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Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas MATERIAL DIDÁTICO GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS U N I V E R S I DA D E CANDIDO MENDES CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA PORTARIA Nº 1.282 DO DIA 26/10/2010 Impressão e Editoração 0800 283 8380 www.ucamprominas.com.br Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas SUMÁRIO UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO ................................................................................. 03 UNIDADE 2 – EVOLUÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO DA ENGENHARIA DE SUPRIMENTOS ...................................................................................................... 05 2.1 Administração de produção e operação - APO ................................................. 09 2.2 Sistemas de produção ....................................................................................... 10 UNIDADE 3 – GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS (SCM) – MODELO COMPETITIVO DE GESTÃO .................................................................................. 22 3.1 Cadeias de suprimentos (supply chain) ............................................................ 22 3.2 Redes de Suprimentos e Cadeias de Suprimentos ........................................... 26 3.3 Cadeias Produtivas e Cadeias de Suprimentos ................................................ 27 3.4 Cadeias de Valor e Cadeias de Suprimentos .................................................... 28 UNIDADE 4 – MODELOS APLICADOS NA SCM ................................................. 30 UNIDADE 5 – GESTÃO DA DEMANDA NA CADEIA DE SUPRIMENTOS .......... 39 5.1 Gestão da demanda na manufatura e em serviços ........................................... 40 5.2 Incerteza da demanda na SCM ......................................................................... 45 UNIDADE 6 – O MÉTODO DOS 3 As – AGILIDADE, ADAPTABILIDADE E ALINHAMENTO ...................................................................................................... 49 UNIDADE 7 – BENCHMARKING DA CADEIA DE SUPRIMENTOS ..................... 57 7.3 O processo de benchmarking ............................................................................ 58 7.2 O planejamento do benchmarking ..................................................................... 60 REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 69 3 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO Segundo o dicionário Aurélio, engenharia é a arte de aplicar conhecimentos científicos e empíricos e certas habilitações específicas à criação de estruturas, dispositivos e processos que se utilizam para converter recursos naturais em formas adequadas ao atendimento das necessidades humanas. Suprimentos, numa acepção bem simples, é o mesmo que auxílio, ajuda, fornecimento, provisão. Daí, podemos definir engenharia de suprimentos como a área da engenharia que administra os processos que visam atender ao suprimento de insumos e materiais para que uma organização atinja seus objetivos finais. Ao engenheiro de suprimentos cabe, dentre outras áreas e atribuições, trabalhar na aquisição e manutenção de estoques, analisar reposição de materiais com vistas a manter o nível de estoque de insumos e sobressalentes adequados ao nível exigido, sempre buscando a melhor relação custo/benefício. A formação desejada para esse profissional passa pela graduação em Logística ou Engenharia de Suprimentos, deve cultivar habilidades nos relacionamentos, ter atitudes proativas, além de uma visão processual e analítica, afinal de contas será o responsável por todo processo de insumos necessários para uma obra ou serviço, incluídos aqui a previsão de demanda, o dimensionamento e movimentação de estoque desde o layout do almoxarifado e, evidentemente, deverá usar racionalmente a tecnologia da informação e comunicação nos processos de suprimentos. Conhecimento, traduzido em “buscar sempre mais”; Habilidade, “saber como colocar em prática o conhecimento adquirido”; e, Atitude, “colocar em prática o conhecimento adquirido” resumem as competências necessárias para que a atuação do Engenheiro de Suprimentos seja eficiente e eficaz em atividades relacionadas com a Logística. Pois bem, ao longo do curso teremos oportunidade de repassar conceitos mínimos necessários ao cotidiano desse profissional, bem como discutir as mais variadas áreas de atuação, a começar neste módulo pela gestão da cadeia de Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 4 suprimentos, os modelos aplicados a ela, a gestão da demanda, o método dos três As (agilidade, adaptabilidade e alinhamento) e o benchmarking. Ressaltamos em primeiro lugar que embora a escrita acadêmica tenha como premissa ser científica, baseada em normas e padrões da academia, fugiremos um pouco às regras para nos aproximarmos de vocês e para que os temas abordados cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos científicos. Em segundo lugar, deixamos claro que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores, incluindo aqueles que consideramos clássicos, não se tratando, portanto, de uma redação original e tendo em vista o caráter didático da obra, não serão expressas opiniões pessoais. Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas, mas que, de todo modo, podem servir para sanar lacunas que por ventura venham a surgir ao longo dos estudos. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 5 UNIDADE 2 – EVOLUÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO DA ENGENHARIA DE SUPRIMENTOS Podemos dizer que desde os primórdios da civilização o homem pratica engenharia e que a história dessa área se confunde com nossa história, mas faremos um grande recorte no tempo para abreviarmos o caminho e chegarmos à área de interesse. Em se tratando do Brasil, desde o descobrimento, as atividades especializadas tiveram sua importância e aplicação. Foi por meio das engenharias de navegação, matemática, astronomia, cartografia e medicina que Cabral chegou com sua frota ao nosso litoral. O descobrimento das minas de ouro e sua extração só foram possíveis graças à engenharia geológica e engenharia de minas. Até por volta de 1900, o exercício profissional era livre no país, mas a partir dessa data, o governo se viu pressionado a elaborar legislações que visavam exercer controle sobre determinadas atividadesprofissionais, tentando limitar o exercício ilegal de algumas profissões. Assim, a primeira profissão a ser regulamentada foi a de Engenheiro Agrimensor. Em 1933, regulamentaram-se as profissões de Engenheiro Agrônomo e Engenheiro Civil. Nesse ano foi também criado o Sistema CONFEA/CREA'S1 (AFONSO; FLEURY, 2007). Quanto à Engenharia de Suprimentos propriamente dita, esta se confunde um pouco com a logística, no entanto ela abrange muito mais, integra processos de negócios, envolve a engenharia de plantas, não é simplesmente colocar o produto certo no momento certo na quantidade desejada. Ela evoluiu junto às novas formas de gerenciamento da produção com a introdução de conceitos como o Just in time (JIT), engenharia da qualidade, levando a área de compras a setor mais do que simplesmente tática ou estratégica. 1 Conselho Federal de Engenharia e Agronomia/Conselho Regional de Engenharia e Agronomia Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 6 Braga (2006) explica, por meio de quatro estágios, a evolução da área de compras ou suprimentos, que vai desde a sua submissão a outras funções até a sua posição de participante na formulação da estratégia da organização, a saber: Perfil tático: Estágio 1 – reativo Estágio 2 – mecânico Perfil Estratégico: Estágio 3 – proativo Estágio 4 – Gerência Estratégica de Suprimentos O primeiro estágio é caracterizado pela pouca agregação de valor realizada pelo setor responsável pelas aquisições de bens e serviços nas organizações. Nessa fase, os departamentos requisitantes de bens ou serviços realizam quase todas as atividades associadas à negociação da obtenção, deixando para o setor de Compras ou Suprimentos apenas a operacionalização da transação, que consiste na emissão da ordem de compra, acompanhamento da entrega e escrituração de contratos cujas cláusulas são previamente acertadas entre o setor interno requisitante e o fornecedor. Os profissionais de Compras ou Suprimentos são meros executantes de acordos realizados por terceiros, aí incluídos seus próprios colegas de trabalho de outros departamentos. Nesse estágio, a preocupação é responder aos estímulos das outras funções dentro da organização. Devido à falta de planejamento, uma significativa parte do tempo do pessoal de Compras ou Suprimentos é empregada para “apagar incêndios”. O restante do tempo é destinado ao trato com operações rotineiras. As medidas de desempenho do departamento e dos indivíduos estão relacionadas à eficiência e não à eficácia. Há pouca comunicação entre o pessoal de Compras ou Suprimentos e os demais departamentos da organização, o que proporciona baixa visibilidade desse departamento perante outros setores. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 7 No segundo estágio, as aquisições passam a ser conduzidas dentro do departamento de Compras ou Suprimentos e pelo setor competente dentro deste departamento para o tipo de mercadoria a ser obtida, ou seja, aquele que possui as habilidades necessárias para o tipo de aquisição planejada. As comunicações com os outros departamentos e usuários são incentivadas com o propósito de aprimorar o entendimento das necessidades do cliente interno. Começa a surgir nessa fase a preocupação com redução de custos, levando a iniciativas como enxugamento do processo de cotação, otimização do fluxo logístico, comprometimento das encomendas colocadas junto ao fornecedor e informação antecipada aos fornecedores sobre previsões das necessidades de bens e serviços. Observa-se, ainda nessa fase, uma evolução nas técnicas e nas práticas em relação à fase anterior em busca da modernização, embora ainda não seja possível verificar-se um direcionamento estratégico. Em outras palavras, Compras ou Suprimentos ainda atuam de forma mecânica e independente das estratégias competitivas da empresa. Nesse estágio, são identificadas ainda algumas características adicionais, a saber: a) A medida de desempenho utilizada é baseada prioritariamente na redução de custo e na eficiência das práticas utilizadas no dia-a-dia do departamento. b) Os altos gerentes reconhecem a importância do desenvolvimento profissional dos integrantes do setor, mas ainda não enxergam o potencial do que tais profissionais podem proporcionar à organização. c) Os altos gerentes reconhecem as oportunidades existentes no desenvolvimento da função Compras ou Suprimentos para contribuir na rentabilidade do negócio; contudo, ainda se ressentem muito da insegurança proporcionada pelo próprio setor de Compras, que não se mostra de maneira proativa, tanto na solução de problemas quanto na participação nos assuntos estratégicos. A preocupação de Compras ou Suprimentos, nos dois estágios apresentados, está voltada para questões do dia-a-dia, de cunho operacional e em um horizonte de tempo de curto prazo. Dessa forma, é possível classificar as duas Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 8 etapas iniciais como de perfil tático. As práticas relacionadas abaixo ilustram possíveis rotinas observadas nos estágios um e dois e portam características táticas quanto aos efeitos proporcionados na sua execução: a) Análise das mercadorias/serviços – pesquisa dos requerimentos e características dos produtos e serviços a serem adquiridos. b) Pesquisa de mercado – identificação das características do mercado para a aquisição de mercadorias/serviços. c) Conciliação das informações de mercado com os requerimentos do consumidor interno, de modo a facilitar a aquisição das suas solicitações. d) Colocação de pedidos (ordem de compra) junto ao fornecedor. e) Acompanhamento do pedido – gerenciamento do processo de obtenção com o objetivo de acompanhar o andamento do pedido e, portanto, revelar o seu status junto ao fornecedor. f) Previsão das necessidades futuras e transmissão dessas informações aos fornecedores. g) Verificação de desempenho dos fornecedores com base nos quesitos de custo, entrega e qualidade. A partir do terceiro estágio, o foco das atividades de Compras ou Suprimentos deixa de ser essencialmente tático e começa a haver uma tendência no trato com questões mais abrangentes e de repercussão de maior prazo. No terceiro estágio, portanto, o tema central passa a ser a otimização do custo do ciclo de vida, preocupação em se adicionar maior valor para o consumidor através de análise de valor e engenharia de valor dos materiais, redução da complexidade e envolvimento do fornecedor no desenvolvimento de novos produtos. Na terceira fase, o cliente interno passa a ser chamado a participar das aquisições realizadas, garantindo que todos os aspectos técnicos e do custo total de propriedade sejam adequadamente considerados. Compras ou Suprimentos inicia a prática de suportar a estratégia competitiva da empresa através da adoção de técnicas, métodos e atividades que ofereçam fortalecimento na posição competitiva da empresa. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.brou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 9 Nessa fase, surge o emprego de equipes com representantes dos diversos setores da organização (equipes multifuncionais) para seleção de fornecedores e aquisição de bens e serviços. A partir desse ponto, os fornecedores são considerados como um recurso escasso e, portanto, cuidadosamente selecionados. O profissional da função passa a ser considerado também um recurso valioso, devido à experiência que começa a acumular no trato de questões estratégicas. No quarto e último estágio, acontece a total integração de Compras ou Suprimentos e a estratégia competitiva da empresa com a real caracterização do seu papel estratégico na organização. Ela passa a constituir parte de um esforço conjunto com as outras funções correlatas para formular e implementar um plano estratégico no nível departamental decorrente da estratégia da empresa, além de, também junto com as outras funções, influenciar a formulação da estratégia da empresa numa relação recíproca. Em outras palavras, as atividades e estratégias definidas para a função Compras ou Suprimentos buscam suportar a estratégia competitiva da empresa e, ao mesmo tempo, serem derivadas dela (BRAGA, 2006). 2.1 Administração de produção e operação – APO De uma forma geral, a Administração da Produção e Operações diz respeito àquelas atividades orientadas para a produção de um bem físico ou à prestação de um serviço. Neste sentido, a palavra “produção” liga-se mais de perto às atividades industriais, enquanto a palavra “operações” se refere às atividades desenvolvidas em empresas de serviços. Nas indústrias, as tarefas que são o objeto da APO encontram-se concentradas prioritariamente na fábrica ou na planta industrial, o que pode ser facilmente identificado, principalmente porque os diversos departamentos muitas vezes levam o nome da operação. Ao contrário do que acontece em empresas de serviços, onde as atividades ligadas a “operações” são espalhadas, sendo às vezes difícil reconhecê-las. Dentre os principais avanços que exercem impacto sobre a APO, podemos citar a robótica e o controle numérico; os projetos auxiliados por computadores; o Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 10 Just in time ou manufatura enxuta; o benchmarking; os padrões ISO; a reengenharia de processo; a administração da cadeia de suprimentos e outros. Quanto aos fatores que interferem de maneira impactante na APO, o mais saliente deles com certeza é a globalização que tornou a competição intensa e crescente devido a uma, digamos, liberação de fronteiras entre os países que não mais oferecem tanta proteção contra importações estrangeiras. Uma vez que a obtenção de sucesso na competição global passa por atender receptivamente aos clientes desenvolvendo produtos inovadores, de qualidade, contemplando a entrega rápida e no tempo certo, com preços e custos baixos, os gerentes e engenheiros de operações e produção precisam estar atentos para o uso de métodos cada vez mais sofisticados. 2.2 Sistemas de produção A empresa – como um macrossistema – envolve vários sistemas em seu interior e como nos apresenta Moreira (2000, p. 8), ela pode ser definida como um “conjunto de atividades inter-relacionadas envolvidas na produção de bens (caso de indústrias) ou de serviços”. Em se tratando da produção, esta funciona como um sistema aberto dentro desse macrossistema que é a empresa. Também ela é constituída de entradas, processamento, saídas e retroação. Dentro do sistema de produção também existem interdependências entre os demais sistemas da empresa. Cada empresa adota um sistema de produção para realizar suas operações e produzir seus produtos ou serviços da melhor maneira possível, garantindo com isso sua eficiência e eficácia. O sistema de produção é a maneira pela qual a empresa administra seus órgãos e realiza suas operações de produção, adotando uma interdependência lógica entre todas as etapas do processo produtivo, desde o momento em que os materiais chegam dos fornecedores para o almoxarifado até alcançarem o depósito como produtos acabados (CHIAVENATO, 2005). As duas figuras abaixo representam, respectivamente os elementos e a dinâmica desse funcionamento. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 11 Figura 1 – Elementos constituintes do sistema de produção Fonte: Adaptado de Moreira (2000) Figura 2 – As interdependências entre os subsistemas do sistema de produção Fonte: Chiavenato (2005) A figura 1 nos mostra que os Sistemas de Produção são compostos de quatro subsistemas, conforme explicam Gaither; Frazier (2002) e Slack; Chambers; Johnston (2002): 1) INSUMOS – recursos a serem transformados diretamente em produtos e que são classificados em três categorias gerais: a) insumos externos – possuem caráter de informação e fornecem dados sobre as condições externas ao sistema de produção, tais como informações sobre: política; legislação; economia; sociedade; tecnologia. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 12 b) insumos de mercado – também possuem caráter de informação, no entanto, fornecem informações sobre: concorrência; produtos; desejos dos clientes. c) insumos primários/recursos primários – são os insumos que sustentam diretamente a produção e a entrega de bens e serviços, podendo ser públicos ou não, tais como: Recursos Físicos – Máquinas, Equipamentos, Matérias-primas, Recursos Energéticos e Recursos Naturais; Recursos Humanos; Recursos Econômicos - Financeiros; 2) SUBSISTEMA DE CONVERSÃO/TRANSFORMAÇÃO – é o subsistema que transforma os insumos em produtos finais e está diretamente ligado ao tipo de entradas a serem transformadas, podendo ser de: a) processamento de materiais: i) Transformar – transformam a propriedade física dos materiais, como: forma; composição ou características (como nas manufaturas e nas minerações). ii) Mudar a localização – serviços de transporte de cargas e encomendas. iii) Mudar a posse ou a propriedade – serviços de troca. iv) Acomodar ou estocar – serviços de armazenagem. b) processamento de informações: i) Transformar – transformam as propriedades informativas, ou seja, a forma da informação (como fazem os contadores). ii) Mudar a localização – serviços de telecomunicações. iii) Mudar a posse ou a propriedade – (como nas empresas de pesquisa de mercado). iv) Acomodar ou estocar – (como nos arquivos e bibliotecas). c) processamento de consumidores: i) Transformar – transformam as propriedades físicas (como os cabeleireiros e os cirurgiões plásticos); o estado fisiológico (como os hospitais), e/ou; o estado psicológico (como os serviços de entretenimento, tais como música, teatro, cinema, parques temáticos). Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00horas 13 ii) Mudar a localização – serviços de transporte de pessoas. iii) Acomodar ou estocar (como nos hotéis). 3) SUBSISTEMA DE CONTROLE – conjunto de atividades que visa assegurar que programações sejam cumpridas, que padrões sejam estabelecidos, que recursos estejam sendo usados de forma eficaz e que a qualidade desejada seja obtida. 4) SAÍDAS – acontecem de duas formas: a) produtos diretos – são os produtos que geram as receitas do sistema, estes podem ser: os bens (produtos tangíveis); os serviços (produtos intangíveis); ou, ambos. b) produtos indiretos – correspondem aos: impostos; impacto ambiental (poluição, efluentes e lixo); remunerações e salários; desenvolvimento tecnológico; impactos sobre os empregados e sobre a sociedade. A figura 2 retrata o ciclo de produção do sistema, que vai desde o fornecimento até a entrega diretamente ao cliente ou indiretamente através de distribuidor. O ciclo de produção pode ser curto – durar horas, como na entrega de certos serviços –, ou longo – durar meses, como na entrega de produtos de grande porte ou de valor elevado. Esse ciclo mostra a reiteração das atividades de produção e sua cadência de repetitividade. Quando curto, permite à empresa produzir mais e receber o resultado das vendas mais depressa. Quando longo, ele estende o ciclo financeiro de pagar o fornecedor para depois receber do cliente. Para que a produção possa acontecer, as entradas e insumos provenientes dos fornecedores externos ingressam no sistema de produção por meio do almoxarifado de matérias-primas, sendo ali estocados até seu eventual uso no processo produtivo. A produção processa e transforma os materiais e matérias- primas em produtos acabados, os quais são estocados no depósito de produtos acabados até sua entrega aos clientes e consumidores. A interdependência entre o almoxarifado, a produção e o depósito é muito estreita, fazendo com que qualquer alteração em um deles provoque influências sobre os demais. Eles constituem os Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 14 três subsistemas do sistema de produção intimamente inter-relacionados e interdependentes, cujas principais funções são: almoxarifado de matérias-primas – receber e estocar MP e fornecê-las à produção; subsistema de produção – transformar as MPs em produtos acabados; depósito de produtos acabados – estocar os produtos acabados e fornecê-los aos clientes. Para funcionar adequadamente, o sistema de produção precisa ajustar e balancear os três subsistemas entre si, ou seja, todos eles devem funcionar dentro do mesmo compasso, obedecendo ao mesmo ritmo e cadência. Muitas empresas selecionam cuidadosamente seus fornecedores, se concentram em apenas alguns deles, os mais confiáveis, e adotam contratos de parceria ou de qualidade assegurada para evitar o controle de qualidade no recebimento das matérias-primas. Sem dúvida, isso traz economias de tempo, espaço e dinheiro. Outras empresas preparam e treinam o fornecedor para que ele participe diretamente do sistema produtivo e, com isso, eliminam a figura do almoxarifado. Em vez de oferecer insumos, os fornecedores se tornam habilitados a participar ativamente do processo produtivo instalando os insumos que produzem. Não há necessidade de vendedores (do fornecedor) e nem compradores (da empresa). Entre a empresa e o fornecedor não há fronteiras: isso é típico de um sistema aberto (CHIAVENATO, 2005, p. 17). Vamos falar um pouco sobre as peculiaridades de alguns dos sistemas de produção (produção sob encomenda; em lotes e contínua), relembrando que existem outros tipos. Guarde... Dá-se o nome de processo de produção à sequência de operações que são executadas para produzir um determinado produto/serviço. Cada processo de produção exige um arranjo físico específico. Arranjo físico significa a disposição das máquinas, equipamentos, instalações e pessoas da melhor maneira possível para a Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 15 realização de um trabalho. Assim, cada um dos três tipos de sistemas de produção apresenta características distintas, cada qual com um processo de produção, com um arranjo físico específico e com uma administração de materiais adequada às suas necessidades. a) Sistema de produção sob encomenda Baseia-se na encomenda ou no pedido de um ou mais produtos/serviços. A empresa que o utiliza somente produz após ter recebido o contrato ou encomenda de um determinado produto ou serviço. Em primeiro lugar, a empresa oferece o produto/serviço ao mercado. Quando recebe um pedido ou contrato de compra é que ela se prepara para produzir. Nesse momento, o pedido feito pelo cliente ou o contrato serve de base para a elaboração do plano de produção, isto é, para o planejamento do trabalho a ser realizado. O sistema de produção sob encomenda exige que a empresa se adapte e se ajuste às especificações do cliente que encomenda o produto ou serviço. A empresa dá toda a estrutura, recursos e competências, mas é o cliente quem especifica as características do produto. É o caso de construção de navios, hidrelétricas, indústrias, aviões e quase todos os produtos de grande porte. Quase sempre, o cliente é uma outra empresa ou indústria. Nesse caso, o almoxarifado quase sempre é imprescindível. Mas existem outros tipos de empresas que adotam esse sistema de produção, como os hospitais (em que o cliente ou paciente apenas se interna em busca de um diagnóstico ou solução de um problema de saúde) ou oficinas mecânicas (em que o cliente leva seu carro para ser consertado) (CHIAVENATO, 2005, p. 18). O plano de produção do sistema de produção sob encomenda envolve: 1. Relação das matérias-primas necessárias para a produção do produto/ serviço encomendado pelo cliente, divididas em itens e quantidades. 2. Relação da mão de obra necessária para a execução dos trabalhos, dividida em número de horas de trabalho para cada operário. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 16 3. Processo de produção para a execução da encomenda, detalhando a sequência operacional das atividades das máquinas e da mão de obra envolvidas. Esse sistema é utilizado para a produção de navios, geradores e motores de grande porte, aviões, locomotivas, construção civil e industrial, confecções sob medida, etc. A empresa somente produz depois de efetuado contrato ou pedido de venda de seus produtos/serviços. É a encomenda ou pedido que vai definir como a produção deverá ser realizada. O exemplo mais simples de produção sob encomenda é o da oficina ou da produção unitária. É o sistema no qual a produção é feita por unidades ou por pequenas quantidades previamente encomendadas, cada produto a seu tempo, sendo modificado à medida que o trabalho é realizado. O processo de produção é manufatureiro e artesanal: requer operários com habilidades manuais, envolvendo o que se chama de operação de mão de obra intensiva, isto é, muita mão de obra e muita atividade artesanal, como no caso de eletricistas, soldadores, carpinteiros, marceneiros, encanadores, ferramenteiros,torneiros, mecânicos, entre outros, à disposição para a construção de um navio ou da equipe de propaganda de uma agência ou da equipe de um hospital. Cada produto tem uma data definida de entrega conforme os prazos definidos no pedido de compra ou na encomenda. O processo de produção é pouco padronizado e pouco automatizado, assim, cada produto é grande e único – como um navio, edifício, fábrica, hidrelétrica, por exemplo. Há processos menores, como a oficina de propaganda, o hospital com sua equipe médica ou a pequena oficina mecânica para proporcionar conserto de automóveis. Cada produto exige uma oficina-base na qual o trabalho é realizado: é o caso da oficina mecânica para os automóveis; o canteiro de obras para a construção civil; o pátio de construção para os navios; a equipe de trabalho para a empresa- cliente atendida pela agência de propaganda; a equipe médica para o paciente que se interna no hospital. O arranjo físico típico do sistema de produção sob encomenda é concentrado no produto. Como o produto é de grande porte e de construção relativamente demorada, todas as máquinas e equipamentos são colocados ao redor do produto e todos os materiais necessários são estocados ou movimentados Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 17 próximos ao produto. O arranjo físico característico é o do produto como centro de todas as operações, seja na oficina-base, no canteiro de obras, no pátio de construção, etc. O sistema de produção sob encomenda dificulta as previsões de produção, pois cada produto/serviço exige um trabalho específico diferente dos demais produtos e que é complexo e demorado. Cada produto exige um plano de produção específico. O sistema requer um grupo de administradores e especialistas competentes como supervisores da oficina-base e capazes de assumir sozinhos todas atividades de cada contrato ou pedido, como supervisão da produção, mão de obra, materiais, etc. O sucesso da produção sob encomenda depende muito da habilidade do administrador ou especialista encarregado de cada contrato ou encomenda. A eficiente construção do edifício depende muito da habilidade do engenheiro de obras, assim como o atendimento da empresa-cliente dependendo muito do supervisor de conta da agência de propaganda, e o atendimento do paciente depende muito do médico-chefe da equipe do hospital. É importante que o plano de produção seja bem compreendido por todos os especialistas que deverão executá-lo na prática. b) Sistema de produção em lotes É o sistema de produção utilizado por empresas que produzem quantidade limitada de um tipo de produto/serviço de cada vez. Essa quantidade limitada é denominada lote de produção. Cada lote de produção é dimensionado para atender a um determinado volume de vendas previsto para um determinado período. Terminado um lote de produção, a empresa inicia logo, ou mais adiante, outro lote, e assim por diante. Cada lote recebe uma identificação, como um número ou código. Além do mais, cada lote exige um plano de produção específico. O sistema de produção em lotes é utilizado por empresas que produzem lotes de produtos com especificações próprias (como tamanho, cor, padronagem, qualidade, etc.). Cada lote é trabalhado de maneira distinta e personalizada (CHIAVENATO, 2005, p. 20). Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 18 O plano de produção do sistema de produção em lotes é feito antecipadamente em relação às vendas, isto é, a empresa produz previamente cada lote para aproveitar ao máximo os seus recursos, e o coloca à disposição da área de vendas para entregá-lo aos clientes à medida que as vendas são efetivadas. Em algumas indústrias, o plano de produção permite que sejam processados simultânea e paralelamente vários lotes de produção, alguns no início, outros no meio, enquanto outros findam. O sistema de produção em lotes é utilizado por indústrias têxteis, de cerâmica, eletrodomésticos, motores elétricos, brinquedos, etc. A fábrica têxtil é capaz de produzir uma extensa variedade de tecidos com diferentes padronagens e características. Cada tipo de tecido é produzido em um lote de produção, findo o qual sua produção é interrompida para entrar um lote seguinte, que deverá ser um tecido diferente. O tecido anterior poderá ou não voltar a ser produzido em algum lote futuro, dependendo do sucesso das vendas. O arranjo físico das empresas que produzem em lote é caracterizado por máquinas agrupadas em baterias do mesmo tipo. O trabalho passa de uma bateria de máquinas para outra intermitentemente em lotes de produção. Cada bateria de máquinas constitui um departamento ou uma seção. Geralmente existe falta de equilíbrio na capacidade de produção dos diferentes departamentos envolvidos. Isso significa que cada departamento tem uma capacidade de produção que nem sempre é igual à dos demais departamentos da empresa, havendo gargalos de produção. O plano de produção deve considerar esse equilíbrio, programando turnos de trabalho diferentes para compensá-lo através de diferentes números de horas trabalhadas. Por outro lado, a produção em lotes permite a utilização regular e plana da mão de obra, sem grandes picos de produção. Exige grandes áreas de estocagem de produtos acabados e grande estoque de materiais em vias de ou em processamento. Sobre a previsibilidade, a produção em lotes exige um plano de produção bem feito e capaz de integrar novos lotes de produção à medida que outros sejam completados. O plano de produção deve ser constantemente replanejado e Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 19 atualizado. O sucesso do processo de produção depende diretamente da forma de equacionar o plano de produção. c) Sistema de produção contínua O sistema de produção contínua é utilizado por empresas que produzem um determinado produto por um longo período de tempo e sem modificações. O ritmo de produção é acelerado, e as operações são executadas sem interrupção ou mudança. Como o produto é sempre o mesmo ao longo do tempo e como o processo produtivo não sofre alterações, o sistema pode ser aperfeiçoado continuamente. Ao visitar uma siderúrgica, uma indústria química ou petroquímica, você se defrontará com uma indústria que trabalha intensivamente um determinado produto sem nenhuma interrupção, na qual não há um dia de paralisação, a menos que haja necessidade de manutenção preventiva de tempos em tempos. Ou então, é possível encontrar com uma indústria de eletrodomésticos em que o pessoal trabalha em vários turnos, com um dia de descanso em cada semana. Esse trabalho contínuo é típico da produção em massa de produtos padronizados e com as mesmas características básicas (CHIAVENATO, 2005, p. 22). O plano de produção típico do sistema de produção contínua é elaborado geralmente para períodos de um ano, com subdivisões mensais. Como a produção é estável no longo prazo, pois não há modificações ao longo do tempo, e como o processo produtivo também não sofre mudanças, o plano de produção pode ser feito também no longo prazo. A ênfase do plano de produção é obtero máximo de eficiência e eficácia do processo produtivo, fazendo com que as máquinas e equipamentos, assim como as pessoas e materiais, tenham a melhor utilização possível no decorrer do tempo. O sistema de produção contínua é utilizado por fabricantes de papel e celulose, de automóveis, de eletrodomésticos da linha branca (como geladeiras, máquinas de lavar roupa, secadoras, etc.), enfim, produtos que são mantidos em linha durante muito tempo e sem modificações. O produto é rigidamente Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 20 especificado quanto às suas características, e o processo de produção é estabelecido em detalhes, o que permite planejar no longo prazo todos os materiais necessários, a mão de obra envolvida, bem como a chegada da matéria-prima necessária exatamente na quantidade certa e no tempo previsto, além do número de homens/horas de trabalho para cada operário ou produto. O arranjo físico da produção contínua é caracterizado por máquinas e ferramentas altamente especializadas, dispostas em formação linear e sequencial para a produção de cada componente do produto final. Isso assegura um alto grau de padronização de máquinas e ferramentas, de matérias-primas e materiais, bem como de métodos e procedimentos de trabalho. Como o produto é feito em enormes quantidades ao longo do tempo, o sucesso do sistema de produção contínua depende totalmente do plano detalhado de produção, que deve ser feito antes que se inicie a produção de um novo produto. O plano de produção coloca cada processo produtivo em sequência linear para que o material de produção se movimente de uma máquina para outra continuamente e, quando completado, seja transportado ao ponto em que ele é necessário para a montagem final. O plano de produção é feito antecipadamente e pode ter maior extensão de tempo. Geralmente é elaborado para cobrir cada exercício anual, explorando ao máximo as possibilidades dos recursos da empresa, proporcionando condições ideais de eficiência e de eficácia. É lógico que cada sistema de produção requer um tipo diferente de administração de materiais que alimente o processo produtivo. O importante é adequar a parte ao todo, isto é, a administração de materiais ao sistema de produção de modo a torná-lo mais eficiente e eficaz. Como a produção se realiza no trabalho com materiais, a administração de materiais faz parte integrante do processo produtivo. Na verdade, sem uma adequada administração de materiais, o sistema de produção pode levar a resultados insatisfatórios (CHAVENATO, 2005, p. 23). Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 21 Principais características dos sistemas de produção Fonte: CHAVENATO (2005, p. 23) Esses conceitos preliminares ajudarão muito quando falarmos sobre a gestão de materiais à qual cada sistema produtivo deve adequar-se. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 22 UNIDADE 3 – GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS (SCM) – MODELO COMPETITIVO DE GESTÃO A Gestão da Cadeia de Suprimentos (Supply chain Management – SCM2), numa concepção contemporânea se apresenta como um novo modelo competitivo e gerencial às empresas industriais, mas para tratar dessa cadeia precisamos nos familiarizar com alguns conceitos básicos, a saber: 3.1 Cadeias de suprimentos (supply chain) Segundo o dicionário da American Production Inventory Control Society (APICS), uma Cadeia de Suprimentos (Supply Chain - SC) pode ser definida como: 1. Os processos que envolvem fornecedores-clientes e ligam empresas desde a fonte inicial de matéria-prima até o ponto de consumo do produto acabado. 2. As funções dentro e fora de uma empresa que garantem que a cadeia de valor possa fazer e providenciar produtos e serviços aos clientes (Cox et al., 1995 apud PIRES, 2012). Uma SC abrange todos os esforços envolvidos na produção e liberação de um produto final, desde o (primeiro) fornecedor do fornecedor até o (último) cliente do cliente. Quatro processos básicos definem esses esforços, que são: o Planejar (Plan), o Abastecer (Source), o Fazer (Make) e o Entregar (Delivery). Para Quinn (1997), uma SC pode ser definida como todas as atividades associadas com o movimento de bens desde o estágio de matéria-prima até o usuário final. Para Lee e Billington (1993), uma SC representa uma rede de trabalho (network) para as funções de busca de material, sua transformação em produtos intermediários e acabados e a distribuição desses produtos acabados aos clientes finais. Lummus e Albert (1997) relatam que uma SC é uma rede de entidades na qual o material flui. Essas entidades podem incluir fornecedores, transportadores, fábricas, centros de distribuição, varejistas e clientes finais. Christopher (1998) 2 Daqui em diante trataremos sempre a Gestão da Cadeia de Suprimentos por SCM. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 23 define SC como uma rede de organizações que estão envolvidas através das ligações a jusante (downstream) e a montante (upstream) nos diferentes processos e atividades que produzem valor na forma de produtos e serviços liberados ao consumidor final. Lambert et al. (1998) lembram que, mais estritamente falando, uma SC não é apenas uma cadeia de negócios com relacionamentos “um a um”, mas uma rede de múltiplos negócios e relações. Mentzer et al. (2001) definem uma SC como o conjunto de três ou mais entidades (organizações ou indivíduos) diretamente envolvidas nos fluxos a montante ou ajusante de produtos, serviços, financeiro e de informação, desde a fonte primária até o cliente final (todos citados por PIRES, 2012). Como praticamente todas as definições apresentadas são convergentes, em termos gerais podemos considerar que uma SC é uma rede de companhias autônomas, ou semiautônomas, que são efetivamente responsáveis pela obtenção, produção e liberação de um determinado produto e/ou serviço ao cliente final (PIRES et al., 2001). Temos na figura abaixo uma SC hipotética, desenhada com base em uma empresa (montadora). Ela simboliza que a empresa foco tem um conjunto de fornecedores que atua diretamente com ela (first tier suppliers), outro conjunto de fornecedores desses fornecedores (second tier suppliers) e assim por diante. Representação de uma SC Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 24 Fonte: Pires (2012, p. 31) Na ilustração temos também indicado os dois sentidos básicos dos relacionamentos que essa empresa pode conduzir que são: montante (upstream) – no sentido de seus fornecedores; jusante (downstream) – no sentido do cliente final. É importante lembrar que em uma SCpodem existir fluxos e materiais também no sentido montante (fluxos reversos). Já o fluxo de informações em uma SC costuma ocorrer nos dois sentidos, embora se possa considerar que o fluxo principal (informações sobre a demanda) ocorre no sentido montante. Lambert et al. (1998 apud PIRES, 2012) também descrevem a estrutura de uma SC com base na ilustração abaixo. Os autores identificam duas dimensões estruturais de uma SC, que são: estrutura horizontal – definida pelo número de níveis da SC; Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 25 estrutura vertical – definida pelo número de empresas em cada nível da SC. Os membros de uma SC podem ser classificados em primários e de apoio. Os membros primários são empresas ou unidades de negócios que executam atividades (operacionais ou gerenciais) que agregam valor ao longo da SC de determinado produto e/ou serviço. Já os membros de apoio são empresas ou unidades de negócios que fornecem recursos, conhecimento, etc., suportando os membros primários da SC, mas que não participam diretamente no processo de agregação de valor. Cabe ressaltar que uma empresa pode, simultaneamente, realizar atividades primárias em um processo de negócio na SC e de apoio em outro processo, bem como pode executar esses papéis em SCs distintas. Essa classificação também é útil para definirmos os limites horizontais de uma SC. Assim, a origem de uma SC é o ponto no qual não existem fornecedores primários, mas apenas de apoio. Já o seu término é o ponto de consumo, ou seja, o ponto a partir do qual não será criado nenhum valor adicional e o produto e/ou serviço chega a seu cliente final. Ainda com relação à nomenclatura, Slack (1993) também apresenta uma classificação das SCs que é bastante útil em determinadas análises e situações. O autor divide uma SC em três níveis, que são a cadeia total, a cadeia imediata e a cadeia interna, conforme demonstrado abaixo. Cadeia de suprimentos interna, imediata e total Fonte: adaptado de Slack (1993). Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 26 Assim temos que a cadeia interna é a composta pelos fluxos de informações e de materiais entre departamentos, células ou setores de operações internos à própria empresa. A cadeia imediata é a formada pelos fornecedores e pelos clientes imediatos de uma empresa. Já a cadeia total é composta por todas as cadeias imediatas que compõem determinado setor industrial ou de serviços. Slack (1993) também não usa o termo cadeia (chain) para fazer essa classificação acima e sim o termo rede (network). Temos então que a expressão cadeia de suprimentos (supply chain) não é a única utilizada pela literatura para se referir ao tema em estudo. Uma expressão muitas vezes utilizada também é rede de suprimentos (supply network). 3.2 Redes de Suprimentos e Cadeias de Suprimentos Um conjunto de autores na área (especialmente britânicos) prefere utilizar a expressão Rede de Suprimentos (Supply Network), ao invés de Cadeias de Suprimentos (Supply chain). Mesmo alguns autores que utilizam a expressão Supply chain (SC) reconhecem que, estritamente falando, uma SC não é uma cadeia de negócios com relacionamentos um a um, mas uma rede de trabalho (network) com múltiplos negócios e relacionamento (LAMBERT, 2003 apud PIRES, 2012). Podemos dizer que o termo cadeia (chain) é uma metáfora imperfeita para tratar das questões consideradas no contexto da SCM, visto que elas raramente apresentam um comportamento linear. Mais uma vez vemos que o uso de rede de suprimentos (supply network) seria mais apropriado, embora o termo supply chain tornou-se de fato muito popular. A lógica da cadeia remete-nos a uma sequência linear de processos e/ou atividades executadas em uma ordem bem definida. Geralmente, o contato com o cliente final é feito quase exclusivamente através do elo final da cadeia. Já a lógica da rede remete-nos a uma estrutura mais complexa em que raramente existe uma linearidade na execução dos processos e/ou atividades e o contato com o cliente final não tende a ser exclusivo do elo final da rede (até porque muitas vezes fica difícil definir qual é esse elo final). É por isso que o termo cadeia Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 27 tem sido utilizado majoritariamente para a área de manufatura, que é exatamente onde ele se adapta melhor. Já o termo rede parece representar melhor diversas situações da área de serviços, visto que o atendimento a um cliente final é feito, muitas vezes, de forma complementar por diversos elos da rede. Um exemplo típico seria a situação de um cliente que compra um pacote turístico e é atendido por uma rede de serviço (composta, entre outros, de uma empresa de transporte aéreo, de empresa hoteleira e de uma empresa locadora de automóveis) que lhe fornece a viagem aérea, a estadia no hotel e o automóvel locado. Modelo de cadeias e redes Fonte: PIRES (2012, p. 35 adaptado de Harland,1996). 3.3 Cadeias Produtivas e Cadeias de Suprimentos Frequentemente, o conceito de cadeia de suprimentos também costuma ser confundido ou utilizado de forma indistinta com o conceito de Cadeias Produtivas ou Cadeias de Produção. O termo cadeia produtiva é geralmente usado para referir-se ao conjunto de atividades que representam genericamente determinado setor industrial. Por exemplo, a cadeia produtiva da indústria automobilística, da indústria de calçados, da indústria de computadores, da indústria alimentícia, da indústria têxtil, etc. Em outras palavras, o termo cadeia produtiva vem sempre acompanhado de um “complemento” que designa um determinado setor industrial. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 28 O conceito de analyse de filière desenvolvido na França durante a década de 1960 provavelmente seja o que mais se aproxima do que chamamos de cadeias produtivas. Mas, o termo é frequentemente correlacionado com o setor agroindustrial. Tal constatação é explicada por Batalha e Silva (2001), os quais relatam que, embora o conceito de filière não tenha sido desenvolvido especificamente para estudar a problemática agroindustrial, foi entre os economistas agrícolas e pesquisadores ligados aos setores rural e agroindustrial que ele encontrou seus principais defensores. Outro conceito, de fundo econômico, comumente inserido no contexto das filières é o de meso-análise, que é definido por Batalha e Silva (2001) como a “análise estrutural e funcional dos subsistemas e de sua interdependência dentro de um sistema integrado”, o que, apenas lembrando, se encaixa perfeitamente na chamada visão sistêmica. De certa forma, o conceito de meso-análise insere-se no espaço intermediário entre a macroeconomia e a microeconomia, ou seja, entre seu nível macro e agregado e o nível das empresas, dos clientes, etc., pois é exatamente nesse nível meso que se inserem as principaisquestões referentes às cadeias produtivas. Como ilustração, Pires (2012) nos lembra das constantes solicitações da chamada câmara setorial do setor automobilístico nacional em prol da redução dos relativos altos impostos pagos por sua cadeia produtiva no país. Por sua vez, uma cadeia de suprimentos (Supply chain - SC) pode fazer parte de uma ou de várias cadeias produtivas, dependendo das características de seus produtos finais. Ela sempre envolverá todas as atividades associadas com o movimento de bens, desde o estágio de matéria-prima até o usuário final. 3.4 Cadeias de Valor e Cadeias de Suprimentos A expressão cadeia de valor (value chain) é frequentemente utilizada no contexto da SCM, algumas vezes de forma genérica e até mesmo confusa. A origem da expressão é atribuída ao trabalho de Porter (1985), que advogava que para se compreenderem os elementos-chave para uma vantagem competitiva devem-se Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 29 analisar as várias atividades executadas na cadeia de valor de uma empresa e o modo como elas interagem. Essas atividades podem ser classificadas em atividades primárias e atividades de apoio. As atividades primárias são aquelas envolvidas na criação física do produto, na movimentação física, na venda, no serviço de pós-venda, etc. Cada empresa dará a essas atividades primárias uma importância relativa distinta, dependendo de como ela busca a vantagem competitiva. Por exemplo, uma empresa com estratégia de menor custo provavelmente terá uma configuração dessas atividades primárias diferente de outras que têm uma estratégia de diferenciação. Já as atividades de apoio são as que dão suporte às primárias e também a elas próprias. É importante destacar que o conceito de cadeia de valor proposto por Porter (1985) restringe-se aos limites internos de uma empresa. Segundo Porter (1985), valor refere-se ao que os clientes estão dispostos a pagar por aquilo que uma empresa lhes oferece, ou seja, é um conceito essencialmente relativo e usualmente ligado à questão da utilidade. Embora o conceito tenha origem e trajetória atrelada com a da própria humanidade, é justamente nas últimas décadas que sua determinação e mensuração têm caminhado fortemente no sentido do cliente final. Porter (1985) também descreve o que ele chama de “sistema de valores”, que compreende uma corrente de diversas cadeias (internas) de valores e visto a partir de um hipotético fornecedor e seus elos “corrente acima” e “corrente abaixo”. Essa representação é praticamente a mesma que hoje usamos para representar o conceito de cadeias de suprimentos (SC). Isso também explica por que alguns autores preferem definir uma SC como a somatória ou a integração de diversas cadeias de valor, ou seja, de diversas empresas. Podemos dizer que a SCM é claramente multifuncional e abrange interesses de diversas áreas tradicionais das empresas industriais. É uma expansão da gestão da produção; uma expansão do marketing; uma expansão de compras; uma filosofia gerencial ou ainda pode ser vista como um conjunto de processos de negócios gerenciais, envolvendo processos, tecnologias, iniciativas, sistemas, práticas, organização e pessoas. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 30 UNIDADE 4 – MODELOS APLICADOS NA SCM Existem alguns modelos ou frameworks desenvolvidos e que podem servir como referência ou ponto de partida para diversas situações na área de gestão de suprimentos, visto que a SCM é um tema contemporâneo e tem sido abordada por diversas entidades do mundo acadêmico e empresarial. Seguindo o raciocínio de Pires (2012), vamos abordar um dos modelos que podem ser utilizados de forma complementar e como diz o autor para se evitar qualquer tipo de inconveniência com a criação de um eventual rótulo inadequado, será denominado genericamente de modelo ‘A’. Esse modelo refere-se ao trabalho desenvolvido no grupo de pesquisa sob a coordenação dos pesquisadores Douglas Lambert e Martha Cooper na Ohio State University nos EUA. O modelo enfatiza a natureza inter-relacional da SCM e a necessidade de se trabalhar através de várias etapas para conceber e gerenciar com sucesso uma Cadeia de Suprimentos (SC). A framework proposta consiste em três elementos bastante inter- relacionados, que são a estrutura da SC (network structure), os processos de negócios da SC e os componentes gerenciais da SCM. De forma resumida, a estrutura consiste nas empresas membros da cadeia e suas interligações e os processos de negócios consistem nas atividades que produzem um específico output de valor para o cliente. Os componentes são as variáveis gerenciais através das quais os processos de negócios são integrados e administrados ao longo da SC. Os três elementos inter-relacionados estão representados abaixo e discutidos com mais detalhes a seguir. Os elementos do Modelo A Processos de negócios da SC (2) Componentes gerenciais Estrutura da SC (1) da SCM (3) Fonte: Pires (2012, p. 68) adaptada de Lambert et al. (1998). Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 31 A questão principal, em se tratando da estrutura da SC é definir quem são os membros-chave da SC com os quais vamos integrar nossos processos. Sabemos que toda empresa participa de cadeias de suprimentos. O quanto essas cadeias precisam ser gerenciadas é uma questão que depende de fatores, como a complexidade dos produtos, a disponibilidade de fornecedores e de materiais, entre outros. As dimensões a considerar incluem o tamanho da SC e o número de fornecedores e de clientes em cada um de seus níveis (elos). Os autores do modelo argumentam que é muito raro uma empresa participar somente de uma SC, e para a maioria das empresas de manufatura, a SC se parece muito pouco com uma cadeia ou um pipeline, mas se parece mais com uma árvore na qual os ramos e as raízes podem representar, respectivamente, os clientes e os fornecedores. A questão a saber é quantos desses ramos e raízes necessitam ser gerenciados. Outro ponto importante é a definição do nível de relacionamento a ser construído junto às diversas empresas clientes e fornecedoras da SC. Isso significa que cada interligação (link) da empresa necessita de um tipo de relacionamento adequado e que contemple os objetivos e restrições colocados a ela. Uma questão básica que vamos tratar será a definição da configuração da SC, a qual contempla três aspectos estruturais: os membros da SC, as dimensões estruturais e os diferentes tipos de interligação de processos ao longo da SC. a) Identificando os membros da SC Um primeiro passo na configuração da SC é a definição de seus membros e a inclusão de todos os tipos de membros pode levar a uma situação de extrema complexidade que é desnecessária e pouco produtiva. A princípio, os membros de uma SC são todas as organizações com as quais a empresa focal interage direta ou indiretamente na direção montante e jusante, desde a fonte original de matéria-prima até o consumidor final. Esses membros podem então ser divididosem membros primários e membros suportes. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 32 Como membros primários são consideradas todas as empresas que adicionam valor (operacional ou gerencial) nos processos de negócios concebidos para produzir um específico produto e/ou serviço para um determinado cliente ou mercado. Já os membros suportes são as empresas que providenciam conhecimento, facilidades ou recursos para os membros primários da SC, ou seja, suportam os membros primários. Assim, eles podem incluir, por exemplo, diversos tipos de companhias, como bancos que prestam serviços, companhias que fazem leasing de veículos, proprietários de armazéns que alugam espaço, companhias que providenciam mão de obra temporária, empresas que cuidam da segurança patrimonial, empresas que fornecem alimentação, entre outros. Uma empresa também pode desempenhar um papel de membro primário em um processo e de membro suporte em outro processo de uma SC. Por exemplo, uma empresa montadora (OEM) pode trabalhar muito próximo de um fornecedor de equipamento a ser utilizado em um novo produto. Assim, esse fornecedor é um membro primário do processo de desenvolver produto da montadora. Entretanto, logo que o equipamento entra em sua operação normal, o fornecedor passa a ser um membro suporte do processo produzir da montadora, ou seja, o equipamento por si próprio não acrescenta valor ao processo produzir. Essa distinção entre membros primários e de suporte não é sempre feita de forma fácil, mas pode ser um facilitador gerencial no sentido de identificar os elementos-chave da SC. De certa forma, essa classificação é similar ao que Porter (1985) chama de atividades primárias e suporte na cadeia de valor. Outra vantagem derivada da definição dos membros primários e dos membros suportes da SC é poder definir claramente o ponto de origem e o ponto de consumo de uma SC. No ponto de origem não existe nenhum membro fornecedor primário; há apenas membros fornecedores suportes. Já o ponto de consumo é onde nenhum valor adicional é acrescentado e o produto e/ou serviço é consumido. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 33 b) Dimensões estruturais O modelo em questão considera que para descrever, analisar e gerenciar uma SC é necessário considerar três dimensões: a estrutura horizontal, a estrutura vertical e a posição horizontal da empresa focal. A estrutura horizontal refere-se ao número de níveis medido no sentido horizontal (tiers) da SC. Assim, as cadeias podem ser relativamente mais longas (como a de um automóvel) ou curtas (como as do cimento). A estrutura vertical diz respeito ao número de fornecedores ou clientes em cada um dos níveis identificados na estrutura horizontal. Assim, uma cadeia pode ter uma estrutura vertical larga ou estreita em cada um de seus níveis horizontais (tiers), ou seja, tendo muitos ou poucos fornecedores ou clientes em cada nível horizontal. A posição horizontal da empresa foco determina o quanto ela está posicionada mais próxima ou distante do ponto de origem ou do ponto de consumo da SC. No geral, tem-se que o processo de reestruturação e de consolidação das relações nas cadeias de suprimentos tem provocado alterações significativas nas dimensões estruturais das cadeias de suprimentos. Assim, quando uma empresa se move de uma estratégia de “múltiplos” fornecedores para outra de “únicos” ou “exclusivos”, a SC tende a tornar-se estreita. Processos decisórios comuns no cotidiano da SCM podem alterar a estrutura da SC e, consequentemente, mudar a posição horizontal da empresa focal dentro da SC. Há que se considerar também que, como, geralmente, uma empresa faz parte de diversas SCs, é importante identificar e entender seu papel e perspectivas de forma inter-relacionada e em cada uma dessas cadeias. c) Os processos de negócios da SC A questão principal levantada a saber é quais processos de negócios deveriam ser tratados conjuntamente ao longo da cadeia, tomados sob a perspectiva da empresa focal. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 34 Uma efetiva SCM requer uma mudança para o modelo de gestão dos processos de negócios-chave da SC. Integrar e gerenciar uma SC exige um contínuo fluxo de informações, o qual pode colaborar muito para se criar um melhor fluxo (físico) de materiais. Considerando que o atendimento do cliente final é o foco principal da SCM, torna-se necessário o processamento de informações de forma precisa e no tempo certo para que se possa responder adequadamente às demandas desse cliente final. Muitas empresas já constataram que não têm como melhorar o fluxo dos materiais (produtos) sem implementar uma gestão por processos de negócios. Este modelo identifica oito processos de negócios-chave ao longo de uma SC, os quais estão descritos sucintamente a seguir, os quais serão de grande valia ao longo de sua atuação diante de áreas que envolvem clientes, suprimentos, relacionamentos, comercialização, fornecedores, enfim, serão muito úteis. Gestão das Relações com os Clientes (Customer Relationship Management) É o processo que providencia a estrutura para o desenvolvimento e manutenção do relacionamento com os clientes. Geralmente são identificados os clientes chaves e os grupos de clientes para os quais são estabelecidas metas (targets). Também, equipes focadas nesses clientes trabalharão para melhorar processos, eliminar a variação da demanda e de atividades que não agregam valor aos clientes. Ao mesmo tempo, são concebidos relatórios para medir o retorno que cada um desses clientes chaves proporciona. Gestão do Serviço ao Cliente (Customer Service Management) É o processo que mostra a face da empresa perante o cliente, provendo-o com informações em tempo real e prometendo datas de expedição e de disponibilidade de produtos via interligação direta dos clientes com áreas funcionais da empresa como manufatura e logística. Inclui também a assistência ao cliente em todos os estágios do atendimento, ou seja, desde o pré até a pós-venda. Gestão da Demanda (Demand Management) É um processo de negócio chave para uma efetiva SCM e busca balancear as necessidades dos clientes com a capacidade da empresa fornecedora. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 35 Atualmente, uma boa gestão da demanda usa dados dos pontos de venda e dos clientes chaves para reduzir incertezas e providenciar um efetivo fluxo de material ao longo da SC. O objetivo maior é gerenciar a demanda e os estoques de forma integrada em todos os elos chaves da SC. Atendimento dos Pedidos (Order Fulfillment) É outro processo de negócio chave da SCM que visa atender às crescentes necessidades dos clientes em diversas dimensões (quantidade, prazo, qualidade, etc.) expressas em seus pedidos. Sua realização efetiva requer a integração de atividades entre diversas áreas das empresas, bem comoo desenvolvimento de parcerias com membros-chave da SC (como fornecedores, distribuidores e operadores logísticos). O objetivo maior é proporcionar um atendimento do pedido da forma mais efetiva possível. Para tal, todo o conhecimento atual da SCM torna-se peça fundamental. Gestão do Fluxo de Manufatura (Manufacturing Flow Management) Tradicionalmente, as empresas que produzem para estoque (make-to-stock) o fazem com base em previsões de vendas (mediante dados históricos) e “empurram” seus produtos aos canais de distribuição. Comumente, verifica-se depois no momento da venda que se produziu um mix e/ou volume além ou aquém da real demanda, o que gerou um excesso de estoques, de processos logísticos e de custos produtivos no geral. Os autores do modelo argumentam que a SCM busca sempre “puxar” a demanda com base nas necessidades dos clientes e para tal a flexibilidade produtiva é essencial. Na realidade, tal consideração traz uma boa dose de simplificação, visto que a decisão de produzir para estoque ou sob pedido (make-to- order) na grande maioria das vezes foge do controle da empresa e recai no padrão estabelecido pelo mercado. Gestão das Relações com os Fornecedores (Supplier Relationship Management) É o processo que define como a empresa interage com seus fornecedores e pode ser considerada como uma “imagem espelho” da gestão das relações com os Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 36 clientes. Assim, a empresa deve desenvolver parcerias com os fornecedores chaves com o intuito de suportar processos de negócios como os de gestão do fluxo de manufatura e desenvolvimento do produto e comercialização. Geralmente, os fornecedores são classificados com base em fatores como grau de contribuição e de importância para a empresa e as parcerias de longo prazo são desenvolvidas apenas com um seleto grupo dentre eles. O objetivo é construir relações ganha-ganha e envolver os fornecedores chaves desde a fase inicial de concepção dos produtos. Desenvolvimento do Produto e Comercialização (Product Development and Commercialization) É o processo que trata do trabalho conjunto entre clientes e fornecedores com o intuito principal de reduzir o tempo de lançamento do produto (time-to- market). Como os ciclos de vida dos produtos têm diminuído, o desenvolvimento e o lançamento de novos produtos em períodos cada vez menores se torna um imperativo para se manter competitivo. Esse processo tem também uma interface grande com outros processos, como para identificar as necessidades dos clientes (gestão das relações com os clientes), para selecionar materiais e fornecedores (gestão das relações com os fornecedores) e para desenvolver tecnologia de produção (gestão do fluxo de manufatura). Gestão dos Retornos (Returns Management) É o processo que trata dos fluxos de retornos de materiais e produtos no geral. É também o único processo entre os oito do modelo apresentado com sentido do fluxo na direção do fornecedor original (montante). Em muitos mercados, esse processo já se constitui em um importante elemento dentro do escopo da SCM e também em uma potencial fonte de vantagem competitiva. A perspectiva é que no médio prazo ela vai tornar-se meramente uma necessidade competitiva. Em muitos países industrializados, esse processo já sofre uma grande e crescente influência das questões legais ligadas ao respeito e não- agressão ao meio ambiente. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 37 Segundo análises de Pires (2012), no geral, podem-se considerar os oito processos de negócios propostos pelo modelo como um bom referencial genérico, um bom ponto de partida para trabalhos reais ou mesmo acadêmicos na área. Não obstante a excelente contribuição dos autores, há de se ressaltar a nítida influência de “suas escolas” na definição dos oito processos propostos. São propostos dois processos distintos para se tratar das relações com os clientes, o que poderia ser resumido em um único processo se fosse seguida a mesma lógica utilizada na definição dos outros processos. Mas, mesmo com os dois processos para tratar das relações com os clientes, o fundamental processo de comercialização é apenas citado junto com o processo de desenvolvimento do produto. O processo rotulado de gestão do fluxo de manufatura é apresentado também de forma relativamente simplista, assim como a gestão das relações com os fornecedores que não contempla muito de suas facetas e abrangência atual. Os autores também ressaltam que os processos de negócios da SCM podem ser classificados em quatro tipos que refletem a forma de gestão designada a eles. Tipos de gestão aplicados aos processos de negócios Conforme já ressaltado, a lógica de se gerenciar uma SC em sua totalidade remete-nos a um modelo bem mais complexo do que o de gerenciar apenas uma empresa. Entretanto, os recursos disponíveis para se executar tal gestão continuam praticamente os mesmos ou, muitas vezes, estão sendo reduzidos gradativamente. Torna-se então importante que a empresa focal realize uma classificação de seus processos de negócios de tal forma que se determinem “políticas” para a gestão deles. De certa forma, tal procedimento é similar, em termos de motivação e gestão, aos adotados na implementação da tradicional classificação ABC há muito tempo utilizada na gestão de materiais. O modelo sendo descrito usa como base para proceder a tal classificação o tipo de relação de trabalho que a empresa focal pretende ter com cada elo (empresa) da SC. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 38 São definidos quatro tipos de gestão a serem aplicados na gestão dos processos de negócios: I. Processos gerenciados: os processos de negócios conduzidos com um conjunto chave de empresas ao longo da SC serão tratados e gerenciados de forma integrada. II. Processos monitorados: não são tão críticos para a empresa focal quanto os processos gerenciados, mas é importante que eles estejam integrados e constantemente monitorados. III. Processos não gerenciados: os processos não gerenciados são aqueles que a empresa focal decide por não se envolver em sua gestão porque não são considerados críticos nem para serem monitorados. IV. Processos de não-membros: são aqueles que envolvem os membros da SC da empresa focal e os não-membros dessa SC. Portanto, esses não- membros não são considerados parte da SC da empresa focal, mas eles podem afetar o desempenho deles (empresa focal e sua SC). Sabemos que, de fato, muitas vezes uma SC é influenciada por uma decisão oriunda em outra SC a ela conectada. Por exemplo, uma decisão tomada por um concorrente da empresa focal pode provocar turbulências em um fornecedor comum às duas SCs com reflexos diretos no cotidiano da empresa focal. No geral, a classificação dos tipos de gestão sugerida pelo modelo pode ser muito útil à empresa focal quando da reestruturação e consolidação de suas relações na SC. Trata-se de uma interessante contribuição. O único ponto a ser considerado é a dificuldade, ou inviabilidade, de se estabelecer um padrãoúnico (entre os quatro sugeridos) para a gestão de processos entre as empresas da SC, conforme sugere o modelo. A empresa focal poderia, por exemplo, optar por gerenciar um processo e por apenas monitorar outro com um de seus fornecedores ou clientes. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 39 UNIDADE 5 – GESTÃO DA DEMANDA NA CADEIA DE SUPRIMENTOS A gestão da demanda ao longo da SC é um tema emergente e merece ser melhor analisado, portanto, vamos discutir algumas de suas implicações e relatar um pouco sobre os sistemas atualmente disponíveis para suportar sua execução. Um ponto notável nesse contexto da SCM é que alguns pesquisadores que trabalham na área preferem ou constantemente estão se referindo ao tema utilizando a expressão Gestão da Cadeia de Demanda ou Gestão da Demanda na Cadeia de Suprimentos (Demand Chain Management – DCM). A DCM pode ser definida como o processo que gerencia e coordena a SC em seu sentido montante, ou seja, desde o consumidor final até os fornecedores (VOLLMANN et al., 2000 apud PIRES, 2012). Assim, a partir do disparo da demanda por parte do consumidor final, o produto (e/ou serviço) é puxado até o fornecedor inicial da SC. Embora o termo DCM possa ser considerado recente e relativamente pouco usado, seus benefícios podem ser positivos. A questão é que uma adequada DCM requer uma integração extensiva no fluxo de informações entre os elementos da cadeia, bem como uma adequada resposta ao tradicional trade-off existente entre os custos, a abrangência, o conteúdo e o tempo de atualização das informações transacionadas. Mesmo tecnologias de informação relativamente recentes, como o EDI (troca eletrônica de informações entre empresas ou Electronic Data Interchange e Internet), ainda não resolveram satisfatoriamente essa questão. Mas fica cada vez mais claro que, com a expansão da Internet, praticamente todos esses trade-offs tendem a ser minimizados. Isso é reforçado por diversos autores que advogam que a Internet tende a resolver efetivamente os grandes trade-offs da DCM e a permitir a necessária integração entre os elementos de uma SC, uma vez que pode disponibilizar em tempo real dados de demanda e estoques ao longo da SC. Assim, tecnologias baseadas na Web estão se tornando fundamentais para a execução de processos básicos de uma SC como a previsão de vendas (forecasting), planejamento, programação da produção (scheduling) e execução. Em termos de resultado esperado, a lógica é ter-se a informação de demanda Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 40 tramitando do ponto-de-venda ao fornecedor de matéria-prima básica (primeiro elo da cadeia) de forma instantânea. Isso deve viabilizar um rápido e preciso atendimento em termos de produtos e serviços. Em outras palavras, o que se busca é integrar de forma rápida e precisa o fluxo de informações no sentido montante (mercado-fornecedores) tal que possamos balancear da melhor forma possível a demanda e o suprimento ao longo de toda SC. Em termos da realidade atual mundial, o que sabemos é que a DCM ainda tem várias questões não satisfatoriamente respondidas quanto a seu uso e práticas. Bowersox e Closs (2001) argumentam que ainda sabemos pouco acerca das diferentes necessidades de provedores de produtos (manufatura) e serviços em uma DCM e ainda temos um fraco conhecimento sobre a integração ao longo da SC com base exclusivamente na Internet. Esses autores lembram também que, embora há muito tempo seja teoricamente possível uma maior integração de clientes e fornecedores ao longo da SC, somente recentemente, com a expansão da Internet, ela tem-se viabilizado de fato. Sem a Internet, informações de demanda em tempo real e visibilidade dos estoques eram praticamente impossíveis de obter e os procedimentos de “integração” ficavam geralmente restritos ao telefone, fax ou EDI. Cabe aqui salientar que, desde seu surgimento, o EDI representou grande avanço nesse sentido, mas sem a enorme potencialidade da Internet no tocante à integração na SC em processos como planejamento de estoques, previsão de demanda, programação de ordens, gestão das relações com clientes e realização dos objetivos de marketing, entre outros. 5.1 Gestão da demanda na manufatura e em serviços A Gestão da Cadeia de Demanda (DCM) também nos remonta a uma discussão básica acerca de sua aplicabilidade em uma área de serviço pura, ou seja, uma área que não esteja inserida em uma SC da área de manufatura. Pires (2012) questiona que sabemos que a DCM é importante no caso de prestadores de serviços logísticos, mas, e quanto ao caso de um prestador de serviço bancário, de serviços médicos ou de turismo? Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 41 Quando falamos em SCM, automaticamente associamos sua aplicabilidade mais visível no setor de manufatura, no qual a ideia de suprimento nos leva a pensar no sentido da movimentação física que ocorre a jusante na SC. Para realizarmos então de forma satisfatória essa movimentação física, precisamos conhecer minimamente a informação de demanda que ocorre no sentido montante da SC, ou seja, precisamos realizar a DCM. Por sua vez, sabemos que, em tese, uma área de serviço pura não precisa de uma SCM convencional, mas precisa da informação de demanda. Ela precisaria então executar uma DCM nos mesmos moldes da manufatura? Como há cada vez mais empresas oferecendo um menu composto de produtos e serviços ao mercado e as best practices de ambos os setores têm sido constantemente exportadas para o outro, há, consequentemente, uma dificuldade em definir padrões de SCM e DCM que sejam exclusivos para cada um dos setores. Mas o que devemos realmente rotular de manufatura e de serviço? De acordo com a definição da Standard Industry Classification (SIC) da Inglaterra, a indústria de manufatura envolve a transformação mecânica ou química de materiais ou substâncias em novos produtos, enquanto a indústria de serviços envolve grande variedade de serviços para indivíduos, negócios, governos e outras organizações. Fatores como (1) extensiva participação dos clientes, (2) intangibilidade (não pode ser contado, tocado), (3) impossibilidade de separação da produção com o consumo (alta perecibilidade), (4) heterogeneidade e (5) uso intenso da mão de obra são características comumente atribuídas ao setor de serviços. Consequentemente, essas características acabam acarretando ao setor de serviços (1) aumento da complexidade, (2) maior dificuldade de controle, (3) maior dificuldade na gestão da capacidade, (4) maior facilidade de diferenciação pelo cliente e (5) maior dificuldade para padronizar processos e aumentar a produtividade via inovação tecnológica. Harland (1997 apud PIRES, 2012) também destaca algumas diferenças básicas entre os setores de manufatura e de serviço como: tangibilidade – geralmente é muito maior na manufatura, o que cria uma dificuldade maior na avaliação de valor de um serviço do que de um produto; Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.brTelefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 42 característica do trabalho – a manufatura geralmente se baseia no uso de máquinas e equipamentos, enquanto o serviço baseia-se no uso intensivo de mão de obra; contatos durante o trabalho – na manufatura geralmente são maiores com os materiais no geral, enquanto no serviço são maiores com os clientes; potencial de lucro – geralmente é maior no serviço, em decorrência principalmente da maior dificuldade de avaliação de valor por parte dos clientes. Já os produtos tendem a virar commodities mais facilmente. Recentemente, motivados principalmente pela possibilidade de que manufatura e serviços tenham diferentes necessidades no tocante a implementação da DCM, Frohlich e Westbrook (2002 apud PIRES, 2012) conduziram um levantamento de dados (survey) durante os anos de 2000 e 2001 com 471 representativas empresas da área de manufatura (179) e de serviços (292) do Reino Unido e avaliaram quantitativamente (via testes de correlações) diversas hipóteses referentes à integração da demanda e suprimentos para ambos os setores. Para tal, eles definiram quatro possíveis estratégias de integração, com base no uso da Internet e conforme ilustra a figura abaixo. Nela, os elos em destaque representam aqueles em que ocorre a integração via Web. Quatro possíveis estratégias de integração de demanda e suprimento com base na Internet. Fonte: Pires (2012 adaptada de Frohlich e Westbrook, 2002). Os dados levantados foram então classificados de acordo com a figura anterior e estão apresentados na Tabela abaixo. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 43 Classificação dos dados levantados Estratégia de integração Quantidade % Quantidade % Quantidade % Modelo A – baixa integração 73 41 225 77 298 63 Modelo B – integração de suprimentos 36 20 0 0 36 8 Modelo C – integração de demanda 52 29 66 23 118 25 Modelo D – integração na cadeia de demanda 18 10 1 0 19 4 Total 179 100 292 100 471 100 Fonte: Pires (2012 adaptada de Frohlich e Westbrook, 2002) Os números mostram um claro nível de integração maior para a área de manufatura, e que a única empresa na área de serviço identificada no modelo D era exatamente uma grande empresa de transporte e distribuição. Com base então nos dados levantados na pesquisa, os autores formulam três hipóteses básicas que serão avaliadas pelos dados levantados empiricamente. Elas consideram que empresas de manufatura e de serviços que adotam uma DCM via Web, conforme ilustrado, devem apresentar: hipótese 1a – alto desempenho operacional no caso da estratégia D; hipótese 1b – médios níveis de desempenho no caso das estratégias B e C; hipótese 1c – baixos níveis de desempenho no caso da estratégia A. A pesquisa também considera três outros fatores que têm influenciado o crescimento da DCM via Web e formula três outras hipóteses: hipótese 2ª – o acesso a novos mercados incentiva e dirige a expansão da DCM via Web, ou seja, a DCM passa a ser uma poderosa ferramenta na busca de vantagens competitivas, como, por exemplo, fez a Dell Computadores na década de 1990; Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 44 hipótese 2b – a antecipação de benefícios dirige a adoção da DCM via Web, ou seja, uma melhor coordenação reduz as incertezas ao longo da SC, proporcionando redução nos níveis, variedade dos estoques e atividades que não agregam valor ao produto. A DCM aplicada em conjunto com práticas de Postponement foi a grande responsável pela drástica redução dos estoques na produção de impressoras realizada pela Hewlett-Packard na primeira metade da década de 1990; hipótese 2c – apesar de sua aparente utilidade, a adoção de DCM via web pode ser estimulada por pressões externas na linha do chamado efeito bandwagon, ou seja, o processo de adoção da nova tecnologia ou prática é causado muito mais pelo fato de que grande número de empresas a está implementando e não devido ao fato da necessidade detectada de forma racional e comprovada. Em termos de resultado, praticamente todas as hipóteses foram comprovadas, com maior ou menor intensidade, no caso da manufatura. Nem todas, porém, puderam ser devidamente comprovadas para o caso do setor de serviços. No geral, os dados mostram que o efeito da integração na DCM foi maior na área de manufatura que no de serviço. Tal fato poderia ser explicado por fatos como: em termos de DCM a área de serviço poderia estar de fato defasada e atrasada com relação à manufatura, a qual tem implementado práticas como o Just in time desde a década de 1980; a amostra pesquisada continha um número relativamente pequeno de empresas de serviço atuando no ramo do varejo ou distribuição (como Wal- Mart e Tesco), no qual as práticas de DCM são reconhecidamente as mais atualizadas da área; a DCM poderia não ser de fato um grande problema na área de serviço como é na área de manufatura. Se os níveis de estoque tendem a crescer no sentido da propagação da demanda (montante) da SC, fica a dúvida se o chamado “efeito chicote” existiria realmente na área de serviço pura, visto que, a princípio, um serviço não pode ser “estocado” fisicamente. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 45 Sabemos que na manufatura os materiais geralmente representam algo em torno de 60% dos custos de produção, enquanto a mão de obra geralmente representa algo em torno de 15%. Assim, muitas das economias advêm da redução de custos logísticos (estoques e transporte) e a divisão de informações de demanda em tempo real tem um papel positivo claramente percebível (PIRES, 2012). Já na área de serviços, os valores dos componentes de custo apresentam- se geralmente numa razão contrária à da manufatura, envolvendo muito mais habilidades humanas que o fluxo de material. Entretanto, para atender à demanda, o provedor de serviço precisa ter suficiente capacidade para o momento em que os clientes solicitam o serviço. Aparentemente, a integração no sentido jusante parece ter uma atenção maior do que no sentido montante em uma SC na área de serviço. Resta então a certeza de que a importância da DCM na área de serviço precisa ainda ser mais bem estudada e avaliada. 5.2 Incerteza da demanda na SCM A incerteza da demanda e a natureza dos problemas de previsão da demanda (forecasting) têm um impacto considerável na estrutura e na SCM. Alguns autores argumentam que a primeira etapa para se obter uma efetiva SC é considerar a natureza da demanda dos produtos. Fisher (1997 apud PIRES, 2012) argumenta que apesar do estágio atual da TIC, muitas SCs ainda apresentam resultados aquém do esperado em termos de desempenho. Como motivos principais são apontadas as relações conflituosas entre os elos da cadeia, bem como a não- consideração da natureza da demanda dos produtos. O autor propõe então uma classificação dos produtos, com base nos padrões da demanda, em duas categorias básicas: funcional e inovadora.Assim, cada categoria requereria um tipo diferente de SC. No caso dos produtos funcionais, a demanda tende a ser mais estável e previsível e os ciclos de vida dos produtos, mais longos. Essa estabilidade na demanda permite um foco maior na redução dos custos associados ao fluxo físico de materiais e na adição de valor ao produto através dos processos produtivos ao Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 46 longo da SC. Entretanto, esses produtos funcionais geralmente apresentam margens de lucro baixas devido às forças competitivas envolvidas. No caso dos produtos inovadores, a demanda tende a ser instável e imprevisível, os ciclos de vida mais curtos e as margens de lucro relativamente mais altas. A instabilidade da demanda cria uma necessidade que Fisher (1997) chama de mediação de market (market mediation), ou seja, a criação de um mecanismo que garanta que a SC atenda de fato à demanda do mercado. Assim, com suas margens de lucro maiores e demandas mais voláteis, os produtos inovadores requerem uma SC distinta da dos produtos funcionalmente estáveis e com pequenas margens de lucro. Fornecedores, por exemplo, tendem a ser escolhidos mais em função de seus desempenhos em termos de velocidade de entrega e flexibilidade de atendimento do que em função de seu baixo custo de produção. Nesse caso também, como as incertezas sobre a demanda tendem a ser bem maiores, naturalmente existe uma dificuldade maior na DCM. Fisher (1997) também lista algumas diferenças básicas na demanda entre os produtos funcionais e os inovadores, conforme ilustra a tabela abaixo. Diferenças na demanda entre produtos funcionais e inovadores Aspectos da demanda Produtos funcionais Produtos inovadores Demanda típica previsível imprevisível Ciclo de vida do produto Maior que dois anos De 3 meses a 1 ano Margem de contribuição 5% a 20% 20% a 60% Variedade de produtos Baixa Muito alta Margem de erro média na previsão comparativamente a produção 10% 40% a 100% Falta de estoque (média) 1% a 2% 10% a 40% Lead time para produtos make-to-order 6 meses a 1 ano 1 dia a 2 semanas Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 47 Fisher (1997) insiste no fato de que a causa raiz de muitos problemas de gestão de demanda em muitas SCs é exatamente a confusão de abordagens no tratamento de cada um desses dois tipos de produtos. Em suma, produtos funcionais requerem um processo produtivo eficiente, enquanto produtos inovadores requerem um processo produtivo mais responsivo. Em muitos elos de uma SC muitas vezes ainda é necessária uma atenção especial com a racionalização do processo produtivo, em face das restrições tecnológicas, longos setups, alto custo operacional dos equipamentos, etc. No geral, o trabalho de Fisher (1997) é bastante citado e ainda muito útil, pois deixa bem claro que não existe uma “receita única” para uma efetiva SCM, ou seja, o que existem são regras e práticas gerais (muitas vezes muito próximas apenas do bom-senso) que precisam ser analisadas e ajustadas a cada caso específico. Mais recentemente, Troque (2003) apresentou um interessante modelo conceitual para estudar a influência das práticas de SCM no processo de Gestão da Demanda (GD). Para tal, trabalha-se com um modelo tridimensional no qual, no primeiro eixo estão listadas várias práticas e iniciativas atuais da SCM. Em um segundo eixo, trabalha-se com cinco subprocessos da GD que são: a) A análise do ambiente competitivo. b) O dimensionamento do mercado. c) O Planejamento de Vendas e de Produção. d) O Programa Mestre de Produção. e) A Gestão da Capacidade. Em um terceiro e último eixo, trabalha-se com cinco focos de melhoria que são: a) A ampliação do nível de previsibilidade ao longo da cadeia de suprimentos. b) A criação de vantagens competitivas através da elevação do valor agregado dos produtos e serviços. c) A racionalização dos processos de suprimentos. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 48 d) A racionalização dos processos produtivos. e) A redução dos inventários e a melhoria nas respostas às demandas. O estudo, embora ainda limitado ao âmbito conceitual, mostra que a questão ainda é relativamente pouco explorada. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 49 UNIDADE 6 – O MÉTODO DOS 3 As – AGILIDADE, ADAPTABILIDADE E ALINHAMENTO Segundo Lee (2008), a construção de uma cadeia de suprimentos forte é essencial para o sucesso dos negócios. Mas quando chega o momento de atualizar suas cadeias de suprimentos, poucas empresas adotam a abordagem correta. Muitas organizações trabalham no intuito de torná-las mais ágeis e com uma boa relação custo-benefício, acreditando que isso seja a chave para a obtenção de vantagem competitiva. Muito pelo contrário. As cadeias de suprimentos que se concentram em velocidade e custos tendem a se deteriorar com o tempo. O autor passou 15 anos estudando mais de 60 empresas para obter maior compreensão desse e de outros dilemas relacionados a cadeias de suprimentos. Sua conclusão: somente as empresas que constroem cadeias de suprimentos ágeis, adaptáveis e alinhadas conseguem obter alguma vantagem sobre suas concorrentes. Todos esses três componentes são essenciais. A ausência de qualquer um deles leva as cadeias de suprimentos a se desmantelarem. Grandes empresas criam cadeias de suprimentos capazes de reagir a mudanças abruptas do mercado. Agilidade é um fator crítico porque, na maioria dos setores, tanto a oferta quanto a demanda flutuam rápida e generalizadamente. As cadeias de suprimentos típicas se ajustam equilibrando rapidez e custos, mas as mais ágeis respondem tanto com rapidez quanto com a melhor relação custo/benefício. Grandes empresas também adaptam seus networks de fornecedores quando ocorrem mudanças de mercado ou de estratégias. As melhores cadeias de suprimentos permitem que os gerentes identifiquem mudanças estruturais ainda em seu começo, mediante o registro dos dados mais recentes, da filtragem de ruídos e do monitoramento de padrões críticos. Finalmente, as grandes empresas alinham os interesses de seus parceiros na cadeia de suprimentos com os seus próprios. Isso é muito importante porque qualquer empresa se preocupa unicamente com os próprios interesses. Se seus Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 50 objetivos estiverem fora de alinhamento com os de seus parceiros na cadeia de suprimentos, o desempenho cairá. Quando as empresas ouvem falar da cadeia de suprimentos dos três ‘As’, partem do princípio que sua construção demandará mais tecnologia e investimentos. Contudo, a maioria das empresas já dispõe de toda a infraestrutura necessáriapara sua implementação. Na pesquisa de Lee, a primeira conclusão é que a simples adoção de uma nova atitude poderá fazer muita coisa acontecer. Para ele as cadeias de suprimentos de desempenho superior têm três qualidades bem distintas citadas acima. Em primeiro lugar, elas são ágeis. Reagem com rapidez a mudanças bruscas de demanda ou suprimento. Segundo, elas se adaptam com o tempo à medida que as estruturas de mercado e estratégias evoluem. Terceiro, elas alinham os interesses de todas as empresas do network de suprimentos de forma que cada uma otimize o desempenho da cadeia enquanto maximiza seus interesses. Somente cadeias de suprimentos ágeis, adaptáveis e alinhadas são capazes de oferecer às empresas vantagens competitivas sustentáveis. No entanto, vamos analisar os perigos da eficiência, fazendo o seguinte questionamento: Por que cadeias de suprimentos eficientes muitas vezes não são capazes de entregar a mercadoria? Por diversas razões. Cadeias de suprimentos de alta velocidade e de baixo custo são incapazes de responder a mudanças inesperadas de demanda ou de suprimento. Muitas empresas centralizam suas instalações de fabricação e de distribuição para gerar economias de escala e elas apenas entregam remessas de contêineres de produtos a clientes para minimizar o tempo de transporte, os custos de frete e o número de remessas. Quando a demanda por determinada marca, tamanho de embalagem ou variedade aumenta sem aviso, essas organizações são incapazes de reagir, mesmo que tenham os itens em estoque. Em seus estudos, Lee observou duas situações interessantes: a) Certa empresa tinha no depósito a mercadoria exigida, estava pronta e empacotada para ser despachada, mas não podia ser remetida até que o contêiner Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 51 estivesse cheio. A “melhor” prática atrasava as remessas por uma semana ou mais, forçando as lojas que estavam sem estoque a recusar clientes. b) Há situações em que as empresas anunciam promoções de produtos, há aumento médio de 15% de pontos de venda com falta de estoque, mesmo quando os executivos preparam cadeias de suprimentos para lidar com flutuações da demanda. Quando os fabricantes eventualmente entregam mercadoria adicional, isso resulta em excesso de estoque porque a maioria dos distribuidores não necessita de um contêiner inteiro para atender ao aumento da demanda. Para se verem livres do excesso de estoque, as empresas são obrigadas a fazer liquidações daqueles produtos antes do que haviam planejado. Isso ocorre porque as lojas de departamento vendem até um terço de suas mercadorias com desconto. Essas reduções de preço não apenas reduzem os lucros das empresas, mas também desgastam o valor de marca (brand equity) e enfurecem os clientes fiéis que compraram os itens pelo preço integral no passado recente. A obsessão das empresas com velocidade e custos também provoca o desmantelamento da cadeia de suprimentos durante o lançamento de novos produtos. Há alguns anos, o mesmo autor estudou uma conhecida empresa de produtos eletrônicos que decidiu não montar um estoque regulador antes do lançamento de um produto novo e inovador porque desejava manter os custos baixos, particularmente em virtude de não ter sido capaz de fazer uma previsão exata da demanda. Quando, após o lançamento do aparelho, a demanda subiu e depois caiu repentinamente, a empresa pressionou seus fornecedores a aumentarem a produção e, em seguida, diminuí-la. Quando, depois de algumas semanas, a demanda voltou a crescer, os executivos, mais uma vez, encorajaram entusiasticamente seus fornecedores a aumentarem novamente a produção. Cinco dias mais tarde, os estoques do novo produto estavam esgotados, como se alguém tivesse fechado a torneira. Chocada, a gigante da indústria eletrônica veio a descobrir que os fornecedores haviam estado tão ocupados naquele aumenta-e-diminui da produção que não haviam tido tempo de corrigir as falhas existentes tanto na fabricação de Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 52 componentes quanto na linha de montagem dos produtos. Quando os fornecedores tentaram aumentar a produção pela segunda vez, os itens defeituosos subiram a um nível inaceitável, o que levou alguns fornecedores – inclusive a montadora principal – a parar suas linhas de produção por mais de uma semana. Quando finalmente os fornecedores conseguiram resolver os problemas e reiniciar a produção, a inovação já estava praticamente liquidada. Se a empresa de eletrônicos tivesse fornecido a seus fornecedores uma programação de fabricação consistente e maior que a necessária até que a manufatura e a demanda se estabilizassem, teria tido custos iniciais de estoque mais altos, mas o produto ainda estaria nas prateleiras. Cadeias de suprimentos eficientes geralmente deixam de ser competitivas porque não se adaptam às mudanças estruturais de mercado. Mais um case vem dos estudos de Lee, como o caso da divisão de Sistemas de Comutadores Eletrônicos da Lucent, que montou uma cadeia de suprimentos rápida e com ótima relação custo-benefício no fim dos anos 80, mediante a centralização, em Oklahoma City, da aquisição (procurement), montagem e testes e preenchimento de pedidos de componentes. A cadeia de suprimentos funcionou brilhantemente enquanto a maior parte da demanda por comutadores digitais se originava das Américas e enquanto os fornecedores da Lucent se localizavam principalmente nos Estados Unidos. Entretanto, nos anos 90, quando a Ásia se transformou no mercado de crescimento mais acelerado do mundo, os tempos de resposta da empresa aumentaram porque não havia instalações industriais naquela região. Além disso, a Lucent não conseguia customizar comutadores ou promover modificações em função do longo tempo e dos altos custos necessários para que a cadeia de suprimentos fosse capaz de fazer essas coisas em outro continente. Os problemas da Lucent aumentaram quando seus fornecedores transferiram suas fábricas dos Estados Unidos para a Ásia com o intuito de se beneficiar dos custos de mão de obra mais baixos. “Tínhamos de mandar trazer componentes de avião da Ásia para Oklahoma City e enviá-las de volta como produtos acabados. Isso era caro e consumia tempo”, disse-lhe o então gerente de Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 53 produção da Lucent. Com ironia, acrescentou: “Nem os componentes nem o produtos se beneficiavam dos programas de milhagem das empresas aéreas.” Somente quando a Lucent redesenhou sua cadeia de suprimentos, em 1996, montando joint-ventures em Taiwan e China, para a montagem de comutadores digitais, conseguiu ganhar terreno na Ásia. Em muitos outros casos, a conclusão foi a mesma: cadeias de suprimentos precisam ser eficientes, mas isso não é o bastante para assegurar que as empresas se saiam melhor do que suas concorrentes. Somente as empresas que construíram cadeias de suprimentos ágeis, adaptáveis e alinhadas ganham vantagem em relação à concorrência. Não adianta apenas duas dessas dimensões sozinhas. Vale guardar...1) Agilidade: Tem como objetivo responder a mudança de curto prazo da demanda ou da oferta rapidamente; lidar com distúrbios externos de forma calma. Métodos a serem utilizados: promover um fluxo de informações entre fornecedores e clientes; desenvolver relacionamentos colaborativos com fornecedores; planejar os adiamentos; criar estoques de segurança mantendo estoques adicionais de componentes baratos, mas críticos; ter um parceiro ou sistema de logística confiável; preparar planos de contingência e desenvolver equipes de gerenciamento de crises. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 54 2) Adaptabilidade: Tem como objetivo ajustar o design da cadeia de suprimentos para atender as mudanças estruturais em mercados; modificar o network de suprimentos segundo estratégias, produtos e tecnologias. Métodos a serem utilizados: monitorar as economias do mundo para identificar novas bases de suprimento e mercados; usar intermediários para desenvolver novos fornecedores e infraestrutura de logística; avaliar as necessidades dos consumidores finais e não apenas dos consumidores imediatos; criar designs de produtos flexíveis; determinar onde se situam os produtos da empresa em termos de ciclo tecnológico e de ciclo de vida. 3) Alinhamento Tem como objetivo criar incentivos para um desempenho melhor. Métodos a serem utilizados: trocar informações e conhecimento livremente com fornecedores e clientes; determinar claramente os papéis e as responsabilidades dos fornecedores e clientes; compartilhar de maneira equitativa os riscos, custos e ganhos das iniciativas de melhoria. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 55 Case: A importância de ser ágil Mesmo que a cadeia seja adaptável e alinhada não ignore a agilidade! Em 1995, a Hewlett-Packard se juntou à Canon para criar o design e lançar no mercado impressoras a jato de tinta. Logo no começo, a HP alinhou seus interesses com os de sua parceira japonesa. Enquanto a HP assumiu a responsabilidade de produzir circuitos impressos (ou “formatadores”), a Canon concordou em fabricar os motores para as impressoras da série Laserjet. Era uma divisão de responsabilidades equitativa e as duas equipes de pesquisa e desenvolvimento aprenderam a trabalhar de forma estreita e conjunta. Depois do lançamento da Laserjet, a HP e a Canon rapidamente adaptaram seus networks de fornecimento para os mercados do produto. A HP usou sua fábrica em Idaho e na Itália e a Canon, as fábricas de West Virgínia e Tokio. Contudo, a HP e a Canon deixaram de prever um problema. Para manter os custos baixos, a Canon concordou em alterar o número de motores que produzia, mas apenas se a HP lhe comunicasse sobre eventuais mudanças com bastante antecedência – talvez seis meses ou mais antes de as impressoras serem introduzidas no mercado. Naquele estágio, a Canon era capaz de modificar sua programação de fabricação em apenas alguns pontos percentuais. Em consequência, a cadeia de valor não conseguia lidar com flutuações repentinas da demanda. Assim, quando aconteceu uma inesperada queda da demanda para a Laserjet III (próxima ao final de seu ciclo de vida), a HP foi impactada por um enorme e custoso excedente de motores de impressora: a notória montanha de Laserjets. O fato de ter uma cadeia de suprimentos adaptável e alinhada não ajudou a HP a superar sua falta de agilidade. A adaptação do mais apto É fato que as empresas não têm escolha. Elas precisam manter suas cadeias de suprimentos adaptadas. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 56 Em meados dos anos 90, quando a Lucent, megaempresa americana de telecomunicações, percebeu que poderia abrir novos caminhos na Ásia, bastando, para isso, que tivesse fábricas locais, promoveu uma revisão em sua cadeia de suprimentos. Montou fábricas em Taiwan e na China que lhe permitiram customizar seus comutadores tão rapidamente e a custos tão baixos quanto as concorrentes, Siemens e Alcatel, haviam feito. Para alinhar os interesses da controladora e das subsidiárias, os executivos da Lucent pararam de cobrar preços inflacionados de suas empresas asiáticas pelos módulos que eram remetidos dos Estados Unidos. Ao fim dos anos 90, a Lucent havia recapturado a participação de mercado na China, Taiwan, Índia e Indonésia. Infelizmente, a história não acaba aqui porque a Lucent resolveu parar de adaptar sua cadeia de suprimentos. A empresa não percebeu que muitos fabricantes de médio porte haviam desenvolvido tecnologias e expertise para produzir componentes e subconjuntos de comutadores digitais e que, em função das economias de escala, isso podia ser feito por uma fração dos custos da Lucent. Ao perceber como seria o futuro, os concorrentes terceirizaram agressivamente os sistemas de manufatura de comutadores. Em função da redução de custos resultante, eles eram capazes de cotar preços mais baixos do que a Lucent que, enquanto isso, estava relutando em terceirizar sua fabricação porque havia investido em fábricas próprias. Ao final, a Lucent ficou sem opções a não ser fechar sua fábrica em Taiwan, em 2002, e montar uma cadeia de suprimentos terceirizada. A adaptação da empresa chegou tarde demais e a Lucent não foi capaz de reconquistar o controle do mercado global, embora a cadeia de suprimentos fosse ágil e alinhada. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 57 UNIDADE 7 – BENCHMARKING DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Benchmarking constitui-se num processo sistemático de comparações entre processos semelhantes e, a partir dessas comparações, busca-se a promoção de melhorias que permitam que determinada atividade tenha excelência quando comparada com outras equivalentes em empresas do mesmo setor ou de outros setores da economia. O benchmarking auxilia empresas a definir metas, estimula novas ideias e oferece um método formalizado de gerenciamento de mudança. Para ser completo, o benchmarking de um processo de supply chain deve envolver a análise de componentes individuais da cadeia, bem como a análise do desempenho da cadeia como um todo. Embora o foco possa variar, um processo-padrão de benchmarking passa, necessariamente, pela identificação e priorização dos processos-alvos de benchmarking, pela seleção dos indicadores de desempenho a serem comparados em cada processo, pela seleção de empresas leading-edge nos processos selecionados, pela comparação entre os processos e, finalmente, pela análise dos fatores que motivaram as diferenças encontradas. A etapa de implementação deve estar suportada pelo planejamento dos passos necessários à modificação dos processos. O processo genérico de benchmarking Seleção de processos e indicadores a serem comparados Comparação com outras empresas Entendimento dos motivadores das diferenças Identificaçãodos passos necessários às mudanças Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 58 A experiência bem-sucedida de benchmarking da Xerox na década de 70 mostrou ao mundo os benefícios potenciais dessa iniciativa. Os resultados obtidos (aumento na receita de US$ 265 milhões somente nos dois primeiros anos) salvaram a empresa da falência e popularizaram o benchmarking. Na época, a Xerox passava por uma acirrada competição com a indústria japonesa, que oferecia produtos de baixo custo, alta qualidade e com um excelente suporte técnico. A saída encontrada pela Xerox foi o benchmarking de empresas de outros setores. O primeiro processo-alvo foi o de processamento de pedidos e, a partir daí, não parou mais. A Xerox adotou o benchmarking como estratégia competitiva e, até o ano de 1983, mais de 230 processos já haviam passado pela comparação. Os benefícios, no entanto, não vêm facilmente. É preciso investimento em tempo e recursos de diversas áreas, pois muitos processos permeiam diversas funções. 7.1 O processo de benchmarking O processo de benchmarking do supply chain deve passar tanto pela análise de sua eficiência global, quanto pela forma de retratar o efeito conjunto de todos os componentes logísticos, como também pela análise dos componentes individuais do supply chain, como transporte, estoque, armazenagem e infraestrutura de gerenciamento e sistemas de informação. Dessa forma, garante-se que a mudança na forma de operação de determinado componente logístico resulte, necessariamente, em um supply chain mais eficiente. De maneira geral, a realização e implementação de um processo de benchmarking passa pelos passos descritos no quadro a seguir: Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 59 Passos necessários para realização e implementação de um processo de Benchmarking de SC 1º passo – planejamento Definir objetivos Selecionar o(s) processo(s) Mapear e medir os processos atuais Identificar indicadores a serem utilizados na comparação entre processos Pesquisar fontes potenciais de benchmarking 2º passo – formação dos times Selecionar coordenado- res dos times Selecionar time para manuseio das informações Selecionar time para realização das visitas Treinamento dos times 3º passos – obtenção e análise de dados Coletar dados dos parceiros Comparação dos processos Analisar os gaps de desempe- nho Identificar soluções que geram benefícios Preparar planos de implementação (listar processos, estabelecer cronogramas, etc) 4º passo – Implementação da mudança Definir objetivos Fazer orçamentos Implementar a mudança do processo Monitorar o processo e comunicar resultados Fonte: Ribeiro (2006, p. 100). O Planejamento constitui o primeiro passo e também o mais crítico da condução do benchmarking. Por isso, devem ser dedicados tempo e recursos na discussão dessa etapa. O conteúdo dessas discussões deve partir da definição dos objetivos do benchmarking, o que significa, antes de qualquer coisa, definir se o objetivo são mudanças radicais ou incrementais, e que tipo de benchmarking utilizar. A decisão seguinte consiste na seleção dos processos que passarão por benchmarking. Se o objetivo definido for reduzir custo e melhorar o atendimento, então devem ser selecionados processos que potencialmente tenham espaço para ambos os resultados. Caso contrário, devem ser escolhidos aqueles que tenham maior potencial para redução de custo ou melhoria de serviço. A maioria dos processos estará voltada somente para um dos dois resultados. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 60 A seleção dos indicadores de cada processo e a seleção das empresas leading-edge finalizam a etapa de planejamento do benchmarking. A etapa de Seleção dos Times deve garantir o comprometimento da equipe, a divisão de tarefas e que o cronograma definido seja passível de ser cumprido dado determinado tamanho de equipe e número/complexidade de processos a serem analisados (problema que ocorre com muitas empresas que se propõem a fazer benchmarking). A Obtenção e Análise de Dados também exige alguns cuidados, principalmente na coleta de dados dos parceiros e comparação de processos. Garantir que os dados quantitativos coletados sejam comparáveis não costuma ser tarefa fácil. Como forma de evitar armadilhas, é importante avaliar não apenas indicadores de linha de fundo ou bottom-line, mas também aqueles indicadores operacionais, que permitem entender melhor as características dos processos (ex.: número de SKUs, de pedidos/dia, etc.). A Implementação da Mudança exige, necessariamente, a alocação de um líder nas áreas onde as mudanças de processos serão implementadas. De preferência, esses líderes devem ter envolvimento nas etapas anteriores, como forma de garantir a propriedade ou o ownership da iniciativa. A definição de objetivos deve contemplar os indicadores que medirão o sucesso da implementação e a condução da implementação propriamente dita deve ficar sob responsabilidade local do líder do processo e supervisão de um gerente sênior (RIBEIRO, 2006). 7.2 O planejamento do benchmarking No planejamento do benchmarking precisamos definir os objetivos, selecionar os processos e definir os indicadores de desempenho a serem analisados. A primeira decisão relacionada ao escopo diz respeito ao tipo de benchmarking que será realizado. Essa decisão deve depender da forma como a empresa está estruturada, dos objetivos que se pretende alcançar (mudanças Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 61 radicais versus incrementais) ou mesmo do grau de colaboração e estágio de desenvolvimento de empresas do mesmo setor ou de outros setores. O quadro abaixo apresenta como essas variáveis devem ser consideradas e as dificuldades impostas a cada um dos tipos de benchmarking. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 62 TIPO DEFINIÇÃO QUANDO USAR ARMADILHAS E BARREIRAS Interno Comparação de práticas e indicadores de desempenho de unidades similares dentro da mesma organização. Quando a empresa está em uma fase inicial de benchmarking e possui unidades de negócios similares em outras localidades. Dificuldade de comunicação interna. Pesquisas mostram que os resultados deste tipo de benchmarking não são muito significativos. Entre competidores Comparação das práticas e indicadores internos com o de competidores dentro de um mesmo setor. Pode ser feito com ou sem o conhecimento do competidor.No entanto, é mais utilizado quando existe facilidade de acesso ao competidor. Dificuldades na obtenção de dados confiáveis, atualizados e comparáveis. Pesquisas mostram que os resultados desse tipo de benchmarking não são muito significativos. Funcional Identificação do ranking de empresa em relação a determinado indicador de desempenho. Comparação pode ser feita dentro de um mesmo setor ou fora dele. Quando seu objetivo for a comparação de custo ou outro indicador de desempenho entre organizações semelhantes. Nem sempre é conclusivo e não apresenta como melhorar. Pode gerar complacência quando os resultados mostram a empresa como nº1 no ranking. Processo Aprender com outras empresas que possuem processos similares, mas não são competidores. Quando a empresa busca ideias inovadoras. Quando já foram utilizados outros meios na tentativa de melhorar os processos e está sendo buscada uma mudança radical. Necessita um certo nível de abstração e criatividade. Colaborativo Formação de um grupo fechado de empresas (competidores ou de outras indústrias) com o objetivo de compartilhar informações. Quando os membros do grupo possuem níveis de eficiência altos. Deve ser pensada uma forma de se proteger informações disponíveis. Só estarão disponíveis informações do próprio grupo, não necessariamente das melhores práticas. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 63 Segundo Ribeiro (2006), não existe informação disponível sobre o tipo de benchmarking mais utilizado. No entanto, pesquisas mostram que empresas que utilizaram benchmarking interno ou com competidores da mesma indústria não obtiveram resultados tão positivos quanto aquelas que selecionaram empresas de outros setores e líderes em determinados processos. A abordagem do benchmarking colaborativo, no entanto, tem aumentado sua popularidade devido à maior facilidade de coleta de informações. O benchmarking interno já foi utilizado por empresas como a Xerox, nas iniciativas de vendas em suas divisões mundiais, ou a CARE USA, empresa de ajuda humanitária sem fins lucrativos, que, após sofrer redução de verbas, investiu maciçamente no compartilhamento de experiências bem-sucedidas entre suas 37 unidades de apoio espalhadas no mundo todo. Como pode ser observado, esse tipo de benchmarking é mais utilizado em empresas com atividades similares replicadas em várias regiões. É claro que existem níveis de dificuldade diferentes para cada tipo de benchmarking escolhido, havendo uma relação clara entre dificuldade e retorno. Exemplo disso é o benchmarking de processo. Apesar de pesquisas terem apontado alta ocorrência de casos de sucesso, esse tipo de benchmarking requer uma dedicação enorme de tempo e pessoal qualificado na identificação de empresas com processos operacionalmente comparáveis, na padronização dos indicadores de desempenho e na identificação dos fatores que motivaram os gaps, de forma a garantir que as diferenças de desempenho encontradas sejam fruto de uma melhor forma de executar o processo em questão, e não de diferenças inerentes à indústria. Quanto a seleção dos processos, essa decisão está relacionada à definição dos componentes do supply chain que serão o foco da análise. Um passo anterior à seleção dos processos objetos de benchmarking deve ser o mapeamento e entendimento do funcionamento dos processos atuais. Nesse sentido, um dos grandes problemas com a utilização do benchmarking está na comparabilidade dos processos a serem avaliados. Ou seja, como definir os limites de um processo e seus parâmetros de desempenho de forma Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 64 que o escopo de análise seja o mesmo na empresa promotora da iniciativa e na empresa best-in-class? Na tentativa de solucionar este problema, o Supply Chain Council desenvolveu o SCOR Model (Supply Chain Operations Reference Model), modelo que busca, pelo estabelecimento de processos padrões, métricas comuns e apresentação das melhores práticas, viabilizar e incentivar melhorias contínuas na cadeia de suprimentos. É importante destacar que essa metodologia é uma tentativa de padronização de processos e, apesar de não existir uma única alternativa ou, ao menos, uma alternativa mais indicada, ela é utilizada por diversas empresas de grande porte, inclusive por empresas de desenvolvimento de ERPs. Essa metodologia sugere a divisão das atividades da empresa em cinco macroprocessos (Plan, Source, Make, Deliver e Return), cada um deles sendo responsável por um conjunto de microprocessos, conforme apresentado abaixo: a) Plan – desenvolvimento de diretrizes que garantam a disponibilidade de recursos dada uma determinada necessidade. Envolve o planejamento do Supply chain, do Sourcing, da Produção, da Entrega e do Retorno. b) Source – procurement, Agendamento das Entregas, Recebimento, Verificação, Transferência e Pagamento. c) Make – execução de Produção, Make-to-Stock e Make-to-Order. É composto das atividades de planejamento detalhado da produção (ex.: Semanal), Disponibilização do Insumo Necessário, Produção e Teste e Montagem/Embalagem. d) Deliver – processamento do pedido. Definição da data de entrega. Consolidação de notas, Planejamento do Transporte (ex.: Tipo de veículo, Transportadora e Rota), Separação, Carregamento, Geração de Nota Fiscal, Transporte e Pagamento do Transportador. e) Return – escopo deste processo envolve: Devolução de Matéria-prima (para Fornecedor) e Recebimento de Produtos Acabados Devolvidos (pelo Cliente). É composto das seguintes atividades: Autorização/Solicitação de Retorno, Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 65 Agendamento do Retorno, Recebimento e Verificação do Produto e Autorização da Devolução ou Crédito. O macroprocesso de planejamento permeia todos os demais que envolvem atividades estritamente operacionais e relacionadas ao dia-a-dia da operação. Questões relacionadas à gestão de estoques e da armazenagem, por exemplo, fazem parte da forma como o macroprocesso de Entrega (delivery) será suportado. Esses microprocessos de apoio fazem parte do macroprocesso denominado, na metodologia, Enable. Para cada um dos microprocessos listados acima, são estabelecidos atributos de desempenho e, quando aplicável, dicas de melhores práticas, A decisão de quais microprocessos selecionar passa pela análise de questões como: 1. Importância do processo para o cliente. 2. Custo de cada processo em relação ao custo total do supply chain. 3. Percepção do potencial de redução de custo. Devem ser atribuídas notas e pesos a cada uma dessas questões para que seja possível a formação de um ranking de importância. O número de processos a serem escolhidos deve ser contraposto ao tempo e número de recursos disponíveis para a realização da tarefa. Quanto a definição dos indicadores de desempenho a serem analisado, a importância da análise conjunta dos impactos das mudanças em processosindividuais e no desempenho do supply chain como um todo deve estar refletida em indicadores para ambas as perspectivas. A seleção desses indicadores deve levar em consideração dois drivers principais: custo e nível de serviço. Nesse sentido, entender as necessidades e expectativas dos clientes e o impacto de determinadas decisões no custo dos processos analisados ajuda na escolha de indicadores relevantes. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 66 Ribeiro (2006) cita uma pesquisa realizada na Europa com 29 empresas de três setores diferentes em cinco países e apontou os seguintes indicadores típicos na avaliação da eficiência do supply chain e de seus componentes, listados abaixo: a) componentes individuais do supply chain: frequência de entrega; tamanho do pedido; percentual de pedidos especiais; número de reclamações; giro de estoque; número de ocorrências de falta de estoque; número de ocorrências de falta de estoque no cliente; % de ocupação do veículo; acurácia da previsão de vendas; eficiência dos sistemas de suporte logísticos (ex.: Acurácia das informações; Existência de controle de processos; Existência de sistemas de rastreamento); indicadores de nível de serviço por processo (Exemplo em armazenagem: taxa de erro no picking); indicadores físicos (ex.: densidade do produto; valor por m3 do produto). b) Análise integrada do supply chain: tempo de cicio do pedido (data de entrega no cliente – data de recebimento do pedido); lead-time de entrega (data de entrega no cliente – data de saída do produto); percentual de pedidos entregues depois da data combinada; percentual de pedidos entregues depois da data requerida; percentual dos pedidos entregues on-time e in-full; custo do supply chain em relação ao custo total do produto; composição dos custos logísticos (ex.: transportes, estoque e armazenagem); grau de fragmentação da responsabilidade sobre o supply chain. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 67 A metodologia SCOR, por sua vez, aponta para cinco grupos de atributos os quais os indicadores de desempenho devem estar relacionados. A partir desses atributos, são listados indicadores pertinentes a cada micro processo do supply chain. Estes atributos são: confiabilidade, velocidade, flexibilidade, custo e eficiência no gerenciamento de ativos. Não obstante a padronização de processos e métricas garantir que os indicador de desempenho avaliados sejam exatamente os mesmos entre as empresas envolvidas no benchmarking, ela não é suficiente para garantir que seus valores sejam comparáveis. Ou seja, se a empresa best-in-class possui um custo de transporte equivalente a 20% do custo total da cadeia de suprimentos, não significa que seja possível a uma empresa do mesmo setor chegar a um percentual equivalente ou mesmo próximo dele. Isso ocorre porque existem variações que influenciam nesse custo, como por exemplo: número de depósitos avançados (menores distâncias de entrega); nível de fracionamento dos pedidos; prazos de entrega acordados. Assim, a comparabilidade dos resultados encontrados para os indicadores de desempenho analisados depende de fatores como: número de instalações, estratégia de nível de serviço, perfil dos clientes, entre outras questões que dependem tanto do mercado quanto de decisões internas da empresa (RIBEIRO, 2006). Nesse contexto, a avaliação cuidadosa dos gaps e de seus possíveis motivadores constitui, mais do que uma análise interessante, uma necessidade como forma de garantir a viabilidade da implementação de determinada solução. A seleção de fontes de benchmarking que sejam as mais aderentes possível ao ambiente da empresa proponente também constitui uma excelente forma de reduzir as distorções inerentes a qualquer iniciativa nessa área. A larga utilização do benchmarking como estratégia competitiva é inspirada em casos de sucesso como o da AT&T, que registrou a redução de 40% em seu Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 68 tempo de ciclo, ou da Oryz Energy, que conseguiu reduzir custos de pessoal e transporte em, respectivamente, 21% e 32% em despesas operacionais. No entanto, apesar de ser conhecido como uma forma rápida de aumentar a eficiência e/ou melhorar o nível de serviço, o benchmarking requer cuidado especial em sua etapa de planejamento. O tipo de benchmarking (interno, entre competidores, funcional, por processo e colaborativo) a ser utilizado, a seleção dos processos que serão objeto de benchmarking, a definição de indicadores de desempenho que servirão como base de comparação entre esses processos e a seleção das empresas best-in-class são tarefas críticas para o sucesso da iniciativa. O grande desafio da utilização do benchmarking está relacionado à dificuldade de se garantir a comparabilidade dos processos. Isso se dá basicamente por dois motivos: 1º. Diferenças na segmentação dos processos e forma de cálculo dos indicadores de desempenho. 2º. Diferenças estruturais das empresas, relacionadas às características particulares como número de instalações, perfil dos clientes e estratégia de nível de serviço, entre outras. Enfim, iniciativas de padronização de processos e indicadores de desempenho (os sistemas de ERP constituem uma forma de padronizar as decisões operacionais) vêm a reduzir o primeiro gap. Já o segundo é mais difícil de ser contornado. Nesses casos, é necessária boa dose de abstração e capacidade analítica que permita identificar o que pode ser depreendido de positivo em processos que não necessariamente deveriam ser os mesmos. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 69 REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS BÁSICAS FIGUEIREDO, Kleber Fossati; FLEURY, Paulo Fernando; WANKE, Peter; (orgs.). Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos: planejamento do fluxo de produtos e dos recursos. 1ª Ed. 3ª reimp. São Paulo: Atlas, 2006. (Coleção COPPEAD de Administração). MARTINS, Petrônio G.; LAUGENI, Fernando Piero. Administração da produção. São Paulo: Saraiva, 2005. PIRES, Sílvio R. L. Gestão da Cadeia de Suprimentos: conceitos, estratégias, práticas e casos. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2012. 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