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ENOLOGIA FITOTÉCNIA FITOPATOLOGIA ENTOMOLOGIA CONDIÇÕES EDAFOCLIMÁTICAS TERROIR MODELOS DE PLANTIO Dr. Thiago D’Oliveira Videira • A videira, vinha ou parreira é uma trepadeira da família das vitáceas, com tronco retorcido, ramos flexíveis, folhas grandes e repartidas em cinco lóbulos pontiagudos, flores esverdeadas em ramos, e cujo fruto é a uva. • Originária da Ásia, a videira é cultivada em todas as regiões de clima temperado. • Alguns tipos de videira (Vitis vinifera) produzem uvas, fruto de cujo o suco se produz o vinho. CLASSIFICACAO BOTANICA VIDEIRA - Arbusto sarmentoso e trepador, que se fixa a tutores naturais ou artificiais mediante orgaos especializados. Quando inexiste tutores, se estende pelo terreno + ou – erguida. A botanica sistematica situa a videira dentre os mais importantes grupos do reino vegetal Reino: Plantae Classe: Dicotyledoneae (dicotiledonea c/ fls embrionarias na base da plantula). Sub-classe: Rosidae. Ordem: Rhamnales (plantas lenhosas c/ um so ciclo de estames situados adiante das petalas). CLASSIFICACAO BOTANICA Familia: Vitaceae - flores c/ corola de petalas soldadas superiormente e de pre-floracao valvar, c/ calice pouco desenvolvido, fruto tipo bago. Genero vitis e o unico de importancia economica, social e historica generos vivos e dois generos fosseis, englobando 600 especies em regioes tropicais, subtropicais e temperadas FAMÍLIA GÊNERO ESPÉCIE VARIEDADE Vitaceae Vitis vinifera labrusca riparia Cabernet Sauvignon Merlot Chardonay Espécies • Vitis acerifolia • Vitis aestivalis • Vitis amurensis • Vitis arizonica • Vitis x bourquina • Vitis californica • Vitis x champinii • Vitis cinerea • Vitis x doaniana • Vitis girdiana • Vitis x labruscana • Vitis monticola • Vitis mustangensis • Vitis x novae- angliae • Vitis palmata • Vitis riparia • Vitis rotundifolia • Vitis rupestris • Vitis shuttleworthii • Vitis tiliifolia • Vitis vinifera • Vitis vulpina Especies Americanas • Algumas espécies de videira principalmente de origem americana, produzem excelentes frutos para consumo in natura e para a produção de sucos. Porém, os seus frutos não são indicados para fazer vinhos de qualidade devido ao aroma desagradável (foxy - "raposa molhada") e o baixo teor alcoólico alcançado na sua fermentação. • A importância da videira americana para o fabrico de vinhos provém da sua utilização no processo de enxertia, objetivando o fortalecimento das videiras européias, uma vez que, há mais de um século, não se pratica o plantio em pé franco, ou seja, deixou-se de lado a prática de retirar a vara de uma videira mais velha e enfiá-la diretamente no solo para se conseguir uma planta nova. • O porta enxerto elaborado com a espécie da videira americana, chamado “cavalo”, funciona como simples condutor de seiva e a videira européia, chamada “cavaleiro”, contribui com a parte genética para garantir a qualidade da uva e, por conseguinte do vinho. • A enxertia foi a maneira encontrada pelos viticultores de garantir a existência dos vinhos de boa qualidade, uma vez que as videiras originais dizimadas pela filoxera. Especies Americanas PARTES E FUNÇÕES DE UMA VIDEIRA Raiz Funcoes: absorcao de agua e nutrientes, armazenamento reservas e fixacao planta ao solo Propagacao sexuada - raiz principal, pivotante, originaria da radicula do embriao Propagacao assexuada - raizes adventicias. Raizes aereas - raizes se desenvolvem dos ramos desenvolvidos Raiz em ambientes sombrios, quentes e umidos Angulo geotropico - angulo que a direcao da raiz forma com a vertical. Variavel funcao da cultivar a caracteristica do solo – Qto < angulo > resistencia a seca Vitis riparia e Vitis cinerea – MAIOR ÂNGULO Vitis vinifera, Vitis rupestris e Vitis berlandieri - < angulo - mais resistentes a deficiencia de agua CAULE Diametro variavel - Na regiao colonial do RS, encontram-se cepas da cultivar Isabel de 50-60 anos de idade, com 70-80 cm de circunferencia, produzindo ate 1000 kg de uva/ano. Cepa se divide em ramos ou bracos, denominados cordoes e varas compridas Gemas - originam ramos Pampanos - quando herbaceos Bacelos – quando em repouso. Nos e Entrenos Medula GEMAS Cobertas por escamas protetoras e se encontram nas axilas das folhas – gemas reprodutivas e vegetativas Gema pronta - ao se desenvolver, alonga-se mostrando as folhas entremeadas de pequenas gemas - surgem as inflorescencias, as quais inicialmente encontram-se protegidas por duas bracteas foliares Gemas axilares ou latentes- ao lado da gema pronta ou dormentes, encontram-se uma ou mais gemas menores ou secundarias GEMAS Gemas adventicias – escondidas pela casca nas cepas e nos ramos grossos – originam os brotos denominados "ladroes", porque, em geral, sao infrutiferos - permitirem a renovacao de cordoes, de esporoes ou de outros orgaos em mau estado. FOLHAS • Inseridas sobre os nós em disposição dística – oposta ao cacho • No gênero Vitis a forma de folha predominante é a PALMADA, na qual todas as nervuras principais surgem de um mesmo ponto. Existem 5 nervuras principais e estas servem os cinco lobos da folha. FOLHAS Pecíolo diversos comprimento, cor, forma e o limbo de tamanho e forma diferentes – IDENTIFICAÇÃO ESPÉCIES – AMPELOGRAFIA • Estômatos – abaxial folha • Mudança na coloração das folhas antes da queda – coloração amareladas e avermelhadas. GAVINHA • Função – sustentação • Homólogas aos cachos • Tipos: simples, bífidas, trífidas, tetrafidas GAVINHA Distribuição ao longo ramo – Contínua- após o cacho há uma gavinha (V. labrusca) – Descontínua – 2 nós com gavinha e 1 sem gavinha (V. vinifera) – Intermitente – não há regularidade na distribuição (híbridas V. labrusca e V. vinifera). FLORES Reunidas em inflorescência – cachos compostos ou panículas – inserção no ramo pelo pedúnculo • Flor completa ou hermafrodita – 4 verticilos – Cálice – 5 sépalas soldadas entre si, verdes e pequenas – Corola – 5 pétalas – soldadas no ápce e livres na base – formando corola CALIPTRIFORME OU EM CARAPUÇA FLORES Androceu – 5 estames (filete e antera) – abrem longitudinalmente – grão de pólem de cor amarelado. – Gineceu – pistilo em forma garrafa, com ovário dividido em 2 lojas – 2 óvulos em cada um. • Eixo que suporta a flor – PEDICELO • Três tipos de flores POLINIZAÇÃO E FERTILIZAÇÃO Grande maioria videira são polígamas – flores hermafroditas, existindo espécies dióicas. Nas cultivares hermafroditas – flores são homólogas – autofecundação – cv. Barbera. Mais comum – FECUNDAÇÃO CRUZADA – com polinização realizada pelo vento, insetos, chuvas e artificialmente com as mãos. Fecundação cruzada – obrigatória para cvs. estames curtos e recurvados para baixo: Moscatel de Alexandria, Bicane, Pirovano, outras. Duração florescimento – 3 a 5 dias Temperatura ideal – 20 a 22oC Problemas da fertilização – primaveras frias e chuvosas – FILAGEM – cachos emgavinhas. SEMENTE - Número de 1 a 4. - Piriformes - Casca ou epiderme é dura e rica em tanino; - Embrião é pequeno e rodeado por uma amêndoa ou endosperma, rica de substâncias oleosas. - Perdem seu poder germinativo em 2 anos. - Para facilitar sua germinação e quebrar a dormência, estratificação a frio (4°C) por 40 dias. Folhas As folhas são compostas por duas partes distintas: o pecíolo (a parte mais delgada) e o limbo, a zona mais larga e verde. É através das nervuras que a seiva circula nas folhas. Gavinhas Órgão filamentoso e indispensável à planta, uma vez que permite que a videira se agarre aos tutores e fixe os sarmentos possibilitando a sua elevação. Flores As flores da videira são constituídas pelo cálice (androceu), corola (gineceu), estames e pistilo. Os órgãos reprodutores da videira são os estames, responsáveis pela produção do pólen e o pistilo que depois de ser fecundado origina os bagos e as sementes. Varas As varas são a parte da videira imediatamente a seguir aos braços (as primeiras ramificações da planta). Este órgão da videira também é designado por sarmento Frutos Os frutos da videira são os bagos que resultam da fecundação das flores. O bago é constituído por engaço, polpa, grainhas e pele. Cepa ou tronco É a parte entre a raiz e as primeiras ramificações da videira, os braços. Raiz A raiz é a parte subterrânea de videira. Essencialmente existem dois tipos de raízes: as mais finas e tenras que se encontram à superfície da terra e obtêm o alimento para a planta e as raízes mais grossas, lenhosas e mais profundas capazes de segurar a videira à terra. VINHAS WISTERIA - uma das mais fortes vinhas conhecidas - foram cultivadas nos extremos dos dois lados do rio. Quando as videiras alcançaram comprimento suficiente, foram entrelaçadas com tábuas para criar uma flexível, durável e, a mais importante obra viva da engenharia botânica. SISTEMA DE PLANTIO ESPALDEIRA LATADA Morfologia/Fisiologia da Videira As fases do ciclo anual da videira: Repouso Invernal. Ciclo Vegetativo. Ciclo Reprodutor. Morfologia/Fisiologia da Videira • Repouso Invernal: • Desde a caída da folha até ao abrolhamento. • Ciclo Vegetativo: • Vai desde o abrolhamento à caída da folha. • Ciclo Reprodutor: • Compreende a formação e desenvolvimento das inflorescências, crescimento dos bagos e sementes até à maturação. Repouso Invernal Depois da caída da folha, a videira não apresenta qualquer actividade. Temperatura muito baixa para impede essa actividade. Os gomos são incapazes de abrolhar. Esta fase engloba o choro. O abrolhamento inicia-se com temperaturas acima dos 10ºC. Repouso Invernal Repouso Invernal Choro: Fenómeno que indica o inicio da actividade da planta. Inicio da absorção de água das raízes da planta. Directamente ligado à temperatura do solo (12/15º). 3/5 semanas após o choro dá-se o abrolhamento. Ciclo Vegetativo Abrolhamento: É a primeira manifestação de crescimento dos gomos. Os gomos começam a inchar, as escamas protectoras abrem e uma pequena planta aparece no exterior. Promove o crescimento temperatura acima dos 10 ºC. Fenómeno de acrotonia. Abrolhamento • Acrotonia: • Característica de plantas que tendem a alongar o seu crescimento. • Entra em actividade os gomos mais distantes da origem do lançamento. • Intensidade menor em cepas vigorosas do que em cepas débeis. • Intensidade máxima quando cepas não são podadas devido aos muitos gomos. Abrolhamento O que influência o abrolhamento: Mais frio no Inverno acelera o abrolhamento. Depende da casta. Vigor, plantas mais débeis abrolham primeiro. Época de poda, poda mais tardia leva a um abrolhamento mais tardio. Ciclo Vegetativo Depois do abrolhamento, entramos numa fase de crescimento dos pâmpanos e folhas. Crescimento inicial lento, com o aumento da temperatura ambiente o crescimento torna-se muito rápido e numa 3ª fase esse crescimento é quase nulo. Ciclo Vegetativo Atempamento das varas: Assegura a vida da videira pois começa a acumulação de reservas para o ano seguinte. Consiste na lenhificação dos pâmpanos. Começa na base dos pâmpanos e desenvolve- se até á parte superior da planta. Assim que começa a acumulação de reservas pára o crescimento dos pâmpanos. A acumulação de reservas dá-se na zona basal dos pâmpanos e no Outono nas raízes Atempamento das Varas Factores que afectam: Elevadas produções. Presença de pragas e doenças. Queda prematura de folhas. Ciclo Vegetativo • A finalizar o ciclo vegetativo há uma queda natural das folhas. • Desaparece o verde da folha apresentando outra coloração. • Redução da taxa de respiração e transpiração e a folha cai. • Fenómeno acelerado por acção da chuva e do vento. Ciclo Reprodutor Iniciação Floral: Corresponde a um sinal a nível hormonal. Transformação de gomos foliares em gomos mistos responsáveis pela presença de fruta. Sinal dado em Maio/Julho do ano anterior. Todos os gomos são foliares. Ciclo Reprodutivo Floração: As inflorescências dão origem a flores hermafroditas muito pequenas. Polinização realizada pelo vento e pequenos insectos. Depois da polinização o desenvolvimento do fruto é assumido pelas sementes. Ciclo Reprodutivo Floração: Crescimento dos bagos há elevada taxa de multiplicação celular só depois o aumento de tamanho dessas células. O diâmetro do bago passa de 1/2 mm para 10/20 mm. Bago verde tem papel idêntico à folha. Ciclo Reprodutivo Pintor: Momento em que o bago muda de cor. De uma cor verde opaca passa para uma cor translúcida (castas brancas) e escura (castas tintas). Com o pintor acaba o período de desenvolvimento vegetativo. Começa a acumulação de reservas no bago. Ciclo Reprodutivo Maturação: Começa com o pintor. A polpa do bago sofre alterações químicas aumentando a concentração em açucares. Terá de haver aumento do volume dos bagos para dar a acumulação de açucares nos bagos.