linguagem Formal ou informal. A linguagem está adequada à situação? A opção escolhida tornou o texto harmonioso ou há oscilações súbitas e inadequadas? À impessoalidade ou subjetividade O posicionamento adotado como predominante mantém-se ou essa opção não ficou consistente no texto? Ao vocabulário As escolhas estão adequadas ou há repetições enfadonhas e pobreza vocabular? Algum termo pode ser substituído por expressão mais exata? Há clichês, frases feitas, excesso de adjetivos, expressões coloquiais inadequadas, jargão profissional? Às estruturas sintáticas e gramaticais O texto está correto quanto às exigências da língua padrão? As transições entre ideias estão corretas e claras? Os conectivos são adequados às relações entre as ideias? A divisão de parágrafos corresponde às unidades de ideias? Ao objetivo e à situação Está de acordo com o objetivo estabelecido inicialmente? As ideias principais estão evidentes? Quadro 3.1 - Leitura distanciada do texto Fonte: Garzes (2001, p. 125-126). Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional Vimos, então, que as habilidades de escrita consistem em: DEFINIR O OBJETIVO DO TEXTO E O MEIO DE CIRCULAÇÃO ENTRELAÇAR AS IDEIAS RELER O TEXTO Saiba mais O site Dicas de Escrita apresenta quatro práticas para quem deseja desenvolver habilidades de escrita. Segundo a autora do site, elas são: leitura, escrita, estudo e obter feedback. Se você também pretende adotar essas práticas e melhorar seu texto, leia o texto disponível em: www.dicasdeescrita. com.br. Esses três pontos são relevantes para conseguirmos adquirir as habilidades neces- sárias para melhorar nossa escrita, contudo outros dois aspectos são relevantes para dar mais qualidade ao que escrevemos. São os aspectos textuais e os aspectos gramaticais. Aspectos textuais No que tange aos aspectos textuais, importante se faz que observemos a sin- taxe de construção de frases e períodos, a coesão e a coerência, o vocabulário, o parágrafo (este nem sempre presente em todos os textos elaborados em ambientes organizacionais) e o tipo de texto. Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional Sintaxe de construção de frases e períodos Observar: adequação dos conectivos e palavras de relação; corrigir fragmentação e truncamento de ideias; evitar acúmulo de ideias em um mesmo período; construir paralelismo sintático. Coesão e coerência Reescrever observando: distinguir a ideia central; eliminar ideias incompatíveis ou sem importância para o desenvolvimento da ideia central; especificar generalizações; articular as relações lógicas entre as ideias por meio de conectivos; eliminar repetições; desfazer ambiguidades. Vocabulário Eliminar ou substituir palavras repetidas; utilizar palavra mais adequada; eliminar gíria, expressões coloquiais, clichês. Parágrafo Agrupar ideias complementares ou dependentes; distribuir ideias por parágrafos diferentes. Relacionar os parágrafos ligando uma ideia a outra. Gênero Manter o tom conforme o gênero. Evitar mudanças injustificáveis de nível. Observar estruturas peculiares. Quadro 3.2 - Os aspectos textuais Fonte: adaptada de Garcez (2001, p. 142). Vimos, por meio do Quadro 3.2, que a análise mais detalhada - feita a partir dos aspectos textuais - é relevante para que o texto atenda ao seu objetivo com maior precisão. Aspectos gramaticais Para, gramaticalmente, melhorarmos nosso texto, é relevante observarmos a ortografia, a acentuação, a pontuação, a concordância, a regência. A ortografia é a parte da gramática que estabelece os padrões de escrita das palavras por meio do alfabeto, o qual, na Língua Portuguesa, é composto por: a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, k, l, m, n, o, p, q, r, s, t, u, v, w, x, y, z Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional A ortografia de uma língua é definida por uma convenção. A melhor maneira de dominar a ortografia das palavras é mediante estudo e práticas de leitura e escrita. É o caso, por exemplo, de palavras como: exceção dislexia tênue intrínseco perspicácia ignóbil Nesses exemplos, podemos notar que, mais do que entender a regra para a for- mação de tais palavras, podemos aprender a escrevê-las corretamente por percebê- -las inúmeras vezes em leituras. A acentuação é definida por Bechara (2009, p. 67) como o modo de proferir um som ou grupo de sons com mais relevo do que outros. Este relevo se denomina acento. Diz-se que o acento é de intensi- dade (acento de força, acento dinâmico, acento expiratório ou icto), quando o relevo consiste no maior esforço expiratório. Diz-se que o acento é musical (acento de altura ou tom), quando o relevo consiste na elevação ou maior altura da voz. Entre doidos e doídos, prefiro não acentuar. No exemplo, podemos perceber que as palavras “doidos” e “doídos” se diferem não apenas por seu acento, mas por seu significado que, em nada, é semelhante. Vemos, assim, a importância da acentuação das palavras para sua significação correta. O texto é construído não apenas de palavras, frases e orações. Essas são orga- nizadas no texto com “princípios de dependência e interdependência sintática e Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional semântica recobertos por unidades melódicas e rítmicas que sedimentam esses prin- cípios” (BECHARA, 2009, p. 515). Quem garante essa sonoridade ao texto é a pontuação que, se mal empregada, “produz efeitos tão desastrosos à comunicação quanto o desconhecimento dessa solidariedade a que nos referimos” (BECHARA, 2009, p. 515). Se o homem soubesse o valor que tem a mulher viveria a sua procura. Na frase do exemplo observamos nitidamente o poder de uma pontuação bem empregada. Certamente, os homens, ao lerem a frase, inseriram a vírgula após o verbo “tem”. Já as mulheres, provavelmente, fizeram uso da vírgula após “mulher”. Cada uma das inserções dá diferente significado à frase, mudando, por completo, seu sentido. Outro relevante aspecto gramatical é a concordância. Ela pode ser nominal ou gramatical. Diz-se concordância nominal a que se verifica em gênero e número entre o adjetivo e o pronome (adjetivo), o artigo, o numeral ou o particípio (palavras determinantes) e o substantivo ou pronome (palavras determinadas) a que se referem. Diz-se concordância verbal a que se verifica em número e pessoa entre o sujeito (e às vezes o predicativo) e o verbo da oração (BECHARA, 2009, p. 441). As amigas aguardavam ansiosas pela festa. Na frase, observamos que artigo, verbo e adjetivo concordam com o sujeito: feminino e plural. Essa concordância estabelece a coerência da frase. Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional Temos, ainda, como parte importante a ser vista na gramática a regência que, assim como a concordância, pode ser nominal e verbal. A regência nominal é aquela estabelecida entre o substantivo e os termos regidos por esse nome. A regência verbal é a relação que se estabelece entre o verbo e os elementos que o complementam. Vou sair. Aonde você vai? Sair é verbo intransitivo, não precisa complemento. Alguns verbos não exigem o complemento em suas frases, para outros, no entanto, isso é essencial para seu entendimento. Essa é, somente, uma pincelada nos aspectos gramaticais. Vale ressaltar que, difi- cilmente, esgotaríamos esse conteúdo, por isso,a necessidade de que você, caro(a) aluno(a), busque mais conhecimento na área para garantir um estudo mais apro- fundado sobre o tema. Pense nisso O escrever não tem fim (Fedro). Modelos de comunicação dirigida Como vimos, é necessário que, no ambiente organizacional, haja uma comunica- ção clara e objetiva. É importante que as empresas, então, se adaptem ao cenário em que estão inseridas, o que inclui considerar os diferentes públicos e os variados meios pelos quais as informações circulam. Nesse contexto, a comunicação de massa Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional vai perdendo espaço e ganha notoriedade um tipo específico de comunicação, a dirigida. Tendo em vista que, atualmente, diversificados segmentos compõem o mercado, as empresas precisaram direcionar a comunicação para públicos específi- cos, assim, surgiu “uma veiculação mais especializada e direta, com uma explosão de mídias segmentadas e interativas, e, que favorecem um contato mais próximo com o cliente” (LAS CASAS; GARCIA, 2007, p. 282). Dessa forma, a comunicação dirigida tem o intuito de elaborar mensagens eficientes e personalizadas, que sejam capazes de conquistar o público-alvo específico. Para que essa comunicação se efetive, as organizações fazem uso de textos. Cada texto, a depender de quem produz e de para quem é direcionado, apresentará: um estilo específico, com escolhas precisas dos recursos lexicais e fraseológicos; um tema, que orienta o que pode, deve ou vai ser abordado; uma estrutura composicional própria, que diz respeito a um molde por meio do qual o indivíduo adapta seu dizer. Em síntese, as informações são elaboradas mediante gêneros discursivos dis- tintos e singulares. De acordo com Bakhtin (1992, p. 262, grifos do autor), “cada enunciado particular é individual, mas cada campo de utilização da linguagem elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados, os quais denominamos gêneros do discurso”. Ou seja, toda comunicação humana, oral ou escrita, realiza-se a partir de tipos textos, que têm tema e estilo mais variáveis e estrutura composi- cional menos flexível, caracterizando o gênero no qual se enuncia. Assim, a elaboração de textos no ambiente organizacional, com foco na comuni- cação dirigida, também se realiza por gêneros, apresentando modelos de textos que pretendem atingir um público exclusivo. A seguir, veremos alguns tipos de textos que circulam nesse ambiente. Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional Atividade 1. Um dos tipos de comunicação que ganhou destaque atualmente é a dirigida. Em relação às características dessa modalidade, assinale a alternativa correta. a. A comunicação dirigida tem o objetivo de enviar mensagens para um público geral, divul- gando os resultados da empresa. b. A comunicação dirigida tem o objetivo de enviar mensagens para um público específico, com o intuito de conquistá-lo. c. A comunicação dirigida tem o objetivo de manter contato com o público-alvo da empresa por meio de veículos de massa. d. A comunicação dirigida tem o objetivo de divulgar os resultados alcançados pela empresa em veículos informatizados. e. A comunicação dirigida tem o objetivo de manipular um público abrangente, para divul- gar os produtos da empresa. Saiba mais No ambiente organizacional, uma forma de comunicação que tem ganhado destaque é a dirigida. Um dos responsáveis pela divulgação dessas mensagens é o profissional de Relações Públicas. Para compreender, brevemente, o funcionamento dessa profissão, assista ao vídeo disponível em: www. youtube.com. Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional Textos Impressos “Impresso”, dentre outras definições, significa “que se imprimiu”, “papel impresso para uso em correspondência, serviços administrativos etc.” (FERREIRA, 2010, p. 413). Textos impressos são, portanto, materiais físicos que circulam socialmente e pretendem estabelecer a comunicação. No ambiente organizacional, com o pro- pósito de estabelecer uma comunicação dirigida, alguns textos impressos que se destacam são: carta, ofício, ata e memorando. Vamos entender um pouco mais as características de cada um deles? Carta A carta caracteriza-se por ser uma forma de comunicação escrita direcionada ao público externo. O envio dela tem o objetivo de fazer uma solicitação, uma recla- mação, um convite, um agradecimento ou, ainda, a transmissão de informações. Toda carta apresenta uma construção composicional semelhante, com a presença de: • Cabeçalho (local e data); • Endereçamento (nome do destinatário e endereço); • Saudação inicial ou vocativo; • Texto com a apresentação do assunto; • Saudação final ou despedida; • Assinatura. A linguagem utilizada pode ser formal ou menos formal a depender da situação comunicativa e do intuito da carta. O estilo de escrita deve se adaptar ao assunto e ao destinatário. A seguir, um exemplo de carta com comunicação dirigida. Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional Maringá-PR, 30 de dezembro de 2016 João da Silva Rua Rio Grande do Norte, 1820, Jardim Aclimação, Maringá-PR, 87033-510 Senhor João, Encerramos o primeiro quadrimestre de nossa parceria. Visando à transparência e ao controle das mensalidades, enviamos esta carta com a descrição dos valores apresentados para nós desde a assinatura do contrato: Mês/ano Data do pagamento Valor Set./2016 05/09/2016 90,00 Out./2016 05/10/2016 90,00 Nov./2016 05/11/2016 90,00 Dez./2016 05/12/2016 90,00 Total 360,00 Agradecemos por confiar em nosso trabalho e desejamos que nossos laços se estendam pelos próximos anos. Atenciosamente, Dr. Alexandre Vinicius Macário Odontologia Macário Pelo exemplo, observamos que essa carta foi emitida de uma empresa (Odontologia Macário) para um de seus clientes (o paciente João da Silva), com o propósito de informar os valores recebidos, agradecer pela parceria e firmar laços futuros. Caracteriza-se uma comunicação dirigida pelo fato de a empresa direcionar uma carta personalizada (com dados exclusivos) e única a um de seus clientes. Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional Ofício Abordar assuntos institucionais é o objetivo do ofício. Desse modo, ele é uma forma de correspondência por meio da qual se trocam informações de caráter técnico ou administrativo (APOSTILA..., on-line). A estrutura composicional desse gênero é formada por: • Título (abreviado - Of.), seguido da sigla do órgão expedidor e da esfera administrativa com numeração; • Local e data; • Endereçamento (forma de tratamento, nome do destinatário e endereço); • Vocativo; • Texto com a apresentação do assunto e o objetivo do Ofício. • Saudação final cortês. • Assinatura, nome e cargo do remetente. Apresentamos, a seguir, um exemplo de comunicação dirigida por meio de ofício. Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional Figura 3.2 - Exemplo de Ofício Fonte: Oliveira et al. (2012, on-line). A figura anterior apresenta como é a construção de um ofício, exemplificando a estrutura do documento e o modo como o assunto institucional (pleitear a constru- ção de pavilhões) deve ser abordado (com linguagem formal, técnica e cortês, que marca a relação profissional entre remetente e destinatário). Ata A ata é um relatório que descreve as decisões, os acordos e os fatos ocorridos em uma reunião. Ela registra, portanto, um resumo fiel dos principais acontecimentos de uma reunião. Em relação à estrutura composicional, a ata deve aparecer em Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional texto único, sem divisão de parágrafos. Por se tratar de um documento oficial, não pode apresentar rasuras. Nesse caso, quando manuscrita, se houver erro, deve-se utilizar o termo “digo” e, em seguida, a grafia correta; caso seja digitada e notem-se erros após a impressão, deve-se redigi-lanovamente e submetê-la à nova aprova- ção. Os termos obrigatórios da ata são: • Cabeçalho (com número da ata e o nome do órgão que a assina); • Texto (que se inicia com a descrição temporal e local – dia, mês, ano, data e lugar da reunião – escrita por extenso); • Fechamento; • Assinatura (do presidente, do secretário e, em alguns casos, dos demais participantes). Figura 3.3 - Exemplo de Ata Fonte: adaptada de Oliveira et al. (2012, on-line). Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional A Figura 3.3 apresenta um exemplo de como deve ser redigida uma ata no ambiente organizacional. Ressalta-se que ela é um modelo, por isso, há espaços em branco, para serem preenchidos em um contexto real de registro. Observamos que o intuito do documento é descrever, em detalhes, o que ocorreu durante a reunião, para que se firme um registro oficial das decisões e das discussões ali abordadas. Memorando Caracteriza-se por ser uma comunicação estritamente interna, entre setores iguais ou hierarquicamente distribuídos. O propósito pode ser uma comunicação adminis- trativa ou a divulgação de decisões, projetos etc. Deve ter como base a agilidade, simplificando os processos burocráticos. A estrutura composicional é semelhante a do ofício: • Título (com a palavra Memorando, seguida do número); • Local e data; • Endereçamento (forma de tratamento, nome do destinatário e endereço); • Assunto; • Vocativo; • Texto; • Saudação final; • Assinatura. Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional Figura 3.4 - Exemplo de Memorando Fonte: Oliveira et al. (2012, on-line). Observamos, nesse exemplo, que o reitor envia uma mensagem ao diretor para informar ausência na cerimônia de colação de grau. Redige-se, então, uma comunicação dirigida que circulará internamente, para agilizar a divulgação da informação. Apresentamos, aqui, uma síntese da estrutura e dos objetivos dos principais tex- tos impressos para comunicação dirigida. Na sequência, descreveremos as caracte- rísticas de textos orais, exemplificando algumas de suas ocorrências. Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional Atividade 2. A comunicação dirigida no ambiente organizacional pode ocorrer de forma impressa, oral, eletrônica e específica. Qual das alternativas a seguir apresenta tex- tos de circulação impressa? a. Carta, seminário e e-mail. b. Ata, ofício e memorando. c. Ofício, reunião e site. d. Mural, memorando e e-mail. e. Boletim informativo, carta e comitê. Comunicação dirigida oral A comunicação dirigida oral é um importante meio de comunicação, uma vez que traz a proximidade necessária para que determinadas informações sejam pas- sadas. Vale lembrar, todavia, que o emprego desse meio de comunicação não anula as demais formas, tão somente simplifica o contato, principalmente, na esfera empresarial. Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional Figura 3.5 - A comunicação dirigida oral Fonte: CATHY YEULET, 123RF. Cesca (1997) trata de exemplos relevantes de comunicação oral dirigida. No que contempla o universo empresarial, vamos nos atear a: conferência, palestra, convenção, seminário, brainstorming e workshop. Conferência Na conferência, expõe-se um assunto que seja de grande domínio do conferen- cista. Este, normalmente, é bastante reconhecido por sua competência na área. É possível, ainda, ao final da conferência, dar a oportunidade para a plateia realizar perguntas (CESCA, 1997). Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional Palestra A palestra é realizada para um número pequeno de pessoas, que, geralmente, têm certo conhecimento sobre o tema abordado. Assim como na conferência, é aberto para a plateia questionar (CESCA, 1997). Convenção A convenção é realizada para o conhecimento e a troca de informações e experi- ências. Nela, é realizada a exposição de vários temas e toda a dinâmica do evento é organizada por seu coordenador (CESCA, 1997). Seminário No seminário, também há a presença de um coordenador e a exposição é rea- lizada por uma ou mais pessoas. “Geralmente divide-se em três fases: exposição, discussão e conclusão. As divisões podem ser adotadas pela área” (CESCA, 1997, p. 20). Brainstorming Literalmente, brainstorming seria uma tempestade cerebral. Nele, as pessoas se dispõem a tratar ideias relacionadas a um problema. É uma reunião que tem uma fase criativa e outra avaliativa. A seleção da melhor sugestão é feita pelo coorde- nador (CESCA, 1997). Workshop São encontros em que são realizadas exposição e demonstração do objeto (pro- duto) que deu origem ao evento (CESCA, 1997). Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional Vimos, assim, caro(a) aluno(a), alguns exemplos de comunicação dirigida que podem ser executados na empresa para facilitar a comunicação entre as pessoas nela envolvidas e trazer mais resultados positivos para a ela. Atividade 3. A comunicação dirigida oral traz maior proximidade entre quem enuncia e quem recebe a mensagem. Em qual tipo de comunicação dirigida ocorre a troca de infor- mações e experiências, realizando a exposição de vários temas? a. Workshop. b. Convenção. c. Brainstorming. d. Palestra. e. E-mail. Comunicação dirigida eletrônica A internet revolucionou o mercado de trabalho e, com ela, trouxe, além da faci- lidade para a comunicação, recursos que facilitam a comunicação na empresa, seja ela com clientes ou com os próprios funcionários. Vejamos alguns recursos que as empresas têm adotado e que proporcionam resultados positivos. Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional Figura 3.6 - A comunicação dirigida eletrônica Fonte: RANCZ ANDREI, 123RF. Correio eletrônico (e-mail) O e-mail também tem sua utilidade dentro da empresa. “Todas as comunicações escritas impressas da empresa podem ser transformadas em eletrônicas e enviadas também por e-mail” (CESCA, 2006, p. 120). Isso pode ser realizado tanto como uma mensagem escrita quanto anexando o arquivo (documento, vídeo, som, ima- gem) e enviando. Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional Figura 3.7 - Modelo de e-mail Fonte: Elaborada pelas autoras. Por meio da Figura 3.7, podemos observar que, no e-mail, a pessoa que o envia deve inserir o destinatário e o assunto, em seguida, a mensagem é inserida, podendo editá-la por meio de recursos simples de formatação de texto. Intranet Trata-se de uma comunicação dirigida que vem a ser mais utilizada pelos fun- cionários que trabalham na parte administrativa, no entanto os demais funcioná- rios, em determinadas empresas, também têm acesso a computadores. “O uso da intranet possibilita manter o público interno sempre informado e ainda oferecer ferramentas colaborativas de comunicação” (COMUNICAÇÃO...2015, on-line). Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional Redes Sociais Corporativas É uma rede social que se limita ao uso dos funcionários da empresa, com objeti- vos específicos que sempre estarão relacionados à empresa. “As redes sociais corpo- rativa são ambientes propícios para a equipe dar ideias, sugestões e compartilhar procedimentos e conhecimentos” (COMUNICAÇÃO...2015, on-line). Newsletter É uma publicação da empresa que atinge tanto os seus clientes fixos como poten- ciais clientes. “Assim como jornais e revistas, ela tem periodicidade, linha editorial, linha visual, etc. Pode ser enviada inclusive em formato de jornal, impressa, mas o mais comum é por meios eletrônicos, em especial, via e-mail” (CAMONA, 2016, on-line). É possível, assim, observar que a comunicação dirigida eletrônica refere-se a meios práticos e que facilitam, e muito, a comunicação dentro de uma empresa, por serem recursos de fácil acesso e entrega, praticamente, instantânea. Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional Atividade 4. Coma evolução da tecnologia, a comunicação em empresas ganhou recursos que a tornou mais fácil. Qual dos meios de comunicação corresponde a uma comuni- cação dirigida eletrônica? a. Ata b. Workshop c. Brainstorming. d. Newsletter. e. Facebook. Comunicação dirigida específica Já vimos, prezado(a) aluno(a), que a comunicação dirigida se estabelece de diferentes formas, e existem meios que são específicos para essa comunicação, como o audiovisual, o quadro de avisos, o folheto, a caixa de sugestões e o manual de integração. Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional Figura 3.8 - Comunicação dirigida específica Fonte: adaptada de ЕВГЕНИЙ КОСЦОВ, 123RF. Audiovisual O audiovisual é um meio de comunicação que podemos dividir em diferentes formas. No CD-ROM, por exemplo, são armazenados dados e informações, tanto áudio quanto vídeo, conteúdos que podem ser de grande valia para a empresa. As teleconferências são reuniões entre pessoas que não estão em um mesmo ambiente, mas que, pelo som e imagem, conseguem estabelecer a comunicação. A vídeorre- vista da empresa é uma forma de oferecer aos funcionários as informações sobre a empresa e seu meio, facilitando a visualização do trabalhador; ela pode ser Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional disponibilizada em TVs, no próprio trabalho, em reuniões ou enviadas na casa dos colaboradores. Deve ter uma linguagem simples e laços interativos (COSTA, 2009). Quadro de avisos Como o próprio nome sugere, é um quadro em que avisos da empresa serão colocados. Para que haja o resultado esperado com esse meio de comunicação, é fundamental que ele esteja em uma posição estratégica, ou seja, todos os funcioná- rios precisam passar por ele. Além disso, ele precisa, fisicamente, atrair os olhares dos funcionários (CESCA, 1995). Folheto Os folhetos são importantes para que a empresa repasse informações, tanto para os funcionários quanto para clientes e/ou população, com um tema específico. Esse tema pode ser de uma reforma dentro da própria empresa (destinado aos funcio- nários) ou de alguma comemoração da empresa (destinado a funcionários, clientes e população), por exemplo (CESCA, 1995). Caixa de sugestões A caixa de sugestões é um meio de comunicação dirigida em que o funcionário deixa suas sugestões de melhorias na empresa. Para que haja estímulo, é possível que, ao adotar a sugestão, a empresa recompense seus funcionários, haja vista que a melhoria alcançada se deve ao fato de o colaborador ter compartilhado uma ideia; ademais, isso fará com que os demais trabalhadores se motivem a deixar mais sugestões (CESCA, 1995). Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional Manual de integração O colaborador recebe o manual de integração quando é contratado pela empresa. Esta visa integrá-lo informando seus direitos e deveres. Para Cesca (1995, p. 92), “seu conteúdo deve ser composto de: apresentação pela diretoria; histórico da empresa; descrição do ramo de atividade; normas do trabalho; serviços beneficen- tes e quaisquer outras informações que a empresa entenda necessárias”. Esses são exemplos de comunicação dirigida específica, da qual a empresa faz uso para passar informações aos seus colaboradores e, inclusive, para clientes ou comunidade. Vimos, assim, caro(a) aluno(a), que, para uma comunicação de qualidade, seja ela oral ou escrita, existem maneiras de transmitir a mensagem adequadas e meios de comunica- ção, que são os recursos que a empresa pode adotar para divulgar as informações. Atividade 5. A comunicação dirigida tem o objetivo de enviar mensagens para um público espe- cífico, com o intuito de conquistá-lo. Sabendo que esse tipo de comunicação é clas- sificada em diferentes tipos, assinale a alternativa que corresponde à comunicação que traz mais proximidade entre enunciador e receptor. a. Comunicação dirigida oral. b. Comunicação dirigida impressa. c. Comunicação dirigida eletrônica. d. Comunicação dirigida específica. e. Comunicação dirigida gramatical. Comunicação e Linguagem A comunicação no ambiente organizacional Indicação de leitura Nome do livro: Técnica de redação: o que é preciso para bem escrever Editora: Martins Fontes Autor: Lucília H. do Carmo Garcez ISBN: 85-336-1429-8 Os manuais reunidos no livro de Garcez oferecem a instrução necessária para o trabalho de escrita nos diferentes níveis e para as mais diversas áreas. Querido(a) aluno(a), finalizamos, juntos, mais uma etapa dos seus estudos. Vimos assuntos que são de grande importância para a comunicação e para a lingua- gem. Iniciando pela coesão e coerência, pudemos observar como esses dois recursos po- dem dar textualidade para aquilo que se escreve. Por compreendermos que o objetivo da linguagem é estabelecer a comunicação, abor- damos o processo comunicativo. Exploramos a relação entre a linguagem e a comunica- ção, os elementos envolvidos na comunicação e aquilo que é preciso para que se estabe- leça uma comunicação com qualidade. Vimos, ainda, a linguagem e a competência linguística, a linguagem e a comunica- ção e o processo da comunicação, abordando, também, as funções da linguagem, a argumentação, a compreensão e a interpretação, qualidade na comunicação, variação linguística e norma padrão. No que tange a comunicação no ambiente organizacional, vimos a comunicação diri- gida. Esta pode ocorrer de forma em textos impressos, de forma oral, eletrônica ou espe- cífica. Por meio de exemplos, vimos sua ocorrência. Esperamos que você, caro(a) aluno(a), tenha aprendido mais sobre a comunicação e a linguagem, mas que seus estudos não se limitem a este material. Busque sempre mais conhecimento que enriqueça sua formação. Até breve. ALMEIDA, M. Augusto de Campos / LUXO. 23 fev. 2012. Nossa Brasilidade. ANAVITÓRIA. Agora eu quero ir. Vagalume. ANDRADE, C. D. de. E agora José? Tanto. APOSTILA de redação oficial. Administração - UOL. AS 9 coisas mais loucas que aconteceram na TV ao vivo. Brainberries. ASSIS, M. de. Dom Casmurro. São Paulo: Scipione, 1994. p. 34. BAGNO, M. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. 50. ed. Loyola: São Paulo, 2008. BAKHTIN, M. Os gêneros do discurso. In: BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São. Paulo: Martins Fontes, 1992. BECHARA, I. Moderna Gramática Portuguesa. 37. ed. Rio de Janeiro: Nova Fonteira – Lucerna, 2009. BRIZON, M. Vícios, falhas e ruídos na Comunicação: saiba quais são os mais comuns e como evitá-los. 2016. BUARQUE, Chico. Folhetim. Vagalume. CAMINHA, R. de A. A. B.; SILVA, L. R. da. Os ruídos comunicacionais na Pós-Modernidade: barreiras pessoais, físicas e semânticas para uma comuni- cação efetiva. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XIV Congresso de Ciências da Comunicação na Região Norte – Manaus - AM – 28 a 30/05/2015. CAMONA, D. O que é uma newsletter e como ela pode ajudar na conversão de leads? CARRO cai no mar próximo à ponte do Perequê em Ubatuba, SP. 15 out. 2017. G1 - Vale do Paraíba e Região. CARVALHO, L. de. Dona Nair, a professora do barracão da Vila 7, e os tem- pos do barro e poeira. 15 out. 2017. Odiario.com. CASTILHO, A. T. de. A língua falada e o ensino de língua portuguesa. São Paulo: Contexto, 2000. CATHY YEULET. Grupo de empresários Reunião Em torno da sala de reuni- ões Tabela. 123RF. CESCA, C. G. G. Comunicação dirigida escrita na empresa: teoria e prática. 1. ed. São Paulo: Summus, 1995. CESCA, C. G. G. Comunicação dirigida escrita na empresa: teoria e prática. 4.ed. São Paulo: Summus, 2006. CESCA, C. G. G. Organização de Eventos - Manual para planejamento e exe- cução. São Paulo: Summus, 1997. CHALHUB, Samira. Funções da linguagem. São Paulo: Ática, 2002. CHIAVENATO, I. Administração de recursos humanos: fundamentos bási- cos. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2006. 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