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1 E. E. CIDADE DE HIROSHIMA BIOGRAFIA SOBRE ERVING GOFFMAN SÃO PAULO/ 2019 2 BIOGRAFIA SOBRE ERVING GOFFMAN Aluna: Ana Paula Silva 3 ERVING GOFFMAN - foi um cientista social, antropólogo, sociólogo e escritor canadense. Foi considerado "o sociólogo norte- americano mais influente do século XX"; VIDA Goffman nasceu em 11 de junho de 1922, em Mannville, Alberta, Canadá, filho de Max Goffman e Anne Goffman, née Averbach . Ele era de uma família de judeus ucranianos que haviam emigrado para o Canadá, na virada do século. Ele tinha uma irmã mais velha, Frances Bay, que se tornou uma atriz. A família mudou-se para Dauphin, Manitoba, onde seu pai operava um negócio de costura bem sucedido. Em 1952, casou-se com Angelica Choate; em 1953, seu filho Thomas nasceu. Angélica sofria de doença mental e suicidou-se em 1964. Fora de sua carreira acadêmica, Goffman era conhecido por seu interesse, e relativo sucesso, no mercado de ações e em jogos de azar. Em 4 certo ponto, em busca de seus hobbies e estudos etnográficos, ele se tornou chefe de equipe em um casino em Las Vegas. Em 1981, casou-se novamente, agora com a sociolingüista Gillian Sankoff. No ano seguinte, sua filha Alice nasceu. Em 1982, Goffman morreu na Filadélfia, Pensilvânia, no dia 19 ou 20 de Novembro (fontes variam), de câncer de estômago. Alice Goffman também é socióloga. TRAJETÓRIA ACADÊMICA Goffman era um notável observador dos encontros sociais, ao mesmo tempo em que, pessoalmente, demonstrava falta de vontade de lidar com as convenções sociais e regras típicas da interação humana. No livro “Goffman Unbound!”[11](2006), de Thomas Scheff - sociólogo e ex-aluno de Goffman – é documentado como ele se aproveitava de meras conversas cotidianas para testar as pessoas e suas reações, um comportamento que segundo Scheff e atestado por amigos e colegas, sugeria estar Goffman sempre “trabalhando”. Essa atenção aos menores detalhes da prática humana está muito clara em seus escritos. Goffman, com uma perspicaz habilidade observacional, dá atenção aos detalhes que costumam passar batido, ao que normalmente não é notado. Surpreendentemente, a opinião acadêmica sobre o autor é dividida. Os simpáticos a ele ressaltam o criativo e perspicaz vocabulário que seu trabalho fornece para a compreensão dos encontros sociais. Por outro lado, os “críticos” veem em sua sociologia não convencional um estilo de análise “não sistemático”. A despeito das divergências, é inegável a contribuição de Goffman para as ciências sociais, principalmente no que se refere a temas como o “eu”, emoções, civilidade e resistência. Erving Manual Goffman se graduou na “St. John’ Technical High School, em Dauphin. No mesmo ano, 1939, ingressou na “University of Manitoba”, para estudar Química. Em 1943, seus interesses mudaram e, em detrimento de Manitoba, Goffman optou por se mudar para Toronto onde trabalhou no “National Film Board of Canada”. Lá teve contato com Dennis Wrong, um sociólogo que o incentivou a retomar os estudos. Goffman o fez agora na área de sociologia e pela “University of Toronto”. Em 1945, Goffman se mudou novamente, agora para ingressar como pós-graduando no famoso departamento de sociologia da “University of Chicago”, onde teve contato com notáveis como Everett Hughes e Herbert Blumer, influências posteriores no trabalho de Goffman. Com o mestrado completo, foi lá mesmo que ele continuou seus estudos, ingressando no doutorado. Sua dissertação adveio de um notável 5 trabalho sobre a interação social entre nativos e visitantes da remota ilha de Unst nas “Ilhas Shetland” e foi publicado como a monografia “A Representação do Eu na Vida Cotidiana”, um livro que representa a fundação do pensamento de Goffman. Foi em 1958, como professor assistente do Departamento de Sociologia da “University of California” em Berkeley que Goffman iniciou sua carreira na docência, e com ela, um período de grande produtividade. A edição revisada e expandida de “A Representação do Eu na Vida Cotidiana” ganhou o “Maclver Award” de 1961 como melhor livro de sociologia da americana, o que deu grande destaque ao autor. Logo em seguida ocorreu a publicação de “Asylum” (traduzido como “Manicômios, prisões e conventos”), e “Stigma” (traduzido como “Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada”) dois dos mais famosos livros de Goffman. Além dos dois livros, o primeiro publicado em 61 e o segundo em 63, nesse período o autor publicou também “Encounters”(1961) e “Behavior in Public Places”(1963). As cincos obras projetaram Goffman internacionalmente. Foi nesse contexto que, em 1968, recebeu o convite – aceito - para a “Benjamin Fraklin Chair” de Antropologia e Sociologia na “University of Pennsylvania”. Continuou com suas publicações, apresentando “Interaction Ritual” (1967); “Strategic Interaction” (1969); “Relations in Public”(1971) e “Frame Analysis” (1974). Mais tarde, ainda publicou “Gender Advertisements”(1979) e “Forms of Talk”[ (1981) abordando sociolinguística e questões de gênero. A incorporação dessa nova dimensão à sua obra é influência de seu contato estreito com o Departamento de Linguística da própria “University of Pennsylvania” e com a “Annenberg School of Comunication”. Em 1982, Gofffman foi presidente da Associação Americana de Sociologia até que, em novembro do mesmo ano, um câncer no estômago o levou à morte. CARREIRA A pesquisa que Goffman tinha feito em Unst o inspirou a escrever sua primeira grande obra, “A Representação do Eu” (1956). Depois de se formar pela Universidade de Chicago, em 1954-57 foi assistente para o diretor de esportes do Instituto Nacional de Saúde Mental, em Bethesda, Maryland. A observação advinda da participação o instituto o levou a escrever seus ensaios sobre a doença mental e instituições totais, que veio a formar o seu segundo livro, “Asylums: Essays on the Social Situation of Mental Patients and Other Inmates” (1961). 6 Em 1958, tornou-se um membro do corpo docente do departamento de sociologia da Universidade da Califórnia, em Berkeley, primeiro como professor visitante, em seguida, a partir de 1962 como professor titular. Em 1968, ele mudou-se para a Universidade da Pensilvânia, recebendo a “Benjamin Franklin Chair” em Sociologia e Antropologia, em grande parte devido aos esforços de Dell Hymes, um ex-colega de Berkeley. Em 1969, ele tornou-se membro da Academia Americana de Artes e Ciências. Em 1970, tornou-se um co- fundador da Associação Americana para a Abolição da Hospitalização Mental Involuntária [16] e co-autor de sua Declaração de Plataforma. Em 1971, ele publicou “Relations in Public”, no qual ele amarra muitas de suas ideias sobre a vida cotidiana, vista de uma perspectiva sociológica. Outro grande livro dele, Frame Analysis, saiu em 1974. Ele recebeu uma bolsa da Fundação Guggenheim para 1977-1978. Em 1979, recebeu o Prêmio “Cooley- Mead” para acadêmico distinto, a partir da seção de Psicologia Social da American Sociological Association. Ele foi eleito o 73ª presidente da American Sociological Association, servindo em 1981-82; no entanto, foi incapaz de realizar o discurso presidencial em pessoa devido à progressão da doença. Postumamente, em 1983, ele recebeu o Prêmio “Mead” da Sociedade para o Estudo da Interação Simbólica. PRIMEIRAS OBRAS Os primeiros trabalhos de Goffman consistemem seus escritos na pós-graduação de 1949- 1953. Sua tese de mestrado foi um levantamento das respostas do público para uma novela de rádio, “Big Sister”. Um dos seus elementos mais importantes era uma crítica de sua metodologia de pesquisa - da lógica experimental e de análise das variáveis. Outros escritos do período incluem “Symbols of Class Status” (1951) and “On Cooling the Mark Out” (1952) sua tese de doutorado, “Communication Conduct in an Island Community” (1953), apresentou um modelo de estratégias de comunicação na interação face-a-face, e se concentrou em como todos os dias, rituais de vida afetam projeções públicas de si mesmo. 7 OCUPAÇÕES Em sua carreira, Goffman trabalhou: “University of Chicago”, Departamento de Ciências Sociais, Chicago: assistente, 1952–53; associado, 1953–54; “National Institute of Mental Health”, Bethesda, Maryland: Cientista Visitante, 1954– 57; “University of California”, Berkeley: Professor assistente, 1957–59; Professor, 1959– 62; Professor de sociologia, 1962–68; “University of Pennsylvania”, Philadelphia: Como professor, ocupando a cadeira “Benjamin Franklin” de Antropologia e Sociologia, 1969–82. CONTRIBUIÇÃO TEÓRICA Estudou a interação social no dia-a-dia, especialmente em lugares públicos, principalmente no seu livro A Representação do Eu na Vida Cotidiana, no qual desenvolve a ideia que mais identifica a sua obra: o mundo é um teatro e cada um de nós, individualmente ou em grupo, teatraliza ou é ator consoante as circunstâncias em que nos encontremos, marcadas por rituais e posições distintivas relativamente a outros indivíduos ou grupos. Já em Estigma - Notas sobre a manipulação da identidade deteriorada (Stigma: Notes on the Management of Spoiled Identity), [5] reexamina os conceitos de estigma e identidade social, o alinhamento grupal e a identidade pessoal, o eu e o outro, o controle da informação, os desvios e o comportamento desviante, abordando a "comunidade dos estigmatizados", constituída por aqueles considerados como "engajados numa espécie de negação coletiva da ordem social" - boêmios, delinqüentes, prostitutas, ciganos, malandros de praia, mendigos e até mesmo os músicos de jazz. Para Goffman, o desempenho dos papeis sociais tem a ver com o modo como cada indivíduo concebe a sua imagem e pretende mantê-la. Abordou também com especial atenção o que chamava de "instituições totais", estudando lugares onde o indivíduo era isolado da sociedade, tendo todas as suas atividades concentradas e normalizadas - como as prisões, os hospitais psiquiátricos, os conventos e algumas escolas internas. No campo da linguagem, Erving Goffman contribui com o estudo da interação humana, introduzindo o conceito de footing, isto é, o "alinhamento, a postura, a posição, a projeção do 'eu' de um participante na sua relação com o outro, consigo próprio e com o discurso em construção." Goffman tem um importante papel na antipsiquiatria e no movimento antimanicomial no Brasil, graças à suas considerações sobre a função social da psiquiatria em nossa sociedade. Goffman aplicou ao estudo da civilização moderna os mesmos métodos de observação da antropologia cultural: assim como, nas sociedades indígenas, há ritualizações, que 8 permitem distinguir indivíduos e grupos, também nas sociedades contemporâneas. A origem regional, a pertença a uma classe social ou quaisquer outras categorias se marcam por ritualizações que distinguem indivíduos e grupos, tomando por exemplo pequenos aspectos, como as formas de vestir ou de se apresentar publicamente. Goffman considera a interação como um processo fundamental de identificação e de diferenciação dos indivíduos e grupos. De resto, estes não existem isoladamente: só existem e procuram uma posição de diferença pela afirmação, na medida em que, justamente, são "valorizados" por outros. BIBLIOGRAFIA Site: https://Pt.Wikipedia.Org/Wiki/Erving_Goffman#Vida Dicionário De Sociologia, (2004). 1ª Ed. Porto, Portugal: Porto Editora, ISBN 972-0- 05273-2.Magill's Guide To 20th Century - Authors (1997) Salem Press, Pasadena, CA. GOFFMAN, Erving. A Representação Do Eu Na Vida Cotidiana. 14ª Ed., Editora Vozes, Petrópolis, 2011 HAYWARD, Keith.; MARUNA, Shadd; MOONEY, Jayne. Fifty Key Thinkers In Criminology. Routledge, New York, 2010. SCHEFF, Thomas J. Goffman Unbound!: A New Paradigm For Social Science (The Sociological Imagination). Editora Hardcover, 2006. GOFFMAN, Erving. Manicômios, Prisões E Conventos. Tradução De Dante Moreira. Leite. 7ª Edição. São Paulo: Editora Perspectiva, 2001. GOFFMAN, Erving. Estigma: Notas Sobre A Manipulação Da Identidade Deteriorada, Rio De Janeiro, Editora LTC, 1988. SHECAIRA, S. S. . Criminologia. 2ª. Ed. São Paulo: Revista Dos Tribunais, 2008.