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2 - Gestão da Cadeia de Suprimentos

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MATERIAL DIDÁTICO 
 
 
GESTÃO DA CADEIA DE 
SUPRIMENTOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
U N I V E R S I DA D E
CANDIDO MENDES
 
CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA 
PORTARIA Nº 1.282 DO DIA 26/10/2010 
 
Impressão 
e 
Editoração 
 
0800 283 8380 
 
www.ucamprominas.com.br 
 
 
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SUMÁRIO 
 
 
UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO ................................................................................. 03 
 
UNIDADE 2 – EVOLUÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO DA ENGENHARIA DE 
SUPRIMENTOS ...................................................................................................... 05 
2.1 Administração de produção e operação - APO ................................................. 09 
2.2 Sistemas de produção ....................................................................................... 10 
 
UNIDADE 3 – GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS (SCM) – MODELO 
COMPETITIVO DE GESTÃO .................................................................................. 22 
3.1 Cadeias de suprimentos (supply chain) ............................................................ 22 
3.2 Redes de Suprimentos e Cadeias de Suprimentos ........................................... 26 
3.3 Cadeias Produtivas e Cadeias de Suprimentos ................................................ 27 
3.4 Cadeias de Valor e Cadeias de Suprimentos .................................................... 28 
 
UNIDADE 4 – MODELOS APLICADOS NA SCM ................................................. 30 
 
UNIDADE 5 – GESTÃO DA DEMANDA NA CADEIA DE SUPRIMENTOS .......... 39 
5.1 Gestão da demanda na manufatura e em serviços ........................................... 40 
5.2 Incerteza da demanda na SCM ......................................................................... 45 
 
UNIDADE 6 – O MÉTODO DOS 3 As – AGILIDADE, ADAPTABILIDADE E 
ALINHAMENTO ...................................................................................................... 49 
 
UNIDADE 7 – BENCHMARKING DA CADEIA DE SUPRIMENTOS ..................... 57 
7.3 O processo de benchmarking ............................................................................ 58 
7.2 O planejamento do benchmarking ..................................................................... 60 
 
REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 69 
 3 
 
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UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO 
 
Segundo o dicionário Aurélio, engenharia é a arte de aplicar conhecimentos 
científicos e empíricos e certas habilitações específicas à criação de estruturas, 
dispositivos e processos que se utilizam para converter recursos naturais em formas 
adequadas ao atendimento das necessidades humanas. 
Suprimentos, numa acepção bem simples, é o mesmo que auxílio, ajuda, 
fornecimento, provisão. Daí, podemos definir engenharia de suprimentos como a 
área da engenharia que administra os processos que visam atender ao suprimento 
de insumos e materiais para que uma organização atinja seus objetivos finais. 
Ao engenheiro de suprimentos cabe, dentre outras áreas e atribuições, 
trabalhar na aquisição e manutenção de estoques, analisar reposição de materiais 
com vistas a manter o nível de estoque de insumos e sobressalentes adequados ao 
nível exigido, sempre buscando a melhor relação custo/benefício. 
A formação desejada para esse profissional passa pela graduação em 
Logística ou Engenharia de Suprimentos, deve cultivar habilidades nos 
relacionamentos, ter atitudes proativas, além de uma visão processual e analítica, 
afinal de contas será o responsável por todo processo de insumos necessários para 
uma obra ou serviço, incluídos aqui a previsão de demanda, o dimensionamento e 
movimentação de estoque desde o layout do almoxarifado e, evidentemente, deverá 
usar racionalmente a tecnologia da informação e comunicação nos processos de 
suprimentos. 
Conhecimento, traduzido em “buscar sempre mais”; Habilidade, “saber 
como colocar em prática o conhecimento adquirido”; e, Atitude, “colocar em prática 
o conhecimento adquirido” resumem as competências necessárias para que a 
atuação do Engenheiro de Suprimentos seja eficiente e eficaz em atividades 
relacionadas com a Logística. 
Pois bem, ao longo do curso teremos oportunidade de repassar conceitos 
mínimos necessários ao cotidiano desse profissional, bem como discutir as mais 
variadas áreas de atuação, a começar neste módulo pela gestão da cadeia de 
 
 
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suprimentos, os modelos aplicados a ela, a gestão da demanda, o método dos três 
As (agilidade, adaptabilidade e alinhamento) e o benchmarking. 
Ressaltamos em primeiro lugar que embora a escrita acadêmica tenha como 
premissa ser científica, baseada em normas e padrões da academia, fugiremos um 
pouco às regras para nos aproximarmos de vocês e para que os temas abordados 
cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos científicos. Em segundo lugar, 
deixamos claro que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores, 
incluindo aqueles que consideramos clássicos, não se tratando, portanto, de uma 
redação original e tendo em vista o caráter didático da obra, não serão expressas 
opiniões pessoais. 
Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se 
outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas, mas que, de todo modo, 
podem servir para sanar lacunas que por ventura venham a surgir ao longo dos 
estudos. 
 
 
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UNIDADE 2 – EVOLUÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO DA 
ENGENHARIA DE SUPRIMENTOS 
 
Podemos dizer que desde os primórdios da civilização o homem pratica 
engenharia e que a história dessa área se confunde com nossa história, mas 
faremos um grande recorte no tempo para abreviarmos o caminho e chegarmos à 
área de interesse. 
Em se tratando do Brasil, desde o descobrimento, as atividades 
especializadas tiveram sua importância e aplicação. Foi por meio das engenharias 
de navegação, matemática, astronomia, cartografia e medicina que Cabral chegou 
com sua frota ao nosso litoral. O descobrimento das minas de ouro e sua extração 
só foram possíveis graças à engenharia geológica e engenharia de minas. 
Até por volta de 1900, o exercício profissional era livre no país, mas a partir 
dessa data, o governo se viu pressionado a elaborar legislações que visavam 
exercer controle sobre determinadas atividadesprofissionais, tentando limitar o 
exercício ilegal de algumas profissões. 
Assim, a primeira profissão a ser regulamentada foi a de Engenheiro 
Agrimensor. Em 1933, regulamentaram-se as profissões de Engenheiro Agrônomo e 
Engenheiro Civil. Nesse ano foi também criado o Sistema CONFEA/CREA'S1 
(AFONSO; FLEURY, 2007). 
Quanto à Engenharia de Suprimentos propriamente dita, esta se confunde 
um pouco com a logística, no entanto ela abrange muito mais, integra processos de 
negócios, envolve a engenharia de plantas, não é simplesmente colocar o produto 
certo no momento certo na quantidade desejada. Ela evoluiu junto às novas formas 
de gerenciamento da produção com a introdução de conceitos como o Just in time 
(JIT), engenharia da qualidade, levando a área de compras a setor mais do que 
simplesmente tática ou estratégica. 
 
1
 Conselho Federal de Engenharia e Agronomia/Conselho Regional de Engenharia e Agronomia 
 
 
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Braga (2006) explica, por meio de quatro estágios, a evolução da área de 
compras ou suprimentos, que vai desde a sua submissão a outras funções até a sua 
posição de participante na formulação da estratégia da organização, a saber: 
 
Perfil tático: 
Estágio 1 – reativo 
Estágio 2 – mecânico 
Perfil Estratégico: 
Estágio 3 – proativo 
Estágio 4 – Gerência Estratégica de Suprimentos 
 
O primeiro estágio é caracterizado pela pouca agregação de valor realizada 
pelo setor responsável pelas aquisições de bens e serviços nas organizações. 
Nessa fase, os departamentos requisitantes de bens ou serviços realizam quase 
todas as atividades associadas à negociação da obtenção, deixando para o setor de 
Compras ou Suprimentos apenas a operacionalização da transação, que consiste na 
emissão da ordem de compra, acompanhamento da entrega e escrituração de 
contratos cujas cláusulas são previamente acertadas entre o setor interno 
requisitante e o fornecedor. 
Os profissionais de Compras ou Suprimentos são meros executantes de 
acordos realizados por terceiros, aí incluídos seus próprios colegas de trabalho de 
outros departamentos. Nesse estágio, a preocupação é responder aos estímulos das 
outras funções dentro da organização. 
Devido à falta de planejamento, uma significativa parte do tempo do pessoal 
de Compras ou Suprimentos é empregada para “apagar incêndios”. O restante do 
tempo é destinado ao trato com operações rotineiras. As medidas de desempenho 
do departamento e dos indivíduos estão relacionadas à eficiência e não à eficácia. 
Há pouca comunicação entre o pessoal de Compras ou Suprimentos e os 
demais departamentos da organização, o que proporciona baixa visibilidade desse 
departamento perante outros setores. 
 
 
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No segundo estágio, as aquisições passam a ser conduzidas dentro do 
departamento de Compras ou Suprimentos e pelo setor competente dentro deste 
departamento para o tipo de mercadoria a ser obtida, ou seja, aquele que possui as 
habilidades necessárias para o tipo de aquisição planejada. As comunicações com 
os outros departamentos e usuários são incentivadas com o propósito de aprimorar 
o entendimento das necessidades do cliente interno. 
Começa a surgir nessa fase a preocupação com redução de custos, levando 
a iniciativas como enxugamento do processo de cotação, otimização do fluxo 
logístico, comprometimento das encomendas colocadas junto ao fornecedor e 
informação antecipada aos fornecedores sobre previsões das necessidades de bens 
e serviços. 
Observa-se, ainda nessa fase, uma evolução nas técnicas e nas práticas em 
relação à fase anterior em busca da modernização, embora ainda não seja possível 
verificar-se um direcionamento estratégico. Em outras palavras, Compras ou 
Suprimentos ainda atuam de forma mecânica e independente das estratégias 
competitivas da empresa. Nesse estágio, são identificadas ainda algumas 
características adicionais, a saber: 
a) A medida de desempenho utilizada é baseada prioritariamente na redução 
de custo e na eficiência das práticas utilizadas no dia-a-dia do departamento. 
b) Os altos gerentes reconhecem a importância do desenvolvimento 
profissional dos integrantes do setor, mas ainda não enxergam o potencial do que 
tais profissionais podem proporcionar à organização. 
c) Os altos gerentes reconhecem as oportunidades existentes no 
desenvolvimento da função Compras ou Suprimentos para contribuir na 
rentabilidade do negócio; contudo, ainda se ressentem muito da insegurança 
proporcionada pelo próprio setor de Compras, que não se mostra de maneira 
proativa, tanto na solução de problemas quanto na participação nos assuntos 
estratégicos. 
A preocupação de Compras ou Suprimentos, nos dois estágios 
apresentados, está voltada para questões do dia-a-dia, de cunho operacional e em 
um horizonte de tempo de curto prazo. Dessa forma, é possível classificar as duas 
 
 
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etapas iniciais como de perfil tático. As práticas relacionadas abaixo ilustram 
possíveis rotinas observadas nos estágios um e dois e portam características táticas 
quanto aos efeitos proporcionados na sua execução: 
a) Análise das mercadorias/serviços – pesquisa dos requerimentos e 
características dos produtos e serviços a serem adquiridos. 
b) Pesquisa de mercado – identificação das características do mercado para 
a aquisição de mercadorias/serviços. 
c) Conciliação das informações de mercado com os requerimentos do 
consumidor interno, de modo a facilitar a aquisição das suas solicitações. 
d) Colocação de pedidos (ordem de compra) junto ao fornecedor. 
e) Acompanhamento do pedido – gerenciamento do processo de obtenção 
com o objetivo de acompanhar o andamento do pedido e, portanto, revelar o seu 
status junto ao fornecedor. 
f) Previsão das necessidades futuras e transmissão dessas informações aos 
fornecedores. 
g) Verificação de desempenho dos fornecedores com base nos quesitos de 
custo, entrega e qualidade. 
A partir do terceiro estágio, o foco das atividades de Compras ou 
Suprimentos deixa de ser essencialmente tático e começa a haver uma tendência no 
trato com questões mais abrangentes e de repercussão de maior prazo. No terceiro 
estágio, portanto, o tema central passa a ser a otimização do custo do ciclo de vida, 
preocupação em se adicionar maior valor para o consumidor através de análise de 
valor e engenharia de valor dos materiais, redução da complexidade e envolvimento 
do fornecedor no desenvolvimento de novos produtos. 
Na terceira fase, o cliente interno passa a ser chamado a participar das 
aquisições realizadas, garantindo que todos os aspectos técnicos e do custo total de 
propriedade sejam adequadamente considerados. Compras ou Suprimentos inicia a 
prática de suportar a estratégia competitiva da empresa através da adoção de 
técnicas, métodos e atividades que ofereçam fortalecimento na posição competitiva 
da empresa. 
 
 
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Nessa fase, surge o emprego de equipes com representantes dos diversos 
setores da organização (equipes multifuncionais) para seleção de fornecedores e 
aquisição de bens e serviços. A partir desse ponto, os fornecedores são 
considerados como um recurso escasso e, portanto, cuidadosamente selecionados. 
O profissional da função passa a ser considerado também um recurso valioso, 
devido à experiência que começa a acumular no trato de questões estratégicas. 
No quarto e último estágio, acontece a total integração de Compras ou 
Suprimentos e a estratégia competitiva da empresa com a real caracterização do 
seu papel estratégico na organização. Ela passa a constituir parte de um esforço 
conjunto com as outras funções correlatas para formular e implementar um plano 
estratégico no nível departamental decorrente da estratégia da empresa, além de, 
também junto com as outras funções, influenciar a formulação da estratégia da 
empresa numa relação recíproca. 
Em outras palavras, as atividades e estratégias definidas para a função 
Compras ou Suprimentos buscam suportar a estratégia competitiva da empresa e, 
ao mesmo tempo, serem derivadas dela (BRAGA, 2006). 
 
2.1 Administração de produção e operação – APO 
De uma forma geral, a Administração da Produção e Operações diz respeito 
àquelas atividades orientadas para a produção de um bem físico ou à prestação de 
um serviço. Neste sentido, a palavra “produção” liga-se mais de perto às atividades 
industriais, enquanto a palavra “operações” se refere às atividades desenvolvidas 
em empresas de serviços. Nas indústrias, as tarefas que são o objeto da APO 
encontram-se concentradas prioritariamente na fábrica ou na planta industrial, o que 
pode ser facilmente identificado, principalmente porque os diversos departamentos 
muitas vezes levam o nome da operação. Ao contrário do que acontece em 
empresas de serviços, onde as atividades ligadas a “operações” são espalhadas, 
sendo às vezes difícil reconhecê-las. 
Dentre os principais avanços que exercem impacto sobre a APO, podemos 
citar a robótica e o controle numérico; os projetos auxiliados por computadores; o 
 
 
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Just in time ou manufatura enxuta; o benchmarking; os padrões ISO; a reengenharia 
de processo; a administração da cadeia de suprimentos e outros. 
Quanto aos fatores que interferem de maneira impactante na APO, o mais 
saliente deles com certeza é a globalização que tornou a competição intensa e 
crescente devido a uma, digamos, liberação de fronteiras entre os países que não 
mais oferecem tanta proteção contra importações estrangeiras. 
Uma vez que a obtenção de sucesso na competição global passa por 
atender receptivamente aos clientes desenvolvendo produtos inovadores, de 
qualidade, contemplando a entrega rápida e no tempo certo, com preços e custos 
baixos, os gerentes e engenheiros de operações e produção precisam estar atentos 
para o uso de métodos cada vez mais sofisticados. 
 
2.2 Sistemas de produção 
A empresa – como um macrossistema – envolve vários sistemas em seu 
interior e como nos apresenta Moreira (2000, p. 8), ela pode ser definida como um 
“conjunto de atividades inter-relacionadas envolvidas na produção de bens (caso de 
indústrias) ou de serviços”. 
Em se tratando da produção, esta funciona como um sistema aberto dentro 
desse macrossistema que é a empresa. Também ela é constituída de entradas, 
processamento, saídas e retroação. Dentro do sistema de produção também 
existem interdependências entre os demais sistemas da empresa. 
Cada empresa adota um sistema de produção para realizar suas operações 
e produzir seus produtos ou serviços da melhor maneira possível, garantindo com 
isso sua eficiência e eficácia. O sistema de produção é a maneira pela qual a 
empresa administra seus órgãos e realiza suas operações de produção, adotando 
uma interdependência lógica entre todas as etapas do processo produtivo, desde o 
momento em que os materiais chegam dos fornecedores para o almoxarifado até 
alcançarem o depósito como produtos acabados (CHIAVENATO, 2005). 
As duas figuras abaixo representam, respectivamente os elementos e a 
dinâmica desse funcionamento. 
 
 
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Figura 1 – Elementos constituintes do sistema de produção 
 
Fonte: Adaptado de Moreira (2000) 
 
Figura 2 – As interdependências entre os subsistemas do sistema de produção 
 
Fonte: Chiavenato (2005) 
A figura 1 nos mostra que os Sistemas de Produção são compostos de 
quatro subsistemas, conforme explicam Gaither; Frazier (2002) e Slack; Chambers; 
Johnston (2002): 
1) INSUMOS – recursos a serem transformados diretamente em produtos e que são 
classificados em três categorias gerais: 
a) insumos externos – possuem caráter de informação e fornecem dados 
sobre as condições externas ao sistema de produção, tais como informações sobre: 
política; legislação; economia; sociedade; tecnologia. 
 
 
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b) insumos de mercado – também possuem caráter de informação, no 
entanto, fornecem informações sobre: concorrência; produtos; desejos dos clientes. 
c) insumos primários/recursos primários – são os insumos que sustentam 
diretamente a produção e a entrega de bens e serviços, podendo ser públicos ou 
não, tais como: Recursos Físicos – Máquinas, Equipamentos, Matérias-primas, 
Recursos Energéticos e Recursos Naturais; Recursos Humanos; Recursos 
Econômicos - Financeiros; 
2) SUBSISTEMA DE CONVERSÃO/TRANSFORMAÇÃO – é o subsistema que 
transforma os insumos em produtos finais e está diretamente ligado ao tipo de 
entradas a serem transformadas, podendo ser de: 
a) processamento de materiais: 
i) Transformar – transformam a propriedade física dos materiais, como: 
forma; composição ou características (como nas manufaturas e nas minerações). 
ii) Mudar a localização – serviços de transporte de cargas e encomendas. 
iii) Mudar a posse ou a propriedade – serviços de troca. 
iv) Acomodar ou estocar – serviços de armazenagem. 
b) processamento de informações: 
i) Transformar – transformam as propriedades informativas, ou seja, a forma 
da informação (como fazem os contadores). 
ii) Mudar a localização – serviços de telecomunicações. 
iii) Mudar a posse ou a propriedade – (como nas empresas de pesquisa de 
mercado). 
iv) Acomodar ou estocar – (como nos arquivos e bibliotecas). 
c) processamento de consumidores: 
i) Transformar – transformam as propriedades físicas (como os cabeleireiros 
e os cirurgiões plásticos); o estado fisiológico (como os hospitais), e/ou; o estado 
psicológico (como os serviços de entretenimento, tais como música, teatro, cinema, 
parques temáticos). 
 
 
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ii) Mudar a localização – serviços de transporte de pessoas. 
iii) Acomodar ou estocar (como nos hotéis). 
3) SUBSISTEMA DE CONTROLE – conjunto de atividades que visa assegurar que 
programações sejam cumpridas, que padrões sejam estabelecidos, que recursos 
estejam sendo usados de forma eficaz e que a qualidade desejada seja obtida. 
4) SAÍDAS – acontecem de duas formas: 
a) produtos diretos – são os produtos que geram as receitas do sistema, 
estes podem ser: os bens (produtos tangíveis); os serviços (produtos intangíveis); 
ou, ambos. 
b) produtos indiretos – correspondem aos: impostos; impacto ambiental 
(poluição, efluentes e lixo); remunerações e salários; desenvolvimento tecnológico; 
impactos sobre os empregados e sobre a sociedade. 
A figura 2 retrata o ciclo de produção do sistema, que vai desde o 
fornecimento até a entrega diretamente ao cliente ou indiretamente através de 
distribuidor. 
O ciclo de produção pode ser curto – durar horas, como na entrega de certos 
serviços –, ou longo – durar meses, como na entrega de produtos de grande porte 
ou de valor elevado. Esse ciclo mostra a reiteração das atividades de produção e 
sua cadência de repetitividade. Quando curto, permite à empresa produzir mais e 
receber o resultado das vendas mais depressa. Quando longo, ele estende o ciclo 
financeiro de pagar o fornecedor para depois receber do cliente. 
Para que a produção possa acontecer, as entradas e insumos provenientes 
dos fornecedores externos ingressam no sistema de produção por meio do 
almoxarifado de matérias-primas, sendo ali estocados até seu eventual uso no 
processo produtivo. A produção processa e transforma os materiais e matérias-
primas em produtos acabados, os quais são estocados no depósito de produtos 
acabados até sua entrega aos clientes e consumidores. A interdependência entre o 
almoxarifado, a produção e o depósito é muito estreita, fazendo com que qualquer 
alteração em um deles provoque influências sobre os demais. Eles constituem os 
 
 
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três subsistemas do sistema de produção intimamente inter-relacionados e 
interdependentes, cujas principais funções são: 
 almoxarifado de matérias-primas – receber e estocar MP e fornecê-las à 
produção; 
 subsistema de produção – transformar as MPs em produtos acabados; 
 depósito de produtos acabados – estocar os produtos acabados e fornecê-los 
aos clientes. 
Para funcionar adequadamente, o sistema de produção precisa ajustar e 
balancear os três subsistemas entre si, ou seja, todos eles devem funcionar dentro 
do mesmo compasso, obedecendo ao mesmo ritmo e cadência. 
Muitas empresas selecionam cuidadosamente seus fornecedores, se 
concentram em apenas alguns deles, os mais confiáveis, e adotam contratos de 
parceria ou de qualidade assegurada para evitar o controle de qualidade no 
recebimento das matérias-primas. Sem dúvida, isso traz economias de tempo, 
espaço e dinheiro. Outras empresas preparam e treinam o fornecedor para que ele 
participe diretamente do sistema produtivo e, com isso, eliminam a figura do 
almoxarifado. Em vez de oferecer insumos, os fornecedores se tornam habilitados a 
participar ativamente do processo produtivo instalando os insumos que produzem. 
Não há necessidade de vendedores (do fornecedor) e nem compradores (da 
empresa). Entre a empresa e o fornecedor não há fronteiras: isso é típico de um 
sistema aberto (CHIAVENATO, 2005, p. 17). 
Vamos falar um pouco sobre as peculiaridades de alguns dos sistemas de 
produção (produção sob encomenda; em lotes e contínua), relembrando que 
existem outros tipos. 
 
Guarde... 
Dá-se o nome de processo de produção à sequência de operações que são 
executadas para produzir um determinado produto/serviço. Cada processo de 
produção exige um arranjo físico específico. Arranjo físico significa a disposição das 
máquinas, equipamentos, instalações e pessoas da melhor maneira possível para a 
 
 
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realização de um trabalho. Assim, cada um dos três tipos de sistemas de produção 
apresenta características distintas, cada qual com um processo de produção, com 
um arranjo físico específico e com uma administração de materiais adequada às 
suas necessidades. 
 
a) Sistema de produção sob encomenda 
Baseia-se na encomenda ou no pedido de um ou mais produtos/serviços. A 
empresa que o utiliza somente produz após ter recebido o contrato ou encomenda 
de um determinado produto ou serviço. 
Em primeiro lugar, a empresa oferece o produto/serviço ao mercado. 
Quando recebe um pedido ou contrato de compra é que ela se prepara para 
produzir. Nesse momento, o pedido feito pelo cliente ou o contrato serve de base 
para a elaboração do plano de produção, isto é, para o planejamento do trabalho a 
ser realizado. 
O sistema de produção sob encomenda exige que a empresa se adapte e se 
ajuste às especificações do cliente que encomenda o produto ou serviço. A empresa 
dá toda a estrutura, recursos e competências, mas é o cliente quem especifica as 
características do produto. É o caso de construção de navios, hidrelétricas, 
indústrias, aviões e quase todos os produtos de grande porte. Quase sempre, o 
cliente é uma outra empresa ou indústria. Nesse caso, o almoxarifado quase sempre 
é imprescindível. Mas existem outros tipos de empresas que adotam esse sistema 
de produção, como os hospitais (em que o cliente ou paciente apenas se interna em 
busca de um diagnóstico ou solução de um problema de saúde) ou oficinas 
mecânicas (em que o cliente leva seu carro para ser consertado) (CHIAVENATO, 
2005, p. 18). 
O plano de produção do sistema de produção sob encomenda envolve: 
1. Relação das matérias-primas necessárias para a produção do produto/ 
serviço encomendado pelo cliente, divididas em itens e quantidades. 
2. Relação da mão de obra necessária para a execução dos trabalhos, 
dividida em número de horas de trabalho para cada operário. 
 
 
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3. Processo de produção para a execução da encomenda, detalhando a 
sequência operacional das atividades das máquinas e da mão de obra envolvidas. 
Esse sistema é utilizado para a produção de navios, geradores e motores de 
grande porte, aviões, locomotivas, construção civil e industrial, confecções sob 
medida, etc. A empresa somente produz depois de efetuado contrato ou pedido de 
venda de seus produtos/serviços. É a encomenda ou pedido que vai definir como a 
produção deverá ser realizada. 
O exemplo mais simples de produção sob encomenda é o da oficina ou da 
produção unitária. É o sistema no qual a produção é feita por unidades ou por 
pequenas quantidades previamente encomendadas, cada produto a seu tempo, 
sendo modificado à medida que o trabalho é realizado. O processo de produção é 
manufatureiro e artesanal: requer operários com habilidades manuais, envolvendo o 
que se chama de operação de mão de obra intensiva, isto é, muita mão de obra e 
muita atividade artesanal, como no caso de eletricistas, soldadores, carpinteiros, 
marceneiros, encanadores, ferramenteiros,torneiros, mecânicos, entre outros, à 
disposição para a construção de um navio ou da equipe de propaganda de uma 
agência ou da equipe de um hospital. Cada produto tem uma data definida de 
entrega conforme os prazos definidos no pedido de compra ou na encomenda. 
O processo de produção é pouco padronizado e pouco automatizado, assim, 
cada produto é grande e único – como um navio, edifício, fábrica, hidrelétrica, por 
exemplo. Há processos menores, como a oficina de propaganda, o hospital com sua 
equipe médica ou a pequena oficina mecânica para proporcionar conserto de 
automóveis. Cada produto exige uma oficina-base na qual o trabalho é realizado: é o 
caso da oficina mecânica para os automóveis; o canteiro de obras para a construção 
civil; o pátio de construção para os navios; a equipe de trabalho para a empresa-
cliente atendida pela agência de propaganda; a equipe médica para o paciente que 
se interna no hospital. 
O arranjo físico típico do sistema de produção sob encomenda é 
concentrado no produto. Como o produto é de grande porte e de construção 
relativamente demorada, todas as máquinas e equipamentos são colocados ao 
redor do produto e todos os materiais necessários são estocados ou movimentados 
 
 
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próximos ao produto. O arranjo físico característico é o do produto como centro de 
todas as operações, seja na oficina-base, no canteiro de obras, no pátio de 
construção, etc. 
O sistema de produção sob encomenda dificulta as previsões de produção, 
pois cada produto/serviço exige um trabalho específico diferente dos demais 
produtos e que é complexo e demorado. Cada produto exige um plano de produção 
específico. O sistema requer um grupo de administradores e especialistas 
competentes como supervisores da oficina-base e capazes de assumir sozinhos 
todas atividades de cada contrato ou pedido, como supervisão da produção, mão de 
obra, materiais, etc. O sucesso da produção sob encomenda depende muito da 
habilidade do administrador ou especialista encarregado de cada contrato ou 
encomenda. A eficiente construção do edifício depende muito da habilidade do 
engenheiro de obras, assim como o atendimento da empresa-cliente dependendo 
muito do supervisor de conta da agência de propaganda, e o atendimento do 
paciente depende muito do médico-chefe da equipe do hospital. É importante que o 
plano de produção seja bem compreendido por todos os especialistas que deverão 
executá-lo na prática. 
 
b) Sistema de produção em lotes 
É o sistema de produção utilizado por empresas que produzem quantidade 
limitada de um tipo de produto/serviço de cada vez. Essa quantidade limitada é 
denominada lote de produção. Cada lote de produção é dimensionado para atender 
a um determinado volume de vendas previsto para um determinado período. 
Terminado um lote de produção, a empresa inicia logo, ou mais adiante, outro lote, e 
assim por diante. Cada lote recebe uma identificação, como um número ou código. 
Além do mais, cada lote exige um plano de produção específico. 
O sistema de produção em lotes é utilizado por empresas que produzem 
lotes de produtos com especificações próprias (como tamanho, cor, padronagem, 
qualidade, etc.). Cada lote é trabalhado de maneira distinta e personalizada 
(CHIAVENATO, 2005, p. 20). 
 
 
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O plano de produção do sistema de produção em lotes é feito 
antecipadamente em relação às vendas, isto é, a empresa produz previamente cada 
lote para aproveitar ao máximo os seus recursos, e o coloca à disposição da área de 
vendas para entregá-lo aos clientes à medida que as vendas são efetivadas. Em 
algumas indústrias, o plano de produção permite que sejam processados simultânea 
e paralelamente vários lotes de produção, alguns no início, outros no meio, enquanto 
outros findam. 
O sistema de produção em lotes é utilizado por indústrias têxteis, de 
cerâmica, eletrodomésticos, motores elétricos, brinquedos, etc. A fábrica têxtil é 
capaz de produzir uma extensa variedade de tecidos com diferentes padronagens e 
características. Cada tipo de tecido é produzido em um lote de produção, findo o 
qual sua produção é interrompida para entrar um lote seguinte, que deverá ser um 
tecido diferente. O tecido anterior poderá ou não voltar a ser produzido em algum 
lote futuro, dependendo do sucesso das vendas. 
O arranjo físico das empresas que produzem em lote é caracterizado por 
máquinas agrupadas em baterias do mesmo tipo. O trabalho passa de uma bateria 
de máquinas para outra intermitentemente em lotes de produção. Cada bateria de 
máquinas constitui um departamento ou uma seção. Geralmente existe falta de 
equilíbrio na capacidade de produção dos diferentes departamentos envolvidos. Isso 
significa que cada departamento tem uma capacidade de produção que nem sempre 
é igual à dos demais departamentos da empresa, havendo gargalos de produção. O 
plano de produção deve considerar esse equilíbrio, programando turnos de trabalho 
diferentes para compensá-lo através de diferentes números de horas trabalhadas. 
Por outro lado, a produção em lotes permite a utilização regular e plana da mão de 
obra, sem grandes picos de produção. Exige grandes áreas de estocagem de 
produtos acabados e grande estoque de materiais em vias de ou em 
processamento. 
Sobre a previsibilidade, a produção em lotes exige um plano de produção 
bem feito e capaz de integrar novos lotes de produção à medida que outros sejam 
completados. O plano de produção deve ser constantemente replanejado e 
 
 
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atualizado. O sucesso do processo de produção depende diretamente da forma de 
equacionar o plano de produção. 
 
c) Sistema de produção contínua 
O sistema de produção contínua é utilizado por empresas que produzem um 
determinado produto por um longo período de tempo e sem modificações. 
O ritmo de produção é acelerado, e as operações são executadas sem 
interrupção ou mudança. Como o produto é sempre o mesmo ao longo do tempo e 
como o processo produtivo não sofre alterações, o sistema pode ser aperfeiçoado 
continuamente. 
Ao visitar uma siderúrgica, uma indústria química ou petroquímica, você se 
defrontará com uma indústria que trabalha intensivamente um determinado produto 
sem nenhuma interrupção, na qual não há um dia de paralisação, a menos que haja 
necessidade de manutenção preventiva de tempos em tempos. Ou então, é possível 
encontrar com uma indústria de eletrodomésticos em que o pessoal trabalha em 
vários turnos, com um dia de descanso em cada semana. Esse trabalho contínuo é 
típico da produção em massa de produtos padronizados e com as mesmas 
características básicas (CHIAVENATO, 2005, p. 22). 
O plano de produção típico do sistema de produção contínua é elaborado 
geralmente para períodos de um ano, com subdivisões mensais. Como a produção é 
estável no longo prazo, pois não há modificações ao longo do tempo, e como o 
processo produtivo também não sofre mudanças, o plano de produção pode ser feito 
também no longo prazo. A ênfase do plano de produção é obtero máximo de 
eficiência e eficácia do processo produtivo, fazendo com que as máquinas e 
equipamentos, assim como as pessoas e materiais, tenham a melhor utilização 
possível no decorrer do tempo. 
O sistema de produção contínua é utilizado por fabricantes de papel e 
celulose, de automóveis, de eletrodomésticos da linha branca (como geladeiras, 
máquinas de lavar roupa, secadoras, etc.), enfim, produtos que são mantidos em 
linha durante muito tempo e sem modificações. O produto é rigidamente 
 
 
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especificado quanto às suas características, e o processo de produção é 
estabelecido em detalhes, o que permite planejar no longo prazo todos os materiais 
necessários, a mão de obra envolvida, bem como a chegada da matéria-prima 
necessária exatamente na quantidade certa e no tempo previsto, além do número de 
homens/horas de trabalho para cada operário ou produto. 
O arranjo físico da produção contínua é caracterizado por máquinas e 
ferramentas altamente especializadas, dispostas em formação linear e sequencial 
para a produção de cada componente do produto final. Isso assegura um alto grau 
de padronização de máquinas e ferramentas, de matérias-primas e materiais, bem 
como de métodos e procedimentos de trabalho. 
Como o produto é feito em enormes quantidades ao longo do tempo, o 
sucesso do sistema de produção contínua depende totalmente do plano detalhado 
de produção, que deve ser feito antes que se inicie a produção de um novo produto. 
O plano de produção coloca cada processo produtivo em sequência linear para que 
o material de produção se movimente de uma máquina para outra continuamente e, 
quando completado, seja transportado ao ponto em que ele é necessário para a 
montagem final. O plano de produção é feito antecipadamente e pode ter maior 
extensão de tempo. Geralmente é elaborado para cobrir cada exercício anual, 
explorando ao máximo as possibilidades dos recursos da empresa, proporcionando 
condições ideais de eficiência e de eficácia. 
É lógico que cada sistema de produção requer um tipo diferente de 
administração de materiais que alimente o processo produtivo. O importante é 
adequar a parte ao todo, isto é, a administração de materiais ao sistema de 
produção de modo a torná-lo mais eficiente e eficaz. Como a produção se realiza no 
trabalho com materiais, a administração de materiais faz parte integrante do 
processo produtivo. Na verdade, sem uma adequada administração de materiais, o 
sistema de produção pode levar a resultados insatisfatórios (CHAVENATO, 2005, p. 
23). 
 
 
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Principais características dos sistemas de produção 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: CHAVENATO (2005, p. 23) 
Esses conceitos preliminares ajudarão muito quando falarmos sobre a 
gestão de materiais à qual cada sistema produtivo deve adequar-se. 
 
 
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UNIDADE 3 – GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS 
(SCM) – MODELO COMPETITIVO DE GESTÃO 
 
A Gestão da Cadeia de Suprimentos (Supply chain Management – SCM2), 
numa concepção contemporânea se apresenta como um novo modelo competitivo e 
gerencial às empresas industriais, mas para tratar dessa cadeia precisamos nos 
familiarizar com alguns conceitos básicos, a saber: 
 
3.1 Cadeias de suprimentos (supply chain) 
Segundo o dicionário da American Production Inventory Control Society 
(APICS), uma Cadeia de Suprimentos (Supply Chain - SC) pode ser definida como: 
1. Os processos que envolvem fornecedores-clientes e ligam empresas 
desde a fonte inicial de matéria-prima até o ponto de consumo do produto acabado. 
2. As funções dentro e fora de uma empresa que garantem que a cadeia de 
valor possa fazer e providenciar produtos e serviços aos clientes (Cox et al., 1995 
apud PIRES, 2012). 
Uma SC abrange todos os esforços envolvidos na produção e liberação de 
um produto final, desde o (primeiro) fornecedor do fornecedor até o (último) cliente 
do cliente. Quatro processos básicos definem esses esforços, que são: o Planejar 
(Plan), o Abastecer (Source), o Fazer (Make) e o Entregar (Delivery). 
Para Quinn (1997), uma SC pode ser definida como todas as atividades 
associadas com o movimento de bens desde o estágio de matéria-prima até o 
usuário final. Para Lee e Billington (1993), uma SC representa uma rede de trabalho 
(network) para as funções de busca de material, sua transformação em produtos 
intermediários e acabados e a distribuição desses produtos acabados aos clientes 
finais. Lummus e Albert (1997) relatam que uma SC é uma rede de entidades na 
qual o material flui. Essas entidades podem incluir fornecedores, transportadores, 
fábricas, centros de distribuição, varejistas e clientes finais. Christopher (1998) 
 
2
 Daqui em diante trataremos sempre a Gestão da Cadeia de Suprimentos por SCM. 
 
 
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define SC como uma rede de organizações que estão envolvidas através das 
ligações a jusante (downstream) e a montante (upstream) nos diferentes processos 
e atividades que produzem valor na forma de produtos e serviços liberados ao 
consumidor final. Lambert et al. (1998) lembram que, mais estritamente falando, uma 
SC não é apenas uma cadeia de negócios com relacionamentos “um a um”, mas 
uma rede de múltiplos negócios e relações. Mentzer et al. (2001) definem uma SC 
como o conjunto de três ou mais entidades (organizações ou indivíduos) diretamente 
envolvidas nos fluxos a montante ou ajusante de produtos, serviços, financeiro e de 
informação, desde a fonte primária até o cliente final (todos citados por PIRES, 
2012). 
Como praticamente todas as definições apresentadas são convergentes, em 
termos gerais podemos considerar que uma SC é uma rede de companhias 
autônomas, ou semiautônomas, que são efetivamente responsáveis pela obtenção, 
produção e liberação de um determinado produto e/ou serviço ao cliente final 
(PIRES et al., 2001). 
Temos na figura abaixo uma SC hipotética, desenhada com base em uma 
empresa (montadora). Ela simboliza que a empresa foco tem um conjunto de 
fornecedores que atua diretamente com ela (first tier suppliers), outro conjunto de 
fornecedores desses fornecedores (second tier suppliers) e assim por diante. 
 
Representação de uma SC 
 
 
 
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Fonte: Pires (2012, p. 31) 
Na ilustração temos também indicado os dois sentidos básicos dos 
relacionamentos que essa empresa pode conduzir que são: 
 montante (upstream) – no sentido de seus fornecedores; 
 jusante (downstream) – no sentido do cliente final. 
É importante lembrar que em uma SCpodem existir fluxos e materiais 
também no sentido montante (fluxos reversos). Já o fluxo de informações em uma 
SC costuma ocorrer nos dois sentidos, embora se possa considerar que o fluxo 
principal (informações sobre a demanda) ocorre no sentido montante. 
Lambert et al. (1998 apud PIRES, 2012) também descrevem a estrutura de 
uma SC com base na ilustração abaixo. 
 
 
 
Os autores identificam duas dimensões estruturais de uma SC, que são: 
 estrutura horizontal – definida pelo número de níveis da SC; 
 
 
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 estrutura vertical – definida pelo número de empresas em cada nível da SC. 
Os membros de uma SC podem ser classificados em primários e de apoio. 
Os membros primários são empresas ou unidades de negócios que executam 
atividades (operacionais ou gerenciais) que agregam valor ao longo da SC de 
determinado produto e/ou serviço. Já os membros de apoio são empresas ou 
unidades de negócios que fornecem recursos, conhecimento, etc., suportando os 
membros primários da SC, mas que não participam diretamente no processo de 
agregação de valor. Cabe ressaltar que uma empresa pode, simultaneamente, 
realizar atividades primárias em um processo de negócio na SC e de apoio em outro 
processo, bem como pode executar esses papéis em SCs distintas. 
Essa classificação também é útil para definirmos os limites horizontais de 
uma SC. Assim, a origem de uma SC é o ponto no qual não existem fornecedores 
primários, mas apenas de apoio. Já o seu término é o ponto de consumo, ou seja, o 
ponto a partir do qual não será criado nenhum valor adicional e o produto e/ou 
serviço chega a seu cliente final. 
Ainda com relação à nomenclatura, Slack (1993) também apresenta uma 
classificação das SCs que é bastante útil em determinadas análises e situações. O 
autor divide uma SC em três níveis, que são a cadeia total, a cadeia imediata e a 
cadeia interna, conforme demonstrado abaixo. 
 
Cadeia de suprimentos interna, imediata e total 
 
Fonte: adaptado de Slack (1993). 
 
 
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Assim temos que a cadeia interna é a composta pelos fluxos de informações 
e de materiais entre departamentos, células ou setores de operações internos à 
própria empresa. A cadeia imediata é a formada pelos fornecedores e pelos clientes 
imediatos de uma empresa. Já a cadeia total é composta por todas as cadeias 
imediatas que compõem determinado setor industrial ou de serviços. 
Slack (1993) também não usa o termo cadeia (chain) para fazer essa 
classificação acima e sim o termo rede (network). Temos então que a expressão 
cadeia de suprimentos (supply chain) não é a única utilizada pela literatura para se 
referir ao tema em estudo. Uma expressão muitas vezes utilizada também é rede de 
suprimentos (supply network). 
 
3.2 Redes de Suprimentos e Cadeias de Suprimentos 
Um conjunto de autores na área (especialmente britânicos) prefere utilizar a 
expressão Rede de Suprimentos (Supply Network), ao invés de Cadeias de 
Suprimentos (Supply chain). Mesmo alguns autores que utilizam a expressão Supply 
chain (SC) reconhecem que, estritamente falando, uma SC não é uma cadeia de 
negócios com relacionamentos um a um, mas uma rede de trabalho (network) com 
múltiplos negócios e relacionamento (LAMBERT, 2003 apud PIRES, 2012). 
Podemos dizer que o termo cadeia (chain) é uma metáfora imperfeita para 
tratar das questões consideradas no contexto da SCM, visto que elas raramente 
apresentam um comportamento linear. Mais uma vez vemos que o uso de rede de 
suprimentos (supply network) seria mais apropriado, embora o termo supply chain 
tornou-se de fato muito popular. 
A lógica da cadeia remete-nos a uma sequência linear de processos e/ou 
atividades executadas em uma ordem bem definida. Geralmente, o contato com o 
cliente final é feito quase exclusivamente através do elo final da cadeia. 
Já a lógica da rede remete-nos a uma estrutura mais complexa em que 
raramente existe uma linearidade na execução dos processos e/ou atividades e o 
contato com o cliente final não tende a ser exclusivo do elo final da rede (até porque 
muitas vezes fica difícil definir qual é esse elo final). É por isso que o termo cadeia 
 
 
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tem sido utilizado majoritariamente para a área de manufatura, que é exatamente 
onde ele se adapta melhor. Já o termo rede parece representar melhor diversas 
situações da área de serviços, visto que o atendimento a um cliente final é feito, 
muitas vezes, de forma complementar por diversos elos da rede. Um exemplo típico 
seria a situação de um cliente que compra um pacote turístico e é atendido por uma 
rede de serviço (composta, entre outros, de uma empresa de transporte aéreo, de 
empresa hoteleira e de uma empresa locadora de automóveis) que lhe fornece a 
viagem aérea, a estadia no hotel e o automóvel locado. 
Modelo de cadeias e redes 
 
Fonte: PIRES (2012, p. 35 adaptado de Harland,1996). 
 
3.3 Cadeias Produtivas e Cadeias de Suprimentos 
Frequentemente, o conceito de cadeia de suprimentos também costuma ser 
confundido ou utilizado de forma indistinta com o conceito de Cadeias Produtivas ou 
Cadeias de Produção. 
O termo cadeia produtiva é geralmente usado para referir-se ao conjunto de 
atividades que representam genericamente determinado setor industrial. Por 
exemplo, a cadeia produtiva da indústria automobilística, da indústria de calçados, 
da indústria de computadores, da indústria alimentícia, da indústria têxtil, etc. Em 
outras palavras, o termo cadeia produtiva vem sempre acompanhado de um 
“complemento” que designa um determinado setor industrial. 
 
 
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O conceito de analyse de filière desenvolvido na França durante a década 
de 1960 provavelmente seja o que mais se aproxima do que chamamos de cadeias 
produtivas. Mas, o termo é frequentemente correlacionado com o setor 
agroindustrial. Tal constatação é explicada por Batalha e Silva (2001), os quais 
relatam que, 
 
embora o conceito de filière não tenha sido desenvolvido especificamente 
para estudar a problemática agroindustrial, foi entre os economistas 
agrícolas e pesquisadores ligados aos setores rural e agroindustrial que ele 
encontrou seus principais defensores. 
 
Outro conceito, de fundo econômico, comumente inserido no contexto das 
filières é o de meso-análise, que é definido por Batalha e Silva (2001) como a 
“análise estrutural e funcional dos subsistemas e de sua interdependência dentro de 
um sistema integrado”, o que, apenas lembrando, se encaixa perfeitamente na 
chamada visão sistêmica. De certa forma, o conceito de meso-análise insere-se no 
espaço intermediário entre a macroeconomia e a microeconomia, ou seja, entre seu 
nível macro e agregado e o nível das empresas, dos clientes, etc., pois é 
exatamente nesse nível meso que se inserem as principaisquestões referentes às 
cadeias produtivas. Como ilustração, Pires (2012) nos lembra das constantes 
solicitações da chamada câmara setorial do setor automobilístico nacional em prol 
da redução dos relativos altos impostos pagos por sua cadeia produtiva no país. 
Por sua vez, uma cadeia de suprimentos (Supply chain - SC) pode fazer 
parte de uma ou de várias cadeias produtivas, dependendo das características de 
seus produtos finais. Ela sempre envolverá todas as atividades associadas com o 
movimento de bens, desde o estágio de matéria-prima até o usuário final. 
 
3.4 Cadeias de Valor e Cadeias de Suprimentos 
A expressão cadeia de valor (value chain) é frequentemente utilizada no 
contexto da SCM, algumas vezes de forma genérica e até mesmo confusa. A origem 
da expressão é atribuída ao trabalho de Porter (1985), que advogava que para se 
compreenderem os elementos-chave para uma vantagem competitiva devem-se 
 
 
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29 
 
analisar as várias atividades executadas na cadeia de valor de uma empresa e o 
modo como elas interagem. 
Essas atividades podem ser classificadas em atividades primárias e 
atividades de apoio. As atividades primárias são aquelas envolvidas na criação física 
do produto, na movimentação física, na venda, no serviço de pós-venda, etc. Cada 
empresa dará a essas atividades primárias uma importância relativa distinta, 
dependendo de como ela busca a vantagem competitiva. Por exemplo, uma 
empresa com estratégia de menor custo provavelmente terá uma configuração 
dessas atividades primárias diferente de outras que têm uma estratégia de 
diferenciação. Já as atividades de apoio são as que dão suporte às primárias e 
também a elas próprias. 
É importante destacar que o conceito de cadeia de valor proposto por Porter 
(1985) restringe-se aos limites internos de uma empresa. Segundo Porter (1985), 
valor refere-se ao que os clientes estão dispostos a pagar por aquilo que uma 
empresa lhes oferece, ou seja, é um conceito essencialmente relativo e usualmente 
ligado à questão da utilidade. Embora o conceito tenha origem e trajetória atrelada 
com a da própria humanidade, é justamente nas últimas décadas que sua 
determinação e mensuração têm caminhado fortemente no sentido do cliente final. 
Porter (1985) também descreve o que ele chama de “sistema de valores”, 
que compreende uma corrente de diversas cadeias (internas) de valores e visto a 
partir de um hipotético fornecedor e seus elos “corrente acima” e “corrente abaixo”. 
Essa representação é praticamente a mesma que hoje usamos para representar o 
conceito de cadeias de suprimentos (SC). Isso também explica por que alguns 
autores preferem definir uma SC como a somatória ou a integração de diversas 
cadeias de valor, ou seja, de diversas empresas. 
Podemos dizer que a SCM é claramente multifuncional e abrange interesses 
de diversas áreas tradicionais das empresas industriais. É uma expansão da gestão 
da produção; uma expansão do marketing; uma expansão de compras; uma filosofia 
gerencial ou ainda pode ser vista como um conjunto de processos de negócios 
gerenciais, envolvendo processos, tecnologias, iniciativas, sistemas, práticas, 
organização e pessoas. 
 
 
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UNIDADE 4 – MODELOS APLICADOS NA SCM 
 
Existem alguns modelos ou frameworks desenvolvidos e que podem servir 
como referência ou ponto de partida para diversas situações na área de gestão de 
suprimentos, visto que a SCM é um tema contemporâneo e tem sido abordada por 
diversas entidades do mundo acadêmico e empresarial. 
Seguindo o raciocínio de Pires (2012), vamos abordar um dos modelos que 
podem ser utilizados de forma complementar e como diz o autor para se evitar 
qualquer tipo de inconveniência com a criação de um eventual rótulo inadequado, 
será denominado genericamente de modelo ‘A’. 
Esse modelo refere-se ao trabalho desenvolvido no grupo de pesquisa sob a 
coordenação dos pesquisadores Douglas Lambert e Martha Cooper na Ohio State 
University nos EUA. O modelo enfatiza a natureza inter-relacional da SCM e a 
necessidade de se trabalhar através de várias etapas para conceber e gerenciar 
com sucesso uma Cadeia de Suprimentos (SC). 
A framework proposta consiste em três elementos bastante inter-
relacionados, que são a estrutura da SC (network structure), os processos de 
negócios da SC e os componentes gerenciais da SCM. De forma resumida, a 
estrutura consiste nas empresas membros da cadeia e suas interligações e os 
processos de negócios consistem nas atividades que produzem um específico 
output de valor para o cliente. Os componentes são as variáveis gerenciais através 
das quais os processos de negócios são integrados e administrados ao longo da SC. 
Os três elementos inter-relacionados estão representados abaixo e discutidos com 
mais detalhes a seguir. 
Os elementos do Modelo A 
Processos de negócios da SC (2) 
 
 
Componentes gerenciais Estrutura da SC (1) 
 da SCM (3) 
 
Fonte: Pires (2012, p. 68) adaptada de Lambert et al. (1998). 
 
 
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A questão principal, em se tratando da estrutura da SC é definir quem são os 
membros-chave da SC com os quais vamos integrar nossos processos. 
Sabemos que toda empresa participa de cadeias de suprimentos. O quanto 
essas cadeias precisam ser gerenciadas é uma questão que depende de fatores, 
como a complexidade dos produtos, a disponibilidade de fornecedores e de 
materiais, entre outros. As dimensões a considerar incluem o tamanho da SC e o 
número de fornecedores e de clientes em cada um de seus níveis (elos). 
Os autores do modelo argumentam que é muito raro uma empresa participar 
somente de uma SC, e para a maioria das empresas de manufatura, a SC se parece 
muito pouco com uma cadeia ou um pipeline, mas se parece mais com uma árvore 
na qual os ramos e as raízes podem representar, respectivamente, os clientes e os 
fornecedores. A questão a saber é quantos desses ramos e raízes necessitam ser 
gerenciados. Outro ponto importante é a definição do nível de relacionamento a ser 
construído junto às diversas empresas clientes e fornecedoras da SC. Isso significa 
que cada interligação (link) da empresa necessita de um tipo de relacionamento 
adequado e que contemple os objetivos e restrições colocados a ela. 
Uma questão básica que vamos tratar será a definição da configuração da 
SC, a qual contempla três aspectos estruturais: os membros da SC, as dimensões 
estruturais e os diferentes tipos de interligação de processos ao longo da SC. 
 
a) Identificando os membros da SC 
Um primeiro passo na configuração da SC é a definição de seus membros e 
a inclusão de todos os tipos de membros pode levar a uma situação de extrema 
complexidade que é desnecessária e pouco produtiva. 
A princípio, os membros de uma SC são todas as organizações com as 
quais a empresa focal interage direta ou indiretamente na direção montante e 
jusante, desde a fonte original de matéria-prima até o consumidor final. 
Esses membros podem então ser divididosem membros primários e 
membros suportes. 
 
 
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Como membros primários são consideradas todas as empresas que 
adicionam valor (operacional ou gerencial) nos processos de negócios concebidos 
para produzir um específico produto e/ou serviço para um determinado cliente ou 
mercado. 
Já os membros suportes são as empresas que providenciam conhecimento, 
facilidades ou recursos para os membros primários da SC, ou seja, suportam os 
membros primários. Assim, eles podem incluir, por exemplo, diversos tipos de 
companhias, como bancos que prestam serviços, companhias que fazem leasing de 
veículos, proprietários de armazéns que alugam espaço, companhias que 
providenciam mão de obra temporária, empresas que cuidam da segurança 
patrimonial, empresas que fornecem alimentação, entre outros. 
Uma empresa também pode desempenhar um papel de membro primário 
em um processo e de membro suporte em outro processo de uma SC. Por exemplo, 
uma empresa montadora (OEM) pode trabalhar muito próximo de um fornecedor de 
equipamento a ser utilizado em um novo produto. Assim, esse fornecedor é um 
membro primário do processo de desenvolver produto da montadora. Entretanto, 
logo que o equipamento entra em sua operação normal, o fornecedor passa a ser 
um membro suporte do processo produzir da montadora, ou seja, o equipamento por 
si próprio não acrescenta valor ao processo produzir. 
Essa distinção entre membros primários e de suporte não é sempre feita de 
forma fácil, mas pode ser um facilitador gerencial no sentido de identificar os 
elementos-chave da SC. De certa forma, essa classificação é similar ao que Porter 
(1985) chama de atividades primárias e suporte na cadeia de valor. 
Outra vantagem derivada da definição dos membros primários e dos 
membros suportes da SC é poder definir claramente o ponto de origem e o ponto de 
consumo de uma SC. No ponto de origem não existe nenhum membro fornecedor 
primário; há apenas membros fornecedores suportes. Já o ponto de consumo é 
onde nenhum valor adicional é acrescentado e o produto e/ou serviço é consumido. 
 
 
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b) Dimensões estruturais 
O modelo em questão considera que para descrever, analisar e gerenciar 
uma SC é necessário considerar três dimensões: a estrutura horizontal, a estrutura 
vertical e a posição horizontal da empresa focal. 
A estrutura horizontal refere-se ao número de níveis medido no sentido 
horizontal (tiers) da SC. Assim, as cadeias podem ser relativamente mais longas 
(como a de um automóvel) ou curtas (como as do cimento). 
A estrutura vertical diz respeito ao número de fornecedores ou clientes em 
cada um dos níveis identificados na estrutura horizontal. Assim, uma cadeia pode ter 
uma estrutura vertical larga ou estreita em cada um de seus níveis horizontais (tiers), 
ou seja, tendo muitos ou poucos fornecedores ou clientes em cada nível horizontal. 
A posição horizontal da empresa foco determina o quanto ela está 
posicionada mais próxima ou distante do ponto de origem ou do ponto de consumo 
da SC. 
No geral, tem-se que o processo de reestruturação e de consolidação das 
relações nas cadeias de suprimentos tem provocado alterações significativas nas 
dimensões estruturais das cadeias de suprimentos. Assim, quando uma empresa se 
move de uma estratégia de “múltiplos” fornecedores para outra de “únicos” ou 
“exclusivos”, a SC tende a tornar-se estreita. Processos decisórios comuns no 
cotidiano da SCM podem alterar a estrutura da SC e, consequentemente, mudar a 
posição horizontal da empresa focal dentro da SC. 
Há que se considerar também que, como, geralmente, uma empresa faz 
parte de diversas SCs, é importante identificar e entender seu papel e perspectivas 
de forma inter-relacionada e em cada uma dessas cadeias. 
 
c) Os processos de negócios da SC 
A questão principal levantada a saber é quais processos de negócios 
deveriam ser tratados conjuntamente ao longo da cadeia, tomados sob a perspectiva 
da empresa focal. 
 
 
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Uma efetiva SCM requer uma mudança para o modelo de gestão dos 
processos de negócios-chave da SC. Integrar e gerenciar uma SC exige um 
contínuo fluxo de informações, o qual pode colaborar muito para se criar um melhor 
fluxo (físico) de materiais. 
Considerando que o atendimento do cliente final é o foco principal da SCM, 
torna-se necessário o processamento de informações de forma precisa e no tempo 
certo para que se possa responder adequadamente às demandas desse cliente 
final. Muitas empresas já constataram que não têm como melhorar o fluxo dos 
materiais (produtos) sem implementar uma gestão por processos de negócios. 
Este modelo identifica oito processos de negócios-chave ao longo de uma 
SC, os quais estão descritos sucintamente a seguir, os quais serão de grande valia 
ao longo de sua atuação diante de áreas que envolvem clientes, suprimentos, 
relacionamentos, comercialização, fornecedores, enfim, serão muito úteis. 
 Gestão das Relações com os Clientes (Customer Relationship Management) 
É o processo que providencia a estrutura para o desenvolvimento e 
manutenção do relacionamento com os clientes. Geralmente são identificados os 
clientes chaves e os grupos de clientes para os quais são estabelecidas metas 
(targets). Também, equipes focadas nesses clientes trabalharão para melhorar 
processos, eliminar a variação da demanda e de atividades que não agregam valor 
aos clientes. Ao mesmo tempo, são concebidos relatórios para medir o retorno que 
cada um desses clientes chaves proporciona. 
 Gestão do Serviço ao Cliente (Customer Service Management) 
É o processo que mostra a face da empresa perante o cliente, provendo-o 
com informações em tempo real e prometendo datas de expedição e de 
disponibilidade de produtos via interligação direta dos clientes com áreas funcionais 
da empresa como manufatura e logística. Inclui também a assistência ao cliente em 
todos os estágios do atendimento, ou seja, desde o pré até a pós-venda. 
 Gestão da Demanda (Demand Management) 
É um processo de negócio chave para uma efetiva SCM e busca balancear 
as necessidades dos clientes com a capacidade da empresa fornecedora. 
 
 
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Atualmente, uma boa gestão da demanda usa dados dos pontos de venda e 
dos clientes chaves para reduzir incertezas e providenciar um efetivo fluxo de 
material ao longo da SC. O objetivo maior é gerenciar a demanda e os estoques de 
forma integrada em todos os elos chaves da SC. 
 Atendimento dos Pedidos (Order Fulfillment) 
É outro processo de negócio chave da SCM que visa atender às crescentes 
necessidades dos clientes em diversas dimensões (quantidade, prazo, qualidade, 
etc.) expressas em seus pedidos. Sua realização efetiva requer a integração de 
atividades entre diversas áreas das empresas, bem comoo desenvolvimento de 
parcerias com membros-chave da SC (como fornecedores, distribuidores e 
operadores logísticos). O objetivo maior é proporcionar um atendimento do pedido 
da forma mais efetiva possível. Para tal, todo o conhecimento atual da SCM torna-se 
peça fundamental. 
 Gestão do Fluxo de Manufatura (Manufacturing Flow Management) 
Tradicionalmente, as empresas que produzem para estoque (make-to-stock) 
o fazem com base em previsões de vendas (mediante dados históricos) e 
“empurram” seus produtos aos canais de distribuição. Comumente, verifica-se 
depois no momento da venda que se produziu um mix e/ou volume além ou aquém 
da real demanda, o que gerou um excesso de estoques, de processos logísticos e 
de custos produtivos no geral. 
Os autores do modelo argumentam que a SCM busca sempre “puxar” a 
demanda com base nas necessidades dos clientes e para tal a flexibilidade 
produtiva é essencial. Na realidade, tal consideração traz uma boa dose de 
simplificação, visto que a decisão de produzir para estoque ou sob pedido (make-to-
order) na grande maioria das vezes foge do controle da empresa e recai no padrão 
estabelecido pelo mercado. 
 Gestão das Relações com os Fornecedores (Supplier Relationship 
Management) 
É o processo que define como a empresa interage com seus fornecedores e 
pode ser considerada como uma “imagem espelho” da gestão das relações com os 
 
 
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clientes. Assim, a empresa deve desenvolver parcerias com os fornecedores chaves 
com o intuito de suportar processos de negócios como os de gestão do fluxo de 
manufatura e desenvolvimento do produto e comercialização. 
Geralmente, os fornecedores são classificados com base em fatores como 
grau de contribuição e de importância para a empresa e as parcerias de longo prazo 
são desenvolvidas apenas com um seleto grupo dentre eles. O objetivo é construir 
relações ganha-ganha e envolver os fornecedores chaves desde a fase inicial de 
concepção dos produtos. 
 Desenvolvimento do Produto e Comercialização (Product Development and 
Commercialization) 
É o processo que trata do trabalho conjunto entre clientes e fornecedores 
com o intuito principal de reduzir o tempo de lançamento do produto (time-to- 
market). Como os ciclos de vida dos produtos têm diminuído, o desenvolvimento e o 
lançamento de novos produtos em períodos cada vez menores se torna um 
imperativo para se manter competitivo. Esse processo tem também uma interface 
grande com outros processos, como para identificar as necessidades dos clientes 
(gestão das relações com os clientes), para selecionar materiais e fornecedores 
(gestão das relações com os fornecedores) e para desenvolver tecnologia de 
produção (gestão do fluxo de manufatura). 
 Gestão dos Retornos (Returns Management) 
É o processo que trata dos fluxos de retornos de materiais e produtos no 
geral. É também o único processo entre os oito do modelo apresentado com sentido 
do fluxo na direção do fornecedor original (montante). Em muitos mercados, esse 
processo já se constitui em um importante elemento dentro do escopo da SCM e 
também em uma potencial fonte de vantagem competitiva. 
A perspectiva é que no médio prazo ela vai tornar-se meramente uma 
necessidade competitiva. Em muitos países industrializados, esse processo já sofre 
uma grande e crescente influência das questões legais ligadas ao respeito e não-
agressão ao meio ambiente. 
 
 
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Segundo análises de Pires (2012), no geral, podem-se considerar os oito 
processos de negócios propostos pelo modelo como um bom referencial genérico, 
um bom ponto de partida para trabalhos reais ou mesmo acadêmicos na área. Não 
obstante a excelente contribuição dos autores, há de se ressaltar a nítida influência 
de “suas escolas” na definição dos oito processos propostos. São propostos dois 
processos distintos para se tratar das relações com os clientes, o que poderia ser 
resumido em um único processo se fosse seguida a mesma lógica utilizada na 
definição dos outros processos. Mas, mesmo com os dois processos para tratar das 
relações com os clientes, o fundamental processo de comercialização é apenas 
citado junto com o processo de desenvolvimento do produto. O processo rotulado de 
gestão do fluxo de manufatura é apresentado também de forma relativamente 
simplista, assim como a gestão das relações com os fornecedores que não 
contempla muito de suas facetas e abrangência atual. 
Os autores também ressaltam que os processos de negócios da SCM 
podem ser classificados em quatro tipos que refletem a forma de gestão designada a 
eles. 
 
Tipos de gestão aplicados aos processos de negócios 
Conforme já ressaltado, a lógica de se gerenciar uma SC em sua totalidade 
remete-nos a um modelo bem mais complexo do que o de gerenciar apenas uma 
empresa. Entretanto, os recursos disponíveis para se executar tal gestão continuam 
praticamente os mesmos ou, muitas vezes, estão sendo reduzidos gradativamente. 
Torna-se então importante que a empresa focal realize uma classificação de seus 
processos de negócios de tal forma que se determinem “políticas” para a gestão 
deles. De certa forma, tal procedimento é similar, em termos de motivação e gestão, 
aos adotados na implementação da tradicional classificação ABC há muito tempo 
utilizada na gestão de materiais. 
O modelo sendo descrito usa como base para proceder a tal classificação o 
tipo de relação de trabalho que a empresa focal pretende ter com cada elo 
(empresa) da SC. 
 
 
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São definidos quatro tipos de gestão a serem aplicados na gestão dos 
processos de negócios: 
I. Processos gerenciados: os processos de negócios conduzidos com um 
conjunto chave de empresas ao longo da SC serão tratados e gerenciados de 
forma integrada. 
II. Processos monitorados: não são tão críticos para a empresa focal quanto os 
processos gerenciados, mas é importante que eles estejam integrados e 
constantemente monitorados. 
III. Processos não gerenciados: os processos não gerenciados são aqueles que 
a empresa focal decide por não se envolver em sua gestão porque não são 
considerados críticos nem para serem monitorados. 
IV. Processos de não-membros: são aqueles que envolvem os membros da SC 
da empresa focal e os não-membros dessa SC. Portanto, esses não-
membros não são considerados parte da SC da empresa focal, mas eles 
podem afetar o desempenho deles (empresa focal e sua SC). Sabemos que, 
de fato, muitas vezes uma SC é influenciada por uma decisão oriunda em 
outra SC a ela conectada. Por exemplo, uma decisão tomada por um 
concorrente da empresa focal pode provocar turbulências em um fornecedor 
comum às duas SCs com reflexos diretos no cotidiano da empresa focal. 
No geral, a classificação dos tipos de gestão sugerida pelo modelo pode ser 
muito útil à empresa focal quando da reestruturação e consolidação de suas 
relações na SC. Trata-se de uma interessante contribuição. O único ponto a ser 
considerado é a dificuldade, ou inviabilidade, de se estabelecer um padrãoúnico 
(entre os quatro sugeridos) para a gestão de processos entre as empresas da SC, 
conforme sugere o modelo. A empresa focal poderia, por exemplo, optar por 
gerenciar um processo e por apenas monitorar outro com um de seus fornecedores 
ou clientes. 
 
 
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UNIDADE 5 – GESTÃO DA DEMANDA NA CADEIA DE 
SUPRIMENTOS 
 
A gestão da demanda ao longo da SC é um tema emergente e merece ser 
melhor analisado, portanto, vamos discutir algumas de suas implicações e relatar um 
pouco sobre os sistemas atualmente disponíveis para suportar sua execução. 
Um ponto notável nesse contexto da SCM é que alguns pesquisadores que 
trabalham na área preferem ou constantemente estão se referindo ao tema 
utilizando a expressão Gestão da Cadeia de Demanda ou Gestão da Demanda na 
Cadeia de Suprimentos (Demand Chain Management – DCM). A DCM pode ser 
definida como o processo que gerencia e coordena a SC em seu sentido montante, 
ou seja, desde o consumidor final até os fornecedores (VOLLMANN et al., 2000 
apud PIRES, 2012). Assim, a partir do disparo da demanda por parte do consumidor 
final, o produto (e/ou serviço) é puxado até o fornecedor inicial da SC. 
Embora o termo DCM possa ser considerado recente e relativamente pouco 
usado, seus benefícios podem ser positivos. A questão é que uma adequada DCM 
requer uma integração extensiva no fluxo de informações entre os elementos da 
cadeia, bem como uma adequada resposta ao tradicional trade-off existente entre os 
custos, a abrangência, o conteúdo e o tempo de atualização das informações 
transacionadas. Mesmo tecnologias de informação relativamente recentes, como o 
EDI (troca eletrônica de informações entre empresas ou Electronic Data Interchange 
e Internet), ainda não resolveram satisfatoriamente essa questão. Mas fica cada vez 
mais claro que, com a expansão da Internet, praticamente todos esses trade-offs 
tendem a ser minimizados. Isso é reforçado por diversos autores que advogam que 
a Internet tende a resolver efetivamente os grandes trade-offs da DCM e a permitir a 
necessária integração entre os elementos de uma SC, uma vez que pode 
disponibilizar em tempo real dados de demanda e estoques ao longo da SC. 
Assim, tecnologias baseadas na Web estão se tornando fundamentais para 
a execução de processos básicos de uma SC como a previsão de vendas 
(forecasting), planejamento, programação da produção (scheduling) e execução. Em 
termos de resultado esperado, a lógica é ter-se a informação de demanda 
 
 
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tramitando do ponto-de-venda ao fornecedor de matéria-prima básica (primeiro elo 
da cadeia) de forma instantânea. 
Isso deve viabilizar um rápido e preciso atendimento em termos de produtos 
e serviços. Em outras palavras, o que se busca é integrar de forma rápida e precisa 
o fluxo de informações no sentido montante (mercado-fornecedores) tal que 
possamos balancear da melhor forma possível a demanda e o suprimento ao longo 
de toda SC. Em termos da realidade atual mundial, o que sabemos é que a DCM 
ainda tem várias questões não satisfatoriamente respondidas quanto a seu uso e 
práticas. 
Bowersox e Closs (2001) argumentam que ainda sabemos pouco acerca das 
diferentes necessidades de provedores de produtos (manufatura) e serviços em uma 
DCM e ainda temos um fraco conhecimento sobre a integração ao longo da SC com 
base exclusivamente na Internet. Esses autores lembram também que, embora há 
muito tempo seja teoricamente possível uma maior integração de clientes e 
fornecedores ao longo da SC, somente recentemente, com a expansão da Internet, 
ela tem-se viabilizado de fato. Sem a Internet, informações de demanda em tempo 
real e visibilidade dos estoques eram praticamente impossíveis de obter e os 
procedimentos de “integração” ficavam geralmente restritos ao telefone, fax ou EDI. 
Cabe aqui salientar que, desde seu surgimento, o EDI representou grande avanço 
nesse sentido, mas sem a enorme potencialidade da Internet no tocante à 
integração na SC em processos como planejamento de estoques, previsão de 
demanda, programação de ordens, gestão das relações com clientes e realização 
dos objetivos de marketing, entre outros. 
 
5.1 Gestão da demanda na manufatura e em serviços 
A Gestão da Cadeia de Demanda (DCM) também nos remonta a uma 
discussão básica acerca de sua aplicabilidade em uma área de serviço pura, ou 
seja, uma área que não esteja inserida em uma SC da área de manufatura. 
Pires (2012) questiona que sabemos que a DCM é importante no caso de 
prestadores de serviços logísticos, mas, e quanto ao caso de um prestador de 
serviço bancário, de serviços médicos ou de turismo? 
 
 
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Quando falamos em SCM, automaticamente associamos sua aplicabilidade 
mais visível no setor de manufatura, no qual a ideia de suprimento nos leva a pensar 
no sentido da movimentação física que ocorre a jusante na SC. 
Para realizarmos então de forma satisfatória essa movimentação física, 
precisamos conhecer minimamente a informação de demanda que ocorre no sentido 
montante da SC, ou seja, precisamos realizar a DCM. Por sua vez, sabemos que, 
em tese, uma área de serviço pura não precisa de uma SCM convencional, mas 
precisa da informação de demanda. Ela precisaria então executar uma DCM nos 
mesmos moldes da manufatura? Como há cada vez mais empresas oferecendo um 
menu composto de produtos e serviços ao mercado e as best practices de ambos os 
setores têm sido constantemente exportadas para o outro, há, consequentemente, 
uma dificuldade em definir padrões de SCM e DCM que sejam exclusivos para cada 
um dos setores. Mas o que devemos realmente rotular de manufatura e de serviço? 
De acordo com a definição da Standard Industry Classification (SIC) da 
Inglaterra, a indústria de manufatura envolve a transformação mecânica ou química 
de materiais ou substâncias em novos produtos, enquanto a indústria de serviços 
envolve grande variedade de serviços para indivíduos, negócios, governos e outras 
organizações. Fatores como (1) extensiva participação dos clientes, (2) 
intangibilidade (não pode ser contado, tocado), (3) impossibilidade de separação da 
produção com o consumo (alta perecibilidade), (4) heterogeneidade e (5) uso 
intenso da mão de obra são características comumente atribuídas ao setor de 
serviços. Consequentemente, essas características acabam acarretando ao setor de 
serviços (1) aumento da complexidade, (2) maior dificuldade de controle, (3) maior 
dificuldade na gestão da capacidade, (4) maior facilidade de diferenciação pelo 
cliente e (5) maior dificuldade para padronizar processos e aumentar a produtividade 
via inovação tecnológica. 
Harland (1997 apud PIRES, 2012) também destaca algumas diferenças 
básicas entre os setores de manufatura e de serviço como: 
 tangibilidade – geralmente é muito maior na manufatura, o que cria uma 
dificuldade maior na avaliação de valor de um serviço do que de um produto; 
 
 
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 característica do trabalho – a manufatura geralmente se baseia no uso de 
máquinas e equipamentos, enquanto o serviço baseia-se no uso intensivo de 
mão de obra; 
 contatos durante o trabalho – na manufatura geralmente são maiores com os 
materiais no geral, enquanto no serviço são maiores com os clientes; 
 potencial de lucro – geralmente é maior no serviço, em decorrência 
principalmente da maior dificuldade de avaliação de valor por parte dos 
clientes. Já os produtos tendem a virar commodities mais facilmente. 
Recentemente, motivados principalmente pela possibilidade de que 
manufatura e serviços tenham diferentes necessidades no tocante a implementação 
da DCM, Frohlich e Westbrook (2002 apud PIRES, 2012) conduziram um 
levantamento de dados (survey) durante os anos de 2000 e 2001 com 471 
representativas empresas da área de manufatura (179) e de serviços (292) do Reino 
Unido e avaliaram quantitativamente (via testes de correlações) diversas hipóteses 
referentes à integração da demanda e suprimentos para ambos os setores. Para tal, 
eles definiram quatro possíveis estratégias de integração, com base no uso da 
Internet e conforme ilustra a figura abaixo. Nela, os elos em destaque representam 
aqueles em que ocorre a integração via Web. 
Quatro possíveis estratégias de integração de demanda e suprimento com 
base na Internet. 
 
Fonte: Pires (2012 adaptada de Frohlich e Westbrook, 2002). 
Os dados levantados foram então classificados de acordo com a figura 
anterior e estão apresentados na Tabela abaixo. 
 
 
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43 
 
Classificação dos dados levantados 
Estratégia de 
integração 
Quantidade % Quantidade % Quantidade % 
Modelo A – baixa 
integração 
73 41 225 77 298 63 
Modelo B – 
integração de 
suprimentos 
36 20 0 0 36 8 
Modelo C – 
integração de 
demanda 
52 29 66 23 118 25 
Modelo D – 
integração na cadeia 
de demanda 
18 10 1 0 19 4 
Total 179 100 292 100 471 100 
Fonte: Pires (2012 adaptada de Frohlich e Westbrook, 2002) 
 
Os números mostram um claro nível de integração maior para a área de 
manufatura, e que a única empresa na área de serviço identificada no modelo D era 
exatamente uma grande empresa de transporte e distribuição. 
Com base então nos dados levantados na pesquisa, os autores formulam 
três hipóteses básicas que serão avaliadas pelos dados levantados empiricamente. 
Elas consideram que empresas de manufatura e de serviços que adotam 
uma DCM via Web, conforme ilustrado, devem apresentar: 
 hipótese 1a – alto desempenho operacional no caso da estratégia D; 
 hipótese 1b – médios níveis de desempenho no caso das estratégias B e C; 
 hipótese 1c – baixos níveis de desempenho no caso da estratégia A. 
A pesquisa também considera três outros fatores que têm influenciado o 
crescimento da DCM via Web e formula três outras hipóteses: 
 hipótese 2ª – o acesso a novos mercados incentiva e dirige a expansão da 
DCM via Web, ou seja, a DCM passa a ser uma poderosa ferramenta na 
busca de vantagens competitivas, como, por exemplo, fez a Dell 
Computadores na década de 1990; 
 
 
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 hipótese 2b – a antecipação de benefícios dirige a adoção da DCM via Web, 
ou seja, uma melhor coordenação reduz as incertezas ao longo da SC, 
proporcionando redução nos níveis, variedade dos estoques e atividades que 
não agregam valor ao produto. A DCM aplicada em conjunto com práticas de 
Postponement foi a grande responsável pela drástica redução dos estoques 
na produção de impressoras realizada pela Hewlett-Packard na primeira 
metade da década de 1990; 
 hipótese 2c – apesar de sua aparente utilidade, a adoção de DCM via web 
pode ser estimulada por pressões externas na linha do chamado efeito 
bandwagon, ou seja, o processo de adoção da nova tecnologia ou prática é 
causado muito mais pelo fato de que grande número de empresas a está 
implementando e não devido ao fato da necessidade detectada de forma 
racional e comprovada. 
Em termos de resultado, praticamente todas as hipóteses foram 
comprovadas, com maior ou menor intensidade, no caso da manufatura. Nem todas, 
porém, puderam ser devidamente comprovadas para o caso do setor de serviços. 
No geral, os dados mostram que o efeito da integração na DCM foi maior na área de 
manufatura que no de serviço. Tal fato poderia ser explicado por fatos como: 
 em termos de DCM a área de serviço poderia estar de fato defasada e 
atrasada com relação à manufatura, a qual tem implementado práticas como 
o Just in time desde a década de 1980; 
 a amostra pesquisada continha um número relativamente pequeno de 
empresas de serviço atuando no ramo do varejo ou distribuição (como Wal-
Mart e Tesco), no qual as práticas de DCM são reconhecidamente as mais 
atualizadas da área; 
 a DCM poderia não ser de fato um grande problema na área de serviço como 
é na área de manufatura. Se os níveis de estoque tendem a crescer no 
sentido da propagação da demanda (montante) da SC, fica a dúvida se o 
chamado “efeito chicote” existiria realmente na área de serviço pura, visto 
que, a princípio, um serviço não pode ser “estocado” fisicamente. 
 
 
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Sabemos que na manufatura os materiais geralmente representam algo em 
torno de 60% dos custos de produção, enquanto a mão de obra geralmente 
representa algo em torno de 15%. Assim, muitas das economias advêm da redução 
de custos logísticos (estoques e transporte) e a divisão de informações de demanda 
em tempo real tem um papel positivo claramente percebível (PIRES, 2012). 
Já na área de serviços, os valores dos componentes de custo apresentam- 
se geralmente numa razão contrária à da manufatura, envolvendo muito mais 
habilidades humanas que o fluxo de material. Entretanto, para atender à demanda, o 
provedor de serviço precisa ter suficiente capacidade para o momento em que os 
clientes solicitam o serviço. Aparentemente, a integração no sentido jusante parece 
ter uma atenção maior do que no sentido montante em uma SC na área de serviço. 
Resta então a certeza de que a importância da DCM na área de serviço precisa 
ainda ser mais bem estudada e avaliada. 
 
5.2 Incerteza da demanda na SCM 
A incerteza da demanda e a natureza dos problemas de previsão da 
demanda (forecasting) têm um impacto considerável na estrutura e na SCM. 
Alguns autores argumentam que a primeira etapa para se obter uma efetiva 
SC é considerar a natureza da demanda dos produtos. Fisher (1997 apud PIRES, 
2012) argumenta que apesar do estágio atual da TIC, muitas SCs ainda apresentam 
resultados aquém do esperado em termos de desempenho. Como motivos principais 
são apontadas as relações conflituosas entre os elos da cadeia, bem como a não-
consideração da natureza da demanda dos produtos. O autor propõe então uma 
classificação dos produtos, com base nos padrões da demanda, em duas categorias 
básicas: funcional e inovadora.Assim, cada categoria requereria um tipo diferente 
de SC. 
No caso dos produtos funcionais, a demanda tende a ser mais estável e 
previsível e os ciclos de vida dos produtos, mais longos. Essa estabilidade na 
demanda permite um foco maior na redução dos custos associados ao fluxo físico 
de materiais e na adição de valor ao produto através dos processos produtivos ao 
 
 
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46 
 
longo da SC. Entretanto, esses produtos funcionais geralmente apresentam 
margens de lucro baixas devido às forças competitivas envolvidas. 
No caso dos produtos inovadores, a demanda tende a ser instável e 
imprevisível, os ciclos de vida mais curtos e as margens de lucro relativamente mais 
altas. A instabilidade da demanda cria uma necessidade que Fisher (1997) chama 
de mediação de market (market mediation), ou seja, a criação de um mecanismo 
que garanta que a SC atenda de fato à demanda do mercado. 
Assim, com suas margens de lucro maiores e demandas mais voláteis, os 
produtos inovadores requerem uma SC distinta da dos produtos funcionalmente 
estáveis e com pequenas margens de lucro. Fornecedores, por exemplo, tendem a 
ser escolhidos mais em função de seus desempenhos em termos de velocidade de 
entrega e flexibilidade de atendimento do que em função de seu baixo custo de 
produção. Nesse caso também, como as incertezas sobre a demanda tendem a ser 
bem maiores, naturalmente existe uma dificuldade maior na DCM. Fisher (1997) 
também lista algumas diferenças básicas na demanda entre os produtos funcionais 
e os inovadores, conforme ilustra a tabela abaixo. 
 
Diferenças na demanda entre produtos funcionais e inovadores 
Aspectos da demanda Produtos funcionais Produtos inovadores 
Demanda típica previsível imprevisível 
Ciclo de vida do produto Maior que dois anos De 3 meses a 1 ano 
Margem de contribuição 5% a 20% 20% a 60% 
Variedade de produtos Baixa Muito alta 
Margem de erro média na 
previsão comparativamente a 
produção 
10% 40% a 100% 
Falta de estoque (média) 1% a 2% 10% a 40% 
Lead time para produtos 
make-to-order 
6 meses a 1 ano 1 dia a 2 semanas 
 
 
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Fisher (1997) insiste no fato de que a causa raiz de muitos problemas de 
gestão de demanda em muitas SCs é exatamente a confusão de abordagens no 
tratamento de cada um desses dois tipos de produtos. Em suma, produtos 
funcionais requerem um processo produtivo eficiente, enquanto produtos inovadores 
requerem um processo produtivo mais responsivo. 
Em muitos elos de uma SC muitas vezes ainda é necessária uma atenção 
especial com a racionalização do processo produtivo, em face das restrições 
tecnológicas, longos setups, alto custo operacional dos equipamentos, etc. 
No geral, o trabalho de Fisher (1997) é bastante citado e ainda muito útil, 
pois deixa bem claro que não existe uma “receita única” para uma efetiva SCM, ou 
seja, o que existem são regras e práticas gerais (muitas vezes muito próximas 
apenas do bom-senso) que precisam ser analisadas e ajustadas a cada caso 
específico. 
Mais recentemente, Troque (2003) apresentou um interessante modelo 
conceitual para estudar a influência das práticas de SCM no processo de Gestão da 
Demanda (GD). Para tal, trabalha-se com um modelo tridimensional no qual, no 
primeiro eixo estão listadas várias práticas e iniciativas atuais da SCM. Em um 
segundo eixo, trabalha-se com cinco subprocessos da GD que são: 
a) A análise do ambiente competitivo. 
b) O dimensionamento do mercado. 
c) O Planejamento de Vendas e de Produção. 
d) O Programa Mestre de Produção. 
e) A Gestão da Capacidade. 
Em um terceiro e último eixo, trabalha-se com cinco focos de melhoria que 
são: 
a) A ampliação do nível de previsibilidade ao longo da cadeia de suprimentos. 
b) A criação de vantagens competitivas através da elevação do valor agregado 
dos produtos e serviços. 
c) A racionalização dos processos de suprimentos. 
 
 
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d) A racionalização dos processos produtivos. 
e) A redução dos inventários e a melhoria nas respostas às demandas. 
O estudo, embora ainda limitado ao âmbito conceitual, mostra que a questão 
ainda é relativamente pouco explorada. 
 
 
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UNIDADE 6 – O MÉTODO DOS 3 As – AGILIDADE, 
ADAPTABILIDADE E ALINHAMENTO 
 
Segundo Lee (2008), a construção de uma cadeia de suprimentos forte é 
essencial para o sucesso dos negócios. Mas quando chega o momento de atualizar 
suas cadeias de suprimentos, poucas empresas adotam a abordagem correta. 
Muitas organizações trabalham no intuito de torná-las mais ágeis e com uma boa 
relação custo-benefício, acreditando que isso seja a chave para a obtenção de 
vantagem competitiva. Muito pelo contrário. As cadeias de suprimentos que se 
concentram em velocidade e custos tendem a se deteriorar com o tempo. 
O autor passou 15 anos estudando mais de 60 empresas para obter maior 
compreensão desse e de outros dilemas relacionados a cadeias de suprimentos. 
Sua conclusão: somente as empresas que constroem cadeias de suprimentos 
ágeis, adaptáveis e alinhadas conseguem obter alguma vantagem sobre suas 
concorrentes. Todos esses três componentes são essenciais. A ausência de 
qualquer um deles leva as cadeias de suprimentos a se desmantelarem. 
Grandes empresas criam cadeias de suprimentos capazes de reagir a 
mudanças abruptas do mercado. Agilidade é um fator crítico porque, na maioria dos 
setores, tanto a oferta quanto a demanda flutuam rápida e generalizadamente. As 
cadeias de suprimentos típicas se ajustam equilibrando rapidez e custos, mas as 
mais ágeis respondem tanto com rapidez quanto com a melhor relação 
custo/benefício. 
Grandes empresas também adaptam seus networks de fornecedores 
quando ocorrem mudanças de mercado ou de estratégias. As melhores cadeias de 
suprimentos permitem que os gerentes identifiquem mudanças estruturais ainda em 
seu começo, mediante o registro dos dados mais recentes, da filtragem de ruídos e 
do monitoramento de padrões críticos. 
Finalmente, as grandes empresas alinham os interesses de seus parceiros 
na cadeia de suprimentos com os seus próprios. Isso é muito importante porque 
qualquer empresa se preocupa unicamente com os próprios interesses. Se seus 
 
 
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objetivos estiverem fora de alinhamento com os de seus parceiros na cadeia de 
suprimentos, o desempenho cairá. 
Quando as empresas ouvem falar da cadeia de suprimentos dos três ‘As’, 
partem do princípio que sua construção demandará mais tecnologia e investimentos. 
Contudo, a maioria das empresas já dispõe de toda a infraestrutura necessáriapara 
sua implementação. 
Na pesquisa de Lee, a primeira conclusão é que a simples adoção de uma 
nova atitude poderá fazer muita coisa acontecer. Para ele as cadeias de 
suprimentos de desempenho superior têm três qualidades bem distintas citadas 
acima. Em primeiro lugar, elas são ágeis. Reagem com rapidez a mudanças bruscas 
de demanda ou suprimento. Segundo, elas se adaptam com o tempo à medida que 
as estruturas de mercado e estratégias evoluem. Terceiro, elas alinham os 
interesses de todas as empresas do network de suprimentos de forma que cada 
uma otimize o desempenho da cadeia enquanto maximiza seus interesses. Somente 
cadeias de suprimentos ágeis, adaptáveis e alinhadas são capazes de oferecer às 
empresas vantagens competitivas sustentáveis. 
No entanto, vamos analisar os perigos da eficiência, fazendo o seguinte 
questionamento: Por que cadeias de suprimentos eficientes muitas vezes não são 
capazes de entregar a mercadoria? Por diversas razões. Cadeias de suprimentos de 
alta velocidade e de baixo custo são incapazes de responder a mudanças 
inesperadas de demanda ou de suprimento. 
Muitas empresas centralizam suas instalações de fabricação e de 
distribuição para gerar economias de escala e elas apenas entregam remessas de 
contêineres de produtos a clientes para minimizar o tempo de transporte, os custos 
de frete e o número de remessas. Quando a demanda por determinada marca, 
tamanho de embalagem ou variedade aumenta sem aviso, essas organizações são 
incapazes de reagir, mesmo que tenham os itens em estoque. 
Em seus estudos, Lee observou duas situações interessantes: 
a) Certa empresa tinha no depósito a mercadoria exigida, estava pronta e 
empacotada para ser despachada, mas não podia ser remetida até que o contêiner 
 
 
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estivesse cheio. A “melhor” prática atrasava as remessas por uma semana ou mais, 
forçando as lojas que estavam sem estoque a recusar clientes. 
b) Há situações em que as empresas anunciam promoções de produtos, há 
aumento médio de 15% de pontos de venda com falta de estoque, mesmo quando 
os executivos preparam cadeias de suprimentos para lidar com flutuações da 
demanda. 
Quando os fabricantes eventualmente entregam mercadoria adicional, isso 
resulta em excesso de estoque porque a maioria dos distribuidores não necessita de 
um contêiner inteiro para atender ao aumento da demanda. Para se verem livres do 
excesso de estoque, as empresas são obrigadas a fazer liquidações daqueles 
produtos antes do que haviam planejado. Isso ocorre porque as lojas de 
departamento vendem até um terço de suas mercadorias com desconto. Essas 
reduções de preço não apenas reduzem os lucros das empresas, mas também 
desgastam o valor de marca (brand equity) e enfurecem os clientes fiéis que 
compraram os itens pelo preço integral no passado recente. 
A obsessão das empresas com velocidade e custos também provoca o 
desmantelamento da cadeia de suprimentos durante o lançamento de novos 
produtos. Há alguns anos, o mesmo autor estudou uma conhecida empresa de 
produtos eletrônicos que decidiu não montar um estoque regulador antes do 
lançamento de um produto novo e inovador porque desejava manter os custos 
baixos, particularmente em virtude de não ter sido capaz de fazer uma previsão 
exata da demanda. Quando, após o lançamento do aparelho, a demanda subiu e 
depois caiu repentinamente, a empresa pressionou seus fornecedores a 
aumentarem a produção e, em seguida, diminuí-la. Quando, depois de algumas 
semanas, a demanda voltou a crescer, os executivos, mais uma vez, encorajaram 
entusiasticamente seus fornecedores a aumentarem novamente a produção. Cinco 
dias mais tarde, os estoques do novo produto estavam esgotados, como se alguém 
tivesse fechado a torneira. 
Chocada, a gigante da indústria eletrônica veio a descobrir que os 
fornecedores haviam estado tão ocupados naquele aumenta-e-diminui da produção 
que não haviam tido tempo de corrigir as falhas existentes tanto na fabricação de 
 
 
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componentes quanto na linha de montagem dos produtos. Quando os fornecedores 
tentaram aumentar a produção pela segunda vez, os itens defeituosos subiram a um 
nível inaceitável, o que levou alguns fornecedores – inclusive a montadora principal 
– a parar suas linhas de produção por mais de uma semana. Quando finalmente os 
fornecedores conseguiram resolver os problemas e reiniciar a produção, a inovação 
já estava praticamente liquidada. 
Se a empresa de eletrônicos tivesse fornecido a seus fornecedores uma 
programação de fabricação consistente e maior que a necessária até que a 
manufatura e a demanda se estabilizassem, teria tido custos iniciais de estoque 
mais altos, mas o produto ainda estaria nas prateleiras. 
Cadeias de suprimentos eficientes geralmente deixam de ser competitivas 
porque não se adaptam às mudanças estruturais de mercado. 
Mais um case vem dos estudos de Lee, como o caso da divisão de Sistemas 
de Comutadores Eletrônicos da Lucent, que montou uma cadeia de suprimentos 
rápida e com ótima relação custo-benefício no fim dos anos 80, mediante a 
centralização, em Oklahoma City, da aquisição (procurement), montagem e testes e 
preenchimento de pedidos de componentes. 
A cadeia de suprimentos funcionou brilhantemente enquanto a maior parte 
da demanda por comutadores digitais se originava das Américas e enquanto os 
fornecedores da Lucent se localizavam principalmente nos Estados Unidos. 
Entretanto, nos anos 90, quando a Ásia se transformou no mercado de crescimento 
mais acelerado do mundo, os tempos de resposta da empresa aumentaram porque 
não havia instalações industriais naquela região. Além disso, a Lucent não 
conseguia customizar comutadores ou promover modificações em função do longo 
tempo e dos altos custos necessários para que a cadeia de suprimentos fosse capaz 
de fazer essas coisas em outro continente. 
Os problemas da Lucent aumentaram quando seus fornecedores 
transferiram suas fábricas dos Estados Unidos para a Ásia com o intuito de se 
beneficiar dos custos de mão de obra mais baixos. “Tínhamos de mandar trazer 
componentes de avião da Ásia para Oklahoma City e enviá-las de volta como 
produtos acabados. Isso era caro e consumia tempo”, disse-lhe o então gerente de 
 
 
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produção da Lucent. Com ironia, acrescentou: “Nem os componentes nem o 
produtos se beneficiavam dos programas de milhagem das empresas aéreas.” 
Somente quando a Lucent redesenhou sua cadeia de suprimentos, em 1996, 
montando joint-ventures em Taiwan e China, para a montagem de comutadores 
digitais, conseguiu ganhar terreno na Ásia. 
Em muitos outros casos, a conclusão foi a mesma: cadeias de suprimentos 
precisam ser eficientes, mas isso não é o bastante para assegurar que as empresas 
se saiam melhor do que suas concorrentes. 
Somente as empresas que construíram cadeias de suprimentos ágeis, 
adaptáveis e alinhadas ganham vantagem em relação à concorrência. Não adianta 
apenas duas dessas dimensões sozinhas. 
 
Vale guardar...1) Agilidade: 
Tem como objetivo responder a mudança de curto prazo da demanda ou da 
oferta rapidamente; lidar com distúrbios externos de forma calma. 
Métodos a serem utilizados: 
 promover um fluxo de informações entre fornecedores e clientes; 
 desenvolver relacionamentos colaborativos com fornecedores; 
 planejar os adiamentos; 
 criar estoques de segurança mantendo estoques adicionais de componentes 
baratos, mas críticos; 
 ter um parceiro ou sistema de logística confiável; 
 preparar planos de contingência e desenvolver equipes de gerenciamento de 
crises. 
 
 
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2) Adaptabilidade: 
Tem como objetivo ajustar o design da cadeia de suprimentos para atender 
as mudanças estruturais em mercados; modificar o network de suprimentos segundo 
estratégias, produtos e tecnologias. 
Métodos a serem utilizados: 
 monitorar as economias do mundo para identificar novas bases de suprimento 
e mercados; 
 usar intermediários para desenvolver novos fornecedores e infraestrutura de 
logística; 
 avaliar as necessidades dos consumidores finais e não apenas dos 
consumidores imediatos; 
 criar designs de produtos flexíveis; 
 determinar onde se situam os produtos da empresa em termos de ciclo 
tecnológico e de ciclo de vida. 
 
3) Alinhamento 
Tem como objetivo criar incentivos para um desempenho melhor. 
Métodos a serem utilizados: 
 trocar informações e conhecimento livremente com fornecedores e clientes; 
 determinar claramente os papéis e as responsabilidades dos fornecedores e 
clientes; 
 compartilhar de maneira equitativa os riscos, custos e ganhos das iniciativas 
de melhoria. 
 
 
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 Case: 
A importância de ser ágil 
Mesmo que a cadeia seja adaptável e alinhada não ignore a agilidade! 
Em 1995, a Hewlett-Packard se juntou à Canon para criar o design e lançar 
no mercado impressoras a jato de tinta. 
Logo no começo, a HP alinhou seus interesses com os de sua parceira 
japonesa. Enquanto a HP assumiu a responsabilidade de produzir circuitos 
impressos (ou “formatadores”), a Canon concordou em fabricar os motores para as 
impressoras da série Laserjet. Era uma divisão de responsabilidades equitativa e as 
duas equipes de pesquisa e desenvolvimento aprenderam a trabalhar de forma 
estreita e conjunta. Depois do lançamento da Laserjet, a HP e a Canon rapidamente 
adaptaram seus networks de fornecimento para os mercados do produto. A HP usou 
sua fábrica em Idaho e na Itália e a Canon, as fábricas de West Virgínia e Tokio. 
Contudo, a HP e a Canon deixaram de prever um problema. Para manter os 
custos baixos, a Canon concordou em alterar o número de motores que produzia, 
mas apenas se a HP lhe comunicasse sobre eventuais mudanças com bastante 
antecedência – talvez seis meses ou mais antes de as impressoras serem 
introduzidas no mercado. Naquele estágio, a Canon era capaz de modificar sua 
programação de fabricação em apenas alguns pontos percentuais. Em 
consequência, a cadeia de valor não conseguia lidar com flutuações repentinas da 
demanda. Assim, quando aconteceu uma inesperada queda da demanda para a 
Laserjet III (próxima ao final de seu ciclo de vida), a HP foi impactada por um 
enorme e custoso excedente de motores de impressora: a notória montanha de 
Laserjets. O fato de ter uma cadeia de suprimentos adaptável e alinhada não ajudou 
a HP a superar sua falta de agilidade. 
 
A adaptação do mais apto 
É fato que as empresas não têm escolha. Elas precisam manter suas 
cadeias de suprimentos adaptadas. 
 
 
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Em meados dos anos 90, quando a Lucent, megaempresa americana de 
telecomunicações, percebeu que poderia abrir novos caminhos na Ásia, bastando, 
para isso, que tivesse fábricas locais, promoveu uma revisão em sua cadeia de 
suprimentos. Montou fábricas em Taiwan e na China que lhe permitiram customizar 
seus comutadores tão rapidamente e a custos tão baixos quanto as concorrentes, 
Siemens e Alcatel, haviam feito. Para alinhar os interesses da controladora e das 
subsidiárias, os executivos da Lucent pararam de cobrar preços inflacionados de 
suas empresas asiáticas pelos módulos que eram remetidos dos Estados Unidos. 
Ao fim dos anos 90, a Lucent havia recapturado a participação de mercado 
na China, Taiwan, Índia e Indonésia. 
Infelizmente, a história não acaba aqui porque a Lucent resolveu parar de 
adaptar sua cadeia de suprimentos. A empresa não percebeu que muitos fabricantes 
de médio porte haviam desenvolvido tecnologias e expertise para produzir 
componentes e subconjuntos de comutadores digitais e que, em função das 
economias de escala, isso podia ser feito por uma fração dos custos da Lucent. Ao 
perceber como seria o futuro, os concorrentes terceirizaram agressivamente os 
sistemas de manufatura de comutadores. Em função da redução de custos 
resultante, eles eram capazes de cotar preços mais baixos do que a Lucent que, 
enquanto isso, estava relutando em terceirizar sua fabricação porque havia investido 
em fábricas próprias. Ao final, a Lucent ficou sem opções a não ser fechar sua 
fábrica em Taiwan, em 2002, e montar uma cadeia de suprimentos terceirizada. A 
adaptação da empresa chegou tarde demais e a Lucent não foi capaz de 
reconquistar o controle do mercado global, embora a cadeia de suprimentos fosse 
ágil e alinhada. 
 
 
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57 
 
UNIDADE 7 – BENCHMARKING DA CADEIA DE 
SUPRIMENTOS 
 
Benchmarking constitui-se num processo sistemático de comparações entre 
processos semelhantes e, a partir dessas comparações, busca-se a promoção de 
melhorias que permitam que determinada atividade tenha excelência quando 
comparada com outras equivalentes em empresas do mesmo setor ou de outros 
setores da economia. O benchmarking auxilia empresas a definir metas, estimula 
novas ideias e oferece um método formalizado de gerenciamento de mudança. 
Para ser completo, o benchmarking de um processo de supply chain deve 
envolver a análise de componentes individuais da cadeia, bem como a análise do 
desempenho da cadeia como um todo. 
Embora o foco possa variar, um processo-padrão de benchmarking passa, 
necessariamente, pela identificação e priorização dos processos-alvos de 
benchmarking, pela seleção dos indicadores de desempenho a serem comparados 
em cada processo, pela seleção de empresas leading-edge nos processos 
selecionados, pela comparação entre os processos e, finalmente, pela análise dos 
fatores que motivaram as diferenças encontradas. A etapa de implementação deve 
estar suportada pelo planejamento dos passos necessários à modificação dos 
processos. 
O processo genérico de benchmarking 
Seleção de processos e indicadores a serem 
comparados 
Comparação com outras empresas 
 
Entendimento dos motivadores das diferenças 
 
 
Identificaçãodos passos necessários às 
mudanças 
 
 
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A experiência bem-sucedida de benchmarking da Xerox na década de 70 
mostrou ao mundo os benefícios potenciais dessa iniciativa. Os resultados obtidos 
(aumento na receita de US$ 265 milhões somente nos dois primeiros anos) 
salvaram a empresa da falência e popularizaram o benchmarking. 
Na época, a Xerox passava por uma acirrada competição com a indústria 
japonesa, que oferecia produtos de baixo custo, alta qualidade e com um excelente 
suporte técnico. A saída encontrada pela Xerox foi o benchmarking de empresas de 
outros setores. O primeiro processo-alvo foi o de processamento de pedidos e, a 
partir daí, não parou mais. A Xerox adotou o benchmarking como estratégia 
competitiva e, até o ano de 1983, mais de 230 processos já haviam passado pela 
comparação. 
Os benefícios, no entanto, não vêm facilmente. É preciso investimento em 
tempo e recursos de diversas áreas, pois muitos processos permeiam diversas 
funções. 
 
7.1 O processo de benchmarking 
O processo de benchmarking do supply chain deve passar tanto pela análise 
de sua eficiência global, quanto pela forma de retratar o efeito conjunto de todos os 
componentes logísticos, como também pela análise dos componentes individuais do 
supply chain, como transporte, estoque, armazenagem e infraestrutura de 
gerenciamento e sistemas de informação. Dessa forma, garante-se que a mudança 
na forma de operação de determinado componente logístico resulte, 
necessariamente, em um supply chain mais eficiente. 
De maneira geral, a realização e implementação de um processo de 
benchmarking passa pelos passos descritos no quadro a seguir: 
 
 
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Passos necessários para realização e implementação de um processo de 
Benchmarking de SC 
1º passo – 
planejamento 
Definir 
objetivos 
Selecionar 
o(s) 
processo(s) 
Mapear e 
medir os 
processos 
atuais 
Identificar 
indicadores 
a serem 
utilizados na 
comparação 
entre 
processos 
Pesquisar 
fontes 
potenciais de 
benchmarking 
2º passo – 
formação dos 
times 
Selecionar 
coordenado-
res dos times 
Selecionar 
time para 
manuseio 
das 
informações 
Selecionar 
time para 
realização 
das visitas 
Treinamento 
dos times 
 
3º passos – 
obtenção e 
análise de 
dados 
Coletar 
dados dos 
parceiros 
Comparação 
dos 
processos 
Analisar os 
gaps de 
desempe-
nho 
Identificar 
soluções que 
geram 
benefícios 
Preparar 
planos de 
implementação 
(listar 
processos, 
estabelecer 
cronogramas, 
etc) 
4º passo –
Implementação 
da mudança 
Definir 
objetivos 
Fazer 
orçamentos 
Implementar 
a mudança 
do processo 
Monitorar o 
processo e 
comunicar 
resultados 
 
Fonte: Ribeiro (2006, p. 100). 
O Planejamento constitui o primeiro passo e também o mais crítico da 
condução do benchmarking. Por isso, devem ser dedicados tempo e recursos na 
discussão dessa etapa. O conteúdo dessas discussões deve partir da definição dos 
objetivos do benchmarking, o que significa, antes de qualquer coisa, definir se o 
objetivo são mudanças radicais ou incrementais, e que tipo de benchmarking utilizar. 
A decisão seguinte consiste na seleção dos processos que passarão por 
benchmarking. 
Se o objetivo definido for reduzir custo e melhorar o atendimento, então 
devem ser selecionados processos que potencialmente tenham espaço para ambos 
os resultados. Caso contrário, devem ser escolhidos aqueles que tenham maior 
potencial para redução de custo ou melhoria de serviço. A maioria dos processos 
estará voltada somente para um dos dois resultados. 
 
 
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A seleção dos indicadores de cada processo e a seleção das empresas 
leading-edge finalizam a etapa de planejamento do benchmarking. 
A etapa de Seleção dos Times deve garantir o comprometimento da 
equipe, a divisão de tarefas e que o cronograma definido seja passível de ser 
cumprido dado determinado tamanho de equipe e número/complexidade de 
processos a serem analisados (problema que ocorre com muitas empresas que se 
propõem a fazer benchmarking). 
A Obtenção e Análise de Dados também exige alguns cuidados, 
principalmente na coleta de dados dos parceiros e comparação de processos. 
Garantir que os dados quantitativos coletados sejam comparáveis não costuma ser 
tarefa fácil. Como forma de evitar armadilhas, é importante avaliar não apenas 
indicadores de linha de fundo ou bottom-line, mas também aqueles indicadores 
operacionais, que permitem entender melhor as características dos processos (ex.: 
número de SKUs, de pedidos/dia, etc.). 
A Implementação da Mudança exige, necessariamente, a alocação de um 
líder nas áreas onde as mudanças de processos serão implementadas. De 
preferência, esses líderes devem ter envolvimento nas etapas anteriores, como 
forma de garantir a propriedade ou o ownership da iniciativa. A definição de objetivos 
deve contemplar os indicadores que medirão o sucesso da implementação e a 
condução da implementação propriamente dita deve ficar sob responsabilidade local 
do líder do processo e supervisão de um gerente sênior (RIBEIRO, 2006). 
 
7.2 O planejamento do benchmarking 
No planejamento do benchmarking precisamos definir os objetivos, 
selecionar os processos e definir os indicadores de desempenho a serem 
analisados. 
A primeira decisão relacionada ao escopo diz respeito ao tipo de 
benchmarking que será realizado. Essa decisão deve depender da forma como a 
empresa está estruturada, dos objetivos que se pretende alcançar (mudanças 
 
 
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radicais versus incrementais) ou mesmo do grau de colaboração e estágio de 
desenvolvimento de empresas do mesmo setor ou de outros setores. 
O quadro abaixo apresenta como essas variáveis devem ser consideradas e 
as dificuldades impostas a cada um dos tipos de benchmarking. 
 
 
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TIPO DEFINIÇÃO QUANDO USAR ARMADILHAS E 
BARREIRAS 
Interno 
Comparação de 
práticas e 
indicadores de 
desempenho 
de unidades similares 
dentro da mesma 
organização. 
Quando a empresa 
está em uma fase 
inicial de 
benchmarking e possui 
unidades de negócios 
similares em outras 
localidades. 
Dificuldade de 
comunicação interna. 
Pesquisas mostram 
que os resultados 
deste tipo de 
benchmarking não são 
muito significativos. 
Entre 
competidores 
Comparação das 
práticas e indicadores 
internos com o de 
competidores dentro 
de um mesmo setor. 
Pode ser feito com ou 
sem o conhecimento 
do competidor.No 
entanto, é mais 
utilizado quando existe 
facilidade de acesso 
ao competidor. 
Dificuldades na 
obtenção de dados 
confiáveis, atualizados 
e comparáveis. 
Pesquisas mostram 
que os resultados 
desse tipo de 
benchmarking não são 
muito significativos. 
Funcional Identificação do 
ranking de empresa 
em relação a 
determinado indicador 
de desempenho. 
Comparação pode ser 
feita dentro de um 
mesmo setor ou fora 
dele. 
Quando seu objetivo 
for a comparação de 
custo ou outro 
indicador de 
desempenho entre 
organizações 
semelhantes. 
Nem sempre é 
conclusivo e não 
apresenta como 
melhorar. 
Pode gerar 
complacência quando 
os resultados mostram 
a empresa como nº1 
no ranking. 
Processo Aprender com outras 
empresas que 
possuem processos 
similares, mas não são 
competidores. 
Quando a empresa 
busca ideias 
inovadoras. Quando já 
foram utilizados outros 
meios na tentativa de 
melhorar os processos 
e está sendo buscada 
uma mudança radical. 
Necessita um certo 
nível de abstração e 
criatividade. 
Colaborativo Formação de um grupo 
fechado de empresas 
(competidores ou de 
outras indústrias) com 
o objetivo de 
compartilhar 
informações. 
Quando os membros 
do grupo possuem 
níveis de eficiência 
altos. 
Deve ser pensada uma 
forma de se proteger 
informações 
disponíveis. Só estarão 
disponíveis 
informações do próprio 
grupo, não 
necessariamente das 
melhores práticas. 
 
 
 
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Segundo Ribeiro (2006), não existe informação disponível sobre o tipo de 
benchmarking mais utilizado. No entanto, pesquisas mostram que empresas que 
utilizaram benchmarking interno ou com competidores da mesma indústria não 
obtiveram resultados tão positivos quanto aquelas que selecionaram empresas de 
outros setores e líderes em determinados processos. A abordagem do 
benchmarking colaborativo, no entanto, tem aumentado sua popularidade devido à 
maior facilidade de coleta de informações. 
O benchmarking interno já foi utilizado por empresas como a Xerox, nas 
iniciativas de vendas em suas divisões mundiais, ou a CARE USA, empresa de 
ajuda humanitária sem fins lucrativos, que, após sofrer redução de verbas, investiu 
maciçamente no compartilhamento de experiências bem-sucedidas entre suas 37 
unidades de apoio espalhadas no mundo todo. Como pode ser observado, esse tipo 
de benchmarking é mais utilizado em empresas com atividades similares replicadas 
em várias regiões. 
É claro que existem níveis de dificuldade diferentes para cada tipo de 
benchmarking escolhido, havendo uma relação clara entre dificuldade e retorno. 
Exemplo disso é o benchmarking de processo. Apesar de pesquisas terem apontado 
alta ocorrência de casos de sucesso, esse tipo de benchmarking requer uma 
dedicação enorme de tempo e pessoal qualificado na identificação de empresas com 
processos operacionalmente comparáveis, na padronização dos indicadores de 
desempenho e na identificação dos fatores que motivaram os gaps, de forma a 
garantir que as diferenças de desempenho encontradas sejam fruto de uma melhor 
forma de executar o processo em questão, e não de diferenças inerentes à indústria. 
Quanto a seleção dos processos, essa decisão está relacionada à definição 
dos componentes do supply chain que serão o foco da análise. Um passo anterior à 
seleção dos processos objetos de benchmarking deve ser o mapeamento e 
entendimento do funcionamento dos processos atuais. 
Nesse sentido, um dos grandes problemas com a utilização do 
benchmarking está na comparabilidade dos processos a serem avaliados. Ou seja, 
como definir os limites de um processo e seus parâmetros de desempenho de forma 
 
 
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que o escopo de análise seja o mesmo na empresa promotora da iniciativa e na 
empresa best-in-class? 
Na tentativa de solucionar este problema, o Supply Chain Council 
desenvolveu o SCOR Model (Supply Chain Operations Reference Model), modelo 
que busca, pelo estabelecimento de processos padrões, métricas comuns e 
apresentação das melhores práticas, viabilizar e incentivar melhorias contínuas na 
cadeia de suprimentos. 
É importante destacar que essa metodologia é uma tentativa de 
padronização de processos e, apesar de não existir uma única alternativa ou, ao 
menos, uma alternativa mais indicada, ela é utilizada por diversas empresas de 
grande porte, inclusive por empresas de desenvolvimento de ERPs. 
Essa metodologia sugere a divisão das atividades da empresa em cinco 
macroprocessos (Plan, Source, Make, Deliver e Return), cada um deles sendo 
responsável por um conjunto de microprocessos, conforme apresentado abaixo: 
a) Plan – desenvolvimento de diretrizes que garantam a disponibilidade de 
recursos dada uma determinada necessidade. Envolve o planejamento do 
Supply chain, do Sourcing, da Produção, da Entrega e do Retorno. 
b) Source – procurement, Agendamento das Entregas, Recebimento, 
Verificação, Transferência e Pagamento. 
c) Make – execução de Produção, Make-to-Stock e Make-to-Order. É composto 
das atividades de planejamento detalhado da produção (ex.: Semanal), 
Disponibilização do Insumo Necessário, Produção e Teste e 
Montagem/Embalagem. 
d) Deliver – processamento do pedido. Definição da data de entrega. 
Consolidação de notas, Planejamento do Transporte (ex.: Tipo de veículo, 
Transportadora e Rota), Separação, Carregamento, Geração de Nota Fiscal, 
Transporte e Pagamento do Transportador. 
e) Return – escopo deste processo envolve: Devolução de Matéria-prima (para 
Fornecedor) e Recebimento de Produtos Acabados Devolvidos (pelo Cliente). 
É composto das seguintes atividades: Autorização/Solicitação de Retorno, 
 
 
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Agendamento do Retorno, Recebimento e Verificação do Produto e 
Autorização da Devolução ou Crédito. 
O macroprocesso de planejamento permeia todos os demais que envolvem 
atividades estritamente operacionais e relacionadas ao dia-a-dia da operação. 
Questões relacionadas à gestão de estoques e da armazenagem, por 
exemplo, fazem parte da forma como o macroprocesso de Entrega (delivery) será 
suportado. 
Esses microprocessos de apoio fazem parte do macroprocesso denominado, 
na metodologia, Enable. Para cada um dos microprocessos listados acima, são 
estabelecidos atributos de desempenho e, quando aplicável, dicas de melhores 
práticas, 
A decisão de quais microprocessos selecionar passa pela análise de 
questões como: 
1. Importância do processo para o cliente. 
2. Custo de cada processo em relação ao custo total do supply chain. 
3. Percepção do potencial de redução de custo. 
Devem ser atribuídas notas e pesos a cada uma dessas questões para que 
seja possível a formação de um ranking de importância. O número de processos a 
serem escolhidos deve ser contraposto ao tempo e número de recursos disponíveis 
para a realização da tarefa. 
Quanto a definição dos indicadores de desempenho a serem analisado, a 
importância da análise conjunta dos impactos das mudanças em processosindividuais e no desempenho do supply chain como um todo deve estar refletida em 
indicadores para ambas as perspectivas. 
A seleção desses indicadores deve levar em consideração dois drivers 
principais: custo e nível de serviço. Nesse sentido, entender as necessidades e 
expectativas dos clientes e o impacto de determinadas decisões no custo dos 
processos analisados ajuda na escolha de indicadores relevantes. 
 
 
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Ribeiro (2006) cita uma pesquisa realizada na Europa com 29 empresas de 
três setores diferentes em cinco países e apontou os seguintes indicadores típicos 
na avaliação da eficiência do supply chain e de seus componentes, listados abaixo: 
a) componentes individuais do supply chain: 
 frequência de entrega; 
 tamanho do pedido; 
 percentual de pedidos especiais; 
 número de reclamações; 
 giro de estoque; 
 número de ocorrências de falta de estoque; 
 número de ocorrências de falta de estoque no cliente; 
 % de ocupação do veículo; 
 acurácia da previsão de vendas; 
 eficiência dos sistemas de suporte logísticos (ex.: Acurácia das informações; 
Existência de controle de processos; Existência de sistemas de 
rastreamento); 
 indicadores de nível de serviço por processo (Exemplo em armazenagem: 
taxa de erro no picking); 
 indicadores físicos (ex.: densidade do produto; valor por m3 do produto). 
 
b) Análise integrada do supply chain: 
 tempo de cicio do pedido (data de entrega no cliente – data de recebimento 
do pedido); 
 lead-time de entrega (data de entrega no cliente – data de saída do produto); 
 percentual de pedidos entregues depois da data combinada; 
 percentual de pedidos entregues depois da data requerida; 
 percentual dos pedidos entregues on-time e in-full; 
 custo do supply chain em relação ao custo total do produto; 
 composição dos custos logísticos (ex.: transportes, estoque e armazenagem); 
 grau de fragmentação da responsabilidade sobre o supply chain. 
 
 
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A metodologia SCOR, por sua vez, aponta para cinco grupos de atributos os 
quais os indicadores de desempenho devem estar relacionados. A partir desses 
atributos, são listados indicadores pertinentes a cada micro processo do supply 
chain. Estes atributos são: confiabilidade, velocidade, flexibilidade, custo e eficiência 
no gerenciamento de ativos. 
Não obstante a padronização de processos e métricas garantir que os 
indicador de desempenho avaliados sejam exatamente os mesmos entre as 
empresas envolvidas no benchmarking, ela não é suficiente para garantir que seus 
valores sejam comparáveis. Ou seja, se a empresa best-in-class possui um custo de 
transporte equivalente a 20% do custo total da cadeia de suprimentos, não significa 
que seja possível a uma empresa do mesmo setor chegar a um percentual 
equivalente ou mesmo próximo dele. Isso ocorre porque existem variações que 
influenciam nesse custo, como por exemplo: 
 número de depósitos avançados (menores distâncias de entrega); 
 nível de fracionamento dos pedidos; 
 prazos de entrega acordados. 
Assim, a comparabilidade dos resultados encontrados para os indicadores 
de desempenho analisados depende de fatores como: número de instalações, 
estratégia de nível de serviço, perfil dos clientes, entre outras questões que 
dependem tanto do mercado quanto de decisões internas da empresa (RIBEIRO, 
2006). 
Nesse contexto, a avaliação cuidadosa dos gaps e de seus possíveis 
motivadores constitui, mais do que uma análise interessante, uma necessidade 
como forma de garantir a viabilidade da implementação de determinada solução. 
A seleção de fontes de benchmarking que sejam as mais aderentes possível 
ao ambiente da empresa proponente também constitui uma excelente forma de 
reduzir as distorções inerentes a qualquer iniciativa nessa área. 
A larga utilização do benchmarking como estratégia competitiva é inspirada 
em casos de sucesso como o da AT&T, que registrou a redução de 40% em seu 
 
 
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tempo de ciclo, ou da Oryz Energy, que conseguiu reduzir custos de pessoal e 
transporte em, respectivamente, 21% e 32% em despesas operacionais. 
No entanto, apesar de ser conhecido como uma forma rápida de aumentar a 
eficiência e/ou melhorar o nível de serviço, o benchmarking requer cuidado especial 
em sua etapa de planejamento. 
O tipo de benchmarking (interno, entre competidores, funcional, por 
processo e colaborativo) a ser utilizado, a seleção dos processos que serão objeto 
de benchmarking, a definição de indicadores de desempenho que servirão como 
base de comparação entre esses processos e a seleção das empresas best-in-class 
são tarefas críticas para o sucesso da iniciativa. 
O grande desafio da utilização do benchmarking está relacionado à 
dificuldade de se garantir a comparabilidade dos processos. Isso se dá basicamente 
por dois motivos: 
1º. Diferenças na segmentação dos processos e forma de cálculo dos 
indicadores de desempenho. 
2º. Diferenças estruturais das empresas, relacionadas às características 
particulares como número de instalações, perfil dos clientes e estratégia de 
nível de serviço, entre outras. 
Enfim, iniciativas de padronização de processos e indicadores de 
desempenho (os sistemas de ERP constituem uma forma de padronizar as decisões 
operacionais) vêm a reduzir o primeiro gap. Já o segundo é mais difícil de ser 
contornado. Nesses casos, é necessária boa dose de abstração e capacidade 
analítica que permita identificar o que pode ser depreendido de positivo em 
processos que não necessariamente deveriam ser os mesmos. 
 
 
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REFERÊNCIAS 
 
REFERÊNCIAS BÁSICAS 
 
FIGUEIREDO, Kleber Fossati; FLEURY, Paulo Fernando; WANKE, Peter; (orgs.). 
Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos: planejamento do fluxo de 
produtos e dos recursos. 1ª Ed. 3ª reimp. São Paulo: Atlas, 2006. (Coleção 
COPPEAD de Administração). 
MARTINS, Petrônio G.; LAUGENI, Fernando Piero. Administração da produção. São 
Paulo: Saraiva, 2005. 
PIRES, Sílvio R. L. Gestão da Cadeia de Suprimentos: conceitos, estratégias, 
práticas e casos. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2012. 
 
REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES 
 
AFONSO, Ariston Alves; FLEURY, Nélio. Uma breve história da engenharia (2007). 
Disponível em: http://pessoal.utfpr.edu.br/airton/arquivos/HE.pdf 
BATALHA, M.; SILVA, A. Gerenciamento de sistemas agroindustriais: definições e 
correntes metodológicas. In: Gestão Agroindustrial, 2 ed. São Paulo: Atlas, 2001, v. 
1. 
BOWERSOX, D.J.; CLOSS, D. J. Logística empresarial: o processo de integração da 
cadeia de suprimentos. São Paulo: Atlas, 2001. 
BRAGA, Ataíde. Evolução estratégica do processo de compras ou suprimentos de 
bens e serviços nas empresas (2006). Disponível: 
http://www.forumlogistica.net/site/new/art_Evol_Estrat_de_compras_e_supr_bens_de_serv.pdf 
CHIAVENATO, Idalberto. Administração de materiais: uma abordagem introdutória. 
Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. 
DIAS, Marco Aurélio P. Administração de materiais: uma abordagem logística. São 
Paulo: Atlas, 1990. 
FERDOWS, Kasra et al. Suprimento imediato. In: GESTÃO DA CADEIA DE 
SUPRIMENTOS. Trad. Ricardo Bastos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. 
FLEURY, Paulo Fernando; WANKE, Peter; FIGUEIREDO, Kleber Fossati (orgs.). 
Logística Empresarial: a perspectiva brasileira. 1ª Ed. 8ª reimp. São Paulo: Atlas, 
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GAITHER, N.; FRAZIER, G. Administração da Produção e Operações. 8 ed. São 
Paulo: Thomson Learning, 2002. 
 
 
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70 
 
LEE, Hau L. A cadeia de suprimentos dos três As. In: GESTÃO DA CADEIA DE 
SUPRIMENTOS. Trad. Ricardo Bastos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. 
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