Noções Prévias de Fiscalização de Projetos e Obras (Módulo 1)
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Noções Prévias de Fiscalização de Projetos e Obras (Módulo 1)


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Noções Prévias de Fiscalização de Projetos e Obras
1.1. Qual é o conhecimento básico necessário aos profissionais que atuam
no preparo do instrumento convocatório, do contrato e na fiscalização? \u2013
Parte 1
Ao final deste tópico, o aluno será capaz de:
\uf0b7 Relacionar qual é a legislação vinculada aos processos licitatórios, aos contratos
e à fiscalização;
\uf0b7 Perceber a importância de cada uma das leis aplicadas aos temas.
Seja bem-vindo ao curso de Fiscalização de Projetos e Obras de Engenharia! Durante o
seu desenvolvimento, você terá contato com vários temas relacionados a essas duas
importantes ações do servidor público que atua na área. Com o objetivo de encaminhar
as atividades do curso de maneira didática, iniciaremos, neste Módulo 1, com a
apresentação e a introdução de alguns conceitos importantes. Certamente, prezado(a)
aluno(a), muitos dos conceitos que serão aqui desenvolvidos já são do seu
conhecimento, ou mesmo domínio. Outros, no entanto, podem ser novos, e serão aqui
apresentados. Para que possamos atender inclusive aqueles alunos que não têm
conhecimento aprofundado no tema, essa ação de apresentação dos conceitos ganha
grande importância e será constaFnte até o final do curso. Assim, desejamos a você uma
excelente experiência, e que comecemos os trabalhos!
No âmbito da Administração Pública, as atividades de fiscalização de projetos e obras
apresentam uma particularidade, se considerarmos o desempenho dessas mesmas
atividades no âmbito da iniciativa privada. Trata-se da preparação da contratação,
amparada em normativas legais específicas, e o seu resultado com a publicação de um
edital. Compare e veja que na esfera pública as contratações são muito mais demoradas
do que aquelas da iniciativa privada.
O edital, como peça fundamental para as contratações de projetos e obras, é o
instrumento que norteará a relação entre a Administração Pública e a proponente (dos
serviços), e dele fará parte a minuta do contrato, como um dos seus anexos, quando das
modalidades de licitação Concorrência e Tomada de Preços, ou Dispensa de
Licitação e Inexigibilidade (BRASIL, 1993, arts. 40 e 62)1. O regime jurídico para tais
contratos, conforme a Lei n° 8.666/1993, confere à Administração Pública a
prerrogativa de modificá-los unilateralmente para a melhor adequação às finalidades do
interesse público, respeitados os direitos do contratado.
Para as demais modalidades, o contrato é facultativo, podendo ser substituído por carta-
contrato, nota de empenho de despesa ou ainda ordem de execução de serviço.
É muito importante que os profissionais que atuam nessas áreas detenham um conhecimento
básico de legislação relativa à elaboração de editais. A preparação desse instrumento
convocatório deve obedecer às inúmeras normativas, muitas em constante atualização, devendo
a sua redação ser correta e atualizada, visto que esse será o principal documento da relação
contratante/contratado, servindo de referência legal durante todo o período da contratação. O
edital, como é o principal elemento que solucionará impasses e esclarecerá dúvidas, se
incorreto, perderá o seu propósito, inclusive dando oportunidade para contestações judiciais,
caso não esteja bem elaborado ou redigido de forma clara, coesa e obedecendo fielmente à
legislação vigente.
1.1. Qual é o conhecimento básico necessário aos profissionais que atuam
no preparo do instrumento convocatório, do contrato e na fiscalização? \u2013
Parte 2
Recentemente, a Instrução Normativa (IN) n° 05, de 25 de maio de 2017, da Secretaria
de Gestão do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (Seges/MP),
determinou a obrigatoriedade do gerenciamento de riscos para as contratações públicas,
com a elaboração de mapas de riscos, juntados aos autos dos processos em algumas
etapas da licitação, entre elas ao final da elaboração do Termo de Referência ou Projeto
Básico.2 Já a Portaria n° 389, de 23 de agosto de 2017, do Ministério da Fazenda (MF),
determina que devam ser adotadas as minutas padronizadas da Procuradoria-Geral da
Fazenda Nacional (PGFN) na elaboração de instrumentos de contratação pública de
serviços, como projetos ou execução de obras pelos órgãos do MF. Essa determinação
foi acatada com a edição da Portaria da Receita Federal do Brasil (RFB) nº 2.363, de 6
de julho de 2017.
Outro aspecto importante é a observação ao Decreto nº 7.746, de 5 de junho de 2012,
que regulamenta o art. 3° da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, para estabelecer
critérios, práticas e diretrizes para a promoção do desenvolvimento nacional sustentável
nas contratações realizadas pela Administração Pública Federal, e institui a Comissão
Interministerial de Sustentabilidade na Administração Pública (Cisap), e ao Decreto nº
9.178, de 23 de outubro de 2017, que o atualiza. Complementa o mesmo tema a IN da
Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão (SLTI/MP) nº 01, de 19 de janeiro de 2010, que dispõe sobre os
critérios de sustentabilidade ambiental na aquisição de bens, contratação de serviços ou
obras pela Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional, e dá outras
providências.
A Lei nº 8.666/1993 determina os elementos mínimos necessários à composição de um
edital. No seu art. 40 estão as principais exigências para a sua elaboração:
Preste muita atenção nos três pontos desse artigo (acima em negrito), os quais devem ter
a sua total atenção como fiscal do contrato.
O primeiro refere-se à previsão legal de que seja parte integrante do edital ao menos o
Projeto Básico do objeto (no caso em estudo, obras ou serviços de engenharia), com a
relação completa dos seus elementos (pranchas de desenho, especificações técnicas e
tantos outros elementos necessários ao entendimento do objeto). Você encontrará um
estudo mais aprofundado dessa relação no tópico 1.1.2 e no Módulo 2.
O segundo ponto refere-se à necessidade de que conste do edital o orçamento estimado
em planilhas de quantitativos e custos unitários.
Este orçamento é uma responsabilidade da Administração, e servirá como uma
referência para o preço de venda que se deseja para o objeto a ser contratado.
Isso não impede, no entanto, que as licitantes apresentem valores diferentes para os
custos unitários em relação àqueles demonstrados na planilha referencial da
Administração, advindos de sistemas de custos de referência. Essa possibilidade deve
respeitar, porém, regras definidas nos diversos Acórdãos do Tribunal de Contas da
União (TCU) sobre o tema e determinações que constarão do próprio edital.
O preço global da etapa não deverá ser excedido, ainda que os seu custos unitários
formadores sejam distribuídos de forma diferente, ou que sejam diferentes
daqueles obtidos a partir dos sistemas de custos de referência previstos no Decreto
nº 7.983/2013, assunto que estudaremos no Módulo 3.
1.1. Qual é o conhecimento básico necessário aos profissionais que atuam
no preparo do instrumento convocatório, do contrato e na fiscalização? \u2013
Parte 3
O terceiro ponto refere-se à inclusão, nesse artigo, da obrigatoriedade de que conste no
edital a minuta do contrato. Essa determinação advém do fato de que os contratos
administrativos são contratos de adesão, já que as suas cláusulas são estabelecidas
unilateralmente pela Administração. 
O licitante (ou contratado), ao participar da licitação, demonstra aceitar as condições do
contrato, cuja minuta estará anexa ao edital. Esse simples comando legal servirá de base
de argumentação em eventuais discussões futuras acercas das obrigações e dos direitos
do contratado, assunto ao qual nos dedicaremos no Módulo 4.
Já o art. 41 da Lei nº 8.666/1993 define que o edital é peça