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Conceitos de Gestão de Segurança Privada Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Profa. Esp. Isabel Souza Lima Revisão Textual: Profa. Dra. Selma Aparecida Cesarin Gestão de Segurança Privada Contemporânea • Fundamentos e Evolução da Gestão de Segurança Privada; • Segurança Pública X Segurança Privada; • Comportamento nas Organizações; • Processos Organizacionais; • Análise e Melhoria de Processos. · Proporcionar ao aluno o conhecimento sobre os fundamentos e a evolução da gestão de segurança privada; · Apresentar a diferença entre segurança pública e privada; · Apresentar os processos organizacionais e as formas de análise e melhoria. OBJETIVO DE APRENDIZADO Gestão de Segurança Privada Contemporânea Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja uma maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como o seu “momento do estudo”. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo. No material de cada Unidade, há leituras indicadas. Entre elas: artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados. Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discussão, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE Gestão de Segurança Privada Contemporânea Fundamentos e Evolução da Gestão de Segurança Privada A questão de segurança como forma de proteção à vida e de proteção patrimonial remonta à época das antigas civilizações, na qual o homem já tinha a necessidade de proteção de tudo que estava sob seu domínio e que lhe era importante, como, por exemplo: os seus bens, o seu território, a sua família e o seu local de trabalho. Muitos homens eram pagos para proteger reis, castelos, fazendas, sem que de fato fossem policiais. Sendo assim, podemos considerá-los os primeiros seguranças privados. No entanto, a profissão surgiu realmente quando os senhores feudais começaram a contratar homens armados e treinados para proteger suas famílias na tentativa de evitar roubos em suas posses. A partir daí, começou-se a investir em treinamentos de manejo de armas, lutas corporais e estratégias de proteção de patrimônio, entre outras formas de proteção. A primeira empresa de segurança pública foi criada nos Estados Unidos da América, no ano de 1852, pelos norte americanos Henry Wells e William Fargo, a WELLFARGO. Essa empresa escoltava diligências de cargas ao longo do rio Mississipi. Em 1855, outro norte americado, Allan Pinkerton – que atuava como detetive policial de Chicago – fundou a Pinkerton’s, cuja missão era fornecer proteção às estradas de ferro. Washington Brink fundou, em 1859, a Brink’s, também em Chicago, que transportava caixas e bagagens de homens de negócios que faziam viagens a negócios. Nessa época, os Bancos estavam em pleno desenvolvimento e, em 1900, a Brink’s fez a primeira entrega bancária da história: transportou 6 sacos de dólares de prata, tornando-se, assim, a primeira transportadora de valores do mundo. No Brasil, a segurança privada foi criada na época da ditadura militar, no ano de 1969, com a promulgação do Decreto-Lei n° 1034, de 21 de outubro de 1969. O motivo de criação da segurança privada foi a proteção de estabelecimentos bancários a fim de inibir roubos e furtos. Com isso, a população se sentiria mais segura e confortável em fazer as suas movimentações financeiras dentro das agências bancárias e os bancários teriam menos prejuízos. O Decreto determinava que deveria haver “vigilância ostensiva”, realizada por serviço de guarda composto de elementos sem antecedentes criminais, mediante aprovação de seus nomes pela Polícia Federal, dando-se ciência ao Serviço Nacional de Informações. A necessidade da segurança privada foi estendida para a proteção pessoal de generais, coronéis, ministros, governadores e depois para empresas particulares. Os grandes empresários, além de contratarem seguranças para suas empresas, 8 9 passaram a contratar seguranças privados para acompá-los (e suas famílias) 24 horas por dia. A Lei 7.102 foi promulgada pelo Governo Federal no ano de 1983, que regulamentou e reconheceu a atividade de segurança privada no país. Nesse momento, foram criadas as regras para o exercício da profissão, conhecimentos e experiências necessárias e se definiram as atividades a serem exercidas por esse profissional. A forma como é feita a segurança privada também evoluiu com o passar dos anos: se antes castelos e muralhas eram erguidos em prol de proteção, hoje, são utilizadas câmeras, sistemas de segurança, microfones, microcâmeras, sistemas de monitoramento e sistemas de localização, como, por exemplo, o GPS. Segurança Pública X Segurança Privada A atividade que resulta em segurança profissional é voltada para a proteção de pessoas, objetos de valor ou empresas, seja ela pública ou privada. O termo segurança profissional possui dois grupos distintos: Segurança Privada: proteger pessoas ou patrimônios; Segurança Pública: o Estado tem o dever, a obrigação de proteger os cidadãos. É importante deixar claro que a segurança privada foi criada para cobrir a falha deixada pelo Governo em relação à segurança pública. Importante! A segurança pública e a segurança privada não são concorrentes entre si; pelo contrário, elas podem e devem trabalhar em conjunto, cooperando entre si e trocando informações. Exemplo Um estabelecimento qualquer que contrata uma empresa de segurança privada, entre outras medidas de segurança e monitoramento, irá instalar um alarme interno nessa Empresa. Se esse alarme for acionado, uma das primeiras providências a ser tomada por essa Empresa de segurança privada é ligar para a polícia civil (segurança pública), que irá ao local verifi car o que está acontecendo e tomar as devidas ações. Importante! Segurança Pública A Segurança Pública é um dever o Estado. Ela tem como objetivo proteger os cidadãos de forma universal e gratuita. O pagamento da segurança pública (por exemplo, Polícia Civil) provém da arrecadação de impostos e taxas que todos os cidadãos e empresas são obrigados a pagar, juntamente com uma verba destinada pelo Governo Federal. Sendo assim, a segurança pública tem de ser ofertada 9 UNIDADE Gestão de Segurança Privada Contemporânea de forma igualitária e gratuita para a população. Segundo a própria Convenção Federativa do Brasil (CF), é dever do Estado garantir a proteção e a liberdade atodos. A seguir, serão apresentadas as principais funções da segurança pública, conforme estipulado na CF: • Polícia civil: “Às policias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incubem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares” (§ 4º, Art. 144); • Polícia Federal: “Apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei” (§ 1º, Inciso I, Art. 144); “Prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência” (§ 1º, inciso II, Art. 144); · Polícia Rodoviária Federal e Polícia Ferroviária Federal: “Trata-se de órgãos permanentes, estruturados em carreira e destinam-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias e ferrovias federais” (§ 3º, Art. 144); Fonte: iStock/Getty Images · Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militares: “Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos corpos de bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades de defesa civil” (§ 5º, Art. 144); “As policias militares e corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e reserva do exército, subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos Governadores dos Estados e do Distrito Federal” (§ 6º, Art. 144); 10 11 · Forças Armadas: “As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem (Art. 142); · Guarda Municipal: “Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei” (§ 8º, Art. 144). Mas se o Estado é obrigado a fornecer proteção à população, por que existe a Segurança Privada? A resposta para esse questionamento provém da pouca eficiência da segurança pública, aliada à falta de treinamento para esses profissionais e à pequena quantidade deles em relação ao número de pessoas que nosso país possui. É certo que a ONU – Organização das Nações Unidas nunca estipulou uma quantidade mínima de policiais para determinada quantidade de pessoas; porém, segundo estudos da própria ONU, em 2011, o país fica atrás apenas da Guatemala no quesito “número de policiais por 100 mil habitantes da América Latina”, são 178 policiais para cada 100 mil pessoas. Outro dado importante extraído pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostra que o Distrito Federal tem 1 policial militar para cada 190 moradores, enquanto o Maranhão tem 1 policial para 816 pessoas, uma desproporção muito grande no quesito segurança pública. Por isso, a segurança privada é de extrema importância; ela envolve, ainda, a questão de legítima defesa no exercício regular do direito frente qualquer necessidade como medida preventiva à segurança e à vida. Segurança Privada Como visto, no Brasil, a segurança privada foi criada como forma de proteção, evitando assaltos e roubos no sistema bancário, criada nos anos 1960. Porém, devido à alta da violência, combinada à escassez da segurança pública, nos anos 1990, a segurança privada passou a ser incorporada em empresas privadas de vários segmentos, como, por exemplo: armazéns, shoppings centers, hospitais e restaurantes com o intuito de inibir assaltos e proteger a vida das pessoas, resultando na questão de confiabilidade e segurança em tais estabelecimentos. A abordagem de assaltantes nos anos 1990 passou a ser muito mais violenta, feita em bando e de forma organizada. Com isso, houve a necessidade de adaptação por parte das empresas públicas e privadas. Isso pode ser facilmente observado, inclusive na forma de arquitetura dos prédios e das casas, a fim de atender as necessidades de segurança. Por exemplo: nos anos 1950, uma casa não possuía 11 UNIDADE Gestão de Segurança Privada Contemporânea portão e, caso possuísse, frequentemente, ele estava destrancado. Hoje, não só as casas possuem portões, mas muitos são automáticos (além da comodidade, é mais rápido para abrir/fechar, e o motorista não precisa sair do carro), e possuem, ainda: sistema de câmera, interfone e cerca elétrica, entre outros. Já as empresas passaram a adotar sistema de controle de entrada e saída de pessoas, por meio das digitais, câmeras internas, sistemas de monitoramento de entrada e saída de veículos e entrega de mercadorias. Importante! A Polícia Federal é o órgão responsável por regulamentar e fiscalizar as atividades de segurança privada no país. Importante! São consideradas de segurança privada as atividades desenvolvidas por empresas especializadas em prestação de serviços com a finalidade de: · Proceder à vigilância e à segurança patrimonial das instituições financeiras e de outros estabelecimentos, sejam públicos ou particulares; · Garantir a integridade física de pessoas; · Realizar o transporte de valores ou garantir o transporte de qualquer outro tipo de carga; · Recrutar, selecionar, formar e reciclar o pessoal a ser qualificado e autorizado a exercer essas atividades. Importante! De acordo com a conceituação do Departamento de Polícia Federal prevista no Manual do Vigilante, segurança privada é a “atividade desenvolvida por pessoas devidamente habilitadas, por meio de empresas especializadas, visando a proteger o patrimônio, as pessoas, transportar valores e apoiar o transporte de cargas. Ela tem caráter de complementaridade às ações de segurança pública e é executada sempre de forma onerosa para o contratante”. Em Síntese Comportamento nas Organizações Para se falar sobre o comportamento das pessoas nas organizações, é preciso, antes, retormar o conceito de Organização. CHIAVENATO (2009) define que a organização é um sistema de atividades conscientemente coordenadas de duas ou mais pessoas. A cooperação entre elas é essencial para a existência da Organização. O autor determina, ainda, que uma organização somente existe quando há pessoas capazes de se comunicar e que 12 13 estão dispostas a participar e contribuir com ação conjunta, a fim de alcançarem um objetivo comum. Conceitua-se, então, que uma Organização vem de um desejo em comum de realizar algo ou conquistar alguma coisa para um determinado grupo de pessoas. As organizações podem ser formais e informais. Quando vinculamos o conceito de pessoas a uma Empresa, a um local de tra- balho, é preciso ter bem claro que as empresas (ou as organizações) são formadas por grupos de pessoas e as pessoas possuem comportamentos diferentes nesse ambiente, isto porque elas têm expectativas, ambições, conhecimentos, competên- cias e experiências diferentes entre si. Entretando, é possível definirmos alguns tipos básicos de comportamento que as pessoas possuem dentro de uma Organização. CHIAVENATO (2009) define seis características comuns, sendo elas: 1. O homem é proativo; 2. O homem é social; 3. O homem tem diferentes necessidades; 4. O homem percebe e avalia; 5. O homem pensa e escolhe; 6. O homem tem limitada capacidade de resposta. A seguir, uma breve explicação de cada um desses comportamentos. 1. O homem é proativo: as pessoas possuem expectativas pessoais e são orientadas para a obtenção de resultado parasatisfazerem essas necessi- dades. Dessa forma, elas reagem ao meio ambiente em que vivem. Elas podem cumprir metas, prazos, políticas e procedimentos da Organização, caso tenham consciência que, uma vez alcançados, esses objetivos organi- zacionais poderão alcançar seus objetivos pessoais. Por isso, é de extrema importância a clareza das estratégias da Empresa vinculadas ao objetivo de cada colaborador que ali trabalha; 2. O homem é social: o homem vive em sociedade e precisa dela para crescer. Ninguém vive sozinho; as pessoas precisam de emprego, família e serviços de outras organizações, como hospitais, bancos, viagens etc. No ambiente de trabalho, é comum ver pessoas que se fecham em suas salas porque pre- ferem tranquilidade e/ou o trabalho exige a máxima de concentração. No entanto, não devemos confundir essa preferência com o fato de o indivíduo ser antissocial. Todos dentro de uma Empresa precisam se relacionar com os seus pares e chefia de outros departamentos, mesmo que não seja de maneira diária ou durante o dia todo. As pessoas se relacionam e trocam informações, ideias, capacidades e promovem, assim, o autoconhecimento; 3. O homem tem diferentes necessidades: sempre que uma necessidade é satisfeita, outra toma seu lugar. Vale lembrar da pirâmide de necessidades de Maslow. Esse guru da Administração determinou uma escala de necessidades das pessoas, que vai desde as mais simples, como segurança, sexo, fisiológi- cas, até a mais alta na escala, que é o status. Dentro de uma Empresa, é co- mum observar qual é a escala de necessidade que uma pessoa apresenta. Por 13 UNIDADE Gestão de Segurança Privada Contemporânea isso, é importante o gestor conhecer os anseios de cada um de sua equipe, conhecer os objetivos, qual é a ambição de cada um e quais competências são necessárias para que determinado objetivo seja alcançado; 4. O homem percebe e avalia: o homem acumula experiências e essas experiências permitem que ele avalie o ambiente de trabalho e que consiga perceber se a experiência que está tendo no presente momento irá beneficiá- lo ou não; 5. O homem pensa e escolhe: o comportamento do homem é proativo; sendo assim, ele é capaz de analisar o ambiente de trabalho e verificar qual é o melhor caminho a percorrer para conseguir alcançar seus objetivos, ou seja, é capaz de escolher o seu curso de ação. 6. O homem tem limitada capacidade de resposta: as pessoas não se comportam de todas as formas ou de formas iguais; a capacidade é limitada. Ou seja, cada um irá responder da forma que for capaz de responder, limitado ao seu conhecimento sobre determinado assunto, ou limitado a experiências adquiridas ou, ainda, à sua capacidade física e mental. Em conjunto, as pessoas constituem o capital humano nas organizações. Esse capital pode valer mais ou valer menos na medida em que contenha talentos e competências capazes de agregar valor à organização e torná-la mais ágil e competitiva. Por isso, esse capital humano vale mais na medida em que consigo influenciar as ações e os destinos da organização. Processos Organizacionais Os processos organizacionais envolvem todas as atividades desenvolvidas pela Empresa e que se relacionam entre si: as pessoas, os equipamentos, os procedimentos, as informações de entrada (insumos) e saída (produtos ou serviços), que focam atender as necessidades dos clientes externos e alcançar os objetivos estratégicos organizacionais. Todo o processo envolve uma atividade de ordem sequencial. Essas atividades são permeadas com indicadores de desempenho, e a sequência da atividades tem como objetivo construir um produto ou desenvolver um serviço que será comercializado no mercado externo: Entrada SaídaProcesso Com o processo organizacional, é possível analisar todas as atividades dentro do processo produtivo de forma sistêmica, ou seja, é feito um mapeamento da Empresa como um todo, resultando na possibilidade de um plano de ação com foco em melhorias. 14 15 Os objetivos da análise de processo são: a) Conhecer e mapear os processos organizacionais; b) Disponibilizar as informações sobre os processos em manuais de gestão; c) Promover uniformização de processos; d) Identificar, desenvolver e difundir internamente metodologias e melhores práticas para a gestão dos processos; e) Promover o monitoramento e a avaliação de desempenho de processos; f) Implementar melhorias contínuas nos processos, visando a alcançar maior eficiência e eficácia. A visão sistêmica dá possibilidade de identificar processos em áreas ou setores diferentes dentro da organização e, ainda, gerenciá-los com foco no cliente final. Princípios Organizacionais Os princípios organizacionais envolvem as atividades de planejar, organizar, dirigir e controlar. As funções administrativas são interdependentes, ou seja, relacionam-se entre si, e para que uma aconteça, a outra também deve acontecer. Elas existem em empresas de qualquer porte e de qualquer segmento. Planejamento Organização Direção Controle Decisão sobre os objetivos. Definição de planos para alcançá-los. Programação de atividades. Recursos e atividades para atingir os objetivos; órgãos e cargos. Atribuição de autoridade e responsabilidade. Preenchimento dos cargos. Comunicação, liderança e motivação do pessoal. Direção para os objetivos. Definição de padrões medir desempenho, corrigir desvios ou discrepâncias e garantir que o planejamento seja realizado. Fonte: https://goo.gl/HEcvyz Planejamento A função de planejamento é exercida na organização como um todo e em geral é feita pela alta Administração. É por meio dela que se projeta o futuro da Empresa; ela envolve o desenvolvimento de estratégias para o alcance dos objetivos organizacionais estipulados. Planejar é definir os objetivos, decidir como alcançar os planos, programar as atividades, alcançar as metas; algumas empresas ainda adotam o método arcaico de administração às escuras e não planejam. Dessa forma, não se preparam para possíveis reveses e acabam por ter não ter sucesso em seus objetivos. Planejamento estratégico: é bastante amplo e engloba toda a Organização, algo em longo prazo. Devem ser avaliados os ambientes internos e externos, as tendências de Mercado, se vale a pena investir. Envolve o nível estratégico da Organização (alta Administração), nível tático (gerência/supervisores) e nível operacional (técnicos). 15 UNIDADE Gestão de Segurança Privada Contemporânea Organização A função de organização refere-se ao processo pelo qual a estrutura é criada, mantida e usada. É por meio da organização que se estabelecem formalmente as relações entre indivíduos e a posição hierárquica no ambiente de trabalho. Essa função envolve: · A divisão do trabalho; · Agrupar as atividades em uma estrutura lógica; · Designar as pessoas para a sua execução; · Alocar os recursos necessários; · Coordenar os esforços. Essa função determina toda a organização da Empresa, definindo desde o layout até as unidades de negócio, a hierarquia, a amplitude administrativa e os departamentos que serão necessários. Foca, ainda, a distribuição do trabalho, a determinação dos cargos necessários e quais serão as responsabilidades das pessoas que ocuparão tais cargos. Análise dos Objetivos Estratégicos Divisão de Funções De�nição de Responsabilidades De�nição de autoridade Desenho da Estrutura Organizacional Essa função de organização é de extrema importância para determinar a responsabilidade de cada área da Empresa. Dessa forma, faz-se necessário estruturar um organograma da Empresa. O Organograma é uma representação gráfica de todos os departamentos da Empresa, com o chefe de cada Departamento e a indicação de a quem se reporta imediatamente, a equipe,os pares e o nível hierárquico. Quando uma Empresa possui um Organograma bem desenhado e de conhecimento de todos, muitos erros podem ser evitados, maximizando, dessa maneira, a produtividade da Empresa. 16 17 Exemplo de um Organograma Após a definição dos departamentos, das atividades de cada Departamento e da quantidade de pessoas que irá neles atuar, é preciso desenvolver uma Descrição de Cargo para cada função. Exemplo Vamos imaginar uma empresa de segurança privada. Nessa empresa, entre outros, existirá o Departamento Financeiro, que será responsável pelo controle de toda a Empresa e a saída de dinheiro. É necessário definir quantas pessoas irão trabalhar lá e a responsabilidade de cada uma e, a partir daí, definir a descrição de cargo. Então, suponhamos que nesse Departamento irá trabalhar o gerente financeiro, um supervisor financeiro, dois analistas financeiros – sendo um para pagamentos e outro para recebimentos, e um assistente financeiro que dará suporte a todos os outros e fará toda a parte de arquivamento do setor. Na descrição de cargo de cada um desses profissionais, deverão estar relacionadas quais serão as responsabilidades de cada um, quem é a chefia imeditada, quem são os pares e por quem são liderados, quais as experiências, conhecimentos e as competências necessárias. 17 UNIDADE Gestão de Segurança Privada Contemporânea Direção A função dirigir envolve delegar funções e liderar uma equipe a objetivos comuns. A direção pode vir a partir de experiência ou conhecimentos técnicos, além de envolver o perfil de gestor e o poder de influenciação. O gestor é uma pessoa que tem como responsabilidade inspirar a equipe, direcionar as atividades, servir de suporte para toda a equipe em situações em que ela não tem autonomia suficiente para tomar decisões. É sua responsabilidade, também, proteger a equipe e promover um ambiente ameno em seu departamento, evitando e minimizando os conflitos que podem surgir na sua equipe. Deve, ainda, promover a integração com outros departamentos. Fonte: iStock/Getty Images A função dirigir envolve: · Dirigir os esforços em direção a um propósito comum; · Comunicar; · Liderar; · Motivar e incentivar; · Gerir conflitos; · Reconhecer e recompensar. Controle A função controle tem como objetivo verificar se o que foi planejado realmente foi atingido. Além disso, oferece subsídios para as ações corretivas necessárias. Essa função está diretamente ligada ao planejamento e nela devem ser avaliados os progressos da Empresa em seus objetivos e feitas as devidas correções para garantir que os resultados sejam satisfatórios. 18 19 Os principais pontos da função de controle são: 1. Necessário para medir e avaliar o desempenho organizacional; 2. Dinâmico e contínuo; 3. Engloba todas as vertentes da organização. Análise e Melhoria de Processos O mapeamento de processos é um aliado importante na análise, na documen- tação e no aperfeiçoamento de processos. Esse mapeamento permite documentar de forma clara quais atividades são necessárias e a ordem em que cada uma deve acontecer, ou seja, qual será o fluxo do processo até a sua completa execução. Mapear é documentar por meio de ferramentas necessárias como o processo acon- tece ou deveria acontecer. Todo processo pressupõe um conjunto de atividades interrelacionadas que transforma insumos (entradas) em produtos acabados (saídas). Seguem as etapas necessárias: 1. Identificar oportunidades; 2. Definir o escopo; 3. Documentar o processo; 4. Avaliar o desempenho; 5. Redesenhar o processo; 6.Implementar as mudanças. Uma vez mapeado o processo, é possível analisar e ter conhecimento de onde estão os principais erros, os gargalos ou as oportunidades de melhoria de um processo organizacional. É possível verificar em que momento o processo está engessado, isto é, não está em pleno funcionamento e onde é possível melhorar o atendimento prestado para os clientes. Permite a análise de forma clara de como acontece o fluxo das informações e, então, possibilita que ajustes possam ser feitos com o objetivo de maximizar os lucros, aumentar a produtividade dos recursos humanos, compreender melhor a Empresa e pontuar as responsabilidades de cada processo, além de controlar e eliminar processos e atividades não produtivas, ou seja, que não agregam valor. Dessa forma, a tomada de decisão fica mais fácil e as implementações de melhoria poderão ser inseridas, vez que o gestor terá claramente a informação de onde o processo não está sendo produtivo e, a partir daí, poderá verificar soluções e definir qual será o plano de ação a ser tomado. Esse processo envolve, também, a questão de qualidade, de melhoria contínua – que está em constante desenvolvimento, análise e monitamento. 19 UNIDADE Gestão de Segurança Privada Contemporânea A gestão da qualidade é a adoção de programas desenvolvidos internamente ou segundo padrões externos, capazes de comprovar um padrão de excelência assistencial, a patir da melhoria contínua da estrutura, dos processos e dos resultados. Importante! Eficiência x eficácia: a eficiência avalia como se faz. Diz-se que uma operação foi realizada de forma eficiente quando consumiu o mínimo de recursos na obtenção de um determinado resultado. A eficácia avalia até que ponto se alcançou um determinado resultado, independentemente da forma como se obteve esse resultado (Fonte: www.portal-gestão.com.br). Você Sabia? 20 21 Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos Segurança pública VS segurança privada Por Helleno de Carvalho. https://goo.gl/647hwd Leitura Mesmo com a alta de efetivo no país, sobe o número de habilitantes para cada PM GLOBO.COM. Mesmo com a alta de efetivo no país, sobe o número de habilitantes para cada PM. Por Tahiane Stochero. Publicado em 7 de julho de 2015. https://goo.gl/AOEqzp Blog Gestão de Segurança Privada MARCONDES, J. SÉRGIO. Blog Gestão de Segurança Privada. Processo Organizacional: O Que é? Conceito, Definição, Estrutura. https://goo.gl/YhNKGK 21 UNIDADE Gestão de Segurança Privada Contemporânea Referências BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. Acesso em 20 fev. 2017. CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas. 3.ed. São Paulo: Elsevier, 2010. ______. Recursos Humanos. 9.ed. São Paulo: Elsevier, 2009. DRUCKER, P. Desafios gerenciais para o século XXI. São Paulo: Pioneira, 1999. DANTAS FILHO, Diógenes. Segurança e Planejamento. Rio de Janeiro: Ciência Moderna, 2007. DEPARTAMENTO da Policia Federal. Disponível em: <www.dpf.gov.br>. MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Introdução à Administração. 5.ed.rev. ampl. São Paulo: Atlas. 2000. SCOTT, Cynthia D.; JAFFE, Dennis T.; TOBE, Glenn R. Visão, valores e missão organizacional: construindo a organização do futuro. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1998. Sites visitados Decorrência da Teoria Neoclássica https://goo.gl/w2m0mj; Funções Administrativas: Noções de Planejamento, Organização, Direção e Controle https://goo.gl/D42cSr 22