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CADERNO COMPLETO PROCESSO TRABALHO I

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Direito Processual do Trabalho I 
Prof. M.Sc. Rogério Alves Dias 
 
 
Guilherme Azevedo 
 
Centro Universitário de Brasília – UniCEUB 
Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais – FAJS 
Curso de Direito 
 
16/02/2018 (sexta-feira) 
 
1) Conceitos de Direito Processual do Trabalho 
 “É o ramo do direito que disciplina o processo do trabalho, o qual é o meio 
para a solução jurisdicional de conflitos trabalhistas” (Gustavo Filipe Barbosa 
Garcia). 
 “É o ramo da ciência jurídica, constituído por um sistema de princípios, 
normas e instituições próprias, que tem por objeto promover a pacificação justa dos 
conflitos decorrentes das relações jurídicas tuteladas pelo direito material do 
trabalho e regular o funcionamento dos órgãos que compõem a justiça do trabalho” 
(Carlos Henrique Bezerra Leite). 
 “É o ramo da ciência jurídica, dotados de normas e princípios próprios para a 
atuação do direito do trabalho e que disciplina a atividade das partes, juízes e seus 
auxiliares, no processo individual e coletivo do trabalho” (Renato Saraiva). 
 Via de regra, o processo começa em decorrência de uma lide. 
Lide: conflito de interesses qualificado por 
uma pretensão resistida/insatisfeita. 
 Sendo assim, a partir do momento que se tem uma lide, ela precisa ser 
solucionada. Para isso, temos três meios de solução de conflito: 
 a) Autotutela: na autotutela tem-se a imposição do mais forte. Via de regra, 
esse meio de solução de conflito é proibido no direito, ou seja, não se pode decidir 
com as próprias mãos. 
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 b) Autocomposição: aqui, a lide será solucionada pelas próprias partes 
envolvidas. Neste caso, tem-se uma conciliação. 
 c) Heterocomposição: na heterocomposição, um terceiro irá solucionar o 
conflito. Esse terceiro pode ser o judiciário, ou pode ser pela via arbitral. Aqui se 
encaixa a disciplina de direito processual do trabalho, onde os conflitos serão 
solucionados pelo poder judiciário. Levando em consideração que é um conflito 
trabalhista, quem irá solucioná-lo será a Justiça do Trabalho. 
2) Autonomia do Direito Processual do Trabalho 
 O Direito Processual do Trabalho é ou não um ramo autônomo do direito? 
Para isso, temos duas teorias: 
 a) Monista: defendem a tese de que o Direito Processual do Trabalho não é 
um ramo autônomo do direito, pois quando se fala em “direito processual”, fala-se 
em um direito uno, onde o Direito Processual Civil, Direito Processual Penal, Direito 
Processual do Trabalho, dentre outros, seriam subdivisões. 
 b) Dualista: para a teoria dualista, o Direito Processual do Trabalho é sim um 
ramo autônomo do direito, uma vez que possui princípios próprios, regras próprias e 
institutos próprios. Além disso, ainda possui uma justiça especializada (Justiça do 
Trabalho). Essa é a teoria majoritária. 
3) Fontes do Direito Processual do Trabalho 
 As fontes do Direito Processual do Trabalho podem ser classificadas em 
fontes formais e fontes materiais: 
 a) Fonte formal: é o meio pelo qual o direito se exterioriza – Constituição 
Federal, CLT, CPC, entre outras legislações processuais. 
 b) Fonte material: são as mesmas do direito material do trabalho, já que 
processo é o instrumento que faz valer o direito material, como por exemplo, fatos 
sociais, políticos, econômicos e morais. 
4) Eficácia da lei processual trabalhista no tempo (912 da CLT, 14 do CPC) 
Direito Processual do Trabalho I 
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 A pergunta é: qual a lei processual aplicável a determinado processo? 
Obviamente, a lei que está em vigor. Mas, e se a lei processual mudar durante esse 
processo? A nova lei se aplica ou não se aplica a esse processo que está em curso? 
 Para saber sobre a eficácia da lei processual no tempo, é preciso saber 
acerca de três teorias: 
 a) Teoria da unidade processual: para essa teoria, levando em conta a 
unidade do processo, só irá ser aplicada uma única legislação processual – aquela 
que estava em vigor na data do ajuizamento da ação. 
 b) Teoria das fases processuais: para essa teoria, o processo é divido em 
fases (postulatória, ordinatória, instrutória, decisória e recursal). Desta forma, a lei 
nova será aplicada no processo, porém, somente na fase posterior. 
 c) Teoria do isolamento dos atos processuais: a lei nova tem aplicabilidade 
imediata, ou seja, no momento em que ela entra em vigor, será aplicada 
automaticamente naquele processo em curso. E os atos que foram praticados 
anteriormente, são atos válidos ou inválidos? É necessário praticá-los novamente 
com base na nova lei? Não, eles serão considerados atos válidos, em razão do 
tempus regit actum (pratica do ato conforme a lei que estiver em vigor naquela data). 
Essa é a teoria adotada no Brasil. 
Art. 912 (CLT) - Os dispositivos de caráter 
imperativo terão aplicação imediata às 
relações iniciadas, mas não consumadas, 
antes da vigência desta Consolidação. 
Art. 14. (CPC) - A norma processual não 
retroagirá e será aplicável imediatamente aos 
processos em curso, respeitados os atos 
processuais praticados e as situações 
jurídicas consolidadas sob a vigência da 
norma revogada. 
5) Reforma trabalhista (Art. 6º, Lei nº 13.467/2017) 
 A reforma trabalhista trouxe alterações tanto no Direito do Trabalho quanto no 
Direito Processual do Trabalho. 
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 A reforma trabalhista se aplica ou não se aplica aos processos que estão em 
curso na justiça do trabalho? Via de regra, sim (teoria do isolamento dos atos 
processuais). 
 A reforma trabalhista foi publicada no dia 13 de julho de 2017, mas só entrou 
em vigor 120 dias depois (11 de novembro de 2017) – IMPORTANTE GUARDAR 
ESSAS DATAS. 
 Na reforma trabalhista, temos três problemas quanto a “aplicabilidade 
imediata” sustentada pela teoria do isolamento dos atos processuais: 
 a) Honorários periciais: quando o juiz necessitar de conhecimentos técnicos 
ou científicos, ele será auxiliado por um perito. Após apresentar o laudo, o perito tem 
direito a receber pelo serviço prestado (honorários periciais). Acontece que, antes da 
reforma trabalhista, quem era beneficiário da justiça gratuita não pagava honorários 
periciais. Ou seja, se eu perdesse na pretensão objeto da perícia, e se eu fosse 
beneficiário da justiça gratuita, eu não iria pagar os honorários, e sim a União. 
Contudo, com a reforma trabalhista, mesmo que você seja beneficiário da justiça 
gratuita, você terá que pagar os honorários periciais. Ex: eu ajuizei uma ação em 
SET/2017 e agora, FEV/2018, pretendo realizar uma perícia. A pergunta é: eu devo 
ou não devo pagar os honorários periciais, ainda que eu seja beneficiário da justiça 
gratuita? Sim. A tese defendida é que se deve utilizar o CPC de forma subsidiária 
(art. 1047): 
Art. 1.047. As disposições de direito 
probatório adotadas neste Código aplicam-se 
apenas às provas requeridas ou 
determinadas de ofício a partir da data de 
início de sua vigência. 
 Para esse artigo (1047, CPC), deve-se levar em consideração o requerimento 
específico da perícia, ou seja, a data que foi requerida a prova pericial, ou a partir da 
determinação de ofício pelo juiz. 
 Em suma, para eu saber se vou pagar os honorários periciais ou não, é 
preciso levar em consideração a data do requerimento da prova pericial. Se a data 
do requerimento da prova pericial foi depois de 11/11/2017, eu entro na nova regra. 
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