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Ana Amélia Neri Oliveira O esporte como instrumento de inclusão social: um estudo na Vila Olímpica do Conjunto Ceará Fortaleza - CE 2007 OLIVEIRA, Ana Amélia Neri. O esporte como instrumento de inclusão social: um estudo na Vila Olímpica do Conjunto Ceará. Fortaleza, 2007. 93 p. Monografia (Especialização) – Universidade de Brasília. Centro de Educação à Distância, 2007. 1. Esporte 2. Inclusão social 3. Política Pública 4. Esporte de Rendimento Ana Amélia Neri Oliveira O esporte como instrumento de inclusão social: um estudo na Vila Olímpica do Conjunto Ceará Monografia realizada como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Esporte Escolar, pelo Centro de Educação a Distância, da Universidade de Brasília. Orientador: Professor Nicolino Trompieri Filho Fortaleza - CE 2007 Ana Amélia Neri Oliveira O esporte como instrumento de inclusão social: um estudo na Vila Olímpica do Conjunto Ceará Monografia aprovada como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Esporte Escolar, pelo Centro de Educação a Distância, da Universidade de Brasília, pela Comissão formada pelos professores: Presidente: Professor Nicolino Trompieri Filho Universidade Federal do Ceará Membro: Professora Ana Cristina Universidade de Brasília Fortaleza (CE), 06 de Agosto de 2007. DEDICATÓRIA: A minha mãe, com amor e admiração. AGRADECIMENTOS Devo reconhecimento e agradecimento a todos que, de alguma forma, iluminaram meu caminho na realização deste trabalho. A minha família, mãe, pai e irmãos pelo carinho e pela compreensão. Ao amigo, Henrique Martins, pelo incentivo e ajuda na fase inicial deste trabalho. A amiga, Gleide Marley, pela força nos muitos momentos de aflição. A Tereza Simão pela sensibilidade e clareza diante de minhas incertezas. A Estela Lobo pela gentileza de conceder-me informações e materiais necessários ao andamento do trabalho. A equipe técnico-pedagógica e aos alunos da Vila Olímpica do Conjunto Ceará, pela contribuição no desenvolvimento da pesquisa de campo. Gostaria de agradecer, de modo especial, a professora Anita Solto Mayor que me auxiliou durante todo o curso, sempre me fazendo crer que o impossível é possível. Também, ao professor Nicolino Trompieri pelas conversas alegres e pelos muitos ensinamentos nos momentos de orientação. “Só temos o direito de ter esperança no futuro se formos capazes de ter confiança em nós mesmos, no presente”. Augusto Boal RESUMO OLIVEIRA, Ana Amélia Neri. O esporte como instrumento de inclusão social: um estudo na Vila Olímpica do Conjunto Ceará. Curso de Especialização em Esporte Escolar. Fortaleza. p. 93, 2007. Este trabalho foi norteado pelo seguinte questionamento: De que forma, o esporte influencia na inclusão social de crianças e adolescentes alunos da Vila Olímpica do Conjunto Ceará na cidade de Fortaleza, a partir da análise do Projeto Velas do Ceará – Esporte Solidário e Vilas Olímpicas da Juventude do Ceará. O estudo apresentado tem como referência o esporte na perspectiva social e educacional proposto no Curso de Especialização em Esporte Educacional promovido pelo Ministério do Esporte em parceria com a Universidade de Brasília. Ele relaciona esporte e políticas públicas de esporte como pressuposto para a inclusão social de crianças e adolescentes. A pesquisa de campo foi realizada na Vila Olímpica do Conjunto Ceará, como participantes: alunos; estagiários, monitor e com a coordenadora de esporte. O instrumento de coleta de dados utilizado foi o questionário o qual foi aplicado com todos os participantes da pesquisa. Os dados coletados no questionário aplicado com os alunos foram organizados e repassados para o programa SPSS 13.0. Posteriormente foram analisados por meio de técnicas estatísticas disponíveis nesse “software”. Os dados coletados nos questionários aplicados com os estagiários, monitor e a coordenadora de esporte foram analisados qualitativamente e comparados com os resultados do questionário aplicado com os alunos. Os resultados mostraram que na Vila do Conjunto Ceará prevalece o ensino do esporte na perspectiva de rendimento em detrimento do ensino do esporte na perspectiva social e educacional. Com isso, o esporte nesta unidade não pode ser considerado uma política pública de esporte que tem como princípio a inclusão social. Palavras-chave: Esporte; Inclusão social; política pública; esporte de rendimento. SUMÁRIO INTRODUÇÃO .............................................................................................. 11 CAPÍTULO 1 1. O ESPORTE PARA ALÉM DE SUA PRÁTICA 1.1. Esporte............................................................................................ 15 1.1.1. Uma breve história ....................................................................... 15 1.1.2. Conceitos ..................................................................................... 17 1.1.3. Dimensões ................................................................................... 18 1.1.3.1. Desporto educação ou esporte educacional ............................. 19 1.1.3.2. Desporto participação ou esporte participação ......................... 20 1.1.3.3. Desporto performance ou esporte de rendimento ..................... 20 1.1.4. Pedagogia do esporte .................................................................. 21 1.1.5. Didática do esporte ...................................................................... 25 CAPÍTULO 2 2. UM NOVO OLHAR SOBRE O ESPORTE 2.1. Esporte: um direito social ................................................................ 31 2.2. Esporte: instrumento de inclusão social .......................................... 34 2.3. Políticas públicas de esporte no Brasil............................................ 37 2.3.1. Programa Esporte Educacional na Comunidade.......................... 41 2.3.2. Projeto Velas do Ceará – Esporte Solidário ................................. 44 2.3.3. Projeto Vilas Olímpica da Juventude do Ceará ............................ 47 2.3.4. Vila Olímpica do Conjunto Ceará ................................................. 47 CAPÍTULO 3 3. CONSTRUINDO A METODOLOGIA DA PESQUISA 3.1. Caracterização da amostra ............................................................. 53 3.2. Instrumento de coleta de dados ...................................................... 53 3.3. Instrumento de análise de dados .................................................... 54 10 CAPÍTULO 4 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1. Resultados dos dados referentes aos alunos ................................. 55 4.1.1. Perfil ............................................................................................. 55 4.1.2. Situação sócio-econômica ........................................................... 56 4.1.3. Esportes praticados na vila olímpica ............................................ 57 4.1.4 Objetivos da prática de esporte..................................................... 58 4.1.5. Conhecimentos sobre a Vila Olímpica .........................................59 4.1.5.1. Conhecimento de direitos e deveres ......................................... 59 4.1.6. Avaliação dos professores .......................................................... 59 4.1.7. Análise dos fatores extraídos ....................................................... 61 4.2. Dados referentes aos estagiários, ao monitor e a coordenadora de esporte ............................................................................................................... 64 4.2.1. Questionário/estagiários e monitor............................................... 64 4.2.2. Questionário/coordenação de esporte ......................................... 69 CONCLUSÃO................................................................................................. 74 RECOMENDAÇÕES...................................................................................... 76 REFERÊNCIAS.............................................................................................. 77 APÊNDICE..................................................................................................... 80 11 INTRODUÇÃO Neste trabalho, apresentamos elementos para a construção de um pensamento sobre a relação entre esporte, políticas públicas e inclusão social, a partir de reflexões, indagações e inquietações ao longo da prática profissional na área do esporte em projetos sociais. Assim, utilizamos como pressuposto a concepção de esporte abordada no Curso de Especialização em Esporte Escolar, uma parceria do Ministério do Esporte e da Universidade de Brasília – UNB. Este curso possui, dentre outros, o objetivo de capacitar professores de Educação Física e Pedagogia para desenvolveram atividades junto ao Programa Segundo Tempo (PST). A experiência junto ao PST na Comunidade se no período de junho de 2004 a janeiro de 2005 no Núcleo VIII do PST na Comunidade com sede no bairro Pe. Andrade, na periferia de Fortaleza. Com o fim do convênio entre Ministério do Esporte e Secretaria de Esporte e Juventude do Estado do Ceará as atividades do núcleo foram encerradas. Devido a este fato, não pôde efetuar-se a pesquisa naquele local. Daí então, buscamos um projeto social que apresentasse características semelhantes ao PST, ou seja, que desenvolvesse atividades na área do esporte adotando como princípio a inclusão social, configurando-se como política pública de esporte. Com o forte desejo de superarmos este desafio, encontramos, ou melhor, reencontramos a Vila Olímpica do Conjunto Ceará. É oportuno destacar que a 12 unidade sediou um núcleo do PST na comunidade no período de vigência deste no Ceará. Após encontrar o local para desenvolver a pesquisa de campo, passamos a construir caminhos para estabelecer uma relação entre o objeto da pesquisa e o trabalho desenvolvido na área do esporte naquela unidade. Para isso, adotamos como referência para análise o período compreendido entre a implementação do Programa Vilas Olímpicas do Ceará, no Governo Tarso Jereissati (1996 – 2002) e a primeira mudança de gestão das unidades, ocorrida no Governo Lúcio Alcântara (2003 – 2006). É importante enfatizar que a pesquisa de campo aconteceu no período de dezembro de 2006 a maio de 2007. Isto posto, é tempo de dar continuidade ao percurso do trabalho. Assim, iniciamos indagando sobre o seguinte pensamento: no campo do esporte, as políticas públicas de inclusão social apontam a necessidade de uma nova perspectiva para tal manifestação como prática social, pautada nas necessidades do contexto social em que se fazem necessárias. Portanto, o desafio contemporâneo da Educação Física é, parafraseando Paulo Freire, “a partir da conscientização nas lutas de classe”, criar condições para tornar possível uma transformação social no seio da sociedade brasileira. Neste caso, o termo transformar se sobrepõe à simples análise e mensuração de dados quantitativos obtidos por órgãos competentes e de políticas emergenciais, assistencialistas e compensatórias que apenas servem como propaganda do poder público, para ações que assegurem às crianças e adolescentes seus direitos, dentre eles, o esporte. 13 Julgamos que uma transformação social plena em nosso país deverá ser encaminhada por políticas públicas de inclusão social, construídas através do diálogo permanente entre poder público e população. Portanto, é pertinente estabelecermos uma compreensão acerca da inclusão social, buscando responder à questão: O que é inclusão social em nossa sociedade? E, de que forma a população organizada e comprometida pode contribuir para a construção de políticas públicas de inclusão social que atendam as suas necessidades? A partir de tais considerações, este estudo parte da compreensão do esporte como um direito social, garantido através de políticas públicas. Diante disto, faz-se necessário pensar a dinâmica social imposta pelo sistema político, econômico e educacional vigentes no país, e neste contexto, a responsabilidade do Estado na consolidação dos direitos da criança e do adolescente ao esporte. Quanto à escolha do tema, destacamos que este surgiu a partir do interesse pelo esporte na perspectiva social, de formação humana, surgido no início da formação acadêmica na Universidade Federal do Ceará (1998 – 2002) e consolidou-se ao longo da prática profissional nas Vilas Olímpicas do Conjunto Ceará, Messejana e Genibaú, e em outros projetos sociais. A fundamentação teórica utilizada foi dividida em quatro capítulos, nesses apresentamos reflexões acerca da realidade estudada e do trabalho de autores na área da educação física, do esporte; e das áreas afins: pedagogia e sociologia. Este estudo foi norteado pelo seguinte questionamento: de que forma, o esporte influencia na inclusão social de crianças e de adolescentes, de alunos da Vila Olímpica do Conjunto Ceará? Considerando esta problemática, o estudo tem como objetivo geral analisar a influência das ações na área do esporte na inclusão social dos alunos da Vila Olímpica do Conjunto Ceará. 14 E como objetivos específicos: Descrever o perfil sócio-econômico dos alunos da Vila Olímpica; Identificar o conhecimento que os alunos têm sobre a Vila Olímpica; Descrever os objetivos dos alunos na prática de esporte; Analisar as ações do professor (estagiário e monitores) de esportes; Analisar a prática pedagógica na Vila Olímpica; Por fim, este trabalho expressa nossa vontade de contribuir na consolidação de políticas públicas de esporte que possam transcender os discursos confusos e que busquem efetivamente a transformação de vidas. 15 CAPÍTULO 1 1. O ESPORTE PARA ALÉM DE SUA PRÁTICA 1.1. Esporte 1.1.1. Uma breve história Para Bracht “o esporte moderno resultou de um processo de modificação, poderíamos dizer, de esportivização de elementos da cultura corporal de movimento das classes populares inglesas, como os jogos populares, cujos exemplos mais citados são os inúmeros jogos com bola, e também, de elementos da cultura corporal de movimento da nobreza inglesa.” (2005, p. 13) O processo de desenvolvimento do esporte inicia-se em meados do século XVIII e se intensifica no final do século XIX e início do século XX. Em 1800, as diferentes formas de jogos populares sofrem um declínio, ficando paulatinamente fora de uso, devido aos processos de industrialização e urbanização que levaram a aquisição de novos padrões e de novas condições de vida. Portanto,os jogos não eram mais compatíveis com aquele modo de vida. Com isto, os jogos tradicionais perderam as suas funções iniciais que estavam ligadas às festas da colheita, religiosas, dentre outras. Importa destacar que na Inglaterra os jogos populares foram muitas vezes reprimidos pelo poder público, pois estes eram entendidos como ameaça à propriedade e à ordem pública. E foi, principalmente, na escola pública inglesa que os jogos populares sobreviveram, pois nela eles não eram vistos como algo prejudicial à burguesia. 16 Ao longo dos tempos o esporte passa a assumir suas características básicas que, de acordo com Bracht (2005, p.15), são: “1. secularização; igualdade de chances; 3. especialização dos papéis, 4. racionalização; 5.burocratização; 6. quantificação; 7. busca do ‘record’.” “este fenômeno esportivo, com estas características, tomou como de assalto o mundo da cultura corporal de movimento, tornando-se sua expressão hegemônica, ou seja, a cultura corporal de movimento esportivizou-se.” (Idem, 2005, p. 15) No final do século XIX os esportes modernos são exportados e adaptados em outros países. Essa difusão pelo mundo acontece rapidamente principalmente pelo caráter competitivo que o esporte apresentava. No início do século XX, o esporte foi aos poucos sendo integrado aos programas de Educação Física em todo mundo, tendo uma maior influência na Educação Física a partir da segunda guerra mundial. O início da esportivização no Brasil se deu na metade da década de 40, período em que a Educação Física foi influenciada pelo Método Desportivo Generalizado. Este procurava agregar o conteúdo esportivo à Educação Física, enfatizando o aspecto lúdico. E tinha como objetivo iniciar os alunos nos diferentes esportes através do jogo. Este método não visualiza o esporte como um fim, mas um meio de formação e de preparação para a vida. No período do regime militar o esporte se tornou a razão do Estado e foi criada uma regulamentação específica para esta manifestação, com vistas ao desenvolvimento da aptidão física. Com isso, o esporte se torna o meio e o fim da Educação Física, estando a serviço do sistema esportivo vigente. 17 1.1.2. Conceitos Segundo Escobar, “a palavra desport tem origem no francês antigo. Deriva do verbo desportes que significa (s’abattre) abater (séc. XII e XII). Mais tarde o verbo desporter passou a ter o significado de (s”amuser) ou divertir, recrear, distrair. Segundo Rabelais a palavra desport foi levada pela cavalaria inglesa no século XIV. Mais tarde, os ingleses passaram a utilizar com mesmo significado a palavra sport. É interessante ressaltar que para a palavra sport não existe equivalente em francês, mesmo desporter sendo de origem francesa.” (2005, p. 53) Na França, por volta de 1873, tinha-se: sport, palavra inglesa que significa exercícios em pleno ar, corrida de cavalos, remo, caça e pesca, arco-e-flecha, ginástica e esgrima. Ao longo dos tempos, as principais tentativas de definição para o esporte foram levantadas por vários cientistas, dentre eles: Coubertin, Prevost, Herbert, Dumazedier, Callois, Diem, Bouet, Magnane, Eppensteiner, Brohm, Feio, Prieto, Bracht, Betti, Cagigal e Guima. Estes autores caracterizam o esporte como sendo atividade física, exercícios especializados, remo, arco-e-flecha, lutas diversas, competições coletivas e individuais, lazer, recreação e muitas outras. Os conceitos apresentados trazem como eixo central a busca pelo rendimento máximo, sendo este um traço marcante, mesmo naquelas definições em que autores associam diretamente o esporte ao jogo e ao lazer. Betti (apud Galvão, 2002) conceitua “o esporte como uma ação social institucionalizada, composta por regras, que se desenvolve com base lúdica, em forma de competição entre dois ou mais oponentes ou contra a natureza, cujo objetivo é, por meio de comparação de desempenhos, determinar o vencedor ou registrar o recorde. Os resultados alcançados pelos praticantes são resultantes das habilidades ou estratégias utilizadas por esses, e podem ser intrínseca ou extrinsecamente gratificantes.” (p.179) 18 Bracht (2005) afirma que “o esporte é uma atividade corporal de movimento com caráter competitivo surgida no âmbito da cultura européia por volta do século XVIII, e que com esta, expandiu-se para o resto do mundo”. (p.14) Para Feio (apud Galvão, 2002), “o esporte e o jogo tem em comum elementos essenciais: liberdade, prazer e regras, mas esses elementos se diferenciam numa e noutra atividade: a liberdade e a gratuidade são inerentes ao jogo; no esporte, não se exclui a importância dos resultados, o que se faz é tão importante quanto a livre escolha que se fez; no jogo, o prazer é processado imediata e unicamente pela motivação lúdica, o esporte integra, em proporção, o gosto pelo esforço, o confronto com o perigo e os desafios do treinamento; as regras no jogo conferem ao indivíduo o máximo de liberdade de continuar ou não a prática, as regras do esporte apresentam-se restritivas, imperiosas, minuciosas e coerentes com o objetivo que se deseja alcançar.” (p.179) Conforme Huizinga (apud Galvão, 2002), “o jogo foi um ingrediente valioso no esporte, tão valioso que, quando o esporte perdeu este elemento específico, separou-se da cultura e passou a ter pouca dignidade ou validade para a humanidade.” (p. 180) Segundo este autor, no esporte moderno o jogo tinha sofrido uma atrofia considerável e a sistematização levara à perda de qualidade de jogo à medida que o esporte não conduzia ao divertimento. 1.1.3. Dimensões O processo de expansão do esporte, nem sempre decorreu sem oposição e sem resistência de classes, resultando para Bracht, 19 “[...] num processo de diferenciação, ou seja, o conceito de esporte parece precisar dar conta de atividades, que pelo seu grau de diferenciação, estão a exigir adjetivações do tipo: esporte de alto rendimento ou de rendimento, esporte de lazer, esporte educativo etc”. (2005, p.15) No Brasil, a Comissão de Reformulação do Esporte Brasileiro, instituída pelo presidente José Sarney, em 1985, sugeriu diferenciar o conceito de esporte em três manifestações: desporto-perfomance; desporto-participação e desporto- educação. Sendo amplamente aceito, inclusive pela Constituição Federal de 1988. Tendo como referência os conceitos formulados pela comissão citada anteriormente, faremos uma breve consideração acerca destas três dimensões do esporte. 1.1.3.1. Desporto educação ou esporte educacional No Brasil, o debate sobre o esporte educacional começou em 1985, por ocasião dos Jogos Escolares Brasileiros (JEB’s). Sendo estes nos dizeres de Tubino (1996) “uma festa educativa para estudantes-atletas não-federados”. (p.11) A Constituição Brasileira de 1988, em seu artigo 217 que trata do esporte, estabelece que os recursos públicos deveriam ser destinados preferencialmente aos Esporte Educacional. A partir de 1990, o Governo Federal passa a atribuir um novo sentido às políticas de esporte. Entretanto, alguns estados brasileiros prosseguem suas inovações na área. Posteriormente, a lei 8672/1993 e o Decreto 981/1993 passam a reforçar a conceituação de Esporte Educacional no Brasil. Com a criação do Ministério Extraordinário dos Esportes e do Instituto Nacional de Desenvolvimento do Esporte (INDESP), em 1995, o Esporte Educacional volta a ser evidenciado nas discussões sobre esporte em âmbito nacional. 20 O Esporte Educacional difundidodentro e fora da escola tem por finalidade democratizar e gerar cultura, configurando-se como uma prática social de exercício crítico da cidadania, privilegiando a inclusão social, a troca de saberes e conhecimentos, o respeito às diferenças, a diversidade, a valorização das culturas e a experiência significativa. O professor ao desenvolver o esporte em sua dimensão educacional, além de proporcionar aos alunos o aprendizado do esporte, deve encaminhá-los a refletirem e discutirem criticamente sobre a relação entre a prática esportiva e o contexto social em que vivem. 1.1.3.2. Desporto participação ou esporte participação O princípio norteador desta dimensão do esporte é o prazer pela prática. O lúdico permeia todo o processo de aprendizagem do esporte, tendo como finalidade a descontração, a diversão, o desenvolvimento pessoal e a interação social. Está voltado para o preenchimento do tempo livre de obrigações da vida cotidiana. 1.1.3.3. Desporto performance ou esporte de rendimento O esporte de rendimento tem como duas de suas característica a seletividade e a exclusão. Obedece a regras estabelecidas universalmente e apresenta uma tendência a ser praticado pelos talentos esportivos, dessa forma está a serviço do mercado através da compra e venda de produtos esportivos e da indústria do entretenimento. 21 Embora a partir de 1985 tenha surgido um movimento a favor do Esporte Educacional, ainda permanece no país a reprodução equivocada do esporte de rendimento no âmbito formal e não-formal da educação. 1.1.4. Pedagogia do Esporte Ao refletirmos a respeito da pedagogia do esporte é importante entendermos o conceito de pedagogia, para podermos pensá-la na perspectiva do conhecimento a ser tratado pedagogicamente, neste caso, o esporte. A pedagogia não se refere única e exclusivamente ao modo como se ensina. Nas palavras de Libâneo (apud Souza, 2004), a pedagogia é “[...] Um campo de conhecimento sobre a problemática educativa na sua totalidade e historicidade e, ao mesmo tempo, uma diretriz orientadora da ação educativa”. (p.8) Para Souza “a pedagogia seria uma reflexão sobre todo o contexto que envolve a ação educativa, coadunando numa efetiva prática de intervenção. Uma intervenção comprometida, intencional, dirigida, organizada e ciente de suas responsabilidades educacionais.” (2004, p. 9) A pedagogia é uma teoria estruturada a partir de uma ação, assim, é elaborada em conformidade com as exigências práticas, com interesse na execução desta e de suas conseqüências. A pedagogia está vinculada às concepções metodológicas, construídas, refletidas e discutidas teoricamente, que se refere ao como ensinar, o que ensinar, para quem ensinar e por que ensinar. Ao refletirmos sobre o conceito de pedagogia do esporte nos reportamos às idéias de Bento (apud Souza, 2004), afirma que o esporte é pedagógico e consequentemente educativo quando, entre outras coisas: “proporciona obstáculos, exigências, desafios para se experimentar, observando regras e lidando com o próximo; cada um rende mais, 22 esforçando-se muito, sem nunca sentir isso como uma obrigação imposta exteriormente”. (p.10) Souza preocupado em preservar os valores educativos do esporte, “[...] acredita na necessidade de se lançar uma ofensiva pedagógica que requer ainda que técnicos e professores não se deixem cair no papel de meros animadores ou reprodutores do modelo do esporte de alto rendimento [...]”. (2004, p.10) Portanto, é necessário que o professor de esporte que atua em projetos sociais perceba o esporte atrelado a uma ação educativa, por meio de uma proposta de intervenção, tendo em vista, dentre outras, possibilitar a inclusão social de crianças e adolescentes. Assim, a pedagogia do esporte manifestada por meio de seus pedagogos, não pode de forma alguma tratar seu conteúdo de ensino de forma simples, negando realidades e responsabilidades sociais e de formação de cidadãos. Para Souza, “a pedagogia do esporte dever se assumir definitivamente como a área responsável por organizar conscientemente e de forma comprometida todo o processo de ensino e aprendizagem dos esportes, quer num ambiente de educação formal, quer num não-formal”. (2004, p. 11) Ao entendermos o conceito de pedagogia indissociável da palavra ensinar faz-se necessário darmos uma atenção maior a está ação, buscando refletirmos sobre o que representa ou deve representar esse ensinar. De acordo com Morais (apud Souza, 2004), ensinar significa “In-signare, marca com um sinal; marca com o sinal de paixão de viver e de conhecer, conviver e participar”. (p.11) Freire (1996) atribui certas exigências ao ensinar, são elas: “ensinar exige rigorosidade metódica; ensinar exige pesquisa; ensinar exige respeito aos saberes do educando; ensinar exige criticidade; ensinar exige estética e ética; ensinar exige corporeificação das palavras pelo exemplo; ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação; ensinar exige reflexão crítica sobre a prática; ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando; 23 ensinar exige bom senso; ensinar exige reconhecimento e a assunção da identidade cultural; ensinar exige a convicção de que a mudança é possível”. (p. 7-8) Desse modo, o professor de esportes, deve entender o ato de ensinar impregnado por princípios e condutas pedagógicas. Para Souza, “O ensinar [...] no esporte em específico, não deve se caracterizar numa intervenção simples de transmissão de conhecimento o imitação de gestos, em que o alunos sejam apenas um receptor passivo, acrítico, inocente e indefeso. Ensinar esportes deve ser entendido como uma prática pedagógica, desenvolvida dentro de um processo de ensino-aprendizagem, que leve em conta o sujeito aluno, seu contexto, além de seus vários ambientes relacionáveis, criando possibilidades para a construção desse conhecimento, inserindo e fazendo interagir o que o aluno já sabe com o novo, ampliando-se assim, sua bagagem cultural”. (2004, p.13) Ensinar nunca foi nem será tarefa fácil e desprovida de responsabilidade, pois ao ensinar se busca o compromisso com a formação humana “formar o cidadão que, para superar e ser sujeito histórico no mundo, necessita desenvolver sua criticidade, sua autonomia, sua liberdade de expressão, sua capacidade de reflexão. Sintetizando, sua cidadania. Assim sendo, aluno, sujeito/cidadão não será mais aquele que simplesmente se adapta ao mundo, mas o que se insere, deixando sua marca na história. “(idem, 2004, 12) Portanto, o aluno que se reconhece como sujeito, como cidadão; não será mais aquele que simplesmente se adapta a realidade vivida, mas o que se insere, o que constrói sua própria história. Para Jacquard (apud Souza), “o objetivo primário da educação é, evidentemente, revelar a um filho de homem a sua qualidade de homem, ensina-lo a participar na construção da humanitude e, para tal, incita-lo a tornar-se o seu próprio criador, a sair de si mesmo para poder ser sujeito que escolhe o seu percurso e não um objeto que mesmo assiste submisso à sua própria produção.” (2004, p. 12) Para superarmos o paradigma mecanicista no ensino do esporte, devemos instigar no aluno o aprender esportes por meio de uma pedagogia desafiante, para que ele possa superar-se e, desta forma, contribua para sua vida. Para Freire,24 “não é possível respeito aos educandos, à sua dignidade, a seu ser formando-se, à sua identidade fazendo-se, se não se levam em consideração as condições em que eles vêm existindo, se não se reconhece a importância dos ‘conhecimentos de experiência feitos’ com que chegam a escola. O respeito devido à dignidade do educando não me permite subestimar, pior ainda, zombar do saber que ele traz consigo para a escola. “ (1996, p.64) Do contrário, estaremos caindo em equívoco, carregando o aluno apenas de conhecimentos técnico-científicos, ou seja, estaremos reproduzindo o que Freire (1996) descreve como “ensino bancário”. O educador deve “saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”. (idem, 1996, p.47) Complementando as palavras de Freire, Silva & Silva (2004) afirmam que educar numa perspectiva emancipatória significa “recuperar o desenvolvimento da própria natureza histórica do aluno” (p. 23). Partem do pressuposto de que o homem se humaniza quando, pela necessidade de sobrevivência, aproveita ou transforma a natureza a partir de uma ação consciente e planejada, produzindo, assim, o mundo da cultura. O professor de esportes que busca o rendimento motor dos alunos não perceber o processo de desumanização que envolve os rituais para a sua produção. Tomando por emprestado as palavras de Freire (1996), transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo: o seu caráter formador. Se se respeita à natureza do ser humano, o ensino dos conteúdos pode dar-se alheio a formação do educando. Educar é substantivamente formar. Daí a importância do compromisso permanente do professor de esportes que atuam em projetos sociais com a transforrmação social. “estamos convencidos de que o momento histórico da América Latina exige de seus profissionais uma séria reflexão sobre a sua realidade, que se transforma rapidamente, e da qual resulta sua inserção nela. Inserção esta que, sendo crítica, é compromisso verdadeiro. Compromisso com os destinos 25 do país. Compromisso com seu povo. Com o homem concreto. Compromisso com ser mais deste homem”. (idem, 1979, p. 25) Ao passo que o aluno toma conhecimento de seu papel de sujeito em prol de uma transformação social é responsabilidade do educador criar possibilidades para ações de protagonismo. Silva & Silva (2004) entendem o homem como um ser socialmente protagonista quando este “se distancia cada vez mais dos outros animais na medida em que constrói a história por meio de sua participação coletiva e intencional”. (p.23) 1.1.5. Didática do Esporte Na área do esporte é bastante comum o posicionamento tradicional e a aplicação da didática instrumental ou tradicional no ensino do esporte, seja no âmbito formal ou não-formal da educação. Freitas (apud Medeiros, 2004), diz que esta “exaltava o método e a técnica de ensino e que era distante e alheia ao ambiente em que era aplicada”. (p. 56) Embora a discussão sobre a didática tradicional no ensino do esporte tenha sido superada no plano teórico, ela ainda é amplamente utilizada nos diversos ambientes educacionais que trabalham com o esporte, podendo ser encontrada mesmo naqueles que têm como princípio a inclusão social. De modo geral, o professor de esportes que assume o posicionamento tradicional enaltece o individualismo em detrimento do coletivismo; a seletividade em detrimento da participação coletiva; a competição exacerbada em detrimento da cooperação; a vitória a qualquer custo em detrimento da integração dos alunos; a iniciação precoce em detrimento do lúdico; o autoritarismo em detrimento do diálogo; desconsiderando totalmente as necessidades do aluno e seu contexto social. Tais características são inerentes ao esporte de rendimento, 26 que ao longo dos tempos tornou-se prática comum da maioria dos professores de esportes que trabalham nesta perspectiva. Os defensores da didática tradicional acreditam no mito da neutralidade, ou seja, o ensino do esporte é desprovido de qualquer intencionalidade. Contrário a isto, nos remetemos a Freire que diz: “não pode existir uma prática educativa neutra, descomprometida, apolítica”. (2003, p. 37) O professor de Educação Física que se diz neutro e alheio às questões que permeiam seu ato educativo precisa repensar sua postura como educador, porque o ato educativo é antes de tudo um ato político. E ele se realiza no contexto das relações sociais e é neste que se manifestam os interesses das classes sociais. “a compreensão dos limites da prática educativa demanda indiscutivelmente a claridade política dos educadores com relação a seu projeto. Demanda que o educador assuma a politicidade de sua prática. Não basta dizer que a educação é um ato político assim como não basta dizer que o ato político é também educativo. É preciso assumir realmente a politicidade da educação. Não posso pensar-me progressista se entendo o espaço da escola como algo meio neutro, com pouco ou quase nada a ver com a luta de classes, em que os alunos são vistos como aprendizes de certos objetos de conhecimento aos quais empresto um poder mágico, não posso conhecer os limites da prática educativa-política em que me envolvo se não sei, se não estou claro em face de a favor de quem prático.” (p. 46-47) Desde a década de 80, momento em que se buscava rever os aspectos tradicionais da didática, a educação se via às voltas com posicionamentos críticos. Demerval Saviani, um dos precursores deste movimento, apresentava a pedagogia histórico-crítica e o trato com o “saber objetivo”, este último entendido como o conhecimento produzido historicamente, no qual está incluído, dentre outros, o conhecimento científico. No âmbito da Educação Física, o esporte pode ser considerado saber objetivo ou conhecimento produzido historicamente. Ao se buscar uma reflexão crítica no ensino do esporte, conforme Medeiros devem ser consideradas como tarefas da pedagogia histórico-crítica: 27 “identificar as formas em que se expressam os esportes, produzidos historicamente; reconhecer as condições de produção da cada esporte e compreender as suas principais manifestações e tendências de transformação; converter cada esporte em saber escolar e torná-lo possível de ser assimilado pelos alunos no espaço e tempo da escola; e favorecer que os alunos aprendam não apenas os esportes ‘prontos e acabados’, mas que compreendam o processo de produção e as tendências de sua produção”. (2004, p.59) Além da didática que oferece instrumentos para que o professor organize satisfatoriamente seu trabalho pedagógico é necessário que este esteja preparado para desempenhar corretamente suas responsabilidades. Deste modo, é pertinente se estabelecer uma discussão acerca do papel do professor, suas qualidades, competências e saberes. Para Luckesi (apud Medeiros, 2004), o professor deve possuir qualidades, tais como: “compreensão da realidade com a qual trabalha; comprometimento político; competência técnico-profissional”. (p.61) Essas qualidades são hoje chamadas de competências que segundo Perrenoud (apud Medeiros, 2004) são definidas como “a capacidade de mobilizar diversos recursos cognitivos para enfrentar um tipo de situação”. (p.61) Medeiros, com base nos estudos de Perrenoud em relação às competências, mostra algumas delas necessárias ao professor de Educação Física desde a formação inicial até a continuada. São elas: “conhecimento da Educação Física no contextoda educação e da sociedade; conhecimento técnico-teórico-filosófico a respeito da pessoa humana; capacidade reflexiva para analisar os diversos fenômenos que compõem a prática cotidiana; capacidade de realizar sua formação continuada; capacidade de produzir conhecimento; e capacidade de comunicar-se com seus interlocutores.” (2004, p. 62) Ao trabalhar conteúdos específicos como o esporte, sem nenhuma intervenção crítica, ou mesmo quando trabalha textos filosóficos na perspectiva de formar um indivíduo crítico, sem nenhuma sinalização para o conteúdo 28 específico, o professor estará assumindo um posicionamento equivocado sem qualquer leitura da realidade. O planejamento, na visão da didática crítica este busca orientar o professor em seu fazer pedagógico à medida que proporciona a adequação e a revisão dos objetivos, considerando a realidade concreta dos alunos. O plano de ensino ou plano de curso é a organização das unidades didáticas e pode ser elaborado por um ano ou por um semestre. Sua elaboração deve configurar-se num momento de reflexão a respeito do trabalho pedagógico e da concepção pessoal do professor a respeito do papel do projeto social. É constituído pelos objetivos gerais, objetivos específicos, conteúdos, metodologia e formas de avaliação. Os objetivos gerais trabalham com propósitos mais abrangentes e determinam, em linhas gerais, as perspectivas da prática educativa. Os objetivos específicos antecipam resultados a serem atingidos em uma aula ou unidade. Ambos determinam o que deve ser avaliado. Tendo como referência a escola Libâneo (apud Medeiros, 2004) diz que, “a prática educacional se orienta, necessariamente, para alcançar determinados objetivos, por meio de uma ação intencional e sistemática. [...] podemos dizer que não há pratica educativa sem objetivos”. (p.72) Os conteúdos, estes são entendidos como elementos vivos e concretos, definidos conforme a realidade do aluno e da comunidade, e do conhecimento apreendido pelo professor. Eles devem ser permanentemente reavaliados em face da realidade social do aluno. Além dos aspectos específicos de um programa de esporte, também são considerados conteúdos os hábitos, os fatos, os métodos de compreensão, os valores, as atitudes do grupo, dentre outros. Tudo que recebe um tratamento pedagógico por parte professor poderá vir a ser um conteúdo. 29 O método ou conjunto de procedimentos utilizados pelo professor no desenvolvimento de um determinado conteúdo. Tem-se o método analítico que é caracterizado pela apresentação de tarefas fragmentadas em partes. Ele está fundamentado numa orientação teórica behaviorista, método da psicologia experimental que se limita à investigação do comportamento. Nele, o aluno conhece cada elemento que compõe os fundamentos do jogo, para depois aprender aspectos mais complexos. Há também o método global que é caracterizado pela apresentação da atividade como um todo. Ele parte de orientações apoiadas na teoria psicológica de Gestalt que evidencia que o todo é mais que a soma das partes. Nele, as atividades são apresentadas em seqüência conforme a faixa etária e a capacidade do aluno. Posto isto, para aprender o esporte propriamente dito, o aluno vivenciará diversos jogos preparatórios. A partir da década de 1990 são realizadas algumas tentativas no sentido de fugir dos métodos tradicionais que já não atendem mais às expectativas de mudanças presentes no pensamento dos profissionais representantes das diferentes tendências da Educação Física no Brasil. Greco (apud Medeiros, 2004), apresenta o método situacional para o ensino do esporte, “com processos cognitivos, em que são apresentadas para os alunos situações reais que são extraídas de situações padrões, para se chegar a situações típicas de um determinado jogo escolhido”. (p. 81) O autor compara sua proposta com os métodos tradicionais utilizando como critérios: a técnica, a tática, o objetivo do jogo e a motivação dos jogadores. E embora as diferenças apresentadas pelo autor demonstrem algum avanço em relação aos critérios analisados, o texto não traz qualquer referência a uma possível revisão das teorias que dão sustentação aos métodos tradicionais. 30 Na tentativa de construção de propostas de intervenção de natureza crítica o Coletivo de Autores, não propõe precisamente um método de trabalho, mas sim princípios pedagógicos capazes de orientar uma estratégia de intervenção. Estes autores defendem que uma proposta crítica de Educação Física deve surgir de uma análise das estruturas de poder e dominação constituídas em nossa sociedade. Dessa forma, “a expectativa da Educação Física escolar, que tem como objeto a reflexão sobre a cultura corporal, contribui para a firmação dos interesses de classe das camadas populares, na medida em que desenvolve uma reflexão pedagógica sobre valores como solidariedade substituindo individualismo, cooperação confrontando a disputa, distribuição em confronto com a apropriação, sobretudo enfatizando a liberdade de expressão dos movimentos – a emancipação - , negando a dominação e a submissão do homem pelo homem”. (1993, p.40) Kunz (1994) apresenta o método da encenação tomando por base Dietrich, Landau e Bannmuller. Segundo Kunz (1994), encenação é um termo emprestado do teatro que significa “colocar em cena o mesmo, de forma sempre renovada” (p.62). As encenações poderiam auxiliar, dentre outros aspectos, a compreensão do fenômeno esportivo, a avaliação o entendimento das mudanças históricas do esporte, bom como auxiliar na compreensão do papel do expectador. Na reflexão acerca do comportamento ético a ser adotado pelo professor de esportes é ressaltada a responsabilidade que ele tem na preparação dos alunos para cidadania como seres ativos e participativos nas diversas dimensões de sua vida social, ou seja, família, escola, comunidade, associações de classe. Por conseguinte, “o sinal mais indicativo da responsabilidade do professor é seu permanente empenho na instrução e educação dos seus alunos, dirigindo o ensino e as atividades de estudo de modo que estes dominem os conhecimentos básicos e as habilidades, e desenvolvam suas forças, capacidades físicas e intelectuais, tendo em vista equipa-los para enfrentar os desafios da vida prática no trabalho e nas lutas sociais pela democratização da sociedade” . (Libâneo apud Medeiros, 2004, p.90) 31 CAPÍTULO 2 2. Um novo olhar para o esporte 2.1. Esporte: um direito social A Carta Internacional de Educação Física e do Esporte da UNESCO (1973), estabelece em seu art.1º que “a prática da Educação Física e do Esporte é um direito fundamental de todos”. O esporte educacional, lazer ou tempo livre e rendimento são as formas de materialização deste direito em consenso internacional. (Sadi, 2004, p.30) No 10º Congresso Internacional do Planathlon, em 1996 em Avignon, na França, foi aprovada a Carta dos Direitos da Criança ao Esporte lançada em Genebra (1998), baseada nas ciências do esporte, sobretudo medicina do esporte, psicologia do esporte e pedagogia do esporte, na qual foram estabelecidas para as crianças: “1. O direito de praticar esporte; 2. O direito de se divertir e de jogar; 3. O direito de usufruir de um ambiente sadio; 4. O direito de ser tratado com dignidade; 5. O direito de ser rodeado e treinado por pessoas competentes; 6. O direito de seguir treinamentos apropriados aos ritmos individuais; 7. O direito de competir com jovens que possuem as mesmas possibilidades de sucesso; 8. O direito de participar de competiçõesapropriadas; 9. O direito de praticar esporte com absoluta segurança; 10. O direito de não ser um campeão; (idem, 2004, p.30) Os participantes do I Congresso Mundial de Educação Olímpica e para o Esporte (Kalavitra – 1997), chegaram a conclusão que numa educação para o Esporte e Educação Olímpica deve ser prioritário, devido à mensagem do olimpismo, o espírito esportivo, o respeito aos direitos humanos, a solidariedade e a tolerância como valores universais. (Simão, 2002, p.23) 32 Na declaração de Viena, editada no 11º Congresso Internacional do Panathon (Viena – 1997), o esporte foi reconhecido não apenas como fator importante para a saúde psicológica e física da juventude, mas também como um modo de integração social e ainda se constitui num meio de prevenção contra certas influências nocivas da vida moderna, tais como: sedentarismo, o abuso de drogas, o alcoolismo e a violência. (idem, 2002, p. 23) Na Carta do Esporte dos Países de Língua Portuguesa, editada na III Reunião da Conferência (1993), o esporte é entendido como sendo todas as formas de atividade física, jogos, esportes e competição nos diferentes níveis, atividades ao ar livre, expressão corporal, jogos tradicionais e atividades de manutenção e melhoria da condição física. Ela reconheceu que o esporte melhora a qualidade de vida ao desenvolver as qualidades físicas, intelectuais e morais e que por esta razão a sua prática deve ser acessível às populações, assegurando a possibilidade de melhorar o potencial de desenvolvimento das pessoas. (idem, 2002, p. 23) A Resolução nº. 3 do Fórum Olímpico Internacional para o desenvolvimento (Kuala Lumpur – 1998), reforça a necessidade de mecanismos para investimentos no Esporte e na Educação Física, em termos nacionais e internacionais, especialmente para a análise crítica do papel do esporte como instrumento de desenvolvimento. (idem, 2002, p. 23) Na Declaração de Princípios do Congresso Científico dos Jogos Africanos (1999), apoiada pelo Conselho Superior do Esporte na África, foi observado que a “educação física deveria estar reconhecida como base fundamental para o desenvolvimento de atividades esportivas ao longo da vida, e que na escola deveria ser considerada como fator mais importante para o fomento do esporte, pois as crianças estão mais predispostas a participarem de atividades esportivas extra- escolares depois de saírem das classes”. (idem, 2002, p. 23) 33 O Manifesto Mundial da Educação Física – FIEP 2000 estabelece em seu Art. 10 - que a educação para o esporte, pelo potencial humanístico e social que o fenômeno sócio-cultural esportivo apresenta, deve ser estimulada e promovida em todos os processos de Educação Física. No Brasil, o esporte passa a ter uma maior visibilidade com a Constituição de 1998, que em seu art. 217, § 3º, inciso IV, estabelece que o esporte é direito social de todo o cidadão. Conforme Linhales (1998, p. 73), ”o que hoje consideramos como direitos sociais pressupõe a garantia e a provisão, por parte do Estado, de políticas capazes de dar suporte ao bem-estar de todos os cidadãos”. O Ministério Extraordinário do Esporte, criado em 1993, no Governo Fernando Henrique Cardoso, tinha como um de seus órgãos o Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto – INDESP, uma autarquia criada na estrutura daquele ministério como uma das estratégias para agilizar as ações no âmbito do desporto. Assim, inicia o processo de implementação do Programa Esporte Educacional, uma proposta que, em linha gerais, necessitava da parceria e da cumplicidade dos vários segmentos da sociedade, principalmente dos governos estaduais, municipais e das instituições de ensino superior. Tinha como um de seus principais objetivos garantir a prática do Esporte, como meio de Educação a crianças e adolescentes, como instrumento do processo de desenvolvimento integral e formação da cidadania. O Ministério do Esporte, criado pela Medida Provisório 103, de 1º de janeiro de 2003 no Governo Luiz Inácio Lula da Silva, tem como missão formular e implementar políticas públicas inclusivas e de afirmação do esporte e do lazer como direitos sociais dos cidadãos, colaborando para o desenvolvimento nacional e humano , ou seja, assegurar o acesso a atividades esportivas e de lazer, como parte do compromisso do governo de reduzir – quando não eliminar – o quadro de injustiças, exclusão e vulnerabilidade social que aflige boa parte da população brasileira. Considerando-se, por isso, que o esporte e o lazer são questões de Estado, ao qual cabe promover sua democratização. Como também são direitos sociais que podem ser chamados de cidadania esportiva. 34 A 1º Conferência Nacional de Esporte (Brasília, 2004) tem como finalidade central democratizar a elaboração de política nacional de esporte e lazer e dos planos nacionais subseqüentes, envolvendo e valorizando a participação de todos os segmentos da sociedade. Respaldado pelos documentos apresentados anteriormente o esporte como prática social, como meio de educação de sujeitos para a consciência da cidadania e inclusão social deverá ser garantido através das políticas públicas. Assim, ao analisarmos as relações políticas que se estabelecem entre sociedade e Estado e suas implicações no campo das políticas públicas de esporte, precisamos voltar o olhar para o contexto mais amplo desta problemática. Observamos que o Estado apresenta sérias dificuldades no cumprimento de seus deveres constitucionais. Isto pode ser visto pelos serviços prestados pelo poder público nos seus diferentes setores, devido à existência de estruturas de poder burocratizadas, hierarquizadas, anacrônicas e atrasadas em termos de gerenciamento. Cremos que para superar o caos no poder público, brasileiro, se faz-se necessária a construção de novas alternativas de gestão governamental em seus diversos segmentos, visando a garantia dos direitos sociais. 2.2. Esporte: instrumento de inclusão social O termo inclusão é recente e teve sua origem na palavra inglesa full inclusion, segundo Escobar et al., “[...] reflete mais clara e precisamente o que é adequado: todas as crianças devem ser incluídas na vida social e educacional da escola e classe de seu bairro, não somente colocada no curso geral “mainstream” da escola e da vida comunitária, depois dela já ter sido excluído”. (2005, p. 58) 35 Ou seja, inserir os excluídos na sociedade não pode ser sinônimo de inserção no sistema. Entretanto deve apontar para a busca da ampliação democrática e construção de uma identidade coletiva que aponte para o rompimento de privilégios individuais, de grupos, de uma determinada classe social, observadas nitidamente em termos de esporte no Brasil. Dito isto, acreditar que o esporte é um instrumento de inclusão social é um desafio a ser superado pelo professor de Educação Física e demais responsáveis pelo esporte em escala municipal, estadual e federal. Sendo um pressuposto para a legitimação do esporte como um direito social. Daí se discute a prática social do professor de Educação Física e do gestor público, refletindo sobre sua postura, a leitura que faz da realidade e a forma como eles reconhecem a relação existente entre poder público e conhecimento. Compreendendo que estes profissionais devem ter como paradigma a idéia de que uma política pública de esporte precisa avançar no sentido de melhor lidar com a inclusão. Tendo a educação como diz Saviani apud Duckur (2004), como “atividade mediadora no seio da prática social global”. (p. 32) No âmbitoda educação, a prática pedagógica do professor de Educação Física deve ser pautada numa perspectiva de inclusão na sociedade, desde a escolha dos conteúdos, considerando que este sujeito deve perceber o real significado de inclusão e os mecanismos para a sua realização. Do ponto de vista da pedagogia da inclusão, não existe razão para se ensinar os mesmos conhecimentos para todas as pessoas como se elas fossem iguais. Duckur destaca que, “é urgente avançar no tocante à compreensão e criação de estratégias metodológicas que dêem conta de subsidiar a prática pedagógica dos professores, de forma coerente com o discurso da educação como prática política, e do aluno, como ser histórico a quem cabe á educação para promover a cidadania.” (2004, p. 37) 36 Contudo, atuar na perspectiva social sabendo que numa instância maior as coisas funcionam tecnicamente, não é tarefa fácil. Requer bastante esforço e crença na idéia de que através de ações no âmbito da coletividade é possível construir algo melhor para a criança e o adolescente excluídos, começando por repensar uma pedagogia de inclusão. Para Oléias “é possível pensarmos, enquanto profissionais em Educação Física, numa proposta política que não seja excludente e que proporcione a inserção da maioria da sociedade em espaços possíveis para o desenvolvimento do [...] esporte com a característica popular”. (1999, p. 65), Ganha importância, assim, o esporte ensinado através de práticas progressistas que possibilitem o desenvolvimento da criticidade do aluno, instigando a reflexão sobre seu contexto histórico, social, econômico e político, estimulando o auto-conhecimento como ser social, como agente de mudança. Dessa maneira, são construídos caminhos para a vivência de um processo de inclusão social em nossa sociedade, que vise transcender o quadro de desigualdade social instaurado no país. E ainda, sobre o esporte, do ponto de vista social. Pinto, aponta: “[...] suas múltiplas relações críticas e criativas ajudam as pessoas e grupos a conhecerem melhor uns aos outros, percebendo o que cada um é e como participa da construção do mundo. Nesse sentido o Esporte [...] estimula a romper com o conformismo alienante que historicamente nos vem sendo imposto, exercitando papéis com novos significados, estreitando amizades e fortalecendo grupos, motivando para o enfretamento de conflitos e para a busca de soluções coletivas e conscientes”. (1998, p. 53) O esporte como manifestação da cultura corporal de um povo, precisa estar engajado numa proposta ampla de educação tendo em vista a transformação social. Neste sentido, a transformação social é conseqüência da transformação dos indivíduos. O professor de Educação Física deve estar fundamentado numa abordagem crítica de Educação Física que luta para fazer desta uma manifestação espontânea e consciente, a partir de “um fazer pedagógico” coerente e compromissado com um modelo progressista de educação que busca a superação 37 das desigualdades sociais e a vivência do respeito à diversidade humana e, ao mesmo tempo, possibilite o desenvolvimento da autonomia das camadas populares no seu fazer esportivo. 2.3. Políticas públicas de esporte no Brasil Para a compreensão da estrutura das políticas públicas de esporte em nosso país faz-se necessário contextualizarmos o modelo de Estado em que são propostas tais ações. O neoliberalismo como tendência hegemônica do capitalismo contemporâneo determinou uma redefinição do Estado. Assim, o Estado não tem mais o papel de intervir diretamente na economia. Consequentemente, as privatizações de empresas estatais surgem como mecanismo de repasse, do que outrora era bem público, para a iniciativa privada. Esse fluxo para o setor privado beneficiado pelo setor público aparece atualmente de maneira mais visível sob o discurso de contenção do deficit público. Daí, o que observamos é um comprometimento no papel do Estado, a medida que é utilizado como mero recurso de barganha no processo de legitimação política ou como mecanismo de controle social, muitas vezes, subordinado a lógica capitalista de acumulação. Para Oléias, “a freqüente omissão do Estado brasileiro diante de questões de grande relevância e direito social se fortaleceu muito com a queda do walfare state (Estado de bem-estar social) e pela ascensão (consolidação) da nova ordem mundial, especialmente a partir do final dos anos 80. A proposta modernizante de Estado, de conteúdo neoliberal, influenciou países como o Brasil a se desvencilharem de determinadas questões de ordem política, econômica e social, ocasionando uma disfunção ainda maior no gerenciamento dos espaços públicos e das políticas públicas para o esporte[...]”. (1999, p. 70) [o grifo é do autor] 38 Por outro lado, nos sistemas políticos democráticos a promoção da igualdade e da justiça é justificativa fundamental para o desenvolvimento de políticas sociais. Como corrobora Sadi (2004) entendidas como “um conjunto de planos, programas e normas, nos quais o Estado estabelece suas diretrizes, fixando ordens de governo e concedendo alguns mecanismos de reprodução social” (p.12). A partir da década de 80, a Educação Física inicia em suas diferentes áreas de conhecimento, uma discussão, haja vista a necessidade naquele momento de sua compreensão como prática social. Neste período, mesmo que de forma incipiente, existia a necessidade de se estabelecer uma discussão política sobre os paradigmas de interesses populares para o esporte que estivessem aliados a um projeto de sociedade. Conforme Zingoni “[...] só nas últimas décadas, o esporte [...] ganha maior importância como objeto de reivindicações populares, como questão de cidadania, de participação democrática e dos meios de superação dos problemas sociais”. (1998, p. 34) No que se refere às políticas de esporte é notória a escassez de ações contínuas neste campo, posto que o enfoque atribuído ao esporte é, quase sempre, o de auxiliar ações de outras áreas. No sentido de que o esporte não tem um fim em si mesmo sendo, na maioria das vezes, utilizado como mecanismo para aquisição de objetivos distantes de seu real sentido como prática social. Isto ocorre porque, segundo Zingoni, “as políticas públicas de esporte [...] em nosso meio, muitas vezes, ainda são traduzidas como políticas de atividade, de doação de material esportivo ou de cessão de equipamentos específicos, sem, contudo, haver a preocupação com a participação humana, que é a vida desses equipamentos. Aliado a isso, ainda encontramos nas Secretarias de Esportes a “cultura” dos eventos passageiros, elitistas, discriminatórios e onerosos, sem reflexos sociais contínuos e que reforçam as desigualdades sociais; a valorização do esporte rendimento; a banalização do lazer; a política clientelista e de privilégios”. (1998, p. 34) 39 Somada a isto, a constante utilização do esporte como estratégia de propaganda de governo explica a freqüência com que atletas bem sucedidos desenvolvem carreira na política, como se o fato de ter sido atleta fosse qualificativo para a pessoa assumir um cargo público na área do esporte. Diante desta realidade, é importante destacar que muitas das ações desenvolvidas na sociedade brasileira são arbitrárias. De um modo geral, as pessoas são incapazes de perceber isto e de querer mudar esta situação. Além destes fatos, devemos refletir sobre a lógica capitalista que faz do esporte um produtor de “fenômenos” e “espetáculos”, estando a serviço dos donos do capital e do mercado, fazendo das pessoas seres alienados e consumidoresde práticas descontextualizadas, padronizadas pela mídia e pela indústria do entretenimento. Também, é possível identificarmos a visão fragmentada e secundária atribuída ao esporte, necessitando estar vinculado às mazelas sociais, ou seja, à violência, às drogas, à pobreza, etc, para ser justificado. De acordo como Linhales, ”o que em geral se observa é que as políticas em desenvolvimento não respondem às necessidade que estão colocadas para a consolidação de um Estado democrático, popular capaz de garantir justiça e equidade ao pleno exercício da cidadania.” (1998, p. 72) [o grifo é nosso] É possível que propositadamente os idealizadores de tais políticas desconheçam a Constituição Federal quando ela reconhece o esporte como um direito social e não como um favor que venha amenizar o sofrimento das camadas populares. Diante disto, o esporte que deveria oportunizar ao ser humano a descoberta e a construção de identidade e saberes, e a apreensão de conhecimento técnico-científico, uma vez que consegue agregar elementos do saber sensível e inteligível de quem faz uso dele, numa constante interação entre sujeito, objeto e meio, é utilizado como mecanismo de dominação. Assim, muitas das propostas que se articulam como aos desejos que provêm da população, em sua essência, buscam a manobra e o controle social. 40 Visando extinguir os princípios citados anteriormente, é indispensável uma redefinição das políticas públicas na área do esporte. No sentido de possibilitar o acesso das camadas populares ao esporte, com o objetivo de dinamizar a luta democrática pela manutenção e ampliação dos direitos sociais. Nestes termos, Pinto salienta que, “apesar de o Esporte [...], nos últimos anos, ganhar cada vez mais espaço nas cenas cotidianas do País, tornando-se fenômeno social que envolve a todos, é muito recente, ainda, a consciência do Esporte [...] como cultura, no seu sentido mais amplo, e direito que se conquista no exercício da liberdade”. (1998, p. 52) Os projetos sociais na área do esporte devem intervir de modo a atender à necessidade de ampliação das relações entre poder público e população e à divulgação das ações concretizadas, de modo a contribuir para intensificação do processo de organização, execução e avaliação das ações, dando continuidade e ampliando o trabalho desenvolvido nas comunidades. Assim, é oportuno esclarecer que a participação comunitária é essencial, requerendo um aprendizado constante de seus representantes, bem como o reconhecimento da importância, nessa prática educativa, das relações de resistência ao poder dominante e da valorização das reivindicações e do saber popular nos projetos transformadores da realidade. Além disto, é de vital importância a maestria dos servidores públicos envolvidos com os projetos qualificados para lidarem com pessoas e organizações atentos às diversas formas de linguagem e de expressão de idéias, buscando perceberem-se nessas relações. Para isto, é oportuno destacar a necessidade de qualificação das relações entre governo e comunidade. Portanto, é lançado o desafio de uma intervenção social que gere mudanças com a finalidade de atingir melhoria de vida através do esporte, requerendo uma reestruturação do modo de organização e gerenciamento do trabalho no setor público, insistindo na sua desburocratização e na realização de 41 intervenções mais eficazes, para o desenvolvimento de programas mais amplos e contínuos, diretamente articulados com as demandas sociais. Pinto ressalta que, “[...] são dimensões fundamentais da qualidade política a representatividade, a legitimidade, o envolvimento de todos na participação de base e nos planejamentos participativos auto-sustentados, na realização de diagnósticos, na formulação de estratégias e organização das ações políticas”. (1998, p. 56) Acreditando neste novo olhar dado ao esporte, é imprescindível o empenho dos professores de Educação Física para o trabalho multidisciplinar e de Educação Popular que este campo deve assumir. Para Oléias (1999, p. 68) ”se o Estado brasileiro tem feito sua opção histórica de ser o representante permanente dos negócios das elites, cabe ao meio acadêmico discutir uma forma distinta de conceber o esporte [...], tendo como eixo a inserção dos excluídos, não no sistema, mas numa proposta inovadora que aponte para a ampliação desses direitos e o aumento cada vez mais efetivo da participação popular em termos de esporte[...]”. 2.3.1. Programa Esporte Educacional na Comunidade O Instituto Nacional de Desenvolvimento dos Desportos – INDESP destacou como o objetivo principal para o período de (1996 – 1999) utilizar o esporte como instrumento para a elaboração e desenvolvimento de políticas públicas voltadas para a educação, saúde, alimentação e a cidadania dos segmentos sociais definidos como prioritários em seus programas. Nesta perspectiva, criou-se o Programa Esporte Educacional compreendido como uma manifestação da atividade humana que promove o desenvolvimento integral do indivíduo, que atua como um meio de socialização e manutenção da saúde, que desenvolve a auto-estima, a auto-superação e o auto- conhecimento, sempre sendo desenvolvido dentro de um processo educativo, como forma de fazer o homem ser e se entender no mundo, tanto no sistema formal de ensino como fora dele. 42 Para Barbieri (1996), o programa tinha como objetivo maior, “garantir a prática do Esporte, prioritariamente a crianças e adolescentes, como processo de desenvolvimento integral e formação da cidadania, como meio de Educação”. (p.14) E ainda, 1. Garantir a prática do esporte, prioritariamente, a crianças e adolescentes de baixa renda; 2. Assegurar, em parceria com as secretarias estaduais e/ou municipais de esporte e educação, uma participação efetiva dos alunos de 1º e 2º graus da rede pública e da população em geral, de um processo diferenciado de educação através do esporte; 3. Estabelecer uma filosofia, princípios, tendo em vista os valores sociais e pedagógicos do esporte, como meio de educação. O Esporte Educacional tinha como princípios constitutivos: 1. Totalidade: busca do fortalecimento do homem, de sua unidade, consigo, com outro e com o mundo; 2. Co-educação: no sentido de obtenção de uma relação mestre-aprendiz onde se dê a integração e a modificação recíproca dos participantes, sendo considerado as experiências vividas e a estruturação das atuações pedagógicas; 3. Emancipação: fundamentada na busca da independência, da autonomia e da liberdade do homem; 4. Participação: no sentido de valorização do processo de interferência na construção e na transformação da sociedade a qual está inserido; 5. Cooperação: visando a união dos esforços na obtenção de objetivos comuns, tendo a tônica da reciprocidade de ações, tanto nos sucessos quanto nos fracassos; 6. Regionalismo: no sentido de recuperar o potencial educacional dos elementos de herança cultural e das próprias raízes regionais. 43 O Programa Esporte Educacional foi estruturado em dois sub-programas: Esporte Educacional na Escola; Esporte Educacional na Comunidade. Para fins deste estudo abordaremos o sub-programa Esporte Educacional na Comunidade. O Programa Esporte Educacional na Comunidade consistia em promover um processo de educação em tempo integral. Tendo como objetivo garantir a melhoria na qualidade de vida das comunidades por meio de atuações via instituições de ensino superior, de ações dos estados, municípios e da sociedade civil,visando superar o paradigma do esporte de rendimento, seus valores e princípios, e favorecimento do processo de formação de profissionais de áreas da educação, educação física, esportes, saúde e afins. No âmbito deste subprograma dois projetos foram definidos como ações prioritárias: 1. Esporte e Juventude, que tinha como objetivo oportunizar a criança e adolescentes, por intermédio do esporte, o intercâmbio de experiências vividas de seus participantes, concorrendo para a integração latino-americana, favorecendo um melhor conhecimento sobre as diversas realidades, com seus obstáculos e superações; 2. Esporte Solidário, visando o desenvolvimento de ações educativas, integradas a outras formas de atendimento pessoal e social de crianças e adolescentes. Um fato demonstrado por estudiosos de várias nacionalidades na época da estruturação do Programa Esporte Educacional era o de que a partir das idéias de Coubertin (1896) e das concepções de Thomas Arnoud (1928), dentre outros, o chamado esporte moderno, tratava-se de uma redução, um corte, uma fragmentação do fenômeno Esporte. Assim, desconsiderava os principais valores e funções sociais a ele inerentes. Ao mesmo tempo, o movimento a favor dos valores sociais e princípios do Esporte como meio de Educação vinham crescendo tanto no 44 Brasil como no exterior, e conseguindo resultados significativos, mesmo com a influência, principalmente, dos meios de comunicação de massa e das posturas corporativistas e tentativas massificadoras de alguns segmentos da sociedade brasileira. Barbieri (1996, p. 16-17) encontrou na literatura especializada, em documentos oficiais, em Leis e Decretos e nas palavras de livres pensadores considerações e orientações que tinham como referência o Programa Esporte Educacional, são as seguintes: “os ministros de Esportes dos países membros da ONU, reunidos em Paris, em 1976, por ocasião da ‘I Conferência Internacional de Ministros e Altos Funcionários encarregados pela Educação e Esporte’, em suas Resoluções, afirmam ser o Esporte um meio de ‘formação integral às crianças, jovens e adultos na perspectiva da educação permanente”, voltado ao desenvolvimento da ‘solidariedade, respeito total da integridade e dignidade do homem’”. “a ‘Comissão de Reformulação do Deporto Nacional’, criada pelo Decreto nº. 91.452, de 19 de julho de 1985, composta, dentre outros nomes de expressão no campo do Esporte, por Manoel Tubino, Adhemar Ferreira da Silva, André Richer, Carlos Nuzman, Maria Esther Bueno e Edson Arantes do Nascimento, em suas indicações, afirma-nos que o esporte Educacional tem “ por finalidade o desenvolvimento integral do homem brasileiro como um ser autônomo, democrático e participante, contribuindo para a cidadania”. “a Lei nº. 8.62, de 06 de julho de 1993, estabelece que o Esporte a, ‘evitando-se a seletividade, a hipercompetitividade de seus praticantes com a finalidade de alcançar o desenvolvimento integral e a formação para a cidadania’, tem o seu desenvolvimento tanto nos sistemas oficiais de ensino, como fora deles”. “a ‘política Nacional de Deporto’, vigente no período 92/94, também concebia que o Esporte, e suas atividades, como um elemento fundamental no processo de formação do homem enquanto cidadão, apontando, principalmente no âmbito da Educação de crianças e adolescentes, sua importância no que se refere à ‘interpretação da realidade’; ao ‘pleno desenvolvimento da capacidade humana’; ao ‘desenvolvimento de um processo participativo e integrador’; à sua relevância social; à compreensão ‘melhor do mundo que nos cerca’; à preparação para ‘atuar na sociedade’; ao ‘enriquecimento e aprofundamento das alternativas e possibilidades’”. “o esporte não é importante só porque nos dá campeões. ‘O Esporte é muito mais importante porque pode resolver muitos problemas que o País enfrenta’, concebe e afirma, a todos, Fernando Henrique Cardoso”. “[...] o esporte pode ajudar a melhorar a vida dos brasileiros. E não apenas conquistando medalhas [...], são palavras de Pelé, ‘Atleta do Século’ e hoje, também, Ministro do Esporte”. 45 2.3.2. Projeto Velas do Ceará – Esporte Solidário Temos como referência para análise do Programa Vilas Olímpicas do Ceará dois momentos na história política deste Estado, a saber: A gestão do governador Tasso Jereissati (1995 - 2002), quando as Vilas Olímpicas foram implementadas no Ceará e a gestão do governador Lúcio Alcântara (2003 – 2007), momento em que as Vilas Olímpicas passam a ser gerenciadas pela Secretaria de Esporte e Juventude do Estado do Ceará. É importante ressaltar os políticos citados, no período de seus mandatos eram membros do Partido da Social Democracia Brasileiro. O projeto Velas do Ceará – Esporte Solidário tinha como proposta: “construir um programa voltado para a área do Desporto que contemplasse patamares mais elevados da qualidade de vida das camadas populares no contexto das políticas culturais enquanto instrumento da cidadania e da democracia nos bairros”. (Simão, 1996, p.2) E ainda, “Trabalhar a socialização, tendo como referência o espaço de moradia e a atuação dos sujeitos, se constitui numa nova proposta no âmbito das políticas públicas no trato da relação “casa” e a “rua”. Visto que, o programa Velas do ceará se propõe resgatar a convivência do bairro, a maneira de ver e agir das pessoas articuladas ao contexto social, a vida cultural gestada no seu interior, e que muitas vezes é esquecida enquanto espaço de intervenção das políticas sociais.” (idem, 1996, p.2) A proposta tinha como pressuposto: “resgatar os sentidos da cultura do bairro, e ao mesmo tempo implantar uma política cultural e esportiva capaz de criar arte; gerar reflexões; instigar o fazer político; restaurar redes de sociabilidade; reconquistar a vida cotidiana como espaço humano; e promover a iniciação com o esporte.” (idem, 1996, p.3) 46 Possuindo como elemento central a problemática vivida pelas crianças e adolescentes e a necessidade de criação de novas estratégias de atuação na área do esporte o governador Tasso Jereissati através da Secretaria da Cultura e do Desporto do Estado do Ceará (SECULT) construiu as Velas do Ceará – Vilas de Arte, Lazer e Esporte. Esta secretaria era responsável pela implantação, direção e coordenação geral do programa, sendo representada por uma equipe técnica multidisciplinar composta por assistentes sociais, educadores físicos, pedagogos, nutricionista e outros. A SECULT definiu as Velas do Ceará como: “um espaço de convivência cultural e esportiva que visa trabalhar a criança e o adolescente, no próprio bairro, propiciando sua iniciação com o esporte, a música, a dança, as artes plásticas, a biblioteca e o teatro” . (idem, 1996, p.3) Vale destacar que na época da implementação das Vilas Olímpicas o esporte não possuía uma secretaria independente, estando atrelada à cultura. No entanto, existia a Federação de Assistência Desportiva do Estado do Ceará - FADEC, órgão vinculado à Secretaria de Cultura (SECULT), responsável pelos eventos esportivos no Estado; suas ações estavam voltadas mais para o esporte competição (profissional, amador e estudantil) nas áreas de planejamento, organização e execução de campeonatos, torneios e olimpíadas no interior e na capital do que para o esporte educacional e de participação. Voltando ao programa, este tinha como objetivo geral implantar nos principais bairros de Fortaleza, equipamentos desportivos que aliados a atividades multidisciplinares, garantam a elevação do padrão sócio-educativo e cultural das criançase adolescentes. E como objetivos específicos: “proporcionar ás crianças e aos adolescentes, na faixa etária de 07 a 17 anos, atividades esportivas associadas a atividades de reforço escolar, saúde, cultura e lazer; possibilitar a participação efetiva da comunidade em todas as etapas do projeto, tornando-a co-gestora do processo de formação de crianças e jovens; oferecer aos adolescentes, entre 12 e 17 anos, cursos compatíveis com a clientela alvo e as necessidades do local, tendo em vista a sua inserção no mercado de trabalho; proporcionar à clientela atendida 47 aperfeiçoamento esportivo visando sua participação em torneios, campeonatos e olimpíadas; proporcionar maior integração com a escola e a comunidade; proporcionar mudanças de hábitos, atitudes sociais, através de orientações e das regras básicas de esporte; desenvolver, em caráter complementar, atividades esportivas envolvendo as famílias dos assistidos; desenvolver, em caráter complementar, programas esportivos específicos para idosos e deficientes “ (idem, 1996, p.7) Os bairros contemplados com os equipamentos esportivos foram: Messejana, Conjunto Ceará, Genibaú e Castelão. No da gestão do governador Tarso Jereissati foi inaugurada a Vila Olímpica de Nova Jaguaribara no interior do Estado. O novo da proposta era a ousadia de trabalhar a realidade social, tendo a cultura e o esporte como referência central para a construção de um processo educativo, visando à formação integral da criança e adolescente. E importante considerar que a proposta perpassava toda a vida comunitária, atrelando os diversos problemas sociais numa dinâmica de transversalidade das ações, detectada a partir da convivência comunitária. A proposta pedagógica do programa visava contribuir na formação da criança e adolescente enquanto cidadão, onde o esporte é visto como um meio de educação e socialização. Esta foi norteada pelos princípios do Esporte Educacional. A proposta tinha como referência central a realidade social vivida pela criança e adolescentes, onde sua prática resultaria de um processo constante de reflexão e ação. Assim, o ensino-aprendizado do esporte virá da abertura da convivência dos sujeitos envolvidos enquanto construtores ativos do trabalho. Este processo possibilitaria o resgate do saber dos participantes e fomentaria novos conhecimentos numa troca de saberes. Com isso, a proposta se propunha a sensibilizar os participantes nas diversas linguagens artísticas e esportivas, com vistas à construção da cidadania. 48 2.3.3. Projeto Vilas Olímpicas da Juventude do Ceará Com a criação da Secretaria de Esporte e Juventude (SEJUV) em 2004, no Governo Lúcio Alcântara, esta passa a ser responsável pela direção e coordenação geral do Programa Vilas Olímpicas do Ceará. Isto implica numa modificação no nome do programa que passa a ser chamado de Vilas Olímpicas da Juventude do Ceará. Porém, mantém-se a proposta de esporte do projeto anterior. 2.3.4. Vila Olímpica do Conjunto Ceará O Jornal dos Bairros – Conjunto Ceará (setembro/1996) traz como manchete: “Bairro ganha a primeira Vila Olímpica de Fortaleza”. Transformado em bairro em 11 de outubro de 1989, o Conjunto Ceará na época já era bairro de referência em Fortaleza, posto que este concentrava várias ações do Governo do Estado. O bairro já era considerado uma verdadeira cidade dentro de Fortaleza, completando 20 anos de existência, consagrando-se como um pólo comercial, social e cultural ativo, sendo destaque entre todos os bairros. Abrange uma área com quatro (04) etapas. De acordo com a Companhia de Habitação do Ceará (COHAB) eram cerca de 8.669 casas. Nesta época a população variava entre 40 e 60 mil habitantes. Conforme o comerciante José. B. C. “devemos agradecer a Deus e aos políticos o desenvolvimento do Conjunto Ceará [...]”. O taxista Moacir S. L. diz que “[...] Conjunto Ceará sempre foi bom para morar, ruim eram os acessos. Depois que entrou o Tasso, o Ciro, fizeram a reforma, taí a diferença [...]”. 49 O Conjunto Ceará recebeu a primeira Vila Olímpica da capital, em solenidade com as presenças do governador Tasso Jereissati e do humorista Renato Aragão, embaixador do UNICEF o Brasil. Inicialmente, o espaço físico da Vila Olímpica do Conjunto Ceará contava com refeitório, cozinha, duas (02) salas de apoio pedagógico, salão polivalente, ambulatório e consultório médico e sala de leitura, quadra poliesportiva, campo de futebol e pista de atletismo. É importante evidenciar que no bairro existia já um (01) ABC e um (01) Centro Social Urbano. Após a inauguração da Vila Olímpica iniciou-se a construção de Liceu que seria uma escola modelo, completando assim o atendimento nas áreas de educação, esportes e lazer para as crianças e adolescentes do bairro. Para compor a equipe de trabalho da Vila Olímpica do Conjunto Ceará, foram selecionados dez (10) instrutores entre pessoas do próprio bairro. Eles receberam treinamentos de capacitação e didática de ensino, organizados pela SECULT. José M. M. morador da 4ª, diz entusiasmado que “toda a comunidade está creditando que o projeto via dar certo e que será uma maneira muito boa de ocupar o tempo livre das crianças com algo tão bom como era o esporte”. Este foi selecionado em primeiro lugar como instrutor de futsal, responsável pela instrução e orientação esportiva da Vila Olímpica do Conjunto Ceará. Além dos instrutores, foram também selecionados apoio pedagógico, serviços gerais, faxineira, cozinheira e jardineiro. Contando também com coordenador administrativo, apoio administrativo, nutricionista, médico, enfermeiro, educador físico e arte-educador. O principal critério de seleção era residir no próprio bairro. Também, os candidatos deveriam submeter-se a provas práticas. Os selecionados receberam treinamento especifico para cada função. Conforme a coordenadora geral do Programa Vilas Olímpica do Ceará na época, Tereza Simão, “a utilização de pessoas dos próprios bairros é uma boa forma de garantir a plena participação da comunidade local no desenvolvimento de todas as atividades das Vilas Olímpicas”. (Jornal do Bairro, 1996, p.5) 50 Atualmente, a equipe de trabalho da Vila do Conjunto Ceará tem um (01) coordenador administrativo, um (01) coordenador de esporte, um (01) coordenador pedagógico, uma (01) nutricionista, um (01) professor de música, dois (02) estagiários de Pedagogia, quatro (04) estagiários de Educação Física, duas (02) faxineiras, um (01) jardineiro e duas (02) cozinheiras. Desenvolve atividades na área de esporte nas modalidades: atletismo, handebol, futsal, voleibol, basquete e futebol, além da ginástica para adulto, recreação e iniciação esportiva. Também conta com atividades pedagógicas de reforço escolar, desenho, violão e flauta. Também é responsável por ações complementares às atividades cotidianas de seus alunos. Estas ações têm caráter de programas e projetos, a saber: 1. Colônia de Férias: Configura-se como uma proposta inovadora que busca conciliar um espaço ocioso em um espaço de produção, desenvolvidas através de uma temática global e divididas em sub-temas. 2. Jogos Intervilas: São os jogos realizados anualmente entre as Vilas Olímpicas de Fortaleza, acontecem no mês de julho e têm caráter democrático e participativo. Priorizam o coletivo na busca permanente de dar sentido à essência da competição, ou seja, “ter competência”. Nestes jogos todas as equipes são premiadas. È importante salientarmos que os projetos descritos são comuns a todas as Vilas Olímpicas.Além destes, existem outros desenvolvidos somente na Vila Olímpica do Conjunto Ceará, são os seguintes: 1. Programa Ludicidade pelo Movimento - Em Busca de um Abraço Amigo: como foi denominado o programa desenvolvido desde o ano de 1999, nas Vilas Olímpicas e em algumas Escolas da Rede Pública e Particular. Este programa tem como princípio utilizar a ludicidade aliada a prática de crianças e adolescentes, e assim, compreender a relevância do resgate de valores como: a cooperação, a solidariedade, o respeito e a liderança; por intermédio da utilização de práticas lúdicas e recreativas desenvolvidas nas atividades desportivas. Este programa acontece anualmente e tem a duração de quatro meses, possui os seguintes sub- projetos: Vilas para as escolas, gincana da paz, caminhada pela paz e abraço amigo; 51 2. Encontro de Consciência Corporal: Conta com a participação da comunidade adulta em geral e das Vilas Olímpicas, buscando congregar todos aqueles que desejam uma longevidade saudável, aborda assuntos variados como: atividade física, alimentação, lazer e atividades terapêuticas; através mini-cursos, palestras, oficinas e outras; está comprometido com a construção de uma corporeidade, onde o lúdico e o saber sejam socializados e produzidos por todos; 3. JEFIN’S: São os jogos dos atletas de final de semana, são realizados com o intuito de promover a socialização da comunidade que utiliza o espaço físico da Vila Olímpica nos finais de semana. Desenvolvido nas modalidades de futsal e futebol. Estes acontecem somente na Vila Olímpica do Conjunto Ceará, apesar de terem o apoio e a participação das Outras Vilas Olímpicas. Para a coordenadora de esporte da Vila Olímpica do Conjunto Ceará, “os projetos e programas da área da Educação Física nesta instituição precisam partir da concepção de que a cultura, o esporte e o lazer são importantes para a apreensão e discussão de valores”. Com nove anos de história, concretizadas através de ações na comunidade, o equipamento é referência de prática esportiva no bairro, muito embora, a realidade atual mostre que este é freqüentado mais por pessoas de comunidades próximas do que propriamente pelos moradores do bairro onde o equipamento foi construído; isto pode ser explicado, dentre outras razões, pelo fato do equipamento localizar-se numa zona de fronteiras, estando situado na última etapa do bairro; por isso próximo de outros bairros e distante do centro local. Além disto, deve-se ressaltar que com o aumento da violência em seu entorno a Vila Olímpica do Conjunto Ceará passou a ser vista como um local inadequado para utilização pelas pessoas que moram no próprio bairro, dentre outras razões: por atender crianças, adolescentes e adultos que moram em bairros vizinhos classificados como inferiores; por estarem mais susceptíveis a mazelas sociais. Por isso, a maioria das crianças e adolescentes que freqüentam a Vila Olímpica tornaram-se uma ameaça constante à segurança dos moradores deste bairro. 52 Podemos perceber que as pessoas que moram no Conjunto Ceará sentem-se superiores as pessoas que moram nos bairros próximos por terem um padrão social e econômico mais elevado. Também podemos constatar que muitas das crianças e adolescentes que moram nesses bairros, têm vergonha de dizer que residem neles. A maioria das crianças e adolescentes matriculados na Vila Olímpica do Conjunto Ceará são alunos das escolas Liceu do Conjunto Ceará e Escola de Ensino Fundamental Professor José Militão de Albuquerque ambos da Rede Pública Estadual. Contribuindo para isto, o fato das aulas práticas de Educação Física daquelas escolas acontecem nos espaços daquele equipamento. Também foi possível averiguarmos por meio de observações e comentários feitos pela coordenadora de esporte, que também é professora de Educação Física de uma das escolas citadas, que a direção da escola recebe muita reclamação dos pais pelo fato das atividades de Educação Física da escola serem realizadas na Vila Olímpica; isto implicaria numa influência negativa e causaria insegurança para seus filhos uma vez que qualquer pessoa tem acesso aos espaços da Vila Olímpica. 53 CAPÍTULO 3 3. CONSTRUINDO A METODOLOGIA DA PESQUISA 3.1. Caracterização da amostra A amostra foi composta por 100 alunos de ambos os sexos com idades variando entre 09 e 17 anos de idade. O critério de participação adotado foi o aluno estar matriculado nas atividades esportivas da Vila Olímpica do Conjunto Ceará a pelo menos 3 meses. A amostra de alunos foi calculada para uma confiança de 95%, supondo- se a existência de uma variável com distribuição na população com variância máxima quando medida dicotomicamente e erro de 10%. Além dos alunos, também participaram 03 estagiários de esportes acadêmicos do Curso de Educação Física de universidades distintas, 01 monitor de esporte credenciado pelo Conselho Regional de Educação Física do Estado do Ceará (CRF-CE), e 01 coordenadora de esporte graduada em Educação Física. 3.2. Instrumento de coleta de dados Os instrumentos de coleta de dados utilizado na investigação foram dois tipos de questionário. O questionário dos alunos com 30 perguntas fechadas e o questionário dos estagiários, do monitor e da coordenadora de esporte com 07 perguntas abertas (ver apêndice). 54 3.3. Análise dos dados Os dados coletados no questionário aplicado com os alunos foram organizados e repassados para o programa SPSS 13.0, posteriormente foram analisados por meio de técnicas estatísticas disponíveis nesse “software”. E os dados coletados nos questionários aplicados com os estagiários, monitor e coordenadora de esporte foram analisados qualitativamente juntamente com os resultados do questionário aplicado com os alunos. 55 CAPÍTULO 4 4. Resultados e discussão 4.1. Resultado dos dados referentes aos alunos 4.1.1. Perfil Os sujeitos da amostra apresentam idades variando de 9 a 17 anos (91% dos sujeitos), as idades observadas concentram-se na faixa etária de 10 a 15 anos. A idade média foi de 12,7 anos. Há predominância de sujeitos do sexo masculino (66%). A maioria se considera pardo sendo 73, 11 se consideram pretos, 10 brancos e 6 indígenas. Quanto ao tipo de escola que estudam 20 estão matriculados no Ensino Fundamental I (1ª a 4ª série) e 69 no Ensino Fundamental II (5ª a 8ª série) e 11 no Ensino Médio. Destes, 95 alunos matriculados em escola pública, sendo 41 na rede municipal e 54 na rede estadual, somente 5 estudam em escola particular. Quanto ao turno em que estudam, 60 estudam pela manhã, 37 à tarde e somente 3 à noite. Em relação ao trabalho somente 4 trabalham, 1 prestando serviço doméstico em outra casa, 1 como feirante, 1 com serigrafia e 1 como vendedor ambulante. Os salários variam de R$ 10,00 a R$ 50,00 por mês, com idades respectivamente de 13, 12, 14 e 9 anos. 56 A unidade se situa no bairro Conjunto Ceará próximo ao limite com o bairro Parque Genibaú onde reside a maioria dos sujeitos (58). No Conjunto Ceará residem 37 sujeitos e os 5 restantes da amostra se distribuem por três bairros mais afastados da Vila Olímpica. Na amostra 17 sujeitos recebem bolsa atleta do Governo Federal. 4.1.2. Situação sócio-econômica da família Em relação à família 61 moram com pai e mãe, 34 moram com a mãe, 1 com o pai, 3 com avós, 1 com outrapessoa (responsável pelo sujeito). Quarenta e sete famílias são chefiadas pelo pai, 46 pela mãe, 2 pelo avô, 4 pela avó, e 1 pelo responsável pela família com quem o sujeito reside. Nas famílias dos sujeitos o nº. de pessoas que não trabalham varia de 1 a 13, com concentração no intervalo de 1 a 7 (96%). Nessas famílias 56 recebem bolsa família do Governo Federal. A renda mensal familiar está concentrada em até R$ 700,000 – 2 salários mínimos, sendo 87 famílias. Setenta famílias a renda familiar provem de uma única pessoa sendo que 30 somente do pai e 30 somente da mãe das famílias. Em 20 famílias a renda provem de 2 membros da família e nas outras 10 de 3 membros da família. Em relação à posse de aparelhos eletro/eletrônicos foram relacionados 17 aparelhos mais comuns em residência. Trinta e uma famílias possuem 8 desses equipamentos, 38 possuem 6 ou 7 desses parelhos, 9 possuem de 2 a 5 e 21 possuem de 9 a 13. Os aparelhos eletro/eletrônico mais comuns são televisão e rádio 99, liquidificador 93, geladeira 88, ventilador 83 e nenhuma família possui computador e somente 5 tem acesso à internet fora da residência. Entre 86 membros da amostra que declararam conhecer a profissão do pai, 36 informaram que é funcionário de empresa privada, 27 que é autônomo, 18 que é prestador de serviço, 3 que é funcionário público, 1 disse que o pai trabalhava 57 mas não sabia em que tipo de trabalho e 1 não soube responder. Entre esses declarantes 34 afirmaram trabalhar com carteira assinada. Entre os 56 que declararam o salário do pai. O salário dos pais distribuem-se por 27 com 1 salário mínimo, 10 com menos de 1 salário mínimo e 15 com mais de 1 salário e até 2 salários, somente 1 com mais de 2 salários. Entre os 68 sujeitos da amostra o tipo de trabalho da mãe observou-se que 34 são prestadoras de serviço, 24 são autônomas, 9 funcionária de empresa privada, 1 funcionária pública, sendo que 9 trabalham em empresa privada tem carteira assinada, 48 dos sujeitos afirmaram que a mãe não trabalha com carteira assinada e 16 declararam que não sabem. Entre os 39 que declararam salário da mãe 13 mães recebem menos do que 1 salário mínimo, 20 recebem de 1 a 2 salários mínimos e 2 recebem mais de 2 salários mínimos. Em relação à escolaridade do pai, 4 declararam que o pai nunca estudou, 9 que o pai não completou a 4ª série, 28 completaram a 4ª série, sendo que desses 11 continuaram a estudar mas não completaram o ensino fundamental, 18 completaram ensino fundamental, entre esses 7 continuaram a estudar mas não completaram o ensino médio, 18 tem o ensino médio completo e 4 começaram e não concluíram a faculdade, sendo que 23 não souberam informar a escolaridade do pai. Quanto a escolaridade da mãe 6 não completaram a 4ª série, 30 tem a 4ª série completa e dessas 10 continuaram a estudar mas não completaram o ensino fundamental, 25 tem o fundamental completo, dessas 8 continuaram mas não completaram ensino médio, 17 completaram ensino médio e dessas 3 começaram mas não concluíram a faculdade, 22 não souberam informar a escolaridade da mãe. Através dos dados pai e mãe podemos verificar que as mães têm o nível de escolaridade um pouco maior que o dos pais. 4.1.3. Esportes praticados na Vila Olímpica Quanto ao número de esportes que o aluno pratica na vila, 30 praticam um único esporte, 24 praticam 2 esportes e 45 praticam 3 esportes o nº. máximo que a vila permite. 58 4.1.4. Objetivos da pratica de esporte na Vila Olímpica Perguntando sobre os objetivos dos alunos antes de entrarem na Vila Olímpica observou-se que 42 gostavam de esporte e queriam aprender a jogar; 22 achavam que era uma atividade educativa, boa para a saúde e interessante; outros 5 tinham como objetivo ocupar o tempo livre, se divertir e fazer amigos; 4 ingressaram na vila para ter disciplina e se desenvolver; 13 não pensavam em praticar e buscaram a vila por influência de outras pessoas ou amigos; somente 8 tinham como objetivo ser atleta profissional e ganhar bolsa atleta. Esse dado não reflete afirmações que são feitas de que os alunos buscam a Vila Olímpica como forma de se profissionalizarem no esporte. Em relação aos objetivos que os alunos passaram a ter depois que ingressaram na Vila Olímpica 58 informaram que seria aprender a jogar pois gostavam de praticar esporte; 23 afirmaram que as atividades são boas para a saúde, interessante e desafiadoras e que permitem aprender muitas coisas; 3 afirmaram que têm como objetivo ocupar o tempo livre e se divertir; 2 ter disciplina, se exercitar e ser educado; 3 afirmaram não ter objetivo estar por influência de amigos, 8 mantêm o objetivo de ser atleta profissional e ganhar bolsa atleta. As atividades esportivas que se destacaram como mais praticadas foram: handebol com 20 praticantes, futsal com 19, futebol com 15, voleibol com 11 e atletismo com 10. Os demais se distribuíram nas práticas de karatê, basquete, capoeira, iniciação esportiva e recreação num total de 23. 59 4.1.5. Conhecimentos sobre a Vila Olímpica 4.1.5.1. Conhecimento de direitos e deveres dos alunos da Vila Olímpica Perguntados sobre os direitos que os alunos têm na Vila Olímpica chama a atenção o fato de 44 dos entrevistados não conhecerem; 20 afirmaram ter o direito de brincar, lazer, diversão e jogar bola; 18 aprender e praticar esporte e participar de outras atividades da vila; 11 ter merenda todos os dias e ser tratado com respeito; por fim 7 ter bom ensino, com bons professores e obedecê-los. Quanto aos deveres do aluno 42 não souberam opinar; 39 afirmaram que era obedecer aos professores e respeitar e cooperar com colegas e professores, 9 praticar esporte e outras atividades; 6 manter a vila organizada e também 6 ter disciplina e não brigar. Também desconhecem a função da representação dos alunos, 88 não souberam opinar sobre esse item, somente 12 afirmaram que a função da representação dos alunos era ajudar na organização e melhoria das atividades da vila e também organizar os alunos para reivindicar direitos. 4.1.6. Avaliação dos professores (estagiários e monitores de esporte) Os 49 itens (21.1 – 23.13) contidos no questionário aplicado tinham com objetivo os alunos avaliarem as ações dos estagiários e monitores de esporte. Cada um desses itens era medido numa escala de Likert com 3 categorias: nunca, quase sempre e sempre (escorizada respectivamente com os escores (0) na 1ª categoria, (1) na 2ª categoria, (2) na 3ª categoria. Esse conjunto de itens constitui 3 blocos: 1º com 20 itens (q21_1 a q21_10), o 2º bloco com 16 itens (q22_1 a q22_16) e o 3º bloco com 13 itens (q23_1 a q23_13). Em cada um desses blocos realizou-se analise fatorial, método dos componentes principais, com rotação VARIMAX. 60 O 1º bloco apresentou medida de adequação da amostra de Kaiser- Mayer-Olkin (KMO) = 0,738 e prova de esfericidade de Bartlett com (Q_quadrado aproximado) significativo p < 0,01. Foram extraídos 3 fatores explicando 43,1 % da variância total. Na matriz obtida após a rotação, foram selecionados para cada fator os itens com carga fatorial ≥ 0,30. Em seguida percebeu-se que à analise semântica dos itens dos fatores permitiu identificar o que media o subconjunto de itens do fator. O 1º fator extraído refere-se a atitudes de não exclusão de alunos pelo professor e é constituído pelos itens q21_12 a q21_19. Esse fator apresentou (α Cronbach) = 0,35. O 2º fator refere-se a incentivos que motivam o aluno a praticar esporte e é constituído pelos itens q21_2, q21_4a q21_9, esse fator apresentou coeficiente de precisão α = 0,59. O 3º fator refere-se a atitudes de estimulo (reforço) em relação a prática de esporte e é constituído pelos itens q21_1, q21_3, q21_10 1 q21_11, e q21_20, e apresentou na amostra coeficiente de precisão α = 0,55. No 2º bloco observou-se medida de adequação da amostra Kaiser-Meyer- Olkin (KMO) = 0, 743, e teste de esfericidade de Bartlett (Q_quadrado aproximado) significativo para p < 0,01. Foram extraídos 3 fatores explicando 47,1% da variância total. Na matriz obtida após a rotação foram selecionados para cada fator os itens, com carga fatorial ≥ 0,30. Em seguida percebeu-se à analise semântica dos itens dos fatores que permitiu identificar que variável esse conjunto de itens estava medindo. O 1º fator refere-se a conversas que o professor realiza individual ou coletivamente sobre a vida pessoal do aluno e é constituído pelos itens 22_6 a 22_11 e o fator apresentou na amostra coeficiente de precisão (α Cronbach) = 0,79. O 2º fator refere-se a conversas do professor com os alunos sobre aspectos da vida social do aluno, constituindo pelos itens q22_1 a q22_5, q22_12 e q22_13. O fator apresentou na amostra coeficiente de precisão α = 0,65. O 3º fator extraído refere-se ao ensino dos fundamentos e táticas do esporte que o aluno prática e é constituído pelos itens q22_14, q22_15 e q22_16. O 3º bloco apresentou medida de adequação da amostra Kaiser-Mayer- Olkin (KMO) = 0,743 e teste de esfericidade com de Bartlett (Q_quadrado aproximado) significativo p < 0,01. Foram extraídos 2 fatores explicando 37% da variância total. O 1º fator refere-se ao ensino pelo professor dos fundamentos, tática 61 e regras através dos jogos recreativos e adaptados e é constituído pelos itens q23_1 a q23_7 e q23_10 a q23_13. A precisão do fator foi α = 0,72. O 2º fator refere-se à aplicação pelo professor de exercícios de alongamento e aquecimento e/ou pós- atividade e é constituído pelos itens q23_8 e q23_9 a precisão do fator na amostra foi α = 0,82. 4.1.7. Análise dos fatores extraídos Considerando-se que o nº. de itens em cada fator extraído não é o mesmo para cada fator, por via de conseqüências as escalas de medida de escore de cada fator não são sempre a mesma. Então, os escores de todos os fatores foram transformados para uma única escala de nota com os valores podendo variar de 0 a 10. Dessa forma, os resultados obtidos em cada fator podem ser comparados. Na avaliação as atitudes do professor de não exclusão dos alunos a média das notas atribuídas pelos alunos foi 7,1 e desvio padrão 2,83 e coeficiente de assimetria = 1, 24, indicando uma concentração nos valores acima da média. Observamos que 56% dos alunos da amostra atribuíram ao professor nesse item nota superior a 8.0, 25% dos alunos atribuíram nota no intervalo de 5.0 a 7.5 e 19% atribuíram nota inferior a 5.0. Em relação à motivação dos alunos pelo professor a média das notas atribuídas pelos alunos foi de 7.2 e desvio padrão 1.8, coeficiente de assimetria = 0, 27, 57% dos alunos atribuíram nota superior a 7.0, 35% atribuíram nota no intervalo de 5 a 6.4 e 17% nota inferior a 5.0. Quanto ao desenvolvimento de ações de reforço no uso de brincadeiras e jogos (pelo professor) a média das notas atribuídas pelos alunos foi 6.3, desvio padrão = 1, 48, coeficiente de assimetria = 0, 13, 46% dos alunos atribuíram nota igual ou superior 7.0, 44% atribuíram nota 5.0 ou 6.0 e somente 10% nota inferior a 5.0. 62 Na realização pelo professor de conversas com os alunos sobre aspectos de sua vida particular, a média das notas atribuídas pelos alunos foi 4.1 e desvio padrão = 2, 69 e coeficiente de assimetria = 0,2. Indicando uma pequena concentração de notas inferiores à média, somente 20% dos alunos atribuíram nota superior a 7.0., 30% atribuíram nota de 5.0 a 6.7 e 50% nota inferior a 5.0. Na realização pelo professor de conversa sobre aspectos de sua vida social, a média das notas de atribuídas pelos alunos foi 4.1, desvio padrão 2,30 e coeficiente de assimetria = 0,25. 15% dos alunos atribuíram nota superior a 7.0, 23% notas no intervalo de 5.0 a 6.4 e 62% nota inferior a 5.0. No ensino dos fundamentos e tática do esporte a média das notas atribuídas pelos alunos foi 7.3, desvio padrão = 2,9 e coeficiente de assimetria = 0,66. Indicando uma concentração significativa em notas acima da média, 54% das notas foram acima de 8.0, 39% entre 5.0 e 6.7 e somente 7% nota inferior a 5.0. No ensino dos fundamentos, táticas e regras do esporte través de jogos recreativos e adaptados à média das notas atribuídas pelos alunos foi 6.1, desvio padrão = 1,84 e coeficiente de assimetria = 0,27. Nesse item 27% dos alunos atribuiu nota superior a 7.0, 47% notas no intervalo de 5.0 a 6.8 e 26% nota inferior a 5.0. Na aplicação de exercícios pré e/ou pós atividade a media das notas atribuídas pelos alunos foi 8.1, desvio padrão = 2,64 e coeficiente de assimetria = 1,287. Indicando uma concentração de notas em valores acima da média, 75% foram superior a 7.0, 19% igual a 5.0 e somente 6% inferiores a 5.0. Considerando-se a média observada na distribuição de notas obtidas nos fatores extraídos e organizando-os em ordem decrescente esses fatores, segundo a média, tem-se a série a seguir, com as respectivas médias. 1. Exercícios pré e/ou pós atividade – 8.1; 2. Ensino dos fundamentos e táticas do esporte – 7,3; 3. Promoção de motivação dos alunos – 7.2; 63 4. Atitudes de não exclusão dos alunos – 7.1; 5. Ações de reforço no uso de brincadeiras e jogos – 6.3; 6. Ensino dos fundamentos, táticas e regras do esporte através de jogos recreativos e adaptados – 6.1; 7. Conversas com os alunos sobre aspectos de sua vida particular – 4.8; 8. Conversas com os alunos sobre aspectos de sua vida social – 4.1; Observamos que os fatores relacionados de 1 a 4 foram bem avaliados pela maioria dos alunos, os fatores de ordem 5 e 6 representa uma variação que poderia ser considerada regular, e nos fatores de ordem 7 e 8 a maioria dos alunos avaliou-os com notas baixas ou muito baixas. Ao analisarmos as ações do professor nas aulas de esporte da Vila Olímpica do Conjunto Ceará a partir da avaliação dos alunos, utilizamos como referência a proposta pedagógica do Projeto Velas do Ceará e Vilas Olímpica da Juventude do Ceará, tendo a compreensão de que estas buscam nortear a prática pedagógica dos que atuam com o ensino do esporte, assim como o pensamento dos autores citados no referencial teórico. Percebemos que os exercícios pré e/ou pós atividade, o ensino dos fundamentos e táticas do esporte, a promoção de motivação dos alunos e as atitudes de não exclusão dos alunos são bastante utilizados pelos professores, o que permite ver que no ensino do esporte ainda prevalece o caráter técnico e tático para o aprendizado do jogo em detrimento dos demais objetivos. Também são vistas com menos destaque ações de reforço no uso de brincadeiras e jogos e ensino dos fundamentos, táticas e regras do esporte através de jogos recreativos e adaptados. Considerando os itens conversas com os alunos sobre aspectos de sua vida particular (relação pais e filhos, desempenho escolar, experiências, curiosidades, necessidades, valores) e conversas com os alunos sobre sua vida social (cidadania, violência, preconceito, inclusão). Daí, percebermos que os 64 professores responsáveis pelo ensino do esporte na Vila Olímpica do Conjunto Ceará, ainda não têm uma compreensão clara acerca do esporte como instrumento de inclusão social,de formação para a vida. 4.2. Dados referentes aos estagiários, monitor e coordenadora de esporte 4.2.1. Questionário/ estagiários e monitor Aplicamos o questionário com 04 pessoas, sendo 03 estagiários e 01 monitor de esporte. Cada um destes está identificado com uma letra. Para a compreensão de esporte estes consideram o mesmo como: A - “Uma ação social constitucionalizada, composta por regras, desenvolvido com base lúdica onde liberdade e o prazer são elementos essenciais. Desenvolve-se em forma de competição entre dois ou mais oponentes ou contra a natureza, onde se verifica a comparação dos resultados alcançados, determinando o vencedor ou registrando o recorde”. B - “O esporte é um dos conteúdos da Educação Física e é um dos norteadores da prática dos profissionais de Educação Física, mais deve ser trabalhado de forma educacional e cooperativa ao invés da competição, pois dessa forma o esporte pode ensinar diversos valores humanos aos seus praticantes, bem como traz benefícios à saúde se praticado de forma orientada”. C - “O esporte é um elemento relevante para integração de uma comunidade, promovendo assim, a melhoria de vida e a prática da empatia”. D – “[...] fundamental e imprescindível na vida. Pois nos proporciona uma vida mais saudável e ativa, nos traz um convite a uma convivência em meio coletivo para que possamos entender o outro e a nos mesmos [...]”. 65 Quanto aos valores que o esporte pode desenvolver estes destacaram: A - “Autonomia, independência, socialização, valor da coletividade, respeito, importância da espera, auto-controle, liderança, criação de estratégias, dentre outros”. B - “A cooperação, o respeito à obediência e cumprimento de regras e a cordialidade”. C – [...] autonomia, auto-estima, respeito-mútuo, cooperação”. D - “Valores de vida em geral”. Em relação ao entendimento sobre projeto social na área do esporte estes responderam o seguinte: A - “A socialização e a construção de valores são elementos fundamentais que podem ser trabalhados através do esporte em projetos sociais.“. B - “A importância se dá principalmente pela inclusão social das crianças e adolescentes que participam dos projetos sociais. Através do esporte essas crianças permanecem fora das ruas e se envolvem com o esporte aprendendo diversos valores humanos.”. C – “São projetos que visam proporcionar um bem-estar aos moradores de uma determinada região, utilizando para isso o esporte, seria uma ferramenta na construção de verdadeiros cidadãos”. D - “É fundamental a existência desses projetos nas comunidades [...] tirando-os da ociosidade e consequentemente das drogas e da marginalidade [...]. Não esquecendo de ainda formam alguns atletas de nível [...]”. 66 Sobre a proposta de inclusão social da Vila Olímpica ressaltaram que: A - “[...] nasce com a participação ativa dos alunos nas atividades, mas tem seu ápice no cotidiano, naquilo que é repassado pelos professores como maneiras de modificar a própria realidade ou da comunidade”. B - ”[...] a inclusão social pretende retirar os alunos da marginalidade [...]”. C - ”[...] uma boa proposta, quando a mesma é colocada em prática, mas principalmente seu ambiente físico é um dos causadores da própria exclusão”. D - “Uma oportunidade que é dada para eles de terem algum pensamento, alguma esperança de uma melhora em sua vida, de serem reconhecidos por meio [...] do esporte.”. Em se tratando da participação no trabalho da Vila Olímpica, estes salientaram que: A - “Estive durante dois anos participando como estagiário de Educação Física na Vila Olímpica do Conjunto Ceará. Sempre com a proposta de trabalhar através do esporte educacional, mas, tendo encontrado várias dificuldades para isso, pois não é uma proposta fácil se realmente busca-se um objetivo educacional e não técnico/tático”. B - “Estagiei na Vila Olímpica do Conjunto Ceará durante dois anos. Trabalhei com diversas modalidades esportivas, o estagio foi muito rico, pois trabalhamos com temáticas, temas transversais, projetos, colônia de férias e eventos. Então o trabalho na Vila Olímpica enriquece muito minha vida profissional, é uma ótima escola onde se aprende muito na teoria e na prática”. C - “Fui conhecendo aos poucos o trabalho que era desenvolvido na Vila Olímpica e sempre me orgulhei de fazer parte de tal projeto, mas percebi também, com o avanço dos dias, que o mesmo poderia ser bem melhor senão fosse a nossa velha burocracia e o descaso de algumas pessoas. Minha participação foi de um 67 ano, com estagiária. Tive inúmeros desafios profissionais e pessoais, pois não atuava diretamente com o esporte em minhas práticas, mas como abracei a causa, resolvi ter novas experiências e me dedicar ao máximo, pois sempre pensei que eles mereciam dedicação”. D - “Sou integrado e participativo, dentro do possível. Porém, reconheço que às vezes deixo um pouco a desejar no que diz respeito à motivação e empolgação. Talvez pelo stress do dia-a-dia junto com a indisponibilidade de tempo”. Na descrição da relação com os alunos da Vila Olímpica discorreram desta forma: A - “Sempre tive boa relação com os alunos, poucas vezes precisei usar de autoritarismo para controlar algum aluno”. B - “Os alunos da Vila Olímpica são alunos de periferia, que sofrem violência em casa e nas ruas, então as pessoas em sua volta maltratam muito essas crianças, portanto qualquer carinho e atenção que os professores dedicam a esses alunos criam um laço de afetividade imenso entre alunos e professores”. C - “Durante este tempo fui professora, amiga, conselheira, psicóloga, mas tudo isso fez e faz parte de um grande vínculo que se construiu entre mim e todos que fazem parte desse projeto”. D- “Uma relação saudável. [...] dou segurança ao aluno do que estou fazendo e também deixo claro para ele que a vida é um ensinamento eterno e sempre temos algo a aprender”. Quanto ao conhecimento que possui sobre a comunidade atendida pela Vila Olímpica, responderam da seguinte maneira: A - “[...] é uma comunidade mista composta por classe baixa e classe média baixa. Situado na periferia de fortaleza, encontra-se com os mesmos 68 problemas sociais relativos a estas classes citadas, como: falta de urbanização adequada, moradia e educação precária, dentre outros problemas.”. B - “Muito pouco. Sei que a comunidade é muito carente e necessita de projetos sociais para educar seus filhos”. C - “É uma comunidade que apresenta pessoas, em sua grande maioria, de poder aquisitivo baixo e que necessita bastante de projetos sociais na área do esporte para ocupar o tempo ocioso de suas crianças e adolescentes”. D - “Uma comunidade carente, na sua maioria”. Ao analisarmos os dados referentes ao questionário aplicado como os estagiários e monitor de esporte, percebemos uma compreensão do esporte a partir de seu caráter social, educacional, lúdico e competitivo, sendo este definido como uma ação social, uma atividade ou um conteúdo que integra, proporciona uma melhoria na qualidade de vida, promove a prática da empatia, estimula a convivência coletiva, bem como possibilita o desenvolvimento de valores humanos. Conforme os mesmos, a autonomia, o respeito, a cooperação e a auto- estima são valores humanos que podem ser evidenciados através do ensino do esporte. Também evidenciaram que os projetos sociais contribuem na socialização, desenvolvimento de valores humanos,formação para a cidadania e inclusão social. Diante disto, ressaltaram que a proposta de inclusão social da Vila Olímpica tem como finalidade a participação ativa dos alunos, o combate à marginalidade, a melhoria de vida e o reconhecimento social por meio do esporte. Quanto à participação nas atividades as limitações encontradas por eles referem-se à dificuldade no ensino do esporte na perspectiva educacional, na falta de motivação e no modo de gerenciamento do equipamento. Identificaram como ponto favorável à diversidade de experiências e o enriquecimento pessoal e profissional. 69 No geral, demonstraram ter uma boa relação com os alunos. Porém, pouco conhecimento sobre o contexto social em que estes estão inseridos, apresentando respostas sem profundidade, descrito por tais características: comunidade carente, localizada na periferia de Fortaleza, de estrato de renda médio baixo e baixo, sofre com maior incidência de problemas sociais que os estratos de renda maior. Podemos observar que esta realidade foi tratada como sendo algo comum, e ainda, que não existe uma relação entre o trabalho desenvolvido no equipamento e a vida comunitária. Ao comparamos estes resultados com os resultados da avaliação dos alunos, percebemos que existem pontos divergentes nos dados extraídos, o que nos leva a crer que existe uma lacuna entre teoria e prática. É notório que estagiários e monitor embora compreendam superficialmente o esporte na perspectiva social e educacional, ainda não sabem como desenvolvê-lo em sua prática pedagógica. Esta situação contribui sobremaneira para que prevaleça na Vila Olímpica do Conjunto Ceará o ensino do esporte na perspectiva de rendimento. Apesar dos alunos afirmarem não existir de modo aparente atitudes de exclusão. Nas aulas de esporte os alunos são pouco através de atividades dialogadas e construídas coletivamente a mudarem de comportamento e atitude, tendo em vista melhorarem suas condições de vida. 4.2.2. Questionário/ coordenadora O questionário aplicado com a coordenadora de esporte tratava sobre os seguintes aspectos: Compreensão acerca de projeto social, esta foi ressaltou que “primeiro tem que estar de fato numa área de sociabilidade, ou seja, uma área que demonstra as conseqüências deixadas pelas seqüelas sociais. Dentro deste contexto há necessidade de termos um projeto que resgate o sentido de viver em uma 70 comunidade. Temos que pensar num projeto que busque a socialização de valores e que envolva os seus participantes com papéis de atores e construtores de uma comunidade não esquecida de sua história. Uma proposta mesclada de autonomia, responsabilidade e compromisso de todos e não de alguns que manipulam direitos e desviam vontades. Uma proposta que seja discutida, elaborada e (re) elaborada com a participação da comunidade onde o projeto está inserido”. No tocante a importância dos projetos social na área do esporte salientou que seria propor “a construção de ações cooperativas, no processo de socialização entre membros da comunidade, para garantir a comunidade um direito social garantido por lei que é o ‘Esporte e Lazer’”. Acerca da função social do esporte nas Vilas Olímpicas foi colocado que seria “trazer a comunidade para se apropriar desse espaço e instigar nos alunos como também na comunidade envolvida no programa um debate constante sobre o seu papel de autores dentro desse espaço. Dentro do programa do INDESP, pelo qual o Programa Vilas Olímpicas do Ceará foi estruturado, a força do esporte em agregar de forma compromissada com os princípios do esporte educacional, direcionando os meninos na construção da cidadania. Mas qual o tipo de cidadania? Cada princípio do Esporte Educacional funcionava com ingredientes capazes de transformar esse novo. Tiveram uma boa intenção, mas as atitudes deixadas foram fazendo da função social mais distante do esporte e mais longe das Vilas Olímpicas. Hoje a função social do Esporte dentro das Vilas é mascarada com um falso discurso de inclusão social e vincula tudo isso a algumas bolsas atletas, esquecendo o valor da mudança social de um bairro. A competição que fere um dos princípios do Esporte Educacional, a cooperação, é enraizada desde o começo, passando pelas medíocres aulas ministradas sem propósito, fazendo de um espaço produtivo algo improdutivo e sem vida. As conseqüências estão bem demonstradas por seus ‘muros’, deixando claro que a função social do esporte nas Vilas Olímpicas é não existir e o valor maior é a bola que manipula a todos”. Ao tratar de como é desenvolvida a proposta de inclusão social na Vila Olímpica, foi colocado que seria “através de ações educativas que promovam valores humanos”. 71 Quanto à forma como é realizado o acompanhamento dos estagiários e monitores de esporte na Vila Olímpica, foi respondido que acontece “através de avaliações escritas e observações”. Com relação à maneira os pais são envolvidos no trabalho da Vila Olímpica do Conjunto Ceará, foi salientado que “através de alguns projetos”. Sobre a descrição dos projetos que a Vila Olímpica desenvolve na área do esporte ressaltou o seguinte: “Em 1999, diante do resgate de uma dor, surgiu o Projeto ‘Abraço Amigo’, tendo como cenário a Vila Olímpica do Conjunto Ceará e 30 crianças excluídas de seu próprio espaço. Esse programa foi criando forças e hoje reuni comunidade e universitários, ou seja, todos que buscam um valor humano e solidário. Um dos objetivos deste programa é permitir a esses alunos o direito de ser e sentir um verdadeiro ‘atleta social’, com direito a inclusão e com a participação e construção de todos. Em 2003, foi criado o ‘Projeto da vila para a Escola’, entre realidades diferentes, mas que tem em comum, crianças. Com a participação de uma escola particular com proposta social, dentro de uma prática social. Esse programa além propiciar a trocar de cartas entre as crianças e a construção de brinquedos, estimula a construção de um compromisso social das crianças daquela escola e permite a criança descobrir que as diferenças sociais estão nos adultos. E para envolver a comunidade foi criado o ‘Projeto Consciência Corporal’, que foi pensado para a comunidade em geral, como o objetivo de proporcionar aos adultos o direito de vivenciar uma academia, sendo também um momento de cobrar das universidades públicas seu compromisso social, a resposta destas instituições dar- se-ia através de oficinas ministradas por alunos da graduação, principalmente dos cursos de Educação Física destas universidades. Ao analisarmos os dados referentes ao questionário aplicado com a coordenadora de esporte percebemos que sua concepção de projeto social evidencia o fato deste está inserido numa área de vulnerabilidade social, devendo sua proposta buscar a socialização de valores e ações que elevem a participação comunitária. Daí a importância dos projetos sociais na área do esporte possibilitarem a comunidade, através de ações cooperativas, garantir o direito ao esporte. 72 Esta salienta que a função social do esporte na Vila Olímpica do Conjunto Ceará é levar a comunidade a reconhecer o equipamento como uma propriedade coletiva, promovendo um debate constante entre os envolvidos para o reconhecimento de seu papel dentro do equipamento. Ou seja, o esporte tem a função de agregar crianças, adolescentes e comunidade, tendo em vista a formação para a cidadania. No concerne à proposta de inclusão social desenvolvida pela Vila Olímpica do Conjunto Ceará a mesma ressalta a importância do desenvolvimento de ações educativastendo em vista a promoção de valores humanos. Quanto ao acompanhamento dos estagiários e monitores esta não especifica os métodos e critérios de avaliação escrita e nas observações. Quanto ao envolvimento dos pais, salienta que este acontece através da participação em projetos, porém não explicado como ocorre esta intervenção. Ao comparamos os resultados do questionário aplicado com a coordenadora de esporte aos resultados do questionário aplicado com os alunos considerando-se os itens conhecimento sobre a Vila Olímpica e conhecimento sobre os direitos e deveres dos alunos, verificamos a existência de alguns pontos divergentes. Os dados extraídos no questionário aplicado com os alunos mostram que as maiorias destes não conhecem a proposta da Vila Olímpica do Conjunto Ceará, ou seja, sua função social. Quando indagados sobre seus direitos e deveres na Vila Olímpica quase metade dos participantes da pesquisa afirmaram não conhecerem. Com isso, percebemos que os alunos não têm uma participação como protagonistas nas atividades da Vila Olímpica, tendo a participação restrita às aulas de esportes e eventos em geral. Isto corrobora o desconhecimento da função da representação dos alunos e como são utilizados os recursos financeiros destinados ao equipamento. Com relação aos pais, embora saibamos da existência de projetos e programas, fica explicito que a participação dos mesmos não se dá de modo 73 permanente, durante todas as etapas das ações realizadas no equipamento. Verificamos que a participação dos pais e segmentos da comunidade foi reduzida quando comparada à primeira gestão, período em que a participação comunitária se dava de forma mais efetiva nos fóruns setoriais e na atuação do conselho comunitário. Um fato que comprova a desarticulação da Vila Olímpica do Conjunto Ceará com a comunidade foi à construção do muro, em 2006, sem consulta prévia a comunidade, ocasionando um forte desentendimento entre os moradores que tem suas casa construídas próximo ao equipamento e coordenação da Vila Olímpica, uma vez que estas pessoas não aceitavam a construção do muro ao redor do equipamento, por considerarem que o local iria se transformar num local vulnerável a ação de infratores. Logo, ao passo que aconteciam as obras de construção do muro, estas pessoas iam lá e derrubavam. Diante de tais acontecimentos, foi necessária uma intervenção da policia para que a construção do muro fosse concluída. Ao analisarmos as considerações da coordenadora de esporte destacamos seu comprometimento com a função social e educacional do esporte. Sendo observado uma semelhança com a perspectiva de esporte proposta no Projeto Velas do Ceará e esporte. Porém, observamos que este pensamento não foi materializado pela equipe técnico-pedagógica, e principalmente, pelos atuais gestores das Vilas Olímpicas. Dentre outros motivos, por não terem delimitado as ações de esporte no equipamento, ocasionando um descompasso entre a proposta apresentada e o trabalho desenvolvido no equipamento. 74 CONCLUSÃO A partir das analises apresentadas comprovamos que o perfil sócio- econômico dos alunos da Vila Olímpica Conjunto Ceará situa-se no estrato social baixo. Quanto às ações dos professores avaliadas pelos alunos nas aulas de esporte, percebemos que a maioria está voltada para o desenvolvimento de exercícios pré e/ou pós atividade e ensino dos fundamentos e táticas do esporte. Também verificamos que estes não costumam conversar com os alunos sobre aspectos da vida particular e social dos mesmos. Apesar dos estagiários e monitor de esporte terem demonstrado em suas respostas uma compreensão acerca do ensino do esporte proposta pelos Projetos Velas do Ceará e Vilas Olímpicas da Juventude do Ceará, não conseguem demonstrar em sua prática pedagógica elementos que dêem sustentação ao esporte na perspectiva social e educacional, estando sua prática bem mais próxima às características do esporte de rendimento. Em relação à prática pedagógica na Vila Olímpica, percebemos que existe uma lacuna entre teoria e prática. Podemos considerar como precursores desta realidade: 1. A formação acadêmica que apresenta deficiência quanto ao tratamento atribuído ao esporte na perspectiva social e educacional, comprometendo a atuação dos futuros professores de Educação Física em projetos sociais; 2. O acompanhamento insuficiente dos estagiários e monitores de esporte; 3. A inexistência de cursos de formação continuada, no sentido possibilitar aos estagiários, monitores e coordenação de esporte a aquisição de novos conhecimentos; 75 4. A inexistência de reuniões, encontros, seminários e outros com o objetivo de avaliar o trabalho desenvolvido pelos estagiários, monitores e coordenação de esporte, e discutir possibilidades de mudança; 5. Ausência de um direcionamento do trabalho realizado na Vila Olímpica; Concluindo, podemos perceber que a criação da Vila Olímpica contribuiu para a democratização do o esporte no bairro Conjunto Ceará. Todavia, mesmo mantendo-se a proposta anterior, o esporte neste equipamento, após a mudança de governo ocorrida no final de 2003, passa a distanciar-se da perspectiva social e educacional, assumindo características do esporte rendimento, não sendo neste contexto um instrumento de inclusão. 76 RECOMENDAÇÕES Acreditamos que a Vila Olímpica do Conjunto Ceará, como difusora de política pública de esporte de inclusão nas diferentes esferas da sociedade, há que passar por uma reformulação em sua prática pedagógica. Posto que o esporte que inclui deverá ser alicerçado por práticas inclusivas, acessíveis a todas as crianças e adolescentes que fazem parte “desta experiência em construção”, para que o esporte como instrumento de inclusão social não seja visto como um sonho mas como uma realidade neste espaço. 77 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRACHT, Valter. Sociologia crítica do esporte: uma introdução. 3ª ed. – Ijuí: Editora Unijuí, 2005. CARVALHO, Tereza Simão de. 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Manifesto Mundial da Educação Física – FIEP, 2000. ________. Foz do Iguaçu, 2000. ________. Manifesto Mundial da Educação Física – FIEP, 2000. 80 APÊNDICE 81 Universidade de Brasília Centro de Educação a Distância ESPORTE ESCOLAR / ESPECIALIZAÇÃO QUESTIONÁRIO - ALUNOS Informações Pessoais 1) Idade: 2) Sexo: 1. [ ] Masculino 2. [ ] Feminino 3) Você estuda? 1. [ ] Sim 2. [ ] Não 3.1) Você está em qual nível de ensino? 1. [ ] Infantil (1ª a 4ª série) 2. [ ] Fundamental (5ª a 8ª série) 3. [ ] Médio (1º ao 3º ano) 3.2) Você estuda em que tipo de escola? 1. [ ] Particular 2. [ ] Pública Municipal 3. [ ] Pública Estadual 3.3) Você estuda em que turno? 1. [ ] Manhã 2. [ ] Tarde 3. [ ] Noite 4) Você faz algum trabalho diário e recebe dinheiro para isto? 1. [ ] Sim 2. [ ] Não Se sim, qual o tipo de trabalho? 4.1) Quanto você recebe por esse trabalho? R$ 5) Em que bairro você mora? 6) Com quem você mora? 1. [ ] Pai e mãe 2. [ ] Pai 3. [ ] Mãe 4. [ ] Avô 5. [ ] Avó 6.[ ] Outros 7) Você recebe todos os meses alguma ajuda em dinheiro do Governo? 1. [ ] Sim 2. [ ]Não 82 7.1) Que tipo de ajuda você recebe? 8) Como você se considera? 1. [ ] Branco 2. [ ] Pardo 3. [ ] Preto 4. [ ] Amarelo 5. [ ] Indígena Perfil econômico familiar 9) Quem é o chefe da sua família? 1. [ ] Pai 2.[ ] Mãe 3. [ ] Avô 4. [ ]Avó 5. [ ] Outros 9.1) Quantas pessoas moram em sua casa e não trabalham? 10) Qual a renda mensal de sua família juntando o salário de todas as pessoas (pai, mãe, irmãos etc.) que moram em sua casa? 1. [ ] até 350,00 2. [ ] R$ 351,00 – 700,00 3. [ ] R$ 701,00 – 1.400,00 4. [ ] R$ 1.400,00 – 2.800,00 5. [ ] Maior que R$ 2.800,00 10.1) Quem contribui na renda mensal de sua família? 1. [ ] Pai 2. [ ] Mãe 3. [ ] Avô 4. [ ] Avó 5. [ ] Irmãos 6. [ ] Outros 11) Sua família recebe alguma ajuda todos os meses do Governo? 1. [ ] Sim 2. [ ] Não 11.1) Que tipo de ajuda sua família recebe? 83 Produtos de casa 12) Marque com um “X” o produto que tem em sua casa: Eletrodomésticos: 1. [ ] Fogão 2. [ ] Geladeira 3. [ ] Freezer 4. [ ] Forno microondas 5. [ ] Máquina de lavar 6. [ ] Aspirador de pó 7. [ ] Ventilador 8. [ ] Liquidificador Eletrônicos: 1. [ ] Televisão 2. [ ] Rádio 3. [ ] Aparelho de som com CD 4. [ ] Videocassete 5. [ ] Aparelho de DVD 6. [ ] Ar condicionado 7. [ ] Computador 8. [ ] Automóvel/carro 13) Na sua casa tem acesso à internet? 1. [ ] Sim 2. [ ] Não 13.1) Qual é o tipo de acesso à internet? 1. [ ] Pela linha telefônica 2. [ ] Por assinatura 14) Na sua casa tem canal por assinatura? 1. [ ] Sim 2.[ ] Não Situação econômica dos pais ou responsável 15) Informações sobre a profissão dos pais ou responsável: 15. 1) Qual a profissão do seu pai? 84 15.1.1) Qual o tipo de trabalho do seu pai? 1. [ ] Funcionário público 2. [ ] Funcionário de empresa privada 3. [ ] Autônomo 4. [ ] Prestador de serviço 5. [ ] Outro 15.1.2) Você sabe se seu pai trabalha com carteira assinada? 1. [ ] Sim 2. [ ] Não 3.[ ]Não sei 15.1.3) Você sabe quanto o seu pai recebe por mês? 15.2) Qual a profissão da sua mãe? 15.2.1) Qual o tipo de trabalho da sua mãe? 1. [ ] Funcionária pública 2. [ ] Funcionária de empresa privada 3. [ ] Autônoma 4. [ ] Prestadora de serviço 5. [ ] Outro 15.2.2) Você sabe se sua mãe trabalha com carteira assinada? 1. [ ] Sim 2. [ ] Não 3.[ ]Não sei 15.2.3) Você sabe quanto a sua mãe recebe por mês? 15.3) Qual a profissão do (a) seu responsável? 15.3.1) Qual o tipo de trabalho do (a) seu responsável? 1. [ ] Funcionário público 2. [ ] Funcionário de empresa privada 3. [ ] Autônomo 4. [ ] Prestador de serviço 5. [ ] Outro 15.3.2) Você sabe se seu responsável trabalha com carteira assinada? 1. [ ] Sim 2. [ ] Não 3.[ ]Não sei 15.3.3) Você sabe quanto seu responsável recebe por mês? 85 Grau de instrução dos pais ou responsável 16) Informações sobre grau de instrução dos pais ou responsável 16.1) Você sabe até que série seu pai estudou? 1. [ ] Nunca estudou 2. [ ] Não completou a 4ª série 3. [ ] Completou a 4ª série 4. [ ] Não completou a 8ª série 5. [ ] Completou a 8ª série 6. [ ] Não completou o ensino médio 7. [ ] Completou o ensino médio 8. [ ] Começou, mais não concluiu a faculdade 10. [ ] Não sei 16.2) Você sabe até que série sua mãe estudou? 1. [ ] Nunca estudou 2. [ ] Não completou a 4ªsérie 3. [ ] Completou a 4ª série 4. [ ] Não completou a 8ª série 5. [ ] Completou a 8ª série 6. [ ] Não completou o ensino médio 7. [ ] Completou o ensino médio 8. [ ] Começou, mais não concluiu a faculdade 10. [ ] Não sei 16.3) Você sabe até que série seu responsável estudou? 1. [ ] Nunca estudou 2. [ ] Não completou a 4ª série 3. [ ] Completou a 4ª série 4. [ ] Não completou a 8ª série 5. [ ] Completou a 8ª série 6. [ ] Não completou o ensino médio 7. [ ] Completou o ensino médio 8. [ ] Começou, mais não concluiu a faculdade 86 10. [ ] Não sei Esporte da Vila Olímpica 17) Marque com um “X” somente os esportes que você é matriculado na Vila Olímpica (no máximo 03 esportes) e escreva ao lado o tempo de prática de cada um deles: Nº. Esporte Tempo de Prática (ano/mês) 01 [ ] Basquete 02 [ ] Handebol 33 [ ] Voleibol 04 [ ] Futsal 05 [ ] Futebol 06 [ ] Atletismo 07 [ ] Karatê 08 [ ] Capoeira 09 [ ] Ginástica Rítmica 10 [ ] Iniciação Esportiva 18) Por que você queria praticar esporte antes de matricular-se na Vila Olímpica? 19) E agora que você é matriculado na Vila Olímpica, por que você está praticando esporte? Ensino do Esporte 20) Escreva o nome do esporte que você mais gosta de praticar na Vila Olímpica: ATENÇÃO: Pense no professor e nas aulas do esporte que você mais gosta. Agora responda as questões 21, 22 e 23. 87 21) Esta questão refere-se à freqüência com que seu professor de esporte adota certas atitudes no ensino do esporte, pense em todas as atividades (jogo, katá, coreografia, corrida, roda de capoeira e outras) desenvolvidas nas aulas que você participou, incluindo também as atividades em outros locais como competições, passeios e outros, marcando somente uma opção: Nunca, quase sempre ou sempre. Nº. ATITUDE DO PROFESSOR N un ca Q ua se se m pr e Se m pr e 01 O professor oferece oportunidades iguais a você e aos seus colegas para aprenderem o esporte. 02 O professor orienta a você e aos seus colegas a melhorar naquilo que já sabem fazer no esporte. 03 O professor permite que você e seus colegas falem sobre aquilo que já aprenderam nas aulas de esporte. 04 O professor orienta os alunos que já dominam o esporte para que eles ensinem os colegas que tem dificuldade de aprender. 05 O professor desenvolve atividades de desafio onde você e seus colegas podem participar utilizando seus conhecimentos e experiências. 06 O professor lhe estimula a falar sobre os jogos e brincadeiras que você aprendeu em casa, na escola, na rua e na cidade em que nasceu. 07 O professor fala para a turma que a união de todos os alunos é fundamental para a conquista de objetivos comuns. 08 O professor valoriza a participação de todos os alunos nas atividades e decisões da turma. 09 O professor orienta para que meninos e meninas joguem juntos. 10 O professor fala que é bom competir com o colega. 11 O professor elogia sempre os alunos que sabem jogam mais. 88 12 O professor exclui os alunos que não sabem os fundamentos do esporte. 13 O professor não permite que os alunos “gordinhos” participarem das atividades. 14 O professor não permite que os alunos “baixinhos” participarem das atividades. 15 O professor não permite que os alunos com deficiência participem das atividades. 16 O professor não permite que os alunos negros participem das atividades. 17 O professor não permite que as meninas participem das atividades. 18 O professor briga quando um aluno comete um erro numa atividade. 19 O professor diz que o esporte é para quem tem talento. 20 O professor fala que o aluno tem que praticar esporte para ser um campeão. 22) Esta questão refere-se à freqüência de acontecimentos ocorridos nas aulas de esporte, pense em todas as atividades (jogo, katá, coreografia, corrida, roda de capoeira e outras) desenvolvidas nas aulas que você participou, incluindo também as atividades em outros locais como competições, passeios e outros, marcando somente uma opção: Nunca, quase sempre ou sempre. Nº. CONTEÚDOS N un ca Q ua se se m pr e Se m pr e 01 Na aula de esporte existe um momento em que o professor conversa com a turma e cada aluno pode falar o que pensa. 02 Na aula de esporte o professor fale sobre preconceito. 03 Na aula de esporte o professor fala sobre educação, cultura, política e saúde. 04 Na aula de esporte o professor fala sobre cidadania e 89 inclusão social através do esporte. 05 Na aula de esporte o professor pergunta sobre o que acontece em sua rua, bairro e comunidade. 06 Na aula de esporte o professor conversa com os alunos sobre a violência. 07 Na aula de esporte o professor conversa com os alunos sobre o uso de drogas. 08 Na aula de esporte o professor conversa sobre o uso de álcool. 09 Na aula de esporte o professor conversa com os alunos sobre sexualidade. 10 Na aula de esporte o professor pergunta aos alunos sobre a relação entre pais e filhos. 11 Na aula de esporte o professor pergunta aos alunos sobre o desempenho na escola. 12 Na aula de esporte o professor estimula o desenvolvimento de valores humanos como: solidariedade, respeito, honestidade e união. 13 Na aula de esporte o professor fala sobre a participação popular como forma de garantir os direitos do cidadão. 14 Na aula de esporte o professor ensina os fundamentos do esporte. 15 Na aula de esporte o professor ensina a tática do esporte. 16 Na aula de esporte o professor faz jogo durante toda a aula trocando apenas os times. 23) Esta questão refere-se à forma como o professor desenvolve os conteúdos do esporte, pense em todas as atividades (jogo, katá, coreografia, corrida, roda de capoeira e outras) desenvolvidas nas aulas que você participou, incluindo também as atividades em outros locais como competições, passeios e outros, marcando somente uma opção: Nunca, quase sempre ou sempre. 90 Nº. METODOLOGIA N un ca Q ua se se m pr e Se m pr e 01 Na aula de esporte você participa de jogos com regras oficiais. 02 Na aula de esporte você participa de jogos com regras construídas pelos próprios alunos. 03 Na aula de esporte você participa de jogos com regras construídas pelo professor. 04 Na aula de esporte você participa de jogos cooperativos. 04 Na aula de esporte você participa de jogos populares tradicionais (pião, amarelinha, bila e etc.). 05 Na aula de esporte você participa de jogos recreativos para aprender os fundamentos do jogo. 06 Na aula de esporte tem treinamento repetitivo para os alunos aprenderem os fundamentos do jogo. 07 Na aula de esporte você faz exercícios de alongamento. 08 Na aula de esporte você faz exercícios de aquecimento. 09 Na aula de esporte você participa de jogos recreativos para aprender a tática do jogo. 10 Na aula de esporte tem treinamento repetitivo da tática do jogo. 11 Rodade conversa. 12 Na aula de esporte tem alguma atividade teórica. Conhecimentos sobre a Vila Olímpica 24) O que você sabe sobre a Vila Olímpica do Ceará? Como soube disso? 25)Você sabe quais são os direitos e deveres do aluno da Vila Olímpica? 1. [ ] Sim 2. [ ]Não Se você, diga qual? Direitos: Deveres: 91 26) Você sabe se existe alguma representação (grêmio, chapa e etc.) de alunos da Vila Olímpica? 1. [ ] Sim 2. [ ]Não Se sim, diga qual? Para que ela serve? 27) Você conhece algum projeto que a Vila Olímpica desenvolve em parceria com a comunidade? 1. [ ] Sim 2. [ ]Não Se sim, diga qual? Qual o objetivo do projeto: 28) Você sabe como são gerenciados os recursos financeiros que a Vila Olímpica recebe do Governo Federal? 1. [ ] Sim 2. [ ]Não Se sim, diga como? 29) Seus pais participam de atividades (reuniões, palestras e etc.) na Vila Olímpica? 1. [ ] Sim 2. [ ]Não Se sim, com que freqüência? 30) Seus pais têm participação nas decisões tomadas pela coordenação administrativa e pelo conselho comunitário da Vila Olímpica? 1. [ ] Sim 2. [ ]Não Se sim, de que forma? 92 Universidade de Brasília Centro de Educação a Distância ESPORTE ESCOLAR / ESPECIALIZAÇÃO QUESTIONÁRIO - ESTAGIÁRIO E MONITOR DE ESPORTE 1. Como você compreende o esporte? 2. Qual o seu entendimento sobre projeto social na área do esporte? 3. Que valores que o esporte pode desenvolver? 4. Como você entende a proposta de inclusão social do Programa Vilas Olímpicas do Ceará? 5. Comente sua participação no trabalho das Vilas Olímpicas do Ceará. 6. Descreva sua relação com os alunos da Vila Olímpica. 7. Descreva o conhecimento que possui sobre a comunidade atendida pela Vila Olímpica. 93 Universidade de Brasília Centro de Educação a Distância ESPORTE ESCOLAR / ESPECIALIZAÇÃO QUESTIONÁRIO – COORDENADORA DE ESPORTE 1. Descreva sua compreensão sobre projeto social. 2. Qual a importância dos projetos social na área do esporte? 3. Qual a função social do esporte nas Vilas Olímpicas do Ceará? 4. Como é desenvolvida a proposta de inclusão social na Vila Olímpica do Conjunto Ceará? 5. Como é realizado o acompanhamento dos estagiários e monitores de esporte da Vila Olímpica? 6. De que maneira os pais são envolvidos no trabalho da Vila Olímpica? 7. Descreva os projetos que a Vila Olímpica desenvolve na área do esporte. Ana Amélia Neri Oliveira AGRADECIMENTOS “Só temos o direito de ter esperança no futuro se formos capazes de ter confiança em nós mesmos, no presente”. RESUMO INTRODUÇÃO CONCLUSÃO