"Eficácia da Lei no Tempo e no Espaço" & "Sujeitos do Direito: Pessoal Natura e Pessoa Jurídica"
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"Eficácia da Lei no Tempo e no Espaço" & "Sujeitos do Direito: Pessoal Natura e Pessoa Jurídica"


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Resumo: Capítulos 24 e 28 \u2013 Introdução ao Estudo do Direito \u2013 Paulo Nader
Temas: Eficácia da Lei no Tempo e no Espaço 
 Sujeitos do Direito: Pessoal Natura e Pessoa Jurídica
Eficácia da Lei no Tempo e no Espaço
Vigência e Revogação da Lei
No Direito a lei começa envelhecer a partir do seu nascimento. Um conjunto normativo é preparado de acordo com o modelo fático, em consonância com a problemática social que se desenrola num determinado tempo. No Brasil, uma lei passa a existir a partir da sua promulgação, mas seu início de vigência é condicionado pela vocatio legis. Quando não expresso, a lei entra em vigor 45 dias após sua publicação no Diário Oficial da União. Quando essa aplicação de lei brasileira for admitida no estrangeiro, o tempo é condicionado para três meses.
Figura 1: Esquema da vocatio legis.
Imagem autoral.
 Com o decorrer do tempo algumas leis continuam refletindo as valores daquele povo, porém algumas leis do texto normativo passam a não mais terem vigência. A perda da lei pode ocorrer nas seguintes hipóteses: 
a) Revogação por outra lei: Pode ser total (ab-rogação) ou parcial (derrogação). Os romanos adicionaram ainda uma sub-rogação, que consistia na inclusão de outras disposições em uma lei existente e a modificação, que substituía parte da lei anterior por nossas disposições. Também pode ser expressa ou tácita. Na primeira hipótese a lei nova determina explicitamente a revogação da lei anterior, ocorre quando a lei nova dispões de maneira diferente sobre assunto contido na lei anterior ou quando a lei nova disciplina inteiramente os assuntos da lei anterior; 
b) Desuso do tempo: Não aplicação de uma lei, mas que apesar disso, continua vigente e só desaparece do mundo jurídico se for revogada; 
c) Desuso: As leis defeituosas, causadoras o desuso, classificadas como: leis anacrônicas, leis artificiais, leis injustas, ou leis defectivas.
Repristinação 
Quando uma lei revogadora perde vigência, a lei anterior, por ela revogada, não recupera a sua validade. Nesse caso, o retorno da vigência, é designado de repristinação, sendo este condenado do ponto de vista teórico do nosso ordenamento. Observe a baixo um esquema que simplifica tal afirmação:
	
Figura 2: Esquema da repristinação.
Imagem autoral.
Pode ainda acontecer de voltar a vigência de alguns aspecto da lei revogada (LEI \u201cA\u201d, na figura 2), porém deve ser expresso na nova lei (LEI \u201cC\u201d, na figura 2) e ainda não ser algo que venha ferir o ordenamento jurídico da época em que se aplica. 
Direito Intertemporal 
Quando um fato jurídico se realiza e produz efeitos sob a vigência de uma determinada lei, não ocorre o conflito de lei no tempo, porém quando um fato jurídico ocorrido na vigência de uma lei, estende os efeitos até a vigência da lei, ocorre uma problemática. Para tal, usa-se os seguintes conceitos:
a) Direito adquirido: O direito já é da pessoa, em razão de que cumpriu todos os requisitos para adquiri-lo. Está ligado ao patrimônio jurídico e não econômico da pessoa;
b) Ato jurídico perfeito: O que se formou sob o império da lei velha;
c) Coisa julgada: Decisão judicial que já não cabe mais recurso;
Irretroatividade da Lei
Refere-se a não aplicação da lei nova sobre uma situação já definitivamente constituída no passado. A lei nova não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a causa julgada. Em matéria criminal, a lei penal não retroagirá, \u201csalvo para beneficiar o réu\u201d. 
Há exceções de irretroatividade da lei:
Leis interpretativas;
No Direito Penal, para beneficiar o réu na exclusão do caráter delituoso do ato ou no sentido de minorarem a penalidade;
Leis abolidas, incompatíveis ao sentimento ético da sociedade;
Admite-se também, que a lei em vigor terá efeito imediato e geral, desde que respeite o ato jurídico perfeito e a causa julgada.
Existem algumas teorias que abordam o conceito e a caracterização da irretroatividade da lei, destacam-se: 
Doutrina Clássica ou dos Direitos Adquiridos: Parte da distinção entre faculdade, expectativa e direito adquirido. A faculdade foi concedida como a possibilidade jurídica de se praticar atos. A expectativa não passa da esperança de se adquirir um direito caso venha a realizar um acontecimento futuro. E o direito adquirido já fora explicado anteriormente, como aqueles que entram em nosso domicílio, formando parte dele e não pode vir a ser defeituoso;
Teoria da Situação Jurídica Concreta: Caracteriza-se por ser a posição que a pessoa encontra-se em relação à lei. Somente se caracteriza a retroatividade quando a lei nova alcança a situação jurídica concreta;
Teoria dos Fatos Cumpridos: O importante para essa teoria é a construção do fato cumprido durante a vigência da lei anterior;
Teoria de Paul Roubier: Segundo Roubier somente há retroatividade em face da lei expressa; não pode haver retroatividade implícita ou tácita, que se extraia por via da interpretação ou de jurisprudência. Ao contrário, na ausência de dispositivos legais explícitos, deve o intérprete resolver da melhor maneira se ocorre efeito imediato da nova lei ou sobrevivência da lei antiga; portanto, pode haver efeito imediato da lei nova ou sobrevivência da lei antiga de maneira tácita ou explicita;
A Concepção de Planiol: A lei será retroativa quando atua sobre o passado, seja para apreciar as condições de legalidade de um ato, seja para modificar ou suprimir os efeitos de um direito já realizado. Fora de tais casos não há retroatividade, e a lei pode modificar os efeitos futuros de fatos e atos anteriores, sem retroativa;
O Princípio Ratione Materiae: A particularização de assuntos para disciplinar o problema da irretroatividade.
 
Direito Interespacial
Surgimento \u2013 Roma
Os romanos garantiam os direitos e deveres apenas ao cidadãos patrícios, esse caracterizava-se por ser o Jus Civile. Com o aparecimento de estrangeiros em terras romanas, necessitou a criação de normas que regulamentassem também as relações destes, logo desenvolveu-se o Jus Gentium. Quando os bárbaros invadiram o Império Romano, ascendeu a problemática de qual lei aplicar sobre os mesmos.
Idade Média 
Na Idade Média surgiu a necessidade de se fixar critérios pra solucionar os conflitos de lei no espaço, em face do crescente intercâmbio comercial, industrial e intelectual entre os povos. As regras gerais para a solução de conflitos de lei no espaço foram distribuídas em 3 estatutos:
a) Estatutos Pessoais: Referiam-se a capacidade, nome, estado civil, Direito de Família;
b) Estatutos Reais: Referiam-se aos bens e o princípio a que se submetiam;
c) Estatutos Mistos: Referiam-se às pessoas e às coisas.
Atualidade
Ainda hoje essa problemática aparece no nosso ordenamento, caracterizada pela concorrência de lei num mesmo espaço, que pertencem a Estados diferentes, diz respeito ao território que vai ser aplicado a norma. A lei aplica-se no Brasil, tanto para os nacionais como para os estrangeiros que aqui residem. Em cestos casos, a lei pode ter eficácia no exterior, quando a própria norma disponha. 
As normas que visam solucionar o conflito de leis no espaço, são denominadas superdireitos, os quais não criam norma de conduta social, mas indicam o sistema jurídico que deve aplicar determinada relação de direito.
Entre os princípios básicos que o Direito Interespacial apresenta, o da territorialidade significa que a leia ser aplicada é a do território, vedada, pois a Direito estrangeiro. O da extraterritorialidade, corresponde à admissão da vigência de lei forânea, em um Estado, sobre determinada matéria. Podendo o juiz adotar o princípio da lei da nacionalidade do indivíduo, ou a de seu domicílio.
No Brasil, as disposições referentes à eficácia da lei no espaço está resguardado principalmente na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, a partir do 7°. A Constituição Federal, o Código Civil, Código Penal e Código Processual Civil estabelecem também algumas regras pertinentes à matéria. 
Sujeitos do Direito: