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Certificações de Qualidade Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof. Me. Fernando Leonel Rodrigues Revisão Textual: Prof. Esp. Claudio Brites Introdução a Qualidade • Histórico, Abordagens e Dimensões da Certificações em Gestão da Qualidade; • Fatores de sucesso na Implantação de Programas Certificações em Gestão da Qualidade; • Estrutura Organizacional; • Ferramentas da Qualidade. · Conhecer a história, o perfil e as áreas de atuação do profissional; · Conhecer as principais ferramentas das certificações em gestão da qualidade; · Criticar o contexto histórico comparativamente aos métodos con- temporâneos; · Utilizar as ferramentas básicas de certificações em gestão da qualidade. OBJETIVO DE APRENDIZADO Introdução a Qualidade Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”; Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo; No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados; Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e de se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE Introdução a Qualidade Histórico, Abordagens e Dimensões da Certificações em Gestão da Qualidade Podemos dividir claramente a gestão da qualidade em antes e depois da década de 1950, isso se deve ao período pós-Segunda Guerra Mundial. Imagine a Europa e o Japão praticamente destruídos e buscando se recuperar das bombas, fábricas sendo reconstruídas e um novo fornecedor global que saiu como o grande vencedor: os Estados Unidos da América. A partir desse momento, os empresários japoneses buscavam novas formas de produção, onde seria possível usarem menos recursos e serem mais produtivos; naquele momento, a nação que possuía o maior sucesso em produção era a americana. O modelo predominante até então era conhecido como product-out, com foco prioritário na quantidade produzida e na economia de escala. Uma forte crítica para esse modelo é não enxergar as necessidades do consumidor, pois nesse cenário o mercado possuía um perfil mais comprador do que vendedor e, dessa forma, as fábricas tinham o objetivo de atender apenas às especificações técnicas dos produtos, e não eram muito interessadas em melhorias ou avanços. Até esse momento, a qualidade estava relacionada à perfeição técnica do produto, o quão grande era a capacidade da empresa em fabricar itens exatamente iguais aos projetados. Você, lendo esse parágrafo hoje, talvez não encontre muito sentido, mais imagine que, há quase um século atrás, a tecnologia não era tão avançada e muitas fases da produção dependiam da mão-de-obra humana. Joseph Juran, um dos ícones da gestão da qualidade, a partir da década de 1950, iniciou seus estudos com o objetivo de padronizar as atividades produtivas, porém sempre com foco nas necessidades dos clientes. Publicações mais recentes de Joseph Juran e Willian Deming (1990) tratam a qualidade não apenas como a perfeição técnica, mas também o grau de satisfação do cliente quanto à adequação ao produto. Veja na tabela a seguir os atributos de produtos elencados por Juran (1990) presentes no livro Gestão da Qualidade ISO 9001:2015, que usaremos como base para a construção deste material. 8 9 Tabela 1 – Atributos de produtos Desempenho técnico ou funcional: Grau com que o produto cumpre a sua missão ou função básica. Facilidade ou conveniência de uso: Inclui o grau com que o produto cumpre funções secundárias que suplementam a função básica. Disponibilidade: Grau com que o produto se encontra disponível para uso quando requisitado (por exemplo: não está “quebrado”, não se encontra em manutenção etc.). Confiabilidade: Probabilidade que se tem de que o produto, estando disponível, consiga realizar sua função básica sem falhar, durante um tempo predeterminado e sob determinadas condições de uso. Mantenabilidade (ou manutenibilidade): Facilidade de conduzir as atividades de manutenção no produto, sendo um atributo do projeto do produto. Durabilidade: Vida útil média do produto, considerando os pontos de vista técnico e econômico. Conformidade: Grau com que o produto se encontra em conformidade com as especificaçõesde projeto. Instalação e orientação de uso: Orientação e facilidades disponíveis para conduzir as atividades de instalação e uso do produto. Interface com o usuário: Qualidade do ponto de vista ergonômico, de risco de vida e de comunicação do usuário com o produto. Interface com o meio ambiente: Impacto no meio ambiente durante a produção, o uso e o descarte do produto. Estética: Percepção do usuário sobre o produto a partir de seus órgãos sensoriais. Qualidade percebida e imagem da marca: Percepção do usuário sobre a qualidade do produto a partir da imagem e reputação da marca, bem como sua origem de fabricação (por exemplo: “made in Japan”). Fonte: Carpineti e Gerolamo (2016) Importante! Perceba como os atributos dos produtos considerados na gestão da qualidade vão muito além da perfeição técnica; interface com o usuário, meio ambiente, qualidade percebida e imagem da marca são critérios voltados totalmente para a satisfação dos clientes em relação ao produto. Defi ne-se qualidade percebida a relação entre a expectativa de satisfação dos clientes e a percepção adquirida no momento do consumo, a satisfação ocorrerá quando a percepção superar a expectativa, e a insatisfação também é medida nessa hora. A gestão da qualidade passou por diversas mudanças signifi cativas de abordagens na década de 1950, onde, até então, a prática da gestão era voltada para a inspeção e o controle dos resultados dos processos de fabricação, com o objetivo de garantir as especifi cações técnicas conforme o projeto. Porém, nas décadas seguintes, uma nova dimensão foi incorporada, envolvendo toda a organização, a montante e a jusante, antes de depois de cada etapa do processo produtivo, desde a compra da matéria-prima, até a embalagem das mercadorias prontas para o embarque. Portanto, é defi nido como atividades do controle de qualidade: controle do projeto; controle do material recebido; controle do produto; e estudo de processos especiais. Importante! 9 UNIDADE Introdução a Qualidade Fatores de Sucesso na Implantação de Programas Certificações em Gestão da QualidadeAgora que você conhece um pouco sobre gestão da qualidade, está convidado para se aprofundar mais nesse assunto. Para isso, aplicaremos detalhadamente os sete princípios adotados pelo ISO 9001:2015 para conseguir a certificação dos seus processos: foco no cliente; liderança; engajamento das pessoas; abordagem do processo; melhoria contínua; tomada de decisão baseada em evidências; e gestão do relacionamento com stakeholders – que são todos os que influenciam ou são influenciados pela organização, como clientes, fornecedores, comunidade, funcionários, governo, etc. Uma preocupação que a empresa deve ter é a implantação efetiva de todos os princípios aqui listados, verificação de todos os processos e a busca incessante pela qualidade, assim os resultados virão. Como objetivo principal do sistema de gestão da qualidade encontramos [...] a redução de riscos da não conformidade no atendimento de requisitos dos clientes e a consequente melhoria da eficácia e eficiência da organização, contribuindo para com a satisfação dos stakeholders (CARPINETI; GEROLAMO 2016). Para alcançar esse objetivo, a empresa precisa desdobrar as ações cotidianas que impactam direta e indiretamente no resultado “satisfação”, gestão do rela- cionamento com as partes interessadas e a melhoria contínua. É fundamental que a liderança consiga o engajamento de todos os atores da organização nessa mesma direção, catalisar esforços para uma cultura organizacional voltada para fazer sempre o melhor, agregar valor ao produto, ao processo, à marca e às pes- soas. Uma outra fonte de vantagem competitiva inerente ao sistema de gestão da qualidade é a tomada de decisão baseada em evidências, assim os gestores conse- guirão identificar rapidamente a origem dos problemas ou “não-conformidades”, que é o habitual na linguagem de sistemas de gestão da qualidade, e traçar nova rota rumo ao sucesso. 10 11 Importante! O cliente, para o sistema de gestão da qualidade, é qualquer indivíduo interessado naquela operação, ou seja, um departamento da empresa que precise daquela informação, ou um fornecedor que aguarda o pedido, ou ainda o departamento de logística aguardando o produto para entregar ao cliente fi nal. Você Sabia? Elencaremos agora os sete princípios: Princípio 1 – Foco no cliente Você já sabe que o centro de tudo no sistema de gestão da qualidade é reduzir os riscos de não-conformidade no atendimento aos requisitos dos clientes (internos e externos), portanto, para isso, é primordial que o cliente seja ouvido, que seja possível identificar todas as suas demandas de forma clara e completa. Um erro imperdoável é usar a “obviedade ou a mediunidade”, isso é, tentar adivinhar o que o cliente deseja ou ainda acreditar na subjetividade das palavras. Um cuidado necessário é registrar cada detalhe da encomenda para o cliente. Importante! O Sistema de Gestão da Qualidade é maluco por formulários, existe um formulário para cada atividade do processo e um fl uxo devidamente registrado para cada ação dentro do processo homologado, sendo que cada atividade que fugir do fl uxo ou estiver fora da conformidade deve ser registrada e encaminhado para auditoria interna. Importante! Vale reforçar que todos da organização devem estar na mesma sintonia de aten- der os requisitos dos clientes, buscar sempre a correção dos processos e atender o que foi determinado pelo conjunto de normas internas do sistema de gestão da qualidade. Deve existir na organização um canal aberto onde todos os clientes in- ternos e externos possam registrar qualquer informação pertinente ou ainda uma inconformidade no processo, uma forma muito utilizada são os Serviços de Aten- dimento ao Cliente (SAC), uma fonte rica de informações sobre o desempenho do produto e o grau de satisfação do cliente. 11 UNIDADE Introdução a Qualidade Princípio 2 – Liderança Importante! Uma informação muito importante: a liderança é o princípio mais importante, veja o motivo: imagine você ter um processo todo definido, testado, gastou milhões com consultoria e certificação e as pessoas não estão engajadas em trabalhar dentro da conformidade. Imaginou? Pronto, todo o esforço foi para o buraco. Importante! Uma quebra de paradigma importante no princípio de liderança do sistema de gestão da qualidade é o papel do líder: influenciador, encorajador, foco no cliente, proatividade, decisão baseada em evidências, visão global dos processos, isso é, conhecer os impactos das ações em cada etapa do processo e de toda a cadeia, buscando a melhoria contínua e ainda inspirando pessoas para que sigam nessa mesma direção. Portanto, o princípio de liderança precisa estar presente desde o corpo diretivo da organização até a baixa gerência, que consegue traduzir para o cotidiano o plano estratégico e de longo prazo para metas diárias e correções rápidas de rumo, contribuindo para a clareza da função de cada colaborador e dando significado em cada atividade. Princípio 3 – Engajamento das pessoas Pessoas bem lideradas são engajadas? Para responder a essa pergunta, vamos entender o que é engajamento das pessoas! É de claro entendimento que mesmo com regras rígidas de horários, contro- le de desempenho, forte supervisão ou fiscalização das atividades, nada disso substitui o espírito de colaboração das pessoas, identificação com o propósito, sentimento de pertencimento, doação por uma causa,; nesse momento, o salário será o menor atrativo. A empresa que entende que as pessoas são seu maior “ativo,” ou seja, seu maior patrimônio, mesmo que imaterial, conseguirá traduzir esse sentimento em ações de engajamento das pessoas para uma melhor entrega em prol da organização. Porém, não só de engajamento viverá o homem, são necessárias também diversas ferramentas de trabalho, capacitações, métodos de como realizar de forma adequada cada atividade, acompanhamento das rotinas e constantes medições avaliativas para posteriores correções. 12 13 Princípio 4 – Abordagem por processos Em primeiro lugar, precisamos ver o que é um processo: consiste em uma atividade ou um grupo de atividades que transformam entradas (input) em saídas (output), ou seja, ocorre uma transformação, uma matéria-prima será transformada em produto acabado, ou um dado se transformará em informação, por meio da agregação de valor ao produto, uma condição que a empresa, com a sua experiência, poderá dar ao item adquirido pelo cliente. Veja na imagem a seguir alguns exemplos simples de processos: Atividades envolvidas em pesquisa, projeto, engenharia e liberação para fabricação. Desenvolvimento de Produtos Conceito Lançamento Da chegada de um pedido, até o cliente ter recebido e pago pelo produto. Produção Pedido Pagamento Atividades relacionadas a serviços pós-venda incluindo recolhimento do produto. Serviço ao Cliente Entrega Fim de Uso/Descarte Pesquisa & Desenvolvimento Produção Marketing & Vendas Compras Figura 1 – Processos de negócio envolvendo diferentes áreas funcionais Fonte: Adaptado de Carpineti e Gerolamo (2016) Perceba como diversos processos dependem das mesmas áreas de suporte, como: pesquisa e desenvolvimento, produção, marketing, vendas, compras, todas em uma mesma linha interna de geração de valor. Com a organização das áreas contribuindo com todos os processos operacionais, ocorre a diminuição, ou até a eliminação, das barreiras entre departamentos, trazendo ganhos diversos de eficiência para a organização. Princípio 5 – Melhoria Contínua Esse princípio é tão importante que recomendamos que você o adote para a sua vida: que tal melhorar um pouquinho todos os dias? Ou, cada vez que fizer uma atividade, verificar como fazê-la melhor, mais rápida ou de forma mais barata? 13 UNIDADE Introdução a Qualidade Agora, aplicando na empresa, esseprincípio de melhoria contínua possui o objetivo de reduzir os riscos de não-conformidade no atendimento de requisitos aos clientes. Ainda na fase de planejamento, já se deve considerar a melhor forma de conduzir os processos e as atividades, não esquecendo de três bases: custo, qualidade e velocidade. Ao término da fase de testes e planejamento, os procedimentos podem ser padronizados, isso é, documenta-se todas as etapas por meio de fluxogramas bem detalhados, em que qualquer pessoa com o mínimo de instrução conseguirá repetir as atividades. Quando se estabelece um modo padrão, único, de realizar qualquer atividade ou operação, a variabilidade é diminuída, a previsibilidade é aumentada e reduzem-se as chances de não-conformidade. Porém, mesmo com o padrão defini- do, não-conformidades podem ocorrer, sendo papel da gerência e da auditoria in- terna localizar a fonte do problema e corrigi-lo imediatamente, com treinamentos, ferramentas adequadas ou mesmo com a melhoria do padrão do processo. Os japoneses utilizam o termo kaizen para definir a melhoria contínua, mas um modelo amplamente utilizado é o PDCA (do inglês: PLAN - DO - CHECK - ACT ou ADJUST). Os autores Carpineti e Gerolamo (2016) trazem uma proposta interessante de unir o PDCA com o Método de Análise e Solução de Problemas (MASP), veja a seguir: Tabela 2 – Etapas do método de análise e solução de problemas (MASP) PDCA Fluxograma Fase Objetivo P 1 Identificação do problema Definir claramente o problema e a necessidade da melhoria (priorização) 2 Observação Investigar as características específicas do programa 3 Análise Descobrir as causas fundamentais do problema (causas raízes) 4 Plano de Ação Conceber um plano para bloquear as causas fundamentais D 5 Ação Bloquear as causas fundamentais C 6 Verificação Verificar se o bloqueio foi efetivo ? (Bloqueio foi efetivo) A 7 Padronização Previnir contra o reaparecimento do problema 8 Conclusão Documentar todo o processo para recuperação futura Fonte: Carpineti e Gerolamo (2016) Conforme demonstrado na tabela apresentada, a fase de planejamento inclui 4 partes: identificação do problema, observação, análise e plano de ação; ainda no campo das ideias, aqui já é possível ensaiar possibilidades de testar as variáveis, modelos e protótipos. 14 15 Na segunda fase, temos a ação: bloquear as causas fundamentais, aqui já estamos implementando o que foi planejado. Na terceira fase verificação, o verbo não pode ser outro: verificamos se o bloqueio foi efetivo, isso é, se o problema foi sanado. Caso o bloqueio não tenha sido efetivo, voltamos para a fase de planejamento: observação. Na quarta fase, após o sucesso da solução implementada e verificada (fases 2 e 3), iniciamos o processo de: padronização, prevenindo-se contra o ressurgimento do problema, e concluímos com a documentação completa dessa solução e integração ao processo já existente. Willian Deming, também muito importante na gestão da qualidade no período de 1950, amplamente reconhecido e influente, chegou a palestrar para diversos empresários Japoneses, onde o foco de seus ensinamentos estava nos aspectos gerenciais, e não apenas nos técnicos, na busca da qualidade produtiva. Deming enfatizava a necessidade de mudar a cultura organizacional e os princípios de gestão de recursos humanos. Veja os vídeos no YouTube que tratam do Total Quality Management (TQM), ou Gestão Total da Qualidade, que serve de inspiração para o controle de qualidade de empresas em todo o mundo. Ex pl or Principio 6 – Decisão baseada em evidências Para conseguirmos um processo de melhoria contínua efetivo, é fundamental o uso de evidências, dados e fatos, portanto, a ordem é entender para atender, especialmente na fase de priorização de problemas e identificação de causas- raiz. Essas evidências também são partes do ciclo de melhoria contínua PDCA, considerado como abordagem científica para a tomada de decisão. Identificar máquinas com baixa produtividade, que estão sempre precisando de manutenção, ver tempos e movimentos da produção, checar lotes de produtos ao término da produção, avaliar a qualidade dos insumos entregues pelo fornecedor, realizar pesquisa de clima organizacional periodicamente, criar fórum de diálogo com os colaboradores, incentivar o PDCA em toda a organização, criar ferramentas de registros das atividades e não-conformidades que usem tecnologia, pois não dá mais para usar papel. Conheça um pouco de lean manufacturing na fi losofi a japonesa conhecida como Muda, Mura e Muri: https://youtu.be/ydQrflFSADs.Ex pl or 15 UNIDADE Introdução a Qualidade Princípio 7 – Gestão de Relacionamento O último princípio, mas não menos importante, a conquista de um bom relacionamento com os stakeholders, ou seja, as partes interessadas, reduz e muito o risco de não-conformidades nas operações de produção. O engajamento das pessoas em contribuir para uma qualidade superior, respeitando as normas e os processos já definidos e alertando as áreas competentes para possíveis não- conformidades, aumenta a segurança das operações diárias, assim agregando valor para o produto. Estrutura Organizacional “A ISO 9001:2015 estabelece que a alta gerência deve assegurar que sejam delegadas responsabilidade e autoridade a algumas pessoas com papéis relevantes para a implementação e a manutenção do sistema da qualidade” (CARPINETI; GEROLAMO, 2016, p. 68). Imagine que cada processo certificado dentro do sistema de gestão da qualidade possui uma documentação específica, desde o detalhamento de cada atividade, o passo a passo de como e quando fazer, descrição das funções de cada colaborador e do líder do processo – nesse caso, uma pessoa ou área delegada pela alta gerência da organização. A alta gerência e seus representantes precisam assegurar que: o sistema de gestão da qualidade implementado pela empresa atenda aos requisitos da ISO 9001:2015; esses processos implementados estejam de acordo com o estabelecido e gerem resultados positivos; todo o desempenho do sistema de gestão da qualidade seja reportado à alta gerência, inclusive falhas, oportunidades de melhoria e necessidades de mudança ou inovação; foco no cliente em todas as atividades; que seja mantida a integridade do sistema de gestão da qualidade quando houver mudanças nos processos. Padronização e o Gerenciamento de Rotina Lembrando dos objetivos principais dos sistemas de gestão da qualidade: reduzir as não-conformidades e atender aos requisitos solicitados pelos clientes, para isso veja os seguintes pontos que são exigidos pela norma ISO 9001:2015: a) informações documentadas sobre as especificações técnicas que descrevam as características do produto, serviço ou atividades a serem executadas. Informação documentada sobre o resultado esperado. Por exemplo: faixas de tolerância aceitáveis e níveis de qualidade (ou PPM) aceitáveis; b) disponibilidade e uso de equipamentos adequados para monitoramento e medição dos resultados do processo; 16 17 c) implementação de instruções de trabalho para a realização de atividades de monitoramento e medição em determinados estágios do processo de produção, para verifi car se o processo está em controle e gerando resultados adequados segundo os critérios de aceitação; d) infraestrutura e ambiente de operação adequados; e) defi nição de pessoas competentes, com qualifi cações necessárias para executar as operações de produção; f) procedimentos de validação e revalidação periódicos do processo quando o resultado da produção não puder ser verifi cado por inspeção ou monito- ramento posterior. Por exemplo: em operações de soldagem, a inspeção posterior, ainda que usando recursos sofi sticados, é limitada e não conse- gue avaliar completamente o resultado de produção. Numa situação como essa, a organizaçãodeve ter implementado procedimentos de validação do processo; g) implementação de atividades ou mecanismos para prevenir erros. Uma práti- ca bastante difundida em gestão da qualidade são os Poka yokes, ou, em uma tradução não literal, “dispositivos à prova de falha”. Pode ser um dispositivo usado numa linha de produção – por exemplo: um dispositivo de fi xação de uma peça na máquina que impede a montagem da peça de um jeito que não seja o correto. Ou pode ser um procedimento de operação: um checklist ou qualquer outra instrução que elimine a chance de erro do operador; h) implementação de atividades para a liberação, entrega e pós-entrega. Analise como é minuciosamente detalhada a operação certificada pela ISO 9001:2015, desde a alta gerência até o chão de fábrica, para que todos os proce- dimentos ocorram conforme estabelecidos pela norma e, ao mesmo tempo, gerem resultados positivos e atendam às expectativas dos clientes. Após a implementação e os testes, é necessário que esses procedimentos aprovados sejam consolidados em um procedimento operacional padrão (POP). Assim, com essa padronização, objetiva-se garantir que o procedimento da operação seja único. Porém, toda vez que se observar uma melhoria na qual seja possível a substituição, esse POP preci- sará ser atualizado. Etapas para solução de problemas É obrigação da empresa certificada identificar e separar os itens que apresen- taram não-conformidade para evitar um uso não intencional ou a entrega indevi- da do produto. A ISO 9001:2015 recomenda que a organização tome medidas apropriadas, dependendo do tipo de não-conformidade. A mesma medida deve ser tomada quando identificar a falha após a entrega do produto para o cliente, como normalmente ocorre no processo de recall – que é quando a fábrica identifica uma falha grave e solicita aos clientes que retornem para uma unidade autorizada para reparo ou substituição do item defeituoso. 17 UNIDADE Introdução a Qualidade Os pontos a seguir precisam ser considerados para a solução de problemas: a) tomada de ações corretivas, para eliminar a não conformidade detectada; b) segregação, contenção, recolhimento ou interrupção do fornecimento de produtos e serviços; c) comunicação ao cliente sobre as não conformidades; d) obtenção de autorização para aceitação sob concessão. A ISO 9001:2015 requer que produtos não conformes que passem por retrabalho sejam reinspecionados para se garantir conformidade com as especificações do produto. A norma estabelece ainda que sejam manti- dos registros sobre as não conformidades (CARPINETI; GEROLAMO, 2016, p. 131). Veja um modelo de relatório de não conformidade: Tabela 3 – Modelo de relatório de não conformidade Relatório de Não Conformidade Título: Emitido: Elaborado por: Número: Aprovado por: Revisão Data: Solicitante: Não conformidade de produto? Não conformidade de processo? Descrição da não conformidade: Análise da causa da não conformidade: Responsável – Área causa: Ação imediata: Necessita ação corretiva? Necessita ação preventiva? Observações: Fonte: Carpineti e Gerolamo (2016, p. 131) Ao identificar a falha, o operador deve imediatamente comunicá-la à supervisão da operação e registrar no relatório de não-conformidade para providências imediatas – dependendo da gravidade da falha, será necessário interromper a produção. 18 19 Ferramentas da Qualidade Diversas ferramentas podem ser usadas para auxiliar o sistema de gestão da qualidade. Das mais conhecidas, apresentaremos o programa 5S, baseado na filosofia japonesa e difundido pelo Sistema Toyota de Produção. Esse programa se baseia em 5 princípios fundamentais com o objetivo de racionalizar o ambiente de trabalho. O programa se adequa para empresas de qualquer porte, pois exige o mínimo em investimento, e a principal mudança é a de hábitos e cultura e pode trazer ganhos significativos em termos de ambiente de trabalho para a organização, eficiência e eficácia no atendimento dos requisitos dos clientes. Confira aqui os cinco princípios do programa 5S: Tabela 4 Seiri Selecione Implica em selecionar os materiais, as ferramentas e os equipamentos que são de uso recorrentes dos que são utilizados esporadicamente, e ainda os que nunca são utilizados, mantendo na área de trabalho somente os recursos que são realmente necessários – por exemplo: ferramentas de uso diário. Seiton Arrume Organização é o segredo do sucesso. Após selecionar os materiais e seus respectivos lugares, é necessário organizar os materiais de acordo com o seu uso e tipo, etiquetar também é um diferencial, pois reduz o tempo dos colaboradores na procura por esses itens. Seiso Limpe Manter limpo é melhor do que limpar sempre, ou seja: sujou limpou. Cada trabalhador é responsável pela limpeza da sua estação de trabalho, o objetivo é reduzir os custos com manutenção das máquinas devido à sujeira acumulada, o que faz a produtividade ganhar com o espaço exclusivo para a produção. Seiketsu Padronize Manter constantemente os 3 primeiros S, manter o local de trabalho limpo e organizado sempre. Shitsuke Mantenha Conquistar uma mudança de cultura organizacional onde todos os trabalhadores adotem a filosofia do 5S como prática habitual. Fonte: Elaborado pelo autor Outra ferramenta muito utilizada é o Seis Sigma, programa de melhoria surgido na Motorola nos anos 1980. Em 1987, a Motorola ganhou o prêmio Malcom Baldrige de excelência em qualidade. O Seis Sigma tem por objetivo a redução de desperdícios da não qualidade e consequentemente a redução de custos e a melhoria no atendimento de requisitos de clientes, como qualidade de produto e confiabilidade da entrega. O nome do programa, Seis Sigma, faz referência ao nível de capabilidade de processos. Ou seja, um processo Seis Sigma é aquele cuja variabilidade do resultado, medida em unidades de desvio-padrão, sigma, corresponde a um duodécimo da variação máxima aceitável, definida na especificação de 19 UNIDADE Introdução a Qualidade projeto do produto para variação do resultado em torno do valor nominal. Por exemplo, considere um processo de enchimento de pacote de sabão em pó, com quantidade nominal de 1.000 g cujo máximo de variação aceitável para esse conteúdo seja de mais ou menos 15 g; portanto, de 985 a 1.015. Se o processo tiver um nível de capabilidade Seis Sigma, isso significa que o desvio-padrão do processo, sigma, calculado a partir dos resultados gerados pelo processo, corresponde a no máximo 2,5 g (CARPINETTI, 2016, p. 138). Existem diversas ferramentas de qualidade que podem ser utilizadas para a melhoria dos processos em uma organização, ou até a combinação de várias delas, porém é importante sempre manter o foco em atender os requisitos dos clientes. 20 21 Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos O que é ISO 9001 e por que certificar minha empresa? Uma breve explicação do que é ISO 9001, a organização e as certificações possíveis para as empresas participantes. https://youtu.be/lhnO-sAuiUo Requisitos da Norma ABNT NBR ISO 9001:2015 Uma rápida explicação lúdica sobre os requisitos e abordagens da norma ISO 9001:2015 para as organizações que desejam o certificado. https://youtu.be/gdGTNsG1qVY A metodologia do Seis Sigma Conheça o programa de sucesso desenvolvido na Motorola na década de 1980 para a excelência operacional. https://youtu.be/IjLbr-75KLM Vídeo 5S Conceitos e Metodologia Uma breve explicação sobre o programa 5S baseado na organização e disciplina japonesa. https://youtu.be/jYuPCDlVGS8 21 UNIDADE Introdução a Qualidade Referências CARPINETTI, L. Gestão da qualidade: conceitos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. CARPINETTI, L; GEROLAMO, M. Gestão da qualidadeISO 9001:2015: requisitos e integração com a ISO 14001:2015. São Paulo: Atlas, 2016. DEMING, W. E. Qualidade: a revolução da administração. São Paulo: Saraiva, 1990. JURAN, J. M. Planejando para a qualidade. São Paulo: Pioneira, 1990. MONDEN, Y. Sistema Toyota de produção: uma abordagem integrada ao just- -in-time. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2015. 22