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comidas portuguesas e indígenas foram modificadas pelas técnicas
culinárias africanas.
§ As religiões do senhor e do escravo conviviam.
Os padres sabiam que estavam concedendo aos
negros o direito de manter suas tradições
nas festas do terreiro.
§ Darcy Ribeiro escreveu “O Povo Brasileiro”, apresentando para a intelectualidade
os resultados de sua investigação a partir da pergunta:
§ “Por que o Brasil não deu certo?”
§ Desconstrução de mitos sobre a identidade brasileira e sobre a construção da
História do Brasil, em especial, sobre a miscigenação.
§ Dificuldade de formular uma teoria sobre o Brasil, pois isso requeria uma
nova abordagem além do entendimento de um processo histórico ou um
braço da história ocidental.
O povo brasileiro segundo Darcy Ribeiro
§ Pesquisa junto aos índios.
§ Darcy também foi político atuante e propôs várias iniciativas sociais em suas
passagens pelos diferentes governos dos quais participou. Sua visão da
formação social do Brasil corrigiu em vários pontos aquilo que Gilberto Freyre
tinha apenas vislumbrado.
§ Até porque Darcy Ribeiro pensa o povo brasileiro e não exclusivamente uma
realidade localizada na região Nordeste do Brasil.
§ Visão excessivamente romântica ou “socialismo moreno”?
O povo brasileiro segundo Darcy Ribeiro
§ O povo brasileiro passou a ser entendido como uma confluência da matriz
portuguesa com a herança miscigenada dos índios e negros, em que cada qual
trouxe suas peculiaridades para contribuir com a formação do brasileiro.
§ Os modos de ser brasileiro como em cinco tipos: Brasil crioulo, Brasil sertanejo,
Brasil caipira, Brasil gaúcho e Brasil caboclo.
§ Por trás dessa unificação étnica, existiam antagonismos, contradições e
disparidades.
§ A colonização foi um processo violento de unificação
política que suprimiu toda tentativa de rompimento ou
subversão da ordem vigente.
O povo brasileiro segundo Darcy Ribeiro
§ Na sociedade brasileira, as barreiras sociais eram, de acordo com Ribeiro (1995),
mais intransponíveis que as raciais, criando uma sociedade marcada por um
classismo:
§ Constante genocídio que tem início com a escravidão.
§ As lutas antiescravagistas e o medo de que o povo se rebelasse continuaram
como fator presente no cotidiano da sociedade.
§ O medo de uma rebelião das classes mais baixas era constante, o que
resultou em um autoritarismo recorrente por parte da ordem vigente em
garantir a sua manutenção (RIBEIRO, 1995).
O povo brasileiro segundo Darcy Ribeiro
§ O povo brasileiro nasce de um conjunto de matrizes.
§ A matriz indígena, tupi, presente de forma plural, mas antagônica de forma unitária
ao europeu, sofreu o primeiro ataque pelo contato biológico, o que resultou em um
genocídio indireto – pragas e doenças assolaram os povos indígenas.
§ O europeu impôs uma política extremamente agressiva e, desde o começo,
deu continuidade aos conflitos intraeuropeus no cenário intraindígena,
desarmando a possibilidade de uma resistência.
O povo brasileiro segundo Darcy Ribeiro: as matrizes
§ A miscigenação:
§ “Os brasilíndios foram chamados de mamelucos pelos jesuítas (...) Nenhuma
designação podia ser mais apropriada. O termo originalmente se referia a uma
casta de escravos que os árabes tomavam de seus pais, para criar e adestrar
em suas casas-criatórios, onde desenvolviam o talento que acaso tivessem”
(RIBEIRO, 1995, p. 107).
§ A miscigenação é o processo constante de unificação do país, pois dela
advém uma unidade nacional biológica.
O povo brasileiro segundo Darcy Ribeiro: as matrizes
§ Darcy Ribeiro (1995) indica que a construção do brasileiro vem de um espaço
ambíguo, uma não identidade, deixada em aberto pela incapacidade das etnias
irredutíveis em se misturar, justamente pelos papeis sociais a serem
desempenhados por cada uma.
§ Marginalizados pelas etnias, formaram uma nova por exclusão.
§ O abandono dos brasilíndios, ou mamelucos, que rejeitavam a origem
indígena ou negra e eram desprezados pelos pais europeus, restou um não
ser, que constituía a “ninguendade” desse povo em formação.
O povo brasileiro segundo Darcy Ribeiro: as matrizes
§ O brasileiro começa a perceber a origem de uma identidade própria, não pelo
autorreconhecimento, mas pelo estranhamento do português, que o via
como algo diverso.
§ A identidade do povo brasileiro, enquanto algo original e inexistente até então,
é construída pela não identificação, uma união pela rejeição.
§ O processo de construção dos novos povos da América Latina é um
processo de desconstrução dos velhos; o índio se desindianiza,
o negro se desafricaniza e o europeu se deseuropeiza.
O povo brasileiro segundo Darcy Ribeiro: as matrizes
§ “O processo de formação do povo brasileiro, que se fez pelo entrechoque de seus
contingentes índios, negros e brancos, foi, por conseguinte, altamente conflitivo.
Pode-se afirmar, mesmo, que vivemos praticamente em estado de guerra latente,
que, por vezes, e com frequência, se torna cruento, sangrento” (RIBEIRO,
1995, p. 168).
§ O choque de culturas não foi apaziguado com a formação do Estado brasileiro.
§ Esse Estado foi consolidado pela cultura europeia branca, que buscava
utilizá-lo como centro de opressão e manutenção de poder. Com o viés classista não foi apenas o Estado que funcionou em favor das elites
locais; o próprio projeto de país como um mecanismo de manutenção das distâncias
sociais impactou o funcionamento da economia interna, moldando o que o autor
chama de “Empresa Brasil” (RIBEIRO, 1995). No âmbito produtivo, em quatro ordens
diferentes:
§ A primeira foi o Brasil escravista, com mão de obra africana, suprindo a
monocultura latifundiária, depois o ouro e o café.
§ A segunda foi a jesuíta, com os índios.
§ A terceira, as atividades de subsistência.
§ A quarta predominava sobre todas: banqueiros
portuários.
Darcy Ribeiro: a Empresa Brasil
§ Importância dos centros urbanos crescerem e os campos foram explorados e
esvaziados durante todos os séculos.
§ Urbanização na década de 1960:
§ Industrialização, que teve início nas zonas urbanas e foi ampliada por Getúlio
Vargas, que a consolidou com seu projeto de estatais.
§ Empresas; capitalismo de Estado; nacional-desenvolvimentista, outros
privatistas, mas seguindo a lógica do uso da máquina pública para
sustentar o acúmulo de riqueza privada.
Darcy Ribeiro: a Empresa Brasil
§ O Brasil continuou a trabalhar alienado de sua produção, mas agora numa
paisagem urbana, com uma crise de desemprego e violência.
§ Ribeiro (1995) elaborou dois conceitos perversos que travestiram esse processo
de industrialização, uma vez que desenvolveram o país para outros do chamado
Primeiro Mundo.
§ A modernização reflexa e a atualização histórica opuseram-se à aceleração
evolutiva, impedindo a real industrialização e garantindo nossa condição
subalterna na economia mundial.
§ Os escravos deram lugar aos homens livres,
marginalizados, negros e presos às suas carências.
Darcy Ribeiro: a Empresa Brasil
§ A interação entre as três camadas sociais exerceu uma dominação completa do
homem branco sobre o negro, mas de modo algum existiu uma sincronia ou
coordenação (RIBEIRO, 1995).
§ Na prática, o sistema autoritário e opressivo da população beneficiava toda a
camada alta da sociedade, independente de sua função.
§ O sistema articulava-se como um todo para gerar uma unidade e um controle
classista, levando em conta os movimentos políticos contrários que
habitavam dentro dele. A sociedade foi, portanto, o resultado da força,
e não de uma grande articulação das elites.
Darcy Ribeiro: a Empresa Brasil
§ As classes dominantes do país não eram constituídas por um único grupo, mas por
muitos grupos que aspiravam ao poder sempre autoritário.
§ Os movimentos que contrastam com o progresso representado pelo projeto oficial,
que Darcy Ribeiro (1995) chama de anarquia, resultam em ilhas arcaicas e regiões
modernizadas. As primeiras se formam pelo isolamento e pelas condições sociais,
diferentemente da aparência

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